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sexta-feira, 30 de março de 2012

Cúrcuma


Nos quintais e jardins em algumas regiões do Brasil, encontramos uma planta que gosta de brincar de esconde-esconde. Em algumas épocas do ano aparece com sua bela folhagem, como no verão, e depois toda a sua parte aérea murcha, ficando apenas os rizomas escondidos na terra. Com freqüência, muitos imaginam que a planta morreu e providenciam o plantio de outra espécie no mesmo local, provocando o seu desaparecimento. 
Seus rizomas só nascem em época propícia, e não adianta ficar forçando, pois ficam em dormência por meses. Mas pode retirá-los do solo, e guardar até observar a brotação. Se o solo não for muito argiloso, nasce e cresce com facilidade por meio do seu rizoma plantado no final do ano e enterrado a alguns centímetros no solo. Desenvolve-se tão fácil, sem problemas com pragas, dando a impressão de ser nativa, mas foi presente dos asiáticos, mais especificamente das florestas tropicais da Índia, segundo os estudiosos da cultura.
O texto está se referindo a uma planta de uso secular na culinária, a Curcuma longa, e uns de seus principais nomes no Brasil é cúrcuma ou açafrão-da-terra, mas também encontramos estes outros nomes: açafrão-da-índia, açafrão-da-terra, batatinha-amarela, gengibre-amarelo, gengibre-dourado e mangarataia. Pertence à família Zingiberaceae, a mesma do gengibre, da colônia e da menos conhecida, zedoária. No mercado internacional é conhecida como turmeric
O vegetal pode alcançar altura em torno de 120 a 150 centímetros em condições ideais de clima e solo; as suas folhas são grandes e exalam aroma agradável quando friccionadas, não tanto quanto a espécie colônia; o seu rizoma principal ou central é arredondado ou com formato de ovo e quando cortado mostra sua típica cor alaranjada. No Brasil é raro encontrar variedades de cúrcuma, mas há muitas nas principais regiões produtoras, como na Índia.
Apesar de ser bem conhecido no Brasil, seu nome resulta em uma confusão que pode dar um belo prejuízo financeiro. Enquanto a do texto custa alguns reais o quilo no atacado, a verdadeira, Crocus sativus, possui preço comparável ao do ouro. Esta última fornece os estigmas para serem usados na culinária, como na comida espanhola paella. No entanto, os valores medicinais da cúrcuma são superiores, além da facilidade de cultivo em todas as regiões brasileiras.
O rizoma, após seco, fornece um pó amarelo muito aproveitado na indústria de alimentos, como aromatizante e ingrediente no preparo de condimentos, laticínios e pratos prontos. Adiciona sabor e cor aos alimentos, ajuda na sua conservação e auxilia na digestão de quem o consome.
O uso de corantes naturais nos alimentos industrializados, como a curcumina, substância extraída desta espécie, vem aumentando, graças à forte demanda do mercado consumidor por produtos mais saudáveis e também pela divulgação de estudos relacionando os efeitos carcinogênicos dos corantes artificiais. Além da curcumina, o vegetal contém óleo essencial com excelentes características, sendo usado nas indústrias de perfumaria, medicinal e têxtil.
Sua utilização como planta condimentar ou especiaria tem sido relatada como iniciada há milênios, e desde a antiguidade já era muito utilizada como condimento no preparo e conservação de alimentos. Em diversos países asiáticos, é considerada componente indispensável no preparo de diversos pratos.
O curry é considerado um dos temperos mais antigos, e a cúrcuma é a responsável por sua cor característica. Além desta planta, o condimento, que é uma mistura de várias espécies, pode conter também canela, cardamomo, coentro, cominho, cravo, erva-doce, feno-grego, gergelim, noz-moscada, papoula, pimentas e tamarindo.
Na Índia e na China a cúrcuma é usada na medicina tradicional para o tratamento de várias doenças e os seus rizomas são considerados alimentos energéticos, com teores de proteína próximos aos níveis médios encontrados em grãos de arroz e trigo.
Diversas análises científicas sobre suas ações terapêuticas estão sendo realizadas e muitas atividades foram constatadas como, por exemplo, cicatrizante, antidepressiva, antioxidante e antiinflamatória. Alguns estudos indicam que o seu uso é bastante seguro. 
Também há pesquisa que recomendava o uso da cúrcuma na aplicação em queijos, que é considerado um grande meio de proliferação de microorganismos patogênicos. O extrato alcoólico de cúrcuma acrescentado à ricota diminuiu a quantidade das bactérias causadoras de doença, a Escherichia coli e a Enterobacter aerogenes
Atualmente tem sido ressaltada sua ação benéfica no sistema imunológico e no tratamento de câncer. Outra ação comprovada é como antiofídica, mas usando a substância curcumina, que neutraliza a ação do veneno.
No livro Farmácia Viva do professor Abreu Matos, que infelizmente faleceu no ano passado, encontramos uma receita simples sobre o uso da planta para prisão de ventre. Basta ralar um pouco do rizoma sobre a salada.

Texto do autor e foto no site: http://jornalinoff.com.br

quarta-feira, 28 de março de 2012

Camomila



A utilização de produtos naturais no tratamento das enfermidades em seres humanos é realizada há muito tempo, sendo que orientais, egípcios, gregos e romanos, por exemplo, já empregavam há milênios, plantas para a cura ou prevenção de inúmeras doenças. Muitas das espécies usadas antigamente, em função de sua eficácia, se espalharam em várias regiões do planeta. Algumas saíram da Europa, se adaptaram no Brasil e se estabeleceram por conta própria, tornando-se, por isso, como plantas espontâneas da região, isto é, que nascem sem a intervenção humana. 
Outras espécies foram introduzidas, mas sempre com a necessidade de serem semeadas, em função, por exemplo, da dificuldade das suas sementes germinarem sem o preparo adequado do terreno. Entre essas últimas, uma se destaca na região Sul do Brasil, que é a camomila, mais conhecida na nossa região nos saches, apesar de serem encontradas, com relativa facilidade, sementes para plantio nas lojas de produtos agropecuários. Por ser uma bela planta, pode ser encontrada, inclusive, no setor de sementes de ornamentais. A camomila, cujo nome científico é Chamomilla recutita (L.) Rauschter, pertence à mesma família da margarida, girassol, dente-de-leão, assa-peixe e crisântemos, entre outras. Também é denominada popularmente por camomila-comum, camomila-vulgar, camomilinha, maçanilha, macela, mançanilha, marcela-galega e matricária. 
Alguns pesquisadores citam que sua origem é da Europa e Norte da África e, atualmente, está espalhada em quase todos os continentes. Há outros que afirmam que é nativa dos campos da Ásia Ocidental e do Sul da Europa, e facilmente encontrada nos países de clima temperado. Como características para identificá-la podem ser citadas: altura de 25 a 60 cm; folhas bem recortadas; e suas flores, fortemente aromáticas, lembram pequenas margaridas brancas.
Apesar de ser possível seu cultivo em quase todas as regiões brasileiras prefere locais mais frios, com sol o dia todo e solos que não sofram encharcamentos. É uma planta em que o ciclo do plantio à colheita ocorre em menos de um ano, devendo ser replantada todo ano por meio de suas sementes, de preferência, no outono. Como suas sementes germinam melhor quando colocadas superficialmente no solo, é comum no ano seguinte ao plantio observarmos várias camomilas nascendo espontaneamente no terreno e que são originadas das que caíram sobre o solo e que não foram levadas pelo vento ou água. Com o tempo e sem novos plantios, vai ocorrendo diminuição na freqüência do surgimento de novas camomilas.
Com relação aos usos, a camomila é apontada como uma das plantas medicinais com maior demanda no Brasil, onde foi introduzida há cerca de 100 anos pelos europeus. Também é considerada uma das poucas plantas medicinais cujos constituintes foram amplamente avaliados farmacologicamente, inclusive em testes clínicos. 
A camomila destaca-se como uma das plantas medicinais mais usadas em todo o mundo, e possui propriedades farmacológicas como, por exemplo, antiinflamatória, analgésica, antiespasmódica, carminativa, cicatrizante, emenagoga e adstringente.
É muito usada na indústria de medicamentos e de cosméticos, e de acordo com sua composição e atividade farmacológica pode ser utilizada na forma de infusão, e quando o seu óleo essencial pode ser incorporado em cremes, xampus e loções. 
Industrialmente, a camomila também é usada para extração da essência com emprego como aromatizante na composição de sabonetes, perfumes e loções. O extrato e a essência de camomila são empregados na preparação de uma grande variedade de alimentos e bebidas. 
O óleo que é de fácil evaporação de camomila está entre os mais utilizados e valorizados internacionalmente. Além de ser muito utilizado na cosmética, o óleo tem efeito calmante, antiinflamatório e recomendado contra cólicas intestinais. 
A colheita da camomila é iniciada quando os capítulos estão completamente desenvolvidos e desabrochados, momento em que começa a visitação de abelhas. Objetivando retirar apenas os capítulos florais, colhe-se manualmente ou com a ajuda de equipamentos específicos, de formato semelhante a pentes. Importante de produzir camomila em seu próprio quintal é a possibilidade de obter um produto isento de agrotóxicos e com menor presença de materiais estranhos. 

Texto e foto publicados em: http://jornalinoff.com.br/
Autores: 
Marcos Roberto Furlan
Claudia Helena Santos – Acadêmica de Nutrição - UNITAU

domingo, 18 de março de 2012

Alecrim


 

Há séculos acompanha o ser humano em função da sua versatilidade nas suas aplicações e desde a época de Cristo é uma espécie com usos religiosos, como ornamental, na culinária como condimento, medicinal e também para a conservação de alimentos.
É uma das principais espécies utilizadas no vaso ou jardineira “sete ervas”, recomendado para proteção espiritual, apesar de que não se dá bem por muito tempo nestes tipos de recipiente em função de ser uma planta bem mais alta que as outras.
Esta espécie, o alecrim, denominado cientificamente por Rosmarinus officinalis L., tem ampla referência nas publicações da antiguidade. A palavra officinalis em seu nome científico indica que é considerado remédio oficial há muito tempo.
No Brasil, onde foi trazido pelos primeiros colonos europeus, há outras espécies com o nome de alecrim, mas esta é a mais conhecida. No Norte e Nordeste há o alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.) e em boa parte do país, o alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia D. C.), também chamada de vassourinha e que também ocorre em abundância no Vale do Paraíba.
Além do nome alecrim, também são usados as denominações populares: alecrim-comum, alecrim-da-casa, alecrim-das-hortas, alecrim-de-cheiro, alecrim-verdadeiro, erva-coroada e, principalmente por portugueses, como rosmaninho. O alecrim é classificado como subarbusto, com média de 1,5 m de altura, apesar de que existem cultivares com estatura inferior a 0,5 m ou superior a 2,0 m. Suas flores possuem cores brancas ou azuladas.
Nos quintais ou hortas exige local ensolarado, o solo onde será cultivado não precisa ser muito rico em matéria orgânica, mas não pode ser ácido nem encharcado e se retirar constantemente seus galhos, reduz seu ciclo de vida e de repente, suas folhas ficam amarelas e morre. Normalmente, se plantada por semente, vive mais de 10 anos, mas o plantio também pode ser por estaca de galho (uns 10 cm de comprimento e a base da estaca deve ser mais lenhosa), mas deve ser efetuado no final do inverno ou começo da primavera, lembrando que a muda formada terá a idade da planta-mãe.
Atualmente, apresenta uma ampla utilização nas indústrias de alimento, de cosméticos e de fitoterápicos. É considerada uma espécie produtora de um dos aromas mais refrescantes e menos caros.
Na cosmética faz parte de xampu, sabonetes e água de colônia, por exemplo. O seu sabor é agridoce e na culinária condimenta pães, é usado em preparações que contenham carne e para ornamentar saladas. Também é empregado para condimentar batatas fritas, caldos verdes, sobremesas, biscoitos, geléias, saladas de frutas, marmeladas e vinhos quentes. Em alguns países, como nos Estados Unidos e no Brasil, é utilizado em carnes, aves, peixes e lingüiças e no Marrocos é adicionado à manteiga e a outros alimentos para aumentar a conservação dos produtos.
Na área da nutrição é considerado como um alimento funcional, pois além de ser usado na alimentação, previne doenças, principalmente, por ser rico em substâncias que agem como antioxidantes, propriedades que têm recebido considerável atenção nos últimos anos. Portanto, mais uma vantagem de ampliar ou iniciar o uso desta planta na culinária.
Com relação à saúde humana são muitos os artigos que comprovam sua ação antimicrobiana, tanto na forma de extrato aquoso quanto através de seu óleo essencial. Algumas pesquisas sugerem sua utilização para tratamentos de meningite e de pneumonia causada por Cryptococcus neoformans, para o tratamento de infecções cutâneas e diarréias provocadas por Candida albicans e contra infecções sistêmicas causadas por Mycobactericum intracellularae em pacientes com AIDS.
Entre as inúmeras substâncias presentes no seu óleo volátil, rosmanol e os diterpenos rosmaridifenol e rosmariquinona são os prováveis responsáveis pelas propriedades antioxidantes e borneol, pineno, cineol e cânfora pelas propriedades antimicrobianas.
O uso de substâncias naturais como agentes antimicrobianos tem se demonstrado como alternativa eficaz e econômica frente ao uso indiscriminado e prolongado de antimicrobianos sintéticos, que tem gerado a formação de microrganismos patogênicos resistentes aos compostos químicos utilizados comumente. Com isto, extratos como o de alecrim, devido a sua ação antimicrobiana, têm recebido maior atenção das pesquisas.
Nas receitas antigas como tônicas é comum o uso do alecrim e da sálvia (Salvia officinalis L.) em vinhos. O alecrim também está sendo testado contra fungos que causam doenças em plantas e algumas pesquisas já confirmaram esta atividade anti-séptica.

Texto e foto publicados no site http://jornalinoff.com.br/
Autores:
Marcos Roberto Furlan
Bióloga Lilian Pereira Cruz

quinta-feira, 15 de março de 2012

Babosa


No Brasil, a babosa é encontrada quase que somente nos jardins, e suas folhas são retiradas com freqüência para “fortalecer” os cabelos. A rusticidade e a longevidade são algumas de suas vantagens entre as outras ornamentais, mas nada de irrigá-la ou adubá-la no inverno, estação em que está quase que hibernando, não devendo ser nutrida nem receber água.
O seu nome científico mais conhecido é Aloe vera L. (sinônimo Aloe barbadensis Miller), talvez um dos nomes oficiais mais conhecido pela população. Apesar da maioria da população brasileira conhecer no máximo duas espécies, há cerca de 600 espécies de aloés conhecidas e desse total, somente três ou quatro apresentam propriedades medicinais comprovadas cientificamente, sendo uma delas a A. vera, a de maior interesse terapêutico e nutricional. O nome Aloe, do árabe Alloeh, significa substância amarga, e a palavra vera, em latim, significa verdadeira.
É uma planta de aproximadamente 60 cm de altura, com caule curto, achatado e grosso; suas folhas são suculentas e as flores são de cor laranja ou amarela. O uso terapêutico da babosa data de milhares de anos, desde os povos antigos, como gregos, judeus, egípcios, árabes, africanos, europeus e, mais recentemente povos do continente americano.
Se por um lado os brasileiros não estão familiarizados com o uso da babosa, além das tradicionais receitas caseiras para uso capilar; por outro lado, os europeus, os japoneses, os russos, os mexicanos e os americanos, além de outros povos, usam a babosa corriqueiramente, inclusive como saladas no Japão e no México.
É uma das espécies mais analisadas na ciência em função, por exemplo, de seus reconhecidos usos na dermatologia e em tumores cancerígenos, e na medicina veterinária também tem se mostrado eficiente na cicatrização de determinados ferimentos.
São vários os usos populares da babosa como, por exemplo, para cortes, queimaduras, picadas de insetos, hematomas, acne e manchas, pancadas, lesões de pele ulceradas, eczema e queimaduras de sol. É utilizada pela população também para problemas estomacais, úlceras, prisão de ventre, hemorróidas, coceira retal, colite e todos os problemas de cólon.
Cientificamente, a importância medicinal desta espécie está no fato de terem sido descritos mais de 70 diferentes compostos biologicamente ativos, com propriedades antioxidantes, antiinflamatórias, anticarcinogênicas, antidiabéticas, imunoestimulantes, dentre outras. Também foi identificada a ação antimicrobiana sobre bactérias e fungos.
Pesquisas indicam que as aloínas, suas principais substâncias, e a mucilagem constituída do polissacarídeo aloeferon são os principais responsáveis pela ação cicatrizante.
Nas últimas décadas vem sendo estudada como fonte de novos princípios ativos, na forma de moléculas capazes de ter uma ação imunoreguladora, tendo já sido testada com êxito em pacientes com AIDS, como é o caso do acemanan, um polissacarídeo imunoestimulante. Comprovadamente, é um extraordinário imunoestimulante, já comprovado nos Estados Unidos pela FDA (Food and Drug Administracion).
Na sua casca, encontra-se a seiva que é rica em aloína, alantoína e antraquinonas, que são excelentes cicatrizantes. O extrato aquoso da folha de Aloe vera mostrou atividades hipoglicêmica em ratos com diabetes tipo 1 e 2, apresentando maior atividade no diabetes tipo 2 do que a glibenclamida.
Mas cuidado com seu uso sem acompanhamento médico, pois xaropes e outras preparações da planta, se ingeridos em doses elevadas, podem causar nefrite aguda grave. Os componentes da casca como aloína, alantoína e antraquinonas, tem efeito catártico, e para algumas pessoas pode afetar os rins, motivo pelo qual a casca da babosa ou a seiva não devem ser usadas internamente.
Devido possuir inúmeras aplicações, nos mais variados segmentos das indústrias farmacêuticas, de cosméticos, alimentos e de ornamentação, a demanda por matéria-prima desta espécie, com alta qualidade, é crescente e o aumento da oferta requer expansão significativa nas áreas de cultivo.

Texto do autor publicado no site http://jornalinoff.com.br/

segunda-feira, 12 de março de 2012

Hortelã-de-panela




Antigamente, era bem mais fácil de encontrá-la nos quintais, onde se destacava pelo aroma característico e apreciado por muitos. Alguns mascavam suas folhas para obter hálito agradável, outros colocavam apenas algumas folhas no copo com água para obter um sabor diferenciado e refrescante.
Fácil de ser colhida e de preparar o chá na forma de “abafado”, que acompanhava as broas e os pães caseiros. Bastava iniciar a fervura da água, desligar o fogo, colocar um punhado de folhas, tampar e esperar por alguns minutos. Com este “café” da tarde, as conversas ao redor da mesa fluíam na calmaria, sem as interrupções da televisão, e a noite chegava e recebia as pessoas mais dispostas. 
Mas onde nasce e se desenvolve suas folhas caem e se não forem retiradas, acabam por esterilizar o solo devido ao óleo volátil liberado, inviabilizando-o até para a própria planta. Esta foi uma das razões de seu sumiço na maioria das casas, além da perda do hábito de cultivar temperos e hortaliças nos quintais. O texto se refere a uma das plantas mais conhecidas e usadas pela população, a hortelã-rasteira, hortelã-de-panela, hortelã-de-cozinha, hortelã-da-folha-miúda ou até hortelã-comum. É tão comum no Brasil que em algumas regiões a denominam até de hortelã-do-brasil, mas sua origem é a Europa.
Esta planta é resultado do cruzamento de duas outras mentas, a Mentha spicata e a Mentha suaveolens. Por ser um híbrido, recebe o nome científico de Mentha x villosa e encontramos com frequência nos textos e artigos científicos também Mentha crispa, que é considerado nome mais antigo.
Uma das justificativas de encontrarmos tanta variação de hortelãs, em todo o mundo, é porque há grande facilidade de cruzamento entre espécies do gênero Mentha e que ocorre tanto naturalmente quanto por meio da intervenção do ser humano. Encontramos variedades denominadas, por exemplo, hortelã-chocolate, hortelã-lima ou hortelã-banana.
Com relação aos usos medicinais comprovados da hortelã-rasteira, é uma das campeãs em eficiência contra amebas causadoras de doenças como a Entamoeba histolytica e giárdias, sendo que ambas podemos pegar pela ingestão de água ou alimentos contaminados. A sabedoria dos nossos antepassados estava correta ao recomendar hortelã com mel contra estes protozoários. Na medicina popular também é usada como antiparasitária, antibacteriana, contra gases e sedativa.
Antigamente, era comum colocar suas folhas trituradas no leite para tratamento de verminoses em crianças, mas uma confusão quanto ao uso ocorre com relação ao controle específico da lombriga, Ascaris lumbricoides, pois a estudada cientificamente é a hortelã-pimenta, Mentha x piperita, que paralisa o desenvolvimento dos ovos deste verme. Mas temos que ter cuidado, pois há muitas variedades da hortelã-pimenta e com composições bem diferentes.
Os animais, quando acometidos por vermes, instintivamente, se alimentam da planta. Quanto ao uso na veterinária, em algumas regiões é comum misturar a hortelã-comum na ração visando controle de vermes. É distribuída em todo o mundo e apresenta grande importância industrial e econômica em produtos como, por exemplo, cosméticos, alimentos e condimentos. Também não podemos confundir e achar que é a principal fornecedora do mentol, princípio ativo presente, por exemplo, em balas e pasta de dente, pois há mentas especializadas na produção desta substância.
Esta hortelã é perene, com altura que pode alcançar no Vale do Paraíba, até 40 cm, suas folhas possuem pilosidade, indicativo de que é tão exigente em água quanto aparenta, mas se desenvolve bem quando o solo é bem solto e rico em matéria orgânica. Sua reprodução pode ser por semente, mas é facilmente propagada por estacas de seus ramos. No verão é mais aromática porque produz o óleo para proteção contra os raios solares e calor excessivo. Suas flores são de coloração lilás ou branca, reunidas nas axilas da folhas e também possuem pelos glandulares, que liberam o aroma característico.
Na culinária é versátil, serve como ornamento nos pratos; vai muito bem com abacaxi em sucos ou em doces, parceria que resulta na melhora do sistema digestório; é comum em pratos árabes, como nos quibes; colabora com seu sabor em molhos; tempera carnes, inclusive de cordeiro ou carneiro, e vai até em sopas, doces e cremes. 

Texto do autor publicado no site: http://jornalinoff.com.br/

           



Capuchinha



Nas regiões de clima mais frio no Brasil, tanto em jardins quanto em terrenos baldios, podemos encontrar uma espécie que tem jeito de ornamental, mas por crescer espontaneamente deixa muitos desconfiados de que não serve para muita coisa, e até a classificam como planta daninha. E como no meio de outras plantas espontâneas ou invasoras não são realçadas suas belas flores, acaba passando despercebida por muitos. Inclusive, há algumas décadas atrás era até considerada planta tóxica e, com isso, ficava no meio das outras sem ser coletada. 
Depois começou a ser assunto de programas de televisão, de jornais e revistas das áreas da alimentação e da saúde. Mesmo sendo comum na culinária europeia, também passou a ser vista em pratos sofisticados nos restaurantes brasileiros, e ainda muitos desconfiando se era só enfeite ou se poderia comer. 
Esta espécie denominada cientificamente por Tropaeolum majus, recebe os nomes populares capuchinha, chagas, chagas-de-cristo, chaguinha, alcaparras-brasileiras, alcaparra-de-pobre, mastruço-do-peru, papagaios, flor-de-sangue e agrião-do-méxico, e apesar de ser originária, segundo alguns autores, do Peru, da Colômbia e do México, no Brasil se desenvolve sem ser cultivada em Estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e nos municípios de clima mais ameno no Estado de São Paulo. 
Destaca-se pela sua ampla variedade de aplicações, com usos na culinária como condimento ou na salada, como ornamental, no auxílio no controle de pragas no cultivo de plantas, nas indústrias de cosmético e de fitoterápicos. 
Entre as suas características botânicas, são exemplos: planta que vive com ciclo menor que um ano, com caules e ramos suculentos e que se alastram com facilidade; suas folhas são arredondadas, com coloração azul-esverdeada, presas pelo centro das partes inferiores dos talos; as flores são vistosas, afuniladas, com coloração que varia de amarelo a vermelho escuro; e o fruto é formado por 3 aquênios pequenos de coloração esverdeada. Há capuchinhas com flores com coloração azulada e outras com raízes tuberosas que servem como alimento, mas que não são encontradas no Brasil. 
Pode ser plantada por sementes ou mudas produzidas a partir de estacas do caule. Se for fazer uma plantação coloque uma distante 50 cm da outra, e com o tempo elas se juntam. Em locais mais quentes, a capuchinha definha no verão se for cultivada a pleno sol, e não tolera falta de água. 
Toda a sua parte aérea é considerada comestível, incluindo folhas, flores, frutos verdes e até os talos. O sabor das folhas e flores da capuchinha lembra o agrião. As flores possuem vários pigmentos naturais do grupo dos carotenóides, sendo que uma alimentação rica em alimentos com estas substâncias pode contribuir para o fortale cimento do sistema imunológico e até prevenir doenças degenerativas da visão, como a catarata e a degeneração macular. As folhas e as flores são consideradas fontes de vitamina C, o que foi confirmado nas nossas pesquisas.
Tanto os botões florais e frutos verdes quanto as flores, são preparados em conservas com vinagre e sal. Apesar de bastante consumidos na Europa, no Brasil ainda não é comum o consumo da planta nesta forma. Além de uso na culinária, há significativo número de referências sobre seus usos medicinais, apesar de que muitas pesquisas ainda estão no estágio de testes com cobaias ou em laboratórios. Mas há substâncias com atividade antiviral para herpes simplex I e II, antimicrobiana e antitumoral. 
O óleo produzido pelas sementes é conhecido no mundo inteiro como óleo de Lorenzo, recomendado para o tratamento da adrenoleucodistrofia (ADL), desordem genética que resulta na degeneração progressiva do sistema nervoso e afeta principalmente crianças de 5 a 10 anos de idade. A substância responsável pela ação é o ácido erúcico, presente em quase toda a planta. 
Também há referências como antiescorbútica, tônica, expectorante, purgante, antiespasmódica, desinfetante das vias urinárias, digestiva e antidepressiva, mas muitas destas ações ainda não foram comprovadas. 
Na horta, a planta é considerada companheira para cultivo com outras espécies, principalmente couve e brócolis, pois atrai lagartas e ajuda a repelir pulgões e besouros. É usada na cosmética, como ingrediente principal de xampus recomendados para a queda de cabelo, e por atrair grande quantidade de abelhas, é considerada uma planta melífera. 

Texto do autor publicado no site: http://jornalinoff.com.br/ 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Bertalha





lá vem o poeta
com sua coroa de louros, bertalha, pimentão, agrião, boldo
o poeta é a pimenta do planeta

(trecho da música Assaltaram a gramática, de Lulu Santos e Wally Salomão)

Muitas espécies classificadas como hortaliças, sem justificativa, desapareceram das mesas dos consumidores, apesar de ainda resistirem como alimento em algumas regiões, inclusive como fonte de renda para produtores rurais. Algumas são reconhecidas como plantas ornamentais e, por isso, ainda são encontradas em quintais ou em jardins, às vezes sem que o proprietário saiba das propriedades nutricionais dessas plantas ou possa servi-las como alimento.
Uma que se encaixa nessa situação, isto é, de servir como alimento, ser desconhecida na alimentação, mas cultivada no jardim, é a bertalha, cujo nome científico é Basella alba. As principais e destacadas características visuais dessa planta são: presença de caule suculento, porte trepador, folhas “carnosas” e belas flores.
Possui hábito perene, e seu caule pode alcançar até 2,0 metros de comprimento. As flores possuem coloração branca, vermelha ou esverdeada; os pequenos frutos, formatos ovais ou lobulados e sementes arredondadas.
Apesar de ser bem adaptada às nossas condições, é originária do sudeste da Ásia e, atualmente, encontrada em países tropicais, como, por exemplo, Malásia, Filipinas, Moçambique e Camarões, e vários da América Central e da América do Sul, sendo que, no Brasil, foi introduzida há muito tempo.
Em outros idiomas, recebe os nomes de espinaca blanca (espanhol) ou spinach vine (inglês), pois lembra a forma de consumo e o sabor do espinafre, além de ter também folhas ricas em mucilagens. No Brasil, também são atribuídas denominações curiosas, como, por exemplo, folha-tartaruga e espinafre-indiano.
Em alguns Estados, principalmente os do Norte e do Nordeste, é considerada uma hortaliça, mas é no Rio de Janeiro onde encontramos até produtores especializados na espécie, que a comercializam na forma de maços. Também é considerável o consumo e o cultivo da bertalha em Minas e no Espírito Santo.
É uma boa fonte da vitamina A, com alto teor de cálcio e de iodo, quando comparada com a maioria das hortaliças, podendo ser um importante recurso alimentar para as comunidades. São consumidos os seus ramos tenros e as suas folhas, da mesma forma que o espinafre, cujo paladar é semelhante, podendo ser usados em sopas, refogados e saladas.
Há duas variedades de bertalha, que se diferenciam pelas cores das flores, frutos ou até dos ramos: a branca e a vermelha.  Alguns pesquisadores, porém, citam que há três tipos botânicos: Basella rubra – com hastes, pecíolos e nervuras vermelhas; Basella rubra var. alba – toda verde; e Basella rubra var. cordifolia – com folhas grandes em formato de coração.
Assim como o caruru e o espinafre, a bertalha não deve ser consumida em excesso, pois tem um considerável teor de ácido oxálico, que traz alguns prejuízos como aumento na pressão arterial.
Para saber se essa hortaliça é fresca, ideal para consumo, observe se as folhas são verde-escuro, se estão limpas, sem manchas e sem marcas de insetos. Se, ao contrário, as folhas estiverem amareladas, murchas, rasgadas, com aspecto ruim, significa que já foram colhidas há algum tempo.
Uma forma fácil de preparo é refogada, mas é bom lavar muito bem as folhas em água corrente e cozinhar apenas com o vapor. Também pode ser consumida na salada, em sopas ou omeletes. É colher e usar rapidamente, mas pode ser conservada por até três dias, se embrulhada em um saco plástico.


Texto do autor publicado no site: http://jornalinoff.com.br/ 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dente-de-leão

Foto: google.image

São inúmeras as plantas que já foram utilizadas como alimento pelo homem; mas, com o passar dos tempos muitas desapareceram das dietas das populações ou foram substituídas por outras. No entanto, algumas comunidades tradicionais ainda utilizam vegetais não convencionais na alimentação, como, por exemplo, caruru, serralha, mentruz-rasteiro, bertalha, beldroega, taioba, inhame, ora-pro-nóbis e cará, os quais podem fornecer nutrientes e substâncias para a prevenção de doenças. Apesar disto, a maioria das pessoas considera muitas destas espécies como matos, invasoras, concorrentes ou, até mesmo, plantas daninhas.

Há pesquisas, como as realizadas no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Taubaté, que objetivam resgatar informações populares sobre alimentos atualmente não usuais na alimentação; demonstrar e divulgar o seu potencial alimentício; testar as formas de uso e realizar a análise de seus valores nutricionais.

No Vale do Paraíba, em qualquer um de seus municípios, mas com maior ocorrência nas localidades mais frias, há uma planta que impressiona, não só pela variedade de usos, mas também por ser um dos medicamentos e alimentos mais antigos.

Apesar de possuir vários nomes populares, é mais comum ser denominada por dente-de-leão, cujo nome científico é Taraxacum officinale Weber ex FH Wigg. No seu nome científico, a palavra officinale quer dizer que é considerado um medicamento usado desde a antiguidade.

Também recebe outros nomes populares, que são curiosos, como cabeça-de-monge, seu-pai-ficou-careca, chicória-silvestre, amor-fogoso, alface-de-cão, salada-de-toupeira, amargosa, amor-de-homem e taraxaco, dentre outros.

Rodeada de muitas crendices, sendo um delas que diz que vai chover se o vento desfizer a inflorescência. Muita gente logo se lembra de qual planta estamos nos referindo, quando mencionamos que é uma que quando bate o vento ou a assopramos, sua inflorescência se desfaz, e inúmeras sementes, dentro de seus frutos, saem voando, o que justifica outro nome popular, que é pára-quedas.

Mesmo sendo considerada em quase todos os locais que ocorre como invasora, sendo, inclusive, classificada como planta daninha, o dente-de-leão pode ser consumido na forma de saladas ou refogado. Suas raízes são utilizadas como diuréticas, e as flores consideradas melíferas. Na Europa é consumido o chá, obtido das suas raízes torradas e moídas, como substituto do café.

Em muitos países, é considerada como hortaliça, e suas folhas possuem sabor semelhante ao almeirão, e o fato de ser amarga já é um bom indicativo de planta que atua como digestiva.

Por ser uma planta espontânea, isto é, nasce sem a intervenção do ser humano, cresce com facilidade e resiste aos diferentes estresses a que é submetido, indicando que é de fácil cultivo. Outra informação de origem popular é a de que onde ela nasce o solo é bom, podendo ser plantado no local até espécies mais exigentes, como brócolis, couve-flor ou repolho.

Mesmo sendo exótica, pois é nativa da Europa e Ásia, desenvolve-se bem em quase todas as regiões do Brasil, apesar de ocorrer em maior abundância nas regiões Sul e Sudeste. No nosso Vale do Paraíba, vamos encontrá-la com melhor desenvolvimento nas cidades mais frias e durante o inverno. Propaga-se por sementes e pode ser cultivada em canteiros.

As principais características usadas para a identificação do dente-de-leão são: caule que solta látex; folhas que saem de caule muito curto; formação de inflorescência que parece um algodão; flores amarelas, que ficam sobre haste floral oca de até 30 cm de comprimento, e frutos com um chumaço de pelos na extremidade, para facilitar sua flutuação no vento.

Algumas pesquisas indicam que seus compostos químicos possuem ação medicinal, como taraxerol, que inibe a formação de lesões localizadas na área do estômago, e outros que são os responsáveis para suas ações, como antioxidante e antiinflamatório. A planta está sendo testada quanto à eficácia no tratamento da diabetes, e são comprovados cientificamente os efeitos de diuréticos de suas raízes.

Na indústria, o dente-de-leão é considerado como fonte da fibra inulina, substância usada na indústria, como agente edulcorante, e com vários benefícios terapêuticos. Para animais, o seu consumo é considerado como estimulante para a produção de leite.

Texto do autor publicado no site: http://jornalinoff.com.br/ 

Taioba



            A taioba, para muitos, é uma verdadeira hortaliça, fácil de ser preparada, e que era de amplo consumo em muitas regiões do Brasil. Com o tempo, foi perdendo a sua fama e, consequentemente, o uso na culinária. Valiosas receitas foram perdidas, e muitas pessoas, apesar de ainda a conhecerem ou ouvirem falar dessa planta, como alimento, não a utiliza porque não sabem como aproveitá-la.
O seu nome científico é Xanthosoma sagittifolium (L.) Schott.. No Brasil, considerada como hortaliça de fundo de quintal, é quase unânime ser reconhecida apenas pelo nome popular taioba, podendo,  porém, ainda ser denominada por macabo, mangará-mirim, malangá ou yautia. Sua origem são as regiões tropicais da América do Sul e da América Central, e o seu cultivo é comum em alguns países da África, da América Central e da Ásia.
Entre as plantas não comumente aproveitadas na alimentação, é considerada a mais conhecida e a mais cultivada nos quintais de Minas Gerais, Estado onde ainda é comum ser consumida, assim como na Bahia, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Além de comestível, é uma espécie também classificada como ornamental, assim como várias outras espécies de sua família, a Araceae, sendo que muitos paisagistas e jardineiros a denominam como orelha-de-elefante.
Uma preocupação com relação ao uso nas refeições é identificar qual a verdadeira taioba, sendo imprescindível saber diferenciá-la do inhame ou de outras espécies da mesma família, semelhantes no aspecto externo, porém tóxicas.
O resgate da taioba como alimento é de grande importância, pois há estudos que concluíram que a espécie é rica em nutrientes, como, por exemplo, proteínas, cálcio, ferro e fibras, cujos teores são semelhantes aos das espécies alimentícias convencionais e reconhecidas como ricas nesses nutrientes. O teor de vitamina A, em 100 gramas da folha, supri a necessidade diária de uma criança, e, nessa mesma quantidade, fornece quase 30% das necessidades diárias de ferro da criança.
Comparada com o espinafre, as folhas da taioba são consideradas mais nutritivas, o que justifica receber mais atenção como alimento. As suas folhas são grandes, de fácil preparo e podem ser completamente utilizadas, e são mais ricas que os seus rizomas. Os talos maiores podem ser fritos ou empanados, porém nunca consuma qualquer parte crua.
No entanto, o aproveitamento das folhas na culinária deve ser feito logo após a colheita, pois em condições ambientais normais, e dependendo da idade, elas ficam amareladas, murcham e têm o sabor alterado. 
Os fatores antinutricionais, isto é, aqueles que podem prejudicar o organismo de quem a consome, impedindo a disponibilidade de seus nutrientes, em uma pesquisa, foram considerados aceitáveis e até mais baixos que hortaliças convencionalmente muito utilizadas.
Seu cultivo é relativamente fácil, desde que haja umidade suficiente e que o solo não seja muito ácido. É resistente ao ataque de insetos e de outras pragas. Quanto à adubação, responde bem a um solo rico em matéria orgânica, que beneficia bem a parte foliar.
A taioba prefere climas mais quentes, desenvolvendo-se bem em regiões de clima tropical e subtropical. Não resiste a geadas e tem o crescimento mais lento em regiões mais frias.
É exigente em sol, e a forma de se obter mudas para plantio é por meio de seus rizomas. No Vale do Paraíba, em quase todas as suas regiões, a melhor época de plantio é de setembro a fevereiro. Entre uma taioba e outra deixe um espaço de 60 cm.
A colheita das folhas pode ser iniciada 70 dias após o plantio, momento em que estão com aproximadamente 25 centímetros de tamanho e completamente abertas. As folhas mais velhas devem ser descartadas. Se for consumir os rizomas, colhidos após 7 meses, e quando as folhas secam, diminua a colheita das folhas, para que os rizomas tenham melhor desenvolvimento.
A planta apresenta um crescimento rápido, que é caracterizado por fases de desenvolvimento bem definidos. Logo após a brotação, há um rápido crescimento da parte aérea e inicia a formação dos cormilhos, dado pelo inchamento dos pecíolos foliares.
Em algumas regiões mais frias, a planta começa seu processo de maturação, no qual ocorre paralisação do crescimento da parte aérea e inicia a formação do sistema subterrâneo, por meio do aumento do tamanho das partes subterrâneas.
No Brasil, tem sido cultivada por pequenos produtores, visando principalmente à produção de folhas para consumo em pratos típicos ou em ração animal.
A taioba pode ser reconhecida como ótima fonte nutritiva, de baixo custo e que deve ser incorporada à dieta da população. As folhas, os talos e seus órgãos subterrâneos também são usados como alimentos para animais.

Uma receita com taioba

Lavar e picar bem as folhas;
Desfiar os talos, isto é, retirar as fibras;
Picar o talo em rodelas;
Dourar, no óleo, o alho socado e a cebola fatiada;
Colocar sal a gosto;
Juntar as folhas picadas e as rodelas do talo; e
Tampar a panela, e deixar no fogo até que as partes da taioba fiquem macias.


Texto do autor e da Nutricionista Maiara Duarte de Oliveira Santos publicado no site: http://jornalinoff.com.br/ 

    terça-feira, 6 de março de 2012

    Ora-pro-nóbis


    http://www.oocities.org/wessaaliens/species/pereskia.htm
    Nos quintais de antigamente, principalmente nos dos Estados do Espírito Santo, de Minas Gerais, de São Paulo e do Rio de Janeiro, havia, com maior frequência, uma espécie que, além de ornamental, por produzir belas flores, era muito utilizada na culinária.
    A presença de espinhos e a sua altura, que pode ultrapassar 2,0 metros, (há relatos de que chega a alcançar 10 metros de altura), justificam seu uso como cerca viva, protegendo a propriedade de invasores.  A facilidade de plantio, pois as estacas extraídas de seus galhos enraízam com facilidade, e a pouca exigência para o seu cultivo e a resistência às pragas são outras vantagens para o seu retorno aos quintais. Curioso que, apesar da aparência muito diferente, é da mesma família dos cactos que encontramos nos jardins ou em vasos.
    Seu principal nome popular é ora-pro-nóbis, e o nome científico é Pereskia aculeata. Devido ao seu alto teor protéico, ainda recebe o nome de carne-dos-pobres, se bem que não é tão comum essa denominação. É conhecida também por beldroegão, para diferenciá-la da beldroega (Portulaca oleracea), e lobrobó, sendo bom ressaltar que há outras plantas chamadas de ora-pro-nobis, como a Talinum patens. No entanto, todas essas espécies são usadas na culinária e têm, em comum, o fato de cada vez serem menos conhecidas e terem folhas suculentas e ricas em mucilagens.
    Apesar de cair no esquecimento por boa parte da população, a ora-pro-nóbis ainda é consumida em um prato no qual é o principal ingrediente, juntamente ao frango. Em uma rápida pesquisa na internet, é possível encontrar quantidade significativa de receitas com essa planta.
    Para cultivá-la e obter um crescimento mais rápido, o ideal é conseguir uma estaca retirada do galho, com 10 a 15 cm de comprimento, a qual será colocada em um substrato contendo partes iguais de terra comum, húmus e composto (ou esterco curtido) e umedecido diariamente.  Após o enraizamento, será transplantada para local definitivo, em covas com 40 x 40 cm. Depois, é só observar seu rápido crescimento, sem dar trabalho para quem a cultiva.
    Normalmente, floresce em boa parte do ano, e suas flores são muito apreciadas pelas abelhas, o que agrada também aos apicultores. Produz frutos, os quais normalmente não são consumidos, em forma de pequenas bagas redondas.
    Na medicina popular é usada como emoliente, isto é, contribui para hidratar a pele e restaurar a oleosidade que é perdida no ressecamento. O seu alto teor proteico deveria ser mais bem explorado pelas indústrias alimentícias, além de ser considerada uma ótima fonte de ferro, com níveis que contribuiriam, segundo algumas pesquisas, para suprir a deficiência em crianças e adultos. No entanto, sobre esse nutriente, ainda há necessidade de analisar melhor com relação a sua disponibilidade após a ingestão.
    Destaca-se, também, a presença de fibras, as quais contribuem para a prevenção de doenças, como hemorróidas, diabetes e tumores intestinais, e o baixo teor de lipídeos, compostos que, quando em excesso, contribuem para doenças cardiovasculares.
    Como alimento, suas folhas são consumidas cruas, em saladas, mas o mais comum é como refogada e, depois, adicionada em sopas e omeletes.  Também pode ser cozida com o arroz, enriquecendo esse alimento. Além da alimentação humana, é também utilizada, in natura ou na ração, como alimento para animais.
    Não há dúvidas de que uma alimentação poderá ser melhorada consideravelmente com a incorporação da ora-pro-nóbis, da taioba e do inhame, por exemplo. Além do enriquecimento nutricional, teremos alimento de baixo custo e em quantidade. E o mais importante é que iremos resgatar nossas receitas tradicionais, muitas delas presentes de europeus e africanos.

    Com tantas vantagens, não podemos ficar esperando o tempo passar, e muitas espécies, como a ora-pro-nóbis, caírem no esquecimento. Tratemos já de correr atrás de uma estaca e iniciar o plantio dessa espécie. E, finalmente, outra boa notícia: ela poderá nos acompanhar por algumas décadas, pois sua longevidade é considerável.

    Texto do autor publicado no site: http://jornalinoff.com.br/