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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Nenhum direito a menos em nossa comida

Fonte: Campanha Permanente - Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016 


No mundo inteiro, celebra-se neste dia 3 de dezembro o Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos. Nesta data, em 1984, em pleno auge da Revolução Verde na Índia, um vazamento na fábrica de agrotóxicos da empresa estadunidense Union Carbide provocou a morte de mais de 15.000 moradores da cidade de Bhopal, e a intoxicação de mais de 300.000.

Mas o que significa lutar contra os agrotóxicos hoje, 32 anos após a tragédia de Bhopal?

Não há dúvidas de que há uma profunda crise no sistema de alimentação mundial. Por um lado, a subnutrição atinge 11% da população, enquanto 8% sofre de obesidade, o que representa 1,4 bilhões de pessoas doentes por má alimentação.

Por outro lado, o sistema alimentar dominado pelas corporações faz com que 78% da produção agrícola mundial se concentre em apenas 7 culturas: cana de açúcar, milho, arroz, trigo, batata, soja e palma. Milhares de alimentos ligados à cultura dos povos são ignoradas, pelo simples fato de não serem comercializados nas bolsas de valores.

A sustentação deste modelo se dá a partir de uma série de elementos, entre ele o domínio privado das sementes e a produção de agrotóxicos. Neste sentido, Bhopal ainda está presente.

A Union Carbide, responsável pela tragédia, cuja área até hoje não foi descontaminada, foi comprada pela Dow Chemical, que acaba de se fundir com a Dupont. Ainda em 2016, Monsanto e Bayer, e Syngenta e ChemChina comunicam suas fusões, tornando o mercado de agrotóxicos e sementes mais concentrado do que nunca.

Sofrem os trabalhadores da fábricas de veneno, agricultores forçados a aplicar agrotóxicos, camponeses pulverizados e a Humanidade com suas sementes roubadas e sabedoria tradicional destruída. Sofre a população mundial, com a monotonia alimentar, o veneno no seu prato, e a soberania alimentar cada vez mais distante.

No Brasil, o golpe sofrido este ano vem acelerar drasticamente a movimentação ruralista para retirada de direitos e flexibilização das leis. A extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário atingiu em cheio os avanços que vinham ocorrendo no campo de agroecologia, e o PL do Veneno pode ferir gravemente nosso Direito Humano à Alimentação Saudável, facilitando ainda mais o registro e uso de agrotóxicos no Brasil. Os transgênicos, mais do que nunca, estão sendo aprovados de forma quase instantânea pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A resistência é nossa principal arma de luta. O desenvolvimento da agroecologia é um caminho sem volta, com ou sem apoio do governo, e a população já sabe disso. No campo legislativo, é urgente a implementação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA), proposta por diversas organizações da sociedade. Ao mesmo tempo, entendemos como fundamental o trabalho que vem sendo realizado pelas organizações de base no desenvolvimento da reforma agrária e agroecologia.

No dia 3 de dezembro de 2016, a campanha foi para as ruas em várias cidades do Brasil, exigindo:

Não à PEC55 e nenhum direito a menos para nossa saúde e alimentação;

Suspensão da aprovação de sementes transgênicas;

Arquivamento do PL do Veneno (PL6299/2002); e

Implementação imediata da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos.

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida é assinada por 198 organizações.

Link:

Idec critica relatório da Anvisa sobre resíduos de agrotóxico em alimentos

Fonte: IDEC - Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou, em 25 de novembro, o relatório que apresenta os resultados do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) de 2013 a 2015. Foram analisados mais de 12 mil amostras de 25 tipos de alimentos provenientes de todo o País. O último relatório do PARA havia sido divulgado em 2012. 

O Idec notou que neste ano os resultados foram apresentados de forma diferente dos anos anteriores, dificultando a comparação dos dados. Além disso, pela primeira vez, foi incluído o risco de intoxicação aguda, ou seja, o risco de ocorrerem problemas de saúde até 24 horas após a ingestão do alimento. “Tivemos de recalcular diversos resultados para chegar aos indicadores de irregularidades e podermos comparar com os resultados anteriores”, diz Mariana Garcia, nutricionista do Idec. 

Se a quantidade de resíduos de agrotóxicos em um alimento exceder o Limite Máximo de Resíduos (LMR) e/ou se houver resíduos de agrotóxicos não autorizados para aquele alimento, existe uma irregularidade. O relatório afirma que se há irregularidades, não necessariamente o consumidor estará em risco. “Doenças como câncer, distúrbios endócrinos, distúrbios neurológicos, malformações fetais, entre outros, são de natureza crônica. Portanto, não apresentar risco agudo não significa que o alimento não possa causar problemas à saúde. Dessa forma, o relatório pode confundir o consumidor”, critica Garcia. 

Principais resultados

Ao comparar os resultados atuais com os de 2012, o Idec constatou que as irregularidades permanecem preocupantes: o pimentão continua o mais “problemático”, com 89% das amostras irregulares (agrotóxicos acima do limite permitido e/ou proibido para essa cultura). Depois vem a abobrinha, com 78% (em 2012 eram 48%), e a uva, com 75% (em 2012 eram 29%). Já quando se considera apenas a presença de resíduos de agrotóxicos acima do LMR, o morango é o “campeão”, seguido do abacaxi e da uva. 

Outro resultado que merece ser destacado é o número de agrotóxicos diferentes presente em um mesmo alimento. Nas amostras de pimentão foram encontrados 88 tipos, nas de abobrinha, 78, e nas de uva, 72. Isso é muito preocupante, porque entre os agrotóxicos encontrados, muitos não são permitidos para o cultivo daquele alimento. E em todos os alimentos foram encontradas essas substâncias não autorizadas. O agrotóxico mais utilizado indevidamente foi o acefato, encontrado em 18 dos 25 alimentos testados. A própria Anvisa afirmou em 2009 que essa substância possui acentuada neurotoxicidade e que há suspeitas de que seja cancerígena, tanto que é proibido em vários países.

Orientações insuficientes

A Anvisa disponibilizou uma síntese do documento na qual orienta os consumidores a higienizar bem os alimentos com água corrente, escovinha ou uma bucha, sem mencionar, como fez na síntese do relatório anterior, que vários agrotóxicos penetram no interior das folhas e na polpa de frutas e hortaliças, de modo que a simples lavagem não é capaz de eliminá-los. “Essa orientação para higienização dos alimentos pode causar ao consumidor uma falsa impressão de segurança. Além disso, sentimos falta da recomendação do consumo de alimentos orgânicos, como já foi feita anteriormente”, diz Mariana Garcia. 

Medidas a serem tomadas

O Idec defende que é fundamental avançar no monitoramento do uso de agrotóxicos e na transparência na divulgação dos resultados do estudo para os consumidores, já que a maioria dos brasileiros os consome diariamente. O Ministério da Saúde lançou em setembro um relatório que confirma o uso ostensivo de agrotóxicos no Brasil e aponta que entre 2007 e 2013 houve um aumento desproporcional da comercialização em comparação com a área plantada. Os dados sugerem que houve uma intensificação na aplicação de agrotóxicos na produção e, consequentemente, maior risco de exposição de quem trabalha no campo e da contaminação do meio ambiente, da água e dos alimentos. “Além da transparência e da adoção de medidas para reduzir o uso de agrotóxicos no País, deve-se estimular os modelos alternativos, como a agroecologia e a produção orgânica, como é proposto no Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos, entregue recentemente, pela sociedade civil, à Câmara dos Deputados”, finaliza a nutricionista do Idec. 

Link:

Movimentos repudiam recomendação da Anvisa sobre como tirar agrotóxicos dos alimentos

Fonte: Rute Pina para o Brasil de Fato - Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016 


"Órgão afirma que, para reduzir os resíduos de defensivos, basta lavar a casca do alimento com água e uma escovinha"

Para diminuir níveis residuais de agrotóxicos, basta que o consumidor lave a casca do alimento com água corrente e uma escovinha ou bucha. Esta foi a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no novo relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), divulgado na última sexta-feira (25).

Foram analisados mais de 12 mil amostras de 25 tipos de alimentos entre 2013 a 2015. O Para também concluiu que há "segurança alimentar aceitável" no Brasil— os dados indicam que apenas 1% dos alimentos analisados representa risco agudo à saúde.

Entretanto, as entidades que compõem a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos repudiaram, em nota, o novo relatório da agência. Para as organizações, o estudo apresenta "uma clara tentativa de ocultar os problemas causados pelos agrotóxicos no Brasil".

O professor de Engenharia Agrônoma da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Transgênicos e Agrotóxicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Leonardo Melgarejo, considerou a orientação da agência "assustadora".

"A maior parte dos venenos agrícolas não é utilizada para matar os insetos e as plantas pelo contato. Eles são produtos sistêmicos que matam através de circulação interna. Nestes casos, não se pode tirar estes produtos lavando a casca", disse.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também publicou uma nota criticando o estudo. Para o órgão, a orientação para higienização dos alimentos pode causar ao consumidor uma falsa impressão de segurança. "Além disso, sentimos falta da recomendação do consumo de alimentos orgânicos, como já foi feita anteriormente”, disse Mariana Garcia, nutricionista do instituto .
Estudo viesado

O Idec ponderou ainda os resultados foram sistematizando de forma diferente de anos anteriores, o que dificulta a comparação dos dados.

Em 2010, o estudo apontava que em 37% dos alimentos não foram encontrados resíduos de agrotóxicos. Desde então, o consumo de agrotóxicos no Brasil subiu 11%, atingindo 914 mil toneladas em 2014. As intoxicações por defensivos agrícolas notificadas aumentaram em 17%, chegando a 4423 registros em 2014. Mas o novo relatório indica que apenas 1% destes alimentos representa risco agudo à saúde.

Segundo Melgarejo, a Anvisa supervaloriza os problemas agudos quando a maioria dos problemas acarretados pelos agrotóxicos são crônicos. Para ele, os resultados causam "estranheza" e são "surpreendentes", já que não foram adotadas práticas de diminuição do uso de pesticidas e outras substâncias químicas no País desde o último estudo.
Contraponto

O Ministério da Saúde lançou em setembro um relatório que confirma o uso ostensivo de agrotóxicos no Brasil e aponta que entre 2007 e 2013 houve um aumento desproporcional da comercialização em comparação com a área plantada. Os dados sugerem que houve uma intensificação na aplicação de agrotóxicos na produção e, consequentemente, maior risco de exposição de quem trabalha no campo e da contaminação do meio ambiente, da água e dos alimentos.

"Se não mudaram os métodos, a realidade não mudou, se o volume aplicado [de agrotóxicos] cresceu, como entender essa redução nos resultados identificados?", questiona o professor. "Se isso fosse um teste em uma universidade, um estudo de campo, nós pediríamos que os testes fossem repetidos", adicionou.

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos apontou também que o estudo não considerou os herbicidas glifosato e 2,4-D, que correspondem a mais da metade das substâncias usadas nas lavouras brasileiras, de acordo com dados do Ibama de 2014.
Motivações

O docente da UFSC disse que o relatório parece mais "marketing do agronegócio" do que um estudo de "uma equipe responsável por proteger a sociedade contra danos à saúde", e teme que episódios como este contribuam para a falta de confiança nas instituições públicas.

"A Anvisa é uma instituição importante. Ela perder credibilidade porque apresenta dados contraditórios com relação à sua história não é algo que nos agrada e não serve aos interesses da sociedade brasileira", afirmou.

Ele pontua que o episódio está em sincronia com inúmeras peças publicitárias que fazem campanha para excluir negócio da palavra agronegócio, e ocorre também no momento em que tramita o Projeto de Lei (PL) 3200/2015 na Câmara dos Deputados. De autoria de Covatti Filho (PP-RS), o texto pode substituir a palavra "agrotóxico" por "produtos fitossanitários".

"É uma série de coincidências que procuram beneficiar os interesses do agronegócio, e essa matéria da Anvisa, por gosto ou sem querer, contribui neste sentido", declarou.

O Idec propõe estimular os modelos alternativos, como a agroecologia e a produção orgânica, como é proposto no Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos, entregue recentemente pela sociedade civil à Câmara dos Deputados.

O Brasil de Fato questionou a agência sobre a metodologia da pesquisa e as críticas feitas pelas entidades. A assessoria de imprensa respondeu apenas que "a metodologia utilizada pela Anvisa é compatível com a de países de todo mundo e segue referência internacionais".
Dia de Luta Contra os Agrotóxicos

Nesta semana, as entidades realizam debates e atividades em todas as capitais e coordenadas internacionalmente para marcar o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos neste sábado (3). Melgarejo explica que as campanhas pretendem dar visibilidade e conscientização a respeito dos riscos dos agrotóxicos.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, movimentos populares e entidades realizam, nesta sexta-feira (2), um “abraço ao Rio Gravataí”, na região metropolitana de Porto Alegre. O objetivo é chamar atenção para a Área de Preservação Ambiental (APA) Banhado Grande e pedir a prorrogação da medida que veta a pulverização de agrotóxicos em parte da área.
Origem da data

No dia 3 de dezembro de 1984, um acidente industrial de grandes proporções em Bhopal, na Índia, acarretou no vazamento de 40 toneladas de gás tóxico metil isocianato, químico utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, em uma zona densamente povoada. A principal causa do desastre foi negligência com a segurança.

Cerca de 30 mil pessoas morreram, 8 mil nos três primeiros dias. Aproximadamente 560 mil pessoas continuam com sequelas do acidente. Após a tragédia, a data foi estabelecida pela Pesticide Action Network (PAN) como o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Lei que permite pulverização de inseticida em áreas urbanas causa polêmica

Da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Um dos métodos usados para combater o mosquito Aedes aegypti, divide a opinião de especialistas da saúde e empresas de aviação agrícola
Lei sancionada em junho deste ano pelo presidente interino Michel Temer, tem causado polêmica entre técnicos da saúde e especialistas de empresa de aviação agrícola. De acordo com a Lei 13.301/2016, o uso de aviões de pulverização em áreas urbanas será permitido mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida: O inciso IV, do 3º parágrafo do artigo 1º da Lei 13.301-2016 incluiu, entre as medidas de controle do Aedes aegypti, a “permissão da incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida”.

Várias Comissões Intergestores Bipartite (CIB) nos estados – responsáveis pela Governança do Sistema Único de Saúde (SUS) e compostas pela Secretarias Estaduais e representantes das Secretarias Municipais de Saúde – reprovaram esta medida. Já se manifestaram neste sentido as CIB dos estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Goiás, Espírito Santo e São Paulo.

Na opinião do assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Nereu Henrique Mansano, a utilização do método, além de ser um risco para o meio ambiente e saúde da população, é pouco eficaz no combate ao mosquito Aedes aegypti. Médico pediatra e mestre em Saúde Coletiva, Mansano explica que o mosquito em sua fase adulta vive predominantemente dentro dos domicílios. “A forma mais efetiva continua sendo a remoção mecânica dos criadouros. Além das medidas de acesso ao saneamento, como disponibilidade contínua de água tratada, coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos”, complementa.

Ainda segundo Mansano, os pareceres das áreas técnicas do Programa Nacional de Controle da Dengue e da Área de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde foram contrários à inclusão pelo Congresso do inciso que incluiu este tema à Medida Provisória que se transformou na Lei 13.301/2016 – que originalmente não incluía esta proposta.

“Com base nestes pareceres e pelos motivos citados, o CONASS e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), que respectivamente representam as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, enviaram ao Ministério da Saúde solicitação de que este encaminhasse à Presidência da República orientação de veto ao inciso 4º do 3º parágrafo do artigo 1º da citada Lei. Apesar desta orientação o veto acabou não ocorrendo”, lamenta.

Já o engenheiro agrônomo e consultor em Tecnologia de Aplicação Aérea, Eduardo Araújo, apóia a aplicação de inseticida por aviões como método complementar em caso de emergência. “Acredito que a principal estratégia contra o mosquito, ainda é o controle larval, preventivo. Mas, se o controle falhar e a população de mosquitos adultos causar uma epidemia, o controle químico será inevitável”, ressalta. Araújo conta que a pulverização aérea atinge 500 quarteirões por hora de forma uniforme. “Esse método permite que o inseticida chegue às áreas de difícil acesso, como pátios dos fundos das casas, terrenos baldios murados, telhados, calhas e interrompa o ciclo da doença após algumas aplicações”, pontua.

O médico e professor da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Tauil, concorda com o impedimento de aplicação aérea de inseticidas e afirma que os efeitos negativos da aplicação de inseticida irão surgir em longo prazo. “O método além de ineficaz, põe em risco o meio ambiente”, diz.

Em maio deste ano, o Conselho Nacional de Saúde, órgão de controle social do SUS, composto por representantes da sociedade civil (usuários), dos trabalhadores da saúde, prestadores e gestores, manifestou-se contrário à medida, mesmo em casos emergenciais, por meio de uma moção de repúdio. No texto, o Conselho alega que o Brasil ocupa o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Diz ainda que, entre 2011 e 2015, foram notificados mais de 56 mil casos de intoxicação por agrotóxicos. Segundo a publicação, a população e o meio ambiente irão correr riscos se expostos a mais agrotóxicos.

Eduardo Araújo, informa que o produto, utilizado com equipamentos terrestres, nas mesmas doses e sem sequelas já é autorizado pelo Ministério da Saúde. “Refere-se apenas de substituir ou complementar o método de aplicação. Além disso, não se trata de nenhuma experimentação. A pulverização aérea é utilizada com êxito em outros países”, elucida.

A tecnologia, foi usada apenas uma vez no Brasil, em 1975, e de acordo com Araújo, obteve êxito. Ainda assim, defende a ideia, apoiado pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroagrícolas (Sindag), de começar um trabalho “piloto”, em área controlada, para avaliação e eventuais ajustes sob a coordenação e supervisão do Ministério da Saúde. “Respeitadas as doses, não têm qualquer impacto sobre a saúde da população. Mesmo assim, como no Brasil é uma tecnologia praticamente nova, defendo o trabalho piloto, antes de estendê-la, para as demais áreas afetadas. A partir deste trabalho, geraríamos um protocolo a ser seguido nas áreas de extensão”, salienta o engenheiro.

Mark Latham, diretor no distrito Manatee, na Flórida, Estados Unidos, diz que o controle do mosquito vetor depende muito de participação da sociedade. Ele conta que em seus 36 anos de experiência com controle de mosquitos, primeiro nas Ilhas Cayman, depois em Miami e os últimos 22 anos em Manatee, o Aedes aegypti sempre foi uma das espécies mais problemáticas. “Falta participação da sociedade em questões simples de saneamento. Foi uma das maiores frustrações que tive”, comenta.

De acordo com Mark, os métodos de aplicação, adulticídio aéreo e larvicídio aéreo, foram aprovados pelas agências reguladoras dos EUA há muito tempo, para uso rural e urbano, com análises de risco constantemente avaliadas. Ele enfatiza que a vigilância e a identificação de populações significativas de mosquitos são necessárias antes de medidas de controle tão drásticas. “Em muitos lugares, especialmente aqui na Flórida, onde o problema dos mosquitos é grande durante 6 meses do ano, o adulticídio aéreo é comum e normalmente tem foco em mosquitos-peste, ao invés de vetores de doenças”, observa.

Nas áreas em que o combate ao mosquito e aplicações aéreas não são comuns, os métodos são considerados controversos, segundo Latham. Ele conta que a população teme o uso de pesticidas em larga escala, devido às ações de ativistas anti-pesticida, sem verificação científica. “Eu jamais diria que os pesticidas utilizados para adulticídio de mosquitos são inofensivos, mas diria que o seu uso beira o risco mínimo, certamente menor do que o risco oferecido pelas doenças transmitidas durante uma epidemia” assinala.

Segundo ele, esses métodos são respaldados pela ciência e por uma longa história de uso seguro. “Nos locais onde são comumente usados, como é o caso da minha cidade, oferece um serviço público de melhoria da qualidade de vida por reduzir grandes populações de mosquitos-peste e vetores de doenças”, salienta. De acordo com Latham, seu distrito tem realizado pesquisas operacionais sobre outros métodos disponíveis para o controle do Aedes aegypti devido ao risco de dengue, chikungunya e Zika vindo de fora. “Estamos investigando métodos como ovitrampas letais, armadilhas de auto disseminação etc. Porém, nenhum se mostrou promissor ou eficaz o suficiente para pararmos nossas aplicações aéreas, que são tão eficazes”, informa.

No Brasil, autoridades de saúde também alegam que a pulverização aérea desrespeita a legislação. A Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) diz que é proibida a aplicação aérea de agrotóxicos em áreas situadas à uma distância mínima de 500 metros de povoações, cidades, vilas, bairros, de mananciais de captação de água para abastecimento de população. Também proíbe a pulverização aérea a distância mínima de 250 metros de mananciais de água, moradias isoladas e agrupamentos.

Porém, Eduardo Araújo alega que o método não irá contrariar a legislação. “Não se trata de aplicação de agrotóxicos em áreas urbanas, mas sim de aplicação de inseticidas próprios para tal finalidade. São inseticidas enquadrados como saneantes, regulamentados pelo Ministério da Saúde”, argumenta. Para basear suas alegações, Araújo cita a portaria 190 /2001 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Nota Técnica 75/ 2007 do Ministério da Saúde, que embora faça uma série de restrições ao uso rotineiro da aplicação aérea, reconhece que seu emprego se justificaria em situações muito específicas, como no caso de graves surtos de doença.

“Finalmente tivemos a promulgação da Lei 13.301 / 2016 que inclui a aplicação aérea de inseticidas em áreas urbanas como um dos instrumentos para o controle de mosquitos, desde que comprovada sua eficácia e mediante aprovação das autoridades sanitárias. Como se vê, a aplicação aérea para tal finalidade é perfeitamente legal. Só depende da autorização do Ministério da Saúde”, finaliza.

in EcoDebate, 16/12/2016

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Common insecticides are riskier than thought to predatory insects

Date: December 7, 2016

Source: Penn State

Summary:
Neonicotinoids -- the most widely used class of insecticides -- significantly reduce populations of predatory insects when used as seed coatings, according to researchers. The team's research challenges the previously held belief that neonicotinoid seed coatings have little to no effect on predatory insect populations. In fact, the work suggests that neonicotinoids reduce populations of insect predators as much as broadcast applications of commonly used pyrethroid insecticides.

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sábado, 3 de dezembro de 2016

Divulgado relatório sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos

Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, o PARA, avaliou mais de 12 mil amostras de alimentos ao longo de três anos. Pela primeira vez, o documento revela o risco dos resíduos para a saúde.

Quase 99% das amostras de alimentos analisadas pela Anvisa, entre o período de 2013 e 2015, estão livres de resíduos de agrotóxicos que representam risco agudo para a saúde. O dado faz parte do relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, o PARA, divulgado pela Agência nesta sexta-feira (25/12), em Brasília. No total, foram 12.051 amostras monitoradas nos 27 estados do Brasil e no Distrito Federal.

Esta é a primeira vez que a Anvisa monitora o risco agudo para saúde, uma vez que, nas edições anteriores do PARA, as análises tinham o foco nas irregularidades observadas nos alimentos. O risco agudo está relacionado às intoxicações que podem ocorrer dentro de um período de 24 horas após o consumo do alimento que contenha resíduos. Este novo tipo de avaliação, que já vem sendo feito na Europa, Estados Unidos, Canadá etc., leva em consideração a quantidade de consumo de determinado alimento pelo brasileiro.

Foram avaliados cereais, leguminosas, frutas, hortaliças e raízes, totalizando 25 tipos de alimentos. O critério de escolha foi o fato de que estes itens representam mais de 70% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira, conforme detalhados na tabela a seguir.
O que foi encontrado?

Um dos alimentos com maior quantidade de amostras analisadas foi a laranja. Vigilâncias sanitárias de estados e municípios realizaram a coleta de 744 amostras em supermercados de todas as capitais do País. No montante avaliado, 684 amostras foram consideradas satisfatórias, sendo que, dessas, 141 não apresentaram resíduos.

Uma das situações de risco identificadas na laranja está relacionada ao agrotóxico carbofurano, que passa por processo de reavaliação na Anvisa. É a substância presente nas amostras que mais preocupa quanto ao risco agudo, sendo que 11% das amostras de laranja apresentaram situações de risco relativas ao carbofurano.

O agrotóxico carbendazim é outro que merece atenção quanto ao risco agudo. Os resultados do programa revelaram que em 5% das amostras de abacaxi há potencial de risco relacionado à substância.

Um aspecto importante é que as análises do programa sempre são feitas com o alimento inteiro, incluindo a casca, que, no caso da laranja e do abacaxi, não é comestível. Ou seja, com a eliminação da casca, a possibilidade de risco é diminuída. Isso porque alguns estudos trazem indícios de que a casca da laranja tem baixa permeabilidade aos principais agrotóxicos detectados, de modo que a possiblidade de contaminação da polpa é reduzida.

Já para os demais produtos, como a abobrinha, o pimentão, o tomate e o morango, o risco agudo calculado foi considerado aceitável em quantidade superior a 99% das amostras.

As irregularidades apontadas no relatório, apesar de não representarem risco apreciável à saúde do consumidor do ponto de vista agudo, podem aumentar os riscos ao agricultor, caso ele utilize agrotóxicos em desacordo com as recomendações de uso autorizadas pelos órgãos competentes.

As irregularidades também podem indicar uso excessivo do produto ou mesmo a colheita do alimento antes do período de carência descrito na bula do agrotóxico. As situações de contaminação por deriva, contaminação cruzada e solo, entre outros, também podem ocasionar a presença de resíduos irregulares nos alimentos, principalmente nos casos em que os resíduos são detectados em concentrações muito baixas.

O que é o PARA?

O PARA foi iniciado em 2001, com o objetivo de avaliar os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos de origem vegetal que chegam à mesa do consumidor. O programa é coordenado pela Anvisa, que atua em conjunto com as vigilâncias sanitárias de estados e municípios e com os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens).

As vigilâncias sanitárias realizam os procedimentos de coleta dos alimentos disponíveis no mercado varejista e os enviam aos laboratórios para análise. O objetivo é verificar se os alimentos comercializados apresentam agrotóxicos autorizados em níveis de resíduos dentro dos Limites Máximos de Resíduos (LMR) estabelecidos pela Anvisa. Atualmente, o PARA acumula um total de mais de 30 mil amostras analisadas, distribuídas em 25 alimentos de origem vegetal.

Com os resultados, o que acontece?

Os resultados obtidos no PARA contribuem para a segurança alimentar d a população. Quando são encontrados riscos para a saúde, uma das ações da Agência é verificar qual ingrediente ativo contribuiu decisivamente para o risco e, assim, proceder às ações mitigatórias, como fiscalização, fomento de ações educativas à cadeia produtiva, restrições ao uso do agrotóxico no campo e, até mesmo, incluir o ingrediente ativo em reavaliação toxicológica. Ou seja, reavaliar a anuência do registro do agrotóxico no país do ponto de vista da saúde.

A Anvisa não atua sozinha nesta questão. Para que os agrotóxicos sejam registrados, a Agência avalia essas substâncias do ponto de vista do risco para a saúde humana. Já o Ibama avalia a substância pela ótica da possibilidade de danos ao meio ambiente e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avalia a eficiência do produto no campo e formaliza o registro com o aval dos três órgãos envolvidos.

O PARA ainda municia vigilâncias sanitárias com informações que podem auxiliar em programas estaduais de monitoramento. Também ajuda na identificação de culturas que possuem poucos agrotóxicos registrados em razão do baixo interesse das empresas em registrar produtos para essas culturas, denominadas minor crops ou Culturas de Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI).

Nesses casos, há normas que simplificam o registro de produtos para essas culturas, melhorando de forma significativa a disponibilidade de ingredientes ativos autorizados para as CSFI nos últimos cinco anos. De 2011, quando a primeira norma para CSFI foi publicada, até hoje, mais de 900 novos LMRs de ingredientes ativos de relativa baixa toxicidade foram estabelecidos para as mais diversas culturas consideradas de baixo suporte fitossanitário no país.
Perspectivas para o futuro

Nos próximos anos, o PARA pretende aumentar o número de alimentos monitorados de 25 para 36, os quais terão abrangência de mais de 90% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira, segundo dados do IBGE. O número de amostras coletadas também se ajustará à realidade de consumo de cada alimento em cada estado.

Além disso, o programa ampliará o número de agrotóxicos pesquisados nas amostras, incluindo substâncias de elevada complexidade de análise, como glifosato e o 2,4-D, entre outras.

A Agência também está acompanhando o desenvolvimento de metodologias para avaliação do risco cumulativo, ou seja, quais são os riscos à saúde resultantes da ingestão de alimentos contendo resíduos de diferentes agrotóxicos com mesmo efeito tóxico.

A Europa, nos últimos anos, tem trabalhado no desenvolvimento de metodologia para avaliar esse tipo de risco e deve publicar no próximo ano os primeiros resultados dessa avaliação, segundo informações disponíveis no site da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA).

Clique aqui e acesse o relatório do PARA na íntegra ou clique aqui e confira uma síntese do documento.

Fonte: Anvisa

in EcoDebate, 28/11/2016

domingo, 23 de outubro de 2016

Do breakfast cereals contain endocrine-disrupting pesticides?

Date: October 14, 2016

Source: Health and Environment Alliance (HEAL)

Summary:
The worrying results a survey 7 on a breakfast food, muesli, show the ubiquity of cocktails of hormone disrupting chemicals, also known as endocrine disrupting chemicals (EDCs) in the everyday environment. The findings highlight the need for the EU Commission to revise its recently proposed criteria to identify EDCs so that they become effective in protecting health, say experts.

The EXPPERT 7 report addresses exposure to EDCs in food eaten at breakfast, a meal considered essential. Food is one of the most important routes of exposure for anyone who is not regularly using pesticides.

The survey represents the seventh part in the EXPPERT series (EXposition aux Pesticides PERTurbateurs endocriniens) on endocrine-disrupting pesticides. It is an initiative of Générations Futures, France, in partnership with the Health and Environment Alliance (HEAL) and Pesticides Action Network Europe (PAN E).

EDC pesticides. EDCs are natural or artificial substances that are foreign to the human body. Exposure to these chemicals can interfere with the endocrine system and induce many adverse effects on an individual or on a person's children or grandchildren. Many pesticides or biocides are either proven or strongly suspected to be EDCs.

Act now. To demonstrate the urgency of preventive action in the field of endocrine disruption, Générations Futures has produced a series of reports based on surveys and research analyses showing the omnipresence of many endocrine disruptors in our environment, which results in significant human exposure (these are the EXPPERT reports).

A targeted report. The 7th Exppert Report looks at one of the most important ways people who are not pesticide users get exposed: through food. Breakfast should meet a quarter of the body's daily energy needs. This meal should include cereals, mixtures of which can be found in muesli. Générations Futures therefore focused on this popular consumer product -- buying and analysing 15 packets of non-organic and five packets of organic cereal or muesli with fruit (or similar additions).

Here are the results:

100 percent of samples from the 15 non-organic products contained pesticide residues, including traces of suspected endocrine disrupting substances. None of the samples from the five organic packets contained pesticide residues.

Some figures:

• In the 15 samples from non-organic packets tested, 141 residues were found, out of which the concentrations of 70 could be quantified. Of these 141 residues, 81 are suspected EDCs, equivalent to 57.44 percent of the total.

• On average, 9.4 residues were found in the non-organic samples (the sample having the most residues contained 14 and those with the least had six). The non-organic samples had an average of 4.6 residues from suspected endocrine disrupting pesticides.

• Of the 70 non organic samples that could be quantified, the average concentration of residues was 0.177 mg/kg per sample. This level is 354 times higher than the maximum allowable concentration (MAC) tolerated in drinking water for all pesticides!

"Each new report by our association has demonstrated the urgency to act. These findings again reveal population exposure to too many pesticide residues that are suspected of being endocrine disruptors, which can act at very low doses," says Francois Veillerette, spokesperson for Générations Futures. "In June, the EU Commission announced its proposed criteria for determining EDCs but this definition is far from what is needed to protect the population's health. The ubiquity of cocktails of EDCs in the environment is confirmed by this report. The findings must be taken into account by the EU Commission, which should revise its criteria to make them truly protective," he concludes.

Story Source:

Materials provided by Health and Environment Alliance (HEAL). Note: Content may be edited for style and length.

Cite This Page:
Health and Environment Alliance (HEAL). "Do breakfast cereals contain endocrine-disrupting pesticides?." ScienceDaily. ScienceDaily, 14 October 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/10/161014145451.htm>.

sábado, 24 de setembro de 2016

Pulverização aérea para conter mosquito Aedes Aegypti é inconstitucional, diz PGR


Janot alerta para danos imediatos aos ecossistemas e risco de intoxicação humana

A pulverização de substâncias químicas por aeronaves para conter doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti é inconstitucional por ofender a preservação do meio ambiente, além de trazer riscos à saúde humana. O posicionamento é do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.592, enviada ao Supremo Tribunal Federal. Por haver perigo de danos imediatos aos ecossistemas e risco de intoxicação humana, ele pede concessão de medida cautelar.

A Lei 13.301/2016 dispõe sobre a adoção de medidas de vigilância em saúde diante de situações de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chincungunha e da zica. A ação proposta por Janot volta-se contra o trecho da legislação que afirma ser fundamental a pulverização de produtos químicos para conter os mosquitos (art.1º, §3º).

Segundo Janot, além de ser duvidosa a efetividade da medida, ela traz impactos negativos como contaminação do meio ambiente e intoxicação da população, podendo causar dores de cabeça, náuseas, dificuldades respiratórias e alergias na pele. Após a dispersão química, as substâncias acabam atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos, como lagos, lagoas e centrais de fornecimento de água para o consumo humano.

Outro ponto abordado pelo procurador-geral na ação é a questão da finalidade, alertando que a medida não contribui efetivamente para o combate ao mosquito, que possui hábitos domiciliares, ao abrigo das pulverizações. “Não se admite previsão legal de medidas vãs do poder público, em respeito à carência de recursos materiais e humanos, e ao dinheiro recolhido compulsoriamente dos contribuintes”, complementa.

O PGR argumenta que não há certeza quanto à eficácia nem quanto à segurança da medida. “Pelo contrário, os estudos existentes indicam em sentido oposto, pela ineficácia e periculosidade da dispersão de produtos químicos por aeronaves. É incompatível com a ordem constitucional previsão legal que admita medida cujos efeitos positivos à saúde e ao meio ambiente não foram comprovados, mas que, bem ao contrário, a maior parte da informação disponível sugere que seja ineficiente e dano”, sustenta.


Fonte: Procuradoria-Geral da República

in EcoDebate, 22/09/2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Portal da UFRJ reúne dados sobre agrotóxicos no país

Débora Motta
O portal é uma ferramenta para facilitar as pesquisas sobre agrotóxicos no País e a elaboração de políticas públicas no setor (Foto: Reprodução)

O Brasil é um dos países onde mais se consome agrotóxicos no mundo. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), as vendas de pesticidas em 2015 totalizaram US$ 9,6 bilhões e, só em 2014, foram comercializadas mais de 914 mil toneladas de agrotóxicos no País. Essas e outras informações, que nem sempre são divulgadas pelas empresas e instituições governamentais de modo facilitado para consulta pública, estão agora reunidas no Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos (http://dados.contraosagrotoxicos.org), desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo Grupo de Engenharia do Conhecimento (Greco).

O objetivo do portal é divulgar dados de interesse público sobre o setor, fornecidos por diferentes instituições, com a vantagem de reuni-los em um único ambiente virtual, de fácil navegação. “Um dos grandes problemas para os pesquisadores da área e formuladores de políticas públicas é a dificuldade de acesso a dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos no País. Alguns dados não são publicados, ou são, mas em formato PDF [Portable Document Format], por exemplo, o que dificulta a leitura por computadores e sua divulgação”, justifica uma das coordenadoras do Greco, Maria Luiza Machado, que é professora no Departamento de Ciência da Computação da UFRJ. “O portal de dados abertos interligados é voltado para quem precisa cruzar informações de diversas fontes. Utilizamos a tecnologia de software livre CKAN, de código aberto, o que evita que o pesquisador tenha que fazer buscas e downloads separados, em diferentes sites na Internet. É para quem busca informação para a ação, para quem quer examinar as consequências do uso de agrotóxicos”, completa.

O projeto, que também incluiu a criação de um Observatório de Atenção Permanente ao Uso de Agrotóxicos, foi contemplado pela FAPERJ, com recursos do edital Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa (ExtPesq). A ideia de desenvolver o portal surgiu a partir do engajamento de um dos pós-graduandos vinculados ao Greco, Alan Tygel, que é orientando de Maria Luiza no doutorado em Engenharia Elétrica do Programa de Pós-graduação em Informática da UFRJ, na Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. A campanha visa combater a utilização de agrotóxicos e a ação de suas empresas (produtoras e comercializadoras), explicitando as contradições geradas pelo modelo de produção baseado no agronegócio. “Observei que os participantes da campanha sentiam a necessidade de um espaço virtual para reunir as novas informações geradas por pesquisadores, militantes de movimentos sociais e agricultores, tornando essa informação útil na ação contra o uso de agrotóxicos e em defesa da vida”, explica Tygel.
Alan Tygel e Maria Luiza Machado trabalham no Observatório de
Atenção Permanente ao Uso de Agrotóxicos (Foto: Divulgação)


A iniciativa atende à necessidade de transparência em relação aos dados de interesse público, formalizada pela Lei de Acesso à Informação, cujo decreto ocorreu em 2012. “Pela lei, é obrigação das empresas que vendem agrotóxicos no País informarem seus balanços comerciais às autoridades reguladoras, que são o Ministério da Saúde, através da Anvisa [Agência de Vigilância Sanitária], e o Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente]. Elas têm obrigação de divulgar dados, como o quanto venderam e a porcentagem do componente químico ativo em cada produto, para sabermos os níveis de toxicidade permitidos para a saúde humana. Mas apenas o Ibama divulga em seu site esses dados, de forma bem atrasada”, afirma Tygel. “Muitos desses componentes são proibidos em outros países, como o herbicida paraquat, por exemplo, que já foi banido na União Europeia, mas continua sendo utilizado no Brasil”, acrescenta.

Com a contribuição do portal e o avanço da pesquisa sobre agrotóxicos no Brasil, espera-se ter subsídios para responder, com mais precisão, à pergunta: o quanto de agrotóxicos um brasileiro consome, em média, em seu prato de comida?. De acordo com Tygel, ainda faltam dados consistentes para desvendar essa questão, mas as expectativas não são animadoras. “Não conseguimos reunir dados atualizados, mas, em 2008, a indústria de agrotóxicos divulgou com muito orgulho que o consumoper capita foi de aproximadamente 5,2 litros de agrotóxicos naquele ano. Então, é muito importante ter essa relação de saber”, destaca. O grupo de pesquisa pretende encaminhar, ainda esta semana, pedidos de divulgação de dados sobre o uso de agrotóxicos, conforme os critérios da Lei de Acesso à Informação, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e à Anvisa.

No Portal de Dados Abertos sobre Agrotóxicos podem ser pesquisados conjuntos de informações nas seguintes categorias: Comercialização (dados sobre a comercialização de agrotóxicos no Brasil); Agroecologia e Produção Orgânica (fontes de informações sobre produção de alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos, dentro da agroecologia e da produção orgânica); Bases de Dados (reunindo informações sobre agrotóxicos, tanto no Brasil quanto no exterior); Doenças (relações entre tipos de agrotóxicos / grupos químicos e sintomas e doenças); Conflitos (dados sobre conflitos gerados pelos agrotóxicos, e pelo modelo do agronegócio em geral); Intoxicações (registro de intoxicações por agrotóxicos); Resíduos em Alimentos (dados sobre análises de resíduos em alimentos); Transgênicos (dados sobre transgênicos); Uso do Solo (dados sobre uso do solo no Brasil e no mundo); entre outras. Também participam do projeto alunos da graduação em Engenharia Elétrica da UFRJ – Mayara Santos, Leonardo Gonçalves e Gabriel Marques.

Fonte: FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

in EcoDebate, 06/09/2016

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Some pesticides linked to respiratory wheeze in farmers

Date: August 3, 2016

Source: North Carolina State University

Summary:
New research connects several pesticides commonly used by farmers with both allergic and non-allergic wheeze, which can be a sensitive marker for early airway problems.
New research from North Carolina State University connects several pesticides commonly used by farmers with both allergic and non-allergic wheeze, which can be a sensitive marker for early airway problems.

NC State epidemiologist Jane Hoppin and colleagues from the National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS), the National Cancer Institute, Westat and the National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) used interview data from the 2005 -- 2010 Agricultural Health Study (AHS) to evaluate the association between allergic and non-allergic wheeze and 78 pesticides. The AHS is a longitudinal study of farmers and their spouses in Iowa and North Carolina. For the purposes of this analysis, the researchers only used data from the male farmers.

In the current study, 22,134 farmers reported which pesticides they had used in the last year, and specific respiratory symptoms they had experienced. Allergic wheeze was defined as reporting both wheezing and doctor-diagnosed hay fever, while non-allergic wheeze was defined as reporting wheezing but no hay fever. The researchers used this information in statistical models to compare the control group -- farmers who had never used the pesticide in question -- to those who had used it, and to compare the frequency of either allergic or non-allergic wheeze.

The 78 pesticides included 45 herbicides and plant growth regulators, 25 insecticides, six fungicides, one fumigant and one rodenticide. Of the 78 assessed, 29 were associated with at least one type of wheeze: 19 were significantly associated with allergic wheeze, 21 with non-allergic wheeze and 11 were significantly associated with both.

In the herbicide group, 18 were associated with at least one wheeze outcome, 14 with non-allergic wheeze and 10 with allergic wheeze. Glyphosate, the most commonly used herbicide in the world, was associated with both types of wheeze. Interestingly, the less commonly used herbicide glufosinate ammonium was not associated with either type of wheeze.

In the insecticide group, nine of the 25 were associated with at least one type of wheeze. Permethrin and pyrethrins were associated with both types of wheeze. And in the fungicide, fumigant and rodenticide group, none were associated with non-allergic wheeze, and only the rodenticide warfarin was associated with allergic wheeze.

"This is the most comprehensive list of pesticides in relation to wheeze that has been evaluated to date," Hoppin says. "Fifty-one of the pesticides we tested in this study had never been analyzed in terms of their effects on respiratory outcomes. And some of them, like glyphosate, 2,4-D and permethrin, aren't just used on farms. They're used residentially now to kill weeds or treat fleas on pets. We believe it's important information that will help people make decisions about pesticides."

The research appears in Environmental Health Perspectives. Co-authors include David Umbach, Stephani London and Dale Sandler from the NIEHS, Stuart Long of Westat, Paul Henneberger of NIOSH, and Aaron Blair, Michael Alavanja and Laura Beane Freeman of NCI. NIEHS grant Z01-ES025041 and NCI grant Z01-CP010119 provided funding for the work.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by North Carolina State University. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Dale P. Sandler, Laura E. Beane Freeman, Michael Alavanja, Aaron Blair, Paul K. Henneberger, Stephanie J. London, Stuart Long, David M. Umbach, Jane A. Hoppin. Pesticides Are Associated with Allergic and Non-Allergic Wheeze among Male Farmers. Environmental Health Perspectives, 2016; DOI: 10.1289/EHP315

Cite This Page:
North Carolina State University. "Some pesticides linked to respiratory wheeze in farmers." ScienceDaily. ScienceDaily, 3 August 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/08/160803103914.htm>.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Agrotóxicos ameaçam colônias de aves da Antártica

Por Peter Moon | Agência FAPESP
Estudo identifica contaminantes orgânicos no sangue de petréis-gigantes (Foto: Colônia de petréis gigantes na ilha Elefante, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica/Fernanda Imperatrice Colabuono)

Pesquisadores confirmaram a presença de contaminantes orgânicos no sangue de petréis-gigantes do sul de diversas colônias na Península Antártica. Estudos de carcaças e outros tecidos já tinham dado sinais da contaminação, agora confirmados a partir de amostras de sangue em que foi detectada a presença de diversas substâncias nocivas, entre as quais o DDT, pesticida banido nos Estados Unidos em 1972, quando se constatou que seu uso ameaçava a sobrevivência de diversas espécies de aves de rapina.

A pesquisa foi realizada pela bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Ela estudou os animais das colônias de petréis-gigantes das ilhas Elefante e Livingston, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica, com bolsa de pós-doutorado e bolsa de estágio de pesquisa no exteriorda FAPESP.

A pesquisa teve apoio também da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e do National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos, com o apoio logístico do Programa Antártico Brasileiro.

O petrel-gigante-do-sul (Macronectes giganteus) é um animal magnífico e um importante predador de topo no Atlântico Sul e Oceano Austral. Com envergadura de asas de cerca de 2 metros, é uma das maiores aves voadoras do planeta, menor apenas que o albatroz e o condor. São também longevos. Petréis-gigantes podem viver mais de 50 anos. Passam a vida nos céus dos mares do Sul do planeta, à procura de comida.

Na época do acasalamento, durante o verão antártico, os petréis-gigantes retornam à mesma colônia onde nasceram. Para os biólogos, essa é uma vantagem para o estudo da espécie. Uma vez identificado e marcado, um indivíduo pode ter sua vida estudada por vários anos.

Nos verões antárticos de 2011/2012 e 2012/2013, Colabuono coletou amostras de sangue de 113 indivíduos e constatou a presença de contaminantes orgânicos como bifenilos policlorados (PCBs), hexaclorobenzeno (HCB), pentaclorobenzeno (PeCB), diclorodifeniltricloroetano (DDTs) e derivados, o pesticida clordano (banido nos Estados Unidos em 1988) e o formicida Mirex (banido nos Estados Unidos em 1978 e recentemente no Brasil).

Segundo Colabuono, todos esses poluentes orgânicos são persistentes no meio ambiente, têm ação cancerígena, causam disfunção hormonal e problemas reprodutivos. Os resultados foram publicados num artigo em Environmental Pollution.

Colabuono afirma que, comparado aos níveis de contaminação nas aves do hemisfério norte, os níveis de contaminação detectados nas colônias de petreis na Península Antártica ainda são baixos. O objetivo agora é monitorá-los no longo prazo, para se “ter um indicativo da tendência de aumento ou decréscimo desses contaminantes ao longo dos anos no ambiente em que estas aves vivem”, diz a bióloga.

Cadeia de contaminação

O DDT é transportado pelo ar e pela chuva. Uma vez em rios e lagos, se acumula na cadeia alimentar. Os insetos contaminados são comidos por peixes e estes por outros predadores. Em cada patamar da cadeia alimentar o nível de acúmulo de DDT nos tecidos aumenta.

Seus efeitos nocivos se tornam mais visíveis quando se atinge o ápice da cadeia, nos predadores de topo. O petrel-gigante é um deles. Ele se alimenta de peixes, lulas e até de carcaças de outras aves. Ou seja, no trajeto de uma longa vida, ao comer centenas de quilos de peixes contaminados, a quantidade de contaminantes nos tecidos do petrel sempre aumenta.

Foi o que aconteceu nos Estados Unidos com os falcões-peregrinos e os condores da Califórnia. Nos anos 1960, suas populações começaram a declinar dramaticamente. Os condores chegaram a contar apenas umas poucas centenas de indivíduos. Estavam a um passo da completa extinção.

Foi quando se descobriu o papel do DDT naquela tragédia. Ao se acumular no corpo das fêmeas adultas, o DDT era repassado à casca de seus ovos, que se tornavam finas e frágeis, partindo com grande frequência. A reprodução da espécie estava ameaçada. Em 1972, a produção, comercialização e o uso do DDT foram banidos nos Estados Unidos. Com o tempo, as populações de falcões e condores começaram a se recuperar.

O Brasil é atualmente o maior consumidor mundial de agrotóxicos. O uso proibido do DDT foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas em 2009 – mas, como ele persiste no meio ambiente, sua presença ainda é detectada nos tecidos de animais como o petrel. A preocupação de Colabuono em acompanhar a vida de seus petréis-gigantes tem fundamento.

O artigo de Fernanda I. Colabuono, Stacy S. Vander Pol, Kevin M. Huncik, Satie Taniguchi, Maria V. Petry, John R. Kucklick, Rosalinda C. Montone, Persistent organic pollutants in blood samples of Southern Giant Petrels (Macronectes giganteus) from the South Shetland Islands, Antarctica, publicado em Environmental Pollution, pode ser acessado no endereço http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0269749116304298.

in EcoDebate, 02/08/2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Entidades criticam lei que prevê pulverização aérea de inseticida contra o Aedes

A lei que autoriza o uso de aviões para pulverizar substâncias químicas contra o mosquito Aedes aegypti, sancionada esta semana pelo presidente interino, Michel Temer, foi duramente criticada por organizações de saúde e combate a agrotóxicos.

Publicada na terça-feira (28) no Diário Oficial da União, a Lei 13.301/2016 prevê a “incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida” como umas das medidas de combate ao mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya.

O Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FNDCIA) divulgou nota em que reprova a sanção presidencial. De acordo com o procurador regional do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco, Pedro Serafim, coordenador nacional da entidade, a lei tem potencial para causar doenças nos seres humanos e outras espécies, além de perdas econômicas.

“Alguns países da comunidade europeia, e também o Canadá e os Estados Unidos, vem restringindo a pulverização aérea. Nós vemos um retrocesso muito grave para a saúde pública. O fumacê não resolveu, tem tornado o mosquito resistente, e não vai ser com essa pulverização desordenada, que pouco alcança o alvo, que vai resolver”, criticou.

O coordenador do Grupo de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Marcelo Firpo, classificou a autorização prevista na lei como um “retrocesso civilizatório”. Segundo ele, as áreas afetadas vão ser usadas como laboratórios. “Vai fazer da população em geral um grande espaço de experimentação humana com substâncias perigosas, cujos efeitos só vão aparecer anos depois.”

Riscos

A lei não delimita que substâncias serão permitidas ou proibidas nas pulverizações. A Abrasco critica o uso de qualquer produto, mas cita com maior preocupação o risco o perigo do Malation, químico usado em carros de fumacê pelo país. “Muitos princípios ativos que combatem, por exemplo, o ciclo reprodutivo dos insetos, também têm potencial de afetar o organismo humano. Esse é o caso da substância Malation. Foi classificado pelo IARC [sigla em inglês para Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer], ligado à OMS [Organização Mundial de Saúde], como um produto provavelmente cancerígeno”, explicou.

As organizações atribuem a sanção da lei por Temer a interesses do mercado. “Quem está pressionando para que a legislação seja aprovada? Não são os órgãos públicos e instituições de saúde, que deveriam ser os principais consultados. Eles se colocaram contrários a essa legislação”, disse o coordenador da Abrasco. “É algo que veio do setor da aviação privada, com interesse sobretudo econômico”, acrescentou Serafim, do FNDCIA.

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola já defendeu, em várias ocasiões – inclusive em audiência pública do Senado em junho – uma proposta de pulverização aérea de inseticidas em áreas habitadas. O uso, no entanto, teria que passar por um teste piloto em local de grande infestação. Na ocasião, o Ministério da Saúde se manifestou contra a proposta por temer que as substâncias provocassem danos à saúde humana.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a Campanha Contra os Agrotóxicos também já se manifestaram contra a lei.

Legislação

Segundo Marcelo Firpo, da Abrasco, a regra sancionada esta semana é “inconstitucional e ilegal” porque contraria legislação já existente sobre pulverização de agrotóxicos em áreas de circulação humana.

A Lei 7.802/1989, que trata dos agrotóxicos, não faz menção ao uso dos produtos por meio de pulverização em áreas urbanas, mas uma instrução normativa do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento proíbe a aplicação aeroagrícola é proibida em áreas situadas a uma distância mínima de 500 metros de “povoações, cidades, vilas, bairros, de mananciais de captação de água para abastecimento de população”, e de 250 metros de “mananciais de água, moradias isoladas e agrupamentos de animais”.

Por Sumaia Villela, da Agência Brasil, in EcoDebate, 30/06/2016

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Agências da ONU apresentam plano para reduzir danos causados por agrotóxicos perigosos

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram novas diretrizes com o objetivo de reduzir os danos causados pelos agrotóxicos, que representam um risco elevado para a saúde humana e o meio ambiente.
Jovem coloca pesticida em plantação. Foto: FAO

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram novas diretrizes com o objetivo de reduzir os danos causados pelos agrotóxicos, que representam um risco elevado para a saúde humana e o meio ambiente.

Os produtos com toxicidade aguda são os responsáveis por um elevado número de casos de intoxicação imediata, sobretudo nos países em desenvolvimento, enquanto os produtos com efeitos tóxicos crônicos podem provocar câncer ou transtornos de desenvolvimento em crianças em fase de crescimento.

Nos países industrializados, não se permite o uso dos chamados “agrotóxicos muito perigosos” ou sua utilização é restrita. No entanto, estes continuam sendo fáceis de conseguir nos países em desenvolvimento. Além disso, mesmo os produtos perigosos que ainda são permitidos nos países industrializados podem causar graves problemas no mundo em desenvolvimento, onde as circunstâncias em que são utilizados podem ser muito diferentes.

Particularmente, os pequenos agricultores nos países em desenvolvimento não utilizam equipamento de proteção necessário, e frequentemente usam pulverizadores de mochila que representam um alto risco à saúde. Limitar a utilização desses produtos muito perigosos acaba sendo difícil, sendo empregados de forma generalizada por pessoas não qualificadas. Entre as possíveis consequências, estão numerosos casos de intoxicação, contaminação de alimentos e danos ambientais.

Localizar os responsáveis

Um grupo relativamente pequeno de praguicidas muito perigosos costuma ser a causa da maior parte das intoxicações. Em muitos casos, esses agrotóxicos podem ser substituídos por produtos menos perigosos ou pelo manejo integrado de pragas, que tem como objetivo reduzir a dependência de produtos químicos.

As diretrizes oferecem um caminho para ajudar os países a identificar e gerir os praguicidas mais perigosos. Também auxiliam na realização de inventários, avaliação dos riscos e das necessidades reais, e na adoção de medidas para mitigar riscos.

Em muitos casos, será necessário retirar o produto de forma gradual, mas quando não existem boas alternativas, poderão ser consideradas outras medidas para mitigar riscos. As condições locais de uso e a viabilidade das medidas de controle devem ser um fator importante na tomada de decisões.

A FAO também lançou um conjunto de ferramentas para o Registro de Praguicidas para ajudar os governos a realizar avaliações de perigos e riscos, como parte de seu processo nacional de aprovação de praguicidas. Esse kit também pode ser utilizado para reavaliar produtos que foram aprovados no passado, mas que atualmente são considerados muito perigosos.

Ação global unificada

O impulso para melhorar a governança dos agrotóxicos intensificou-se no ano passado quando a Conferência Internacional sobre a Gestão de Produtos Químicos aprovou em nível internacional uma resolução pedindo uma ação unificada para fazer frente aos agrotóxicos muito perigosos. A FAO e a OMS deram assessoramento para avançar neste tema.

Foi feito um pedido para que governos utilizem as novas diretrizes e o conjunto de ferramentas para revisar suas atuais listas de agrotóxicos autorizados, com o objetivo de identificar aqueles que são muito perigosos e tomar as medidas necessárias para reduzir os riscos dos usuários, dos consumidores e do meio ambiente.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, 23/05/2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Vegetables irrigated with treated wastewater expose consumers to drugs

Researchers show the link between exposure to pharmaceutical contaminants and consumption of fresh produce grown in reclaimed wastewater-irrigated soil 

Date: April 18, 2016 

Source: The Hebrew University of Jerusalem Summary: 

A new study shows that eating vegetables and fruits grown in soils irrigated with reclaimed wastewater exposes consumers to minute quantities of carbamazepine, an anti-epileptic drug commonly detected in wastewater effluents.
Research showed that healthy individuals who consumed reclaimed wastewater-irrigated produce excreted carbamazepine in their urine.
Credit: The Hebrew University of Jerusalem

A new study by a multidisciplinary team of researchers from the Hebrew University of Jerusalem and Hadassah Medical Center shows that eating vegetables and fruits grown in soils irrigated with reclaimed wastewater exposes consumers to minute quantities of carbamazepine, an anti-epileptic drug commonly detected in wastewater effluents.

Fresh water scarcity worldwide has led to increased use of reclaimed wastewater, as an alternative source for crop irrigation. But the ubiquity of pharmaceuticals in treated effluents has raised concerns over the potential exposure for consumers to drug contaminants via treated wastewater.

"Israel is a pioneer and world leader in reuse of reclaimed wastewater in the agriculture sector, providing an excellent platform to conduct such a unique study," said research co-author Prof. Benny Chefetz from the Faculty of Agriculture, Food and Environment at the Hebrew University and the Director of the Hebrew University Center of Excellence in Agriculture and Environmental Health. The study is the first to directly address exposure to such pharmaceutical contaminants in healthy humans. It was recently published in Environmental Science and Technology.

"In a randomized controlled trial we have demonstrated that healthy individuals consuming reclaimed wastewater-irrigated produce excreted carbamazepine and its metabolites in their urine, while subjects consuming fresh water-irrigated produce excreted undetectable or significantly lower levels of carbamazepine," said Prof. Ora Paltiel, Director of the Hebrew University-Hadassah Braun School of Public Health and Community Medicine, who led the research.

The study followed 34 men and women divided into two groups. The first group was given reclaimed wastewater-irrigated produce for the first week, and freshwater-irrigated vegetables in the following week. The second group consumed the produce in reverse order.

The volunteers consumed the produce, which included tomatoes, cucumbers, peppers and lettuce, according to their normal diet and drank bottled water throughout the study to neutralize water contamination.

The researchers measured carbamazepine levels in the fresh produce and in the participants' urine. To begin with, the urinary levels of carbamazepine differed in their quantifiable concentration, with some participants having undetectable levels. Following seven days of consuming reclaimed water-irrigated produce, all members of the first group exhibited quantifiable levels of carbamazepine, while in the second group the distribution remained unchanged from baseline. Levels of carbamazepine excretion were markedly higher in the first group versus the second.

"Treated wastewater-irrigated produce exhibited substantially higher carbamazepine levels than fresh water-irrigated produce," said Prof. Paltiel.

"It is evident that those who consume produce grown in soil irrigated with treated wastewater increase their exposure to the drug. Though the levels detected were much lower than in patients who consume the drug, it is important to assess the exposure in commercially available produce," Prof. Paltiel said.

"This study demonstrates 'proof of concept' that human exposure to pharmaceuticals occurs through ingestion of commercially available produce irrigated with treated wastewater, providing data which could guide policy and risk assessments," said Prof. Chefetz.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by The Hebrew University of Jerusalem. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference: 
Ora Paltiel, Ganna Fedorova, Galit Tadmor, Geffen Kleinstern, Yehoshua Maor, Benny Chefetz. Human Exposure to Wastewater-Derived Pharmaceuticals in Fresh Produce: A Randomized Controlled Trial Focusing on Carbamazepine. Environmental Science & Technology, 2016; DOI: 10.1021/acs.est.5b06256

Cite This Page: 

The Hebrew University of Jerusalem. "Vegetables irrigated with treated wastewater expose consumers to drugs: Researchers show the link between exposure to pharmaceutical contaminants and consumption of fresh produce grown in reclaimed wastewater-irrigated soil." ScienceDaily. ScienceDaily, 18 April 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/04/160418120339.htm>.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Produtores rurais e seus familiares estão sujeitos a alterações respiratórias pela exposição a agrotóxicos

O município de São José de Ubá, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, tem cerca de 7 mil habitantes, a maioria na área rural. A economia da cidade é baseada na agricultura familiar, principalmente no plantio de tomates, com uso excessivo de agrotóxicos e parte da sua produção é comercializada com outros estados, inclusive São Paulo. A ocorrência de sintomas respiratórios e alterações da função respiratória em trabalhadores rurais e familiares expostos a agrotóxicos foi constatada em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, realizada por Rafael Junqueira Buralli.
Em de São José de Ubá (RJ), plantio de tomates tem uso excessivo de agrotóxicos

“O cenário natural montanhoso da região favorece a mobilização dos agrotóxicos aplicados nas plantações, contaminando o solo do entorno da cultura e águas superficiais e subterrâneas”, conta Buralli. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 14,2% das residências daquela cidade têm condições de saneamento básico adequadas. O estudo apurou que grande parte da população está exposta aos agrotóxicos desde a tenra idade, seja por morar próximo das áreas de plantio, trabalhando diretamente, ou mesmo ajudando seus familiares. “No grupo dos produtores rurais, a maioria era do sexo masculino e afirmou trabalhar com agrotóxicos por várias horas por dia, principalmente no período da safra. A maioria dos familiares era do sexo feminino”. Foram avaliadas 82 pessoas (48 trabalhadores rurais e 34 familiares). Entre os trabalhadores rurais, 81,3% afirmaram ter contato com agrotóxicos no momento da pesquisa, sendo que 77,1% dos produtores e 94,1% dos familiares afirmaram estar expostos domesticamente aos agrotóxicos.

A maioria dos produtores e familiares era casada, com renda familiar de até dois salários mínimos, meeiros ou arrendatários de pequenas áreas, com baixa escolaridade e nunca recebeu treinamento ou orientações para manipular agrotóxicos. No momento da avaliação, na safra de 2014, 66% das pessoas apresentaram algum sintoma respiratório. Os mais comumente relatados foram crise de tosse (40,0%), rinite (30,7%), sensação de aperto no peito (24,0%), sensação de falta de ar (17,3%) e chiado no peito (13,3%). “Quanto às alterações da função pulmonar, 20% dos produtores e 22,2% dos familiares apresentaram algum distúrbio respiratório”, aponta o pesquisador. “Após análises estatísticas, as alterações respiratórias se mostraram significativamente associadas ao fato de a pessoa ser produtor, manipular agrotóxicos regularmente e da quantidade de horas trabalhadas por dia”.

De acordo com bases de dados oficiais de morbidade e mortalidade, as principais causas de morte entre 2004 e 2010 em São José de Ubá, foram as doenças do aparelho circulatório, do aparelho respiratório, neoplasias, causas externas, transtornos mentais e comportamentais, doenças do sistema digestório, disfunções endócrinas, metabólicas. “Quanto ao câncer, as neoplasias mais frequentes com o desfecho óbito do paciente foram as de pulmões, estômago e laringe”, observa Buralli.

Internações

Quanto às internações hospitalares no município, entre janeiro de 2008 e agosto de 2015, as causas mais comuns foram as doenças do aparelho circulatório, respiratório, genitourinário e digestivo, neoplasias e transtornos mentais e comportamentais. “Todas essas doenças já foram associadas à exposição aos agrotóxicos em outros estudos e podem estar relacionadas também em SJU”, destaca o pesquisador.

Segundo Buralli, a primeira providência a ser tomada para contornar o problema seria melhorar o apoio técnico e atenção à saúde das pessoas que manipulam esses químicos, fornecendo treinamento para lidar com esses produtos e organizando o sistema de saúde para atender as necessidades específicas das populações expostas, tanto na prevenção ou tratamento de doenças relacionadas à exposição aos agrotóxicos. “Na cidade, não há um banco de dados contendo registros de morbidade e mortalidade por causas ocupacionais, nem programa específico de vigilância, promoção de saúde, prevenção e redução de danos à saúde das populações expostas”, ressalta.

De acordo com o pesquisador, a segunda providência seria a implantação de políticas públicas mais restritivas quanto à comercialização e consumo de produtos agrotóxicos. “Hoje, o Brasil é líder mundial no consumo de agrotóxicos e comercializa diversas substâncias proibidas no mundo inteiro”, alerta. “Os efeitos disso não são sentidos somente pelas famílias rurais, mas também pela população em geral, que vive próximo a áreas de plantio ou consome produtos envenenados”.

A orientadora do estudo, descrito em dissertação de mestrado, foi a professora Helena Ribeiro, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP. O trabalho, no entanto, é parte de um projeto de avaliação de risco à saúde humana por exposição a metais e agrotóxicos em São José de Ubá, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenado pelo professor Jean Remy Daveé Guimarães, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da FSP e da UFRJ, também colaboraram pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Universidade de Brasília (UnB).

Foto: Wikimedia Commons

Por Júlio Bernardes, da Agência USP de Notícias, in EcoDebate, 29/04/2016