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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Revista Comciência lança livro com seleção de textos sobre divulgação científica

09.07.2018

Publicação de 274 páginas (livre para download) marca a edição 200 da revista de jornalismo científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp
ComCiência e divulgação científica [clique aqui para fazer o download, 274 páginas, formato PDF]marca a edição número 200 da revista ComCiência, celebrando quase 20 anos de uma trajetória de experiências e experimentações na divulgação científica e cultural.

O livro é dividido em três partes. A primeira delas traz artigos já publicados na revista, na edição nº 197 (Especial Divulgação Científica), além de contar com alguns textos inéditos de colaboradores nacionais e internacionais.

A segunda parte contempla textos elaborados pelos alunos da décima turma do curso de especialização em jornalismo científico e cultural do Labjor. Eles reportam diversas faces da comunicação científica, e apresentam questões que vão do jornalismo de dados aos desafios para que a divulgação se consolide ainda mais tanto no Brasil quanto na América Latina.

A terceira parte é uma rememoração especial. Há 10 anos, a revista ComCiência trazia uma edição comemorativa, em seu 100º dossiê. Parte dessa obra foi incorporada neste livro, com algumas poucas atualizações nos textos selecionados, limitando-se basicamente às novas normas gramaticais vigentes.

Em se tratando de homenagens, destacamos também o selo artístico da edição número 100, elaborado pelo artista gráfico João Baptista da Costa Aguiar, falecido em 2017. Pedimos que sua filha Rita reproduzisse a imagem, agora com o número da edição 200. Gentilmente atendidos, a imagem estampa a primeira seção deste livro, em homenagem ao artista.

Os textos da edição 100, que retratam o panorama analisado e vislumbrado em 2008, permanecem atualíssimos, e ajudam a todos que querem compreender os percursos da divulgação científica no Brasil ao longo do tempo. Trazem experiências riquíssimas em museus, televisão, estudos culturais, livros.

É preciso assinalar que este compêndio chega ao público no mês em que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) completa 70 anos de atividades, em um momento especialmente desafiador para a comunidade científica do país, agudamente ameaçada por uma política de subfinanciamento, desmonte e precarização da pesquisa nacional.

Este livro, em seu conjunto, traz grande parte dos autores que trabalham – e batalham – pela área de divulgação há tempos no Brasil, e esperamos que seja um aporte proveitoso e de referência para a área.

Carlos Vogt, Marina Gomes e Ricardo Muniz
(imagem de abertura: Camila P. Cunha)

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Does biodiversity loss leads to an increased disease risk?

Date: July 18, 2018 Source: The University of Montana Summary: Biodiversity is disappearing at an alarming rate as infectious diseases increasingly spill over from wildlife to humans. Disease ecologists fervently debate whether biodiversity loss leads to an increased disease risk. Now, a new study offers some answers.
UM population and disease ecology Assistant Professor Andrea Luis reads the eartag of a deer mouse as part of a hantavirus study.
Credit: Angela Luis

Biodiversity is disappearing at an alarming rate as infectious diseases increasingly spill over from wildlife to humans. Disease ecologists fervently debate whether biodiversity loss leads to an increased disease risk. Now, a University of Montana researcher has published a new study with some answers.

UM Assistant Professor Angela Luis shows for the first time that species diversity can have both positive and negative influences on disease transmission in the same host-pathogen system at the same time in her article published in the Proceedings of the National Academy of Sciences.

For a number of species, a more diverse community decreases infection risk, termed "the dilution effect," because biodiversity dilutes infection. If this is a widespread phenomenon, then preserving biodiversity is a win-win for both animal conservation and human health.

However, a debate rages about how general this phenomenon is since, for some systems, a more diverse community increases disease risk, termed the "amplification" effect. For other systems, biodiversity has no consistent effect, leaving its relationship to disease unidentified.

In the latest issue of PNAS, Luis, a disease ecologist, shows that the Sin Nombre hantavirus among rodents displays a significant dilution effect. Areas with a more diverse rodent community have lower hantavirus prevalence among deer mice, which are the main reservoir for the disease. When the virus spills over into humans, it causes hantavirus pulmonary syndrome, which has infected more than 700 people and killed about 1 in 3 since its discovery in 1993.

Luis' study shows deer mouse density causes the dilution effect. In more diverse communities -- with more rodent species present in the same area -- there tend to be fewer mice due to competition, and disease spread slows down.

However, for a given mouse density, as rodent species diversity increases, infection spreads faster in a "component amplification effect" as mice become stressed and their immunity decreases. Therefore both dilution and amplification occur in the same system at the same time.

It's not as simple as more biodiversity means less disease.

"It's been wild to see the debate among disease ecologists in the literature and at conferences. It has been heated at times," Luis said. "Although this study doesn't resolve the debate, it provides an interesting perspective -- the inconsistent findings of whether diversity increases or decreases disease risk may be resolved by delving into the different mechanisms determining disease transmission."

Story Source:

Materials provided by The University of Montana. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Angela D. Luis, Amy J. Kuenzi, James N. Mills. Species diversity concurrently dilutes and amplifies transmission in a zoonotic host–pathogen system through competing mechanisms. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2018; 201807106 DOI: 10.1073/pnas.1807106115

Cite This Page:
The University of Montana. "Does biodiversity loss leads to an increased disease risk?." ScienceDaily. ScienceDaily, 18 July 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/07/180718152240.htm>.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Quatis se automedicam e transmitem o comportamento entre gerações

Link:


25/04/2018 

Estudo em ilha catarinense identifica animais que “espumam-se” com produtos de limpeza humanos

Produtos de limpeza humanos são usados em áreas úmidas e quentes do corpo, onde normalmente se desenvolvem bactérias e fungos – Foto: Halley Pacheco de Oliveira via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

É natural ver os quatis sul-americanos esfregar seus corpos com artrópodes, como o piolho-de-cobra, e secreções de plantas. O hábito, acreditam os biólogos, os ajuda a repelir mosquitos e carrapatos. Mas um grupo desses animais, que vive no sul do Brasil, vem se familiarizando com produtos de higiene humana para “automedicação”. É o que aponta estudo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e da Universidad del Rosario da Colômbia.

Moradores da Ilha Campeche na cidade de Florianópolis, Santa Catarina (SC), esses quatis esfregam sabonetes, sabão em pó e até desengordurante líquido no corpo. “Esses produtos costumam ser deixados por turistas, visitantes e moradores da ilha, que é um local turístico”, explica Aline Gasco, doutora em Ciências pela FFCLRP e uma das autoras do estudo.

O ato de esfregar (chamado de unção) é realizado entre o grupo em sessões que duram de alguns segundos até cinco minutos. Normalmente, usam as patas, boca, nariz e dentes para aplicar o produto na região genital e na cauda, “nessas áreas, úmidas e quentes do corpo, onde normalmente se desenvolvem bactérias e fungos”, afirma.

Para o professor Andrés M. Pérez-Acosta, da Universidad del Rosario, o comportamento pode ser uma nova variação da cultura da automedicação e “uma novidade dentre os carnívoros para aliviar irritação e coceira causadas por ectoparasitas”.
O ato de esfregar (chamado de unção) é realizado entre o grupo em sessões que duram de alguns segundos até cinco minutos – Foto: Quartl via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

Além disso, o estudo aponta que esse comportamento de automedicação existe há mais de uma década e se transformou numa aprendizagem social transmitida entre gerações. “A plasticidade comportamental e motivação em explorar novas situações é característica dos quatis”, diz Aline.

O quati (mamífero carnívoro) não é nativo da Ilha de Campeche. Segundo relatórios não oficiais, um casal adulto da espécie foi capturado na cidade de Palhoça (SC) em 1950 para ser introduzido na ilha. “Embora exótica, essa população de quatis oferece uma oportunidade rara de se estudar a cultura da automedicação em animais”, comenta a orientadora da pesquisa, professora Patrícia Ferreira Monticelli. Antes de ser vistos como problema, diz a professora que é preciso melhorar a gestão dos resíduos orgânicos na ilha e o hábito dos turistas de alimentar os animais.

Os pesquisadores propõem o monitoramento desses animais para avaliar “os níveis de infestação ectoparasitária na tentativa de relacioná-la ao uso dos produtos de higiene humanos”. Este trabalho, segundo eles, requer uma abordagem multidisciplinar para entender completamente o “comportamento de automedicação com produtos de limpeza humanos”.

O estudo Ring-tailed coatis anointing with soap: a new variation of self-medication culture? foi publicado no International Journal of Comparative Psychology. Pérez-Acosta foi professor visitante da USP em 2015, quando trabalhou com Aline e Patrícia.

Mais informações: e-mail pmonticelli@ffclrp.usp.br, com Patrícia Monticelli

sábado, 24 de março de 2018

The universal language of hormones

Date: March 22, 2018 Source: Julius-Maximilians-Universität Würzburg, JMU Summary: Bioinformatics specialists have studied a specific class of hormones which is relevant for plants, bacteria and indirectly for humans, too. Their results challenge previous scientific assumptions.
Elena Bencurova analysed 123 organisms and subjected their proteins to detailed motif analyses.
Credit: Image courtesy of JMU

Bioinformatics specialists from the University of Würzburg have studied a specific class of hormones which is relevant for plants, bacteria and indirectly for humans, too. Their results challenge previous scientific assumptions.

Cytokinins are a class of hormones mainly found in plants. They regulate plant growth and development and delay the ageing process, for example. Moreover, current studies show that cytokinins also play a vital role when the plant fights pathogens by making it resistant to specific disease-causing agents. But the doings of cytokinins are not limited to the plant kingdom: The hormones also occur in animal tissues as well as in bacteria, fungi and algae.

Bioinformatics scientists from the University of Würzburg have recently uncovered new details of how cytokinins evolve that challenge previous assumptions. The study involved Professor Thomas Dandekar, who holds the Chair of Bioinformatics, and his co-workers Dr. Muhammad Naseem and Dr. Elena Bencurova. They published their findings in the current issue of the journal Trends in Biochemical Sciences.

Databases in need of overhaul

Previously, the enzymes which activate cytokinins were thought to belong to the class of lysine decarboxylases. But that is not the case: "Our research has shown beyond doubt that these enzymes do not exhibit any decarboxylase activity. They use a different biochemical channel to activate cytokinins," Thomas Dandekar explains. Accordingly, he believes that these annotations now need to be removed from the relevant databases.

Elena Bencurova examined 123 proteins from diverse organisms for this study, subjecting their proteins to detailed motif analyses, or as she puts it, performed a protein sequence analysis. She was interested in the enzymes that activate the cytokinins -- the so-called "lonely guy enzymes" (LOG). Thomas Dandekar explains where the unusual name comes from: "Flowers of a rice mutant only had a stamen but no pistil. This mutation of lonely stamens was therefore baptised 'lonely guy'."

Telltale patterns in the sequence analysis

The young scientist looked for patterns in these amino acid sequences that are characteristic of lysine decarboxylases. But she wasn't able to spot any. Instead, Elena Bencurova identified a pattern that corresponds to the LOG enzymes and decoded four subclasses in the process.

What sounds like a discovery that is relevant for a small group of specialists only actually has far-reaching consequences. "In sum, our latest findings now allow us to get a better understanding of this universal communication mechanism of bacteria, plants and animals," says Thomas Dandekar. "Dr. Muhammad Naseem from our working group significantly contributed to this success. He has been a professor at the Zayed University in Abu Dhabi since January because of his system biological publications on cytokinins. This opens up various fields of applications -- from plants to humans."

Skin cream and tuberculosis

"Human skin cells understand the language of cytokinins," the biochemist says. As an ingredient in skin creams, they could thus protect the cells against harmful influences and slow down the ageing process. However, separate studies on the subject showed that it is all about the right dosage: "In low doses, cytokinins protect the cells. High levels in contrast are harmful," says Dandekar.

Cytokinins have an indirect effect on humans, for example when they are active in the pathogens that cause tuberculosis. They enable the pathogens to manipulate their environment, the respiratory epithelium, in a way that makes it easier for the bacteria to settle and more difficult for the immune system or drugs to fight them (findings by Samanovic et al., Mol Cell 2015).

When it comes to breeding plants, the knowledge on the universal cytokinin language of Naseem, Dandekar and their colleagues can contribute to warning the plants more efficiently against pathogens and activating their defence mechanisms as demonstrated in dedicated studies on thale cress.

More research necessary

"Cytokinins speak a universal hormone language that is understood by many living beings and produces the most diverse results," Thomas Dandekar sums up the central finding of the bioinformatics overview now published. However, a lot of research is still necessary until all details of this language have been understood. Accordingly, the current research result is only "a small step forward within a much bigger context," Elena Bencurova adds. Albeit, a step that creates the foundations for further insights.

Story Source:

Materials provided by Julius-Maximilians-Universität Würzburg, JMU. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Muhammad Naseem, Elena Bencurova, Thomas Dandekar. The Cytokinin-Activating LOG-Family Proteins Are Not Lysine Decarboxylases. Trends in Biochemical Sciences, 2018; DOI: 10.1016/j.tibs.2018.01.002

Cite This Page:
Julius-Maximilians-Universität Würzburg, JMU. "The universal language of hormones." ScienceDaily. ScienceDaily, 22 March 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/03/180322113145.htm>.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Lesma marinha é capaz de realizar fotossíntese

Texto: 
Giovanna Brito Lins - Bacharelado em Ciência e Tecnologia e bacharelado em Biologia - UFABC - Universidade Federal do ABC

Mesmo pertencente ao reino Metazoa, cujos organismos são todos heterótrofos, a lesma marinha Elysia chlorotica apresenta capacidade de realizar fotossíntese, processo pelo qual plantas, algas e algumas bactérias obtêm energia a partir de gás carbônico, água e luz. 

A curiosa moradora de pântanos salgados e enseadas da costa Atlântica dos EUA ao Canadá pode viver até dez meses e crescer até 6 centímetros. Na fase juvenil, quando possui coloração acastanhada, este molusco se alimenta exclusivamente da alga Vaucheria litorea. No entanto, ao invés de digerir toda a matéria orgânica, preserva e retém os cloroplastos (organelas celulares que contém a clorofila, pigmento responsável pela absorção de energia luminosa; e onde ocorre a fotossíntese) em um processo chamado cleptoplastia, tornando-se esverdeada durante seu desenvolvimento.

Segundo Rumpho et al. (1996), esse processo é mais curioso ainda por outras razões, tais como: o metabolismo do animal é capaz, na digestão, de separar apenas a organela e não incorporar um outro organismo autônomo e o seu genoma, como em uma endossimbiose. Os cloroplastos ficam armazenados dentro das células da lesma, e não dentro de um vacúolo ou entre as células. Os cloroplastos podem continuar a funcionar plenamente por vários meses, ainda que sem a presença de nenhum dos componentes citosólicos procariontes, tanto que em dado momento da vida, a Elysia chlorotica pode sobreviver apenas realizando fotossíntese, como comprovado por Pierce et al. (1999) em laboratório. O que tornam esta uma atividade única encontrada somente em outros membros do gênero desta lesma. 

Pode-se concluir, portanto, que este invertebrado do mar é heterótrofo, como todos os animais, mas desenvolveu um processo semelhante à endossimbiose com características singulares entre os seres vivos. A importância e aplicabilidade do conhecimento envolvendo a E. chlorotica estão relacionadas aos estudos filogenéticos de transferência horizontal de genes e transgenia. 

Para saber mais sobre a lesma marinha: 

Vídeo dela se alimentando: 

Nicho e habitat: 

Definição de cleptoplastia: 

PIERCE, S.K., et al. (1999) Annual Viral Expression in a Sea Slug Population: Life Cycle Control and Symbiotic Chloroplast Maintenance em: www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.2307/1542990 (apenas o abstract) 

Imagens do experimento acima: 

RUMPHO, E.M. et al. (1996) Chloroplast genes are expressed during intracellular symbiotic association of Vaucheria litorea plastids with the sea slug Elysia chlorotica http://m.pnas.org/content/93/22/12333.full.pdf

Outras informações e imagens: 
Por Karen N. Pelletreau et al. - http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0097477, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=38619279

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Pesquisadores da UFSCar criam método simples para diagnosticar Alzheimer

ABr
Biomarcador para detecção de Alzheimer criado por cientistas da Universidade de São Carlos. Foto: Divulgacão Ufscar

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um método simples, rápido e de baixo custo para detectar a doença de Alzheimer. Atualmente, os médicos contam apenas com técnicas pouco precisas para o diagnóstico, como tomografia, ressonância magnética e análise clínica dos sintomas.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência em pessoas idosas, uma doença progressiva que não tem cura, que destrói a memória e outras funções mentais..A causa ainda é desconhecida, mas pode ter relação com a genética. “É muito difícil diferenciar o Alzheimer de outras demências. Normalmente, pessoas idosas tendem a ter mais demências e 60% delas são relacionadas ao Alzheimer”, disse o professor do Departamento de Química da UFSCar Ronaldo Censi Faria, um dos responsáveis pelo estudo.

Na pesquisa, os cientistas notaram que pacientes com Alzheimer apresentam alteração na proteína ADAM10, presente no sangue. Para comprovar a alteração, foram selecionados 24 voluntários com mais de 60 anos, divididos entre saudáveis, portadores de Alzheimer e de transtorno neurocognitivo leve (considerado o pré-Alzheimer). A etapa foi coordenada pela professora Márcia Regina Cominetti, do Departamento de Gerontologia.

A conclusão foi que a proteína apresentava alterações tanto nos pacientes portadores de Alzheimer, como nos de pré-Alzheimer. “Nesse universo pequeno de 24 indivíduos ficou bem notória a diferença nos valores da ADAM10. Isso mostra que [o método] tem uma boa precisão”, afirmou o professor.

O exame foi feito com o uso de biomarcadores, cujo custo material não passa de R$ 3, tornando possível identificar diferentes estágios da doença e até mesmo predisposição ao Alzheimer, segundo a pesquisa. Uma pequena quantidade de sangue é tratada com partículas magnéticas que são capturadas por um imã. A concentração é determinada com um dispositivo sensor descartável. O nível do biomarcador tende a aumentar dependendo do grau da doença.

Em termos de custo, essa tecnologia é vantajosa por ser mais acessível à população, uma vez que o valor cobrado pela tomografia computadorizada gira em torno de 400 a 800 reais. Outra vantagem do biomarcador é que, se descoberto de forma precoce, o tratamento do Alzheimer pode até retardar o avanço da doença. Os métodos atuais só detectam a doença em estágios mais avançados.

Segundo os pesquisadores, a patente do biomarcador já foi registrada, mas a previsão é que o produto leve de cinco a 10 anos para chegar ao mercado. A próxima etapa do estudo será a ampliação do número de voluntários para 200 a 300.

Por Fernanda Cruz, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/02/2017

Doctors prescribe more antibiotics when expectations are high, study says

New experimental evidence finds link between expectations, prescribing

Date: February 16, 2017

Source:
American Psychological AssociationSummary:Experimental evidence confirms what surveys have long suggested: Physicians are more likely to prescribe antibiotics when they believe there is a high expectation of it from their patients, even if they think the probability of bacterial infection is low and antibiotics would not be effective, according to a study.

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Na luta contra o câncer, estatísticos têm papel fundamental em ensaios clínicos

08/03/2016

Quando uma substância chega à fase dos testes com humanos, é preciso tomar uma decisão que impactará todo o ensaio clínico


Nos profundos olhos azuis do bioestatístico André Rogatko, paira uma dose de frustração. Esse brasileiro participa da luta contra o câncer desde 1985 e hoje é diretor de Bioestatística e Bioinformática no centro de pesquisa do Cedars-Sinai Samuel Oschin Comprehensive Cancer Institute, localizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde começou a trabalhar em 2008. Sua batalha é travada no campo dos métodos estatísticos usados no início dos ensaios clínicos com uma nova substância, a qual tenha demonstrado anteriormente, em testes em laboratório in vitro e com animais, que poderá ter algum efeito no combate ao câncer. Esse primeiro passo é bastante crítico porque é quando a substância passa a ser utilizada pela primeira vez nos seres humanos, uma fase que determinará qual dose deverá ser administrada aos pacientes nas próximas etapas dos testes.
Foto: Divulgação

“Mas não adianta eu demonstrar, estatisticamente, que um método é melhor do que o outro para ele ser adotado. Esse universo de pesquisa é complexo, a indústria farmacêutica gasta milhões de dólares nesses estudos e há aspectos culturais, sociais, burocráticos e éticos que devem ser considerados”, pondera Rogatko, enquanto toma uma água em um dos intervalos do 4° Workshop de Métodos Estatísticos e Probabilísticos, em São Carlos. A convite dos organizadores do evento – promovido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) –, o especialista veio ao país especialmente para ministrar um minicurso explicando como funciona o método estatístico que desenvolveu em parceira com outros três pesquisadores e está disponível na internet. Chamado de Escalation With Overdose Control (EWOC), o método foi empregado na fase 1 de diversos ensaios clínicos, alguns deles realizados pela Novartis, uma das maiores indústrias farmacêuticas do mundo, e já foi utilizado em mais de 20 ensaios clínicos publicados.

Nesse método, é fornecida uma dose inicial da substância que está sendo pesquisada para os pacientes e a decisão em relação ao aumento ou à diminuição da dose que será administrada aos próximos pacientes dependerá dos resultados observados nos primeiros participantes dos testes. Esses resultados são obtidos por meio de exames, que identificam a evolução da doença, e por meio da observação dos possíveis efeitos colaterais, que são classificados em níveis de toxicidade, de acordo com o estabelecido pelos órgãos reguladores. Dessa forma, a dose vai sendo adaptada ao longo do processo, a partir das informações estatísticas que são inseridas no modelo. “Nosso desafio nesses testes é encontrar qual é a maior dose tolerável ou a dose de segurança. O ideal é nunca fornecermos aos pacientes doses muito distantes desse valor. Porque com uma dose superior corremos o risco de aparecer toxicidades ou até ocorrer mortes. Por outro lado, se o valor for muito menor, o tratamento poderá não ter qualquer efeito terapêutico”, explica o pesquisador.

Um novo ponto de vista
Foto: Divulgação

A questão é que Rogatko construiu um método adaptativo para encontrar a maior dose tolerável – estatisticamente, ele emprega a chamada Inferência Bayesiana –, rompendo com o modelo mais tradicional utilizado na fase 1 dos testes clínicos, chamado de método Modified Fibonacci Up and Down ou simplesmente 3 3. Grosso modo, o método tradicional apenas fornece a dose inicial para um número pequeno de pacientes e analisam-se os resultados. Quando a toxicidade é baixa, prosseguem-se os testes com mais pacientes, aumentando-se a dose no percentual pré-estabelecido durante o início dos testes. No momento em que os pacientes começam a apresentar algum nível mais preocupante de toxicidade (algo como 2 e 3 em uma tabela que vai até 5), a dose de segurança é estabelecida como sendo a imediatamente anterior.

“O problema é a pouca precisão desse método tradicional: um número reduzido de pacientes é tratado com a dose de segurança que foi determinada. Alguns especialistas argumentam que tudo será resolvido na fase 2, quando mais pacientes passarão a participar dos testes. Mas há um erro lógico aí: você já parou de procurar a dose e ela pode estar errada”, defende o pesquisador.

De fato, se a dose encontrada for muito alta, rapidamente o equívoco será constatado: os próximos pacientes sentirão as consequências e logo os testes cessarão. É provável que a substância seja considerada muito tóxica e a pesquisa não prossiga. Por outro lado, se a dose encontrada for muito baixa, a possível dedução é que o medicamento é ineficaz. Analisando sob o ponto de vista de Rogatko, compreendemos que, na verdade, essas duas conclusões são precipitadas, nascidas de um mero erro conceitual.
Comparar é preciso

De acordo com o bioestatístico, existem atualmente cerca de 771 medicamentos para tratar o câncer em desenvolvimento nos Estados Unidos e cerca de 2,8 mil ensaios clínicos na fase 1 sendo realizados no país (veja mais). Os pacientes selecionados para participar dessa fase têm um perfil bem definido: são aqueles que não apresentaram qualquer melhora usando os tratamentos já disponíveis e têm a esperança de obter a cura engajando-se nas pesquisas com as novas substâncias. No entanto, um estudo publicado no The New England Journal of Medicine em 2005 (Risks and Benefits of Phase 1 Oncology Trials, 1991 through 2002) demonstrou que apenas 10% desses pacientes conquistaram algum benefício participando dos testes.

O pesquisador brasileiro garante que mais pacientes poderão ser beneficiados se o método EWOC for utilizado: “Realizamos simulações comparando o método tradicional com o EWOC: no tradicional, apenas 35% dos pacientes que participam dos testes são tratados com doses ótimas, ou seja, próximas à maior dose tolerável estabelecida. No EWOC, esse índice chega a 55%” (leia o artigo).
Foto: Divulgação

Apesar dos bons resultados apresentados, o EWOC ainda é utilizado na fase 1 de um percentual muito reduzido de ensaios clínicos. Movido pelo desafio de investigar cientificamente a questão, Rogatko analisou os métodos estatísticos empregados nessa fase que foram registrados entre 1991 e 2006 no banco de dados Science Citation Index. Descobriu que apenas 3 dos 1.235 trabalhos encontrados empregavam o EWOC, como pode ser visto no artigo Translation of Innovative Designs Into Phase I Trials, publicado no Journal of Clinical Oncologyem novembro de 2007. É como se o pesquisador comprovasse, por meio de evidências, que sua frustração tem respaldo científico.

Ele explica que o número de pacientes necessários para realizar a fase 1 dos estudos clínicos é relativamente pequeno quando se usa o método tradicional. Considerando-se que o custo de ter um participante nesse tipo de teste é muito alto, é economicamente positivo reduzir esse número. “Mas se a precisão da estimativa da dose ficar comprometida, não vale a pena ter mais pacientes para assegurar uma maior exatidão?”, questiona o pesquisador. Como é esperado de um profissional que lida todo momento com o universo das probabilidades, ele pondera: “Temos uma prova absoluta de que o EWOC é sempre melhor do que o método tradicional? Claro que não, porque seria preciso desenharmos infinitos cenários.”
Aprendizado valioso

Na opinião do professor Mário de Castro, do ICMC, a experiência de assistir a um minicurso como o que foi ministrado por Rogatko é extremamente valiosa para os estudantes de pós-graduação do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística (PIPGEs), principal público-alvo do 4° Workshop de Métodos Estatísticos e Probabilísticos. “Rogatko mostrou que a estatística tem muito a contribuir na busca por encontrarmos soluções para problemas relevantes do mundo real, tal como o câncer. Ele explica claramente a possibilidade de aplicarmos as metodologias estatísticas nesse campo, desde as mais simples até as mais sofisticadas”, conta Castro.

Para a professora Vera Tomazella, do Departamento de Estatística da UFSCar, quando os pós-graduandos têm contato com as pesquisas que estão sendo realizadas atualmente, há um impacto nos estudos que realizarão no futuro. “O efeito é justamente esse: ao saber o que está acontecendo no Brasil e fora do Brasil, nossos alunos percebem que estão no lugar certo e que a gente está trazendo um conhecimento extra para eles”, diz Vera, que também é presidente da Associação Brasileira de Estatística (ABE).

A professora Juliana Cobre, do ICMC, acrescenta: “Ao ver como é o trabalho de Rogatko, os estudantes aprendem que um estatístico nunca trabalhará sozinho se optar por atuar nesse campo de pesquisa. Ele precisará estabelecer uma estreita parceria com os demais profissionais da área médica”.

O 4° Workshop de Métodos Estatísticos e Probabilísticos aconteceu entre os dias 1 e 3 de fevereiro e reuniu 73 participantes. O evento faz parte do Programa de Verão em Estatística e tem como objetivo principal difundir novos resultados no campo da estatística, probabilidade e de suas aplicações, com o intuito de estimular a troca de experiências entre os participantes. Além do minicurso de Rogatko, houve 11 palestras e duas sessões de pôsteres.

Denise Casatti / Assessoria de Comunicação do ICMC

Link:

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Gaming for gut research

New game advances research into microbes that play a role in our health

Date: August 31, 2016

Source: McGill University

Summary:
You may not think of yourself in this way, but in some ways your body is just a host for hundreds of trillions of microbes (including bacteria) that colonize us in fairly unique combinations in our guts, inside our various orifices and on the surface of our skin. These tiny creatures are essential to our survival: we couldn't digest anything without them, for instance. Scientists are increasingly making links between the range of colonies of microorganisms that live on and within us, our lifestyle habits, and our health.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A. de Saint-Hilaire

Auguste de Saint-Hilaire nasceu na França em 1779. Desde cedo se interessou por ciências naturais, tornando-se um grande botânico. Em 1816, ele veio para o Brasil a convite da coroa portuguesa e percorreu milhares de quilômetros estudando a flora nativa, inclusive as plantas medicinais. Ele viajou por quase toda Minas Gerais, além dos Estados de Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a Província Cisplatina (hoje o Uruguai). Em suas viagens, que duraram 6 anos, Saint-Hilaire coletou 7 mil exemplares de plantas, sendo 4.500 delas desconhecidas na época. Este acervo está hoje no Museu de História Natural de Paris. Saint-Hilaire publicou vários livros sobre o Brasil, entre eles a obra Plantas Usuais dos Brasileiros, traduzida para o português pelo CEPLAMT em 2009.

Em 2016 comemora-se os 200 anos da chegada do naturalista Auguste de Saint Hilaire ao Brasil e alguns eventos ocorrerão durante o ano para celebrar o acontecimento.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Brasil e Canadá inovam em pesquisas sobre saúde mental

Unicamp


Campinas, 11 de setembro de 2015 a 20 de setembro de 2015 – ANO 2015 – Nº 637

Projeto rendeu debates, 40 teses, site, 54 artigos nacionais e internacionais, além de oito capítulos de livros

Texto: 
Especial para o JU
Fotos: 
Edição de Imagens: 

Durante cinco anos, pesquisadores, estudantes, usuários e prestadores de serviços da Unicamp e da Universidade de Montreal investigaram modelos de saúde mental no Brasil e no Canadá. O projeto foi financiado pela Aliança de Pesquisa Comunidade-Universidade (ARUC) do Canadá e buscou influenciar debates acadêmicos e políticos em favor da luta contra o estigma das doenças mentais, aproximar os serviços de saúde, a comunidade e a pesquisa acadêmica.

As abordagens de investigação tomaram, como base, metodologias participativas e inclusivas de alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorandos e gerou 40 teses, 54 publicações nacionais e internacionais, oito capítulos de livros, o site www.aruci-smc.org, dentre outros produtos oriundos do projeto. A participação ativa dos usuários no processo de investigação tornou-se um evento sem precedentes no Brasil.

“A quantidade de alunos envolvidos no projeto foi enorme. Só de doutorado e pós-doutorado do Brasil foram 35 alunos. O que me encantou no projeto foi fazer ciência aplicável engajada com a comunidade. Essa é uma tendência mundial de pesquisa participativa inclusiva, que no Brasil tem pouco desenvolvimento. Temos, por exemplo, um artigo recém-publicado nos Cadernos HumanizaSUS, publicado pelo Ministério da Saúde, que foi escrito com a participação dos próprios usuários dos serviços da saúde mental”, revelou Rosana Teresa Onocko-Campos, médica do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e coordenadora do projeto ARUC.

O artigo “A experiência de produção de saber no encontro entre pesquisadores e usuários de serviços públicos de saúde mental: A construção do guia GAM” reuniu 27 autores entre docentes, mestrandos e doutorandos da Unicamp, da Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal do Rio Grande do Sul e também usuários de serviço de saúde mental dos municípios de Campinas (SP), Novo Hamburgo e São Leopoldo (RS), Rio de Janeiro e São Pedro da Aldeia (RJ), e trabalhadores desses serviços. Segundo Onocko-Campos, o artigo levou dois anos para ser escrito.

No Brasil, até a década de 1980, os hospitais psiquiátricos e os asilos eram os principais locais de tratamento para pessoas com problemas mentais graves. A Reforma Psiquiátrica instituiu uma nova política de saúde mental, que teve, como um de seus principais recursos, o desenvolvimento dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o tratamento em saúde mental na comunidade, possibilitando o seguimento ambulatorial e a atenção à crise. 

Reconhecendo o contexto de utilização pouco crítica dos medicamentos nos tratamentos em saúde mental, bem como o valor simbólico da medicação para aqueles que a utilizam, foi desenvolvida em Quebec, no Canadá, o guia de Gestão Autônoma da Medicação (GAM), para que os usuários tivessem acesso a informações sobre seus tratamentos e pudessem reivindicar seus direitos e até mesmo a retirada da medicação.
A versão brasileira não manteve o tema da retirada da medicação, mas reforçou a tomada de decisões compartilhadas entre usuário e profissional de saúde. O guia é dividido em passos, onde a pessoa é convidada a fazer um balanço da própria vida para alcançar uma melhor qualidade de saúde.

“O guia GAM revelou que o uso dos medicamentos aumenta o poder dos serviços de saúde mental, coisa que outras pesquisas avaliativas não haviam conseguido mostrar. A medicação psiquiátrica ainda é usada como forma de controle das pessoas. O grande paradoxo é que descobrimos que a palavra do usuário é pouco ouvida na hora da prescrição da medicação nos serviços comunitários de saúde mental”, disse Onocko-Campos.

A pesquisadora da FCM afirma que algumas pessoas têm comparado a medicação psiquiátrica a remédios para hipertensão ou diabetes, como algo que deve ser tomado a vida inteira. A diferença, alega, está na dosagem. Por meio de um exame de sangue é possível ao médico prescrever qual a dose certa para o controle da hipertensão ou diabetes. Já para os medicamentos que afetam percepções e sensações, como os ansiolíticos, não há como ter essa dosagem por meio de exames de laboratório.

“Se eu lhe dou um regulador de humor, como vou saber como está o seu humor se não for confiando no que você me disse? Há pessoas que estão tomando há anos medicamentos sem saber dos efeitos colaterais. Queremos trazer a experiência do usuário para a tomada de decisão quanto a uma boa prescrição”, revelou Onocko-Campos.

A pesquisa, com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicamp, respeitou os aspectos éticos e legais implicados no trabalho com pessoas, sobretudo usuárias da rede de saúde mental. Os usuários da intervenção GAM referiam-se ao grupo como um local para troca de um “saber experiencial” sobre o medicamento, no qual cada um pôde contar sua vivência singular com relação ao uso dos psicotrópicos.

Nas narrativas dos usuários, os CAPS foram descritos ora como lugar de tratamento e cuidado positivamente avaliado, como fomentador de espaço de escuta, de troca e produção de trabalho, ora como promotor de sentimentos de baixo poder de troca e de participação. Foram identificados vários problemas associados à dificuldade de comunicação sobre esse tema: relações desiguais de poder, coerção, medo, timidez, uso de linguagem técnica, ausência de escuta para a vivência pessoal e atribuição exclusiva de competências. Percebeu-se a existência de um limite tênue entre o cuidado com a saúde dos usuários e a tendência ao gerenciamento absoluto de suas vidas. 

As pesquisas levaram à constatação de que ainda são necessárias mudanças nas práticas em saúde mental, especialmente no que se refere à valorização da experiência do usuário em seu tratamento.

“Nesses cinco anos de pesquisa, o que nos chamou a atenção foi o aspecto da prescrição de medicamento tanto dentro da reforma psiquiátrica quanto nos serviços comunitários, nos quais é feito de forma tradicional, com pouco diálogo com os pacientes, muita verticalidade e assimetria na tomada de decisão entre médicos e pacientes. A direção proposta é a de que o usuário, em vez de ocupar um lugar de dependência na relação com o serviço, tenha o serviço como espaço a partir do qual retome o seu lugar de cidadão. Isso foi uma diferença que apareceu nos estudos comparados entre o Canadá e o Brasil”, revelou Onocko.

As pesquisas mostraram que a verticalidade do saber médico sobre o usuário apareceu tanto no Brasil quanto no Canadá, mas o que torna os usuários brasileiros mais frágeis, sobretudo os pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a baixa escolaridade, o escasso poder aquisitivo, o acesso à boa alimentação, a baixa qualidade da moradia e outros fatores, se comparados ao nível de vida dos usuários canadenses.

“Como se não bastasse o estigma da doença mental, que gera uma certa segregação social, a diferença cultural torna os usuários mais fragilizados. Precisamos criar canais de comunicação para que os médicos mediquem corretamente do ponto de vista farmacológico, quando necessário, mas com um grau de permeabilidade com o que os pacientes sentem e acham”, reforçou Onocko-Campos.

O projeto como um todo teve um sistema de governança muito particular, pois permitiu inserir os alunos de pós-graduação em grandes grupos de pesquisa e mudar conceitos. Depoimentos de alunos do Canadá e do Brasil mostram que, depois de participarem do projeto ARUC, eles não conseguem fazer pesquisa sobre as pessoas sem pensar o que elas acham.

De acordo com Onocko-Campos, a FCM da Unicamp está entrando com outro pedido de financiamento no Canadá. A ideia é desdobrar o trabalho na apreensão do processo do adoecimento, mantendo a ênfase na inclusão do usuário nos estudos participativos, com maior refinamento e qualidade do ponto de vista científico.

“Às vezes, tendemos a achar que inovação só existe na área mais dura – engenharia, computação, matemática, física –, mas essa é uma pesquisa inovadora dentro da internacionalização. Por conta desse trabalho, estamos buscando novos convênios com a Universidade de Yale, nos Estados Unidos. E em setembro, vamos para Londres conversar com pesquisadores do Kingdom College, o grupo mais citado do mundo de avaliação de serviços mental. Hoje, as pesquisas são aglutinadas em rede. Essa é uma nova tendência da ciência contemporânea”, revelou Onocko-Campos.

Publicações

Artigo: A experiência de produção de saber no encontro entre pesquisadores e usuários de serviços públicos de saúde mental: A construção do guia GAM

Autores: Rosana Teresa Onocko Campos, Eduardo Passos, Analice de Lima Palombini et ali

Unidades: Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Publicação: Cadernos HumanizaSUS, volume 5, Saúde mental, 2015

Artigo: Human rights and the use of psychiatric medication

Autores: Lourdes Rodriguez del Barrio, Rosana Teresa Onocko Campos, Sabrina Stefanello, Deivisson Vianna Dantas dos Santos, Ce´ line Cyr, Lisa Benisty e Thais de Carvalho Otanari

Unidades: Universidade de Campinas e Universidade de Montreal

Publicação: Journal of Public Mental Health, Vol. 13, nº. 4 2014, pp. 179-188

Artigo: A Gestão Autônoma da Medicação: uma intervenção analisadora de serviços em saúde mental

Autores: Rosana Teresa Onocko Campos, Eduardo Passos, Analice de Lima Palombini, Deivisson Vianna Dantas dos Santos, Sabrina Stefanello, Laura Lamas Martins Gonçalves, Paula Milward de Andrade e Luana Ribeiro Borges

Unidades: Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal Fluminense, Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Publicação: Ciência & Saúde Coletiva 18(10):2889-2898, 2013

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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sítio arqueológico contesta teoria de povoamento da América

Por Marília Fuller - marilia.fuller@usp.br
Publicado em 19/junho/2015
Identificado em 2003, o Boa Esperança 2 já alcançou quase 2 metros de profundidade

Escavações realizadas pela equipe de Fabio Grossi, doutorando do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, dataram sedimentos associados a ocupações de grupos caçadores-coletores, que revelaram a idade de 14.500 anos, no sítio arqueológico Boa Esperança 2, na cidade de Boa Esperança do Sul, no interior de São Paulo. A pesquisa de Grossi é orientada pelo professor Astolfo Araújo, ligado ao estudo de povos paleoíndios e com a pesquisa de Walter Neves sobre Luzia, fóssil encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais, datado com 11.500 anos.

A datação de 14.500 anos foi feita em 2010 pela Faculdade Tecnológica (FATEC) de São Paulo por meio de uma técnica chamada Luminescência Oticamente Estimulada (LOE), na qual mede-se a quantidade de radiação solar recebida pelo solo enquanto ele estava exposto. Polêmica, a data encontrada por Grossi e sua equipe entra em conflito — assim como outras que têm surgido pela América — com as teorias de povoamento do continente americano, que, segundo os livros de História, teria acontecido há 12 mil anos, no final da Era Glacial.

A história de povoamento paleoíndio de São Paulo é, segundo Grossi, um pouco nebulosa: a maior parte dos estudiosos pesquisa os indígenas, que são povos mais recentes. São Paulo é tida como uma “terra de fronteiras”, onde diferentes povos e culturas indígenas teriam se encontrado, mas não é muito claro como e quando eles chegaram aqui devido a dificuldade em se datar sítios mais antigos nos quais, muitas vezes, os únicos vestígios são as pedras.

O sítio arqueológico Boa Esperança 2 foi identificado em 2003, por conta de uma vistoria arqueológica para um licenciamento ambiental, e está localizado às margens do rio Jacaré-Guacú. O rio, o qual já foi muito mais extenso do que é hoje, possui uma grande cascalheira, condição favorável à instalação desses povos paleoíndios devido a grande quantidade de pedras, sua matéria prima para a sua sobrevivência. O sítio alcançou 1,9 metros de profundidade em suas escavações e pode indicar uma transição do modo de vida nômade desses povos para o sedentarismo, devido a presença intensa de material arqueológico desde a superfície.

Novas pesquisas e datações

Devido a pouco financiamento, apenas uma datação foi feita à época — o que, nas palavras de Grossi, “não é suficiente na Ciência para comprovar algo e derrubar grandes teorias”. Agora em seu doutorado, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a orientação do professor Araújo e trabalhando em conjunto com uma equipe de Geografia e Geologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e outra do Museu de Arqueologia e Paleontologia (MAPA) de Araraquara, voltou ao sítio Boa Esperança 2 para coletar mais amostras para novas datações.
Segundo Grossi, as amostras exigem cuidado no manuseio para que não haja alteração

As novas amostras serão mandadas para o laboratório Beta Analytic, na cidade de Miami, nos EUA. Segundo Grossi, a ideia dessa nova ida a campo é ratificar ou não se, de fato, a datação encontrada em 2010 é real, juntamente do mapeamento realizado pela equipe da Unicamp. “O pessoal da Geografia e da Geologia está fazendo o mapeamento pedológico do solo, datando os sedimentos que serão confrontados com a datação arqueológica para ver se ‘batem’”, completou.

O material escavado estava sobre uma antiga cascalheira com seixos muito grandes, o que, segundo Grossi, está associado ao fim da Era Glacial, que se deu a cerca de 10 mil anos atrás. Grossi explica que pedras de tamanho tão grande indicam um fluxo de água muito abundante, correspondente, no estudo geológico, a um período no qual o clima estava transformando-se de frio e seco para quente e úmido.

Grossi explica que as novas amostras permitirão fazer uma reconstrução em 3 dimensões de como era esse solo, ajudando-os a visualizar como se deu a deposição das camadas. Para reforçar as datas encontradas, a equipe pretende trabalhar em outros locais no estado, como o Sítio Carcará em São José dos Campos, sítios em Ouroeste, em Bauru e em Pitangueiras, além do Sítio Alice Boer em Rio Claro, com datação também de mais de 14 mil anos.

Mesmo que as datas encontradas em 2010 no Boa Esperança 2 se mostrem equivocadas após este novo estudo, Grossi ressalta que o sítio não deixará de ter sua importância. “Ele é muito específico, diferente dos outro sítios caçadores-coletores e, ainda assim, é de um grupo ancestral daquela região. Ainda que ele acabe não se mostrando tão antigo, é um dos primeiros grupos ocupantes daquela região, gerando muitos questionamentos”, completa.

Fotos: Roberto Ávila

Mais informações: fabiogrossi@usp.br

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domingo, 14 de junho de 2015

Artigo: Proposta para o Ensino de Química Utilizando a Planta Pterodon abruptus (Moric.) Benth. como Indicador Natural de pH

Revista Virtual de Química, Vol. 6, No 5 (2014)
Talita C. Mota, Maria G. Cleophas

Resumo

O presente artigo descreve a preparação de um indicador natural de pH obtido do extrato da planta Pterodon abruptus (Cangalheiro), espécie muito comum na região da Serra da Capivara (PI). A eficiência do indicador foi comprovada com o uso de materiais de caráter ácido e básico que fazem parte do cotidiano dos alunos. O indicador natural foi apresentado para um grupo de estudantes com formação inicial do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza, os quais responderam um questionário semiestruturado sobre o experimento realizado. Os resultados mostraram um panorama das atitudes destes futuros professores de Ciências e suas concepções sobre o uso de atividades alternativas para o ensino de Química. Essa proposta contribui para vincular a prática experimental e a teoria, por proporcionar uma alternativa viável e de fácil realização didática.


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quarta-feira, 11 de março de 2015

Descoberta: como os camaleões mudam de cor.

Um mistério da natureza foi finalmente compreendido: artigo da Nature apresenta mecanismo da mudança de tonalidades na pele do camaleão.

O trabalho indica que o processo ocorre pelo rearranjo de cristais fotônicos: nanocristais de guanina alternados com camadas de células iridóforas mudam de morfologia para absorver e refletir distintos comprimentos de onda.
 
Basicamente, o mecanismo passa pela variação das distâncias entre os nanocristais – uma forma de selecionar a interação com a luz.

Veja artigo: 

Canal Fala Química

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segunda-feira, 9 de março de 2015

Desvendando o mistério dos quadros de van Gogh

Algo muito estranho tem acontecido com várias das pinturas do holandês: elas estão mudando de cor. O efeito é pronunciado nos tons vermelhos, que estão desaparecendo.

Usando o mais poderoso dos síncrotrons, um grupo de químicos desvendou o segredo.

Analisando a obra Wheat Stack Under a Cloudy Sky do Van Gogh (1889, Kröller-Müller Museum, NL), os químicos descobriram que o problema ocorre com um óxido de chumbo – o pigmento vermelho dos quadros. 

Quando exposto à luz e ao gás carbônico, uma série de reações consecutivas transforma o pigmento em outros compostos de chumbo, sem o tom característico.

O trabalho completo foi publicado na Angewandte desta semana:

Canal Fala Química
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domingo, 18 de janeiro de 2015

Los diez sucesos científicos que marcaron al 2014, según “Science”



Por Alejandra Monsiváis Molina en la Academia Mexicana de Ciencias
Como es tradicional al término de cada año, la revista Science hizo un balance de los diez acontecimientos más relevantes en el ámbito científico. Esta semana publicó en su portal de internet y en la versión impresa el correspondiente al 2014. A continuación, el listado de los hechos más sobresalientes:

1) Después de un viaje de diez años a través del Sistema Solar, la sonda Rosetta de la Agencia Espacial Europea consiguió que su módulo ‘Philae’ aterrizara en el cometa67P/Churyumov-Gerasimenko y tomara una serie de espectaculares fotografías que atraparon la imaginación del público, marcando con ello un momento histórico al ser el primer vehículo espacial en descender con éxito en un cometa. Rossetta tiene el objetivo de investigar la composición y las características del cometa para ayudar a descifrar cómo fue que comenzó la vida en la Tierra y continuará orbitándolo durante el 2015.

2) Este año, diferentes grupos de biólogos evolucionistas compilaron y analizaron los datos de fósiles de dinosaurios, especies ancestrales de aves así como de aves extintas -encontrados a lo largo de una década- a partir de los cuales pudieron plantear el modo y el ritmo de la espectacular transición evolutiva de los dinosaurios hacia las aves. Observaron, por ejemplo, que los dinosaurios que finalmente dieron lugar a las aves constantemente se hicieron más pequeños y con huesos más finos al pasar del tiempo. Una vez que el plan corporal de las aves se cristalizó, nuevas especies de aves aparecieron rápidamente, probablemente porque su tamaño pequeño les permitió encontrar alimento y cobijo que sus familiares más grandes no habrían podido aprovechar.

3) Tres nuevos estudios publicados este año demostraron que inyectar en ratones de edad avanzada sangre de ratones jóvenes puede hacerles recuperar algunas capacidades físicas y mentales perdidas con la edad, como la fuerza muscular, resistencia, memoria y sentido del olfato. Los estudios son consistentes entre sí y respaldan la idea de que hay sustancias en la sangre que podrían ser importantes terapéuticamente, como la proteína llamada GDF11. Esta línea de investigación podría llevar un día a terapias para condiciones médicas a menudo encontradas en humanos que van envejeciendo.

4) Los robots están mejorando todo el tiempo en el trabajo con los seres humanos, pero este año varios equipos demostraron que estas máquinas también pueden trabajar juntos, sin supervisión humana. Después de años de trabajo, los investigadores desarrollaron un nuevosoftware, así como robots interactivos capaces de cooperar en tareas rudimentarias. Hasta ahora, todos los robots de colaboración se basan en datos locales relativamente crudos sobre su entorno y sobre los demás robots, pero tanto ellos como sus sensores están mejorando rápidamente.

5) Este año, ingenieros computacionales de IBM y otras compañías plantearon la posibilidad de crear por primera vez a gran escala chips “neuromórficos”, creados para procesar información en formas más afines al cerebro humano. La red del cerebro está conformada por 100 mil millones de células unidas por 100 billones de sinapsis, lo cual empequeñece cualquier cosa que estos chips puedan reunir, sin embargo, el nuevo chip de IBM incluye 5.4 mil millones de transistores y 256 millones de “sinapsis” y la compañía está trabajando para construir redes más complejas.

6) Desde el descubrimiento de las células embrionarias humanas, los investigadores han intentado utilizarlas en contra de enfermedades, entre ellas la diabetes. Este año, los investigadores se acercaron a ese objetivo cuando dos grupos publicaron los métodos para convertir células madre humanas en células beta del páncreas – las mismas células que son destruidas por el propio sistema inmune en pacientes con diabetes tipo 1- totalmente funcionales capaces de producir insulina.

7) Los científicos han comenzado a entender y jugar con la base física de la memoria. Los expertos implantaron fibras ópticas en el cerebro de ratones genéticamente modificados para poder enviarle impulsos de luz. Conocida bajo el nombre de optogenética, esta técnica permite a cada neurona responder al estímulo de la luz. Según los científicos, esta investigación podría ayudarnos a entender en el futuro cómo los seres humanos recordamos a veces cosas que no han ocurrido.

8). Los CubeSats empezaron siendo herramientas para la enseñanza universitaria, una manera para que los estudiantes universitarios colocaran un sencillo Sputniken el espacio. Pero ahora, los avances tecnológicos en electrónica de consumo como los smartphones, que encajan cada vez más potencia en un paquete más pequeño, han hecho que estas pequeñas cajas de diez centímetros se consoliden cada vez más en la investigación espacial y se utilicen en planes de negocios más ambiciosos, tanto por su bajo costo como por las mejoras en su diseño.

9) Toda la vida en la Tierra, tal y como la conocemos, codifica la información genética utilizando cuatro moléculas, conocidas como el alfabeto de la vida: adenina, timina, guanina y citosina. Pero recientemente, los científicos crearon el primer organismo vivo semisintético, una bacteria de Escherichia coli, que incluye un par adicional de ‘letras’ de ADN ampliando el código genético de la vida y abriendo la puerta a la creación de nuevos tipos de microbios. Por ahora, las nuevas letras en el ADN de E. coli no codifican para nada, pero, en principio, los investigadores podrían utilizarlos para crear proteínas de diseño que incluyen bloques de construcción “no naturales”.

10) Muestras de arte rupestre halladas en unas cuevas de la isla de Sulawesi en Indonesia datan de cerca de 40 mil años, una antigüedad mayor a las famosas de las Cuevas de Altamira en España, según afirma un estudio publicado este año. Las pinturas incluyen representaciones de manos y una babirusa, un gran cerdo primitivo que podría considerarse el ejemplo de arte figurativo más antiguo del mundo. El hallazgo sugiere incluso que las poblaciones en Indonesia inventaron independientemente un arte simbólico tan pronto como los pintores rupestres de Europa lo hicieron, o que los humanos modernos ya eran artistas sofisticados cuando se extendieron fuera de África, migración que comenzó hace unos 60 mil años.

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sábado, 17 de janeiro de 2015

Vídeos mostram trajetória profissional de cientistas

08 de janeiro de 2015
Iniciativa do Observatório Juventude, Ciência e Tecnologia, da Fiocruz, quer estimular a iniciação científica no ensino médio (reprodução:Fiocruz)

Agência FAPESP – O Observatório Juventude, Ciência e Tecnologia da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, lançou, em outubro, a série de vídeos “Profissão Cientista”. O objetivo é oferecer aos jovens informações sobre carreiras em ciência e tecnologia, estimulando também a iniciação científica no ensino médio.

Os vídeos mostram a trajetória profissional de seis pesquisadores da Fiocruz: Claudio Tadeu Daniel-Ribeiro, da área de Imunologia; Jane Costa e Márcio Félix, da Entomologia; José Augusto Nery, de Doenças Infecciosas; Lorelai Kury, pesquisadora em História das Ciências; e Márcia Chame, especialista em Biodiversidade .

A série “Profissão Cientista”, produzida pela Jatobá Filmes, conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj).

Os vídeos estão disponíveis no site do Observatório Juventude C&T, em www.juventudect.fiocruz.br, e no canal do Youtubewww.youtube.com/user/JuventudeCT, podendo ser utilizados por professores em sala de aula e em ambientes não formais de ensino.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Neurocientistas criam canal de vídeos de divulgação científica no YouTube

17 de dezembro de 2014
Agência FAPESP – Para disseminar informações relacionadas a estudos em neurociência, pesquisadores da área criaram o NeuroChannel, canal de vídeos no YouTube gerido pelo comitê organizador do 9º Congresso Mundial do Cérebro, que, em 2015, será realizado pela International Brain Research Organization (Ibro) no Rio de Janeiro.

Desde abril o canal publica vídeos curtos sobre temas da neurociência, com legendas em português e inglês, dirigidos a neurocientistas e ao público leigo em geral.

Em um dos vídeos, Roberto Lent, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fala sobre o fascínio que o cérebro exerce sobre as pessoas e métodos utilizados para estudar o órgão.

Os vídeos também trazem pesquisadores estrangeiros. Uma das gravações aborda o vício em drogas, com Barry Everitt, professor da University of Cambridge, no Reino Unido, falando sobre a vulnerabilidade do cérebro humano a substâncias estimulantes e refletindo sobre os principais desafios nesse campo.

A iniciativa conta com o apoio da Ibro, da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), do Centro de Estudos e Pesquisas Paulo Niemeyer e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Além do canal no YouTube, em www.youtube.com/user/neurochannel1, o NeuroChannel tem uma página no Facebook: www.facebook.com/neurochannel.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ciência é colaboração


Neste mês de novembro o Jornal da Unesp traz uma entrevista comigo, feita pelo Oscar D’Ambrosio. Como por motivos de espaço ele precisou omitir partes da resposta, publico aqui a íntegra da entrevista, espero que achem interessante.

(As diferenças para o texto do jornal estão na terceira pergunta, que foi omitida, e na quarta pergunta, cuja resposta foi abreviada.)
1) O que se entende por ciência aberta hoje? Como surgiu o conceito e qual são seus principais passos?

O entendimento mais completo é a ideia de que a informação científica, dos dados ao design de instrumentos aos métodos às conclusões, deve ser compartilhada tão cedo quanto possível no processo de pesquisa. Ou seja, tornar a pesquisa um processo transparente e colaborativo, onde a competição ocorre baseada simplesmente em contrbuições à inovação e progresso da ciência, e não na restrição de acesso e no tratamento de ideias como propriedade.

Isso é possível, e vantajoso para a ciência, pois alinha a prática de pesquisa aos mecanismos fundamentais de difusão, replicação, incrementação e crítica que garantem o avanço e validade das ideias científicas e as justificam como investimento da sociedade. Também quanto mais transparente e colaborativa a ciência, mais a comunidade é capaz de rastrear a origem das contribuições e atribuir crédito onde é devido, estimulando a competição sem recorrer a segredo, intermediários e sem obstruí-la através de restrições pouco compatíveis com o uso público da razão que a ciência representa.

2) Na sua concepção estamos caminhando para uma sociedade em que predominem a ciência cidadã e a educação aberta?

Estamos lutandor por isso. Ano passado um grupo de pesquisadores de diversas áreas iniciou um grupo de trabalho para lidar com esse tema e tem havido interesse e participação por pesquisadores de diferentes gerações. Também do lado da sociedade tem surgido um movimento, desde pontos de cultura até espaços mais autônomos como hackerspaces. Também na educação, onde vivemos um momento de decadência do sistema educacional nas sociedades liberais que insistem num modelo hierárquico, há exemplos de grande sucesso de iniciativas de educação aberta, com uso de recursos educacionais abertos, currículos flexíveis, ensino ativo e metodologias participativas, além de na educação básica um interesse por escolas democráticas ou que incorporam elementos dessas,

3) Quais são as principais ferramentas científicas e hardwares desse universo?

Hoje a pesquisa de ponta em instrumentação científica aberta parte do CERN, o grande laboratório de física, que tem publicado os desenhos de instrumentos com uma licença livre, que permite reutilização irrestrita, chamada CERN Open Hardware License. Também montaram um repositório para qualquer um compartilhar e colaborar em instrumentos, desde que usem a mesma licença que garante a liberdade desse conhecimento. No Brasil, institutos como o LNLS tem usado e contribuído desenhos para esse reposiório. Outros exemplos são o IFRN, que foi premiado com um desenho de estação meteorológica em hardware aberto. E talvez o centro institucionalmente mais avançado nessa discussão seja o CTA-UFRGS, Centro de Tecnologia Acadêmica, onde o professor Rafael Pezzi e sua equipe vem buscando desenvolver uma linha de produção para novos instrumentos toda baseada em hardwares e softwares abertos.

4) A sua visão é otimista ou pessimista em relação ao futuro dessas iniciativas?

Otimista, como deve estar transparente pelas respostas anteriores!

Mas restam muitos desafios a enfrentarmos, culturais, institucionais, legais, de massa crítica e de políticas e visão da ciência no Brasil.

Uma área em que somos particularmente retrógrados é no nosso entendimento da relação entre política científica e industrial, em particular na nossa visão colonizada do sistema de patentes. Ainda assumimos a falácia de que defesa e produção de patentes significa vantagem competitiva para nossas indústrias e vantagem econômica para as universidades. Acontece que, mesmo nos países industrializados e em muito melhores condições de explorar esse sistema, ele pode ter o efeito oposto. E torna-se ainda mais prejudicial e incoerente num sistema acadêmico público como o do Brasil.

É claro que sugerir uma associação inversa entre patentes e inovação pode parecer estranho para quem observa as políticas em implementação no Brasil, mas tal oposição não é novidade para estudiosos do assunto, encontrando-se desenvolvida em trabalhos do prêmio nobel de economia Joseph Stiglitz, do professor, emérito de Stanford e Oxford, Paul David, e de outros economistas como Michele Boldrin e David Levine. Ela encontra-se refletida na histórica econômica, de países como os EUA e a China, e em ações atuais de empresas como a norte-americana Tesla, que recentemente abriu mão de suas patentes para estimular a inovação e o livre mercado, e os membros da Open Invention Network, dentre eles Red Hat e Google, todos detentores de patentes que denunciam abertamente o prejuízo que esse sistema tem causado à inovação, abrindo mão desse monopólio, em diversas aplicações.

Assim, as diretrizes e a formulação ideológica da propriedade intlectual nas universidades brasileiras precisa urgentemente ser atualizada, porém o que tem ocorrido ainda é o movimento oposto, e parecemos incapazes de aprender com as lições vividas pelos colegas no exterior.

Um fenômeno parecido pode ser notado na educação, onde ao invés de buscar superar o paradigma da educação industrial, até para contornar sua inexorável decadência já reconhecivel em países como os EUA, insistimos num modelo de sobrecarga curricular e incentivos baseados em exames padronizados, que já se demonstraram ineficazes lá, onde foram concebidos. Assim, antagonizamos as oportunidades cognitivas e tecnológicas em que os jovens hoje se desenvolvem, ao invés de aproveitá-las. E não faltam bons exemplos no próprio país, mas para ter escala poderíamos observar outros países de cultura liberal onde a educação tem tido contínuo progresso, como no norte europeu, onde redução radical da carga curricular e valorização da autonomia do aluno e adaptabilidade dos materiais tem, irônicamente, garantindo até sua posição superior nos exames comparativos internacionais.

Quem tiver interesse nesses assuntos pode conhecer mais e ingressar na lista de emails do grupo de trabalho, pelo endereço http://cienciaaberta.net/

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