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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Soil communities threatened by destruction, instability of Amazon forests

Date: May 24, 2019 Source: Colorado State University Summary: A meta-analysis of nearly 300 studies of soil biodiversity in Amazonian forests found that the abundance, biomass, richness and diversity of soil fauna and microbes were reduced following deforestation.


The clearing and subsequent instability of Amazonian forests are among the greatest threats to tropical biodiversity conservation today.

Although the devastating consequences of deforestation to plants and animal species living above the ground are well-documented, scientists and others need to better understand how soil communities respond to this deforestation to create interventions that protect biodiversity and the ecosystem. But that information has been lacking.

A team of researchers led by Colorado State University's André Franco, a research scientist in the Department of Biology, conducted a meta-analysis of nearly 300 studies of soil biodiversity in Amazonian forests and sites in various stages of deforestation and land-use.

The new study, "Amazonian deforestation and soil biodiversity," is published in the June issue of Conservation Biology and is co-authored by CSU Distinguished Professor Diana Wall, Bruno Sobral, professor in the Department of Microbiology, Immunology and Pathology at CSU, and Artur Silva, professor at the Universidade Federal do Pará in Belém, Brazil.

Overall, the researchers found that the abundance, biomass, richness and diversity of soil fauna and microbes were all reduced following deforestation. Soil fauna or animals that were studied include earthworms, millipedes, dung beetles, nematodes, mites, spiders and scorpions.

Franco, who hails from Brazil, said that this is the first time that all of the available scientific data related to soil biodiversity in Amazonian forests has been synthesized.

The research team also found that the way the land is used after the forest is cleared matters to soil biodiversity. Species of invertebrates such as earthworms, ants and termites -- which are described as soil engineers -- were more vulnerable to the displacement of forests with pastures than by crops, while microbes showed the opposite pattern.

Franco said the highest biodiversity losses were found on the side of the Amazon with the highest mean annual precipitation and in areas where the soil was very acidic.

"That means these areas should be higher priorities for conservation efforts," he said.

Scientists also uncovered gaps in existing research.

"Very few studies looked at the impact of disturbances like wildfires and selective logging on these forests," Franco said. "Yet logging is an official management strategy in the Amazon forest."

In addition, the team found a lack of data from seven of the nine countries that the Amazon biome covers parts of, including Bolivia, Peru, Ecuador, Venezuela, Guyana, Suriname and French Guiana.

Sobral noted that biodiversity is a hot topic and was elevated recently with the release of a report from the United Nations, which found that nature is declining globally at unprecedented rates. But most of the scientific knowledge in the world about biodiversity relates to birds and mammals, he said.

The team is continuing this research in the Amazon, working with farmers' associations and two research institutes in Brazil to collect and analyze soil samples with the goal of studying the consequences of this loss of biodiversity.

Zaid Abdo, a bioinformatics expert and associate professor in the Department of Microbiology, Immunology and Pathology, has joined the CSU-based research team.

Sobral said it's extremely important that the scientists work with local farmers and others who are impacted by the deforestation.

"We're very focused on making sure the research isn't disconnected from local communities' needs and aspirations," he said. "Our work is guided by what the farmers want to know and how scientific knowledge could shape their future sustainable development."

Story Source:

Materials provided by Colorado State University. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
André L.C. Franco, Bruno W. Sobral, Artur L.C. Silva, Diana H. Wall. Amazonian deforestation and soil biodiversity. Conservation Biology, 2019; 33 (3): 590 DOI: 10.1111/cobi.13234

Cite This Page:
Colorado State University. "Soil communities threatened by destruction, instability of Amazon forests." ScienceDaily. ScienceDaily, 24 May 2019. <www.sciencedaily.com/releases/2019/05/190524130239.htm>.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Há esperança para a conservação da natureza? Ensaio por William F. Laurance

Caros colegas,

Este ensaio**, que acaba de ser publicado, argumenta que ainda há esperança para o futuro da conservação da natureza (http://biographic.com/posts/sto/no-lost-cause).

Para ser claro, os desafios que enfrentamos à frente, na conservação da natureza, são enormes e, em muitos casos, sem precedentes. Mas também é importante destacar os aspectos positivos e progresso que vem sendo feito, porque, caso contrário, é muito fácil perder a esperança no futuro.

Por favor, compartilhe este ensaio com qualquer pessoa que possa estar interessado.

Tudo de bom,

Bill

** Em inglês

William F. Laurance, PhD, FAA, FAAAS, FRSQ
Distinguished Research Professor & Australian Laureate
Prince Bernhard Chair in International Nature Conservation
Director of the Centre for Tropical Environmental and Sustainability Science (TESS)

Nota enviada pelo Autor

in EcoDebate, 31/08/2016

sábado, 27 de agosto de 2016

Vivemos uma ‘ordem de guerra contra a Terra’. Entrevista com Vandana Shiva

Vandana Shiva, física, filósofa, ativista ecofeminista, nasceu no vale de Doon, no Himalaia. Seus pais faziam parte do movimento independentista da Índia. Apesar das dificuldades por ser mulher, estudou física e depois filosofia. Nos anos 1970, somou-se ao movimento Chipko, constituído por mulheres que se abraçaram às árvores de uma mata para evitar que fossem cortadas. Em fins dos anos 1980, criou o Movimento Navdanya, para defender as sementes nativas frente aos transgênicos. A partir daí, criou comunidades de sementes para cuidar da vida e evitar sua depredação. Formou a Universidade da Terra, que promove a ciência digna, a soberania alimentar e alerta contra o impacto das políticas das corporações na mudança climática. Recebeu o Prêmio Nobel Alternativo em 1993.

Punto Final teve a oportunidade de entrevistá-la quando visitou a Argentina, convidada para o Festival Internacional de Cinema Ambiental (FINCA). A conversa começou a partir da recordação de nossa irmã Berta Cáceres, líder do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), assassinada por cuidar do Rio Gualcarque, junto à comunidade lenca de Rio Branco, em Honduras.

“Quero render uma homenagem a minha irmã Berta, uma lutadora pela terra, que fez um sacrifício dando sua vida. Mas, sua vida não foi dada voluntariamente, foi arrancada mediante a violência. A terra, toda a comunidade ecológica, e Berta, merecem justiça. Deve haver uma comissão de investigação que seja independente, não só restrita aos crimes cometidos contra os ativistas ambientalistas em Honduras, mas por toda a violência perpetrada pelas corporações, tomando os governos e os convertendo em maquinarias de guerra contra seus próprios cidadãos. A vida de Berta é um chamado a despertar. Devemos despertar e exigir justiça para o planeta, e justiça para Berta”, disse Vandana Shiva.

A entrevista é de Claudia Korol, publicada pela revista Punto Final, edição n. 857, 05-08-2016. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

O assassinato de Berta foi um crime contra uma guardiã da vida, e faz parte da criminalização das mulheres defensoras da vida. Como analisa esta política?

O sistema político e econômico, que tem mais de duzentos anos de história, o capitalismo patriarcal, se baseia na guerra contra a Terra, guerra contra as mulheres, guerra contra a vida. Por isso, quando mulheres como Berta Cáceres se levantam em defesa da vida, em defesa da terra, em defesa dos direitos das pessoas, o sistema as criminaliza, porque é um sistema criminoso. Criminaliza quem luta em defesa da vida. Vemos como aumenta a violência contra as mulheres, porque o capitalismo patriarcal é a convergência da cobiça, da acumulação e do extrativismo, como também é o medo a tudo o que está vivo e livre. E Bertaestava em pé, pela liberdade e a vida. Por isso, gerou medo naqueles que destroem a Terra e destroem nossas sociedades a qualquer custo.
Sementes da vida

Aumentou a consciência mundial sobre o cuidado com as sementes, a terra, a vida e, por isso, cresce a luta dos povos, das mulheres, das comunidades, como também cresce a militarização em resposta a essas lutas. Como pensa que deve ser a resposta das comunidades, das mulheres, à estratégia de militarização?

Acredito que a primeira resposta frente à militarização deve ser entender suas raízes. O sistema se baseia na mentalidade de guerra patriarcal capitalista. É uma ordem de guerra contra a Terra, contra o corpo das mulheres, contra as economias locais e contra a democracia. Temos que entender as conexões destas formas de violência.

Tivemos Estados nacionais, alguns se converteram em ditaduras, outros em democracias, mas que não eram extensões do mundo global das corporações. A globalização converteu os governos em extensões de sua atividade corporativa e, por isso, se tornaram Estados corporativos. É muito evidente que quando esses Estados corporativos tomam a vida das pessoas, produzindo câncer e malformações congênitas em meninos e meninas, minando nossas terras ancestrais, destruindo nossos territórios, convertendo as pessoas em refugiados, as pessoas vão se levantar, as pessoas vão protestar, as pessoas vão fazer bloqueios.

Hoje, estamos olhando como testemunhas o último passo das corporações, convertendo os Estados nacionais, primeiro em Estados corporativos e, agora, em Estados militarizados corporativos, quando a violência militarizada é o único caminho que lhes resta para enfrentar as pessoas que estão procurando defender a terra e suas vidas de uma maneira não violenta. Primeiro, temos que expor esta continuidade de poder e violência.

Como respondemos a isso? Respondemos através da paz e da não violência do modo mais profundo. A primeira parte é, realmente, em nossas mentes e em nossas consciências, e em nossas vidas, viver em paz com a Terra. Essa é nossa maior força. A segunda é resistir a regra do medo. O modo mais efetivo de resistir o medo é não ter medo. E continuar tendo coragem, como teve Berta. Neste cultivo do não medo, cultivar nossa força comum, nossas solidariedades, para estarmos juntos. E, finalmente, reconhecer que o sistema econômico se tornou um sistema de guerra. Ao invés de cuidar e promover a vida, está eliminando a vida, e então está extinguindo a vida daqueles que estão em pé pela vida. Temos que construir o mais impressionante movimento planetário pela paz de nossos tempos, onde afluam o movimento ecologista, o movimento contra a militarização, o movimento feminista, o movimento pela justiça. Todos precisam se tornar um”.
Manipulação genética

Além do sistema de morte que o capitalismo patriarcal significa, a mercantilização está gerando vida sintética. O que pensa destas formas de manipulação da vida, aplicando conhecimentos científicos?

Eu chamaria a denominada manipulação da vida por meio da genética de manipulação da vida por meio da guerra. Qualquer um que faça uma biologia realmente independente, dirá que pegar um gene de um organismo e implantá-lo dentro de outro possui sérias consequências. Conhecer essas consequências é parte do fazer ciência. Estas empresas, que não são científicas, possuem três níveis. O primeiro é que não compreendem a vida. Porque a vida é uma complexidade auto-organizada e está sendo tratada como um jogo de tijolinhos. O segundo é que estão tramando suposições que não refletem como realmente funciona a vida. Estão baseados em um reducionismo genético que funciona como um determinismo genético, que é assumido como se existisse uma molécula mestra que dá ordens para todas as demais, e que tudo o que é necessário fazer é mudar essa molécula de lugar. Mas, não existe uma molécula mestra em um sistema vivo. O terceiro ponto é que não assumem a responsabilidade pelas consequências. Os primeiros cientistas que criaram as técnicas de recombinação de DNA colocaram fim nisto em 1972, assumindo em uma declaração que não podiam saber as consequências, e que os cientistas têm a responsabilidade de entender as consequências, antes de realizar ações. Qualquer entidade individual ou corporativa que mude a fabricação da vida, sem entender as consequências e sem tomar as responsabilidades disso, está atuando de maneira não científica. O que chamamos de ciência é um projeto patriarcal para um curto momento da história. É uma ciência reducionista, baseada na dominação da natureza. É o conhecimento gerado para a exploração.

Soberania alimentar

Nós, feministas comunitárias – indígenas, campesinas, populares – neste continente, pensamos que a defesa dos territórios faz parte de nosso projeto de vida, e que o corpo é nosso primeiro território a ser cuidado. Nesta perspectiva, propostas como a soberania alimentar se integram na lógica de luta contra o capitalismo patriarcal.

Concordo. Todas as estruturas artificiais de conhecimento se basearam no que chamei de ‘apartheid ecológico’, separando-nos da Terra em nossas mentes, já que não podemos realmente nos separar da Terra em nossas vidas, porque estaríamos mortos. Desta ideia de separação vem a ideia de que é possível substituir os processos de vida com materiais químicos e tóxicos. Então, nosso corpo não está vivo, não é da Terra, é só uma máquina, da qual você pode remover as partes e acrescentar moléculas sem que isso provoque algo em nossa saúde. Você pode produzir soja transgênica e imaginar que não provoca nada à vida, ainda que mate a todas as bactérias em nosso interior. Pode pretender substituir o açúcar natural por xarope de alta frutose, mas seu fígado vai se rebelar.

A soberania alimentar se baseia em superar o apartheid ecológico, sabendo que somos parte da Terra. Somos o solo, somos o ar, somos a semente, somos a água. E a comida que cultivamos na terra se converte em nosso corpo, nosso sangue, nossas células. A comida é a força da vida, é a rede da vida, e é a continuidade da vida, da Terra e de nós mesmos. É por isso que o território e o corpo correspondem quando produzimos comida da maneira correta e comemos a comida adequada. Mas, quando não correspondemos e deixamos de pensar conscientemente na comida, nos tornamos parte deste sistema de guerra. Ainda que sejamos um pequeno elo da cadeia, estamos ajudando a fazer com que permaneça. É necessário ser consciente disto. Caso se controle o mercado de armas, se controla as guerras. Caso você controle a comida, controla a sociedade. E se você controla as sementes, controla a vida na Terra”.

A maioria das mulheres foi separada da Terra. Este é um obstáculo para realizar esta cadeia de vida.

As mulheres e as comunidades indígenas foram separadas da Terra violentamente. É a maior crise que estamos enfrentando. Porque estar na Terra quer dizer ser guardiões e guardiãs da terra. Nosso desafio é, passo a passo, campo a campo, sítio a sítio, semente a semente, voltar à terra. Isso está acontecendo em todas as partes do mundo onde as pessoas produzem sua própria comida. É o que eu estou fazendo na Índia com o Movimento Navdany, porque ainda que a tendência seja retirar os camponeses e as camponesas de sua terra, nós trabalhamos para mantê-las em sua terra, criando economias através das quais possam ficar na terra.

Essas economias propõem estimular a biodiversidade…

Claro. Isto é muito necessário, e em especial na Argentina, que vive uma escravidão da soja, onde os cidadãos se fecham em si mesmos, assim como os camponeses. A monocultura prejudica a mente. Parte do problema que temos é que há muitas ‘soluções individuais e globalizadas’. Temos que permitir que cresçam soluções múltiplas. Para poder sair da escravidão e produzir a biodiversidade que a terra e as pessoas necessitam é preciso criar associações entre moradores do campo e das cidades. Por que os produtores se relacionam com a Monsanto e não com os moradores das cidades? Porque o sistema está trabalhando para aqueles que criaram este sistema totalitário, mas não está trabalhando para as pessoas que cultivam a terra. Este sistema rompeu os processos ecológicos da Terra, como também as relações entre os povos. Temos que reparar este sistema rompido. Cada pessoa criativa pode trabalhar para respeitar os direitos da Mãe Terra e os direitos da Humanidade.

(EcoDebate, 25/08/2016) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Projeto foca no uso de plantas para restauração de margens de rios afetados pela tragédia de Mariana

Atualmente cobertas de rejeito da mineração de ferro decorrente do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, as margens dos rios e a mata ciliar que as habitam são o foco da pesquisa em Ecofisiologia e Bioquímica Vegetal da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O estudo, coordenado pelo professor do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Paulo Henrique Pereira Peixoto, tem como objetivo investigar e desenvolver tecnologias que permitam restaurar a mata ciliar presente das margens dos rios afetados, utilizando plantas resistentes às condições adversas do ambiente. Em abril deste ano, o projeto foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), no edital Tecnologias para a Recuperação da Bacia do Rio Doce.

Segundo Peixoto, o resultado da pesquisa deverá contribuir para a recuperação inicial, gerando dados para o estabelecimento de metodologias para a restauração das matas ciliares da Bacia do Rio Doce, um processo longo e que deverá ser continuado. A restauração das matas ciliares é fundamental não apenas para restaurar a fertilidade do solo, como também para reter os detritos e impedir que esses retornem ao leito do rio.

Trabalhando em conjunto com a natureza

Para a avaliação empírica da pesquisa, Peixoto e sua equipe irão testar misturas desse solo empobrecido com solos férteis de outras regiões, ricos em nutrientes. O objetivo, conforme ele explica, é determinar em quais proporções é possível que as plantas se desenvolvam melhor. “Nós estamos utilizando espécies reconhecidas como adaptadas a recuperação de áreas degradadas. As leguminosas, de um modo geral, tem a capacidade de fixar nitrogênio da atmosfera no solo. Esse macronutriente, fundamental para as plantas, não se encontra disponível no solo degradado. Mas devido a essa capacidade, é esperado que essas plantas desenvolvam mesmo nessas condições”, explica.
Membros da equipe do projeto, intitulado “Análises ecofisiológicas e bioquímicas de rejeitos da barragem de Fundão sobre o desenvolvimento de leguminosas da mata ciliar e de uma espécie adaptada ao estresse por ferro” (Foto: Arquivo Pessoal)

Com uma duração de dois anos, a pesquisa terá como primeira etapa a coleta de amostras do solo na região impactada da bacia do Rio Doce. Esse material será analisado em laboratório, visando caracterizar sua composição química. Posteriormente, os pesquisadores irão cultivar algumas espécies de leguminosas lenhosas (monjoleiro, pata-de-vaca; pau-jacaré, etc) e herbáceas (crotalária e mucuna-preta) em vasos contendo diferentes proporções do rejeito da barragem na bacia do Rio Doce e solos de reconhecida fertilidade.

Além das plantas envasadas no laboratório, a pesquisa incluirá um “estudo piloto” na própria margem do rio, onde o mesmo processo de análise de solo e desenvolvimento dos espécimes será realizado.

Maior desastre ambiental da história brasileira

Com o rompimento da Barragem do Fundão, nos arredores de Mariana (MG), o rejeito da extração de ferro, operada pela empresa Samarco, foi despejado no Rio Gualaxo, um afluente do Rio Doce, provocando uma enxurrada de lama que atingiu diversos municípios da região e teve imenso impacto nas condições do rio. Esse é o maior desastre ambiental já registrado no Brasil. Entre os municípios de Bento Rodrigues e Santa Cruz do Escalvado (onde a maior parte da massa de rejeitos foi contida na Represa de Candonga), as matas ciliares foram arrancadas pela onda de lama e detritos da mineração, que se depositaram nas margens do rio, tornando-as quase estéril.

Segundo o professor, além do imenso impacto na biodiversidade e nas condições bioquímicas do solo, o acúmulo desses resíduos nas margens pode provocar um constante assoreamento do leito do rio, especialmente durante os períodos chuvosos. Dessa forma, a restauração das matas ciliares auxilia na fertilidade do solo e na retenção de novos detritos que prejudiquem os rios. “É uma pesquisa ampla, que vai combinar a geração de conhecimento com uma aplicação prática, contribuindo para solucionar um problema grave e de solução bastante complexa”, avalia Peixoto.

Além de oferecer um direcionamento para os esforços de restauração da bacia, esse estudo irá oferecer uma formação prática e teórica aos pesquisadores e alunos de IC e pós-graduação envolvidos. O financiamento da Fapemig será destinado à compra de equipamentos importantes e materiais de consumo, além de contar com uma bolsa de pós-doutorado.
“É uma pesquisa ampla, que vai combinar a geração de conhecimento com uma aplicação prática, contribuindo para solucionar um problema grave e de solução bastante complexa” (Foto: Géssica Leine)

Para o professor, o Estado está assumindo um ônus que deveria ser das empresas responsáveis. No entanto, o financiamento governamental está sendo fundamental para a investigação dos impactos do acidente e para a proposição de soluções. “Restaurar as matas ciliares é a primeira etapa de um longo processo. Apesar do nosso projeto ter um prazo de dois anos de duração, espero que ele tenha continuidade, e que parta da Samarco-Vale-BHP, responsáveis pela barragem, o apoio para tal. Por hora, nossa responsabilidade de entregar os resultados é compartilhada com a UFJF”, concluiu.

O trabalho também conta com a colaboração de professores do Departamento de Bioquímica da UFJF, Embrapa-Gado de Leite, UFV e do IFET-Ouro Branco. Além da pesquisa da UFJF, outros 28 projetos foram aprovados pelo edital da Fapemig, entre os 145 submetidos. A iniciativa da fundação se divide em três linhas teóricas: recuperação do solo; recuperação da água; e recuperação da biodiversidade, na qual o trabalho coordenado por Peixoto está inserido.

Da Universidade Federal de Juiz de Fora, in EcoDebate, 16/08/2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ações para proteger as águas, artigo de Roberto Naime

Imagem do Parque Estadual do Rio Doce

[EcoDebate] Governo do Paraná produziu cartilha sobre preservação de águas que merece reflexão. É bom lembrar que nascentes estão sob a influência de uma área de contribuição da microbacia. No processo de recuperação de nascentes devem ser desenvolvidas, mo mínimo, as ações descritas a seguir.

Considerando que a nascente desejável é aquela que fornece água de boa qualidade, abundante e contínua, fica evidente que o solo de uma microbacia deve ter uma permeabilidade tal que possibilite infiltrar a maior quantidade possível de água da chuva, evitando que esta escoe sobre o solo.

A equação de equilíbrio hídrico corresponde a quantidade de chuvas que se armazena nos solos, descontado o escoamento superficial e a evapo-transpiração.

A infiltração possibilita o armazenamento de água nos lençóis freáticos e aqüíferos subterrâneos. Com este armazenamento, a água dos aquíferos é liberada aos poucos para os cursos d´água, através das nascentes.

Por outro lado, a cobertura permanente do solo por plantas ou resíduos vegetais, além de conter o escoamento superficial favorece a infiltração da água no solo, minimiza as perdas de água por evaporação e auxilia a sua depuração, em face da capacidade de filtro que o solo possui.

A proteção das áreas ciliares às nascentes e rios através da reposição da floresta nas áreas de preservação permanente (APP) e em outras áreas das propriedades rurais, são fundamentais na proteção e produção de água.

A diminuição dos efeitos da enxurrada, por meio de sistema de terraceamento corretamente dimensionado, a readequação de estradas em bases conservacionistas e a contenção das águas pluviais do meio rural, são ferramentas fundamentais no controle da erosão dos solos por fatores hídricos.

Geralmente os solos de uma microbacia não possuem permeabilidade que possibilite infiltrar toda a água da chuva, por melhor que seja o manejo. Nas chuvas de elevada intensidade haverá a formação de enxurrada e, por consequência o carreamento de sedimentos e contaminantes para as nascentes e cursos d’água.

É necessário conter a enxurrada para que sejam proporcionado o controle da contaminação das águas das nascentes e rios, contribuindo com a disponibilidade da água no aspecto qualidade e controle do soterramento de nascentes e assoreamento dos rios, contribuindo com a disponibilidade da água no aspecto quantidade.

E também o aumento do volume de água infiltrada no solo uma vez que será contido no canal dos terraços, contribuindo com a disponibilidade da água nos aspectos quantidade e qualidade proporcionada pela função depuração física que os solos possuem.

O uso racional de agrotóxicos, o manejo de pragas e invasoras, a destinação correta de embalagens, a implantação de abastecedouros comunitários, o gerenciamento adequado de efluentes domésticos e industriais e o destino correto dos resíduos sólidos e efluentes domésticos, são práticas que auxiliam na qualidade ambiental.

Os compostos químicos presentes em muitos agrotóxicos não são eliminados pela fervura, cloração ou filtragem, por isso é importante evitar que os resíduos cheguem às nascentes e cursos d’água.

A implantação de sistema de terraceamento e a readequação de estradas em bases conservacionistas cumprem também a função de evitar que agrotóxicos utilizados nas microbacias, alcancem as nascentes e rios através de enxurradas que se formarem nas lavouras e estradas.

Referência:

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 14/06/2016
"Ações para proteger as águas, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/06/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/06/14/acoes-para-proteger-as-aguas-artigo-de-roberto-naime/.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Resenha poética de Primavera Silenciosa, por Elissandro dos Santos Santana

CARSON, Rachel. Primavera Silenciosa. 2. ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1969.
Silent Spring. Foto no site High 50

[EcoDebate] Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, ao que tudo indica, data recomendada pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em 1972, em Estocolmo, na Suécia, refletir acerca da obra “Primavera Silenciosa” é uma oportunidade para repensar as questões ambientais do mundo atual a partir do cotejo com os problemas ambientais da época de Rachel Carson.

Antes de analisar a obra em baila, é interessante conhecer parte da biografia de Rachel Carson. Ela nasceu no dia 27 de maio de 1907, na Pensilvânia. Com incentivo de sua mãe, começou a publicar os primeiros trabalhos ainda criança na revista literária infantil “Sr. Nicholas”. No ano de 1928, graduou-se pela Universidade para Mulheres da Pensilvânia e, tempo depois, fez mestrado em Biologia Marinha na Universidade Johns Hopkins. Por um curto espaço de tempo, lecionou zoologia na Universidade de Maryland, tendo aceitado, em 1936, um posto de bióloga no Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos.

Primavera Silenciosa é um clássico que todo ambientalista, pesquisador na área ambiental, ativista social e qualquer cidadão planetário deveria ler. A obra é um convite a reflexões acerca das tristes fábulas de um futuro que não existirá, da obrigação de suportar as dores do amanhã, das mortes anunciadas, dos elixires do fim trágico para todos os seres que habitam a Mãe Terra, Gaia ou Pachamama, do preço pago pela degradação das águas de hoje e de ontem para ausências no amanhã, da degradação dos solos, do desmatamento do manto vegetal responsável pela maior parte do oxigênio de que tanto a humanidade e todos os outros seres animais necessitam para a sobrevivência, da devastação desnecessária em todos os campos pelos quais passou a Terra, do silêncio da vida no porvir, dos rios hoje ainda vivazes e amanhã córregos de morte, do indiscriminado procedente dos céus, dos sonhos dos senhores do capital, do valor real dos modelos econômicos depredatórios da vida, dos caminhos estreitos que nos esperam amanhã, da sobrevivência de poucos, um em cada quatro, da vingança de Gaia ou do revide da natureza, dos ribombos de uma avalancha e da outra estrada que poderíamos ter tomado.

O leitor, à medida que se envereda pelas reflexões que o livro traz, consegue fazer ponte entre os problemas ambientais denunciados por Rachel Carson no que concerne às crises e estresses ambientais pelas quais passavam Os Estados Unidos à época da escrita da obra. No capítulo “Uma fábula para amanhã” há a metáfora da narrativa em torno da terra do ontem e ainda do hoje, para o restante dos humanos que sobrarem no mundo vindouro. Nesse novo mundo que nos espera, a Terra do passado será a história de ninar para as gerações futuras. A biodiversidade de outrora sobreviverá na narrativa dos que tiveram a oportunidade de viver na terra de antes e a geração futura, ao ouvir tais contos, se dará conta do quanto seus pais foram egoístas e não pensaram no futuro. Esse capítulo nos faz lembrar o conceito de sustentabilidade proferido em Estocolmo, em 1972, na Suécia, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, como sendo a gestão dos recursos de forma justa, solidária e consciente, desprovida de qualquer egoísmo, em que a vida não seria somente um aqui e agora, mas um amanhã, levando em consideração que as gerações futuras possuem os mesmos direitos ao usufruto dos bens terrenos das gerações atuais.

No capítulo “A obrigação de suportar”, dentre tantas subjetividades no processo de leitura, o leitor pode ser levado a refletir sobre o peso que terá que carregar em torno das ações insustentáveis na transformação do mundo. No capítulo “Elixires da morte”, a autora apresenta, de forma bastante elucidativa, o preço da manipulação do conhecimento químico para a produção dos pesticidas e outros elementos que contaminaram as nossas comidas e eliminaram os polinizadores da vida. As referidas substâncias entraram não somente nos corpos dos seres humanos, mas de toda a cadeia da vida. No capítulo “Águas de superfícies e Mares subterrâneos” a autora faz uma discussão em torno da importância da água para a manutenção da vida, mas que está sendo poluída e contaminada por pesticidas. No capítulo “Os Reinos do solo”, a autora discorre sobre a importância dos solos para a agricultura e, consequentemente, para a nossa existência e como estes foram degradados com o impacto do uso dos pesticidas na agricultura. No capítulo “O manto verde da Terra”, a autora afirma que a água, o solo e a cobertura vegetal são os elementos que sustentam a vida animal, mas que isso foi drasticamente comprometido. Ao citar o caso da destruição das plantações de artemísias no Oeste Norte-americano com a substituição por relvados das pradarias, Carson chama a atenção para as interferências do homem na modificação das paisagens e como isso interfere, diretamente, nas cadeias de vida na natureza. No capítulo “Devastação desnecessária”, Carson discorre sobre as ações deprimentes do homem sobre a natureza. Continua pontuando que as destruições que o homem provocou sobre a Terra seriam contra a própria vida e, também, contra a vida de todos os demais seres que habitam o planeta. No capítulo “E nenhum pássaro canta”, ela denuncia a morte dos pássaros e de outros seres responsáveis pela polinização das plantas pelas pulverizações da indústria do agronegócio nos Estados Unidos. No capítulo “Rios de morte”, a autora traz à tona a questão do uso do DDT para pulverização de florestas ao longo de cursos de água e, com isso, a morte de peixes como o salmão e outros animais nos rios do Noroeste de Miramichi. No capítulo, “Indiscriminadamente, Procedendo dos céus”, a autora discorre sobre o aumento do escopo das pulverizações aéreas e como isso afetou a vida em parte dos Estados Unidos.

No capítulo “Para lá dos sonhos dos Bórgias”, aprofunda a discussão em torno do período que rotula como Idade dos Venenos. No capítulo “O preço humano”, quase que de forma escatológica, discorre sobre os múltiplos problemas ambientais que afetam e afetarão a humanidade em decorrência das ações insustentáveis provocadas pelo próprio ser humano. No capítulo “Através de uma janela estreita”, apresenta as ameaças às heranças genéticas da humanidade a partir de todos os males ambientais causados a Terra. No capítulo “Um em cada quatro”, a autora discorre sobre a parcela da humanidade que sofrerá com doenças como o câncer em decorrência dos déficits socioambientais gerados com o uso dos pesticidas nos Estados Unidos. No capítulo “A natureza revida”, Carson discorre sobre o fato de que alguns insetos estão se tornando resistentes ao uso dos pulverizadores químicos e, por isso, vários processos estão saindo do controle previsto pelo projeto humano de desenvolvimento da indústria da agricultura da morte. Com a resistência de alguns insetos, outros inseticidas são criados e, consequentemente, ocorre maior poluição e degradação dos espaços nos quais eles são aplicados. No capítulo “Os ribombos de uma avalancha”, a autora denuncia que os insetos menos resistentes estão deixando de existir e aqueles que sobrevivem estão lutando pela existência, haja vista que novos pulverizadores são criados pela indústria química voltada para a agricultura a cada ano. O extermínio desses insetos interfere em toda a cadeia, da flora à fauna. No capítulo “A outra estrada”, a jornalista, de forma otimista, acredita que ainda há tempo para salvar a biodiversidade dos pulverizadores da morte criados pelo bicho homem, mas que tudo dependerá da remodelação da consciência em torno do modus operandi humano de produção nos Estados Unidos e no mundo.

A obra é, por natureza, inter-multi-transdisciplinar, tendo em vista que, à medida que o leitor a desvenda, consegue concatená-la com outras vozes e áreas do conhecimento. Não há como não ler esse livro e não fazer comparações com produções escritas por teóricos como James Lovelock, com “A vingança de Gaia”, Leonardo Boff e seus livros como “Sustentabilidade: o que é, o que não é” e “Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres”, Enrique Leff e sua “Racionalidade ambiental”, Frei Betto e tantos outros pesquisadores e pensadores preocupados com a situação do planeta e, consequentemente, com a continuidade da vida.

Por fim, pode-se dizer que “Primavera Silenciosa” é uma obra que nos leva a pensar não somente as questões ambientais nos Estados Unidos, mas em toda a Terra. Carson, ao longo de toda a obra, discorre sobre o irresponsável envenenamento do mundo que o homem compartilha com todas as outras criaturas.

A obra foi escrita de forma simples, científica e metafórica. A partir do viés literário, a autora prende a atenção do leitor dado à escrita literária e, ao mesmo tempo, de forma científica, apresenta, com precisão, a extinção de aves e outras espécies, causada pelo uso indiscriminado e irresponsável de DDT e das consequências disso na cadeia alimentar geral. A autora descreve, detalhadamente, a ameaça em torno das águias, símbolo dos Estados Unidos, além de apresentar os malefícios dos inseticidas e seus impactos sobre a reprodução humana, mostrando a relação entre o câncer e o uso dos pulverizadores da morte na agricultura.

Elissandro dos Santos Santana: especialista em sustentabilidade, desenvolvimento e gestão de projetos sociais, especialista em gestão educacional, especialista em linguística e ensino de línguas, especialista em metodologia de ensino de língua espanhola, licenciado em letras, habilitado em línguas estrangeiras modernas, espanhol e membro editorial da Revista Letrando, ISSN 2317-0735.
Contato: lissandrosantana@hotmail.com

in EcoDebate, 02/06/2016
"Resenha poética de Primavera Silenciosa, por Elissandro dos Santos Santana," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 2/06/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/06/02/resenha-poetica-de-primavera-silenciosa-por-elissandro-dos-santos-santana/.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

ONU diz que ainda dá tempo de reverter impactos de dano ambiental

Estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, afirma que governos precisam agira já; foram avaliadas todas as regiões do mundo.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Os impactos dos danos ambientais em todas as partes do mundo estão aumentando. Mas segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, se os governos agirem agora, haverá tempo para reverter as consequências.

Esta é a conclusão de um estudo, divulgado pela agência nesta quarta-feira, em Nairóbi, no Quênia.

Informações

Os cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão ocorrendo numa velocidade muito mais alta do que se imaginava. E as ameaças globais estão se intensificando.

O estudo, Perspectivas do Meio Ambiente Mundial (Geo-6), avaliações regionais, reúne seis relatórios separados com informações detalhadas. A publicação antecede a segunda Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, Unea, que será aberta neste 22 de maio, na sede do Pnuma, em Nairóbi.

O crescimento da população, em quase todas as regiões do planeta, a urbanização rápida e o aumento do nível do consumo são considerados alguns dos fatores para o crescimento dos danos ambientais.

Escassez

Mas outros tópicos como desertificação, degradação e as mudanças climáticas também agravam os efeitos, como por exemplo com a escassez de água.

Outros impactos são os efeitos negativos aos ecossistemas marinhos e o aumento da contaminação ambiental, que se tornou um risco à saúde.

O estudo contou com 1203 cientistas e centenas de instituições de mais de 160 países.

Para o diretor do Pnuma, Achim Steiner, a agência apresenta as evidências e oferece as ferramentas para evitar mais impactos ambientais. Steiner defende a utilização dos recursos naturais de forma sustentável.

O estudo cita o caso, por exemplo, da América Latina, considerada uma região rica em biodiversidade, mas que sofre com a dependências das economias locais de matéria prima e de recursos naturais, que representam a metade de todos os produtos de exportação.

A América Latina tem 12 dos 14 biomas do mundo.

Centros Urbanos

A qualidade do ar nas cidades latino-americanas também baixou e as emissões de dióxido de carbono subiram com a expansão dos centros urbanos.

Uma outra pressão vem da demanda por recursos naturais como a água para a indústria, geração de energia e uso doméstico.

Entre as medidas propostas pelo Pnuma aos governos estão soluções inovadoras para desvincular o crescimento econômico do aumento no consumo de recursos.

A dependência de combustíveis fósseis também dever ser combatida. Para a agência da ONU, os governos têm de investir mais em pesquisa e aumentar a cooperação outras regiões do mundo na coordenação de uma política de combate à mudança climática.

in EcoDebate, 24/05/2016

Degradação ambiental e poluição causam 23% das mortes prematuras no mundo

São 12,6 milhões de mortes em 2012, o número é mais alto que óbitos gerados por conflito naquele ano; dados constam de um relatório do Pnuma, divulgado nesta segunda-feira.
Segundo relatório do Pnuma, a degradação e a poluição ambientais causam 234 vezes mais mortes prematuras do que conflitos. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório divulgado esta segunda-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, alerta que a degradação e a poluição ambientais causam 234 vezes mais mortes prematuras do que os conflitos. O número equivale a 23% de todos os falecimentos deste tipo no mundo.

O documento afirma que os dois problemas representam uma ameaça à saúde pública global e são responsáveis pelos óbitos de mais de 25% de todas as crianças com menos de cinco anos.

Perigos

O relatório “Meio Ambiente Saudável, Povo Saudável”, lançado em Nairóbi, analisou os perigos da poluição do ar, das substâncias químicas, da mudança climática e de outras questões que associam o ambiente, a saúde e o bem-estar da população.

Segundo o Pnuma, em 2012, ocorreram aproximadamente 12,6 milhões de mortes prematuras causadas pela piora ambiental, o que representa quase um quarto do total mundial.

Os especialistas disseram que a maioria das mortes causadas pela degradação do meio ambiente ocorreu nas regiões sul e leste da Ásia e no oeste do Pacífico. Na sequência, estão a África Subsaariana, o leste do Mediterrâneo e a Europa.

Desnutrição

A Organização Mundial da Saúde calcula que 250 mil mortes adicionais vão ocorrer todos os anos entre 2030 e 2050, a maior parte por desnutrição, malária, diarreia e temperaturas altas, causadas pela mudança climática.

O relatório mostrou ainda que somente a poluição do ar mata 7 milhões de pessoas no mundo todos os anos. A falta de acesso à água potável e serviços de saneamento causam a morte de 842 mil pessoas por ano de diarreia, sendo que 97% delas estão em países em desenvolvimento.

A exposição a substâncias químicas mata mais de 100 mil por ano pelo contato com o pó de amianto ou asbesto e mais de 650 mil por contaminação com o chumbo.

Progresso

Ao mesmo tempo, o relatório do Pnuma mostrou progresso para erradicar quase 100 substâncias químicas que causam danos à camada de ozônio. Isso significa uma redução de até 2 milhões de casos de câncer de pele e que outros milhões de casos de catarata serão evitados todos os anos.

Os benefícios com a eliminação do chumbo da gasolina podem alcançar US$ 2,4 trilhões e evitar 1 milhão de mortes prematuras por ano.

O documento diz ainda que a implementação de medidas para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa pode salvar a vida de 2,4 milhões de pessoas todos os anos até 2030.

in EcoDebate, 24/05/2016

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Publicado no Portal EcoDebate, 24/05/2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

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Publicado no Portal EcoDebate, 13/04/2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Relação cidade x natureza, parte IV (Final), artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Os parques urbanos no Brasil têm em sua história um contexto diferenciado quanto ao seu surgimento, pois não havia ainda uma crise no espaço urbano quanto aos processos de aglomeração populacional e toda uma necessidade de purificação do ar em relação às questões higiênicas como na Europa no século XIX.

A atenção para os parques urbanos no Brasil se dá com a chegada da família real em 1808, na qual o país passa pela chamada “organização urbana” com o objetivo de dotar com condições o espaço urbano no que tange a limpeza de ruas, criação da policia militar, imprensa régia e fundação do Banco do Brasil, ou seja, elementos ou instituições para dar apoio a transferência da família real.

Ao longo do século XIX, a história dos parques urbanos públicos no Brasil, se inicia com o Jardim Botânico. Criado para atender a Dom Pedro, e que durante este século foi transformado em parque.

Destaca-se ainda que a frequência deste parque segundo BOVO e CONRADO (2012), se destinava apenas pessoas com as vestes apropriadas que poderiam circular entre as palmeiras imperiais e a vegetação nativa brasileira.

Ainda nessa linha de pensamento MACEDO e SAKATA (2003) afirmam que “o parque urbano brasileiro não surge da urgência social de atender as necessidades das massas urbanas da metrópole do século XIX”.

Desta forma durante o século XIX, no Brasil outros espaços foram considerados como parques urbanos, apesar de na sua inauguração ter outra nomenclatura. JORGE (2007) afirma que o Campo de Santana foi considerado como espaço livre utilizado pela burguesia como espaço de lazer, assim como o Passeio Público do Rio de Janeiro, também considerado como parque urbano público.

Assevera-se ainda que o processo de urbanização no Brasil se inicia de uma forma crescente em 1950, e com esse fato as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro apresentam essa carência de espaços de ar livre destinados ao público de massa.

Para TOLEDO e SANTOS (2012) tece a consideração que somente no final do século XX e que surge o interesse político para introdução e formação dos parques urbanos, e que somente com esta ação que governos e municípios passam a ter essa responsabilidade.

Desta forma, reitera-se que são no parque urbano que elementos como cultura, qualidade de vida, consumo particular e estilos de vidas diferenciados, estão presentes no mesmo espaço de sociabilidades e subjetividades.

Denota-se que o surgimento efetivo do parque urbano público se manifesta com a necessidade de dotar as cidades de espaços adequados para atender a uma nova demanda social: o lazer, o tempo do ócio e para contrapor-se ao ambiente urbano.

Para LOBODA e DE ANGELIS (2005) se adota a classificação de parque urbano como categoria de espaço verde urbano público e por sua vez o conceito de “área verde com função ecológica, estética e de lazer, no entanto com uma extensão maior que as praças e jardins públicos”.

A proposta de atender a função ecológica, estética e social que um parque pode proporcionar encontra guarida em nosso ordenamento jurídico. Ressalta-se que o Brasil é um dos países mais avançados em termos de normas ambientais apesar das dificuldades de sua aplicabilidade em razão das estruturas ou falta delas nos órgãos responsáveis, da má vontade política, da pobreza da população e da consequente falta de educação em questões relacionadas ao ambiente.

Nesse ínterim, mais uma vez aparecem os Parques Urbanos como espaço de apropriação do sujeito para o lazer, práticas sociais e corporais. Para JACOBS (1996) os elementos que devem ser contemplados no processo de planejamento de um parque é uma maior diversidade de espaços e equipamentos, possibilitando distintas formas de apropriação. Sendo assim, as pessoas podem frequentar o parque por motivos diversos e em horários diferentes.

Nesse sentido, o lazer pode ser enquadrado não só como fonte de liberação dos dissabores dos trabalhadores, mas como núcleo formador de identidade e novas subjetividades.

Portanto, uma pesquisa sobre como os indivíduos frequentadores de parques urbanos em uma cidade percebem a relação cidade e natureza, se torna relevante, na medida em que se descobre que esse indivíduo de direitos previsto em nosso ordenamento jurídico, consegue compreender através de símbolos e linguagens presente no parque urbano, elementos da natureza em um micro espaço da cidade. Uma possível criticidade enquanto política pública, com objetivo de atender as funções que o parque pode proporcionar.

BANNELL, Ralph Ings. Habermas e a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

BRASIL, Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil. promulgada em 05 de outubro de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em: 11 de outubro de 2010.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental.
Universidade Federal Fluminense. 2011.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

HARVEY, David. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 2003.

JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: M. Fontes, 1996.

JORGE, Vinie Pedro. Além do Jardim: O parque na cidade de São José dos Campos. Dissertação de Mestrado em Urbanismo da PUC-CAMPINAS, 2007.

LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: <http://www.unicentro.br/EDITORA/REVISTAS/AMBIENCIA/v1n1/artigo%20125-139_.pdf> Acesso em: 02/11/2013.

MACEDO, Silvio Soares e SAKATA, Francine Gramacho. Parques Urbanos no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Edusp, 2002

OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalves. Direito Ambiental. Niterói, RJ: Impetus, 2012.

SANTOS, M. Espaço e Método. São Paulo: Edusp. 2008

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

SITTE, C. A construção das cidades segundo seus princípios artísticos. Trad. Ricardo Ferreira Henrique. São Paulo: Ática, 1992.

TOLEDO, Fabiane dos Santo e SANTOS, Douglas Gomes. Espaço livre de construção: um passeio pelos parques urbanos. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 3, n. 1, Piracicaba. 2012.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 06/04/2016
"Relação cidade x natureza, parte IV (Final), artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 6/04/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/04/06/relacao-cidade-x-natureza-parte-iv-final-artigo-de-roberto-naime/.

Relação cidade x natureza, parte III, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Ao articular a categoria de espaço urbano, surge a necessidade de compreensão da evolução do espaço geográfico, aliada ao cenário do surgimento dos parques urbanos.

SANTOS (2008) afirma quanto a compreensão da organização espacial, que “com a sua evolução, só se torna possível mediante a acurada interpretação do processo dialético entre formas, estruturas e funções através dos tempos”.

O próprio surgimento dos parques urbanos no mundo atende a uma demanda dos processos de urbanização e industrialização dos países. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos esses processos de transformação do espaço urbano ocasionaram o surgimento de grandes cidades e das metrópoles com um crescimento populacional superior as expectativas.

Quando se estuda a organização espacial esses conceitos (forma, função, estrutura e processo) são necessários para explicar como o espaço social está estruturado, como os homens organizam sua sociedade no espaço e como a concepção e o uso que o homem faz do espaço sofrem as mudanças. A acumulação do tempo histórico permite-nos compreender a atual organização espacial.

Nessa linha de pensamento da organização do espaço geográfico da qual o homem organiza sua sociedade no espaço, a partir das mudanças que sofrem, está na exegese dos parques.

Governantes e representantes de classe, em 1830, com as preocupações de doenças como cólera e doenças respiratórias na Europa. E embalados pelo relatório publicado pelo “Comitê de Seleção”, movem as autoridades para criar espaços para a higienização, purificação, circulação de brisas para a eliminação dos “miasmas” (JORGE, 2007).

Nesse contexto BOVO e CONRADO (2012) afirmam que os parques urbanos tinham a função primordial de recreação e lazer, uma vez que a malha urbana crescia rapidamente e necessitava de espaços para atenuar os problemas da cidade, tendo mais uma função de “pulmões verdes”.

Todas essas preocupações são confirmadas por JORGE (2007) ao ponderar que: “em 1840, Londres já apresentava uma quantidade significativa de parques urbanos abertos ao uso público como o Regent’s Park e Saint James Park, os famosos Hyde Park e Green Park, assim como o Kensington Park”.

Nesse ínterim o período de apogeu decorre das décadas de 1840 a 1860 tanto na Europa quanto nos Estados Unidos (SILVA e PASQUALETTO, 2013). Tanto que nos Estados Unidos houve o surgimento do Parks Movement, com a idéia de criação de espaços públicos com plantação de árvores para a vitalidade do ar para os habitantes.

Quanto aos Parks Movement ocorridos na América do Norte, influenciaram as transformações ocorridas nos parques urbanos no século XX, segundo SCALISE, (2002)

Esse movimento conservacionista defendia a utilização econômica dos espaços livres, criando oportunidades de recreação e também de preservar os recursos naturais, controle de enchentes, proteger os mananciais, criando espaços agradáveis para passear e morar.

Esses trabalhos, além de inspirar a criação de inúmeros parques e da cidade-jardim de Howard, mudaram o conceito de qualidade ambiental urbana.

Tanto SCALISE (2002), quanto SILVA e PASQUALETTO (2013) esclarecem ainda que o desenvolvimento dos parques urbanos ocorreu no século XX com o movimento dos Parques Americanos (Parks Movement) liderado por Frederick Law Olmstead tanto em Nova York, Chicago e Boston.

Assim com todas essas alterações no espaço urbano e com as mudanças históricas, o conceito de parque urbano na contemporaneidade passa a ser de todo o espaço de uso público destinado à recreação de massa, de qualquer tipo com presença arbórea. Para SILVA e PASQUALETTO (2013), prepondera a função recreativa.

Para FERREIRA (2011) no que se refere ao conceito e características de parque urbano, há que se destacar o diferencial, que consiste na presença do porte arbóreo, ou seja, a obrigatoriedade da presença de vegetação arbórea, pois “a massa vegetal e os seus efeitos positivos no ambiente urbano é o que fazem o diferencial do parque para os outros tipos de áreas verdes, como praças e jardins”.

Referências:

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental. Universidade Federal Fluminense. 2011.

JORGE, Vinie Pedro. Além do Jardim: O parque na cidade de São José dos Campos. Dissertação de Mestrado em Urbanismo da PUC-CAMPINAS, 2007.

LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: <http://www.unicentro.br/EDITORA/REVISTAS/AMBIENCIA/v1n1/artigo%20125-139_.pdf> Acesso em: 02/11/2013.

OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalves. Direito Ambiental. Niterói, RJ: Impetus, 2012.

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 05/04/2016

Neocolonialismo ecológico é ameaça global, artigo de Reinaldo Dias

[EcoDebate] Um dos maiores desafios para a implementação, a partir deste ano, dos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável (OS) é a permanência de relação perversa entre os países desenvolvidos (Norte) e os países em desenvolvimento (Sul) que pode ser caracterizada como de neocolonialismo ecológico.

Historicamente os países do hemisfério norte exploram de forma predatória a natureza dos países do sul, por meio de políticas econômicas agressivas ao meio ambiente.
Nessas relações de exploração, a natureza sempre foi a derrotada; perde quando os recursos naturais são extraídos de forma abusiva e quando recebe os resíduos que a sociedade de consumo produz em grande quantidade. Florestas são transformadas em cinzas para dar lugar a monoculturas e à pecuária.

É exemplo emblemático atual o que ocorre na Indonésia, onde as madeireiras estão destruindo as florestas para exportar madeira para os países em desenvolvimento. No local, plantam Palma para produção de óleo, que por ironia ainda rotulam o produto gerado –óleo de palma – como combustível ecológico (biodiesel). Na Amazônia são destruídas grandes áreas de floresta para a criação de pastagens e, no cerrado do Brasil central, a destruição ocorre para a produção de soja e outras commodities para exportação.

A expressão concreta dessa nova forma de neocolonialismo é a dívida ecológica que pode ser entendida como a responsabilidade que tem os países industrializados pela destruição gradativa do planeta como resultado de seu modo de produção e consumo, característico de um modelo de desenvolvimento, fortalecido pela globalização e que ameaça a integridade dos ecossistemas e da biodiversidade. Inclusive a da espécie humana.

O nível de vida que ostentam os países desenvolvidos se deve ao imenso fluxo de bens materiais naturais e exploração da mão-de-obra dos países em desenvolvimento, acrescido dos danos sociais e ambientais que a extração destes bens provoca. É um modelo que, na realidade, é subsidiado pelos países do Sul.

Atualmente, os mecanismos de exploração dos países mais ricos, portanto o aumento da dívida ecológica, se aperfeiçoaram, utilizando, principalmente, a atividade das corporações transnacionais como ponta de lança dessa ação predatória.

Os novos mecanismos de dominação e consequentemente de geração de mais dívida ecológica são, entre outros: investimentos vinculados a posse de áreas naturais, programas de privatização de áreas sensíveis do ponto de vista social e ambiental, acordos de propriedade intelectual que não levam em consideração a apropriação histórica de conhecimentos pelas comunidades (ribeirinhas, indígenas, caboclos, extrativistas) e a biopirataria.

Além disso, há hoje um fluxo de minerais, recursos energéticos, madeira, produtos da agricultura e da pesca dos países em desenvolvimento para os países desenvolvidos muito superior ao fluxo de recursos naturais em sentido contrário. Isso pode ser descrito como um aumento da base natural de sustentação das economias industrializadas em detrimento das populações dos países em desenvolvimento afetadas.

Consequentemente, a pegada ecológica dos países ricos sobre a biosfera supera em muito o território que ocupam, não somente pelo volume e recursos que extraem dos outros territórios, mas, também pelos resíduos tóxicos que lhes deixam ou lhes exportam (muitas vezes ilegalmente), pelos nutrientes naturais e a água que levam os produtos agrícolas e pecuários importados pelos países do Norte e pela deterioração ambiental que provoca a obtenção desses recursos exportados. Os países desenvolvidos, além disso, fazem uso dos sumidouros dos gases de efeito estufa (florestas, por exemplo) em uma proporção muito maior que lhes corresponderia por sua população.

O problema dessa relação é agravado pela atribuição injusta de preços pelo atual sistema econômico aos distintos fatores produtivos. Enquanto os países em desenvolvimento se especializam nos processos de extração e elaboração fisicamente mais caros e degradantes e economicamente menos valorizados, os países do Norte o fazem nas fases de menor investimento e que são mais valorizadas do processo econômico e na gestão comercial e financeira. Ao se valorizar pouco os recursos naturais e os serviços que prestam os ecossistemas, quem vive de sua venda é discriminado e fica mais pobre, e além do mais não há incentivo econômico para reduzir seu consumo.

Os países ricos, por sua parte, acumulam dinheiro pela venda de recursos supervalorizados (que proporcionam maior valor agregado), e ao fazê-lo acumulam uma capacidade aquisitiva desproporcional que os incentiva a consumir produtos e serviços naturais sem nenhuma consideração de sustentabilidade. Uma paralisante dívida externa (monetária) se mantém entre os países endividados e os empurra a explorar ainda mais intensamente seu meio natural para poder pagá-la.

*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ciências Sociais e mestre em Ciência Política.

in EcoDebate, 04/04/2016
"Neocolonialismo ecológico é ameaça global, artigo de Reinaldo Dias," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 4/04/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/04/04/neocolonialismo-ecologico-e-ameaca-global-artigo-de-reinaldo-dias/.

Mudanças climáticas exigem adaptações das cidades, mas ainda não são prioridade

Por Heitor Shimizu, de Michigan, Agência FAPESP
Desafio em cidades como São Paulo é integrar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas com políticas de moradia e de planejamento urbano, entre outras, dizem cientistas (foto: Parque da Juventude/Wikimedia Commons)

As mudanças climáticas globais impõem riscos às cidades e levam à necessidade de desenvolver planos de adaptação. Mas de que modo cidades como São Paulo, que contam com tantos outros problemas de infraestrutura e desenvolvimento, podem desenvolver uma capacidade adaptativa que permita responder eficientemente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas?

Encontrar respostas para essa pergunta é um dos objetivos de uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da University of Michigan (UM), com financiamento da universidade norte-americana em conjunto com a FAPESP.

Segundo as coordenadoras do projeto, as professoras Gabriela Marques Di Giulio, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e Maria Carmen Lemos, da School of Natural Resources and Environment da UM, a crescente compreensão de que ações de mitigação não serão suficientes para evitar os impactos climáticos tem levado a um aumento no número de cidades no mundo que apresentam planos de adaptação, reconhecendo os riscos associados às mudanças climáticas e os impactos nos seus sistemas socioecológicos.

Apesar disso, há muitas outras em situação de risco que pouco têm feito. E os motivos são limitações econômicas, institucionais ou políticas, que reduzem a capacidade de prover serviços básicos, infraestrutura e suporte às suas populações.

Di Giulio e Lemos, que apresentaram a pesquisa no dia 28 de março na FAPESP Week Michigan-Ohio, que ocorre até 1º de abril nas cidades de Ann Arbor e Columbus, nos Estados Unidos, apontam que pesquisas têm identificado recursos e estruturas de governança que aumentam as chances de uma adaptação bem-sucedida. E compreender como esses recursos interagem positiva e negativamente é essencial para construir cidades mais resilientes e sustentáveis.

“São Paulo, por exemplo, que é nosso foco de pesquisa, faz parte do C40 Cities Climate Leadership Group [rede de megacidades comprometida com os desafios envolvidos nas mudanças climáticas globais] e é uma das poucas megacidades que contam com uma política municipal sobre mudanças climáticas globais, instituída em 2009, ainda que a maioria dos objetivos não tenha sido atingida”, disse Di Giulio.

Segundo ela, em São Paulo o desafio é integrar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas com políticas de moradia, saneamento, planejamento urbano, gerenciamento de recursos hídricos e mobilidade urbana.

“Trata-se de uma região metropolitana com alta heterogeneidade em termos de acessos a recursos, níveis de pobreza e capacidade de interagir com as mudanças climáticas”, disse.

“Por meio de nossa pesquisa, procuramos entender como uma megacidade, no caso São Paulo, tem se mobilizado para lidar com riscos e ameaças das mudanças climáticas, como os tomadores de decisão em ciência, políticas e sociedade civil percebem os riscos climáticos na esfera local e como fatores contextuais influenciam a capacidade adaptativa local”, disse.

A pesquisa se baseou em métodos qualitativos, que incluem revisão da literatura científica, pesquisa documental – análise de pesquisas de opinião pública, conteúdo jornalístico, documentos e dados socioeconômicos –, entrevistas com atores e grupos sociais e reuniões técnicas e científicas, explicou Di Giulio.

O projeto colaborativo apoiado pela FAPESP e pela UM conta, além de Di Giulio e Lemos, com mais dois pesquisadores no Estado de São Paulo e um em Michigan.

Os pesquisadores já realizaram quatro missões no projeto desde outubro de 2014, que incluíram a realização de um seminário, um workshop e encontros em São Paulo e em Michigan.

Entre os resultados do projeto, Di Giulio mencionou a publicação de artigos como Building adaptive capacity in the megacity of São Paulo, Brazil: urgencies, possibilities and challenges, apresentado em 2015 na RC21 International Conference, International Sociological Association, na Itália, e “Megacidades e mudanças climáticas: um enfoque interdisciplinar sobre o município de São Paulo”, a ser publicado este ano como capítulo de um livro.

Outras cidades brasileiras

“Estamos construindo uma plataforma analítica para entender melhor o processo complexo da adaptação, especialmente se considerarmos as incertezas relacionadas às projeções climáticas de ocorrência e frequência de eventos extremos. Em termos de fatores contextuais que influenciam diretamente a capacidade de adaptação, também analisamos como as restrições econômicas, institucionais e políticas afetam a capacidade das cidades de prover serviços básicos e de apoiar as populações, infraestruturas e ecossistemas atuais”, disse Di Giulio.

Segundo a pesquisa, a população em São Paulo tende a ver as mudanças climáticas como um problema menor. “As pessoas reconhecem os impactos das mudanças climáticas, mas, ainda que preocupadas, para elas esses impactos competem com outros assuntos, que as pressionam mais”, disse Di Giulio.

Os pesquisadores analisaram políticas urbanas recentes em São Paulo, entre as quais intervenções específicas em sistemas de mobilidade, moradia e iniciativas de infraestrutura sustentável, mas consideram que essas e outras medidas não têm sido descritas como ações de adaptação às mudanças climáticas.

O projeto continua com o desenvolvimento do CiAdapta (Cidades, Vulnerabilidade e Mudanças Climáticas), uma abordagem integrada e interdisciplinar para analisar ações e capacidade de adaptação. O novo projeto, com duração até 2017, é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O CiAdapta envolve seis capitais brasileiras: São Paulo, Manaus, Fortaleza, Vitória, Curitiba e Porto Alegre.

Outro projeto conduzido por Lemos e Di Giulio envolve as cidades do Estado de São Paulo. “Pretendemos desenvolver uma plataforma teórica e metodológica para analisar a adaptação climática aplicável a todas as cidades com população entre 20 mil e 500 mil habitantes. Inicialmente, desenvolvemos um questionário que foi distribuído para essas cidades com a colaboração da Secretaria Estadual do Meio Ambiente”, disse Lemos, que fez a graduação na Universidade Federal de Juiz de Fora e o mestrado e doutorado no Massachusetts Institute of Technology.

“É importante destacar que o que as cidades fizerem agora irá prepará-las para as mudanças climáticas globais e a plataforma que estamos desenvolvendo poderá ajudar nas tomadas de decisões não apenas as cidades contidas na pesquisa, mas também outras cidades no Brasil”, disse a professora da UM.

in EcoDebate, 31/03/2016