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sábado, 3 de dezembro de 2016

Padrão de consumo atual é insustentável para população de 7 bilhões

Em palestra da série USP Talks, pesquisadores alertam para a necessidade de mudar o sistema socioeconômico e nosso modo de vida para reverter mudanças climáticas

Por Diego C. Smirne, do Jornal / Agência USP
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O sistema socioeconômico construído e adotado pela humanidade desde a Primeira Revolução Industrial, em 1750, possui um padrão de consumo insustentável para um mundo com 7 bilhões de pessoas como o atual, e mais ainda para a população que se estima que habitará a Terra daqui a poucas décadas, de 9 a 10 bilhões de indivíduos.

A afirmação é do professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, que, junto do professor Frederico Brandini, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, participou do USP Talks na quarta-feira, 30 de novembro, para tratar do tema Mudanças Climáticas: a Terra daqui a 100 anos.

“Quando a China, Índia e África, que juntas têm hoje mais de 3 bilhões de habitantes, resolverem ter o mesmo padrão de consumo dos países desenvolvidos – e isso não vai demorar -, não precisa ser muito inteligente para perceber que não vai dar certo. Precisamos mudar o sistema”, defende Artaxo, que é referência mundial no estudo da física aplicada a problemas ambientais.

O professor afirma não ver maior desafio para a ciência e a humanidade do que as mudanças climáticas, pois elas colocam em xeque nossa estrutura socioeconômica e nosso modo de viver. “Ainda tem gente que diz não acreditar nas mudanças climáticas, como o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas ele representa grandes interesses, assim como qualquer presidente. Não é uma questão de acreditar ou não, não é religião. As mudanças estão aí.”

Quando a China, Índia e África resolverem ter o mesmo padrão de consumo dos países desenvolvidos – e isso não vai demorar -, não precisa ser muito inteligente para perceber que não vai dar certo. Precisamos mudar o sistema

O professor ainda chama a atenção para um dilema ético causado pelas mudanças climáticas: “Temos o direito de causar a extinção em massa de inúmeras espécies que dividem o planeta conosco?”. De acordo com Artaxo, 40 bilhões de toneladas de gases estufa são lançadas na atmosfera todos os anos, uma taxa que ainda está em ascensão. Isso já gerou um aumento de 1ºC na temperatura média do planeta – no Brasil, o aumento foi de 1,5º a 1,8º, uma mudança crítica para ecossistemas como a Amazônia.

A floresta amazônica é um importante recurso para adiar os efeitos das mudanças climáticas, por ser o que se chama de uma bomba biológica, isto é, um grande sistema de retenção de carbono. Isso se dá porque o tronco das árvores necessita de enorme quantidade desse elemento para se formar. Porém, o professor Artaxo alerta que essa capacidade de armazenamento está se esgotando, pois as árvores não crescem para sempre, e árvores novas estão sendo sistematicamente desmatadas. “O Brasil desmatou, no último ano, 8 mil quilômetros quadrados de floresta primária na Amazônia. É uma quantidade enorme.”

Oceanos

O professor Frederico Brandini explica que, assim como a Amazônia, os oceanos também caracterizam uma bomba biológica, em virtude da absorção do carbono pelas algas unicelulares que os habitam. Além disso, eles são uma bomba de solubilidade, pois o dióxido de carbono (CO2) é muito solúvel em água, especialmente nos mares gelados próximos aos polos, que têm maior capacidade de dissolução da molécula e, por serem mais densos, levam-na ao fundo do oceano.

Porém, a capacidade da bomba biológica dos oceanos também está se esgotando, pois as algas concentram-se numa faixa limitada deles, aquela que recebe luz. Segundo o professor, apenas os 100 metros superficiais (cerca de 2% do oceano) são iluminados pela radiação solar.

Ao mesmo tempo a bomba de solubilidade é sobrecarregada pela desmedida emissão de carbono das atividades humanas, e, quanto mais carbono no fundo dos oceanos, mais ácida fica a água. “Hoje, a acidez da água dos oceanos é 30% maior do que 150 anos atrás. Isso prejudica, por exemplo, os corais, que são formados por substâncias básicas como o carbonato de cálcio. Estamos matando os recifes de coral”, afirma Brandini, estudioso da área de Oceanografia Biológica.

Hoje, a acidez da água dos oceanos é 30% maior do que 150 anos atrás. Isso prejudica, por exemplo, os corais, que são formados por substâncias básicas como o carbonato de cálcio. Estamos matando os recifes de coral

Esse esgotamento da capacidade da retenção de carbono das bombas biológicas é preocupante. De acordo com Brandini, 30% do gás carbônico absorvido fica retido nas florestas, outros 30% nos oceanos e o restante é o que ele chama de “carbono perdido”. “Não se sabe para onde vai essa porcentagem, é possível que parte dela fique presa às nossas roupas, por exemplo. A questão é que os outros 60% vão deixar de ser fixados pelas árvores e pelos oceanos, então teremos ainda mais gases estufa na atmosfera, o que vai agravar o aquecimento global.”

Há ainda outros problemas da ação humana para o equilíbrio dos oceanos. Brandini afirma que algumas substâncias presentes em cosméticos e remédios não são metabolizadas por nosso organismo e, uma vez excretadas, chegam aos oceanos por meio do esgoto. “Essas substâncias ficam por décadas circulando na água, há peixes e outros seres vivos espalhados pelos mares do mundo todo contaminados por elas”, explica. Além disso, o professor ressalta os impactos da poluição sonora e luminosa causada pelo homem. “O oceano não é um universo visual, a maior parte dele é escura. Os seres marinhos se comunicam principalmente pelo som ou por mecanismos químicos, e estamos desequilibrando isso também.”
Há esperança?

Com ressalvas, os professores se mostram otimistas em relação à possibilidade de superarmos as mudanças climáticas. Artaxo afirma que iniciativas como o Acordo de Paris, aprovado por 195 países em 2015, embora bem intencionadas, são insuficientes. O acordo prevê uma redução de 32% da emissão de gases estufa com o objetivo de limitar a no máximo 2ºC o aumento da temperatura média do planeta.

“Essa redução está longe de acontecer e, mesmo se acontecesse, não seria possível alcançar a meta proposta. Além disso, o aumento da temperatura global em 2ºC representaria no Brasil um aumento da ordem de 3ºC a 3,5ºC, em média. Imagine o que aconteceria em cidades como Cuiabá e Manaus.” Entretanto, se a ação do homem se mantiver como a atual pelos próximos 100 anos, o professor afirma que a temperatura média do planeta poderia aumentar de 5ºC a 7º C, o que seria uma catástrofe.

De acordo com Artaxo, um caminho para lidar com as mudanças climáticas, mais do que tratados internacionais, é uma mudança radical em nossa sociedade, desde os padrões de consumo até a política. “Temos que rever a forma como medimos o sucesso de um país. Por que, em vez de relacionar sucesso ao que é produzido pela indústria – portanto estimulando produção e consumo insustentáveis-, não medimos a felicidade da população com o sistema implementado?”

Além dessa ideia, que já é posta em prática no Butão, país do sul da Ásia, o professor sustenta a necessidade de um sistema global de governança. “Um presidente pensa no que vai acontecer nos quatro anos de seu mandato, assim como um empresário pensa no lucro de sua empresa naquele ano. Precisamos começar a pensar que todos dividimos a mesma casa, acabar com o conceito de ‘país’ e implementar políticas públicas globais em relação ao meio ambiente.”

Precisamos começar a pensar que todos dividimos a mesma casa, acabar com o conceito de ‘país’ e implementar políticas públicas globais em relação ao meio ambiente

Apesar de parecer utópico, os professores dão exemplos práticos para mostrar que a mudança é possível. Artaxo lembra que já possuímos tecnologia suficiente para produzir carros 70% a 90% mais eficientes que os atuais, enquanto Brandini fala de energias alternativas que poderiam ser exploradas pelo Brasil, como a eólica, a solar e a das marés, tecnologias que não são comparativamente caras e cujas fontes existem em abundância no País. Artaxo defende também o desmatamento zero para manter a capacidade de retenção carbônica da Amazônia, e Brandini afirma que “se tivéssemos uma educação de qualidade, não seria necessário educação ambiental, pois as pessoas saberiam da importância do meio ambiente”.
Evento é uma iniciativa da USP, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e apoio da Livraria Cultura – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Ambos confiam na capacidade do ser humano de superar dificuldades, por meio de esforço, conscientização e da ciência – a qual Artaxo defende que deveria ter maior influência em decisões políticas e na elaboração de políticas públicas. “As baleias já foram a maior commodity do planeta, pois o óleo de sua gordura era o que iluminava as cidades da Europa. Se não tivéssemos descoberto o petróleo, elas teriam sido extintas. Depois o petróleo trouxe outros tantos problemas, mas, como já fizemos antes, podemos resolvê-los”, diz Brandini.

A oitava e última edição do USP Talks em 2016 ocorreu na tarde de quarta-feira, 30 de novembro, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura. A série de eventos é uma iniciativa das Pró-Reitorias de Graduação e de Pesquisa da USP, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e apoio da Livraria Cultura. Mais informações na página do Facebook.

in EcoDebate, 02/12/2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

As enzimas e a ‘química verde’


Campinas, 26 de setembro de 2016 a 02 de outubro de 2016 – ANO 2016 – Nº 670

Pesquisador promoveu triagem em coleção de fungos isolados de pele humana

Texto: Luiz Sugimoto
Edição de Imagens: André Vieira
Reações químicas acontecem a cada momento no corpo humano e são provocadas pelas enzimas, moléculas naturais encontradas em serem vivos que funcionam como biocatalisadores. Se as enzimas promovem estas associações em nosso corpo, também podem ser utilizadas para provocar reações químicas em laboratório. É esta a área de pesquisa de Jonas Henrique Costa, autor de dissertação de mestrado focando a detecção das atividades de duas enzimas, a monoamina oxidase (MAO) e a transaminase (TA), em fungos isolados da pele humana. O estudo foi orientado pela professora Anina Jocelyne Marsaioli, no Laboratório de Biocatálise e Síntese Orgânica (Labiosin) do Instituto de Química (IQ).

Jonas Costa conta que a busca por novos biocatalisadores, capazes de realizar transformações químicas de acordo com os conceitos da “química verde”, é um ramo em ascensão, pois a partir deles é possível realizar reações mais limpas e resultando em produtos com elevado grau de pureza. “Escolhemos trabalhar com a transaminase e a monoamina oxidase, que atuam sobre o grupo amina – importante grupo funcional presente em intermediários químicos utilizados, por exemplo, na produção de insumos farmacêuticos, agroquímicos, polímeros, corantes e agentes plastificantes. Quando certas reações não são possíveis por rotas sintéticas tradicionais, utilizam-se as enzimas.”

Segundo o autor, a dissertação visou a busca destas enzimas através de uma técnica de triagem de alto desempenho, empregando uma sonda que utiliza a fluorescência como sensor da atividade enzimática. “Como as enzimas são encontradas em seres vivos, fizemos uma triagem na coleção de 39 fungos isolados de pele humana que temos aqui no Labiosin. Funciona assim: montamos ensaios utilizando uma sonda fluorogênica que, em caso de atividade de uma enzima do microrganismo, libera um sinal fluorescente que detectamos em equipamento. Já desenvolvemos sondas para diversas enzimas, sendo que no caso foram para monoamina oxidase e transaminase.”

Dentre os microrganismos avaliados, afirma Jonas Costa, houve um que se destacou bastante, com atividade para monoamina oxidase – resultado que representa uma importante descoberta, uma vez que existem poucos relatos sobre estas enzimas na literatura. “Cada biocatalizador tem uma especificidade, atuando sobre determinado grupo de moléculas, e encontrar enzimas novas é muito bom. Já estamos fazendo o sequenciamento desta monoamina oxidase para expressá-la, isolá-la, purificá-la e utilizá-la em outras reações de síntese orgânica e em processos industriais.”

Química verde

O autor da pesquisa explica que as reações biocatalisadas, na maioria das vezes, evitam produtos secundários e a necessidade de ativação de grupos funcionais, atuando sob condições reacionais brandas. “Por isso, a biocatálise está totalmente inserida nos conceitos de ‘química verde’ surgidos a partir dos anos 1990 – são 12 conceitos, que incluem, por exemplo, catálise seletiva, produtos químicos degradáveis e de baixa toxicidade, baixo risco de acidente, entre outros.”

De acordo com Jonas Costa, por oferecer uma alternativa mais verde do que a síntese orgânica tradicional, a biocatálise vem sendo utilizada especialmente nas indústrias onde a alta seletividade das reações também é crítica, como a farmacêutica e de alimentos. As aplicações industriais em larga escala incluem, por exemplo, a síntese catalisada pela termolisina do adoçante de baixa caloria aspartame, a produção de acrilamida, a síntese do não cancerígeno edulcorante isomaltulose e a produção de biopolímeros como o ácido poliláctico.”

A dissertação traz uma pesquisa realizada pela BCC Research apontando que o mercado mundial de enzimas foi de quase US$ 4,5 bilhões em 2012 e de cerca de US$ 4,8 bilhões em 2013, havendo a expectativa de que alcance US$ 7,8 bilhões até 2018. “Várias enzimas promovem a transformação de substratos em produtos que dificilmente são obtidos por rotas químicas convencionais, ou atuam em reações nas quais não existem alternativas químicas viáveis – e por isso são muito valiosas para a indústria.”

Nesse contexto, observa o autor do trabalho, há uma grande demanda pela busca de novas enzimas ou aprimoramento das enzimas existentes. “Os microrganismos são fontes acessíveis de enzimas e, assim, realiza-se a triagem em bibliotecas como do Labiosin para rastrear aquelas com as propriedades desejadas. Várias indústrias investiram em programas nessa área, como a Basf e a Chirotech, que utilizam metodologias de triagem para a obtenção de linhas produtoras de nitrilases e y-lactamases, respectivamente.”

Link:

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Arquiteta Desenvolve Protótipo De Vaso Sanitário Que Não Utiliza Água

Modelo criado pela arquiteta utiliza micro-ondas para desidratar e transformar os dejetos em pó estéril, com testes bem sucedidos

Uma descarga despeja em média de 5 a 15 litros de água no vaso sanitário. Algo em torno de 40 litros por pessoa diariamente, e o equivalente a mais de mil litros por ano. Se pensarmos que se trata de água limpa e tratada, descendo esgoto abaixo, isso significa o desperdício de um bem natural que a cada dia se torna mais escasso e valioso. Em busca de solução, até o bilionário Bill Gates já instituiu um concurso internacional sobre o tema. Entre nós, alguns especialistas se empenham em estudar saídas para o problema. Entre eles, a arquiteta Marta Joffily de Alencar, que, com recursos do programa de Apoio ao Desenvolvimento de Modelos de Inovação Tecnológica e Social, da Faperj, está desenvolvendo o protótipo de um vaso sanitário que, no lugar de água, faz uso de micro-ondas para desidratar e transformar os dejetos em pó estéril. Os testes realizados até agora têm sido bem-sucedidos.

Como explica Marta, a ideia surgiu a partir de sua própria experiência como arquiteta, alguém que trabalhou muito tempo com planejamento urbano e habitação popular. “Habituados a procurar soluções para problemas de saneamento, chegamos ao vaso sanitário sem consumo de água, o Vassa, sigla pela qual o estamos chamando”, fala.
Mas como funcionaria um vaso assim? Marta responde com entusiasmo. “Feito com material de superfície refratária, a cada uso, os dejetos caem em um recipiente. Basta fechar a tampa do vaso e acionar o micro-ondas.” Por uma questão de segurança, o sistema elétrico só funciona quando o vaso estiver hermeticamente fechado. Só então, as micro-ondas atuam sobre os dejetos, que são desidratados e reduzidos a pó. “No volume das fezes, 80% são água. Na urina, a água corresponde a quase 100%. Uma vez desidratados, o que resta é uma pequenina quantidade de resíduo em pó. Que nada mais é do que adubo natural. No caso da urina, esse adubo contém altos teores de fósforo e nitrogênio, que o tornam ainda mais valorizado”, explica a pesquisadora. Para uma família de quatro pessoas, basta esvaziar o recipiente uma vez por semana. Para alguém que more sozinho, esse esvaziamento pode ser feito apenas uma vez por mês.

Analisando em laboratório esse pó, Marta pôde constatar que esse pó é estéril e, portanto, todos os possíveis patógenos que pudesse conter foram eliminados no processo. “Isso mostra a importância do emprego desse sistema em hospitais. Seria uma forma de se reduzir drasticamente o esgoto hospitalar”, diz.

Vapores e odores são contidos e filtrados no sistema. Para isso, filtros de carbono são usados para reter o mercaptano, gás responsável pelo odor, para que não haja nenhuma emissão para o ambiente. “O mercaptano é o responsável pelo cheiro ruim das fezes, uma mistura de gases que inclui o sulfídrico. Uma vez filtrados, os odores retidos nos filtros se condensam em vapores que depois voltam ao estado líquido. O sistema aquecido processa a limpeza”, explica. Para Marta, empenhada na construção do protótipo, com ele, não só se poderá aperfeiçoar o funcionamento do Vassa, mas também confirmar quais são os gases emitidos pelas fezes e retidos no sistema. Será também o primeiro passo para sua produção em escala. “Será fundamental para que possamos recolher, filtrar e analisar a presença de gases ainda não estudados”, acrescenta a pesquisadora.

O custo de um vaso como esse sai um pouco mais caro. Considerando que um vaso sanitário comum, sem as ligações, sai em torno de R$ 200, o Vassa custaria cerca de R$ 500. Em compensação, se pensarmos que o preço do encanamento e ligação à rede de esgoto sairia a um valor final de cerca de R$ 2 mil, constatamos que o Vassa sairia mais barato, já que continuaria custando R$ 500, uma vez que seu uso dispensa a ligação a uma rede de água e esgoto. “Sem contar que as redes de água e esgoto demandam um enorme custo operacional, uma vez que são impulsionadas por bombas, o que também significa um grande gasto de energia elétrica”, acrescenta a arquiteta. Ela explica ainda que, além disso, mais uma vez evita-se o enorme volume de água, usada para fazer com que os dejetos percorram, pela tubulação, a distância entre as residências e a unidade de tratamento de esgoto mais próxima.

Num momento em que tanto se fala em privatização da Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), pensar em saídas alternativas se torna ainda mais oportuno. “É difícil manter o alto investimento necessário para a expansão e implantação sempre crescente de redes de saneamento que a demanda de grandes cidades como o Rio de Janeiro exige. Como o Vassa pode ser instalado casa a casa, uma vez que prescinde de ligações hidráulicas, esse custo não existe”, argumenta Marta. Isso também o torna adequado a ser instalado em comunidades de baixa renda, como favelas, e em cidades que não contem com rede de esgoto. “É uma demanda que pode ser suprida pontualmente, caso a caso.”

Mesmo a energia elétrica necessária para fazer funcionar o sistema não chega a onerar o usuário. Uma família de quatro pessoas, por exemplo, teria cerca de R$ 27 de acréscimo em sua conta de luz. Mas, por outro lado, sua conta de água seria bem reduzida.

“Na verdade, estamos falando de uma inovação disruptiva, ou seja, que inverte tudo o que conhecemos a respeito do assunto. Mas trata-se também uma alternativa simples, de caráter social indiscutível e essencialmente ecológica, que muito pode contribuir para os grandes problemas de saneamento básico que enfrentamos, principalmente em regiões menos desenvolvidas”, conclui.

Fonte: Jornal da Ciência/SBPC, com informações da FAPERJ

in EcoDebate, 12/09/2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Consumo consciente, Parte 4/4 (Final), artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] A lógica hegemônica é a do “desuso acelerado” e da “obsolescência programada”, na qual os produtos são feitos para não durar, o que permite que as empresas inovem ou “maquiem” e lancem continuamente novos artigos.

A autopoiese sistêmica dominante necessita ser alterada. Pois hoje só o consumismo garante a manutenção dos círculos virtuosos da sociedade. Aumento de consumo gera maiores tributos, maior capacidade de intervenção estatal, maior lucratividade organizacional e manutenção das taxas de geração de ocupação e renda.

O consumismo precisa ser substituído pela ideia de satisfazer as necessidades dentro de ciclos. A lógica econômica varreu todo ideal de permanência, é a regra do efêmero que governa a produção e o consumo de objetos.

Os produtos são estudados para que não tenham durabilidade. Ocorre valorização do descartável que, segundo BAUMANT (2008), “tende a ser preconcebida, prescrita e instilada nas práticas dos consumidores mediante a apoteose das novas ofertas (de hoje) e a difamação das antigas (de ontem)”.

A sociedade de consumidores desvaloriza a durabilidade. Tudo que é “velho” passa a ser “defasado”, cujo destino é o descarte. Isto vale não só para bens e produtos, mas também para as relações afetivas.

Todo esse lixo é resultante de um sistema dinâmico por natureza que cria novas maneiras de acumulação; ou seja, o sistema está sempre se modificando para sustentar e ampliar suas relações (SABADINI, 2013).

Ao se olhar a história, podemos observar uma evolução na qual a mercadoria, ou seja, o valor do produto evoluiu em favor do movimento sistêmico. Com a forma dinheiro, um representante mais desenvolvido do valor e do fetiche, uma substantivação do valor se desenvolvem significativamente, passando a um nível mais elevado de abstração; na representação contraditória e profunda da natureza do sistema de consumismo. O dinheiro expressa o signo das relações sociais, políticas e econômicas entre os indivíduos.

É um dos instrumentos de dominação, de exploração, de reificação das relações humanas identificadas ao caráter inanimado e quantitativo das mercadorias. (SABADINI, 2013, p. 588).

Como consequência, ao lado da sociedade de consumidores floresce uma rentável indústria de remoção e tratamento do lixo. Porém, não é possível antever se a indústria da reciclagem, um nicho emergente de negócio, dará conta de lidar com esta “estética do descartável”, pois, por mais ativa que seja, há sempre o fenômeno da aceleração dos padrões de descartabilidade.

A solução vai muito mais além do que o reuso ou reciclagem de resíduos, mas passa primordialmente por uma revisão existencial (ética) sobre o modo com que a sociedade de consumo adquire e descarta tão rapidamente as coisas.

Se a reciclagem está aumentando, o mesmo se dá com o lixo. Neste contexto de efemeridade e descartabilidade, o consumo consciente assume ares de utopia ou de medida paliativa.

ALENCASTRO et. al. (2014) assinala que é factível que as pessoas possam se fortalecer politicamente e atuar de forma mais efetiva sobre os padrões de produção e consumo, mas a dúvida é se realmente desejam, ou podem, fazer isto.

Seguindo PÁDUA (1992, p. 59), “vive-se hoje num dilema histórico: o crescimento da consciência do planeta e, ao mesmo tempo, a vontade de consumir”. É uma situação ambígua e complexa, pois, ao lado de uma explosão do consumismo, da vontade do mercado, coexiste uma explosão da vontade de preservar o planeta.

É uma contradição que pode ser vista até em encontros de ambientalistas, nos quais os telefones celulares e notebooks de última geração, bem como as grifes da moda, ocupam o mesmo espaço dos discursos mais radicais em defesa do meio ambiente.

Sendo assim, como é possível reformular o atual modelo de consumo, cujo padrão ideal está baseado nos valores norte-americanos propagados e sacralizados pela mídia e adequá-lo a padrões mais aderentes à sustentabilidade planetária?

É uma questão complexa, um desafio para a reflexão daqueles envolvidos com a problemática socioambiental. Para muitos, um problema sem solução, já que o mundo estaria completamente “hipnotizado” por este estilo de vida.

Para outros tantos um desafio a ser superado com ousadia e criatividade. É o caso dos “Adbusters”, ativistas canadenses que protestam contra a invasão das corporações na vida das pessoas num momento em que tudo virou mídia e publicidade.

O “dia de não comprar nada”, um boicote coletivo ao mercado, é uma iniciativa deste grupo. Iniciado no Canadá em 1992, o “dia de não comprar nada” já é comemorado em 38 países.

O compartilhamento dos manifestantes nos quatro cantos do mundo é o protesto contra a produção e o consumo exagerado de mercadorias e a destruição humana e ambiental provocada pelas sociedades de consumo. É um dia em que, para desespero do mercado, a roda do consumo gira de forma mais lenta.

A civilização humana vai acabar determinando nova autopoiese sistêmica, na acepção livre das concepções de Niklas Luhmann e Ulrich Beck, que contemple a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio.

Os movimentos sociais apresentam a distorção sistêmica de articular mudanças ideológicas como se fossem soluções para questões ambientais. Mas uma nova autopoise sistêmica para o arranjo social, é urgente e precisa ser desenvolvida pela civilização humana.

Esta mudança deve começar logo, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização e uma nova sociedade em harmonia com a natureza.

Não é preciso esperar catástrofe ecológica ou hecatombe civilizatória para determinar nova autopoiese sistêmica. Nada foi mais deletério em causar a maior catástrofe ambiental do planeta do que a falta de liberdade e imprensa livre dos ditos regimes socialistas.

Referências:

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. A dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p.114.

ALTVATER, Elmar. O preço da riqueza. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

BERTÉ, Rodrigo. Gestão Socioambiental no Brasil: uma análise ecocêntrica. Editora Intersaberes, 2013: Curitiba – PR

DE ARAÚJO, Geraldino Carneiro et al. Sustentabilidade empresarial: Conceito e indicadores. Anais do 3 Congresso virtual brasileiro de administração. 2006. 3 Ver http://adbusters.org/home/

DE OLIVEIRA CLARO, Priscila Borin; CLARO, Danny Pimentel; AMÂNCIO, Robson. Entendendo o conceito de sustentabilidade nas organizações. Revista de Administração da Universidade de São Paulo, v. 43, n. 4, 2008.

DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação: de como a autonomia das novas tecnologias obriga a rever o mito do progresso. 2.ed. São Paulo: Editora UNESP, 2001.

GORZ, André. Metamorfoses do trabalho: crítica da razão econômica. São Paulo: Annablume, 2003.

LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973. p. 24 e 27.

MONTIBELLER FILHO, Gilberto. O mito do desenvolvimento sustentável: meio ambiente e custos sociais no moderno sistema produtor de mercadorias. Florianópolis: Ed. UFSC, 2004.

PÁDUA, José Augusto de. Valores pós-materialistas e movimentos sociais: o ecologismo como movimento histórico. In: UNGER, Nancy Mangabeira (Org.). Fundamentos filosóficos do pensamento ecológico. São Paulo: Edições Loyola, 1992.

SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

ALENCASTRO, Mario Sergio Cunha. EBERSPACHER, Aline Mara Gumz. KRAETZ, Guisela Kraetz. BERTÉ, Rodrigo. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E CONSUMO CONSCIENTE: ALGUMAS REFLEXÕES Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade. Ed. Especial, vol. 7, n. 3, p. 738 – 752, jul – dez 2014

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

** Artigos anteriores desta série:




in EcoDebate, 13/07/2016
"Consumo consciente, Parte 4/4 (Final), artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/07/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/07/13/consumo-consciente-parte-44-final-artigo-de-roberto-naime/.

Nove dicas para evitar o consumismo infantil

Por Fundação Maria Cecília Souto Vidigal / Portal EBC

Mas por que será que o consumismo é tão nocivo para os pequenos? Porque as crianças, motivadas pelos apelos de mercado – e sem a maturidade necessária –, se tornam consumidoras desde cedo, o que não é necessário, gerando impactos no seu desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, além de contribuir para ampliar problemas como obesidade infantil, erotização precoce, consumo de álcool e tabaco, estresse familiar, violência e falta de um brincar livre.

Por isso, vamos compartilhar nove dicas para ajudar a combater esse consumismo precoce, extraídas do site Criança e Consumo:

– Procure reduzir o tempo de TV da criança

– Busque canais de TV e páginas da internet livres de publicidade

– No intervalo comercial, sugira colocar no mudo e ensine as crianças a importância disso

– Substitua o tempo de TV por tempo juntos e passeios ao ar livre

– Reduza o próprio tempo de TV, tablet e smartphone (telas em geral)

– Informe às pessoas que passam tempo com seus filhos sobre sua intenção de reduzir o tempo de telas dos pequenos

– Comente com as crianças sobre as publicidades que encontrar pelas ruas e nos ambientes que frequenta para estimular uma visão crítica

– Ensine a criança a diferenciar o programa do intervalo comercial

– Brinque com as crianças de encontrar publicidade e marcas em lugares improváveis – clipes de música, filmes, livros e outros.

O supermercado é uma vitrine de tentações para a criança e um espaço educativo riquíssimo. Ela pede balas, chocolates, refrigerantes… O adulto pode explicar os males que tais produtos fazem à saúde e indicar o que é melhor consumir e se precisa mesmo consumir.

Introduzir a criança à prática de ler rótulos, desde pequena, é uma boa estratégia. Os pequenos ouvirão o que o adulto vai ler para eles. Os maiores já dominarão algumas palavras e essa troca, esse bate-bola sobre o que é adequado ou não, é uma maneira eficaz de combater a obesidade, por exemplo.

Sugerimos que você assista ao filme “Criança, a alma do negócio”, para entender melhor o problema do consumismo na infância e compartilhar com todo mundo. A direção é da Estela Renner, que também dirigiu o filme “O Começo da Vida”.

Mais uma sugestão é você ler (ou reler) a entrevista exclusiva que Mario Cortella concedeu ao blog, em que ele faz um paralelo entre a publicidade e o consumo infantil.

in EcoDebate, 11/07/2016

terça-feira, 3 de maio de 2016

#MeuExemploSustentável


Reutilizar pneus velhos para criar um lindo jardim e cultivar uma horta foi a ideia que agente educacional Rosaria Vieira Soares iniciou no Colégio Estadual Antonio Garcez Novaes, em Arapongas (Paraná), com o apoio das professoras Maria Rosangela de Oliveira Bonin e Irene Galuch, da pedagoga Valdenice Quintaneiro e da diretora Elisangela Cristina Perugini Mazaro. O Meu Exemplo Sustentável de hoje foi desenvolvido com a participação voluntária dos alunos, estimulando em cada um a consciência ambiental e a importância da preservação do meio ambiente.

Um grupo de amigos resolveu usar a criatividade para ajudar a Creche Alecrim, em Brasília. Pneus velhos viraram lindos puffs e mesas que seriam descartadas foram recobertas com tecido e agora apoiam as atividades recreativas das crianças. PARABÉNS ao Meu Exemplo Sustentável enviado pela Suzzie Valadares.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

No Cleaning Products, No Problem (www.therugseller.co.uk)

http://www.therugseller.co.uk/infographics/spring-cleaning-hacks-infographic
 spring-cleaning-hacks-infographic
No Cleaning Products, No Problem by The Rug Seller

A perspectiva das construções sustentáveis, artigo de Reinaldo Dias

Telhado Verde

[EcoDebate] Ao longo das últimas décadas tem observa-se um avanço no debate sobre a responsabilidade social nas indústrias, tanto na sua relação com o meio ambiente quanto nos impactos que estas podem provocar na comunidade onde está integrada.

Contudo esse avanço no nível de debate não ocorre com a mesma força no setor da construção, atrasando o desenvolvimento de formas alternativas e socialmente comprometidas. Ainda há um número significativo de práticas condenáveis, tais como: a construção em regiões inadequadas, de baixa qualidade ambiental e sem preocupações com o usuário final. Acontece que é um problema cuja responsabilidade não deve recair somente nesse segmento empresarial. Há pressão de parte da sociedade por moradias mais baratas, com vistas para a natureza, ou praias paradisíacas sem preocupação com a manutenção do equilíbrio de ecossistemas sensíveis como os mangues.

Acontece que os tempos estão mudando, está ocorrendo uma mudança no modo de pensar das pessoas, implicando uma revolução no estilo de vida e maior envolvimento com a necessidade de preservar o planeta para que se mantenha um estilo de vida harmonioso com a natureza.

Em termos econômicos, para qualquer empresa, são fundamentais aspectos como a liquidez e a eficiência. No entanto problemas como a elevada taxa de desemprego, a pobreza que apela a nossa solidariedade como indivíduos, e outras questões, tais como as ambientais relacionadas com as alterações climáticas e a disponibilidade de água, mostram a necessidade de preservar o planeta como um meio de nossa sobrevivência.

Quanto a construção civil, a meta a ser atingida por um setor renovado tende a ser a construção de moradias que sejam acessíveis à população, de modo geral, e ao mesmo tempo rentáveis, minimizando os impactos ambientais tanto na etapa de construção quanto durante a utilização dos edifícios. Ao mesmo tempo em que devem ser concebidos e construídos com uma orientação clara voltada para a saúde e o bem-estar dos usuários. Este é um caminho que desafia o atual estado de coisas predominante em algumas empresas do setor, que procura maximizar seus ganhos em detrimento da qualidade de vida dos clientes, com a construção de unidades habitacionais inadequadas para viver com dignidade e conforto.

Algumas estratégias são indispensáveis para se caminhar rumo a construções sustentáveis. Destaca-se a necessidade de construir de forma diferente da usual, aproveitando as condições locais, integrando a construção ao entorno, minimizando os impactos ambientais dos materiais utilizados, os impactos motivados pela produção de resíduos, redução do consumo de energia e água, preservação da biodiversidade local e de todo o ecossistema, adaptar a construção aos futuros riscos das mudanças climáticas entre outras medidas.

A questão energética ganhará um peso cada vez maior em função da pressão social pela adoção de energia renovável, com a perspectiva de diminuição da dependência do fornecimento tradicional, buscando a autossuficiência das unidades habitacionais através de micro geração ou geração local que pode ser solar, eólica ou térmica em função de cada realidade complementando a energia gerada com o atual sistema.

O empresário do setor deve se preocupar com a credibilidade social do que está sendo realizado e nesse sentido, a adoção e adequação das construções a certificados de reconhecimento internacional preenche essas necessidades de respeito público e dão mais segurança aos novos procedimentos que deverão ser adotados. Entre esses certificados merecem destaque especial o Breeman (Building Research Establishment environmental assessment Method) e o Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) que gozam de excelente reputação internacional e são relativamente novos no Brasil, permitindo que os pioneiros na sua utilização ganhem um diferencial competitivo fortalecendo sua posição no mercado.

*Reinaldo Dias é doutor em Ciências Sociais, mestre em Ciência Política, especialista em Ciências Ambientais e Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Colaboração de Jéssica Almassi, in EcoDebate, 15/04/2016
"A perspectiva das construções sustentáveis, artigo de Reinaldo Dias," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/04/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/04/15/a-perspectiva-das-construcoes-sustentaveis-artigo-de-reinaldo-dias/.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Consumidor, você tem poder pra mudar o mundo! Aja! Reaja!!! artigo de Márcia Pimenta

Frutas embaladas. Foto de Márcia Pimenta

[EcoDebate] Uma nova moda (nonsense) invade os supermercados. As frutas, que, naturalmente, tem sua casca protetora, estão sendo substituídas por bandejas de isopor cobertas por plástico filme. Hoje cedo no Hortifrutti Leblon fui além da perplexidade quis saber qual era a explicação por trás da nova modalidade.

O funcionário responsável por repor as frutas naquele setor, quando questionado me olhou um pouco surpreso, deu um sorriso e respondeu: “A senhora tem razão! Acho que a única coisa que explica é que o supermercado tem um lucro maior. O preço é diferente, na embalagem é mais caro”. Poxa! Não tinha reparado e fui lá checar. O kg do mamão custava R$9,99, enquanto o embalado na bandeja custava R$13,99. O preço do abacate era R$5,99 e na bandeja R$ 9,79.

Com este dado sagazmente observado pelo funcionário fui atrás da explicação da gerente. Ela explicou que esta prática visava a mostrar ao consumidor que, embora a casca de algumas frutas estivessem verdes estas estavam maduras. Aí, rapidamente um pensamento me veio à cabeça e eu retruquei: “quem frequenta a feira sabe que o feirante corta algumas frutas ao meio, às vezes em formatos bem interessantes e criativos, para mostrar ao consumidor como a fruta está própria para consumo e até mesmo oferecem pequenos pedaços para o povo provar. É simpático e não cria um lixo não reciclável, como o caso das bandejas de isopor e do plástico filme.

Ela ficou muda e agradeceu dizendo que era muito importante as sugestão dos clientes, mas não escapou de levar mais uma reflexão pra pensar no feriadão. Eu disse à ela que achava a prática de uma irresponsabilidade socioambiental brutal! Pois além de sua explicação não me convencer ficava claro que o objetivo do supermercado era lucrar ainda mais na venda das frutas, fazendo uma prática condenável que é aumentar seus lucros socializando o prejuízo ambiental com toda a sociedade! O planeta não dá conta de tanto abuso e ganância! Não adianta dar uma de socioambientalmente responsável vendendo bolsas para substituir as sacolas plásticas, se o DNA da empresa está comprometido com práticas do século passado, quando as questões ambientais não eram ainda uma ameaça ao planeta.

Nos dias de hoje esse olhar dever ser questionado e combatido, mas isso só vai ganhar escala quando o consumidor se der quanto da insanidade de algumas práticas como essa. Consumidor, você tem poder pra mudar o mundo! Aja! Reaja!!!

Márcia Pimenta, Jornalista com especialização em gestão ambiental, é Articulista do Portal EcoDebate e publica o blogue Pimenta no Meio

in EcoDebate, 28/03/2016
"Consumidor, você tem poder pra mudar o mundo! Aja! Reaja!!! artigo de Márcia Pimenta," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2016,http://www.ecodebate.com.br/2016/03/28/consumidor-voce-tem-poder-pra-mudar-o-mundo-aja-reaja-artigo-de-marcia-pimenta/.

sábado, 2 de abril de 2016

Gente que consome apenas o necessário


Você realmente precisa comprar algo novo? Levar todas as peças da última coleção? Passar 30 minutos no banho? Deixar a TV ligada só porque está em casa? A consciência ambiental é o primeiro passo para um mundo mais sustentável. Deixa pra lá esse tal consumismo e vem ser sustentável com o meio ambiente.

sábado, 19 de março de 2016

PROTESTE denuncia ao Conar produtos com apelos ecológicos enganosos na embalagem

Com falsos apelos ecológicos, identificamos a maquiagem ambiental nas embalagens de 12 produtos avaliados. Confira a lista de produtos e as irregularidades encontradas.
Nova avaliação feita pela PROTESTE constatou que algumas empresas ainda tentam seduzir seus clientes com falsos apelos ecológicos. Foram detectados 12 produtos suspeitos de utilizar ações de marketing que enganam consumidores quanto às práticas ambientais da empresa ou quanto aos seus benefícios ambientais.

Foram pedidas providências ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por propaganda enganosa, para que obrigue as empresas a alterarem as informações das embalagens dos produtos.

Ainda não foi marcada a data de julgamento dos casos, porém o Conar instaurou processo ético em seis dos casos envolvendo: Fósforo Fiat Lux, Ypê Lava-louças, Bombril Eco, Sacos de lixo Embalixo, Fósforo Paraná e Guardanapos de papel Carrefour. Veja as principais irregularidades encontradas nestes produtos:

Fósforo Fiat Lux: A embalagem informa ser “madeira 100% reflorestada”, mas não tem o selo de certificadora ambientalcomo o FSC ou Cerflor.

Ypê Lava-louças: rotulagem destaca conter tensoativo biodegradável, como se fosse um diferencial do ponto de vista ambiental. Ao comparar o produto com equivalentes de outras marcas, como a Limpol e a BioBrilho, foi observado que ambas possuem o mesmo ativo em sua composição, mas declaram isso sem chamar atenção;
Bombril Eco: se diz produto “100% ecológico”, porém, deveria ter removido este termo de sua embalagem, segundo decisão do Conar ainda em 2013, após denúncia da PROTESTE. O produto é degradável e, além disso, há outros impactos ambientais gerados durante a produção. Também há outras esponjas com a mesma composição sem que se anunciem como “ecológicas”.

Sacos de lixo Embalixo: declaram ser feitos de material reciclado, mas não informam a porcentagem relativa à quantidade de material reciclado na composição;
Guardanapos de papel Carrefour: informa ser 100% de fibras naturais, o que já é comum a este tipo de produto e não cabe ser usado como diferencial para a escolha do consumidor. Ainda assim as fibras, apesar de naturais, não representam nenhum tipo de benefício ao meio ambiente.

Fósforo Paraná: Utiliza o termo “Ecológico” em destaque e declara como diferencial não ter enxofre em sua composição, quando outros fósforos no mercado também não têm (ex: Fósforos Fiat Lux). Além disso, alega utilizar madeira reflorestada sem apresentar selo de certificadora ambiental, como o FSC ou Cerflor.

Como funciona o Greenwashing 

No Greenwashing, a principal forma de convencer o consumidor é chamando a atenção para informações irrelevantes. São artifícios que se aproveitam do aumento da demanda por produtos ligados àsustentabilidade do planeta, em decorrência do agravamento dos problemas ambientais.
Confira mais irregularidades encontradas em outros produtos:
 
Limpa carpetes e tapetes Bombril (linha Ecobril): utiliza um símbolo referente a um sistema de gerenciamento ambiental em sua embalagem, o que é indevido pois pode induzir o consumidor a erro.

Saco de lixo Carrefour: declara ser composto por material reciclado, mas não informa a porcentagem relativa à reciclagem na composição.

Borracha Maped: informa ser livre de PVC, como se fosse um diferencial, quando na realidade, produto equivalente de da Faber-Castell tem a mesma composição e diferente da Maped, não chama a atenção para este fato.

Papel Higiênico Cotton: informa na embalagem utilizar celulose de reflorestamento sem apresentar nenhum selo de certificadora reconhecida. Diferente da marca Neve, que em sua embalagem faz a mesma declaração, mas apresenta o selo e o número de seu correspondente certificado do FSC.

Papel higiênico Personal: apresenta um símbolo com o termo “Ajuda a preservar o meio ambiente” sem fornecer nenhuma outra informação que justifique este fato. Diferente do produto da marca Neve, que especifica no rótulo alguns dos processos de produção do papel e como faz para de fato preservar a natureza.

Sabão glicerinado BioBrilho: na embalagem informa que “preserva o planeta”, sem mais informações. De acordo com as normas, as auto-declarações ambientais devem ser acompanhadas de explicações.


in EcoDebate, 18/03/2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

[Mais que Ideias] Diferentes combustíveis para o cozinhar

postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Que tal fazer comida com abraços ou até mesmo com a luz do sol?!

O Catraca Livre postou em seu site várias alternativas diferentes de fazer comida, como a torradeira que funciona por meio de abraços e até mesmo um forno solar.

São ideias incríveis que estão no [Mais que Ideias] do nosso blog hoje.

Idealizado pela Pleno Sol que funciona à base da economia solidária, do consumo consciente e de uma alimentação adequada, o forno solar é uma ótima alternativa para uma cozinha sustentável.

Link:

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

5 trampolins para uma mudança pessoal e coletiva ambiental


Psicólogos identificaram que quando a conversa pede por mudança de comportamento, os comentários variam entre negação, indiferença e até derrotismo. Esses sentimentos estariam ligados às barreiras pessoais de lidar com algo complexo, difícil de imaginar, mas que exige uma reviravolta no nosso jeito de viver a vida. Mudar hábitos é difícil. Que fale quem já parou de fumar, precisou parar de comer açúcar ou gordura, sair do sedentarismo. É necessário força de vontade e motivação pessoal, identificar e romper obstáculos psicológicos de auto-sabotagem. Com vocês, os 5 trampolins para uma mudança pessoal e coletiva ambiental:

ACONTECE PERTO - tá acontecendo no nosso nariz: cidades sem água, enchentes, secas, fumaça, lama tóxica… 

TEM JEITO - tem muito trabalho sendo feito nessa direção, abrindo caminho para um modelo de economia sustentável;

PODEMOS MUDAR - vamos falar de uma vida e alimentação saudável e comer no fast-food correndo até quando?;

AFIRMAÇÃO - as nascentes jorravam água! os rios eram limpos! só existe vida! Emoticon smile

SOMOS, LOGO NATUREZA - sem rótulos, sem religiões, sem raças, sem classe social: todos humanos na Terra.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Volta às aulas: veja dicas para minimizar o consumismo


Fonte: Criança e Consumo - Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016 


Criança e Consumo, Projeto do Instituto Alana, apresenta sugestões para que pais economizem na lista de materiais escolares.

Com a chegada do ano novo dá-se início também ao período de compras de materiais escolares logo depois dos gastos com Natal. Dessa forma, para os pais, esse retorno escolar pode significar gastos acima do esperado, já que as crianças associam o período a compra de novos materiais. “O bombardeio de publicidade de material escolar como mochilas, estojos, cadernos e outros produtos dá a ideia de que, para começar bem o ano, é preciso estar com tudo novo”, comenta a psicóloga e consultora Lais Fontenelle, do Instituto Alana.

E não são poucos os apelos das empresas de materiais escolares e até nas listas escolares para que os pais gastem mais do que o possível nessa época do ano. “Também são raras as escolas que incentivam a reutilização do material escolar e orientam pais com relação a essa questão. Usar a mochila ou o estojo do ano passado que estão em bom estado não é vergonha e sim um exemplo de sustentabilidade”, acrescenta Lais. Veja dicas que coíbem o estímulo ao consumismo infantil durante a volta às aulas e ajudam a manter os custos dentro do orçamento:

1. Reaproveite materiais do ano anterior

Fazer seus filhos reutilizarem certos materiais não é, de forma alguma, motivo de vergonha. Ao invés de ceder aos caprichos das crianças, quando elas insistem em pedir coisas novas, verifique quais itens de períodos letivos anteriores sobraram e avalie quais deles podem ainda ser usados. As férias podem ser um bom motivo para por o quarto em ordem e achar coisas bacanas que podem ser aproveitadas. Tirar um dia junto com seu filho para isso pode ser motivo de diversão.

2. Diminua a exposição das crianças à publicidade

No período de volta às aulas não é raro encontrarmos propagandas e comerciais – sejam eles televisivos, online, impressos em revistas ou mesmo espalhados pelas ruas em forma de cartazes e outdoors – divulgando intensa e insistentemente novas marcas de materiais escolares. Com a promessa de fazerem seus filhos serem os mais “descolados” no novo período que se inicia, muitos pais não resistem ao apelo e saem em busca dos itens. Por isso, diminua o tempo das crianças em frente à TV ou limite o acesso à internet. Aproveite o calor do verão para fazer programas ao ar livre e que não envolvam estímulo ao consumo como atividades culturais. Isso pode ajudar.

3. Evite materiais com estampas de personagens

Nem sempre o material mais caro é o de melhor qualidade ou o mais adequado para uso. Os produtos com personagens licenciados são os mais visados e caros. Desenhos animados e ícones juvenis estão nas capas dos cadernos e nas estampas das mochilas, provocando gastos acima do esperado para os pais, já que muitas vezes esses produtos chegam a custar 100% mais que aqueles sem personagens. Além disso, as campanhas mercadológicas muitas vezes induzem a compra dos produtos da moda, frequentemente acompanhados de personagens licenciados, portanto tente evitá-los. Que tal dar sua própria marca ao material? Uma ideia bacana pode ser customizar livros, agendas e afins com fotos, adesivos e recorte colagem com as crianças e além de economizar a diversão é garantida.

4. Deixe as crianças em casa ou converse com eles antes de ir às compras

No momento de sair às compras de material escolar, opte por deixar os filhos em casa. Essa é uma estratégia que poderá diminuir – e muito – as tantas situações desagradáveis de negar itens dispensáveis que poderão talvez ser pedidos por seus filhos. Além disso, é uma ótima maneira de economizar: durante uma pesquisa de preço de materiais escolares realizada pela Fundação Procon-SP em dezembro de 2015 na capital paulista, foi detectada uma diferença de preço de 420% para um mesmo produto, dependendo de sua marca ou da estampa que ele apresentava.

5. Converse com seus filhos sobre a volta às aulas e novidades

Será que só é interessante levar para escola novidades materiais nessa volta às aulas? Desconstrua essa ideia dialogando com as crianças sobre as novidades que trazemos das férias como passeios, filmes que assistimos, pessoas que conhecemos e lugares novos que visitamos. Um registro fotográfico e até textual pode ser feito com as crianças para elas levarem na primeira semana e assim compartilharem outras novidades e conquistas das férias com seus amigos e professores.

6. Posicione-se contra a publicidade nas escolas

Em um período tão conturbado como a volta às aulas, a publicidade direcionada ao público infantil é especialmente preocupante. Muitas empresas realizam ações mercadológicas dentro do ambiente escolar transformando cadernos, canetas, lápis, mochilas e lancheiras em símbolos de status entre as crianças. Elas induzem ainda mais o anseio das crianças por produtos novos e “do momento”, o que fere, muitas vezes, sua saúde psicológica. A publicidade dirigida ao público infantil é abusiva e ilegal, solicite que o ambiente escolar seja livre de qualquer comunicação mercadológica, como já previsto na Resolução 163 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e na nota técnica do Ministério da Educação (MEC).

7. Incentive as escolas a fazer troca-troca de livros e uniformes

Vale incentivar a escola com troca-troca de livros e uniformes de crianças mais velhas passando para as mais novas. Isso contribui para sustentabilidade e incentiva as crianças a cuidar mais dos materiais e se sentir pertencente a uma comunidade colaborativa. Usar livros e roupas de crianças mais velhas pode ser bem estimulante e divertido para os menores. Pense nisso! E se a escola não promover esse espaço estimule os pais para tanto.

8. Saiba que dizer “não” é importante

Diante da insistência das crianças, é importante que os pais ou demais responsáveis tenham a consciência de que dizer “não” é fundamental para uma educação saudável. Essa atitude faz parte, portanto, do processo educativo e pode ajudar as crianças a lidarem com possíveis frustrações futuras, com as quais terão de lidar em certos momentos da vida adulta.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Praia é vida, cuide bem dela!


Vamos cuidar da #Praia! | Você sabia que o lixo marinho é composto principalmente de plásticos que, por serem muito leves, flutuam e são transportados pelo vento? Um simples copo de plástico pode levar 50 anos até se deteriorar. Por isso é importante descartar o lixo em locais corretos e nada de enterrar lixo na areia! Veja outras dicas de conduta #consciente na praia:http://goo.gl/FP7eI4 #

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas desenvolvem telha sustentável

Ecotelha é desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas – Divulgação Fapeam

Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão desenvolvendo o protótipo de uma telha sustentável. Ela é feita, principalmente, com fibras naturais da Amazônia, como a malva e a juta, e com uma argamassa que inclui areia, resíduos de cerâmica e pouco cimento.

Essa composição, segundo o subcoordenador da pesquisa, o doutor em engenharia João de Almeida Melo Filho, dá mais resistência ao material e pode melhorar a sensação térmica nas residências localizadas nas regiões mais quentes do país. “Além de ter menos cimento em sua constituição, ela tem também areia, que se torna um material mais barato, além das fibras naturais. A matriz que utiliza o cimento é muito frágil e as fibras naturais é que vão dar a verdadeira resistência a esse material. O conjunto que a gente chama de “material compósito” vai produzir um material com maior resistência mecânica. E a gente já verificou que tem maior desempenho térmico devido ao uso de resíduos cerâmicos”, garantiu.

Para o pesquisador, a telha sustentável terá boa aceitação pelos consumidores porque, além de ser mais barata, será parecida com as disponíveis no mercado. João de Almeida acredita que a utilização das fibras naturais para a produção das ecotelhas também vai estimular o trabalho de produtores ribeirinhos. “A gente acredita que o fato de o cultivo dessas fibras ser feito, principalmente, por comunidades ribeirinhas, a utilização dessas fibras no desenvolvimento de um material de construção e a possibilidade de que seja usado em grande escala vai incentivar essas comunidades a produzir e aumentar sua renda.

O pesquisador informou que o protótipo da ecotelha deve ficar pronto em 12 meses. Após esse processo, ele disse que será necessário um patrocínio para adquirir o maquinário destinado à produção em larga escala. O projeto recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas. A entidade concede R$ 50 mil, por meio do programa Sinapse da Inovação, para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras.

Por Bianca Paiva, da Agência Brasil, in EcoDebate, 06/01/2016

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Copenhague é a segunda cidade no mundo a tornar obrigatórios os telhados verdes

Fonte: Redação EcoD - Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015 


Melhorar o ar que se respira e diminuir o consumo de energia são apenas alguns benefícios dos telhados verdes, que começaram a ganhar espaço na Alemanha como meio de cultivo e, posteriormente, alternativa para moradores que não possuem muito espaço nas grandes cidades. 

Recentemente, Copenhague (capital da Dinamarca) tornou-se a segunda cidade do mundo na implementação de uma legislação relacionada aos telhados verdes. A primeira foi Toronto, no Canadá, onde se adotou uma lei similar que resultou em 1,2 milhão de metros quadrados verdes em diferentes tipos de construções, assim como na economia de energia de mais de 1,5 milhão de kWh por ano para os proprietários dessas edificações.

A meta de Copenhague, cidade mundialmente conhecida como referência em mobilidade urbana - sobretudo pelos altos índices de utilização da bicicleta - é cobrir de vegetação os terraços das cidades com o objetivo de ser carbono zero no ano 2025.

Entre os benefícios dos telhados verdes, destacam-se:
  • Absorção de até 80% da água da chuva, ajudando a reduzir problemas de inundação;
  • Redução das temperaturas urbanas;
  • Proteção das edificações dos raios UV e das mudanças bruscas de temperatura;
  • Cultivo de produtos para consumo próprio, reduzindo custos para os habitantes e negócios;
  • Contribuição para uma melhor qualidade do ar nas cidades.

Copenhague tem aproximadamente 20 mil metros quadrados com superfícies verdes. Existem atualmente 30 edifícios com estas instalações, mas com a nova lei é previsto o aumento anual de cinco mil metros quadrados.

Em cidades da Suíça os telhados verdes são obrigatórios em todos os edifícios novos, e na Cidade do México as pessoas que adotam esta iniciativa recebem 10% de desconto no imposto.

Saiba mais

O conceito das coberturas verdes consiste em substituir as coberturas artificiais dos edifícios por coberturas vivas. A mistura do concreto com a implantação da cobertura verde tornou-se, nas últimas duas décadas, uma resposta viável em relação a problemas que a rápida urbanização passava a produzir, como ilhas de calor e excesso de poluição.

A mestre em Ambiente Construído da Universidade Federal de Juiz de Fora, Christiane Gatto, destaca que o Brasil produz um impermeabilizante para a produção de coberturas à base de óleo de mamona, que é uma matéria-prima barata, não-tóxica e possui impacto ambiental praticamente zero. "Nós somos ricos em fontes naturais e temos criatividade para aplicá-las com a mesma eficiência e produtividade que os materiais disponíveis no exterior", ressalta a especialista.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Aquecimento solar, biodigestores e energia gerada nos telhados são iniciativas já testadas no Minha Casa Minha Vida

Venda de energia solar gerada nos telhados, aquecimento solar de água do chuveiro e biodigestores são iniciativas testadas pelo programa

O programa Minha Casa Minha Vida, além de melhorar a qualidade de vida de mais de 9,6 milhões de famílias com renda salarial de até um salário mínimo, também ajuda na preservação do meio ambiente com as ações sustentáveis adotadas em suas construções.

Replicadas em empreendimentos País afora, essas soluções são muitas vezes simples, mas têm forte impacto positivo na qualidade dos condomínios e no bolso dos moradores.

Confira algumas das ações implementadas:

Aquecimento solar de água

Mais de 224 mil famílias beneficiadas em todo o País contam com um sistema de aquecimento solar de água do chuveiro. Segundo a Associação Brasileira de Ar Condicionado, Refrigeração, Ventilação e Aquecimento (Abrava), além de não poluir, a utilização desse sistema pode reduzir a conta de luz em até 30%.

Microusina de energia solar
Os 9.144 painéis fotovoltaicos instalados nos telhados transformaram os condomínios Praia do Rodeadouro e Morada do Salitre, em Juazeiro, no sertão baiano, em uma microusina de energia solar com potencial para produzir 2,1 Mega Watts (MW), o suficiente para abastecer 3,6 mil domicílios em um ano.

O projeto-piloto fez das mil famílias sócias do empreendimento. A energia vendida à distribuidora local rendeu R$ 1,89 milhão líquido entre fevereiro de 2014 e junho deste ano. O valor economizado é dividido. Parcela de 60% vai para o bolso das famílias, outros 30% abastecem um fundo de investimentos para o condomínio e a associação de moradores e os 10% restantes pagam as despesas de manutenção dos residenciais.

Em números, cada condomínio arrecada cerca de R$ 60 mil mensais, o que permitiu financiar centro comunitário, sala de informática, parada de ônibus, sinalização de trânsito e atendimentos médicos semanais. Cada família recebeu R$ 1.133 até junho, o que dá uma média de R$ 70 mensais, valor capaz de cobrir as prestações mensais do Minha Casa Minha Vida, que variam de R$ 25 a R$ 80.

Biodigestores

O Minha Casa Minha Vida Rural começou a incluir biodigestores nas residências entregues pelo País em 2014. Atualmente, 335 famílias de agricultores fazem uso desta tecnologia em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás.

Os biogestores são equipamentos que processam matéria orgânica, como dejetos animais e restos de alimentos, transformando-os em biogás e biofertilizantes. Com eles, os agricultores podem produzir energia elétrica, gás de cozinha, adubo orgânico para capim e plantações, incluindo pomares, sem alterar o sabor dos alimentos. Pelas contas de José Jackson, pequeno agricultor de Itaberaí (GO), a 100 km de Goiânia, a economia com biodigestor deve chegar a R$ 1,5 mil por ano.

Desenvolvimento Sustentável 

A estratégia de Desenvolvimento Integrado e Sustentável de Territórios (DIST) nasceu da necessidade de criar projetos nas áreas de saúde, ambiente, cultura, comunicação, esporte, lazer e formação técnica profissional para famílias de baixa renda que vivem em empreendimentos do Minha Casa Minha Vida.

Um dos projetos bem-sucedidos do DIST é o “Guerreiros sem Armas”, implantado pelo Instituto Elos na Baixada Santista. Ele funciona em um galpão que recebe crianças diariamente para atividades culturais como oficinas de fanzine, cinema de rua e festas culturais.

Casas de madeira (Wood Frame)
Nem todos os imóveis entregues pelo Minha Casa Minha Vida são de alvenaria. Uma tecnologia sustentável a seco homologada por Caixa e Ministério das Cidades possibilita a construção de casas de madeira.

O método alemão conhecido como wood frame (quadro de madeira) reduz em 75% a demanda por mão de obra e ainda minimiza o impacto ambiental da construção, uma vez que a opção por matérias-primas renováveis gera apenas 25% dos resíduos de um canteiro comum.

Selo Casa Azul

Criado pela Caixa Econômica Federal em 2010, o Selo Casa Azul é uma classificação socioambiental de projetos habitacionais financiados pelo banco para reconhecer empreendimentos que adotem soluções eficientes na construção. O selo possui 53 critérios de avalição e seis categorias: qualidade urbana, projeto e conforto, eficiência energética, conservação de recursos materiais, gestão da água, e práticas sociais.

Fonte: Caixa

in EcoDebate, 30/10/2015