Sobre a importância dos quintais, cada vez mais desaparecidos e, com isso, as nossas raízes também.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Alerta - Família intoxicada com suco de "couve". Boletim PLANFAVI, n. 45, abr/jun 2018
No início de junho deste ano foi divulgada a notícia que seis integrantes de uma mesma família, incluindo duas crianças, foram intoxicados ao tomar suco de uma planta conhecida como “falsa couve”. Esse fato ocorreu na cidade de Pio IX, Piauí. Como a família residia próximo ao hospital municipal, foi possível fazer a desintoxicação. Esse fato também ocorreu em Santa Luzia, região metropolitana de Minas Gerais em 2012.
A mesma planta foi ingerida por uma família em um almoço, entretanto neste acontecimento ocasionou óbito de um dos seus integrantes. Em 2016, a UFSJ Campus Centro Oeste foi acionada para tentar identificar e avaliar as possíveis toxinas desta planta.
O professor João Máximo de Siqueira, responsável pela disciplina Farmacognosia do curso de Farmácia da UFSJ, identificou a espécie como Nicotiana glauca (Solanaceae) e detectou a presença de alcaloides piridínicos.
Esses alcaloides (nicotina, nornicotina, nicotimina, anabasina, anabatina) podem ocasionar perdas dos movimentos das pernas e dificuldade para andar seguida de parada respiratória. O professor João preocupado com a confusão da população local com esta espécie conhecida como “couve-do-mato ou falsa mostarda”, confeccionou diversos panfletos e cartazes que foram espalhados pela cidade e região.
Agora com mais esse ocorrido, torna-se necessário fazer uma campanha nacional no intuito de informar as pessoas dos perigos desta espécie se usada como alimento.
Fonte:
https://cidadeverde.com/noticias/273932/familia-e-intoxicadadepois-de-ingerir-suco-com-falsa-couve-em-pio-ix
http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2016/06/ufsjestuda-planta-toxica-na-zona-rural-de-divinopolis.html
Ntelios et al. 2013. Acute respiratory failure due to Nicotiana glauca ingestion Hippokratia. v. 17, p. 183–184.
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Nerium oleander - ornamental e tóxica
Uma publicação compartilhada por Marcos Roberto Furlan (@quintaisimortais) em
sábado, 23 de setembro de 2017
Ricin only lethal in combination with sugar
Date: September 19, 2017
Source: Institute of Molecular Biotechnology (IMBA)
Summary:
Researchers have discovered a means of immunizing cells against the biological weapon ricin, which, they report, is only lethal when combined with sugar.

Jasmin Taubenschmid, PhD student at IMBA and first author of the study with a ricin plant.
Credit: Image courtesy of Institute of Molecular Biotechnology (IMBA)
Researchers at the Austrian Academy of Sciences' Institute for Molecular Biotechnology (IMBA) have discovered a means of immunizing cells against the biological weapon ricin, as reported in the current issue of Cell Research.
The plant toxin ricin is one of the most poisonous naturally occurring proteins, making it an extremely dangerous bioweapon. Ricin attacks have made the headlines a number of times over the years, including the spectacular "umbrella murder" in London in the 1970s, or more recently the ricin letters addressed to Barack Obama in 2014. As there is no antidote, it is all the more fortunate that the letters were intercepted.
Ricin takes effect once it enters an organism. It destroys cells' "protein machines," known as ribosomes, rendering one of the fundamental processes required for life inactive. Even minute doses can kill within 36-72 hours. The plant that produces the lethal poison, Ricinus communis, is also found in some front gardens and parks. Castor oil extracted from the plant's seeds -- the soluble poison comes from the seed coat -- has medical and industrial uses. Scientists have been searching for an effective ricin antidote for decades. However, cytotoxins like ricin also provide important insights into the molecular characteristics of cells, such as the contact points which a poison uses to enter cells and how it makes its way to the part of the cell where it obstructs processes that are essential for life. There is also the question of how cells can protect themselves.
Ricin requires access code containing sugar
IMBA researchers have now discovered that sugar is a key factor. The researchers identified two genes that make ricin so lethal. Fut9 and Slc35c1 regulate metabolism of a particular sugar in cells, namely an essential monosaccharide called fucose -- not to be confused with fructose or fruit sugar. It attaches to proteins and is subsequently able to change their form and function. Because fucose also attaches to proteins in the cell wall, it plays an important role in communication and transport between cells and their surroundings. As reported in Cell Research, both Fut9 and Slc35c1 are responsible for ricin's toxic effect because they give the poison access to cells' transport systems, enabling it to reach the ribosomes, which it ultimately destroys.
"Inhibiting these genes, for instance by means of a synthesised molecule, obstructs the transport of ricin into the cells and stops it reaching those parts where it can unleash such significant damage. This is because the poison requires a typical sugar signature on the cell wall to which it can attach," explained Jasmin Taubenschmid, a PhD student in the IMBA team headed by Josef Penninger. Taubenschmid and protein researcher Johannes Stadlmann are the lead authors of the recently published study. The research also delivers new insights into the interplay between proteins and sugar, which plays a part in various fundamental biological processes. "Previous research looked at proteins and sugar separately. But it turns out that the interaction between them is particularly fascinating, and this has generated an entirely new level of information," Stadlmann pointed out.
Extremely rare genetic defect the key to ricin therapy?
A special partnership with the University of Münster and Heidelberg University shed light on the mechanism through which the poison has an effect. University hospital departments provided the IMBA research team with cell samples from a patient who was unable to metabolise fucose due to an extremely rare genetic defect. He was one of only a handful of people who might have survived an attempted umbrella murder. This is because ricin is not toxic without this particular sugar. "Research into rare diseases often produces astonishing findings which are useful to a large number of people," commented IMBA Scientific Director Josef Penninger. In this particular case, research on the very rare inability to metabolise fucose -- only three cases have been identified worldwide -- contributed significantly to the idea of developing a preventive therapy against ricin poisoning.
Story Source:
Materialsprovided by Institute of Molecular Biotechnology (IMBA). Note: Content may be edited for style and length.
Journal Reference:
Jasmin Taubenschmid, Johannes Stadlmann, Markus Jost, Tove Irene Klokk, Cory D Rillahan, Andreas Leibbrandt, Karl Mechtler, James C Paulson, Julian Jude, Johannes Zuber, Kirsten Sandvig, Ulrich Elling, Thorsten Marquardt, Christian Thiel, Christian Koerner, Josef M Penninger. A vital sugar code for ricin toxicity. Cell Research, 2017; DOI: 10.1038/cr.2017.116
Cite This Page:
Institute of Molecular Biotechnology (IMBA). "Ricin only lethal in combination with sugar." ScienceDaily. ScienceDaily, 19 September 2017. <www.sciencedaily.com/releases/2017/09/170919092351.htm>.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Plantas tóxicas para animais - oficial-de-sala
Plantas tóxicas para animais - 1. Oficial-de-sala. #plantastóxicas
Uma foto publicada por Marcos Roberto Furlan (@quintaisimortais) em
domingo, 20 de março de 2016
Estudo mapeia plantas decorativas tóxicas em SP
Publicado em 14/março/2016
Da Assessoria de Comunicação da FMVZ
Toxicidade de algumas plantas, como a mamona, expõe animais ao perigo
Com o objetivo de identificar as plantas mais relacionadas aos casos de intoxicação de animais, quatro grupos de alunos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP realizaram uma pesquisa com médicos veterinários de clínicas da cidade de São Paulo para saber quais as plantas que mais causam toxicidade. O trabalho resultou em uma lista com as plantas organizadas em ordem alfabética pelo nome popular, com seus respectivos nomes científicos e os sintomas da toxicidade. Confira a lista aqui.
As plantas decorativas nem sempre são inofensivas, principalmente para os pets. Elas são facilmente encontradas em vasos de ambientes internos, jardins e calçadas, mas o desconhecimento sobre a toxicidade de algumas delas expõe os animais de estimação ao perigo. Além disso, os sintomas de intoxicação podem ser confundidos com outros tipos de afecções como doenças infectocontagiosas e resultar em diagnósticos e tratamentos errôneos. O nível de toxidade depende de fatores como presenças de princípios ativos, tipo de cultivo, quantidade ingerida e condições específicas do animal.
Na tabulação dos dados, a campeã absoluta de ingestão por cães e gatos foi a Dieffenbachia sp, a popular comigo-ninguém-pode. Muito comum nas residências, ela é conhecida pela beleza de suas folhas, facilidade de cultivo, pois são bastante tolerantes à sombra e baixa umidade do ar. A toxicidade desta planta ainda não está totalmente clara, mas acredita-se que grande parte dos sintomas é causada pelo oxalato de cálcio, que provoca irritação e edema na boca, língua, glote e cordas vocais causando dificuldade para deglutir, além de distúrbios gastrointestinais e renais. Pode levar à morte.
Intoxicação
A Cannabis sativa, mais conhecida como maconha, embora tenha seu cultivo proibido no Brasil, apareceu de forma surpreendente na pesquisa. Acredita-se que a intoxicação acontece porque o animal, próximo ao usuário, acaba inalando a fumaça produzida pelo consumo da planta na forma de cigarro, mas também por ele também ingerir alimentos com Cannabis na sua composição. Nesse caso os sintomas são depressão, perda do controle muscular durante movimentos voluntários, tremores, convulsões, desordens comportamentais, estupor, aumento de sensibilidade de maneira geral, como aumento reação à estímulos externos ou mesmo aumento da sensibilidade à dor (hiperestesia).
Os grupos concluíram que os proprietários de pets devem ficar atentos aos tipos de plantas que têm em casa, pois há muitas outras, além das identificadas na pesquisa. O ideal é tirá-las do alcance dos animais e prestar atenção ao passear com o cão em ambientes externos, pois elas estão por toda parte.
Aconselha-se o consumo de plantas para uso medicinal apenas com orientação de um Médico Veterinário. Caso o animal apresente qualquer sintoma descrito na tabela, ele deve ser levado ao Veterinário. Se o proprietário conseguir identificar qual a planta ingerida, é importante levar uma amostra ao profissional, mas a prevenção é sempre o melhor remédio.
A pesquisa foi realizada no Departamento de Patologia, na disciplina Toxicologia, ministrada para os alunos do sexto semestre do curso, sob a coordenação da professora Silvana Lima Górniak. A convite da indústria farmacêutica Zoetis, que atua na área de saúde animal, os grupos apresentaram os resultados da pesquisa na sede da empresa, onde, após avaliação criteriosa, o melhor trabalho foi premiado. O resultado será divulgado na forma de cartaz em clínicas veterinárias de São Paulo. Assim, procura-se prestar um importante serviço, informando aos proprietários, sobre estas principais plantas ornamentais potencialmente tóxicas e os possíveis riscos para a saúde de seus animais.
Foto: Divulgação / FMVZ
Mais informações: (11) 3091-7757; email imprensa.fmvz@usp.br
Link:
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Papoula na culinária e na saúde
Texto: Carolina Nujo - Engenheira de Alimentos
A papoula Papaver somniferum pertence à família Papaveraceae. É originária do Sudeste da Europa e da Ásia Ocidental, mas espalhou-se por toda Europa e Ásia, onde é cultivada e também encontrada em estado selvagem, sendo frequentemente classificada como erva daninha. Foi introduzida na maior parte do resto do mundo, incluindo na América do Norte e na América do Sul.
A planta cresce até 1,0 metro de altura. Se dá bem ao ar livre, germina no outono ou na primavera, floresce no verão, e espalha as suas sementes novamente no outono. As suas flores variam em cor desde o branco ao roxo e qualquer tom de vermelho ou cor-de-rosa.
Ela é a fonte do ópio e dos seus derivados químicos morfina, codeína, tebaína, heroína (sintética), noscapina, papaverina e narceina. Nos Estados Unidos e na Europa, as sementes da papoula do ópio são completamente legais, pois não contêm qualquer um dos alcaloides presentes na planta adulta da papoula, como a morfina, a codeína, a papaverina e a tebaína.
Na Grécia antiga era muito utilizada pelos médicos e sempre associada ao sono. Na mitologia é relacionada às várias divindades ligadas ao sono ou à noite, como Morfeu (deus dos sonhos) representado com seus frutos na mão e também a deusa grega Nix (deusa da noite) que sempre é representada coroada com papoulas e envolta em manto negro e estrelado.
Apesar de ser largamente conhecida pelas propriedades sedativas, a papoula também pode ser utilizada na culinária. Enquanto o fruto imaturo produz o látex de onde se extraem inúmeros alcaloides opiáceos, as sementes são reconhecidas como um tempero brilhante, tanto quanto admirada como alimento. São usadas em saladas (na região do Mediterrâneo e da Catalunha) e na confecção de pães.. Ela é muito difícil de triturar, sendo necessário um triturador especial ou, na falta deste, torrar levemente as sementes e usar pistilo e almofariz.
O teor de alcaloides nas sementes de papoula é muito baixo (50 ppm) e não possui efeito farmacêutico. Contudo, é alto suficiente para que a morfina seja detectada na urina apos grande consumo.
Sementes de papoula contém de 40 a 50% de ácidos graxos obtidos por prensagem a frio, com rendimentos de 12 a 18%. É rico em ácidos graxos insaturados, tais como ácido linoleico (60%), acido oleico (30%), acido linolênico (3%) - com insaturação tripla e essencial para nutrição humana - e menos de 10% de ácidos graxos saturados. Dentre os compostos voláteis, são encontrados hidrocarbonos alifáticos, aldeídos e o 2-pentilfurano, composto aromático principal. São também fonte de aminoácidos como tiamina, riboflavina e acido nicotínico. Contém pequenas quantidades de minerais como iodo, manganês, cobre, magnésio e zinco.
Referências
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Nerium oleander
Sociedade Portuguesa de Botânica
Fotos no álbum: Uso de plantas autóctones como ornamentais – Nerium oleander.
O Nerium oleander (também conhecido como aloendro) é um arbusto espontâneo da região mediterrânica, desenvolve-se nomeadamente nas margens dos ribeiros e barrancos da zona sul do país.
O Nerium é amplamente utilizado em jardinagem pela sua floração vistosa, rosa ou branca, que ocorre no fim da Primavera e no Verão, quando grande parte das plantas anuais já floresceram. Forma um arbusto que pode chegar aos 2-3 metros de alto, com uma longevidade superior a quarenta anos. Destaca-se a resistência desta planta às temperaturas elevadas, à aridez do substrato, às chuvadas torrenciais, características do clima mediterrâneo, para além de se propagar facilmente por estacas.
Estas características fazem do Nerium uma planta de jardinagem decorativa, adaptada ao clima do sul do país, de baixo custo e manutenção fácil.
Refere-se também que é uma planta tolerante à poluição, podendo absorver a partir das folhas vários elementos presentes na poluição atmosférica e acumulá-los nas raízes (Rossini Oliva, S., Valdés, B. &. Mingorance, M. D:, 2007).
No entanto, é uma planta muito venenosa, e a sua toxicidade vem mencionada em numerosas obras, da antiguidade à actualidade:
• Dioscórides, século I “De materia medica” (tradução latina). (fonte: Dioscorides interactivo. Tradução multilíngua. Universidade de Salamanca)http://dioscorides.eusal.es/p2.php?numero=653
• Font Quer, P. (1961) Plantas medicinales. Ed. Labor (re-ed.Península).
• Ortiz, P. L. & Arista, M. (2012) Nerium oleander L. in Castroviejo, S. (coord. gen.) Flora iberica Vol. XI: 103-106. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid. http://www.floraiberica.es/…/texto/pdfs/11_131_01_Nerium.pdf
• Em Espanha, Nerium oleander está incluído na lista das plantas cuja venda ao público se encontra restringida ou proibida devido à sua toxicidade (ORDEN SCO/190/2004, de 28 de enero, in Boletín Oficial del Estado, 6 febrero 2004).http://www.boe.es/boe/dias/2004/02/06/pdfs/A05061-05065.pdf
O composto mais característico do Nerium oleander é a oleandrina. A oleandrina e os seus derivados estão presentes em todas as partes da planta (folhas, flores, latex, madeira, raízes), a sua concentração é variável no tempo e consoante as condições de cultura. A oleandrina é solúvel na água de rega, podendo encontrar-se nomeadamente na água acumulada quando a cultura do Nerium é feita em contentores; pode estar presente igualmente no fumo quando a planta é queimada.
O uso do Nerium em jardins de escolas apresenta portanto riscos; convem que a zona onde se encontram as plantas seja mantida limpa para as crianças não brincarem com as folhas ou com as flores que caírem ao chão e por descuido levarem o material à boca.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Saiba Mais: Seu jardim é composto por plantas seguras?

Bico de papagaio. fonte da imagem: http://www.amacoon.com.br
Coloridas, cheirosas e de diversos tamanhos e formas, as plantas são superatraentes para as crianças, sobretudo, entre os três e sete anos, ao descobrir coisas novas, manipular objetos e leva-los à boca. Por isso, fique sempre atento, pois durante uma brincadeira no jardim ou na hora de fazer a comida ao brincar de casinha, as folhas podem virar um tempero perigoso nas panelas dos pequenos.
Mas, como aparentemente, elas são inofensivas e até enganam pela beleza, é difícil saber qual planta oferece riscos à saúde do seu filho. Portanto, antes de decidir quais delas você terá em casa, consulte um médico ou o Centro de Assistência Toxicológica do Instituto da Criança (Ceatox).
Bem longe do perigo
“Sempre que se fala em plantas tóxicas, imediatamente se pensa em comigo-ninguém-pode. Bastante cultivada em jardins no Brasil, ela pode causar lesões de mucosas quando ingerida. Provoca salivação, queimação em lábios, língua e boca, inchaço da garganta e glote (abertura, em forma de pequena língua, existente na laringe) e irritação da pele”, afirma o doutor Anthony Wong, chefe do Ceatox.
Conheça outras plantas que oferecem riscos à saúde:
– Bico de papagaio: A seiva produzida por ela causa intensa irritação e até ulceração da pele e da boca.
– Hera ou trepadeira: A ingestão de sua folha pode causar dores abdominais, vômito, diarreia e problemas respiratórios.
– Antúrio: Em contato com a pele, a seiva produzida provoca irritação. Quando ingerida há náuseas, vômitos, salivação e dificuldade de engolir. Em contato com os olhos pode causar irritação e até lesão de córnea.
– Giesta: Mais comum nas regiões campestres, quando ingerida, pode provocar arritmia, parada cardíaca e até morte.
– Mamona: A ingestão pode causar vômito e diarreia sanguinolenta.
– Ficus: A planta pode causar alergia, tais como urticária e rinite.
– Espirradeira: A seiva que ela produz pode provocar parada cardíaca.
– Crisântemo: A flor possui uma substância, a piretrina, que pode causar alergias em geral, desde espirros, bronquite e urticária.
– Saia branca: Qualquer parte da planta é tóxica e causa sintoma de taquicardia, rubor de face, agitação, alucinação e até convulsões.
Entrada livre
Para enfeitar o jardim, estão liberadas as orquídeas, rosas, azaleias, camélias, bonsais, pinhos, tulipas e a árvore da fortuna. Mas, há muitas outras espécies. Por isso, busque orientação médica e não se prive de alegrar sua casa.
Mas, atenção! Nunca é demais reforçar que o seu filho precisa saber que, para que as plantas continuem bonitas e coloridas, devem ficar no jardim, que não podem ser arrancadas e que eles só podem olhar de longe, certo?
Como cuidado nunca é demais, doutor Anthony alerta que, se a criança sinalizar contato ou ingestão com plantas danosas, não é indicado oferecer qualquer tipo de alimento. “Água ou leite podem agravar o quadro, provocando ainda mais náusea. A equipe do Ceatox saberá orientar os pais de acordo com o tipo de planta ingerida”, ressalta.
in EcoDebate, 17/09/2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Uma morte silenciosa ou um antídoto milagroso? artigo de Anderson Valle
[EcoDebate] Num relato verídico, Jo Wollacott, uma inglesa de Bridport diz que perdeu sua casa, namorado e emprego depois que usou um colar que comprou na Internet. Mas que relação teria está história com uma planta tropical de ampla distribuição introduzida pelo homem em Fernando de Noronha durante a estadia militar Norte America?

O Jequirity é bem conhecido por suas belas sementes as quais são usadas na confecção de instrumentos de percussão e bijuterias. Menos conhecido, porém é a capacidade tóxica de suas sementes. Elas possuem uma substância conhecida como Abrin que é 31,4 vezes mais tóxica que a ricina, sendo sua dose letal para humanos entre 10 e 1000 microgramas por quilograma quando ingeridas e 3,3 microgramas por quilograma se inaladas. Não há antidoto. O Abrin é um inibidor de proteínas que atua diretamente na síntese delas no ribossomo das células levando-as à morte. Ele é um Agente Biológico Selecto (BSATs), classificação esta dada àquelas substâncias com potencial para uso em bioterrorismo.
As sementes destas plantas possuem um envoltório que as protege do trato digestório de muitos mamíferos, porém quando são perfuradas, como acontece para a confecção de missangas, até mesmo o contato de seu interior com a pele pode levar à morte. O colar comprado por Jo possuía tais sementes. Os relatos de alucinações vivênciadas por ela fazem parte de um diagnóstico que atestou que Jo havia se envenenado acidentalmente.
Apesar da toxicidade desta substâcia, várias partes da planta possuem propriedades farmacológicas fantásticas tais como antidiabética, antioxidativa, protetiva neural, antiviral, neuromuscular, anticonvulsivante, antiepiléptica, imunomoduladora, abortiva , antiimplantação , antihelmintica, antidepressiva, na melhora da memória, antiserotonínica, diurética, Apesar da toxicidade desta substâcia, várias partes da planta possuem propriedades farmacológicas fantásticas tais como antidiabética, antioxidativa, protetiva neural, antiviral, neuromuscular, anticonvulsivante, antiepiléptica, imunomoduladora, abortiva, antiimplantação, antihelmintica, antidepressiva, na melhora da memória, antiserotonínica, diurética , antimicrobiana, antifúngica, antinflamatória, antiartrítica, analgésica, anticancerígena, antifertilidade, antiespermatogênica, antiestrogênica, antimalarial, antialérgica antiasmática, anticatarata e insecticida.
Seu uso etnobotânico inclui o tratamento de tetanus e prevenção contra a raiva. Também é associada a outras plantas para tratar leucoderma. As folhas são usadas para tratar febres, tosses e resfriados, e as raízes contra icterícia. É mascada como um remédio contra picada de serpente. A pasta da raiz para dores abdominais, tumores e como abortiva. O extrato da raíz fresca obtido a partir de água quente é antimalárico e anticonvulsionante. O chá de raízes secas é usado no tratamento de bronquites e hepatites. Para a perda de cabelos, pasta de folhas e sementes são usadas. Sementes secas combatem infecções por vermes.
Na medicina veterinária também é usada para tratar fraturas. As propriedades inseticidas e antimicrobianas também são atribuídas às sementes. Várias tribos africanas as utilizam como contraceptivos orais, no tratamento da tuberculose e inchaços dolorosos. Na medicina ayurvédica as folhas são laxantes, expectorantes e afrodisíacas. Também são utilizadas em casos de urticaria, eczema, estomatite, conjuntivite, alopecia areata, linfomas/leucemia e em períodos dolorosos durante a menstruação. Do óleo da semente é feito tônico capilar e extratos da planta possuem potentes propriedades antioxidantes, anti inflamatórias, analgésicas e também são capazes de bloquear a ovulação.
Por fim, há também o uso de folhas e sementes na alimentação em certas partes da Índia. É dito que o cozimento destrói o veneno. A utilização terapeutica desta planta pela ayurveda é feita após um processo conhecido como shodhana o qual remove suas toxinas. Já a medicina Siddha, (Tamil Citta ou Tamil-maruttuvam) um sistema tradicional de medicina do sul da India que utiliza-se de medicamentos dados por uma entidade que possui oito superpoderes espirituais, atribui propriedades afrodisíacas às variedades brancas da semente.
Veneno ou cura, depende de como a enxergamos.
Anderson Valle, Biólogo, Mestre em Comportamento Animal, trabalha como Agente Ambiental Federal no IBAMA. Comentarista da TV SUPREN e da Rádio Cultura.
in EcoDebate, 18/08/2015
"Uma morte silenciosa ou um antídoto milagroso? artigo de Anderson Valle," in Portal EcoDebate, 18/08/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/08/18/uma-morte-silenciosa-ou-um-antidoto-milagroso-artigo-de-anderson-valle/.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Poison ivy affects some people more than others
Date: July 1, 2015
Source: Penn State Milton S. Hershey Medical Center
Summary:
Three-quarters of the population will get an itchy red rash if exposed to the urushiol oil inside poison ivy's leaves, stem and roots. One-quarter of people will not have any reaction to exposure.

Poison ivy.
Credit: © inu_maru / Fotolia
Dr. David Adams, a dermatologist at Penn State Hershey, doesn't buy recent news reports that poison ivy has become stronger and more prevalent lately.
As a lifelong outdoorsman who enjoys fishing, hunting and hiking, Adams says he hasn't seen significant changes in the location or prevalence of poison ivy, nor the size of the leaves: "I think people are just out more and so they're coming into contact with it more."
Three-quarters of the population will get an itchy red rash if exposed to the urushiol oil inside the plant's leaves, stem and roots. One-quarter of people will not have any reaction to exposure. Contrary to popular belief, Adams says you can't get poison ivy simply by brushing against its leaves. "You have to actually break the leaves, stem or root to get the urushiol oil on you."
Although most people who contract poison ivy see their family doctor for treatment, Adams sees some of the more serious cases each summer, but the number or severity hasn't changed much in the past 15 years. He does see a few patients who get poison ivy during the winter holidays.
"What happens is that people buy a live Christmas tree, and there are dead vines on it that they rip off, not knowing what they are," Adams says. "The urushiol oil inside is still viable."
The oil can remain on inanimate objects for long periods of time, so Adams recommends laundering clothing and cleaning garden tools after use. Now and then, he'll run across someone who has been exposed to poison ivy after using a chainsaw to cut down trees that have decades-old mature vines of the plant roping up the trunk.
In other cases, people burning yard waste and debris make the oil become airborne, and exposure to the smoke can cause the whole face and any exposed skin to swell and itch. "The most common method, though, is that someone is pulling out weeds and then they rub an eyelid or something," Adams says.
Irritation and rash don't appear immediately, but take some time to incubate, depending on whether it is the person's first exposure. Initial exposure usually produces symptoms seven to 10 days later, while those who have had it in the past typically react a day or two after coming into contact with the plant's oil.
Poison ivy is not normally passed from one person to another, nor by scratching areas that itch.
Treatment depends on the location and severity of the reaction. For mild, localized cases, a topical treatment such as an over-the-counter cortisone cream or calamine lotion often works. When the itching is unbearable, it's time to see a doctor. More serious cases may require prescription creams or a two-to-three-week round of prednisone or other oral steroid.
"The biggest mistake that primary care doctors make is prescribing a Medrol Dosepak for six days," he says. "It always seems to rebound after that, so it seems that isn't long enough."
He adds the best way to prevent a reaction is to steer clear of the plant and its oil by adhering to the old saying: "Leaves of three, let it be."
Story Source:
The above post is reprinted from materials provided by Penn State Milton S. Hershey Medical Center. Note: Materials may be edited for content and length.
Cite This Page:
Penn State Milton S. Hershey Medical Center. "Poison ivy affects some people more than others." ScienceDaily. ScienceDaily, 1 July 2015. <www.sciencedaily.com/releases/2015/07/150701140859.htm>.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
domingo, 1 de março de 2015
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
O risco do uso de produtos vegetais de origem e qualidade duvidosas para emagrecer, no Boletim PLANFAVI, n. 28, 2013
O Núcleo de Farmácia Viva da Secretaria de Estado de Saúde do DF recebeu e-mail enviado por uma farmacêutica que atua no segmento magistral do Distrito Federal sobre o fato de uma cliente tê-la procurada solicitando informações a respeito do provável uso para o emagrecimento da chamada "Noz da Índia". Relatou que a cliente tomou conhecimento sobre uma amiga que havia ingerido mais de 1/4 da "semente" de "Noz da Índia" e se intoxicado, sendo necessário atendimento hospitalar.
Neste sentido, a farmacêutica solicitou averiguações sobre a eficácia e segurança de uso desta "semente". Considerando que entre as competências do Núcleo de Farmácia Viva destaca-se a de preparar material de educação em saúde que possibilite promover o uso racional de plantas medicinais voltadas a saúde pública da população usuária do SUS-DF, entendeu-se ser necessário divulgar informações seguras sobre os usos da "semente de Noz da Índia".
Não foi informado no relato o nome científico da espécie citada como “Noz da Índia”, mas a planta comumente usada sob esse nome popular é a Aleurites moluccanus (FDA, 2013). O uso dessa espécie vem sendo divulgado na internet para emagrecimento, por suas propriedades laxativas, porém, existem diversas referências que citam sua toxicidade, principalmente das sementes não processadas, as quais contêm saponinas e forbol (SCOTT,
S.; CRAIG T., 2000).
Aleurites moluccanus
Não existe no Brasil nenhum produto registrado contendo a espécie Aleurites moluccanus. Assim, os produtos que estão sendo divulgados em sites na internet encontram-se irregulares e não devem ser utilizados.
O uso de “Noz da Índia” para emagrecer está se difundindo em diversos países, podendo ser encontrados, em busca rápida na internet, diversos sites que vendem produtos irregulares contendo a planta, porém, muito cuidado precisa ser tomado com o uso desses produtos irregulares.
Pesquisadores argentinos, com base em relatos de toxicidade humana com uso de produtos para emagrecer, recentemente apresentaram trabalho em que foi avaliado se a planta constante nesses produtos é realmente a “Noz da Índia” (Aleurites moluccanus) e observaram que está sendo comercializada, como Noz da Índia, outra espécie ainda mais tóxica do que a anunciada, a Thevetia peruviana, levando a intoxicações graves os usuários desses produtos.
As sementes dessa planta são altamente tóxicas por possuírem grandes concentrações de glicosídeos cardiotônicos, estando proibido o seu uso em diversos países, como México, Austrália e Argentina. No estudo realizado na Argentina, após avaliação botânica de todas as espécies que eram divulgadas na internet como “Noz da Índia” (Aleurites moluccanus), descobriu-se que eram na verdade Thevetia peruviana (ARENAS, 2013).
Assim, utilizar produtos irregulares para emagrecer pode trazer diversos riscos à saúde, até mesmo de intoxicações graves. No caso dessa planta específica, por se utilizar produtos não regularizados, não se sabe se o produto que está sendo comercializado pode ser tóxico, por serem utilizadas partes tóxicas da Aleurites moluccanus, ou mesmo se está se ingerindo outras espécies ainda mais tóxicas. Caso seja necessário o uso da espécie, o mesmo deve ser feito por meio de prescrição de profissional habilitado, a qual preveja a utilização de derivados da espécie seguros. Esta prescrição precisa ser manipulada em farmácia de manipulação autorizada pela vigilância sanitária, de modo que produtos seguros sejam oferecidos.
Aleurites moluccana (kukui). Disponível em: http://agroforestry.net/tti/Aleurites-kukui.pdf. Acesso em 09/12/2013.
ARENAS, P.. Suplementos dietéticos: ¿Adelgazar con lo que dice la etiqueta o con lo que contiene el producto? XI Simposio Argentino XIV Simposio Latinoamericano de Farmacobotánica. 2013.
FDA Poisonous Plant Database. Disponível em: http://www.accessdata.fda.gov/scripts/plantox/textResults.cfm?q=Aleurites+moluccanus. Acesso em 09/12/2013.
SCOTT, S.; CRAIG T. Poisonous Plants of Paradise: First Aid and Medical Treatment of Injuries from Hawaii's Plants. University of Hawaii Press. 2000.
Este tópico foi escrito, a convite, por Nilton Luz Netto Junior - Farmacêutico-Chefe do Núcleo de Suporte à Assistência Farmacêutica em Terapias Não-convencionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, com colaboração de Ana Cecilia Carvalho.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Venenos mais letais da história
Esta lista foi extraída e adaptada do Listverse. Nesta postagem são citados exemplos a base de plantas, e foram extraídos do texto "10 venenos mais letais da história (http://www.historiadigital.org/curiosidades/10-venenos-mais-letais-da-historia/
1- Cicuta

Sócrates ingere cicuta, gravura de 1907
A cicuta é uma planta altamente tóxica encontrada na Europa e África do Sul. Foi um veneno popular entre os gregos antigos, que a usavam para matar seus prisioneiros. Para um adulto, a ingestão de 100 mg de cicuta (ou cerca de 8 folhas da planta) é fatal. A morte vem na forma de paralisia, a mente fica em alerta, mas o corpo não responde e, eventualmente, o sistema respiratório é desligado. Provavelmente, o envenenamento por cicuta mais famoso é o do filósofo grego Sócrates. Condenado à morte em 399 a.C., ele recebeu uma infusão muito concentrada de cicuta.
2- Acônito

O poderoso veneno acônito causa asfixia, uma vez que provoca uma arritmia cardíaca que leva à sufocação. A intoxicação pode ocorrer mesmo depois de tocar as folhas da planta sem o uso de luvas, pois ela rápida e facilmente absorvida. Devido à dificuldade de identificar o veneno no organismo, foi muito utilizado em crimes anônimos. Uma vítima famosa do acônito foi o imperador Cláudio, que disse ter sido envenenado por sua mulher, Agripina, que despejou acônito em um prato de cogumelos.
3- Beladona

Beladona era um dos venenos favoritos das madames! O nome desta planta significa mulher bonita, na língua italiana. Isso porque ele foi usado na Idade Média para fins cosméticos – diluído e aplicado nos olhos, dilatava as pupilas, tornando as mulheres mais atraentes. Além disso, esfregando na bochecha, deixava-a mais corada, como um rubor. Esta planta parece inocente mas, se ingerida uma única folha, é extremamente letal e é por isso que foi usado para envenenar ponta de flechas. Os frutos desta planta são ainda mais letais que as folhas.
Veja os demais venenos no link:
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Uma "couve" perigosa na calçada de Taubaté
Caminhando pelas calçadas de Taubaté, de longe vi uma planta com cor e aspecto semelhante ao de uma couve. Logo me lembrei de que uma família teve sérios problemas de saúde: (http://quintaisimortais.blogspot.com.br/2012/10/planta-muito-toxica-que-se-confunde-com.html).
Vale a pena repetir o registro, porque é possível alguém imaginar que ela possui gosto semelhante ao da couve ou, até mesmo, achar que é a própria couve. Dentre os efeitos tóxicos, ela pode causar bloqueio neuromuscular, falência respiratória e coma.
Nem parente é da couve, pois enquanto a couve é Brassicaceae, a Nicotiana glauca (nome da planta da foto) é Solanaceae. Uns de seus nomes populares são: charuteira, charuto-do-rei ou tabaco-bravo.
Foto: Adriana Mascarette Labinas
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Saia-branca
Mais um texto presente do amigo Julino
Algumas plantas produzem belas flores sem a ajuda do ser humano, como a saia-branca ou trombeteira (Brugmansia suaveolens ou Datura suaveolens - Solanaceae), que também possui utilidade na lavoura por atrair pragas.
No entanto, essa é uma planta que pode causar graves intoxicações, devido aos seus alcaloides (atropina, escopolamina e hioscina) presentes em todas as partes. Podendo provocar alucinações se consumida (efeito anticolinérgico) ou mesmo pelo contato acidental com os olhos durante a poda.
A pessoa intoxicada pode apresentar rapidamente o quadro de náusea e vômito, seguido por pele quente, seca e avermelhada, secura das mucosas (especialmente boca e olhos), dilatação da pupila, taquicardia, dificuldade para urinar, distúrbios de comportamento, confusão mental, agressividade e movimentos involuntários. Nos casos mais graves pode levar a morte.
Em caso de intoxicação, você pode contar com a ajuda do SINITOX através do disque intoxicação: 0800 722 6001. Em São Paulo, as pessoas também podem ligar para o CEATOX-SP: 0800-0148110.
Julino Soares, Mariana Basso, Edna Myiake Kato, Marcos Furlan, Eliana Rodrigues: CEE-UNIFESP / USP / UNITAU.
Referências: SINITOX: plantas tóxicas no Brasil. Oliveira, RB; Plantas tóxicas: conhecimento e prevenção, 2003. Blog: Quintais Imortais. Tropicos®.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Uma planta que tem história… (sobre a guiné)
Do Coletivo Curare
Chamada também por “amansa-senhor”, os efeitos da guiné (Petiveria alliacea L.) são conhecidos desde os tempos da escravidão no Brasil.
por Thiago Cagliumi Alves
No século XVI, quando os primeiros escravos chegaram ao Brasil, além de trazerem consigo diversificadas tradições culturais, artísticas e religiosas, trouxeram também o conhecimento sobre plantas e ervas, as quais eram empregadas desde a forma de temperos, encantando ao paladar dos senhores de engenho, até como elixires para a cura de males tanto de caráter físico quanto espiritual. Este último é o caso das plantas utilizadas na defumação – processo de queima de uma ou mais plantas – cuja finalidade é espantar as más energias e atrair as boas.
Da mesma maneira que detinham o conhecimento destas plantas para promoverem o bem estar e a saúde, sabiam muito bem empregá-las também para provocar doenças e para fazer o “mal”, utilizando-se destas como poderosos “venenos”. Este é caso do “amansa-senhor”, uma poção na qual a principal planta a que se faz referência é a guiné1. Esta poção era uma das maneiras que os negros escravizados utilizavam para se defenderem das brutalidades praticadas pelos senhores de engenho, principalmente quanto aos abusos sexuais sofridos pelas escravas. O “amansa-senhor”, na forma de pó, era então colocado na comida e na bebida consumidas pelos senhores durante prolongado período de tempo e em doses fracionadas, resultando, como denota o próprio nome, em deixá-los mais “calmos” e posteriormente induzi-los a um quadro de imbecilidade podendo inclusive levá-los à morte, livrando definitivamente as mulheres dos ataques que sofriam.
Mas não apenas como veneno a guiné era utilizada. Seu emprego com finalidade terapêutica é amplamente difundido em praticamente todo o Brasil, principalmente nas regiões onde a Umbanda possui muitos adeptos.
Na literatura acadêmica é possível encontrar muitos estudos acerca de suas propriedades medicinais e efeitos biológicos, tais como: tratamento de problemas urinários; propriedade abortiva; atividade antifúngica e antibacteriana; atividade antiviral; antinflamatória e analgésica; atividade tripanocida e atividade hipoglicemiante. Em estudos pré-clínicos (conduzidos em modelo animal) realizados com extratos da guiné, foram evidenciados efeitos sobre o sistema nervoso central, sendo que, dependendo de qual parte da planta for utilizada, podem ser estimulante (folhas e galhos) ou depressor (raízes)2.
Observando estes dois cenários – o do “amansa-senhor” e o dos estudos referidos – podemos perceber que uma mesma planta, dependendo de como e quanto for utilizada, pode ser um forte veneno ou um eficaz medicamento para o tratamento de inúmeras doenças. Um bom exemplo disso pode-se notar na crônica escrita por Julino, na qual relata um episódio envolvendo o uso da arnica-do-campo.
Portanto, a conclusão que aqui podemos chegar é que a história de um povo é sem dúvida uma rica fonte de conhecimento para a ciência. Se bem utilizados, os conhecimentos tradicionais e populares podem ser uma importante ferramenta para a busca de novos medicamentos, como Raquel mostrou em seu texto sobre Etnofarmacologia.
Referências:
1 Camargo MTLA. Amansa-senhor: a arma dos negros contra seus senhores. Revista Pós Ciências Sociais. 2007 – São Luís, v. 4, n. 8.
2 Blainski A, Piccolo VK, Mello JC, de Oliveira RM. Dual effects of crude extracts obtained from Petiveria alliacea L. (Phytolaccaceaee) on experimental anxiety in mice. J Ethnopharmacol. 2010 Mar 24;128(2):541-4. Epub 2010 Jan 14.
Sugestão de Leitura:
Lorenzi H; Matos FJA. Plantas Medicinais no Brasil – Nativas e Exóticas. Nova Odessa (SP): Instituto Plantarum; 2008. 416-417p.
Silva WWM. Umbanda do Brasil. 1969. Rio de Janeiro. Livraria Freitas Bastos S.A. 5-100p.
Thiago Cagliumi é graduado em Farmácia Industrial pela Universidade São Judas Tadeu e atualmente é aluno de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia-Química da UNIFESP.
Data: 11.04.2012
Link:
Curare adverte: se não fizer bem… mal pode fazer! (sobre o uso da janaúba)
“Caso de insucesso com a administração da planta Janaúba (Synadenium grantii Hook.f.), popularmente indicada para o tratamento do câncer de próstata.”
por Thiago Cagliumi Alves – em memória do Sr. Paulo Robin Nathagora Cagliumi
Há algum tempo que o Coletivo Curare vem alertando sobre os cuidados a serem tomados com a utilização das plantas medicinais, principalmente no que se refere à dosagem, já que muitas dessas possuem um limiar bastante próximo entre o efeito terapêutico e o tóxico. Por isso tanto insistimos em nossos textos sobre a importância em consultar um profissional especializado antes de iniciar o tratamento com qualquer planta medicinal ou fitoterápico.
O que irei apresentar neste texto é o relato de um caso verídico que aconteceu com o meu avô, Sr. Paulo Cagliumi, um homem de 72 anos (na ocasião) que durante toda a sua vida basicamente se tratou com preparações a base de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos. Pouco antes de falecer em maio deste ano, pediu-me que compartilhasse o fato com ele ocorrido para que de alguma forma sua má experiência pudesse alertar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro. Deixo claro também que a causa de sua morte não decorreu da planta em questão, mas de outra patologia que veio a ser diagnosticada dois anos depois.
Certo dia, em meados de maio de 2008, como já era de praxe, o Sr. Paulo acordou bem cedo, preparou o seu café da manhã, alimentou os cachorros e foi varrer a calçada, atividade que fazia como pretexto para jogar conversa fora com outros amigos aposentados que diariamente perambulavam pelas ruas do bairro onde morava na cidade de Santo André. Foi quando um desses velhos companheiros, com a melhor das intenções, apresentou ao meu “véio” (forma carinhosa com que eu tratava o meu avô) uma “milagrosa” planta que estava curando e prevenindo o câncer de próstata em inúmeras pessoas! Tratava-se da popularmente conhecida Janaúba (Synadenium grantii Hook.f.), um arbusto lactescente que pode atingir de 3 a 5 metros, nativo do continente africano e comumente cultivado como planta ornamental e medicinal em regiões tropicais e subtropicais. Uma planta da família Euforbiaceae, cujas espécies pertencentes são conhecidas por serem tóxicas devido aos ésteres diterpenos (ou ésteres de phorbol) presentes no seu látex1.
Como bom conhecedor das plantas e de inúmeros unguentos, os quais ele mesmo tinha o cuidado em preparar, decidiu então adicionar mais este na lista de sua “farmacopéia popular”. O modo de preparo que lhe foi ensinado tratava-se da diluição em 2 litros de água de algumas gotas do látex da planta, administrando-se a solução em doses de uma xícara de café três vezes ao dia.
Excessivamente confiante em seu próprio conhecimento sobre plantas medicinais, adquirido ao longo dos anos, o “véio” ignorou a posologia indicada e passou o dedo no látex que escorria de um galho cortado da Janaúba, tomando-o de uma única vez sem a prévia diluição sugerida, partindo daquele velho e errôneo princípio: “se não fizer bem, mal também não faz”… Infelizmente desta vez meu avô estava errado. No dia seguinte ao fato, notou ao acordar que suas articulações estavam com manchas vermelhas e sentia um prurido bastante intenso nestas mesmas regiões. Sem dar muita importância, continuou então o tratamento com a preparação diluída conforme recomendação de seu amigo. No terceiro dia percebeu que as manchas e prurido não estavam apenas nas articulações, mas haviam se espalhado por todo o tronco. Decidiu, então, finalmente, interromper o tratamento, pois associou a possível causa desta irritação com a administração do látex da planta.
Incompreensivelmente, mesmo com a interrupção, ao invés de atenuarem-se os sintomas, houve uma piora: no quinto dia após a ingestão do látex a pele de todo o seu corpo encontrava-se intensamente vermelha e com sinais de lesões em função do forte prurido. Em levantamento bibliográfico feito por sua filha (minha mãe), foi encontrado um artigo que reportava um caso bastante similar, abordando o relato clínico de uma menina de quatro anos de idade e que teve cerca de 90% da superfície de seu corpo comprometida por erupção eritematosa, descamativa, generalizada e pruriginosa e que evoluiu da mesma maneira em um espaço de tempo de 9 dias após o contato com a planta2.
Passados dez dias após interromper o uso, as lesões começaram a secar e aparentemente a situação estava controlada, mas, nos meses que se seguiram, seu quadro clínico piorou e surgiram outras doenças que deixaram seu estado geral de saúde bastante debilitado, como reumatismo, catarata e anemia.
Com a ajuda de dois professores da UNIFESP, que gentilmente se dispuseram a compartilhar seus conhecimentos comigo, pude entender melhor a família botânica desta planta (a qual coletei e pode ser identificada por Dra. Inês Cordeiro, taxonomista do Instituto de Botâncica de São Paulo, e Dr. Víctor Steinmann, botânico do INECO – Instituto de Ecologia, A.C.) e seus respectivos compostos químicos, destacando o fato de que algumas das substâncias tóxicas das Euforbiáceas possuem o tempo de meia-vida bastante longo, podendo permanecer no organismo por muitos meses.
No entanto, não foram encontradas publicações científicas que pudessem afirmar uma possível relação entre esta evolução clínica e a administração da planta, tampouco conseguimos obter qualquer informação com o CEATOX devido à falta de relatos de intoxicação causados pela Janaúba. Em função disso ressaltamos a importância de que todas as pessoas que venham a se deparar com semelhante situação, que entrem em contato com este órgão, pois desta maneira, além de poderem contar com a ajuda de especialistas, certamente também estarão colaborando com informações para futuros casos como estes.
O caso da intoxicação do Sr. Paulo foi apenas mais um entre tantos que ocorrem devido à falta de informação e à imprudência na utilização de uma planta medicinal com elevado nível de toxicidade. Antes da aplicação da Janaúba para o tratamento do câncer de próstata, muito ainda se precisa compreender acerca de sua real atividade anticarcinogênica e principalmente seus efeitos tóxicológicos. Por isso, voltamos a enfatizar a importância dos pesquisadores aproveitarem o conhecimento popular para direcionar suas pesquisas, a fim de garantirem novas drogas, ou mesmo investigarem as plantas medicinais in natura, comprovando assim a segurança e eficácia destas para o uso pela população, que, por sua vez, deve buscar as informações necessárias com profissionais especializados de modo a não se deparar com situações indesejadas como esta vivenciada pelo meu avô.
Referências
1- Bagavathi et al. (1988). Tigliane-type diterpene esters from Synadenium grantii. Planta Med 54(6):506-10.
2- Docampo et al (2010).Erythroderma secondary to latex-producing plants (Synadenium grantii). Arch Argent Pediatr 108(6):e126-e129
Thiago Cagliumi Alves é graduado em Farmácia Industrial pela Universidade São Judas Tadeu e atualmente é aluno de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia-Química da UNIFESP.
Data: 18.06.2012
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