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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Alimentos que mudaram a história (pre.univesp.br)

As especiarias mudaram não apenas o padrão de alimentação, mas também o mapa do mundo 


Matheus Vigliar

Por Chris Bueno 

12/8/15 

Pimenta-do-reino, noz moscada, cravo, canela. Quem diria que essas especiarias, hoje tão facilmente encontradas em qualquer mercado, já foram responsáveis por uma verdadeira revolução? Há seis séculos, essas especiarias eram utilizadas para dar sabor e conservar alimentos e também na Medicina. Raras, eram vendidas a preço de ouro e, para consegui-las, grandes expedições eram realizadas – o que acabou mudando o mapa do mundo. 

As especiarias são produtos de origem vegetal (flor, fruto, semente, casca, caule ou raiz), que se destacam pelo aroma e sabor fortes. Cada região tem sua especiaria típica, Índia e China eram – e ainda são – origem das especiarias mais usadas. O comércio de especiarias existe desde a Antiguidade, mas é a partir do século XIV que as especiarias passaram a ter um novo valor. A dificuldade de trazer os produtos até a Europa e o preço altíssimo desses condimentos tornaram as especiarias artigo de luxo, e de muito desejo. “O comércio de especiarias na Europa expandiu-se com as Cruzadas, mas, após a Tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, a rota dos mercadores europeus foi bloqueada. Isso dificultou muito o comércio, aumentou o preço dos produtos e fez com que os países europeus buscassem novas rotas, especialmente marítimas”, conta Ana Rosa Domingues dos Santos, professora do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UNB) e especialista em história dos alimentos. 
A pimenta-do-reino, originária da Índia, era uma das especiarias mais procuradas. Era utilizada para temperar e conservar as carnes. O açafrão era usado para o mesmo fim. Canela, cravo-da-índia, noz-moscada e gengibre serviam para dar mais sabor aos alimentos. Além de temperar os pratos, havia a crença de que as especiarias tinham propriedades medicinais: a canela era considerada um tônico estomacal, o cravo era utilizado como antisséptico bucal e a noz-moscada para casos de digestão lenta, reumatismo e gota. 

Mais valioso do que ouro 

Todas essas características conferiam às especiarias um valor inestimável. Tanto que muitos comerciantes enriqueceram devido à venda de especiarias. Para se ter uma ideia, o valor da pimenta era tão alto que alguns estudos apontam que 60 kg do tempero chegaram a valer 52 gramas de ouro. Algumas fontes também informam que o navegador português Vasco da Gama obteve um lucro de 6.000% com o comércio de especiarias, em sua primeira viagem à Índia. O Mosteiro de Jerónimos, em Lisboa, foi construído com dinheiro vindo do comércio das especiarias que Vasco da Gama trouxe das Índias – o conjunto arquitetônico em estilo gótico, rico em detalhes, demonstrava a riqueza de Portugal na época. Hoje pertence à lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco). “Quem tinha acesso às especiarias eram geralmente os nobres, ou então comerciantes muito ricos. E elas eram utilizadas, acima de tudo, para ostentar essa privilegiada posição social”, aponta Santos. 

Consideras artigos de luxo, quando o soberano de uma nação queria homenagear alguém, era comum que desse de presente pequenas caixas com especiarias vindas do Oriente. De acordo com Rosa Nepomuceno, em seu livro O Brasil na rota das especiarias: o leva-e-traz de cheiros, as surpresas da nova terra (2005), “eram moeda de troca, dotes, heranças, reservas de capital, divisas de um reino. Pagavam serviços, impostos, dívidas, acordos e obrigações religiosas”. 

O comércio era ainda facilitado pelo fato desses produtos terem grande durabilidade e resistência a mofos e pragas, suportando bem as longas travessias por mar ou por terra. Essa oportunidade comercial fez surgirem organizações comerciais capazes de levantar capital necessário às expedições para buscar as especiarias. Essa é a origem das companhias das Índias Orientais (sul da Ásia, do atual Paquistão à Indonésia) e das Índias Ocidentais (como era conhecido o continente americano). “Acredita-se que o comércio das especiarias deu origem ao mercado de ações, pois muitas vezes comprava-se a carga do navio que ainda ia partir em expedição – ou seja, comprava-se um produto que ainda não existia”, diz Santos. 

Grandes navegações 

O alto valor das especiarias também era devido aos grandes custos das expedições necessárias para consegui-las e ao grande número de atravessadores que integravam sua circulação. Para tentar contornar essa situação, muitos países europeus – especialmente Portugal e Espanha – buscavam rotas alternativas para adquirir essas mercadorias na sua fonte, cortando assim parte das despesas e aumentando o lucro. “É importante ressaltar que as especiarias não eram o único produto comercializado nas grandes navegações. Artigos de luxo, como marfim, porcelanas, seda, perfumes e tapetes também eram alvo dos navegadores”, explica Santos. 

A busca por novas rotas marítimas, que não fossem dominadas por um grupo ou ameaçadas pela presença de piratas, foi um fator importante para o início da Era dos Descobrimentos. Em seu artigo A história sob o olhar da química: as especiarias e sua importância na alimentação humana (2010), Ronaldo da Silva Rodrigues e Roberto Ribeiro da Silva afirmam que: “o processo de efetiva ocupação da América pelos europeus a partir do século XVI foi ocasionado, inicialmente, pela necessidade desses povos em traçar novas rotas para tornar mais acessível o comércio das especiarias”. A busca por novas rotas para efetivar o comércio de especiarias lançou várias nações ao mar, com destaque para os portugueses e espanhóis, que possuíam maior tecnologia de navegação da época. Através dessas grandes expedições, os portugueses acabaram chegando ao continente americano. 

“O comércio de especiarias têm uma importância histórica imensa, pois além dos produtos, os viajantes traziam um pouco da história, da cultura e dos costumes desses povos. E, da mesma forma, levava-se um pouco do continente europeu para esses lugares. Estabeleceu-se, assim, um verdadeiro intercâmbio, que mudou a alimentação, o comércio e até mesmo o mapa do mundo”, enfatiza Santos. 

Além do gosto - Além da descoberta de novas rotas e novos mundos, as grandes navegações também incentivaram o desenvolvimento de várias áreas do conhecimento. Para tornar a navegação mais segura e eficiente, desenvolveu-se a engenharia, com a invenção de máquinas e melhorias nas embarcações, a astronomia, para aprimorar a navegação noturna, e a cartografia, representando mais detalhadamente as novas rotas e as novas terras encontradas. Em Portugal, o príncipe Dom Henrique reuniu na cidade de Sagres vários navegantes, cartógrafos, marinheiros e cosmógrafos dispostos a desenvolver conhecimentos no campo marítimo, criando assim a famosa Escola de Sagres. O comércio também se desenvolveu e, consequentemente, as cidades também, com avanços na arquitetura e até mesmo na higiene. 

Link:

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Plantas denominadas de açafrão no Brasil - I

Texto: Carolina Nujo
Engenheira de Alimentos

A palavra açafrão tem origem do árabe “az-za’afran” e significa “ser amarelo”. No Brasil existem diferentes espécies que são conhecidas popularmente como açafrão. Embora sejam classificadas como condimentares e tenham em comum a função de dar cor às preparações culinárias e até mesmo para usos nas indústrias têxtil e alimentícia, estas espécies são de diferentes famílias e possuem características distintas de acordo com o seu lugar de origem. 

Dentre as plantas conhecidas como açafrão no Brasil, podemos destacar a Crocus sativus (açafrão verdadeiro), a Curcuma longa L. (açafrão-da-índia) e o Carthamus tinctorius (açafrão-bastardo). Em algumas regiões, o urucum (Bixa orellana) é também denominado de açafroeira.

As propriedades condimentares e coloríficas do C. sativus estão na flor e na C. longa estão nos rizomas. No C. tinctorius estão nas flores e nas sementes, de onde se extrai seu óleo.

Açafrão-verdadeiro - Crocus sativus

O Crocus sativus é originário da Índia, Balcãs e Mediterrâneo Oriental. Pertence à família Iridaceae. 

É conhecido popularmente como açafroeira, açaflor, açafrão-oriental, flor-de-hércules, dentre outros. Atualmente, é cultivado na Espanha, França, Itália, Índia e Médio Oriente pelo valor comercial elevado do condimento a que dá origem, sendo mais caro que o ouro. 

O motivo desta especiaria ser tão cara é devido ao baixo rendimento, por ser extraído dos 3 finos estigmas e estiletes da flor da planta. Para obter um quilo deste açafrão é necessário recolher mais de 150.000 flores. Todo o processo, tanto a coleta de flores, como o beneficiamento de cada um dos estigmas da flor, é feito à mão. Devido ao preço este açafrão verdadeiro é também conhecido como ouro vermelho. 

A bela cor de açafrão fornece maravilhosas refeições, por seu sabor e pelo aroma inconfundíveis. Sua característica é o sabor ligeiramente amargo devido aos pigmentos solúveis em água. É muito valorizado na culinária e na indústria alimentícia. 

Na culinária é muito versátil, pois está envolvido em uma série de preparativos, como, por exemplo, ensopados, carnes, peixes, ovos, molhos, legumes e frutos do mar. É um ingrediente essencial em pratos de arroz, de macarrão e na tradicional paella, prato típico espanhol, o qual quando preparado tem sua coloração dourada por causa do condimento.

As suas utilizações medicinais muito exploradas na Idade Média caíram em desuso, embora na fitoterapia chinesa continuem a ser usado para aliviar dores abdominais e espasmos brônquicos. 

Vários dos seus constituintes têm sido investigados pelas suas atividades antioxidantes, antitumorais, protetoras contra a agentes carcinogênicos, e ainda na redução do colesterol. A coloração vermelho-escura dos estigmas é devida à existência de heterósidos do grupo dos carotenoides, nomeadamente a crocina, que é o diéster da crocetina e da gentobiose. Possui óleo essencial (1%) onde predomina o safranal com propriedades espasmolíticas e carminativas e ainda um glucósido amargo, a picrocrocina (4%) com ação digestiva e eupéptica.

Próximo texto sobre a Curcuma longa.

No último texto as referências.

sábado, 23 de novembro de 2013

A história das especiarias

By Nupejoc | 8 de novembro de 2011

O dinheiro atualmente faz o mundo girar, mas por muito tempo, este papel foi desempenhado pelas especiarias. Este é o tema do History of Spice que resgata um pouquinho da história e da influência dos condimentos pelo mundo.

O trabalho traz várias informações legais, como um “termômetro de ardência” de pimentas – condimento que representa 60% das vendas de especiarias. Uma linha do tempo que mostra os diferentes usos das especiarias (para embalsamar mortos, como remédio, como perfume, como incenso e, claro, como tempero na comida). Mix de condimentos encontradas em alguns países, como a Pumpkin pie Spice nos Estados Unidos que consiste na mistura de canela, noz-moscada, gengibre e cravo. E um tradicional gráfico-pizza, que apesar da simplicidade, desempenha muito bem seu papel deixando visualmente claro que mais da metade da produção mundial de condimentos concentra-se na Índia.
O site Cool Infographics fez um post sobre o trabalho no qual além dos elogios, fez uma observação importante: Afinal, o que significa o tamanho do círculos no mapa?

Por Natália Pilati

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Hunter-Gatherers' Taste for Spice Revealed

Aug. 22, 2013 — Our early ancestors had a taste for spicy food, new research led by the University of York has revealed.
Early contexts from which spices have been recovered, with photomicrographs of globular sinuate phytoliths recovered from the pottery styles illustrated. (Credit: Saul H, Madella M, Fischer A, Glykou A, Hartz S, et al. (2013) Phytoliths in Pottery Reveal the Use of Spice in European Prehistoric Cuisine. PLoS ONE 8(8): e70583. doi:10.1371/journal.pone.0070583)


Archaeologists at York, working with colleagues in Denmark, Germany and Spain, have found evidence of the use of spices in cuisine at the transition to agriculture. The researchers discovered traces of garlic mustard on the charred remains of pottery dating back nearly 7,000 years.

The silicate remains of garlic mustard (Alliaria petiolata) along with animal and fish residues were discovered through microfossil analysis of carbonised food deposits from pots found at sites in Denmark and Germany. The pottery dated from the Mesolithic-Neolithic transition from hunter-gathering to agriculture.

Previously scientists have analysed starches which survive well in carbonised and non-carbonised residues to test for the use of spices in prehistoric cooking. But the new research, which is reported in PLOS ONE, suggests that the recovery of phytoliths -- silicate deposits from plants -- offers the additional possibility to identify leafy or woody seed material used as spices, not detectable using starch analysis. Phytoliths charred by cooking are more resilient to destruction.

Lead researcher Dr Hayley Saul, of the BioArCH research centre at at the University of York, said: "The traditional view is that early Neolithic and pre-Neolithic uses of plants, and the reasons for their cultivation, were primarily driven by energy requirements rather than flavour. As garlic mustard has a strong flavour but little nutritional value, and the phytoliths are found in pots with terrestrial and marine animal residues, our findings are the first direct evidence for the spicing of food in European prehistoric cuisine.

"Our evidence suggests a much greater antiquity to the spicing of foods in this region than is evident from the macrofossil record, and challenges the view that plants were exploited by hunter-gatherers and early agriculturalists solely for energy requirements, rather than taste."

The research also involved scientists at the Institució Catalana de Recerca i Estudis Avançats, Institución Milá i Fontanals, Spanish National Research Council, Barcelona, Spain; the Danish Agency for Culture, Copenhagen, Denmark; the Institute of Prehistoric and Protohistoric Archaeology, University of Kiel, Kiel, Germany. And Stiftung Schleswig-Holsteinische Landesmuseen, Schloβ Gottorf, Schleswig, Germany.

The research was funded by the UK Arts and Humanities Research Council.

Journal Reference:
Hayley Saul, Marco Madella, Anders Fischer, Aikaterini Glykou, Sönke Hartz, Oliver E. Craig. Phytoliths in Pottery Reveal the Use of Spice in European Prehistoric Cuisine. PLoS ONE, 2013; 8 (8): e70583 DOI:10.1371/journal.pone.0070583

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