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quarta-feira, 11 de maio de 2016

A lenda da Beladona - PLANFAVI Nº 37 janeiro/março 2016

As preparações que utilizavam Atropa beladona são conhecidas e utilizadas há muito tempo. Há citações de seu uso pelos antigos hindus e médicos do império romano e idade média. Este arbusto foi denominado Atropa beladona por Carl von Linné e era utilizado para provocar intoxicações mal definidas e geralmente prolongadas. O nome do gênero é uma referência à Atropos (personagem da mitologia grega) que era inflexível e responsável por cortar a corda ou o fio da vida. Essa denominação é dada pelos efeitos mortais quando ocorre o consumo de quantidades moderadas desta planta. As mênades (personagens da mitologia grega) "com seus olhos de fogo" se entregavam aos adoradores do deus Dionísio/Baco, nas orgias, para depois despedaçá-los e comê-los. Acredita-se que o sumo de beladona era adicionado ao vinho dos bacanais. Estes alcaloides possuem efeitos psicoativos alucinógenos, caracterizados por um estado de embriaguez, seguido de um sono profundo acompanhado de amnésia. Causam delírios e, ao que parece, a sensação de levitação, fato que explica as viagens fantasiosas das supostas bruxas. A referência beladona (belas senhoras) é dada a prática comum entre as mulheres italianas da Idade Média que pingavam nos olhos o sumo espremido dos frutos da planta provocando a dilatação das pupilas. Nesta época ter pupilas dilatadas e brilhosas era sinônimo de beleza. O principal componente do sumo dos frutos da Atropa beladona é a atropina. Este alcaloide é a base de colírios usados em tratamentos oftalmológicos para causar midríase.

Martinez et al. Alucinógenos naturais: um voo da Europa Medieval ao Brasil. Quím. Nova 32: 2501-2507, 2009.

sábado, 2 de abril de 2016

Hissopo, uma planta da purificação - PLANFAVI Nº 36 outubro/ dezembro 2015

Hissopo é uma planta conhecida milenarmente como purificadora. Os locais onde eram realizados os cultos de sacrifícios para obtenção do perdão dos pecados e a gratidão a Deus eram limpos com uma mistura de sangue de cordeiro e hissopo (Hyssopus officinalis L.). Essa orientação está descrita na bíblia nos livros de Números 19: 18-19 (“E um homem limpo tomará hissopo...”), no Salmo 51:9 (“Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo!”) e em outras citações. Há também associação do uso dessa planta em epidemias ao longo da história, como lepra, piolhos, entre outras.

Essa planta nativa do mediterrâneo pertence a Lamiaceae, família com espécies ricas em óleos essenciais. No aspecto fitoquímico, o Hissopo possui entre 0,3 e 0,8% de óleo essencial, que possivelmente está entre os metabólitos que possam atuar como antisséptico. Esse óleo e seus componentes foram avaliados quanto à ação bactericida e fungicida. Esses se mostraram eficientes contra grande parte de micro-organismos patogênicos, inclusive alguns resistentes a antifúngicos sintéticos, como o fluconazol.

Dessa forma, o uso tradicional milenar na purificação (limpeza) de ambientes tem respaldo científico baseado na ação do óleo essencial de Hissopo.

Mazzanti et al. Antimicrobial properties of the linalol-rich essential oil of Hyssopus officinalis L. var decumbens (Lamiaceae). Flavour Frag. J. 13: 289-294.1998.

Hristova et al. Chemical composition and antifungal activity of essential oil of Hyssopus officinalis L. from Bulgaria against clinical isolates of Candida species. Biotechnol. Biotechnol. Equip. 29: 592-601.2015.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Viola odorata


Violeta – Viola odorata (Família das Violáceas). 

Pequena planta vivaz, de 10 a 15 centímetros de altura, nativa da Europa e Ásia, que ainda se encontra espontânea nas clareiras e bordos das florestas, e da qual se originaram as diversas variedades de jardim. Tem flores violeta escuro ou branco, muito aromáticas. 

A esta planta têm-se associado diferentes significados, uns ligados ao seu aspecto frágil e elegante, outros à cor ou ao aroma da flor, e também a ela se ligaram diversos mitos da Grécia e Roma antigas. 

Para os gregos, as violetas eram símbolo de fertilidade e amor e o seu nascimento resultou das gotas do sangue de Attis (semi-deus da vegetação), ao suicidar-se na base de um pinheiro, em consequência do amor ciumento que Cibele (a mãe dos deuses) tinha por ele. Mas quando Cibele ressuscita Attis na Primavera é o ritual do renascer da vida que se celebra. Zeus, por outro lado, transformou a sua amante Io em vitela e então os campos cobriram-se de violetas para a alimentar e perfumar. O símbolo de Atenas era a violeta (Ion), referindo-a Aristófanes numa das suas peças, como a cidade coroada de violetas, fazendo uma analogia com a coroação do rei Ion nessa cidade; até o vinho era aí aromatizado com violetas.

Do ponto de vista terapêutico associam-se às violetas propriedades de combate à tosse, constipações, asma e dores reumáticas.

por Cândido Pinto Ricardo

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O uso das ervas medicinais encontradas em São Miguel das Missões, RS

29 de dezembro de 2015

O uso das ervas medicinais pelos Benzedores e Mateiros nas Missões tem sua utilização há mais de 400 anos;

São encontrados escritos sobre plantas medicinais nos livros dos jesuítas desde o inicio das reduções em 1609 e que comprovam o uso histórico das plantas missioneiras. Para quem vem a São Miguel é imperdível ir visitar um dos benzedores conhecedores profundos das plantas e seus usos.

Uma destas plantas é a cobrina também conhecida por forquilheira (Tabernaemontana catharinensis DC.) tem reconhecido valor como planta medicinal. Esta é uma arvore nativa no Sul do Brasil. No conhecimento popular ela é muito utilizada no preparo de um extrato para passar na pele quando a pessoa é picada por insetos, mas tem potencial para outras utilizações.

Existem também produtores de leite que utilizam a planta em pequenas quantidades na alimentação para prevenção de mastite, ou mesmo o uso de extrato injetável no teto da vaca, quando o animal está com o problema instalado. Porém não conhecemos estudos oficiais que comprovem sua eficiência, apenas os relatos de produtores que afirmam que os resultados são satisfatórios.

O preparo do extrato de cobrina que é utilizado na pele para aliviar os sintomas de picadas de cobra, insetos, alergias, cobreiro, etc, é muito conhecido principalmente pelas pessoas que vivem no campo. Para extrair o princípio ativo geralmente é utilizado álcool ou até mesmo cachaça, a parte da planta mais usada é a casca.

A cobrina tem também potencial para o paisagismo, seu crescimento rápido, seus frutos coloridos quando maduros e sua folhagem intensa, são pontos que contam a favor. Por outro lado, a planta solta bastante folhas e frutos no inverno, algo que não é muito desejável em determinados projetos paisagísticos.

Estudos indicam que a cobrina pode ser um bom aliado contra o câncer de laringe e outras doenças. Pesquisas vem sendo realizadas para desenvolver medicamentos com a planta.

Visitar São Miguel das Missões é descortinar um mundo de possibilidades culturais milenares.

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domingo, 2 de agosto de 2015

Plantas Medicinais e os Cuidados com a Saúde: Contando Várias Histórias

O livro Plantas Medicinais e os Cuidados com a Saúde: Contando Várias Histórias, que tem Renata Palandri Sigolo como organizadora, já foi publicado e está circulando pelas bibliotecas públicas da cidade de Florianópolis. Seu conteúdo é composto por vários textos de estagiários em História da Universidade Federal de Santa Catarina, entre outros. A experiência que resultou a publicação aconteceu na Escola de Educação de Jovens e Adultos Unidade Centro de Florianópolis, onde foram realizadas oficinas de extensão do Laboratório de História, Saúde e Sociedade da UFSC.


Para acessar a versão online do livro, clique aqui: http://bit.ly/1IVNVDB

Boa leitura!
Dica do:

domingo, 14 de junho de 2015

Histórias interessantes - /www.i-flora.iq.ufrj.br


Incenso e Mirra: Resinas Preciosas - Angelo C. Pinto e Valdir F. Veiga Jr.
Entre algumas das mais antigas citações de produtos naturais, duas resinas merecem especial destaque, a mirra e o incenso. 

Tingir os cabelos e pintar o corpo são manifestações culturais muito antigas, comuns a mulheres e homens, que surgiram muito antes de qualquer forma de escrita. 

Chamada de copaíva ou copahu pelos indígenas, o óleo da copaíba era bastante utilizado entre os índiios brasileiros quando os portugueses chegaram ao Brasil.

O fogo sagrado e os alcalóides de Ergot - Fernando Batista da Costa 
Esta história ilustra um excelente exemplo de como a descoberta de um misterioso produto da natureza no passado trouxe consequências diretas aos dias de hoje. 

História da Palitoxina - Roberto Gomes de Souza Berlinck 
A palitoxina é considerada um dos produtos naturais de estrutura mais complexa. Devido a sua estrutura única e potente toxicidade, a palitoxina poderia ser comparada a estricnina. 

Do Peru a Java: A trajetória da quinina ao logo dos séculos - Mariana da S. Bolzani e Vanderlan da S. Bolzani
A quinina, pó branco inodoro e de sabor amargo, é uma substância usada no tratamento de malária e arritimias cardíacas. Além de ser um fármaco é utilizada como flavorizante da água tônica. 

A aspirina, como é conhecida nas farmácias o ácido acetilsalicílico, completou 100 anos em 1997 e é o medicamento mais conhecido e vendido em todo o mundo. 

O Pau-brasil ocupou o centro a história brasileira durante todo o primeiro século da colonização. 

Durante o Renascimento houve um grande aumento de interesse por plantas medicinais, sendo que dentre as publicações existentes, a mais popular foi The Herball, or General Historie of Plants.

O "País da Canela", é uma terra situada do outro lado da muralha dos Andes na selva oriental, foi um dos motivos que reuniu Francisco Orellana, Gonzalo Pizarro e Dom Francisco Pizarro. 

Peiote, o cacto sagrado - Gilson Cruz da Silva e Ligia Maria Marino Valente
O peiote é nativo d México e sul dos Estados Unidos e sabe-se que tem sido usado há milênios pelos indígenas mexicanos. 

A história da figueiras ou gameleiras - Adriana Brügger Alves, Jorge Pedro Pereira Carauta e Angelo C. Pinto
A história da figueiras remonta a um passado distante. Segundo a tradição, os gêmeos Rômulo e Remo foram encontrado embaixo de uma figueira selvagem, em homenagem a deusa Rumina, da fertilidade. 

Ópio - A Droga dos Sonhos - Cinara Vasconcelos da Silva e Eudes da Silva Velozo
Desde o período neolítico, ela já era utilizada para o alívio de dores e em cerimônias religiosas, alternando o seu uso entre o tratamento de doenças e o alcance do "mundo de ilusões" ou o "paraíso". 

Beladona, Meimendro e Mandrágora: As 3 ervas das bruxas da Idade Média - Sabrina T. Martinez, Marcia R. Almeida e Angelo C. Pinto
Associadas a bruxaria na Europa, porque permitiam fazer profecias e advinhações, estas 3 solanáceas de composição química parecidas eram usadas para a preparação de unguentos com as quais as bruxas se untavam e que, supostamente, as faziam voar.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

“De Materia Medica” por Dioscórides

http://dl.wdl.org/10632/service/10632.pdf

Esse livro é um exemplo da transferência de conhecimento ao longo dos séculos. Durante o primeiro século, o médico e farmacêutico grego Dioscórides, considerado o pai da farmacologia, escreveu um documento muito importante sobre botânica e produtos farmacêuticos. 

No século X, durante os tempos de ʻAbd al-Raḥmān III (de 891 a 961), califa de Córdova, a obra foi traduzida para o árabe. Em 1518 na Escuela de Traductores de Toledo (Escola de Tradutores de Toledo), Antonio de Nebrija fez a primeira tradução da obra na Espanha para o latim. Em 1555, na cidade de Antuérpia (na atual Bélgica, na época governada pela Espanha), o editor Juan Lacio (por volta de 1524 a 1566) publicou uma tradução em espanhol traduzida do latim por Andrés Laguna, médico do Papa Julius III. 

Em suas frequentes viagens a Roma, Laguna consultou uma variedade de códices, bem como livros sobre plantas medicinais produzidas em Veneza pelo herborista Pietro Andrea Matthioli. Essa versão do livro continuou sendo editada e aperfeiçoada até meados do século XVIII, e no século XIX ganhou uma cópia fac-símile. Na edição apresentada aqui, Laguna incluiu suas próprias ilustrações, gravuras feitas em painéis de fibra de madeira. 

O livro contém um total de 600 imagens que descrevem plantas e animais, e os nomes de todas as espécies mostradas aparecem na página em vários idiomas. Detalhes precisos sobre o gravador são desconhecidos, mas como a edição foi impressa na Bélgica, muitos acreditam que ela foi criada por um artista flamengo da época. Outros acreditam que o gravador era italiano, por causa da forte semelhança que essas ilustrações apresentaram com os da edição de Matthioli. Essas autoridades acreditam que as placas foram feitas na Itália, trazidas para a Antuérpia por Laguna, e por último enviadas à Espanha para a produção de cópias adicionais da obra. Essa valiosa edição foi impressa em pergaminho e iluminada para ser oferecida como presente ao futuro rei Filipe II, na época ainda príncipe.

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quarta-feira, 11 de março de 2015

Elixires y plantas medicinales americanas en Sevilla (siglo XVI)

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Publicado: 11/02/2015
Los españoles no sólo buscaban oro, fortuna y libertad, algunos soñaron con encontrar viejos mitos, desde elixires mágicos que los curasen de las enfermedades o que incluso les proporcionasen la inmortalidad. Sin ir más lejos, Juan Ponce de León buscó con ahínco la fuente de la eterna juventud en tierras de Norteamérica. Cada vez que veía un lago, laguna, regato o charco se sumergía alucinado, esperando ver su piel más tersa.

Efectivamente, una de las cosas que más llamaron la atención de los primeros pobladores fue la existencia de múltiples plantas, desconocidas hasta entonces. No tardaron en comercializar algunas de ellas, unas con un fin ornamental y, las más, con un objetivo medicinal. En algunos casos, se atribuyeron propiedades curativas a determinadas plantas –como el tabaco- que después se verificaron inciertas. Otras drogas, como el bálsamo o la cañafístula, sí que poseían un fundamento curativo real.

Probablemente el elixir que más ampliamente se comercializó en la primera mitad del siglo XVI fue el bálsamo. Este licor se extraía del Guaconax o Boní, planta que abundaba en la isla, especialmente en la región de Higüey. Sus propiedades curativas fueron exaltadas como si de un elixir mágico se tratara, pues, no sólo cicatrizaba rápidamente las heridas, sino que calmaba el dolor de estómago, curaba catarros, dolores de hígado, hinchazones, dolor de muelas, etc. Incluso, usado con reiteración, refresca mucho la complexión humana y no envejecen los hombres.

Antonio de Villasante o de Villasanta, a mediados de los años veinte, pidió al Emperador la confirmación del monopolio que sobre la explotación del bálsamo le había concedido el segundo Almirante Diego Colón. En 1526 la Corona fijó los derechos de explotación por Villasante: obtendría la décima parte de lo que se sacara siempre que dicha renta no excediese de 200.000 maravedís. Sin embargo, debió parecerle muy poco al asentista por lo que obtuvo una ampliación del privilegio en 1528, aumentando su participación al tercio, y la renta hasta un máximo de 8.000 ducados anuales, unos tres millones de maravedís.

La infraestructura creada por Villasante estaba muy clara: él lo fabricaba en Santo Domingo, consignándolo a dos mercaderes genoveses residentes en Sevilla. Estos se encargaban no sólo de la distribución sino también del marketing. Para ello, realizaban tres acciones: primero, envasaban el producto en vasijas de distintos tamaños, dependiendo de la cantidad solicitada. Segundo, preparaban un impreso a modo de prospecto, que fue redactado por el doctor Morales, médico avecindado en Sevilla, en el que se explicaban tanto sus cualidades como la forma de uso. Y tercero, establecían obligaciones con cirujanos y mercaderes para que lo distribuyesen por los hospitales de Castilla. De hecho, los dos genoveses se concertaron con el maestre Juan de Peralta, cirujano, para que fuesepor Andalucía y otras partes a curar, vender y distribuir el bálsamo.

En 1530, se aplicó experimentalmente en los siguientes hospitales: Cardenal de Toledo, Cardenal de Sevilla, Rey de Burgos, Santo Domingo de la Calzada, Santiago de Galicia, hospital Real de Granada y en la enfermería del monasterio de Guadalupe. Igualmente hubo médicos en estos años que lo aplicaron con resultados al parecer exitosos, según se desprende de las felicitaciones que Carlos V les remitió. El éxito fue tal que el 4 de abril de 1531 se expidió una nueva Real Cédula para que se enviase una muestra del licor a la propia corte.

En cuanto a cifras concretas sabemos que hasta 1532 Antonio de Villasante consignó al puerto de Sevilla a nombre de los genoveses Benito de Basinana y Franco Leardo 29,5 arrobas de licor puro de bálsamo, cifra a la que habría que unir el que se introdujo ilegalmente que, a juzgar por las numerosas quejas, debió igualar al menos la mencionada cantidad.

El negocio debió resultar rentable durante algunos años, pues, en 1531, se decía que Antonio de Villasante obtenía tan sólo en las cinco tiendas que poseía en Santo Domingo más de 100 pesos de oro anuales. Sin embargo, parece ser que Villasante falleció en algún momento de la década de los treinta, pues, en estos años perdemos totalmente su rastro, y ni sus sucesores ni sus socios continuaron con el negocio. Es posible que la Corona, tras su muerte, eliminara el monopolio, desapareciendo su tráfico comercial al menos como negocio.

domingo, 1 de março de 2015

Ajenjo (Artemisia absinthium )



El ajenjo (Artemisia absinthium ) también llamada "artemisia amarga" o "hierba santa" es una planta mágica y medicinal conocida por los egipcios y los griegos que la identificaron con la diosa Artemis, hermana gemela de Apolo, e hija de Zeus y Leto. En el mito griego es la propia diosa quién la descubre y será el centauro Queirón quién le ponga sunombre. Queirón, que pertenecía a una progenie distinta a la del resto de los centauros y era hermanastro de Zeus había nacido inmortal. Residía habitualmente en una cueva del monte Pelión en Tesalia, un lugar famoso en la Antigüedad por su abundancia en todo tipo de plantas medicinales y mágicas muchas de las cuales aún se dan en la actualidad (D. E. Brussel, "Medicinal Plants of Mt. Pelion, Greece", Economic Botany, 58, 1, 2005: 174-202). Su propia madre ostenta una identidad botánica, ya que Filira, significa "árbol del tilo", por lo que se sospecha que fue ella quién le proporcionó su conocimiento de las artes curativas y de las plantas medicinales (cfr: G. Guillaume-Coirier, "Chiron Phillyride", Kernos, 8, 1995, pp. 133-122, especialmente p. 120), que luego trasmitiría al propio Asclepio.

En Mesopotamia era planta sammu ilu que aparece en los textos acadios de magia y brujería y era utilizada por los griegos en la adoración de Artemis-Hécate, de donde procede el nombre del género. Se empleaba como veneno sagrado en determinadas ordalias religiosas de Oriente. Apuleyo afirmaba que sus fumigaciones alejaban los demonios y algunos médicos, como Areteo de Capadocia, la recetaban contra la melancolía. El propio Dioscórides (De mat, med., III, 129) compara una variedad de ajenjo o artemisia con la divina ambrosia.

Es citada en varias ocasiones en papiros griegos procedentes de egipto que contienen distintas fórmulas mágicas y no caba duda de que se trataba de una planta sagrada

En una ocasión, la artemisia o ajenjo es mencionada en estos papiros, junto con otras plantas tóxicas, como un ingrediente en una fórmula de conjuro para todo fin mágico, de la que también forma parte el kyphi (IV, 11, 1305 ss):

"Ofrenda de la práctica: cuatro dracmas de incienso, cuatro dracmas de mirra, una hoja de laurel, unas dos onzas de pimienta blanca, una dracma de gomorresina de bálsamo africano, una dracma de semilla de asfódelo, de amono, de azafrán, unas dos dracmas de trementina de teberinto, una dracma de artemisa, planta de katanánke, kyfi hierático, el cerebro completo de un carnero negro. Mézclalo con vino blanco mendesio y con miel y has con ello una pasta". (TRAD. J.L. Calvo Martínez y Mª D. Sánchez Romero).

En un vaticinio a través de un medium que ha entrado en estado de trance y se ha desplomado, podemos leer como la artemisia es considerada una planta sagrada (IV, 6, 914 ss):

"Tú siéntate sobre los adobes y pregúntale; y te expondrá la verdad minuciosamente. Tienes que coronarlo con una guirnalda de artemisa amarilla, a él y también a tí. El dios se complace también con esta planta". (TRAD. J.L. Calvo Martínezy Mª D. Sánchez Romero)

Otras veces, la artemisia aparece ritualmente asociada a sueños inducidos para que se aparezca en ellos la divinidad, lo que nos recuerda una visión de Elio Aristídes (Discursos sagrados, II, 31-2), retórico de la segunda sofística y seguidor de Asclepio, que permaneció en el asklepeión de Esmirna, uno de los tres principales centros de culto al dios, diecisiete años como paciente y devoto, famoso también por la facilidad con que entraba en trance para asombro de sus contemporáneos:

"Era artemisia, clara de una cierta manera. Tan clara cuanto era posible, apenas como incontables otras cosas tenían claramente la presencia del dios. Era como si se tuviera la impresión de tocarlo y se percibiera que él mismo había venido en persona, como estar entre el sueño y el despertar.. y prestando oidos atentos oír algunas cosas tan en un sueño, otas como en un trance de despertar...".

En Grecia, quienes dormían en el santuario de Asclepios recibían revelaciones divinas en las que, según parece, la artemisa desempeñaba un papel esencial.

Fumada produce efectos similares a los del cannabis y con ella se elabora el licor de absenta, el "hada verde" inspirador de poetas y artistas en la Europa del siglo XIX. Aunque se discuten los efectos alucinógenos de su principal componente, un aceite esencial denominado thujol o thujone, que también se encuentra en otras plantas, como la tuya, el ciprés y algunos enebros, lo cierto es que parece que a dosis elevadas puede llegar a producir delirios junto con daños cerebrales.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Byzantine herbs and drugs – the magical and dangerous mandrake

16.05.2010
Mandragora or Mandrake

I am so pleased to be able to bring you this piece about the uses and properties of the mandragora, ‘mandrake’ plant, by one of the blog’s first adherents, and regular commentator, Laura Diaz-Arnesto, who hails from Uruguay. Laura is a pharmacologist and has offered this piece to give us an opportunity to develop some understanding of an aspect of Byzantine medicine. It is well researched and authoritative. Although some time off this fits well with what I am told will be the subject of next year’s Runciman Lecture which will be on the subject of Byzantine medicine.

by Laura Diaz-Arnesto

During their extended and fruitful existence, is obvious to believe the Byzantine Empire had herbalists and physicians that not just adopted (copied), but adapted and discovered numerous drugs and preparations for the treatment of pain and other illnesses, including those containing the somehow mystical, and highly toxic, mandragora root.
The earliest surviving illustrated surgical codex was made for the Byzantine physician Niketas about 900 CE

If you were to search the word “mandrake” or “mandragora” in my Pharmacology text when I was studying for my Pharmaceutical degree, you would not find it. It had long been out of Pharmacopoeias and Pharmacology textbooks. Goodman & Gilman’s 6th Edition of “The Pharmacological Basis for Therapeutics” did not mention it at all; though we did heavily study Atropine, Scopolamine, Homatropine and other related Antimuscarinic drugs, generally referred to as belladonna alkaloids. The Mandragora or European Mandrake (Mandragora officinarum) plant is a member of the Solanaceae family that includes Atropa belladonna (nightshade), Datura stramonium (Jamestown or Jimson weed), and other shrubs. The interesting alkaloids they contained have played important roles in history and medicine. Indeed, the mandrake plant was believed to have magical powers. We must remember though all these alkaloids are psychoactive, highly toxic, often lethal substances.
The Mandragora plant has been used since Greco-Roman times, and it’s even mentioned in the Bible. Hippocrates noted that a small dose would relieve anxiety and the deepest depression. If drunk its hypnotic properties allowed amputation or cauterisation. It was also used as an aphrodisiac and cure for sterility. Today we know that it contains the psychoactive alkaloids hiosciamine, scopolamine and madragorine (a powerful narcotic and hypnotic, chemically identical to atropine). However, long before its active principles had been identified, it had been used to produce both therapeutic (the mandragora wine was probably the first anaesthetic used in surgery), and obscure and poisoning effects, especially during the European Middle Ages. Both the root and its method of picking were associated with superstition and mysterious popular legends (due to its spindle-shaped root which is often forked beneath, and is therefore compared, in shape, to the human figure). Mandrake root, was supposed to utter a dreadful shriek when pulled from the ground and whoever heard the shriek died. To collect it, a dog was tied to the plant and tempted with meat. Indeed Shakespeare makes use of its properties in many of his plays.

“Give me to drink mandragora…

That I might sleep out this great gap of time

My Antony is away.” (Shakespeare’s Antony and Cleopatra, I.v).

“Shrieks like mandrakes’ torn out of the earth.”

(Shakespeare’s Romeo and Juliet, IV.iii)

Byzantine herbalists and physicians surely came to know analgesic, sedative and anaesthetic preparations containing mandrake. However, as we know so little about this magnificent people, we need to wait for scholars to go through medical-historical Byzantine texts to confirm the extent of the aforementioned affirmation. As Prof John Scarborough from the University of Wisconsin so clearly states it: “Byzantine medicine: a millennium of medical history, very poorly known by comparison with ‘classical’ Arabic or Greco-Roman medicine”. Moreover, in his Byzantine Medicine & Pharmacy course information of Spring 2008, he tells students: “Even today, some 25 years after I composed the “Introduction” to the 1984 Dumbarton Oaks Papers, the ‘state of research’ remains much the same, with basic texts and sources unedited, given eras of Byzantine medicine still unexplored, and too few qualified philologists, physicians, and historians have devoted efforts to understanding the medical history of the Byzantine Empire. I recommend reading his various articles and books
Folio 90v Naples Dioscorides – c. VII century

In what could be called the precursor of modern pharmacopeia, the Greek herbal De Materia Medica by Pedanius Dioscorides of Anazarba in Cilicia, the author describes the mandragora in detail, and explains how wine made from mandragora can induce anaesthesia – in the sense of an absence of sensation – in people about to undergo surgery or a cauterization of their wounds.

“… [sleeping potions such as opium or mandragora are applied] to such [people] as shall be cut, or cauterised … For they do not apprehend the pain because they are overborn [overcome] with dead sleep …. But used too m much they make men speechless.” Pedanius Dioscorides
Dioscorides receiving mandrake from Euresis (discovery).

This seminal book written in the first century AD was faithfully studied, copied and quoted for another fifteen hundred years, mainly by Byzantine scribes. One of its more famous copies known as the Vienna Dioscorides can be found in the Austrian National Library; and mandrake is present in two paintings of the frontispiece of this illustrated manuscript completed in 512 CE (also known as the Aniciae Julianae Codex). More than 600 plants and 1000 drugs were described in this ancient pharmacopeia, which remained the standard medical text until the 17th century.

More recent studies described evidence on pain relief and sedation for surgical and medical purposes traced in literary medical treatises from the Roman and Byzantine times (2nd century BC to 7th AD). Roman and Byzantine scientists, such as Dioscorides Pedanios, Gaius Plinius Secundus, Galen, Orivasios from Pergamum, Themistios, Aetios of Amida, Ioannes Damascenos and others, referred to Mandragora officinarum, Hyoscyamos niger and Atropa belladonna as the most important herbs, besides the opium poppy, to be used for producing pain relief and sedation.

Many other drugs and herbs were extensively used by Byzantine physicians, contributing in this way to the preservation and deepening of ancient pharmacological knowledge.

Laura Diaz-Arnesto

Montevideo – Uruguay

References

- Goodman & Gilman’s “The Pharmacological Basis for Therapeutics”, 6th Edition.

- Rätsch C., Encyclopedia of Psychoactive Plants, Park Street Press, 2005, pg. 796-7.


- Ioanna A. Ramoutsaki, Helen Askitopoulou, and Eleni Konsolaki, Pain relief and sedation in Roman Byzantine texts: Mandragoras officinarum, Hyoscyamos niger and Atropa belladonnaInternational Congress Series, Volume 1242, 2002, pg. 43-50.
Complementary reading




All figures were borrowed from public domains in the Internet.
Related articles:


Eighteenth Annual Runciman Lecture by Judith Herrin – “We are all children of Byzantium”

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Farmacología neurotóxica en el Antiguo Egipto

Los papiros medicinales y mágicos, los textos de los autores de la Antigüedad, así como los datos procedentes de los repertorios iconográficos y de las excavaciones arqueológicas, constituyen todos ellos valiosas fuentes de información que nos permiten una aproximación a los conocimientos de los antiguos egipcios sobre toda una serie de recursos farmacológicos de características neurotóxicas.


Nephentes.

En la Odisea (IV, 219 ss) Helena pretende calmar la aflicción de Telémaco diluyendo en el vino que le ofrece una droga llamada nephentes, que se ha identificado generalmente con un preparado a base de opio o de cannabis:

“Al manjar que delante tenían las manos lanzaban cuando Helena, nacida de Zeus, pensó en otra cosa y en el vino que estaban bebiendo les puso una droga, gran remedio de hiel y dolores y alivio de males; beberíalo cualquiera disuelto en colmada vasija y quedara por todo aquel día curado de llantos aunque en él le acaeciera perder a su padre y su madre o cayera el hermano o el hijo querido delante de sus ojos, herido de muerte por mano enemiga. La nacida de Zeus guardaba estos sabios remedios: se los dio Polidamna la esposa de Ton el de Egipto, el país donde el suelo fecundo produce más drogas cuyas mezclas sin fin son mortales las unas, las otras saludables; más todos los hombres allí son expertos en curar, porque traen de Peán su linaje” (TRAD. M. Pabón).

Diodoro de Sicilia (I, 97, 7-9), historiador griego del siglo I a. C., hablando de las viejas relaciones entre Grecia y Egipto menciona que:

“....como prueba de la presencia de Homero en Egipto se aducen varias evidencias, y especialmente la droga que proporciona el olvido de todos los males, que fue dada a Telémaco por Helena en casa de Menelao. Ya que es manifiesto que el Poeta había adquirido un conocimiento exacto de la droga nepentes, que el dice que Helena consiguió de Tebas egipcia, habiéndole sido proporcionada por Polidamna, la mujer de Ton; además se alega, incluso hoy las mujeres de esta ciudad emplean este remedio, y se dice que en tiempos antiguos una droga para curar el miedo y la tristeza fue descubierta en principio entre las mujeres de Diospolis: pero Tebas y Diospolis, se añade, son la misma ciudad”.

En una excavación arqueológica reciente se ha descubierto una antigua escuela en la que los alumnos, siguiendo las instrucciones del maestro, escribían una serie de textos en la pared. Uno de ellos es el celébre pasaje de la Odisea donde se hace alusión a esta droga: Archaeologists working in the western desert of Egypt have discovered a school dating back about 1,700 years that contains ancient Greek writings on its walls, including a text about ancient drug use that references Homer's "The Odyssey."

Se ha pensado en algún derivado del opio o del cannabis, entre otras posibles drogas, como el ingrediente pincipal del nephentes homérico.

Adormidera.

Las menciones en los documentos procedentes de Egipto, en donde se utilizaba como sedante, anestésico y narcótico, han sido recopiladas por S. Gabra (1954-5) y parece bastante seguro que el opio comenzaba ya a ser producido localmente durante el reinado de Amenhotep III. Su conocimiento está bien documentado en épocas anteriores al Imperio Nuevo, que comienza con la Dinastia XIII. No faltan menciones en los papiros Smith y Ebers, que son copias de textos escritos durante el Imperio Antiguo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

La identificación botánica del Soma

10/11/2014

Sin duda alguna, la prehistoria cultural védica debe haber conocido una fenomenología extática bastante rica y más de una planta sagrada de la que extraer alcaloides, aunque la religión brahamánica monopolizó, mediante la elaboración de un ritual especializado y complejo, la experiencia extática vinculada a Soma. Con todo, la planta sagrada originaria, que al parecer se recogía en sitios montañosos, acabó siendo reemplazada ya que, al contrario que en las tierras originarias de los indoeuropeos, no crecía en la India.

“Indra el distribuidor de beneficios, conoce el deseo del que le adora; y tú, que has realizado muchos actos pìadosos con la planta soma recogida en las pendientes de las montañas, tú Indra, ven con la tropa de los Maruts”. (Rig Veda, III, 3, 2. TRAD. J.B. Bergua)

Está claro que poseía propiedades que la convierten en la bebida de los dioses. Fue descubierta por Indra, según se cuenta en el mismo Rig Veda:

“Indra halló el tesoro del Soma que había sido llevado del Cielo y escondido como el nido de un ave en las rocas, había sido colocado en medio de montañas rodeadas de bosques; deseoso de participar de esta bebida el dios que posee el rayo, la descubrió como el jefe de los Angirasas descubrió el lugar en que habían sido escondidas las vacas: abrió las compuertas del agua, el manantuial del sustento, que estaban cerradas en las nubes, y las derramó sobre la Tierra”. (Rig Veda, XIX, 4, 3. TRAD. J.B. Bergua)

Bebiéndo su jugo dulce y embriagador los dioses adquieren vigor y fortalez, así como una forma especial de inteligencia:

“Estos jugos puros del soma son vertidos para satisfacción del que bebe las libaciones.

Indra, tú que realizas buenas obras, has adquirido de repente un vigor más grande bebiendo la libación, y por ello eres el jefe de los dioses.

Indra, que eres el objeto de las alabanzas, que estos jugos penetrantes del soma entren en tí; puedan en verdad servir para hacerte obtener la inteligencia superior”. (Rig Veda, II, 2, 5. TRAD. J.B. Bergua)

“Ven, Indra, a asistir a nuestras ofrendas con tus caballos de largas melenas; nosotros te invocamos después de heber vertido la libación.

Acepta nuestras alabanzas, ven anuestros sacrificios, bebe como un ciervo sediento. Los jugos del soma son vertidos sobre la hierba sagrada; bébelos, Indra, para reafirmar tu vigor” (Rig Veda, IV, 5, 4. TRAD. J.B. Bergua)

“Poderoso Indra, haz caer del Cielo sobre los reinos de la Tierra la lluvia que sostiene al mundo; animado por el jugo del soma tú has ahuyentado las aguas de las montañas y tú has aplastado a Vritra bajo una roca sólida”. (Rig Veda, X, 6, 6. TRAD. J.B. Bergua)

“Este vigorizador jugo del soma que fue traido (del Cielo) por el gavilán te ha animado tanto por sus alegres libaciones, que, con tu vigor, heriste a Vritra, arrojándole del Cielo, y manifestaste (Indra) tu soberanía”. (Rig Veda, XIII, 7, 2.TRAD. J.B. Bergua)

“El jugo del soma ha sido exprimido para tí, !oh Indra!. Acercaté tú que humillaas a tus enemigos; pueda la libación llenarte de vigor como el Sol llena el firmamento con sus rayos.
Que los caballos de Indra, cuya pujanza es irresistible, le lleven para que pueda recibir las alabanzas y los sacrificios de los hombres y de los sabios.

!Oh tú!, que has matado a Vritra, monta en tu carro, porque tus caballos han sido enganchados por la plegaria; pueda la piedra que machaca el soma atraer mediente su ruido tu espíritu hacia nosotros.

Bebe, Indra, esta libación excelente e inmortal; las gotas de esta límpida bebida corren hacia tí en la cámara de los sacrificios”. (Rig Veda, XIII, 11. TRAD. J.B. Bergua)

“Que te animen, !oh Vayu!, las gotas embriagadoras de la libación; el zumo del soma, preparado convenientemente, administrado con oportunidad y vuelto eficaz por nuestras oraciones, correrá en el momento necesario...” (Rig Veda, XX, 1, 2.TRAD. J.B. Bergua)

Los dioses se manifiestan en el sacrificio del Soma como “formas doradas vestidas con trajes de luz”. ¿Se trata de una descripción de las visiones proporcionadas por la ingestión del soma?. En cualquier caso, su efecto es también el de “arrebatar”, “transportar”, como le ocurre al mismo Indra después de haberlo bebido:

“En el trasporte causado por el soma, Indra, armado del rayo, rompió la nube que contenía la lluvia; entonces las aguas de los ríos se dirigieron hacia el mar, como los pájaros se dirigen hacia sus nidos” (Rig Veda, XXVI, 8, 2.TRAD. J.B. Bergua).

Los intentos por identificar esta planta misteriosa tienen más de doscientos años. Se ha sugerido otras tantas veces que podría tratarse de Rheum palmatum, Asclepias viminale, Ephedra pachyclada, Ephedra sinica, Cannabis, “ruda siria” (Peganum harmala) o beleño, entre la veintena de indentificaciones propuestas, y no falta quien considera que se trata de un planta mítica que sólo ha existido en la imaginación de los brahmanes. Corresponde a R. Gondon Wasson, creador de la etnomicología, el mérito de haber identificado el principio activo del Soma, la pócima ritual de los textos védicos.

Los dioses que orinan el Soma embriagador.

En 1968 Wasson propuso por primera vez que no había nada en el Rig Veda, inconsistente con la idea de que el Soma no fuera originalmente otra cosa que Amanita muscaria, un hongo enteógeno que contiene el potente alucinógeno muscimol y que se ha utilizado abundantemente en los ritos chamánicos. Ello cuadraba bien con las descripciones de una planta sin hojas, raíces, semillas, ni flores, y que brota en la estación de las lluvías, que no puede ser otra cosa que un hongo. Pero, ¿porqué amanita muscaria?. Algunas referencias védicas sobre el Soma y la orina parecen apuntar con fuerza en esta dirección. Uno de los pasajes del Rig Veda (IV, 5, 4-6) alude al dios Indra que bebe el soma “como un ciervo sediento” y lo expulsa en su orina, tras lo cual adquire su más poderosa fuerza, exactamente igual que en los ritos del chamanismo siberiano.

Analizada la información de los Vedas, parece probable que el Soma original se elaboraba a partir de algún tipo de hongo seco de propiedades psicoactivas. Un hongo enteógeno, como se dice ahora. ¿Porqué se hacía tan dificil entonces su identificación?. En parte, porque los infructuosos intentos se habían realizado siempre sobre la base de los sustitutos del Soma original, como aparecen en los comentarios a los Vedas y los Brahamanas, escritos después del 800 a. C., mientras que Wasson se ha basado sólo en la evidencia procedente del Rig Veda, pero también, como comentaría más tarde R. Gravesporqué "los escolares clásicos de mente pura han cerrado sus ojos hasta ahora a la posibilidad de que el escritor de los Himnos Védicos quería decir exactamente lo que dijo con: los grandes dioses orinan juntos el soma encantador:” (R. Graves: "Los hongos y la religión, 1984). En efecto, fue este punto el que permitió mostrar el nucleo más consistente de la argumentación de Wasson.
La amanita muscaria había sido utilizada ampliamente por el chamanismo siberiano desde tiempos remotos. Los primeros relatos etnográficos y las investigaciones posteriores estabecieron con claridad la relación entre la seta, que crece bajo las coníferas y abedules, los renos y sus pastores. Una de las formas, precisamente, en la que los koriaks siberianos ingerían el hongo era a través de la orina de quien lo había tomado primero. También era apreciada la orina de los renos de sus rebaños, que gustaban de enervarse con la ingestión del hongo.

Una leyenda tibetana que trata del origen del amrita, sinónimo budista de Soma, nos muestra al protagonista bebiendo la orina del “demonio” Rahu, cuyo veneno amenazaba a la humanidad, después de lo cual adquiere un aspecto aterrador, volviéndose de color azul y adornado con serpientes, lo que utiliza eficazmente en su lucha contra aquel y los restantes demonios. De acuerdo con M. Crowley, Vajrapan no bebió otra cosa que Soma, y ya que “de todas las drogas en uso en todo el mundo sólo A. muscaria implica la práctica de la bebida de orina como una norma cultural”. Ello refuerza enormemente la identificación porpuesta por Wasson. Asimismo se ha demostrado que el más antiguo sustituto del Soma original en la India era también un hongo, lo que contribuye a afianzar la credibilidad en su teoria.

La alternativa.

Por supuesto, no todos han aceptado la interpretación de Wasson sobre el Soma. D.S. Flattery y M. Schwartz (1989), por ejemplo, han escrito un documentado trabajo en el que sostienen que Soma no era otra cosa que las semillas de la planta conocida como “ruda siria” (Peganum harmala), volviendo así a la proposición que Sir William Jones realizara nada menos que en 1794. R. Bedrosian, sin embargo, en otro trabajo publicado en Internet, ha contestado esta hipótesis argumentando que la “ruda siria” es más un potenciador de los efectos de los hongos psicoactivos (o enteógenos) que otra cosa, ya que sus efectos no pueden compararse con los del Soma. Su argumento, sin embargo, debe tomarse con precaución pues, una vez más, es todo cuestión de dosis.

Cuando estas son moderadas produce relajación, visiones con los ojos cerrados y, en ocasiones, un estado de alegre embriaguez. Nada de esto tiene que ver con los efectos del Soma. Pero dosis más altas, de unos 15 gr de semillas, pueden inducir estados similares a los provocados por el LSD. También el cannabis de excelente calidad y en grandes dosis puede resultar alucinógeno, lo mismo que el beleño negro que también provoca ingravidez. Parece más razonable rechazar la hipótesis de estos dos autores en base a otras consideraciones. Si el Soma no era otra cosa que las semillas de “ruda siria” entonces encuentra muy mala explicación el jugo que surgía de machacar la planta, a no ser que se trate de un añadido, lo que parece forzar el argumento. Y sobre todo, la asociación de Soma con la orina, vuelve a perder todo sentido.

Mucho más recientemente se ha propuesto la identificación de la planta Soma con Nelumbo nucifera, sobre la base de los mitos y el arte de la India y del Sureste asiático (A. McDonald, "A Botanical Perspective on the Identity of Soma (Nelumbo nucifera Gaertn.) Based on Scriptural and Iconographic Records", Economic Botany, 58, 1, 2005, pp. 147-173). También conocida como loto sagrado, loto asiático o loto de la India es una planta acuática levemente tóxica que se fumaba o tomaba en infusiones o diluida en vino por la sensación de ligera euforía que produce. No obstante, no se han reportado hasta el momento, a pesar de su amplia utilización ornamental y gastronómica efectos narcóticos o alucinógenos, por lo que es dificil admitir que produjera los efectos que los textos vedicos le atribuyen a Soma. Por lo que se comprende que la identificación con Amanita muscaria, incluso desde otra perspectiva que implica su consumo en la antigua religión budista, siga teniendo valedores (S. Hajicek-Dobberstein, "Soma siddhas and alchemical enlightenment: psychedelic mushrooms in Buddhist tradición", Journal of Ethnopharmacology, 48, 2, 1995, pp. 99-108).
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La "arqueologia" de la adormidera y la mandrágora

10/11/2014

Los resultados de las excavaciones arqueológicas y de la más reciente investigación arqueobotánica han documentado la difusión del uso de la adormidera y el opio en muchos lugares del mundo antiguo. En el Mediterráneo occidental, los estudioscarpológicos documentan la presencia de cuatro cápsulas de adormidera en la Cueva de los Murciélagos de Abuñol (Granada), en un enterramiento neolítico en el que se descubrieron algunos cadáveres situados al fondo de la caverna asociados a cestillos que contenían restos de flores y semillas de adormidera (Guerra Doce, 2006: 201). También se conocen datos sobre algunas semillas en el Calcolítico deBuraco da Pala. Estudios más recientes en niveles del Neolítico confirman su presencia con un gran número de semillas en Cueva del Toro en Antequera (Málaga), en Cueva de los Murciélagos de Zuheros (Córdoba) y en el Bronce de Peñalosa, entre otros yacimientos peninsulares.

En Francia se la encuentra en contextos lacustres del Neolítico final y del Bronce final del norte del país. También en los palafitos de Suiza e Italia han sido encontradas cápsulas de adormidera en grandes cantidades y de una variedad, al parecer, cultivada, lo que presupone un conocimiento específico y unos fines concretos, sobre los que ahora no podemos especular. Toda esta documentación, con más de sesenta yacimientos europeos del Neolítico y Calcolítico que han proporcionado evidencias ha sido recopilada de forma minuciosa por E. Guerra Doce (2006: 199-214). Para la Edad del Bronce su presencia está documentada en más de treinta yacimientos europeos, entre ellos algunos argáricos, como Fuente Alamo, en la Península Ibérica (Ead., 290). En los poblados de época ibérica de El Castellet de Bernabé en Llíriay Los Villares de Caudete de las Fuentes, ambos en Valencia, se han encontrado semillas de adormidera que podrían corresponder a su representación iconográfica sobre objetos de piedra, metal, cerámica y terracota (Juan-Tresserras,2000: 263).

Pipas rituales para fumar opio han sido halladas en Kitión(Chipre) y en Gazi (Creta) en un contexto del Bronce Final (Karageorghis, 1976), posiblemente conectadas a ritos de fertilidad. Tambien en Creta: " A number of small lekythi (jar with narrow neck) from various places of central and eastern Crete, which were manufactured by Cretan potters to store local products, is proposed to have contained pharmaceutical opium. The evidence that the group of Cretan wares contained opium for medical purposes is based on several points. First, the globular–conical shape of the body of the jars in dimensions analogous to those of the poppy head, in the absence of identifying inscriptions, must be indicative of their contents and a way of announcing to would-be purchasers what the jars contained. Second, the decorations of each vessel with vertical ridges bear a striking resemblance to the vertical cuttings made in the poppy capsule to extract the opium and show the familiarity of the artist with the process of harvesting opium. Third, the medical use of opium is strongly implied by a snake in relief applied below the handle of one of the vases. The connection to health of the chthonic and healing symbolism of the snake was well known in the Bronze and Iron Ages. Fourth, the shape of the vases also indicates that opium must have been stored in liquid form, which would be easy owing to the solubility in water or wine of its components." (H. Askitopoulou et al., "Archaeological evidence on the use of opium in the Minoan world",International Congress Series, 1242 (2002) p. 24).

En Egipto, y procedente de la necrópolis de Dehir el Medina se halló una cápsula de adormidera sin cortar, supuestamentedatada en época de Tutmosis III (Merilles, 1968: 155), y en la tumba del arquitecto Kha también en Deir el-Medina, que murió durante el reinado de Amenhotep III, su estatua de culto lleva sobre los hombros un collar realizado enteramente con cápsulas de adormidera. En este enterramiento los investigadores han encontrado, procedentes de algunos recipientes, restos de alcaloides, como la morfina y lahiosciamina, que sugieren que alguna vez estuvieron en contacto con substancias derivadas de la adormidera y de alguna solanácea, tal vez la mandrágora, planta que, por cierto, interviene entre los motivos que decoran el respaldo de la silla encontrada en la misma tumba. No es un hecho aislado.

La mandrágora, el loto y la adormidera están presente en un escena grabada en el trono de Tutankamón (Manniche, 1993: 117). El ritual funerario, incluyendo los ornamentos y los enseres con que se dotaban las tumbas de las Dinastías del Imperio Nuevo, muestra la presencia frecuente de mandrágoras y amapolas rojas de gran tamaño. En el anexo de la tumba de Tutankhamon se hallaron diversos cestos llenos de bayas de mandrágora que habrían sido destinadas a satisfacer las necesidades del rey durante su vida en el Más Allá. También en una tumba de la XVIII Dinastía perteneciente a un alto oficial de Menfis, llamado Maya, se ha encontrado una jarra que según la inscripción que portaba contenía dos litros de una poción aceitosa, uno de cuyos ingredientes era la mandrágora. Mucho antes, en la tumba del faraón Siptah y de la reinaTausrit de la VIII Dinastía se ha encontrado pendientes que representan cápsulas de adormideras (Leca, 1986: 342). También en El Amarna algunos colgantes muestran la parte superior de la cápsula de la adormidera y un collar lleva perlas con la forma de estas cápsulas (Gabra, 1956: 43). En el Museo del Louvre, se conserva un pequeño vaso de pasta azul esmaltada, procedente también de El Amarna, cuya forma es similar a tales cápsulas.

Las investigaciones de R.S. Merrillees (1962; 1968) sobre una serie muy característica de recipientes chipriotas -pequeñas jarritas con forma de cápsula de adormidera- han llamado la atención sobre la existencia en el Bronce Final de un comercio chipriota de exportación de opio a Egipto y el Levante, incluida Palestina. El análisis de los residuos de algunos de estos recipientes ha confirmado que, efectivamente, contenían opio.

En Anatolia, procedente de las ruinas del palacio deBeycesultan, destruido por un incendio en torno al 1900 a. C., se ha encontrado un recipiente ritual que contenía semillas de adormidera (Karageorghis, 1976: 127). Mucho más cercanas fueron las muestras de amapola que se localizaron en la ciudad de Hansalu, en la región del lago Urmia, datadas en torno al primer milenio y que en opinión de J. Schultze-Motel se trataba de amapola somnífera (J. Schultze-Moltel, "Literature on Archaeological Remains of Cultivated Plants (1991/1992)", Vegetation History and Archaeobotany, 3, 1994, pp. 33-61.). Asimismo, los análisis paleobotánicos demuestran que la papaver somniferum estuvo presente en Cartago desde a época púnica hasta el periodo bizantino (W. van Zeits-S.Boltema, "Paleobotanical Studies of Carthage", CedacCarthage, 5, junio 1983, p. 19).

Por otra parte, en el templo de Asclepio de Epidauros el opio era probablemente utilizado para inducir la "enkoimesis" el sueño profudo de los pacientes en el interior del templo por medio del cual actuaba curativamente la divinidad: "While patients were in this state of “artificial sleep,” they believed that the god appeared in their dream to heal them with miraculous directness, by hand application as is illustrated in a dedicatory relief from Epidauros. Often the god offered medical advice and in the morning the priests interpreted the dream and explained the god’s precepts. However, some of the surgical acts described, although technically simple, could not have been carried out without soporific or narcotic substances given to the sufferers before the process of “enkoimesis.” Suggestion and the expectation of cure, referred to today as the placebo effect, should have important curative values enhanced by the use of soporifics or opium. An interesting archaeological finding supporting this assertion is the coffers presenting poppy flowers. that ornament the marble ceiling of “Tholos,” a circular building of white marble inside the sanctuary. The symbolic nature of this ornamentation in the building where the “enkoimesis” supposedly was taking place is too difficult to ignore." (H. Askitopoulou et al, "Surgical cures under sleep introduction in the Asclepieion of Epidauros", International Congress Series, 1242 (2002), p. 12).

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segunda-feira, 2 de junho de 2014

O tabaco e a medicina do século XIX

Do blog:
Xarope de letrinhas: blog sobre história da medicina e história cultural
Em 31 de maio é comemorado o Dia Mundial sem Tabaco. O cerco aos fumantes vai se fechando cada vez mais. Em dezembro de 2014 começa a vigorar no Brasil, a lei que proíbe o fumo em ambientes fechados. A ideia de que o fumo é nocivo à saúde finalmente vai sendo internalizada e aos poucos, tornada universal. A respeito do tabaco, em 1835 a Revista Médica Fluminense publicou uma série de comunicações com o título de Memória Sobre o Tabaco, que haviam sido lidas nas sessões de 06 e 18 de setembro de 1834 da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro pelo Dr. Emilio Joaquim da Silva Maia. O Dr. Maia era um respeitado médico da corte e já o conhecemos neste blog, por ter participado da experiência do tratamento da lepra com picada de cobra do pobre Mariano. (que pode ser lido clicando aqui).

O Dr. Maia elaborou um texto erudito, que denuncia uma extensa revisão da literatura então conhecida, citando numerosos autores. Começa seu texto fazendo uma série de relatos históricos sobre a planta, que ele aponta como originária das Américas e da Ásia. Etimologicamente palavra tabaco “vem de huma das Cidades Mexicanas chamada Tabasco”. Outras hipóteses seriam que a palavra derivaria de Tabago, uma das Antilhas ou das canas ocas que índios americanos chamavam tabaco. Maia, sem explicar por que, julga que a primeira opção é a correta. 
 
Com relação aos nomes, o médico imperial diz que a planta era chamada de erva santa pelos portugueses, de Nicotiana pelos franceses, em homenagem a Nicot, que a introduziu na França, e que foi quem a enviou a Catarina de Medicis, razão porque também foi chamada de erva da rainha. 

Falando sobre algumas características da planta, o facultativo diz que ela era “vivaz no Brasil e em todos os países donde he natural, torna-se anual na França e em muitas partes da Europa para onde tem sido transplantada” e faz uma interessante analogia com o aleitamento materno, defendendo a amamentação pela mãe e não pelas amas de leite: “se os vegetaes degenerão quando são nutridos por hum solo estranho, muito mais devem soffrer os homens, corpos de huma organisação muito mais complicada, quando não são amamentados pelas próprias mãis”


As informações do artigo nos permitem avaliar o pensamento médico daquela época a respeito do tabaco, que mais tarde viria a se transformar no cigarro moderno, cujos malefícios hoje pensamos que conhecemos bem. Ao falar dos problemas do tabaco, o clínico expõe sua capacidade de provocar dependência: “o hábito do tabaco, uma vez contrahido, torna-se uma necessidade tão grande como o próprio alimento ou bebida”. Embora frequentemente mencione que o tabaco é um veneno, se empregado em doses altas, ele enfatiza seus efeitos terapêuticos na maior parte da publicação.


Segundo o conceituado esculápio, havia muitas qualidades benéficas do tabaco, que “tem sido de hum grande meio therapeutico, e grandes serviços tem prestado à medicina”. Seria útil nas cefalalgias, oftalmias, dores de dente e ouvido, facilitaria a circulação venosa, aliviaria acessos asmáticos. Atuaria também “contra as tosses húmidas, a paralysia da língua, e gota serena, produzida pela supressão de huma purgação habitual.” Era usado também por via interna, em pó, para o tratamento da hidropsia e disúria, na epilepsia, histeria, mania, nas febres quartãs, “e em todas as doenças soporosas; nestas últimas principalmente ele tem tirado algumas vezes pela sua prodigiosa atividade os doentes de huma morte quasi certa.” Extratos e xaropes eram preparados para servirem como expectorantes nas bronquites agudas e crônicas, nas tosses rebeldes e em alguns casos de asma.

Um emprego notável, citado por Maia era a utilização da via retal, pela introdução da fumaça do tabaco, ou o uso de clisteres de infusões ou decocções, para o tratamento de asfixias, hérnias, “ascarides vermiculares”, embaraços de ventre, cólicas, reumatismo e gota, para obter dejeções alvinas e vômitos. 

A via externa era utilizada para o tratamento de "úlceras de mao caracter, para as mudar em feridas frescas”, também para destruir piolhos e pulgas, para mordeduras de cobras, em bexigas confluentes e até no tétano.

O Dr. Maia mostrava-se particularmente entusiasmado com as propriedades terapêuticas da planta nas hemorragias internas. “E não será para admirar ver a fumaça do tabaco, ou o seu cosimento, fazer parar imediatamente uma hemorrhagia?”. Ele próprio atribuía a essa planta a cura de um doente de cólera, que tivera uma forte congestão pulmonar e lançava muitas golfadas de sangue pela boca. 


Alertava entretanto, que o tabaco em doses altas era um veneno terrível, capaz de provocar até mesmo a morte. A esse respeito, cita um caso ocorrido na Bélgica, que vale reproduzir aqui.

“Md.ª de Saint Tronel, sujeita à lombrigas, consultou para isto à hum Charlatão de Tirlemont (na Bélgica). Este aconselhou-a que tomasse duas oitavas de tabaco de fumar, que o posesse em infusão em oito onças de água, para fazer um clystel. Esta Sra. querendo ficar certa de ter destruído o inimigo, que a atormentava, havia muito tempo, em lugar das duas oitavas tomou duas onças de tabaco o mais forte, e em lugar de fazer uma simples infusão, o submmeteu à uma ebulição muito longa. O cosimento he injetado no recto. No mesmo instante esta Sra. grita, que estava no estado mais singular, que se achava como ébria, e immediatamente morre.” 

Postado por Neto Geraldes

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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Assam: o chá com gosto de suor indiano

14.05.2014
Na região que produz uma das variedades mais sofisticadas da planta, Banco Mundial ajuda transnacional a impor trabalho tão duro quanto no tempo do domínio britânico

Por Luis A. Gómez, no Opera Mundi

O seu trabalho, como o dos seus maridos e filhos, é mal pago. Recebem 12 centavos de dólar por quilo ou 17, se conseguirem mais de 25 quilos. Se não cumprirem uma cota diária, não são pagas. E essa história, que acontece todos os dias nas fazendas ou “jardins” de chá, como são chamados na Índia, repete-se há pelo menos 150 anos, todos os dias, em cada jardim.

Em Assam, no noroeste do país, é colhida quase a metade do chá que é exportado – preto ou verde, orgânico ou com fertilizantes. As grandes marcas, como Lipton, são clientes habituais dessas paisagens onduladas, nas quais o verde parece infinito. Uma delas, de propriedade da empresa hindu Tata, foi recentemente denunciada por três ONGs locais por abusos laborais.

As pobres condições de vida e de trabalho nos jardins de chá controlados pela Tata Beverages através da Amalgamated Plantations Private Ltd (APPL) — uma empresa financiada parcialmente pelo Banco Mundial – permitem à empresa explorar comunidades inteiras de trabalhadores. Eles vivem dentro dos seus territórios com salários menores do que dois dólares diários por pessoa, sem qualquer segurança social, com poucas oportunidades de estudo e, muitas vezes, escravizados por dívidas com agiotas e comerciantes.

“Não há muita diferença em relação aos demais jardins”, explica Wilson Hansda, daPeople’s Action for Development (PAD, Ação Popular para o Desenvolvimento). Entre as 850 fazendas e jardins em Assam, há alguns em que “as condições são piores e, inclusive, há registos de mortes por inanição de tempos em tempos”, relata Hansda.

Nada de novo, nem para os patrões e nem para o governo da Índia, como mostra um relatório do Instituto de Direitos Humanos da Columbia Law School apresentado a 16 de abril em Nova Délhi. O relatório, intitulado “Quanto mais as coisas mudam…” revela os motivos da ação contra a APPL (e, portanto, Tata) diante do Compliance Advisor Ombudsman, órgão autónomo de fiscalização do Banco Mundial.
Tudo começou há um século e meio, quando os britânicos obrigaram os indígenas a migrar para regiões produtoras de chá como servos do império e dos agiotas e donos de terras. Então, nasceram fortunas como a da família Tata, surgida do comércio colonial e da exploração de recursos naturais.

As tribos do chá

Tendo conquistado o sul da Ásia, os funcionários britânicos encarregados dos negócios começaram, no século XIX, a produzir as duas ervas mais importantes para a economia do seu império: o chá e o ópio. Para isso, disponibilizaram aos seus empresários as terras e mão de obra barata, quase gratuita.

Começaram as expropriações de terras em 1830, com agiotas, comerciantes e agentes da polícia a assediar as pequenas economias locais e a adquirir territórios das populações indígenas (quase sempre, por meio da força). Naqueles que hoje são os estados de West Bengal, Biar, Jharkhand, Orissa e Chhattisgarh, milhares de famílias adivasis (indígenas), dedicadas à agricultura local e a atividades florestais, perderam a sua casa e o seu sustento. “Comercialização forçada” de terras, foi como chamaram em Londres.

Não era uma política casual. Vários documentos daquele tempo, como a Tecnologia da Índia, de George Campbell, afirmavam que os povos indígenas dessa região (santal, ho, oraon, munda) eram ideais para o trabalho nos campos de chá. De modo que, logo que ficaram na miséria, muitos se transformaram em coolies, ou carregadores, nos jardins de Assam e na região vizinha de Darjeeling.

Os santal, hoje uma das maiores comunidades indígenas do país, rebelaram-se contra essas políticas em 1855. Liderados por Sido e Kanu Murmu, milhares de homens, mulheres e crianças combateram o exército colonial durante dois anos. Cerca de 20 mil santals morreram na revolta. Como elas fracassaram, a coroa britânica mudou as suas políticas e ditou leis para proteger os direitos dos indígenas.

Mas isso não mudou a sua realidade econômica e social. Nem acabou com as expropriações. Milhares de trabalhadores indígenas sem-terra mal conseguiram continuar a colher chá enquanto ocupavam barracas insalubres pelas quais pagavam um aluguel aos patrões. Assim nasceram as ainda chamadas “tribos do chá”, uma alcunha que serviu para os britânicos se esquecerem delas e de cuja vigência se vale o Estado hindu para negar os seus direitos.

O tempo parou

As duas fotos em sépia que acompanham essa reportagem foram tiradas por volta de 1870. As fotos em colorido são recentes. O que mudou durante esse tempo em Assam? Rejina Marandi, jovem escritora e académica santal nascida em Assam, diz que nas fotos antigas parece que apenas adultos trabalham nos jardins; “hoje trabalham lá meninas e meninos”. Wilson Hansda concorda com ela: “Nada mudou muito, está quase a mesma coisa, exceto que hoje você vê crianças muito pequenas trabalhando nos jardins, o que é verdadeiramente alarmante”.

Três milhões de indígenas trabalham na produção de chá em Assam. Muitos são crianças a trabalhar com os seus pais; apenas nos três jardins da APPL e Tata há 3 mil. Não existem escolas nem casas de banho para as mulheres, que sofrem profundos níveis de discriminação, conforme relata Marandi, já que as famílias privilegiam os homens para receber educação e melhores alimentos.

Por isso, as jovens indígenas que querem algo a mais da vida do que colher chá procuram trabalho fora dali. “Vítimas do tráfico, são enviadas para diferentes partes do país e submetidas a diversas atividades, como o trabalho doméstico e inclusive a prostituição. São retidas sob ameaças e não recebem salários nem podem contactar os seus pais”, conclui Marandi. Segundo a polícia, apenas em Assam, durante os últimos dois anos, já “se perderam” cerca de 14 mil jovens mulheres. Segundo as ONGs, poderia ser o dobro.

Nesses jardins de chá, onde o tempo parou, e as palavras e relações continuam a ser as mesmas há gerações, segundo Wilson Hansda, foi uma surpresa para a Ação Popular para o Desenvolvimento saber que os trabalhadores da APPL, em teoria acionistas da empresa, não melhoraram o seu nível de vida com uma reestruturação financiada com quase oito milhões de dólares pela International Finance Corporation (Cooperação Financeira Internacional), braço financeiro do Banco Mundial.

“Isso deu-nos a base para iniciar o nosso envolvimento com os temas de alguns dos jardins da APPL”, disse Hansda. PAD, PAJHRA (Promoção, Avanço, Justiça e Direitos Humanos para os Adivasi) e o Diretório Diocesano para o Serviço Social da Igreja do Norte da Índia apresentaram a denúncia em fevereiro de 2013 ao Banco Mundial. Assim começou outra história.

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