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quarta-feira, 6 de março de 2019

Cúrcuma: possibilidades terapêuticas

Texto e fotos:

Nathânia Sousa Frutuoso
Farmacêutica, aromaterapeuta e escritora.

Identificação botânica: Curcuma longa L. 

Nomes populares: açafrão, açafrão-da-terra, açafroa, açafrão-da-índia, cúrcuma, gengibre amarelo, mangarataia, turmérico. 
A Curcuma longa, também conhecida como açafrão-da-terra, é uma planta aromática de origem asiática, facilmente cultivada no Brasil e nos países tropicais. Popularizou-se em nosso país através de seu uso condimentar (corante alimentar e tempero), e, ultimamente, vem sido conhecida por suas finalidades medicinais. Na Índia e na China é utilizada há muitos anos como fitoterápico. 
A parte da planta utilizada para uso terapêutico são os rizomas (estruturas que ramificam-se horizontalmente no nível subterrâneo, no caso da cúrcuma). 

Fitoterapia

A cúrcuma, na fitoterapia, pode ser utilizada por uso interno, nas formas de decocção (chá), tintura hidroalcóolica, extratos secos ou fluidos e em uso externo na forma de pó para emplasto ou decocção para banho/compressa. 

Usos terapêuticos: 

-colerética (estimulante da secreção da bílis), por esse efeito pode ser indicado para tratamento de prisão de ventre e auxiliar a digestão; 
-estimulante do apetite; 
-antiflatulenta (evita a formação de gases intestinais); 
-vermífuga; 
-antiespasmódica (tratamento de cólicas); 
-redução dos níveis de colesterol e glicose; 
-anti-inflamatória (pode ser utilizada para tratamento das dores de garganta causadas por inflamação e de vários outros tipos de inflamação, como a artrite, por exemplo); 
-antiagregante plaquetária; 
-antisséptica; 
-antidiarreica; 
-hepatoprotetora; 
-antioxidante (prevenção de câncer e outras doenças); e
-estimulante do sistema imunológico (aumenta a resposta das nossas células de defesa contra invasores, como vírus, bactérias e fungos). Por ser também imunomoduladora, previne reações alérgicas, como asma, por exemplo.

Como várias plantas medicinais, a cúrcuma, além de vários benefícios, também tem contraindicações. São elas: para portadores de úlcera gastroduodenal, crianças menores de 4 anos, gestantes, lactantes e durante a tentativa de concepção. 

Precauções: portadores de cálculos biliares e obstrução dos ductos biliares devem utilizar a Cúrcuma apenas com orientação profissional (a planta auxilia no tratamento de cálculos biliares, mas deve ser utilizada com cautela nesses casos). 

O uso em excesso pode causar enjoo, irritação gástrica, e toxicidade. Há a possibilidade de interação química com medicamentos anticoagulantes e alguns quimioterápicos. 

Antes de associar essa ou outra planta a algum medicamento ou outra planta medicinal, e, ao iniciar um tratamento com plantas medicinais, oriente-se com um profissional da saúde que tenha capacitação em Fitoterapia. 

É possível utilizar a Cúrcuma também na alimentação (respeitando as contraindicações dessa planta), como suplementação nutricional e prevenção de doenças. Podemos utilizar o pó da erva ou mesmo fragmentos dela em sua forma fresca nos alimentos (preferencialmente após o cozimento), associando-o à pimenta, Gengibre ou azeite de Oliva, para ter maior absorção no organismo. Outra forma de utilização é adicionar os rizomas em sucos ou fazer chás (decocção), seguindo a maneira correta de preparo e tendo cautela em relação à super dosagem.

Para garantir os efeitos medicinais de qualquer planta, é necessário utilizar uma planta que passou por boas condições de cultivo e secagem. Geralmente, encontramos em mercados o pó da cúrcuma, armazenado em embalagens transparentes, e desidratado em luz solar direta (é uma maneira muito comum de secagem dessa planta); esses fatores, no entanto, podem causar a perda dos ativos terapêuticos. Verifique as condições de cultivo (como exposição à contaminação e uso de agrotóxicos), secagem e armazenamento das plantas, antes de utilizá-las para finalidades medicinais. 

Aromaterapia

Os óleos voláteis ou óleos essenciais, que raramente são encontrados em angiospermas monocotiledôneas, estão presentes nos rizomas da cúrcuma. Na aromaterapia, o óleo essencial extraído dessa planta é conhecido pelo nome de Turmérico. 

Algumas de suas indicações terapêuticas são: 

-estomáquica (estimulante do apetite); 
-colagoga e carminativa (combate a formação de gases intestinais); 
-antioxidante; 
-anti-histamínica; 
-antimicrobiana (para bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e também para alguns fungos e germes envolvidos em colecistites); 
-citotóxica (para células de linfomas); 
-inibição da neurotoxina do veneno de jararaca (Bothrops jararaca); e
-diminuição do efeito letal causado pelo veneno de cascavel (Crotalus durissus terrificus). 

Precauções: altas doses do óleo essencial de cúrcuma pode causar neurotoxicidade e aborto. 

Atenção: os óleos essenciais raramente podem ser ingeridos ou utilizados puros sobre a pele. Esse tipo de administração deve ser feita apenas sob a orientação de um profissional aromaterapeuta. 

Princípios ativos da Curcuma longa: pigmentos fenólicos (bisferulyol-metano): curcumina e seus isômeros. Sesquiterpenos: turmerona. E ainda α e β-pineno, canfeno, limoneno, terpineno, cariofileno, linalol, borneol, cineol, polissacarídos e glicídeos (RIBEIRO; DINIZ). 

Outro princípio ativo encontrado: zingibereno. 

Bibliografia 

CORAZZA, Sônia. Aromacologia: uma ciência de muitos cheiros. Editora Senac. São Paulo, 2002. 

FIGUEIRA, L. W. Efeito do extrato de Curcuma longa L. sobre infecções in vitro por Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Candida albicans em macrófagos murinos. Dissertação (Mestrado em Biopatologia bucal). – Pós graduação em Biopatologia bucal – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Ciência e Tecnologia, São José dos Campos, 2017. 

GRANDI, Telma Sueli Mesquita. Tratado das plantas medicinais mineiras, nativas e cultivadas. AD/Equatio Estúdio. 2014. 

LASZLO, Fabian. Óleos essenciais e seus usos. Laszlo aromaterapia. 2010. 

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Nova Odessa-SP: Instituto Plantarum. 2008. 

MATOS. Francisco José de Abreu. Farmácias vivas: sistema de utilização de plantas medicinais projetado para pequenas comunidades. 4ª ed. Fortaleza: editora UFC. 2002. 

PERES, et al. Propriedades funcionais da Cúrcuma na suplementação nutricional. Revista interdisciplinar do pensamento científico. 2015. 

RIBEIRO, Paulo Guilherme Fereira; DINIZ, Rui Cépil. Plantas aromáticas e medicinais: cultivo e utilização. Londrina: IAPAR, 2008. 

SIMÕES, Cláudia Maria Oliveira, et. al. Farmacognosia: do produto natural ao medicamento. Porto Alegre: Artmed, 2017.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Essential oils to fight bacterial infections

Date: June 7, 2018 Source: James Cook University Summary: Scientists have discovered a technique to apply natural plant extracts such as Tea Tree Oil as a coating for medical devices, a process which could prevent millions of infections every year.

James Cook University scientists have discovered a technique to apply natural plant extracts such as Tea Tree Oil as a coating for medical devices, a process which could prevent millions of infections every year.

Professor Mohan Jacob, Head of Electrical and Electronics Engineering at JCU, leads a team investigating the problem. He said an increasing number of unplanned surgeries are being performed to fight infections -- mostly caused by bacterial activity on medical devices and a subsequent 'biofilm' forming on them.

"Just in the US, about 17 million new biofilm-related infections are reported annually, leading to approximately 550,000 fatalities each year. It's thought about 80% of worldwide surgery-associated infections may relate to biofilm formation," he said.

Professor Jacob said the team converted plant-based products -- known as Plant Secondary Metabolites (PSMs) -- into polymer coatings for medical devices, including implants.

"They're derived from such things as essential oils and herb extracts and they have relatively powerful broad-spectrum antibacterial activities. PSMs are a low-cost renewable resource available in commercial quantities, with limited toxicity, and potentially, different mechanisms for fighting bacteria than synthetic antibiotics."

Professor Jacob said the group's research tackled the persistent problem of how to convert the plant extracts from a liquid to a solid state as a coating for medical devices, without a significant loss of effectiveness.

Dr Katia Bazaka is an Adjunct Senior Research Fellow and team member. "We used plasma-enhanced techniques within a reactor containing the essential oil vapours. When the vapours are exposed to a glow discharge, they are transformed and settle on the surface of an implant as a solid biologically-active coating. These have shown good antibacterial properties," she said.

"The main advantage of this approach is that we are not using other chemicals, such as solvents, during the fabrication process. As such, there is no threat of potentially harmful chemicals being retained in the coating or them damaging the surface of the material onto which the coating is applied. It also makes the fabrication process more environmentally friendly," said Dr Bazaka.

Professor Jacob said the JCU group are currently the global pioneers in the development of plant-derived polymer thin films -- publishing over 70 research articles and six PhD theses in the field.

Professor Ian Atkinson, Director of JCU's eResearch unit and a collaborator on the project, said the work had recently been extended to target marine organisms, to prevent the growth of biofilms on aquatic sensors and their subsequent failure.

"Another attractive feature of these coatings is their optical transparency, which may be quite important if you are using them to coat contact lenses, or optical windows in aquatic sensors," he said.

Professor Jacob and his PhD students are now collaborating with the Dr Peter Mulvey and Associate Professor Jeff Warner at the JCU-based Australian Institute of Tropical Health and Medicine to study the activity of different types of bacteria on the plant- based coatings.

Background

Even though synthetic antibiotics have been the best weapon for eradicating microbial infections since the arrival of penicillin, the overuse of these medications is gradually rendering them ineffective. Scientists think that if new strategies are not developed soon, medical treatments could retreat to the era where slight injuries and common infections develop into serious medical problems.

Most plants produce organic molecules as antimicrobial agents to combat harmful microorganisms. In the past few decades, progress in the synthesis of nanoscale materials, in particular plasma-assisted fabrication, has provided the means to retain the antimicrobial activities of plant secondary metabolites within bioactive coatings.

Though the JCU team investigated many natural precursors, their main focus was on the Australian based essential oil, Tea Tree Oil (Melaleuca alternifolia) and its components. As part of a PhD project, Dr Katia Bazaka developed antibacterial coatings from terpene-4-ol, which is a major component of Tea Tree Oil.

Story Source:

Materials provided by James Cook University. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Ahmed Al-Jumaili, Avishek Kumar, Kateryna Bazaka, Mohan Jacob. Plant Secondary Metabolite-Derived Polymers: A Potential Approach to Develop Antimicrobial Films. Polymers, 2018; 10 (5): 515 DOI: 10.3390/polym10050515

Cite This Page:
James Cook University. "Essential oils to fight bacterial infections." ScienceDaily. ScienceDaily, 7 June 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/06/180607100945.htm>.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Orange, tea tree and eucalyptus oils sweeten diesel fumes

Waste essential oil can be blended with diesel for comparable performance to all-diesel fuel

Date: June 15, 2018 Source: Queensland University of Technology Summary: Waste oil from orange, tea tree and eucalyptus essential oil production mixed with diesel provides a sweet-smelling biofuel blend with comparable performance to diesel-only fuel.

QUT PhD researcher Ashrafur Rahman tested each of the waste oils for performance and emissions as a 10 per cent oil/90per cent diesel blend in a 6-cylinder, 5.9l diesel engine.

"As only therapeutic grade oil can be used, there is a substantial volume of low-value waste oil that currently is stored, awaiting a use," Mr Rahman said.

"Our tests found essential oil blends produced almost the same power as neat diesel with a slight increase in fuel consumption.

"Diesel particulate emissions, which are dangerous to human health, were lower than pure diesel, but nitrogen oxide emissions, a precursor to photochemical smog, were slightly higher."

Mr Rahman said the abundance of the three oils could mean that fragrant fumes on farms were not far off.

"Orange, eucalyptus and tea tree are either native or grown extensively in Australia for essential oil production.

"We see the main use for an essential oil/diesel blend would be in the agricultural sector, especially in the vehicles used by the producers of these oils.

"With further improvement of some key properties, essential oils could be used in all diesel vehicles."

Story Source:

Materials provided by Queensland University of Technology. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
S. M. Ashrafur Rahman, Md. Nabi, Thuy Van, Kabir Suara, Mohammad Jafari, Ashley Dowell, Md. Islam, Anthony Marchese, Jessica Tryner, Md. Hossain, Thomas Rainey, Zoran Ristovski, Richard Brown. Performance and Combustion Characteristics Analysis of Multi-Cylinder CI Engine Using Essential Oil Blends. Energies, 2018; 11 (4): 738 DOI: 10.3390/en11040738

Cite This Page:
Queensland University of Technology. "Orange, tea tree and eucalyptus oils sweeten diesel fumes: Waste essential oil can be blended with diesel for comparable performance to all-diesel fuel." ScienceDaily. ScienceDaily, 15 June 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/06/180615185531.htm>.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mistura de óleos essenciais revela ação anti-salmonela e antioxidante

https://www.unicamp.br/unicamp/index.php/ju/noticias/2018/04/18/mistura-de-oleos-essenciais-revela-acao-anti-salmonela-e-antioxidante

18.04.2018

Mix de plantas aromáticas é alternativa tanto nas dietas de animais como na elaboração de produtos à base de carne de frango

TEXTO CARMO GALLO NETTO FOTOS ANTONIO SCARPINETTI EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA

Por ser um alimento altamente perecível, a carne de frango e os produtos dela derivados são comumente passíveis de contaminação por salmonela (cujo nome científico é Salmonella), além de facilmente suscetíveis à perda de qualidade devido ao processo de oxidação lipídica.

A utilização de antibióticos e antioxidantes sintéticos no enfrentamento desses problemas tem sido a prática comum na indústria de alimentação animal e humana. Entretanto, os rigores cada vez maiores das regulamentações internacionais e mesmo nacionais, que proíbem ou restringem a utilização de aditivos sintéticos na produção alimentícia, e a conscientização crescente dos consumidores, em decorrência das mudanças nos contextos socioeconômicos e culturais, têm aumentado progressivamente a demanda por produtos mais naturais e que tendem a oferecer menores riscos à saúde.

Estes fatos têm levado a indústria alimentícia à utilização de componentes alternativos aos sintéticos. Ressalte-se que, no Brasil, que se tornou há mais de dez anos o maior exportador de carne de frango e seu segundo produtor mundial, apenas superado pelos EUA, essa preocupação assume particular importância, principalmente depois de a Operação Carne Fraca ter colocado em questão a seriedade e a competência das grandes empresas exportadoras brasileiras. 

Nesse contexto, as plantas aromáticas e seus óleos essenciais, que possuem pluralidades de atividades, constituem uma possibilidade de uso na ação antimicrobiana e antioxidante tanto nas dietas dos animais como na elaboração de produtos cárneos.
Adriana Nogueira Figueiredo (à esq.), autora do estudo, e Marta Cristina Teixeira Duarte, coordenadora da linha de pesquisa: encapsulamento de óleos essenciais em produtos cárneos rendeu patente

Em trabalho desenvolvido junto à linha de pesquisa mantida pela bióloga Marta Cristina Teixeira Duarte - pesquisadora do CPQBA-Unicamp e professora credenciada junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências de Alimentos da Faculdade de Ciências de Alimentos (FEA) da Universidade - que tem como foco a busca de novos antimicrobianos naturais a partir de plantas medicinais aromáticas, a zootecnista Adriana Nogueira Figueiredo utilizou uma mistura de dois óleos essenciais com o objetivo de obter um produto alternativo aos antibióticos e, portanto, com efeito anti-salmonela, e que também atuasse como antioxidante, propiciando ampliação do tempo de vida útil da carne, quando adicionado à alimentação de frangos.

Em vista das reconhecidas múltiplas funções dos óleos essenciais, a pesquisadora partiu da hipótese de que uma mistura de óleos essenciais provenientes das espécies aromáticas tomilho (Thymus vulgaris) e alfavacão (Ocimum gratissimum) poderiam exercer ação em frangos de corte tanto para o controle da salmonela (atividade antibacteriana) como da oxidação lipídica da carne (atividade antioxidante).

Diante dos bons resultados, a mesma composição de óleos essenciais foi também adicionada na elaboração de almôndegas, em substituição aos antioxidantes sintéticos, produzidas segundo processos industriais a partir das carnes moídas de peito e de sobrecoxa dos animais, cortes selecionados por se distinguirem na quantidade de gordura. A mistura dos óleos essenciais encapsulados nesses produtos cárneos revelou-se verdadeiramente eficaz e esse novo processamento foi patenteado mesmo antes da conclusão do doutorado da pesquisadora.

A professora Marta ressalta a importância do trabalho quando se sabe da tendência cada vez maior da substituição de produtos sintéticos antimicrobianos e antioxidantes por produtos naturais na indústria alimentícia. No caso dos antimicrobianos ela lembra o perigo crescente de resistência aos antibióticos pelo seu uso indiscriminado em vários segmentos, o que aponta na necessidade de desenvolvimento de antibióticos cada vez mais potentes.

Ação anti-salmonela

Para verificar a ação anti-salmonela da mistura dos óleos essenciais utilizados, Adriana inoculou em pintinhos, com três dias de vida, salmonelas resistentes coletadas de aves contaminadas. Esses animais foram então divididos em grupos e alimentados durante 21 dias com ração em que foi adicionada a mistura encapsulada dos óleos para facilitar a homogeneização e evitar perdas por volatilização. Cada um dos grupos recebeu ração com uma determinada concentração da blenda para comparação dos resultados inclusive com o grupo de controle, alimentado com ração padrão. Periodicamente animais desses grupos eram abatidos para que pudessem ser obtidas as respectivas curvas de variação das salmonelas através da coleta das excretas e do conteúdo do ceco das aves, parte final do intestino em que estas proliferam. Verificou-se que os óleos essenciais efetivamente diminuíram o crescimento das salmonelas durante o período experimental bem mais do que ocorria na situação de controle, chegando essa diminuição a ser mil vezes menor.

Ação antioxidante

Em vista de a literatura indicar que esses mesmos óleos essenciais também exercem efeito antioxidantes, as pesquisadoras resolveram testá-los no frango durante o seu crescimento e depois do abate até chegar ao consumidor, de modo a abranger toda a cadeia produtiva. Para tanto, à ração das aves foi adicionada a mesma mistura de óleos essenciais encapsulados, fornecida durante 35 dias até o abate. Nesse período mediu-se o efeito antioxidante em dois cortes de frangos: o peito e a sobrecoxa, ou seja, partes com menor e maior quantidade de gordura. Os resultados mostraram que os óleos essenciais retardaram a oxidação lipídica da carne e que seus efeitos foram mais efetivos na sobrecoxa, porção mais rica em lipídios. Os ensaios se estenderam até sete dias depois do abate, período em que a carne comercializada permanece na geladeira. Os resultados foram melhores quando comparados com a adição do antioxidante sintético à ração.

Patenteada ação no prato pronto

Restava testar ainda qual o efeito antioxidante da mesma mistura de óleos essenciais encapsulados, quando utilizada em substituição aos antioxidantes sintéticos, em almôndegas feitas com peito e sobrecoxa de frangos do grupo de controle, ou seja, de aves criadas com ração padrão, sem antioxidantes.

As almôndegas foram preparadas com carne moída de peito e sobrecoxa e temperadas, segundo processos industriais convencionais, e receberam a adição dos óleos encapsulados e foram então avaliados os efeitos protetores nessas almôndegas antes e depois do cozimento. A professora Marta considera os resultados de extrema importância: “A substituição do antioxidante sintético pelo natural é totalmente viável. A mistura encapsulada utilizada tem ação efetiva quando adicionada na alimentação do frango de corte, mas, principalmente na fabricação de produtos cárneos, o que nos levou a patentear o processo”. Embora tenham sido também produzidas almôndegas a partir dos mesmos cortes oriundos de frangos que já tinham recebido a blenda na ração, os efeitos mostraram-se muito superiores quando a mistura é adicionada diretamente à carne processada.

Apesar das ervas utilizadas para a extração dos óleos essenciais serem muito baratas, os processos de extração e encapsulamento os encarecem, e os custos ainda não os fazem competitivos com os antioxidantes sintéticos. “Mas o apelo de produto natural, uma exigência cada vez maior em decorrência do aumento da consciência do consumidor, obriga a indústria alimentícia à oferta de produtos livres de aditivos sintéticos, pressionada inclusive por regulamentações legais progressivamente mais rigorosas e lideradas por países centrais”, afirma Adriana. 

Imagem de capa JU-online

sábado, 6 de maio de 2017

Óleos essenciais podem ser alternativa para conservar alimentos

04/05/2017

Estudo mostrou que óleos essenciais podem ser seguros e eficazes na substituição de conservantes e antioxidantes sintéticos
No estudo, a incorporação de nanoemulsões em patê de frango não alterou as características físico-químicas do alimento – Foto: Katie Rotramel/Flickr-CC

Utilizados pelos chineses há mais de 4 mil anos, os óleos essenciais são compostos extraídos de plantas aromáticas por processos de destilação, compressão de frutos ou uso de solventes. Dentre seus diversos tipos, vários são inibidores eficazes de crescimento de patógenos de origem alimentar, ou seja, podem ser utilizados na conservação dos alimentos.

Entretanto, como notou uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, sua incorporação direta em alimentos apresenta diversos desafios, em especial porque há a possibilidade de ocorrer mudanças extremas em suas propriedades sensoriais como cor, sabor ou odor.

Em artigo publicado em abril deste ano pela revista Food Science and Technology, a pesquisadora Samantha Pinho, ao orientar a engenheira de alimentos Marília Moraes Lovison em sua tese de doutorado, investigou como essas possíveis desvantagens poderiam ser superadas por meio das chamadas técnicas de encapsulação, tais como nanoemulsification.

O estudo, realizado no Laboratório de Coloides e Funcionalidade de Macromoléculas da FZEA, produziu nanoemulsões encapsulando diferentes quantidades de óleo essencial de orégano, utilizando o método da temperatura de inversão de fase para avaliar sua estabilidade físico-química e atividade antibacteriana. A incorporação das tais nanoemulsões em patê de frango, alimento escolhido pelas pesquisadoras para o estudo, não alterou as características físico-químicas da carne.

“O motivo da escolha dos óleos essenciais foi o fato de serem potenciais substitutos de antimicrobianos e antioxidantes sintéticos normalmente utilizados na indústria de alimentos, e que são reconhecidos como potenciais causadores de problemas de saúde”, explica Samantha, engenheira química por formação.

Inovar na conservação de alimentos é uma necessidade devido à crescente demanda dos consumidores por formulações contendo ingredientes naturais e com baixos níveis de aditivos químicos. É esse interesse que tem constantemente movido pesquisadores a trabalhar com produtos e extratos vegetais com propriedades antimicrobianas.

“Neste trabalho, foi possível descobrir que, assim como na forma ‘livre’, o óleo essencial de orégano nanoemulsionado também apresentou potencial antioxidante e antimicrobiano in vitro e no produto cárneo, o patê de frango”, esclarece a especialista, destacando ainda que as nanoemulsões foram eficientes em preservar o alimento contra Staphylococcus aureus e Escherichia coli – ambas bactérias que podem causar infecções graves.
O óleo essencial de orégano nanoemulsionado, escolhido no estudo, apresentou potencial antioxidante e antimicrobiano – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

De acordo com Samantha, para compreender como as nanoemulsões poderiam atuar na conservação do patê de frango, foi realizada uma contaminação “artificial” pelas bactérias e, posteriormente, a quantificação delas durante oito dias de armazenamento sob refrigeração.

Após determinar a atividade antimicrobiana das nanoemulsões, foram realizadas as análises para avaliação de seu potencial antioxidante in vitro. Na última etapa do trabalho foi avaliado se o óleo essencial “livre” ou nanoemulsionado afetaria as propriedades sensoriais do patê, e como era a aceitação do produto pelos consumidores.

Os resultados permitiram concluir que o óleo essencial é adequado para ser incorporado em formulações de alimentos e prolongar a sua vida de prateleira.

“Este trabalho mostrou que eles podem ser uma alternativa segura e eficaz na substituição, total ou parcial, dos conservantes e antioxidantes sintéticos empregados na indústria de produtos cárneos, proporcionando assim alimentos mais saudáveis e com maior qualidade aos consumidores”, resume a professora.

Além disso, conforme Samantha, a nanotecnologia pode ser considerada uma importante ferramenta para encapsular bioativos, protegendo-os de interações indesejáveis com os alimentos e permitindo a aplicação destes compostos em diversos tipos de alimentos, com a finalidade de diminuir ou mesmo evitar o uso de aditivos sintéticos.

O artigo Nanoemulsions encapsulating oregano essential oil: Production, stability, antibacterial activity and incorporation in chicken pate pode ser acessado neste link. A pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Mais informações: e-mail samantha@usp.br, com Samantha Pinho

Link:




quinta-feira, 23 de março de 2017

Tomilho - composição química do óleo essencial

Texto:
Carolina Faria Ferreira: acadêmica de agronomia - Faculdade Cantareira
Marcos Roberto Furlan: Engenheiro Agrônomo - Professor UNITAU e Faculdade Cantareira

O que tem em comum oréganos, manjeronas e tomilhos? Por exemplo, além de pertencerem à família Lamiaceae (antes Labiatae), são herbáceos e aromáticos. Oréganos, tomilhos e manjeronas possuem algumas variedades e cultivares (variedades comerciais).

Dependendo da variedade ou do cultivar, o tomilho também possui aroma que confunde com o de orégano ou da manjerona. No entanto, a composição varia muito entre essas espécies.

O tomilho possui como componentes majoritários o timol (figura 1) e o carvacrol (figura 2). No entanto, há pesquisas que demonstram que o carvacrol pode ocorrer em pequenas quantidades.
Figura 1: timol.
Figura 2: carvacrol.

Sobre o tomilho, já foram publicados vários estudos in vitro demonstrando ações terapêuticas, como, por exemplo, antimicrobiana, antioxidante, carminativa, expectorante e espasmolíticas, graças, principalmente à presença do timol e do carvacrol. Estudos realizados pela Biochemical and Biophysical Research atestam que o óleo essencial de tomilho ajuda a proteger o organismo contra mudanças relacionadas ao avanço da idade nas células cerebrais de ratos (1).

Na medicina popular, o tomilho é utilizada na forma de líquido para limpeza bucal, dores de garganta e amigdalite, na forma de compressas para congestão pulmonar e bronquites, lavagem para infecções fungosas, dentre outras aplicações.

óleo essencial de tomilho também tem sido estudado quanto ao controle de doenças agrícolas,como por exemplo, foi comprovada a sua ação na germinação dos urediniósporos da ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), assim como a redução na severidade da doença (2).

Assim como nas manjeronas e nos oréganos, o óleos essencial do tomilho está armazenado nos tricomas. Algumas pesquisas indicam que há maior teor de óleo no tomilho, durante a época da floração.

No Brasil também encontramos um híbrido originado do T. vulgaris e do T. pulegioides. É o tomilho-limão (Thymus x citriodorus), também considerado anitmicrobiano e desodorizante.

Com relação aos componentes, ensaios evidenciam que o timol é antibacteriano, antifúngico e anti-helmíntico, além de ser utilizado em pastas de dente. O carvacrol tem sido pesquisado quanto aos efeitos bactericidas.
Foto: Thymus vulgaris

Referências:


1. Tomilho: benefícios e propriedades medicinais. Disponível em: http://www.plantasmedicinaisefitoterapia.com/tomilho-thymus-vulgaris/

2. MEDICE, Regiane et al . Óleos essenciais no controle da ferrugem asiática da soja Phakopsora pachyrhizi Syd. & P. Syd. Ciênc. agrotec.,  Lavras ,  v. 31, n. 1, p. 83-90,  Feb.  2007 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-70542007000100013&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 23  Mar.  2017.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Essential oils could counter lung and liver ailments caused by air pollution, research suggests

Extracts from plants such as cloves, aniseed, fennel and ylang-ylang studied

Date: August 23, 2016

Source: Springer

Summary:
Certain ingredients in essential oils made from plants such as cloves, anise, fennel and ylang-ylang could serve as a natural treatment of lung and liver conditions caused by air pollution, according to a new study.

Certain ingredients in essential oils made from plants such as cloves, anise, fennel and ylang-ylang could serve as a natural treatment of lung and liver conditions caused by air pollution. This is according to Miriana Kfoury of the Unité de Chimie Environnementale et Interactions sur le Vivant, Université du Littoral Côte d'Opale in France and the Lebanese University in Lebanon. She is the lead author of a study in Springer's journal Environmental Chemistry Letters. It is the first of its kind to evaluate the value of using certain essential oil compounds to treat inflammation caused by the fine particles that are typical of hazy, polluted air, and that are known to be carcinogenic.

Plants naturally contain various essential oils that are made up of different compounds. Some of these have been found to have antioxidant value, and to also be able to fight inflammation. A group of organic compounds called phenylpropanoids are found in the essential oils of some plants, and show promise as possible anti-inflammatory substances. Among these are trans-anethole (a flavor component of anise and fennel), estragole (found in basil), eugenol (which occurs in clove bud oil) and isoeugenol (contained in ylang ylang).

Kfoury and her collaborators first collected air pollutant samples containing fine particles in Beirut, Lebanon. In laboratory tests, the samples were then introduced to human cell cultures of normal bronchial epithelial cells (BEAS-2B) and cancer derived hepatic cells (HepG2). The fine particle matter was found to induce inflammation in the cells -- these started to secrete the pro-inflammatory cytokines IL-6 and IL-8 (substances that are secreted during infections and tissue damage). Cytokin levels normally increase when the body's immune system is fighting a specific infection.

Next, the researchers established that the trans-anethole, estragole, eugenol and isoeugenol all have so-called cytotoxicity, which means that they could cause cell death at relatively high concentrations. In this evaluation, they were able to determine the level of cytotoxicity of these oil compounds. This was important in order to establish the maximum dose to be selected in the next step, namely the assessment for anti-inflammatory properties. In the second round of tests, the four compounds were introduced to the combination of cell lines and air pollutants to see whether these could protect liver and lung cells damaged by fine particle air pollutants. It was found that the essential oil compounds tested decrease the levels of the two types of cytokines in the samples. The levels of cytokine IL-6 decreased up to 96 percent, and the levels of cytokine IL-8 by 87 percent.

"The findings provide the first evidence that natural essential oil components counteract the inflammatory effects of particulate matter, such as that contained in polluted air," says Kfoury.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by Springer. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Miriana Kfoury, Mireille Borgie, Anthony Verdin, Frédéric Ledoux, Dominique Courcot, Lizette Auezova, Sophie Fourmentin. Essential oil components decrease pulmonary and hepatic cells inflammation induced by air pollution particulate matter. Environmental Chemistry Letters, 2016; DOI: 10.1007/s10311-016-0572-4

Cite This Page:
Springer. "Essential oils could counter lung and liver ailments caused by air pollution, research suggests: Extracts from plants such as cloves, aniseed, fennel and ylang-ylang studied." ScienceDaily. ScienceDaily, 23 August 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/08/160823103224.htm>.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Óleos essenciais - I

Cleber Luís de Lima Gabriel - Engenheiro de Produção e acadêmico de Química

Nos vegetais, didaticamente, ocorrem dois tipos de metabolismos, o primário e o secundário, os quais, produzem compostos, denominados, respectivamente, de metabólitos primários e metabólitos secundários. Onde os metabólitos primários são utilizados diretamente para sua alimentação e sua nutrição, sendo considerados imprescindíveis para o seu desenvolvimento e são universais, isto é, estão presentes em todas as plantas, tais como os carboidratos, os lipídios, as proteínas e os aminoácidos. Os metabólitos secundários são utilizados para garantir a adaptação da espécie em um ambiente. Dentre os secundários, são exemplos: alcaloides, flavonoides, saponinas e óleos essenciais.

Para se defender dos predadores ou fatores estressantes, as plantas possuem sistemas de autodefesa. Existem as defesas físicas, como, por exemplo, por meio de seus espinhos ou de sua cutícula, e as defesas químicas utilizando os metabólitos secundários, como os óleos essenciais, também denominados de óleos voláteis.

Esses compostos, dependendo da espécie, possuem diferentes funções. Atuam para atrair polinizadores, como agentes antimicrobianos, contra calor excessivo e estresse hídrico. As plantas também utilizam os óleos essenciais para inibir a germinação de outras espécies que competem por recursos naturais como água, solo e luz, fenômeno denominado de alelopatia. 

Os óleos essenciais são substâncias químicas e assim denominadas devido à sua composição lipofílica, diferente da composição glicerídica de outras gorduras e óleos.

Os óleos essenciais são produzidos nas seguintes partes da planta: cascas de frutos (denominados cítricos), flores, folhas, raízes, cascas da árvore, resinas da casca, sementes. 

Os óleos essenciais ficam dentro de “bolsas” que são denominadas tricomas. Esses tricomas são rompidos naturalmente liberando o óleo essencial onde formará uma “nuvem aromática” ao seu redor. Veja figura abaixo:
Secções transversais das folhas de Lippia sidoides
Fonte: Guimarães et al. (2014).

O óleo essencial é formado por várias substâncias. A figura ilustra as principais substâncias encontradas no óleo essencial de citronela.
Fonte: Castro et al. (2010)

Referências

CASTRO, Henrique Guilhon de; PERINI, Vilma Borges de Moura; SANTOS, Gil Rodrigues dos and LEAL, Tarcísio Castro Alves Barros. Avaliação do teor e composição do óleo essencial de Cymbopogon nardus (L.) em diferentes épocas de colheita. Rev. Ciênc. Agron. [online]. 2010, vol.41, n.2 [cited 2016-05-04], pp.308-314. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rca/v41n2/v41n2a20.pdf. Acesso em: 04 de mai 2016.

GUIMARÃES, Luiz Gustavo de Lima et al. Óleo essencial de Lippia sidoides nativas de Minas Gerais: composição, estruturas secretoras e atividade antibacteriana. Rev. Ciênc. Agron. [online]. 2014, vol.45, n.2 [cited 2016-05-04], pp.267-275. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rca/v45n2/a06v45n2.pdf. Acesso em: 04 de mai 2016.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Alfazemas

ROSMANINHOS – Lavandula spp. (Família das Lamiáceas). Englobam-se num género de cerca de 40 espécies de plantas vivazes arbustivas e aromáticas, que inclui a alfazema. A designação rosmaninho é pouco feliz e confunde algumas pessoas, pois tem origem no nome latino do alecrim (género Rosmarinus), com o qual não se deve confundir. São plantas mediterrânicas com grande distribuição na Península Ibérica e frequentes de norte a sul de Portugal. Os botânicos distinguem três tipos de rosmaninhos: L. pedunculata subsp. pedunculata (por vezes designado por rosmaninho-maior) e L. stoechas subsp. luisieri e L. stoechas subsp. stoechas (estes dois por vezes designados por cabeçudas). Plantas com 30 centímetros a um metro de altura, os rosmaninhos vegetam em matos xerófitos de locais secos e solos pobres, ácidos ou ácidos a neutros, provenientes de areias, xistos e granitos, desde as dunas litorais às zonas interiores, lugares onde rareiam outras plantas perenes. Podem assim ser a planta dominante desses terrenos, estendendo-se por largas áreas que são designadas por rosmaninhais e que são de grande beleza quando em floração. É interessante notar a ligação destas plantas a nomes de algumas localidades portuguesas, como por exemplo o Rosmaninhal, na zona fronteiriça do distrito de Castelo-Branco, ou o Rosmaninho, no distrito de Santarém. Embora sendo os rosmaninhos plantas bastante vistosas não se encontram usualmente nos nossos jardins. Têm aí fraca longevidade, possivelmente porque sendo o seu habitat natural os solos ácidos, pobres e secos, terão fraca capacidade adaptativa às condições de riqueza e humidade do solo dos jardins bem cuidados. Todavia, há variedades melhoradas para jardim e os ingleses, que designam a L. pedunculata por “French lavender”, criaram mesmo variedades que foram premiadas em concursos de floricultura. 

Embora associados a solos de fraca aptidão agrícola, os rosmaninhos são das mais importantes plantas melíferas da flora portuguesa, podendo ser assim uma interesse fonte de rendimento através da produção de mel. Para além disso, têm uma ligação tradicional às aromáticas fogueiras que o povo acende nos festejos das noites dos Santos Populares, para dançar e saltar. Todavia, estas tradições estão a perder-se com o tempo. Como plantas aromáticas, os rosmaninhos produzem um óleo essencial utilizado em perfumaria. Na medicina popular as flores têm sido usadas no tratamento da asma e das bronquites. Têm ainda utilização como repelentes de insectos dos tecidos. 

- Cândido Pinto Ricardo, Professor Catedrático Jubilado, Instituto de Tecnologia Química e Biológica ITQB http://www.itqb.unl.pt/research/plant-sciences/plant-biochemistry

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Pesquisa compra eficiência do uso de embalagens biodegradáveis com aditivos antimicrobianos

Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, pesquisa comprovou a eficiência do uso de embalagens biodegradáveis com aditivos antimicrobianos para salame fatiado. O estudo da pesquisadora Maria Crystina Igarashi utilizou os óleos essenciais eugenol e limoneno, de origem natural, para controlar e reduzir a multiplicação da bactéria Listeria monocytogenes, causadora de doenças. Testada como separadora de fatias para salame, a embalagem não interfere na aceitação do produto.
Óleos essenciais em embalagens detiveram multiplicação de bactéria patogênica

A Listeria monocytogenes é uma bactéria patogênica capaz de se multiplicar em embutidos cárneos, como o salame, mesmo quando mantidos sob refrigeração. “No caso de embutidos cárneos embalados a vácuo, como o salame fatiado, há o risco de contaminação pós-processamento do alimento, ou seja, antes de ser colocado na embalagem pela indústria”, aponta a professora Mariza Landgraf, orientadora da pesquisa.

A bactéria pode causar doenças, entre as quais a meningite, principalmente em gestantes (podendo também provocar aborto), crianças, idosos e pessoas imunocompometidas (com prejuízo das defesas do organismo). “Como os embutidos possuem um prazo de validade longo, a utilização da embalagem com aditivos antimicrobianos seria uma forma de controlar a multiplicação daListeria monocytogenes“, enfatiza a professora. A ação das embalagens antimicrobianas já havia sido estudada por Maria Crystina em sua dissertação de mestrado.

Embalagem biodegradável

A embalagem biodegradável é feita com alginato, um polissacarídeo (carboidrato) extraído de algas marinhas. “A escolha desse material se deve ao fato do alginato formar uma matriz insolúvel, mais adequada para embalar alimentos com alta atividade de água, como o salame e outros embutidos”, aponta Maria Crystina. “A partir do alginato em pó é feita uma solução líquida com o acréscimo de substâncias que permitem a obtenção da película que será utilizada como embalagem. Também são adicionados o eugenol e o limoneno”.
Embalagem antimicrobiana não interferiu na aceitação do salame fatiado

A professora ressalta que o eugenol e o limoneno são óleos essenciais naturais, extraídos respectivamente do cravo e das frutas cítricas. “A embalagem com os antimicrobianos incorporados foi testada em amostras de salame que foram contaminadas, no laboratório, com Listeria monocytogenes“, relata. ”A embalagem com os antimicrobianos incorporados conseguiu controlar e reduzir a população da bactéria”.

Para testar a aceitação do produto embalado, foi realizada uma avaliação sensorial com 30 provadores não treinados. “Cada participante recebeu duas fatias de salame, com e sem o separador de fatias, para testar a aceitação quanto ao sabor e a aparência”, conta Maria Crystina. Durante a avaliação, não houve manifestação de preferência entre os dois tipos de amostras, mostrando que a embalagem não interferiu na aceitação do produto. “Como o eugenol e o limoneno possuem um aroma muito pronunciado, havia a possibilidade dele ser sentido pelos provadores, o que não aconteceu”, acrescenta Mariza.

No Brasil, ainda não são comercializados embutidos com separador de fatias com aditivo antimicrobiano. “A pesquisa, feita em escala laboratorial, demonstrou a viabilidade do produto”, ressalta a professora. “Agora, será necessário trabalhar no processo de produção da embalagem em escala semi-industrial, para que possa ser adotada pelas empresas que processam alimentos”. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Microbiologia de Alimentos do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da FCF, no Laboratório de Engenharia de Alimentos da Escola Politécnica (Poli), e no Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) da USP.

Fotos: Cecília Bastos / USP Imagens

Por Júlio Bernardes, da Agência USP de Notícias, in EcoDebate, 25/01/2016

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Chemical Composition and in-Vitro Evaluation of the Antimicrobial and Antioxidant Activities of Essential Oils Extracted from Seven Eucalyptus Species

Ghaffar, A.; Yameen, M.; Kiran, S.; Kamal, S.; Jalal, F.; Munir, B.; Saleem, S.; Rafiq, N.; Ahmad, A.; Saba, I.; Jabbar, A. Chemical Composition and in-Vitro Evaluation of the Antimicrobial and Antioxidant Activities of Essential Oils Extracted from Seven Eucalyptus Species. Molecules 2015, 20, 20487-20498.

Abstract

Eucalyptus is well reputed for its use as medicinal plant around the globe. The present study was planned to evaluate chemical composition, antimicrobial and antioxidant activity of the essential oils (EOs) extracted from seven Eucalyptus species frequently found in South East Asia (Pakistan). EOs from Eucalyptus citriodora, Eucalyptus melanophloia, Eucalyptus crebra, Eucalyptus tereticornis, Eucalyptus globulus, Eucalyptus camaldulensis and Eucalyptus microtheca were extracted from leaves through hydrodistillation. The chemical composition of the EOs was determined through GC-MS-FID analysis. The study revealed presence of 31 compounds in E. citriodora and E. melanophloia, 27 compounds in E. crebra, 24 compounds in E. tereticornis, 10 compounds in E. globulus, 13 compounds in E. camaldulensis and 12 compounds in E. microtheca. 1,8-Cineole (56.5%), α-pinene (31.4%), citrinyl acetate (13.3%), eugenol (11.8%) and terpenene-4-ol (10.2%) were the highest principal components in these EOs. E. citriodora exhibited the highest antimicrobial activity against the five microbial species tested (Staphylococcus aureus, Bacillus subtilis, Escherichia coli, Aspergillus niger and Rhizopus solani). Gram positive bacteria were found more sensitive than Gram negative bacteria to all EOs. The diphenyl-1-picrylhydazyl (DPPH) radical scavenging activity and percentage inhibition of linoleic acid oxidation were highest in E. citriodora (82.1% and 83.8%, respectively) followed by E. camaldulensis (81.9% and 83.3%, respectively). The great variation in chemical composition of EOs from Eucalyptus, highlight its potential for medicinal and nutraceutical applications.
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