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terça-feira, 21 de agosto de 2018

Dente-de-leão

Guanxuma e arnica-de-quintal

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Outro lado das plantas espontâneas dos quintais

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, principalmente relacionada à flora, que se apresenta ainda pouco explorada, rica em plantas para os mais diferentes usos. Não é necessário ir muito longe para constatação, pois podemos encontrar espécies alimentícias, medicinais ou com aplicações na agricultura em diversos terrenos, nascendo espontaneamente ao nosso redor. 

Apesar de a maioria da população estar dentro das casas na maior parte do tempo, nos quintais, exceto os cimentados, nascem plantas sem a intervenção do ser humano. Como competem com as ornamentais e/ou as comestíveis, dentre outras, são denominadas por leigos como plantas daninhas ou invasoras. No entanto, todas elas possuem uma ou mais utilidades, não justificando, portanto, esses nomes pejorativos. 

Dentre os exemplos, existem vegetais como os carurus (está no plural, pois, dependendo da região, há mais de uma espécie com este nome, todas pertencentes ao gênero Amaranthus). Essas espécies são indicadoras de solo rico em matéria orgânica e comestível. É importante destacar que, quando ocorrem somente carurus, é sinal de que o solo está desequilibrado quanto à fertilidade. 

Outrora, era comum comer algumas das espécies de caruru refogadas na sopa de fubá, porém, não são todos os carurus que podem ser consumidos, sendo evitado pela população tradicional aqueles que possuem “espinhos” (Amaranthus spinosus), por acreditar que sejam tóxicos. Quanto ao equilíbrio de insetos pragas na horta caseira, os besouros preferem atacar mais os carurus a muitas das hortaliças. Ou seja, ao arrancá-los, os besouros, por não terem essas fontes de alimentos, aumentam o ataque às outras plantas. 

Outra planta de múltiplas aplicações é a erva-de-são-joão (Ageratum conyzoides). Além do uso na medicina popular, para cólica infantil, há estudos que demonstram sua ação como anti-inflamatório. Na agricultura, indica solo fértil, hospedando inimigos naturais de ácaros. Também existem referências de uso para infecção de útero em vacas. 

Muitas das plantas que ocorrem no quintal são comestíveis, e como não são comumente consumidas como alimentos, são denominadas plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Uma delas, a serralha (Sonchus oleraceus) é encontrada em feiras, como verdura. Há outras comestíveis conhecida como serralha, são as denominadas serralhinha ou bela-emília (Emilia sonchifolia). As duas “serralhas”, por terem caules tenros, são preferidas pelos pulgões. 

Outra planta que já foi comercializada como hortaliça é a beldroega (Portulaca oleracea). É comum encontrá-la nas saladas de alguns restaurantes. Outras, de origem europeia, são as tanchagens (gênero Plantago), consumidas em algumas regiões da Europa, como alimento. 

Há outras ainda desconhecidas como alimentos pela maioria da população, como a maria-pretinha (Solanum nigrum), o mentruz (Coronopus didymus) e o picão-preto (Bidens pilosa). 

Apesar de serem consideradas alimentos, essas plantas, por não serem domesticadas pelo ser humano, possuem fatores antinutricionais, isto é, têm substâncias que dificultam a absorção de nutrientes. Porém, os efeitos negativos só irão surgir quando ocorre o consumo contínuo e em grandes quantidades. 

Nascem também, nos quintais, algumas espécies do gênero Sida, denominadas por guanxumas ou vassourinhas. São indicadoras de solos compactados, sendo utilizadas para fazer vassouras caseiras. O picão-branco (Galinsoga parviflora) é outra planta que revela a qualidade do solo. Sua presença em grande quantidade indica que o solo é rico em matéria orgânica, mas deficiente em alguns micronutrientes. 

Em animais, o picão-branco é usado misturado com o picão-preto nas rações ou nas forragens, para diminuir os efeitos tóxicos de medicamentos em cavalos. A erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides) é utilizada como repelente de pulgas e piolhos, e como vermífugo para animais. 

As plantas dos quintais se destacam também como medicinais. Um exemplo é a já citada erva-de-são-joão. As quebra-pedras (gênero Phylanthus) são mais conhecidas pela população devido ao uso contra pedras nos rins. 

Há referências científicas de algumas delas como hepatoprotetoras, como o picão-preto e a erva-botão (Eclipta alba). Uma que é reconhecida como diurética e usada desde a antiguidade é o dente-de-leão (Taraxacum officinale). Esta espécie é também comestível, indicadora de solo bom, usada como alimento de animais para estimular a lactação e fornecedora de inulina para a indústria de pães e de outros produtos da panificação. 

Muitas vezes essas espécies ocorrem apenas em quintais. Quando esses locais são cimentados ou ocorre a erradicação constante dessas plantas, uma das consequências pode ser a extinção. Logo, a preservação delas e de seus usos é importante, principalmente para a melhoria da nossa alimentação e da nossa saúde. 
Dente-de-leão
Beldroega

Texto:

Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC. 

Marcos Roberto Furlan – Prof. e Membro do Mestrado em Ciências Ambientais da UNITAU

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Dez fatos sobre o cordão-de-frade

Texto:

Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC 

Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira/Unitau 

Virgínia Vieira Santos Silva - Graduanda em Engenharia Agronômica - Faculdade Cantareira

No Brasil, quando a encontramos, ocorre em grupo mas não se espalha muito. Sua inflorescência facilita sua identificação, mas os seus nomes populares geram confusão com uma de nome científico Leonurus sibiricus, a qual possui inflorescência do mesmo tipo, só que flores de coloração lilás.

Apesar de ser encontrada em boa parte do Brasil, principalmente no outono e na primavera, é nativa da África. Sua denominação científica é Leonotis nepetifolia, e pertence à família Lamiaceae, a mesma que inclui espécies como hortelãs, manjericões, orégano e sálvia. Todas têm em comum o fato de serem aromáticas.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Leonotis_nepetifolia_(Deepmal)_in_Narshapur,_AP_W_IMG_1164.jpg

Suas denominações populares são cordão-de-frade, cordão-de-são-francisco e rubim. Ganhou os continentes inicialmente, e provavelmente, por ter sido introduzida como planta ornamental. Nos dias atuais, pode ser encontrada em regiões tropicais e subtropicais da África, Ásia e Américas. 

Não é uma espécie exigente quanto à presença de nutrientes, crescendo em solos arenosos, argilosos, rochosos, ao longo de acostamentos de rodovias e até em depósitos de lixo, embora se desenvolva com muito mais facilidade em solos de pH neutro,férteis e bem drenados. 

Schneider (2007) afirma que, especificamente no estado do Rio Grande do Sul, L. nepetifolia é considerada planta naturalizada, ou seja, incorporada à flora autóctone daquela região, muito provavelmente introduzida como medicamento. 

Dez fatos sobre o Cordão de Frade 

1. Para seu cultivo, deve-se ter um local que tenha incidência de sol pleno ou meia sombra. O cordão-de-frade adapta-se em diferentes tipos de solos.

2. L. nepetifolia é introduzida nas áreas de lavoura e de pastagens, principalmente na forma acidental. Relata-se, com frequência, que espalha-se por ficar aderida ao maquinário ou às roupas das pessoas envolvidas no processo de produção. Naturalmente, a dispersão de suas sementes é favorecida pela morfologia da planta, e ocorre pelo vento. 

3. No Brasil, essa planta é encontrada em quase todas as regiões, exceto em locais de climas frios, condição que não lhe é favorável em termos de crescimento. 

4. Suas sementes sobrevivem às condições desfavoráveis, debaixo da terra, mantendo-se em estado de dormência. 

5. A sua família botânica Lamiaceae era anteriormente denominada por Labiatae, em referência à morfologia das pétalas ou das corolas das espécies que a compõem: trilobuladas, sendo o lábio inferior mais longo, alargado e oblíquo na boca, o que permite a perfeita adaptação dos bicos de pássaros polinizadores. Assim sendo, é uma planta que atrai pássaros e insetos que buscam seu néctar doce e abundante, sendo consumido também por crianças e adultos. 

6. É conhecido por diversos outros nomes populares, sendo eles: cauda-de-leão, tolonga, mato-chimango e pau-de-praga. 

7. Em usos medicinais, pode ser utilizada em problemas respiratórios, intoxicações alimentares, indigestão, estômago, cólicas, fraqueza, febre, dores abdominais, asma, bronquite, dentre outros. Além de ajudar no aumento de glóbulos vermelhos no sangue e a capacidade de resistência às demais doenças. 

8. A planta é bastante conhecida por suas propriedades terapêuticas, sendo utilizada como calmante. Em algumas culturas, utiliza-se o cordão-de-frade a fim de explorar suas capacidades enteógena e psicoativa. 

9. Na culinária, suas folhas são usadas em saladas, molhos, condimentos e chás, tendo o gosto bem peculiar, deixando o prato mais saboroso. 

10. No Brasil, L. nepetifolia foi citada como planta de uso medicinal por 11% da população estudada por Di Stasi et al. (2002), na região da Mata Atlântica, no litoral do estado de São Paulo. Na primeira edição da Farmacopeia Oficial Brasileira, publicada em 1929, foi relatado o uso da planta, na forma de xarope. A partir da segunda edição, de 1959, ela já não foi mais referendada pela Comissão Permanente de Revisão da Farmacopeia, do Conselho Nacional de Saúde, por falta de evidência de sua eficácia e segurança para uso humano. Atualmente, já existem artigos e outros estudos que comprovam sua eficácia. 

REFERÊNCIAS 

BRANCO, Aline . Cordão-de-frade, mato cimango ou rubim - uma erva boa para muita coisa. Disponível em: <https://www.greenme.com.br/usos-beneficios/5391-cordao-de-frade-mato-chimango-rubim>. Acesso em: 13 maio 2018. 

CORDÃO de Frade? O que é, benefícios e como Usar. Disponível em: <https://www.naturalcura.com.br/cordao-de-frade/>. Acesso em: 13 maio 2018 

CORDÃO-DE-FRADE - Leonotis nepetaefolia. Disponível em: <http://www.jardinet.com.br/2014/06/cordao-de-frade-leonotis-nepetaefolia.html>. Acesso em: 13 maio 2018 

CRUZ, V., TRESVENZOL, L. M. FERREIRA, H. et. al. Leonotis nepetifolia (L.) R. Br. (cordão-de-frade): biologia e uso tradicional. Disponível em: <http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/RPInF/article/view/63/59> Acesso em: 17 de maio de 2018. 

DI STASI, L. C. et al. Medicinal plants popularly used in the Brazilian Tropical Atlantic Forest. Fitoterapia. Amsterdam: Elsevier B.V., v. 73, n. 1, p. 69-91, 2002. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/17466>. Acesso em: 17 maio 2018. 

GEORGIA, Nayla. Cordão de frade - Usos dessa planta medicial . Disponível em: <https://www.remedio-caseiro.com/cordao-de-frade-usos-dessa-planta-medicinal/>. Acesso em: 13 maio 2018. 

SCHNEIDER, A.A. A flora naturalizada no estado de Rio Grande do Sul, Brasil: herbáceas subespontâneas. Biociências. 2007; Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/fabio/ojs/index.php/fabio/article/view/254/3005> Acesso em 17 maio 2018.

domingo, 25 de março de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Maria-pretinha

Texto: 

  • Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC 
  • Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira/Unitau 

Originária do continente americano, a maria-pretinha (Solanum americanum), de aparência delicada, pertence à família Solanaceae. Produz pequenas flores brancas. Seus frutos, quando maduros, apresentam-se pretos e suas folhas exalam cheiro pouco atrativo 

A família Solanaceae é composta por vários outros representantes muito conhecidos e consumidos, como, por exemplo, batata-inglesa, berinjela, jiló, tomate e pimentas do gênero Capsicum. Muitas solanáceas possuem folhas ou frutos tóxicos, devido a substâncias como a solanina e outros alcaloides. As folhas da maria-pretinha não são comestíveis cruas, pois podem causar complicações gastrointestinais. Salvo as folhas, os frutos apresentam eficácia medicinal comprovada, além de várias outras aplicações. 

A maria-pretinha é, ainda, conhecida popularmente como erva-moura, erva-moura-açu, caraxixu, pimenta-de-bugre, dentre outros nomes. É válido ressaltar que é de suma importância atentar-se ao nome científico da espécie utilizada, uma vez que há outra espécie também chamada de erva-moura e semelhante à Solanum americanum. É a Solanum nigrum, conhecida também por "mata-cavalo" devido a tamanha toxicidade dos frutos quando consumidos crus. 
Solanum americanum

10 usos e curiosidades sobre a maria-pretinha 

1. A ocorrência da maria-pretinha nos campos, quintais ou na horta, pode servir para obter algumas informações relacionadas ao cultivo. Sua presença, caso verifique a incidência de viroses, pode ser um recado para que evite o plantio de hortaliças da família Solanaceae. Também é comum ser atacada por pulgões, dentre outras pragas que também atacam hortaliças. 

2. Na medicina popular, a planta é utilizada como diurética, laxante, emoliente, além de eliminar toxinas e resíduos do organismo. É de uso bastante comum principalmente em rincões nas zonas rurais do país. O chá das, em específico, é usado para aliviar nervosismo, cólicas, reumatismo, artrite, nevralgia, ferimentos, afecções das vias urinárias, espasmos na bexiga, dores musculares, no estômago, articulações e na coluna, psoríase, eczema, úlceras, contusões, hidropsia; além de ser um ótimo vermífugo natural. 
Fonte: 

3. É considerada a "blueberry brasileira" por alguns autores. Sendo fácil encontrar receitas de geleias, compotas, sucos, chás, bolos, sorvetes, mousses e panquecas.

4. Algumas religiões Afro-brasileiras a utilizam em banhos de limpeza (amacis e abôs), lavagem de contas, sacudimentos, bate-folhas e oferendas; 

5. O nome do gênero diz respeito à palavra "Solamen" do Latim, o qual pode ser traduzido como "quietude" ou "alívio'' em alusão às propriedades calmantes ou mesmo narcóticas de alguns espécimes. O epíteto específico "americanum" deve-se à origem continental da espécie. 

6. Abaixo, de acordo com Ranieri, G. 2016, seguem-se as formas de se distinguir, visualmente, a Solanum americanum e Solanum nigrum
Fonte: 

7. Kinnup (2010) ressalta que a etnia Kaingang, localizada no sul do Brasil, consome esta espécie cozida utilizando-se do nome "fuá" e, inclusive, há relatos de grandes colheitas da planta no interior do Rio Grande do Sul realizadas pelos indígenas. 

8. China, Guatemala, África do Sul e El Salvador são exemplos de países onde também se consome a Solanum americanum com regularidade e, no caso das folhas, sempre cozidas; 

9. É considerada rica em proteínas, manganês (Mn), fósforo (P), ferro (Fe) e boro (B). 

10. Os frutos de coloração escura evidenciam a presença de antocianinas, intimamente relacionadas à potenciais aplicações enquanto antioxidante. 

Referências 

Etimologia:

Kinnup, V. F., Plantas alimentícias não-convencionais da região metropolitana de Porto Alegre, RS. 

terça-feira, 13 de março de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Capuchinha

Texto: 

Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Faculdade Cantareira/Unitau 
Marcos Victorino – Engenheiro Agrônomo - Faculdade Cantareira 

A capuchinha (Tropaeolum majus), também conhecida como flor-de-sangue, flor-de-chagas, nastúrcio ou agrião-do-México, é uma herbácea de desenvolvimento anual e distribuição natural desde a Bolívia até a Colômbia nas frias regiões andinas, embora também seja encontrada em áreas preferencialmente subtropicais. Com manejo ideal, é facilmente cultivada em jardins, canteiros e vasos. 

Suas flores são aromáticas e apresentam-se em cores que variam entre o alaranjado, amarelo, vermelho, rosa e creme. Seus ramos são rasteiros e retorcidos. É de hábito rastejante ou trepador. Pode ser totalmente aproveitada, tanto para fins alimentícios quanto medicinais. 
Fotos: capuchinha. Marcos Victorino 

10 usos e curiosidades sobre a Capuchinha 

1. É considerada planta invasora em regiões de clima frio. Isso se deve à alta taxa de atividade respiratória da planta e ao reduzido conteúdo de carboidratos de reserva. A baixa temperatura funciona como fator de retardamento da deterioração, uma vez que diminui os processos metabólicos, fazendo com que a planta consiga durar por mais tempo. 

2. Atrai lagartas, especialmente as das mariposas Xanthorhoe fluctuata e Melanchra persicariae e da borboleta Pieris brassicae

3. A planta contém um óleo essencial, rico em tiocianato de benzila e glucotropeolina, ao qual são atribuídos efeitos antibióticos. É utilizado na medicina tradicional em casos de infecções das vias urinárias, nefrite e gripes. As folhas são ricas em ácido ascórbico, isoquercitrina e helenina. São utilizadas maceradas no tratamento de hematomas. 

4. Outras propriedades da capuchinha são: expectorante, purgativa, digestiva, antisséptica, desinfetante, depurativa, sedativa e estimulante. Além de uso popular para psoríase e presença de substância usada no tratamento de glaucoma. 

5. Podem também ser encontrados entre seus princípios ativos ácidos graxos, flavonoides, glicosídeos, oxalatos, glucosinolatos, óleos essenciais, resinas, pigmentos, substâncias bactericidas, iodo, ferro, enxofre, cálcio, potássio, frutose e glicose. (https://www.remedio-caseiro.com/capucinha/

6. O nome "flor-de-sangue" provavelmente surgiu da fama que a planta adquiriu como antianêmica. 

7. Aparece em listas de "plantas companheiras", uma vez que repelem uma grande quantidade de pragas de cucurbitáceas, como insetos em abóbora, besouros em pepino e várias lagartas. Tendo também uma gama de benefícios para plantas da Família das Brassicaceae, especialmente brócolis e couve-flor. 

8. A espécie foi descrita por Linnaeus. O nome do gênero deriva do grego "tropaion" que quer dizer "troféu", devido à disposição das folhas e flores. Já o epíteto específico "majus" vem do latim e significa "o maior" ou "mais". (http://www.calflora.net/botanicalnames/pageT.html

9. A parte aérea é utilizada em condimentos em conserva. As flores, folhas e frutos apresentam um sabor picante, similar ao do Lepidium sativum (agrião). 

10. É utilizada como ornamental, além de possuir diversos cultivares e plantas híbridas que são, comumente trepadeiras. Propaga-se com facilidade por estacas de galhos. 

Outras referências: 




sexta-feira, 9 de março de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Erva-de-são-joão

Há plantas que são versáteis, mas desconhecidas por muitos. Dentre elas, a erva-de-são-joão ou mentrasto. 

Para comprovar sua versatilidade, podem ser citados exemplos de aplicações, como, por exemplo, os usos medicinais, inclusive comprovados cientificamente, para seres humanos e em outros animais, indicadora de solo, auxílio no controle de pragas e potencial enquanto herbicida natural. 

Nas fotos, exemplares da espécie encontradas na Fazenda Cantareira, localizada no município de Mairiporã. 
Ervas-de-são-joão encontradas na Fazenda Experimental da Faculdade Cantareira 

10 usos e curiosidades sobre a erva-de-são-joão 

1. Além de erva-de-são-joão ou mentrasto, outras regiões a denominam popularmente em função de alguma característica que se sobressai. Devido ao forte aroma, recebe os nomes de catinga-de-bode ou catinga-de-barão. Picão-roxo com referência às cores de suas flores. 

2. O significado do nome científico Ageratum conyzoides: Ageratum vem do grego, onde "a" significa "não" e "geras" refere-se à "velhice", uma vez que as flores desta planta duram por um longo período de tempo. Já o epíteto específico "conyzoide" faz menção à semelhança da espécie com o gênero Conyza. (https://www.cabi.org/isc/datasheet/3572

3. Excelente como indicadora de solos recuperados ou com boa fertilidade. Solos fracos ou ácidos é raro encontrar esta espécie. 

4. Na medicina popular é famosa contra cólicas infantis, mas carece de comprovação científica. 

5. Mas foi comprovada como anti-inflamatória, nos casos de reumatismo e artrose. No entanto, uso interno ainda carece de segurança, pois há casos de hipertensão e hepatotoxicidade. (http://www.londrina.pr.gov.br/dados/images/stories/Storage/sec_saude/fitoterapia/publicacoes/mentrasto2.pdf

6. Também é utilizada, por alguns criadores, para infecção de útero da vaca. 

7. Hospeda inimigos naturais de pragas. 

8. Extrato aquoso da parte aérea reduz a germinação de sementes, como observado em pesquisas com sementes de alface. Sua capacidade de produção de semente é enorme, pois uma planta pode produzir milhares de sementes. E floresce durante o ano todo. 

9. Atualmente, não muito, mas algumas décadas atrás, era frequente ser confundida com a Hypericum perforatum, espécie usada como anti-depressiva e que também recebe o nome popular erva-de-são-joão. 


Fotos: Marcos Victorino 

Texto: 
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Faculdade Cantareira/Unitau 
Marcos Victorino – Engenheiro Agrônomo - Faculdade Cantareira 
Tatiana Furtado - Geógrafa, Pedagoga e graduanda em Agronomia na Faculdade Cantareira

sábado, 3 de março de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Picão-branco ou fazendeiro

De origem andina mas naturalizado brasileiro, o picão branco, botão-de-ouro ou fazendeiro (Galinsoga parviflora) se desenvolve com facilidade em praticamente todo território nacional. É ainda mais comum em áreas antrópicas, sendo encontrado com frequência em calçadas, hortas, jardins e outros locais cujo solo possivelmente têm nitrogênio suficiente e deficiência de outros micronutrientes, principalmente cobre. 


As pequenas flores com pétalas brancas dentadas lhe conferem aparência delicada e, apesar de ser considerado "daninha" por muitos, o picão-branco esconde (principalmente em suas folhas) propriedades medicinais e que podem também servir como alimento. 

Alguns usos e curiosidades sobre Galinsoga parviflora 

1. É comum encontrar em grande quantidade nas hortas. Este pode ser um indicativo de que o solo da horta é rico em matéria orgânica, mas está desequilibrado quanto alguns dos micronutrientes. Geralmente é uma horta que só recebe adubação de esterco, por exemplo. Por isso, pode ser utilizada como planta indicadora. 

2. Sua ocorrência maior no Brasil é nas regiões Sul e Sudeste. Mas é possível encontrar em boa parte do país. 

3. Não raro, é colocada em rações com o picão-preto (Bidens pilosa) com o objetivo de desintoxicar animais que recebem muitos medicamentos sintéticos. 

4. No Brasil ainda não é muito consumida como alimento. Mas já há referências de consumo das partes aéreas não na fase de produção de sementes, em saladas e em refogados. 

5. No entanto, em países como a Colômbia, é utilizada como alimento há séculos. 

6. Em alguns países também é utilizada como condimento. 

7. Se propaga facilmente por suas inúmeras sementes liberadas. 

8. Em 2007 na Universidade de Kwa-Zulu (África do Sul), 16 ervas foram estudadas como possíveis inibidoras da ECA (enzima conversora de angiotensina, que está relacionada ao controle e aumento da pressão arterial). Estes inibidores são comumente sintetizados por empresas farmacêuticas para tratar a hipertensão arterial, ajudando a prevenir a hipertensão e as doenças cardiovasculares. Uma das ervas que teve efeito comprovado como inibidora da ECA, foi a Galinsoga parviflora

9. Seu gênero foi designado em homenagem a um botânico e físico espanhol chamado Mariano Martinez Galinsoga que, no século 18, identificou a planta e transportou diversas espécies do gênero do Peru para a Espanha. 

10. Já o epíteto "parviflora", significa "planta pequena" tendo em vista que, em latim, parvus quer dizer "pequeno". 

Referências



Texto:
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC

Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor na Faculdade Cantareira e na Universidade de Taubaté

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Beldroega

Beldroega na Fazenda Monjolo Queimado, Jacuí, MG

Nos cafezais de Minas Gerais, como nos da Fazenda Monjolo Queimado, é comum encontrar em solos bem estruturados uma planta de caule tenro e folhas suculentas (foto 1), parecida com a ornamental onze-horas. Assim como em boa parte do Brasil, em Minas é conhecida, principalmente, pelo nome popular beldroega.

Por ser de ocorrência tão comum no país, faz com que muitos acreditem que é nativa, porém sua origem é incerta. Segundo alguns autores, é originária da Europa e outros citam ser do Norte da África.

É denominada cientificamente por Portulaca oleracea e pertence à família Portulacaceae.
Foto 1. Beldroega no cafezal.

Apesar de ser conhecida por muitos, inclusive nas áreas urbanas por crescer até mesmo em calçadas, é pouco utilizada tanto como planta medicinal quanto como comestível. 

Quanto às curiosidades e usos da beldroega, é fácil encontrar exemplos:

1. É citada na literatura: "Aí a beldroega, em carreirinha indiscreta — ora-pro-nobis! ora-pro-nobis! — apontou caules ruivos no baixo das cercas das hortas e, talo a talo, avançou." João Guimarães Rosa – Sarapalha, em Sagarana

2. Em botânica, o epíteto "oleracea" é comumente associado às plantas alimentícias. Ou seja, o nome cientifico da beldroega já indica que é comestível.

3. Há pesquisas sobre seu uso em cosméticos, como observado no artigo "Produção de desodorante antitranspirante a base de extrato glicólico de Portulaca oleracea L."

4. Com relação ao seu valor nutricional, se destacam o baixo valor calórico (20 kcal em 100 gramas) e bons teores das vitaminas A, do complexo B e C.

5. Apesar de ser rústica, se desenvolve muito melhor em solos ricos em matéria orgânica.

6. Pesquisas já comprovaram ações terapêuticas como, por exemplo, anti-hiperglicêmica, anti-hiperlipidêmica e hepatoprotetora. 

7. É mencionada por Dioscórides, um autor greco-romano considerado fundador da farmacognosia, utilizando o nome "andrachne".

8. Na culinária é utilizada principalmente em saladas. Mas também é consumida refogada.

9. No Mediterrâneo é adicionada em sopas.

10. Na Literatura encontramos também dicas sobre a produção de inúmeras sementes a partir de uma única planta. “Beldros nem beldroegas se não semeiam, porque nascem na infinidade de uns e de outros, sem os semearem, nas hortas e quintais e em qualquer terra que está limpa de mato" . Gabriel Soares de Sousa, Tratado Descritivo do Brasil (1587).
Foto 2. Beldroega

Texto:
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC

Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor na Faculdade Cantareira e na Universidade de Taubaté

Fotos: Juliana Ferreira Mello

Local de ocorrência:
Estrada Jacuí - Guaxupé , Km 12. Bairro Rural: Zundum. Município de Jacuí, MG.

domingo, 19 de junho de 2016

Plantas espontâneas comestíveis e medicinais dos quintais - dicas para identificar beldroega e piolhinho

Texto:
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo
Vanéia da Silva Rocha - Acadêmica de Agronomia - UNITAU

Uma das principais dificuldades para quem quer aproveitar os recursos que a natureza oferece é a identificação quando se trata de plantas que nascem espontaneamente. 

Neste primeiro texto, são abordadas duas espécies que são utilizadas na culinária por algumas comunidades tradicionais e que são desconhecidas como alimento para a maioria da população, o que justifica serem classificadas como alimentos não convencionais. 

Uma é denominada popularmente por beldroega e com o nome científico Portulaca oleracea. A outra é o piolhinho, também conhecido por vários outros nomes populares, como, por exemplo, major-gomes, colarzinho, maria-gomes e manjogomes, e denominado cientificamente por Talinum paniculatum

Alguns também conhecem a T. paniculatum como beldroega ou beldroegão, o que causa confusão com P. oleracea

O que possuem em comum? 

Além de serem comestíveis, ambas possuem folhas "suculentas" e caule tenro. Pertencem à família Portulacaceae e também possuem usos medicinais. 

O que as diferenciam quanto às características visuais? 

A beldroega é rasteira e sua inflorescência com flores amarelas não se destaca, enquanto o piolhinho é ereto e possui uma inflorescência com flores de cor rosa em pendão. 
Flor da beldroega. 
Flor do piolhinho. 

Plantas espontâneas dos quintais com folhas suculentas. 

sábado, 23 de abril de 2016

Erva-moura ou maria-pretinha nas calçadas de Taubaté, São Paulo


Erva-moura
Fotos: Marcos Roberto furlan

Texto

Kananda Silva Rodrigues – acadêmica de agronomia - UNITAU
Marcos Roberto Furlan – Engenheiro Agrônomo - UNITAU - FIC
Maria Beatriz da Silva Pereira – acadêmica de agronomia - UNITAU
Vitória Seles Oliveira – acadêmica de agronomia - UNITAU 

Nos campos e nos quintais, onde vegeta espontaneamente, normalmente não ultrapassa 0,80 m de altura. O exemplar da foto, desenvolvendo em local sombreado em uma calçada do município de Taubaté, ultrapassou 2,0 m de altura, mas utilizava a parede de um imóvel para conseguir se sustentar. Este e outros exemplares da espécie no mesmo local produziam flores e frutos verdes, mas ainda eram raros os frutos maduros, de coloração preta.

No Vale do Paraíba, onde está localizado Taubaté, além de erva-moura, é também conhecida como maria-pretinha. Ocorre o ano todo e, para muitos, considerada uma planta invasora ou daninha. Ainda é significativo o número de pessoas que a utilizam como alimento in natura na região.

Pertence à família Solanaceae, a mesma do tomate, da berinjela, das pimentas do gênero Capsicum, dentre outras espécies. Como é atacada pelas mesmas doenças do tomate e das pimentas, por exemplo, deve ser retirada quando estiver próximas destas, pois pulgões e outros sugadores podem atuar como transmissores da virose ao sugar a seiva da erva-moura infectada com o vírus e depois sugar as cultivadas citadas.

É denominada cientificamente por Solanum americanum. No Brasil é popularmente apresentada em diversas denominações, como, por exemplo, maria-preta, maguarágua, aguaraquiá, araxixu, caaxixá, caraxiocu, caraxixá, caraxixu, erva-de-bicho, erva-mocó, erva-moura, guaraquim, guaraquinha, pimenta, pimenta-de-cachorro, pimenta-de-galinha e pimenta-de-rato. Nativa das Américas, sendo comumente vista em quase todo o território brasileiro. 

Uso medicinal da erva-moura 

Como exemplo da utilização dessa planta de modo medicinal, é indicada para pitiríase versicolor, feridas e úlcera (a partir do uso tópico das folhas contusas), inflamações, furúnculos, queimaduras, eczema, acne, por exemplo. Para o uso interno, é utilizada no tratamento de amigdalite, asma, anemia, gastrite, úlcera gástrica e até mesmo para crises hepáticas. Todos esses usos existem a partir da sabedoria popular, de modo que faz com que façamos a sua utilização de forma adequada e cautelosa. Ao utilizar qualquer planta com propriedades medicinais, o recomendado é que a planta colhida seja saudável e principalmente que a escolha seja correta, para obter os esperados resultados satisfatórios. 

Quanto aos seus princípios ativos, a planta apresenta solanina, rutina, asparagina, solamargina e também contém solasodina (0,1%). 

Referência:

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil – Nativas e Exóticas. 2ª Edição, Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. 

domingo, 2 de agosto de 2015

Diente de león, un experimento con detalles técnicos

Diente de león, un experimento con detalles técnicos from Rüdiger Hartmann on Vimeo.

La película muestra como los paracaídas de las semillas del diente de león (Taraxacum officinale) se abren. Para filmar, partes de la flor marchita fueron cortadas con una navaja. Lo que se quedó fue una sola fila de semillas.

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Löwenzahn, dandelion, diente de león (Taraxacum)

Löwenzahn, dandelion, diente de león (Taraxacum) from Rüdiger Hartmann on Vimeo.

Beschreibung, Description, Descripción
Der Film zeigt kurze Abschnitte aus dem Leben des Löwenzahns (Taraxacum officinale).
The movie shows some short details about the dandelion (Taraxacum officinale).
La película muestra algunos detalles sobre la vida del diente de león (Taraxacum officinale).

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Alle Jahre wieder ••• Löwenzahn, dandelion, diente de león

Alle Jahre wieder ••• Löwenzahn, dandelion, diente de león from Rüdiger Hartmann on Vimeo.

Hier im Schwarzwald in 800 Meter Höhe begann der Löwenzahn auf allen Wiesen zu blühen. Welch eine Augenweide!
Bei der Zeitrafferaufnahme im Studio wurde bewusst etwas unterbelichtet, um die Struktur der einzelnen gelben Blütenblätter zu erhalten. Ohne diese geringfügige Unterbelichtung verschwinden die Strukturen und die gelbe Löwenzahnblüte präsentiert sich als ein mehr oder minder strukturloser gelber Fleck.

Here in the Black Forest in an altitude of about 800 meters the dandelion began to flourish. What an eye candy!
Shooting was done in a studio, which eliminated the influence of the wind. All the clips were a bit underexposed in order to visualize and preserve the structure of the petals. Performing a normal exposure always caused a loss of these structures and the flowers appeared more or less like a structureless yellow conglomerate.


Aquí en la Selva Negra en Alemania a una altura de 800 metros sobre el mar, el DIENTE DE LEÓN empezó de florear. ¡Es un deleite para la vista!
La grabación de la apertura de las flores (cámara rápida) se realizó en un estudio, y los clips fueron subexpuestos intencionalmente, para evitar que las estructuras de las hojas amarillas se pierdan, y la flor se vea como una sola bola amarilla.

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Plantago lanceolata-time lapse-trilingual

Plantago lanceolata-time lapse-trilingual from Rüdiger Hartmann on Vimeo.

Beschreibung
Der Spitzwegerich (Plantago lanceolata) ist eine der ältesten Heilpflanzen. Sein Extrakt wirkt schleimlösend bei Husten und Erkältungskranheiten. Der Blütenstand beginnt an der Basis zu blühen. Sowohl die Staubgefäße als auch der gesamte Blütenstand vollziehen dabei eindrucksvolle „Wachstumsbewegungen“.

Description
The ribwort (Plantago lanceolata) is one of the well-known medical plants. Its extracts are widely used to cure diseases like cough etc. The inflorescence starts blooming at its basis, what is accompanied with very exciting movements.

Descripción
La planta llanten menor (Plantago lanceolata) es una planta medicinal usada por generaciones. Se usa para enfermedades como tos, bronquitis, catarro etc. La inflorescencia empieza a florear al lado de su base, y eso está acompañado de más eventos muy interesantes.

Musik, music, música
"Deliberate Thought" by Kevin MacLeod (incompetech.com) Licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Matos e fatos: Bidens pilosa

A espécie Bidens pilosa é uma das plantas espontâneas mais conhecidas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, principalmente pela fama de causar irritação nas pessoas quando grudam em suas roupas. 

É denominada popularmente por picão-preto, amor-seco, macela-do-campo, carrapicho-de-duas-pontas e fura-capas, dentre vários outros.

Apesar de ser classificada como planta daninha ou invasora, tem sido pesquisada quanto às suas propriedades terapêuticas.

1. Planta anual, de ciclo curto. Em um ano pode ter duas a três gerações e floresce e frutifica o ano todo. Dependendo do solo e da competição com outras espécies, pode ultrapassar mais de 1,0 m de altura.


2. No campo, vamos encontrar espécies ou variedades que não são fáceis de serem classificadas. Segundo Lorenzi (2000), a Bidens subalternans possui aquênios com 4 aristas enquanto a B. pilosa possui 2 a 3 aristas. Há também a Bidens alba, com usos e aspectos semelhantes. Todas estas são denominadas popularmente por picão-preto.

3. Seu principal uso tradicional mais comum é no banho de bebês para tratamento da icterícia. Como medicinal sempre foi usada pelos povos indígenas da Amazônia. Seus outros usos na medicina popular são vários, como, por exemplo, para tratamento de diabetes, desinteria, verminose e infecções urinárias. 

4. Em animais, alguns produtores adicionam na alimentação dos mesmos para desintoxicação devido ao uso de produtos químicos.

5. Também pode ser consumida como alimento, mas antes de florescer ou frutificar. (https://sites.google.com/site/florasbs/asteraceae/picao)

6. É uma espécie conhecida tanto como alimento como medicamento em muitas regiões do mundo, com destaque para a Ásia (http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/12870).

7. Apresenta rica constituição química: flavonoides, terpenos, esteróis, ácidos, sais minerais, lipídios (http://quintaisimortais.blogspot.com.br/2013/06/o-picao-preto-bidens-pilosa-na-medicina.html).

8. Uma planta pode produzir milhares de sementes, as quais se mantem viáveis por um longo período. Cada planta produz de 80 a 100 flores, com um potencial de produção de 3 000 plantas (http://www.plantasmedicinales.org/archivos/bidens_pilosa___monografia_portugues.pdf).

9. Altas infestações podem ocasionar decréscimos de até 30% na produtividade; planta hospedeira de fungos, nematóides e vírus (http://panorama.cnpms.embrapa.br/plantas-daninhas/identificacao/folhas-largas/picao-preto-bidens-pilosa).

10. Na literatura científica encontramo revisões sobre os aspectos terapêuticos da espécie:


Referência

LORENZI, H. Plantas medicinais do Brasil - nativas e exóticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002.

Texto

Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo 
Maria Beatriz da Silva Pereira - Acadêmica do curso de Engenharia Agronômica - UNITAU
Fotos: Bidens pilosa
Autoria: Paulo Schwirkowski
Link das fotos: