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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Aroma da banana depende de seu tratamento pós-colheita

Lara Deus - lara.deus@usp.br
Publicado em 26/novembro/2013 

Da Agência Universitária de Notícias (AUN)
O estudo simulou situação de frutos da espécie nanicão quando exportados

O modo como a banana é tratada após sua colheita influencia no cheiro que ela terá depois de madura. Submeter a fruta a baixas temperaturas ou a substâncias químicas que retardam ou aceleram seu amadurecimento têm efeitos diferentes no seu aroma e podem influenciar na sua atratividade para o mercado. Em estudo na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, a farmacêutica-bioquímica Helena Pontes Chiebáo testou os efeitos dos tratamentos pós-colheita no aroma da banana e constatou que o frio é o mais prejudicial para este aspecto.

Nos testes em laboratório, Helena simulou o procedimento empregado quando bananas da espécie nanicão são exportadas: ficam os 15 dias do transporte por navio submetidas a 13 graus celsius (ºC), quando ainda verdes. Só depois deste período, já no país de destino, ficam à temperatura ambiente e amadurecem. Apesar de o processo de maturação se completar, a pesquisa constatou que as temperaturas baixas alteram a produção dos compostos responsáveis pelo cheiro da fruta. Um exemplo deles é o acetato de isoamila, composto usado pela indústria para atribuir a doces o aroma de banana, que não foi liberado depois do tratamento por frio. “A temperatura que usamos, de 13°C, para armazenar não é própria para a nanicão para este atributo”, conclui Helena.

No doutorado sanduíche, parte do estudo feito no exterior, Helena viajou aos Estados Unidos e fez os mesmos testes com a banana do tipo Grand Nane Cavendish, produzida no Panamá e consumida pelos norte-americanos. Em seus resultados, ela encontrou que estas frutas, submetidas ao frio, também sofreram alterações na produção dos compostos voláteis, mas não foram tão significativas pois não chegaram a ter a produção de algumas substâncias inibidas. Helena explica: “os frutos que exportamos chegam a seu destino com aroma que não é característico da banana, então perdem qualidade”. Este, segundo a pesquisadora, é um dos fatores que influenciam o comprador.

As outras duas substâncias testadas foram o etileno e o 1-metilciclopropeno (1-MCP). A primeira é comumente usada no mercado, já que é um hormônio natural que regula o amadurecimento da fruta. O estudo comprovou que não há interferência desta substância no cheiro da banana quando já madura, ou seja, quando o amido não está mais presente em sua polpa. O 1-MCP, por sua vez, tem o efeito de inibir o processo de maturação promovido pelo etileno liberado naturalmente pela fruta. Quando testado na pesquisa, Helena constatou apenas que os compostos voláteis responsáveis pelo aroma demoraram mais a serem produzidos, mas ocorreram em mesma proporção que o processo natural.

Influência na cor

A cor das frutas tratadas com 1-MCP sofreram alteração, mesmo depois de maduras. O estudo de cores feito para a tese de doutorado comprovou que, com este tratamento, a banana nunca chega ao amarelo natural. Helena explica que “se você coloca no mercado uma fruta meio verde, meio amarela, as pessoas não compram”, um dos fatores que justificam o 1-MCP não ser utilizado comercialmente.

Segundo dados de 2011 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é um dos cinco maiores produtores de banana do mundo. Apesar disto, ainda encontra dificuldades para a exportação. A deficiência das técnicas de cultivo e manejo é um dos motivos, já que questões mais simples acabam sendo priorizadas pelos órgãos governamentais que transmitem o conhecimento para agricultores.

A pesquisa Perfis de compostos voláteis de banana submetidos a diferentes tratamentos pós-colheita e suas correlações com a expressão diferencial dos receptores de etileno, orientada pelo professor Eduardo Purgatto, se iniciou em 2008 e foi defendida em 2013 na FCF. A etapa experimental foi feita em três anos, já que, para garantir a segurança do estudo, as bananas usadas eram sempre colhidas entre os meses de maio e junho. Helena também só utilizou frutas de um mesmo produtor, da cidade de Sete Barras, no Vale do Ribeira paulista.

Imagem: Marcos Santos / USP Imagens
Mais informações: email chiebao@usp.br

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Tecnologias limpas favorecem mercado frutícola

JC e-mail 4714, de 26 de Abril de 2013.

Estudo visa estratégias de controle alternativo de doenças na pós-colheita de frutas evitando resíduos químicos

Estratégias de controle alternativo de doenças na pós-colheita de frutas, evitando resíduos químicos, principalmente das frutas produzidas na Caatinga, que são, na maioria, exportadas para várias partes do mundo, tem sido estudadas em um projeto desenvolvido na Embrapa Semiárido (Petrolina, PE). Segundo o pesquisador Daniel Terão, existem diversas estratégias alternativas de controle de doenças pós-colheita de frutas que foram avaliadas na pesquisa.

Uma delas é o controle cultural. De acordo com ele, uma vez que a grande maioria dos fitopatógenos que causam doenças na pós-colheita infectam a fruta no campo, o controle deve iniciar ainda na pré-colheita, partindo da escolha da época de plantio e, consequentemente da época de colheita mais adequada, e de praticas culturais, como a eliminação de restos de poda e de outras fontes de inóculo, bem como do uso adubação e irrigação correta e equilibrada para a cultura.

- Existe ainda o controle físico. Estudamos o tratamento hidrotérmico por aspersão, associado a aplicação de baixas doses de luz Ultravioleta-C e o efeito da radiação ionizante. Já no controle biológico, avaliamos vários bioagentes com potencial biocontrolador como diversas espécies de leveduras e bactérias - explica ele.

O pesquisador fala ainda sobre o controle fisiológico, dado pelo uso de desativadores de etileno, que exercem um controle indireto da doença, pelo retardamento no processo de maturação da fruta e de indutores de resistência. A quinta alternativa é o controle com óleos essenciais, onde são testados diversos extratos de plantas e óleos essenciais.

- A ideia é usar os controles alternativos com os melhores resultados para cada cultura, de maneira integrada e não isolada - diz Terão.

A pesquisa foi realizada em culturas da uva, manga e melão. No entanto, o entrevistado afirma que os princípios do novo modelo tecnológico podem ser adequados para qualquer espécie frutífera.

- Nossa pesquisa voltou-se especificamente à busca de alternativas ao uso de fungicidas no tratamento pós-colheita frutas evitando-se os resíduos tóxicos, visando o controle das podridões. Os resultados são bastante específicos para cada patossistema. Existem casos em que os métodos alternativos apresentam controle similar aos fungicidas, bem como casos em que os próprios fungicidas não estavam controlando a doença, em que o método alternativo estudado solucionou o problema. No entanto, como a maioria dos métodos alternativos estudados, não atuam diretamente sobre o agente causal, como os fungicidas, é recomendável a integração de métodos para alcançar resultados semelhantes - conta.

Terão fala ainda sobre os benefícios que essa técnica pode trazer no que diz respeito à expansão do mercado brasileiro. Ele conta que o estudo foi realizado com espécies frutíferas de grande importância na pauta brasileira de exportação de frutas frescas como.

- Nesse mercado, cresce o rigor nas barreiras não alfandegárias, como a diminuição drástica do limite máximo de resíduos tóxicos (LMR) tolerável nos produtos, objetivando em breve, a ausência total deles. Portanto, a eliminação dos resíduos tóxicos é um imperativo econômico e não uma opção. Assim, existe grande demanda por tecnologias limpas que possam ser usadas no tratamento pós-colheita de frutas. Logo a tecnologia beneficiará diretamente os produtores e exportadores de frutas, contribuindo para a sustentabilidade do setor. Repercutirá positivamente, também, no mercado nacional, que está cada vez mais consciente e exigente por alimento saudáveis e livres de contaminantes - garante.

A tecnologia impactará diretamente os produtores e exportadores de frutas frescas, além de toda as atividades ligadas à cadeia produtiva e indiretamente toda a população pela disponibilização de frutas saudáveis, sem contaminantes, assim como o ambiente, pela redução no descarte de resíduos químicos.

- Não estamos tratando de agricultura orgânica e sim de agricultura sustentável, em que o uso correto de fungicidas é permitido. A aplicação correta de fungicidas em determinadas fases da cultura, quando as infecções acontecem, respeitando o período de carência, é importante para obter frutas com menor índice de infecção, com baixo potencial de inóculo na época da colheita e sem resíduos de fungicidas aplicados no campo. Frutas com esse nível de qualidade serão tratadas na pós-colheita com métodos alternativos de controle, que não contaminarão as frutas depois de colhidas, mantendo sua qualidade e produtividade - diz o pesquisador.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Semiárido através do número (87) 3866-3600.

(Portal Dia de Campo)
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terça-feira, 23 de abril de 2013

Armazenagem viabiliza comercialização de frutas tropicais

Da Redação - agenusp@usp.br
18/abril/2013

Caio Albuquerque, da Assessoria de Comunicação da Esalq
imprensa,esalq@usp.br

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pesquisa demonstrou a viabilidade do armazenamento de frutas originárias da Amazônia sem perda de qualidade, facilitando sua comercialização. A engenheira agrônoma Patrícia Maria Pinto analisou a fisiologia pós-colheita do abiu, bacupari e camu-camu e verificou a temperatura ideal para o armazenamento de cada fruto.
Temperatura de armazenamento influencia conservação de frutos pós-colheita

O projeto foi realizado no Laboratório de Pós-Colheita de Frutas e Hortaliças do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq e os frutos utilizados em todas as etapas foram provenientes do Estado de São Paulo, sendo que os abius foram colhidos de plantas de pomares comerciais da região de Mirandópolis, e os bacuparis e os camu-camus colhidos de plantas da Coleção de Frutas Tropicais da Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB), instituição parceira no desenvolvimento do trabalho. “Parte da pesquisa foi realizada na Universidade da Flórida, em Gainesville (Estados Unidos), sob supervisão do pesquisador Steven Sargent”, lembra a autora do estudo.

Em laboratório, avaliou-se o comportamento dos frutos após a colheita, enquandrando-os na classificação dos frutos quanto ao padrão respiratório, assim como fora definido o ponto ideal de colheita. “Os abius enquadraram-se na classificação de frutos climatéricos, ou seja, frutos que tem a capacidade de completar seu amadurecimento após a colheita, sendo assim, os abius devem ser colhidos no estágio de maturação caracterizado pela cor da casca verde-amarela”, conta Patrícia.

Nos bacuparis foi constatado padrão não-climatérico, sendo necessário colhê-los quando maduros, com a casca na coloração laranja. “Os camu-camus também foram considerados frutos climatéricos e devem ser colhidos quando a casca alcançar coloração vermelho-esverdeada”, acrescenta a engenheira agrônoma.

Conservação dos frutos

Segundo a pesquisadora, a temperatura de armazenamento influenciou a conservação de todos os frutos, sendo que para os abius, recomenda-se o armazenamento na faixa entre 10ºC e 15°C, enquanto para os bacuparis a 10°C e para os camu-camus, a temperatura ideal é a de 5°C. “Também aplicamos 1-Metilciclopropeno (1-MCP), um regulador vegetal capaz de retardar o amadurecimento de certas frutas. Este regulador influenciou a qualidade e fisiologia dos abius e camu-camus, aumentando a vida de prateleira dos frutos. Já nos bacuparis, o 1-MCP ajudou a reduzir a incidência de podridões”, complementa.

O projeto teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e os resultados obtidos proporcionarão a criação de novos projetos, bem como fornecerá novos subsídios para a exploração de espécies frutíferas nativas, seja no âmbito da produção ou no da pós-colheita. “Essa pesquisa mostrou que há a possibilidade de armazenar essas espécies por um determinado período de tempo, facilitando a comercialização e mantendo a qualidade original dessas frutas”, finaliza.

O consumo de frutas e hortaliças sempre foi valorizado pelos benefícios que esses alimentos podem trazer à saúde. “A exploração de frutos tropicais não tradicionais, como é o caso dos frutos nativos da região Amazônica, vem ao encontro dessa afirmação, pois neles são encontrados níveis consideráveis de compostos bioativos”, afirma Patrícia, que é pesquisadora do programa de Pós-graduação em Fitotecnia da Esalq.

Durante a realização do seu doutorado, sob orientação do professor Angelo Pedro Jacomino, Patrícia verificou a viabilidade do armazenamento de frutas como abiu, bacupari e camu-camu. “Estudos após a colheita desses frutos são muito escassos e há a necessidade de um maior aproveitamento dessas espécies tão ricas em propriedades funcionais”, salienta.

Imagem: cedida pela pesquisadora


Mais informações: (19) 3447-8613 / 3429-4109 / 3429-4485, na Assessoria de Comunicação da Esalq
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