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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Pesquisa questiona eficácia e acessibilidade à população de Guia Alimentar

17.09.2018

Estudiosa de comunicação em saúde aponta problemas no material que especialistas de nutrição e saúde pública ajudaram a elaborar

Segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira se preocupou mais com compreensão ampliada da alimentação do que com quantidades de nutrientes. Críticas, porém, são direcionadas à viabilidade questionável, para a maioria da população, do que é recomendado – Foto: NobbiP/Wikimedia Commons CC

A segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, lançada em 2014, foi elaborada em uma parceria do Ministério da Saúde com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP. O material buscou trazer uma abordagem inovadora, menos focada em grupos alimentares e quantidades de nutrientes a serem ingeridos e mais preocupada com a construção de uma compreensão ampliada sobre alimentação, que inclui não só o olhar sobre o alimento, mas também para as refeições, modos de comer e a relação disso com o meio ambiente.

Agora, acaba de ser finalizada a primeira pesquisa levantando problemas no material, como parte do pós-doutorado da pesquisadora sênior do grupo de pesquisa Comunicação Pública e Política, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Devani Salomão de Moura Reis. O trabalho buscou avaliar a eficácia do Guia no combate às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), em especial a obesidade.
Devani Reis – Foto: Arquivo pessoal

O pós-doutorado foi iniciado em 2015 e analisou as respostas de nutricionistas de diversas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade de São Paulo a um questionário de 60 questões abertas elaboradas pela pesquisadora. Com base nele, apontou-se, por exemplo, que 70% das nutricionistas afirmam que há dificuldades em convencer o paciente a consumir gorduras adequadamente. Sobre o consumo de sal, 66,7% dizem o mesmo.

Sobre a motivação para a pesquisa, Devani Reis evoca sua longa trajetória investigando as questões da comunicação no âmbito da saúde pública. Desde o mestrado, no qual analisou como médicos e pacientes enxergavam um ao outro, passando pelo doutorado, no qual criticou a cartilha Viver mais e melhor, do Ministério da Saúde, até este quarto pós-doutorado, que tem como objeto de estudo o Guia, sempre se dedicou à área da comunicação na saúde pública. Para ela, “é hora de mostrar que a comunicação é importante na área da saúde. Muito importante porque, desde o estudo do mestrado, quando avaliei que os pacientes têm dificuldades de falar com o médico porque o enxergam como um deus, percebi que falta interlocução”.

Elaboração coletiva

Segundo Maria Laura da Costa Louzada, que fez parte da equipe do Nupens durante o projeto de atualização do Guia em 2014, essa nova versão se fez necessária por conta da série de transformações pelas quais o Brasil havia passado desde 2006, quando a primeira edição foi publicada. “O Brasil passou por um intenso processo de mudanças econômicas, sociais e políticas e por uma transição epidemiológica. O cenário de desnutrição deu lugar a um cenário de diabete e de hipertensão. Junto a isso, tivemos uma grande evolução nos conhecimentos da nutrição, o paradigma da alimentação mudou”. Para ela, que fala em nome dos outros colaboradores do Nupens envolvidos, o principal ponto positivo do material é enxergar a alimentação como algo maior do que só os alimentos, considerando também as combinações, seu valor cultural, sensorial e ambiental ligado ao ato de se alimentar.
Nos últimos anos, o quadro de desnutrição que atingia uma parcela da população brasileira deu lugar a um cenário de ampla ocorrência de diabete e de hipertensão – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Maria Laura Louzada – Foto: Arquivo pessoal

Maria Louzada relembra também o processo de elaboração e revisão do Guia, bastante coletivo e preocupado em ser inclusivo. “Entre 2011 e 2013 aconteceram duas oficinas na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, com pessoas de todo o Brasil e de diversas áreas, como trabalhadores de ponta da área da saúde, da educação, da educação popular, da saúde dos negros e negras e da associação de vegetarianismo. Essas pessoas leram o Guia, debateram com a gente e tivemos um processo de construção coletiva, que não foi feito só pelo Nupens. Em 2013, foi realizada a consulta pública, que ficou três meses aberta. Recebemos mais de três mil contribuições, mudamos diversas coisas. Evoluímos muito com esse processo, muitas coisas que podiam ter sido melhoradas, de fato, foram.”

Para todos?

Devani Reis, por sua vez, ressalta ter encontrado uma falta de conexão entre a realidade proposta no material com a dos usuários do sistema de saúde pública. “O Guia prescreve que você se alimente sempre no mesmo horário, em lugares limpos, com companhia. Quantas pessoas podem ter esse privilégio?”. Ao ser perguntada sobre o maior problema do material, é categórica: “Não se pensou no público-alvo”. Sobre isso, Maria Louzada discorda. Segundo ela, a recomendação do Guia é de que as pessoas busquem se alimentar com regularidade, ou seja, não “belisquem” durante o dia, comam em lugares confortáveis, adequados e limpos e, sempre que possível, em companhia e que isso ainda é um ideal possível para muitos brasileiros. “Acho que boa parte dessa crítica é uma falácia porque muitas das recomendações do Guia foram baseadas na análise da Pesquisa de Orçamentos Familiares, conduzida pelo IBGE, com dados de 2008 e 2009, que avaliou a alimentação de mais de 30 mil brasileiros.”

"O Guia prescreve que você se alimente sempre no mesmo horário, em lugares limpos, com companhia. Quantas pessoas podem ter esse privilégio? Não se pensou no público-alvo.”
Devani Reis

"Acho que boa parte dessa crítica é uma falácia porque muitas das recomendações do Guia foram baseadas na análise da Pesquisa de Orçamentos Familiares, conduzida pelo IBGE, com dados de 2008 e 2009, que avaliou a alimentação de mais de 30 mil brasileiros.”
Maria Laura Louzada
De fato, a pesquisa que Maria Louzada cita demonstra que boa parte da população brasileira ainda baseia sua alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados e que a maioria das pessoas de baixa renda também apresenta esse padrão, levando à conclusão de que “a limitação econômica não é um empecilho para esse tipo de alimentação para a maioria das pessoas aqui no Brasil”.

As duas têm opiniões bastante divergentes quanto à eficácia do Guia. Maria Louzada defende que ele teve influência em legislações e em discussões, como a mudança da rotulagem alimentar no Brasil e a atualização das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), enquanto Devani Reis questiona até mesmo o princípio de que o Guia seja acessível a toda a população. “O Guia diz ser para todos os brasileiros. Pode ser, para todo brasileiro que tenha uma instrução de segundo grau. É necessário entender que se alimentar é muito mais do que ingerir nutrientes. É uma questão financeira e educacional.”

Ainda de acordo com Devani Reis, o Guia encoraja as pessoas a se engajarem na defesa de políticas fiscais que resultem em encarecimento dos alimentos ultraprocessados. Para ela, porém, o cidadão que recebe essa incumbência é aquele a quem foi negado o direito a moradia, educação, saneamento básico, transporte e saúde, entre outros. “Parece-nos uma convocação injusta alguém sem condições imprescindíveis para lutar pelos seus direitos ser chamado a abraçar atos para resoluções de problemas do Estado.”
Mais informações:

e-mail devani.salomao@gmail.com, com Devani Salomão Reis; maria.laura.louzada@usp.br, com Maria Laura Louzada

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

What can salad dressing tell us about cancer? Think oil and vinegar

Date: September 23, 2018 Source: St. Jude Children's Research Hospital Summary: Scientists have identified another way the process that causes oil to form droplets in water may contribute to solid tumors, such as prostate and breast cancer. Researchers found evidence that mutations in the tumor suppressor gene SPOP contribute to cancer by disrupting a process called liquid-liquid phase separation. Liquid-liquid phase separation is seen often in nature and is the reason why oil and vinegar separate in salad dressing.
Jill Bouchard, Ph.D., Joel Otero, Ph.D., and Tanja Mittag, Ph.D. were studying SPOP initially to better understand its role in the mechanism of protein degradation, but the investigation became more complicated.
Credit: St. Jude Children's Research Hospital / Ann Margaret Hedges

Researchers led by St. Jude Children's Research Hospital scientists have identified another way the process that causes oil to form droplets in water may contribute to solid tumors, such as prostate and breast cancer. The findings appear today in the journal Molecular Cell.

Researchers found evidence that mutations in the tumor suppressor gene SPOP contribute to cancer by disrupting a process called liquid-liquid phase separation. Liquid-liquid phase separation is seen often in nature and is the reason why oil and vinegar separate in salad dressing.

SPOP is the most frequently mutated gene in prostate cancer and is altered in other solid tumors. The SPOP protein is part of the cell's protein-recycling machinery. SPOP binds unneeded or unwanted proteins so they can be chemically tagged for destruction. Mutations in SPOP were known to disrupt binding and lead to a buildup of cancer-promoting proteins in sensitive cells. St. Jude research suggests that is not the whole story.

"This study shows for the first time that tumor-suppressor function can be influenced by phase separation and that mutations in the tumor suppressor, in this case SPOP, disrupt phase separation," said corresponding author Tanja Mittag, Ph.D., an associate member of the St. Jude Department of Structural Biology.

New chapter

The research comes amid growing interest among cell biologists in liquid-liquid phase separation and its role in cellular function, aging and disease, including cancer and neurodegenerative disorders.

Research published in the past five years indicates that cells rely on liquid-liquid phase separation to maintain their equilibrium under changing conditions. Evidence suggests the process works by concentrating or sequestering molecules in borderless compartments. The compartments, called membraneless organelles, are found throughout the cell. While many such compartments have been known for decades, Mittag said recent advances have expanded our understanding of their role in cellular organization and launched a new era in cell biology. "Some have called it biology 2.0," she said.

Complicated story

Mittag and her colleagues were studying SPOP initially to better understand its role in the mechanism of protein degradation. "The story turned out to be more complicated," she said. That's because SPOP can recognize and bind molecules with multiple binding sites rather than one, a quality known as multi-valency. Those molecules included cancer-promoting proteins like DAXX and androgen receptor, which researchers used in this study.

Researchers showed that when the proteins were expressed together in cells in a laboratory dish, DAXX could trigger liquid-liquid phase separation with SPOP. That caused SPOP and DAXX to move from their location in separate membraneless organelles in the nucleus and rendezvous to form their own border-less compartment.

Enzyme activity

Investigators also reported that enzymatic activity occurred inside the newly formed membraneless organelle. The activity was an indication SPOP was fulfilling its role as a tumor suppressor and tagging DAXX for destruction. "The big question for the field has been what is going on inside these compartments," said co-first author Joel Otero, Ph.D., of the St. Jude Structural Biology department. "This research showed the membraneless organelles are actually promoting a reaction by bringing together SPOP and its substrate, in this case DAXX, so the reaction can take place."

Liquid-liquid phase separation did not occur when DAXX and mutant SPOP were expressed together in the laboratory. Instead of a shared membraneless organelle, mutant SPOP and DAXX remained isolated in separate compartments. Researchers also found fewer DAXX molecules were chemically tagged (ubiquitinated) for destruction. /p> The results were similar when mutant and normal SPOP were expressed with androgen receptor, another SPOP binding partner that is associated with cancer promotion./p>

Activity not just storage

"A lot of previous research has shown cells use membraneless organelles to sequester molecules until they are needed," said first author Jill Bouchard, Ph.D., a St. Jude postdoctoral fellow in the Structural Biology department. "This study showed that activity also occurs inside membraneless organelles." Bouchard explained that without phase separation the process for maintaining protein balance is disrupted. That allows substrate levels, in this case DAXX levels, to increase with potentially catastrophic results.

Story Source:

Materials provided by St. Jude Children's Research Hospital. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Jill J. Bouchard, Joel H. Otero, Daniel C. Scott, Elzbieta Szulc, Erik W. Martin, Nafiseh Sabri, Daniele Granata, Melissa R. Marzahn, Kresten Lindorff-Larsen, Xavier Salvatella, Brenda A. Schulman, Tanja Mittag. Cancer Mutations of the Tumor Suppressor SPOP Disrupt the Formation of Active, Phase-Separated Compartments. Molecular Cell, 2018; DOI: 10.1016/j.molcel.2018.08.027

Cite This Page:
St. Jude Children's Research Hospital. "What can salad dressing tell us about cancer? Think oil and vinegar." ScienceDaily. ScienceDaily, 23 September 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/09/180923141657.htm>.

Dieta com restrição de proteínas reduziu glicemia de diabéticos

24.09.2018

Depois de quatro semanas de dieta com menor quantidade de carne, voluntários tiveram redução de 61% nos níveis de glicose, sem perda de massa magra
Dieta restrita em proteínas ativou outra via metabólica, benéfica aos fins desejados, chamada de GCN2. A ativação foi comprovada em avaliação da expressão de genes associados a esta via no tecido adiposo subcutâneo dos pacientes – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Com uma dieta comum à maior parte dos brasileiros – composta de arroz, feijão, saladas e carne, essa em quantidade menor, ou seja, com diminuição de proteínas -, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP conseguiram reduzir a glicemia de um grupo de voluntários portadores de Diabetes mellitus tipo 2. Participaram deste estudo controlado sete indivíduos, de cinco estados brasileiros, durante quatro semanas, portadores de diabete tipo 2 há pelo menos nove anos, com dislipidemia – elevação do colesterol e/ou triglicérides, e hipertensão arterial.
Rafael Ferraz Bannitz e a professora Maria Cristina Foss-Freitas, durante apresentação do trabalho no Congresso da ADA nos Estados Unidos – Foto: Arquivo Pessoal

Após as quatro semanas, o grupo avaliado apresentou uma redução de 61% dos níveis de glicose em jejum e uma redução de 14% da hemoglobina glicada, marcadores que indicam o volume de açúcar no sangue. “O protocolo de restrição proteica a que o grupo de voluntários foi submetido, além de reduzir os níveis de glicose sanguínea, também reduziu em 32% os níveis de colesterol total e 33% os níveis de LDL, o colesterol ruim”, conta Rafael Ferraz Bannitz, um dos autores do estudo publicado em importante revista internacional da área.

Os resultados também mostraram uma redução de 4,5% do peso corporal, com diminuição de 11% da massa gorda e manutenção da massa magra. Além disso, todos os indivíduos apresentaram normalização da pressão arterial sistêmica, com uma queda de 23% na pressão sistólica e 44% na pressão diastólica.

Segundo o pesquisador, essa é a primeira vez que um grupo de pesquisa aplica “um protocolo de tratamento exclusivamente alimentar em seres humanos totalmente controlado”. O objetivo principal é definir os mecanismos de ação da restrição calórica e da dieta hipoproteica em seres humanos. A restrição calórica, diz Bannitz, tem se mostrado uma ótima intervenção no combate a doenças metabólicas em diferentes espécies, porém a restrição de proteínas na dieta em seres humanos é uma grande incógnita, principalmente em indivíduos que são portadores de diabete tipo 2.
Vias metabólicas

Via metabólica é uma série de reações químicas que acontece nas células para degradar os nutrientes, gerando energia para o organismo. Existe mais de uma maneira dessa quebra dos nutrientes ser feita, ou seja, mais de uma via metabólica possível. Diferentes “caminhos” bioquímicos utilizados produzem diferentes resultados.

Com esse estudo, os pesquisadores mostram que a dieta restrita em proteínas ativa a chamada via de GCN2. “A via de GCN2 é uma das principais vias metabólicas responsáveis por proporcionar benefícios à saúde em diversos modelos animais, mas ainda não havia sido demonstrada em seres humanos”, lembra Bannitz. Essa ativação pôde ser identificada avaliando-se o tecido adiposo subcutâneo dos pacientes pesquisados, que mostrou a expressão de genes associados à GCN2.

“Os achados sugerem que, de fato, a dieta restrita em proteína afeta a via GCN2 em humanos, possibilitando o controle glicêmico e lipidêmico”, afirma Bannitz.

O grupo de pesquisa liderado por Foss-Freitas estuda os mecanismos e intervenções capazes de melhorar o controle metabólico modulando o bom funcionamento do organismo frente aos danos decorrentes da obesidade, principalmente, de diabete tipo 2. Atualmente, o estudo foi estendido, aumentando o número de indivíduos tratados.

O estudo Protein-Restricted Diet Is Effective in Decreasing Glycemia, HbA1c, and Cholesterol in Type 2 Diabetic Subjects by the Activation of the GCN2 Pathway foi apresentado no Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), nos Estados Unidos, em junho, e publicado na revista Diabetes, ligada à ADA. É parte do doutorado de Bannitz, orientado pela professora Maria Cristina Foss-Freitas e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Também participaram do estudo Rebeca Beraldo, Patrícia Gomes e Milton Cesar Foss, todos da FMRP.

Mais informações: e-mail rafael_ferraz@live.com

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Artigo sobre a promoção de hábitos alimentares saudáveis na escola

Resenha:
Amanda Casoni - acadêmica de nutrição da Universidade de Taubaté (UNITAU)

Artigo:

SILVA, Inaiara Mirelly Germano da. Promoção de hábitos alimentares saudáveis no ambiente escolar: fortalecimento das ações de educação alimentar e nutricional e do programa de alimentação escolar. 2018. 61 f. TCC (Graduação) - Curso de Nutrição, Centro Acadêmico de Vitória, Universidade Federal de Pernambuco, Vitória de Santo Antão, 2018. Disponível em: <https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/23919/1/SILVA%2c%20INAIARA%20MIRELLY%20GERMANO%20DA.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018.

O processo de obtenção de hábitos alimentares começa desde criança, como, por exemplo, na fase pré-escolar de 2 a 6 anos. Portanto, se justifica a importância da promoção e do incentivo para que as crianças já se habituem com uma alimentação saudável, visando também a prevenção de doenças que poderão ocorrer devido aos hábitos não saudáveis, inclusive, na fase adulta. 

Mas como fazer as crianças se interessarem por um assunto pelo qual nem mesmo a maioria dos adultos se interessa? Bom, na pesquisa de SILVA (2018) foram usadas várias ferramentas para que a criança se motive aos hábitos alimentares saudáveis, como o teatro de fantoche. 

No teatro de fantoche, os personagens mostram os malefícios do refrigerante, das bolachas e dos salgadinhos e os benefícios das frutas e de suas vitaminas. 

Após o uso desta ferramenta, os autores observaram maior aceitação das crianças para o consumo das frutas quando eram servidas após o teatro. 

Trabalhos como este, segundo conclusão da autora, "!é de suma importância para despertar a curiosidade, o conhecimento e o empoderamento das crianças e também da comunidade escolar para uma alimentação adequada e saudável e o fortalecimento do consumo da merenda escolar". 

Algumas outras informações interessantes fornecidas pela autora:

"a alimentação inadequada e o sedentarismo contribuem para o desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis"

"a implementação de atividades de educação alimentar e nutricional, já em tenra idade, possibilita a agregação de conhecimentos sobre alimentação e nutrição, que oportunizam a promoção da prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares mais saudáveis"

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Alimentação no início da vida: janela para o futuro

17/08/2018
Marly A. Cardoso é professora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP
Por Redação - Editorias: Artigos
Marly A. Cardoso – Foto: Arquivo pessoal

Os primeiros 1.000 dias de vida compreendem o intervalo entre a concepção de um bebê até os dois primeiros anos de vida (270 dias da gestação + 365 dias do primeiro ano de vida + 365 dias do segundo ano de vida). Análises das curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmam a importância dos dois primeiros anos de vida como uma “janela de oportunidades” para promoção da saúde e do capital humano de uma população.

Embora mecanismos subjacentes não sejam ainda totalmente esclarecidos, especula-se que exposições adversas tanto na vida intrauterina como no início da vida pós-natal possam afetar a saúde tanto da mãe como do bebê ao longo do ciclo da vida e também para gerações futuras, por meio de alterações epigenéticas (alterações hereditárias que afetam expressão gênica sem alterar sequência dos pares de base do DNA). A promoção da nutrição adequada e do crescimento saudável no intervalo crucial dos 1.000 primeiros dias parece resultar em efeitos benéficos sobre a saúde do indivíduo durante sua vida.

A coexistência de deficiências e excessos nutricionais tem sido considerada o desafio atual da agenda de saúde pública global. Gestantes e crianças menores de 2 anos de idade estão entre os grupos populacionais de maior risco para deficiência de micronutrientes, que afeta também o desenvolvimento neurológico. A alimentação com predomínio de alimentos ultraprocessados (refrigerantes, embutidos, salgadinhos, biscoitos, guloseimas, entre outros) apresenta alta densidade energética, aditivos químicos, alto teor de gordura, sódio e açúcar com baixa concentração de micronutrientes.

Por sua vez, a dieta com predomínio de alimentos minimamente processados, como frutas e hortaliças frescas, castanhas, cereais, feijões e preparações caseiras, por exemplo, oferece maior concentração e biodisponibilidade de micronutrientes e compostos bioativos naturalmente presentes nesses alimentos. Para o bebê, o leite materno é o melhor alimento, oferecendo também benefícios à saúde materna (controle de peso após o parto e proteção para câncer de mama). O leite materno deve ser oferecido exclusivamente até os seis meses de vida (sem oferta de água, chás ou qualquer outro líquido).

Após os seis meses de vida, a alimentação complementar deve ser introduzida de forma oportuna e adequada de acordo com as diretrizes da OMS, mantendo-se o aleitamento materno até pelo menos 2 anos de idade da criança. Um grande número de compostos bioativos do leite humano podem induzir alterações na metilação do DNA e é possível que, sem a exposição a esses fatores, bebês alimentados com fórmulas infantis possam apresentar diferenças na regulação de processos epigenéticos, contribuindo para um pior perfil de saúde a longo prazo.

As causas responsáveis por recentes mudanças nutricionais observadas nos países em desenvolvimento são complexas, envolvendo o processo de urbanização, a globalização da economia, políticas agrícolas, novas formas de distribuição e marketing dos alimentos, variações na renda das famílias, tendências dos preços relativos dos diferentes alimentos e conhecimentos dos indivíduos sobre alimentação e saúde, entre outros fatores. Segundo a última edição do relatório anual sobre a fome Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Ifad) e o Programa Alimentar Mundial (PAM), há 795 milhões de pessoas que passam fome no mundo.

Entre 1990 e 2014, a porcentagem de pessoas que passam fome na América Latina e Caribe diminuiu de 14,7% para 5,5% desde 1990, e a porcentagem de crianças desnutridas (abaixo dos cinco anos) também teve redução de 7,0% para 2,7%. Segundo o documento da ONU, o Brasil reduziu em 82,1% o número de pessoas subalimentadas no período de 2002 a 2014. A queda foi superior à média da América Latina nesse período, de 43,1%.

Gestantes e crianças menores de 2 anos de idade estão entre os grupos populacionais de maior risco para deficiência de micronutrientes, que afeta também o desenvolvimento neurológico.

Avanços no perfil de saúde e nutrição de crianças brasileiras foram observados no período de 2002 a 2014. Um exemplo importante foi a promoção do aleitamento materno exclusivo (AME). Enquanto na década de 1980 apenas 3,1% das crianças menor de 6 meses estavam em AME, esse porcentual aumentou mais de dez vezes, passando a 38,6% em 2006. No entanto, assim como observado em outros indicadores de saúde infantil, esses avanços não ocorreram com mesma magnitude entre as regiões brasileiras e ainda estão aquém das recomendações da OMS.

Estimativas recentes apontam estabilização das taxas de aleitamento materno, pela primeira vez, após décadas de aumento, acompanhadas desde 2016 por aumento da mortalidade infantil e redução da cobertura vacinal decorrente da fragilização das políticas públicas sociais e do Sistema Único de Saúde (SUS), atingindo diretamente a população mais vulnerável, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste do País.

A crise política e econômica atual pode piorar ainda mais esse cenário brasileiro, comprometendo o estado nutricional exibido desde os estágios iniciais da vida até a idade adulta, o desenvolvimento físico e metabólico, a capacidade cognitiva e indicadores de morbidade e mortalidade, além de ter impacto sobre a produtividade econômica e o desempenho reprodutivo futuros. As consequências do teto de gastos por 20 anos, conforme previsto na Emenda Constitucional 95, com cortes importantes em investimentos em saúde, educação e pesquisa, fecharão muitas janelas de oportunidades para as próximas gerações de brasileiros.

“Manga, caju, maracujá, sapoti
Fruta-de-conde, jenipapo, graviola, açaí
Jaca, pitanga, amora e abacaxi
Ah! não há terra generosa como as terras daqui…
Paca, tatu, cutia, anão, jabuti
Tem sabiá, tem curió, uirapuru, juriti
Bicho do mato agora pode sair
É um tiro só e a morte é doce como as frutas daqui…”

(Banana, cantada por Joyce. Compositores: Guy Rupert Berryman / Jonas Bjerre / Magne Furuholmen / Martin Terefe)

Veja a página oficial do projeto Estudo MINA-Brasil: Saúde e Nutrição Materno-Infantil no Acre, que a professora Marly A. Cardoso coordena em Cruzeiro do Sul, no Acre.

Link:

Antioxidant reduces risk for second heart attack, stroke

Cells and platelets stick inside arteries, increase risk after initial attack

Date: September 4, 2018 Source: Oregon Health & Science University Summary: Doctors have long known that in the months after a heart attack or stroke, patients are more likely to have another attack or stroke. Now, an article explains what happens inside blood vessels to increase risk -- and suggests a new way to treat it.

Doctors have long known that in the months after a heart attack or stroke, patients are more likely to have another attack or stroke. Now, a paper in the Journal of the American College of Cardiologyexplains what happens inside blood vessels to increase risk -- and suggests a new way to treat it.

Heart attacks in mice caused inflammatory cells and platelets to more easily stick to the inner lining of arteries throughout the body -- and particularly where there was already plaque, according to the paper. As a result, these sticky cells and platelets caused plaque to become unstable and contribute to blood clots that led to another heart attack or stroke.

But the study found treating mice that had experienced a heart attack or stroke with the powerful antioxidant apocynin cut plaque buildup in half and lowered inflammation to pre-attack levels.

"Knowing that newer forms of antioxidants such as apocynin can lower the risk of a second heart attack or stroke gives us a new treatment to explore and could one day help reduce heart attacks and strokes," said the paper's corresponding author, Jonathan R. Lindner, M.D., a professor of cardiovascular medicine at the OHSU School of Medicine.

Lindner penned the research paper with colleagues from OHSU, Scripps Research Institute and Bloodworks NW.

The researchers discovered the sticky cells and platelets by using unique forms of ultrasound imaging they developed to view molecules on the lining of blood vessels.

This research could help explain why the recent Canakinumab Anti-inflammatory Thrombosis Outcomes Study, also known as the CANTOS clinical trial, found an anti-inflammatory drug already approved to treat juvenile arthritis also reduced the risk of a second heart attack in trial participants by 15 percent.

Lindner and his colleagues are further studying how the relative stickiness of remote arteries affects the risks for additional heart attacks and strokes and are also evaluating new therapies beyond antioxidants.

The study was supported by the National Institutes of Health (R01-HL078610, R01-HL130046, R01-HL091153, R01-HL11763, HL42846, HL78784), NASA (grant 14-14NSBRI1-0025) and the Swiss National Science Foundation.

Story Source:

Materials provided by Oregon Health & Science University. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Federico Moccetti, Eran Brown, Aris Xie, William Packwood, Yue Qi, Zaverio Ruggeri, Weihui Shentu, Junmei Chen, Jose A. López, Jonathan R. Lindner. Myocardial Infarction Produces Sustained Proinflammatory Endothelial Activation in Remote Arteries. Journal of the American College of Cardiology, 2018; 72 (9): 1015 DOI: 10.1016/j.jacc.2018.06.044

Cite This Page:
Oregon Health & Science University. "Antioxidant reduces risk for second heart attack, stroke: Cells and platelets stick inside arteries, increase risk after initial attack." ScienceDaily. ScienceDaily, 4 September 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/09/180904164639.htm>.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Using mushrooms as a prebiotic may help improve glucose regulation

Date: August 16, 2018 Source: Penn State Summary: Eating white button mushrooms can create subtle shifts in the microbial community in the gut, which could improve the regulation of glucose in the liver, according to a team of researchers. They also suggest that better understanding this connection between mushrooms and gut microbes in mice could one day pave the way for new diabetes treatments and prevention strategies for people.

Eating white button mushrooms can create subtle shifts in the microbial community in the gut, which could improve the regulation of glucose in the liver, according to a team of researchers. They also suggest that better understanding this connection between mushrooms and gut microbes in mice could one day pave the way for new diabetes treatments and prevention strategies for people.

In the study, the researchers showed that feeding white button mushrooms to mice changed the composition of gut microbes -- microbiota -- to produce more short chain fatty acids, specifically propionate from succinate, according to Margherita T. Cantorna, Distinguished Professor of Molecular Immunology in Penn State's College of Agricultural Sciences. Previous research has shown that succinate and propionate can change the expression of genes needed to manage glucose production, she said.

"Managing glucose better has implications for diabetes, as well as other metabolic diseases," said Cantorna.

Normally glucose is provided from the food people eat. Insulin moves glucose out of the blood and into the cells. Diabetes occurs when either there is not enough insulin or the insulin that is made is not effective, resulting in high blood glucose levels.

Diabetes and pre-diabetes contribute to severe life threatening diseases including heart disease and stroke. According to the Centers for Disease Control, 100 million Americans have diabetes or pre-diabetes in 2017.

The researchers, who reported their findings in a recent issue of the Journal of Functional Foods, available online now, used two types of mice in the study. One group

of mice had microbiota, the other group did not have microbiota and were germ-free mice.

"You can compare the mice with the microbiota with the germ-free mice to get an idea of the contributions of the microbiota," said Cantorna. "There were big differences in the kinds of metabolites we found in the gastrointestinal tract, as well as in the liver and serum, of the animals fed mushrooms that had microbiota than the ones that didn't."

The researchers fed the mice about a daily serving size of the mushrooms. For humans, a daily serving size would be about 3 ounces.

According to the researchers, consuming the mushrooms can set off a chain reaction among the gut bacteria, expanding the population of Prevotella, a bacteria that produces propionate and succinate, said Cantorna. These acids can change the expression of genes that are key to the pathway between the brain and the gut that helps manage the production of glucose, or gluconeogenesis.

According to the researchers, the mushrooms, in this case, serve as a prebiotic, which is a substance that feeds beneficial bacteria that are already existing in the gut. Probiotics are live beneficial bacteria that are introduced into the digestive system.

Beyond the possible beneficial benefits of mushrooms as a prebiotic, Cantorna said that this study also shows more evidence that there is a tight connection between diet and microbiota.

"It's pretty clear that almost any change you make to the diet, changes the microbiota," said Cantorna.

Cantorna said that the study was done with lean mice, but they are interested in what the reaction would be in obese mice. Eventually, the team would like to see how this works in obese mice and, eventually, in humans, she added.

Story Source:

Materials provided by Penn State. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Yuan Tian, Robert G. Nichols, Pratiti Roy, Wei Gui, Philip B. Smith, Jingtao Zhang, Yangding Lin, Veronika Weaver, Jingwei Cai, Andrew D. Patterson, Margherita T. Cantorna. Prebiotic effects of white button mushroom ( Agaricus bisporus ) feeding on succinate and intestinal gluconeogenesis in C57BL/6 mice. Journal of Functional Foods, 2018; 45: 223 DOI: 10.1016/j.jff.2018.04.008

Cite This Page:
Penn State. "Using mushrooms as a prebiotic may help improve glucose regulation." ScienceDaily. ScienceDaily, 16 August 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/08/180816105524.htm>.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Sobre a pirâmide alimentar - 3 (http://outraspalavras.net)


Após 26 anos de trabalho, pirâmide dos alimentos não quer se aposentar

Texto: João Peres

Reformulação

Depois daquele estudo, o USDA decidiu reformular a pirâmide. E a emenda saiu pior que o soneto. Os pesquisadores haviam alertado: só com uma campanha muito forte de informação a pirâmide poderia se tornar um instrumento útil. O que o Departamento de Agricultura fez foi criar uma página na qual você poderia entrar, colocar seus dados e receber uma orientação nutricional individualizada. A situação só se complicou.
Não faltaram pesquisadores gritando: “Parem as máquinas! A pirâmide já fez muitos estragos.”

– Carol S. Johnston, professora de Nutrição da Universidade do Arizona, afirmou já em 2005 que a pirâmide revisada continuava a não diferenciar gorduras saturadas de insaturadas, e não alertava que o excesso de carboidratos é nocivo. Para ela, sem uma mudança nas políticas agrícolas, a pirâmide não teria como dar conta da epidemia de obesidade.

– Meir J. Stampfer e Walter C. Willett, professores de Saúde Pública de Harvard, consideram um erro ter acreditadoque as pessoas fariam por conta própria uma diferenciação de tipos de gordura e avaliam que a adoção de uma fórmula genérica se mostrou altamente problemática. A nova pirâmide continuava a dar pouca atenção ao açúcar e aos refrigerantes, e não fazia distinção entre as carnes. Além disso, era “imprudente” continuar recomendando um alto consumo de lácteos. Por fim, cobraram que o USDA deixasse de fazer orientações nutricionais oficiais, que deveriam ser repassadas a algum órgão menos sujeito a pressões econômicas.

– O cardiologista Sylvan Lee Weinberg, que era do Hospital do Coração de Daytona, nos EUA, defendeu em artigo de 2014 que é tempo de parar com a recomendação de uma dieta alta em carboidrato. Para ele, a pirâmide pode ter desempenhado um papel negativo na epidemia de obesidade e doenças crônicas.

– Um grupo de pesquisadores da Universidade de Boston e da Escola de Saúde Pública de Harvard comparou a aplicação prática das pirâmides de 1992 e de 2005. A conclusão é de que o ícone revisado funcionava melhor em termos de obtenção de 16 nutrientes, mas ainda era fraco em termos de vitamina E e potássio, e de alta ingestão de sódio.

E esse é um dos problemas desse paradigma: você pode isolar N nutrientes e promover pesquisas ao infinito: sempre ficará faltando ou sobrando alguma coisa. Quanto mais mexe, mais difícil fica. Imagine uma pessoa que decide aplicar isso na prática. Não é trivial.

Em 2011 os Estados Unidos aposentaram a pirâmide e criaram o MyPlate. O lobby dos produtores de lácteos continuou lá, com a orientação de que as pessoas tomassem um copinho de leite em meio às refeições.
Aparentemente, a pirâmide decidiu migrar ao Sul e aproveitar nosso clima generoso.
Novo foco

O Brasil publicou ao final de 2014 o Guia Alimentar para a População Brasileira. A orientação-chave do documento do Ministério da Saúde é fazer de alimentos in natura e minimamente processados a base da dieta, e evitar ultraprocessados.

Essa premissa reflete o posicionamento do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (Nupens), responsável pela elaboração do texto inicial, depois submetido a consulta pública. O Nupens ganhou destaque mundial ao propor a classificação dos alimentos pela extensão e pelo propósito de processamento, e não mais pelo perfil nutricional. Isso significa valorizar alimentos tal como os conhecíamos desde sempre, e deixar de lado a abordagem por nutrientes separados.

Já na fase de consulta pública surgiram questionamentos: onde estavam as porções usadas por nutricionistas em consultórios e hospitais? Encontramos 71 vezes a palavra “pirâmide” ao longo das sugestões apresentadas. Algumas citavam especificamente o trabalho de Sonia Tucunduva, a professora da USP que trouxe esse ícone do Brasil. Vários lados dessa história se mobilizaram numa disputa de terreno que foi além do interesse científico.

“Com clara tentativa de romper com o todo o guia alimentar anterior, e com a proposta dos grupos alimentares de acordo com a pirâmide alimentar proposta por Tucunduva, a nova proposta deste guia se esvazia, pois não consegue deixar claro nem a parte quantitativa, nem qualitativa dos grupos alimentares”, dizia um dos participantes.

Mas os responsáveis pela elaboração do novo Guia entenderam que não faria sentido incorporar a pirâmide, portadora exatamente da lógica que se tenta desfazer. “Você não tem o cuidado de agrupar o alimento segundo seu uso culinário, quando você coloca na base da pirâmide um cereal, o arroz, e ao mesmo tempo você coloca um pão, você coloca um ultraprocessado, você coloca um biscoito”, critica Patricia Jaime, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP. “Também não tem a preocupação com o que é a cultura da composição de refeições, quanto mais de onde é que esse alimento vem.”

Ela comandava a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde quando o novo documento foi elaborado. Cogitou-se fazer uma representação gráfica que resumisse a nova orientação oficial, mas havia dois problemas. Primeiro, o timing político. As eleições presidenciais estavam chegando e era preciso garantir o lançamento até o fim de 2014 devido ao cenário incerto. Segundo, como criar um símbolo que não colocasse a perder justamente a dimensão cultural, social e ambiental que o Guia preconiza?

“Quem precisa trabalhar com porcionamento em situações específicas pode repensar os materiais gráficos usados na comunicação com a população. Mas as pessoas precisam entender do que a gente está falando, precisam ter domínio e autonomia sobre a alimentação”, analisa Camila Maranha, professora da UFF.

Ela é autora da tese de doutorado “Processo de construção do Guia Alimentar para a População Brasileira de 2014: consensos e conflitos”, defendida em 2017 no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O trabalho aborda justamente a movimentação dos diferentes grupos de interesse em torno da definição dos rumos da orientação alimentar oficial. “É papel do nutricionista esclarecer muitas das questões envolvidas com a alimentação para além de ser capaz de definir nutrientes. É entender aquela pessoa como alguém que pode se empoderar para mudar a realidade”, completa.

Em alguns países, a pirâmide caiu em desuso, mas não a lógica de separar os alimentos por macro e micronutrientes.

Esse é o símbolo da Venezuela.
Esse, do Japão.
E esse, da Austrália.
Onipresente

Outros países tentaram remodelar a pirâmide. Caso da Bélgica, que de certo modo colocou os ultraprocessados na posição daquilo que deve ser evitado, e inverteu o ícone, de cabeça para baixo, de modo que fiquem no topo os alimentos que devem ser priorizados.
O fato é que a pirâmide continua por aí. Mas ninguém sabe ao certo quão presente ela é. E por isso resolvemos circular um questionário entre estudantes de Nutrição. Tivemos 346 respostas que mostram que esse ícone segue entrando em sala de aula. 93,9% disseram ter visto a pirâmide durante a graduação. Desses, 20,8% contaram que ela foi discutida apenas uma vez, 47,1% em até cinco vezes ao ano, e 26,9% com muita frequência.

A maioria, 56,1%, entende que a pirâmide foi recomendada pelos docentes como ferramenta de orientação nutricional. E, o mais interessante, 47,1% avaliam que ela e o Guia obedecem a lógicas complementares.

Em tempo: a turma do Nupens não tem nenhuma dúvida de que se trata de lógicas conflitantes, tanto que ficou famoso um slide que coloca um X sobre a pirâmide.

Quando passamos a olhar por extenso as respostas dos estudantes ao nosso questionário fica mais fácil entender a diferença de pontos de vista. Ou alguns professores resistem ao Guia de 2014 e seguem a defender o paradigma de nutrientes, ou fizeram uma interpretação peculiar da diretriz oficial brasileira.

“Eu faço essa dieta desde então, e meu metabolismo melhorou bastante! Pretendo sim usá-la com meus futuros pacientes.”

“É um pouco complicado explicar a quantidade e volume de porções para o paciente; pois cada pessoa tem um entendimento sobre porções.”

“A pirâmide tem a função de entender a população de maneira geral, e conscientizar as necessidades de macro e micronutrientes. Cair na falácia que que ela é culpada pela obesidade é ir para o mesmo raciocínio raso de que carboidratos engordam e devem ser evitados a todo custo.”

“Acredito que a pirâmide é um método ultrapassado de orientação alimentar. Ela padroniza grupos de alimentos e quantidades, não citando a qualidade dos mesmos, questão essa que também é importante. Se trata de um método reducionista que foca no que é mais ou menos recomendado consumir, deixando de lado o ‘como comer’, ‘quando comer’, ‘onde comer’.”

“Com o aumento da produção e consumo de alimentos ultraprocessados e de estudos que associam o consumo desse tipo de alimentos com o aumento das taxas de sobrepeso e obesidade e também com doenças crônicas não transmissíveis, não considero o esquema da pirâmide o mais recomendado.”

“Deixei de usar. Uso apenas a recomendação do novo Guia. Já sou formada há um ano e meio e durante a faculdade teve o lançamento do novo Guia, que a princípio não parecia tão bom, principalmente por estar acostumada com as porções. Hoje vejo com outros olhos. É um material excelente e que permite que a população tenha maior liberdade de escolha.”

Pesquisas futuras talvez nos contem mais sobre a resistência ao Guia de 2014 dentro da universidade. Egos entram em jogo? Sem dúvida, mas não sabemos quanto.

A classificação baseada na extensão do processamento desperta a ira da indústria e de pesquisadores próximos a ela? Muito.

A falta de um ícone capaz de condensar as informações do Guia dificulta o compartilhamento? É possível. Marina Vilar Geraldi, na época uma estudante da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, fez uma representação gráfica em discos. O maior, verde, para os alimentos in natura e minimamente processados. Em azul, os processados, que devem ter o consumo limitado. Em laranja, os ultraprocessados, que devem ser evitados.
A sugestão de Marina é de que o material seja usado na orientação nutricional, “de forma que promova autonomia do paciente, para possibilitar escolhas e práticas alimentares saudáveis, resultando assim, melhor interação e resultados durante o acompanhamento nutricional”.

Falta só convencer a pirâmide de que é hora de descansar.

Sobre pirâmide alimentar - 2 (http://outraspalavras.net)

Texto completo: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2018/08/apos-26-anos-de-trabalho-piramide-dos-alimentos-nao-quer-se-aposentar/

Após 26 anos de trabalho, pirâmide dos alimentos não quer se aposentar

Texto: João Peres

Mas o que a pirâmide fez? Determinou que se consumisse muito carboidrato, que as proteínas ficassem num nível intermediário e que se evitasse a ingestão de gorduras.

Dali por diante a pirâmide se tornou a mais difundida e clássica ferramenta de representação alimentar. No Brasil, chegou em 1999, numa adaptação feita pela professora Sonia Tucunduva Philippi, da Faculdade de Saúde Pública da USP. Embora não tenha sido adotada oficialmente pelo governo, constou de vários documentos públicos e é de certo modo uma tradução iconográfica do Guia Alimentar de 2006.

“Após todos esses anos, a figura da pirâmide alimentar é facilmente reconhecida e apresenta fixação de conceitos importantes como variedade dos grupos alimentares e tamanho das porções de alimentos, peso em gramas e medidas usuais como xícara, colher, fatia”, defende Sonia. Em 2013, quando a pirâmide havia sido aposentada nos Estados Unidos e em outros países, a professora promoveu uma adaptação aos novos tempos, com mudanças nas proporções e um estímulo à atividade física (é a imagem que está em destaque na abertura dessa reportagem). “As informações apresentadas não são teóricas e trazem uma leitura próxima do dia a dia da população.”
Porém, sucessivas pesquisas mostraram que a pirâmide não é tão fácil de entender.

Chile, 2003. Um levantamento com 898 consumidores deixou claro que algumas pessoas pensavam que os alimentos do topo eram os prioritários, e que os da base deveriam ser evitados. Essa interpretação apareceu em outros estudos.

Estados Unidos, 2002 a 2004. Pesquisadores foram convocados pelo USDA para avaliar a eficácia da pirâmide. Realizaram 18 grupos focais, que são entrevistas em conjunto voltadas a uma análise qualitativa. Apresentados à pirâmide, 80% dos participantes erraram ao menos um dos grupos de alimentos – 12% erraram tudo. As pessoas tampouco entendiam o conceito de “porção”, e no geral chutavam quantidades maiores que as da recomendação oficial. Um caso clássico de “decifra-me, ou te engordo”.

Europa, 2015. Pesquisadores revisaram as orientações nutricionais oficiais na região. De 34 países, 22 tinham a pirâmide como ícone, mesmo sem avaliações sobre a eficácia. Os autores concluíram que o símbolo não dá conta de representar diferenças culturais. “Em nossa opinião, é necessária uma distinção mais clara entre alimentos frescos e processados.”

É aí que a coisa se complica. A pirâmide coloca numa mesma caixa alimentos muito diferentes. Não é preciso ser especialista para saber que existe uma diferença grande entre o Miojo e a mandioca.

Mas talvez você precise recorrer a um especialista para entender a diferença entre manteiga, margarina, azeite de oliva e óleo de soja. E onde colocamos a mandioquinha: vegetal ou carboidrato?

O iogurte que a pirâmide recomenda consumir é natural, sem aditivos, ou uma versão produzida a partir de leite em pó, com um bocado de açúcar? Um pão de forma é igual a uma torrada industrializada, que por sua vez é igual a um pão de fermentação natural e farinha integral?

Também é necessário ter paciência de Jó para fazer preparações alimentares complexas caberem dentro dos grupos. Uma sopa de legumes tem vários nutrientes diferentes. E você não é obrigado a saber quais: basta saber que é uma delícia e tem uma variedade de alimentos selecionados ao longo de séculos por nossos antepassados.

“A pirâmide não dá conta de abordar cultura alimentar. Você pode colocar alimentos de uma região na pirâmide, mas perde de vista o aspecto cultural, social e ambiental dos alimentos. Você desconsidera como o alimento foi produzido”, resume Camila Maranha Paes de Carvalho, professora adjunta da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF) e consultora da ACT Promoção da Saúde.

“Eu entendo que algumas pessoas queiram elementos gráficos para tentar ajudar a orientar as pessoas. Mas o que temos de acúmulo de experiência e de tempo de uso desse instrumento, muitos elementos negativos vêm se mostrando importantes.”

Sobre a pirâmide alimentar - 1 (http://outraspalavras.net)

Texto completo: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2018/08/apos-26-anos-de-trabalho-piramide-dos-alimentos-nao-quer-se-aposentar/

Após 26 anos de trabalho, pirâmide dos alimentos não quer se aposentar

Texto: João Peres

Um dos ícones mais onipresentes e discutidos de uma era controversa da alimentação humana continua vigente, embora a recomendação oficial do Brasil vá no sentido oposto

Ela já trampou bastante. O mundo mudou completamente nesses 26 anos, e os colegas acham que ela não dá mais conta de entender o que está rolando. O chefe já a declarou aposentada e pediu que vá para casa, mas não há meios de fazê-la desistir de bater o ponto religiosamente.

Numa era marcada por imagens, a pirâmide dos alimentos segue a arrebatar curtidores, seguidores e compartilhamentos. Ela nasceu em um mundo em que nem FHC, nem Lula haviam sido presidentes, em que desconhecíamos a existência de Bill Gates e Steve Jobs, e em que a fome assustava mais que a obesidade.

Se não está nem aí para a política nacional, e muito menos para bytes e smartphones, a pirâmide tem algo a nos contar sobre a obesidade. Ela se tornou o símbolo de um paradigma alimentar que separa tudo por nutrientes. O ícone de uma ideia que demandou, com fracasso, que as pessoas se tornassem especialistas da própria comida.

Se você tem menos de vinte anos, possivelmente cruzou com a pirâmide na escola. Ela segue presente em vários livros didáticos e paradidáticos, embora o Brasil tenha desde 2014 uma orientação oficial contrária. Tendo conhecido de outros carnavais ou não, vale a pena dar uma olhada por alguns segundos antes de continuar a conversa.
Nunca se endireita

A pirâmide nasceu em 1992, fruto de uma longa e turbulenta gestação. Desde a metade do século, e com mais força depois dos anos 1970, tivemos a era dos carboidratos. As gorduras foram demonizadas, e o açúcar e a farinha, onipresentes, ficaram de boa.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) começou a publicar guias alimentares a cada cinco anos. Note que a iniciativa não partiu de um órgão de saúde, mas da morada dos ruralistas. No final da década de 1980, o USDA decidiu criar um símbolo que resumisse as orientações oficiais. A pirâmide foi escolhida entre centenas de desenhos por apresentar melhor resultado em comunicar moderação e proporcionalidade. A essa altura, o rumo dos ventos já havia mudado nos países do Norte: em vez de “comer mais”, a mensagem era “comer menos”.

O lobby dos produtores de carnes e lácteos retardou por um ano o lançamento. E garantiu que a orientação oficial mantivesse um consumo elevado desses alimentos. As grandes corporações, aliás, jamais esconderam que gostam da pirâmide.

Alice Ottoboni, bioquímica e pesquisadora em saúde pública, foi uma das primeiras a levantar a lebre. “As diretrizes oficiais do USDA e sua pirâmide dos alimentos são nutricionalmente e bioquimicamente equivocados. Eles mudaram radicalmente os hábitos alimentares de dezenas de milhares de norte-americanos, num experimento humano massivo que deu errado. Hoje, há pouca dúvida de que há uma clara associação temporal entre a dieta ‘saudável para o coração’ e a corrente e crescente epidemia de doença cardiovascular, obesidade e diabetes tipo 2.”

Àquela altura, começo dos anos 1990, já havia muita evidência de que colocar todas as gorduras no mesmo balaio era um erro. E que o incentivo ao consumo dos carboidratos, sem distinções, era uma das explicações para as curvas ascendentes de obesidade.
Mas o que a pirâmide fez? Determinou que se consumisse muito carboidrato, que as proteínas ficassem num nível intermediário e que se evitasse a ingestão de gorduras.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Gut bacteria byproduct protects against Salmonella, study finds

Date: July 26, 2018 Source: Stanford Medicine Summary: Researchers have identified a molecule that serves as natural protection against one of the most common intestinal pathogens, Salmonella.

Salmonella illustration (stock image). Salmonella bacteria cause about 1.2 million illnesses a year, but a new Stanford study identified a molecule that offers natural protection against the pathogen.
Credit: © sveta / Fotolia

Researchers at the Stanford University School of Medicine have identified a molecule that serves as natural protection against one of the most common intestinal pathogens.

Propionate, a byproduct of metabolism by a group of bacteria called the Bacteroides, inhibits the growth of Salmonella in the intestinal tract of mice, according to the researchers. The finding may help to explain why some people are better able to fight infection by Salmonella and other intestinal pathogens and lead to the development of better treatment strategies.

A paper describing the work will be published July 26 in Cell Host and Microbe.

The researchers determined that propionate doesn't trigger the immune response to thwart the pathogen. Instead, the molecule prolongs the time it takes the pathogen to start dividing by increasing its internal acidity.

Salmonella infections often cause diarrhea, fever and abdominal cramps. Most people recover within four to seven days. However, the illness may be severe enough to require hospitalization for some patients.

Salmonella causes about 1.2 million illnesses, 23,000 hospitalizations and 450 deaths nationwide each year, according to the Centers for Disease Control and Prevention. Most cases are caused by contaminated food.

Different responses to exposure

"Humans differ in their response to exposure to bacterial infections. Some people get infected and some don't, some get sick and others stay healthy, and some spread the infection while others clear it," said Denise Monack, PhD, professor of microbiology and immunology and the senior author of the paper. "It has been a real mystery to understand why we see these differences among people. Our finding may shed some light on this phenomenon."

For years, scientists have been using different strains of mice to determine how various genes might influence susceptibility to infection by intestinal pathogens. But this is the first time that researchers have looked at how the variability of gut bacteria in these mice might contribute to their different responses to pathogens.

"The gut microbiota is an incredibly complex ecosystem. Trillions of bacteria, viruses and fungi form complex interactions with the host and each other in a densely packed, heterogeneous environment," said Amanda Jacobson, the paper's lead author and a graduate student in microbiology and immunology. "Because of this, it is very difficult to identify the unique molecules from specific bacteria in the gut that are responsible for specific characteristics like resistance to pathogens."

From mice to men

The scientists started with an observation that has been recognized in the field for years: Two inbred strains of mice harbor different levels of Salmonella in their guts after being infected with the pathogen. "The biggest challenge was to determine why this was happening," Jacobson said.

First, they determined that the differences in Salmonella growth could be attributed to the natural composition of bacteria in the intestines of each mouse strain. They did this by performing fecal transplants, which involved giving mice antibiotics to kill off their usual composition of gut bacteria and then replacing the microbial community with the feces of other mice, some of whom were resistant to Salmonella infection. Then, the researchers determined which microbes were responsible for increased resistance to Salmonella infection by using machine-learning tools to identify which groups of bacteria were different between the strains.

They identified a specific group of bacteria, the Bacteroides, which was more abundant in mice transplanted with the microbiota that was protective against Salmonella. Bacteroides produce short-chain fatty acids such as formate, acetate, butyrate and propionate during metabolism, and levels of propionate were threefold higher in mice that were protected against Salmonella growth. Then, the researchers sought to figure out whether propionate protected against Salmonella by boosting the immune system like other short-chain fatty acids do.

The scientists examined their Salmonella model for the potential impact of propionate on the immune system but found that the molecule had a more direct effect on the growth of Salmonella. Propionate acts on Salmonella by dramatically decreasing its intracellular pH and thus increasing the time it takes for the bacterium to start dividing and growing, the study found.

"Collectively, our results show that when concentrations of propionate, which is produced by Bacteroides, in the gut are high, Salmonella are unable to raise their internal pH to facilitate cellular functions required for growth," Jacobson said. "Of course, we would want to know how translatable this is to humans."

Reducing the impact of Salmonella

"The next steps will include determining the basic biology of the small molecule propionate and how it works on a molecular level," Jacobson said. In addition, the researchers will work to identify additional molecules made by intestinal microbes that affect the ability of bacterial pathogens like Salmonella to infect and "bloom" in the gut. They are also trying to determine how various diets affect the ability of these bacterial pathogens to infect and grow in the gut and then shed into the environment. "These findings will have a big impact on controlling disease transmission," Monack said.

The findings could also influence treatment strategies. Treating Salmonella infections sometimes require the use of antibiotics, which may make Salmonella-induced illness or food poisoning worse since they also kill off the "good" bacteria that keep the intestine healthy, according to Monack. Using propionate to treat these infections could overcome this limitation. "Reducing the use of antibiotics is an added benefit because overuse of antibiotics leads to increased incidence of antibiotic-resistant microbes," Monack said.

Other Stanford co-authors of the paper are postdoctoral scholar Manohary Rajendram, PhD; graduate students Lilian Lam, Fiona Tamburini, Will Van Treuren, Kali Pruss, Jared Honeycutt and Kyler Lugo; Trung Pham, MD, instructor of pediatrics and infectious diseases; life science researcher Russel Stabler; Donna Bouley, DVM, PhD, professor emeritus of comparative medicine; José Vilches-Moure, PhD, assistant professor of comparative medicine; senior research scientist Mark Smith, PhD; Justin Sonnenburg, PhD, associate professor of microbiology and immunology; Ami Bhatt, MD, PhD, assistant professor of medicine and of genetics; and KC Huang, PhD, associate professor of bioengineering and of microbiology and immunology.

Bhatt, Huang, Monack, Sonnenburg and Vilches-Moure are members of Stanford Bio-X. Bhatt, Huang, Monack and Sonnenburg are faculty fellows at Stanford ChEM-H. Bhatt, Bouley and Vilches-Moure are members of the Stanford Cancer Institute. Bhatt and Monack are members of the Stanford Child Health Research Institute. Vilches-Moure is a member of the Stanford Cardiovascular Institute. Bouley is an affiliate of the Stanford Woods Institute for the Environment. Sonnenburg and Huang are Chan Zuckerberg Biohub Investigators.

The study was funded by the National Institutes of Health (grants R01DK085025, T32GM007276, R01AI116059 and F32AI133917), the Paul Allen Stanford Discovery Center on Systems Modeling of Infection and the National Science Foundation.

Stanford's Department of Microbiology and Immunology also supported the work.

Story Source:

Materials provided by Stanford Medicine. Original written by Kimber Price. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Amanda Jacobson, Lilian Lam, Manohary Rajendram, Fiona Tamburini, Jared Honeycutt, Trung Pham, Will Van Treuren, Kali Pruss, Stephen Russell Stabler, Kyler Lugo, Donna M. Bouley, Jose G. Vilches-Moure, Mark Smith, Justin L. Sonnenburg, Ami S. Bhatt, Kerwyn Casey Huang, Denise Monack. A Gut Commensal-Produced Metabolite Mediates Colonization Resistance to Salmonella Infection. Cell Host & Microbe, 2018; DOI: 10.1016/j.chom.2018.07.002

Cite This Page:
Stanford Medicine. "Gut bacteria byproduct protects against Salmonella, study finds." ScienceDaily. ScienceDaily, 26 July 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/07/180726162800.htm>.

Adherence to healthy diets associated with lower cancer risk

An analysis of four nutritional scores showed biggest benefit from diet that discourages alcohol

Date: July 26, 2018

Source: American Association for Cancer Research

Summary:
A diet that encourages both healthy eating and physical activity and discourages alcohol consumption was associated with a reduced overall cancer risk, as well as lower breast, prostate, and colorectal cancer risks.


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Omega-3s help keep kids out of trouble

How diet, biology can prevent bad, even criminal behavior

Date: July 24, 2018 Source: University of Massachusetts Lowell Summary: Something as simple as a dietary supplement could reduce disruptive, even abusive behavior, according to newly released research.

Something as simple as a dietary supplement could reduce disruptive, even abusive behavior, according to newly released research by a team led by a UMass Lowell criminal justice professor.

Giving children omega-3 fatty acid supplements reduces disruptive behavior, which in turn had a positive effect on their parents, making them less likely to argue with each other and engage in other verbal abuse, according to Jill Portnoy, an assistant professor in UMass Lowell's School of Criminology and Justice Studies.

"This is a promising line of research because omega-3 fatty acids are thought to improve brain health in children and adults. There is more to be learned about the benefits, but if we can improve people's brain health and behavior in the process, that's a really big plus," said Portnoy, noting that a recent research review found that omega-3 supplements do not affect cardiovascular health.

The new research, published in the scholarly journal Aggressive Behavior, is just one example of how Portnoy is studying biological and social factors that can help explain and predict impulsive and risky behavior. The goal is to help determine effective ways to intervene before anti-social behavior escalates into crime.

That work takes Portnoy into the heart of the "nature versus nurture" debate -- whether people who commit crimes have something in their physiological makeup that predisposes them to doing so or if social factors like abusive family situations lead them to it.

"Of course, it's both," she said, but exactly how is still to be determined. "Biology and social environment interact in complex ways that we're just beginning to figure out. Before we can design effective interventions, we need to do research to understand what's happening."

Portnoy is exploring such a connection through another research project that is looking at how a low resting heart rate may lead to anti-social behavior.

"My theory is that a low resting heart rate might be an acquired, adaptive trait: If you are subjected to chronic or frequent stress as a child, you adapt by lowering your heart rate. The lower heart rate protects you by blunting your reaction to stressful events, but it can also lead to stimulation-seeking behavior. In other words, a stressful environment may cause physiological changes that lead to an increase in aggressive and impulsive behavior, in addition to causing the behavior directly," she said.

Working with a counterpart at the University of Pennsylvania, where she earned her Ph.D. and taught before coming to UMass Lowell, Portnoy studied hundreds of youths in Pittsburgh, where she grew up. The researchers found that the youths with lower resting heart rates were more likely to act out as a form of sensation-seeking, including anti-social behavior, which can be especially problematic for individuals living where there are few options for positive forms of stimulation.

Portnoy, who now lives in Portsmouth, N.H., will continue her research on this topic this fall with the help of a dozen UMass Lowell undergrads who will intern with her on the Health, Stress and Behavior Study, researching the connection between stress, heart rate and behavior.

Through this study, Portnoy and her team will examine what she describes as a continuum of criminal behavior with the goal of finding new ways to prevent it.

"Many people break the law in small ways; for example, by driving a few miles over the speed limit. I'm interested in people who are behaving aggressively but not yet reaching the level of criminal behavior or maybe they're committing more serious crimes like theft or assault, but haven't been caught. They're still exacting a toll on society. And if we want to design more general social interventions, like teaching people healthier ways to adapt to stress, then we shouldn't just study those who get caught," said Portnoy.

Story Source:

Materials provided by University of Massachusetts Lowell. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Jill Portnoy, Adrian Raine, Jianghong Liu, Joseph R. Hibbeln. Reductions of intimate partner violence resulting from supplementing children with omega-3 fatty acids: A randomized, double-blind, placebo-controlled, stratified, parallel-group trial. Aggressive Behavior, 2018; DOI: 10.1002/ab.21769

Cite This Page:
University of Massachusetts Lowell. "Omega-3s help keep kids out of trouble: How diet, biology can prevent bad, even criminal behavior." ScienceDaily. ScienceDaily, 24 July 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/07/180724174322.htm>.