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terça-feira, 3 de abril de 2018

Vida em harmonia com a natureza (jornalufgonline.ufg.br)

Data: 30.08.2017

No espaço acadêmico, a permacultura estimula a visão holística do conhecimento


Texto: Carolina Melo

Fotos: Carlos Siqueira e Ecocentro IPEC

No corre-corre do cotidiano, o tempo de reflexão sobre as consequências de nossas ações individuais, rotineiras, é cada vez mais suprimido. Produzimos lixo, contaminamos o ar, o solo e a água e na maioria das vezes nem nos damos conta do impacto que geramos. Mas é possível um olhar mais sensível para a própria vida, partilhada com o outro e a natureza, capaz de promover a mudança e gerar ações mais responsáveis em práticas diárias tanto na cidade, como no campo. É o que acredita o princípio da permacultura, que valoriza a ocupação dos espaços e a convivência com o verde, os animais e as pessoas de forma harmônica.

As ações permaculturais têm por finalidade a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio com a natureza, por meio de três princípios éticos. São eles: cuidar da terra, cuidar das pessoas e compartilhar excedentes. “Traduzida como a cultura da permanência, a permacultura tem o quadro ético que pressupõe assumir a responsabilidade pela própria existência”, afirma a professora da Unidade Acadêmica Especial de Estudos Geográficos da Regional Jataí da UFG, Mariana Crepaldi de Paula. Na prática, a permacultura utiliza técnicas não impactantes na construção de casas e espaços de convivência, na gestão da agricultura, e na utilização e aproveitamento da água. Funcionalmente replica algumas iniciativas, tais como os sistemas agroflorestais sucessionais sintrópicos e as hortas de mandala. O primeiro é um método de plantio em que espécies arbóreas são plantadas junto a culturas agrícolas. Por sua vez, a horta, com canteiros dispostos em círculos e um galinheiro ou um reservatório de água no centro, permite o reaproveitamento e a circulação do material orgânico.

A bioconstrução é outra aplicação da permacultura. Materiais como o barro, madeira, palha, areia e bambu são utilizados para erguer habitações. Banheiros secos, construções com ferrocimento, de taipa e taipa de pilão, fossas com canteiro biosséptico – a fossa de bananeira –, e sistemas de aproveitamento da água da chuva também estão entre algumas soluções de ocupação do espaço rural e urbano propostas pelo princípio. Basicamente, são ações que utilizam matérias-primas forneci- das pelo próprio ambiente, a partir do princípio do reuso e da reciclagem e captação e armazenamento de energia. “A definição de sistema sustentável é aquela que acumula ou gera mais energia do que aquela que foi necessária para mantê-la e é dentro desta definição que procuramos propor soluções”, explica a professora Mariana Crepaldi.
Forno construído com barro e materiais locais

Incluído no espaço acadêmico, o princípio estimula a integração dos conhecimentos, cada vez mais especializados, dentro da universidade. “Essa integração é uma demanda histórica tanto da comunidade quanto dos alunos, pois o elevado grau de especialização do conhecimento acadêmico leva, de certa forma, a uma perda de conhecimento”, observa Mariana. Além disso, de acordo com a docente, há uma preocupação em se aprofundar no estudo de conceitos que são usados indiscriminadamente pela comunidade acadêmica. “Como a sustentabilidade, que sem uma reflexão crítica pode ser esvaziada ou ter sentidos discordantes”, exemplifica.

Na avaliação do acadêmico de Geo- grafia, Matheus Jucá, que atua na área de Agroecologia e energia solar fotovoltaica, a permacultura vem influir na mudança de paradigma do pensamento científico a partir de uma visão holística. “Levanta a reflexão para uma possível revisão metodológica do conhecimento científico, especialmente nas áreas de Arquitetura, Engenharia Civil e Agricultura. Dialoga com autores da abordagem sistêmica e da complexidade, como Edgar Moran e Fritjof Capra”, acredita.

Permacultura na universidade

Na Regional Jataí da Universidade Federal de Goiás o curso de Geografia disponibiliza desde 2011 o Núcleo Livre sobre Permacultura e Sistemas Agroflorestais. Desde então, no mínimo 40 alunos por ano são formados pela disciplina. “O que é uma revolução em conhecimentos sustentáveis nesta microcomunidade”, afirma a professora Mariana. Ela explica que, com a forte presença de agricultores entre os alunos, o ensino da permacultura é associado a sistemas agro- florestais sintrópicos, pois se adapta às necessidades regionais.

Entre as iniciativas da disciplina, já foram construídos na área do Centro Vocacional Tecnológico em Agroecologia (Ciagro), no Câmpus Jatobá da Regional Jataí, um galpão com o telhado e pequena geodésia, uma caixa d´água com ferrocimento e pequenas construções de adobe. Projetos de implantação de sistemas agroflorestais sintrópicos são realizados tanto na área do Ciagro quanto em parceria com agricultores do assentamento Santa Rita, do Retiro Ecológico Barrufada e da Fazenda Tamanduá Bandeira, esses dois últimos de Mineiros, além da Fazenda Olho do Céu em Chapadão do Céu. Em Jataí, foram implantadas duas fossas de bananeiras. “Na cidade, uma quantidade assombrosa de casas não é ligada ao sistema de esgoto da Saneago. A adoção do canteiro biosséptico como sistema de tratamento não permite nenhum vazamento de água contaminada para o lençol freático, não gera excedente ou resíduo, não requer manutenção, tem potencial paisagístico e ainda produz banana”, afirma Mariana Crepaldi.

As sementes de transformação estimuladas pela disciplina são perceptíveis. Segundo a docente, na região há dois produtores de agrofloresta sintrópica, que construíram suas casas com bioconstrução, além de se organizarem com outros parceiros para trabalhar em mutirões e multiplicar o conhecimento. Alunos da disciplina também começaram a compostar o seu lixo e pelo menos dois deles construíram fossas de bananeiras para suas casas. “Um ex-aluno, proprietário de uma firma de construção na cidade, começou a utilizar o canteiro biosséptico em todas as casas que constrói”, conta a professora.
Forno e desidratador solar são tecnologias sociais aplicadas pela Permacultura

Iniciativas em Goiânia

Dentro do Centro de Agroecologia da Escola de Agronomia (EA) da UFG, no Câmpus Samambaia, em Goiânia, docentes e acadêmicos trabalham com técnicas de permacultura em agriculturas de base ecológica. “O objetivo é gerar autonomia do agricultor e dar condições aos alunos para que possam orientar agricultores a buscar essa autonomia”, afirma a professora Gislene Auxiliadora Ferreira. Nas dependências da EA é possível encontrar algumas pequenas bioconstruções, como um forno, uma fornalha e o início da construção de um palco além da produção de uma horta. “Os acadêmicos são estimulados a construir e pensar o seu próprio espaço, utilizando os recursos disponíveis e se responsabilizando pelas suas próprias escolhas”, diz.

No curso de Geografia, o interesse pela temática ocorreu durante uma oficina no Encontro Nacional de Estudantes de Geografia em 2013. Na ocasião foi implantada uma horta sucessional próximo ao prédio do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (Iesa). A partir de então, o grupo de estudos sobre Permacultura foi instituído pelo Núcleo de Pesquisas e Estudos em Educação Ambiental e Transdisciplinaridade (Nupeat), com participação de estudantes da Geografia, Engenharia Florestal, Biologia e Ciências Sociais, entre outros.

O grupo fez a articulação de uma rede de trabalho que atua em escolas, bairros, propriedades e na própria universidade. Já concretizaram hortas escolares, horta de pneus na Casa do Estudante (CEU), viveiros sazonais durante o período de chuvas para produção e distribuição de mudas nativas e frutíferas, produção em pequena escala de alimentos orgânicos e plantio de árvores nativas e frutíferas em praças e na universidade. “Trabalhamos também com o desenvolvimento de tecnologias sociais, como forno e desidratador solares, uso de microrganismos eficientes na agricultura, captação de água da chuva e bioconstrução”, completa o acadêmico Matheus Jucá.
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segunda-feira, 20 de junho de 2016

INTRODUÇÃO À PERMACULTURA POR BILL MOLLISON

Este é o primeiro de uma série de 15 panfletos, baseados no Curso de Design em Permacultura ministrado em 1981 por Bill Mollison no Centro Educacional Rural, New Hampshire, Estados Unidos. Elizabeth Beyor, sem compensação financeira, transcreveu gravações em fita do curso e subseqüentemente editou o material em 15 panfletos. Thelma Snell datilografou todos os 15 panfletos e organizou a maioria deles. Lisa Barnes contribuiu com ilustracoes para os panfletos II, IX e XI. Bill Mollison editou os panfletos em relação a acurácia e estilo, como também o fiz eu, Dan Hemenway, o editor. Também fiz edição gráfica desta edição. Após cerca de 10 anos usando as transcrições de Thelma, fomos capazes de oferecer a versão editada graficamente do material, que ficou mais compacto, poupando árvores e dinheiro, e tendo também leitura mais fácil. Agora também oferecemos os panfletos em formato eletrônico, de forma que possam ser lidos diretamente na tela do computador, sem uso de papel e portanto poupando mais árvores. Esta edição foi ligeiramente re-editada e atualizada

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Permacultura - 2

Ética da Permacultura

Cuidar do planeta : implica em cuidar de todos os seres, vivos ou não. Solos, atmosfera, florestas e micro-habitats, animais e águas exigem atividades inofensivas e reabilitantes, conservação ativa, uso dos recursos de forma ética e estilo de vida correto.

Cuidar das pessoas: respeitando as próprias exigências do Planeta, o cuidado com os seres humanos será uma consequência.. Necessidades como a alimentação, abrigo, educação, trabalho satisfatório e contato humano saudável devem ser supridos. O ser humano, responsável pelos impactos que o Planeta pode sofrer, precisa estar equilibrado para que os reflexos de suas atitudes sejam positivos.

Compartilhar informações, dinheiro e tecnologias para atingir esses fins. 

Algumas dicas destacadas do livro “Introdução à Permacultura”, de Bill Mollison sobre as maneiras de se cuidar do planeta: 

Pensar, a longo prazo, sobre as consequências de nossas ações. Planejar para a sustentabilidade;

Onde possível, utilizar espécies nativas da área, ou aquelas adaptadas sabidamente benéficas. A introdução impensada de espécies potencialmente invasoras podem romper o balanço natural da área;

Cultivar a menor área de terra possível. Planejar sistemas intensivos, eficientes em energia e em pequena escala, em oposição aos sistemas extensivos, de grande escala e alto consumo energético;

Praticar a diversidade por meio de policulturas (cultivo de várias espécies juntas). Isso trás estabilidade e ajuda nas mudanças ambientais ou sociais;

Considerar a energia economizada como sendo parte da produção;

Utilizar sistemas biológicos e ambientais de baixo consumo energético para conservar e gerar energia;

Trazer a produção de alimentos de volta às cidades e vilarejos.

Ajudar as pessoas a se tornarem auto-suficientes e promover a responsabilidade comunitária;

Reflorestar a Terra e restaurar a fertilidade do solo;

Utilizar tudo até o máximo e reciclar todos os detritos;

Ver soluções, não problemas.

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Princípios, Estratégias, Técnicas 

Quanto mais se aproxima da natureza, menos esforço se faz.

A diversificação garante a estabilidade.

A estabilidade vem quando se fecham os ciclos.

Todo sistema deve produzir mais energia do que consome.

É mais barato prevenir emergências que enfrentá-las.

Visa-se cooperação em vez de competição e integração em vez de fragmentação.Para se planejar um sistema de auto-sustento, é preciso clareza nos princípios de base que norteiam o trabalho. Na Permacultura, um dos princípios é a cooperação e outro princípio fundamental para projetar um sistema sustentável é o do respeito pela sabedoria da Natureza, que desenvolveu um sistema perfeito para cada lugar. 

Então qualquer projeto começa com a observação aguçada da natureza do local. 

Assim, do princípio(respeito pela sabedoria da Natureza) surge a estratégia (observar e copiar a Natureza), da qual surgirão as inúmeras técnicas, que podem ser emprestadas de outras situações similares, ou criadas no local. 

Em resumo, o princípio é o porquê de fazer, p. exemplo, um muro naquele lugar, daquele jeito. Sem princípios claros, as mesmas técnicas podem ser tanto benéficas quanto destrutivas. A estratégia é saber onde e quando fazer o muro (a técnica dentro do espaço e do tempo). As técnicas são os materiais que se usam para a construção do muro e como montá-los. 

Por este motivo, o treinamento em Permacultura depende mais do ensinar a observar e tirar conclusões a respeito de uma situação, com algumas estratégias básicas mais universais que podem se aplicar em qualquer situação. As técnicas são muitas dentro da literatura e estão longe de esgotar as possibilidades de cada lugar. Entendendo as estratégias, qualquer pessoa pode avaliar ou criar a técnica apropriada para determinada situação. 

As possibilidades de cada lugar são infinitas e é o homem que define o propósito, que dá o impulso. Uma vez dado o impulso, a Natureza equilibra e o homem observa e ajusta suas ações pelo retorno recebido da Natureza. Assim, desenvolve-se uma verdadeira parceria de cooperação entre os dois.

Por este motivo, é imprescindível uma intenção clara para cada projeto. 

A Lei da Otimização da Vida 

Segundo Bill Mollison, os princípios de um projeto permacultural devem considerar a ecologia, a conservação de energia, o paisagismo e a ciência ambiental. Em resumo: 

Localização relativa: cada elemento é posicionado em relação a outro, de forma que auxiliem-se mutuamente;

Cada elemento executa muitas funções;

Cada função importante é apoiada por muitos elementos;

Planejamento eficiente do uso de energia para casa e assentamentos;

Preponderância do uso de recursos biológicos sobre o uso de combustíveis fósseis;

Reciclagem de energias (humana e combustível)

Utilização e aceleração da sucessão natural de plantas, visando o estabelecimento de sítios e solos favoráveis;

Policultura e diversidade de espécies benéficas, objetivando um sistema produtivo e interativo;

Utilização de bordas e padrões naturais para um melhor efeito.Tomar o ecossistema como modelo de: 

biodiversidade
densidade
verticalidade
sucessão
funções
relações
fluxos
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O permacultor procura:

Reflorestar o planeta Terra;

Trabalhar com a natureza e não contra ela;

Mudar o mínimo possível no ambiente, para obter o máximo de efeito;

Perceber os dois lados de uma situação: é a maneira como a percebemos que a torna benéfica ou não;

Perceber as muitas formas de funcionamento que os elementos têm num sistema. O único limite está em nossa própria criatividade e conhecimento;

Focar em soluções e não em problemas;

Criar soluções;

Trabalhar onde for mais efetivo;

Cooperar e não competir;

Minimizar a demanda de energia e manutenção de seu sistema, maximizando o ganho;

Trazer a produção de alimentos de volta às cidades;

Auxiliar as pessoas a serem mais auto-confiantes;

Criar sistemas que sejam ecologicamente corretos e economicamente viáveis, que forneçam suas próprias necessidades, não poluam, não destruam, e assim sejam sustentáveis e duráveis.

Como fazer: 

Temos exemplos práticos de que é possível fazer permacultura no dia-a-dia, mesmo que não tenhamos um sítio ou um grande quintal para cultivar, nem possamos (ainda) construir nossa própria casa ecológica. 

1 – Fique em contato com a natureza 

Observe os pássaros, as árvores, rios e ribeirões que passam por sua vizinhança, olhe para o céu e perceba as diferentes fases da lua, acompanhe as mudanças que ocorrem no ambiente a cada estação do ano. 

Ainda que você more em um apartamento ou um pequeno barracão, você pode plantar para o seu consumo - ervas medicinais, temperos, especiarias, verduras e legumes e - por que não? - algumas frutíferas.

Para isso, pode usar jardineiras, vasos e caixotes de madeira ou aproveitar garrafas PET ou outras embalagens reutilizáveis. Nem é preciso fazer curso de horticultura. Sempre tem alguém por perto para ajudar com informações. 

2 – Gaste seu dinheiro localmente 

Antes de correr para garantir a oferta da semana no maior supermercado da cidade ou aproveitar a liquidação daquela grande cadeia de lojas, olhe à sua volta. Provavelmente vai encontrar na vizinhança de sua casa ou de seu trabalho pequenos comerciantes, produtores e artesãos fornecedores de alimentos, produtos de limpeza, roupas etc. Em geral são produtos feitos e embalados de maneira caseira, que não produz impactos ambientais como acontece com a maioria dos produtos industrializados, muitos deles importados. Mais de 90% do dinheiro gasto em produtos comercializados por pessoas da comunidade permanecem na própria comunidade.

3 – Consuma com consciência 

Quantas coisas são consumidas desnecessariamente no mundo de hoje? A começar pelas infalíveis sacolinhas de plástico oferecidas em todas as lojas e supermercados, mesmo que seja para carregar volumes pequenos, que cabem facilmente nos bolsos e bolsas. E aqueles bens de consumo “duráveis” (como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, automóveis, computadores e outras máquinas) que as pessoas são levadas a trocar a cada ano por um modelo “melhor”? E quando se trata de água, de energia elétrica e de combustíveis? 

Quanta água é desperdiçada diariamente em cada casa – principalmente nas cidades?

Enquanto a água da chuva escorre sem aproveitamento, quanta gente tem de andar quilômetros carregando balde na cabeça para buscar água para beber? 

Tudo isso gera um impacto ambiental enorme que não é considerado quando se calcula o valor do produto. Imagine o imenso custo para a Natureza se recuperar dos impactos de uma usina hidrelétrica, de um oleoduto, de uma mineração de ferro, bauxita, calcário e outros minerais que são matérias-primas para inúmeros produtos que estão em nossa casa etc.

Mudança de hábitos 

Antes de se sentir culpado por suas escolhas, tente adotar práticas simples de consumo sustentável. Aumente o número de vezes que sai de casa a pé ou de bicicleta; adote uma sacola de compras e dispense as sacolinhas de plástico que lhe oferecerem; se tiver de andar de carro, procure oferecer carona; se ainda não faz isso, mantenha fechada a torneira enquanto escova os dentes ou ensaboa os pratos e apague a luz quando não tiver ninguém em um cômodo; quando fizer uma compra, pense duas vezes se o produto realmente vai melhorar sua vida ou se vai apenas satisfazer uma ansiedade momentânea.

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Permacultura - 1

Conceitos

"Resgatar e amar um pedaço da Mãe Terra é muito mais profundo do que simplesmente criar sistemas para manter vivo o nosso corpo físico: é o resgate profundo da relação do homem com a Natureza, de substituir o tempo de relógio - nossa escravidão - por ritmos. Tempo de caju, tempo de manga. O levantar e pôr do sol. A lua minguando e crescendo... E percebemos que, de fato, precisamos de MUITO POUCO para sentir a felicidade; que a integração com a beleza natural é uma fonte de satisfação mais profunda e serena do que grandes conquistas no mundo urbano."

Marsha Hanzi (trecho do livro O Sítio Abundante) 

O que é permacultura? 

O conceito foi criado pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren, nos anos 70. É uma reunião dos conhecimentos de sociedades tradicionais com técnicas inovadoras, com o objetivo de criar uma "cultura permanente", sustentável, baseada na cooperação entre os homens e a natureza. 

Um dos princípios fundamentais da permacultura é o respeito pela sabedoria da natureza, que desenvolveu um sistema perfeito para cada lugar. Do princípio vem a estratégia (observar e copiar a Natureza), da qual surgirão as inúmeras técnicas , que podem ser copiadas de situações similares ou criadas no local, para planejar a sustentabilidade de quintais, sítios, fazendas ou comunidades (novas ou já existentes), como ecovilas, bairros e assentamentos. 

No planejamento destas comunidades, além do ambiente físico, é preciso considerar os aspectos: social, econômico, cultural e espiritual como parte imprescindível dos projetos porque, no novo paradigma, reconhece-se que a felicidade não se resume ao materialismo. 

A PERMACULTURA busca rejuvenescer amplamente o ecossistema, reproduzir suas cadeias alimentares e níveis tróficos mais naturais, manter e investir em seus clímax florestais, introduzindo parâmetros de maior cultivo e maior integração de espécies com maior valor e aproveitamento econômico, energético e alimentar.

Diante do fato de que culturas não podem sobreviver sem uma base agrícola sustentável e uma ética no uso da terra, a PERMACULTURA lida com plantas, animais, edificações e infra-estruturas como água, energia e comunicações e as relações que podem ser estabelecidas entre estes elementos e os seres humanos, a partir de como eles são dispostos e colocados em determinados terrenos. 


Por isso, a PERMACULTURA pode ser classificada como um sistema de desenho para a criação de ambientes humanos sustentáveis, economicamente viáveis e ecologicamente corretos. A idéia é produzir um sistema de apoio à vida para a cidade ou a zona rural, aplicando qualidades inerentes das plantas e animais combinadas com características naturais dos terrenos ou edificações, utilizando a menor área possível.

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