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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Indígenas da Amazônia têm dores frequentes, mas não reclamam

31/07/2018

Estudo feito com três etnias verificou que, por considerarem o processo natural e não uma anormalidade, não há o costume de reclamar

Estudo feito com três etnias na divisa do Brasil com Peru e Colômbia verificou que apesar de 77% sentirem dores não há o costume de reclamar, por considerarem o processo natural e não uma anormalidade – Foto: Eliseth Leão via Agência Fapesp

No ritual da tucandeira, realizado como forma de iniciação masculina pela tribo sateré-mawé, na Amazônia, para demonstrar força e coragem, meninos da aldeia têm que vestir uma luva feita de palha (saaripé) cheia de formigas tucandeiras (Paraponerinae) e resistir por, pelo menos, 15 minutos às doloridas ferroadas do inseto.

Pesquisadora do manejo e controle da dor em pacientes em hospitais e em populações vulneráveis, como moradores de rua em São Paulo, Eliseth Ribeiro Leão, professora da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, ficou intrigada como aqueles indígenas resistiam e tratavam tamanha dor após o ritual na floresta. “Imaginava o processo inflamatório que aqueles índios apresentam quando tiram as mãos das luvas e o que fazem para curá-lo”, disse.

A fim de tentar encontrar resposta para essa e outras questões, a pesquisadora empreendeu um estudo inédito sobre as dores de indígenas na Amazônia e como elas são tratadas. Resultado do mestrado de Elaine Barbosa de Moraes, sob orientação de Eliseth, o trabalho, apoiado pela Fapesp foi apresentado em julho no oitavo Congresso Interdisciplinar de Dor (Cindor) da USP. Será apresentado também em setembro no Congresso Mundial da Dor, da International Association for Study of Pain (IASP), em Boston, nos Estados Unidos.

“Há uma visão de que os indígenas suportam a dor causada por rituais, como o da tucandeira, mas não se sabia como era a comunicação dessa e de outras dores sentidas por eles e como são tratadas”, disse Eliseth à Agência Fapesp. “Decidimos mapear o perfil de dor, da experiência dolorosa dos indígenas, e também identificar que tipo de terapia eles utilizam para aliviá-la.”

Durante 23 dias, entre junho e julho de 2017, Eliseth e Elaine visitaram as tribos matis, kanamary e marubo no Vale do Javari, na divisa do Brasil com Peru e Colômbia, a 1,1 mil quilômetros de Manaus, capital do Amazonas.

Para chegar à região, que apresenta a maior densidade de povos indígenas isolados no mundo, foi preciso viajar de barco até a primeira aldeia, dos matis, carregado com tanques de gasolina suficientes para garantir o abastecimento na ida e na volta, e sob medo constante da possibilidade de o combustível ser saqueado. Tempo semelhante de navegação foi despendido para o acesso à aldeia kanamary.

Por meio de intérpretes, Elaine e Eliseth entrevistaram 45 índios das três etnias, com perguntas do tipo de que forma sentiam dor, se era forte, moderada ou fraca e onde doía, além de fatores que contribuíam para a piora ou a melhora.

Para surpresa das cientistas, no momento da entrevista 77,8% dos índios afirmaram que estavam sentindo dor, principalmente músculo-esquelética (73,2%), localizada nos membros inferiores (46,6%), coluna (37,9%), articulações (35,5%), membros superiores (33,3%) e no abdome (24,4%).

Em relação à intensidade da dor, as respostas ficaram divididas. Enquanto 37,8% dos 45 participantes da pesquisa declararam sentir dores fortes, outros 33,3% alegaram intensidade fraca. Outros 26,7% não souberam responder à pergunta.

“Observamos que a dor entre os indígenas é bastante prevalente e está muito relacionada ao estilo de vida. Os índios das três etnias trabalham diariamente em roçados, saem para caçar e carregam muito peso, como toras de madeira, por longas distâncias. Isso faz uma sobrecarga no sistema músculo-esquelético e desencadeia esse tipo de dor neles, que é muito semelhante à dos trabalhadores rurais”, disse Eliseth.

Vencer a dor

As pesquisadoras também avaliaram a “qualidade” da dor dos índios das três etnias ao pedir que expressassem espontaneamente como era a sua dor, uma vez que não existem questionários validados para utilização junto a essa população.

Segundo Eliseth, o Questionário de Dor de McGill – um instrumento desenvolvido pela McGill University, do Canadá, que analisa as várias dimensões da dor por meio de 72 descritores sensitivos, afetivos e cognitivos, com o intuito de mensurar a experiência dolorosa – é complexo e, às vezes, de difícil compreensão.

As palavras espontâneas usadas pelos índios para expressar a experiência da dor, entretanto, foram muito semelhantes às existentes no questionário desenvolvido pela universidade canadense para avaliar a dor em pacientes em hospitais, por exemplo. Os indígenas, porém, só usaram descritores sensitivos para descrever a experiência dolorosa, como pontada e queimação.

“Constatamos que os índios não expressam muito a experiência da dor pelo lado emocional, como fazemos, em que em algumas situações avaliamos a dor como desesperadora, por exemplo. Eles não reclamam da dor”, disse Eliseth.

Ao pedir para as mulheres relatarem dores pregressas, por exemplo, nenhuma delas, das três etnias, fez referência à dor do parto. “Isso mostra que a dor para elas faz parte de um processo natural, não é vista como anormalidade”, avaliou.

Uma das hipóteses para explicar a resistência dos índios à expressão emocional da experiência dolorosa está relacionada aos aspectos culturais, que interferem no limiar da dor. Como são submetidos desde a infância a aprender a vencer a dor e passam por uma série de rituais dolorosos ao longo da vida, como o da tucandeira, isso faz com que tenham um maior limiar de dor e contenham a expressão emocional da experiência dolorosa.

Outra hipótese é a de que, como vivem em um sistema econômico de subsistência, não adianta reclamar da dor em um dia uma vez que no seguinte precisarão voltar para o roçado, caçar e garantir o alimento para sobreviver.

“A sobrevivência deles e da aldeia onde vivem depende de atividades que podem provocar dor, como caçar, trabalhar no roçado e carregar muito peso. Isso faz com que acabem se adaptando a esses quadros dolorosos e tenham que conviver com a dor para poder sobreviver”, disse Eliseth.
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Formas de tratamento

A resistência dos índios à expressão emocional da experiência dolorosa não significa que a dor não tenha impacto na qualidade de vida, ponderou a pesquisadora. Mais de 60% dos entrevistados disseram que a dor interfere no sono e nas atividades diárias deles e mais de 50% afirmaram que afeta seus relacionamentos. “Quando a dor se manifesta, às vezes eles se recolhem naquele dia, não vão trabalhar, e alguns falam que ficam tristes”, disse Eliseth.

Para tratar a dor, 86,7% dos índios entrevistados disseram que recorrem à medicina convencional – ou os “remédios do branco”, como anti-inflamatórios não hormonais, relaxantes musculares e corticoides – e 80% contam com a ajuda da medicina tradicional indígena como o “remédio do mato”, feito de acordo com as tradições de cada tribo com ervas e outros extratos vegetais.

Os “medicamentos do branco”, porém, foram apontados como fator de melhora da dor por apenas 22,2% dos indígenas. Já o “remédio do índio”, que envolve benzimento, pajelança, banhos, rezas, veneno de sapo, picadas de formiga, cantos e fumaça, foi apontado como fator de alívio da dor por 64,4% dos entrevistados, seguido pelo “remédio do mato”, feito a partir de extratos de plantas (60%).

“Imaginávamos que eles tomavam muito mais medicação por via oral, como infusões de ervas, e vimos que, na realidade, eles utilizam muito emplastro, como uma resina de breu-branco [Protium heptaphyllum] misturada com urucum [Bixa orellana]”, disse Eliseth.

As pesquisadoras também entrevistaram 36 funcionários do Distrito Sanitário Especial Indígena – órgão do governo federal ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS) –, que prestam atendimento às três tribos na Amazônia para avaliar como os agentes de saúde lidam com a dor dessas populações. No total, 73% deles disseram que não investigam a dor dos índios durante o atendimento.

Do total de 45 índios das três etnias que foram entrevistados, 37% relataram automedicação com os remédios usados na medicina convencional, como os anti-inflamatórios não hormonais. “Isso provavelmente se deve ao fato de não ter um profissional de saúde com formação apropriada para avaliar a dor deles adequadamente”, disse Eliseth.

Com base nas constatações do estudo, as autoras elaboraram uma cartilha com informações e recomendações para o manejo da dor, que incluem conceitos da medicina convencional e as práticas culturais da medicina tradicional indígena, para facilitar o diálogo entre profissionais de saúde e indígenas.

“A cartilha será traduzida para as línguas das três etnias e distribuída para os profissionais dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas e as lideranças indígenas”, disse Eliseth.

Elton Alisson / Agência Fapesp

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Green tea compound helps siRNA slip inside cells

Date: September 19, 2018 Source: American Chemical Society Summary: Drinking green tea has been linked to health benefits ranging from cardiovascular disease prevention to weight loss. Although many of these claims still need to be verified in the clinic, an antioxidant in green tea called epigallocatechin gallate (EGCG) appears to have beneficial effects in cells and animals. Now, researchers have found a surprising use for EGCG: sneaking therapeutic RNAs into cells.

Drinking green tea has been linked to health benefits ranging from cardiovascular disease prevention to weight loss. Although many of these claims still need to be verified in the clinic, an antioxidant in green tea called epigallocatechin gallate (EGCG) appears to have beneficial effects in cells and animals. Now, researchers have found a surprising use for EGCG: sneaking therapeutic RNAs into cells. They report their results in ACS Central Science.

Small interfering RNAs (siRNAs) have great therapeutic potential because they can dial down the expression of disease-related genes. However, getting siRNAs into cells where they can do their job has been challenging. Being relatively large and negatively charged, siRNAs cannot easily cross the cell membrane, and they are susceptible to degradation by RNA-chomping enzymes. To overcome these problems, some researchers have tried coating siRNAs with various polymers. However, most small polymers can't shuttle siRNAs into cells, whereas larger polymers can be effective but are generally toxic. Yiyun Cheng and colleagues wondered if they could use EGCG, which is known to bind strongly to RNA, in combination with a small polymer to form nanoparticles that safely deliver siRNA into cells.

The team made their nanoparticles by first combining EGCG and siRNA, which self-assembled into a negatively charged core. Then, the researchers coated this core with a shell consisting of a small, positively charged polymer. These nanoparticles efficiently knocked down the expression of several target genes in cultured cells, showing that the particles could cross the cell membrane. Next, the researchers tested the nanoparticles in a mouse model of intestinal injury, using an siRNA that targeted a pro-inflammatory enzyme. The nanoparticles improved symptoms such as weight loss, shortening of the colon and intestinal inflammation. In addition to the gene-silencing effects of the siRNA, EGCG could contribute to the nanoparticles' effectiveness through its antioxidant and anti-inflammatory properties, the researchers say.

Story Source:

Materials provided by American Chemical Society. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Wanwan Shen, Qingwei Wang, Yang Shen, Xiao Gao, Lei Li, Yang Yan, Hui Wang, Yiyun Cheng. Green Tea Catechin Dramatically Promotes RNAi Mediated by Low-Molecular-Weight Polymers. ACS Central Science, 2018; DOI: 10.1021/acscentsci.8b00363

Cite This Page:
American Chemical Society. "Green tea compound helps siRNA slip inside cells." ScienceDaily. ScienceDaily, 19 September 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/09/180919083446.htm>.

Processo obtém compostos ativos da Cannabis para a produção de medicamentos

25.09.2028
Unicamp transfere, para startup, tecnologia de extração supercrítica desenvolvida na Faculdade de Engenharia de Alimentos


FOTOS DIVULGAÇÃO

EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA

O uso da Cannabis para fins terapêuticos tem sido alvo de discussões há anos por todo o mundo, sob o olhar atento de especialistas e pressão da sociedade, especialmente daqueles que possuem em suas famílias casos pessoas com doenças crônicas, passíveis de serem tratadas com medicamentos à base da Cannabis. Ao longo dos anos, as pesquisas têm avançado nessa área. Entretanto, apesar da urgência por uma solução, no Brasil, o impasse está na esfera federal.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou, em janeiro de 2015, o uso terapêutico de canabidiol, que é um dos principais compostos ativos da Cannabis. Desde então, não houve muitos avanços no ambiente regulatório nacional, uma vez que não se concretizou a abertura pela Anvisa de audiência pública para tratar não somente da regulamentação da cultura da Cannabis no Brasil, mas também da comercialização no mercado de acesso, voltada para ensaios clínicos e venda de produtos baseados em Cannabis.

Se, no que tange a regulamentação, há um atraso nas definições nacionais, no que se refere à inovação, o Brasil saiu à frente do mundo no último ano, com o desenvolvimento de um processo totalmente inovador elaborado a partir de um contrato de transferência de know how da Unicamp para a startup Entourage Phytolab, uma empresa brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de medicamentos à base de Cannabis.

O contrato de transferência de tecnologia foi aprovado pelo Conselho Universitário, órgão máximo da Universidade, e negociado pela Agência de Inovação Inova Unicamp, com foco na aplicação da tecnologia de extração supercrítica para a obtenção seletiva de compostos ativos da Cannabis, que serão base para a composição de medicamentos.

Depois da aprovação junto ao Conselho, o desenvolvimento ocorreu nos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, pela professora Maria Ângela de Almeida Meireles e seu grupo de pesquisa. Maria Ângela explica que a Cannabis possui mais de 500 compostos ativos e que o processo desenvolvido atua na extração de pelo menos 120 das famílias de THC (tetrahidrocanabinol), que é o composto ligado à sensação de relaxamento, redução da dor, e aumento do apetite, e do cannabidiol, que tem sido voltado mais recentemente para o tratamento de crianças com epilepsia refratária.

Com o processo pronto, Maria Ângela afirma que a Entourage possui uma tecnologia muito avançada quando comparada às outras empresas no setor, pois obteve um produto totalmente diferenciado, a partir de matéria-prima certificada e com um processo verde, que obtém compostos ativos sem resíduos. “Os processos de extração tradicionais aplicados às plantas podem obter compostos com resíduos de solventes e neste caso, a aplicação medicinal pode ser prejudicada em função destes resíduos. Já no caso da extração supercrítica, o solvente é o dióxido de carbono que é 100% removido e pode ser reciclado, o que também tem uma função ecológica”, explica a docente. Atualmente os pesquisadores da Unicamp estão finalizando o estudo de aumento de escala.

Caio Abreu, que é fundador da Entourage Phytolab, comenta que a empresa está com o projeto pronto para construir as instalações farmacêuticas de acordo com as Boas Práticas de Fabricação, mas aguarda a evolução do marco regulatório para iniciar a construção da planta, que será na cidade de Valinhos (SP). “Existe uma urgência na regulamentação, pois muitas famílias no mundo inteiro vêm utilizando produtos sem controle de qualidade”, avalia Abreu. Segundo ele, com a tecnologia desenvolvida por meio da transferência de tecnologia na Unicamp, a Entourage tem condições de oferecer um produto farmacêutico de característica inovadora em caráter internacional.

“A gente acredita no chamado efeito entourage, no qual os vários componentes da planta, trabalhando em conjunto, são mais seguros e eficazes do que as substâncias isoladas. O nome da empresa vem daí. Com o processo desenvolvido na Unicamp pronto, nosso produto final precisa de três vezes menos cannabidiol, o que pode proporcionar menos efeitos colaterais, porém com eficácia”, avalia Abreu.

Testes em humanos

Abreu explica que atualmente o principal produto da empresa está em fase de ensaios pré-clínicos no CIEnP (Centro de Inovação e Estudos Pré-Clínicos) em Florianópolis. “Os testes clínicos devem ser iniciados em 2019”, afirma o empreendedor.

Imagem de capa JU-online

Medicamentos fitoterápicos também oferecem riscos à gravidez

08.08.2018

Fitoterápicos oferecem riscos à gestação e não devem ser utilizados sem orientação médica



No segundo boletim Pílula Farmacêutica desta semana, o tema são os fitoterápicos. A população considera, culturalmente, que os medicamentos fitoterápicos, aqueles de origem vegetal, são inofensivos, e até os chamam de “medicamentos naturais”. Esses medicamentos são utilizados pelas grávidas para tratar, principalmente, os desconfortos. Contudo, alertam os especialistas, essa ideia é equivocada, pois as plantas também podem ser tóxicas. 

A hortelã, por exemplo, costuma ser consumida em forma de chá para tratar gripes e resfriados, mas seu uso em altas doses pode causar malformações no feto. Além da hortelã, o guaco, que é utilizado para fazer xarope para tosse pode gerar hemorragia na gestante. Ainda existem muitas plantas conhecidas que têm potencial abortivo e são contraindicadas durante a gestação.

Os fitoterápicos também são muito utilizados como laxantes, para tratar problemas de intestino preso durante a gestação, mas aqueles que são feitos à base de antraquinonas devem ser evitados, pois podem induzir a contrações uterinas antes do tempo, provocando a perda do embrião ou um parto prematuro. Sempre informe seu médico sobre os medicamentos que está utilizando e nunca se automedique.

O boletim Pílula Farmacêutica é apresentado pelos alunos de graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP com supervisão da professora Regina Célia Garcia de Andrade. Trabalhos técnicos de Luiz Antonio Fontana. Ouça, no link acima, a íntegra do boletim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Caxias do Sul, RS: Secretaria da Saúde estimula uso da fitoterapia

UBS Serrano lançou Relógio das Plantas Medicinais no Corpo Humano 
29/08/2018

A Unidade Básica de Saúde (UBS) Serrano lançou, nem 31/08, o Relógio das Plantas Medicinais no Corpo Humano. O objetivo é estimular a comunidade a usar adequadamente as plantas para prevenção e tratamento de doenças, além da manutenção do bem-estar.

O projeto é baseado nos ensinamentos da medicina tradicional chinesa. A teoria do Relógio Biológico Chinês afirma haver um horário mais adequado para se tratar cada parte do corpo humano. As plantas medicinais foram aliadas a esta teoria.

Beatriz Saling Vieira, gerente da UBS Serrano, explica que ervas específicas foram plantadas e cultivadas em 12 canteiros em formato de um relógio. “Cada canteiro corresponde a um órgão. Para cada órgão, recomenda-se o uso de uma planta, em determinado horário, com o objetivo de tratar problemas específicos”, esclarece.
O relógio recomenda, por exemplo, cuidar do estômago pela manhã, por meio do uso de manjericão ou camomila. Os rins devem receber atenção à tarde, com carqueja. Esses seriam os horários em que, segundo a medicina tradicional chinesa, esses órgãos estão mais ativos e, por isso, a ação das ervas seria mais eficaz.

São apoiadores do projeto a Pastoral do Pão, Pastoral da Criança, Associação de Moradores do Bairro Serrano e Conselho Local de Saúde.

Clarise Pereira da Silva, assistente social da SMS e incentivadora do projeto, lembra que, além da UBS Serrano, a unidade do bairro São Caetano também já tem o seu Relógio das Plantas Medicinais no Corpo Humano, assim como a comunidade do Vila Ipê, que cultiva o relógio dentro da horta comunitária do bairro. Segundo ela, o projeto também está sendo expandido às comunidades atendidas pelas UBSs Santa Fé e Belo Horizonte.

Práticas Integrativas e Complementares em Saúde

O uso de plantas medicinais integra as chamadas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics), inseridas na rede pública desde 2006. Atualmente, são 29 os procedimentos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre eles, fitoterapia, homeopatia, acupuntura, ioga, reiki, medicina tradicional chinesa, musicoterapia e ozonioterapia. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) tem uma comissão que trabalha na implementação das Pics junto à rede básica. O projeto Plantas Medicinais no Relógio do Corpo Humano é uma das iniciativas deste grupo.

Assessoria de Imprensa - SMS

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Vitória, ES: Programa de fitoterapia de Vitória será apresentado em simpósio nacional

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Por Milene Miguel (mjmiguel@vitoria.es.gov.br) | Com edição de Matheus Thebaldi

Divulgação Semus
Centro de Atenção Psicossocial de São Pedro conta com horta comunitária.

Divulgação Semus
Alecrim é uma das ervas cultivadas nas hortas comunitárias.

O Programa Municipal de Fitoterapia de Vitória será apresentado no XXV Simpósio de Pesquisadores de Plantas Medicinais do Brasil, que acontecerá entre esta quinta-feira (6) e domingo (9), no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

A médica homeopata e referência técnica na área de Práticas Integrativas da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), Henriqueta Tereza do Sacramento, participará de duas mesas-redondas: a primeira irá relatar a experiência do Programa de Fitoterapia de Vitória e do Sudeste e a outra, a institucionalização da política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos e os movimentos sociais.

"Iremos debater os caminhos, avanços e desafios da fitoterapia desde o uso tradicional, com a implantação dos jardins terapêuticos e hortas medicinais nas unidades de saúde, até a prescrição de medicamentos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS)", disse Henriqueta.

Oferta

Atualmente, todas as 29 unidades de saúde de Vitória oferecem tratamentos fitoterápicos com prescrição de medicamentos de suas farmácias. Além disso, as práticas integrativas e complementares são aplicadas no Centro Municipal de Especialidades (CME-Vitória) e em alguns módulos do Serviço de Orientação ao Exercício (SOE).
Fitoterapia em Vitória

O programa de fitoterapia na Prefeitura de Vitória começou antes de 1990. Naquela época, houve a inauguração da horta medicinal e comecou a produção de mudas para distribuir e incentivar o cultivo, o conhecimento sobre uso e o preparo correto dos chás e xaropes. 

Os medicamentos fitoterápicos passaram a ser oferecidos a partir de 1996. A farmácia de manipulação foi inaugurada em novembro de 1995 e funcionou até 2005, quando a gestão decidiu pela aquisição e oferta de medicamentos fitoterápicos industrializados.

Ao longo desses anos, a Semus instituiu a política municipal das práticas integrativas e complementares na rede de atenção básica de Vitória.

Divulgação Semus
Política municipal prevê a implantação de jardins terapêuticos em vários espaços públicos.

Diego Alves
Unidades de saúde também ganham hortas medicinais.

Universidade Federal do Piauí - NUEPES e COSEMS-PI realizam oficina “Práticas Integrativas e Complementares em Saúde”

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06 de Setembro de 2018, 14h23
Durante a Conferência Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde

O Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão Permanente para o SUS (NUEPES) e Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS-PI) realizaram na cidade de Luís Correia (PI), entre os dias 05 e 06 de setembro, a oficina “Práticas Integrativas e Complementares em Saúde”. O curso fez parte da programação do VIII Congresso dos Secretários de Saúde do Piauí.
Joselma Oliveira e Profa. Dra. Lis Cardoso Marinho Medeiros durante a oficina

A Profa. Dra. Lis Cardoso Marinho Medeiros, coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Saúde da Família e Comunidade proferiu a Conferência Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Além disso, a pesquisadora explicou sobre a Prática da Fitoterapia: Conceitos e Prática - Chá (infuso), Cataplasma, Lambedor, Gengibre, Pomada, Supositório, Xarope.
Logo em seguida, Joselma Oliveira representante do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS/PI), palestrou sobre como implantar as PICs na Rede Municipal de Saúde Fisioterapeuta.

As práticas integrativas e complementares são ações de cuidado transversais, podendo ser realizadas na atenção básica, na média e alta complexidade.
Joselma Oliveira, Leopoldina Cipriano, Presidente do COSEMS-PI, Katiuscia Sousa, Mauro Guimarães Junqueira - Presidente do Conselho Nacional ddo SESC Saúde e Profa. Dra. Lis Cardoso Marinho Medeiros

In test with rats, cannabidiol showed sustained effects against depression for seven days

Date: August 30, 2018 Source: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo Summary: First results appeared 24h after one single dose of the marijuana component; scientists concluded that CBD activate mechanisms which repair neuronal circuitry in patients' prefrontal cortex and hippocampus.

Commercial antidepressants typically take two to four weeks to have a significant effect on a depressed patient. They are also inneffective in approximately 40% of the cases. Finding new drugs for depression that are fast-acting and have more lasting effects is the goal of research conducted by Brazilian scientists in São Paulo State in collaboration with Danish colleagues.

Their study found that a single dose of cannabidiol in rats with symptoms of depression was highly effective, eliminating the symptoms on the same day and maintaining the beneficial effects for a week.

The findings reinforce those of prior research showing that cannabidiol, a component of Cannabis sativa, the plant most commonly used to make marijuana, has promising therapeutic potential in the treatment of broad-spectrum depression in preclinical and human models.

The results have been published in an article in the journal Molecular Neurobiology by researchers of the group led by Sâmia Regiane Lourenço Joca, a professor in the University of São Paulo's Ribeirão Preto School of Pharmaceutical Sciences (FCFRP-USP) in Brazil.

The first author is Amanda Juliana Sales, who has a PhD scholarship from the São Paulo Research Foundation -- FAPESP. The research itself was supported by FAPESP via a Thematic Project, by Brazil's National Council for Scientific and Technological Development (CNPq), and by Denmark's Aarhus University Research Foundation.

FAPESP Thematic Project coordinator Francisco Silveira Guimarães, who is also a professor at the University of São Paulo's Ribeirão Preto Medical School (FMRP-USP), stresses that cannabidiol produces neither dependence nor psychotropic effects, despite being extracted from marijuana plant. "The main psychoactive component of marijuana is tetrahydrocannabinol, known as THC. Cannabidiol, on the contrary, blocks some of the effects of THC," he said.

Methodology

The researchers performed tests using rat and mouse lines selected by cross-breeding to develop symptoms of depression. The tests and behavioral analysis involved a total of 367 animals.

Five tests were performed altogether. "We submitted the animals to situations of stress such as the forced swimming test," said Joca, who is also a visiting professor at Aarhus University.

Before the test, some of the animals were given an injection of cannabidiol with doses of 7, 10 and 30 mg/kg in saline solution, and the rest, which were the control group, received only saline.

After 30 minutes, the animals were placed for five minutes in cylinders with a height of 25 cm and a diameter of 17 cm, containing 10 cm of water for mice and 30 cm of water for rats.

"The water depth is calculated to force them to swim by preventing them from touching the bottom with their feet or tails. They learn to float after swimming for a short time. They remain practically immobile while floating, merely keeping their heads above water to avoid drowning. This floating behavior, when they stop swimming, is classified as immobility," said the FAPESP-supported researcher.

"The forced swim test is used to measure the effect of antidepressant drugs because all known antidepressants shorten the duration of immobility and hence lengthen swim time. A reduction in immobility time in this test is interpreted as 'antidepressant-like' behavior."

The researchers found that cannabidiol induced acute and sustained antidepressant-like effects in mice submitted to the forced swim test.

"However, to make sure this result isn't due to the increase in movement caused by a psychostimulant effect leading the animals to swim more vigorously, for example, we performed a separate test to control for locomotor activity," Joca explained.

"To do this we used the open-field test, which consists of putting the animal in a novel arena and letting it explore the new environment freely while its locomotor and exploratory activity is recorded. A drug is said to have potential antidepressant effects if it reduces immobility time and increases swim time in the forced swim test without increasing locomotor activity in the open-field test, showing that the effects observed in the forced swim test aren't secondary to nonspecific alterations in locomotor activity."

Restoration of neuronal circuitry

The conclusion was that the effects of treatment with cannabidiol were fast-acting and sustained, persisting for up to seven days after a single dose was administered to animals belonging to different models of depression (including a stress model and a genetic susceptibility model).

Seven days after treatment, the researchers observed a rise in the number of synaptic proteins in the prefrontal cortex, which is closely linked to depression in humans. "In light of this finding, we believe cannabidiol rapidly triggers neuroplastic mechanisms that help repair the neuronal circuitry that gets damaged in depression," Joca said.

"When we studied the mechanisms involved in these effects, we found that treatment with cannabidiol induces a rapid rise in levels of brain-derived neurotrophic factor, or BDNF, a neurotrophin that plays a key role in neuronal survival and neurogenesis, the formation of new neurons in the brain," Joca said. "We also observed an increase in synaptogenesis in the prefrontal cortex of these animals." Synaptogenesis is the formation of synapses between neurons in the central nervous system.

The beneficial action of cannabidiol is not limited to the prefrontal cortex, however. "In a separate study, we showed that the effects of cannabidiol also involve neuroplastic mechanisms in the hippocampus, another structure involved in the neurobiology of depression," noted the FAPESP-funded researcher.

According to Joca, if studies in humans also find cannabidiol to be beneficial in treating depression, given that cannabidiol is already used in humans to treat other diseases or disorders, "they could result in an important advance in the treatment of depression, potentially helping patients who suffer for weeks, often with a risk of suicide, until the treatment starts working."

Studies in humans

The researchers are currently investigating other mechanisms involved in the effects of cannabidiol, as well as its efficacy in animal models of resistance to conventional treatment.

"For example, we're studying whether cannabidiol would also be effective in patients who don't respond to conventional therapy and whether combining it with antidepressants would improve their symptoms. Indeed, we've just published another paper in the journal Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, showing that treatment with cannabidiol facilitates serotonergic neurotransmission in the central nervous system and that combining it with low doses of selective serotonin reuptake inhibitor antidepressant drugs, or SSRIs, such as fluoxetine induces a significant antidepressant effect," Joca said.

"So there's a possibility that combining cannabidiol with SSRIs might allow the latter to be used in lower doses, perhaps reducing their adverse side-effects while maintaining the therapeutic effect of higher doses."

According to the authors, therefore, cannabidiol may not only be a faster-acting antidepressant than conventional drugs but also improve the response to such drugs when taken in combination with them.

"Our evidence suggests these effects occur by inducing neuroplastic alterations in the prefrontal cortex and hippocampus, which are brain structures involved in the development of depression. Because cannabidiol is used in humans to treat other conditions, we believe it can also be studied in humans for the treatment of depression in the near future," Joca said.

Story Source:

Materials provided by Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Amanda J. Sales, Manoela V. Fogaça, Ariandra G. Sartim, Vitor S. Pereira, Gregers Wegener, Francisco S. Guimarães, Sâmia R. L. Joca. Cannabidiol Induces Rapid and Sustained Antidepressant-Like Effects Through Increased BDNF Signaling and Synaptogenesis in the Prefrontal Cortex. Molecular Neurobiology, 2018; DOI: 10.1007/s12035-018-1143-4

Cite This Page:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. "In test with rats, cannabidiol showed sustained effects against depression for seven days." ScienceDaily. ScienceDaily, 30 August 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/08/180830113004.htm>.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Unha-de-gato combate efeitos da obesidade em camundongos

22/08/2018

Extrato de planta amazônica melhora sensibilidade à insulina e reduz inflamação em modelo animal
A Uncaria tormentosa é um cipó que cresce em florestas tropicais e tem propriedades anti-inflamatórias – Foto: Vangeliq.petrova via Wikimedia Commons – CC

Uma pesquisa realizada pelo grupo da professora Carla Carvalho, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, mostrou que o consumo de extrato da planta amazônica unha-de-gato (Uncaria tormentosa) melhora os sintomas da obesidade em camundongos. O trabalho, que faz parte da tese doutoral da pesquisadora Layanne Araújo, foi publicado na revista Scientific Reports.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o número de pessoas com obesidade no mundo tem quase triplicado desde 1975, atingindo os 650 milhões no ano 2016. Hoje em dia a obesidade é responsável por mais mortes do que a desnutrição ou os acidentes de trânsito.

Além dos próprios efeitos prejudiciais para a saúde, como o entupimento dos vasos sanguíneos, a obesidade também está estreitamente ligada ao desenvolvimento de duas outras condições patológicas: a diabetes de tipo 2 e a resistência à insulina – o hormônio que regula o uso de nutrientes pelas células do organismo após as refeições.

Embora os especialistas concordem em que a melhor forma de combater a obesidade é a prevenção, existe uma grande demanda por tratamentos que melhorem a saúde e qualidade de vida das pessoas que já padecem obesidade. Porém, as drogas que existem atualmente no mercado são poucas e apresentam efeitos colaterais.

Com esse cenário na cabeça, a professora Carla Carvalho voltou-se para a Renisus, a lista de fitoterápicos – plantas com propriedades terapêuticas – aprovados pelo SUS, na procura de alguma planta que pudesse.

“É conhecido que o diabetes tipo 2, associado à obesidade, tem como base uma condição inflamatória subclínica (sem apresentar sintomas). A ideia então foi muito simples: usar um anti-inflamatório dos fitoterápicos da lista e ver se ele poderia ter algum efeito na resistência à ação da insulina associada a obesidade”, explica.

O fitoterápico escolhido foi a unha-de-gato (Uncaria tormentosa), um cipó presente em florestas tropicais. Considerada uma erva medicinal por algumas populações tradicionais, já era sabido que a unha-de-gato contém substâncias com propriedades anti-inflamatórias. Porém, ninguém tinha estudado ainda os seus efeitos na obesidade.
Camundongos obesos

O extrato de unha-de-gato foi testado em dois modelos de obesidade em camundongos. No primeiro, camundongos comuns de laboratório foram alimentados com uma dieta gordurenta durante 12 semanas, de forma a produzir animais obesos. No segundo caso foram utilizados os chamados camundongos ob/ob, que possuem uma mutação no gene responsável pela produção da leptina, um hormônio que inibe a fome. Ao carecer de leptina, os camundongos ob/ob estão sempre famintos, comem em excesso e ficam obesos poucas semanas após nascer, mesmo com uma dieta normal.

Cinco dias de consumo do extrato de unha-de-gato foram suficientes para que alguns efeitos positivos fossem detectáveis, especialmente no caso dos camundongos sujeitos à dieta gordurenta. Dentre outras coisas, quando a dieta gordurenta foi acompanhada do extrato de unha-de-gato, os animais engordaram menos apesar de ingerir a mesma quantidade de comida. Além disso, o consumo de unha-de-gato também melhorou a sensibilidade à insulina nesses animais. No caso dos camundongos ob/ob, o tratamento com unha-de-gato não alterou o peso dos animais e teve um efeito menor sobre os parâmetros relacionados à insulina. Porém, em ambos modelos o tratamento produziu grandes melhorias no fígado, principal órgão metabólico do organismo. Tanto a inflamação como o acúmulo de gordura (esteatose), dois efeitos caraterísticos da obesidade no fígado, foram reduzidos após o tratamento.

“A Uncaria, por só cinco dias nos animais, foi capaz de transformar uma esteato-hepatite incipiente em uma esteatose sem inflamação. Diminui o grau da doença gordurosa hepática”, explica a professora Carla.

O grupo está agora à procura de colaboradores para poder levar esses resultados para um contexto clínico em humanos.

Mais informações: e-mail croc@icb.usp.br, com a professora Carla Carvalho

Link:

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Cannabinoid improves survival rates of mice with pancreatic cancer

Date: July 30, 2018 Source: Queen Mary University of London Summary: Mice with pancreatic cancer that were treated with a naturally occurring constituent of medicinal cannabis alongside chemotherapy, survived almost three times longer than those treated with chemotherapy alone, a new study reports.

Mice with pancreatic cancer that were treated with a naturally occurring constituent of medicinal cannabis alongside chemotherapy, survived almost three times longer than those treated with chemotherapy alone, a new study reports.

The study is published in the journal Oncogene and was led by Queen Mary University of London and Curtin University, Australia. It tested the impact of the cannabinoid Cannabidiol (CBD) on the use of the commonly used chemotherapy medication Gemcitabine as a treatment for pancreatic cancer in mice.

Each year around 9,800 people in the UK are diagnosed with pancreatic cancer. The disease is particularly aggressive and has one of the lowest survival rate of all cancers.

Lead researcher Professor Marco Falasca from Queen Mary University of London said: "This is a remarkable result. We found that mice with pancreatic cancer survived nearly three times longer if a constituent of medicinal cannabis was added to their chemotherapy treatment.

"Cannabidiol is already approved for use in clinics, which means we can quickly go on to test this in human clinical trials. If we can reproduce these effects in humans, cannabidiol could be in use in cancer clinics almost immediately, compared to having to wait for authorities to approve a new drug.

"The life expectancy for pancreatic cancer patients has barely changed in the last 40 years because there are very few, and mostly only palliative care, treatments available. Given the five-year survival rate for people with pancreatic cancer is less than seven per cent, the discovery of new treatments and therapeutic strategies is urgently needed."

The cannabinoid CBD does not cause psychoactive effects, as opposed to tetrahydrocannabinol (THC) -- the cannabinoid known to cause the psychoactive effects in cannabis. As such, CBD is already cleared for use in the clinic, and does not face the same challenges as products including cannabis oil, which contain controlled substances such as THC.

The researchers add that CBD is also known to improve the side effects of chemotherapy, including nausea, diarrhea, vomiting, meaning it could also improve the quality of life of patients undergoing chemotherapy.

The research was supported by the UK charity Pancreatic Cancer Research Fund and the Avner Pancreatic Cancer Foundation and also involved researchers from The Beatson Institute for Cancer Research in Scotland.

The study only looked at the effect of this treatment in mice, and clinical trials in humans are needed to confirm whether or not CBD improves survival rates of pancreatic cancer patients.

Story Source:

Materials provided by Queen Mary University of London. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
R. Ferro, A. Adamska, R. Lattanzio, I. Mavrommati, C. E. Edling, S. A. Arifin, C. A. Fyffe, G. Sala, L. Sacchetto, G. Chiorino, V. De Laurenzi, M. Piantelli, O. J. Sansom, T. Maffucci, M. Falasca. GPR55 signalling promotes proliferation of pancreatic cancer cells and tumour growth in mice, and its inhibition increases effects of gemcitabine. Oncogene, 2018; DOI: 10.1038/s41388-018-0390-1

Cite This Page:
Queen Mary University of London. "Cannabinoid improves survival rates of mice with pancreatic cancer." ScienceDaily. ScienceDaily, 30 July 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/07/180730160618.htm>.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Feno-grego: especiaria com potencial uso medicinal? Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

O feno-grego ou fenacho (Trigonella foenum-graecum L.), planta da família das leguminosas, é utilizado desde a antiguidade como suplemento na ração animal, especiaria e na medicina tradicional. 

O seu nome em latim ‘foenum graecum’ relaciona-se ao uso que os gregos destinavam a esta planta - melhorar a qualidade do feno oferecido a animais. No Egito antigo consta o seu emprego em cerimônias religiosas, no processo de embalsamamento e como afrodisíaco. Descreve-se ainda a sua aplicação como tônico capilar e hidratante em cosméticos. 

As sementes desta planta, constituinte do ‘curry’ indiano, tem sido foco de estudos buscando suporte para alguns dos usos na medicina popular, além de sua toxicidade. Nos últimos anos, estudos em modelos animais têm mostrado potencial como hipoglicemiante e hipocolesterolêmico, entre outros. Dentre as pesquisas, destaca-se a atividade galactagoga (indutora de lactação) relacionada, em princípio, à presença de saponinas (diosgenina) e flavonoides. 

Na década de 1960, com a divulgação de casos de intoxicação de animais após o seu consumo, bem como a ação abortiva e distúrbios locomotores verificados em animais, a toxicidade do feno-grego tem sido estudada. 

Efeitos adversos como diarreia e flatulência são descritos, além do risco de ocorrência de alergias semelhantes àquelas desenvolvidas pelo consumo de amendoim e grão-de-bico. 

Em razão de sua atividade anticoagulante, os pacientes tratados com varfarina devem se atentar para o risco de hemorragias ao consumir o feno grego. Considerando a observação de malformação fetal em modelos animais, o feno-grego não deve ser consumido por gestantes. Assim, verifica-se a necessidade de pesquisas aprofundadas para o entendimento dos seus presumíveis efeitos terapêuticos e tóxicos. No presente, considera-se seguro o seu consumo em culinária, não se excedendo as quantidades destinadas a esta finalidade. 

Ouzir et al. 2016. Toxicological properties of fenugreek (Trigonella foenum graecum). Food and Chemical Toxicology, v. 96, p. 145-154.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Trigonella_foenum-graecum_-_K%C3%B6hler%E2%80%93s_Medizinal-Pflanzen-273.jpg

Alerta - Família intoxicada com suco de "couve". Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

No início de junho deste ano foi divulgada a notícia que seis integrantes de uma mesma família, incluindo duas crianças, foram intoxicados ao tomar suco de uma planta conhecida como “falsa couve”. Esse fato ocorreu na cidade de Pio IX, Piauí. Como a família residia próximo ao hospital municipal, foi possível fazer a desintoxicação. Esse fato também ocorreu em Santa Luzia, região metropolitana de Minas Gerais em 2012. 

A mesma planta foi ingerida por uma família em um almoço, entretanto neste acontecimento ocasionou óbito de um dos seus integrantes. Em 2016, a UFSJ Campus Centro Oeste foi acionada para tentar identificar e avaliar as possíveis toxinas desta planta. 

O professor João Máximo de Siqueira, responsável pela disciplina Farmacognosia do curso de Farmácia da UFSJ, identificou a espécie como Nicotiana glauca (Solanaceae) e detectou a presença de alcaloides piridínicos. 

Esses alcaloides (nicotina, nornicotina, nicotimina, anabasina, anabatina) podem ocasionar perdas dos movimentos das pernas e dificuldade para andar seguida de parada respiratória. O professor João preocupado com a confusão da população local com esta espécie conhecida como “couve-do-mato ou falsa mostarda”, confeccionou diversos panfletos e cartazes que foram espalhados pela cidade e região. 

Agora com mais esse ocorrido, torna-se necessário fazer uma campanha nacional no intuito de informar as pessoas dos perigos desta espécie se usada como alimento.

Fonte: 
https://cidadeverde.com/noticias/273932/familia-e-intoxicadadepois-de-ingerir-suco-com-falsa-couve-em-pio-ix 

http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2016/06/ufsjestuda-planta-toxica-na-zona-rural-de-divinopolis.html 

Ntelios et al. 2013. Acute respiratory failure due to Nicotiana glauca ingestion Hippokratia. v. 17, p. 183–184.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nicotiana-glauca-20080330.JPG

Reações adversas no Exterior - Erva de São João e Psicose Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

Relato de caso clínico 

Um homem branco de 25 anos de idade, desconhecido dos serviços psiquiátricos, no entanto com história de psicose induzida por drogas, breve e autocondutora e histórico familiar de depressão psicótica foi internado no hospital devido aos sintomas psicóticos concomitantes à autoadministração de Hypericum perforatum

Seu quadro clínico incluía fala desorganizada, pensamento paranoico e delírios de influência, como o controle do pensamento e crenças de que sua mente estava sendo lida. Ele também apresentou preocupação generalizada com os seus órgãos internos "sendo deslocados" e Síndrome de Capgras em relação aos pais. 

Na enfermaria, ele permaneceu quieto, sem distúrbio de humor, mas se queixou de fraqueza e de estar lutando com um "período de aflição". Seus exames de sangue estavam normais e ele não mostrou nenhuma anormalidade neurológica. Exame toxicológico negativo. 

Ele recebeu inicialmente risperidona (9 mg por dia) e posteriormente mudou para paliperidona (6 mg por dia), devido ao aparecimento de sintomas extrapiramidais e um melhor perfil de tolerabilidade. 

Sua condição se restabeleceu rapidamente e, devido a uma melhora em seu quadro clínico, após 15 dias de internação, recebeu alta com diagnóstico de transtorno esquizofrênico. Ele foi medicado com antipsicótico de longa duração (Xeplion), injeção de 100 mg por mês.

Nos três meses seguintes, o paciente participou de visitas de acompanhamento no serviço de saúde mental local. Seu quadro clínico permaneceu estável e sua percepção, energia e funcionamento global melhoraram gradualmente. 

No entanto, durante essas visitas, ele lembrou de um episódio psicótico anterior, nove meses antes da internação, concomitante ao abuso de Cannabis. Na ocasião, consultou seu clínico geral, que detectou a presença de múltiplas erosões do estômago e infecção por Helicobacter pylori. No entanto, o paciente recusou o tratamento médico, devido à sua inclinação pessoal contra drogas farmacêuticas. Começou a se automedicar com infusão de Hypericum (erva-de-são-joão) rica em hipericinas e flavonóides, tomando doses recomendadas para episódios depressivos leves / moderados. Admitiu ter continuado a tomar Hypericum sem parar até ser internado na unidade psiquiátrica. Foi durante esse tempo que ele se lembrou da exacerbação dos sintomas psicóticos. Posteriormente, também informou que seu pai havia sofrido depressão psicótica, da qual ele não estava ciente no momento da admissão. 

O caso relatado, de um paciente jovem, com uma predisposição genética conhecida e um episódio psicótico prévio induzido por drogas, sugere que a autoadministração não supervisionada de Hypericum poderia ter desempenhado um papel determinante no aparecimento das condições psicopatológicas que levaram à admissão hospitalar urgente. Além disso, este caso sugere que o tratamento com antipsicóticos pode ser eficaz para a psicose associada ao Hypericum

Ferrara et al. St John’s wort (Hypericum perforatum)- induced psychosis: a case report. Journal of Medical Case Reports, v. 11, p.137. 2017.

Reações adversas no Brasil - Produto Saúde Total – comércio irregular e fraude Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

A internet está repleta de publicidade sobre produtos ditos “fitoterápicos” sendo comercializados sem registro sanitário. Um exemplo disso é o produto “Saúde Total”. Segundo o site que comercializa o produto irregular, este seria indicado para combater: dor de coluna, artrite, artrose, gota e varizes. Além disso, o site informa que o produto não apresenta efeitos colaterais e que o seu tempo de utilização seria: “Nos casos de coluna, bursite e varizes, tomar por um período de quatro meses.As pessoas que sofrem de artrite e artrose, tomar por um período de seis meses.”Não se obtém a informação no site sobre a composição do produto. Assim, a pessoa o compra sem saber o que o mesmo contém.

Uma idosa que sentia muita dor começou a usar o produto. No rótulo, constava a informação “Harp 100”, sugerindo tratar-se de um fitoterápico contendo a espécie Harpagophytum procumbens, conhecida popularmente como “garra do diabo”. A família da usuária desconfiou e solicitou uma análise ao Laboratório de controle de qualidade do curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A análise realizada pelos pesquisadores apontou a presença de diclofenaco e orfenadrina, substância anti-inflamatória não esteroidal (AINE) e relaxante muscular, respectivamente, nas cápsulas. Essas substâncias não são informadas na rotulagem do produto, havendo claro engano ao consumidor. 

A Anvisa proibiu a publicidade irregular desse produto desde julho de 2017 por meio da Resolução-RE No - 1.914. Além da irregularidade da publicidade, constatou-se, também, a ausência de registros sanitários e da Autorização de Funcionamento da empresa para a venda de medicamentos, mas, mesmo assim, o produto continua sendo comercializado. Assim, é importante verificar a regularidade do produto antes de adquiri-lo e usá-lo, considerando-se que nem mesmo a composição do mesmo é conhecida, podendo-se ter vários riscos com sua utilização. No caso específico, os AINE dependendo do indivíduo e do tempo de utilização podem levar a sangramento e úlceras no trato gastrointestinal, dentre outros eventos adversos. 

Referências: 

Fitoterapia baseada em ciência. Disponível em: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10214120301 695429&substory_index=2&id=1049575080. Acesso em 12 jun. 2018. 

Proibição da publicidade. Disponível em: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jo rnal=1&pagina=47&data=18/07/2017. Acesso em 12 jun. 2018. 

Saúde total produtos naturais. Disponível em: https://www.harpsaudetotal.com/. Acesso em 12 jun. 2018.

Outros estudos sobre Arrabidaea chica Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

Os extratos aquosos e etanólicos de A. chica atenuaram os processos inflamatórios e angiogênico no tecido fibrovascular subcutâneo, os quais foram induzidos em camundongos, atuando como anti-inflamatórios e antiangiogênicos. O extrato etanólico exibiu atividade antiproliferativa in vitro, podendo ser considerado como um provável precursor no desenvolvimento de substâncias anticancerígenas. Os antiangiogênicos são agentes terapêuticos ainda em fase de investigação pré-clínica e clínica, que podem ser úteis no tratamento de doenças malignas (cancros, leucemias, sarcomas, doenças primárias da medula óssea) que dependem da neoformação vascular (angiogênese) para o seu crescimento e metastização. 

Michel et al. 2015. Evaluation of anti-inflammatory, antiangiogenic and antiproliferative activities of Arrabidaea chica crude extracts. Journal of Ethnopharmacology, v. 165, p. 29-38. 

A utilização do extrato de A. chica durante o tratamento da tendinite de Aquiles aumentou o conteúdo de colágeno e melhorou o processo de recuperação. Nessa tendinite ocorre inflamação ou degeneração do tendão de Aquiles, com edema e dor local. 

Aro et al. 2013. Arrabidaea chica extract improves gait recovery and changes collagen content during healing of the Achilles tendon. Injury, v. 44, p. 884-892.

Arrabidaea chica (Bonpl.) B. Verlot (Bignoniaceae) Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

A família Bignoniaceae possui 120 gêneros com aproximadamente 800 espécies, as quais são encontradas em regiões tropicais e subtropicais, principalmente no Brasil e no Continente Africano. No Brasil, esta família apresenta-se com o maior número de espécies, ocorrendo desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul, nos Cerrados, Mata Atlântica e região Amazônica. Arrabidaea chica (sin. de Fridericia chica) é uma trepadeira lenhosa encontrada na Amazônia. Espécie nativa das florestas tropicais caracteriza-se por apresentar flores róseas ou violáceas e é conhecida popularmente nas diversas regiões brasileiras como crajiru, pariri, cipó-pau, cipó-cruz, carajuru, carapiranga, carajiru, carajeru, crejer, guajuru, gujurupiranga, oajuru ou pyranga entre outras. 

Parte da planta utilizada: As folhas são preparadas na forma de chá para administração por via oral ou na forma de tintura para uso tópico diretamente sobre lesões de pele ou ainda pomadas e cremes. O chá das folhas (decocto) é utilizado como anti-inflamatório, cicatrizante, antianêmico, e no tratamento de cólicas intestinais, hemorragia, diarreia, leucorreia e leucemia. A tintura preparada com as folhas é usada para tratar infecções cutâneas. As aplicações locais são feitas através de compressas ou banhos. Devido à propriedade adstringente, o extrato das folhas utilizado na cosmética em forma de sabonete cremoso, produz um efeito anti-acne e antifúngico. Algumas tribos indígenas utilizam as folhas sob a forma de cataplasma, como repelente de insetos. No Maranhão, o chá é usado para controlar a pressão arterial. 

Fitoquímica: Existem poucos relatos de estudos químicos com espécies do gênero Arrabidaea. A. chica é a principal espécie estudada. Estudos químicos relatam o isolamento de alcaloides, antocianidinas, antocianinas, antraquinonas, triterpenoides, fenóis, fitosteróis, flavonoides, saponinas e taninos. As antocianinas carajurona, carajurina e 3- deoxiantocianidina são utilizadas em cosméticos. Glicosilxantonas foram isoladas do caule e apresentaram propriedades antioxidantes. 

Farmacologia: Estudos in vitro e in vivo demonstraram a capacidade cicatrizante do extrato bruto de A. chica, da ação tripanocida contra Trypanosoma cruzi e atividade antimicrobiana contra as bactérias, Salmonella typhimurium, Lactobacillus acidophilus, Escherichia coli, Shigella sonnei, Staphylococcus epidermidis, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Malassezia pachydermatis e Candida albicans. Outras atividades farmacológicas relevantes desta espécie são anti-inflamatória, antioxidante e anticâncer. Estudos farmacológicos destacam o alto poder antioxidante das antocianinas em doenças metabólicas, dentre as quais podemos destacar atividade anti-inflamatória e anticâncer. Os testes in vitro, demonstraram a atividade anti-hipertensiva do chá. Os extratos etanólicos e aquosos reduziram o desenvolvimento do tumor sólido de Erlich, enquanto o extrato etanólico apresentou atividades próapoptótica e anti-inflamatória. 

Efeitos Adversos: Toxicidade Os estudos de toxicidade aguda e crônica dos extratos de A. chica, indicaram um valor para a DL50 acima de 2g/Kg por via intraperitoneal e 6g/Kg por via oral. Nos testes de toxicidade crônica não foram observadas alterações histológicas significativas para o extrato aquoso, o que sugere baixa toxicidade. As funções hepática e renal também não foram alteradas significativamente pelo tratamento com os extratos na dose de 300 mg/kg. A dose de 1000 mg/kg de extrato não apresentou toxicidade aguda. 

Referências 

Barbosa et al. 2008. Arrabidaea chica (HBK) Verlot: phytochemical approach, antifungal and trypanocidal activities. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 18, p. 544-548. 

Behrens et al. 2012. Monografia. Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verlot (Bignoniaceae). Revista Fitos, v. 7, p. 236-244.

Devia et al. 2002. New 3-deoxyanthocyanidins from leaves of Arrabidaea chica. Phytochemical Analysis, v. 13, p. 114. 

Paula et al. 2014. Extraction of anthocyanins and luteolin from Arrabidaea chica by sequential extraction in fixed bed using supercritical CO2, ethanol and water as solvents. The Journal of Supercritical Fluids, v. 86, p. 100-107. 

Oliveira et al. 2009. Anti-inflammatory activity of the aqueous extract of Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verl. on the self-induced inflammatory process from venoms amazonians snakes. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.19, p.643-649. 

Taffarello et al. 2013. Atividade de extratos de Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) Verlot obtidos por processos biotecnológicos sobre a proliferação de fibroblastos e células tumorais humanas. Química Nova, v. 36, p. 431- 436. 

Tratamento fitoterápico para a obesidade – seria esse um possível caminho? Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018

A elevada incidência mundial da obesidade trás consigo um desafio gigantesco para os serviços de saúde pública, especialmente quando levamos em conta a sua etiologia multifatorial, bem como sua patogenia, a qual envolve distúrbios psicológicos e metabólicos que reduzem drasticamente a qualidade de vida. Os medicamentos disponíveis para tratar a obesidade, em sua maioria, são ineficientes a longo prazo, e muitas vezes resultam em graves efeitos colaterais, resultando na interrupção de sua comercialização e, consequentemente, à falta de alternativa terapêutica para esta grave doença. 

Muitos dos pacientes obesos apresentam uma enorme dificuldade de adesão à dietoterapia e à prática de exercícios físicos regulares. Estes indivíduos encontram-se em elevado risco de óbito por conta das consequências metabólicas associadas à obesidade e, assim, o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas é mais do que necessário – é prioritário e urgente! 

Neste contexto, nosso grupo de pesquisa se propôs a estudar os efeitos do Extrato padronizado de Ginkgo biloba (EGb), um dos fitoterápicos mais utilizados no mundo, em dois modelos animais de obesidade: I. ratos com obesidade induzida por dieta hiperlipídica; II. Ratas ovariectomizadas (submetidas à retirada dos ovários, condição esta que mimetiza a ausência de hormônios ovarianos tal como ocorre na menopausa). Este extrato foi selecionado por suas propriedades antioxidante e anti-inflamatória, resultante de sua composição química – 24% de flavonoides e 6% de terpenoides. 

Nossos estudos demonstraram que o EGb promoveu um efeito supressor do apetite, diminuição da adiposidade corporal bem como recuperação da sensibilidade à insulina no músculo e no tecido adiposo de ratos obesos que continuaram ingerindo dieta hipercalórica durante o período de tratamento. Estes dados são extremamente relevantes se considerarmos o potencial do EGb para tratar indivíduos obesos que apresentam dificuldade em mudar os hábitos de vida de forma a reduzir a ingestão e aumentar o gasto calórico. 

Adicionalmente, observamos que o EGb promoveu, em ratas ovariectomizadas, o restabelecimento da ação hipofágica da serotonina – um neurotransmissor com potente ação anorexígena –, estimulou a atividade serotoninérgica hipotalâmica e reduziu a massa do tecido adiposo retroperitoneal, além de promover uma melhor composição corporal e perfil lipídico mais favoráveis. Também evidenciamos que na ausência dos hormônios ovarianos, o EGb amenizou as alterações de humor associadas, tais como ansiedade e depressão. Estes efeitos são de especial interesse, uma vez que aproximadamente 70% das mulheres apresentam obesidade na pós-menopausa e também pelo fato de que a principal terapia farmacológica disponível – Reposição Hormonal – apresenta sérios efeitos colaterais como trombose e câncer de mama. Desta forma, nossos achados apontam para uma possível alternativa terapêutica com menor incidência de efeitos colaterais. 

Assim como o EGb, é muito provável que outros extratos de planta com altos teores de polifenois apresentem resultados semelhantes em relação à obesidade e distúrbios metabólicos associados. É preciso que mais estudos desta natureza sejam realizados para que, num futuro próximo, possamos minimizar as severas consequências da obesidade, que diminuem drasticamente a qualidade e a expectativa de vida de uma parcela considerável da população mundial. 

Esse editorial foi escrito a convite pela Drª Mônica Marques Telles, Professora Associada do Departamento de Ciências Biológicas - UNIFESP – Campus Diadema.

http://www.cebrid.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Boletim-PLANFAVI-46-Abril-Maio-Junho-2018-1.pdf