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domingo, 6 de março de 2016

Native grass could be key to super-thin condoms

Fibers from the Australian native spinifex grass are being used to improve latex that could be used to make condoms as thin as a human hair without any loss in strength

Date: February 9, 2016

Source: University of Queensland

Summary:
Working in partnership with Aboriginal traditional owners of the Camooweal region in north-west Queensland, the Indjalandji-Dhidhanu People, researchers have developed a method of extracting nanocellulose -- which can be used as an additive in latex production -- from the grass.
Dr Nasim Amiralian of the AIBN at UQ stretches latex with a Spinifex nanocellulose additive.
Credit: Australian Institute for Bioengineering and Nanotechnology, The University of Queensland

Fibres from the Australian native spinifex grass are being used to improve latex that could be used to make condoms as thin as a human hair without any loss in strength.

Working in partnership with Aboriginal traditional owners of the Camooweal region in north-west Queensland, the Indjalandji-Dhidhanu People, researchers from The University of Queensland have developed a method of extracting nanocellulose -- which can be used as an additive in latex production -- from the grass.

Professor Darren Martin from UQ's Australian Institute for Bioengineering and Nanotechnology (AIBN) said the spinifex nanocellulose significantly improved the physical properties of latex.

"The great thing about our nanocellulose is that it's a flexible nano-additive, so we can make a stronger and thinner membrane that is supple and flexible, which is the Holy Grail for natural rubber," Professor Martin said.

"We tested our latex formulation on a commercial dipping line in the United States and conducted a burst test that inflates condoms and measures the volume and pressure, and on average got a performance increase of 20 per cent in pressure and 40 per cent in volume compared to the commercial latex control sample," he said.

"With a little more refinement, we think we can engineer a latex condom that's about 30 per cent thinner, and will still pass all standards, and with more process optimisation work we will be able to make devices even thinner than this.

"Late last year we were able to get down to about 45 microns on our very first commercial dipping run, which is around the width of the hair on your head."

Professor Martin said the benefits of the nanocellulose technology would interest latex manufacturers across the multi-billion-dollar global market.

"Rather than looking at increasing the strength, companies would be looking to market the thinnest, most satisfying prophylactic possible," he said.

"Likewise, it would also be possible to produce latex gloves that are just as strong, but thinner, giving a more sensitive feel and less hand fatigue to users such as surgeons.

"Because you would also use less latex, your material cost in production would potentially drop as well, making it even more attractive to manufacturers."

Professor Martin said spinifex had long been used as an effective adhesive by indigenous communities in Australia.

"Spinifex resins have been used traditionally for attaching spear heads to their wooden shafts," he said.

UQ and the Dugalunji Aboriginal Corporation have signed an agreement to recognise local Aboriginal traditional owners' knowledge about Spinifex and to ensure that they will have ongoing equity and involvement in the commercialisation of the nanocellulose technology.

DAC Managing Director Colin Saltmere said the technology provides an opportunity for the partners to establish themselves as leaders in the area of spinifex harvesting and processing and the supply of a range of nanocellulose and other spinifex-derived products.

"There are strong hopes of cultivating and processing spinifex grass on a commercial scale, bringing economic opportunities to the remote areas across Australia where it thrives," Mr Saltmere said.

"We're very excited by the prospects of commercialising the technology to provide an entirely new industry to regional Australia." AIBN's Dr Nasim Amiralian said the nanocellulose could be converted from spinifex using an efficient chemistry method.

"You would firstly hedge the grass, and then it would be chopped up and pulped with sodium hydroxide -- and at that stage it just looks like paper pulp," Dr Amiralian said.

"Then you hit it with mechanical energy to force it through a very small hole under high pressure to peel the nano-fibres apart from the pulp, into nanocellulose happily suspended in water and ready to add to things like water-based rubber latex," she said.

UQ Vice-Chancellor and President Professor Peter Høj said innovation delivered its greatest impact when translated into tangible solutions that created positive change, and the spinifex project was a prime example.

"Research like this has great potential to make a difference in the fight against HIV and AIDS and other global issues in healthcare," Professor Høj said.

"At the heart of our research at UQ, we are aiming to harness research insights to engineer the next-generation of products and solutions, build on global knowledge capital, and generate funding for further innovation."

"This completes the laboratory-to-market lifecycle that can deliver benefits to millions, taking excellence to what we call Excellence Plus, and through that we aim to create change."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by University of Queensland. Note: Materials may be edited for content and length.

Cite This Page:
University of Queensland. "Native grass could be key to super-thin condoms: Fibers from the Australian native spinifex grass are being used to improve latex that could be used to make condoms as thin as a human hair without any loss in strength." ScienceDaily. ScienceDaily, 9 February 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/02/160209221151.htm>.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Floculantes de origem vegetal serão usados em processo de decantação para evitar rejeitos na foz do Rio Doce

Governador Valadares (MG) – Passagem da lama pelo Rio Doce, por causa do rompimento de duas barragens em Mariana, Minas Gerais, causa desastre ambiental (Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios/Divulgação)

A mineradora Samarco vai lançar floculantes de origem vegetal no Rio Doce, para decantar os rejeitos de mineração e evitar que eles cheguem à sua foz, depois do rompimento de barragens na cidade de Mariana (MG). A medida foi acordada pela empresa com o governo federal, após análise de técnicos, que chegaram à conclusão que a medida não trará impactos ambientais.

Os floculantes são usados em tratamento de água e fazem com que os sólidos suspensos se aglomerem em grandes flocos e precipitem para o fundo do rio ou do reservatório. Geralmente, eles são usados em reservatórios, antes de passar pela estação de tratamento de água. As cidades ao longo do Rio Doce já estão usando floculantes vegetais para restabelecer o abastecimento de água tratada.

“Diante do desastre ambiental ocorrido, a Samarco adquiriu uma grande quantidade de floculantes para fazer esse uso e tentar, ao máximo, que ocorra essa decantação da lama ainda no reservatório de Aimorés, a fim de minimizar o impacto ambiental na foz do Rio Doce”, explicou a presidente do Ibama, Marilene Ramos.

O Ibama, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e a Agência Nacional de Águas (ANA) se reuniram com representantes da Samarco e autoridades locais no domingo (15) para avaliar medidas para reduzir os danos ambientais. Marilene Ramos afirmou que navegou no Rio, do município de Candonga (ES) até a região afetada. “Em Candonga, ainda há muitos materiais suspensos [na água], o que indica a necessidade de outras ações”, afirmou.

A Samarco também se comprometeu com o governo a construir 20 quilômetros de diques de filtração, para diminuir a quantidade de sólidos carregados pela água. As barreiras flutuantes terão como prioridade proteger áreas ambientais mais sensíveis, como manguezais e áreas de reprodução de espécies ameaçadas de extinção.

A presidente do Ibama não descarta a aplicação de outras multas à mineradora Samarco, além dos R$ 250 milhões já anunciados. “Sendo apurados outros danos, poderão ocorrer outras multas”, afirmou. Ela disse ainda que a prioridade da aplicação dos recursos será para projetos na região afetada, sejam ambientais, de saneamento ou de reestruturação da cidade.

Entre as medidas avaliadas como necessárias do ponto de vista ambiental estão a dragagem dos resíduos sólidos do Rio Doce, o reflorestamento das margens do rio e a reintrodução de animais. “São mais de 600 hectares de áreas de proteção ambiental nas margens dos rios cuja cobertura vegetal foi totalmente perdida” e a fauna foi totalmente dizimada, segundo Marilene Ramos.

Da Agência Brasil, in EcoDebate, 17/11/2015

domingo, 4 de outubro de 2015

Grupo desenvolve plástico à base de óleo de mamona


Campinas, 25 de setembro de 2015 a 04 de outubro de 2015 – ANO 2015 – Nº 639


Polímero testado na FEQ é biocompatível e poderá ser usado em próteses

Texto: Carlos Orsi
Edição de Imagens: Fábio Reis

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um método para a produção de plásticos biocompatíveis, que potencialmente podem ser usados em próteses e outras aplicações médicas, a partir de matérias-primas naturais como óleo de mamona e ácido cítrico, o mesmo encontrado na laranja e no limão. Esse uso do ácido cítrico já gerou uma patente para a Universidade, e é apresentado na tese de doutorado “Síntese de biopolímeros a partir de óleo de mamona para aplicações médicas”, defendida pela pesquisadora colombiana Natalia Lorena Parada Hernández na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp e orientada pela professora Maria Regina Wolf Maciel, do Departamento de Processos Químicos da FEQ.

“O óleo de mamona já foi usado na produção de próteses, só que trazia alguns problemas já identificados nas aplicações e reportados na literatura”, disse o pesquisador e docente Rubens Maciel Filho, do Departamento de Desenvolvimento de Processos e Produtos (DDPP) da FEQ. Maciel falou ao Jornal da Unicamp ao lado da coorientadora da tese, Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon. Dentre esses problemas estava a reatividade química do material – o polímero não era totalmente inerte. Este é um problema que o uso do ácido cítrico minimiza significantemente, disseram os pesquisadores. 

“É preciso garantir que o polímero seja biocompatível, avaliando se ele é tóxico, ou não, para a célula”, descreveu Maciel. “Ele não pode causar mal algum à célula. Um biomaterial deve ser inerte, ou ter interações benéficas, por exemplo possibilitando uma integração do tecido vivo, em que o tecido do corpo humano comece a crescer usando-o como base”.

“Muitos biopolímeros usam solventes tóxicos durante a síntese”, acrescentou Ingrid. “Buscamos livrar ao máximo toda a cadeia produtiva do polímero de agentes que possam trazer alguma toxicidade”.
PROCESSO

Os pesquisadores explicam que a produção de polímeros, como poliésteres, a partir do óleo de mamona envolve um processo chamado epoxidação, em que o óleo se torna quimicamente reativo, e uma “cura”, quando as cadeias reativas de moléculas se ligam formando uma rede tridimensional, dando origem ao polímero. O processo de epoxidação contou com a colaboração do doutorando Anderson de Jesus Bonon, gerando também uma patente para a Unicamp.

“A epoxidação do óleo de mamona é a transformação do óleo no monômero que será a matéria-prima de partida para a síntese do polímero”, explicou a pesquisadora. Dentro desse processo não foi feito uso de qualquer solvente que apresente potencial toxicidade. Já o ácido cítrico entra na “cura”, ligando as redes de moléculas e garantindo que o plástico se mantenha rígido e inerte. Maciel disse que os testes para avaliar a toxicidade do plástico de mamona com ácido cítrico em células vivas já foram realizados, e prevê novos ensaios envolvendo animais e, mais para o futuro, em seres humanos, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e seguindo rigorosas diretrizes éticas.

“Essa tese tem uma contribuição muito interessante, que é a de agregar valor a um produto que o Brasil produz, que é o óleo de mamona. E todo o conceito e o desenvolvimento desse biomaterial se deu dentro dos preceitos de que não deve atacar, não deve prejudicar o corpo humano em hipótese alguma. Ele precisa ser desenvolvido e produzido sem qualquer tipo de solvente ou produto químico que altere ou que faça mal para o corpo humano. É um desafio você fazer algo realmente só com reagentes que permitam depois o uso desse polímero como biopolímero, compatível com a saúde humana”, disse Maciel.

PATENTE

Além de, em princípio, não apresentar toxicidade, o polímero criado na FEQ tem outras características atraentes: “Tem boa resistência química, resistência mecânica considerada boa para aplicações que não requerem muita rigidez e alta absorção de impacto, o que significa que ele tem muito potencial para ser utilizado, inicialmente, na construção de matrizes para crescimento celular [scaffolds]”, explicou Maciel. Além disso, ele pode ser utilizado na produção de películas para a proteção de ferimentos ou no auxílio à cicatrização.

“Se você tem uma área do corpo que requer um esforço físico maior, é necessário o desenvolvimento de um polímero mais rígido, que suporte esse tipo de tensão ou de esforço. Se a aplicação for para recobrir uma área para a recuperação de uma úlcera ou ferimento que requeira o uso de um filme, ou como parte de um agente que melhore a cicatrização de pessoas que têm doenças como diabetes, por exemplo, é possível produzir o polímero de forma que seja mais flexível”, exemplificou. “É um material com uma flexibilidade muito grande em termos de possíveis aplicações. Agora que o processo foi desenvolvido, abrem-se caminhos para trabalhar em condições apropriadas que permitam obter produtos com características desejadas, destinada a aplicações específicas.” 

O uso do ácido cítrico na “cura” do plástico já foi patenteado no Brasil, com apoio da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), e agora os pesquisadores têm interesse em proteger o invento internacionalmente. Maciel acredita que essa inovação tecnológica gerada na Unicamp irá interessar à indústria, já que ela será usada em produtos personalizados e de alto valor agregado.

“A produção de biomateriais não é uma commodity ou um material que possa ser adquirido facilmente, principalmente para aplicações específicas”, disse. “A tendência com os desenvolvimentos já realizados e as pesquisas em andamento é desenvolver partes customizadas, que atendam inclusive pacientes que hoje fazem uso do SUS com dificuldades de pagarem por materiais importados. Muitas pessoas acabam isoladas da sociedade e do mercado de trabalho por terem uma deficiência que pode ser corrigida ou minimizada, permitindo sua reinserção social. O desenvolvimento dos biomateriais e, depois, do dispositivo nas características desejadas envolve muita tecnologia, desde a formação do monômero até a constituição do material final no formato exato para implantação”.
FUTURO

A autora da tese, Natalia Lorena Parada Hernández, deve retornar ao Brasil para dar continuidade à pesquisa no pós-doutorado. “Ela deve fazer os testes que faltam e também participar conosco na otimização e na ampliação das formas de processamento e sua conexão com a obtenção das características desejadas do material”, disse Maciel. 

Com base em experiências anteriores, o pesquisador acredita que as primeiras aplicações do novo plástico de mamona podem estar prontas num prazo não muito longo. “Dependendo da aplicação, e de a Natália continuar com essas atividades, o material para o tratamento de úlceras de pele, por exemplo, deve estar pronto, depois de todos os testes, dentro de dois anos”, estima. 

“Já outros tipos de aplicação, como próteses, envolvem um tempo maior, porque é preciso realizar testes in vivo e avaliar os resultados. Pela experiência que temos das pesquisas em andamento com outros materiais, esse tempo, no mínimo, dobraria”. A chegada efetiva ao mercado, por sua vez, envolve prazos maiores, por conta das exigências de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

EDUCAÇÃO

Tanto Ingrid quanto Maciel destacaram o envolvimento de estudantes de iniciação científica e de pós-graduação. “O projeto chama muito a atenção dos nossos estudantes, pela aplicação em si e pelo contexto social no qual está inserido, uma vez que potencialmente irá permitir o acesso da população mais carente a tratamentos que façam uso destes biomateriais”, disse o pesquisador. 

Ambos também afirmam que o desenvolvimento de biomateriais e a elaboração do produto funcional envolvem um trabalho interdisciplinar que reúne esforços de pesquisadores e estudantes de várias áreas como Engenharia Química, Engenharia Mecânica e Medicina, e posiciona o Biofabris (Instituto Nacional de Biofabricação), onde o trabalho foi desenvolvido, em posição de destaque, até mesmo no cenário internacional.

Publicação

Tese: “Síntese de biopolímeros a partir de óleo de mamona para aplicações médicas”

Autora: Natalia Lorena Parada Hernández

Orientadora: Maria Regina Wolf Maciel

Coorientadora: Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon

Unidade: Faculdade de Engenharia Química (FEQ)

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Producing rubber from lettuce

Date: April 6, 2015

Source: Washington State University

Summary:
Prickly lettuce, a common weed that has long vexed farmers, has potential as a new cash crop providing raw material for rubber production, according to scientists. These findings open the way for breeding for desired traits and developing a new crop source for rubber in the Pacific Northwest.

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Induced Production of 1-Methoxy-indol-3-ylmethyl Glucosinolate by Jasmonic Acid and Methyl Jasmonate in Sprouts and Leaves of Pak Choi (Brassica rapa ssp. chinensis)


Wiesner, M.; Hanschen, F.S.; Schreiner, M.; Glatt, H.; Zrenner, R. Induced Production of 1-Methoxy-indol-3-ylmethyl Glucosinolate by Jasmonic Acid and Methyl Jasmonate in Sprouts and Leaves of Pak Choi (Brassica rapa ssp. chinensis). Int. J. Mol. Sci. 2013, 14, 14996-15016. 

Abstract 

Pak choi plants (Brassica rapa ssp. chinensis) were treated with different signaling molecules methyl jasmonate, jasmonic acid, linolenic acid, and methyl salicylate and were analyzed for specific changes in their glucosinolate profile. Glucosinolate levels were quantified using HPLC-DAD-UV, with focus on induction of indole glucosinolates and special emphasis on 1-methoxy-indol-3-ylmethyl glucosinolate. Furthermore, the effects of the different signaling molecules on indole glucosinolate accumulation were analyzed on the level of gene expression using semi-quantitative realtime RT-PCR of selected genes. The treatments with signaling molecules were performed on sprouts and mature leaves to determine ontogenetic differences in glucosinolate accumulation and related gene expression. The highest increase of indole glucosinolate levels, with considerable enhancement of the 1-methoxy-indol-3-ylmethyl glucosinolate content, was achieved with treatments of sprouts and mature leaves with methyl jasmonate and jasmonic acid. This increase was accompanied by increased expression of genes putatively involved in the indole glucosinolate biosynthetic pathway. The high levels of indole glucosinolates enabled the plant to preferentially produce the respective breakdown products after tissue damage. Thus, pak choi plants treated with methyl jasmonate or jasmonic acid, are a valuable tool to analyze the specific protection functions of 1-methoxy-indole-3-carbinole in the plants defense strategy in the future. 
Figure. Signaling molecules involved in defense against biotic stressors. Investigated molecules are marked in bold. PR1, PATHOGENESIS-RELATED 1; PDF1.2, DEFENSIN-LIKE 16; PIN2, PROTEINASE INHIBITOR II.
Figure. Biosynthesis of indole glucosinolates in Arabidopsis. Transcriptional regulators, enzymatic steps involved in core biosynthesis and side chain modification are shown. Steps analyzed in more detail on gene expression level are marked in bold. 
Figure. Individual glucosinolate levels as a percentage of the total indole glucosinolate level in sprouts and mature leaves. Percentage in sprouts (A) and leaves (B) are shown. The size of circle represents the amount of indole glucosinolates 48 h after the respective elicitor treatment. MeJA, methyl jasmonate; JA, jasmonic acid; LA, linolenic acid; MeS, methyl salicylate; I3M, indol-3-ylmethyl glucosinolate; 4OHI3M, 4-hydroxy-indol-3-ylmethyl glucosinolate; 4MOI3M, 4-methoxy-indol-3-ylmethyl glucosinolate; 1MOI3M, 1-methoxy-indol-3-ylmethyl glucosinolate.

Conclusions

Treatment of pak choi sprouts and leaves with the signaling molecules methyl jasmonate and jasmonic acid resulted in strong increase of indole glucosinolates with major effect on 1-methoxy-indol-3-ylmethyl glucosinolate. On gene expression level this was accompanied by an upregulation of key genes involved in indole glucosinolate biosynthesis when compared to controls. Based on these results, it is assumed that genes specifically involved in side chain modification of indol-3-ylmethyl glucosinolate to synthesize 1-methoxy-indole-3-ylmethyl glucosinolate are highly induced by these signaling molecules. 

The eliciting effects of signaling molecules on specific biosynthetic pathways might be used as a tool to develop Brassica species with desired glucosinolate profiles. Here a vegetable model plant has been described with strong enhancement of a single indole glucosinolate. Analysis of breakdown products after tissue damage has shown that in methyl jasmonate treated plants, 1-methoxy-indole-3-carbinole and the -acetonitrile were formed in high concentrations. In the future this model plant system could be used to analyze the causal relationship between enriched individual glucosinolate breakdown products and insect performance in studies testing toxic or repellent effects on biotic stressors, such as soilborne pathogens, aphids, trips, Lepidoptera and other herbivores. 

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domingo, 16 de novembro de 2014

Estudantes da Ufam desenvolvem bactérias para despoluir os rios da Amazônia

Projeto é premiado com medalha de ouro em competição internacional de genética
Nesta quinta-feira (13), o Programa Nacional Jovem, entrevistou o professor de Engenharia Genética da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Carlos Gustavo Nunes, sobre a premiação de estudantes de Biotecnologia e Ciências Biológicas em competição de genética que envolveu instituições renomadas nos Estados Unidos.

Durante cinco dias estudantes de várias partes do mundo se reuniram, em Boston, na mais relevante competição acadêmica de biologia sintética, o iGEM (sigla em inglês para Competição Internacional de Máquinas Geneticamente Modificadas). Os estudantes da Ufam foram premiados com medalha de ouro por desenvolverem bactérias para despoluir os rios da Amazônia.

Segundo o professor e coordenador do projeto, o que motivou os alunos a desenvolverem essa bactéria foram os autos indices de mercúrio encontrados nos rios da região amazônica. Em busca de uma solução para o problema, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do estado do Amazonas solicitou aos estudantes um projeto que viabilizasse essa descontaminação.

O professor relatou que para o desenvolvimento do projeto, os estudantes pegaram genes de bactérias que são acostumadas a ambientes com alta concentração de mercúrio, e colocaram esses genes em bactérias criadas em laboratórios. Com isso, essa nova bactéria, agora, é capaz de detectar e reter esse mercúrio em águas contaminadas, possibilitando, assim, a posterior eliminação desse elemento, em forma gasosa, para futuramente ser reutilizado, em objetos como lâmpadas e artigos eletrônicos.

Conforme o professor, o resultado desse projeto foi a premiação com medalha de ouro e o reconhecimento da Ufam, como a única instituição brasileira a receber medalha de ouro na competição, se consolidando internacionalmente como um importante centro de pesquisas na área da Biologia Sintética. 

Publicado no Portal EcoDebate, 14/11/2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Levedura adaptada à fabricação de etanol sem queima da cana melhora produção

17 de setembro de 2014

Por Diego Freire

Agência FAPESP – Uma levedura adaptada às novas condições do processo industrial de fabricação de açúcar e etanol, surgidas com a substituição compulsória da colheita manual por métodos mecanizados no Estado de São Paulo, aumenta o rendimento e reduz as perdas na fermentação quando comparada a leveduras tradicionais.

A levedura – que leva o nome comercial de Fermel – foi selecionada pela Fermentec, empresa de tecnologia industrial especializada em fermentação alcoólica instalada em Piracicaba (SP), a partir de estudos desenvolvidos com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). A inovação foi apresentada no Diálogo sobre Apoio à Inovação na Pequena Empresa, realizado pela FAPESP no dia 9 de setembro para esclarecer dúvidas de interessados em participar da seleção de propostas no PIPE.

O objetivo da pesquisa foi obter uma levedura industrial mais adaptada às novas características da colheita de cana-de-açúcar com a vigência do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, de 2007, que proíbe as queimadas.

“A substituição gradativa da colheita manual de cana-de-açúcar em São Paulo por métodos mecanizados trouxe benefícios ambientais, mas também novos desafios para o processo industrial de fabricação de açúcar e etanol”, explicou à Agência FAPESPo diretor científico da Fermentec, Mário Lúcio Lopes.

Isso porque a planta, que antes era queimada, agora chega à usina crua, com pontas, folhas e terra. “Essas impurezas vegetais e minerais que vêm junto com a cana são prejudiciais à fermentação”, disse Lopes.

Para ser eficiente, a fermentação precisa de uma levedura que contorne essa condição e ainda iniba a entrada de linhagens selvagens que vêm junto com a cana crua. “Essa é uma das características das leveduras personalizadas e selecionadas, que garantem uma fermentação mais adequada e com maior rendimento”, explicou.

São as leveduras que transformam os açúcares da cana, sólidos, em álcool combustível, líquido. A fim de que o processo seja conduzido com eficácia, é necessário ter leveduras adequadas a cada meio.

“Estudamos e identificamos a relação da levedura com o meio de fermentação industrial. Quanto mais adaptada ela é à unidade industrial, maior será a eficiência da fermentação e, consequentemente, da produção”, disse Lopes.

Pesquisa inovativa

Derivada da PE-2, uma das leveduras utilizadas na fermentação do etanol no Brasil desde o início da década de 1990, a Fermel apresenta maior tolerância às novas condições do processo industrial, segundo os produtores.

A Fermel reduz a possibilidade de invasão de leveduras selvagens no processo, responsáveis por problemas como formação de espuma, que ocupa espaço nos tanques, e floculação, que dificulta a fermentação. A inovação foi possível por meio de técnicas de cariotipagem e análise do DNA mitocondrial das leveduras.

Na cariotipagem, as leveduras são cultivadas para formar pequenas colônias. A partir delas são extraídos cromossomos intactos contendo material genético. Esses cromossomos são então separados num campo elétrico.

“As variações no tamanho e no número de cromossomos funcionam como ‘impressões digitais’, que permitem identificar as leveduras selecionadas e diferenciá-las das selvagens contaminantes”, disse Lopes.

Já na análise do DNA mitocondrial, pequenas moléculas de DNA são extraídas da mitocôndria das leveduras e cortadas em pontos específicos. “Os fragmentos são depois separados num campo elétrico e o perfil é utilizado para identificar as leveduras, como se fosse um código de barras”, disse.

Essas análises permitem a seleção de leveduras mais adequadas ao meio industrial. A Fermel se mostrou a mais eficiente em mostos ricos em melaço e com teores alcoólicos elevados, além de dominar as populações de leveduras, reduzindo as chances das contaminantes se estabelecerem na fermentação.

“A indústria trabalha com volumes muito grandes e é difícil eliminar esses microrganismos, que podem ser leveduras selvagens e até bactérias. Eles conseguem entrar nas fermentações e competem com a levedura selecionada, boa. Quando são mais resistentes e adaptados àquela condição de fermentação industrial, sua população toma o lugar da levedura menos robusta. A Fermel é significativamente mais resistente e domina o ambiente de fermentação”, disse Lopes.

A maior parte dessas leveduras contaminantes traz uma série de problemas para as indústrias, como sobra de açúcares sem fermentação, com diminuição do rendimento.

“Trata-se de um potencial desperdiçado. Por isso, é importante que haja uma levedura robusta, que possa reduzir os problemas de contaminação, que seja uma boa fermentadora, para não deixar essa sobra de açúcares, permitindo dessa forma um resultado melhor para as usinas – especialmente agora, sem as queimadas”, disse Lopes.

PIPE recebe propostas

A Fermel foi apresentada no encontro de 9 de setembro, na FAPESP, como um exemplo das possibilidades de inovação abertas pelo apoio do PIPE à pesquisa inovativa.

“O objetivo é esclarecer a todos que pretendem apresentar propostas sobre quais as dificuldades que podem ser enfrentadas e os benefícios, ilustrados pelo caso da Fermentec”, disse Sérgio Queiroz, coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da FAPESP.

“O PIPE teve papel decisivo na seleção da Fermel e no desenvolvimento da indústria paulista do setor, pois tudo o que é feito na Fermentec é transferido em conhecimento e tecnologia para o setor produtivo”, disse Lopes.

Além do caso da Fermentec, o evento apresentou os conceitos e propósitos do PIPE, detalhando sua metodologia e seu processo de avaliação e esclarecendo dúvidas. O programa apoia a criação de produtos, processos e serviços inovadores em todas as áreas do conhecimento.

A submissão de propostas ao 4º Ciclo de Análise do PIPE em 2014, cuja chamada está disponível em www.fapesp.br/8774, pode ser feita até 13 de outubro, exclusivamente por meio do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe).

Foram reservados R$ 15 milhões para o conjunto de propostas selecionadas neste edital, que terá seu resultado divulgado em 27 de fevereiro de 2015. O valor máximo do apoio da FAPESP a cada projeto aprovado no PIPE é R$ 1,2 milhão, para a realização de duas fases.

Na fase 1, com duração de até nove meses, até R$ 200 mil poderão ser aplicados na demonstração da viabilidade tecnológica proposta. Na fase 2, de desenvolvimento do produto ou processo inovador, com prazo de até 24 meses, o limite de recursos disponível por projeto é R$ 1 milhão.

Desde 1998, a FAPESP investiu R$ 286,8 milhões no apoio a 1.222 projetos inovativos no âmbito do PIPE, desenvolvidos dentro de empresas de pequeno porte, com até 250 empregados, com unidade de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Estado de São Paulo.

Mais informações em www.fapesp.br/pipe

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Coming soon: Genetically edited 'super bananas' and other fruit?

Date: August 13, 2014


Source: Cell Press

Summary:
Recent advances that allow the precise editing of genomes now raise the possibility that fruit and other crops might be genetically improved without the need to introduce foreign genes, according to researchers. This could mean that genetically edited versions of GMOs such as "super bananas" that produce more vitamin A and apples that don't brown when cut, among other novelties, could be making an appearance on grocery shelves.
Bunch of bananas (stock image). Genetically edited fruit could mean that genetically edited versions of "super bananas" that produce more vitamin A, and apples that don't brown when cut, could be making an appearance on grocery shelves.
Credit: © egorxfi / Fotolia

Recent advances that allow the precise editing of genomes now raise the possibility that fruit and other crops might be genetically improved without the need to introduce foreign genes, according to researchers writing in the Cell Press publication Trends in Biotechnology on August 13th.

With awareness of what makes these biotechnologies new and different, genetically edited fruits might be met with greater acceptance by society at large than genetically modified organisms (GMOs) so far have been, especially in Europe, they say. This could mean that genetically edited versions of GMOs such as "super bananas" that produce more vitamin A and apples that don't brown when cut, among other novelties, could be making an appearance on grocery shelves.

"The simple avoidance of introducing foreign genes makes genetically edited crops more "natural" than transgenic crops obtained by inserting foreign genes," said Chidananda Nagamangala Kanchiswamy of Istituto Agrario San Michele in Italy.

For instance, changes to the characteristics of fruit might be made via small genetic tweaks designed to increase or decrease the amounts of natural ingredients that their plant cells already make. Genome editing of fruit has become possible today due to the advent of new tools -- CRISPR, TALEN, and the like -- and also because of the extensive and growing knowledge of fruit genomes.

So far, editing tools have not been applied to the genetic modification of fruit crops. Most transgenic fruit crop plants have been developed using a plant bacterium to introduce foreign genes, and only papaya has been commercialized in part because of stringent regulation in the European Union (EU). The researchers say that genetically edited plants, modified through the insertion, deletion, or altering of existing genes of interest, might even be deemed as nongenetically modified, depending on the interpretation of the EU commission and member state regulators.

Fruit crops are but one example of dozens of possible future applications for genetically edited organisms (GEOs), Kanchiswamy and his colleagues say. That would open the door to the development of crops with superior qualities and perhaps allow their commercialization even in countries in which GMOs have so far met with harsh criticism and controversy.

"We would like people to understand that crop breeding through biotechnology is not restricted only to GMOs," he said. "Transfer of foreign genes was the first step to improve our crops, but GEOs will surge as a "natural" strategy to use biotechnology for a sustainable agricultural future."

Story Source:

The above story is based on materials provided by Cell Press. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Chidananda Nagamangala Kanchiswamy, Daniel James Sargent, Riccardo Velasco, Massimo E. Maffei, Mickael Malnoy. Looking forward to genetically edited fruit crops. Trends in Biotechnology, August 2014 DOI:10.1016/j.tibtech.2014.07.003

Cite This Page:

Cell Press. "Coming soon: Genetically edited 'super bananas' and other fruit?." ScienceDaily. ScienceDaily, 13 August 2014. <www.sciencedaily.com/releases/2014/08/140813131044.htm>.

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Fungos alteram sabor do café (e isso pode ser bom)

Do site:

Por Simone Caixeta de Andrade
05/06/2014

Queijo roquefort, shitake, champignon e fermento biológico para pães. Todos esses alimentos têm em comum um elemento: fungos. E a essa lista pode ser adicionado o café. É o que demonstra um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros, que detectaram algumas espécies de fungos em sementes de café do sudeste do Brasil. Esses fungos podem interferir nas características sensoriais do café, revela a pesquisa que foi publicada na Food Research International). Dados da pesquisa apontam que, em 45% das amostras avaliadas, 70% estavam contaminadas por fungos. A contaminação foi responsável por alterar o sabor do café, tanto de forma positiva quanto negativa.

A qualidade do café é influenciada pela variedade botânica das sementes, manejo agrícola, colheita, secagem dos grãos, armazenamento e, por fim, preparo da bebida. O estudo comparou o nível de contaminação das sementes nos diversos estágios de produção do café e comparou os resultados com as características sensoriais da bebida. Sementes estavam em vários estágios de maturação: diretamente do cafezal, do solo ou do pátio. 

Segundo a Associação da Indústria Brasileira de Café (Abic) na “avaliação sensorial busca-se verificar a qualidade global do café na xícara, com notas para atributos como aroma, sabor, corpo, além de moagem, torra, etc”. Características sensoriais positivas ou negativas podem ser encontradas como uma consequência dos metabólitos produzidos durante o desenvolvimento de espécies fúngicas. O estudo encontrou contaminação por fungos Penicillium brevicompactum em todas as etapas de produção do café, o que levou os pesquisadores a concluírem que esse fungo é encontrado naturalmente nas sementes nesta região. Esse fungo também foi responsável por características sensoriais positivas do café, com atributos como aroma caramelo, floral, suave e doce. Percepção sensorial negativa e atributos como mofado, sujo e fermentado foi correlacionada à alta contaminação por fungos Aspergillus section Nigri e Aspergillus westerdijikiae, encontrados no café bóia (grão seco ou mal formado) e varrição (grãos recolhidos do solo).

Fungos como Aspergillus section Nigri e outros também são responsáveis por produzir uma toxina, ocratoxina. Essa toxina é responsável por disfunção renal e é apontada como carcinogênica. A União Europeia estabelece que o volume máximo de consumo é de 120 nanogramas por quilo de peso do indivíduo. 

Uma resolução de 2011 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária estabelece os níveis de micotoxinas presentes nos alimentos devem ser tão baixos “quanto razoavelmente possível, devendo ser aplicadas as melhores práticas e tecnologias na produção, manipulação, armazenamento, processamento e embalagem, de forma a evitar que um alimento contaminado seja comercializado ou consumido“. Para o café, a resolução estabelece que a ocratoxina A (OTA) em café torrado (moído ou em grão) e solúvel não deve ultrapassar 10µg/kg.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, participando de 33,6% do mercado internacional. De acordo com o informativo, o consumo no mercado interno foi de 21 milhões de sacas de café. A produção nacional, de acordo com o levantamento da safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi de 49,2 milhões de sacas de café beneficiado, em uma área de 2 milhões de hectares. 

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sweet, sweet straw: Scientists learn to produce sweetener from straw and fungi

Date:
June 24, 2014

Source:
Vienna University of Technology, TU Vienna

Summary:
The calorie free sweetener erythritol is widely used in Asia; it is also gaining popularity in Europe and America. Now, a new cheap method has been developed to produce erythritol from straw with the help of mould fungi. Erythritol has many great advantages: it does not make you fat, it does not cause tooth decay, it has no effect on the blood sugar and, unlike other sweeteners, it does not have a laxative effect.
Various Trichoderma strains.
Credit: Image courtesy of Vienna University of Technology, TU Vienna

The calorie free sweetener erythritol is widely used in Asia; it is also gaining popularity in Europe and America. At the Vienna University of Technology, a new cheap method has been developed to produce erythritol from straw with the help of mould fungi.

Erythritol has many great advantages: it does not make you fat, it does not cause tooth decay, it has no effect on the blood sugar and, unlike other sweeteners, it does not have a laxative effect. In Asia it is already widely used and it is becoming more and more common in other parts of the world too. Up until now, erythritol could only be produced with the help of special kinds of yeast in highly concentrated molasses. At the TU Vienna, a method has now been developed to produce the sweetener from ordinary straw with the help of a mould fungus. The experiments have been a big success, and now the procedure will be optimized for industry.

From Straw via Sugar to Erythritol

Straw is often considered to be worthless and is therfore burnt, but it can be a precious resource. Some of its chemical components can be made into valuable products. First, the finely chopped straw has to be "opened up": with the help of solvents, the cell walls are broken, the lignin is dissolved away. The remaining xylan and cellulose are then processed further. "Usually the straw has to be treated with expensive enzymes to break it down into sugar," says Professor Robert Mach (Vienna University of Technology). "In highly concentrated molasses, special strains of yeast can then turn the sugar into erythritol, if they are placed under extreme osmotic stress."

Mould Fungus Makes Intermediate Step Obsolete

The enzymes opening up the straw can be obtained with the help of the mould fungus Trichoderma reesei. This kind of mould also plays the leading role in the new production process developed at the Vienna University of Technology.

Two big advantages have been achieved by genetically modifying the fungus: the process of obtaining the enzymes from mould cultures and chemically cleaning them used to be cumbersome -- now the improved strain can be directly applied to the straw. Secondly, the mould can now produce erythritol directly from the straw. The intermediate step of producing molasses is not necessary any more and no yeast has to be used.

"We knew that the mould fungus Trichoderma reesei is in principle capable of producing erythritol, but usually only in tiny quantities," says Robert Mach. "By genetically modifying it, we managed to stimulate the production of an enzyme, which enables the large-scale production of the sweetener."

Erythritol is about 70 to 80 percent as sweet as sugar. Today, 23000 tons of erythritol are produced every year. This quantity could increase considerably if the trend of switching to erythritol spreads from Asia to Europe and the US. Astrid Mach-Aigner and Robert Mach from the Vienna University of Technology have already patented the new production process, together with the company ANNIKKI. "We have proven that the new production method works," says Robert Mach. "Now we want to improve it together with our industry partners so that it can be used for large-scale production."

Story Source:

The above story is based on materials provided by Vienna University of Technology, TU Vienna. The original article was written by Florian Aigner. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Birgit Jovanović, Robert L Mach, Astrid R Mach-Aigner. Erythritol production on wheat straw using Trichoderma reesei. AMB Express, 2014; 4 (1): 34 DOI:10.1186/s13568-014-0034-y

Cite This Page:

Vienna University of Technology, TU Vienna. "Sweet, sweet straw: Scientists learn to produce sweetener from straw and fungi." ScienceDaily. ScienceDaily, 24 June 2014. <www.sciencedaily.com/releases/2014/06/140624105850.htm>.

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quinta-feira, 27 de março de 2014

A biotecnologia e as preocupações jurídicas. Entrevista com Taysa Schiocchet

“O Direito trata os conhecimentos tradicionais como bens socioambientais, pois estão relacionados à prática cultural do meio social dessas coletividades e à manutenção e equilíbrio do meio ambiente em que vivem, na medida em que participam, através deste conhecimento, do manejo ecológico do ecossistema”, diz a pesquisadora.

Foto: Clickescolar 

O avanço biotecnológico tem suscitado algumas preocupações jurídicas no Brasil. Entre elas, como proteger os interesses das sociedades tradicionais e como repartir os benefícios gerados a partir da utilização dos conhecimentos tradicionais para o desenvolvimento de biotecnologias.

Segundo Taysa Schiocchet, a constante exploração econômica dos conhecimentos tradicionais e dos recursos naturais “visa à obtenção de patentes biotecnológicas pelas empresas, mas que, por não reconhecerem os conhecimentos tradicionais como inovação, não repartem com as comunidades os lucros obtidos, impondo uma racionalidade individualista e econômica aos grupos tradicionais”. Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail, a pesquisadora informa que “tem sido discutido no Direito em que medida o princípio constitucional da função social da propriedade(art. 5º, XXIII e art. 170, III da CF/88), que vincula a propriedade ao alcance de seu fim social e norteia a atividade econômica, poderia impedir e/ou compatibilizar essa prática”.

Com o objetivo de propor uma discussão sobre os impactos dos avanços tecnológicos na sociedade contemporânea e os impactos da biotecnologia nas chamadas sociedades tradicionais, o PPG em Direito da Unisinos promove o I Congresso de Direito, Biotecnologia e Sociedades Tradicionais, que acontece entre os dias 25 e 26-03-2014, na Unisinos. “Com o Congresso, pretendemos criar um espaço transdisciplinar de discussão para que o Direito possa lidar com essa realidade de maneira mais adequada”, afirma a pesquisadora.

De acordo com Taysa, “o acesso aos recursos biológicos ocorre, via de regra, acompanhado do conhecimento tradicional associado à biodiversidade das comunidades tradicionais, para o desenvolvimento de produtos farmacêuticos e cosméticos”. Nesse contexto, assinala, “o valor econômico acaba por determinar as relações de poder e seus beneficiários. Com isso, o mercado insiste em explorar a ciência, sob o argumento do desenvolvimento científico e tecnológico, bem como os detentores de saberes que possam ser explorados nessa mesma lógica desenvolvimentista, sem maiores preocupações com a proteção dos interesses dos sujeitos afetados ou mesmo ‘desapropriados’ de seus saberes”.

Taysa Schiocchet é graduada em Ciências Jurídicas e Sociais e mestre em Direito pelaUniversidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, e doutora em Direito das Relações Sociais pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, com tese intitulada Acesso e exploração de informação genética humana: da doação à repartição dos benefícios. Atualmente é professora do Programa de Pós-Graduação em Direito da Unisinos.
Foto: Youtube 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em que consiste o I Congresso de Direito, Biotecnologia e Sociedades Tradicionais? Quais são os principais temas a serem abordados?

Taysa Schiocchet - O Congresso é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa |BioTecJus| e do Programa de Pós-Graduação em Direito – PPGD da Unisinos, que propõe a discussão sobre os impactos dos avanços tecnológicos na sociedade contemporânea e, mais concretamente, os impactos da biotecnologia nas chamadas sociedades tradicionais — povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, etc.

Com o Congresso, pretendemos criar um espaço transdisciplinar de discussão para que o Direito possa lidar com essa realidade de maneira mais adequada. Para tanto, convidamos professores, pesquisadores e lideranças indígenas, os quais irão apresentar as diversas facetas dessa temática, seja do ponto de vista do Direito, da inovação tecnológica, da filosofia, da ética em pesquisa ou mesmo dos integrantes das sociedades tradicionais.

Os principais temas a serem tratados no evento são: biodiversidade e biopirataria; pesquisas em povos indígenas, consentimento e repartição dos benefícios; novas tecnologias e os saberes indígenas; produção, proteção e difusão dos conhecimentos tradicionais associados; experiências em inovação tecnológica, inclusão social e sustentabilidade; desastres biotecnológicos; e função social da propriedade intelectual e saber criativo.

IHU On-Line – Quais são as principais pesquisas relacionadas aos avanços biotecnológicos e como o Direito tem tratado de suas implicações jurídicas, éticas e sociais?

Taysa Schiocchet - As principais pesquisas dizem respeito à obtenção de recursos biológicos por meio de estratégias de bioprospecção para fins de exploração econômica, bem como de dados genéticos de comunidades indígenas, a exemplo dos Karitiana, em Rondônia, que tiveram o sangue coletado sem a sua autorização, visando à realização de testes genéticos e pesquisas posteriores.

O acesso aos recursos biológicos ocorre, via de regra, acompanhado do conhecimento tradicional associado à biodiversidade das comunidades tradicionais, para o desenvolvimento de produtos farmacêuticos e cosméticos. Para tanto, o Direito exige que essas comunidades forneçam o consentimento informado, bem como participem da repartição de benefícios oriundos dos resultados de tais pesquisas e desenvolvimento de produtos biotecnológicos.

Algumas formas de controle, ainda precárias, são a submissão de projetos de pesquisa para os Comitês de Ética em Pesquisa ou as propostas de acesso aos recursos genéticos ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético.
“A relação entre Ciência, mercado biotecnológico e povos indígenas não é rígida nem estática, e por isso é difícil de descrever” 

IHU On-Line – Quais são as principais preocupações jurídicas em torno dos avanços biotecnológicos?

Taysa Schiocchet - As preocupações giram em torno de duas situações. Por um lado, proteger os interesses das sociedades tradicionais, a partir da obtenção do consentimento prévio informado, bem como resguardar o meio ambiente em que vivem, a prática cultural e sua organização social. Por outro, realizar uma repartição de benefícios justa e que se coadune com as peculiaridades desses grupos.

Ambos os pressupostos estão previstos na Convenção de Diversidade Biológica e na Medida Provisória 2186-16/2001. Importa, assim, garantir a eticidade da pesquisa, de maneira a respeitar os participantes em sua dignidade e autonomia, sobretudo diante da vulnerabilidade deles. Além disso, avaliar os riscos e benefícios, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos ou riscos. Tais diretrizes constam na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que dita as normativas de atuação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e dos Comitês de Ética em Pesquisa.

IHU On-Line – Como se dá a exploração da biodiversidade brasileira e quais são as normativas legais para impedir essa prática? Como o Direito entende e trata, nesse sentido, os conhecimentos tradicionais?

Taysa Schiocchet - Inicialmente a exploração é realizada mediante estratégias de bioprospecção, com a obtenção dos recursos biológicos com o acesso direto à biodiversidade ou por meio do conhecimento tradicional associado das sociedades tradicionais, o que reduz o custo e o tempo de pesquisas, buscando o isolamento das substâncias e a identificação de princípios ativos. Em momento posterior, identificado o potencial econômico, a exploração se dá com a obtenção dos recursos da biodiversidade onde se encontram os princípios ativos/materiais genéticos identificados nas pesquisas.

A exploração econômica desses recursos visa igualmente à obtenção de patentes biotecnológicas pelas empresas, mas que, por não reconhecerem os conhecimentos tradicionais como inovação, não repartem com as comunidades os lucros obtidos, impondo uma racionalidade individualista e econômica aos grupos tradicionais. Tem sido discutido no Direito em que medida o princípio constitucional da função social da propriedade (art. 5º, XXIII e art. 70, III da CF/88), que vincula a propriedade ao alcance de seu fim social e norteia a atividade econômica, poderia impedir e/ou compatibilizar essa prática.

O direito trata os conhecimentos tradicionais como bens socioambientais, pois estão relacionados à prática cultural do meio social dessas coletividades e à manutenção e equilíbrio do meio ambiente em que vivem, na medida em que participam, através deste conhecimento, do manejo ecológico do ecossistema. Assim são as disposições da Convenção de Diversidade Biológica e da Declaração do Rio de Janeiro (princípio 22), e da Constituição Federal de 1988 (arts. 1º, III, 215, 216, 225 e 231).

No âmbito do Direito Internacional dos Direitos Humanos, notadamente na Convenção para a Proteção e Promoção da diversidade das expressões culturais da UNESCO (disposições preambulares), são considerados Direitos Humanos Culturais, reconhecendo a esses conhecimentos tradicionais sua importância e contribuição para o desenvolvimento sustentável.
“O Direito exige que essas comunidades forneçam o consentimento informado, bem como participem da repartição de benefícios oriundos dos resultados de tais pesquisas” 

IHU On-Line – Como tem se dado a relação entre a Ciência, o mercado biotecnológico e os povos indígenas? Quem se beneficia com essa relação?

Taysa Schiocchet - A relação entre ciência, mercado biotecnológico e povos indígenas não é rígida nem estática, e por isso é difícil de descrever. Em linhas gerais, é possível afirmar que ela tem se caracterizado pela visível desigualdade entre os atores envolvidos, pela divergência de valores que conduzem suas ações e práticas sociais e pela incorporação dos interesses e vantagens do mercado capitalista — muitas vezes como forma de “sobrevivência” — pela própria ciência e pelos povos indígenas.

Nesse contexto, o valor econômico acaba por determinar as relações de poder e seus beneficiários. Com isso, o mercado insiste em explorar a ciência, sob o argumento do desenvolvimento científico e tecnológico, bem como os detentores de saberes que possam ser explorados nessa mesma lógica desenvolvimentista, sem maiores preocupações com a proteção dos interesses dos sujeitos afetados ou mesmo “desapropriados” de seus saberes. Uma aposta promissora indica a universidade como uma figura crucial para equilibrar essa relação. Daí a necessidade de se apropriar adequadamente dos saberes tecnocientíficos, para dimensionar sua extensão e impactos, bem como dos valores que guiam a proteção das sociedades tradicionais e da vida planetária.

(EcoDebate, 27/03/2014) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nova geração de transgênicos, resistentes ao agrotóxico 2,4-D, pode deixar lavouras brasileiras mais tóxicas

Brasil pode ser o terceiro a aprovar plantio de sementes resistentes ao agrotóxico 2,4-D. Especialistas alertam que o possível aval da CTNBio à soja e ao milho aumente o uso do herbicida altamente tóxico.

No Brasil, 90% dos agrotóxicos são utilizados em oito commodities agrícolas

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) julga nesta quinta-feira (19/09) o pedido de aprovação de quatro modalidades de sementes transgênicas resistentes ao agrotóxico 2,4-D. São dois tipos de soja e dois tipos de milho.

O Brasil seria o terceiro a aprovar o plantio dessas variedades. Até o momento, o Canadá é o único que cultiva esse tipo de milho. Já essa versão de soja transgênica é aprovada, além do Canadá, também no Japão – mas a permissão no país asiático se restringe à plantação em campos isolados.

O pedido de liberação foi feito pela americana Dow AgroSciences, que também tem sede no Brasil e é uma das seis gigantes da indústria de sementes e agrotóxicos do mundo.

Segundo Leonardo Melgarejo, representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio e avaliador de uma das sementes solicitadas pela Dow, existem “riscos alarmantes” na aprovação das sementes. “Nós estamos passando agora para a possibilidade de aplicação via aérea de produtos de alta periculosidade”, afirma.

O 2,4-D é um dos componentes do chamado Agente Laranja, utilizado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Ele é o terceiro agrotóxico mais utilizado no Brasil (5%), depois do glifosato (29%) e do óleo mineral (6%). De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regulamenta e avalia a toxicidade de agrotóxicos, o 2,4-D é classificado com o nível de toxicidade mais elevado.

Efeito reverso
Lavoura de soja no Cerrado brasileiro

A aprovação das sementes resistente ao 2,4-D pode levar a um efeito contrário: especialistas alertam que o uso do agrotóxico pode aumentar. Em artigo publicado na revista científicaEnvironmental Science Europe, Chuck Benbrook, da Universidade do Estado de Washington, prevê um aumento de 50% no uso do 2.4-D nos Estados Unidos caso as novas sementes sejam aprovadas neste país.

O Centro de Segurança Alimentar dos Estados Unidos prevê que o uso do herbicida isoxaflutole aumentará quatro vezes devido à aprovação nos EUA de uma modalidade de milho resistente a este herbicida.

No Brasil, Victor Pelaez, diretor do Observatório da Indústria de Agrotóxicos e professor na Universidade Federal do Paraná, lembra que, quando a primeira soja transgênica foi aprovada, umas das possíveis vantagens apresentadas seria a diminuição do uso do agrotóxico glifosato. Oito anos depois, o glifosato continua sendo o agrotóxico mais utilizado no Brasil. Pesquisas do Observatório apontam que, após a utilização da soja transgênica no Rio Grande do Sul, ainda de maneira ilegal, entre 2000 e 2004, o consumo do glifosato aumentou 162%.

Esse consumo levou ao desenvolvimento de pragas resistentes e, por consequência, à necessidade de sementes tolerantes a herbicidas mais tóxicos. “Do ponto de vista tecnológico, é um retrocesso. Seja porque se tem que utilizar mais quantidade do glifosato que é menos tóxico, seja porque tem que se usar também produtos mais tóxicos. Isso era a crônica da morte anunciada. Todo mundo da área sabia disso”, analisa Pelaez.

Segundo a Dow, não há uma relação entre o uso elevado dos agrotóxicos e o uso de transgênicos. “As taxas de uso de herbicidas está já crescendo devido à resistência ao glifosato, e irá crescer ainda mais sem a nova tecnologia para ajudar a lidar com essa situação”, afirma Garry Hilman, porta-voz da empresa. Segundo ele, as novas sementes vão permitir que as ervas daninhas não desenvolvam resistência a um tipo específico de agrotóxico.

Aos ser questionado sobre a relutância de alguns países à aprovação das sementes tolerantes ao 2,4-D, a empresa afirma que se deve aos trâmites burocráticos dos países. “Nós estamos confiantes que os legisladores nas principais nações produtoras irão reconhecer os diversos benefícios desta nova tecnologia tanto para os produtores agrícolas como para o meio ambiente.”

Para a Secretaria Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), as novas sementes não resolverão o problema do que tem se chamado de “falha tecnológica”. “Essas variedades, assim como as que as antecederam, chamadas de ‘melhoradas’, termo que não utilizo pois apenas foram selecionadas em laboratório, não melhoraram em nada a agricultura, pois causou uma grande redução na base genética das culturas alimentares”, afirma o MPA em declaração à DW Brasil.

Passado sombrio
Operação “Mão de Fazendeiro” despejou cerca de 45 milhões de litros de Agente Laranja no Vietnã

O 2,4-D ficou mundialmente conhecido por compor o Agente Laranja, utilizado para desfolhar as florestas e expor vietnamitas ao ataque dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Milhões de pessoas morreram devido à operação conhecida como “Mão de fazendeiro” e, 30 anos depois, a substância química ainda é encontrado na terra e água do país, levando a defeitos genéticos em várias gerações.

A Dow AgroSciences, junto com três outras empresas do ramo de biotecnologia, montou a Força Tarefa 2,4-D, com o objetivo de divulgar informações sobre o herbicida. Elas afirmam que a vinculação com o Agente Laranja é um equívoco, pois os efeitos letais deste químico seriam causados pela dioxina, um resíduo da mistura dos componentes 2,4-D e 2,4,5-T da fórmula do Agente Laranja.

No entanto, especialistas apontam que a toxicidade do 2,4-D independe de sua vinculação com a dioxina. Em nome da Academia Americana de Medicina e Meio Ambiente, Robin A. Bernhoft afirma que “o 2,4-D é considerado a causa de todos os cânceres e defeitos genéticos nos filhos de ex-combatentes americanos no Vietnã e de vietnamitas causados pelo Agente Laranja”.

A questão reside também na qualidade do 2,4-D utilizado. Benbrook aponta o risco de que maior parte do 2,4-D usado no Brasil seja importado da China, com altos níveis de dioxina. “Eu concordo que o 2,4-D da Dow é muito mais limpo do que o dos 1970, mas quem pode garantir que os agricultores brasileiros irão comprar o 2,4-D mais caro e mais limpo?”, questiona.

Melgarejo aponta para o mesmo problema, devido à utilização da forma de 2,4-D conhecida como éster butílico, considerada mais perigosa por formar mini-gotículas que dispersam facilmente no meio ambiente.

“Nesse caso, o produto dança no ar, ele se desloca por grandes áreas e pode afetar muitas outras culturas. É uma formulação mais barata, porque mais perigosa”, esclarece. “As empresas afirmam que não vão vender no Brasil. Mas nada impede que entre por contrabando”, alerta Melgarejo.

Os riscos do 2,4-D-éster-butílico levaram a Autoridade Australiana para Medicina Veterinária e Agrotóxicos (APVMA) a cancelar, em agosto, a autorização do uso dessa modalidade de herbicida na Austrália alegando “riscos ambientais inaceitáveis”.

Aprovação
Aproximadamente 90% da soja plantada no Brasil é transgênica, segundo CIB

O Brasil já aprovou 56 organismos geneticamente modificados. Das 31 plantas, contando com sementes e algodão, 25 possuem alteração para resistir a agrotóxicos e doze são tolerantes a mais de um herbicida ou inseticida. A tolerância, em grande maioria, é aos agrotóxicos glifosato e glufosinato de amônico, ambos de baixa toxicidade.

As duas modalidades de milho e de soja foram apresentadas pela empresa Dow no ano de 2012 e 2013 para liberação comercial. Quando concedida, a liberação permite a venda das sementes transgênicas para plantação, seu consumo direto em alimentos e derivados, assim como utilização em rações animais.

Caso as sementes resistentes ao 2,4-D sejam aprovadas pela CTNBio, o processo é encaminhado ao Conselho Nacional de Segurança, que pode deferir ou indeferir a decisão da Comissão.

Matéria de Joana Brandão Tavares na Agência Deutsche Welle, DW, publicada peloEcoDebate, 20/09/2013

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Biotecnologia sustentável

O Brasil abriga cerca de 13% da variedade de seres vivos do planeta, entre espécies de animais e plantas. É o país com a maior biodiversidade do mundo. Mas como a maioria dos países em desenvolvimento, está num dilema: usar todos os recursos naturais para chegar ao nível econômico dos desenvolvidos, e acabar com toda a riqueza de seus ambientes naturais, ou optar por uma forma de desenvolvimento sustentável. Isto significa levar em conta a biodiversidade como a maior riqueza de uma nação, e explorá-la de forma inteligente e respeitosa.

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), foi assinada, por mais de 160 países, a Convenção sobre Diversidade Biológica, que é estruturada em três bases principais: a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável da biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos benefícios dos recursos genéticos. O acordo é um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados ao ambiente.

A biodiversidade é a base da sustentabilidade. Ela purifica a água e mantém o solo fértil para o plantio. “Por mais que possamos desenvolver e operar máquinas incríveis, o nosso corpo, a nossa biologia ainda é de Homo sapiens: que precisa de água para beber, alimentos orgânicos para se alimentar, ar puro para respirar. Por mais tecnológico que a gente seja, ainda não comemos chip velho de computador”, diz a bióloga Marcia Chame, coordenadora do Programa de Biodiversidade e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A grandiosidade da biodiversidade brasileira não é proporcional ao investimento em pesquisa ambiental. Muitas vezes ecossistemas são destruídos antes mesmo de se conhecer as plantas medicinais, biocidas, aromas, pigmentos ou venenos que poderiam ser aproveitados na medicina ou na agricultura. Marcia Chame cita o exemplo da caatinga, que é destruída para dar lugar a plantações de mamona ou soja, antes de os cientistas conhecerem as plantas e animais nativos. “No Brasil a gente tem tanta biodiversidade que talvez o nosso problema seja abundância”, avalia a pesquisadora.

'Conhecimento tradicional economiza anos de pesquisa'

A bióloga defende a criação de um planejamento de desenvolvimento que seja harmonioso. “Conservar a natureza não impede o desenvolvimento. Só não dá para continuar insistindo num modelo de 500 anos atrás, de monocultura de plantas que não são nativas, como cana de açúcar ou soja. Desta forma, perde-se um potencial gigantesco do país. Quem vai fazer deste país diferente somos nós, mais ninguém”, afirma. O investimento governamental em pesquisa, a valorização das plantas nacionais, o uso de sementes crioulas (selecionadas aos ambientes nacionais) e a conservação dos ecossistemas naturais são questões estratégicas para a soberania econômica e ambiental do país.

Os cientistas, brasileiros e estrangeiros, costumam recorrer ao conhecimento tradicional: ao quilombola, ao índio, ao ribeirinho, que detém conhecimento milenar passado entre gerações sobre a biodiversidade, para buscar novas substancias para fazer remédios, biocidas, aromas e muitas coisas. “Este conhecimento economiza anos em pesquisa científica, economiza milhões de dólares”, destaca Marcia Chame.

Então de acordo com os princípios da Convenção da Diversidade Biológica os lucros obtidos com a venda dos produtos que tiveram como base a biodiversidade e o conhecimento tradicional a ele associado merece ser dividido entre aqueles que forneceram a informação valiosa sobre suas características, os pesquisadores/empresa que desenvolveu o novo produto e o País que detém a espécie que originou o produto. Para garantir que essa repartição seja feita, o Brasil tem uma legislação específica que obriga a todos que queriam fazer uso da biodiversidade com fins comerciais. No Brasil, o uso comercial de espécies nativas passa por uma regulação do governo. Para usá-las, a empresa ou instituição de pesquisa deve fazer um pedido de licenciamento.

A Convenção sobre Diversidade Biológica previu a criação de um Fundo Global para ajudar os países em desenvolvimento a conhecer e preservar a própria biodiversidade. De lá para cá, muitos animais e plantas em risco de extinção foram identificados e houve ações para preservá-los, como a criação de parques nacionais, com o objetivo de preservar os biomas brasileiros e demarcar reservas indígenas. Mas ainda há muito a fazer para que a biodiversidade não suma do mapa. .

(Rovena Rosa)

Para saber mais:




Data: 16.07.2013
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