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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Iniciativa amplia uso de óleo de cozinha como matéria-prima para o biodiesel

Quase 600 catadores participam da iniciativa. Parceria com a Petrobras estabelece sistema de coleta para o reaproveitamento de gorduras residuais
Cooperativas e associações de catadores reúnem os óleos vindos de hospitais, condomínios, hotéis ou escolas. Foto: Divulgação/Governo do Ceará

Duas usinas da Petrobras Biocombustível, em Candeias (BA) e Quixadá (CE), processaram, em 2014, aproximadamente 232 mil litros de óleos e gorduras residuais (OGR), um aumento de 29 mil litros em relação ao ano anterior.

A ampliação é resultado de uma parceria entre a Petrobras Biocombustível e 28 cooperativas e associações de catadores no Ceará (Quixadá e Fortaleza) e na Bahia (região metropolitana de Salvador). Quase 600 catadores estão envolvidos diretamente na parceria, que estabeleceu um eficiente sistema de coleta para o reaproveitamento de óleo de fritura por meio do Programa Cuidar.

As cooperativas e associações de catadores reúnem os óleos vindos de hospitais, condomínios, hotéis ou escolas parceiras do projeto e fazem o tratamento primário do OGR, que é vendido para a companhia em quantidades que variam em média de 5 a 7 mil litros por mês.

O projeto inclui difusão do conhecimento, apoio à gestão e treinamento dos catadores e gestores. É esse, por exemplo, o trabalho realizado, em Fortaleza, com a Rede de Catadores de Resíduos Sólidos Recicláveis do Estado do Ceará, que beneficia catadores de 18 associações.

O convênio firmado entre a Petrobras Biocombustível e a entidade resultou em avanços, como a implantação de uma unidade de filtragem do óleo, elaboração de material de divulgação e apoio administrativo.

Processo

A transformação do óleo de cozinha em biodiesel começa pela filtragem, que retira os resíduos deixados pela fritura e pela remoção da água misturada ao produto. O óleo resultante é adquirido pela Petrobras Biocombustível para a produção de biodiesel.

Em seis anos, mais de 800 mil litros de OGR foram comprados desses parceiros e processados nas usinas da companhia. Assim, a Petrobras Biocombustível adquire matéria-prima para sua atividade produtiva e contribui para gerar trabalho e renda na área urbana.

A iniciativa estimula ainda o conceito de reciclagem e contribui para reduzir os impactos do descarte do óleo de cozinha no ambiente, evitando a contaminação do subsolo e o entupimento das tubulações de esgoto.

Além de contribuir com a estruturação da coleta, o projeto procura diversificar também os pontos de entrega para ampliar o número de doadores.

Em Fortaleza, desde fevereiro de 2014, a parceria ganhou o reforço da Liquigás que, por meio de suas revendas, passou a distribuir material educativo que incentiva o público a juntar o óleo de cozinha e fazer a doação para a cooperativa por meio do entregador de botijão de gás.

Com a campanha intitulada “Óleo usado e doado, Brasil Preservado”, ao receber o gás em casa, o morador tem acesso a folhetos explicativos sobre as vantagens ambientais e sociais do reaproveitamento do óleo de fritura, bem como sobre a forma de participar, entregando o óleo usado ao revendedor da Liquigás.

Como estímulo ao envolvimento na campanha, os participantes concorrem mensalmente a uma recarga de gás de cozinha. A estimativa da companhia é de que a parceria tenha atingido 140 mil residências na capital cearense e região metropolitana.

Na Bahia, também com o objetivo de facilitar a adesão das pessoas e ampliar o volume de óleo reciclado, foram implantados pontos de coleta na Usina de Candeias, nos escritórios da Petrobras e nos clubes de empregados.

Foi também aperfeiçoada a coleta no Posto Escola, localizado no bairro Stiep, em Salvador, sendo a primeira experiência do projeto envolvendo um posto de combustível da Petrobras Distribuidora.

Fonte: Portal Brasil

Publicado no Portal EcoDebate, 20/01/2015

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Lixo orgânico produzido em universidade na Califórnia vira energia para campus

Construída a partir de tecnologia desenvolvida por Ruihong Zhang, professora da University of California, em Davis, usina converte 50 toneladas de lixo em 12 mil quilowatts-hora de energia por dia (foto: Karin Higgins/UC Davis)

Por Heitor Shimizu, de Davis (EUA), para a Agência FAPESP.

A principal área de pesquisa de Ruihong Zhang, professora no Departamento de Engenharia Biológica e Agrícola da University of California, Davis, tenta resolver de uma só vez dois importantes problemas na atualidade: a falta de energia e o excesso de lixo.

Zhang e os cientistas do grupo que coordena estudam o uso de bactérias para transformar lixo orgânico – principalmente sobras de alimentos – em energia. Ela pesquisa o tema há quase 20 anos em busca de solução para uma questão que se resume em “como transformar o máximo possível de lixo orgânico em energia renovável”.

A pesquisa deixou de ser básica para ser aplicada quando, em abril deste ano, a UC Davis inaugurou uma usina de biodigestão de lixo a partir da pesquisa de Zhang.

A usina ganhou o nome de Digestor Anaeróbico de Energia Renovável da UC Davis – ou simplesmente Read, na sigla em inglês. O custo foi de US$ 8,5 milhões.

Instalado no antigo depósito de lixo da universidade, o Read usa uma tecnologia desenvolvida por Zhang e licenciada pela UC Davis para a CleanWorld, empresa formada por ex-alunos de Zhang e da universidade. No sistema, microrganismos em grandes tanques sem oxigênio consomem o lixo orgânico produzido no próprio campus e lá armazenado.

O sistema utiliza um processo no qual, por meio da fermentação, bactérias devoram o lixo e produzem metano e gás carbônico, ou seja, biogás.

A usina foi projetada para converter 50 toneladas de lixo em 12 mil quilowatts-hora de energia por dia. Além de produzir energia renovável, o Read livra a UC Davis de 20 mil toneladas de lixo por ano.

Os números são importantes, pois destacam uma vantagem na tecnologia desenvolvida por Zhang. O uso de digestores anaeróbicos para produzir energia é conhecido, mas a diferença nesse caso está na eficiência. Segundo a pesquisadora, o sistema utiliza variedade e quantidade muito maiores de lixo do que em modelos tradicionais.

Denominada HSAD (High Solids Anaerobic Digestion), a tecnologia é capaz de usar uma grande variedade de dejetos orgânicos, tem uma taxa de digestão rápida e elevada produção de energia.

“Também destrói patógenos presentes no lixo, resultando na produção de biofertilizantes”, disse a pesquisadora, que dirige o Centro de Pesquisa em Biogás na UC Davis. Durante a pesquisa de Zhang, uma usina piloto foi construída em 2004.

Por estar instalada em um antigo depósito de lixo, que produz naturalmente grande quantidade de metano, a usina também combina o biogás produzido por meio das bactérias com o metano do antigo lixão. O resultado é a capacidade de gerar 5,6 milhões de quilowatts-hora de energia.

Além disso, por transformar os gases em energia, a usina reduz em 13,5 mil toneladas por ano a emissão de gases causadores do efeito estufa. Tanto a energia produzida como os créditos de carbono ficam na UC Davis.

Para a produção de fertilizantes, o Read tem capacidade para gerar cerca de 15 milhões de litros por ano, suficiente para suprir a demanda de cerca de 600 mil metros quadrados de área cultivada.

“É preciso destacar que o sistema de biodigestão não é importante apenas por produzir energia ou fertilizantes, mas também por trazer uma utilização para o lixo que produzimos. Trata-se de uma tecnologia que permite que sejamos mais sustentáveis, tanto econômica como ambientalmente”, disse Zhang, uma das palestrantes da FAPESP Week California, realizada em dois campi da University of California (Berkeley e Davis) de 17 a 21 de novembro.

O evento contou com apoio do Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington.

Mais informações sobre a FAPESP Week California www.fapesp.br/week2014/california

Publicado no Portal EcoDebate, 01/12/2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Biodigestor beneficia famílias rurais do Brasil e evita extração de madeira da mata nativa

Mais de trezentas famílias do país serão beneficiadas com Projeto da ONG Diaconia e Fundo Socioambiental da CAIXA

“Disseminar a Tecnologia Social dos biodigestores em pequenas propriedades, a partir de resíduos orgânicos provenientes de atividades pecuárias em escala familiar” é o objetivo do Projeto “Biodigetor: uma tecnologia social no Programa Nacional do Habitação Rural” promovido pela ONG Diaconia com o apoio do Fundo Socioambiental da CAIXA. O Biodigestor é uma tecnologia originária da Índia e China, que foi adaptada para as condições do Semiárido Brasileiro e vem mudando a realidade de famílias agricultoras.

O projeto busca alternativas que favoreçam a vida das pessoas que convivem na região semiárida, facilitando a execução de atividades simples, como cozinhar. Embora muitas famílias rurais já possuam fogão a gás adaptado para o botijão, ainda é comum a utilização de lenha e carvão; prática que coloca uma forte pressão no processo de degradação do meio ambiente através da extração de madeira da mata.

Além do impacto ambiental, o uso de lenha e carvão afeta a saúde das pessoas, principalmente das mulheres que assumem a responsabilidade de cozinhar, mas crianças e idosos também são afetados com frequência, pois permanecem mais tempo em casa e assim sofrem com a fumaça que causa problemas respiratórios.

Para preservar a saúde das pessoas e conservar o meio ambiente, a Diaconia está implementando essa tecnologia, considerada de baixo custo, de fácil manejo e que apresenta resultados relevantes ao bem estar social e econômico. A expectativa do projeto é que em dois anos sejam beneficiadas 335 famílias agricultoras residentes nas moradias financiadas pelo PNHR, em 23 municípios, localizados em 06 Estados da Federação – Bahia, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Sendo 24 famílias na Bahia; 50 em Minas Gerais; 50 em Goiás; 35 em Santa Catarina; 56 no Rio Grande do Sul e 120 em Pernambuco.

A utilização do biodigestor além de beneficiar a saúde das famílias e ajudar a conservar o meio ambiente, também gera uma economia real mensal de R$ 75,00 por família, considerando que cada uma gasta, em média, um botijão e meio de gás butano por mês. Ao ano a família economiza R$ 900, 00.

DIACONIA E EXPERIÊNCIA COM BIODIGESTORES:

Essa tecnologia teve origem na Índia e China e foi adaptada ao Semiárido Brasileiro. Em 2011, a experiência do Biodigestor desenvolvida pela ONG Diaconia ganhou o Prêmio Melhores Práticas em Gestão Local promovido pela CAIXA, ficando entre as 08 Melhores Práticas do País; Atualmente a experiência está entre as 48 Mundiais, passando a integrar o Banco de Dados da ONU/Habitat pelo desenvolvimento da tecnologia de baixo custo e capacidade de multiplicação em diferentes regiões do mundo.

O Biodigestor

Tecnologia que possibilita a produção de gás inflamável (biogás) através da fermentação do esterco animal. Esta é a proposta do Biodigestor, fonte de energia complementar (ou alternativa) utilizada em substituição à lenha, ao carvão vegetal e ao gás liquefeito de petróleo (GLP – gás de cozinha comprado em botijões), cujo impacto sobre o meio-ambiente é maior. A utilização do biogás traz importantes ganhos ambientais, pois reduz a emissão de gases do efeito estufa e minimiza a pressão sobre o bioma Caatinga, além de representar uma importante economia para as famílias agricultoras.

O processo de geração de biogás é simples. Depois de recolhido, o esterco do gado é colocado dentro da “caixa de carga”, de onde segue para o “tanque de placas”, local em que transforma-se numa fração gasosa (o biogás), outra líquida e uma terceira sólida. As duas últimas frações, descartadas através da “caixa de descarga”, são subprodutos que também podem ser utilizados na fertilização do solo para agricultura.

Algumas vantagens do uso do biogás (metano) a partir de biodigestores incluem:

a. A diminuição do uso de madeira da Caatinga para queima;

b. A diminuição de casos de doenças respiratórias em pessoas que usam fogão à lenha ou carvão em suas residências;

c. Economia de R$ 900,00/ano/família com a compra de botijões de gás butano;

d. A diminuição da liberação do gás metano na atmosfera, ao considerar que no lugar de ser liberado naturalmente, passa a ser queimado no fogão;

e. A gestão de recursos (esterco animal, gás, adubo orgânico), fortalecendo a economia familiar e a produção agrícola e de forragem;

f. A integração de tecnologias de produção de energia com a produção agrícola e pecuária;

g. A melhoria na sanidade animal resultante da limpeza permanente nos currais e chiqueiros, bem como a diminuição significativa da infestação dos animais por ecto e endoparasitas;

h. A mobilização social presente no processo de construção do biodigestor que envolve a organização e processos educativos ecológicos com caráter de sustentabilidade, bem como a reaplicabilidade desta tecnologia social.

Em 2011, a Diaconia foi agraciada com o Prêmio CAIXA Melhores Práticas em Gestão Local 2011/2012 com o projeto “Biodigestor: um jeito inteligente de cuidar do Meio Ambiente!”. O objetivo do Prêmio é reconhecer, divulgar e incentivar a reaplicação de iniciativas inclusivas, inovadoras e sustentáveis que contribuem para a melhoria da condição de vida dos brasileiros: http://www.youtube.com/watch?v=v3D8BP8l_L0

A implantação de biodigestores é plenamente viável, a partir do armazenamento, manejo e utilização do gás metano produzido pelo processo de decomposição do esterco dos animais que existem nas propriedades rurais. Além disso:

· A sua utilização reduz a poluição do ar e minimiza a degradação ambiental, através da diminuição do uso de carvão vegetal e lenha;

· É de fácil multiplicação porque as famílias e as comunidades são capacitadas para a sua construção;

· É economicamente viável porque o seu custo não é elevado (01 biodigestor tem custo médio de R$ 2.700,00, incluído a mão-de-obra) e substitui a compra de botijões de gás butano (gasto de R$ 75,00 por família/mês e anual de R$ 900,00);

· Em 03 anos e 04 meses, pelo fato de não ter a necessidade de comprar gás butano, a família economiza o valor equivalente ao investimento do biodigestor;

· A estimativa de durabilidade do biodigestor é de aproximadamente 20 anos;

· Ao longo de 20 anos chega-se a uma economia por família de R$ 19.000,00, o que corresponde 06 (seis) vezes e meia o seu valor de investimento inicial;

· O processo de implantação do Biodigestor viabiliza condições para a criação de um programa de difusão e implantação dessa tecnologia como uma estratégia de mitigação, de forma ampla, do efeito estufa;

· Esta tecnologia integra o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), pois ela é socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente correta.

A Diaconia

Com quase 50 anos de história, a Diaconia é uma organização social brasileira, sem fins lucrativos e de inspiração cristã, que tem por objetivo a promoção da justiça e do desenvolvimento social no Brasil. Fundada em 1967, a entidade concentra, hoje, sua atuação em três estados do Nordeste – Ceará (CE), Pernambuco (PE) e Rio Grande do Norte (RN). É na região detentora do menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país que a Diaconia foca o seu trabalho e lança esforços pela efetivação de políticas públicas de promoção e defesa de direitos.

“Relações de gênero”, “Geração de trabalho e renda”, “Meio ambiente e clima”, “Direitos das juventudes”, “Direitos da infância” e “Soberania e Segurança Alimentar, Nutricional e Hídrica” são as linhas estratégicas dos projetos abraçados e capitaneados pela organização, que atua tanto em áreas urbanas quanto rurais. A promoção e defesa dos Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCAs) inspiram e embasam ações nas dezenas de municípios atendidos pela entidade.

Por Eliane Mamede, Diaconia

Publicado no Portal EcoDebate, 31/10/2014

domingo, 3 de agosto de 2014

sábado, 9 de novembro de 2013

Polícia Montada da PM do Rio vai usar esterco de cavalo para gerar energia

Foto: Subsecretaria de Comunicação Social / RJ

Ainda este ano, o Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro pretende lançar edital de licitação para contratar a construção de um biodigestor com capacidade de transformar 450 quilos de esterco produzidos diariamente por 285 cavalos em gás metano, que será utilizado para abastecer a cozinha e aquecer os chuveiros do regimento. Segundo o tenente-coronel Anderson Maciel, comandante do regimento, o projeto vai gerar uma economia de R$ 16,6 mil mensais.

A iniciativa conta com apoio da Secretaria de Estado do Ambiente, que vai liberar R$ 211 mil para o projeto por meio do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam). De acordo com o coronel José Maurício Padrone, coordenador de Combate aos Crimes Ambientais da secretaria, a estimativa é que, em um ano, o valor seja recuperado, com a economia que o projeto vai proporcionar.

“A PM gastava muito dinheiro recolhendo e transportando todo o esterco produzido na unidade até o aterro sanitário. Fizemos esse projeto para que o material vá para o biodigestor e, após a decantação, produza gás metano, alimentando os fogões industriais da unidade e acabando, também, com os chuveiros elétricos. Será uma economia muito grande para o regimento. A expectativa é que, até março, o decantador já esteja funcionando”, informou.

Edição: Davi Oliveira

Matéria da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 08/11/2013
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