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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Conheça cinco das maiores cachoeiras espalhadas pelo Brasil

Para chegar até as quedas d’água, passeios incluem trilhas, contato com a natureza e apreciação da fauna e da flora nacional

Com um território continental repleto de belezas naturais e variados tipos de biomas, o Brasil é um lugar privilegiado para turistas que gostam de cachoeiras.

Espalhadas por praticamente todo o País, algumas impressionam pelo cenário em meio à maior floresta tropical do mundo, como a do Eldorado, no Amazonas, considerada a mais alta do País com aproximadamente 365 metros. Há ainda as que impressionam pelo volume de água, como as Cataratas do Iguaçu, na divisa com a Argentina – consideradas uma das sete maravilhas naturais do mundo.

Historicamente, o Brasil é considerado o País com maior potencial do mundo em atrativos naturais para o turismo. Além disso, é referência internacional no segmento turismo de aventura.

Conheça cinco outras cachoeiras entre as mais altas do País que todo amante do ecoturismo precisa conhecer.


Cachoeira da Fumaça (BA)
A lista conta, ainda, com a cachoeira da Fumaça (BA). Esta é a segunda mais alta do Brasil, com cerca de 340 metros. O local é um dos pontos mais visitados do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Para chegar lá, é preciso caminhar seis quilômetros e é possível contratar guias no início da trilha.

Para conhecer a cachoeira, há opção de se hospedar em Vale do Capão. Outra opção de hospedagem é o município de Lençóis, mais distante que Vale do Capão – 70 quilômetros do início da trilha – porém com melhor infraestrutura de hospedagem e serviços.

Tabuleiro (MG)
A cachoeira do Tabuleiro é a mais alta do estado de Minas Gerais, com 273 metros. A queda d’água é considerada uma das sete maravilhas da Estrada Real e reúne em seu entorno cachoeiras menores e lagos, além do grande poço rodeado de paredões de rochas.

A cachoeira fica no distrito de Tabuleiro, distante 19 quilômetros da cidade. A partir do povoado, é preciso caminhar cerca de uma hora e meia para chegar ao local. O município de Conceição do Mato Dentro, onde fica Tabuleiro, conta ainda com diversas outras opções de ecoturismo, com trilhas e cachoeiras, entre elas a Três Barras e a Rabo de Cavalo.

Salto do São Francisco (PR)
No mesmo estado onde ficam as famosas Cataratas do Iguaçu, fica outra queda d’água que encanta turistas do mundo todo: o Salto do São Francisco, a cerca de 60 quilômetros de Prudentópolis (PR).

Para chegar à trilha que leva à cachoeira, é importante estar preparado para atravessar de carro estrada de terra. Enquanto as Cataratas do Iguaçu têm uma altura de aproximadamente 70 metros, o Salto do São Francisco alcança impressionantes 196 metros. O acesso é feito por meio de uma trilha na mata repleta de belezas naturais.

Salto do Itiquira (GO)
Localizado a cerca de 120 quilômetros de Brasília, o Salto do Itiquira conta com fácil acesso, por meio de trilha pavimentada. A estrutura oferece estacionamento, banheiros, restaurante, parque infantil e áreas para banho ao longo do rio.

A cachoeira fica em um parque municipal de Formosa (GO), cuja entrada é R$ 10. O percurso a pé até a cachoeira leva, no máximo, 15 minutos e no caminho é possível apreciar a mata, pássaros e animais silvestres.

Caracol (RS)
A cachoeira do Caracol é o principal cartão-postal do pequeno município de Canela (RS), com pouco mais de 130 metros de altura, localizada dentro do parque estadual de mesmo nome. Cercada por vegetação fechada, pode ser apreciada por um mirante instalado no parque.

Quem visita a cidade também pode conhecer atrativos como a catedral de pedra. Outra opção de passeio nas redondezas é uma visita ao município de Gramado, palco do principal festival de cinema do País, a apenas 7 quilômetros de distância.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Turismo

in EcoDebate, 16/11/2016

MPF pede que Justiça impeça redução da Floresta Nacional do Jamanxim para menos da metade da área atual

Governo federal quer diminuir Floresta Nacional do Jamanxim para menos da metade da área atual

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que impeça o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de mudar os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, em Novo Progresso, no sudoeste do Pará, sem estudos técnicos e sem concordância da sociedade. O ICMBio tem projeto para reduzir a área da Flona dos atuais 1,3 milhão de hectares para 561 mil hectares, menos da metade de sua área original.

A ação foi encaminhada à Justiça Federal em Itaituba (PA) na última quinta-feira, 10 de novembro. O objetivo do MPF é que a Justiça suspenda imediatamente o trâmite de qualquer procedimento administrativo ou requerimento que tenha por objeto a recategorização, diminuição ou desafetação da floresta.

O ICMBio quer criar uma Área de Proteção Ambiental (APA), que admite maior intervenção humana do que uma Floresta Nacional, e quer ampliar os limites do Parque Rio Novo, incorporando ao parque parte da área da Flona do Jamanxim.

“Área de Proteção Ambiental é a que mais admite a intervenção humana”, destaca na ação a procuradora da República Janaina Andrade de Sousa. “O restante do espaço será destinado aos pecuaristas que pressionam o poder público desde a criação da floresta em 2006”, alerta.

A recategorização de áreas da Flona poderia permitir a instalação de obras de infraestrutura e a ocupação de áreas que antes podiam apenas receber visitação, cenário que preocupa o MPF especialmente porque a região já sofre com alta pressão de desmatamento, situação fundiária não regularizada, grilagem e garimpo.

Para o MPF, após a criação da Flona Jamanxim, qualquer intervenção na demarcação ou mudança de categoria requer ampla discussão com todos os setores envolvidos direta ou indiretamente na causa, incluindo a participação efetiva e plural da sociedade civil.

Processo nº 0001990-15.2016.4.01.3908 – Vara Única da Justiça Federal em Itaituba (PA)



Fonte: Ministério Público Federal no Pará

in EcoDebate, 22/11/2016

Resgatando o Cerrado da extinção, artigo de Rafael Loyola

Foto: EBC


[EcoDebate] O Brasil e o mundo se preocupam com o desmatamento da Amazônia e o país se comprometeu no Acordo de Paris sobre o clima em zerar o desmatamento ilegal até 2030. Mas, o Cerrado tem taxa de desmatamento 2,5 vezes maior que a Amazônia e pouco se fala sobre isso. Agora, o Governo começa a dar sinais de preocupação com a morte do Cerrado.

O Cerrado alimenta grandes rios como o São Francisco, o Amazonas, o Parnaíba e o Araguaia e é conhecido como a caixa d’água do Brasil. A vegetação nativa que se forma ao longo dos rios cumpre papel fundamental na manutenção da qualidade da água, por evitar a erosão e a entrada de terra e outros detritos no leito do corpo d’água. Estudos mostram que o uso da água depurada pela vegetação custa cerca de 100 vezes menos que o do tratamento da água obtida em áreas desmatadas. Com tanta água disponível e superfícies planas, o Cerrado tem grande vocação agrícola e sua produção alçou o Brasil à posição de segundo maior produtor de alimento do mundo.

Entretanto, toda essa vocação agropecuária que confere ao bioma o título de “celeiro nacional” tem um preço. Metade da área originalmente coberta pelo Cerrado já foi transformada em algo diferente e apenas 8% do bioma é protegido por unidades de conservação. Um complicador é a regulamentação da Lei de proteção da vegetação nativa de 2012, o novo Código Florestal. Na nova legislação, a necessidade de proteção da vegetação ao longo dos rios e topos de morro diminuiu. Como resultado, 40% do que restou do Cerrado poderá ser legalmente convertido nos próximos anos. Sob amparo legal, será possível desmatar o bioma até que apenas cerca de 10% a 15% de sua cobertura original fosse mantida.

As soluções para a conservação do bioma interessam a todos os brasileiros e passam pela manutenção e adoção de políticas públicas com foco no Cerrado. Uma delas é a moratória da soja, por meio da qual a indústria se compromete a não comercializar nem financiar o cultivo de soja produzido em áreas que foram desmatadas. Essa política teve grande sucesso na contenção do desmatamento da Amazônia e é muito bem-vinda para o Cerrado, podendo tornar-se um grande pacto de desmatamento zero no bioma. Assim como essa, outras políticas em andamento precisam de um grande impulso para que sejam mais eficazes ou sejam mais rapidamente implementadas. Contudo, a sinalização da possível expansão da moratória para o Cerrado é uma notícia a ser comemorada.

*Rafael Loyola é doutor em Ecologia, diretor do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás (CB-Lab/UFG) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

in EcoDebate, 24/11/2016
"Resgatando o Cerrado da extinção, artigo de Rafael Loyola," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/11/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/11/24/resgatando-o-cerrado-da-extincao-artigo-de-rafael-loyola/.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Lições mal aprendidas e quase esquecidas de uma primavera silenciosa: Lei 13.301/2016, artigo de Thiago Lustosa Jucá

Imagem: Leve Bem

Artigo de Thiago Lustosa Jucá, biólogo e membro titular da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes da Petrobras

[Jornal da Ciência] No mundo pós-guerra, a ciência nuclear canalizava para si, não só grande parte dos recursos financeiros destinados às pesquisas científicas, como os debates da época, principalmente depois que a sociedade tomou conhecimento dos efeitos devastadores sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Por conta disso, as responsabilidades da ciência e os limites do progresso tecnológico foram duramente questionados. Os debates acerca dessas responsabilidades/limites ganharam ainda mais força em 1962, após a publicação de Silent Spring, que recebeu o título em português de “Primavera Silenciosa”, da bióloga marinha e escritora, a americana Rachel Carson. Esse livro, que é considerado um marco do surgimento do movimento ambientalista no mundo, não só despertou a consciência pública para a questão ambiental, como foi responsável por mudanças que culminaram na proibição do uso do inseticida DDT nos EUA.

Em seu livro, Rachel Carson chama a atenção, de maneira clara e objetiva, para o uso indiscriminado de produtos químicos (usados como inseticidas e herbicidas), que ao contaminar todo o ambiente onde eram pulverizados, dizimavam várias espécies de animais. A intenção do título era evocar o extermínio das aves, como consequência da toxicidade dessas substâncias, algo notado de imediato não só pelos moradores dos locais atingidos, mas também de áreas distantes. Por isso, a autora utilizou esse título, em referência à primavera que passou a ser silenciosa, sem a presença e o canto dos pássaros.

Recentemente, em 27 de Junho de 2016, foi sancionada a Lei nº 13.301 que dispõe sobre a adoção de medidas de vigilância em saúde quando verificada situação de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito transmissor (Aedes aegypti) do vírus da dengue, chikungunya e zika. A Lei trata em seu art. 1º, § 3°, inciso IV, da permissão para a incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão de aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida.

Na verdade, a sanção de tal medida vai na contramão dos estudos científicos, políticas públicas, ações governamentais e não governamentais desenvolvidos nos últimos 50 anos a respeito desse tema, em especial, depois da publicação de Primavera Silenciosa, quando a população tomou conhecimento de tal assunto. Vale lembrar que diversas entidades nacionais se manifestaram, em vão, solicitando o veto dessa proposta. Nem mesmo todos os estudos desenvolvidos em instituições como o INCA e a FIOCRUZ, com um histórico de contribuições valiosas para a saúde pública nacional, alertando para os perigos da pulverização dessas substâncias, surtiram efeitos. O próprio Ministério da Saúde, através de nota técnica (Recomendação nº 003, de 15 de Junho de 2016), se manifestou contrário à adoção da pulverização aérea como estratégia para o combate de vetores, mesmo em situação emergencial.

O motivo de tanta preocupação por parte dessas instituições se deve ao fato de que tal medida aumentaria significativamente o risco de contaminação de pessoas e do ambiente. Quando se considera a organização desordenada das nossas cidades, o risco fica ainda mais potencializado. Cabe ressaltar que a Organização Mundial de Saúde classificou recentemente algumas das substâncias a serem utilizados em tais pulverizações, e que já são utilizados nos “fumacês”, como possivelmente carcinogênicas.

Nos EUA da década de 50, mesmo com todo o lobby da indústria contra a restrição e proibição de uso do benzeno, um carcinogênico reconhecido, o congresso e a Justiça Americana restringiram drasticamente seu uso em ambientes industriais. Com o DTT, a vitória foi ainda maior: o mesmo foi banido em 1972, o que só ocorreu no Brasil em 2009 (Lei 11.936/09), apesar da sua proibição para fins agrícolas em 1985. Vale lembrar que tal medida (art. 1º, § 3°, inciso IV) surgiu por emenda parlamentar, ainda durante a tramitação do Projeto de Lei de Conversão nº 9/2016 (oriundo da Medida Provisória nº 712, de 29 de janeiro de 2016), na câmara dos deputados, e foi amplamente defendida pelas empresas de aviação agrícola, que serão beneficiadas com tal medida. Infelizmente, uma prática considerada fracassada no mundo e já abolida em muitos países, conseguiu se refugiar em nosso País.

Apesar de essa lei representar outro “7×1” contra nós, vale lembrar que a saúde é um direito fundamental de todo ser humano e dever do Estado (art. 196); e que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida (art. 225), ambos da Constituição Federal de 1988. Por tudo disso, a comunidade científica nacional e a sociedade devem, mais do que nunca, se mobilizar e impedir que o meio ambiente e pessoas inocentes sejam “condenados”. O DTT não representou a vitória sobre as pragas, e nem tal medida triunfará sobre os vetores; pelo contrário, como disse Rachel Carson “pela primeira vez na História, todos os seres humanos estão sujeitos ao contato com produtos químicos perigosos do momento da concepção até a morte”.

Referências Bibliográficas

Rachel Carson. Primavera Silenciosa. Ed. Guaia, Pag. 327, 2010.

Oliveira, Francisco Zuza. Nota Técnica. Considerações sobre a pulverização agrícola aérea em relação às discussões do PL 18/2015 na Assembleia Legislativa do Ceará. Fortaleza, 2016.

Guyton, KZ; Loomis D; Grosse Y; Ghissass FE; Benbrahim-Tallaa L; Guha N; Scocciant C; Mattock H; Straif K. Carcinogenicity of tetrachlorvinphos, parathion, malathion, diazinon, and glyphosate. On behalf of the International Agency for Research on Cancer Monograph Working Group, IARC, Lyon, France, The Lancet Oncology, 2015.

Patrícia Fara. Uma Breve História da Ciência. Ed. Fundamento, Pag. 436, 2014.

Lei N° 13.301, de 27 de Junho de 2016, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13301.htm)

RECOMENDAÇÃO Nº 003, DE 15 DE JUNHO DE 2016. Conselho Nacional de Saúde, CNS.

Thiago Lustosa Jucá, biólogo, doutor em Bioquímica de Plantas pela UFC. Atualmente trabalha como técnico químico de petróleo na Refinaria de Lubrificantes e Derivados do Nordeste, Petrobrás, onde é membro titular da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e coordenador do Grupo de Trabalho do Benzeno.

Artigo socializado pelo Jornal da Ciência / SBPC e reproduzido in EcoDebate, 17/08/2016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ecologismo e antiespecismo: discrepância científica ou moral? artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Catia Faria reflete sobre a existência de uma discrepância científica entre o ecologismo e o anti-especismo. Se pensa que somente a partir de uma posição ecologista é possível ter um ponto de vista informado de acordo com o que nos dizem as ciências naturais. Esta ideia assenta num erro.

É possível, manter, com o mesmo rigor científico, uma posição antiespecista que estenda a consideração moral a todos os animais não humanos.

É necessário, antes de mais, fazer uma distinção fundamental entre a ecologia e o ecologismo. A ecologia é uma ciência descritiva sobre as relações biológicas que se dão no seio dos ecossistemas.

O ecologismo, engloba posições morais sobre como deve ser a interação com o meio natural, dados valores que devem ser conservados.

Quem defende uma posição ecologista nem sempre considera os dados das ciências empíricas como a ecologia. A ciência da ecologia é um requisito necessário a toda a investigação racional.

Partindo da mesma base científica podemos usar para procurar fazer aquilo que é melhor para os animais.

A discrepância entre ambas posições ocorre no plano estritamente moral. De acordo com a posição antiespecista os interesses de todos os animais sencientes dão razões para atuar de forma a prevenir os danos que estes possam sofrer.

De acordo com a posição ecologista, pelo contrário, os interesses dos animais sencientes estão subordinados à preservação de outros valores, em particular, a evitar alterações significativas nos ecossistemas ou a conservar certas espécies.

Isto é assim porque para o ecologismo as entidades moralmente consideráveis não são os indivíduos sencientes, mas os ecossistemas e as espécies, no seu conjunto.

Em termos práticos, isto implicará que sempre que exista um conflito entre os interesses de indivíduos sencientes não humanos e a preservação dos referidos valores ecologistas. O anti-especismo e o ecologismo manterão posições irreconciliáveis. Enquanto o anti-especismo se oporá a aquelas intervenções que suponham a morte e o sofrimento de todos aqueles animais que podem desfrutar das suas vidas sejam humanos ou não humanos.

Já o ecologismo estará disposto a defender. Sempre que isso promova a estabilidade dos ecossistemas e a conservação das espécies ou da biodiversidade e os indivíduos afetados não sejam seres humanos.

A posição ecologista acaba por sucumbir ao especismo. Recusando promover os valores ecologistas quando isso frustra os interesses em não sofrer e em viver dos seres humanos, mas admitindo fazê-lo quando se trata de interesses similares de não humanos.

De um ponto de vista antiespecista isto é inaceitável. Não existe nenhuma característica moralmente relevante que todos os humanos exibam e que nenhum não humano possua que permita estabelecer essa diferença.

Assim, a consideração desigual de interesses similares de humanos e não humanos é moralmente injustificada e qualquer posição que reflita isto, também será.

A preservação dos ecossistemas, das espécies ou da biodiversidade tem um valor instrumental para a diminuição do sofrimento na natureza. Isto está longe de ser adequado e correto.

Consideremos um caso célebre da chamada “espécie invasora” os patos-de-rabo-alçado americanos na Europa. Esta espécie, introduzida nos anos 60 pelo ser humano naquele continente, coexistem com os patos-de-rabo-alçado autóctones e desempenham funções ecológicas similares.

Contudo se recomendou a erradicação da espécie americana, como forma de impedir a hibridação com os europeus e conservar as características específicas dos europeus.

Neste caso, a preservação da biodiversidade não tem um valor instrumental para a vida dos animais, dado que muitos animais são prejudicados e parece não haverem benefícios relevantes pela intervenção. Alguém poderia afirmar que o pato-de-rabo-alçado europeu ocorre beneficiado.

No entanto, as espécies são entidades abstratas, insuscetíveis de ser beneficiadas ou prejudicadas em nenhum sentido para além do metafórico. Apenas os indivíduos sencientes, com a capacidade para sofrer e desfrutar, podem ser beneficiados ou prejudicados pelo que lhes acontece.

O que se pretende é conservar a biodiversidade como um valor em si mesmo, independentemente dos danos ou benefícios que de tal se derivem para as vidas dos animais.

As consequências que se derivariam de aceitar tal cenário para a consideração de cenários humanos são claramente inaceitáveis. Isto é, aceitar a erradicação de seres humanos com determinados características físicas de forma a evitar a miscigenação com os indivíduos autóctonos, preservando, assim, a pureza destes. Melhor que isto nem o nazismo imaginaria. Hitler se revira em sua tumba.

A analogia com o caso humano mostra o que é moralmente relevante quando não é a preservação das espécies ou dos ecossistemas o fator mais importante ao menos sob o aspecto moral.

O que é relevante são os interesses em não sofrer dos indivíduos sencientes e que podem ser frustrados quer pela ação humana quer por eventos naturais.

É, por este motivo, arbitrário intervir na natureza com fins ecologistas de formas que causam enorme dano a outros animais sencientes quando nunca o faríamos aos humanos. Do mesmo modo, é arbitrário intervir na natureza para ajudar a seres humanos, e se recusar a fazer quando os beneficiários são animais não humanos.

Se poderia argumentar que intervir na natureza de forma a beneficiar os animais que sofrem por causas naturais não poderia ser realizado, dadas as atuais limitações científicas do ser humano. Contudo, se houver reflexão se conclui que o mesmo raciocínio não ocorre quando estão em jogo interesses humanos.

É certo que não se dispõe atualmente do conhecimento científico necessário para erradicar doenças, que podem ser mortais para os seres humanos. No entanto, temos claro que se ocorressem tais meios, seriam usados para salvar vidas humanas.

A questão é que no momento em que seja possível atuar em beneficio dos animais não humanos que sofrem por motivos naturais não haveria razoes para recusar a fazer.

Dado o conhecimento científico atual, não se dispõe de meios para atender os interesses da maioria dos animais sencientes que vivem na natureza. Mas isso não significa que não se deva considerar os mesmos.

O que implica em se abster de todas as ações que, em vez de reduzir o sofrimento na natureza, incrementam este estado, como acontece com a erradicação das chamadas espécies invasoras.

É uma questão complexa e que merece reflexão. Espécies invasoras podem ser muito danosas a ecossistemas locais. É um debate que merece múltiplas abordagens para que se atinjam consensos reais.

Referência:

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 12/05/2016
"Ecologismo e antiespecismo: discrepância científica ou moral? artigo de Roberto Naime," inPortal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/05/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/05/12/ecologismo-e-antiespecismo-discrepancia-cientifica-ou-moral-artigo-de-roberto-naime/.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Dia Mundial da Terra 2016, artigo de Ivo Poletto

[EcoDebate] Estamos chegando a mais um 22 de abril. Para nós, brasileiros e brasileiras, é data que relembra o descobrimento de nosso território por colonizadores europeus, e por isso o encobrimento de que a existência do Brasil significou a usurpação dos territórios de vida dos povos originários e da negação de suas formas de vida, suas culturas, línguas, religiões. O Brasil nasceu de práticas fundadas numa interpretação fundamentalista radical e absoluta da cultura ocidental europeia e da forma de cristianismo submetido, usado e que usava o poder do estado imperial. A negação do diferente foi absoluta, como foi absoluta a afirmação do “direito imperial” ao território descoberto e à submissão de seus povos aos seus interesses. Como afirmaram representantes das elites colonialistas, estes povos deviam agradecer pela oportunidade oferecida de serem seus escravos, porque assim de alguma forma iniciavam o contato com a única civilização e religião verdadeiras!

Não é mera coincidência a semelhança com a atual leitura fundamentalista radical e absoluta da forma neoliberal e globalizada do sistema capitalista, da civilização assentada sobre a imposição só aparentemente democrática do pretenso direito absoluto à livre iniciativa econômica, legalizado em processos controlados e a serviço de seus interesses. O processo de concentração da riqueza, via apropriação de territórios, de controle dos preços mundiais de commodities, de criação autônoma de artifícios de crédito, dívidas, juros, que hoje submetem até a gestão de recursos públicos dos Estados nacionais, tem suas raízes no capitalismo já existente no século XVI, que muda de forma, mas mantém seu dna: ser sempre vitorioso nas relações de concorrência, anulando concorrentes, tornando-se sempre mais rico e poderoso.

A lentidão dos navios que trouxeram pessoas e armas para ocupar o “novo mundo” nos ajuda a compreender a diferença com os processos atuais: estamos perto da realização do desejo máximo dos vitoriosos na “livre” iniciativa capitalista, o de anular o espaço e o tempo na realização das operações de geração de riqueza. Se na produção e venda de produtos reais ainda há alguns problemas, a circulação financeira já torna imediatos os processos de especulação, com poder de quebrar até países cada vez mais poderosos – os europeus reincidentes na colonização, por exemplo – para impor mais juros, mais e mais ganhos.

É por isso que a cada ano diminui o número dos super-ricos que controlam riqueza igual à da metade de população mundial. Em 2015 já eram apenas 62. Hoje, com certeza, o número é menor.

Então, nesse ambiente mundial de dominação, que no Brasil se expressa na imposição de governantes que submetam o país a esses interesses mundiais através de processos de impedimento da presidência eleita sem fundamentos legais, O QUE SIGNIFICA A CELEBRAÇÃO DO DIA DA TERRA?

Se depender dos responsáveis pela política federal atual, poucos motivos de festa. E se olharmos os que ameaçam chegar ao poder via golpe parlamentar, menos ainda. O que vale é a consciência popular, das entidades da sociedade civil e pastorais/igrejas, que tem avançado e estão cada dia mais empenhadas em conseguir as mudanças estruturais necessárias para salvar a vida na Terra e a vida da própria Terra.

Por outro lado, vale, sem dúvida, que todas as forças que amam a vida da Terra e na Terra se somem para exigir duas medidas do governo federal: 1) que ratifique imediatamente, a partir do dia 22, o Acordo de Paris; 2) que coloque em prática os compromissos voluntários já anunciados, e, de imediato, abra processo participativo para avançar nas medidas que o Brasil implementará para ajudar a Terra a diminuir o desequilíbrio causado por ações humanas lideradas pelo sistema econômico neoliberal que domina e estraga a vida da humanidade, dos demais seres vivos e de todas as energias da natureza. Está mais do que na hora de tomar tento, como fala nosso povo, e assumir que o Brasil pode e deve, sim, fazer mais e muito melhor em favor da vida.

Viva a Terra! Salvemos a vida da Terra e na Terra!

Ivo Poletto é Assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

in EcoDebate, 22/04/2016
"Dia Mundial da Terra 2016, artigo de Ivo Poletto," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/04/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/04/22/dia-mundial-da-terra-2016-artigo-de-ivo-poletto/.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A árvore, conto de de Laís Vitória Cunha de Aguiar

Imagem: EBC

[EcoDebate] Para qualquer transeunte presente naquela rua, ele parecia perdido. A verdade, porém, estava longe disso.

O único local em que se perdia era no passado das suas próprias memórias.

A movimentada rua, cheia de pessoas usando máscaras para respirar, atolada de carros e máquinas, transparecia ao senhor, através do singelo véu do tempo, diferente.

Em sua memória a quantidade de carros e gente era drasticamente menor, e já a de árvores, maior.

Algo inédito no presente, porém comum no passado, o fazia sorrir: crianças brincando na rua.

Primeiramente via a si mesmo correndo atrás de uma bola, tentando alcançar um gol.

Depois, observava os jovens enquanto passava pela rua, que já não era mais a mesma, a quantidade de árvores diminuíra e a qualidade do ar era bem pior.

Ele olhava com especial carinho por duas memórias.

A primeira era de si mesmo experimentando a água da chuva, a cabeça para trás, os olhos fechados para sentir as gotas. Felicidade momentânea, porém infinita.

A outra era de sua melhor amiga de infância se balançando em uma árvore, rindo para o ar.

‘Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, diriam.’- Os jovens não eram mais os mesmos, pensava o senhor.

Mas a verdade resta solene nos sentimentos humanos, os quais são imutáveis. Se as crianças não mais sentiam o gosto da chuva, era porque esta estava tóxica, se não se balançavam nas árvores, era porque não havia mais árvores.

Ele andou lentamente pela rápida multidão, sendo que os apressados esbarraram nele diversas vezes.

Não ligava. A pressa pertence ao presente, e a calma ao passado.

Carregava um regador vermelho pela movimentada rua vestida de cinza.

Uma única árvore restara em toda rua. Sua árvore. Cuidaria dela pelo resto da vida, assim como cuidou da própria vida.

Por trás da máscara de oxigênio havia um sorriso. Sentia-se feliz como se fosse criança, afinal estava cuidando do último símbolo de sua infância. O último fio vivo que o ligava ao passado.
Com seu regador vermelho regou a árvore lentamente, com uma paciência pertencente somente aos que amam.

Regava também sua esperança, esperança de que um dia as pessoas se erguessem e lutassem contra o cinza que sua vida estava se tornando, o que incluía sua saúde, pois lera recentemente que o mundo gastou 7.3 bilhões de dólares só em 2015 com doenças respiratórias causadas por poluição atmosférica (estudo da AWEA).

De onde vem essa poluição atmosférica? Dos combustíveis que poluem, do petróleo que mata.

Esse senhor passara a vida procurando por soluções tecnológicas para poluição, alternativas sustentáveis.

Muitas vezes fora bem sucedido em sua empreitada, porém quem gostaria de mudar algumas práticas? Poucas pessoas.

Seus esforços perderam-se entre um novo carro da moda e um novo celular. A árvore, para ele, representava vida e esperança na renovação, que sempre ocorre, assim como as folhas da árvore sempre se renovam, e, apesar de todas serem verdes, são sempre diferentes.

A questão é que devemos mudar hoje, pois se não mudarmos a raiz da nossa árvore pode se exaurir, e como todos sabem isso significa o fim.

Laís Vitória Cunha de Aguiar, 19, é ativista ambiental, estudante de Ecologia da UFPB e comunicadora popular pela Adopt a Negotiator, uma organização mundial que engloba jovens de diversos países com objetivo de divulgar o que ocorre nas negociações climáticas.

in EcoDebate, 19/04/2016
"A árvore, conto de de Laís Vitória Cunha de Aguiar," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/04/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/04/19/a-arvore-conto-de-de-lais-vitoria-cunha-de-aguiar/.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A nova economia tem que estar casada com a ecologia

“A nova economia tem que estar casada com a ecologia”. Entrevista especial com Carlos Rittl

“É preciso demonstrar as conexões entre o nosso comportamento diário e a dimensão do desafio das mudanças climáticas”, afirma o biólogo.
Imagem: dedetizacaoinsetan.com.br

A superação das crises ambiental e climática pressupõe uma “nova ética; esta é a principal questão de fundo”, e a solução de tais crises depende de “mudanças de comportamentos”, diz Carlos Rittl à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. Segundo ele, o caminho para tais transformações “é o desenvolvimento sustentável, com mudança em políticas públicas e estratégias das corporações, redirecionamento de investimentos e a compreensão de que o social e o ambiental são pilares que devem ser tratados com a mesma relevância que o econômico”.

Rittl afirma que o “sucesso do Acordo de Paris” vai depender das ações a serem implementadas por todos os países que darão início ao processo de ratificação do acordo em abril deste ano. Apesar de as decisões da COP-21 ainda serem tema de discussão, Rittl frisa que “o debate ainda não se reflete em grandes mudanças de rumos”.

Na avaliação dele, tem havido, no Brasil, alguns “retrocessos importantes” no Congresso Nacional, “como o Projeto de Lei do Senado 654/2015, que propõe um rito sumário para o licenciamento ambiental de grandes obras, a dispensa de realização de audiências públicas e define prazos curtíssimos para a manifestação de órgãos ambientais”. Trata-se, pontua, de um “exemplo de proposta que não está alinhado com o compromisso assumido pelo governo brasileiro em Paris nem com a emergência ambiental por que passamos”.

Carlos Rittl é mestre e doutor em Biologia Tropical e Recursos Naturais. Foi coordenador do Greenpeace Brasil, como coordenador da Campanha de Clima, e do WWF-Brasil, como coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia. Atualmente é coordenador executivo do Observatório do Clima.

Carlos Rittl estará no IHU na próxima quinta-feira, 17-03-2015, onde ministrará a palestra “Mudanças climáticas no Brasil e seus impactos sociais e econômicos”, das 17h30 às 19h, e, posteriormente, a conferência “A 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – COP 21. Avaliação e prospectivas”. As atividades integram o evento Ciclo de atividades. O cuidado de nossa Casa Comum.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A partir do atual cenário do Brasil e do mundo, qual a emergência de se discutir e refletir acerca dos “cuidados da casa comum”? Quais as questões de fundo que precisam ser alcançadas nesse debate?

Carlos Rittl – Estamos passando por uma gravíssimacrise planetária, que afeta cada um de nós. O uso irracional de recursos naturais, o uso intensivo de combustíveis fósseis, a destruição desenfreada dos ecossistemas naturais, modos de produção e consumo ineficientes, com excesso de desperdício e excesso de geração de resíduos, estes sem devido tratamento, ameaçam a cada dia o nosso bem-estar e nossa casa comum. E ameaça diretamente a própria sobrevivência de populações pobres, vulneráveis e que têm responsabilidade mínima sobre a dimensão do problema. Superar esta crise ambiental, climática, de proporções planetárias depende de cada um de nós. Depende de um novo olhar sobre esta “casa comum”, nossa única casa, o planeta Terra, depende de uma nova ética. Esta é a principal questão de fundo. A solução depende de mudanças de comportamentos. Política, economia, ética, ciência e educação, juntas, interligadas.

Precisamos da compreensão de que o único caminho possível para evitar problemas ainda mais graves é o desenvolvimento sustentável, com mudança em políticas públicas e estratégias das corporações, redirecionamento de investimentos e a compreensão de que o social e o ambiental são pilares que devem ser tratados com a mesma relevância que o econômico. Mudanças nos padrões de produção e consumo para serem mais eficientes e sustentáveis são urgentes. Abandonar progressivamente o uso dos combustíveis fósseis e parar a destruição da natureza, dos ambientes naturais são absolutamente críticos para mudarmos nossa história neste planeta.

“A temperatura em países do Oriente Médio, como Irã e Iraque, ultrapassou 50 graus Celsius, com sensação térmica chegando a 73 graus Celsius no Irã em alguns dias”

IHU On-Line – Quais os impactos sociais e econômicos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo?

Carlos Rittl – As mudanças climáticas afetam cada um de nós diretamente por impactos em nossa qualidade de vida e na economia. Mas os países mais pobres e as populações mais pobres em qualquer país, em especial nos países em desenvolvimento, serão sempre aqueles que sofrem mais. Muitas vezes perdem o pouco que possuem, ou mesmo suas vidas, diante dos desastres naturais. Os impactos mais evidentes são os eventos climáticos extremos, como secas e estiagens, enchentes e inundações, tempestades, movimentos de massa (como deslizamento de terra), que se multiplicam e se tornam mais intensos. No ano passado, o ciclone Pam devastou áreas de pequenas ilhas do pacífico, como Vanuatu, Ilhas Salomão, Kiribati e Tuvalu. A Índia sofreu a segunda pior onda de calor de sua história, com mais 2500 mortes. A temperatura em países do Oriente Médio, como Irã e Iraque, ultrapassou 50 graus Celsius, com sensação térmica chegando a 73 graus Celsius no Irã em alguns dias. Enchentes em Mianmar, Gana, em regiões dosEstados Unidos provocaram muitas mortes e prejuízos. No Brasil, passamos por uma das piores estiagens no sudeste do país, enquanto o Nordeste continuou a ser afetado por uma das piores secas que se estende por anos. No país, mais de 28% dos municípios decretaram situação de emergência ou calamidade pública em função de desastres naturais vinculados a extremos climáticos.

IHU On-Line – Passados cerca de três meses do encerramento da COP-21, como as temáticas do Acordo de Paris vêm sendo tratadas? Em que medida as discussões da COP-21 ainda continuam na pauta dos países que participaram do encontro?

Carlos Rittl – O sucesso do Acordo de Paris e das decisões da COP-21 depende da sua implementação em casa, por cada um dos países e seus governos. Teremos uma medida clara se este nível de engajamento continuar alto em abril, quando o Secretário Geral das Nações Unidas receberá líderes mundiais na cerimônia de assinatura do Acordo de Paris. Abre-se o período de ratificação do Acordo, que se estenderá até abril do próximo ano. Por ora, vemos que o tema continua na pauta, muitas discussões e análises que se iniciaram logo após a COP continuam a fomentar debates, discussões, com envolvimento de diferentes públicos, o que tem acontecido com frequência no Brasil, também. Mas o debate ainda não se reflete em grandes mudanças de rumos. A emergência climática demanda ação imediata. O mundo já está um grau mais quente do que em período pré-industrial. E o objetivo do Acordo de Parisinclui a busca para limitar este aquecimento a 1,5 grau Celsius. Estamos a meio grau deste limite e caminhando, hoje, para um mundo com 3 a 4 graus de aquecimento médio global ao longo deste século.

Preocupa muito, por exemplo, vermos no Brasil alguns potenciais retrocessos importantes em discussão no Congresso Nacional, como o Projeto de Lei do Senado 654/2015, que propõe um rito sumário para o licenciamento ambiental de grandes obras, a dispensa de realização de audiências públicas e define prazos curtíssimos para a manifestação de órgãos ambientais. É um exemplo de proposta que não está alinhado com o compromisso assumido pelo governo brasileiro em Paris, nem com a emergência ambiental por que passamos. Os resultados podem ser de muito mais impactos sociais e ambientais, maior destruição de florestas, impactos nos recursos hídricos, em comunidades e aumento de emissões associadas às grandes obras. Pode ser uma medida de grande impacto na completa contramão da história.

IHU On-Line – Como pensar em ações que mobilizem as pessoas para que, no seu cotidiano, adotem posturas políticas de forma ativa para o cuidado da casa comum? Qual o papel de agentes governamentais e não governamentais nesse desafio?

Carlos Rittl – É preciso demonstrar as conexões entre o nosso comportamento diário e a dimensão do desafio dasmudanças climáticas. É preciso compreender que mudanças climáticas afetam nossa saúde, seja pelos desastres que se multiplicam ou pela disseminação de doenças e seus vetores (vide a disseminação do Aedes aegypti e a epidemia de dengue, zika vírus, dentre outras endemias). Afetam nossa segurança alimentar – uma seca, chuvas torrenciais, enchentes impactam a agricultura e o preço dos alimentos na feira fica mais caro. É preciso demonstrar que nosso comportamento enquanto consumidores pode ajudar a reduzir os impactos ou a piorar o problema. Um comportamento mais consciente e eficiente demanda menos água, energia e produtos que causam impactos no meio ambiente ou aumentam as emissões de gases.

Governos têm um papel fundamental, pois ditam os caminhos do desenvolvimento de países, regiões, cidades. E devem passar a tratar as mudanças climáticas como tema estratégico para este desenvolvimento, tanto do ponto de vista da redução de emissões como da adaptação às mudanças climáticas. Mas a sociedade precisa estar cada vez mais engajada. Cientistas produzindo conhecimento sobre o problema, suas causas e soluções. Jornalistas gerando matérias sobre o desafio e como enfrentá-lo. Setor privado assumindo compromissos para reduzir seus impactos. As organizações da sociedade civil produzindo informação, análise e propondo soluções. E o cidadão mais consciente, engajado, cobrando de todos e assumindo também a sua responsabilidade.

“Nosso comportamento enquanto consumidores pode ajudar a reduzir os impactos ou a piorar o problema” 

IHU On-Line – Em que medida o atual modelo econômico se mostra esgotado e quais os efeitos de sua lógica na “casa comum”? Como conceber modelos econômicos capazes de preservarem a “casa comum”?

Carlos Rittl – O modelo econômico atual está em xeque e precisa mudar. Está baseado no lucro a partir do consumo desenfreado de produtos produzidos de forma em geral insustentável, que consomem muitos recursos, degradam a natureza e provocam mudanças climáticas. A nova economia tem que estar casada com a ecologia. Estas duas palavras têm a mesma raiz, a palavra grega “oitos”, que significa casa. O conhecimento e o gerenciamento adequado da nossa casa comum, a ecologia e a economia, precisam estar harmonizados. É o caminho da Ecologia Integral, de que trata o Papa Francisco em sua Encíclica, “Laudato Si”.

A ciência e o conhecimento devem ser a base das diretrizes do desenvolvimento socioeconômico, devem orientar a definição de limites planetários, do consumo de recursos naturais renováveis e não renováveis, da exploração de combustíveis fósseis, por exemplo. Os cientistas têm feito sua parte, cada vez conhecemos melhor nossa casa, os seus problemas, seus desafios e as soluções. Ainda falta aos políticos e economistas fazerem sua parte. E precisam fazer rápido, pois o nível de mudanças de que dependemos para assegurar um planeta mais saudável para todos e sem risco de provocarmos mudanças climáticas com impactos incalculáveis é profundo. Por exemplo, temos que eliminar muito rapidamente o consumo de combustíveis fósseis no planeta, deixando a imensa maioria das suas reservas inexploradas.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Carlos Rittl – Como afirmou o Papa Francisco em sua Encíclica “Laudato Si”, precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas, dizem respeito e têm impacto sobre todos nós.

Por João Vitor Santos

(EcoDebate, 14/03/2016) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

Mudanças nos eixos terrestres e climas, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] A geóloga Lorraine Lisiecki da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, descobriu um padrão que associa as mudanças regulares do ciclo orbital da Terra com as alterações no clima da Terra, analisando dos últimos 1,2 milhão de anos.

Lisiecki realizou sua análise climática examinando sedimentos do oceano. Os núcleos analisados vieram de 57 localidades ao redor do mundo [Lisiecki & Raymo, 2005]. Através da análise de sedimentos, os cientistas podem traçar o passado do clima da Terra, há milhões de anos. Agora, a contribuição de Lisiecki foi estabelecer o vínculo entre o registro do clima com a história da órbita terrestre.

Sabe- se que a órbita da Terra em torno do Sol muda de formato a cada 100.000 anos. A órbita em volta do Sol se torna mais ou menos elíptica nestes intervalos. O formato de uma órbita é estabelecido pela sua excentricidade. Outro importante aspecto relacionado é o ciclo de 41.000 anos da inclinação do eixo da Terra, o ciclo de Milankovitch.

As eras glaciais na Terra, também ocorrem ciclicamente, a cada 100.000 anos. Lisiecki sugere que o calendário das mudanças no clima e o histórico das mudanças em sua excentricidade têm sido coincidentes. “A clara correlação entre o momento de mudança na órbita e as mudanças no clima da Terra é uma forte evidência de uma ligação entre os dois”, disse Lisiecki. “É improvável que esses eventos não estejam relacionados entre si.”

Além de encontrar uma estreita ligação entre a mudança no formato da órbita e o início da glaciação, Lisiecki encontrou uma correlação surpreendente. Ela descobriu que os ciclos glaciais de maior duração ocorreram durante o período de menores mudanças na excentricidade da órbita da Terra e vice-versa.

Por outro lado ela constatou que as mudanças mais fortes na órbita da Terra se correlacionavam com as mudanças mais fracas no clima. “Isso pode significar que o clima da Terra tem uma instabilidade interna, além da sensibilidade às mudanças na órbita”, disse Lisiecki.

A geóloga conclui que o padrão de alterações climáticas ao longo dos últimos milhões de anos provavelmente envolve interações complexas entre as diferentes partes do sistema climático, bem como três diferentes sistemas orbitais. Os dois primeiros sistemas orbitais a serem considerados são a excentricidade da órbita e sua inclinação ou obliquidade. Outro elemento é a precessão, ou seja, as mudanças na orientação do eixo de rotação do planeta.

Para entender mais sobre estes fenômenos, recomendamos a leitura do artigo Precessão do Eixo da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde se encontram as explanações descritas a seguir.

A precessão do eixo de rotação da Terra é causada pelas perturbações da Lua e do Sol na Terra. Ela faz que, na data de uma estação, a Terra esteja em uma posição diferente na órbita em torno do Sol, com o passar do tempo.

A precessão do periélio da Terra é causada principalmente pelas perturbações gravitacionais dos planetas gigantes, Júpiter e Saturno sobre a órbita da Terra; estas perturbações fazem que a precessão em relação ao Sol tenha um período de cerca de 21.000 a 23.000 anos, e não no período de 25.770 anos de precessão em relação às estrelas. Este efeito, da mudança da data de periélio, tem pouca influência nas estações.

Um outro efeito de muitos corpos é a variação da obliquidade da eclíptica, em torno do valor médio de 23,4 com um período da ordem de 41 mil anos, conhecido como o ciclo de Milankovitch, proposto pela astrônomo sérvio Milutin Milankovitch (1879-1958) em 1920, para explicar as idades do gelo. As evidências indicam que o ciclo climático mais importante é da ordem de 100 mil anos, o que coincide com o ciclo de excentricidade.

Por outro lado, a variação em excentricidade constitui o fator que menos influencia a variação em insolação na Terra. Nota-se que a idade do gelo se reforça, pois quando a Terra está coberta de gelo ela reflete mais luz do Sol ao espaço, aumentando o esfriamento.

Não se pode reduzir o aquecimento global a um mero exercício astronômico. Obviamente, a ação deletéria de natureza antrópica ocorre e age sobre o clima. Mas ocorre uma multifatorialidade de interferências que torna a questão climática bem complexa.

Referências:

Nature Geoscience Links between eccentricity forcing and the 100,000-year glacial cycle por Lorraine E. Lisiecki

EurekAlert UCSB geologist discovers pattern in Earth’s long-term climate record

Science Daily Geologist Connects Regular Changes of Earth’s Orbital Cycle to Changes in Climate

UFRGS Precessão do Eixo da Terra

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 09/03/2016
"Mudanças nos eixos terrestres e climas, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 9/03/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/03/09/mudancas-nos-eixos-terrestres-e-climas-artigo-de-roberto-naime/.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Estudo aponta fragilidade da caatinga devido a desertificação

Por Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Na Bahia, quase a metade das cidades da caatinga no entorno do Rio São Francisco têm alto risco de sofrer danos provocados pelas mudanças climáticas nos próximos 25 anos. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que mapeou a vulnerabilidade às alterações do clima em 84 municípios que fazem parte da bacia hidrográfica do Velho Chico e estão localizados na região do bioma caatinga. Coordenada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas), a pesquisa utiliza uma metodologia desenvolvida na Fiocruz que já foi aplicada para mapear a vulnerabilidade nas cidades do Rio de Janeiro. O trabalho foi financiado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, por meio de edital, e contou com o apoio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz.
 
Clique para ver o mapa ampliado da região estudada (imagem: IOC/Fiocruz)

A gravidade das alterações climáticas previstas para a região foi um dos fatores que levaram os pesquisadores a realizar o estudo. “Esta será uma das áreas mais afetadas pelas mudanças do clima. Além disso, o bioma da caatinga é muito peculiar e característico do nosso país. É importante preservá-lo”, afirma a pesquisadora do IOC Martha Barata, coordenadora-geral do projeto. Especialista em mudanças do clima e cidades, Martha é coordenadora do núcleo da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas (UCCRN, na sigla em inglês) para a América Latina,anunciado no ano passado.

Mais calor e menos chuva

Com base em dados do Instituto Nacional de Estudos Espaciais (Inpe), os pesquisadores identificaram as possíveis alterações de temperatura e de volume de chuvas para cada um dos 84 municípios nos próximos 25 anos considerando dois cenários de futuro: um cenário com redução nas emissões de gases do efeito estufa e menor aquecimento global, e outro que considera a progressão contínua dessas emissões e maior impacto no clima. Para 2040, a previsão é de que a média de temperatura na região suba no mínimo 0,98°C e no máximo 1,75°C. Ao mesmo tempo, o volume de chuvas anual deve cair entre 101 mm e 172 mm no conjunto dos municípios. Além da tendência geral de clima mais quente e seco, os índices apontam para a possibilidade de mudanças extremas. A cidade de Buritirama pode ficar 2,13°C mais quente. Já em Urandi, a queda na precipitação pode ser de 438 mm.


Calcular o impacto das alterações de chuvas e temperatura em cada cidade é apenas uma das etapas para determinar a vulnerabilidade da população às mudanças climáticas. Segundo Martha, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (chamado de IPCC, na sigla em inglês) define a vulnerabilidade como “a propensão a sofrer danos”. Esta é influenciada pelo nível de exposição, pela sensibilidade e pela capacidade de adaptação da população ao fator de perigo. “No estudo, consideramos que o nível de exposição é apontado pelas características ambientais, a sensibilidade pode ser percebida pela ocorrência de certas doenças, a capacidade de reação é indicada pelo perfil socioeconômico do município e o fator de perigo é a possível mudança do clima”, enumera a pesquisadora.
 
Clique e confira o mapa ampliado do Índice de Vulnerabilidade Municipal no cenário climático com redução nas emissões de gases do efeito estufa (imagem: IOC/Fiocruz)

Fatores de vulnerabilidade

Dessa forma, seguindo a metodologia desenvolvida na Fiocruz, o Índice de Vulnerabilidade Municipal é calculado a partir de quatro fatores. A situação da saúde é avaliada pela ocorrência de doenças de notificação obrigatória na área de estudo que podem sofrer impactos do clima, incluindo os registros de dengue, leishmanioses, esquistossomose e acidentes com animais peçonhentos, além das mortes causadas por diarreia em crianças menores de cinco anos. Os aspectos ambientais são analisados considerando a preservação da biodiversidade, a disponibilidade de recursos hídricos, a situação do solo e a frequência de eventos hidrometeorológicos extremos, como secas e enchentes, com e sem vítimas fatais. Já as características socioeconômicas são apontadas por indicadores oficiais, além de informações sobre as condições de saneamento local, incluindo rede de esgoto e coleta de lixo. Por fim, as previsões climáticas são inseridas na fórmula, dando origem ao Índice de Vulnerabilidade Municipal, que varia de zero a um de acordo com a padronização realizada pelos pesquisadores e aponta o risco de danos para a população devidos às mudanças do clima. “O objetivo é que este indicador seja um alerta para os gestores. Eles podem observar os fatores mais relevantes para a vulnerabilidade em cada cidade e direcionar investimentos que previnam ou minimizem os problemas”, explica a pesquisadora da Ensp Diana Marinho, coordenadora-executiva do trabalho.

Entre os 84 municípios analisados na Bahia, 34 foram classificados nas faixas de maior vulnerabilidade mesmo no melhor cenário climático. Já considerando as piores previsões para o clima, o número de cidades com vulnerabilidade alta ou muito alta chegou a 40. A maioria das cidades nesta situação está concentrada entre o oeste e o sul da região estudada, em uma área que vai de Campo Alegre de Lourdes até Mortugaba. Neste trecho, os cientistas preveem os maiores impactos do aquecimento global, tornando o clima extremamente quente e seco. Entre as cidades mais vulneráveis estão os municípios de Urandi e Rio do Pires, que revelam como os diferentes fatores contribuem para o problema: de um lado as falhas na saúde e a degradação ambiental deixam a população exposta, de outro as fortes mudanças do clima representam uma grande ameaça. O resultado é uma população com muito alta propensão a sofrer danos no futuro caso medidas de adaptação, que reduzam a vulnerabilidade da população, não sejam adotadas.
 
Clique para ver o mapa ampliado do Índice de Vulnerabilidade Municipal no cenário climático com progressão das emissões de gases do efeito estufa (imagem: IOC/Fiocruz)

Contribuição para enfrentar os riscos

Além de oferecer um panorama geral sobre a situação futura dos municípios, o estudo traz detalhes de cada indicador, o que pode ajudar as autoridades a orientar suas ações. Na saúde, seis cidades apresentaram valores muito altos de vulnerabilidade: Uibaí, que registra a maior taxa de esquistossomose; Barra do Mendes, que possui altos índices de esquistossomose e leishmaniose visceral; Mulungu do Morro, que contabiliza casos de todas as doenças pesquisadas; Guanambi, que tem a maior taxa de leishmaniose visceral; Irecê, que registra altos índices de dengue e esquistossomose; e Urandi, que tem o maior número de acidentes com animais peçonhentos. Para o perfil socioeconômico, as cidades com maior vulnerabilidade são Pedro Alexandre, Pilão Arcado e Bonito, enquanto os municípios em menor vulnerabilidade são Paulo Afonso, Irecê, Guanambi, Jaguarari e Juazeiro. Já em relação às condições ambientais, os municípios de Abaré e Gentio do Ouro apresentaram problemas em todos os critérios analisados e são considerados em situação crítica de vulnerabilidade.

Os pesquisadores ressaltam que combater os fatores de vulnerabilidade é uma forma de preparar as cidades para enfrentar as mudanças climáticas no futuro. “Problemas de saúde e de condições socioeconômicas que já existem devem ser agravados pelas mudanças do clima. As cidades precisam de investimentos para dar à população condições de lidar com eventos extremos, como a seca que deve se intensificar na região”, avalia Diana. Além disso, embora os efeitos das mudanças climáticas devam ser mais graves na parte oeste e sul da área estudada, os autores destacam que condições de vulnerabilidade foram identificadas de forma disseminada. “O município menos vulnerável da região é Paulo Afonso, que constitui um pólo econômico por causa da hidrelétrica. No entanto, ao lado deste município, está Jeremoabo, que tem alta vulnerabilidade considerando as condições socioeconômicas, ambientais e de saúde. Esse é um ponto relevante porque o poder público pode trabalhar para que as áreas mais desenvolvidas influenciem as cidades do entorno”, relata Martha.

in EcoDebate, 01/02/2016

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Você conhece os biomas do Brasil?


Um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada área que tem uma vegetação similar e continua, uma diversidade biológica característica, um clima parecido e uma história comum em sua formação. Emoticon wink Você sabe identificar todos os biomas brasileiros? Alguns deles estão desaparecendo, devido a um modelo de desenvolvimento ultrapassado e falta de proteção séria ambiental.

Leia também:

"“O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água” - http://goo.gl/SNgguJ

"O Futuro Climático da Amazonia" -http://goo.gl/sxJW75

Como plantar sua árvore


Está chegando a época de chuvas, boa para se plantar uma árvore! Mas como fazer isso?

1. Escolha um lugar onde a sua árvore, quando adulta, não seja prejudicada por coisas como fiação, calçada ou construções.

2. Abra uma cova da profundidade do torrão e duas vezes sua largura. Pode até ser um pouco mais profunda, então jogue terra solta de volta para dar a profundidade certa.

3. Coloque a muda sem o saquinho ou vaso, tomando cuidado com a raiz. A altura do torrão deve ficar no mesmo nível do solo.

4. Preencha a cova com a terra removida. Pode misturar esterco ou adubo.

5. Compacte a terra com cuidado, usando a mão ou o pé.

6. Se não chover, regue sua árvore pelo menos 3 vezes por semana, de manhã ou no fim do dia para que a água não evapore com o sol.
Bora plantar?

Quem emite e quem absorve CO2?


A fumaça dos carros, ônibus, aviões, fábricas, queimadas e o efeito estufa. Temos mais dióxido de carbono (CO2) na terra que nos últimos 650 mil anos (http://goo.gl/akfjlD) e continuamos liberando esse gás em ritmo acelerado. Sua quantidade excessiva na atmosfera, ao lado de outros dois gases estufa, tem ampliado a retenção de calor acima do nível normal e elevado a temperatura da superfície global. 

QUAIS ATIVIDADES HUMANAS LIBERAM CO2: 

- queima de combustíveis fósseis (indústria e transporte);
- desmatamento;
- queimadas. 

COMO A NATUREZA SEQUESTRA CO2 DA ATMOSFERA:

- por meio da fotossíntese, as florestas absorvem ativamente o CO2;
- por meio da circulação as águas superficiais e profundas dos oceanos;
- por meio da bomba biológica dos fitoplânctons nos oceanos. 

PRINCIPAIS MEDIDAS PARA DIMINUIR A LIBERAÇÃO DE CO2:

- metas rígidas e globais de redução de emissão de CO2 pela indústria e substituição de tecnologia para que não usem combustíveis fósseis;
- revolucionar tecnologia de meios atuais de transporte com motores que não dependam de combustíveis fósseis;
- acabar com desmatamento e queimadas;
- desenvolver alternativas energéticas: elétrica, biocombustível, eólica, solar...

CALCULE SUA EMISSÃO DE CO2:

- Pegada de carbono: https://goo.gl/ZXLc52

Fonte dos dados: http://goo.gl/H6B0yv

Os cheiros da floresta trazem chuvas


"Pó de pirlimpimpim!", é assim que o professor Antonio Nobre fala dos aromas e perfumes da floresta! Mágica, essa poeira é essencial para a "nucleação de nuvens". Como assim? Nuvens são aglomerados de pequenas gotículas de água em suspensão no ar. Mas para que as gotículas de vapor se agrupem, elas precisam de um elemento que absorve água (higroscópico), uma "semente" para que se inicie a deposição de moléculas de água. Os aromas e perfumes da floresta fazem isso! Voláteis, invadem a atmosfera. Uma vez oxidados pelo sol, eles se precipitam em forma de uma poeira finíssima com afinidade por água e iniciam núcleos de condensação de vapores. Essas nuvens da floresta são amigas: baixas e quentes, volumosas e gentis, que voam para irrigar o solo Brasil adentro.

Leia mais:

Florestas e a água


As florestas interferem no clima, nas chuvas e nos ventos. Antonio Nobre resgata artigo publicado em periódico científico e revela que "quase 90% de toda a água que chega à atmosfera oriunda dos continentes chegou lá através da transpiração das plantas e somente pouco mais de 10% como simples evaporação sem mediação das plantas". 

Veja artigo:

Serviços ambientais prestados pela floresta


Os serviços ambientais da floresta podem ser locais (como a proteção das águas e do solo), nacionais (como os rios voadores no Brasil) ou globais (como equilíbrio climático). 

Na Avaliação Ecossistêmica do Milênio (http://goo.gl/M6MggN), a ONU classifica os serviços em quatro grupos:

– suporte: formação do solo, reciclagem de nutrientes etc.
– provisão: alimentos, água doce, energia, madeira etc.
– regulação: absorção de CO² pela fotossíntese das florestas, equilíbrio climático, purificação da água, controle de doenças, controle de cheias etc.
– cultural: estético, espiritual, educativo, recreativo etc. 

Esses serviços garantem as condições de vida no planeta e de bem-estar para a humanidade, como:

– Segurança: evita desastres climáticos
– Saúde: alimentos, água e ar
– Relações: respeito mútuo, solidariedade

Quantas espécies de plantas existem na Amazônia?


Na Amazônia está o maior patrimônio genético, a maior bacia hidrográfica, a maior floresta tropical e um quinto de toda água doce do mundo! Estima-se que existam entre 45-60 mil espécies de plantas, 15 mil espécies de árvores (⅓ das árvores do planeta), 3 mil espécies de peixes, 1300 espécies de aves, 427 mamíferos, 400 espécies de anfíbios. Isso sem falar em invertebrados! Só de insetos, são milhões. De borboletas, milhares. E se colocarmos um microscópio, então, a diversidade parece não ter fim.

Como o reflorestamento captura carbono


Metade da área de todas as florestas tropicais do mundo no chão! É isso mostra a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). As florestas prestam serviços ambientais vitais para o planeta, não só na captura do carbono, como também no ciclo da água, na conservação da biodiversidade, no controle das mudanças climáticas. No aspecto social, só a Floresta Amazônica é habitada por mais de 24 milhões de brasileiros. Ter a floresta em pé é fundamental para manter as condições básicas de vida de quem vive nelas, combatendo a pobreza rural e garantindo a segurança alimentar dos povos da floresta (http://goo.gl/BfgTpI). 

Além da página da Árvore, começamos a página Planeta Estufa. Nosso objetivo é apresentar de maneira acessível informações sobre as mudanças climáticas. Confira: https://www.facebook.com/Planeta.Estufa/