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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Amazonian fruit prevents obesity in overfed mice

Date: August 30, 2018 Source: Université Laval Summary: An extract of camu camu -- a fruit native to the Amazon -- prevents obesity in mice fed a diet rich in sugar and fat, say researchers. The discovery suggests that camu camu phytochemicals could play a leading role in the fight against obesity and metabolic disease.

An extract of camu camu -- a fruit native to the Amazon -- prevents obesity in mice fed a diet rich in sugar and fat, say researchers at Université Laval and the Quebec Heart and Lung Institute Research Centre. The discovery, which was recently published in the scientific journal Gut, suggests that camu camu phytochemicals could play a leading role in the fight against obesity and metabolic disease.

The chemical composition of camu camu is unique in that it contains 20 to 30 times more vitamin C than kiwis and 5 times more polyphenols than blackberries. "We demonstrated the beneficial health effects of polyphenol-rich berries in previous studies," explains André Marette, a professor at Université Laval's Faculty of Medicine and principal investigator for the study. "That's what gave us the idea to test the effects of camu camu on obesity and metabolic disease."

The researchers fed two groups of mice a diet rich in sugar and fat for eight weeks. Half the mice were given camu camu extract each day. At the end of the experiment, weight gain in camu camu-treated mice was 50% lower than that observed in control mice and was similar to the weight gain of mice consuming a low-sugar, low-fat diet. The researchers believe the anti-obesity effect of camu camu could be explained by an increase in resting metabolism in the mice that received the extract.

The researchers also found that camu camu improved glucose tolerance and insulin sensitivity and reduced the concentration of blood endotoxins and metabolic inflammation. "All these changes were accompanied by a reshaping of the intestinal microbiota, including a blooming of A. muciniphila and a significant reduction in Lactobacillus bacteria," explains Dr. Marette. Transplantation of intestinal microbiota from the camu camu group to germ-free mice lacking an intestinal microbiota temporarily reproduced similar metabolic effects. "Camu camu thus exerts its positive metabolic effects at least in part through the modulation of the gut microbiota," concludes the researcher.

André Marette now wants to examine whether camu camu produces the same metabolic effects in humans. The toxicity of the fruit extract should not pose a problem since it is already commercialized to combat fatigue and stress and stimulate the immune system.

In addition to André Marette, the study's co-authors are Fernando Anhê, Renato Nachbar, Thibault Varin, Jocelyn Trottier, Stéphanie Dudonné, Mélanie Le Barz, Perrine Feutry, Geneviève Pilon, Olivier Barbier, Yves Desjardins, and Denis Roy.

Story Source:

Materials provided by Université Laval. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Fernando F Anhê, Renato T Nachbar, Thibault V Varin, Jocelyn Trottier, Stéphanie Dudonné, Mélanie Le Barz, Perrine Feutry, Geneviève Pilon, Olivier Barbier, Yves Desjardins, Denis Roy, André Marette. Treatment with camu camu (Myrciaria dubia) prevents obesity by altering the gut microbiota and increasing energy expenditure in diet-induced obese mice. Gut, 2018; gutjnl-2017-315565 DOI: 10.1136/gutjnl-2017-315565

Cite This Page:
Université Laval. "Amazonian fruit prevents obesity in overfed mice." ScienceDaily. ScienceDaily, 30 August 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/08/180830102540.htm>.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Fatos e usos da pitomba

Texto: 
Engenheiros agrônomos Beatriz Garrido Boffette e Marcos Roberto Furlan

Nativa, e mais especificamente da Amazônia brasileira (STAFUSSA et al., 2018). Origem do nome vem do Tupi, e significa chute forte ou bofetada. Seu nome científico é Talisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk. e pertence à família Sapindaceae, a qual abriga outras frutíferas e o famoso guaraná.
Pitombas.
Foto: Arianne Monteiro Melo Angelelli

A pitombeira é considerada uma árvore de pequeno porte, por possuir cerca de 10 metros de altura. No Brasil, é encontrada em boa parte, pois se dá bem na região Amazônica, na Mata Atlântica e floresce com mais intensidade no verão.

Fatos e usos da pitomba

1. Nomes populares, além de pitomba, podem ser, por exemplo, caruiri, pitombeira, pitombarana ou olho-de-boi.

2. Assim como a maioria das frutíferas nativas, é pouco estudada quanto aos aspectos nutricionais, funcionais ou medicinais. Mas as poucas pesquisas revelam seu potencial.

3. Rica em Vitamina C, é consumida in natura ou no preparo de licor. Em pesquisa realizada por Fraga et al. (2017), o teor de vitamina C da casca da pitomba foi de 128,34±7,18 mg de ácido ascórbico/100g.

4. Não é comum ser encontrada no comércio, exceto nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. 

5. A presença de taninos nas folhas e na casca proporciona seu uso no couro curtido, para evitar que ele apodreça.

6. O fruto é rico em flavonoides (STAFUSSA et al., 2018) e outras substâncias que justificam ser considerado, de acordo com Souza et al. (201), com moderada ação antioxidante. No entanto, Neri-Numa et al. (2014) detectaram que extrato da pitomba apresenta boa atividade antioxidante no ensaio ORAC.•

7. A sua semente, que representa metade do peso total da fruta brasileira, é uma alternativa para a utilização de amidos não convencionais (CASTRO et al., 2018). 

8. Há casos de intoxicação em animais que consumiram folhas e frutos da pitombeira.

9. A pitomba apresentou atividade antiproliferativa contra o melanoma e adenocarcinoma de ovário (NERI-NUMA et al., 2014).

10. Miricetina e quercetina são compostos encontrados na fruta (NERI-NUMA et al., 2014).

Referências

CASTRO, Deise Souza de et al. Isolation and characterization of starch from pitomba endocarp. Food Research International, [s.l.], p.1-1, jun. 2018. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.foodres.2018.06.032.

FRAGA et al. Composição centesimal e teor de vitamina C da casca da pitomba. In: II Congresso Internacional de Atividade Física, Nutrição e Saúde. v.1, n.1, 2017. Disponível em: https://eventos.set.edu.br/index.php/CIAFIS/article/view/6519/2513. Acesso em: 10 de jul. 2018.

NERI-NUMA, Iramaia Angélica et al. Preliminary evaluation of antioxidant, antiproliferative and antimutagenic activities of pitomba (Talisia esculenta). Lwt - Food Science And Technology, [s.l.], v. 59, n. 2, p.1233-1238, dez. 2014. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.lwt.2014.06.034.

SOUZA, Mayane P. de et al. Phenolic and aroma compositions of pitomba fruit (Talisia esculenta Radlk.) assessed by LC–MS/MS and HS-SPME/GC–MS. Food Research International, [s.l.], v. 83, p.87-94, maio 2016. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.foodres.2016.01.031.

STAFUSSA, Ana Paula et al. Bioactive compounds of 44 traditional and exotic Brazilian fruit pulps: phenolic compounds and antioxidant activity. International Journal Of Food Properties, [s.l.], v. 21, n. 1, p.106-118, jan. 2018. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/10942912.2017.1409761.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Frutas brasileiras são ricas em antioxidantes e anti-inflamatórios

24/04/2018 

Link:

Consumidas regulamente como alimentos funcionais, frutas poderiam ajudar na prevenção de doenças como câncer e ataque cardíaco

Estudo avaliou o potencial antioxidante, anti-inflamatório e a composição fenólica de dez frutas nativas brasileiras ainda pouco conhecidas pela ciência, como cajá, cambuci e murici vermelho (na imagem) – Foto: Divulgação / Esalq

As frutas nativas brasileiras são fontes de substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias, bem como de uma grande diversidade de compostos fenólicos, os quais podem propiciar importantes benefícios para a saúde humana. Essa é a conclusão de um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. Em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade de Campinas (Unicamp), a pesquisa da engenheira de alimentos Jackeline Cintra Soares avaliou o potencial antioxidante, anti-inflamatório e a composição fenólica de dez frutas nativas brasileiras ainda pouco conhecidas pela ciência, como o cajá e o cambuci.

“O Brasil possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de um grande número de frutas nativas”, aponta Jackeline Soares. “Essa biodiversidade tem se tornado um caminho promissor para a descoberta de novos compostos bioativos capazes de ser utilizados na formulação de alimentos funcionais e medicamentos”, completa. O estudo tem orientação do professor Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq.

Segundo a pesquisadora, os compostos fenólicos apresentam ações específicas, podendo atuar como antioxidantes e anti-inflamatórios, assim prevenindo doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares e a diabete, por exemplo. “Nosso objetivo foi avaliar a capacidade desativadora de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio, atividade anti-inflamatória in vitro e in vivo e a composição fenólica. A técnica utilizada foi a espectrometria de massas de alta resolução, realizada em dez frutas nativas brasileiras.”

Assim, foram mapeados o araçá-boi (Eugenia stipitata), o cambuití-cipó (Sagerectia elegans), o murici vermelho (Byrsonima arthropoda), o murici guassú (Byrsonima lancifolia), o morango silvestre (Rubus rosaefolius), o cambuci (Campomanesia phaea), o jaracatiá-mamão (Jacaratia spinosa), o juquirioba (Solanum alterno-pinatum), o fruta-do-sabiá (Acnistus arborescens) e o cajá (Spondias mombin L.). As amostras foram coletadas no Sítio Frutas Raras, localizado na cidade de Campina do Monte Alegre (SP), exceto o cajá, que foi coletado na Fazenda Gameleira, município de Montes Claros de Goiás (GO).
Diversidade de compostos fenólicos presentes nas frutas pode propiciar importantes benefícios para a saúde humana. Na imagem, o cajá – Foto: Divulgação / Esalq

Antioxidantes

Foram identificados compostos fenólicos pertencentes à classe dos flavonoides (catequina, epicatequina, rutina, quercetina glicosilada, kaempeferol glicosilado, quercetina, procianidina B1 e procianidina B2), subclasse do ácido hidroxibenzoico (ácido gálico) e subclasse dos ácidos hidroxicinâmicos (ácido cumárico, ácido ferúlico e cafeico). Das frutas analisadas, o araçá-boi, cambuití-cipó, murici vermelho, morango silvestre e cajá foram as que apresentaram as maiores atividades antioxidantes e/ou anti-inflamatórias, cujo perfil fenólico indicou a presença de 18 compostos no araçá-boi, 32 no cambuití- cipó, 26 no murici vermelho e 20 e 11 compostos no morango silvestre e cajá, respectivamente.

Nas frutas cambuití-cipó, murici vermelho e morango silvestre também foi possível a identificação e quantificação de antocianinas, sendo que no cambuití-cipó foi identificada a kuromanina e a mirtilina. Já para o murici vermelho e o morango silvestre, somente a kuromanina foi encontrada. “Esta é a primeira vez que se relata a presença destas antocianinas no cambuití-cipó e murici vermelho. Portanto, as frutas nativas estudadas apresentam compostos bioativos com atividades antioxidante e anti-inflamatória e, quando consumidas regulamente como alimentos funcionais, poderiam ajudar na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.”
Morango silvestre – Foto: Divulgação / Esalq

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) publicado em 2017 recomenda um mínimo de 400 gramas de frutas e vegetais por dia (excluindo batatas e outros tubérculos) para a prevenção de doenças crônicas, como doenças cardíacas, câncer, diabete e obesidade, especialmente em países menos desenvolvidos.

Ainda segundo Jackeline Soares, “existe a necessidade de se buscar novos alimentos que, além de nutrir, apresentem atividades biológicas que possam inibir ou amenizar danos oxidativos relacionados a processos inflamatórios, limitando assim a progressão de certas doenças de origem metabólica e degenerativas prevalentes, principalmente quando se considera que estamos em um país detentor de uma das maiores biodiversidades do Planeta”.

Caio Albuquerque / Divisão de Comunicação da Esalq

Mais informações: e-mail jackelinecintrasoares@gmail.com, com Jackeline Cintra Soares

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Seriguela

Texto:
Engenheiros Agrônomos Beatriz Garrido Boffette e Marcos Roberto Furlan

A seriguela (foto), ou ciriguela, nasce espontaneamente em boa parte do Nordeste do Brasil, onde é muito popular, assim como no Norte. Nas capitais do Sul ou do Sudeste, quando encontrada no comércio, é de preço alto. Em muitos municípios é utilizada na arborização urbana.

Seriguela comercializada em São Paulo.

Frutífera originária da América do Sul e da América Central, pertence à família Anacardiaceae e de nome científico Spondias purpurea L.. É também encontrada, por exemplo, nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

É rica em fibras que auxiliam no bom funcionamento do intestino. Por ter bom teor de carboidratos, é indicada para pessoas que praticam atividades físicas com frequência. Também possui vitaminas A, C e algumas do complexo B. Pesquisas indicam que possui propriedades antioxidantes, responsáveis pelo combate ao excesso de radicais livres, os quais danificam células causando diversas doenças e o envelhecimento precoce. 

A seriguela também é muito benéfica do ponto de vista medicinal, pois ajuda na redução do inchaço por conta de sua ação diurética e eliminando as toxinas. Auxilia na redução das taxas de colesterol porque suas fibras diminuem a absorção de gorduras no intestino e fortalece o sistema imunológico diminuindo a incidência de gripes, resfriados e infecções. 

Seu sabor adocicado é perfeito para consumo in natura, na forma de doces, sorvetes ou sucos. 

Algumas pesquisas sobre a seriguela na saúde

Comprovação da elevada capacidade antioxidante.
Título: Potencial funcional de frutos da cirigueleira de plantio comercial do sertão paraibano durante a maturação. 
Link: http://rei.biblioteca.ufpb.br/jspui/handle/123456789/3596

Presença de compostos bioativos promissores quanto à ação farmacológica.
Título: Análise fitoquímica dos galhos de Spondias purpurea L. (siriguela)
Link: http://www.sbq.org.br/39ra/cdrom/resumos/T0529-1.pdf

Uso como fitocosmético.
Título: Extrato dos frutos de Spondias purpurea L. como princípio ativo para formulação fitocosmética fotoprotetora
Link: http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/149


Extratos de espécies do gênero Spondias como potencial como agentes moduladores de resistência bacteriana.
Título: 
Efeito modulador do extrato de plantas medicinais do gênero Spondias sobre a resistência de cepas de Staphylococcus aureus à Eritromicina
Link: http://rei.biblioteca.ufpb.br/jspui/handle/123456789/3596


Referências

https://www.greenme.com.br/alimentar-se/alimentacao/5586-10-beneficios-da-seriguela 
http://saudenocorpo.com/seriguela-e-seus-beneficios-a-saude/ 
http://www.cienciasmedicas.com.br/2013/09/02/seriguela-conheca-suas-propriedades-nutricionistas

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Frutas pouco conhecidas têm alto poder anti-inflamatório e antioxidante

02.10.2017
Pesquisa indica que cinco frutas típicas da Mata Atlântica possuem propriedades bioativas



EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA

As frutas conhecidas como bacupari-mirim, araçá-piranga, cereja-do-rio-grande, grumixama e ubajaí ainda não ganharam fama, nem espaço nos supermercados. Se depender de suas propriedades bioativas, em questão de tempo elas poderão estar não só disputando espaço nas gôndolas como ganhando posição no ranking dos alimentos da moda.

Além dos valores nutricionais, as cinco frutas nativas da Mata Atlântica têm elevadas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Foi o que verificou uma pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de La Frontera, no Chile.

“Não havia muito conhecimento científico sobre as propriedades dessas frutas nativas. Agora, com os resultados do nosso estudo, a ideia é fazer com que elas sejam produzidas por agricultura familiar, ganhem escala e cheguem aos supermercados. Quem sabe elas não se tornam um novo açaí?”, disse Severino Matias Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq, se referindo ao sucesso comercial da fruta amazônica com grande quantidade de antioxidantes e que hoje tem a polpa exportada pelo Brasil para vários países.
Os professores Severino Matias de Alencar (à esq.), da Esalq, e Pedro Luiz Rosalen, da FOP-Unicamp

O trabalho, com apoio da FAPESP, teve resultados publicados na revista PLOS ONE.

No estudo foram avaliados os compostos fenólicos – estruturas químicas que podem ter efeitos preventivos ou curativos – e os mecanismos anti-inflamatórios e antioxidantes do extrato de folhas, sementes e polpa de quatro frutas do gênero Eugenia e uma do gênero Garcinia: araçá-piranga (E. leitonii), cereja-do-rio-grande (E. involucrata), grumixama (E. brasiliensis), ubajaí (E. myrcianthes) e bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis), todas típicas da Mata Atlântica.

Como elas são espécies difíceis de serem encontradas e algumas estão em risco de extinção, as plantas foram fornecidas por dois sítios localizados no interior de São Paulo. As duas propriedades comercializam as plantas com o objetivo de preservação da coleção. Um dos produtores possui a maior coleção de frutas nativas do Brasil, somando mais de 1,3 mil espécies plantadas.

“Começamos nosso estudo prospectando as propriedades bioativas das frutas, pois sabíamos que elas poderiam ter boa quantidade de antioxidantes, assim como são as chamadas ‘berries’ americanas, como o mirtilo, a amora e o próprio morango, muito conhecidas pela ciência. Mas nossas frutas nativas se mostraram ainda melhores”, disse Alencar.

De acordo com o estudo, as espécies do gênero Eugenia têm um vasto potencial econômico e farmacológico evidenciado não só pelo número de publicações científicas, mas também pela exploração comercial de suas frutas comestíveis, madeira, óleos essenciais e uso como plantas ornamentais.

Elas são exemplos de alimentos funcionais, que, além das vitaminas e valores nutricionais, têm propriedades bioativas como o combate aos radicais livres – átomos instáveis e altamente reativos no organismo que se ligam a outros átomos, provocando danos como envelhecimento celular ou doenças.

“O organismo tem naturalmente antirradicais livres, que neutralizam e eliminam os radicais livres do corpo, sem causar dano. Porém, fatores como idade, estresse e alimentação podem promover um desequilíbrio nessa neutralização natural. Nesses casos, é preciso contar com elementos exógenos, ingerindo alimentos que tenham agentes antioxidantes como os flavonoides, as antocianinas do araçá-piranga e das outras frutas do gênero Eugenia”, disse Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba.

O pesquisador ressalta que há cerca de 400 espécies pertencentes ao gênero Eugenia distribuídas pelo Brasil, incluindo várias espécies endêmicas. “Temos uma imensidão de frutas nativas com compostos bioativos que trariam benefícios para a saúde da população. É preciso estudá-las”, disse.

Alencar é um dos pesquisadores do projeto “Bioprospecção de novas moléculas anti-inflamatórias de produtos naturais nativos brasileiros”, coordenado pelo professor Rosalen, também autor do artigo publicado na PLOS ONE.

Campeão contra inflamação

As frutas estudadas no projeto com elevada atividade antioxidante para serem usadas em indústrias de alimentos e farmacêuticas também tiveram pesquisadas as capacidades anti-inflamatórias. A grande estrela foi a araçá-piranga, como demonstraram em artigo publicado no Journal of Functional Foods.

“A araçá-piranga, espécie ameaçada de extinção, teve a melhor atividade anti-inflamatória em comparação com a de outras frutas do gênero Eugenia”, disse Rosalen. “O mecanismo de ação também é muito interessante, pois ocorre de forma espontânea e logo no começo da inflamação, impedindo uma via específica do processo inflamatório. Ela age também no endotélio dos vasos sanguíneos, evitando que os leucócitos transmigrem para o tecido agredido, reduzindo a exacerbação do processo inflamatório”

Rosalen destaca que os antioxidantes não têm como função única combater o envelhecimento ou a morte celular, mas a prevenção de doenças mediadas por processo inflamatório crônico. “A ação oxidante dos radicais livres também significa o surgimento de doenças inflamatórias dependentes, como diabetes, câncer, artrite, obesidade, doença de Alzheimer”, disse.

“Não percebemos muitas dessas lesões provocadas pelos radicais livres. São as inflamações silenciosas. Por isso, é importante a ação de sustâncias antioxidantes, que podem neutralizar os radicais livres”, disse Rosalen.

As pesquisas colaborativas, apoiadas pela Fapesp e pela Universidad de La Frontera, também permitiram ampliar o conhecimento sobre espécies nativas do Chile. Em um dos estudos, os autores demonstraram a atividade antioxidante e vasodilatadora da murtilla (Ugni molinae), uma fruta nativa do país.

No estudo publicado na Oxidative Medicine and Cellular Longevity, os pesquisadores destacam que o uso de preparações alimentares obtidas a partir de frutas e folhas da murtilla pode ter efeitos benéficos na prevenção e, possivelmente, no tratamento de sintomas de doenças cardiovasculares.

Alencar destaca que conhecer melhor as propriedades pode se mostrar uma boa alternativa para estimular a produção das frutas nativas.

“Antes do projeto com a Universidad de La Frontera, eu e o professor Pedro Rosalen já estudávamos as frutas nativas, pois acreditamos que elas podem revelar ótimas soluções alimentares para a sociedade”, disse.

O artigo Antioxidant and Anti-Inflammatory Activities of Unexplored Brazilian Native Fruits, de Juliana Infante, Pedro Luiz Rosalen, Josy Goldoni Lazarini, Marcelo Franchin e Severino Matias de Alencar, pode ser lido em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0152974.

Leia mais:

domingo, 14 de maio de 2017

Ingá-de-metro (Inga edulis Mart.)

Texto:
Devanil Rosa Fernandes (Foguinho) - bacharelando em Farmácia, último ano com especificidade em Etnofitos/Fitoterapia. Presidente da Plampantanal (Associação dos Agricultores Familiares para o cultivo de plantas medicinais, condimentares e aromáticas de Poconé,MT)
Jessica Tiyoko Yamashita - acadêmica de agronomia - Faculdade Cantareira
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor UNITAU e Faculdade Cantareira

O Brasil possui uma das maiores biodiversidade de frutíferas. No entanto, essas frutíferas são pouco aproveitadas, ou até mesmo desconhecida pela maioria da população. Muitas nascem espontaneamente, servindo também como alimento para a fauna, sendo que muitas espécies de animais são frugívoros, isto é, se alimentam de frutas e não danificam a semente, o que permite a dispersão da frutífera.

Uma frutífera que encontramos em boa parte do Brasil, é o ingá-de-metro, ingá-macarrão ou ingá-cipó, dentre outros nomes populares. Além do rápido desenvolvimento, suas sementes possuem alta taxa de germinação. Algumas, inclusive, já germinam dento das vagens. No terceiro ano após o plantio já inicia a produção de frutos.
Seu nome científico é Inga edulis Mart.. É uma árvore nativa do Brasil pertencente à família Fabaceae. Pode chegar a 25 metros de altura em locais abertos, mas nas matas fechadas pode ultrapassar 40 m de altura. Geralmente é dotada de copa ampla e baixa, com tronco claro. Floresce durante os meses de outubro até janeiro. Os frutos amadurecem a partir do mês de maio.

O fruto é uma vagem alongada, reta ou em ampla espiral, estriado longitudinalmente de 15 a 80 cm de comprimento, com muitas sementes envolvidas por arilo floculoso e adocicado. Este arilo é comestível e muito apreciado pelas populações da região amazônica, onde é cultivada em pomares domésticos. Os frutos são amplamente comercializados em feiras livres. Para a produção de mudas é ideal fazer a semeadura logo que colhidas pois suas sementes são do tipo recalcitrantes, ou seja, intolerantes a secagem, não podendo ser armazenadas por mais de 1 semana.

Sua distribuição é ampla, ocorrendo em todos os Estados do norte e toda a orla litorânea desde o Rio Grande do Norte até o norte de Santa Catarina. Seu nome popular varia de acordo com a região, em São Paulo e no Mato Grosso é conhecida como ingá-de-metro, no Espírito Santo como ingá-macarrão, ingá-timbó no Pará, ingá-vermelho em Minas Gerais e ingá-rabo-de-mico em Santa Catarina. Na região litorânea seus frutos geralmente são mais curtos que os da região amazônica.

Com relação ao seu uso medicinal, ainda há poucas pesquisas que comprovam o seu uso. Na medicina popular suas folhas são indicadas como anti-inflamatório e antidiarreico. De acordo com Darly et al. (2012), esta espécie possui alto teor de compostos fenólicos e alta capacidade antioxidante.
Fotos: ingá-de-metro
Autoria: Devanil Rosa Fernandes


Referências:

DARLY, R. P.; ROGEZ, H.; MONTEIRO, K. M.; TINTI, S. V.; CARVALHO, J. E.. Capacidade antioxidante e triagem farmacológica de extratos brutos de folhas de Byrsonima crassifolia e de Inga edulis. Acta AmazONICA. vol.42 n.1. Manaus. 2012. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0044-59672012000100019>

GARCIA, F.C.P.,FERNANDES, J.M.. Inga in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 2015. Disponivel em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB23000>. Acesso em: 7 mai 2017

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 2. 4.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2013.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Da floresta para o prato


Campinas, 07 de novembro de 2016 a 20 de novembro de 2016 – ANO 2016 – Nº 674

Pesquisador desenvolve processo de industrialização do tucumã-do-Amazonas para utilização culinária

Texto: Carmo Gallo Netto Fotos: Divulgação Antonio Scarpinetti Edição de Imagens: André Vieira
Fruto popular no Estado que lhe dá o nome, o tucumã-do-Amazonas tem sua polpa utilizada principalmente para compor o recheio do popular sanduíche regional conhecido como X-caboquinho ou da tapioca, e também na composição de pratos locais.

Os cocos do fruto, que se desenvolvem em cachos, têm em média aproximadamente cinco centímetros de diâmetro, uma polpa de pequena espessura, recoberta por uma casca fina, facilmente removível, e um caroço que ocupa grande parte de seu volume. Da polpa, que corresponde a apenas 28% da massa do coco – que é oleosa, de coloração que varia do amarelo ao laranja e tem consistência semelhante à manga mais firme, são comercializados anualmente, em Manaus, cerca de 370 toneladas, das quais mais da metade vendidas na forma fatiada, o que demonstra a preferência do consumidor pela praticidade.

Mesmo com a popularidade do uso e da significativa atividade econômica envolvida, são raras as referências sobre o processamento da polpa de tucumã-do-Amazonas, sendo a despolpa realizada ainda de modo manual e a polpa pouco resiste à deterioração (cinco dias em geladeira), o que restringe o seu comércio à informalidade e ao Estado do Amazonas.

Estas circunstâncias motivaram o biólogo manauara Alisson dos Reis Canto a desenvolver junto ao Departamento de Ciência de Alimentos, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), orientado pelo professor Marcelo Alexandre Prado, pesquisa objetivando o estabelecimento de parâmetros para o processamento da produção de conserva da polpa de tucumã-do-Amazonas e a avaliação de sua estabilidade durante o tempo de armazenamento sem utilização de refrigeração.

O produto proposto pelo pesquisador utiliza a associação de dois métodos de conservação: o tratamento térmico e a acidificação da polpa, obtida pela manutenção desta em solução contendo ácido cítrico, açúcar e sal. Ele estudou a melhor concentração desses componentes na solução de forma que a polpa apresentasse a menor alteração possível de textura, sabor e cor, e atendesse o gosto dos consumidores do produto in natura, o que foi comprovado com a utilização de testes sensoriais.

A expectativa é que a polpa possa ser industrializada no Amazonas por cooperativas, mesmo porque, como parte do fruto vem da atividade extrativista do interior do Estado, o ribeirinho, em vez de apenas comercializá-lo, lhe agregaria valor, gerando empregos nas comunidades mais distantes da capital. Ele destaca que isso seria facilitado porque o processo desenvolvido é simples, não envolve grande aparato tecnológico e nem necessidade de refrigeração durante a comercialização.

Essa perspectiva seria altamente desejável quando se sabe que, embora exista um cultivo em Rio Preto da Eva, cidade próxima a Manaus, que não chega a suprir 10% do mercado, o coco é essencialmente proveniente do extrativismo. Para o autor, o cultivo é problemático por falta desse hábito na região e pelo fato da semente levar até dois anos para germinar e a planta formada produzir apenas depois de cinco anos.

Outra vantagem da industrialização seria comercializar a polpa na entressafra, mesmo porque, próximo de Manaus a safra ocorre de fevereiro a agosto, com pico em abril, embora existam regiões do Estado em que a frutificação acontece em períodos diferentes do ano.
Fases da pesquisa

Na primeira etapa da pesquisa, que se estendeu por quatro anos, o autor dedicou-se, no primeiro deles, a verificar durante a safra e entressafra se o fruto, proveniente do extrativismo, mantinha os principais padrões de qualidade necessários à sua industrialização, como variações de cor, maturação e espessura da polpa.

Vencida esta etapa, ele passou ao pré-processamento da polpa que, no caso, é denominado de branqueamento. Trata-se de um processo térmico brando que inativa enzimas, promovendo também a remoção do ar retido nas regiões intracelulares e amolecimento dos tecidos vegetais, o que facilita o enchimento das embalagens do produto. Como não havia estudos a respeito, ele teve que determinar a temperatura e o tempo para o branqueamento da polpa de tucumã-do-Amazonas que não levasse ao subprocessamento, não inativação das enzimas, ou ao superprocessamento, que levaria a degradações indesejáveis de cor e textura, além da perda de nutrientes.

Tendo em conta a temperatura e tempo de branqueamento o pesquisador passou ao processamento propriamente dito, em que se dedicou a estabelecer a melhor composição do líquido de cobertura constituído de água, ácido cítrico, açúcar e sal, além do tempo para o processamento térmico. Com base em um planejamento estatístico, ele estabeleceu 15 formulações diferentes.

Todas as polpas submetidas a essas formulações passaram então por dois diferentes testes sensoriais com um público acostumado ao consumo da polpa in natura: o primeiro, apenas com a polpa processada, e o segundo, com ela na composição do X-caboquinho. Foram detectadas as formulações mais aceitas, o que possibilitou a escolha que envolvia a menor adição de cloreto de sódio e açúcar em concentração intermediária dentre as formulações testadas, o que além de diminuir os custos industriais contribui para a saúde do consumidor. Para o autor, os resultados sugerem que o produto em conserva está apto a ser industrializado, pois mais de 50% dos participantes declararam que certamente o comprariam ou provavelmente o comprariam. Com vistas a eliminar fatores subjetivos, ele também utilizou análises instrumentais que permitem determinar os parâmetros que devem ser seguidos nos processamentos industriais para chegar ao produto desejado.

Por fim, utilizando análises bimensais da cor, textura e composição química da polpa em conserva ele chegou à determinação do seu tempo de prateleira, que é de pelo menos 300 dias, mantido no escuro ou sob a ação da luz e sem refrigeração.
Constatações

O que diferencia o produto natural do em conserva, e os testes sensoriais revelam isso, é que este é um pouco mais claro na cor - em decorrência principalmente da etapa do branqueamento, mais ácido - devido ao ácido cítrico presente no líquido de cobertura, e um pouco mais suculento - por causa da absorção de água.

Para Alisson, a polpa in natura tem gosto tendendo ao amanteigado, por ser rica em lipídios (gorduras), o que explica sua combinação com queijos, deixando ao final um sabor levemente adocicado, o que explica também a sua combinação com ingredientes de sabor doce, como a banana da terra. Em relação ao produto processado, ele o compara ao palmito em conserva em relação à textura. Quanto ao sabor, o produto se mostra menos amanteigado que o natural em decorrência do teor de lipídios que cai de até 50% após o processamento, o que de certa forma é benéfico para a saúde.

Outro aspecto importante a ser ressaltado é que o processamento não altera substancialmente o teor de betacaroteno original, poderoso antioxidante e precursor da vitamina A no organismo. Além disso, o produto mostrou-se estável para comercialização em até 10 meses sem refrigeração, tempo bem maior quando comparado à polpa minimamente processada que resiste à estocagem em refrigeração por até 20 dias.

Os testes sensoriais credenciam o autor do trabalho a afirmar que aparentemente o produto industrializado pode substituir o natural como ingrediente culinário, situação em que as diferenças sensoriais entre um e outro se minimizam. Ele conclui: “Conseguimos um produto estável à temperatura ambiente, muito importante para a região Norte, onde as temperaturas são altas, e que oferece a praticidade que o consumidor procura, evitando o trabalho de descascar o fruto e separar a polpa do caroço. Isso foi obtido utilizado um processo relativamente barato e tecnologicamente simples, passível de ser adotado em cooperativas, permitindo a industrialização nos picos de frutificação e a comercialização deste excedente na entressafra, quando a polpa de tucumã fica muito mais cara”.

Publicação

Tese: “Processamento da polpa de tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum) em conserva e avaliação da estabilidade durante o armazenamento”
Autor: Alisson dos Reis Canto
Orientador: Marcelo Alexandre Prado
Unidade: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA)

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

USP: Farmácia é premiada por pesquisa sobre efeito anti-inflamatório do fruto guajiru

10/08/2016

Estudo foi premiado em eventos internacionais realizados no último mês de junho, na cidade do Porto, em Portugal
Por Redação - Editorias: Ciências
Guajiru – Foto: Divulgação/ Maurício Mercadante – Sibbr

Estudo sobre ação anti-inflamatória do fruto guajiru, originário da Amazônia e de outras regiões quentes e úmidas do globo, desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, foi premiado em eventos internacionais.

O pesquisador Vinícius de Paula Venâncio comemora a conquista e lembra que foram cinco pessoas contempladas com o prêmio e ele foi o único brasileiro agraciado durante o 3rd International Conference on Occupational & Environmental Toxicology (ICOETOX) e o 3rd Ibero-American Meeting on Toxicology and Environmental Health (IBAMTOX), realizados em junho último, na cidade de Porto, em Portugal.

O artigo In vitro and in vivo anti-inflammatory activity of anthocyanin-rich C.Icaco L. fruit é um desdobramento da tese Atividades in vitro e in vivo do fruto do guajiruzeiro (Chrysobalanus icaco L.) em biomarcadores de estresse oxidativo, danos ao DNA e inflamação, que está em andamento no Programa de Pós-Graduação em Toxicologia da FCFRP, sob orientação da professora Lusânia Maria Greggi Antunes.

Reportagem completa sobre a pesquisa foi publicada pela Agência USP de Notícias em julho de 2015 e pode ser lida aqui.

Gabriela Vilas Boas/Assessoria de Comunicação da PUSP-RP

Mais informações: (16) 3315-4186 ou pelo email: venancio.vinicius@usp.br

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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Açaí, artigo de Roberto Naime

Figura 1. Cachos de açaí. Foto: José Edmar Urano de Carvalho / Embrapa

[EcoDebate] Açaí” e “uaçaí” são oriundos do tupi “yasa’i”, “fruta que chora”, numa alusão ao sumo desprendido pelo seu fruto. “Juçara” provém do tupi “yu’sara”. “Palmiteiro” e “palmito” são alusões ao seu uso na alimentação humana sob a forma de palmito.

Espécie nativa da várzea da região amazônica, nos seguintes países, Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas A Festa da Juçara do Maranhão refere-se ao açaí.

O açaí é um alimento muito importante na dieta dos nortistas do Brasil, onde seu consumo remonta aos tempos pré-colombianos. Hoje em dia, é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos 80 e 90.

O estado do Pará e Amazonas, no Brasil, são os maiores produtores da fruta, sendo juntos, responsáveis por mais de 85% da produção mundial. O açaí é considerado, por muitos, uma iguaria exótica, sendo apreciada em várias regiões do Brasil e do mundo.

O açaizeiro é semelhante à palmeira-juçara da Mata Atlântica, diferenciando-se porque cada planta de juçara tem somente um caule mas os açaís crescem em touceiras de 4 a 8 estipes (troncos de palmeira), altos e possantes.

O açaí é muito consumido como suco ou pirão e o gomo terminal constitui o palmito. Assim, pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido por trabalhadores que sobem nas palmeiras com auxílio de um trançado de folhas amarrado aos pés, a peconha.

Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente, depois de ficar de molho na água, para que a polpa se solte e, misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.


Figura 2. Paneiro contendo frutos de açaí. Foto: José Edmar Urano de Carvalho / Embrapa

Na Amazônia, o açaí é consumido tradicionalmente junto com farinha de mandioca ou tapioca geralmente gelado. Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer junto com peixe assado ou camarão, ou mesmo os que preferem o suco com açúcar.

Além do uso de seus frutos como alimento ou bebida, o açaizeiro tem outros usos comerciais. As folhas podem ser feitas em chapéus, esteiras, cestos, vassouras de palha e telhado para casas, e madeira do tronco, resistentes a pragas, para construção civil.

Os troncos da árvore podem ser processados para produzir minerais. O palmito é amplamente explorado como uma iguaria. O óleo de açaí também possui diversas propriedades químicas que causam efeitos benéficos no corpo humano. As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato.

Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais.

Conhecido como açaí na tigela, é um alimento muito apreciado, com propriedades estimulantes presentes no fruto são semelhantes às encontradas no café ou em bebidas energéticas. O açaí também ajuda na eliminação de resíduos do corpo, garantindo saúde.

O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos.

Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos é quase impossível, devido à falta de controle nas vendas, bem como à inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apoia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta.

Nos estados do Amazonas e Pará, principais produtores, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite.

A mistura com água e outros ingredientes, promovida fora da Região Norte do Brasil, reduzindo a participação efetiva de açaí na mistura, é devido ao alto custo que seria exportar açaí do Norte, para outras regiões do país.

Para se tornar economicamente viável, comerciantes passaram a misturar o açaí original, adquirido a alto custo, com outros elementos de menor valor econômico, viabilizando a venda. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: muitos brasileiros não sabem que o fruto é nativo do Norte ou que é consumido puro.

Na Região Norte, tanto humildes ribeirinhos (moradores tradicionais das margens dos rios) como as classes economicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios comumente empregados em outras regiões do país.

O óleo de açaí tem uma coloração verde-escura, de odor pouco agradável logo após sua extração e possui um sabor que lembra o da bacaba. Quando o óleo passa pelo processo de refinação, torna-se de sabor e odor agradáveis como os de bacaba e patauá.

O óleo do açaí é bastante usado tanto para fins culinários quanto para o uso cosmético. Enquanto condimento alimentício é bastante usado para temperar saladas.

Seu uso cosmético é empregado para a produção de shampoos e cremes capilares, além de sabonetes e cremes hidratantes para o corpo. Possui alta concentração de antioxidante, sendo rico em ácidos graxos essenciais.


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 11/05/2016
"Açaí, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/05/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/05/11/acai-artigo-de-roberto-naime/.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Inteligência Ambiental – Festa do Umbu e da Vida em Uauá, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

Imagem: Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA

[EcoDebate] Você quer ver mel em abundância, cerveja de umbu (25 reais a longuinete), bode assado com macaxeira por todo lado, geleia de umbu, compota de umbu, suco de maracujá da caatinga, rendas, artesanatos e tantos produtos que mostram a abundância da vida no Semiárido Brasileiro? Então você deveria ter ido ao 7º Festival do Umbu em Uauá, organizado pela Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC).

Estamos saindo de uma seca de cinco anos, sendo dito que estamos atravessando a “maior crise econômica do Brasil da história”, que em outras épocas significaria que metade de Uauá deveria estar por outros lados do mundo, menos no sertão nordestino. E totalização dessa produção alcança cerca de 200 toneladas por ano.

Ali, onde nasce o Vaza Barris, hoje um rio seco, onde logo abaixo Conselheiro encontrou um lugar onde “jorrava leite e mel” (Canudos), às margens do Vaza Barris, sertão antigamente dito como “bravo”, a festa foi grande, cheia de vida, de produtos, de gente. O mesmo povo que começou a festa na sexta pela noite ainda estava lá 4 hs da manhã do domingo, dançando ao som da música típica da região, embora sempre apareça algum forró eletrônico para quebrar a beleza musical.

O paradigma de “convivência com o Semiárido”, intuído por homens como Guimarães Duque, Celso Furtado (Discurso de inauguração da SUDENE, 1959), foi tirada do papel e da imaginação pela sociedade civil nos últimos anos, que lhe deu carne, na troca de experiências acumuladas pela população sertaneja, com sua captação de água de chuva, o manejo da caatinga, uma agricultura conforme o ambiente, pelo cultivo do umbu, do maracujá do mato, dos animais adaptados ao Semiárido como a cabra e a ovelha. Então, a vida veio abundante, mesmo em tempos de seca.

Essas são conquistas dos últimos 20 anos, com programas construídos pela sociedade civil como a ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro), ou por componentes como o IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Adaptada). Não veio dos coronéis, nem do Estado, mesmo esse um pouco mais modernizado. O que houve foi o apoio econômico dos últimos governos, o que deu escala a esse trabalho, com mais de 1 milhão de cisternas para beber e mais de 150 mil tecnologias de produção implantadas.

A COOPERCUC tem mercado interno e externo, seus produtos vão para a Itália, França e Áustria. Essa é a prova que a “irrigação” não é o único veio produtivo do Nordeste e nem o principal. O PIB da irrigação gira em torno de 2 bilhões de reais ao ano, enquanto o PIB do sequeiro em 2008 já girava em torno de 140 bilhões de reais ao ano. Portanto, os números desmentem os mitos.

Parabéns à COOPERCUC, trabalho que mostra a beleza e a viabilidade do sequeiro nordestino, com a caatinga em pé, ambiente preservado e cheio de vida. O único caminho para os biomas brasileiros sobreviverem é o da “convivência”.

Quem tem inteligência ambiental sabe.

Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

in EcoDebate, 04/05/2016
"Inteligência Ambiental – Festa do Umbu e da Vida em Uauá, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 4/05/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/05/04/inteligencia-ambiental-festa-do-umbu-e-da-vida-em-uaua-artigo-de-roberto-malvezzi-gogo/.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Pesquisa com umbu ajuda na economia do Norte de Minas

Tecnologias para o cultivo aceleram produção, geram frutos maiores e mais saborosos, favorecendo a comercialização

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) desenvolveu metodologia que auxilia produtores de umbu a comercializar o fruto. Por meio do enxerto, os pesquisadores desenvolveram frutos de maior proporção, qualidade e com sabor mais concentrado para serem consumidos in natura ou para a fabricação de sucos, compotas, poupas e sorvetes.

O engenheiro agrônomo e pesquisador da Epamig em Nova Porteirinha, Nívio Poubel, explica que o cultivo das mudas tem duas formas: a exertia e estaca. No processo de enxertia, a muda é introduzida em outra planta e tem a função de fornecer as melhores características aos frutos. A planta receptora (porta-enxerto) é responsável pelo suporte e pelo abastecimento de água e nutrientes. Na estaca, corta-se o galho do umbu. Este é plantado no solo, fazendo assim brotar. Mas esta metodologia é menos tolerante à seca.

O processo de enxertia a faz a planta produzir mais rapidamente, diz o engenheiro da Emater. “O umbuzeiro normal leva cerca de dez anos para começar a produzir, os frutos não possuem tanta qualidade e ainda são pequenos. Já a planta enxertada passa a produzir em aproximadamente 4 a 5 anos, com frutos maiores e mais saborosos”, enfatiza Poubel.

Os frutos normais têm diâmetro pequeno e peso de aproximadamente 20g. Já os enxertados são bem maiores, mais saborosos e pesam aproximadamente 150g. As primeiras mudas foram doadas para os produtores. A venda do umbu, que antes servia como complemento da renda de alguns agricultores, passou a ser essencial para o sustento.

É o caso de Pedro Nogueira, 53 anos, agricultor tem Nova Porteirinha. Ele tinha mais lucro com a venda do leite, já que os umbuzeiros da fazenda demoravam a dar frutos. Após adquirir as mudas da Epamig, a produção aumentou em 90%.

“No segundo ano a produção aumentou demais e atualmente o umbu garante cerca de 70% da minha renda. Vendemos a fruta e a poupa para São Paulo e futuramente pretendo montar uma cooperativa para comercializar no sul da Bahia”, comemora.

Hoje a Epamig mantém um jardim clonal, onde são armazenadas as mudas. Para cada matriz de umbuzeiro são selecionadas 12 mudas enxertadas. O jardim é ampliado à medida que são encontrados materiais com características desejáveis. Atualmente, os engenheiros agrônomos da Epamig prestam consultoria técnica a produtores interessados na preservação ou cultivo desta fruteira.

Sobre a pesquisa

A pesquisa teve início em 1995 com a procura de umbuzeiros que tivessem frutos maiores e de qualidade. Foram identificadas 30 árvores que atendiam às características. O passo seguinte foi definir as técnicas que os produtores utilizavam para a multiplicação das árvores e recolher mudas para a enxertagem. Os estudos terminaram em 2002. Mudas e sementes que foram distribuídas na comunidade agora são vendidas.

Você conhece umbu?

O umbuzeiro tem origem na caatinga. O fruto tem característica ácida e sua forma assemelha-se à de uma ameixa. A planta possui raízes com grande concentração de ‘batatas’, que armazenam grande quantidade de água e a faz resistir em regiões secas.

Data: 14.08.2015

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Produtos da Central do Cerrado (centraldocerrado.org.br)

Os produtos da Central do Cerrado podem ser adquiridos através da loja virtual da Central do Cerrado com praticidade e segurança.
Através da loja voce pode visualizar os produtos disponíveis e fazer o orçamento de sua compra com a opção de frete via sedex ou PAC.

O pagamento pode ser realizado diretamente no site por meio de cartão de débito (VISA e Master), transferência bancária ou boleto bancário.

Adquirindo os produtos da Central do Cerrado você contribui com a conservação do Cerrado e de seus povos, valorizando os meios de vida sustentáveis e a cultura local de diversas comunidades agroextrativistas.

Produtos Ecossociais – Qualidade de vida para todo o mundo.

Os preços e produtos da loja são atualizados periodicamente sem aviso prévio.

Ema caso de dúvida entre em contato conosco em: centraldocerrado@centraldocerrado.org.br

Baixe o Catálogo de Capim Dourado: