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sábado, 29 de julho de 2017

More evidence on link between antibiotic use and antibiotic resistance

Date: July 27, 2017

Source: European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC)

Summary:
The European Food Safety Authority, the European Medicines Agency and the European Centre for Disease Prevention and Control are concerned about the impact of use of antibiotics on the increase in antibiotic-resistant bacteria. The report presents new data on antibiotic consumption and antibiotic resistance and reflects improved surveillance across Europe.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Estudo da Fiocruz descobre que alterações em bebês provocadas por zika são mais variadas do que se pensava

AFN

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade da Califórnia (UCLA) descobriram que as anormalidades provocadas pelo vírus zika em bebês antes do nascimento são mais variadas e frequentes do que se acreditava. A maior pesquisa de coorte já realizada sobre zika registrou anormalidades em 46% das 125 gestações analisadas. Destas, 97 foram acompanhadas no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O estudo sugere que os danos fetais provocados pelo vírus zika podem ocorrer ao longo de toda a gravidez e são muito mais variados do que apenas a microcefalia. Além disso, algumas anomalias só podem ser detectadas apenas semanas ou meses após o bebê ter nascido, segundo a chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e uma das autoras do estudo, Patrícia Brasil.

“Um bebê aparentemente normal pode apresentar algum tipo de anormalidade não detectada em exames usuais de rotina. É muito importante saber isso, porque, quanto mais precoce for o diagnóstico, mais oportunas e efetivas poderão ser as medidas de intervenção que assegurem o melhor desenvolvimento dessas crianças”, afirmou a pesquisadora, destacando que a concepção e a execução do estudo são frutos de colaboração estruturada e fortalecida entre os institutos da Fiocruz, com financiamento principal do Ministério da Saude do Brasil.

O novo estudo, publicado no New England Journal of Medicine http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1602412?query=featured_home, foi baseado em uma amostra maior de 345 mulheres do Rio de Janeiro, que foram inscritas de setembro de 2015 a maio de 2016. Destas mulheres, 182 (53%) tiveram resultado positivo no teste para zika no sangue, na urina ou em ambos. Além disso, foi descoberto que 42% das mulheres que não tiveram zika estavam infectadas com chikungunya e que 3% das mulheres com zika também foram infectadas por chikungunya.

Desta amostra inicial, os pesquisadores avaliaram 125 mulheres infectadas por zika e 61 não infectadas com o vírus que haviam dado à luz até julho de 2016. O estudo anterior foi baseado principalmente em descobertas pré-natais por meio de ultrassom; em contraste, a nova pesquisa avaliou bebês nascidos de gestações afetadas por zika usando exames físicos e ressonâncias cerebrais. Outra novidade diz respeito a possibilidade de diagnóstico da zika através do líquido amniótico.

Para o coautor do estudo e gerente da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Gestante do IFF, José Paulo Pereira Júnior, a nova pesquisa apontou que a microcefalia é apenas uma parte do espectro do que atualmente é chamado de Síndrome da Zika Congênita. “Com o aumento da amostra, identificamos que outras alterações, tão importantes quanto a microcefalia, estão sendo observadas em uma parcela considerável das gestantes expostas ao vírus”. Ele destaca ainda a importância do estabelecimento de um protocolo específico para acompanhamento dessas pacientes durante o pré-natal e também no momento do parto. “O parto normal pode e deve ser indicado em casos de diagnóstico de microcefalia, em que o bebê esteja hemodinamicamente estável,” explica o obstetra.

Já a responsável pela pesquisa clínica do Instituto, Maria Elisabeth Moreira, que também participou da pesquisa, reforça para a importância de estimular os bebês nos primeiros meses de vida. “É importante destacar que valorizamos também alterações neurológicas menores. Não podemos perder a janela de oportunidade de encaminhar essas mães para a estimulação precoce, que pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento dos bebês. Nessa época, o cérebro ainda está crescendo, e as crianças respondem muito bem à estimulação, substituindo células doentes por células normais”, disse Moreira. 

A pesquisa dá continuidade a um estudo https://agencia.fiocruz.br/estudo-analisa-infeccao-por-virus-zika-em-gravidas-do-rio desenvolvido pela Fiocruz em março, que usou testes moleculares para encontrar uma associação entre a infecção por zika em mulheres grávidas e uma série de problemas incluindo morte fetal, crescimento fetal anormal e danos ao sistema nervoso central. Este é o maior estudo até aqui a acompanhar mulheres desde o momento da infecção até o fim da gravidez. Todas as mulheres foram inscritas antes de serem identificadas anormalidades em suas gestações.

Uma equipe multidisciplinar esteve a frente do acompanhamento dos bebês durante sua primeira infância, quando “manifestações neurológicas mais sutis não são identificáveis”. Exames posteriores, portanto, podem vir a descobrir outros problemas neurológicos não detectáveis no começo da vida dos bebês. “Nossos dados mostram que os riscos de complicações severas no desenvolvimento fetal após a infecção por zika são substanciais”, ressaltam os autores no artigo.

A professora de pediatria clínica da Divisão de Doenças Pediátricas Infecciosas da Escola de Medicina da UCLA e também autora do estudo, Karim Nielsen, definiu os resultados do estudo como “graves”. “Descobrimos que a microcefalia não é a alteração congênita mais comum do vírus zika e que a ausência desta condição não significa que você teve um bebê normal”, disse Nielsen. “Há muitos problemas que não são aparentes no nascimento. Os recém-nascidos podem parecer normais, mas não o serem aos seis meses, e há toda uma vasta gama de problemas”.

Na Fiocruz, o estudo foi enquadrado como prioritário pelo gabinete de enfrentamento à Emergência Sanitária, criado em dezembro de 2015 em função da crise da zika. Por isso também, foi indicado para encomenda de financiamento CAPES pelo coordenador do gabinete e vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rodrigo Stabeli. “O gabinete julgou essencial o entendimento do progresso das infecções congênitas pelo vírus zika e por isso incentivou o desenho experimental apresentado pelo estudo via encomenda Capes. Estamos ainda mobilizados institucionalmente para gerar respostas e soluções frente a este grave problema de saúde pública mundial”, ressaltou.

A pesquisa é financiada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério de Saúde do Brasil, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Niaid/NIH).

Destaques da pesquisa:

• Ocorreram nove mortes fetais em mulheres com zika durante a gravidez. Dentre essas, cinco foram no primeiro trimestre de gestação;

• Mortes fetais ou anormalidades em bebês foram verificadas em 46% dos casos de gestações de mães que testaram positivo para zika, em contraste com 11,5% das mulheres que testaram negativo para zika;

• 42% dos bebês que nasceram de mães infectadas por zika sofria de microcefalia, lesões cerebrais, calcificações cerebrais, lesões na retina, surdez, dificuldades para se alimentar, entre outras complicações;

Os problemas foram verificados em todas as etapas da gravidez: 55% das mulheres infectadas no primeiro trimestre foram afetadas, 51% no segundo e 29% no terceiro.

Fonte: Agência de Notícias Fiocruz

in EcoDebate, 16/12/2016

sábado, 3 de dezembro de 2016

América Latina é região mais hostil a ambientalistas, diz relator da ONU

ONU Brasil

A ambientalista hondurenha e defensora dos direitos indígenas Berta Cáceres foi assassinada em casa, em março deste ano, na frente de um amigo. Todas as ameaças que recebeu por anos se tornaram, então, realidade. Berta lutou a vida toda pelo direito dos povos Lenca de viver em um ambiente seguro e saudável em seu próprio país, Honduras.

O assassinato de Berta não foi um caso isolado. Em 2014, três quartos dos 116 casos de assassinatos de defensores do meio ambiente e dos direitos humanos ocorreram na América Central e na América do Sul, segundo relator das Nações Unidas.
Homens armados entraram em março na casa de Berta Cáceres, localizada na cidade de La Esperanza, oeste do país, e mataram a ativista. Foto: goldmanprize.org

A mãe de Laura, Berta Cáceres, foi morta em casa, em uma manhã de março, na frente de um amigo. Todas as ameaças que recebeu por anos se tornaram, então, realidade. Berta lutou a vida toda pelo direito dos povos Lenca de viver em um ambiente seguro e saudável em seu próprio país, Honduras.

“Minha mãe foi presa, desacreditada, ameaçada por sua luta na defesa da vida e contra o extrativismo”, disse recentemente Laura Zúñiga Cáceres na sede das Nações Unidas em Genebra. “Nossa luta é pela Mãe Terra, pela vida, e nesse combate estamos perdendo nossas vidas”, completou.

O assassinato de Berta em Honduras não foi um caso isolado. A América Latina é a região mais hostil a ambientalistas, disse o relator especial da ONU para os defensores dos direitos humanos, Michel Forst, em documento recente enviado à Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Em 2014, três quartos dos 116 casos de assassinatos de ativistas ambientais e de direitos humanos em 17 países — em média, mais de duas vítimas por semana — ocorreram na América Central e na América do Sul”, disse o especialista no documento.

“Por toda a América Latina e o Caribe, ativistas ambientais enfrentam os piores obstáculos em sua luta por um mundo mais sustentável: ameaças, assédios e intimidações são frequentemente parte da rotina. Em algumas áreas, seus esforços podem ser desacreditados e classificados como ‘antidesenvolvimento’. Em muitos casos, sua cruzada heroica para defender o planeta e os direitos humanos pode custar suas vidas.”

Além de Honduras, o relator citou Brasil, Colômbia, Guatemala, México e Peru como países que atraem cada vez mais indústrias extrativas e de mineração — que causam mais desflorestamento — e se tornaram perigosos para ambientalistas. A impunidade também é frequente em crimes contra defensores do meio ambiente, disse o documento. No caso do Brasil, o relator citou os ataques e assassinatos de defensores do meio ambiente e dos direitos dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul.

Os defensores do meio ambiente “não são apenas ambientalistas e ativistas pela terra, mas também defensores dos direitos humanos”, declarou Forst.


Da ONU Brasil, in EcoDebate, 02/12/2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Chikungunya vai ser um problema maior do que imaginávamos, afirma pesquisador da Fiocruz

Por Rivaldo Venâncio da Cunha (para o blog do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz)

Se no último verão, o país esteve às voltas com o enfrentamento da zika e da dengue, o verão de 2017 deverá trazer mais um desafio aos gestores, em nível municipal, estadual e nacional: a chikungunya. Nessa análise realizada para o blog do Centro de Estudos Estratégicos (CEE/Fiocruz), o diretor da Fiocruz Mato Grosso do Sul, o médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, afirma que a doença atinge hoje todo o país e vem se alastrando de forma vertiginosa: dos 650 municípios com casos notificados em todo o ano de 2015, passou-se a 2.250, só até setembro de 2016, segundo dados do Ministério da Saúde.

“Temos que nos preparar para enfrentar nesse próximo verão um problema ainda maior do que imaginávamos”, diz Rivaldo. E de nada adiantam soluções que se requerem imediatas, como a pulverização de inseticidas em áreas urbanas, que só trazem danos à saúde e ao ambiente, como afirma. “Não tem milagre”, resume Rivaldo. “Estamos lidando com um passivo ambiental acumulado de 500 anos”.
Sintomas do Chikungunya. Imagem: Universidade Federal do Ceará

Leia a íntegra da análise do pesquisador:

“Do início do ano para cá, o cenário epidemiológico do país mostrou que estávamos, infelizmente, certos, ao consideramos, naquele momento, que tínhamos um problema sério, no que diz respeito a dengue, zika e chikungunya. É tão ou mais sério do que imaginávamos. Em relação à dengue, temos notificados no Brasil cerca de 1,5 milhão de casos. É bem verdade que muitos desses casos notificados como dengue sejam provavelmente zika, chikungunya ou alguma outra doença circulando Brasil afora. Mas, de qualquer forma, a dengue com certeza continua ocorrendo em larga escala no Brasil.

Além disso, temos o constante e persistente crescimento da ameaça da zika, que se mostrou um problema complexo e nos indicou que também estávamos na linha de raciocínio correta, ao considerarmos não apenas a microcefalia, mas a zika congênita no espectro de consequências da infecção pelo vírus nas gestantes. Já no começo do ano chamávamos a atenção firmemente para a importância de se tratar a infecção do vírus zika, que atinge a mãe e a criança, como questão congênita, tendo-se na microcefalia, provavelmente, como uma das mais graves manifestações, mas não a mais frequente. Os estudos desenvolvidos ao longo desses meses têm reforçado essa observação, mostrando-nos uma quantidade grande de crianças nascendo com cérebro de tamanho normal, mas apresentando outras alterações decorrentes da infecção durante a gestação.

Quanto à chikungunya, no próximo verão, deverá vir a ser um problema tão ou mais grave, em abordagens diferentes, do que foram a dengue e a zika no verão passado. Já foram notificados em 2016 215 mil casos de chikungunya, aproximadamente, no Brasil. Se considerarmos que existe pelo menos um caso não notificado para cada notificado, estaremos falando de praticamente 500 mil casos. Trata-se de uma doença debilitante que também pode provocar incapacidade temporária nas pessoas acometidas.

Não seria exagero dizer, que, hoje, a chikungunya está atingindo praticamente todo o Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, durante o ano de 2015 650 municípios tiveram casos da doença notificados. Em 2016, foram 2.250 municípios, um crescimento gigantesco. Durante todo o no ano de 2015, foram notificados cerca de 38 mil casos de chikungunya Brasil afora. Durante o ano de 2016, até setembro, o número passou a 215 mil, uma escalada vertiginosa da doença. Temos que nos preparar para enfrentar nesse próximo verão um problema ainda maior do que imaginávamos.

Os desafios estão sobretudo em aportar recursos e infraestrutura para as pesquisas em curso, e para outras em formulação, em instituições brasileiras e nas parcerias com instituições do exterior. É essencial para que possamos melhorar nosso conhecimento sobre diversos aspectos, em especial em relação a zika e chikungunya, que ainda são desconhecidos pelos profissionais de saúde. Por exemplo, no que diz respeito aos mecanismos de transmissão do vírus. Comprovadamente, o mosquito Aedes transmite zika, no entanto, temos observações que sugerem outras formas de transmissão do vírus, por exemplo, por via sexual. Essa via de transmissão deve ser, sim, cada vez mais monitorada e avaliada para que se possa ter a dimensão real da magnitude que esses mecanismos de transmissão sexual pode ter no complexo geral da dinâmica de transmissão da doença.

A tendência é de as localidades que tiveram epidemia de zika entre 2014 e 2015 não terem grandes epidemias no verão de 2016 para 2017, porque essas epidemias criam uma barreira de pessoas com anticorpos ao vírus. Nesses locais, em tese, não haverá epidemias tão graves quanto as anteriores. A expectativa maior fica em relação àquelas localidades em que os vírus zika e chikungunya ainda não circularam de forma intensa. Aí, a expectativa de epidemia no próximo verão permanece.

O substrato para essas epidemias é a conjugação de diversos fatores, alguns climáticos e outros, não. As chuvas que teremos no verão, a elevação de temperatura, que também teremos, a dificuldade de recolhimento de resíduos sólidos, sobretudo na periferia das grandes cidades, que vai se manter, infelizmente, o abastecimento irregular de água em algumas regiões do país, que também vamos continuar tendo, tudo isso contribui para que os focos de procriação e a intensidade e rapidez de multiplicação do mosquito ocorram.

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou uma lei que autoriza a autoridade pública de saúde a pulverizar as cidades com inseticida para matar o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya. Considero isso uma aventura ecológica, para não chamar de crime ambiental. Esse inseticida que será pulverizado por meio de aviões vai matar parte dos mosquitos, mas também vai matar abelhas, lagartas, pássaros, pequenos animais e levar ao desenvolvimento de alergias graves em crianças. Ou seja, o impacto ambiental e sobre a saúde coletiva em hipótese alguma justifica essa aventura.

Estamos lidando com três doenças – quatro com a febre amarela – transmitidas por um mesmo mosquito, que tem seus principais focos de procriação relacionados a um passivo ambiental acumulado ao longo de 500 anos, acrescido, nas últimas décadas, de um processo de desenvolvimento que resulta no uso intensivo de garrafas plásticas, pets e outros apetrechos. Não tem milagre.”

in EcoDebate, 25/10/2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Antibiotic resistance can occur naturally in soil bacteria

Date: September 27, 2016

Source: USDA/Agricultural Reseach Service

Summary:
Scientists have found antibiotic-resistant bacteria in prairie soils that had little or no exposure to human or animal activity.
ARS scientists found antibiotic-resistant bacteria occurring naturally in undisturbed Nebraska prairie soils.
Credit: Photo by ARS

U.S. Department of Agriculture (USDA) scientists have found antibiotic-resistant bacteria in prairie soils that had little or no exposure to human or animal activity.

Antibiotics have effectively treated bacterial diseases for years, but some bacteria have developed resistance to the antibiotics that once killed them.

Agricultural Research Service (ARS) researchers are investigating agriculture-related antibiotic resistance and developing solutions to address food safety, animal production and protection, and the environment. Part of their efforts involves looking at antibiotic resistance in soils.

Microbiologist Lisa Durso and her colleagues at the ARS Agroecosystem Management Research Unit in Lincoln, Nebraska, recently demonstrated that ungrazed prairie soils have measurable amounts of bacteria with antibiotic resistance.

Antibiotic-resistant bacteria and antibiotic-resistant genes found in soils where manure was deposited by animals can provide valuable information about what is currently present in a sample site, such as a feedlot. However, the concern is that even if bacteria in manure are dead, their genes can persist in soils.

A tool for measuring resistance is needed to identify the source of antibiotic resistance on farms and in the environment, according to Durso. Establishing baseline levels of antibiotic resistance will allow scientists to differentiate resistance caused by human antibiotic use from resistance that occurs naturally.

Durso and her team examined native prairie soils that had little human impact and no animal grazing during the past 20 years. They collected soil samples from the sites and screened them for antibiotic-resistant bacteria. They found that all prairies contained bacteria that were resistant to tetracycline and cefotaxime -- two commonly prescribed antibiotics that treat a wide variety of infections -- and nearly half of the samples contained bacteria resistant to two or more antibiotics.

According to Durso, data from the study can provide a baseline for what occurs naturally in soil -- giving scientists a starting point for figuring out how best to manage antibiotic resistance in agricultural productions.

Story Source:

Materials provided by USDA/Agricultural Reseach Service. Original written by Sandra Avant. Note: Content may be edited for style and length.

Cite This Page:
USDA/Agricultural Reseach Service. "Antibiotic resistance can occur naturally in soil bacteria." ScienceDaily. ScienceDaily, 27 September 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/09/160927151524.htm>.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

FAO: pecuária causou 80% do desflorestamento no Brasil entre 1990-2005

Mais de 80% do desflorestamento ocorrido no Brasil no período de 1990 a 2005 foi associado à conversão de terras em terrenos de pastoreio, mostrou relatório divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), denominado “O estado das florestas no mundo”.
Criação de gado na região Norte. Foto: EBC

Mais de 80% do desflorestamento ocorrido no Brasil no período de 1990 a 2005 foi associado à conversão de terras em terrenos de pastoreio, mostrou relatório divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), denominado “O estado das florestas no mundo”.

A participação do pastoreio no desflorestamento é maior no Brasil do que em outros seis países da região analisados no mesmo período: Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Colômbia e Peru, de acordo com a FAO.

Segundo a agência da ONU, além do pastoreio, o cultivo comercial foi responsável por cerca de 10% do desflorestamento no Brasil no período analisado, enquanto outras formas de exploração da terra, cultivo em pequena escala, agricultura mista, infraestrutura responderam juntos pelos demais 10%.

Na análise dos sete países consolidados, o estudo apontou que 71% do desflorestamento ocorreu devido ao aumento da demanda de pastos; 14% devido aos cultivos comerciais e menos de 2% devido à infraestrutura e à expansão urbana.

A expansão dos pastos causou a perda de ao menos um terço das florestas em seis dos países analisados. A exceção foi o Peru, onde o aumento das terras cultiváveis em pequena escala foi o fator dominante para 41% do desflorestamento.

Na Argentina, a expansão dos pastos foi responsável por 45% do desflorestamento, enquanto a expansão de terras cultiváveis comerciais respondeu por mais de 43%.
Agricultura comercial

O estudo concluiu que a agricultura comercial é a principal causadora do desflorestamento na América Latina.

Particularmente na Amazônia, a produção do agronegócio para os mercados internacionais foi o principal fator de desflorestamento, fruto de práticas como o pastoreio extensivo, o cultivo de soja e as plantações de coqueiro-de-dendê.

“A agricultura comercial não pode continuar crescendo à custa das florestas e dos recursos naturais da região”, disse Jorge Mexa, oficial florestal da FAO.

Meza destacou que políticas como a vinculação de incentivos agrícolas a critérios ambientais, a adoção de práticas silvipastoris — combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área e manejados de forma integrada —, o pagamento por serviços ambientais e a recuperação dos pastos degradados podem evitar a ampliação da fronteira agrícola em detrimento das florestas.

Apesar de o desflorestamento continuar em alta na região, em 2015 sua taxa se reduziu em quase 50% quando comparada a 1990. Esta redução também foi significativa na Amazônia, fruto de políticas de desenvolvimento sustentável impulsionadas pelos países que dividem a bacia amazônica.

Segundo o documento da FAO, desde 1990 mais de 20 países melhoraram sua segurança alimentar e mantiveram ou aumentaram sua cobertura florestal, demonstrando que não é necessário cortar árvores para produzir mais alimentos.
Vincular os subsídios agrícolas às normas ambientais

Em vários países, as subvenções agrícolas em grande escala fomentaram o desflorestamento, já que aumentam a rentabilidade da produção agropecuária e geram pressão para ampliar a fronteira agrícola. Exemplos disso na região são o pastoreio extensivo e a produção de soja em escala industrial.

Uma opção de política para evitar esses danos, segundo a FAO, é vincular os incentivos e mecanismos de fomento público recebidos pela agricultura comercial ao cumprimento de normas ambientais.

O relatório destacou que uma reforma desse tipo ocorreu no Brasil, que passou a vincular os subsídios ao crédito rural com critérios ambientais, evitando a perda de 270 mil hectares de florestas que haviam sido destruídas para aumentar a produção de carne bovina.

A iniciativa brasileira “Bolsa Verde” foi outro exemplo citado pela FAO: um programa de transferência condicionada que entrega recursos a milhares de famílias pobres em troca de manter a cobertura vegetal e gerir seus recursos naturais de forma sustentável.


Fonte: ONU Brasil

in EcoDebate, 20/07/2016

Comissão pede vigilância sobre uso de antibióticos na cadeia de alimentos

Fonte: ONU BR - Terça-feira, 26 de Julho de 2016 


Os 20 países da Comissão Pan-Americana de Inocuidade dos Alimentos (COPAIA) anunciaram na semana passada (20) seu apoio à vigilância, prevenção e controle do uso de antibióticos na cadeia de produção de alimentos, durante reunião realizada em Assunção, no Paraguai.

A COPAIA foi criada por ministros de saúde e da Agricultura de diversos países das Américas durante a Reunião Interamericana Ministerial em Saúde e Agricultura (RIMSA 12) em 2001 com o objetivo de enfrentar o aumento das doenças por transmissão alimentar, promover a ampliação do comércio mundial de alimentos e os avanços nas tecnologias de processamento.

Os países da comissão indicaram seu compromisso em facilitar a coordenação nacional intersetorial e interdisciplinar no tema, promover políticas de uso prudente dos antibióticos e melhorar sua capacidade de vigilância. Também se comprometeram a continuar conscientizando todos os interessados diretos no assunto.

As recomendações foram consideradas pelos ministros da Saúde e Agricultura que participaram da 17ª Reunião Interamericana Ministerial em Saúde e Agricultura (RIMSA 17) que ocorreu em Assunção na semana passada. Entre os participantes do evento estavam ministros da Saúde e Agricultura da região, assim como representantes de consumidores e produtores.

Outras linhas de ação incluem o fortalecimento dos sistemas de inocuidade dos alimentos, a formulação de políticas dirigidas para a modernização da inspeção de alimentos, além da promoção dos sistemas integrados para a vigilância das doenças transmitidas por alimentos.

O Centro Pan-Americano para a Febre Aftosa (PANAFTOSA) da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) está encarregado de organizar a COPAIA 7.

Na semana passada, a OPAS fez um apelo aos Estados-membros para que regulamentem o uso de antibióticos na pecuária. O objetivo é evitar que micróbios e bactérias desenvolvam resistência aos medicamentos — o que pode colocar em risco a saúde das pessoas.

A chefe da OPAS, Carissa F. Etienne, destacou na ocasião que combater o uso indiscriminado dessas substâncias pode trazer benefícios sociais e econômicos, “à medida que nossa região se transforme em sinônimo de produção de alimentos saudáveis”.

De acordo com a dirigente, muitos países já têm se interessado em promover essa imagem, estimulando o cultivo orgânico e a alimentação do gado bovino com pastagem natural.

Link:

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Estudo alerta para o risco de aquecer o adoçante sucralose

Por Karina Toledo | Agência FAPESP
Grupo da Unicamp mostra que a substância se degrada a 98ºC, liberando compostos organoclorados com potencial ação irritante e cancerígena (Foto: Jornal da Unicamp)

Um estudo feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que o adoçante artificial sucralose – o mais consumido no mundo e, até agora, considerado pelas agências sanitárias o mais seguro – pode se tornar instável e liberar compostos potencialmente tóxicos ao ser aquecido a 98 ºC.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

“Trabalhos anteriores haviam mostrado que a sucralose se degrada em altas temperaturas – não usuais no dia a dia. Porém, observamos que isso também ocorre a 98 ºC, calor facilmente atingível durante o preparo de alimentos. Foi uma surpresa”, disse Rodrigo Ramos Catharino, professor na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e coordenador do Laboratório Innovare de Biomarcadores da Unicamp.

A sucralose é uma substância criada em laboratório a partir da modificação química da molécula de sacarose, o açúcar de mesa. À estrutura original são acrescentados três átomos de cloro, o que aumenta em 400 vezes o dulçor e impede a sucralose de se decompor durante a digestão e de ser usada como fonte de energia pelo organismo.

Seu uso é liberado sem restrições pelos principais órgãos de segurança alimentar no mundo, incluindo o Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, o Joint Expert Committee on Food Additivies (JECFA), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil.

Porém, ao aquecer a substância em banho-maria por cerca de 2 minutos, os pesquisadores da Unicamp notaram a liberação de compostos organoclorados tanto no gás proveniente da fervura como na fase sólida, ou seja, no caramelo que se formou após a fusão da sucralose.

Essa classe de compostos é considerada potencialmente tóxica e tem efeito cumulativo no organismo. As análises foram feitas com auxílio de técnicas como termogravimetria, espectrometria de massas e espectroscopia no infravermelho.

“No gás, observamos a presença de ácido clorídrico, que pode ser irritante se inalado. Na fase sólida, encontramos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos clorados (HPACs), uma classe de substâncias recentemente descoberta, sobre a qual se sabe muito pouco”, disse Catharino.

Segundo o pesquisador, o efeito mutagênico e carcinogênico de compostos correlatos aos HPACs, como os HPAs (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos), já está bem estabelecido na literatura científica. As principais fontes de exposição a esses mutagênicos são a poluição ambiental proveniente da queima de combustíveis fósseis e o cigarro.

“São necessários novos estudos para avaliar os efeitos dos HPACs no organismo humano. Mas é bem provável que, por causa da presença de átomos de cloro nas moléculas, elas sejam ainda mais reativas que os HPAs clássicos”, disse.

Doce risco

As análises que deram origem ao artigo foram feitas durante o doutorado de Diogo Noin de Oliveira, no âmbito de um Projeto Temático dedicado a investigar disfunções mitocondriais e processos metabólicos associados a doenças como diabetes, obesidade e dislipidemia – “Metabolismo energético, estado redox e funcionalidade mitocondrial na morte celular e em desordens cardiometabólicas e neurodegenerativas“.

“Decidimos estudar os adoçantes por serem produtos muito usados por portadores dessas doenças. Começamos pela sucralose, o mais consumido de todos. Como temos a intenção de usar a substância em experimentos com animais, na formulação de ração, achamos melhor antes caracterizar o produto e fazer testes de estabilidade”, contou Catharino.

Uma das principais formas de se medir a estabilidade de um composto, explicou o pesquisador, é aquecê-lo. No experimento feito em laboratório, foi usada a sucralose comercial pura – a mesma empregada pela indústria farmacêutica e alimentícia no preparo de seus produtos.

“É um pouco diferente da sucralose encontrada nas gôndolas dos supermercados, que vem misturada com outros aditivos para ganhar corpo. Se esses aditivos protegem a sucralose da degradação pelo aquecimento ou se potencializam o efeito tóxico do adoçante é algo que ainda não sabemos. Precisa ser estudado”, explicou o pesquisador.

Na próxima etapa da pesquisa, o grupo pretende testar o efeito do caramelo formado pela fusão da sucralose em culturas de células humanas e em experimentos com camundongos. Além disso, os cientistas intencionam verificar se, ao ser aquecida junto com alimentos, a sucralose também se degrada e libera compostos organoclorados.

Entre os passos futuros está ainda a análise da estabilidade e dos subprodutos gerados pela degradação de outras classes de adoçantes artificiais.

Em um estudo publicado em 2012 na revista Food Chemistry, o grupo mostrou que a estévia – adoçante natural extraído da planta Stevia rebaudiana – torna-se instável em contato com alimentos ácidos, como refrigerante ou café, liberando glicose e também um esteviol com potencial efeito cancerígeno e abortivo.

“É importante frisar que nosso objetivo não é prejudicar os produtores desses produtos ou a indústria de alimentos e sim alertar o consumidor para que faça um uso consciente”, disse Catharino.

O artigo Thermal degradation of sucralose: a combination of analytical methods to determine stability and chlorinated byproducts (doi:10.1038/srep09598), de Diogo N. de Oliveira, Maico de Menezes e Rodrigo R. Catharino, pode ser lido em www.nature.com/articles/srep09598.

in EcoDebate, 01/06/2016

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Cobertura jornalística de crimes influencia opinião pública antes de julgamento, sugere estudo

Pesquisa analisa como a cobertura jornalística de grandes crimes pode influenciar a opinião pública antes das investigações e julgamentos emitirem vereditos

Por Denis Pacheco, do Jornal da USP

Ao afirmar que o jornalismo “não espera o resultado da batalha, informa a cada troca de tiros”, o professor Bernardo Kucinski cristalizou em uma única frase uma das importantes bases para se entender o jornalismo online nos dias de hoje. Sua obra Jornalismo na era virtual é uma das referências de uma pesquisa realizada por Margibel de Oliveira, doutora pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Na tese As notícias de crimes: uma análise retórico-argumentativa do discurso jornalístico online por antecipação ao discurso jurídico, a pesquisadora analisou como a retórica da cobertura jornalística de grandes crimes pode influenciar a opinião pública antes das investigações e julgamentos emitirem veredictos. O método de pesquisa integrou análise do discurso e questionários que avaliaram a recepção do conteúdo por um grupo específico: alunos de Direito.
Tomando como base os casos Isabella Nardoni, menina de cinco anos de idade jogada do sexto andar do Edifício London, em São Paulo, na noite do dia 29 de março de 2008 e o de Eloá Cristina, notoriamente conhecido como o mais longo sequestro em cárcere privado já registrado pela polícia de São Paulo e que se encerrou em 17 de outubro daquele mesmo ano, Margibel utilizou como fontes matérias veiculadas pelos jornaisFolha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, comparando-as com boletins de ocorrência, denúncias da promotoria e as sentenças dos tribunais.

A pesquisadora optou pelos casos devido a grande repercussão midiática que geraram e pelo fato de já haver sentenças emitidas. Atualmente lecionando em uma faculdade de Direito, ela chegou até seu objeto de estudo a partir de uma inquietação surgida em aula para uma turma de calouros: Margibel notou que havia pouco ou nenhum questionamento dos jovens estudantes sobre a fonte de informação utilizada em sala. “Se eu levasse algum texto jornalístico para a sala de aula, eles não questionavam e usavam para fundamentar as peças deles”, explica ela.

Na disciplina em questão, alunos aprendem a organizar peças jurídicas como a petição inicial, a contestação e pareceres jurídicos, e devem questionar se as notícias registram fatos concretos ou interpretações. Para a professora, faltava a eles o questionamento da fonte como uma “fonte fidedigna, ou se aquele jornal, independente do texto trazido para a sala, tinha credibilidade para que eles o usassem na fundamentação”.

Tanto a imaturidade acadêmica dos alunos, quanto a desatenção do público geral foram alguns dos fatores comuns identificados por Margibel. Contudo, para a pesquisadora, é crucial que o público leitor – em especial futuros juristas – aprenda a enxergar na cobertura de crimes elementos e interpretações que vão além dos fatos comprovados e denotam suposições por parte de veículos e jornalistas.
Investigar não é julgar

Realizando a análise dos enunciados das manchetes, assim como excertos das notícias em busca de prejulgamentos dos jornalistas, Margibel se utilizou de instrumentos da análise linguística para tabelar padrões de discurso que faziam inferências ao destacarem fatos no decorrer das investigações.
Foto: Pedro Bolle/USP Imagens

Ao notar que, devido ao volume de produção que é exigido do jornalismo online, o discurso não hesita em prejulgar, mesmo sem um posicionamento de uma real autoridade jurídica, a pesquisadora pontuou as marcas linguísticas que revelavam tais prejulgamentos. Estas incluíam desde o uso de enunciados que denunciavam suspeitas infundadas de autoridades ou testemunhas, até a aplicação constante do chamado “discurso relatado” (“segundo a polícia”, “segundo vizinhos”) em que diferentes tipos de relatos, com diferentes funções, assumiam um caráter argumentativo. Ao tomar constantemente os relatos dos outros, algo que é praxe no fazer jornalístico, o discurso pode transformar o profissional de seu papel de investigador para o de um denunciante ou até mesmo julgador.

Observando o fluxo intenso de notícias, Margibel atribuiu ao modo operante do jornalismo online a necessidade de manter o público ligado. “No online, a ideia é manter a audiência conectada. Sabemos que temos ferramentas de medição de acessos, então veículos de comunicação fazem estudos sobre como manter a atenção do público”.

Para a especialista, uma alternativa é investir em um tipo de linguagem que expresse um discurso sem a interferência subjetiva do jornalista. Por exemplo: usar mais ‘é possível, é provável’ nas manchetes, evitando assim dar certezas que ainda não existem. Citando as notícias que alegavam, dois dias após o crime, que Isabela Nardoni havia sido asfixiada, a professora recorda que, naquela altura, a polícia ainda não havia concluído o inquérito. “A denúncia não havia sido oferecida pelo promotor e já havia esse prejulgamento – e na verdade já era um sentenciamento”, reforça.

“Transmitir a informação de uma maneira que as pessoas consigam digerir é um grande caminho”, mas pensar bem na linguagem utilizada é essencial, afirma a professora, relembrando a citação de Kucinski – que além de jornalista, escritor e cientista político foi também docente da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – ao concluir que o jornalismo “é bom quando, na batalha, ele acerta seu alvo. Mas quando ele não acerta, demonstra um caráter de fragilidade”.

A tese de doutorado foi orientada pela professora Lineide do Lago Salvador Mosca, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

in EcoDebate, 24/05/2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

Uso de antimicrobianos na agropecuária e o retorno de doenças reemergentes

Uso de antimicrobianos na agropecuária e o retorno de doenças reemergentes. Entrevista especial com Arnildo Korb 


“Mantida esta perspectiva de consumo de antimicrobianos na produção animal e na saúde humana, as perspectivas futuras não são nem um pouco animadoras”, diz o biólogo. 
Imagem: www.popularempresas.pt

O alerta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO para o uso excessivo de antimicrobianos na agropecuária faz parte de um “paradoxo”, diz Arnildo Korb à IHU On-Line, ao comentar que ao mesmo tempo em que a FAO critica o uso demasiado dessas substâncias, afirma que a “produção mundial de alimentos necessitará dobrar até 2050 devido ao aumento da população mundial”. 

O ponto problemático desta questão, segundo o biólogo, é que os dados da Organização Mundial da Saúde – OMS indicam que se “esta perspectiva de consumo” persistir, “até 2050 não haverá nenhuma classe de antimicrobianos eficiente em decorrência do aumento da resistência bacteriana”. Além disso, frisa, “existem as doenças reemergentes como a tuberculose, que em período pregresso recente alarmou a humanidade, e que pode ser controlada com antimicrobianos de primeira geração, agora reaparece com bactérias multirresistentes”. Isto significa que se o uso de antimicrobianos na agropecuária continuar aumentando, os “cientistas cogitam” a possibilidade de que “até 2050 uma em cada quatro pessoas no mundo sofrerá de tuberculose”. 

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail, Korb informa que na agropecuária“o uso de antimicrobianos atinge toda a criação intensiva, como suínos, aves e bovinos de corte. Na aquicultura, principalmente criação de peixe e camarão em cativeiro, o uso de cloranfenicol é elevado”. Conforme ele esclarece, a “principal preocupação” em relação ao uso de antimicrobianos em alimentos tem sido com resíduos dos fármacos em carnes e derivados para o consumo humano, porque “muitos antimicrobianos consumidos em excesso podem causar malformações em fetos, especialmente em dentes, causados por tetraciclinas, e fragilizar tecidos, como as cartilagens, no caso das quinolonas”. 

Korb diz ainda que no Brasil a maior fiscalização ocorre nos alimentos lácteos devido à “preocupação do país em se caracterizar como um exportador destes alimentos”. No entanto, o “monitoramento das resistências das bactérias presentes nas carcaças de animais para consumo humano está apenas começando no Brasil, diferente do que tem ocorrido na Europa”, pontua. 

Arnildo Korb é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí, mestre em Educação nas Ciências pela Unijuí e doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. Atualmente é professor adjunto no curso de Enfermagem da Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc. 

Confira a entrevista. 
Foto: 1.bp.blogspot.com

IHU On-Line – Que tipos de antibióticos são utilizados na agropecuária brasileira atualmente? Desde quando eles são utilizados e por quais razões? 

Arnildo Korb – Primeiramente precisamos conceituar estes fármacos para entendermos os mecanismos de ação. No meio ambiente os microrganismos competem entre si por meio de substâncias, os antibióticos. A partir da descoberta da penicilina, por Alexandre Fleming em 1929, essas substâncias começaram a ser usadas isoladas para o controle de infecções. A partir da década de 40 do último século, algumas foram criadas pelo ser humano: as drogas sintéticas, a citar as sulfonamidas e as quinolonas. Ao conjunto de antibióticos e drogas sintéticas denominamos de antimicrobianos. Por isso, é mais aconselhável o uso dessa expressão quando discutimos problemas relacionados a essas drogas. 

A penicilina foi a droga que revolucionou a medicina na última década e, juntamente com outros antimicrobianos, aumentou a expectativa de vida humana em no mínimo 10 anos. O fato é que, a partir da década de 70, com o fluxo migratório humano e o êxodo rural, em escala global, ocorreu a necessidade no aumento da produção de proteína animal, especialmente mais barata para a classe trabalhadora e com menor renda. Neste contexto, intensificou-se a suinocultura e a avicultura de corte. O aumento na produção requisitou investimentos no melhoramento genético, principalmente dos frangos, para garantir precocidade, com crescimento rápido e ganho de peso. Se anteriormente para produzir um frango era necessário de cinco a seis meses, agora em 40 dias está pronto para o abate. 

Porém, fisiologicamente, é correto afirmar que toda vez que incluímos genes de produtividade, retiramos genes de rusticidade, implicando em baixa imunidade. Além disso, as condições de criação, com o adensamento dos frangos para evitar que estes se desloquem e gastem energia, provoca intenso estresse, aliado à irritação da pele do frango causada pela cama aviária. Esse manejo propicia o desenvolvimento de infecções cutâneas em frangos, como a colibacilose, provocadas pela Escherichia coli, e salmoneloses, o que representa altas perdas pelo descarte de carcaças. Essa sempre foi uma das principais razões para o uso de antimicrobianos na produção de frangos. Utilizados na ração, além de contribuírem para os fins profiláticos e terapêuticos, alguns antimicrobianos desempenhavam a função de promotores de crescimento, pois atuam no metabolismo da glicose e insulina. 

Paralelo ao processo produtivo, o uso desordenado de derivados de penicilina (betalactâmicos) propiciou a identificação, já na década de 60, do surgimento de bactérias resistentes e que passaram a dificultar o tratamento das infecções humanas por elas desenvolvidas. A partir da década de 90, pesquisadores europeus descobriram que o uso de antimicrobianos na produção animal seleciona superbactérias, especialmente as Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA), e a resistência de Enterococcus à vancomicina, antimicrobiano utilizado em hospitais no tratamento de infecções multirresistentes. Essa descoberta explicou o aumento no número de mortes humanas, especialmente em pacientes internados, devido à disseminação dos genes e a incapacidade de cura pelos antimicrobianos tradicionais utilizados na saúde humana. Teve-se, nesse momento, a descoberta da existência da resistência cruzada. Ou seja, uma bactéria pode tornar-se resistente a um antimicrobiano sem mesmo ter entrado em contato direto com ele. Isso ocorre por meio de um mecanismo celular denominado bomba de efluxo que libera o antimicrobiano para o meio extracelular da bactéria. 
“Na agropecuária, o uso de antimicrobianos atinge toda a criação intensiva, como suínos, aves e bovinos de corte. Na aquicultura, principalmente criação de peixe e camarão em cativeiro”

Com estas descobertas, a Organização Mundial da Saúde – OMS, Organização Mundial de Saúde Animal – OIE e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO lançaram políticas para o que denominaram como o uso prudente de antimicrobianos na produção animal, proibindo a utilização como promotores de crescimento, tirando-os das rações, e limitando para o uso de apenas algumas classes. Entre os liberados estão penicilinas, sulfonamidas, tetraciclinas, cloranfenicol e alguns quinolônicos, como a enrofloxacina. Muitos destes foram liberados pelo fato de não funcionarem adequadamente na saúde humana. NoBrasil a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, e orientando quais antimicrobianos podem ser utilizados para outros fins, em adesão às políticas internacionais, principalmente objetivando a exportação de carnes, foi instituída pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA por meio da Instrução Normativa nº 51 de 29 de fevereiro de 2006.

IHU On-Line – Que tipos de micróbios têm resistido ao uso de antibióticos (antimicrobianos) na agropecuária? 

Arnildo Korb – Primeiramente precisamos caracterizar o que significa resistência bacteriana. É um equívoco afirmar que as bactérias tornam-se resistentes para algum antimicrobiano. O que ocorre de fato é a seleção de genes de resistência. Explicando melhor: a todo o momento os microrganismos no meio ambiente estão sujeitos a mutações, especialmente em alguns genes que podem conferir alguma característica especial ao microrganismo, como a resistência bacteriana. Também é fato que muitas mutações que neles ocorrem são deletérias e induzem à morte do microrganismo que não consegue mais se adaptar às condições ambientais e perde a competição para os demais. Porém, quando uma mutação benéfica surge, existe a possibilidade de transferência de genes entre as bactérias, acentuando a disseminação destes genes. A disseminação de resíduos de antimicrobianos em escala global, pelos alimentos e principalmente pela água, atinge esses ambientes onde as mutações ocorrem, ou os genes são transferidos para os locais com maior concentração de resíduos; com isso, as bactérias que possuem estes genes de resistência secretam enzimas que permitem sua sobrevivência, à medida que as suscetíveis tendem a morrer. Isto é a seleção de genes de resistência. Este mesmo processo ocorre em nosso organismo, quando ingerimos alguns genes de resistência, e quando fazemos uso de antimicrobianos em processos terapêuticos, ou ingerimos resíduos em alimentos e na água, são selecionados esses genes. 

Mas voltando à sua pergunta: todos os microrganismos, especialmente bactérias, podem desenvolver resistência, inclusive fungos. Em relação às bactérias, a diferença está no tipo (Gram-positiva ou Gram-negativa) e no antimicrobiano utilizado. Tanto bactérias patogênicas quanto as oportunistas podem se tornar superbactérias. Patogênicas são aquelas que não vivem na nossa microbiota normal e uma pequena quantidade é suficiente para o desenvolvimento de infecções. As oportunistas são aquelas que vivem em nosso organismo, como a Staphylococcus aureus, que coloniza a pele humana. Bactérias decompositoras, como Acinetobacter baumannii, tidas como não patogênicas, mas oportunistas, e que estão em locais como pias, pisos e entre outros, têm estado entre as principais causas de infecções e mortes em hospitais. Pelo fato destas bactérias decomporem matéria orgânica, incorporam DNA (genes) de outras bactérias, tornam-se multirresistentes. Nos hospitais a característica oportunista é facilitada pelo fato de as pessoas internadas estarem com o sistema imune debilitado. 

Na agropecuária, o uso de antimicrobianos atinge toda a criação intensiva, como suínos, aves e bovinos de corte. Na aquicultura, principalmente criação de peixe e camarão em cativeiro, o uso de cloranfenicol é elevado. 
“Em torno de 25 mil pessoas morrem por ano na Europa em decorrência de infecções causadas por bactérias multirresistentes”

IHU On-Line – Que riscos à saúde dos animais e dos seres humanos esses antibióticos (antimicrobianos) podem causar? 

Arnildo Korb – A principal preocupação tem sido com os resíduos destes fármacos nas carnes e derivados para o consumo humano, ou seja, com os aspectos toxicológicos, pois muitos antimicrobianos consumidos em excesso podem causar malformações em fetos, especialmente em dentes, causados por tetraciclinas, e fragilizar tecidos, como as cartilagens, no caso das quinolonas. Neste sentido, o MAPA mantém um controle rigoroso sobre resíduos em alimentos por meio de seus laboratórios, como o Lanagro na Grande Porto Alegre. 

Recentemente, uma maior fiscalização tem ocorrido nos alimentos lácteos, especialmente pela preocupação do Brasil em se caracterizar como um exportador destes alimentos. O monitoramento das resistências das bactérias presentes nas carcaças de animais para consumo humano está apenas começando no Brasil, diferente do que tem ocorrido na Europa. A comunidade europeia tem desenvolvido programas de monitoramento no consumo de antimicrobianos na produção animal e na saúde humana e das resistências bacterianas nos dois setores, e mesmo assim tem tido dificuldades em reduzir a incidência de bactérias multirresistentes. Em torno de 25 mil pessoas morrem por ano na Europa em decorrência de infecções causadas por bactérias multirresistentes. 

IHU On-Line – Que leitura você faz do alerta da FAO, ao afirmar que o uso excessivo de antibióticos (antimicrobianos) na agropecuária ameaça a saúde e a segurança alimentar? 

Arnildo Korb – Aqui reside um paradoxo. É argumento da FAO que a produção mundial de alimentos necessitará dobrar até 2050 devido ao aumento da população mundial e maior concentração desta nos grandes aglomerados urbanos. Por outro lado, está ocorrendo uma redução e envelhecimento da população no campo, o que requererá uma intensificação no modelo produtivo. Resumindo: menos pessoas no campo terão que produzir mais alimentos para mais pessoas na cidade, e isso não se faz por decreto ou sistema político autoritário, como no Camboja. Para manter o trabalhador no campo, o melhor estímulo é uma renda que lhe garanta o mínimo de qualidade de vida dentro dos padrões modernos, especialmente em países como o Brasil. Mas, para a FAO, será impossível aumentar esta produção sem o uso de antimicrobianos. Por outro lado, segundo a OMS, seguindo esta perspectiva de consumo, até 2050 não haverá nenhuma classe de antimicrobianos eficiente em decorrência do aumento da resistência bacteriana. Além disso, existem as doenças reemergentes como a tuberculose, que em período pregresso recente alarmou a humanidade, e que pode ser controlada com antimicrobianos de primeira geração, agora reaparece com bactérias multirresistentes. 

Cientistas cogitam a possibilidade de que até 2050 uma em cada quatro pessoas no mundo sofrerá de tuberculose. Esse é o cenário que nos aguarda. Um retrocesso na medicina. Voltaremos à era dos chás e das terapias alternativas e da sobrevivência dos “mais fortes”. É bom considerar, ainda, que o prazo necessário entre a descoberta ou desenvolvimento de uma molécula de antimicrobiano, testes em cobaias animais e em humanos, bem como liberação e disponibilização em escala comercial, é de no mínimo dez anos, ao passo que as resistências para a maioria dos antimicrobianos têm sido observadas de um a quatro anos após o lançamento em escala comercial. Inviável, portanto, economicamente para as grandes empresas farmacêuticas do setor. O fenômeno da resistência bacteriana e da limitação no desenvolvimento de novas fórmulas, devido ao esgotamento dos sítios de ação nas bactérias, tem levado essas empresas a abandonar as pesquisas com antimicrobianos e investir no setor de doenças degenerativas, mais lucrativas em virtude do envelhecimento da população mundial e dos menores riscos da inativação desses fármacos por tolerância do organismo. 

Este fato tem feito com que a OMS sugira a estas empresas a continuidade nas pesquisas para o desenvolvimento de novas drogas antimicrobianas. Porém, as mesmas empresas são as que abastecem o setor produtivo anualmente com milhares de toneladas. Somente na Europa são mais de 50 mil toneladas anuais na produção animal; acredita-se que no setor da saúde humana corresponda a 10% disso. No Brasil não temos dados sobre consumo, embora produzamos mais frangos que a Europa e a população brasileira consuma mais antimicrobianos do que os europeus. Reunidos todos os países produtores de carnes nos moldes intensivos, Estados Unidos, China, países europeus, Brasil e demais países Sul-americanos, e mantida a estimativa europeia, seguramente o consumo mundial ultrapassa 200 mil toneladas. A questão é saber como os microrganismos irão se comportar com todo esse volume de antimicrobiano lançado no meio ambiente até 2050, considerando que muitos desses produtos demoram para ser degradados. 
“Na agropecuária brasileira o uso de antimicrobianos tem sido tratado dentro de uma ‘caixa preta’”

IHU On-Line – Há um modo correto de utilizar antibióticos (antimicrobianos)? O que caracteriza o “uso excessivo”? 

Arnildo Korb – As duas formas corretas estão no uso de princípios ativos de classes mais baixas e na dosagem recomendada. Isso vale também para a saúde humana, em que os médicos, por vezes, prescrevem antimicrobianos de última geração para o tratamento de uma infecção simples, quando drogas tradicionais poderiam dar conta, sem com isto estimular a seleção de eventuais genes que poderiam estar presentes no organismo. No caso da agropecuária, ao utilizar somente os antimicrobianos recomendados pela FAO e OMS, e evitando o uso dos denominados criticamente importantes, como cefalosporinas de terceira geração, macrolídeos e fluorquinolonas, estaria sendo protelada a chamada “era pré-antibiótica”. O fato é que, devido à resistência cruzada, antimicrobianos tradicionais e recomendados para o uso na produção animal, indiretamente levam à seleção de genes de resistência aos antimicrobianos criticamente importantes para a saúde humana. Um exemplo é a enrofloxacina, de uso expressivo na produção animal, inclusive para animais de companhia, que, ao ser quebrada pelo fígado do animal, libera como metabólito a ciprofloxacina, uma antimicrobiano muito utilizado na saúde humana, especialmente em infecções graves. 

O fato é que grande parte dos antimicrobianos não são degradados e, portanto, são eliminados no meio ambiente de forma quase intacta, e muitos deles não são degradados pelas estações de tratamento de esgotos, retornando, assim, às estações de abastecimento de água para consumo humano. Esse é um dos fatores do aumento acentuado nas resistências bacterianas no setor da saúde humana. 

IHU On-Line – O que a Anvisa e o Ministério da Agricultura e Abastecimento determinam em relação ao uso de antibióticos (antimicrobianos) na agropecuária e na saúde? 

Arnildo Korb – Quem tem normatizado a utilização de antimicrobianos na agropecuária é o Ministério da Agricultura e Abastecimento. A Anvisa tem normatizado os antimicrobianos na saúde humana. Existe pouco diálogo entre Anvisa e MAPA. Aliás, na agropecuária brasileira o uso de antimicrobianos tem sido tratado dentro de uma “caixa preta”. Ainda somos um país em que produzimos matéria-prima e ficamos com os poluentes. E pelo visto, esta situação permanecerá por longo período, pois dependemos do setor produtivo agropecuário, ele é fundamental para a manutenção da economia, especialmente nos Estados do Sul do país. As regiões com menos desigualdades sociais são aquelas onde estão instaladas as agroindústrias. 

IHU On-Line – Como a questão do uso dos antibióticos (antimicrobianos) tem sido discutida entre os especialistas em agropecuária no país? 

Arnildo Korb – Com preocupação. Não podemos desmerecer o trabalho do setor produtivo, e ocupado com profissionais altamente especializados. Aliás, poderíamos afirmar que o setor produtivo animal tem avançado mais na construção de políticas públicas e no desenvolvimento de tecnologias alternativas do que o setor da saúde humana. Apesar de sabermos que existem limitações técnicas, caso existissem alternativas, seguramente já teriam sido adotadas. 

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo? 

Arnildo Korb – Mantida esta perspectiva de consumo de antimicrobianos na produção animal e na saúde humana, as perspectivas futuras não são nem um pouco animadoras. Mas poderemos adiar o caos, dando a nossa contribuição. Primeiramente, temos de ler mais sobre o assunto e com isto evitarmos com que médicos e prescritores nos queiram recomendar antimicrobianos de última geração, quando os de classes mais baixas podem ser suficientes. Enquanto pacientes teremos que compreender, também, que algumas infecções simples podem ser controladas pelo nosso organismo e que antimicrobianos não curam gripe. Por incrível que pareça, mesmo na Europa, com todo o avanço tecnológico, investimentos em educação e comunicação, 50% da população ainda acredita que antimicrobianos curam gripe. 

No Brasil as pesquisas são insuficientes, mas provavelmente, se o percentual não for igual, é superior. Teremos que mudar a nossa cultura de encarar os antimicrobianos como drogas mágicas, especialmente diante da nossa insatisfação ao sairmos de um consultório médico sem uma receita. O fato é que, em nome da produção não queremos mais dar ao nosso organismo a possibilidade de descanso e de se recompor. Foi assim até o início do último século. Era assim que nossos pais nos tratavam quando estávamos com alguma infecção respiratória: “chá quente e cama”. 

Outro aspecto, e que deveria ser observado é em relação às sobras de antimicrobianos, isso para não serem utilizadas como automedicação ou serem descartadas no ambiente sem tratamento. Para isto, é sempre recomendável adquirir somente a quantidade de antimicrobianos prescritos e descartar eventuais sobras em farmácias que adotam a política de recolhimento específica. No Brasil a comercialização de antimicrobianos tem sido promissora para o setor das grandes corporações farmacêuticas. 
“Teremos que mudar a nossa cultura de encarar os antimicrobianos como drogas mágicas”

Em relação ao setor produtivo — e não podemos adotar um discurso hipócrita, como na academia por vezes tem se adotado —, estamos imersos em um modelo de produção e consumo mundial. Se os países europeus, como os nórdicos, estão conseguindo reduzir o consumo de antimicrobianos e das resistências, é também porque estes possuem uma economia sólida e que garante, por meio dos subsídios, uma renda satisfatória aos agricultores. É por isso que a morte de alguns animais, em decorrência de infecções, não impacta na lucratividade dos produtores, pois a renda já está garantida, mesmo que este, por vezes, nada produza. Diferente da realidade brasileira, na qual nossos heroicos agricultores mal conseguem sobreviver na atividade, especialmente pela ausência de uma política agrícola. 

Pela minha vivência por alguns meses na Europa, e estudando a questão, entendi que não existem “anjos” tratando do problema. Em questão está uma disputa de mercado que é “varrida para baixo do tapete”. É por isto, embora tenhamos alguns problemas a serem corrigidos, que precisamos agir com cuidado ao lançarmos críticas ao setor produtivo agropecuário. O que precisa existir é uma maior orientação do trabalho quanto aos modos de uso. Na prática, necessitaremos começar fazendo a nossa parte enquanto urbanoides, restringindo o consumo desses fármacos na saúde humana, e técnicos dos dois setores (produção animal e saúde humana) precisam, urgentemente, parar com este jogo de encontrar culpados, pois todos são responsáveis, inclusive nós. 

Por Patricia Fachin 

(EcoDebate, 02/05/2016) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação. 

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

sábado, 30 de abril de 2016

Depressão pós-parto acomete mais de 25% das mães no Brasil

Informe Ensp

No Brasil, em cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. A constatação é do estudo Factors associated with postpartum depressive symptomatology in Brazil: The Birth in Brazil National Research Study, 2011/2012, realizado pela pesquisadora Mariza Theme, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), e publicado na edição de abril do Journal of Affective Disorders. A prevalência desse distúrbio no país foi mais elevada que a estimada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para países de baixa renda, em que 19,8% das parturientes apresentaram transtorno mental, em sua maioria a depressão.

O trabalho foi desenvolvido no âmbito da pesquisa Nascer no Brasil, maior estudo a respeito de parto e nascimento no país já ocorrido. Coordenado pelas pesquisadoras Maria do Carmo Leal e Silvana Granado, a pesquisa apontou número excessivo de cesarianas (52% no total, contra 88% no setor privado) e ainda a persistência de intervenções dolorosas e desnecessárias no parto (como a episiotomia e a manobra de Kristeller, uso de ocitocina, menor frequência da utilização de analgesia obstétrica, dentre outros).

“O estudo Nascer destacou o elevado número de cesarianas e os efeitos que o parto no Brasil tem sobre a mulher e o bebê. Sabíamos, por exemplo, da associação entre a cesariana e o desenvolvimento do transtorno de estresse pós-traumático, mas não era isso que desejávamos analisar. O que ainda não havia sido investigado era se tal modelo de parto, com muitas intervenções desnecessárias, poderia ser um desencadeador do quadro depressivo dessas mães. Esse foi um dos pontos de partida da pesquisa”, explicou Mariza.

A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo. A literatura cita efeitos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência. “A mulher depressiva, normalmente, amamenta pouco e não cumpre o calendário vacinal dos bebês. As crianças, por sua vez, têm maior risco de apresentar baixo peso e transtornos psicomotores”, esclareceu.

Depressão pós-parto atinge mulheres pardas e de baixa escolaridade

A pesquisa entrevistou 23.896 mulheres no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. A prevalência global de sintomas de depressão pós-parto foi de 26,3%, mas a comparação entre os períodos de 6 a 9 meses (25,7%) e de 9 a 12 meses (27,1%) não indicou diferença significativa no desenvolvimento do transtorno mental.

Foram analisadas variáveis sociodemográficas, individuais e obstétricas. Com o intuito de verificar se o uso de intervenções durante o trabalho de parto, particularmente o trabalho de parto muito doloroso e sem analgesia, estaria associado ao desenvolvimento de sintomas depressivos, foi criado um indicador de “trabalho de parto doloroso” que incluía as mulheres submetidas ao uso de medicação para acelerar o trabalho de parto, e que referiram aumento significativo da dor; que não tiveram acesso a nenhum tipo de analgesia; e que passaram pela manobra de kristeller (aplicação de pressão na parte superior do útero com o objetivo de facilitar a saída do bebê). Além disso, o histórico de perda fetal ou neonatal; complicações na gravidez, parto e pós-parto (incluindo a realização de histerectomia) e se a gravidez foi planejada estiveram no escopo das entrevistas.

“Observamos que essas variáveis da intervenção no parto não mostraram associação com a depressão pós-parto. O resultado nos leva a algumas hipóteses, entre elas o fato de haver uma aceitação como “normal” o modelo atual de atenção ao parto ainda realizado no Brasil. Em outras palavras, será que essas manobras já estão tão assimiladas que não funcionariam como um possível fator que levaria à depressão?”, questionou.

As mães que apresentaram sintomas de depressão pós-parto, de acordo com o modelo final da análise, são da cor parda, de baixa condição socioeconômica, com antecedentes de transtorno mental, com hábitos não saudáveis, como o uso excessivo de álcool, paridade alta e que não planejaram a gravidez “Os resultados são muito coerentes com o que a literatura internacional demonstra”, disse.

Por último, chamou a atenção da equipe de trabalho uma pergunta sobre a avaliação do atendimento na maternidade, na ocasião da alta médica. As mulheres que desenvolveram sintomas de depressão foram aquelas que avaliaram pior seu atendimento. “Isso suscitou algumas interpretações, mas, como a investigação da depressão foi realizada num único momento, não sabemos se a avaliação foi ruim porque a mulher estava deprimida ou se o atendimento, de fato, foi inadequado e desencadeou o surgimento dos sintomas. As mulheres que fizeram má avaliação do atendimento tiveram probabilidade duas vezes maior de apresentar os sintomas depressivos do que aquelas que avaliaram como muito bom.”

in EcoDebate, 25/04/2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Zika: ‘foco do controle da doença não deve ser apenas o mosquito’

O Brasil vive um clima de guerra contra o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya – o Aedes aegypti – e está perdendo a batalha. Segundo a professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (UPE), pesquisadora aposentada da Fiocruz e membro do GT Saúde e Ambiente da Abrasco, Lia Giraldo da Silva Augusto, o país não tem sido efetivo nos programas de controle do mosquito.

Em entrevista para o Informe ENSP, Lia Giraldo, fala a respeito do posicionamento da Abrasco contra o uso contínuo de larvicidas e fumacês que, de acordo com ela, colaboram para aumentar a resistência do mosquito contra tais produtos. “O foco do controle da doença não deve ser o mosquito, mas agir sobre as condições que possibilitam a existência dos criadouros do vetor”.

Ainda segundo a pesquisadora, as desigualdades sociais, em razão da falta de políticas públicas, com um padrão de consumo gerador de resíduos sólidos, deterioração ambiental, injustiças sociais e também pela ignorância, falta de cidadania, de consciência sanitária e ecológica, são fatores que colaboram para a incidência do mosquito, mostrando que o país necessita de políticas mais incisivas nesse combate.

Confira a íntegra da entrevista.

Informe ENSP: A Nota Técnica da Abrasco, que traz a visão de diversos especialistas da Saúde Coletiva, critica fortemente o atual modelo de combate ao Aedes aegypti, informando que apenas o combate ao mosquito em si não é a estratégia mais eficaz. Onde o Estado está errando, uma vez que temos sanitaristas e pesquisadores buscando soluções mais efetivas?

Lia Giraldo: Como a Nota Técnica da Abraso explica, há 30 anos o modelo de controle do vetor da dengue é centrado no mosquito; primeiramente, com a ideia de que seria possível erradica-lo e,. depois, de redução da densidade de sua população. Acreditava-se que o mosquito tinha sido erradicado na década de 1950 e, por isso, seria possível repetir essa façanha. Ocorre que, desde aquela década, o Brasil rapidamente deixou de ser um país rural. Hoje, cerca de 85% da população vive nas cidades. Esse processo ocorreu sem políticas de infraestrutura, saneamento, habitação e com forte desigualdade social. O Aedes aegypti adaptou-se muito bem a essas condições domiciliares, peridomiciliares (área existente ao redor de residências, num raio não superior a cem metros) e de degradação urbana que ofertam um ambiente favorável à intensa ovodeposição, que é a estratégia de sobrevivência desse mosquito.

O uso continuado de larvicidas e adulticidas não mostram efetividade, mesmo com todos os ajustes já realizados nas edições do programa de controle da dengue. O Aedes aegypti faz mecanismos de resistência aos biocidas utilizados, tornando o recurso gasto na compra desses produtos um desperdício de dinheiro que seria útil para outras ações mais efetivas. É por isso que dizemos que, além de inócuo, é perdulário. Mas também é perigoso esse modelo, porque expõe as pessoas a produtos tóxicos. Não se sabe como esses produtos afetam o sistema imune das pessoas a eles expostas. Os efeitos colaterais do uso desses biocidas não são conhecidos e nem estudados. Mas, por exemplo, o malathion, potencialmente cancerígeno para humanos, de acordo com a própriaInternational Agency for Research on Cancer (IARC/OMS), continua a ser utilizado diluído em água em concentração de 30% em nebulizações. Os larvicidas juvenoides que afetam o desenvolvimento da larva, impedindo que chegue à idade adulta, têm efeito teratogênico para os insetos alvo e é utilizado em água de beber das pessoas tirando-lhe a potabilidade. O que faz os profissionais manterem esse modelo é o princípio da autoridade, é a crença de que a ciência é neutra, também porque têm uma forma de pensar fragmentada e, obviamente, é uma hegemonia que não abre a discussão, é um modelo autoritário, vertical e centralizado.

Informe ENSP: A população também não pode ser responsabilizada pela atual epidemia do mosquito?

Lia Giraldo: Primeiro, não é uma epidemia de mosquito; ele está no ambiente e, por sua robustez biológica, muito bem adaptado às condições criadas pelo modo de nossa organização social, com as consequentes desigualdades, com a falta de políticas públicas, com um padrão de consumo gerador de resíduos sólidos, com a deterioração ambiental, injustiças sociais e também pela ignorância, falta de cidadania, de consciência sanitária e ecológica. Não podemos imputar aos indivíduos culpa como se não houvesse um contexto para a expressão dos modos de vida que oferecem riscos à saúde. O que fazer diante do racionamento e da intermitência de água? As pessoas pobres reservam água para seu consumo do jeito que dá, em vasilhas, toneis, caixas de água desprotegidos, porque essa é sua condição social. Mas o mosquito não só se procria nesses reservatórios; temos as vias públicas, terrenos, telhados e tantos outras possibilidades.

Informe ENSP: As populações mais vulneráveis tornam-se as mais afetadas pela doença. Isso vale para todo o território nacional, ou há diferença entre a mais vulnerável do Sudeste com relação à do Nordeste, por exemplo?

Lia Giraldo: Estamos falando de vulnerabilidades sociais e ambientais. É certo que os contextos são diferentes, muitas vezes até entre bairros de um mesmo município. É preciso compreender o território com sua dinâmica social. Por exemplo, há 40 anos, utiliza-se larvicidas na água de beber dos nordestinos. Com certeza, isso aumenta a vulnerabilidade do povo que bebe água não potável.

Em 1997, fizemos um seminário na Facepe (FAP de Pernambuco) exatamente para debater o programa de enfrentamento da infestação do Aedes aegypti. Naquela ocasião, o representante do Ministério da Saúde, à época, informou que, no Nordeste, consumia-se muito mais biocidas por domicílio para o controle desse vetor do que no Sudeste. Infelizmente, os mais pobres são os que vivem em territórios mais precários, os mais expostos aos vetores e, também, os mais envenenados. Um conjunto de condições que os tornam mais vulneráveis.

Informe ENSP: Atualmente, nós passamos por epidemias de dengue, zika e chikungunya ou isso já é algo endêmico em nosso país?

Lia Giraldo: O Brasil é endêmico para dengue, com surtos epidêmicos recorrentes, em especial porque estão circulando quatro sorotipos. Para as outras duas arboviroses – zika e chikungunya -, ainda estamos vivendo recentes surtos epidêmicos, que estão sendo agora estudados em função principalmente da observação clínica das consequências para a saúde humana.

O início dessas duas epidemias foi mascarado pelo fato de serem tratadas como ‘dengue branda’ e não realizado o acompanhamento clínico dos pacientes. Infelizmente, nossa vigilância epidemiológica virou um sistema contábil, com pouca investigação fisiopatológica e análise epidemiológica em tempo real.

Informe ENSP: A Abrasco destaca que o uso contínuo de larvicidas e fumacês torna-se mais prejudicial ao homem e ao ambiente do que eficaz no combate ao mosquito. Explique melhor essa questão.

Lia Giraldo: Como já disse, o Aedes aegypti tem mecanismos biológicos para desenvolver resistência a esses produtos e fazer mutação. Além disso, pela própria estratégia de ovodepositar em qualquer superfície, embora tenha preferência por água parada em certas condições de favorecimento, como o sombreamento, a quietude, entre outros. Por isso, o foco do controle da doença não deve ser o mosquito, mas agir sobre as condições que possibilitam a existência dos criadouros do vetor.

Informe ENSP: A respeito do surto de microcefalia, a Abrasco defende que seja estabelecida uma política pública contínua, principalmente por conta dos possíveis ‘filhos da zika’. A questão do aborto também deve entrar nessa política, uma vez que mulheres ricas têm a possibilidade de fazer o aborto em condições mais seguras que as mulheres pobres.

Lia Giraldo: Essa é uma discussão que a sociedade deve enfrentar. Estamos muito atrasados no que se refere a uma política de proteção à saúde da mulher, e o direito ao aborto não se restringe aos casos de microcefalia.

É um escândalo os níveis de sífilis congênita em nosso país. O pré-natal, paradoxalmente, está menos efetivo. As crianças estão tendo baixa cobertura de atenção à saúde. Basta verificar que, hoje, sobram vagas de residência para obstetrícia e pediatria. Essas políticas públicas de proteção e cuidado da saúde materno-infantil estão longe de estar adequadas para a assistência integral à saúde.

Os casos de crianças microcéfalas se revelam também dramáticos por esses aspectos. E a responsabilidade é do poder público. A privatização do sistema de saúde é hoje nosso calcanhar de Aquiles. Uma assistência amorosa e efetiva precisa ser implementada em nosso sistema de saúde, incluindo o cuidado com a saúde mental.

Informe ENSP: O que podemos esperar da epidemia de zika no país, principalmente com a realização dos jogos olímpicos, que trarão atletas e turistas de todo o mundo? Há alguma solução, em curto prazo, que possa ser efetivada?

Lia Giraldo: Planos de curto, médio e longo prazos devem ser estabelecidos, considerando a intersetorialidade, participação e interdisciplinaridade, haja vista ser um problema complexo e interdepende de múltiplas condições para seu desencadeamento. Na Nota Técnica, apresentamos o elenco de 15 recomendações que devem ser imediatamente implementadas, no nível da promoção, proteção e cuidado da saúde.

Fonte: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca.

in EcoDebate, 23/02/2016