Mostrando postagens com marcador Desperdício de alimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desperdício de alimentos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Comissão de Meio Ambiente da Câmara aprova regras para reduzir desperdício de alimentos

Entre outras medidas, proposta prevê que o Poder Público incentive a implantação de mercados específicos para a comercialização de itens aptos ao consumo humano, mas próximos das datas de vencimento ou suscetíveis de descarte devido à aparência

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou proposta que estabelece regras para a destinação de resíduos alimentares, com o objetivo de combater o desperdício de alimentos.

O texto obriga os geradores desses resíduos, como os produtores rurais e comerciantes, a adotarem práticas de manejo e conservação. Os materiais deverão ser destinados, dependendo do caso, à alimentação humana, à alimentação animal, à compostagem, à produção de energia e à disposição final.
Tereza Cristina retirou a previsão de detenção para quem destruir ou descartar alimentos aptos ao consumo humano: “medida desproporcional”

Foi aprovado o parecer da deputada Tereza Cristina (PSB-MS) ao Projeto de Lei3070/15, de autoria do deputado Givaldo Vieira (PT-ES). A versão de Tereza Cristina retira a pena de detenção para quem destruir ou descartar alimentos aptos ao consumo humano – punição prevista na proposta original. Na visão da deputada, a medida privativa de liberdade criaria “obrigações desproporcionais” aos produtores.

Estrutura

Em relação ao Poder Público, o texto aprovado, que altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei12.305/10), obriga o Estado a fornecer estrutura para recebimento e redistribuição próprios para o consumo humano dos alimentos que sobram, reduzindo, assim, o desperdício.

Também determina aos governos incentivar a implantação de mercados para a comercialização de alimentos aptos ao consumo humano, mas próximos das datas de vencimento ou suscetíveis de descarte devido à aparência.

Bancos de alimentos

O projeto traz ainda outros pontos importantes:
– o fim do desperdício de alimentos passa a ser uma das diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos;
– são criados os “bancos de alimentos”, espaços construídos para receber e distribuir alimentos aptos ao consumo humano;
– tais bancos serão interligados por meio de uma plataforma informatizada, chamada de Sistema Nacional de Oferta de Alimentos;
– os estados definirão as áreas de implantação dos bancos, enquanto os municípios cuidarão da implantação de uma rede de aproveitamento de resíduos de alimentos para as populações de baixa renda.

Tramitação

A proposta será analisada ainda pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário da Câmara.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
Reportagem – Janary Júnior
Edição – Marcelo Oliveira

Da Agência Câmara de Notícias, in EcoDebate, 31/05/2016

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Portugal: cooperativa distribui alimentos que não atendem a padrões do mercado

Desperdício de alimentos. Foto de arquivo

Uma cooperativa em Portugal vem distribuindo frutas, legumes e verduras fora do padrão exigido pelo mercado e hoje já faz a entrega de até cinco toneladas por semana a moradores de Lisboa e do Porto. O objetivo é evitar o desperdício. Outra iniciativa é a Zero Desperdício – Portugal não pode se dar ao lixo, que aproveita alimentos que seriam jogados fora e que até agora já serviu quase 3 milhões de refeições.

A União Europeia (UE) registra anualmente perda de 89 milhões de toneladas de alimentos, o que equivale a 179 quilos de comida por habitante perdidos a cada ano, segundo relatório do governo português sobre o desperdício alimentar. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), estima-se que, na Europa, sejam desperdiçados entre 30% e 50% dos produtos ao longo de toda a cadeia alimentar até chegar ao consumidor.

Em Portugal, o desperdício representa 17% da produção alimentar anual, um valor aproximado de cerca de 1 milhão de toneladas. No entanto, há iniciativas no país para reduzir esse número, como é o caso da Cooperativa Fruta Feia, que tem como objetivo canalizar parte da produção de frutas e hortaliças, que seriam desperdiçadas por estar fora dos padrões exigidos pelos supermercados, para os consumidores que não julgam a qualidade pela aparência. Os mercados não costumam aceitar produtos que não têm o aspecto perfeito em termos de cor, formato e tamanho.

De acordo com Isabel Soares, uma das mentoras da Cooperativa Fruta Feia, a ideia surgiu no fim de 2012, depois de ver alguns documentários e ler artigos sobre o tema. “Percebi que havia um enorme desperdício alimentar devido à aparência – cerca de 30% do que é produzido pelos agricultores na Europa. A ideia da Fruta Feia surgiu assim, naturalmente, como um meio de resposta ao problema, uma necessidade, uma maneira de canalizar os produtos hortifrutícolas rejeitados por meras razões estéticas”, afirmou. O lema da cooperativa é “Gente bonita come fruta feia”.

Isabel conta que à época vivia em Barcelona e estava ocorrendo em Portugal o concurso FAZ – Ideias de Origem Portuguesa, dirigido a portugueses que vivem no estrangeiro e têm ideias de projetos para o país. “Essa foi a motivação necessária para começar a transformar a ideia da Fruta Feia num projeto que efetivamente funcionasse. Em junho de 2013, ganhei o segundo prêmio desse concurso que, juntamente com uma campanha de crowdfunding [financiamento coletivo], permitiu o lançamento do projeto em novembro de 2013”.

Segundo Isabel, a distribuição das frutas e hortaliças é feita semanalmente, a partir da visita a produtores locais, que separam nas suas hortas e pomares os produtos pequenos, grandes ou disformes que não conseguem escoar. São feitas cestas com os produtos da estação para que os 1.000 associados (800 em Lisboa e 200 no Porto) recolham em diferentes pontos da cidade. As cestas pequenas custam 3,5 euros, pesam entre 3 e 4 quilos e vêm com 7 variedades de produtos. As cestas grandes custam 7 euros, pesam entre 6 e 8 quilos, e vêm com 8 variedades de frutas e hortaliças.

Já são 96 agricultores envolvidos no projeto que distribui, entre outros produtos, ameixa, amora, laranja, limão, maça, mirtilo, kiwi, romã, alho, coentro, cebolas, batatas, feijão, pepino e tomate. A cooperativa evita que cerca de 5 toneladas de produtos sejam jogadas fora a cada semana.

De acordo com estudo da FAO feito em 2011, em Portugal 360 mil pessoas passam fome, 10% das emissões de gases de efeito estufa provêm da produção de alimentos que nunca irão ser consumidos, 50 mil refeições acabam diariamente no lixo dos restaurantes de todo o país e 20% dos resíduos (lixo) são consumidos.

A iniciativa Zero Desperdício – Portugal não se pode dar ao lixo, de combate ao desperdício alimentar, recolhe em restaurantes, supermercados e hotéis refeições que não foram vendidas, cujo prazo de validade está perto de vencer ou que não foram expostas a clientes, e distribuir para pessoas que necessitem.

Ao aderir ao selo Zero Desperdício, os restaurantes separam o que iria para o lixo, embalam e encaminham para entidades participantes, que irão redistribuir às famílias necessitadas. De acordo com Diogo Lorena, gestor do projeto, já foram distribuídas quase 3 milhões de refeições por meio desse projeto.

Segundo a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, apenas em 2015 mais de 420 mil pessoas foram beneficiadas por campanhas de distribuição de alimentos, por meio de mais de 2.500 instituições cadastradas nos bancos alimentares em atividade.

A FAO projeta que, em 2050, a população mundial estará próxima de 9 bilhões de habitantes. Essa previsão de crescimento demográfico e a necessidade de mais alimentos exigirão um aumento da produção de 70%, até 2050. Dessa forma, a redução do desperdício alimentar é fundamental em um mundo onde cerca de um sexto da população passa fome e 870 milhões de pessoas se encontram em estado de subnutrição, segundo dados da FAO.

Por Marieta Cazarré, da Agência Brasil, in EcoDebate, 18/05/2016

Saiba mais:


sexta-feira, 8 de abril de 2016

América Latina desperdiça até 348 mil toneladas de alimentos por dia

Com os alimentos que se perdem na região latino-americana anualmente seria possível alimentar 37% daqueles que sofrem com a fome em âmbito global, de acordo com a FAO.
Na América Latina, perde-se ou se desperdiça até 348 mil toneladas de alimentos por dia, cifra que precisa ser reduzida pela metade nos próximos 14 anos caso a região pretenda alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), apontou a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na quarta-feira (30).

O terceiro boletim “Perdas e Desperdícios de Alimentos na América Latina e Caribe”, da FAO, lembrou que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 12 (ODS 12) está justamente voltado para a necessidade de se garantir hábitos de consumo e produção sustentáveis.

Esse objetivo estabelece a meta de se reduzir pela metade, até 2030, o desperdício mundial de alimentos per capita tanto no momento da venda, quanto por parte dos consumidores, assim como nas cadeias de produção e distribuição.

De acordo com a agência da ONU, 36 milhões de pessoas da região poderiam suprir suas necessidades calóricas somente com os alimentos perdidos nos pontos de venda direta aos consumidores – número que representa um pouco mais que a população do Peru e é maior que o número de pessoas que ainda passam fome na América Latina.

A FAO e outras agências parceiras estão atualmente elaborando o Índice Global de Perdas e Desperdícios de Alimentos, que será importante para os países quantificarem as perdas e definirem suas estratégias para alcançar o ODS 12.

América Latina e Caribe se mobilizam para reduzir perdas

Cento e vinte e sete milhões de toneladas de alimentos, 223 quilos por cada habitante da região, são os montantes totais anuais de desperdícios na região da América Latina e Caribe.

Esses alimentos seriam suficientes para satisfazer as necessidades alimentares de 300 milhões de pessoas, cerca de 37% de todas as pessoas que passam fome em âmbito global.

A região já trabalha para reduzir esse desperdício. Com o apoio da FAO, durante 2015 os governos estabeleceram uma rede de especialistas, uma estratégia regional e uma aliança regional para a prevenção e redução de perdas e desperdícios de alimentos.

Na Costa Rica e na República Dominicana, foram criados comitês nacionais dedicados ao tema, e Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, São Vicente e Granadinas e Uruguai estão discutindo iniciativas semelhantes.

A luta contra o desperdício de alimentos também faz parte do principal acordo de combate à fome na região, o Plano de Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC). O plano considera a eliminação das perdas e desperdícios como uma condição fundamental para acabar com a fome até 2025.

Argentina desperdiça 12% da produção agroalimentar

O Programa Nacional de Redução de Perda e Desperdício de Alimentos da Argentina estima que o país não aproveite 16 milhões de toneladas de alimentos, cerca de 12,5% da produção nacional agroalimentar. Mais de 40% do volume desperdiçado correspondem a produtos hortifrúti.

A FAO está desenvolvendo um projeto de cooperação técnica com o governo argentino para desenhar uma metodologia de diagnóstico sobre o desperdício de alimentos. Também atua para aumentar o nível de conscientização do setor agroalimentar e dos consumidores por meio de manuais que ensinam como aproveitar ao máximo os alimentos.
Avanços no Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica e República Dominicana

No marco das políticas de segurança alimentar, o Brasil tem apresentado projetos de lei para criar uma rede nacional de especialistas, uma política nacional e uma estratégia coordenada para a redução de perdas e desperdícios. Outro projeto de lei busca regulamentar a doação de alimentos.

O Chile desenvolveu estudos preliminares para medir a perda de alface, pão, arroz, batata e produtos do mar, além de atividades de recuperação de alimentos em pontos de vendas e a criação de conselhos para prevenir o desperdício doméstico.

O governo da Colômbia solicitou apoio técnico da FAO para formular políticas públicas para abordar o tema no país. Já na Costa Rica, a Rede para a Diminuição de Perdas e Desperdícios de Alimentos – SAVE FOOD Costa Rica desenvolveu estudos nas cadeias de tomate e lácteos e realizou ações para diminuir os desperdícios em restaurantes e empresas.

O Comitê Dominicano para Evitar as Perdas e os Desperdícios de Alimentos trabalha com o setor público, privado, organismos internacionais e a sociedade civil. O país também desenvolveu um estudo para a consolidação de um Banco de Alimentos.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, 05/04/2016

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

The food wastage footprint of pulses

Friday, December 4 marked the launch of the G20 Technical Platform on the Measurement and Reduction of Food Loss and Waste. The knowledge sharing platform—a joint effort between FAO and the International Food Policy Research Institute (IFPRI)—is meant to raise awareness and share best practices for measuring and reducing food waste and loss on a global level.

Food loss refers to the decrease in edible food at the production, post-harvest and processing stages of the food chain, mostly in developing countries. Food waste refers to the disuse of edible foods at the retail and consumer levels, mostly in developed countries.

Eliminating food loss and waste is critical to improving food security. More than one third of the food produced today is lost or wasted, and yet nearly 800 million people are suffering from chronic hunger. In order to feed the world by 2050, it is estimated that global food production must increase by 60 percent. Reducing food waste and loss will play a significant role in reaching this goal.

Food wastage also has negative environmental impacts because of the water, land, energy and other natural resources used to produce food that no one consumes. This misuse of natural resources has repercussions on hunger and poverty alleviation, nutrition, income generation and economic growth. The financial costs of food wastage are substantial and amount to about US$1 trillion each year.

The food wastage footprint of pulses

Compared to other crops, pulses already have a low food wastage footprint, as illustrated in the chart below. FAO’s Food Wastage Footprint model (FWF) indicates that the contribution of pulses to total food wastage—including the carbon footprint and the blue water footprint—is low in all regions, making them an environmentally-friendly source of key nutrients. Pulses are also highly water efficient, especially in comparison to other sources of protein. For instance, one kilogram of cooked beef requires 10 times as much water than 1 kilogram of daal.
Pulses require minimal processing and no refrigeration, which limits natural resource consumption in the later stages of the food supply chain. Because they are shelf stable, pulses can be stored for many months and sometimes years without spoiling or losing nutritional value. This can reduce the likelihood of consumer food waste due to spoilage, and makes pulses a smart choice for food insecure households.

However, overall production of pulses is currently lower than that of other commodities such as cereals, starchy roots and vegetables. One of the goals of the International Year of Pulses is to raise awareness about the benefits of pulses and encourage increased production and consumption of the crops, but this should be done concurrently with efforts to eliminate any food loss and waste from pulses production. Because of the magnitude and complexity of the problem, FAO recognizes the need to undertake action in partnership with other regional and international organizations, and with food chain actors ranging from herders, farmers and fishers to global companies. The Technical Platform on the Measurement and Reduction of Food Loss and Waste will help stakeholders communicate best practices to help eliminate food wastage and build a more sustainable food system.

07/12/2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Food loss and waste facts

Every year around the globe 1.3 billion tonnes of food is lost or wasted, that is a 1/3 of all food produced for human consumption.

Food losses represent a waste of resources used in production such as land, water, energy and inputs, increasing the green gas emissions in vain.
Related links: http://www.fao.org/save-food/;
Date: 22/07/2015
Topics: Food losses and waste
Download: PDF version


Armazenamento inadequado de grãos resulta em cerca de 15% de perdas

Insetos-praga, fungos e micotoxinas somados a ataques de roedores são problemas que têm imposto perdas consideráveis ao produtor de grãos, em torno de 15%, e estão relacionadas ao armazenamento inadequado da produção. A estimativa é de cientistas da Embrapa Milho e Sorgo (MG), centro de pesquisa que coordena o projeto “Segurança Alimentar na agricultura familiar: qualidade do milho armazenado na região central de Minas Gerais e Estratégias alternativas de controle de contaminantes”.

O pesquisador da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo, Marco Aurélio Guerra Pimentel, alerta que o armazenamento inapropriado pode trazer perdas ainda maiores para o pequeno produtor. “Nas pequenas propriedades familiares que armazenam milho em espiga e que utilizam estruturas rústicas, como paióis de madeira, as perdas causadas por insetos e roedores podem, em alguns casos, alcançar mais de 40%”, ressalta.

Pimentel ressalta que a sazonalidade e a dinâmica de consumo da produção demandam um sistema eficiente de armazenamento que contribua para eliminar ou reduzir perdas. “Junto com o esforço para o aumento da produtividade, o produtor precisa se atentar para esses cuidados [com o armazenamento], pois assim poderá guardar sua produção e comercializá-la em épocas do ano em que consiga melhores preços. Ou mesmo poderá manter o grão para garantir o fornecimento na entressafra”, aconselha.

“No fim do projeto, pretendemos fornecer aos agricultores informações sobre práticas que contribuam para minimizar problemas relacionados ao armazenamento do milho em paióis”, informa a pesquisadora Valéria Aparecida Vieira Queiroz, da Embrapa, ressaltando que os dados estão em fase de coleta e processamento. No momento, os especialistas recomendam boas práticas já validadas de armazenamento que os produtores podem adotar para reduzir as perdas de grãos (veja lista no fim desta matéria).

A redução das perdas na pós-colheita passa pela adoção de boas práticas agrícolas e de controle dos agentes contaminantes, os quais provocam danos aos grãos e podem se manifestar ainda na lavoura e perdurar por toda a fase de pós-colheita. Pimentel frisa que, além das perdas quantitativas, um mau armazenamento também pode provocar perdas qualitativas, as quais podem afetar a segurança alimentar dos humanos e dos animais.

Agentes contaminantes e danos ao grão

Os principais contaminantes dos grãos armazenados são insetos-praga, fungos, micotoxinas e resíduos de agrotóxicos. A contaminação ocorre durante o processo de produção, ainda na lavoura, e também durante o armazenamento e segue por todas as etapas de processamento do grão, até chegar à mesa do consumidor.

Desses contaminantes, os insetos constituem o principal fator de perdas nos grãos durante o período de armazenamento. “São várias as espécies. Mas, o gorgulho ou caruncho (Sitophilus zeamais) e a traça-dos-cereais (Sitotroga cerearella) são os responsáveis pela maior parte das perdas”, afirma Pimentel, ressaltando que os grãos podem ser infestados na lavoura, quando da sua maturação no campo, e os insetos migram para os armazéns após a colheita, com os grãos, ou já podem estar presentes nos armazéns.

Marco Aurélio comenta que a infestação pode não ser notada em razão do hábito de desenvolvimento das larvas dos insetos que ocorrem dentro dos grãos, dificultando o controle pelo uso de inseticidas protetores. Os danos causados pelos insetos podem levar à redução da massa dos grãos e da qualidade nutricional, à desclassificação do produto, reduzindo seu valor comercial, e podem favorecer o desenvolvimento fúngico na massa de grãos.

A ameaça dos fungos

O processo de infecção por fungos começa ainda no campo, principalmente durante a fase de maturação fisiológica do grão, e passa para as etapas seguintes: colheita, secagem, armazenamento, transporte e processamento. Os grãos infectados por fungos são chamados de grãos ardidos.

“É preciso fazer um monitoramento constante. Os grãos ardidos em milho são a consequência das podridões das espigas, causadas, principalmente, pelos fungos presentes no campo”, alerta Pimentel.

Os fungos produzem micotoxinas e os grãos contaminados ficam desvalorizados, pois sofrem alteração da cor, degradação de proteínas, de carboidratos e de açúcares. A tolerância máxima de grãos ardidos em lotes comerciais de milho é de 3%.

Controle de contaminantes

O pesquisador Marco Aurélio ressalta que as boas práticas agrícolas continuam sendo a melhor forma de prevenir a contaminação dos grãos por fungos e micotoxinas e reduzir as perdas causadas por insetos. “São estratégias simples que devem ser observadas desde a implantação da cultura até a destinação do produto colhido”, diz.

Dessa forma, o pesquisador recomenda ao produtor conhecer as características da cultivar escolhida, como empalhamento e decumbência das espigas, dureza e alta densidade dos grãos e resistência a danos mecânicos, a insetos e a fungos. A decumbência ocorre quando, após a maturação, as espigas de milho voltam-se para baixo impedindo a possível entrada de água na parte superior da espiga, desfavorecendo a colonização por fungos.

“O agricultor precisa observar, também, o zoneamento agrícola e conhecer as condições ambientais da sua região de produção, para saber até mesmo o histórico de ataques de insetos às espigas durante o desenvolvimento da cultura no campo”, acrescenta.

Segundo Marco Aurélio, para garantir uma boa produtividade é preciso colher na época certa, sem atrasar demasiadamente, e evitar a colheita em períodos de chuva, manter o armazém limpo e sem umidade e sempre verificar o teor de água dos grãos que serão armazenados, o ideal é 13%.

Além disso, o pesquisador orienta que é necessário fazer o monitoramento dos grãos durante o armazenamento, e sempre que a presença de insetos for constatada, o produtor deverá realizar o controle curativo, por meio do expurgo dos grãos. Os grãos novos, recém-colhidos, não devem ser misturados com os grãos velhos, de safras anteriores, e deve-se sempre que possível limpar os grãos antes do armazenamento, com máquinas de limpeza.

Visando às boas práticas de armazenamento, todos esses cuidados devem estar aliados à principal medida preventiva, que é a higienização ou limpeza dos ambientes de armazenamento. “A limpeza é tão importante que alguns autores chegam a afirmar que essa medida constitui percentual significativo no sucesso do armazenamento do milho com qualidade”, afirma Pimentel.

As principais recomendações de limpeza devem ser realizadas antes da colheita, retirando-se do local de armazenamento impurezas e resíduos de grãos e detritos de safras anteriores, os quais podem ser fonte de contaminação.

Armazenamento em paióis

De acordo com Marco Aurélio, além da aplicação das boas práticas agrícolas na lavoura e da limpeza nos armazéns, o produtor pode utilizar inseticidas químicos e inseticidas naturais, à base de terra de diatomáceas, para prevenir os contaminantes. “A aplicação de inseticidas pode ser feita nas paredes, estruturas e nos grãos. É indicado, após uma limpeza geral, fazer uma pulverização com inseticida, de efeito residual, devidamente recomendado pelo Ministério da Agricultura”, afirma.

Veja as principais recomendações:

• Armazenar o produto com o teor de umidade de 13% ou um pouco abaixo do nível usual de comercialização (12%).

• Classificar as espigas conforme o empalhamento. Separar as espigas bem empalhadas das mal-empalhadas. O bom empalhamento das espigas favorece a boa conservação, desfavorecendo o ataque de pragas. As espigas mal-empalhadas devem ser consumidas inicialmente e as espigas bem empalhadas podem ser consumidas posteriormente.

• Promover a limpeza dos grãos antes do armazenamento, no caso da produção a granel. Esta medida é importante porque os insetos têm mais dificuldade de infestar grãos limpos.

• Evitar a mistura de grãos recém-colhidos com grãos de safras anteriores.

• Assegurar que piso, telhado e paredes estejam em boas condições de impermeabilização.

• Realizar, antes do armazenamento e periodicamente (ou quando observar infestação), o tratamento da estrutura com inseticidas protetores. Assim, recomenda-se, após uma limpeza geral, a pulverização com inseticida, de efeito residual, devidamente recomendado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

• Utilizar sempre as dosagens recomendadas pelos fabricantes de inseticidas, que constam em rótulos e bulas dos produtos. No caso do expurgo, utilizar sempre lona plástica especial (com maior espessura) e não as lonas plásticas para uso geral. Manter o produto sob a lona pelo período de exposição indicado pelo fabricante (este não deve ser inferior a três dias).

• Produtos armazenados de safras anteriores que estejam infestados com insetos devem ser separados e expurgados com inseticida fumigante (fosfina), para eliminação de todos os estágios de vida (ovos, larvas, pupas e adultos).

Por Sandra Brito (MTb 06230/MG), Embrapa Milho e Sorgo, in EcoDebate, 03/08/2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Mapa quer reduzir desperdício e estimular consumo de fruta feia

Fonte: Ascom/MAPA - Terça-feira, 12 de Maio de 2015 


Você sabia que o Brasil desperdiça mais de 30% de todas as frutas e hortaliças que produz? A fim de reduzir o desperdício de alimentos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) quer estimular o consumo das frutas e hortaliças que podem parecer “feias” por terem se desenvolvido com pequenas deformidades ou apresentarem lesões, mas que mantêm intacto seu valor nutricional.

De acordo com estudo realizado pela Embrapa em 2000, o país desperdiça em média 30% de todos os frutos e 35% de todas as hortaliças que produz anualmente. Metade dessas perdas ocorre no manuseio e no transporte dos produtos, mas há desperdício também nas centrais de abastecimento e comercialização, nos supermercados e no próprio campo.

O pesquisador da Embrapa Antônio Gomes Soares, responsável pelo estudo, disse que, apesar de a pesquisa ter sido concluída em 2000, pouca coisa mudou. “Em alguns lugares, a qualidade do produto é melhor, mas em termos de perda pouca coisa mudou, porque muitas vezes não se usa embalagem adequada, os frutos perdem qualidade durante o transporte ou devido ao calor excessivo”, afirmou o pesquisador.

Soares disse que é preciso melhorar o treinamento das pessoas que lidam com as frutas e hortaliças, tanto no campo quanto nos centros de distribuição. O pesquisador chamou a atenção também para a condição de transporte e armazenamento dos produtos. “No campo, observamos muitas práticas inadequadas. Não se limpa o fruto direito e os que não estão sadios são jogados na terra, o que contamina outros pés. Isso tudo reduz a qualidade do produto”, acrescentou Antônio Gomes Soares.

Em Lisboa, um projeto de empreendedorismo social lançado em 2013, chamado Cooperativa Fruta Feia, expandiu-se e atualmente já conta com 480 consumidores associados. Segundo a entidade, a iniciativa já conseguiu evitar o desperdício de 81,1 toneladas de alimentos.

Os consumidores da Fruta Feita em Lisboa devem se inscrever previamente junto à cooperativa. Todos os produtos são separados em cestas de dois tamanhos diferentes. Pelo modelo adotado na cooperativa lisboeta, todos os consumidores informam previamente a quantidade que desejam levar para casa. Caso não queira comprar os produtos naquela semana, o associado deve avisar com cinco dias de antecedência, medida que visa a reduzir ao máximo o desperdício.

Link:

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Comida desperdiçada na América Latina e Caribe alimentaria 300 milhões de pessoas, diz FAO

Autor: RedeNutri Published At: Seg 13 de Out, 2014 
Um grupo de especialistas se reuniu no Chile, entre os dias 8 e 10 de outubro, para discutir maneiras de usar as sobras e perdas de alimento para erradicar a fome na região.

O desperdício de comida na AméricaLatina e o Caribe serviria para alimentar 300 milhões de pessoas, mais que toda a população que sofre de fome na África.

Para tratar esse tema, um grupo de especialistas de 13 países se reuniram na sede da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Chile entre os dias 8 e 10 de outubro para dimensionar o alcance do problema na região e revisar as formas que os governos estão abordando esta questão.

A consulta servirá como um guia de boas práticas regional e um marco de referência para que os países da região possam avançar para erradicar a fome através de programas de zero desperdícioe perda de alimentos.

O documento final também servirá como peça-chave para as contribuições que a FAO fará aoP lano de Erradicação da Fome e Pobreza da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

37 milhões não têm acesso à alimentação suficiente

“A fome na nossaregião afeta 37 milhões de pessoas e por ano perdemos uma quantidade suficiente de alimentos para satisfazer oito vezes as necessidades dessas pessoas. Reduzir e erradicar as sobras nos permitirá dar um passo fundamental na luta contra a fome em toda a região”, disse a vice-representante regional da FAO, Eve Crowley. 

O exemplo mexicano foi ressaltado graças aos esforços do governo através da Cruzada Nacional Sem Fome para fornecer uma resposta rápida para 7 milhões de mexicanos que vivem em insegurança alimentar. 

Para isso, o país desenvolveu indicadores para medir a quantidade de alimentos desperdiçados, constatando que em média 37% dos alimentos termina nas latas de lixo – incluindo 54% de peixes e sardinha, 57% do leite, 40% de carne de porco e 57%de abacate, muito usado na comida mexicana. Os números demonstram que, com tudo o que se perde e é jogado fora, o país poderia acabar com a fome entre seus cidadãos. 

Para reverter esse quadro, o governo implementou bancos de alimentos e medidas para melhorar o armazenamento, transporte, manipulação e conservação dos produtos alimentícios, bem como mecanismos de aproveitamento de alimentos descartados que ainda podem ser aproveitados para a alimentação.

Bancos de alimentos existentes em vários países da América Latina e o Caribe também ganharam destaque. Segundo o representante da Rede Global de Banco de Alimento, Alfredo Kasdorf, a região exerce uma liderança neste tipo de atividade ao contar com 220 bancos em 15 nações que só no ano passado resgataram e distribuíram 190 milhões de quilos de comida para mais de 12,7 mil organizações. 

“Ao ser uma região que produz tantos alimentos, o potencial de recuperação é alto”, afirmou Kasdorf.

Link:

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Desperdício global de alimentos representa perdas de quase dois bilhões de euros

A perda e o desperdício de alimentos é a redução, ao longo de toda a cadeia alimentar (desde a produção até o consumo) e devido a qualquer causa, da quantidade de alimentos que em princípio estava prevista para ser destinada ao consumo humano. Estas perdas chegam a 1,3 milhão de toneladas métricas ao ano.

A reportagem está publicada no sítio Derecho a la Alimentación, 22-09-2014. A tradução é de André Langer.

A principal diferença entre perda e desperdício está nas causas: o desperdício se dá por uma decisão nossa, voluntária, enquanto que as perdas não. Normalmente, as perdas concentram-se nas primeiras fases da cadeia alimentar, e o desperdício nas últimas, ao nível dos consumidores finais.

Na Europa, o total de perdas e desperdício de alimentos é de cerca de 280 quilos por pessoa/ano, dos quais, quase 100 quilos são desperdício que se produz ao nível dos consumidores. No entanto, na África Subsaariana, o total de perdas e desperdício de alimentos é de cerca de 170 quilos por pessoa/ano, mas, desses, apenas sete quilos correspondem a desperdícios ao nível de consumidores.

Que consequências tem o desperdício de alimentos?

As perdas e os desperdícios de alimentos têm impactos negativos em diferentes âmbitos (no econômico, no social e no ambiental) e em diferentes níveis (desde o nível doméstico até o mundo globalizado).

No nível micro, estas perdas implicam que os lares gastam maior porcentagem de recursos em alimentos que depois não são consumidos e aumentam o lixo, o que produz uma maior contaminação e aumenta de forma desnecessária as emissões de gases de efeito estufa.

Ao longo da cadeia alimentar, isto supõe uma ineficiência maior (gastamos mais alimentos para nos alimentar), uma produtividade menor e uma maior complexidade da gestão do lixo.

No nível global, estas perdas e desperdícios traduzem-se em aumento dos preços dos alimentos; este aumento agrava a situação das famílias mais pobres, aquelas que têm que dedicar até 80% dos seus ingressos simplesmente para se alimentarem; pessoas que, com preços mais altos, veem-se expostas à fome. Além disso, aumenta-se de forma desnecessária a pressão sobre os recursos naturais e contribui-se para a mudança climática, fazendo com que o sistema alimentar em nível global seja cada vez mais insustentável.

Por que se produzem estas perdas e desperdícios de alimentos?

Quando se analisa as causas podemos ver que estas afetam momentos da cadeia alimentar muito diferentes e diversos níveis, desde o micro até o estrutural: as causas relacionadas ao nível micro estão relacionadas com ações ou omissões ao nível individual, ao passo que as causas estruturais ou sistemáticas estão relacionadas com o mau funcionamento do sistema alimentar, deficiências institucionais ou condicionamentos políticos.

Há causas que operam no início da cadeia alimentar anterior inclusive à colheita, como podem ser práticas agronômicas inadequadas, fatores ambientais, má escolha dos cultivos de acordo com as condições do terreno, etc. Às vezes, a produção fica sem ser colhida e é desperdiçada ainda no campo porque não cumpre determinados padrões exigidos pelo mercado ou devido a que os preços na época da colheita são tão baixos que não vale a pena nem fazer a colheita. Outras vezes as perdas se dão durante a colheita e primeira manipulação, devido a técnicas inadequadas, à falta de meios inadequados, à carência de locais de armazenamento, etc. Também há descarte de alimentos que, mesmo sendo adequados para o consumo humano, não cumprem os padrões “estéticos” impostos pelo mercado.

Algumas perdas de alimentos – especialmente em países em desenvolvimento – acontecem porque não se conta com instalações de armazenamento e conservação adequadas, especialmente para aqueles produtos que requerem refrigeração, ou porque as condições de transporte são deficientes (estradas em péssimas condições, veículos inadequados…).

Nos países em desenvolvimento, as perdas de frutas e hortaliças devidas às deficiências nas infra-estruturas de armazenamento e transporte oscilam entre 35% e 50%.

(EcoDebate, 24/09/2014) publicado pela IHU On-line, parceira editorial do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

sexta-feira, 18 de julho de 2014

América Latina e Caribe poderiam acabar com a fome apenas com alimentos desperdiçados, diz FAO

Somente na venda a varejo, se desperdiça comida que alimentaria 64% das pessoas que sofrem de fome na região.
Foto: FAO/reprodução

Na América Latina e no Caribe se perdem e desperdiçam mais alimentos do que os necessários para satisfazer as necessidades das 47 milhões de pessoas que ainda sofrem de fome na região, disse nesta quarta-feira (16) a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O relatório “Perdas e desperdícios de alimentos na América Latina e no Caribe”, publicado pelo escritório regional da FAO, diz que 6% das perdas mundiais de alimentos ocorrem na região.

“A cada ano, a região perde ou desperdiça aproximadamente 15% de seus alimentos disponíveis, o que impacta a sustentabilidade dos sistemas alimentares, reduz a disponibilidade local e mundial de comida, gera menor renda para os produtores e aumenta os preços para os consumidores”, explicou o representante regional da FAO, Raul Benítez.

Benítez acrescenta que as perdas e desperdícios também têm um efeito negativo sobre o meio ambiente devido à utilização não sustentável dos recursos naturais. “Enfrentar este problema é fundamental para avançar na luta contra a fome e deve ser convertida em uma prioridade para os governos da América Latina e do Caribe”, disse Benítez.

O que são e onde ocorrem as perdas e desperdícios?

Segundo a FAO, as perdas de alimentos dizem respeito à diminuição da massa disponível de alimentos para o consumo humano nas fases de produção, pós-colheita, armazenamento e transporte.

Já os desperdícios de alimentos são as perdas derivadas da decisão de descartar alimentos que ainda têm um valor nutricional, e estão associados principalmente ao comportamento dos vendedores atacadistas e varejistas, serviços de venda de comida e consumidores.

As perdas e desperdícios ocorrem ao longo da cadeia alimentar: na região, 28% se dão no âmbito do consumidor; 28% da produção; 17% no mercado e distribuição; 22% durante o manuseio e armazenamento e o 6% restantes na etapa de processamento.

Perdas na venda no varejo

Com os alimentos que se perdem na região somente na venda no varejo, ou seja, em supermercados, feiras livres, armazéns e demais pontos de venda, poderiam ser alimentadas mais de 30 milhões de pessoas – ou seja, 64% das pessoas que sofrem de fome na região.

Os alimentos que se perdem neste nível nas Bahamas, Jamaica, Trinidade e Tobago, Belize e Colômbia são equivalentes aos que se necessitaria para alimentar todos aqueles que sofrem de fome nestes cinco países.

Antígua e Barbuda, Bahamas, Jamaica, São Cristóvão e Neves, Trinidade e Tobago, Belize, Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Suriname e Uruguai poderiam ter alimentos equivalentes aos que necessitam para alcançar o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, se reduzissem somente este tipo de perda.

“Ainda que seja importante dizer que os países da região possuem as calorias mais que suficientes para alimentar todos seus cidadãos, a enorme quantidade de alimentos que são perdidos ou que acabam na lixeira é simplesmente inaceitável enquanto a fome continuar afetando quase 8% da população regional”, explicou Benítez.

Como acabar com as perdas e desperdícios?

Existem formas de evitar as perdas e os desperdícios em todos os elos da cadeia, principalmente por meio de investimentos em infraestrutura e capital físico, melhorando a eficiência dos sistemas alimentares e de governança sobre o tema mediante normas, investimentos, incentivos e alianças estratégicas entre o setor público e o privado.

Um exemplo são os bancos de alimentos, que reúnem comida que, por diversas razões, seriam descartadas para sua redistribuição e que já existem na Costa Rica, Chile, Guatemala, Argentina, República Dominicana, Brasil e México. A Associação de Bancos de Alimentos do México, por exemplo, resgatou 56 mil toneladas de alimentos somente em 2013.

A sensibilização pública também é chave e pode ocorrer por meio de campanhas dirigidas a cada um dos atores da cadeia alimentar, como faz a iniciativa mundial “Save Food”, uma parceria entre a FAO, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a companhia alemã Messe Düsseldorf. A iniciativa reúne 250 parceiros, organizações e empresas públicas e privadas e realiza campanhas em todas as regiões do mundo.

“Erradicar a fome na região requer que todos os setores da sociedade façam esforços para reduzir suas perdas e desperdícios”, destacou o representante da FAO na região.

Perdas e desperdícios mundiais

No âmbito mundial, entre um quarto e um terço dos alimentos produzidos anualmente para o consumo humano se perde ou desperdiça.

Isso equivale a cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos, o que inclui 30% dos cereais; entre 40 e 50% das raízes, frutas, hortaliças e sementes oleaginosas; 20% da carne e produtos lácteos; e 35% dos pescados.

A FAO calcula que estes alimentos seriam suficientes para alimentar 2 bilhões de pessoas.


Fonte: ONU Brasil

EcoDebate, 18/07/2014

Link:

quarta-feira, 9 de julho de 2014

SAVE FOOD: Appropriate food packaging solutions for developing countries - 2014 edition

Originally published in 2011 by FAO, the study is now available in a revised edition dated 2014. It contains a new section on investment opportunities in developing countries and is also available in Spanish and French.

The study – commissioned to Dr. Nerlita Manalili – was undertaken to serve as a basis for the international congress Save Food! held in conjunction with the international packaging industry fair, Interpack 2011, held in Dusseldorf, (Germany) in May 2011.

Appropriate food packaging solutions highlights the constraints faced by small- and medium-scale food processing industries in developing countries and, specifically, their limited access to affordable and yet adequate packaging materials.

The publication is available at:



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Relatório apoiado pela ONU traça as origens e as causas do desperdício global de alimentos

Nesta quarta-feira (02), um painel de especialistas apoiados pelas Nações Unidas apresentou o relatório Desperdício e perda de alimentos no contexto de sistemas alimentares sustentáveis que traça as origens e as causas do desperdício de alimentos e que recomenda algumas ações possíveis para reduzir as 1,3 bilhão de toneladas de comida que são perdidas anualmente em todo o mundo.

“A perda e desperdício de comida são consequência do modo com que os sistemas de alimentos funcionam atualmente, em nível técnico, cultural e econômico”, explicou o Painel de Alto Nível de Especialistas do Comitê sobre Segurança Alimentar Mundial, a mais importante plataforma internacional e intergovernamental para discussões e definição de agenda sobre questões relacionadas com a segurança alimentar global.

Segundo a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), o desperdício adquiriu alta visibilidade: “cerca de um terço de toda a comida produzida para consumo humano acaba perdido”, prejudicando a segurança nutricional das populações e a sustentabilidade do sistema alimentar – que garante a disponibilidade de comida para as atuais e futuras gerações.

Valendo-se de uma perspectiva sistêmica, o relatório analisou os impactos da perda de alimentos com base em uma ampla lista de causas. “Reduzir as perdas e o desperdício é essencial para melhorar a segurança alimentar e diminuir a pegada ecológica dos sistemas de produção de alimentos”, afirma o documento.

Fonte: ONU Brasil

EcoDebate, 04/07/2014
Link:

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O desperdício de alimentos no Brasil. Entrevista com Walter Belik

“Precisamos ter uma medida exata do desperdício, porque existe um certo pânico quando se trata dessa questão”, adverte o engenheiro agrônomo.
Qual é o tamanho do desperdício de alimentosno Brasil? Não há resposta para essa pergunta, alerta Walter Belik em entrevista concedida àIHU On-Line, pessoalmente, em ocasião da sua participação no XV Simpósio Internacional IHU. Alimento e Nutrição no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que ocorreu na Unisinos entre os dias 5 e 8 de maio. Belikexplica que as pesquisas realizadas para identificar qual a porcentagem dos alimentos desperdiçados no país não seguem metodologias “compatíveis com a realidade brasileira”. “O que é o desperdício, afinal de contas?

Muitas pessoas que fazem pesquisa de desperdício vão ao varejo ou à feira e perguntam para o feirante quanto ele perdeu. Então, como ele calcula isso? Se ele vende a banana por R$ 3,00 à dúzia e no fim da feira vende por R$ 1,50, ele calcula que perdeu 50%. Nesse caso, ele fez uma conta em valor, ou seja, desperdício para ele é isso. No caso do peso, é complicado também fazer uma avaliação, porque, afinal, como você pesa as coisas? A melancia, por exemplo, tem bastante peso por causa da casca, e consumimos muito pouco dela, embora os nutricionistas insistam para utilizarmos a casca da melancia para diversas coisas. Nesse sentido, se você pesa o que está jogando fora, o peso é a maior parte do componente alimentar daquele alimento. Então, essas estatísticas são muito enviesadas por conta disso”, assinala.

Segundo ele, é possível ter uma evidência maior do desperdício de alimentos na fase de produção e de transporte. Contudo, “o desperdício no consumo é baixo, porque a população brasileira é pobre e pobre não joga fora a comida; come tudo, tenta aproveitar tudo, até resto de alimentos para uma nova refeição”. Nesse cenário de desperdício, acentua, o modelo físico adotado pelas CEASAs “não funciona mais”. “As centrais de abastecimento não se atualizaram. Então, ainda se tem um sistema de centrais de abastecimento que perderam a sua identidade e a sua função. No passado, elas foram criadas para aproximar o produtor do consumidor, então tinham justamente a função de atacado. À medida que as cidades foram crescendo e os supermercados se desenvolvendo, as centrais perderam essa função.”

Belik também chama atenção para a discussão acerca do padrão de consumo adotado em relação aos alimentos, no qual o “consumidor valoriza o aspecto cosmético da fruta, da verdura. (…) Se ela está com uma manchinha, ou feia, enrugada, ou se a cenoura não tem aquele tamanho ou formato exato, ela já não serve para o consumo. Então, como o consumidor rejeita, o varejo acaba rejeitando, e o produtor nem colhe”. Isso está mudando na Europa e em alguns lugares dos Estados Unidos, mas, principalmente na Europa, existem campanhas públicas para consumir alimentos que não são perfeitos, bonitos, mostrando que a qualidade nutricional está nessa diversidade. As pessoas são diferentes, por que os vegetais têm de ser iguais, todos exatamente iguais?” E dispara: “O consumo é ditado pelo mercado, sim, porém o mercado se move em função da consciência das pessoas. Por isso, tem de conscientizar as pessoas para o consumo diferenciado”.

Walter Belik é graduado e mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas. Possui ainda pós-doutorado naUniversity of London, na Inglaterra, e no Department of Agricultural & Resource Economics da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos. Em 2000, recebeu o título de professor livre-docente pelo Instituto de Economia da Unicamp, universidade onde está vinculado desde 1985. De uma trajetória de pesquisas relacionadas à avaliação da política agrícola e agroindustrial, concentrou as atenções nos aspectos do processamento e da distribuição de alimentos. Atua principalmente na discussão das alternativas de políticas de segurança alimentar, analisando o papel do abastecimento alimentar e a logística da distribuição.

Confira a entrevista.
IHU On-line- Em que medida o desperdício de alimentos, seja na produção, no transporte ou no consumo é um dos implicadores da fome?

quinta-feira, 6 de março de 2014

América Latina desperdiça 15% dos alimentos que produz

A região perde 80 milhões de toneladas por ano, 6% do total global de perdas

O desperdício ocorre igualmente na produção e no consumo: cada uma dessas etapas representa 28% do total de perdas, segundo cálculos da FAO
A data de validade dos produtos é um fator que contribui de maneira importante para estas perdas, especialmente na etapa do consumo familiar

Quantas vezes por semana você joga restos de comida ou alimentos estragados no lixo?

Talvez você pense melhor nisso quando souber que a América Latina, onde milhões de crianças sofrem desnutrição crônica, perde 15% dos alimentos produzidos a cada ano, ou cerca de 80 milhões de toneladas.

Do ponto de vista da nutrição, isso significa que se desperdiça um quarto dos componentes energéticos – ou 450 quilocalorias – de que uma pessoa precisa diariamente para viver.

Embora não seja um consolo, comparativamente a América Latina é a região do mundo que menos desperdiça ou perde comida. Nos países desenvolvidos, a proporção pode alcançar mais de um terço da produção total de alimentos.

As causas desse desajuste variam em função dos países. Os de rendimento alto, por exemplo, deixam de aproveitar a maior parte de seus alimentos na etapa do consumo. Na América Latina, o desperdício se produz por igual nas etapas de produção e consumo: a cada uma dessas etapas representa 28% do total de perdas, segundo cálculos da FAO.

Data de validade

A data de validade dos produtos é um fator que contribui de maneira importante para as perdas, especialmente na etapa do consumo familiar. O consumidor tende a pensar que não é seguro ingerir um alimento após esse prazo, apesar das advertências em contrário dos especialistas.

“Muitas vezes eu compro alguns produtos, como embutidos, por exemplo, que vencem em um ou dois dias, e nem sempre dá tempo de consumi-los”, comenta Juan Pedro, em um restaurante do centro de Buenos Aires.

Quanto à produção, o desperdício se deve principalmente à colheita ineficiente ou prematura, e às condições excessivas de chuva ou de seca, algo que acontece frequentemente no Brasil e Argentina, por exemplo.

O resto das perdas de alimentos na região é dividido pelas fases de armazenamento (22% do total), de distribuição e mercado (16%) e de processamento (6%).

O desperdício de alimentos supõe terríveis perdas no investimento em agricultura e nos insumos de energia necessários para produzir comida José Cuesta, especialista em pobreza no Banco Mundial

No México, por exemplo, são desperdiçadas mais de 10 milhões de toneladas de alimentos ao ano, que representam 37% da produção agropecuária no país, segundo o Grupo Técnico de Perdas de Alimentos.

“O desperdício de alimentos supõe terríveis perdas no investimento em agricultura e nos insumos de energia necessários para produzir comida”, explica José Cuesta, especialista em pobreza no Banco Mundial e autor do Food Price Watch, que monitora o preço mundial dos alimentos e seus efeitos socioeconômicos na população.

“Trata-se de rendimentos que o agricultor latino-americano deixará de receber por um produto que não poderá vender”, diz.

Segundo o especialista, existem medidas técnicas imediatas que possam ajudar a frear o desperdício de alimentos. Algumas são tão simples, como usar recipientes de plástico – ao invés de sacas - para depositar a fruta que se coleta, ou melhorar os sistemas de refrigeração para evitar perdas na fase de armazenamento.

Efeito nos mais pobres

A lógica econômica desse problema é simples mas assustadora: quanto mais comida as pessoas jogarem fora, mais alimentos terão que comprar para poder cobrir suas necessidades.

Isso significa que as famílias utilizarão uma maior proporção de seus rendimentos em comida e menos em outras atividades como educação ou previdência.

“Claramente as perdas alimentícias têm um impacto sobre a pobreza”, afirma Cuesta.

Ele assinala que uma maneira de tentar sanar a situação é conscientizar os consumidores. Porque em suas mãos está a chave para aproveitar todos os alimentos e evitar comportamentos nocivos. Em certas ocasiões, eles são incentivados pelas promoções e propagandas – dois produtos pelo preço de um, por exemplo –, que convidam a adquirir mais produtos do que os consumidores realmente precisam.

Apesar das repetidas crises no preço dos alimentos que o mundo vem sofrendo desde 2007, os governos da região não chegaram a políticas concretas de mudança de hábitos de consumidores e produtores para frear o grave problema do desperdício de comida.

“Não há muito nível de consciência, nem sequer nos países mais ricos. Há consciência para produzir mais alimentos mas não para melhorar a tendência de perdas de alimentos na região, sobretudo em conscientização e educação”, conclui Cuesta.

Segundo o informe Food Price Watch, o preço dos alimentos continua subindo – embora tenha caído em 2013 –, o que ameaça a população de menos recursos econômicos. O próximo relatório, previsto ser publicado no fim do mês, será dedicado ao problema global do desperdício de alimentos.

Informe do Banco Mundial, publicado pelo EcoDebate, 05/03/2014

Link:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Aumento da pobreza está ligado ao desperdício de alimentos, avalia especialista do Banco Mundial


O desperdício de alimentos e o aumento da pobreza têm relação direta, afirma o especialista Banco Mundial na área de pobreza, José Cuesta. Quanto mais comida as pessoas jogam fora, mais caros ficam os alimentos, o que obriga as famílias a gastarem mais com comida e menos com outras atividades, como educação e previdência.

“Não há muito nível de consciência, nem sequer nos países mais ricos. Há consciência para produzir mais alimentos mas não para melhorar a tendência de perdas de alimentos na região, sobretudo em conscientização e educação”, afirma Cuesta.

Apesar de ser a região que menos desperdiça no mundo, 6%, a América Latina perde todos os anos 80 milhões de toneladas, o que representa 15% de sua produção anual, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Do ponto de vista nutricional, isso significa que se desperdiça um quarto dos componentes energéticos de que uma pessoa precisa diariamente para viver.

“O desperdício de alimentos supõe terríveis perdas no investimento em agricultura e nos insumos de energia necessários para produzir comida”, explica o especialista do Banco Mundial e autor da publicação Food Price Watch, que monitora o preço mundial dos alimentos e seus efeitos socioeconômicos.

No continente latino-americano, o desperdício nas etapas da produção e do consumo representa, em cada uma, 28% do total de perdas. Fatores como a data de validade contribuem para as perdas no consumo familiar, enquanto na produção o desperdício se deve, principalmente, à colheita ineficiente ou prematura e às condições excessivas de chuva ou de seca, frequentes no Brasil e na Argentina. As perdas também são atribuídas às fases de armazenamento (22%), de distribuição e mercado (16%) e de processamento (6%).

Algumas medidas técnicas podem ajudar a frear o desperdício, explica Cuesta, como usar recipientes de plástico, em vez de sacas, para depositar a fruta que se coleta, ou melhorar os sistemas de refrigeração para evitar perdas durante o armazenamento.

Fonte: ONU Brasil

EcoDebate, 18/02/2014

Link:
http://www.ecodebate.com.br/2014/02/18/aumento-da-pobreza-esta-ligado-ao-desperdicio-de-alimentos-avalia-especialista-do-banco-mundial/

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Comida jogada no lixo em Manaus daria para alimentar 100 mil pessoas


Diariamente, 95,4 toneladas de alimentos vão para o lixo em Manaus, capital de um Estado onde 648,6 mil pessoas estão inclusas na faixa de extrema pobreza.

A Secretaria Municipal de Limpeza (Semulsp) informou que recolhe diariamente 95,4 toneladas de alimentos nas lixeiras, em 39 feiras e mercados. Por mês, os alimentos desperdiçados somam 2.862,9 toneladas. Em janeiro do ano passado, a média mensal era 270 toneladas.

O resultado do desperdício, também, pesa no bolso do consumidor. Quanto mais frutas, legumes, verduras e peixe no lixo, mais caro estes alimentos chegarão à mesa.

A Feira da Panair, no Educandos, zona sul, é a campeã em despejo de comida no lixo: 9,7 toneladas por dia. Jaraquis, pacus, sardinhas, curimatãs e até tambaqui chegam a transbordar nas lixeiras ao fim do dia. O feirante Adeilson Monteiro de Paula explicou que a quantidade descartada varia conforme a oferta e período do ano. “Peixe só vende bem mesmo de manhã cedo. O produto que ainda está na banca depois das 10h30 ou 11h tem grande chance de encalhar”, explicou.

Diariamente, 1,5 tonelada de tomate, cebola, pimentão e abacaxi, entre outras frutas e legumes, acaba na lixeira da Feira do Coroado, zona leste. Dona de uma banca há cinco anos, a feirante Nazaré dos Santos Reis divide a responsabilidade pelo desperdício com os consumidores. Ela afirma que muitos clientes deixam de comprar um tomate, por exemplo, por estar amassado. “Não temos tempo de distribuir comida. Aqui, eu deixo o que pode ser reaproveitado num galão separado, para quem quiser vir pegar”.

Apesar da média de comida despejada no lixo somente nas feiras e mercados da cidade, 95,4 toneladas por dia, a dimensão do desperdício em Manaus é ainda maior. A Semulsp informou que não tem como quantificar a comida descartada pelos restaurantes, porque não há lixeiras exclusivas só para alimentos e, alguns estabelecimentos fazem seu próprio descarte, conforme a Lei Complementar Nº 001, de 20 de Janeiro de 2010.

Além disso, em torno de 30% da produção agrícola do Estado se perde antes de chegar às prateleiras de venda, segundo a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror).

Em paralelo às 2.862,9 toneladas mensais de comida jogada na capital, no Amazonas o universo dos miseráveis corresponde a 18,6% do total dos 3,48 milhões de habitantes do Estado, segundo o último levantamento do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesa Brasil quer diminuir o desperdício

O Programa Mesa Brasil está buscando parceiras para diminuir o desperdício de comida em Manaus. O coordenador do projeto, Ellinaldo Barbosa, avalia que grande parte dos alimentos despejados nas lixeiras das feiras e mercados poderia ser reaproveitado no prato.

Para Ellinaldo, o maior entrave para a coleta destes produtos nas feiras é o armazenamento inadequado. “Existe um ponto delicado entre a fruta ou verdura que não está própria para a comercialização, mas ainda tem um bom valor nutricional, e aquela que já está estragada. Não se pode depositar tudo junto”, disse.

Em 2013, o Mesa Brasil recolheu 2.100 toneladas de alimentos em Manaus, junto aos agricultores, restaurantes, supermercados e padarias. Barbosa afirmou que o projeto alimentou 80 mil pessoas no ano passado, e complementou 7 milhões de refeições. “Iniciamos uma conversa com a Secretaria Municipal de Limpeza (Semulsp) para fomentar uma parceria com atuação direta nas feiras e mercados”.

Barbosa explicou que os alimentos recolhidos incrementam os pratos de quem tem pouca variedade em casa, aumentando o valor nutricional da refeição. “Em alguns casos, a pessoa tem somente farinha e ovos em casa, e ganha em saúde ao receber também abóbora ou couve, por exemplo”, disse.

O Mesa Brasil, desenvolvido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), é um Programa de Segurança Alimentar e Nutricional, baseado em ações educativas e distribuição de alimentos excedentes ou fora dos padrões de comercialização, mas que ainda podem ser consumidos. A rede atua nacionalmente como um banco de alimentos para a promoção da cidadania e segurança alimentar.

Em atividade, no Amazonas há 10 anos, o Mesa Brasil distribui alimentos para 200 instituições sociais, como Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Casa Vhida, Grupo de Apoio à Criança com Câncer do Amazonas (GAAC-AM), Abrigo Moacir Alves e Lar Batista Janel Doylle. O programa atua em Manaus, Iranduba, Manacapuru e Rio Preto da Eva.

Para ser doador, voluntário ou assistido do programa, o interessado deve entrar em contato pelos telefones 3234-1598 ou 3234-1795. Também é possível se inscrever diretamente no Sesc, na Rua Coronel Salgado, 512, Aparecida, de segunda à sexta-feira, de 8h30 às 17h30.

Desperdício Universal

A campanha ‘Pensar. Comer. Conservar – Diga Não ao Desperdício’, lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), alerta sobre as toneladas de comida que vão para o lixo diariamente.

Segundo dados do programa, atualmente pelo menos um terço de todos os alimentos produzidos no mundo se perde entre as fazendas e a mesa de refeição. O estudo identificou que as pragas, instalações inadequadas de armazenamento e escoação ineficiente são as principais causas do estrago de comida no mundo.

Texto originalmente publicado no D24AM.

EcoDebate, 23/01/2014

Link:


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Pensar. Comer. Conservar: PNUMA, FAO e parceiros lançam campanha global contra o desperdício de alimentos

Consumidores, indústria e governos têm papel fundamental para reduzir as 1,3 bilhão de toneladas de comida descartadas anualmente

Atitudes simples podem reduzir drasticamente as 1,3 bilhão de toneladas de comida desperdiçadas a cada ano. É o que defende a campanha global contra o desperdício de alimentos que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lançam hoje.
Com o tema Pensar. Comer. Conservar — Diga não ao desperdício, a iniciativa está ligada à SaveFood Initiative, ação organizada pela FAO e pela Messe Düsseldorf, para combater a perda de alimentos, e com o “Desafio Fome Zero”, do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon. A campanha se dirige especialmente aos consumidores, comerciantes e outros componentes dos setores da gastronomia e da hospedagem.

Participam também organizações como a WRAP UK – de incentivo à reciclagem – e Feeding de 5000 – que distribui alimentos que seriam descartados –, além de outros parceiros, incluindo governos nacionais com ampla experiência em políticas contra o desperdício.

A campanha Pensar. Comer. Conservar será composta por diversas ações pelo mundo que serão reunidas em um portal, que pode ser acessado pelo endereço www.thinkeatsave.org.

Cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido durante os processos de produção e venda, um desperdício equivalente a 1 trilhão de dólares, de acordo com informações da FAO.

“Em um mundo com uma população de 7 bilhões de pessoas, que deve chegar a 9 bilhões até 2050, o desperdício de alimento não faz sentido, seja do ponto de vista econômico, ambiental ou ético”, afirma o Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner. “Além da perda de produção, são desperdiçados também recursos como água, terras cultiváveis, insumos agrícolas e tempo de trabalho – sem contar a geração de gases-estufa pela comida em decomposição e pelo transporte dos alimentos. Para termos uma vida verdadeiramente sustentável, precisamos transformar a maneira como produzimos nossos alimentos”, acrescenta.

“Nas regiões industrializadas, quase metade da comida descartada, cerca de 300 toneladas por ano, ainda está própria para o consumo. Essa quantidade é equivalente a toda a produção de alimentos da África Subsaariana e suficiente para alimentar 870 milhões de pessoas”, informa o Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva. “Se as perdas durante a colheita, estocagem e transporte de alimentos forem reduzidas, e se fizermos alterações profundas na maneira que as pessoas compram comida, poderemos ter um mundo mais saudável e sem pessoas com fome”, completa.

O modelo de produção de alimentos causa implicações profundas no meio ambiente. Os excessos só torna a situação mais preocupante, como mostram os dados a seguir:

-Mais de 20% das terras cultiváveis, 30% das florestas e 10% dos pastos no mundo estão degradados;

-Pelo menos 70% da água consumida no mundo é utilizada pela agricultura;

-A produção de alimentos consome, globalmente, quase 30% da energia disponível para usuários finais;

-A agricultura contribui com mais de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa;

-Por conta da pesca descontrolada, 30% das áreas pesqueiras são consideradas esgotadas.

A campanha é resultado da Rio+20. Na conferência, chefes de Estado aprovaram o lançamento de uma série de iniciativas para incentivar a produção e o consumo sustentáveis. Um dos pontos essenciais de atuação é na produção alimentar, dada a necessidade de alimentar uma população global em crescimento e reduzir o impacto ambiental.

“Não há um segmento mais emblemático para se atuar por um mundo mais sustentável e eco-eficiente. E também não há outra causa comum que possa unir países dos hemisférios Norte e Sul, consumidores e produtores”, opina Achim Steiner.

Segundo análise da FAO, 95% da perda de alimentos nos países em desenvolvimento ocorre nos estágios iniciais da produção, principalmente por conta das limitações financeiras e técnicas. Dificuldades para armazenamento, infraestrutura e transporte também contribuem para a perda.

Já nos países desenvolvidos, o desperdício é mais significativo no fim da cadeia de produção. Nos mercados e pontos de venda, grandes quantidades de comida são descartadas por estarem fora dos padrões de aparência devido a práticas ineficientes e pela expiração das datas adequadas para consumo. Por parte dos consumidores, o desperdício está em adquirir mais do que pode ser consumido e no preparo de grandes quantidades de comida.

Na Europa, América do Norte e Oceania, o desperdício per capita de alimento varia de 95Kg a 115Kg por ano, enquanto na África Subsaariana e Sudeste Asiático, são jogados fora entre 6 e 11Kg anuais. De acordo com a WRAP, uma família britânica poderia economizar 680 libras por ano (1.090 dólares) combatendo as perdas. A hotelaria do Reino Unido poderia deixar de gastar 724 milhões de libras (1.2 bilhão de dólares) adotando a mesma estratégia.

“No Reino Unido enfrentamos o desperdício conscientizando os consumidores e estabelecendo acordos com comerciantes, indústria e produtores. Com o crescimento populacional, teremos ainda mais pressão sobre os nossos recursos, e estamos honrados em ser parceiros do PNUMA e da FAO na campanha Pensar. Comer. Conservar, uma ótima maneira de tratar o problema de forma global”, diz a Presidente do WRAP, Liz Goodwin.

O desperdício de alimentos também é uma questão relevante para a União Europeia, e a Comissão Europeia já garantiu o seu apoio à campanha. “A UE estabeleceu a meta de reduzir pela metade a quantidade de alimento despediçada até 2020. A redução resultará em um uso mais eficiente da terra, um gerenciamento responsável dos recursos hídricos e terá um impacto positivo nas questões climáticas. Nosso trabalho se encaixa perfeitamente no lançamento dessa iniciativa”, comenta o Comissário Europeu para o Meio Ambiente, Janez Potočnik.

Para que a campanha atinja todo o seu potencial, é fundamental que diferentes públicos de interesse estejam envolvidos – famílias, supermercados, cadeias hoteleiras, escolas, clubes, CEOs, prefeitos e líderes nacionais e mundiais. O site da campanha oferece dicas simples, bem como uma plataforma para troca de informações, incentivando uma cultura global de consumo sustentável.

São fornecidas algumas informações voltadas para evitar o desperdício, reduzir o impacto ambiental e poupar recursos. Algumas delas são:

Para consumidores

Compra inteligente: planeje quais ingredientes serão usados nas suas refeições, faça listas, compre direto de produtores, evite comprar por impulso e não caia em estratégias para adquirir mais do que o necessário.

Frutas em formatos “divertidos”: muitos vegetais são descartados nos supermercados simplesmente porque seu formato ou cores não estão “adequados”. Ao comprar esses alimentos em feiras livres e outros pontos de venda, você está adquirindo comida que poderia ser jogada fora.

Compreenda as datas de validade: a frase “consumir preferencialmente antes de” não significa que o produto não pode mais ser consumido. Avalie bem antes de descartar.

Sem relíquias na geladeira: Sites como o www.lovefoodhatewaste.com, do WRAP, ensinam receitas criativas para você utilizar tudo o que comprou, mesmo o que está esquecido na geladeira.

Outras ações sugeridas: congele, peça porções menores nos restaurante, não desperdice sobras de refeições anteriores (desde que estejam em condições de consumo); e doe para banco de alimentos, abrigos e outras instituições.

Para comerciantes e indústria hoteleira

Comerciantes podem oferecer descontos para produtos próximos à data de validade, montar displays inteligentes e que evitem o desperdício, doar o excedente de alimentos, etc;

Restaurantes, bares e hotéis podem repensar suas opções no menu e incluir porções menores, criar programas de conscientização para os funcionários e outras medidas;

Supermercados, hotéis, restaurantes e administração pública podem usar o site para medir quanta comida é desperdiçada no dia a dia e estabelecer metas de redução.

Pensar. Comer. Conservar — Diga não ao desperdício.

Visite o site www.thinkeatsave.org para mais informações em inglês sobre a campanha.

SaveFood Initiative

SaveFood é uma iniciativa global contra o desperdício de alimentos, uma perceria entre empresas e entidades para reduzir as 1,3 bilhão de toneladas de alimentos descartados todos os anos.

Para mais informações, acesse: http://www.fao.org/save-food/en/

Galeria de Fotos “One Third”, de Klaus Pilcher:

A série de fotos faz uma conexão entre a perda individual de alimentos e a cadeia global de produção:

WRAP UK

WRAP UK é uma organização sem fins lucrativos fundada por representantes do Reino Unido e da União Europeia com foco no incentivo à reciclagem e combate ao desperdício. Para saber mais, acesse: http://www.wrap.org.uk/

Feeding the 5,000

A campanha Feeding the 5,000 promove eventos onde 5 mil refeições feitas a partir de ingredientes que seriam descartados são servidos de graça. Para mais informações, acesse:http://www.feeding5k.org/

Documentos relacionados

Documento do PNUMA sobre as implicações do atual padrão de consumo de alimentos na produção sustentável (em Inglês):

Programa do PNUMA para o Uso Eficiente de Recursos na Agricultura:

EcoDebate, 22/01/2014

Link: