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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Óleos de buriti, urucum e cenoura têm potencial para tratar a acne

31/01/2018

Os compostos integraram uma emulsão que foi testada “in vitro” e mostrou eficácia contra a doença em seu primeiro grau
 
Testes in vitro com óleos de urucum, cenoura e buriti resultaram numa emulsão que inibiu a ação de um dos microrganismos causadores da acne – Foto: SharPx via Flickr – CC
 
Uma emulsão desenvolvida à base de óleos de buriti, urucum e cenoura demonstrou potencial para atuar no tratamento da acne em seu grau 1, que é a manifestação mais leve da doença. O produto foi testado nos laboratórios da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, na pesquisa de mestrado da farmacêutica Elizabeth Ramos Romero.

No trabalho Pesquisa e desenvolvimento de emulsões à base de óleos vegetais [buriti, cenoura e urucum] e bases autoemulsionantes aditivadas de óleo de melaleuca e ácido salicílico para o tratamento de pele acneica, Elizabeth testou dois tipos de emulsões diretamente nos microrganismos responsáveis pela infecção: o Staphyloccocus epidermidis e o Propinonibacterium acnes.

O desenvolvimento da formulação foi feito com a metodologia de diagrama ternário, usada pelos pesquisadores para determinar as proporções dos componentes.Veja na imagem abaixo:  
Foto: Elizabeth Ramos Romero / Acervo pessoal
 
Os testes foram feitos in vitro e as emulsões foram aplicadas por microdiluição de microplaca, comparando seus efeitos com apresentações comerciais do Brasil e da Colômbia indicadas para o tratamento da acne. “Uma das emulsões continha apenas os óleos de buriti, urucum e de cenoura, enquanto a outra formulação foi feita com os óleos e ácido salicílico, medicamento já utilizado no combate à acne”, descreve a pesquisadora. Veja na imagem abaixo as respectivas formulações para os testes: 
 
As amostras correspondem a: 1 provas com microplacas; formulação 2 só com óleos vegetais; 3 com óleos vegetais e ácido salicílico; 4 produto comercial colombiano; 5 produto comercial brasileiro; 6 amostras controles. Poços com coloração roxo/azul indicam que houve crescimento do microrganismo. Já a coloração rosa mostra inibição da proliferação do microrganismo – Foto: Elizabeth Ramos Romero / Acervo pessoal
 
O resultado é que a formulação dos óleos e a formulação dos óleos acrescida do ácido têm um efeito bacteriostático, ou seja, freou a proliferação do Staphyloccocus epidermidis, que é o microrganismo mais predominante na acne. “Ainda serão necessários novos estudos para combater o Propinonibacterium acnes”, explica Elizabeth.
  
A acne em seu estágio inicial apresenta cravos, mas sem lesões inflamatórias – Foto: Derek Miller/Flickr-CC

Evolução da acne

Elizabeth ressalta que o sucesso da emulsão se deu com a doença em seu grau 1. “A acne em seu estágio inicial tem como principais sintomas os comedões, mais conhecidos como cravos, mas sem lesões inflamatórias”, descreve a pesquisadora. Em seu grau 2, a doença tem como sintomas, além dos comedões, pápulas e pústulas, que são elevações causadas na pele por reações inflamatórias que podem conter pus. “No caso do grau 3, além dos comedões e espinhas, pode-se observar lesões císticas já maiores”, observa Elizabeth.
  
Elisabeth Romero iniciou suas pesquisas na FCFRP em 2014 – Foto: Elizabeth Ramos Romero / Arquivo pessoal

De acordo com a farmacêutica, ainda não é bem definido na literatura médica se a acne tem relação com o tipo de alimentação consumida. “O que sabemos é que se trata de uma doença ligada às mudanças hormonais, em que as glândulas sebáceas depositam mais gordura na pele”, afirma Elizabeth, ressaltando que, em sua pesquisa, somente os efeitos da acne na pele foram considerados.

O trabalho foi embasado em estudos anteriores, principalmente indianos, em que foram constatados efeitos positivos de compostos antioxidantes e fenóis contra microrganismos. O estudo também contou com a colaboração de cientistas da Universidade de Antioquia, em Medellín, na Colômbia, onde os óleos foram caracterizados para determinar suas capacidades antioxidantes. “Os óleos apresentaram, justamente, como principais componentes, antioxidantes e fenóis em suas composições”, conta a pesquisadora.

As pesquisas de Elizabeth tiveram início em 2014 e todos os testes foram feitos, segundo ela, seguindo a guia de estabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisadora acredita que num prazo de seis meses a um ano já poderão ser realizados testes em humanos. O estudo foi concluído em abril de 2017, sob orientação do professor Pedro Alves da Rocha Filho, da FCFRP da USP.

Mais informações: e-mail eramosro@usp.br, com Elizabeth Ramos Romero

Link:
http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/oleos-de-buriti-urucum-e-cenoura-tem-potencial-para-tratar-a-acne/

terça-feira, 8 de agosto de 2017

UFV - FITOCOSMÉTICO - Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular obtém primeira patente concedida no Brasil

07/08/2017
Marisa (esq.) e Virgínia (centro) contam com apoio de estudantes, como a doutoranda Nívea Pacheco

Já reconhecida pelas pesquisas que atestam a macaúba como fonte para a produção de biodiesel, a UFV confirma agora uma propriedade cosmética dessa palmeira, encontrada em boa parte do território brasileiro. O Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular (DBB) recebeu, em julho, a sua primeira carta patente concedida no Brasil com um sabonete que tem em sua fórmula o óleo da polpa de macaúba. A patente veio sete anos depois de o pedido ter sido depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) pelas professoras Marisa Alves Nogueira Diaz e Virgínia Ramos Pizziolo, em parceria com o Departamento de Fitotecnia (DFT) devido à participação do professor Sérgio Yoshimitsu Motoike e do técnico Francisco de Assis Lopes. Todo o processo teve o suporte da Comissão Permanente de Propriedade Intelectual, que auxiliou na elaboração de documentos para o depósito e acompanhamento do pedido até a concessão.

O sabonete produzido pelas pesquisadoras do DBB traz em sua fórmula uma mistura com óleo de macaúba, rico em betacaroteno (vitamina A), o que, segundo elas, confere um efeito sinérgico na restauração da epiderme. As professoras explicam que, “além de ser emoliente, prevenir o envelhecimento precoce contra radicais livres, a vitamina A - também conhecida como retinol - age na manutenção dos tecidos epiteliais”. O sabonete apresenta ainda em sua composição substâncias com propriedades bactericida e cicatrizante, que podem combater doenças, como dermatite e micose. O resultado, portanto, é um produto cujo uso contínuo ajuda na assepsia e na melhora da textura da pele, tornando-a mais suave devido ao alto poder emoliente do óleo de macaúba. As pesquisadoras também desenvolveram, com o óleo, um sabonete com ação terapêutica para prevenção e controle da mastite bovina. Esse produto, que também já teve o pedido de patente depositado, leva em sua composição extrato da planta Salvinia auriculata e derivados.

Marisa Diaz e Virgínia Pizziolo contam que a ideia da produção dos sabonetes foi uma sugestão do professor Sergio Motoike - coordenador da pesquisa em macaúba no programa de pós-graduação em Fitotecnia da UFV - e do técnico Francisco Lopes, que integra a equipe. Foram eles que forneceram às professoras o óleo da polpa, coletado na plantação que o grupo mantém na Estação Experimental de Araponga (MG). A qualidade do óleo é assegurada com a extração no tempo certo, antes de o fruto, perecível, estragar. Motoike já conhecia o trabalho das professoras com sabonete, o que, inclusive, as destaca na área de extensão. Desde 2007, a professora Marisa oferece, ininterruptamente, na Semana do Fazendeiro o curso de Sabão Rural e, desde 2009, o de Sabonete Medicinal, juntamente com a professora Virgínia. Ela também já esteve à frente do projeto Produção de sabão com propriedades farmacológicas aliada à conscientização ambiental e sustentabilidade através da reciclagem de óleo vegetal residual, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Pesquisas

A patente obtida é a primeira das 11 já depositadas pelas professoras, que dividem a coordenação do Laboratório de Bioquímica e Química de Produtos Naturais (BioNat) da UFV. Ali, elas pesquisam e desenvolvem formulações antimicrobianas, antioxidantes e antitumorais a partir da flora e de microrganismos encontrados no entorno de Viçosa e na Mata Atlântica, e também por meio de síntese orgânica. Candeia da serra, quina da serra, losna, cravo, canela e calêndula são algumas das plantas mais estudadas devido às suas propriedades antimicrobiana e cicatrizante. É em torno da atividade cicatrizante, por sinal, que o estudante de doutorado do programa de pós-graduação em Bioquímica Aplicada Leandro Jose Gusmão vem realizando, sob orientação da professora Marisa, um estudo farmacológico e de farmacocinética da planta Remijia ferruginea. Com estudo in vivo, o objetivo é entender, por exemplo, o mecanismo de ação do produto desenvolvido a partir dessa planta, com grande capacidade cicatrizante. Outra linha de pesquisa do BioNat tem como foco o câncer de pele do tipo melanoma. A partir de compostos sintetizados no laboratório, elas desenvolvem formulações para o tratamento desse tipo de câncer.

As professoras, que são formadas em Farmácia e Bioquímica, reconhecem o longo caminho que há entre a obtenção de uma patente e a colocação do produto no mercado. Há uma série de testes a serem feitos. Muitos, inclusive, segundo explicam, não podem ser realizados na UFV, uma vez que a instituição não dispõe de um laboratório de farmacotécnica e farmacocinética, que daria mais agilidade e eficiência ao trabalho. Embora não haja ainda interação com uma empresa específica para a comercialização do sabonete - um dos muitos produtos desenvolvidos pelo BioNat - as professoras Marisa e Virgínia se dizem satisfeitas com os resultados das pesquisas, que têm sempre o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de MInas Gerais (Fapemig), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Para elas, a patente é um importante reconhecimento do trabalho que realizam na UFV, onde ingressaram há pouco mais de uma década.

Adriana Passos
Divulgação Institucional
Há dez anos, as professoras oferecem cursos na Semana do Fazendeiro

Link:

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, V. 53, N. 2 (2017) - artigos sobre plantas medicinais

Link da revista: 

Links dos artigos:

Intranasal mucoadhesivemicroemulsion for neuroprotective effect of curcuminin mptp induced Parkinson model

Preliminary in vitro assessment of the potential toxicity and antioxidant activity of Ceiba speciosa (A. St.-Hill) Ravenna (Paineira)

Cytotoxicity of hydroxydihydrobovolide and its pharmacokinetic studies in Portulaca oleracea L. extract

Guava: phytochemical composition of a potential source of antioxidants for cosmetic and/or dermatological applications

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Fitocosmética 6 - Camomila

Fitocosmética - 6. #fitocosmética

Uma foto publicada por Marcos Roberto Furlan (@quintaisimortais) em

Fitocosmética 5 - Mamona

Fitocosmética - 5. #fitocosmética

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Fitocosmética 4 - Calêndula

Fitocosmética - 4

Uma foto publicada por Marcos Roberto Furlan (@quintaisimortais) em

Fitocosmética 3 - Soja

Fitocosmética - 3 #fitocosmética

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Fitocosmética 2 - Arnica

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Fitocosmética 1 - Hamamélis

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Fermentado de soja estimula a produção de colágeno e melhora elasticidade da pele

01/09/2016

Gel à base de extrato de soja biotransformada é capaz de estimular produção de colágeno. Produto foi desenvolvido em laboratórios da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto

Por Redação - Editorias: Ciências da Saúde
Bianca Stocco, à esquerda, pesquisadora da FCFRP – Foto: Divulgação/FCFRP

Durante a menopausa, o organismo feminino apresenta redução na produção de hormônios, que está relacionada com aparecimento de rugas e diminuição da espessura da pele. Pesquisas sobre o tema indicam que o colágeno — proteína responsável pela qualidade estrutural e elástica da pele — pode diminuir até 30% nos cinco primeiros anos deste período da vida da mulher.

Substâncias extraídas da soja, isoflavonas (daidzeína e genisteína), são amplamente estudadas por possuírem estrutura e função semelhantes ao do hormônio estrogênio. Pesquisadoras da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP desenvolveram uma fórmula específica, enriquecida com essas substâncias, e demonstraram sua eficácia na produção de colágeno. O produto, na forma de gel, foi capaz de atingir derme e epiderme e aumentar a produção de colágeno em fibroblastos humanos — células presentes na derme com função principal de sintetizar colágeno e elastina.

O achado faz parte do doutorado de Bianca Stocco, orientada pela professora Maria Regina Torqueti, e deve, segundo as pesquisadoras, contribuir para prevenção e tratamento do envelhecimento da pele. “Algumas empresas cosméticas já utilizam a soja em dermocosméticos devido ao conhecido efeito antioxidante proporcionado pelas isoflavonas da soja, mas este é o primeiro estudo a demonstrar que um extrato de soja rico em isoflavonas é capaz de estimular a produção de colágeno”, diz a professora Maria Regina.
Componentes e camadas da pele – Imagem: tese de Bianca Stocco

Para esses resultados, Bianca avaliou a ação das substâncias contidas no extrato de soja biotransformado, produzido exclusivamente na FCFRP. A fórmula ideal foi obtida com extrato elaborado no laboratório da professora Maria José Vieira Fonseca, colega da professora Maria Regina na FCFRP. Maria José estuda há mais de dez anos o pó do grão de soja. Nos testes para este trabalho, adicionou fungos que foram especialmente manipulados para um extrato com maior concentração de fitoestrógenos.

Bianca observou que a fórmula é capaz de estimular a produção de colágeno em fibroblastos, quando aplicada por via tópica (espalhada sobre a pele), e que este efeito “pode estar relacionado com a ligação da genisteína a receptores de estrogênio”.

Mas as pesquisadoras lembram que os homens também devem se beneficiar da propriedade do produto. É que esses mecanismos podem relacionar ainda a proteção contra o estresse oxidativo e a expressão de enzimas antioxidantes que impedem a ação de enzimas que degradam o colágeno; todas propriedades dos fitoestrógenos de soja.

Dermocosmético de soja biotransformada
Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo – Foto: Jonas Oliveira/Fotos Públicas

Os testes envolveram a produção de cinco diferentes extratos biotransformados e a identificação daquele com maior concentração de isoflavonas, principalmente genisteína, “a qual possui maior capacidade de interagir com receptores de estrógeno presentes na pele”, conta Bianca. A comprovação de que o extrato não é tóxico para as células veio do estudo realizado com dois tipos de fibroblastos: um de uma linhagem de camundongo e outro de um fibroblasto humano.

Ao gel, o veículo escolhido para a fórmula, foi adicionado 3% do extrato biotransformado de soja. Bianca informa que a concentração de isoflavonas encontradas na derme e epiderme, quando a formulação contendo 3% do extrato de soja é aplicada na pele, é a concentração específica capaz de estimular a produção de colágeno. “Concentrações maiores ou menores não foram capazes de promover estímulo na produção de colágeno, o que demonstra que o estímulo é dose-específico”, continua a pesquisadora.

No momento, o produto se encontra em fase de transferência tecnológica pela Agência de Inovação da USP. Como o Brasil é o terceiro maior consumidor mundial de cosméticos e produtos ligados à beleza — fica atrás apenas dos Estados Unidos e da China, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), e o segundo maior produtor de soja do mundo —, o mercado deve esperar por novidades.

Crislaine Messias/Assessoria de Comunicação da PUSP-RP

Mais informações: email: bianca.sto@hotmail.com

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Anvisa suspende comercialização de Saw Palmetto

Criado em 08/04/15 
Por Aline Leal - Repórter da Agência Brasil Edição:Fábio Massalli Fonte:Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu hoje (8) a fabricação, a distribuição, a divulgação e a comercialização do produto Saw Palmetto, que, segundo a agência reguladora, é “supostamente” fabricado pela MM Ribeiro – ME Ltda. A Anvisa também determinou a apreensão e destruição do produto.

O Saw Palmetto não tem registro, notificação ou cadastro no órgão regulador. De acordo com a Anvisa, a medida foi tomada não só para este produto como para qualquer outro fabricado pela mesma empresa, já que ela não tem autorização de funcionamento. A empresa, segundo informações da Anvisa, tem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) inválido e não tem endereço conhecido.

A resolução com a determinação, que saiu hoje no Diário Oficial da União, só cita nominalmente o produto, mas diz que a suspensão vale para todos os outros da mesma empresa.

A Anvisa ainda determinou a apreensão e inutilização de todas as unidades dos produtos da empresa.

Editor Fábio Massalli

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Pesquisa utiliza peptonas de soja para produção de ácido hialurônico



Campinas, 25 de agosto de 2014 a 31 de agosto de 2014 – ANO 2014 – Nº 603

Objetivo é chegar a um produto mais puro, para atender às indústrias farmacêutica e de cosméticos 

Texto: MANUEL ALVES FILHO 
Fotos: Antonio Scarpinetti 
Edição de Imagens: Diana Melo 
Pesquisa desenvolvida para a dissertação de mestrado do engenheiro químico Rhelvis de Campos Oliveira, defendida na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp, investigou o uso de peptonas de soja como fontes de nitrogênio para a produção, via processo fermentativo, de ácido hialurônico (AH). O AH é um polímero natural presente nos tecidos humano e animal. Entre suas funções estão lubrificar as articulações e hidratar intensamente a pele. Por causa dessas propriedades, é utilizado pela indústria farmacêutica e de cosméticos. “Os resultados que obtivemos em laboratório foram muito promissores”, afirma o autor do trabalho, que foi orientado pela professora Maria Helena Andrade Santana.

De acordo com o pesquisador, o AH é um polissacarídeo muito utilizado na área médica. A massa molar e o grau de pureza desse ácido são parâmetros importantes para definir o seu valor agregado e também o tipo de aplicação. Oliveira destaca que as principais fontes de AH são a crista do galo e o cordão umbilical humano. Mais recentemente, o AH também tem sido produzido comercialmente por fermentação. “Ocorre que as fontes animais contêm proteínas e outros compostos indesejáveis que são extraídos junto com o ácido e que podem causar reações imunogênicas. Por isso, o AH de fonte animal necessita de uma purificação muito mais rigorosa”, explica Oliveira.

Já o AH de origem microbiana, prossegue o pesquisador, é mais puro, porém as indústrias farmacêutica e de cosméticos estão requerendo a substituição dos compostos de origem animal no meio de cultura por compostos de origem vegetal, de modo a utilizarem o ácido como matéria-prima de seus produtos. “Daí a importância de investigarmos fontes vegetais de nitrogênio para serem usadas no processo de produção”, diz o autor da dissertação. É nesse ponto que entram as peptonas de sojas. No caso do estudo desenvolvido por Oliveira, foram utilizados dois tipos comerciais.

A principal diferença entre as peptonas foi a concentração de aspartato, glutamina e glutamato. “Por causa dessa diferença, nós resolvemos classificar as peptonas de ‘rica em AGG’ e ‘pobre em AGG’. A primeira também é rica em aminoácidos livres, enquanto na segunda os aminoácidos estão na forma peptídica”. Uma das conclusões a que o pesquisador chegou a partir dos ensaios feitos em laboratório foi de que o AH produzido a partir da proteína rica em AGG tem massa molar 100 vezes maior que o produzido a partir da proteína pobre em AGG.

Quanto ao rendimento, foi constatado que o AH obtido da peptona pobre em AGG, que tem massa molar reduzida, apresentou um rendimento muito superior à outra. “Ou seja, embora dê origem a um produto de baixa massa molar, essa última compensou tal desvantagem com uma maior produtividade. Portanto, a produção e a massa molar do AH podem ser controlados pelo tipo de peptona de soja usada no processo”, esclarece. Oliveira.

Ademais, as peptonas de soja apresentaram uma concentração reduzida de proteína e peptídeos em relação às fermentações realizadas com outras fontes de nitrogênio, como extrato de levedura, proteína do leite e peptona de batata. “Ou seja, obtivemos um produto mais puro, o que facilita o processo de purificação”, acrescenta Oliveira. Em relação outras propriedades dessas peptonas, o estudo concluiu que a rica em AGG tem a capacidade de estimular a produção de biomassa, enquanto a pobre em AGG proporciona a produção de AH.

Nesse ponto, o autor da dissertação abre parênteses para explicar que embora o AH seja útil em toda a faixa de massa molar, as aplicações são diferentes. O AH de alta massa molar normalmente é aplicado em cirurgias oftalmológicas, para repor o humor vítreo, gel aquoso situado entre o cristalino e a retina, ou em procedimentos cirúrgicos ortopédicos, com o propósito de normalizar as concentrações do ácido no fluido sinovial, cuja função é proteger as articulações. Já o segundo atua como regenerador celular e auxilia no processo de cicatrização, favorecendo o tratamento de feridas. Além disso, contribui para evitar a morte celular, pois tem propriedade antiapoptótica.

Oliveira adianta que pretende dar continuidade à pesquisa com o AH no seu doutorado. Ele ainda não definiu, porém, que abordagem dará ao estudo. “Uma possibilidade é concentrar a pesquisa nos efeitos da transferência de oxigênio ao meio de cultura, já que o micro-organismo usado é altamente aeróbio. Por outro lado, o excesso de oxigênio pode produzir estresse ao micro-organismo e aumentar a produção de ácido hialurônico como um mecanismo de proteção”, exemplifica o engenheiro químico, que contou com bolsa de estudo concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Linha de pesquisa

Devido à sua importância, o ácido hialurônico é tema de uma linha de pesquisa coordenada pela professora Maria Helena Andrade Santana, da FEQ, sob diferentes perspectivas nos campos da produção e das aplicações. Em relação à produção, o grupo tem investigado os efeitos de várias condições de estresse ao micro-organismo, tais como estresse ácido e de glicose, para ficar em dois exemplos. Já os estudos voltados às aplicações estão concentrados no desenvolvimento de processos de produção de nanopartículas e filmes, de encapsulação de compostos bioativos e de fabricação de scaffolds (suporte tridimensional) para uso em medicina regenerativa.

Uma das abordagens está sendo realizada atualmente pela estudante de pós-doutorado Patrícia Severino. Ela está desenvolvendo um filme adesivo para ser usado em pacientes que desenvolvem mucosite oral, em decorrência do tratamento de câncer de cabeça por radio e quimioterapia. Patrícia explica que o filme é uma espécie de gel composto por AH e quisotosana, fibra extraída do exoesqueleto de alguns crustáceos e que tem propriedades antimicrobianas. O material contém nanocapsulas que abrigam dois tipos de fármacos: um anestésico e um antibiótico.

Depois de colocado na boca da pessoa, o filme libera os medicamentos, em períodos distintos, para combater os sintomas da mucosite oral. “O objetivo é que o anestésico seja liberado rapidamente, para combater as dores, e que o antibiótico seja liberado de forma mais lenta, para combater micro-organismos que agem no local”, detalha a pesquisadora. De acordo com ela, o filme contendo as nanopartículas está praticamente pronto. “Faltam alguns pequenos ajustes. Uma das questões a serem solucionadas é a adequação do pH do material”, diz.

A pós-doutoranda acrescenta que parte do trabalho está sendo feita em colaboração com pesquisadores da Universidade de Sorocaba (Uniso) e do Hospital da Pontifícia Universidade Católica também de Sorocaba. Conforme Patrícia, esses cientistas já estão fazendo testes clínicos (em humanos) com o filme contendo um tipo de formulação. “A formulação com a qual eu estou trabalhando deve começar a ser testada clinicamente somente no próximo ano”, adianta. Outra orientanda da professora Maria Helena, a doutoranda Andrea Shimojo, está pesquisando a fabricação de scaffolds de AH autorreticulados (sem a utilização de qualquer outro produto químico) ou em associação com a quitosana.

Em ambos os casos, os scaffolds são produzidos na forma de esponjas, cujas aplicações previstas são na cicatrização de feridas crônicas e em cirurgias ortopédicas. Esses scaffolds, tanto na forma de esponja quanto na de nanopartículas, também estão sendo estudados para a proliferação de células mesenquimais (tipo de célula-tronco), para aplicação em medicina regenerativa. Esse trabalho está sendo desenvolvido em colaboração com a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Dentro da interdisciplinaridade que essas aplicações demandam, a grande contribuição da engenharia química está, conforme a professora Maria Helena, no desenvolvimento de processos de produção escalonáveis voltados à aplicação no setor industrial, gerando assim novos produtos.

O ácido hialurônico foi identificado em 1934. Ele está presente em diversas partes do corpo humano e também dos animais. Em 1949, descobriu-se que a crista do galo contém essa substância em grandes concentrações. O AH tem sido usado tanto pela indústria farmacêutica quanto pela de cosméticos. Ele é utilizado na composição de vários medicamentos, como colírios, pomadas cicatrizantes e produtos para o tratamento da artrose.

Publicação

Tese: “Estudo da produção de ácido hialurônico utilizando peptona de soja”
Autor: Rhelvis de Campos Oliveira Orientadora: Maria Helena Andrade Santana Unidade: Faculdade de Engenharia Química (FEQ) Financiamento: CNPq

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