Mostrando postagens com marcador Homeopatia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homeopatia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Revista lança dossiê sobre “Evidências Científicas em Homeopatia”

Dossiê busca levar à classe médica e científica, assim como ao público em geral, o estado da arte da pesquisa homeopática

Por Redação - Editorias: Ciências da Saúde

A Câmara Técnica de Homeopatia do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) elaborou o dossiê especial Evidências Científicas em Homeopatia, que acaba de ser disponibilizado no site da Revista de Homeopatia da Associação Paulista de Homeopatia (APH).

Englobando 11 revisões sobre diversas linhas de pesquisa existentes nos mais variados campos da ciência, as quais comportam centenas de artigos científicos publicados em periódicos distintos, esse dossiê busca levar à classe médica e científica, assim como ao público em geral, o estado da arte da pesquisa homeopática:

De acordo com Marcus Zulian Teixeira, coordenador de disciplina sobre o tema na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), apesar das dificuldades e limitações existentes para o desenvolvimento de pesquisas na área, tanto pelos aspectos metodológicos quanto pela ausência de apoio institucional e financeiro, “o conjunto de estudos experimentais e clínicos citados, que fundamentam os pressupostos homeopáticos e confirmam a eficácia e a segurança da terapêutica, é prova inconteste de que existem evidências científicas em homeopatia”.

Nas palavras do médico e um dos editores da publicação, busca-se esclarecer os colegas de profissão sobre a validade do emprego da homeopatia segundo princípios éticos e seguros. “Dessa forma, poderemos trabalhar unidos em torno da ‘mais elevada e única missão do médico que é tornar saudáveis as pessoas doentes, o que se chama curar’ (Samuel Hahnemann, Organon da arte de curar).”

Mais informações: e-mail mzulian@usp.br, com o professor Marcus Zulian Teixeira

Link:

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Efeito rebote ajuda a entender a cura homeopática

Por Valéria Dias - valdias@usp.br
Publicado em 19/agosto/2013

O efeito rebote de alguns medicamentos ‘alopáticos’ pode explicar o princípio de cura utilizado na homeopatia. É o que garante o médico e pesquisador Marcus Zulian Teixeira, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em seu artigoImmunomodulatory drugs (natalizumab), worsening of multiple sclerosis, rebound effect and similitude, publicado no final de julho no periódico britânico Homeopathy e disponível neste link.
O que a alopatia chama de efeito rebote, na homeopatia é considerado ação terapêutica

“O artigo traz dados para a fundamentação científica do princípio de cura homeopático perante a farmacologia moderna. O fenômeno que a farmacologia clássica chama de ‘efeito rebote’ é o que a homeopatia utiliza como resposta terapêutica, uma ação secundária do organismo. Buscando despertá-la, é realizada a prescrição dos medicamentos homeopáticos. E as doses são ínfimas, pois têm o objetivo de estimular uma reação do organismo sem causar efeitos adversos”, explica Zulian Teixeira.

Medicamentos ‘alopáticos’ atuam a partir do “princípio dos contrários” — de forma contrária ou paliativa aos sintomas das doenças: anti-inflamatórios, antitérmicos, antidepressivos, antiácidos. Efeito rebote é o agravamento dos sintomas clínicos ocasionado pela suspensão abrupta desses medicamentos. É também chamada de “reação paradoxal ou secundária”: uma reação contrária do organismo, numa tentativa de manter a homeostase (equilíbrio fisiológico interno) alterada pelo fármaco, e que pode ocorrer com medicamentos que atuam contrariamente aos sintomas das doenças.

Na homeopatia, os medicamentos atuam a partir do “princípio da similitude”: toda droga capaz de despertar determinados sintomas em pessoas sadias pode ser utilizada para despertar uma reação curativa em pessoas doentes com os mesmos sintomas. “O tratamento utiliza substâncias que causam sintomas semelhantes aos das doenças, a fim de estimular uma reação do organismo contra os próprios sintomas”, esclarece. “O café, que causa insônia, é utilizado homeopaticamente para tratar a insônia; a camomila, que causa cólica, é utilizada homeopaticamente para tratar a cólica; a beladona, que causa febre, é utilizada homeopaticamente para tratar a febre, etc.”, esclarece. “Essa ação homeostática, vital ou secundária do organismo é cientificamente explicada pelo efeito rebote das drogas alopáticas”, defende.

Citando como exemplo a endometriose, que consiste na presença de células do endométrio (que revestem o útero) fora deste órgão, Zulian explica que a doença é estrogênio-dependente. “Os medicamentos alopáticos receitados para tratá-la inibem a produção deste hormônio, mas um dos efeitos colaterais é a masculinização das pacientes. Segundo a concepção homeopática, poderíamos pensar em receitar o estrogênio ultradiluído ou dinamizado, em doses infinitesimais para não causar agravamento da doença, com o intuito de despertar a reação curativa do próprio organismo”, explica.

Segundo o pesquisador, remédio homeopático pode ser qualquer substância (sintética ou natural) que cause sintomas em uma pessoa e seja empregado em conformidade com o princípio da similitude. O médico homeopata leva em conta os aspectos emocionais e psíquicos do paciente e o tratamento é individualizado.

Natalizumabe

Zulian realizou uma revisão de literatura a partir da análise de artigos científicos sobre o efeito rebote do natalizumabe, droga usada para tratar esclerose múltipla (EM). A doença auto-imune ataca o sistema nervoso central (SNC): os linfócitos T (anticorpos do organismo) se proliferam e ultrapassam a barreira hemato-encefálica, entram no SNC e destroem a bainha de mielina, a camada protetora dos neurônios. Sem a bainha de mielina, o neurônio pode ser comparado a um “fio desencapado” que não consegue transportar eficientemente os impulsos elétricos aos outros neurônios. Sem poder transmitir esses sinais elétricos, o SNC vai se degenerando, levando, progressivamente, à deficiência motora e consequente paralisia, podendo causar a morte. “Cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem da doença”, diz o médico.

A esclerose múltipla não tem cura, mas o natalizumabe é um medicamento que reduz com eficácia a intensidade e a frequência das crises. A droga impede a migração dos linfócitos T até o encéfalo. Mas quando interrompida abruptamente, pode causar o efeito rebote em torno de 10% dos pacientes. “Estudos observacionais indicam que, em 2012, cerca de 100 mil pacientes utilizavam o natalizumabe; assim sendo, 10 mil deles poderiam estar suscetíveis ao efeito rebote”, aponta.

Efeito rebote

Antidepressivos, como a fluoxetina, são outro exemplo. Num primeiro momento, a droga diminui os sintomas, mas se a medicação é suspensa de forma abrupta, pode piorar os sintomas da depressão, e até levar à ocorrência de suicidalidade, que são pensamentos ou tentativas de suicídio. “Os antidepressivos causam 5 efeitos rebote de suicidalidade em cada mil adolescentes por ano / uso, acometendo em 2007, apenas nos EUA, cerca de 16.500 jovens”, alerta.

Para o pesquisador, é preciso informar os profissionais de saúde e a população sobre os problemas de saúde que o efeito rebote pode causar. “Uma maneira de evitá-lo é retirar a droga lentamente, pois a interrupção abrupta pode estimular essa reação secundária”, finaliza.

Imagem: Marcos Santos / USP Imagens

Mais informações: email mzulian@usp.br, com Marcus Zulian Teixeira ou sites http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23870382,http://www.homeozulian.med.br ehttp://www.novosmedicamentoshomeopaticos.com

Link:

sábado, 9 de maio de 2015

Homeopatia em plantas e animais, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] A homeopatia é conhecida das ciências agrárias há mais de 2 séculos, como atesta Andrade (2000), citado por Lorenzetti (2014), ainda existe enorme carência de pesquisas envolvendo plantas. Certamente esta realidade tem a ver com o modelo atualmente hegemônico e os interesses econômicos envolvidos. No campo veterinário, segundo Cruz (2006), o interesse pela homeopatia é crescente devido às restrições impostas ao uso de certas substâncias farmacológicas pelos mercados consumidores das proteínas. Em seu trabalho cita a eficiência de certas substâncias homeopáticas utilizadas.

Arenales (2002), também citado por Lorenzetti (2014) destaca que a homeopatia não tem tradição no controle de insetos, mas que sua evolução resulta em medicamentos que não sofrem restrições e não provocam danos aos animais e aos consumidores dos produtos de origem animal gerados. Também não geram alterações ambientais e nem alterações ao odor ou sabor dos produtos. No meio animal a utilização de homeopatia é mais corrente que no meio vegetal.

Na agricultura os primeiros registros citados são atribuídos a Rudolf Steiner, idealizador da agricultura biodinâmica. A agricultura biodinâmica enfatiza o uso de preparações dinamizadas que sintetizam questões energéticas.

A homeopatia guarda extrema conformidade com as bases da agricultura orgânica onde a biodiversidade e os princípios naturais são respeitados. Assim como na legislação orgânica brasileira, se procura entender os sistemas produtivos como base para a obtenção de equilíbrio vital (Casali et. Al., 2001). Rossi (2004), citado por Lorenzetti (2014), assevera que embora esteja em estado incipiente, a homeopatia tem um potencial muito amplo, pois harmoniza o meio ambiente e os cultivos de plantas inseridos no sistema, possibilitando a produção de alimentos saudáveis em sistemas de cultivos estritamente equilibrados com as condições ambientais.

A homeopatia aplicada a cultivos vegetais tem sido chamada de agrohomeopatia, e segundo Lorenzetti (2014) era uma área do conhecimento humano que iniciou com pouca relevância, mas hoje se expande por diversas instituições de pesquisa, ensino e extensão em todo o país. Este autor cita grupos de pesquisa proeminentes na Índia, França, Alemanha, Itália e México.

Na Universidade de Bologna as pesquisas atingiram resultados relevantes e citados com hortaliças. Lorenzetti (2014) cita no país, a Universidade Federal de Viçosa e a Universidade Estadual de Maringá, como expoentes. Mas o que realmente importa é que a concepção de agricultura como se fosse uma indústria, ou uma produção contínua de plantas, deve ser alterada para uma produção com concepção que deve ser sistêmica e inserida nos ecossistemas locais, na busca do mais completo e integral equilíbrio.

Existe consciência de que está modificação, paradigmática e fundamental, não ocorrerá em uma ou em poucas gerações. Produção vegetal não podem ser concebidas como linhas de montagem, como se fossem estruturas “fordistas”, pois exigem cuidados com a infinitude de fatores ambientais, em busca de equilíbrio ecossistêmico e plena manutenção da biodiversidade, para garantir a operação e o funcionamento de todos os serviços ambientais disponibilizados.

E se sabe que este pode ser um serviço ambiental inestimável e oneroso, que necessite ser remunerado e se reconhece esta abordagem. Resta saber qual é a melhor solução. Consumidores e contribuintes nacionais poderão estar cada vez mais vinculados. Quando a destinação for preferencialmente exportadora, nada mais adequado do que o repasse dos custos aos mercados finais. Os países da comunidade européia e do primeiro mundo em geral, estão cada vez mais preocupados com esta realidade ou utilizando questões ambientais para gerar proteções de mercados, mas no momento, não importa discutir isto.

Não é necessário que ocorram restrições de mercados consumidores animais ou vegetais para que se reconheça esta realidade e se organizem sistemas produtivos equilibrados e harmonizados em termos ambientais, que caminhem em direção à sustentabilidade e que garantam melhor qualidade de ambiental e qualidade de vida para as presentes e as futuras gerações. Como diria aquela publicidade de cartão de crédito: isto não tem preço, a ser apropriado.

Referência:

ARENALES, M. C. Homeopatia em gado de corte – I Conferência Virtual Global sobre Produção Orgânica de Bovinos de Corte – 02 de setembro à 15 de outubro de 2002, Universidade do Contestado Concórdia – SC e Embrapa Pantanal – Corumbá – MS

ANDRADE, F. M. C. Homeopatia no crescimento e produção de cumarina em chambá Justicia pectoralis Jacq. Viçosa, Mg: UFV, 2000 124f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia), Universidade Federal de Viçosa, 2000

CASALI, V.W.D., CASTRO, D. M., ANDRADE, F. M. C. Homeopatia vegetal. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE HORTICULTURA ORGÂNICA, Natural, Ecológica e Biodinâmica, 1, 2001, Piracicaba. Resumos… Botucatu: Agroecológica, 2001. p. 235-236.

CRUZ, J. F.; VIANA, A. E. S.; OLIVEIRA, D. F.; FERRAZ, R. C. N.; MAGALHÃES, M. P.; SANTOS, D. D.; CRUZ, R. S.; CRUZ, A. D.; ZACHARIAS, F. A homeopatia como ferramenta de controle de helmintos gastrintestinais em caprinos criados em sistema extensivo. A Hora Veterinária, v. 26, n. 154, p. 37-40, 2006.

LORENZETTI, E. R. Agrohomeopatia – uma nova ferramenta ao alcance do agricultor. In.: http://portaldahorticultura.xpg.uol.com.br/agrohomeopatia.html. Portal da Horticultura, acesso em 19/08/2014 as 14h.

ROSSI, F. et al. Cultura Homeopática, São Paulo, v. 3, n. 7, 2004, p. 12-15

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

Publicado no Portal EcoDebate, 08/05/2015
"Homeopatia em plantas e animais, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, 8/05/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/05/08/homeopatia-em-plantas-e-animais-artigo-de-roberto-naime/.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Homeopatia agrícola, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Lorenzetti (2014) em artigo publicado no Portal da Horticultura realiza minuciosa descrição sobre as origens e a evolução e desenvolvimento das aplicações homeopáticas na agricultura em geral. Este autor não deixa de referir os enormes avanços obtidos pelos egípcios e já registrados em manifestações anteriores. Os egípcios cultivaram as várzeas do rio Nilo, utilizando a lama enriquecida em nutrientes e a irrigação para incrementarem suas colheitas de cereais e habitando nas porções mais elevadas desta bacia hidrográfica. Cita também a rotação de culturas, que ganhava a denominação de pousio, e que notabilizou a evolução agrícola europeia durante a idade média.

O uso de fertilizantes minerais permitiu recuperar rapidamente solos que se encontravam esgotados em nutrientes. Então o problema maior passaram a ser as doenças e pragas, que primordialmente eram combatidas com produtos químicos. Ao menos no chamado “agrobusiness” este modelo perdura até hoje, transformando agricultores e profissionais do setor em seguidores de modelos pré-definidos (Khatounian, 2001). Não existe qualquer julgamento de valor ou crítica pela crítica nesta constatação, mas o manifesto de que o desafio de procurar estabelecer novos paradigmas não deve estar restrito a pequenos agricultores ou agricultores familiares, mas é um repto que deve motivar a todos.

Não é aqui o foro para discutir viabilidades logísticas e operacionais de modelos alternativos de manejo agrícola. Mas é aqui que se deve começar a conceber alternativas mais harmônicas com a natureza e os ecossistemas e que possam ser eficazes e eficientes da mesma forma. Em toda a história da agricultura sempre existiram e foram consistentes e amparadas por concepções profundas e bem antigas, o desenvolvimento que visavam retomar e desenvolver antigas práticas agrícolas e a concepção da aplicação da homeopatia vegetal ou animal é apenas mais uma delas.

O eixo motivador destas iniciativas sempre foi caracterizado na denominação de “práticas orgânicas”, mesmo muito antes de, adequadamente, a legislação brasileira definir práticas deste tipo por aplicações de sistemas produtivos em harmonia com ecossistemas naturais. Altieri (sem data) citado por Lorenzetti (2014) já ressalta que a agroecologia e suas variantes engloba diversos ramos científicos, com elementos sociais, humanos e absoluto respeito pela manutenção e absorção dos conhecimentos e saberes tradicionais e históricos. As novas ferramentas para auxiliar em modelos de produção mais sustentáveis e menos impactantes ao ambiente natural são cada vez mais necessárias. Iniciadas com o emprego de extratos e óleos essenciais (Stangarlin, 2007), estas iniciativas rapidamente evoluíram para abordagens e apropriações homeopáticas.

Segundo Lorenzetti (2014), no país, a Instrução Normativa 07 permite utilização da homeopatia na agricultura orgânica. A grande vantagem da homeopatia é a visão holística ou integradora, que não segrega o ente de sua doença ou do causador da moléstia. Desde Hipócrates, em 460 AC, já se sabia a importância da semelhança ou similitude. Asclépio ou Esculápio popularizaram na Grécia a concepção de “farma ou farmachi”. Tudo é remédio ou veneno, depende da dosagem. Somente Galeno (201 a 131 AC) é que popularizaria a cura alopática onde se hegemoniza a cura pelo contrário.

Somente em 1.796, o médico alemão Cristiano Frederico Samuel Hahnemann compila e publica seus estudos, que fundamentam a ciência homeopática. Em vegetais até hoje existe ausência de fundamentação desta natureza, mas nem por isso as tentativas carecem de resultantes. A homeopatia se baseia em cura pela semelhante quando é mobilizada a capacidade imunológica dos organismos, com experimentação em seres sadios, doses de medicamento mínimas e dinamizadas e substância única.

Não é objeto do presente artigo, discutir abordagens tecnicistas sobre o emprego ou não de princípios clássicos da homeopatia, desenvolvidos em organismos e agora adaptados para plantas. A questão é lançar idéias que germinem como sementes em solos férteis e que possam ajudar a pujante agricultura, e os notáveis resultados obtidos da pecuária a serem cada vez mais compatibilizados ou harmonizados com as características e variantes apresentadas pelos ecossistemas e o meio natural.

Com a importante redução dos impactos gerados no meio ambiente pela aplicação excessiva de, herbicidas, fungicidas e pesticidas. Que já representam quantidades aparentemente excessivas e exageradamente impactantes para os meios naturais, e correspondem a valores relativamente assustadores, movidas por mercados que cada vez mais impõe interesses que a bastante tempo correspondem a preocupações vinculadas meramente a aspectos econômicos.

Apresentando o país, tão elevada vocação agrícola, considerando-se sua extensão, clima, recursos humanos e tecnológicos, e outros fatores, ninguém deve negligenciar a oportunidade de contribuir para o debate e a evolução de todo o setor em direção a parâmetros de maior sustentabilidade, com a melhoria da qualidade ambiental e da qualidade de vida de todos os atores envolvidos nestes cenários.

Referências:

ALTIERI, M. A. Agroecologia: una ciencia nueva para enfrentar los desafios de la agricultura sustentable del siglo XXI, University of California, Berkeley.

LORENZETTI, E. R. Agrohomeopatia – uma nova ferramenta ao alcance do agricultor. In.:http://portaldahorticultura.xpg.uol.com.br/agrohomeopatia.html. Portal da Horticultura, acesso em 19/08/2014 as 14h.

STANGARLIN, J. R. Uso de extratos e oleos essenciais no controle de doenças de plantas – Fitopatologia Brasileira, Maringá, v. 32 suplemento, ago 2007, p.94–96.

KHATOUNIAN, C.A. A reconstrução ecológica da agricultura, Botucatu: Agroecológica, 2001, 348p.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Publicado no Portal EcoDebate, 05/05/2015
"Homeopatia agrícola, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, 5/05/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/05/05/homeopatia-agricola-artigo-de-roberto-naime/.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Liga possibilita aos alunos de Medicina da Unicamp acesso aos fundamentos da Homeopatia



Entrevista: Patricia Brandimarti
Qual o espaço destinado à Homeopatia e a outras práticas integrativas e complementares nas faculdades? 

Segundo profissionais e estudantes, este espaço é reduzido ou até inexistente. Desta forma, os estudantes estão sendo privados de conhecimentos na área dos cuidados da saúde que são vigentes e que serão necessários na vida profissional, na medida em que são recursos de cuidados fomentados pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

O que fazer para mudar isso? 

O caminho encontrado por alguns alunos de faculdades das áreas médicas estão se organizando em Ligas que representam coletivos de resistência contra este processo de discriminação. É o caso da Liga de Homeopatia da Medicina da Unicamp (LHMU). Para saber mais sobre a história e o trabalho desenvolvido pela LHMU, o Ecomedicina entrevistou uma de suas coordenadoras, Patricia Brandimarti. Confira!

Ecomedicina: Conte um pouco da história da Liga. Qual o nome quando e como surgiu? Qual foi a motivação e o objetivo da criação dela?

Patricia Brandimarti: A Liga de Homeopatia da Medicina da Unicamp nasceu da preocupação de alguns alunos com a falta de uma disciplina que abordasse os fundamentos da Homeopatia (considerada especialidade médica desde 1980 pelo Conselho Federal Medicina) dentro da graduação do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas.

Era o ano 2000 e os alunos da recém-ingressada 38ª turma de Medicina assistiram à realização do congresso “A Homeopatia no século XXI”, promovido pelo Departamento de Homeopatia da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) e realizado nas dependências da Unicamp numa tentativa de estabelecer o diálogo "Homeopatia e Universidade". Mesmo após brilhantes palestras, a FCM manteve sua posição: apesar da reforma curricular em curso na instituição, a Homeopatia não seria ensinada aos alunos de medicina.

Assim, um grupo de alunos interessados em continuar o estudo da Homeopatia passou a reunir-se semanalmente e foi criado um grupo de estudos, considerando inadmissível a formação médico-acadêmica sem que exista ao menos a possibilidade de obter informações sobre a doutrina homeopática. Em 2001, este pequeno grupo foi elevado à categoria de Liga Estudantil, constituindo-se então a Liga de Homeopatia de Medicina da Unicamp (LHMU).

Trata-se de uma entidade filiada ao Centro Acadêmico, e, portanto reconhecida pela Diretoria da faculdade. É uma associação civil sem fins lucrativos e fruto de uma iniciativa 100% estudantil com o objetivo de possibilitar aos alunos o acesso aos fundamentos da Homeopatia clássica e contribuir para uma melhor e mais completa formação médica e ética dos alunos, a qual exige a aquisição de pressupostos teóricos e científicos das diferentes formas da prática médica, para que possam instruir seus pacientes a respeito das diversas possibilidades terapêuticas.

A Liga conta com a orientação do Prof. Dr. Milton Lopes de Souza, docente da Clínica Médica da FCM-UNICAMP e médico homeopata formado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), e do Dr. Ruy Madsen Barbosa Neto, fundador da Liga de Homeopatia da Medicina da Unicamp, médico homeopata com título de Especialista pela AMHB, com graduação em Medicina e residência médica em Pediatria pela UNICAMP.

Ecomedicina: Neste período que trabalho vem sendo feito e quais têm sido os resultados obtidos?

Patricia Brandimarti: Desde a sua fundação, a Liga possui um calendário anual que inclui atividades de ensino, pesquisa e extensão. Dentro das atividades de ensino estão as aulas semanais da Liga durante o intervalo do almoço dos alunos da graduação. Podem participar estudantes de Medicina do 1º ao 6º ano e também estudantes de outros cursos da área da Saúde e também de outras áreas. O tema das aulas tem se mantido com poucas variações ao longo dos anos, principalmente devido à inexistência de uma disciplina curricular na grade horária do curso de Medicina que aborde essa especialidade médica, sendo necessário primeiro introduzir os fundamentos da Homeopatia para que depois seja possível desenvolver aulas mais temáticas. A Liga oferece, também, o Curso Introdutório às Práticas Integrativas, juntamente com a Liga de Medicina Integrativa e a Liga de Acupuntura, para que os calouros e outros interessados possam ter uma prévia do que é a Homeopatia e outras racionalidades médicas.

Complementando as atividades de ensino, a Liga contou com atividades ambulatoriais, nas quais os ligantes podiam acompanhar atendimentos no Hospital das Clínicas da Unicamp conduzidos por médicos homeopatas. No entanto, devido à ausência de médicos homeopatas para continuar tocando o ambulatório e à inexistência de interesse da FCM em manter a atividade de forma institucional, o mesmo foi desativado por volta de 2006-2007.

Em relação à pesquisa, atualmente estamos desenvolvendo uma para avaliar o Conhecimento em Homeopatia e em 2014 iremos realizar uma experimentação patogenética de medicamentos homeopáticos com participantes da Liga de Homeopatia e quem mais quiser participar, desde alunos de outros cursos até funcionários da Unicamp. Outras pesquisas já foram conduzidas em anos anteriores e podem ser encontradas no site: https://sites.google.com/site/ligahomeopatiamedunicamp/atividades/pesquisa/trabalhosconcluidos.

Já as atividades de extensão incluem a participação e organização de eventos de Homeopatia ou que promovam seus interesses. Já foram realizadas oito edições do Simpósio Médico-Acadêmico de Homeopatia da Unicamp com a participação de médicos e médicas homeopatas de grande relevância no cenário nacional. A Liga também participou dos três encontros entre Ligas de Homeopatia do Estado de São Paulo. Para 2014 estamos nos planejando para realizar o IX Simpósio Médico-Acadêmico de Homeopatia da Unicamp juntamente com o IV Encontro de Ligas de Homeopatia do Estado de São Paulo. Além disso, a LHMU participa anualmente dos eventos: Unicamp de Portas abertas e Workshop da Medicina Unicamp como forma de divulgação da Homeopatia e das atividades da Liga. No Dia da Homeopatia (21 de novembro) também promovemos a divulgação de informações sobre a Homeopatia em redes sociais.

Acreditamos que os principais resultados podem ser mensurados pela permanência e sobrevivência da Liga durante esses 13 anos, disseminando o conhecimento da Homeopatia entre futuros médicos e também pela aprovação da disciplina eletiva MD878 – Introdução à Medicina Integrativa no final de 2012. Após um ano de discussões envolvendo o professor Nelson Filice do Departamento de Saúde Coletiva da FCM, as ligas de Acupuntura, Homeopatia e Medicina Integrativa e a coordenadoria do curso de Medicina, foi possível essa conquista.

Apesar do caráter eletivo, já consideramos a sua existência como um primeiro passo para que o aluno de Medicina, de outros cursos da área da Saúde e de outras áreas possam ter contato com os fundamentos da Homeopatia (três aulas são dedicadas a essa especialidade na disciplina) e possam, dessa forma, ser capazes de ter uma postura mais crítica e menos preconceituosa com relação a essa racionalidade médica. No entanto, como a disciplina não inclui só o estudo da Homeopatia, mas também das outras racionalidades médicas (Medicina Alopática, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Antroposófica e Medicina Ayurvédica), a Liga continua tendo um papel de grande importância no aprofundamento e detalhamento dos fundamentos da Homeopatia.

Ecomedicina: Quais foram e quais são os desafios?

Patricia Brandimarti: Inicialmente, os principais desafios foram com relação ao reconhecimento da Liga pela Diretoria da FCM. Frases do tipo “Homeopatia é pajelança”, “Homeopatia é uma farsa, não serve para nada”, “se a Homeopatia funcionasse, faria parte da Alopatia”, “vocês são aprendizes de charlatão” foram ouvidas pelos alunos que participavam do grupo de estudos e que buscavam mais espaço para a Homeopatia na FCM. Mas com o passar dos anos, a Liga de Homeopatia foi conquistando seu espaço e o respeito dos alunos e professores através da seriedade com que suas atividades eram conduzidas, com reconhecimento de sua importância até por membros da coordenação do curso de Medicina afirmando tratar-se de algo que não é ensinado durante a graduação e por isso sua relevância.

Atualmente, existe o desafio de continuar despertando o interesse dos alunos em participar das atividades da Liga, bem como em cursar a referida disciplina eletiva. Outro desafio é o de tentar a reativação do ambulatório de Homeopatia no HC da Unicamp para que os ligantes possam participar também de atividades práticas e para que seus resultados em termos de saúde e bem-estar dos pacientes atendidos sejam uma forma de mobilizar a coordenação do curso a inserir oficialmente a Homeopatia na grade curricular da Medicina.

Ecomedicina: Você acha que isso se torna mais grave à medida que as práticas integrativas são fomentadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)? Atrapalha a implantação da PNPIC no SUS?

Patricia Brandimarti: Sim. Se os centros formadores de profissionais da saúde ignoram as Práticas Integrativas, da onde virão os profissionais para que a PNPIC vire uma realidade? E como eles manterão seu trabalho quando existe todo um contexto envolvendo defensores do cientificismo, indústria farmacêutica, políticos e muito interesse financeiro que são avessos a uma medicina simples, barata e eficiente como a Homeopatia?

Ecomedicina: Neste sentido, quais são os recursos de resistência mais empregados e que têm mais sucesso?

Patricia Brandimarti: Achamos importante que os alunos entendam que participar da Liga não significa abandonar todo o conhecimento sobre a Alopatia que será ensinado ao longo da faculdade (afinal, um homeopata é antes de tudo um médico, saberá quando é necessário uma atitude com base no saber alopático para assegurar a vida e o bem-estar do paciente). Tampouco significa tornar-se um homeopata. Procuramos fortalecer o espírito crítico dos ligantes, para que recebam as informações e reflitam sobre elas, inclusive assumindo uma postura mais proativa com relação às informações recebidas ao longo do curso também, de tal forma a não considerá-las um dogma que não pode ser revisto. Reforçamos também que a Liga é a única via de contato com a Homeopatia que os alunos terão na graduação, o que não ocorre com a maioria das outras Ligas acadêmicas que acabam abordando um assunto/tema que será visto ao longo do curso.

Ecomedicina: Quais as expectativas e perspectivas?

Patricia Brandimarti: As expectativas são a de fortalecer cada vez mais o papel da Liga na universidade e conquistar um espaço na grade curricular do curso para o ensino da Homeopatia. As perspectivas são boas, pois apesar da resistência da coordenação do curso em permitir a inserção de Homeopatia na grade como disciplina obrigatória, é perceptível o respeito que a Liga tem conquistado em função de seus 13 anos de atividade de forma ininterrupta e sempre com muita seriedade e cumprimento de seu cronograma e plano de atividades.

Link:

sábado, 23 de novembro de 2013

Fenômeno placebo-nocebo: evidências psiconeurofisiológicas

Por Marcus Zulian Teixeira 
10/11/2013

Apesar de o efeito placebo (nocebo) ser considerado por muitos como uma ilusão, ele é uma realidade observada em toda prática terapêutica, com seus mecanismos psiconeurofisiológicos estudados e descritos na literatura médica. Por ser um aspecto inerente ao cuidado médico, deveria ser conhecido por todos que se dedicam à prática e à pesquisa clínica. Com este intuito, nos aprofundamos no estudo desse fenômeno (Teixeira, 2009, 2010), citando uma síntese dos aspectos fundamentais.

Em qualquer tratamento farmacológico, os efeitos terapêuticos relacionam-se a dois tipos de fatores: específicos (dose, duração, via de administração, farmacodinâmica, farmacocinética, interações medicamentosas etc.) e não específicos (história e evolução natural da doença, regressão à média, aspectos socioambientais, variabilidade inter e intra-individual, desejo de melhora, expectativas e crenças no tratamento, relação médico-paciente, características não farmacológicas do medicamento etc.). O fenômeno placebo-nocebo faz parte destes últimos, sendo atribuível à relação médico-paciente o componente mais robusto, segundo pesquisas recentes.

Etimologicamente, o termo placebo se origina do latim placeo, placere, que significa agradar, enquanto o termo nocebo se origina do latim nocere, que significa infligir dano. De forma generalizada, entende-se efeito ou resposta placebo como a melhoria dos sintomas e/ou funções fisiológicas do organismo em resposta a fatores supostamente não específicos e aparentemente inertes (sugestão verbal ou visual, comprimidos inertes, injeção de soro fisiológico, cirurgia fictícia etc.), sendo atribuível, comumente, ao simbolismo que o tratamento exerce na expectativa positiva do paciente. Efeito nocebo é um fenômeno oposto, em que a antecipação e a expectativa por um resultado negativo podem conduzir à agravação de um sintoma ou doença. Exemplos naturais de efeito nocebo são observados no impacto de diagnósticos negativos e na desconfiança do paciente em relação à equipe médica ou por algum tipo de tratamento, tendo seus mecanismos psiconeurofisiológicos estudados de forma análoga ao efeito placebo.

Com a introdução sistemática dos ensaios clínicos placebos-controlados, considerado o padrão-ouro para avaliar a eficácia dos tratamentos, relatos frequentes de mudanças clínicas significativas nos grupos demonstraram que a intervenção placebo pode causar efeitos consideráveis em diversas condições clínicas. Revisões sistemáticas de ensaios clínicos placebos-controlados evidenciaram a resposta placebo (% de melhora) em diversas doenças, constatando sua influência em doença de Crohn (19%), síndrome da fadiga crônica (20%), síndrome do intestino irritável (40%), colite ulcerativa (27%), depressão maior (30%), mania (31%), enxaqueca (21%), dentre outras.

Os diversos fatores envolvidos na relação médico-paciente, do acolhimento ao teor específico das declarações feitas pelo terapeuta, influenciando a expectativa por uma melhora ou piora do quadro clínico, podem desencadear efeitos significativos no desfecho de qualquer tratamento, farmacológico ou não, alterando a atividade de determinadas regiões cerebrais e a liberação de neurotransmissores específicos.

Mecanismos psico-indutores do fenômeno placebo-nocebo

Dentre os mecanismos psico-indutores do efeito placebo, o condicionamento inconsciente reivindica que a resposta surge após a exposição repetida do indivíduo a associações de sugestões sensoriais neurais (características do comprimido, tipo de terapêutica, ambiente do consultório etc.) com intervenções de tratamento efetivas (ex: resposta placebo analgésica observada após a administração de comprimidos inertes com características semelhantes aos da morfina administrada previamente). Segundo um paradigma estritamente behaviorista (pavloviano), as sugestões sensoriais neurais podem extrair de forma automática e isolada, após a intervenção placebo, uma resposta semelhante ao tratamento efetivo. Deste modo, o condicionamento inconsciente estaria relacionado ao fato de que os pacientes, por meio da percepção visceral ou somática, são capazes de monitorar rapidamente as flutuações no estado dos órgãos internos (feedback sensorial), com resposta placebo proporcional ao grau de abrangência dessa percepção. De forma análoga, o efeito nocebo seria consequência do condicionamento inconsciente prévio por experiências negativas (ex: pacientes alérgicos ao perfume de flores manifestam sintomas alérgicos quando expostos a flores artificiais).

Outro importante mecanismo psico-indutor do fenômeno placebo-nocebo é a expectativa consciente dos pacientes nas perspectivas de melhora ou piora clínicas, que pode ser incrementada pelas sugestões verbais que acompanham o tratamento. Um modelo experimental tem avaliado o impacto clínico das expectativas positiva e negativa isoladamente, revelando ou ocultando ao paciente a administração ou a suspensão do tratamento melhor indicado (open-hidden paradigm). Nesse contexto, estudos evidenciam que um mesmo tratamento mostra-se mais efetivo quando é revelado (open) do que quando é ocultado (hidden) ao paciente, indicando que a expectativa positiva desempenha um papel crucial na resposta terapêutica (efeito placebo). Considerando que o desfecho clínico secundário a um tratamento não revelado (hidden) representa o efeito específico do tratamento em si, livre de qualquer contaminação psicológica, o resultado de um tratamento revelado (open) representa a somatória dos efeitos específicos e não específicos. A diferença entre essas abordagens é o componente placebo, embora nenhum placebo tenha sido administrado. De forma análoga, a expectativa negativa é avaliada com a revelação ou a ocultação da suspensão do tratamento indicado, mostrando que o grupo que sabia da interrupção apresentou piora dos sintomas (efeito nocebo) de forma mais intensa e antecipada do que o outro grupo.

Apesar dos defensores de um ou outro mecanismo, condicionamento inconsciente e expectativa consciente são adjuvantes na modulação placebo-nocebo, um amplificando a resposta do outro.

Mecanismos psiconeurofisiológicos do fenômeno placebo-nocebo

Mapeando áreas cerebrais responsáveis pelo fenômeno placebo-nocebo por Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) e Ressonância Nuclear Magnética Funcional (RNMf), estudos descrevem os mecanismos psiconeurofisiológicos envolvidos no processo. A resposta placebo analgésica tem como mediadores os peptídeos opióides endógenos (endorfinas), que atuam nos sítios dos receptores dos opioides exógenos (morfina) distribuídos em regiões cerebrais específicas (tronco encefálico, tálamo e medula espinhal). Dentre os mecanismos moduladores da analgesia placebo, observa-se que a expectativa positiva (melhora da dor) estimula o córtex pré-frontal (dorsolateral, medial e orbitofrontal) e o sistema opioide do tronco encefálico, áreas responsáveis pela modulação da dor emocional. Em relação ao efeito nocebo hiperálgico, a percepção da intensidade do estímulo doloroso é amplificada após uma expectativa negativa (piora da dor), com aumento na atividade de diversas regiões cerebrais (córtex pré-frontal orbitofrontal, córtex cingulado anterior e córtex insular anterior). Sugestões verbais negativas induzem ansiedade antecipatória sobre o provável aumento da dor (hiperalgesia nocebo), ativando o sistema colecistoquinérgico facilitador da transmissão dolorosa e diminuindo a atividade dos opioides endógenos.

Em resposta às injeções placebo de solução salina em pacientes portadores de doença de Parkinson, estudos demonstram a liberação de quantidades significativas de dopamina endógena no estriado dorsal, com melhoras clínicas evidentes. Observa-se também que a expectativa positiva relacionada à antecipação do benefício terapêutico e acompanhada pela liberação da dopamina pode ser um fenômeno comum ao efeito placebo em qualquer distúrbio clínico placebo-responsivo.

Na depressão, a resposta placebo apresenta um padrão metabólico similar ao dos antidepressivos (fluoxetina, por exemplo), sendo evidenciado no aumento da liberação do neurotransmissor serotonina no córtex pré-frontal, cíngulo anterior, córtex parietal, insula posterior e cíngulo posterior, além da diminuição de sua metabolização no cíngulo subgenual, para-hipocampo e tálamo.

De forma análoga aos fenômenos dolorosos, a expectativa negativa desperta o efeito nocebo, piorando a evolução clínica da doença de Parkinson e da depressão. Em todos os exemplos citados, o condicionamento inconsciente amplifica as respostas placebo e nocebo.

No entanto, pelos resultados apresentados, não temos como generalizar uma suposta especificidade e magnitude do fenômeno placebo-nocebo. Dependendo da sensibilidade individual, do tipo de sintoma ou doença, da informação transmitida ao paciente, da expectativa (associada ou não à sugestão verbal), das experiências prévias do paciente com as diversas situações e tratamentos (condicionamento inconsciente) etc., os efeitos da intervenção placebo-nocebo diferem caso a caso, envolvendo diferentes mecanismos psiconeurofisiológicos e suas respectivas áreas cerebrais. 

Marcus Zulian Teixeira é doutor em medicina (FMUSP), pesquisador e coordenador da disciplina Fundamentos da Homeopatia (FMUSP).
Mais informações: http://www.homeozulian.med.br .

Referências:

Teixeira M. Z. “ Ensaio clínico quali-quantitativo para avaliar a eficácia e a efetividade do tratamento homeopático individualizado na rinite alérgica perene” tese. São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2009. Disponível em:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5159/tde-10062009-102220/pt-br.php .

Teixeira M. Z. “Bases psiconeurofisiológicas do fenômeno placebo-nocebo: evidências científicas que valorizam a humanização da relação médico-paciente”. Rev Assoc Med Bras. 2009; 55(1): 13-18. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v55n1/v55n1a08.pdf .

Teixeira M. Z, Guedes C.H, Barreto P.V, Martins M.A. “The placebo effect and homeopathy”. Homeopathy . 2010; 99(2): 119-129. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20471615 .

Link:

Homeopatia, outra forma de cuidar da saúde

Publicado: 21 Novembro 2013

O Dia Nacional da Homeopatia é celebrado em 21 de novembro. A data serve para lembrar da prática terapêutica criada no final do século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann. Palavra que significa “a cura pelos semelhantes”, a homeopatia está presente em 355 estabelecimentos só da atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Chamada de Prática Integrativa, ela compõe o grupo de terapias que abordam a saúde com outra lógica, junto com a acupuntura, a medicina tradicional chinesa, as plantas medicinais e fitoterápicos, a medicina antroposófica e o termalismo social ou crenoterapia.

O princípio básico da homeopatia, a “lei da similitude ou da semelhança”, diz que cada tratamento deve ser feito em semelhança com o quadro clínico daquele momento do paciente, individualizando cada processo. A homeopatia acredita que cada pessoa tem um padrão particular de adoecimento, e esse padrão influencia na cura ou na prevenção da doença, determinando o medicamento e a dose a ser usada.

“A forma como uma pessoa gripa é única. Se outra pessoa gripar, ela vai ter sintomas semelhantes, mas algumas características serão diferentes entre as duas pessoas. Essas diferenças para o homeopata são muito importantes”, relata Ana Rita Novaes, homeopata que já atendeu pelo SUS e hoje coordena as práticas integrativas do estado do Espírito Santo.

Ana lembra que homeopatia não é só para curar doenças, mas também é usada como prevenção para evitar que elas adoeçam. Essa lógica contraria o costume de muitos em buscar um serviço de saúde apenas quando ficam enfermos. “É muito comum buscar o tratamento como forma de não adoecer. No tratamento homeopático, se a pessoa estiver bem, se estiver com o sistema imunológico funcionando, ela não adoece”, relata Ana Rita.

Práticas Integrativas – As práticas integrativas são assim chamadas porque elas encaram a saúde humana de forma integral. Cada prática desta é completa na abordagem aos problemas do corpo. “Surgiu, a partir da 8ª Conferência Nacional de Saúde, uma demanda dos usuários para que eles escolham as praticas curativas que vão usar. Escolhendo como se tratar, como querem ser vistos e cuidados pelo SUS”, conta Daniel Amado, consultor da Coordenação-Geral de Áreas Técnicas do Ministério da Saúde que trabalha com as práticas integrativas. Ele explica que essas terapias surgiram desta demanda dos usuários.

“O interessante dessas praticas é que elas reforçam um olhar mais completo sobre o individuo. O Programa Saúde da Família (PSF), que está dentro das comunidades, já busca essa visão mais completa ao enxergar o paciente no seu território, na sua família. Essas práticas ampliam essa visão, reforçam essa ideia”, comenta Daniel. Entre os anos de 2007 e 2010 houve um crescimento de 20,99% de consultas homeopáticas pelo SUS. De 257.508 consultas realizadas passou para 311.560.

Link:

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Professor da FMUSP disponibiliza livros de homeopatia gratuitamente na web

O professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e autor de livros sobre homeopatia Marcus Zulian Teixeira disponibiliza algumas de suas obras online gratuitamente.

Em seu site pessoal, estão disponíveis quatro livros: Estudo das Rubricas Repertoriais em Homeopatia, Concepção Vitalista de Samuel Hahnemann, Semelhante Cura Semelhante: o princípio de cura homeopático fundamentado pela racionalidade médica e científica e A Natureza Imaterial do Homem: estudo comparativo do vitalismo homeopático com as principais concepções médicas e filosóficas.

O intuito é contribuir à disseminação, ao fortalecimento e à ampliação da ciência, da filosofia e da arte de curar homeopática. Futuramente, outras obras serão disponibilizadas.

Mais informações: site http://www.homeozulian.med.br

Informe da Agência USP de Notícias, publicado pelo EcoDebate, 05/11/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O que é homeopatia?

Segunda-Feira, Dia 04 de Fevereiro de 2013

Muitas vezes, a Homeopatia é confundida com fitoterapia (tratamento através de plantas medicinais), pelo fato de também possuir remédios de origem vegetal, mas as diferenças são muitas. A Homeopatia, até algumas décadas atrás, era considerada apenas mais um sistema terapêutico em voga. Todavia, com um trabalho árduo, de mais de 20 anos de divulgação e com o apoio da Universidade Federal de Viçosa (UFV), estamos popularizando seu status de ciência do futuro.

A Homeopatia não é considerada ciência pelos seus opositores, justamente porque seus paradigmas e não dogmas se baseiam em leis universais que, paulatinamente, estão sendo descortinados pela física quântica, como os experimentos comprovando a memória da água. Por que ainda existe a crença, o mito de que se deve acreditar nela para que surta efeito? Justamente porque é uma ciência que trata integralmente o ser humano e todo o contexto que o rodeia, não se conseguindo dissociar o físico do espiritual.

Contudo, devemos ter em mente que mais de 30 teses de doutorado e pós-doutorado já foram defendidas sobre o uso da Homeopatia em plantas na UFV, instituição renomada em todo o país e detentora de referência sobre o assunto no mundo. Também a FAPEMIG, a EMBRAPA, entre outras, já comprovaram sua eficácia no controle de pragas e doenças das plantas e em animais.

Por vezes, a Homeopatia causa certo incômodo por exigir uma mudança de paradigma, exigindo que façamos uma análise profunda de nossa vida e que tomemos uma postura ética em relação, não somente aos humanos, mas também a todo o ecossistema vigente. 

Primo il nocere (primeiro não lesar), conforme Hipócrates, é algo que o homeopata tem como meta em todas as suas ações, pois este princípio é seguido a risca na Homeopatia, desde o fabrico de seus remédios. Não há necessidade de destruir uma árvore ou consumir uma montanha para que tenhamos à disposição o remédio homeopático, basta um grão de ferro para se obter Ferrum metallicum para todos os seres do planeta.

Não há o elemento químico ferro presente, mas sua configuração energética, onde todas as suas propriedades químicas e físicas são preservadas. Não precisa matar um ser humano para ter uma amostra do DNA, apenas uma ínfima porção de tecido ou sangue contém a representação de todas as nossas características físicas, mentais e emocionais. Assim é a Homeopatia, com seus remédios feitos de todas as substâncias possíveis imagináveis que possuem a capacidade de melhorar o mundo e a vida de todas as espécies. Isto incomoda.

Quando este estímulo energético entra em contato com a energia vital do humano ou animal ou planta, tem o poder e a arte de estimular as defesas naturais daquele organismo, propagando seu padrão vibratório em muitos níveis e estimulando outros sistemas próximos, em cadeia, como é comprovado por meio do aumento da produção fitoquímica nas plantas, como os fitohormônios, e nos humanos por intermédio do incremento do sistema imunológico, aumentando a saúde física e os pensamentos, além das ações construtivas que beneficiam os outros seres humanos.

Esta ciência se embasada em leis naturais, sendo a mais importante o "Semelhante cura o semelhante" (Similia similibus curantur), conforme Hipócrates. Isto significa que uma substância que produz determinados sintomas mórbidos em uma pessoa saudável poderá ser utilizada para curar sintomas semelhantes em uma pessoa doente. Hahnemann, seu criador, também sentiu a necessidade de usar diluições, cada vez maiores, o que distancia a substância química da matéria. Entre cada diluição, o remédio deve ser vigorosamente sacudido, o ato de sucussionar, que é capaz de liberar a energia curativa daquela substância tornando-a ativa também em outros níveis.

A ciência convencional rejeita o conceito de energia vital ou "força vital", vitalismo, que é a base para a atuação do remédio homeopático.

Também é importante lembrar que, para se atingir um equilíbrio rápido e permanente, é indispensável estar predisposto à harmonização. Cada um deve perceber os hábitos nocivos a sua saúde física, mental, psicológica, emocional e energética e tentar modificá-los, procurando manter esta saúde em todos os níveis da vida, com o maior grau de consciência possível. O uso da Homeopatia, aliado a mudanças no estilo de vida, ajuda a equilibrar e reestruturar o ser humano, tornando-o cada vez mais harmônico e feliz.

A Homeopatia existe há mais de 200 anos e está, paulatinamente, ficando cada vez mais popular no Brasil e no mundo. Hoje em dia, é encontrada em quase todos os países. Na Europa, cerca de 40% dos médicos franceses a utilizam a Homeopatia: 40% dos holandeses; 37% dos britânicos e 20% dos alemães. Nos Estados Unidos, centenas de milhares de pessoas tomam remédios homeopáticos a cada ano, onde são encontrados livremente em lojas de produtos naturais. O avanço crescente está preocupando os grandes laboratórios que não querem perder seu espaço e, para tanto, de vez em quando preparam campanhas contra sua expansão na mídia mundial, o que somente ajudam a reforçá-la.

Eliete M M Fagundes, é professora convidada e coordena o Curso de Extensão de Homeopatia da Universidade Federal de Viçosa há 18 anos

Link: