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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Cavalinha e metais pesados

Texto:
Engenheira Ambiental Glenda Silva Nascimento - Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciência Ambientais da UNITAU 
Engenheiro Agrônomo Marcos Roberto Furlan 

Plantas bioindicadoras conseguem determinar e sobreviver à presença de substâncias tóxicas Quando ocorrem contaminação por metais pesados no ambiente em que habitam, reagem absorvendo estas substâncias e, muitas vezes, alterando sua composição química ou também suas características morfológicas. No entanto, algumas espécies como a cavalinha (Equisetum hyemale), mesmo contaminadas, não demonstram se absorveram os metais. 

Assim como a carqueja citada no artigo anterior sobre o tema (http://quintaisimortais.blogspot.com/2018/08/carqueja-como-bioacumuladora.html), a cavalinha é uma planta medicinal de amplo uso pela população por meio da decocção de suas partes aéreas. Possui usos comprovados como diurética, remineralizante e adstringente, mas é bom alertar que é contraindicada para mulheres grávidas ou que estão amamentando, e pessoas com gastrite, cálculos renais e úlcera gastroduodenal. Do ponto de vista nutricional, Blanco (2018), a planta apresenta bons teores de cálcio, ferro, magnésio, tanino e sódio. 

A cavalinha também é denominada por cauda-de-cavalo, erva-canudo e lixa-vegetal, dentre outros nomes populares. Importante destacar que não deve ser confundida com a Equisetum arvensis, espécie de mesmo nome popular, com mais estudos científicos, mas não encontrada com facilidade no Brasil.

A E. hyemale é nativa da América tropical. Prefere áreas úmidas, como brejos, e alcança até 1,5 m de altura. Por ser uma Pteridófita, não produz flores e sementes. Sua presença indica a possibilidade do solo ter acidez de médio a elevado.

Além da carqueja, Moraes (2014), em sua pesquisa, avaliou a cavalinha como bioindicadora. A cavalinha foi cultivada em solução contendo metais pesados por 30 dias, e Teste de Allium cepa foi realizado para analisar a atividade genotóxica dos extratos etanólico e aquoso da espécie. A pesquisadora concluiu que, assim como a carqueja, a E. hyemale é uma espécie bioacumuladora de diferentes metais pesados e os seus extratos interferem no índice mitótico e são capazes de promover atividade genotóxica em células meristemáticas de raiz de Allium cepa.

REFERÊNCIA: 

BLANCO, Rose Aielo. Cavalinha (Equisetum arvense L.). Disponível em: <http://www.jardimdeflores.com.br/ervas/a26cavalinha.htm>. Acesso em: 26 set. 2018.

MORAES, Vanessa Marques de Oliveira. Avaliação do potencial mutagênico e bioacumulador de metais pesados de Baccharis trimera Less e Equisetum hyemale L. 2014, 48 f. Dissertação (Mestrado em Biociências). Área de Conhecimento: Caracterização e Aplicação da Diversidade Biológica. Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Universidade Estadual Paulista, 2014. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/115994/000810674.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 16 de ago 2018.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Dois bilhões de crianças vivem em áreas poluídas, diz Unicef

Aproximadamente 2 bilhões de crianças vivem em áreas onde os níveis de poluição excedem os padrões mínimos de qualidade do ar estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 300 milhões de crianças, o que representa quase uma em cada sete no mundo, vivem em áreas extremamente poluídas, com níveis de toxicidade que extrapolam em seis vezes ou mais os padrões definidos pela organização.
A poluição do ar é causada por fatores como as emissões dos veículos, uso pesado de combustíveis fósseis, poeira e queima de resíduos. Foto: Agência Brasil/Arquivo 

Os dados são do relatório Clear the Air for Children (Limpe o Ar para as Crianças, em tradução livre), divulgado na segunda-feira (31) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e consideram apenas a poluição exterior, deixando de contabilizar crianças expostas à poluição do ar dentro de casa.

Segundo o Unicef, quase 600 mil crianças com menos de 5 anos morrem todos os anos de doenças causadas ou agravadas pelos efeitos da poluição do ar interior e exterior, o que representa quase 10% de todas as mortes nesta faixa etária.

A poluição provoca abortos, parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer, pois pode atravessar a barreira placentária, interferindo no desenvolvimento do feto quando a mãe está exposta a poluentes tóxicos. A poluição, cujo custo ultrapassa 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, pode prejudicar ainda o desenvolvimento saudável do cérebro das crianças.

O Unicef alerta para o risco extremo a que estão expostas crianças que crescem muito perto de zonas industriais, lixões ou em lares sem ventilação, onde o alimento é preparado em fogões a lenha. “Todas estas crianças estão respirando poluentes noite e dia, que põem em perigo a sua saúde, ameaçam suas vidas e enfraquecem seus futuros. Muitas destas crianças já estão prejudicadas pela pobreza e privação. Alguns estão em risco elevado de conflitos, crises e os efeitos de intensificação das mudanças climáticas”, diz o estudo.

O relatório Clear the Air for Children utilizou imagens de satélite para mostrar, pela primeira vez, aonde vivem e quantas são as crianças expostas à poluição exterior que excede diretrizes globais estabelecidas pela OMS. As imagens de satélite confirmam que cerca de 2 bilhões de crianças vivem em áreas onde a poluição do ar, causada por fatores como as emissões dos veículos, uso pesado de combustíveis fósseis, poeira e queima de resíduos, excedem as diretrizes mínimas de qualidade do ar estabelecidos pela OMS.

O Sul da Ásia é onde há o maior número de crianças que vivem nessas áreas (620 milhões), seguido da África (520 milhões). O Leste da Ásia e Pacífico tem 450 milhões de crianças que vivem em áreas que excedem os limites das diretrizes. Os resultados são divulgados uma semana antes da conferência sobre mudanças climáticas, a COP 22, que ocorre em Marrakesh, no Marrocos, onde a Unicef apelará aos líderes mundiais para tomarem medidas urgentes de redução da poluição do ar em seus países.

Portugal

Em Portugal, a organização não governamental (ONG) Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, diz que, em Lisboa, foi identificada relação entre o número de registros de crianças em urgências hospitalares e dias mais poluídos, o que tem feito o país implementar “zonas de emissões reduzidas”, como é o caso da capital, onde se proíbem veículos antigos. Segundo Francisco Ferreira, presidente da Zero, Portugal ainda tem vários locais onde se ultrapassam os valores limite de dióxido de nitrogênio e de partículas e a principal causa destes valores elevados é o intenso tráfego rodoviário em cidades como Lisboa e Porto.

Ferreira destaca, entre as iniciativas que contribuem para uma redução na poluição, uso de energias renováveis e na eficiência energética, a utilização dos transportes públicos e de uma mobilidade suave (andar mais a pé, de bicicleta, ou mesmo recorrendo a veículos elétricos) e o ordenamento do território que aproxime as pessoas do seu local de trabalho. “Na indústria, é fundamental apostarmos em produtos que impliquem menor poluição e aplicar as melhores tecnologias disponíveis”.

Por Marieta Cazarré, da Agência Brasil, in EcoDebate, 03/11/2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Poluição do ar pode causar derrame e ataque cardíaco, alerta A OMS

Campanha global “Respire Vida” foi lançada durante Habitat III, conferência das Nações Unidas em Quito; segundo agência da ONU, nove em cada 10 pessoas respiram ar que não é seguro.
Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Por Laura Gelbert, enviada especial da Rádio ONU a Quito.

Nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar que não é seguro, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS. E a poluição do ar pode causar derrames e ataques cardíacos. O alerta é da agência da ONU.

Para enfrentar o desafio, a OMS lançou a campanha “Respire Vida”. A iniciativa global da agência da ONU lançada durante a Habitat III. Em Quito, o coordenador de políticas públicas e saúde da OMS, Carlos Dora, explicou à Rádio ONU os riscos causados pela poluição do ar.

Infarto

“A gente está lançando essa campanha global, OMS e parceiros, porque não existe ainda uma conscientização da importância que o ar limpo tem para a saúde das pessoas. Até 15 anos atrás a gente achava que o problema da poluição do ar, a contaminação, era mais a causa de uma doença respiratória, câncer de pulmão se conhecia. Mas não se conhecia a dimensão completa do problema da poluição do ar que é, na verdade, uma das maiores causas de doença do coração, de ataque do coração, infarto do miocárdio, e doença cerebrovascular.”

Segundo Dora, hoje se sabe, através de “inúmeros estudos” que as “partículas entram no pulmão, mas também na circulação”, causando inflamação nos vasos sanguíneos, em um fenômeno semelhante ao colesterol e à pressão alta.

Soluções

Ele citou algumas soluções práticas, mencionando, por exemplo, andar de bicicleta, onde for seguro, e que em alguns locais da África e da Ásia, queimar lixo é uma das grandes causas de poluição.

“E também a poluição dentro das casas. Ainda há países africanos onde 95% da população usam lenha para aquecer a casa no inverno, para cozinhar, usa querosene para iluminar a casa, todos esses combustíveis são muito sujos. Até agora os serviços de saúde não estão aconselhando os indivíduos como eles poderiam reduzir o seu risco a poluição. E a gente devia e poderia.”

Dora afirmou que, a pedido dos governos dos países, que fizeram uma resolução na Assembleia Mundial da Saúde, a OMS aumentou muito a resposta à questão da poluição do ar.

Segundo um relatório da agência da ONU, 3,7 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças ligadas à poluição externa. Em 2012, a OMS calcula que o número de mortes chegou a 6,5 milhões, incluindo poluição interna e externa, o que corresponde a 11,6% do total global de óbitos.

in EcoDebate, 21/10/2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

92% da população global respiram ar inadequado, alerta OMS

A OMS alerta que as principais fontes de poluição do ar incluem modelos ineficientes de transporte. Foto: Agência Brasil/Arquivo 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou ontem (27) que 92% da população global vivem atualmente em áreas onde os níveis de qualidade do ar ultrapassam os limites mínimos estabelecidos pela entidade.

Os dados integram o mais completo relatório global já divulgado pela organização sobre zonas de perigo para poluição do ar, com base em informações de medições por satélite, modelos de transporte aéreo e monitores de estação terrestre de mais de 3 mil localidades rurais e urbanas.

Poluição atmosférica e saúde

A estimativa é que cerca de 3 milhões de mortes ao ano estejam ligadas à exposição à poluição externa do ar. A poluição interna do ar, entretanto, aparenta ser igualmente perigosa já que, em 2012, em torno de 6,5 milhões de mortes estavam associadas à poluição interna e externa juntas.

De acordo com a OMS, quase 90% das mortes relacionadas à poluição do ar são registradas em países de baixa e média renda, sendo que quase dois em cada três óbitos foram contabilizados no sudeste da Ásia e em regiões ocidentais do Pacífico.

Ainda segundo o relatório, 92% das mortes são provocadas por doenças não comunicáveis, sobretudo doenças cardiovasculares, derrame, doença obstrutiva pulmonar crônica e câncer de pulmão. A poluição do ar também aumenta os riscos de infecções respiratórias graves.

“A poluição do ar continua prejudicando a saúde das populações mais vulneráveis – mulheres, crianças e adultos de mais idade”, disse a diretora-geral adjunta da organização, Flavia Bustreo. “Para que as pessoas sejam saudáveis, elas precisam respirar ar limpo do primeiro ao último suspiro”, completou.

Fontes de poluição

A OMS alerta que as principais fontes de poluição do ar incluem modelos ineficientes de transporte; combustível doméstico e queima de resíduos; usinas de energia movidas a carvão; e atividades industriais em geral.

“Para enfrentar a poluição do ar, é preciso agir o mais rápido possível”, defendeu a diretora do Departamento de Saúde Pública e Determinantes Ambientais e Sociais de Saúde da OMS, Maria Neira.

“As soluções existem por meio do transporte sustentável nas cidades, da gestão de resíduos sólidos, do acesso a combustíveis domésticos limpos e fogões, bem como de energias renováveis e da redução de emissões industriais”, concluiu Maria.

Por Paula Laboissière, da Agência Brasil, in EcoDebate, 28/09/2016

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Air pollution a risk factor for diabetes, say researchers

Date: September 8, 2016

Source: Helmholtz Zentrum Muenchen - German Research Centre for Environmental Health

Summary:
Exposure to air pollution at the place of residence increases the risk of developing insulin resistance as a pre-diabetic state of type 2 diabetes, report scientists.
Modelled PM 2.5 concentration in the Augsburg area.
Credit: Helmholtz Zentrum München using data of GeoBasis-DE / BKG 2016

Exposure to air pollution at the place of residence increases the risk of developing insulin resistance as a pre-diabetic state of type 2 diabetes. Scientists of Helmholtz Zentrum München, in collaboration with colleagues of the German Center for Diabetes Research (DZD), reported these results in the journal Diabetes.

"Whether the disease becomes manifest and when this occurs is not only due to lifestyle or genetic factors, but also due to traffic-related air pollution," said Professor Annette Peters, director of the Institute of Epidemiology II at Helmholtz Zentrum München and head of the research area of epidemiology of the DZD.

For the current study, she and her colleagues in collaboration with German Diabetes Center Düsseldorf and the German Heart Centre analyzed the data of nearly 3,000 participants of the KORA study who live in the city of Augsburg and two adjacent rural counties. All individuals were interviewed and physically examined. Furthermore, the researchers took fasting blood samples, in which they determined various markers for insulin resistance and inflammation. In addition, leptin was examined as adipokine which has been suggested to be associated with insulin resistance. Non-diabetic individuals underwent an oral glucose tolerance test to detect whether their glucose metabolism was impaired.

The researchers compared these data with the concentrations of air pollutants at the place of residence of the participants, which they estimated using predictive models based on repeated measurements at 20 sites (for particle measurements) and at 40 sites (for nitrogen dioxide measurements) in the city and in the rural counties.

"The results revealed that people who already have an impaired glucose metabolism, so-called pre-diabetic individuals, are particularly vulnerable to the effects of air pollution," said Dr. Kathrin Wolf, lead author of the study. "In these individuals, the association between increases in their blood marker levels and increases in air pollutant concentrations is particularly significant! Thus, over the long term -- especially for people with impaired glucose metabolism -- air pollution is a risk factor for type 2 diabetes."

Dirtier than the WHO allows

The authors are also concerned that the concentrations of air pollutants, though below EU threshold values, are still above the proposed guidelines of the World Health Organization (WHO). As a consequence, they demand changes in government policy: "Lowering the threshold for acceptable air pollution levels would be a prudent step," said Dr. Alexandra Schneider, who was also involved in the study. "We are all exposed to air pollution. An individual reduction by moving away from highly polluted areas is rarely an option." Moreover, the association between increased exposure to air pollution and respiratory and cardiovascular diseases has now been clearly established.

Next, the scientists want to investigate the influence of ultrafine particles. "Diabetes will be a main focus of our research, also in this context. A precise knowledge of the risk factors is crucial for counteracting the increasing incidence of diabetes," said Peters, looking to the future.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided byHelmholtz Zentrum Muenchen - German Research Centre for Environmental Health. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Kathrin Wolf, Anita Popp, Alexandra Schneider, Susanne Breitner, Regina Hampel, Wolfgang Rathmann, Christian Herder, Michael Roden, Wolfgang Koenig, Christa Meisinger, Annette Peters. Association Between Long-Term Exposure to Air Pollution and Biomarkers Related to Insulin Resistance, Subclinical Inflammation and Adipokines. Diabetes, 2016; db151567 DOI: 10.2337/db15-1567

Cite This Page:
Helmholtz Zentrum Muenchen - German Research Centre for Environmental Health. "Air pollution a risk factor for diabetes, say researchers." ScienceDaily. ScienceDaily, 8 September 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/09/160908084041.htm>.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Effects of Secondary Plant Metabolites on Microbial Populations: Changes in Community Structure and Metabolic Activity in Contaminated Environments

Secondary plant metabolites (SPMEs) play an important role in plant survival in the environment and serve to establish ecological relationships between plants and other organisms. Communication between plants and microorganisms via SPMEs contained in root exudates or derived from litter decomposition is an example of this phenomenon. In this review, the general aspects of rhizodeposition together with the significance of terpenes and phenolic compounds are discussed in detail. We focus specifically on the effect of SPMEs on microbial community structure and metabolic activity in environments contaminated by polychlorinated biphenyls (PCBs) and polyaromatic hydrocarbons (PAHs). Furthermore, a section is devoted to a complex effect of plants and/or their metabolites contained in litter on bioremediation of contaminated sites. New insights are introduced from a study evaluating the effects of SPMEs derived during decomposition of grapefruit peel, lemon peel, and pears on bacterial communities and their ability to degrade PCBs in a long-term contaminated soil. The presented review supports the “secondary compound hypothesis” and demonstrates the potential of SPMEs for increasing the effectiveness of bioremediation processes.
Musilova, L.; Ridl, J.; Polivkova, M.; Macek, T.; Uhlik, O. Effects of Secondary Plant Metabolites on Microbial Populations: Changes in Community Structure and Metabolic Activity in Contaminated Environments. Int. J. Mol. Sci. 2016, 17, 1205.

Link:

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Poluição do ar nas cidades aumenta 8% e mata 7 milhões de pessoas por ano, alertam agências da ONU

Aumento foi verificado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) entre 2008 e 2013, com apoio de dados da Organização Mundial da Saúde. Menos de 20% dos países avaliados pela agência da ONU regulam a queima a céu aberto de resíduos, que é uma das principais causas da poluição do ar. Brasil é citado por tentar promover eficiência energética e ampliar redes de transporte público.
Poluição no centro de Pequim. Foto: Greenpeace/Kuang Yin

Os níveis de poluição do ar nas zonas urbanas aumentaram em 8% de 2008 a 2013, advertiu o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em relatório publicado no final de maio (24). O organismo internacional destacou a importância do uso de mais energias renováveis e de fogões ecológicos — ações vitais para o combate da situação de emergência da saúde pública.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição do ar mata 7 milhões de pessoas a cada ano, com mais de 80% dos indivíduos que vivem em áreas urbanas sendo expostas a níveis de qualidade do ar que excedem os limites de segurança da OMS.

“A atual resposta global à má qualidade do ar é inadequada”, disse o diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner.

“No entanto, apesar da falta de uma resposta global, numerosos países e regiões estão apresentando eficazes – e rentáveis – medidas destinadas a melhorar a qualidade do ar. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável proporcionam uma oportunidade para a implementação dessas melhorias a nível mundial e para um ar mais limpo, com benefícios sociais e econômicos em todo o mundo”, completou.

De acordo com o relatório, pelo menos 82 países dos 193 analisados têm incentivos que promovem o investimento na produção de energia renovável, em produção mais limpa, em eficiência energética e/ou equipamentos de controle de poluição.

No ano passado, pela primeira vez, as energias renováveis representaram a maioria da nova capacidade de geração de eletricidade adicionada em todo o mundo, com um investimento de 286 bilhões de dólares, de acordo com pesquisa realizada pelo PNUMA, pela Bloomberg e pela Escola de Frankfurt.

Porém, embora as políticas e normas sobre combustíveis limpos e veículos possam reduzir as emissões em 90%, apenas 29 % dos países do mundo adotaram padrões de emissões de veículos ‘Euro 4 ” ou acima. Enquanto isso, menos de 20 % dos países regulam a queima a céu aberto de resíduos, uma das principais causas da poluição do ar.

Apesar dos desafios, o levantamento destaca que 97 países aumentaram o percentual de domicílios que têm acesso a combustíveis de queima mais limpa para mais de 85% – um progresso fundamental para combater a poluição do ar que afeta ambientes fechados.

A sujeira presente no ar de espaços interiores é responsável por mais da metade das 7 milhões de mortes anuais associadas à poluição da atmosfera.

Brasil promove avanços

A rápida urbanização e industrialização brasileira têm tido impactos sobre a qualidade do ar nos grandes centros urbanos. No entanto, segundo o relatório do PNUMA, o Brasil tem implementado vários incentivos regulatórios, institucionais e econômicos que estimulam investimentos em energia renovável, especialmente eólica, solar e mini-hídrica.

O Programa de Eficiência Energética brasileiro, por exemplo, exige que produtores gastem, no mínimo, 5% em programas de eficiência energética.

Em relação ao transporte, mesmo ainda com grandes desafios, tais como o crescimento do número de veículos, frotas antigas, combustível sujo, pouca condução pública, o Brasil tem apresentado avanços.

A agência da ONU destaca que, como resultado dos protestos de junho de 2013, o governo federal aumentou os investimentos em transporte através do Pacto de Mobilidade — iniciativa que tem por objetivo oferecer maior qualidade ao transporte público e desafogar o trânsito nas cidades.

O levantamento do PNUMA ressalta também que, no Rio de Janeiro, uma série de ações estão sendo implementadas, incluindo um sistema rápido de ônibus, com novas linhas que estão sendo adicionadas para os Jogos Olímpicos de 2016, bem como a expansão do metrô.

Em Curitiba, corredores de trânsito de alta densidade foram integrados no plano da cidade para promover o desenvolvimento residencial e industrial em algumas áreas.

Como resultado dessa ação e de outras decisões de planejamento de trânsito inteligente, Curitiba usa cerca de 30% menos combustível per capita em comparação a outras oito cidades brasileiras de tamanho similar.

Cerca de 80% dos curitibanos vão ao trabalho utilizando o sistema de ônibus mais rápidos, contribuindo para uma redução de aproximadamente 27 milhões no número totais de viagens dos veículos por ano. O conjunto de pessoas que usam transporte público aumentou 50 vezes nos últimos 20 anos, na cidade.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, 10/06/2016

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Degradação ambiental e poluição causam 23% das mortes prematuras no mundo

São 12,6 milhões de mortes em 2012, o número é mais alto que óbitos gerados por conflito naquele ano; dados constam de um relatório do Pnuma, divulgado nesta segunda-feira.
Segundo relatório do Pnuma, a degradação e a poluição ambientais causam 234 vezes mais mortes prematuras do que conflitos. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um relatório divulgado esta segunda-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, alerta que a degradação e a poluição ambientais causam 234 vezes mais mortes prematuras do que os conflitos. O número equivale a 23% de todos os falecimentos deste tipo no mundo.

O documento afirma que os dois problemas representam uma ameaça à saúde pública global e são responsáveis pelos óbitos de mais de 25% de todas as crianças com menos de cinco anos.

Perigos

O relatório “Meio Ambiente Saudável, Povo Saudável”, lançado em Nairóbi, analisou os perigos da poluição do ar, das substâncias químicas, da mudança climática e de outras questões que associam o ambiente, a saúde e o bem-estar da população.

Segundo o Pnuma, em 2012, ocorreram aproximadamente 12,6 milhões de mortes prematuras causadas pela piora ambiental, o que representa quase um quarto do total mundial.

Os especialistas disseram que a maioria das mortes causadas pela degradação do meio ambiente ocorreu nas regiões sul e leste da Ásia e no oeste do Pacífico. Na sequência, estão a África Subsaariana, o leste do Mediterrâneo e a Europa.

Desnutrição

A Organização Mundial da Saúde calcula que 250 mil mortes adicionais vão ocorrer todos os anos entre 2030 e 2050, a maior parte por desnutrição, malária, diarreia e temperaturas altas, causadas pela mudança climática.

O relatório mostrou ainda que somente a poluição do ar mata 7 milhões de pessoas no mundo todos os anos. A falta de acesso à água potável e serviços de saneamento causam a morte de 842 mil pessoas por ano de diarreia, sendo que 97% delas estão em países em desenvolvimento.

A exposição a substâncias químicas mata mais de 100 mil por ano pelo contato com o pó de amianto ou asbesto e mais de 650 mil por contaminação com o chumbo.

Progresso

Ao mesmo tempo, o relatório do Pnuma mostrou progresso para erradicar quase 100 substâncias químicas que causam danos à camada de ozônio. Isso significa uma redução de até 2 milhões de casos de câncer de pele e que outros milhões de casos de catarata serão evitados todos os anos.

Os benefícios com a eliminação do chumbo da gasolina podem alcançar US$ 2,4 trilhões e evitar 1 milhão de mortes prematuras por ano.

O documento diz ainda que a implementação de medidas para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa pode salvar a vida de 2,4 milhões de pessoas todos os anos até 2030.

in EcoDebate, 24/05/2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pollutants in fish inhibit human's natural defense system

Researchers suggest risk assessment to protect human health Date: 

April 16, 2016 Source: 

University of California - San Diego Summary: 

In a new study, environmental pollutants found in fish were shown to obstruct the human body's natural defense system to expel harmful toxins. The research team suggests that this information should be used to better assess the human health risks from eating contaminated seafood.

This is a yellowfin tuna.
Credit: Lindsay Bonito/Scripps Oceanography

In a new study, environmental pollutants found in fish were shown to obstruct the human body's natural defense system to expel harmful toxins. The Scripps Institution of Oceanography at UC San Diego-led research team suggests that this information should be used to better assess the human health risks from eating contaminated seafood. The study was published in the April 15 issue of the journalScience Advances.

A protein found in cells of nearly all plants and animals, called P-gp, acts as the cell's bouncer by expelling foreign chemicals from the body. P-gp is well known for its ability to transport therapeutic drugs out of cancer cells and, in some cases, rendering these cells resistant to multiple drugs at once.

To determine how effective P-gp is at ridding cells of industrial and agricultural pollutants found in seafood, collectively known as persistent organic pollutants (POPs), the Scripps research team conducted a biochemical analysis of P-gp proteins from humans and mice against POPs. The scientists focused on POPs most commonly found in human blood and urine, and also detected in the muscle tissues of wild-caught yellowfin tuna. The pollutants included older "legacy" compounds such as the pesticide DDT as well as newer industrial chemicals, such as flame retardants.

Working with researchers at UC San Diego's Skaggs School of Pharmacy and Pharmaceutical Science and School of Medicine, the researchers discovered that all 10 pollutants interfered with the ability of P-gp to protect cells. The study was also the first to show how one of the 10 pollutants, PBDE-100, commonly used as a flame retardant in upholstery foam and plastics, binds to the transporter protein. The POP binds to the protein in a similar way as chemotherapeutics and other drugs, but instead of being transported out of the cell, the bound POP ultimately inhibits the protein's ability to perform its defense function.

"When we eat contaminated fish, we could be reducing the effectiveness of this critical defense system in our bodies," said Amro Hamdoun, an associate professor in the Marine Biology Research Division at Scripps, and lead author of the study.

The researchers point out that newborns and fish larvae are two of the most vulnerable populations. Newborns are particularly vulnerable since they are exposed to high concentrations of POPs in breast milk, and have low amounts of the protective P-gp protein. Fish larvae may be at increased risk since the accumulation of pollutants may slow down the animal's defense system to combat other marine pollutants, such as oil hydrocarbons encountered at oil spill sites.

"We show that these inhibitors are found in the fish we eat," said Scripps postdoctoral researcher Sascha Nicklisch, an author of the study.

The Scripps researchers suggest that environmental chemicals should be tested to determine if they impede the effectiveness of the body's natural defense system to expel these, and other foreign chemicals. The U.S. Food and Drug Administration currently recommends similar testing on pharmaceuticals.

"Its unsettling to find that all of the tested persistent environmental pollutants interfered with the P-gp protein's ability to protect cells," said Jacob James, managing director of the Waitt Foundation, who funded the study. "Even more troubling are the results showing that PBDE-100 binds to the P-gp protein, in essence latching onto and poisoning the 'bouncer' whose job it is to throw out the toxins. We can assume that some 'hot' fish carry more than one toxin and that seems like a credible triple threat, as the results with mixtures suggest that multiple toxins do act as 'force multipliers' in degrading cells ability to respond. We are the only species that can influence entire food chains and habitats, we must act more responsibly in the design and use of chemicals in our environment as well as work on economically feasible ways to measure and understand the impacts of those chemicals in seafood, and ourselves."

The National Institute of Environmental Health Sciences and the Waitt Foundation funded the study. Researchers from Sekisui XenoTech, LLC also contributed to the research study.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by University of California - San Diego. The original item was written by Annie Reisewitz.Note: Materials may be edited for content and length.

Cite This Page: 

University of California - San Diego. "Pollutants in fish inhibit human's natural defense system: Researchers suggest risk assessment to protect human health." ScienceDaily. ScienceDaily, 16 April 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/04/160416094626.htm>.

domingo, 1 de maio de 2016

Chemical exposure could lead to obesity, study finds

Date: April 20, 2016

Source: University of Georgia

Summary:
Exposure to chemicals found in everyday products could affect the amount of fat stored in the body, according to a study. Phthalates are chemicals found in everything from plastic products to soap to nail polish -- they give plastic its bendy stretch.
Phthalates are chemicals found in everything from plastic products to soap to nail polish--they give plastic its bendy stretch. But growing research shows that these chemicals could be harming people's health.
Credit: © daigor / Fotolia

Exposure to chemicals found in everyday products could affect the amount of fat stored in the body, according to a study by University of Georgia researchers.

Phthalates are chemicals found in everything from plastic products to soap to nail polish -- they give plastic its bendy stretch. But growing research shows that these chemicals could be harming people's health, said the study's lead author Lei Yin, an assistant research scientist in the UGA College of Public Health's department of environmental health science.

"Phthalate exposure can be closely associated with the rise of different types of disease development," Yin said.

Because levels of phthalates were found in human fluids in previous studies, the researchers wanted to see if a specific phthalate, benzyl butyl phthalate, or BBP, had an effect on the accumulation of fat in cells. Their findings were published in Toxicology in Vitro.

The researchers used mouse cells to create in vitro models to analyze how exposure to BBP affected the way oils and fats, known as lipids, accumulated within the cells.

"Obesity is one of the big issues in humans now, and of course genetic components can contribute to the development of obesity," said study co-author Xiaozhong "John" Yu, an assistant professor of environmental health science. "However, environmental exposure may also contribute to obesity."

Some phthalates have proven to cause reproductive toxicity at high levels of exposure, but the link between low-level exposure and BBP hadn't yet been thoroughly explored, Yin explained.

"It could be that some chemicals at a very low dose and over a long period time, which is known as chronic exposure, can cause more harmful diseases or effects," she said.

The researchers quantified lipid droplet accumulation using traditional staining approaches, in which the cells are stained and therefore can be visually assessed under a microscope, and a newer approach called cellomics high-content analysis. This high-content screening uses "image processing algorithms, computer machine learning and can measure the multiple parameters in a fast and objective way," Yin said.

The results of BBP's effects were compared with bisphenol A, or BPA, an environmental endocrine disruptor that is known for its role in adipogenesis, or how fat cells develop.

BBP caused a response in the cells that is similar to BPA: Both chemicals prompt the accumulation of lipid droplets. However, the droplets from BBP-treated cells were larger, something that suggests BBP exposure may lead to obesity.

Although the findings cannot be directly generalized to the human population -- Yu notes the cells used were mouse cells and a "human is not a big mouse" -- they do give an indication of a possible link between exposure to BBP and obesity, something that could affect human health.

Calling obesity research a very exciting area to be studying, Yin said she would like to explore the relationships between other environmental chemicals and obesity in future studies. She is also interested in learning if certain plant-based chemicals could counterbalance the negative effects of exposure to more harmful chemicals.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by University of Georgia. The original item was written by Leigh Beeson. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Lei Yin, Kevin Shengyang Yu, Kun Lu, Xiaozhong Yu. Benzyl butyl phthalate promotes adipogenesis in 3T3-L1 preadipocytes: A High Content Cellomics and metabolomic analysis. Toxicology in Vitro, 2016; 32: 297 DOI: 10.1016/j.tiv.2016.01.010

Cite This Page:
University of Georgia. "Chemical exposure could lead to obesity, study finds." ScienceDaily. ScienceDaily, 20 April 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/04/160420125551.htm>.

New study finds laundry detergent packets more dangerous than other types of detergent

Researchers urge families with young children to use traditional detergent instead of packets

Date: April 25, 2016

Source: Nationwide Children's Hospital

Summary:
Exposure to laundry detergent packets is more dangerous to young children than exposure to other types of laundry and dishwasher detergent, new research indicates. The study found that from January 2013 through December 2014 Poison Control Centers in the US received 62,254 calls related to laundry and dishwasher detergent exposures among children younger than 6 years old.

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sábado, 30 de abril de 2016

Após 30 anos, usina de Chernobyl terá escudo de aço para evitar novos vazamentos de radiação

A proteção de aço é a maior estrutura móvel do mundo, com 108 metros de altura, 250 metros de largura e 150 metros de comprimento. Foto: EPA/Roman Pilipey/Agência Lusa 

Num canteiro de obras montado ao lado do reator número 4 da antiga Usina de Chernobil, na Ucrânia, uma espécie de escudo gigante feito de aço, construído a partir de um projeto de colaboração e financiamento internacional, está sendo finalizado.

Trata-se da maior estrutura móvel do mundo, com 108 metros de altura, 250 metros de largura e 150 metros de comprimento. A dimensão equivale a um prédio de 36 andares e com área onde caberiam pelo menos três campos de futebol.

Já são quatro anos de trabalho para criar a nova estrutura, que deve ser movida sobre o reator em novembro deste ano. O arco gigante vai protegê-lo e selá-lo, a fim de evitar o vazamento de radiação e melhorar a estabilidade do sarcófago de concreto e aço construído meses depois do pior desastre nuclear da história.

No dia 26 de abril de 1986, após um teste mal-sucedido, um dos quatro reatores da Usina de Chernobil, então na antiga União Soviética, explodiu e liberou uma enorme nuvem radioativa, que se espalhou por boa parte da Europa.

Como consequência direta, 31 pessoas morreram. Mas outras dezenas ou até centenas de milhares perderam a vida para doenças como o câncer, relacionadas aos altos níveis de radiação. Até hoje não há consenso sobre o número de vítimas.
Em abril de 1986, um dos quatro reatores de Chernobil explodiu e liberou uma enorme nuvem radioativa, que se espalhou por boa parte da Europa. Foto: EPA/Roman Pilipey/Agência Lusa 

Sem solução

Depois de 30 anos, a estrutura de contenção antiga já passou do “prazo de validade” e está bastante deteriorada. Se ela ceder, poderá liberar grande quantidade de resíduos radioativos e causar sérios danos. Por isso, criar uma nova proteção, mais moderna, era necessário e urgente. “Ela foi projetada para durar 100 anos e dar à Ucrânia a chance de desmontar o reator número quatro e torná-lo seguro para sempre”, informou o gerente de Segurança e Meio Ambiente da obra, David Driscoll.

Em relatório divulgado neste mês, a ONG Greenpeace na Alemanha criticou não só os altos custos do projeto – mais de dois bilhões de euros – e a demora em concluí-lo, mas, principalmente, o fato de que, até agora, quase nada foi feito em busca de solução de longo prazo para tornar o reator danificado em um sistema ambientalmente seguro.

Segundo a organização, ainda não existe tecnologia disponível para lidar com a grande quantidade de material radioativo e dar um destino adequado a ele. Chegar a essa solução exige ainda mais investimento.

“O receio é que, após a conclusão do Plano de Proteção, a Ucrânia tenha de lidar sozinha com o problema. A forma como a recuperação do reator e do material radioativo será financiada é uma pergunta que ainda está no ar e poderá custar dezenas de bilhões de dólares”, acrescentou o relatório. “Nós podemos concluir que, 30 anos após o pior desastre nuclear que o mundo já viu, o reator danificado ainda representa um risco.”

Contaminação

Ainda hoje, muita gente está exposta aos perigos da radiação presente no solo, na comida e na água, mesmo a centenas de quilômetros de Chernobil. Segundo dados oficiais, cinco milhões de pessoas residem em regiões contaminadas na Ucrânia, na Rússia e na Bielorrúsia – os países mais afetados pelo desastre de 1986.

“Cerca de um milhão dessas pessoas recebe doses anuais de radiação acima do que o nível máximo definido para populações”, detalhou o ativista senior do Greenpeace, Rashid Alimov. Apesar do risco e por falta de opção, os moradores se alimentam de plantas e animais que crescem nesses locais.

A situação é ainda mais crítica na chamada “zona de exclusão”, que fica num raio de 30 quilômetros da antiga Usina Nuclear de Chernobil. O cenário é de ruas desertas e de construções destruídas e abandonadas, onde antes viviam milhares de pessoas. Plantas crescem entre as ruínas e animais selvagens voltaram para a região, que foi totalmente evacuada depois do desastre.

Mas, hoje, algumas centenas de ex-moradores, a maioria idosos, vive nessa zona de exclusão. Apesar de ilegal, a presença deles é tolerada. Maria Lozbin, de 69 anos, é uma dessas pessoas. Há seis anos, ela decidiu voltar para a vila abandonada de Pripyat, onde, para ela, “a vida é boa e tranquila”. “Não tenho medo de nada. Planto e como tudo o que a terra dá. Quando for a hora de eu morrer, vai acontecer com ou sem radiação. Vou morrer quando a hora chegar”, concluiu Maria.

Por Aline Moraes, da Agência Brasil, in EcoDebate, 27/04/2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Radiações eletromagnéticas, série de artigos de Roberto Naime







Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 14/04/2016
"Radiações eletromagnéticas, série de artigos de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/04/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/04/14/radiacoes-eletromagneticas-serie-de-artigos-de-roberto-naime/.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Análise de árvores indica composição de poluente

Por Júlio Bernardes - jubern@usp.br
Publicado em 13/abril/2016

Cascas de árvores são utilizadas em pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) para monitorar substâncias presentes na poluição atmosférica, em especial nas emissões feitas por veículos. No estudo, a engenheira agrônoma Tiana Carla Lopes Moreira coletou amostras de 171 árvores no centro expandido de São Paulo e encontrou principalmente elementos químicos associados a emissões veiculares, como zinco, enxofre, cobre e ferro. O trabalho aponta que as cascas de árvores coletadas em vias expressas têm mais poluentes que as obtidas em vias de trânsito local.
Biomonitoramento verificou composição de poluentes no centro expandido de São Paulo

“No estudo de biomonitoramento, o objetivo era avaliar se existem diferentes emissões de acordo com o tipo de via e se algo pode influenciar na emissão, como barreiras, entre outros fatores”, explica Tiana. Durante a pesquisa foram retiradas amostras das cascas mais superficiais das árvores. “Qualquer árvore pode ser utilizada, embora as mais adequadas sejam aquelas com cascas que se soltam com facilidade ou mais porosas, devido à facilidade de coleta e uso. Como em alguns locais é difícil encontrar muitas espécies, foi recolhido o que existia por ali”.

Ao todo, foram analisadas 171 árvores, distribuídas pelo centro expandido da cidade de São Paulo. O centro expandido é uma área da capital paulista localizada ao redor do centro histórico. Ela é delimitada pelo chamado minianel viário, composto pelas marginais Tietê e Pinheiros, mais as avenidas Salim Farah Maluf, Afonso d’Escragnolle Taunay, Bandeirantes, Juntas Provisórias, Presidente Tancredo Neves, Luís Inácio de Anhaia Melo e o Complexo Viário Maria Maluf.
Maiores concentrações de substâncias encontradas em poluentes estão em vias expressas

Emissões veiculares

As cascas são transformadas em pó e depois em pastilhas para a análise pela técnica de espectrometria de fluorescência de raio-x, que identifica as substâncias presentes nas amostras. “Foram encontrados elementos químicos relacionados principalmente às emissões veiculares como zinco, enxofre, cobre e ferro”, destaca a agrônoma. “Foram coletadas as amostras de quatro espécies de árvores: tipuana, sibipiruna, quaresmeira e alfeneiro. Na pesquisa, elas não mostraram diferenças significativas nas concentrações dos elementos químicos mais importantes analisados no estudo.
Mapa indica locais onde foram coletadas amostras de cascas de árvores para biomonitoramento

O trabalho demonstra que as amostras de árvores obtidas em via de tráfego local possuem menor nível de poluentes que aquelas coletadas em vias expressas. “Em menores quantidades, foram encontradas substâncias que apontam outras fontes de poluentes além das emissões feitas por veículos”, afirma Tiana. “São elas o cimento, proveniente do desgaste de pavimento e construções, sal marinho e a queima de biomassa, no caso, etanol e madeira”.

De acordo com a agrônoma, a técnica pode ser utilizada para obtenção de dados de elementos químicos das emissões de poluentes. “No entanto, ela não permite obtenção de dados referentes a gases, assim como não fornece dados de série temporal, apenas a distribuição espacial”, observa. “A pesquisa indicou que as árvores, além de serem barreiras para a poluição do ar, também indicam o tipo de poluente que existe no local. Outros estudos serão necessários para demonstrar como a vegetação arbórea retém a poluição e quais são esses poluentes”.

A tese de doutorado “Biomonitoramento intra-urbano da poluição de origem veicular: utilização da casca de árvore na identificação de fontes de poluição atmosférica”, defendida no último dia 20 de janeiro, foi orientada pela professora Mitiko Saiki da FMUSP e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). O estudo teve a colaboração do professor Paulo Hilário Nascimento Saldiva, da FMUSP.

Imagens: Divulgação

Mais informações: email tianaca@gmail.com, com Tiana Carla Lopes Moreira

Link:

Pesquisador fala sobre estudo que analisou exposição ao mercúrio por indígenas

Informe Ensp*

Além de provocar inúmeros danos ambientais, a presença do garimpo na Terra Indígena Yanomami traz graves consequências à saúde daquela população. Estudo inédito conduzido pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), do Laboratório de Química da PUC e da Hutukara Associação Yanomami (HAY), divulgado no final do mês de março, constatou elevado nível de mercúrio (Hg) nos povos da TI Yanomami. A contaminação chegou a afetar todos os adultos examinados em uma das regiões analisadas.

O resultado da avaliação das amostras de cabelo de 239 indígenas, de 19 aldeias, gerou o relatório Avaliação da exposição ambiental ao mercúrio proveniente de atividade garimpeira de ouro na Terra Indígena Yanomami, Roraima, Amazônia, Brasil, apresentado em primeira mão à comunidade indígena no dia 3 de março de 2016, e entregue, em seguida, ao poder público, especificamente às Presidências da Funai e do Ibama, ao coordenador da Secretaria Especial de Saúde Indígena, ao Ministério Público Federal e à relatora especial sobre Direitos Indígenas da ONU, Victoria Tauli-Corpuz, que estava em visita ao Brasil. O estudo foi realizado nas regiões de Papiú e Waikás, onde residem as etnias Yanomami e Ye’kwana, e a coleta priorizou os grupos mais vulneráveis à contaminação: crianças, mulheres em idade reprodutiva e adultos com algum histórico de contato direto com a atividade garimpeira. Também foram examinadas 35 amostras de peixes que são parte fundamental da dieta alimentar desses índios.

O garimpo ameaça a vida dos Yanomami e Ye’kwana desde a década de 1980. A invasão dos territórios por garimpeiros cresceu assustadoramente a partir de 2014. Hoje, estima-se que cinco mil garimpeiros atuam ilegalmente na Terra Indígena Yanomami, e os próprios indígenas promoveram uma série de denúncias da ocupação ilegal. Coordenador da pesquisa, Paulo Basta concedeu entrevista ao Informe Ensp e destacou, além dos principais resultados, a importância do retorno dos dados da pesquisa ao povo Yanomami detalhando a reação deles diante da informação a respeito dos elevados níveis de contaminação. “Realizamos uma pesquisa que foi motivada por demanda da própria comunidade, e nossa principal missão foi devolver resultados conclusivos a eles”, enfatizou o pesquisador. As pesquisadoras Sandra Hacon (vice-coordenadora) e Claudia Vega, da Ensp, também integraram a equipe do estudo. Confira a entrevista:

Informe Ensp: Já se sabe que as análises apontaram elevados níveis de contaminação na população daquela região, mas como os próprios indígenas receberam essa informação?

Paulo Basta: Antes da apresentação do relatório às instâncias do poder público, Marcos Wesley de Oliveira (ISA) e Claudia Maribel Vega Ruiz (Ensp) estiveram nas aldeias para apresentar os principais resultados à comunidade. Além de promovermos palestras com o propósito de divulgar os resultados e entregar laudos individuais aos participantes, preparamosbanners e materiais informativos que foram traduzidos para a língua nativa deles, Yanomami e Ye’kwana, para total compreensão dos principais achados.

A presença do garimpo na região, lamentavelmente, perpetua-se desde a década de 1980, fato que causa inúmeros transtornos à população. Os indígenas tinham conhecimento acerca do despejo de mercúrio nos rios, da poluição das águas e do ambiente, mas esse assunto era difuso, pois os indígenas não dispunham de informações concretas. Ao chegarmos com os resultados e apresentarmos os laudos individuais que demonstravam elevados níveis de contaminação, pela primeira vez, a comunidade teve evidências da contaminação e despertou para o problema.

Pode-se dizer que foi uma experiência transformadora, porque os Yanomami receberam uma prova concreta de que a contaminação não estava apenas na água e no ambiente, mas sim que havia chegado às pessoas por meio da alimentação, do consumo de peixes contaminados. Houve um movimento de conscientização, e eles mesmos se municiaram de ferramentas para reivindicar a desintrusão do garimpo. E, ainda, manifestaram a seguinte preocupação: E agora, como enfrentaremos o problema? Existe remédio para isso?

Informe Ensp: E há como enfrentar o problema da contaminação?

Paulo Basta: O mercúrio é metal pesado altamente tóxico, e seus danos costumam ser graves e permanentes: pode causar alterações diretas no sistema nervoso central, gerando problemas de ordem cognitiva e motora, perda de visão, doenças cardíacas entre outras debilidades. Nas mulheres gestantes, os danos são ainda mais graves, pois o mercúrio atinge o feto, podendo causar deformações irrecuperáveis.

Explicamos que não existe um tratamento padronizado, um medicamento que retire o mercúrio do organismo. Existem algumas substâncias quelantes usadas em situações extremas, quando há contaminação aguda, com altos índices de mercúrio no organismo, indicada principalmente em contaminações decorrentes de exposição ocupacional. Ou seja, na queima do mercúrio pelos garimpeiros no momento da separação do ouro do amálgama. Não há recomendação de usar essas substâncias nas situações de contaminação crônica, detectadas em nosso estudo, uma vez que poderiam provocar efeitos adversos e ocasionar complicações. Isso foi cuidadosamente explicado à comunidade.

Nossas principais recomendações são a interrupção imediata da exposição por meio da retirada do garimpo da área e a avaliação clínico-neurológica dos indígenas que apresentaram os mais elevados níveis de contaminação por mercúrio.

Informe Ensp: Algum órgão regulador estabelece limite seguro para exposição ao Hg?

Paulo Basta: Não há limite seguro para exposição ao Hg. Por conta disso, utilizamos como parâmetros de referência o indicador da Organização Mundial de Saúde (OMS) que considera que níveis acima de 6 microgramas de mercúrio por grama de cabelo (μg.g-1 ) podem trazer sérias consequências à saúde, principalmente a grupos vulneráveis.

Informe Ensp: Quais foram os principais resultados da pesquisa?

Paulo Basta: A equipe visitou 19 aldeias na TI Yanomami, sendo 15 na região de Paapiú e quatro na região de Waikás. Essas regiões foram selecionadas por indicação da Hutukara em razão da crescente invasão de garimpeiros. Ao todo, foram avaliados 239 indígenas no período de 16/11/2014 a 03/12/2014, e, após consentimento livre e esclarecido, foram coletadas amostras de cabelo de crianças e adultos, com enfoque em menores de 5 anos e mulheres em idade reprodutiva.
Observamos diferentes níveis de exposição ao Hg na comparação entre as duas regiões. Na região do Paapiú, a mediana foi 3,2 μg.g-1, enquanto na região de Waikás, foi 5,0 μg.g-1. Foram registradas concentrações alarmantes de mercúrio na aldeia de Aracaça, na região de Waikás, situada próximo à área de garimpo, onde a mediana foi 15,5 μg.g-1, sendo 6,8 μg.g-1 nas crianças menores de 5 anos e 16,0 μg.g-1 nas mulheres em idade reprodutiva.

Entre crianças menores de 5 anos, foram registradas prevalências de mercúrio no cabelo acima de 6 μg.g-1 de 4,9%, 25,0% e 66,6%, no Paapiú, entre os ye’kuana de Waikás e entre os Yanomami de Aracaça, respectivamente.

Já entre os adultos, a prevalência de níveis de mercúrio no cabelo maiores que nosso ponto de corte foi de 9,3% no Paapiú, 31,6% entre os Ye’kuana de Waikás e chegou a 100% entre os Yanomami de Aracaça. Nessa localidade, praticamente todos os indígenas adultos avaliados apresentaram níveis elevados de mercúrio no cabelo.

Os achados mencionados demonstram que os mais altos níveis de Hg foram encontrados na aldeia de Aracaça, no Polo Base de Waikás, onde havia grande número de balsas clandestinas de garimpo por ocasião da realização do trabalho de campo. Para ilustrar a situação, num trecho de aproximadamente 15 minutos sobrevoando a região, 47 balsas foram avistadas no entorno de Aracaça, que é uma aldeia isolada do conjunto das aldeias de Waikás e de dimensões geográficas e populacionais menores.

Informe Ensp: Além da interrupção imediata da atividade do garimpo, quais outras recomendações o estudo propõe?

Paulo Basta: O Brasil é um dos países signatários da Convenção de Minamata, e seu principal objetivo é proteger a saúde humana e o meio ambiente de emissões antropogênicas e da liberação de mercúrio e seus componentes na natureza. Diante disso, nossa recomendação é que as autoridades brasileiras cumpram os compromissos internacionais assumidos, assim como a legislação ambiental nacional, e façam a retirada imediata dos invasores da Terra Indígena Yanomami pela ameaça direta à saúde da população. Além disso, o trabalho sugere ações a serem realizadas no âmbito coletivo, individual e ambiental. Em relação a esse último, é necessário estabelecer um plano de monitoramento para identificar as principais fontes de exposição e aprofundar as análises nos corpos d’água a fim de produzir um mapa de risco para orientar a população.

Sob o ponto de vista coletivo, é necessário promover um diagnóstico situacional sobre as condições gerais de saúde da população que vive nas áreas de abrangência dos garimpos, incluindo análise do perfil alimentar e nutricional e avaliação da carga de outras morbidades. Sabemos que os indígenas vivem em condições precárias, com altos índices de mortalidade infantil, desnutrição, malária, tuberculose, parasitoses intestinais, entre outros agravos. Essas doenças que comprometem o sistema imunológico potencializam a absorção do mercúrio no organismo humano e, consequentemente, ampliam seu potencial de toxicidade.

Na perspectiva individual, é necessário realizar avaliação clínico-neurológica para os indígenas que apresentaram os mais altos níveis de contaminação por mercúrio, priorizando as crianças. Somente dessa maneira poderemos avaliar a extensão dos potencias danos e sua gravidade à saúde individual e coletiva aos indígenas investigados e vislumbrar-se-á um cenário mais realista da contaminação por mercúrio na Terra Yanomami.

Informe Ensp: A equipe de pesquisa teve o cuidado de devolver as amostras de cabelo não processadas no laboratório para a comunidade. O que motivou essa ação? Qual balanço é possível fazer da pesquisa?

Paulo Basta: As coletas feitas entre novembro e dezembro de 2014 foram precedidas de consultas aos indígenas, que autorizaram a retirada de amostras de seus cabelos com a condição de devolvê-las após a análise. É importante frisar que, nessa pesquisa, utilizamos termos de consentimento traduzidos para a língua nativa, fato que possibilitou a participação ativa dos indígenas e a manifestação do desejo de receberam as amostras biológicas de volta. Esse pedido se deve à obrigação de que, para os Yanomami, todos os pertences e partes corporais dos indivíduos devem ser cremados com eles após a morte. Foi também uma precaução adotada depois que os Yanomami tiveram conhecimento do caso de roubo de seu sangue por pesquisadores norte-americanos na década de 1970. Esse caso ganhou repercussão internacional e deu protagonismo ao debate sobre a ética em pesquisa com populações indígenas.

Achamos relevante marcar a forma de condução de nossa pesquisa. Diferente de grande parte dos estudos desenvolvidos na Fundação, não abordamos um tema inédito, não desenvolvemos novos testes de diagnóstico, tampouco testamos novos medicamentos, não propusemos inovações tecnológicas, nem visamos á publicação de nossas achados em revistas indexadas com alto fator de impacto, mas trabalhamos em estreita parceria com a comunidade. Realizamos uma pesquisa que surgiu por demanda da própria comunidade e devolvemos a eles resultados conclusivos que podem ser utilizados como ferramenta para cobrar providências das autoridades.

Trata-se de uma pesquisa a favor da comunidade, de cunho eminentemente social e ambiental, originada a partir de uma carta assinada por Davi Kopenawa, na qual esse líder dos povos da floresta nos solicitou auxílio para verificar se os Yanomami estavam contaminados pelo mercúrio utilizado pelos garimpeiros que invadem sua terra. Vale lembrar que a pesquisa foi executada sem qualquer tipo de financiamento ou apoio de agências de fomento.

*Com informações do Instituto Socioambiental (ISA)

in EcoDebate, 13/04/2016

Plásticos são os principais predadores dos oceanos, mostra relatório

Foto: NOAA

Sob a forma de garrafas, sacos ou tampas, os plásticos são os principais predadores dos oceanos, mostra a organização Surfrider em relatório divulgado ontem (12) sobre a poluição em cinco regiões da França e Espanha.

Com a ajuda de centenas de voluntários, a organização não governamental realizou em 2015 o primeiro censo de resíduos que poluem as praias, a orla costeira e os fundos marinhos, no âmbito de uma iniciativa que visa a recolher e analisar os dados na Europa.

“Todos os dias, 8 milhões de toneladas de lixo acabam no oceano. Oitenta por cento da poluição que afeta os nossos mares são de origem terrestre e resultam da atividade humana, com repercussões terríveis na biodiversidade e na globalidade do ambiente”, destaca o presidente da Surfrider Foundation Europe, Gilles Asenjo, em comunicado.

O plástico constitui “mais de 80%” do lixo na maior parte dos cinco locais analisados, observa a organização.

Na praia de Burumendi, em Mutriku (Espanha), por exemplo, 96,6% dos resíduos são de plástico e de poliestireno, que representam 94,5% dos 10.884 resíduos recolhidos na praia de La Barre, em Anglet, nos Pireneus atlânticos.

O plástico e o poliestireno também foram encontrados em massa na praia de Porsmilin, em Locmaria-Plouzané, em Finisterra (Espanha), com peso de 83,3% do total de 2.945 resíduos recolhidos no decorrer das quatro campanhas de levantamento de materiais.

Na praia de Murguita em San Sebastian (Espanha), o plástico e o poliestireno representaram 61% dos materiais recolhidos, dos quais 18% são vidro.

O vidro predomina, aliás, na praia de Inpernupe, em Zumaia (Espanha), representando quase metade (47,9%), contra o peso de 29,1% do plásticos e poliestireno.

Além dos materiais de plástico, os voluntários recolheram, nos diferentes locais, cordas, redes, cigarros, embalagens de alimentos, tampas, cápsulas, garrafas de vidro e até mesmo resíduos sanitários.

Para cada local, a Surfrider fez uma lista dos principais resíduos recolhidos.

“Nesta altura, são as primeiras indicações que nos dão uma percepção geral das estatísticas europeias”, disse Asenjo, acrescentando que, da Grã-Bretanha ao País Basco, os resíduos plásticos são claramente os principais predadores do oceano”, porque “levam centenas de anos para desaparecer”, ao contrário de outros materiais como a madeira ou o cartão.

“Quando eles não estão aos nossos pés na praia, são ingeridos pelos animais marinhos, que sufocam, para não falar das substâncias tóxicas que libertam e nas quais nos banhamos, e de sua possível integração na cadeia alimentar”.

Da Agência Lusa / ABr, in EcoDebate, 13/04/2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Pesquisa do ICMBio aponta contaminação por metais pesados em peixes no litoral do ES

Mar e os animais marinhos no litoral do Espírito Santo estão contaminados por metais pesados como arsênio, chumbo e cádmio. Foto: Paulo de Araújo/MMA

Uma pesquisa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontou que o mar e os animais marinhos no litoral do Espírito Santo estão contaminados por metais pesados como arsênio, chumbo e cádmio. Os dados do estudo foram divulgados pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta sexta-feira (1º). Em função dessas informações, o procurador Jorge Munhós de Souza recomendou a ampliação da área de proibição da pesca.

Apesar de comprovada a contaminação, não há dados que permitam afirmar com segurança que ela é decorrente da chegada ao oceano dos rejeitos de mineração que se espalharam pela bacia do Rio Doce, após o rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG). O ICMBio estuda diversas hipóteses. É possível, por exemplo, que estes metais já estivessem depositados no fundo do Rio Doce antes da tragédia e tenham sido espalhados pela força da lama.

Peixes e camarões
O peixe linguado registrou o quadro mais preocupante. As 14 amostras analisadas trouxeram níveis de cádimo e chumbo acima do permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e 12 delas também superaram os limites estabelecidos para o arsênio. Mais quatro espécies foram estudadas: peixe roncador, peixe proá, camarão rosa e camarão sete barbas. Todas elas também apresentaram resultados que levantam o alerta.

As amostras pesquisadas foram coletadas em dois períodos: de 25 de novembro a 4 de dezembro do ano passado e de 27 de janeiro a 3 de fevereiro deste ano. A contaminação foi observada em Barra Nova, pertencente ao município de São Mateus (ES); no Banco de Abrolhos, ao litoral norte do Espírito Santo; na Unidade de Conservação Costa das Algas; e no Refúgio da Vida Silvestre de Santa Cruz.

O levantamento envolveu pesquisadores do ICMBio, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (Iema), das universidades federais do Espírito Santo (UFES), do Rio Grande (Furg), de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Entre abril e maio, o ICMBio fará uma nova expedição para coleta de amostras, que permitirá dar continuidade aos estudos.

Proibição da pesca
Uma das hipóteses é que os metais já estivessem depositados no fundo do Rio Doce e foram espalhados pela força da lama após a tragédia. Foto: Secom/Governo do Espírito Santo 

Com o objetivo de resguardar a saúde da população e o meio ambiente, o MPF recomendou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ao Ministério do Meio Ambiente a ampliação temporária da área de proibição da pesca. A medida deveria ser adotada em caráter preventivo até que os órgãos do poder público, em um prazo de 15 dias, apresentem relatório conclusivo que indique se há necessidade de manter a atividade proibida.

Se for adotada a medida, a Samarco deverá garantir reparações aos pescadores que atuam na área atingida. Conforme consta no Termo de Compromisso Socioambiental assinado em dezembro de 2015 entre a mineradora e o MPF, os afetados deverão receber um auxílio-subsistência no valor de um salário-mínimo, com acréscimo de 20% por integrante da família.

O MPF também recomendou que, no prazo de 48 horas, a Samarco, o ICMBio e os demais órgãos de fiscalização ambiental do governo federal e do governo do Espírito Santo deem publicidade aos estudos, tanto por meio da internet como em informativos emitidos pela televisão, rádio e veículos impressos.

Samarco
A Samarco informou que ainda não teve acesso ao documento com as recomendações do MPF e destacou que os estudos apresentados pelo ICMBio são preliminares e não conclusivos. “O que chama atenção até o momento é que os próprios pesquisadores não apontam uma relação entre os resultados encontrados e o episódio de Mariana. Inclusive os metais encontrados não estão associados ao tipo de rejeito que havia na barragem”, diz o gerente de engenharia ambiental da mineradora, Paulo Cezar de Siqueira.

Segundo Siqueira, a mineradora também vem desenvolvendo estudos em toda a extensão do Rio Doce. As amostras de organismos vivos coletadas estão sendo analisadas em laboratórios da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

“Estamos observando que os níveis de metais nas espécies são iguais aos que haviam antes da chegada dos rejeitos. Importante destacar, também, que algumas amostras coletadas em pontos mais distantes da foz do rio apresentaram teores mais elevados de determinados elementos, o que evidencia que não há essa relação entre a contaminação e os rejeitos”, diz Siqueira.

Por Léo Rodrigues, da Agência Brasil, in EcoDebate, 04/04/2016