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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Pesquisa liga composto derivado do colesterol a doenças neurodegenerativas

19/09/2018
Estudo do Instituto de Química da USP mostra que compostos derivados do colesterol podem danificar as defesas antioxidantes das células

Um trabalho dirigido pela professora Sayuri Miyamoto, do Instituto de Química (IQ) da USP, e publicado na revista Redox Biology, mostra que um tipo de composto derivado do colesterol promove a aglomeração de certas proteínas com função antioxidante. O achado pode ter implicações para várias doenças neurodegenerativas, já que a agregação de proteínas como a superóxido dismutase 1, analisada nesta pesquisa, é encontrada no cérebro de portadores da doença. Os resultados são especialmente relevantes para o estudo da esclerose lateral amiotrófica, na qual os pacientes perdem a capacidade de controlar os próprios músculos.

Embora o colesterol consumido na dieta seja famoso pelo seu papel no entupimento das artérias, a verdade é que se trata de uma molécula necessária para a vida, desempenhando funções importantes no organismo. Ele está nas membranas das células animais, por exemplo, e também é um dos principais componentes da mielina, estrutura que cobre os axônios (parte dos neurônios), permitindo a transmissão mais rápida dos impulsos nervosos.

Em determinadas situações, as moléculas de colesterol podem ser alvo de reações de oxidação, que as degradam. Quando isso ocorre, elas se transformam em moléculas mais instáveis e reativas, que por sua vez podem oxidar outras moléculas. Uma dessas formas reativas do colesterol são os chamados aldeídos de colesterol.

“Nós já tínhamos visto na literatura que existem dados de pacientes que mostram que esses aldeídos estão presentes no cérebro de pacientes com Parkinson. E tem trabalhos de outros grupos que mostram que também afetam proteínas em outras doenças neurodegenerativas”, explica Miyamoto, que é pesquisadora do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina, o Cepid Redoxoma.

Com esse precedente, o grupo decidiu estudar o papel dos aldeídos de colesterol no contexto da esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa para a qual ainda não existe cura.
Foto: NIH Image Gallery/Flickr-CC

Proteínas agregadas

A esclerose lateral amiotrófica afeta principalmente os neurônios motores, as células que ligam o cérebro com os músculos, passando pela espinha dorsal, e que são responsáveis pela nossa capacidade de movimento.

Durante o desenvolvimento da doença os neurônios motores acabam morrendo. Mas antes que isso aconteça é possível detectar nessas células a presença de agregados de proteínas, que aparecem ao microscópio como pontos escuros no interior dos neurônios. Esses agregados são formados pela ação das chamadas “espécies reativas de oxigênio”, um grupo de moléculas que modifica a estrutura das proteínas, e do qual os aldeídos de colesterol fazem parte. Ao perder a estrutura, as proteínas interagem entre elas e formam os agregados.

Embora para a maioria dos casos as causas que desencadeiam a esclerose lateral amiotrófica sejam desconhecidas, em um pequeno grupo de pacientes a progressão da doença está relacionada com alterações na proteína superóxido dismutase 1, ou SOD1. Nesses pacientes, a SOD1 aparece formando parte dos agregados dos neurônios motores. Como a SOD1 tem uma função antioxidante, a presença dela nos agregados sugere a existência de um efeito dominó no decorrer da doença: quando a SOD1 é oxidada e se agrega, ela fica inativa, o que favorece ainda mais a oxidação e agregação de novas proteínas.

Os experimentos

O grupo de Miyamoto testou se os aldeídos de colesterol seriam capazes de oxidar a SOD1 e promover a sua agregação. Os experimentos confirmaram a hipótese.

“Eles induzem uma agregação muito forte da proteína [SOD1]”, diz Miyamoto. “Em termos de mecanismo, isso se justifica pela hidrofobicidade, já que o colesterol é uma molécula muito hidrofóbica.” A hidrofobicidade de uma molécula indica o quanto ela é capaz de interagir com as moléculas de água. Moléculas muito hidrofóbicas interagem mal com as moléculas de água e apresentam uma maior propensão a formar agregados.

Os pesquisadores também mediram os níveis de aldeídos de colesterol em um modelo animal de esclerose lateral amiotrófica, de nome G93A-SOD1. Nesse modelo, os ratos produzem uma forma alterada da SOD1 e desenvolvem a doença quando chegam à idade adulta. No trabalho se mostra que quando os ratos começam a desenvolver os sintomas da doença, eles apresentam níveis mais altos de aldeídos de colesterol no plasma sanguíneo. A observação ainda é só uma prova circunstancial da implicação dessas moléculas na doença, mas abre a porta para estudos mais detalhados.

Embora os pesquisadores só testassem os efeitos dos aldeídos de colesterol na SOD1, o fato de que a formação de agregados ocorra na maioria das doenças neurodegenerativas faz com que os resultados também possam ser interessantes para quem pesquisa patologias similares, como as doenças de Parkinson e Alzheimer.

“A gente escolheu a SOD1 como alvo, mas eu acho que outras proteínas poderiam ser suscetíveis ao mesmo tipo de modificação”, afirma Miyamoto. “Eu acho que não é algo específico dessa doença, mas que a implicação é mais ampla do que a gente viu aqui com os dados do laboratório.”

Mais informações: e-mail miyamoto@iq.usp.br, com a professora Sayuri Miyamoto

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Collaboration between pet owners, vets and researchers helps dogs and children with a rare and severe epilepsy

Date: August 2, 2017

Source: University of Surrey

Summary:
New hope is being given to children who suffer from a rare and severe form of epilepsy, thanks to new, unique research.

New hope is being given to children who suffer from a rare and severe form of epilepsy, thanks to unique research carried out by the University of Surrey’s School of Veterinary Medicine and Fitzpatrick Referrals in Surrey.

The research, published in PLOS One, has identified the progression of Lafora disease, a devastating form of epilepsy which affects up to 50 young children worldwide. Lafora’s disease also affects dogs and the examination of affected canines will help develop effective treatment which can be used to treat children with the illness.

Working with eminent specialists in the human form of Lafora at The Hospital for Sick Children in Toronto, researchers surveyed the owners of 27 miniature wirehaired dachshund, a breed with a high prevalence of the illness, over the course of 12 months to uncover the clinical signs and physical advancement of the disease. The insight will help shape the treatment available for this rare disease, which affects 50 children worldwide each year.

The devastating Lafora illness is a fatal form of epilepsy caused by gene mutation, leading to abnormal levels of glycogen in the body. These abnormal levels of glycogen cause children and dogs to suffer progressive seizures, dementia and loss of walking ability.

Researchers discovered that the most common clinical sign of Lafora is reflex and spontaneous muscle contractions, uncontrollable jerks and generalised seizures. Other common signs include ‘focal seizures’, ‘jaw smacking,’ ‘fly catching’, ‘panic attacks’ and ‘aggression.’

Dr Clare Rusbridge, Reader in Veterinary Neurology at the University of Surrey and Chief Neurologist at Fitzpatrick Referrals, said: “Lafora disease is a fatal disease that causes unbearable suffering for dogs and in rare cases young children.

“Due to its rarity, little is known about the onset of this illness but what we have discovered, with the help of dog owners, is the clinical sign of Lafora helping to lead to quicker diagnosis. The more we learn about Lafora, the better chance we have of treating it effectively.”

The longstanding relationship between Dr Rusbridge and the Hospital for Sick Children in Toronto has led to the ground-breaking collaboration between human and veterinary medicine, which led to the discovery of the canine Lafora genetic mutation in 2005.

Armed with this knowledge, campaigning by the Wirehaired Dachshund Club and Dachshund Breed Council has led to an increased awareness and testing for the disease in breeding animals. In the space of just 5 years, the proportion of litters bred with a risk of Lafora-affected puppies has been reduced from 55% to under 5%.

Story Source:

Materials provided by University of Surrey. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Lindsay Swain, Gill Key, Anna Tauro, Saija Ahonen, Peixiang Wang, Cameron Ackerley, Berge A. Minassian, Clare Rusbridge. Lafora disease in miniature Wirehaired Dachshunds. PLOS ONE, 2017; 12 (8): e0182024 DOI: 10.1371/journal.pone.0182024

Cite This Page:
University of Surrey. "Collaboration between pet owners, vets and researchers helps dogs and children with a rare and severe epilepsy." ScienceDaily. ScienceDaily, 2 August 2017. <www.sciencedaily.com/releases/2017/08/170802153909.htm>.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Zika: o que já se sabe e o que ainda falta saber sobre a doença

A escalada do vírus Zika nos noticiários e nas agendas dos governantes reflete a preocupação com a crescente epidemia. Mais de 30 países e territórios já registram casos autóctones da doença – a maioria deles no continente americano, incluindo o Brasil – e outros 17, como Alemanha, Espanha e Estados Unidos, notificaram casos de pessoas que contraíram a doença no exterior.

A gravidade da epidemia colocou pesquisadores de todo o mundo em alerta e, embora muita coisa já tenha sido descoberta, muitos pontos sobre o Zika continuam obscuros, como a relação do vírus com os casos de microcefalia que ainda não foi comprovada.

Reunimos em um infográfico os principais tópicos sobre o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o vírus Zika. Confira abaixo.
O que já se sabe

Da família Flaviviridae e do gênero Flavivirus, o vírus Zika provoca uma doença com sintomas muito semelhantes aos da dengue, febre amarela e chikungunya. De baixa letalidade, causa febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores nas articulações) e exantema maculo-papular (manchas ou erupções na pele com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas.

O vírus é transmitido, na maioria das vezes, pela picada dos mosquitos da família Aedes (aegypti, africanus, apicoargenteus, furcifer, luteocephalus e vitattus), encontrados nas regiões tropicais da América, África, Ásia e Oceania. A partir da picada infectada, a doença tem um período de incubação de aproximadamente quatro dias até os sintomas começarem a se manifestar. Os sinais e sintomas podem durar até sete dias. Há evidências de que a doença pode ser transmitida por meio do contato com o sêmen infectado durante relações sexuais. Grávidas infectadas também podem passar o vírus para o feto durante a gestação.

Como ainda não existe vacina ou um medicamento específico contra o vírus, o tratamento feito serve apenas para aliviar os sintomas. Assim, o uso de paracetamol, sob orientação médica, é indicado nesses casos.

As medidas de prevenção e controle da doença são as mesmas já adotadas para a dengue, febre amarela e chikungunya, como eliminar os possíveis criadouros do mosquito, evitando deixar água acumulada em recipientes como pneus, garrafas, vasos de plantas, fazer uso de repelentes, entre outros.
O que ainda não se sabe

Ainda não há dados consolidados e precisos do número de casos da doença nos países que registraram a ocorrência do vírus. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, entre 3 e 4 milhões de pessoas devem contrair o zika vírus em 2016 no continente americano. Cerca de 1,5 milhão destes casos deve ocorrer no Brasil. O cálculo considera o número de infectados por dengue, doença transmitida pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti, em 2015, e a falta de imunidade da população ao vírus.
Creative Commons – CC BY 3.0 – Além da dengue, febre amarela e chikungunya, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, também transmite o vírus Zika

A dificuldade na obtenção de números confiáveis de casos de infecção pelo vírus Zika se deve ao fato de o vírus ser detectável somente por alguns dias no sangue das pessoas infectadas. Além disso, os médicos, assim como os exames laboratoriais, não conseguem diferenciar com facilidade os casos de zika de doenças como dengue e chikungunya, que têm sintomas muito semelhantes.

Apenas uma em cada quatro pessoas infectadas são sintomáticas, o que significa que somente uma pequena parcela de pessoas que desenvolvem os sintomas da infecção causada pelo vírus procura os serviços de saúde, prejudicando a contagem dos casos da doença.

No Brasil, as autoridades de saúde investigam a relação do vírus Zika com o aumento da ocorrência de microcefalia, uma malformação que implica na redução da circunferência craniana do bebê ao nascer ou nos primeiros anos de vida, entre outras complicações. O Ministério da Saúde confirma 508 casos de bebês que nasceram com microcefalia por infecção congênita, que podem ter sido causadas por algum agente infeccioso, inclusive o Zika, com 49 mortes. A pasta ainda investiga mais 3.935 casos suspeitos de microcefalia no país. Outros 837 já foram descartados. A OMS quer saber por que os casos de microcefalia estão concentrados no país.

Apesar de o vírus Zika ter sido encontrado ativo na saliva e na urina, ainda não há comprovação de que o contato com esse tipo de fluidos de pessoas infectadas possam transmitir a doença. Os pesquisadores da área de saúde também não sabem dizer ainda se há um período seguro durante a gestação em que as grávidas possam viajar para áreas afetas pela epidemia ou estar em contato com pessoas infectadas sem causar complicações para o bebê. Em geral, a maior vulnerabilidade ocorre durante os quatro primeiros meses de gravidez.

Outros dois pontos que não estão esclarecidos ainda é se, após contrair a doença, a pessoa fica imune ao Zika e se as pessoas que são infectadas, mas não apresentam sintomas, podem transmitir a doença.

Os órgãos de saúde de vários países da América do Sul e Central, incluindo o Brasil, tambémestudam o crescimento de casos da síndrome de Guillain-Barré (SGB) durante o surto de Zika. A doença neurológica, de origem autoimune, provoca fraqueza muscular generalizada e, em casos mais graves, pode até paralisar a musculatura respiratória, impedindo o paciente de respirar, levando-o à morte.

De acordo com a OMS, o vírus Zika pode causar outras síndromes neurológicas, como meningite, meningoencefalite e mielite. Embora na região das Américas essas síndromes não tenham sido relatadas até o momento, serviços e profissionais de saúde devem estar alertas para as possíveis ocorrências.

* Com informações do Ministério da Saúde, Centro de Controle e Prevenção de Doenças/EUA (CDC) e Organização Mundial de Saúde (OMS)

Por Fernanda Duarte, do Portal EBC*, in EcoDebate, 19/02/2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Neurociência ajuda educação na promoção da saúde

Por Júlio Bernardes - jubern@usp.br
Publicado em 11/fevereiro/2016

Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP mostra interfaces entre as descobertas científicas sobre o funcionamento do cérebro, o processo de aprendizagem na escola e a promoção de saúde. O estudo da educadora Neuza Mainardi aponta que um estímulo adequado do professor pode fazer o aluno se empenhar mais para aprender, de modo a aumentar sua autoestima. Isso o torna mais ativo no dia-a-dia, o que melhora sua qualidade de vida e, em consequência, a sua saúde.
Estímulo de professor pode melhorar qualidade de vida e promover saúde

Neuza aponta que as pesquisas na área neurológica se intensificaram na última década do século 20, conhecida como “a década do cérebro”. Uma das descobertas mais importantes da neurociência foi a da plasticidade cerebral. ”Durante todo o século 20, acreditava-se que os seres humanos iam perdendo, ao longo da vida, os neurônios com que nasciam”, conta. “Entretanto, ao aprofundarem os estudos sobre o funcionamento do cérebro os cientistas descobriram que as células nervosas se renovam e se adaptam. Elas são sensíveis às mudanças ao redor e excitáveis, gerando sentimentos, pensamentos e comportamentos”.

O estudo relaciona quinze pontos coincidentes ou complementares entre neurociência, educação e promoção da saúde. “Por exemplo, sabe-se que o cérebro humano tem capacidade de criar mapas e imagens, de fora para dentro por reações físicas e químicas aos estímulos que recebe do meio”, diz Neuza. Na educação, o incentivo (externo) que os professores oferecem aos alunos visa criar neles a motivação (interna) e a vontade de aprender, devido a atividade neural. “A consequência, no que diz respeito à promoção de saúde, é que o aluno motivado tem mais chance de ter melhor qualidade de vida porque o sucesso aprimora a autoestima”.

A educadora lembra que a plasticidade cerebral contribui para a adaptabilidade do comportamento. “O papel condutor da educação interfere na atividade da criança e em sua atitude diante da realidade, o que amplia aos poucos a sua consciência”, diz. “Nas experiências psíquicas estão emoções e sentimentos que interferem na qualidade de vida. Os estímulos do professor quando positivos, geram pensamentos e comportamentos que favorecem o processo de ensino-aprendizagem”.

Desenvolvimento do cérebro

De acordo com os neurocientistas, os estímulos ambientais ampliam as conexões entre neurônios, havendo uma relação entre as experiências de vida e o desenvolvimento do cérebro. “A aprendizagem pode ser mais eficiente se o professor conhecer a vida da criança em casa, tendo mais contato com as famílias, por meio das reuniões de pais ou mesmo chamando os familiares, se for necessário, demonstrando interesse pelo aluno”, observa Neuza. ”Quanto maior o contato, mais segurança o professor terá para planejar o processo educacional, além de dar mais segurança ao aluno, pois ele se sente acolhido pela escola ao perceber que sua família é bem-vinda”.

Os princípios da psicologia e da neurociência podem ser aplicados no trabalho diário do professor se ele entender como o cérebro humano reage aos estímulos e procurar despertar no aluno uma atitude positiva. “Por exemplo, quando o aluno é elogiado por uma tarefa que faz em sala de aula, acontecem reações elétricas e químicas no sistema nervoso que fazem com que ele se sinta capaz de aprender. O estímulo melhora sua autoestima, ele aprende com mais facilidade e vive a experiência escolar com alegria. Além de ir a escola com prazer, no seu dia-a-dia terá mais entusiasmo para tudo, inclusive para fazer atividades físicas, o que traz qualidade de vida e melhora a saúde”, diz a educadora. “O professor deve sempre buscar um ponto positivo para enaltecer o aluno, mostrar que ele tem valor, não fazendo apenas críticas que podem gerar desinteresse pela escola”.

Segundo Neuza, o conceito de promoção da saúde passou a ser difundido em todo o mundo após a divulgação da Carta de Ottawa no Canadá, em 1986, durante a 1a Conferência Internacional para a Promoção da Saúde. “Anteriormente, saúde era vista como ausência de doença. Com a Carta de Ottawa, saúde passou a ser sinônimo de qualidade de vida, vivenciada no dia-a-dia”, relata. “No Brasil, após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, os Parâmetros Curriculares Nacionais estabelecem a saúde como tema a ser trabalhado de forma transversal e contextualmente, em todos os níveis, tornando a escola uma promotora de saúde, não só dos alunos, mas de toda a sociedade”.

A educadora defende que o profissional de educação precisa se conscientizar do papel que tem como formador, muito mais do que apenas como transmissor de informações, e buscar compensar as possíveis falhas do seu curso de formação profissional. “Sempre cabe um repensar e se pode melhorar a atuação a cada dia”, afirma. “A internet pode ajudar bastante os que têm vontade de se atualizar”.

Neuza destaca que a educação determina em grande parte o bem-estar e a felicidade que a pessoa possa ter na vida. “Não se apaga o que se faz em educação, sejam aspectos positivos ou negativos”, conclui. A pesquisa, realizada durante pós-doutoramento na FSP, teve a supervisão da professora Isabel Maria Teixeira Bicudo Pereira.

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Mais informações: email nmainardi1@gmail.com, com Neuza Mainardi

Link:

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Asthma, allergies: Protective factor found in farm milk

Date: January 27, 2016 

Source: Ludwig-Maximilians-Universität München 

Summary: 
Fresh, unprocessed cow's milk has a higher content of omega-3 fatty acids than does pasteurized, homogenized or low-fat milk. This factor partly explains why children who consume the unprocessed product are less likely to develop asthma, say scientists.

Fresh, unprocessed cow's milk has a higher content of omega-3 fatty acids than does pasteurized, homogenized or low-fat milk. This factor partly explains why children who consume the unprocessed product are less likely to develop asthma.

Children who regularly drink fresh farm milk are less likely to develop asthma than kids who consume the industrially processed product. A number of epidemiological studies have already pointed toward this effect, and it has now been verified by Ludwig-Maximilians-Universitaet (LMU) in Munich researchers in the Pasture birth cohort. Moreover, this latest study shows that the protective effect is partly attributable to the fact that fresh milk contains more omega-3 fatty acids than does processed milk. Nevertheless, the authors of the study refrain from recommending the consumption of untreated milk, since it may contain pathogenic micro-organisms. The new findings appear in theJournal of Allergy and Clinical Immunology.

The long-term research project PASTURE followed over a thousand children living in rural areas, whose mothers kept records of their child's nutrition and it's illnesses up until the age of 6. The analysis of these health diaries revealed that the proportion of children who had developed asthma by that age was significantly lower in the cohort who had regularly consumed untreated farm milk. "The effect can be partly explained by the higher overall fat content and the higher levels of omega-3 fatty acids found in farm milk," says Tabea Brick, a member of the research group led by Erika von Mutius, Professor of Pediatric Allergology at LMU and Head of the Department of Asthma and Allergies at Dr. von Hauner Children's Hospital in Munich. According to the study, this effect is specific and can be clearly distinguished from the possible impact of other modulatory factors.

Omega-3 fatty acids are essential for human health. However, they cannot be synthesized in the human body and must therefore be obtained from dietary sources. The compounds are thought to have a number of positive physiological effects. "For example, they are known to serve as precursors for the synthesis of anti-inflammatory substances," Brick explains.

Less processing = more benefit?

In collaboration with a team at Marburg University, the LMU researchers assessed the composition of untreated farm milk, and shop milk that had undergone different degrees of industrial processing (pasteurization, homogenization, fat reduction). The results revealed that the level of omega-3 fatty acids remaining in the finished product was inversely proportional to the intensity of processing. In contrast, the content of omega-6 fatty acids, which mainly act as precursors for the production of pro-inflammatory modulators in the body, was virtually unchanged by any of the treatments used.

The standard industrial treatment process involves pasteurization of the raw milk at a temperature of between 72 and 75°C, and homogenization to avoid creaming of the milk. The authors of the new study argue for the development of milder methods of milk processing that will ensure the retention of beneficial components present in raw milk, while ensuring that potentially dangerous pathogens are effectively eliminated.

Story Source:
The above post is reprinted from materials provided by Ludwig-Maximilians-Universität München. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference: 
Tabea Brick, Yvonne Schober, Christian Böcking, Juha Pekkanen, Jon Genuneit, Georg Loss, Jean-Charles Dalphin, Josef Riedler, Roger Lauener, Wolfgang Andreas Nockher, Harald Renz, Outi Vaarala, Charlotte Braun-Fahrländer, Erika von Mutius, Markus Johannes Ege, Petra Ina Pfefferle. ω-3 fatty acids contribute to the asthma-protective effect of unprocessed cow's milk. Journal of Allergy and Clinical Immunology, 2016; DOI: 10.1016/j.jaci.2015.10.042

Cite This Page: 
Ludwig-Maximilians-Universität München. "Asthma, allergies: Protective factor found in farm milk." ScienceDaily. ScienceDaily, 27 January 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/01/160127121556.htm>.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Crianças pobres com microcefalia têm direito a auxílio do governo

As crianças com microcefalia de famílias de baixa renda têm direito de receber do governo um auxílio assistencial de um salário mínimo. O dinheiro destinado às pessoas com a deficiência está previsto no Benefício de Prestação Continuada do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O responsável deve comprovar a malformação da criança e que a renda mensal da família é de menos de um quarto do salário mínimo por pessoa.

Segundo o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Social, Marcelo Cardona, mais de 3.700 pessoas com microcefalia recebem o benefício no Brasil, já que o diagnóstico é irreversível. Idosos de baixa renda têm direito ao benefício criado na Constituição Federal de 1988. Ao todo, mais de 4 milhões de pessoas recebem o benefício em todo o país.

O secretário orienta que o responsável pela criança agende o atendimento em uma agência do INSS pelo número 135. “Deve ser feito um requerimento depois do agendamento por telefone. A criança com deficiência passa por uma avaliação médica e social para comprovar a sua condição e, então, ela passa a receber o benefício de um salário mínimo mensalmente”, explicou Cardona.

Boletim divulgado ontem (27) pelo Ministério da Saúde mostra que foram confirmados 270 casos de microcefalia causados por agentes infecciosos, registrados entre outubro de 2015 e 20 de janeiro de 2016. Em 2014, foram registrados 147 casos da malformação.

Por Aline Leal, da Agência Brasil, in EcoDebate, 28/01/2016

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Surprising links between bullying and eating disorders

Date: November 16, 2015

Source: Duke University Medical Center

Summary:
Being bullied in childhood has been associated with increased risk for anxiety, depression and even eating disorders. But according to new research, it's not only the victims who could be at risk psychologically, but also the bullies themselves.

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Moderate coffee drinking may be linked to reduced risk of death

Date: November 16, 2015

Source: American Heart Association

Summary:
Drinking coffee daily was associated with a lower risk of deaths from Type 2 diabetes, cardiovascular diseases, and neurological diseases in nonsmokers. Regular consumption of coffee can be included as part of a healthy, balanced diet.
People who regularly drank moderate amounts of coffee daily --less than 5 cups per day -- experienced a lower risk of deaths from cardiovascular disease, neurological diseases, Type 2 diabetes and suicide. The benefit held true for drinking caffeinated and decaffeinated coffee, suggesting it's not just the caffeine providing health perks but possibly the naturally occurring chemical compounds in the coffee beans.
Credit: Copyright American Heart Association

Drinking a second or third cup of coffee may do more than get you through a long day -- it may also reduce your risk of death from heart disease and other illnesses.

In a study reported in the American Heart Association journal Circulation, people who regularly drank moderate amounts of coffee daily --less than 5 cups per day -- experienced a lower risk of deaths from cardiovascular disease, neurological diseases, Type 2 diabetes and suicide.

The benefit held true for drinking caffeinated and decaffeinated coffee, suggesting it's not just the caffeine providing health perks but possibly the naturally occurring chemical compounds in the coffee beans.

"Bioactive compounds in coffee reduce insulin resistance and systematic inflammation," said Ming Ding, M.D., the study's first author and doctoral student at the Harvard T.H. Chan School of Public Health in Boston, Massachusetts. "They might be responsible for the inverse association between coffee and mortality. However, more studies are needed to investigate the biological mechanisms producing these effects."

The findings are based on data from three large ongoing studies: 74,890 women in the Nurses' Health Study; 93,054 women in the Nurses' Health Study 2; and 40,557 men in the Health Professionals Follow-up Study.

Researchers assessed coffee drinking every four years using validated food questionnaires and followed participants for up to 30 years. During the follow-up period, 19,524 women and 12,432 men died from a range of causes.

In general, people who frequently drank coffee were more likely to smoke and drink alcohol. To separate the effects of coffee from smoking, researchers repeated their analysis among never-smokers, and found that the protective benefits of coffee on deaths became even more evident.

"Regular consumption of coffee can be included as part of a healthy, balanced diet," said senior author Frank Hu, M.D., Ph.D., a Professor of Nutrition and Epidemiology at Harvard. "However, certain populations such as pregnant women and children should be cautious about high caffeine intake from coffee or other beverages."

The study was not designed to show a direct cause and effect relationship between coffee consumption and dying from illness. So the findings should be interpreted with caution, researchers said. One potential drawback of the study design was that participants were asked to report how much coffee they drank, however researchers found the assessment to be reliable.

Previous studies found inconsistent associations between coffee drinking and risk of total and cause-specific death. This study adds to the literature that moderate coffee consumption may confer health benefits. However, more research is needed to determine how coffee affects the body and whether different types of coffee may play a role.

Other co-authors are Ambika Satija, B.A.; Shilpa N. Bhupathiraju, M.D.; Yang Hu, M.S.; Qi Sun, M.D., D.Sc.; Jiali Han, D.Sc. ; Esther Lopez-Garcia, Ph.D. ; Walter Willett, M.D., Dr.PH.; and Rob van Dam, Ph.D.

The National Institutes of Health funded the study.

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by American Heart Association. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Ming Ding et al. Association of Coffee Consumption with Total and Cause-Specific Mortality in Three Large Prospective Cohorts.Circulation, 2015 DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.115.017341

Cite This Page:
American Heart Association. "Moderate coffee drinking may be linked to reduced risk of death." ScienceDaily. ScienceDaily, 16 November 2015. <www.sciencedaily.com/releases/2015/11/151116181005.htm>.

Study provides strongest evidence yet of a link between breakfast quality and educational outcomes

New study of 5,000 9- to 11-year-olds demonstrates significant positive associations between breakfast consumption, educational outcomes

Date: November 16, 2015

Source: Cardiff University

Summary:
A new study of 5,000 9- to 11-year-olds demonstrates significant positive associations between breakfast consumption and educational outcomes.The research found that the odds of an above average Teacher Assessment score were up to twice as high for pupils who ate breakfast, compared with those who did not.

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China continues to lag in effective tobacco control, studies show

Date: November 16, 2015

Source: University of Waterloo

Summary:
Efforts over the past seven years to reduce tobacco use in China have been strikingly ineffective and leave tobacco use a top threat to the health and economic well-being of the world's largest country, according to research findings.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Smoking, heavy alcohol use are associated with epigenetic signs of aging

Date: October 8, 2015

Source: American Society of Human Genetics

Summary:
Cigarette smoking and heavy alcohol use cause epigenetic changes to DNA that reflect accelerated biological aging in distinct, measurable ways, according to research. The researchers estimated biological age using a previously validated epigenetic "clock" , calculated the difference between biological age and chronological age, and assessed the relationship between tobacco and alcohol use and premature aging.

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domingo, 30 de agosto de 2015

Brazil's national oral health policy: An example for other nations

Date: August 27, 2015

Source: International & American Associations for Dental Research

Summary:
Brazil is the only country with more than 200 million inhabitants that has a universal health system, funded by federal, state and municipal budgets. In recent decades, the system has evolved from an exclusionary to a universal model, the unified health system (Sistema Único de Saúde [SUS]), where everyone is entitled to healthcare and the government is required to provide it. Primary healthcare is the backbone of the new system, in keeping with the guidelines set forth by the Primary Healthcare Reform, recommended by the Pan American Health Organization/World Health Organization.

Brazil is the only country with more than 200 million inhabitants that has a universal health system, funded by federal, state and municipal budgets. In recent decades, the system has evolved from an exclusionary to a universal model, the unified health system (Sistema Único de Saúde [SUS]), where everyone is entitled to healthcare and the government is required to provide it. Primary healthcare is the backbone of the new system, in keeping with the guidelines set forth by the Primary Healthcare Reform, recommended by the Pan American Health Organization/World Health Organization.

Today, the International and American Associations for Dental Research (IADR/AADR) published a Discovery! article titled "10 Years of a National Oral Health Policy in Brazil: Innovation, Boldness and Numerous Challenges." In it, authors Gilberto Alfredo Pucca, Jr., University of Brasília; and Mariana Gabriel, Maria Ercilia de Araujo and Fernanda Campos Sousa de Almeida, University of São Paulo, discuss Brazil's National Policy of Oral Health, also known as "Smiling Brazil."

Evidence shows that Brazil is tackling its health inequalities. In a clear demonstration that the country is overcoming this challenge, it was removed from the World Health Organization's hunger map in 2014, after 22 million were lifted out of extreme poverty, meaning that the segment of the population living in extreme poverty fell from 25.5% to 3.5% between 1990 and 2012. For Brazil to take these strides, it had to deploy actions across different sectors and take individuals as well as society as a whole into consideration. Bearing in mind this integral approach, oral healthcare was incorporated into the public healthcare system.

Smiling Brazil was launched in 2004. Under its initiative, oral health was designated one of the four priority areas of the SUS. This policy changed the concept of oral healthcare by pursuing the integral care system envisaged for SUS at its creation. The authors of this paper believe that smiling Brazil is an extraordinary experience that can be emulated and adapted to the conditions of other countries and other healthcare systems, evidently taking into account internal political and budgetary considerations. Positive evidence of the accomplishment of this goal can be attested to by observing: oral health epidemiological indicators; financial investment and professional development; and the building of an oral healthcare network throughout the policy's existence.

"As IADR strives to improve oral health worldwide and eliminate oral health disparities, it's encouraging to know that the Smiling Brazil initiative has been successful and is helping Brazilians have access to oral health care," said IADR Past President Maria Fidela de Lima Navarro. "I hope that Smiling Brazil can serve as an example to other nations that are researching methods to eliminate healthcare disparities and provide all its citizens with access to health care."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by International & American Associations for Dental Research. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
G. A. Pucca, M. Gabriel, M. E. de Araujo, F. C. S. de Almeida. Ten Years of a National Oral Health Policy in Brazil: Innovation, Boldness, and Numerous Challenges. Journal of Dental Research, 2015; DOI:10.1177/0022034515599979

Cite This Page:
International & American Associations for Dental Research. "Brazil's national oral health policy: An example for other nations." ScienceDaily. ScienceDaily, 27 August 2015. <www.sciencedaily.com/releases/2015/08/150827154505.htm>.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Entrevista: Prospectar para planejar

Bel Levy | Projeto Saúde Amanhã 


Quais os investimentos necessários para atender as novas demandas de saúde da população brasileira? Para a pesquisadora Isabela Soares Santos, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), a prospecção estratégica do futuro é o caminho para responder a esta pergunta. Isabela integra o grupo de pesquisa da rede Brasil Saúde Amanhã que estuda as articulações entre os setores público e privado da Saúde, suas perspectivas atuais e implicações futuras. Junto a Luisa Regina Pessôa, Juliana Pires Machado, Ana Cristina Marques Martins e Claudia Risso de Araújo Lima, nesta segunda fase do projeto Isabela dedicou-se ao mapeamento da capacidade instalada da Saúde no Brasil e dos desafios e oportunidades que o cenário atual propõe para o futuro, no horizonte dos próximos 20 anos. Os resultados deste estudo serão publicados no capítulo “Os Recursos Físicos de Saúde No Brasil: Um Olhar Para o Futuro”, que integrará o volume “Brasil Saúde Amanhã: Organização dos Cuidados em Saúde”, a ser lançado no segundo semestre de 2015.

Confira abaixo a entrevista concedida pela pesquisadora ao Saúde Amanhã.

Por que realizar estudos de prospecção estratégica do futuro e quais as contribuições trazidas pelo projeto Brasil Saúde Amanhã?

Isabela Santos: Integrar áreas estratégicas da Saúde é um grande investimento de pesquisa e de serviço para a saúde pública brasileira. Quando trabalhamos em rede a pesquisa deixa de ser competitiva e passa a ser colaborativa. E isso é essencial para o avanço do conhecimento. Por isso, este esforço promovido pelo projeto Brasil Saúde Amanhã é tão relevante: por articular pesquisadores de diferentes especialidades, instituições e perspectivas. Esse diálogo é fundamental para a geração de conhecimentos de forma inovadora.

Na primeira fase do projeto, que resultou na publicação do livro “A Saúde no Brasil em 2030: Diretrizes para a Prospecção Estratégica do Sistema de Saúde Brasileiro”, investigamos o mix público-privado que caracteriza o sistema de saúde brasileiro, a partir de um olhar prospectivo sobre o futuro do país. Inicialmente, elaboramos um diagnóstico da relação público-privada na Saúde e traçamos algumas tendências futuras para inferir um prognóstico para rede de serviços de saúde. Focamos o olhar na estrutura do sistema de saúde, considerando as características do setor público, do setor privado e suas interações. Agora, nesta segunda fase da iniciativa, abordamos especificamente os recursos físicos da Saúde.

Quais as metodologias utilizadas em estudos sobre o futuro?

Isabela Santos: Para realizar a prospecção estratégica de futuro é preciso ter uma base de dados consistente sobre o presente. Em estudos sobre a população e suas tendências demográficas e epidemiológicas, por exemplo, precisamos utilizar dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos diversos sistemas de informação da Saúde. Para abordar as perspectivas futuras nos campos do financiamento de Saúde ou da organização do sistema, por sua vez, precisamos realizar também análises políticas e conjecturais que, tradicionalmente, nem sempre integram os estudos de Saúde. Então este é um desafio a mais, que vem gerando novas soluções metodológicas e conhecimentos. Certamente avançamos muito desde o lançamento da primeiro volume da iniciativa.

Em nosso estudo, o objetivo principal foi mapear a atual capacidade instalada da Saúde no Brasil para então identificar e analisar quais os investimentos necessários para atender as novas demandas da população brasileira e as consequentes mudanças que ocorrerão na oferta de serviços de saúde nos próximos 20 anos. Neste processo, utilizamos os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) para analisar a oferta de saúde no Brasil. No entanto, o sistema disponibiliza uma curta série histórica, de apenas dez anos, que não seria suficiente para inferirmos tendências futuras para as próximas duas décadas.

Então, como não seria possível realizar um prognóstico utilizando apenas os dados do CNES sobre a oferta do sistema de saúde, nos apoiamos nos cenários e tendências sociais, demográficas e epidemiológicas prospectados por outros grupos de pesquisa da rede Brasil Saúde Amanhã. E, assim, integramos as diferentes perspectivas desta rede de pesquisa, desde os estudos sobre demografia, fluxos migratórios e tendências epidemiológicas até as dinâmicas políticas e econômicas que impactam o setor Saúde, tanto no âmbito público quanto no privado.

Como você avalia o atual modelo de interação entre os setores público e privado na Saúde e quais as tendências para o futuro?

Isabela Santos: Há três tipos básicos de sistemas de saúde. O sistema nacional de saúde, como o de Portugal ou o Sistema Único de Saúde (SUS), é financiado por tributos, com acesso livre, universal e equânime para toda a população e uma rede ampla de serviços. O sistema privado puro tem a sua expressão mais clara nos Estados Unidos, onde não há financiamento por meio de tributos. Os pagamentos são feitos diretamente pelo cliente, o que chamamos de “particular” no Brasil, ou via operadoras de planos de saúde. Além disso, o sistema de saúde não é integral e sim fragmentado em diversos serviços e especialidades que devem ser contratados separadamente. Neste caso, os serviços de saúde não estão disponíveis a toda a população do país, somente às pessoas que efetivamente podem pagar por eles.

Há, ainda, o modelo de Seguridade Social, ou Social Health Insurance, adotado por países como França e Alemanha – e pelo Brasil no início do século passado. As empresas montam caixas destinados especificamente à assistência à saúde de seus funcionários, que então se tornam dependentes da empresa para ter acesso ao sistema de saúde. Este é um modelo misto de sistema de saúde, gerenciado de forma compartilhada pelo Estado e pelas empresas que o financiam e utilizam.

Na última década diversos países têm investido em estudos que buscam investigar a composição dos sistemas de saúde e os efeitos das diferentes formas de articulação entre os setores público e privado da Saúde. E os resultados indicam que misturar o sistema nacional de saúde com a atuação de planos privados de saúde é a pior combinação possível. Sobretudo se o Estado não assumir um papel regulador forte, a tendência é o desenvolvimento do setor privado em detrimento do público. É isto que parece estar acontecendo hoje no Brasil.

Que medidas podem ser tomadas no presente para amenizar esses impactos negativos e fortalecer o sistema público de saúde?

Isabela Santos: Estudos internacionais apontam muito seguramente que quando o Estado não assume um papel de regulador da interação entre as esferas pública e privada o impacto tende a ser negativo para o setor público. Então o Estado brasileiro precisa assumir esta conduta se quiser manter um setor público forte para a Saúde.

Neste sentido, o primeiro passo é mapear as demandas de saúde para identificar e programar a oferta de serviços de forma inteligente e direcionada às necessidades da população. Em nosso estudo buscamos investigar onde estão e o que fazem os prestadores públicos e privados de saúde no Brasil. Precisamos saber, para hoje e para os próximos 20 anos, quais são os serviços necessários, que segmentos da população os demandam, para onde esta oferta deve ser direcionada, de que forma e com que intensidade, em curto, médio e longo prazo.

Do ponto de vista da demografia, esperamos primeiro o envelhecimento e depois a redução da população. Então, precisamos antecipar quais serão as necessidades desta nova população idosa e quais os seus impactos para o sistema de saúde. Da mesma forma, os fluxos migratórios impactam a forma de organização dos serviços de saúde, pois precisamos programar que tipo de serviços e que níveis de complexidade estarão disponíveis em que territórios, para que grupos populacionais. Em suma, é preciso reorganizar a oferta de serviços.


Data: 26.06.2015
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Medicina de contrastes: mesa debate renúncia fiscal, formação dos médicos e desigualdades

Publicada em 26/06/2015

Um homem de quase quarenta anos chega a um hospital com uma dor atípica no tórax. Os primeiros exames descartam a possibilidade de infarto. Ainda assim, orientado pelos médicos, embarca num helicóptero-ambulância de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, para que sejam feitos novos exames. No mesmo dia, uma mulher com infarto do miocárdio da parede inferior, com 12 horas de evolução, encontra-se no corredor de um hospital público, onde recebe os primeiros cuidados. As duas situações foram narradas pelo clínico Luíz Vianna Sobrinho na abertura da segunda mesa-redonda sobre a ética na medicina, realizada na ENSP na sexta-feira, 19 de junho. A diferença fundamental entre os dois personagens, muitos já devem suspeitar, é que o primeiro é um empresário. A segunda, funcionária de uma igreja. O contraste, construído com casos reais, foi o pontapé inicial do debate intitulado A estruturação da ciência e do consumo na medicina - as 'escolhas de Sofias' do público ao privado, do qual participaram, também, a médica e doutora em saúde coletiva Maria de Fátima Andreazzi e Carlos Ocké-Reis, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA.
- Toda atenção foi dada a esse homem, porque por ser empresário, ele é dono de uma grande carteira de clientes de uma seguradora de saúde, explicou Vianna, logo depois de expor as duas situações. 

São exemplos como esse que o levaram a escrever o livro “Medicina financeira: a ética estilhaçada”, em que fala, a partir de sua experiência profissional, do surgimento de uma ética médica, hoje, voltada para as metas financeiras em detrimento dos pacientes. 

- O que eu proponho, é discutirmos essa situação em que se tem o hospital gerido como uma unidade financeira, a profusão de exames de alta tecnologia e a produção desses contrastes, que me causam espanto.

Ao entrar no debate, Maria de Fátima Andreazzi foi direto ao que julga ser um ponto central na discussão:

- Há uma subsunção dos aspectos importantes da vida aos interesses do grande capital e a contradição entre a medicina do servir e a medicina que se serve. É preciso dizer que, mesmo no passado, os pacientes mais pobres sempre foram utilizados na curva de aprendizagem dos médicos. Essa visão idílica da medicina de antigamente nasce do fato de que antes, por não haver um grande aparato de diagnóstico, era necessário que se criasse essa relação mais próxima entre médico e paciente. Mas a partir dos anos 90, a lógica do aspecto financeiro da acumulação de capital se exacerba e há um resgate da posição de classe dos médicos como pequenos-burqgueses, artesãos, vendedores de serviços. 

Essa mudança na visão e modo de agir dos médicos se revela ainda em outros aspectos da sociedade, segundo Fátima Andreazzi.

- Houve um tempo, até os anos 80, em que boa parte dos médicos se avalizava por meio das grandes instituições estatais em que trabalhavam. Hoje, com as instituições privadas, isso se dá de uma forma diferente. 

A professsora lembrou ainda de exemplos históricos que mostram como a medicina pode seguir outros caminhos quando não determinada pela lógica da acumulação de capital.

- Na URSS, se usava yoga para tratar hipertensão arterial. Os partos humanizados, tão em voga hoje, surgiram lá. Na medida em que não se tem interesses comerciais envolvidos, pode haver essa busca. Um outro exemplo que posso dar é a artemisinina, desenvolvida na China, durante a Revolução Cultural. O medicamento, considerado o melhor tratamento contra a malária, foi produzido num processo colaborativo, a ponto de se ter dificuldade de se saber quem foi a principal responsável por seu desenvolvimento. Depois de décadas, descobriu-se que foi uma mulher, que hoje é pobre e vive numa casa sem calefação. A patente do remédio foi doado pela China à OMS. 

Auxílio indefensável

O pesquisador do IPEA, Carlos Ocké-Reis, segundo a falar na mesa-redonda, expôs as contradições e problemas que enxerga no atual modelo da gestão da saúde no Brasil, principalmente no que se refere aos incentivos governamentais dados às operadoras de plano de saúde, por meio da renúncia fiscal. 

- É indefensável, sob qualquer ângulo, que o estado subsidie operadoras de plano de saúde.

Para Carlos, o dinheiro que pessoas físicas ou jurídicas abatem de seus impostos, por conta dos planos de saúde, representam um montante que poderia fazer diferença se aplicado no sistema público de saúde. 

- Existe uma relação estrutural entre o estado e o mercado de saúde. Como é um setor politicamente relevante, o estado o subsidia. Além do dinheiro da renúncia fiscal não ser utilizado na melhoria do sistema público, os planos privados sequer desafogam o setor, já que parte de sua clientela continua usando serviços como vacinação, urgência e emergência, hemodiálise, procedimentos alto custo e de complexidade tecnológica, etc.

Na manutenção desse modelo, que acaba por reduzir a capacidade do sistema fiscal de promover a equidade da renda, está a estrutura política, sobretudo a do financiamento de campanhas.

- Eu classifico como um grave erro dos governos petistas a captura das agências reguladoras por pessoas envolvidas diretamente com as operadoras de planos de saúde. Isso nasce desse modelo do financiamento privado de campanhas. 

Da superação do modelo

Da lógica da acumulação, passando pela formação e status social dos médicos, aos desacertos fiscais, são muitos os caminhos que se percorre quando se pretende oferecer uma visão crítica da medicina que se pratica, hoje, sob o julgo dos cifrões. Como lembrou Luíz Vianna Sobrinho ainda na primeira das três mesas redondas que discutiram os problemas levantados por seu livro, não é o alívio do sofrimento humano mas as metas financeiras que parecem ditar as regras nesse modelo que avança para se tornar hegemônico. 

Para Fátima Andreazzi, é preciso dimensionar a luta contra essa avanço e resgatar ideias e ações dos grandes sanitaristas.

- Nós tivemos a oportunidade de subir no ombro de gigantes, como Ézio Cordeiro e Sérgio Arouca. Agora, precisamos saber o que fazer para superar esse modelo. Isso só ocorrerá num contexto de mudanças mais gerais. 

Para não embarcar, ainda que alegoricamete, na lógica que retira do paciente seu papel principal de foco das ações e preocupações das práticas de saúde, esta reportagem termina relembrando os dois casos narrados lá em cima, no primeiro parágrafo. Tanto o empresário mineiro quanto a funcionária de igreja carioca tiveram alta e passam bem. Ele, embarcou num helicóptero, de volta a seu estado, depois de algumas horas sendo examinado, no Rio. Ela, recuperada do princípio de infarto que sofrera, ainda que tendo passado horas numa maca no corredor de um hospital, ainda agradeceu a atenção e cuidados que recebeu daqueles que trataram dela, antes de voltar para casa.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Teachers' health: Healthy heart, stressed psyche

Date: June 5, 2015

Source: Deutsches Aerzteblatt International

Summary:
As a result of their work, teachers suffer psychosomatic disorders such as exhaustion, fatigue, and headaches more frequently than other occupational groups, claims a new report.

As a result of their work, teachers suffer psychosomatic disorders such as exhaustion, fatigue, and headaches more frequently than other occupational groups. This has been shown by Klaus Scheuch et al. in a recent review article inDeutsches Ärzteblatt International, in which they analyze the health of teachers and the frequency of their illnesses.

In the study, teachers had healthier cardiovascular systems than the general population: they were more physically active (approximately 75% of teachers versus 66% of the general population), less likely to be obese (approximately 13% of teachers versus 23% of the general population), and less likely to smoke (approximately 14% of teachers versus 30% of the general population). In contrast, psychosomatic complaints were more common among teachers: they were more likely to suffer sleep disorders, forgetfulness, pain, and irritability, for example. This is also reflected in morbidity figures: teachers more frequently obtain certification as being ill or unfit for work as a result of psychological health problems than the general population. The authors emphasize that workplace health care professionals who care for teachers should include not only treating physicians but also psychologists, psychiatrists, and specialists in psychosomatic medicine.

Story Source:

The above story is based on materials provided by Deutsches Aerzteblatt International. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Scheuch K, Haufe E, Seibt R. Teachers’ health. Dtsch Arztebl Int, June 2015 DOI: 10.3238/arztebl.2015.0347

Cite This Page:
Deutsches Aerzteblatt International. "Teachers' health: Healthy heart, stressed psyche." ScienceDaily. ScienceDaily, 5 June 2015. <www.sciencedaily.com/releases/2015/06/150605102844.htm>.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Brincadeira reduz impacto do câncer em crianças

Por Da Redação - agenusp@usp.br
Publicado em 12/setembro/2014

Marcela Baggini, do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus USP de Ribeirão Preto
imprensa.rp@usp.br
Nas brincadeiras, as crianças compreendem melhor seu estado de saúde

Na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, o faz de conta deixa de ser uma brincadeira e se torna um aliado no tratamento contra o câncer infantil. Os benefícios da prática foram comprovados pela pesquisa da terapeuta ocupacional Nathália Rodrigues Garcia-Schinzari.

Orientada pela professora Luzia Iara Pfeifer, o estudo contou com 15 crianças com idade entre 4 e 7 anos, diagnosticadas com câncer, que eram atendidas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP e, algumas, pelo Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Ribeirão Preto (GACC – Ribeirão Preto).

Segundo a pesquisadora, brincar de faz de conta auxilia no desenvolvimento cognitivo, no uso da linguagem, além de beneficiar aspectos sociais e emocionais. “É fundamental que as crianças doentes consigam expressar seus sentimentos, medos, dúvidas e sua capacidade de enfrentar os problemas e as dificuldades da vida e por meio do brincar de faz de conta isso se torna possível”, afirma a terapeuta ocupacional.

Numa brincadeira de faz de conta, diz a pesquisadora, as questões abordadas pelas crianças com câncer são diferentes daquelas abordadas pelas crianças saudáveis. “Elas falavam sobre os efeitos da quimioterapia, afastamento da escola, morte e momentos saudáveis em família”.

Para Nathália, a brincadeira faz com que as crianças compreendam melhor seu estado de saúde, bem como o tratamento que vão enfrentar. “Geralmente, a criança com câncer fica assustada com as mudanças repentinas em sua vida, entre elas a queda do cabelo”.

O estímulo à brincadeira, diz a pesquisadora, também pode ser uma forma de aproximação entre o paciente e profissional da saúde. “Quando estimulamos o brincar de faz de conta de uma criança, estamos fortalecendo sua criatividade, expressividade e capacidade de enfrentar os problemas e as dificuldades da vida”, diz a pesquisadora.

O estímulo ao brincar de faz de conta e a qualquer atividade lúdica é comum em hospitais no Brasil e no mundo e, geralmente, é utilizado pela equipe de Terapia Ocupacional, Psicologia e Enfermagem. Inclusive, diz Nathália, há artigos publicados nacionais e internacionais sobre a importância do brincar junto à criança hospitalizada.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens


Mais informações: (11) 96519-4637 nati.garcia@ig.com.br
Link:

‘Encontro com pacientes humaniza o pesquisador’, diz oncologista

Grupo que estuda o câncer de cabeça e pescoço promove reuniões com voluntários que doaram amostras de tecido para explicar objetivos das pesquisas em andamento (foto: Gencapo)

12/09/2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Com o objetivo de conhecer e prestar contas a parte dos voluntários que contribuíram para pesquisas realizadas desde 2002, o grupo autodenominado Gencapo (Genoma do Câncer de Cabeça e Pescoço) – consórcio que reúne pesquisadores de diversas instituições – promoveu em 2013 o 1º Encontro com a Ciência. A experiência foi relatada em um artigo publicado este mês na revista The British Medical Journal (BMJ).

“Nosso objetivo era explicar o que tem sido feito com as amostras de sangue e de tumores doados pelos pacientes, bem como falar sobre as expectativas e as limitações das pesquisas em andamento”, contou Eloiza Helena Tajara, professora da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e coordenadora do Projeto Temático FAPESP que financia os trabalhos do grupo.

O Gencapo é composto por 50 pesquisadores e mais de 30 estudantes. Tem como objetivo realizar análises clínicas, genéticas e epidemiológicas em carcinomas de cabeça e pescoço, em busca de marcadores que ajudem no diagnóstico precoce e no tratamento da doença. Os cientistas também atuam na prevenção.

Cerca de 30 integrantes do grupo estiveram presentes no encontro, realizado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Também compareceram 40 dos 3 mil pacientes que já contribuíram para as pesquisas do grupo. Segundo Tajara, foram convidados apenas aqueles que já haviam sido tratados e estavam sem sinais de recaída.

“Selecionamos um grupo pequeno porque era uma experiência piloto e havia a limitação do auditório, que comporta apenas 90 pessoas. Sabíamos que muitos viriam acompanhados de familiares”, explicou a pesquisadora.

Durante o evento, os cientistas transmitiram informações sobre o câncer de cabeça e pescoço. Também falaram sobre as pesquisas que vêm sendo realizadas com auxílio das amostras doadas e responderam às dúvidas dos pacientes.

Além de Luisa Lina Villa (Faculdade de Medicina da USP e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e do oncologista Marcos Brasilino de Carvalho (Hospital Heliópolis), também autores do artigo da BMJ, participaram da apresentação os pesquisadores do Gencapo Fabio Nunes, Patricia Severino, Raquel Moysés, Rossana López, Tatiana Toporkov e Victor Wünsch Filho.

“Estamos sempre prestando contas às agências de fomento. Mas também devemos ter a preocupação de prestar contas ao paciente que responde aos longos questionários de pesquisa, doa sangue e amostras de tumor”, comentou Carvalho, idealizador do encontro.

Para o oncologista, além de desmistificar a pesquisa científica para os pacientes, esse tipo de experiência contribui para a humanização dos pesquisadores. Essa também é a avaliação de Tajara. “Muitos de nós, no dia a dia do laboratório, nos esquecemos de que por trás daquele fragmento de tecido existe uma pessoa que sofreu ou que está sofrendo com o câncer”, disse a pesquisadora.

De acordo com Tajara, parte dos jovens cientistas ainda não havia tido contato direto com os pacientes afetados pelo câncer de cabeça e pescoço, doença que pode comprometer a fala e desfigurar a face.

“Acredito que todos os grupos de pesquisa que trabalham com amostras biológicas deveriam promover encontros com os voluntários. Esse tipo de experiência ajuda a manter os pesquisadores motivados, mas principalmente diminui a distância entre o paciente e o pesquisador”, avaliou Tajara.

Para a sua realização, disse Tajara, o evento contou com a ajuda de todos os membros da equipe do Gencapo, especialmente seus bolsistas, e a colaboração de José Eluf Neto, Roger Chammas e da enfermeira Maria Luiza Baggio.

O artigo Research interests: behind the biological sample (doi:10.1136/bmj.g5231) pode ser lido emwww.bmj.com/content/349/bmj.g5231

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Medicina de família reduz em torno de 80% os problemas de saúde

21/08/2014
Rio de Janeiro
Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

O acompanhamento de perto dos pacientes, nos consultórios das clínicas médicas ou mesmo em casa, pode reduzir em 80% os problemas de saúde da população. A chamada medicina de família visa a detectar precocemente e tratar as doenças logo em sua fase inicial, evitando que se agravem com o tempo, o que significa mais custos para o sistema e sofrimentos para as pessoas.

O assunto está sendo debatido por médicos e profissionais de saúde reunidos no 4º Congresso da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro (Amfac-RJ), que prossegue até o próximo sábado (23).

“Não é mais aquela história do postinho, que faz uma medicina de pobre para pobre, e sim médicos com grande qualidade, que conseguem fazer um trabalho bom e gratificante junto às pessoas, com respeito. Essa especialidade da medicina de família, que temos hoje, é uma retomada dos médicos que iam às casas das pessoas, mas com arcabouço teórico e conceitual; com técnicas específicas, que permitem um trabalho com muito mais qualidade. Cerca de 80% dos problemas de saúde que atingem a população podem ser resolvidos na atenção primária”, disse Rodrigo Pacheco, conhecido como Maranhão, diretor da Amfac-RJ e médico de família na Rocinha, zona sul do Rio, com cerca de 70 mil habitantes.

O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, confirmou os dados apresentados pelo diretor da Amfac-RJ e disse que a meta é chegar a 2016 com pelo menos 70% das famílias incluídas no sistema. “Com profissionais qualificados e unidades estruturadas é possível resolver de 80% a 85% dos problemas do dia a dia. Na maioria das vezes, quando ficamos doente, não precisamos de um hospital ou um centro cirúrgico, mas um bom cuidado e acompanhamento, numa unidade de atenção primária”, disse Soranz.

Segundo ele, o programa de saúde da família é uma prioridade no Rio de Janeiro. “Em 2009 tínhamos 3% de cobertura – a menor do país. Hoje já temos 45% de cobertura, e a nossa meta é chegarmos a 70% em 2016. Esperamos avançar ainda mais nos próximos anos. É um desafio grande, mas é factível, pois este é o caminho para a cidade do Rio. Se a gente não tiver uma atenção primária organizada, como há em outros países, vai ser difícil termos um sistema de saúde mais equânime”, disse Soranz, que assumiu a secretaria recentemente.

Segundo ele, são 900 equipes de família no município do Rio, e a meta é chegar a 1.300 equipes. “Tem uma quantidade grande de médicos que precisam ser formados. A cidade tem hoje o maior número de residentes de medicina da família do país, com 100 vagas para o primeiro ano e mais 100 para o segundo ano. Isso é fundamental para formarmos recursos humanos para ocupar as vagas das novas unidades que serão inauguradas”, destacou.

Para o diretor da Amfac-RJ, a experiência do Programa Mais Médicos, que trouxe para o país milhares de profissionais, principalmente cubanos, vai na linha da medicina de família, e demonstrou ser bem sucedida. “Temos 14 mil médicos novos no país, e eu não conheço nenhum médico desempregado por causa disso. O país conseguiu absorver toda essa mão de obra. Nós tínhamos uma necessidade de médicos inegável. Existiam postos de trabalho que não eram ocupados”, disse Maranhão.

Informações sobre a programação do congresso e outros dados sobre medicina de família podem ser acessados no endereço eletrônico www.amfacrj.org.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Trees save lives, reduce respiratory problems

Date: July 25, 2014

Source: USDA Forest Service - Northern Research Station

Summary:
In the first broad-scale estimate of air pollution removal by trees nationwide, scientists have calculated that trees are saving more than 850 human lives a year and preventing 670,000 incidences of acute respiratory symptoms. The study considered four pollutants for which the U.S. EPA has established air quality standards: nitrogen dioxide, ozone, sulfur dioxide, and particulate matter less than 2.5 microns (PM2.5) in aerodynamic diameter.

In the first broad-scale estimate of air pollution removal by trees nationwide, U.S. Forest Service scientists and collaborators calculated that trees are saving more than 850 human lives a year and preventing 670,000 incidents of acute respiratory symptoms.

While trees' pollution removal equated to an average air quality improvement of less than 1 percent, the impacts of that improvement are substantial. Researchers valued the human health effects of the reduced air pollution at nearly $7 billion every year in a study published recently in the journalEnvironmental Pollution.

The study by Dave Nowak and Eric Greenfield of the U.S. Forest Service's Northern Research Station and Satoshi Hirabayashi and Allison Bodine of the Davey Institute is unique in that it directly links the removal of air pollution with improved human health effects and associated health values. The scientists found that pollution removal is substantially higher in rural areas than urban areas, however the effects on human health are substantially greater in urban areas than rural areas.

"With more than 80 percent of Americans living in urban area, this research underscores how truly essential urban forests are to people across the nation," said Michael T. Rains, Director of the Forest Service's Northern Research Station and the Forest Products Laboratory. "Information and tools developed by Forest Service research are contributing to communities valuing and managing the 138 million acres of trees and forests that grace the nation's cities, towns and communities."

The study considered four pollutants for which the U.S. EPA has established air quality standards: nitrogen dioxide, ozone, sulfur dioxide, and particulate matter less than 2.5 microns (PM2.5) in aerodynamic diameter. Health effects related to air pollution include impacts on pulmonary, cardiac, vascular, and neurological systems. In the United States, approximately 130,000 PM2.5-related deaths and 4,700 ozone-related deaths in 2005 were attributed to air pollution.

Trees' benefits vary with tree cover across the nation. Tree cover in the United States is estimated at 34.2 percent but varies from 2.6 percent in North Dakota to 88.9 percent in New Hampshire.

"In terms of impacts on human health, trees in urban areas are substantially more important than rural trees due to their proximity to people," Nowak said. "We found that in general, the greater the tree cover, the greater the pollution removal, and the greater the removal and population density, the greater the value of human health benefits."

"Tree and Forest Effects on Air Quality and Human Health in the United States," is available online at: http://www.nrs.fs.fed.us/pubs/46102

Story Source:

The above story is based on materials provided by USDA Forest Service - Northern Research Station. Note: Materials may be edited for content and length.

Cite This Page:

USDA Forest Service - Northern Research Station. "Trees save lives, reduce respiratory problems." ScienceDaily. ScienceDaily, 25 July 2014. <www.sciencedaily.com/releases/2014/07/140725163557.htm>.

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