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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Agricultura deve ser mais sustentável para combater fome e mudanças climáticas, diz FAO

Em evento em Brasília com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) pediu adaptação da produção e do consumo de alimentos, diminuição do desperdício e melhorias na gestão dos solos e recursos naturais.
Foto: Agência Brasília / Dênio Simões

Em evento na semana passada (18) em Brasília para comemorar o Dia Mundial da Alimentação — celebrado em 16 de outubro —, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) pediu adaptações das práticas produtivas da agricultura para garantir a segurança alimentar da população num futuro marcado pela ameaça das mudanças climáticas.

O representante nacional da agência da ONU, Alan Bojanic, alertou que são as pessoas mais pobres do mundo, entre elas, muitos agricultores e pescadores, as mais afetadas pela elevação das temperaturas e pelo aumento da frequência de desastres naturais ligados às transformações do clima.

“Por isso, precisamos mudar nossas posturas atuais, o que inclui novas formas de praticar a agricultura, alterar os padrões de consumo, diminuir o desperdício e as perdas de alimentos. Cabe a nós implementar a gestão sustentável dos recursos naturais, melhorar a gestão e fertilidade dos solos, melhorar a captação de CO? em florestas, entre outros”, afirmou o especialista.

Realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, o encontro contou com a participação do chefe da pasta, Osmar Terra, que ressaltou que a segurança alimentar não deve sair da pauta dos governos.

“Todos esses compromissos de fortalecer a segurança alimentar já estão no novo Plano de Segurança Alimentar e Nutricional para o período 2016/2019”, afirmou.

Também presente, o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, Raimundo Deusdará Filho, destacou a necessidade de promover uma gestão adequada dos recursos naturais.

“Floresta em algum momento é plantar e colher. Isso tem todo um simbolismo e relevância quando se fala em mudanças climáticas. Somos solidários com esse dia e reafirmamos o compromisso com a FAO, com a qual realizamos vários projetos em conjunto, desenvolvendo estratégias para o uso sustentável da floresta”, disse.

Todos os alimentos oferecidos aos convidados durante a comemoração eram da agricultura familiar e os lanches valorizaram os produtos típicos do cerrado.

O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Maurício Lopes, lembrou do Programa ABC Agricultura de Baixo Carbono, uma das maiores iniciativas do planeta, segundo ele, voltadas para a promoção da sustentabilidade na agricultura.

O representante do organismo iniciativa também chamou atenção para o Sistema Integração, Lavoura e Pecuária — estratégia que une aumento da produtividade com conservação de recursos naturais em áreas já desmatadas que passam por uma intensificação de seus usos.
Mulheres no campo

O evento também celebrou o Dia Internacional das Mulheres Rurais e contou com a participação da oficial da ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino, que lembrou que o público feminino representa quase metade da força de trabalho agrícola no mundo.

“A segurança alimentar passa necessariamente pelas mulheres rurais e todos os países devem fortalecer e criar políticas de apoio ao trabalho dessas agricultoras”, enfatizou.

in EcoDebate, 28/10/2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pesquisador da Ensp/Fiocruz, analisa as perspectivas futuras e o sistema de saúde a partir do conceito de ‘injustiça ambiental’

Do Saúde Amanhã / Fiocruz

“Precisamos desnaturalizar o tema dos desastres ambientais e reconhecer a determinação social desses eventos”, alerta Marcelo Firpo Porto, pesquisador do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Nesta entrevista para o Saúde Amanhã, ele analisa as perspectivas futuras para o Brasil e o sistema de saúde a partir do conceito de “injustiça ambiental”, decorrente das profundas desigualdades sociais do país. “Apenas com o fortalecimento da democracia e a adoção de um modelo de desenvolvimento focado na justiça socioambiental e em uma outra economia, mais solidária e sustentável, será possível superar a atual situação. Caso contrário, a injustiça ambiental se deflagará de forma sistêmica no país”, defende.

Saúde Amanhã: Como o conceito de “injustiça ambiental” está relacionado à saúde e à qualidade de vida?

Marcelo Porto: O termo “injustiça ambiental” se relaciona com qualidade de vida e condições de trabalho ao se referir a uma distribuição desigual dos riscos e cargas ambientais decorrentes do processo de desenvolvimento de uma sociedade. Essa desigualdade é socioambiental e tem implicações nas iniquidades em saúde. O modelo brasileiro de desenvolvimento, baseado na venda de commodities, seja pelo agronegócio ou pela mineração, leva a uma distribuição desigual dos riscos decorrentes destes investimentos. O mesmo vale para projetos como Copa do Mundo ou Olimpíadas, em que comunidades e populações vulneráveis recebem mais intensamente as cargas dos riscos que outros grupos sociais. Os recentes conflitos ambientais na América Latina e, especificamente, no Brasil revelam que empreendimentos como esses afetam comunidades camponesas, indígenas, quilombolas e populações de baixa renda, que vivem nas periferias das grandes cidades. Essas pessoas acabam apresentando mais problemas de saúde e, assim, os riscos ambientais tornam-se um agravante à baixa qualidade de vida.

Há, ainda, um outro lado extremamente importante do ponto de vista da saúde, embora essa relação seja menos direta: o elo entre a identidade grupal, social e comunitária dessas populações e o território. Existe uma cosmovisão que tem a ver com o ecossistema. Há um conjunto de rituais e uma espiritualidade que são completamente destruídos quando determinados empreendimentos chegam. A recente tragédia em Mariana, Minas Gerais, quando houve a destruição do Rio Doce, é um exemplo. De alguma maneira, representou a destruição da cosmovisão do povo indígena Krenak. Como consequência houve a perda de identidade, decorrente do processo que chamamos de desterritorialização. Infelizmente, é bem comum que investidores internacionais ou transnacionais, articulados ao Governo Federal ou a políticas públicas estaduais, interfiram nos territórios sem que as populações que historicamente vivem ali participem das decisões ou ao menos sejam consultadas. Assim, as comunidades acabam recebendo somente o lado negativo desses investimentos.

Saúde Amanhã: O senhor defende que desastres ambientais não são naturais e sim consequência de determinados contextos histórico-sociais.

Marcelo Porto: Já se reconhece, há muito tempo, que as mudanças climáticas e os eventos extremos são agravados pelo uso intensivo de combustíveis fósseis, pelos desmatamentos e pela elevada emissão de gás carbônico. Ou seja: têm uma origem social, humana, relacionada ao modelo de sociedade. Não são eventos “naturais” – este é um nome estranho. Ao mesmo tempo, há uma ocupação de territórios orientada por questões de renda. As pessoas frequentemente vão morar em áreas de risco porque não existem políticas públicas que deem a elas outra opção – e essa ocupação acaba se consolidando. Nas chuvas que devastaram a Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, a principal tragédia foi o desvio de recursos que foram liberados, mas nunca chegaram às pessoas que perderam tudo.

Os desastres tecnológicos, por sua vez, também são tidos como naturais, como aconteceu em Mariana. O conjunto de empresas que trabalha na mineração passa a explorar um território mais amplo e uma quantidade maior de minério de ferro e, em vez de fazer a reciclagem adequada dos resíduos, simplesmente os estoca nas colinas, em barragens. Isso é um absurdo, porque já existem alternativas viáveis. Com o passar do tempo e com a crise econômica, os critérios de aferição, monitoramento e gestão de risco se degradam e tragédias se tornam uma questão de tempo. Nada disso é “natural”. Precisamos desnaturalizar o tema dos desastres ambientais e reconhecer a determinação social desses eventos.

Saúde Amanhã: Nesse contexto, quais as perspectivas para o Brasil nas próximas décadas?

Marcelo Porto: Não há boas perspectivas. Serão momentos de muita luta, de resistência e, ao mesmo tempo, de muita dificuldade, sobretudo se as forças políticas conservadoras continuarem aumentando sua influência no Congresso Nacional e na sociedade. O atual modelo de desenvolvimento do país é, por si só, uma ameaça. Commodities estão sujeitas à flutuação de preços e, quando seu valor cai abruptamente, investimentos em segurança, gestão ambiental e proteção dos trabalhadores são os primeiros a serem cortados. Essa dinâmica ficou evidente durante as investigações da tragédia-crime em Mariana. Apenas com o fortalecimento da democracia e a adoção de um modelo de desenvolvimento focado na justiça socioambiental e em uma outra economia, mais solidária e sustentável, será possível superar a atual situação. Caso contrário, a injustiça ambiental se deflagará de forma sistêmica no país.

Outra ameaça é a tendência global à flexibilização da legislação ambiental e ao aumento da autorregulação pelas próprias empresas. Uma das frentes de retrocesso que ocorrem neste momento em nosso país é a PEC 65/2012, em tramitação no Senado, que extingue o licenciamento ambiental para obras públicas. A medida é absurda, mas não é a única. Apenas um mês após a tragédia em Mariana, mesmo com toda a repercussão global do caso, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou um projeto de lei no mesmo sentido. Há, ainda, a PEC 3.200/2015, que tramita na Câmara dos Deputados e, se aprovada, extinguirá toda a legislação de controle de agrotóxicos – substituindo o termo pelo conceito de “defensivo fitossanitário”. Na prática, serão alteradas as responsabilidades de liberação do uso dessas substâncias – o que terá efeitos diretos sobre a saúde da população brasileira.

Saúde Amanhã: O que pode ser feito no presente para que, no horizonte dos próximos 20 anos, o Brasil possa ser um país mais justo, do ponto de vista ambiental?

Marcelo Porto: Embora o cenário seja negativo, existem iniciativas boas acontecendo. Na Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), temos trabalhado a questão territorial com outras organizações sociais, construindo juntos encontros para pensarmos grandes temas que contemplem, em especial, os agricultores familiares. Avançamos muito nessa abordagem e, entre outras ferramentas, temos adotado as caravanas territoriais: incursões que reúnem instituições, governos e militantes, acadêmicos ou não, para conhecer os territórios. Investigamos desde os conflitos, estratégias de resistência e denúncias de violações de direitos até a agenda positiva de transformações que já estão em andamento nesses locais: tradições agroecológicas, agricultura sem uso de veneno, economia solidária e experiências de feiras que são muito mais que uma forma de reduzir a força dos atravessadores e aumentar a renda das famílias, mas são também eventos políticos. Nosso desafio, agora, é levar essas discussões para o meio urbano.

in EcoDebate, 11/07/2016

sábado, 25 de junho de 2016

Grupo de cientistas propõe medidas para equilíbrio alimentar e energético

Relatório divulgado esta semana conclui que a terra disponível no planeta não é fator limitante para produção de bioenergia e alimentos e reforça recomendações científicas para uma economia de base biológica

Relatório Reconciling Food Security and Bioenergy: Priorities for Action (Conciliando a Segurança Alimentar e a Bioenergia: Prioridades para Ação) mostra que metas de produção de biocombustíveis, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável podem ser alcançadas simultaneamente. As informações foram divulgadas dia 14 de junho por uma equipe internacional e multidisciplinar de especialistas de dez instituições de pesquisa em sete países.

O documento identifica medidas baseadas em conhecimento científico para mostrar que a área disponível não é um fator limitante para produção simultânea de alimentos e bioenergia no mundo. Entre as recomendações estão a adoção de estratégias para lidar com fatores locais de risco; engajamento de populações locais; estímulo à compatibilidade da coprodução de alimentos e bioenergia; adoção de culturas flexíveis e planejamento para diversificar mercados locais com aproveitamento de resíduos como palha e bagaço de cana, por exemplo.

“É um erro ignorar os custos e benefícios dos biocombustíveis com base em modelos globais ou afirmações generalizadas. É essencial trabalhar com dados confiáveis que não têm sido levados em conta nos debates que envolvem alimentos, biocombustíveis e clima”, disse Keith Kline, do Instituto de Ciência da Mudança do Clima do Laboratório Nacional Oak Ridge (ORNL, da sigla em inglês) e autor principal do relatório publicado na revista Global Change Biology – Bioenergy.
Colheitadeiras em um campo de cana-de-açúcar em Piracicaba, São Paulo – Foto: Mario Roberto Duran Ortiz / Wikimedia Commons

O estudo foi coordenado pelo ORNL, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, e teve participação da coordenação do programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de Pesquisa em Bioenergia (Bioen).

Outras medidas propostas são o apoio à implantação de unidades de produção com uso múltiplo, para aumentar o suprimento de biomassa sustentável; gerenciamento adaptativo dessas unidades; comunicação pública sobre os objetivos, obstáculos e oportunidades da coprodução para lidar com necessidades locais; e a colaboração em programas locais de desenvolvimento.

Uma parte significativa da energia de um país pode ser fornecida por biomassa ao mesmo tempo em que a produção de alimentos é aumentada.

“Uma parte significativa da energia de um país pode ser fornecida por biomassa ao mesmo tempo em que a produção de alimentos é aumentada”, disse Glaucia Souza, do Instituto de Química (IQ) da USP e membro da coordenação do programa Bioen. “O programa de etanol de cana do Brasil demonstrou, ao longo de 40 anos de monitoramento, aprendizado e adaptação, que é possível conciliar o aumento de incentivos para restauração da terra e serviços ecossistêmicos com o aumento da segurança alimentar e redução da pobreza.” A indústria do etanol de cana no Brasil é responsável por 4,5 milhões de empregos, melhora condições de subsistência no País e promove a infraestrutura e desenvolvimento rural.
Plantação de batatas orgânicas – Foto: Elza Fiuza / Wikimedia Commons

O zoneamento agroecológico desenvolvido em resposta às preocupações de sustentabilidade de biocombustíveis no Brasil tem influenciado outros setores agrícolas e ajudou a proteger a biodiversidade e as florestas, recursos importantes para a produção sustentável de alimentos em áreas rurais.

De acordo com o relatório, o desenvolvimento de uma economia de base biológica sustentável, conhecida como bioeconomia, é uma parte fundamental das estratégias nacionais para aumentar a segurança energética e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

O relatório também destaca que investimentos em pesquisa e no desempenho de sistemas de produção de base biológica para a aumentar a segurança alimentar e o abastecimento de energia podem atenuar situações de risco.

Participaram da elaboração do relatório pesquisadores ligados ao Centro de Política Ambiental do Imperial College London, no Reino Unido; IQ/USP e Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen); Universidade de Twente, na Holanda; Instituto de Ingeniería Rural (INTA), na Argentina; Stockholm Environment Institute (SEI África), no Quênia; Bureau of Energy Efficiency (BEE Energy), agência ligada ao governo da Índia; e do Banco Mundial, em Washington DC, Estados Unidos.

O relatório da pesquisa foi publicado em 14/6/2016 neste site.

Do Jornal da USP, in EcoDebate, 22/06/2016

Degradação do solo e secas causam malnutrição crônica de 800 milhões de pessoas, alerta ONU

Em Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, celebrado na última sexta-feira (17), secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que “nos próximos 25 anos, a degradação do solo pode reduzir a produção de alimentos em até 12%, levando a um aumento de 30% no preço da comida”.
Família de refugiados da Somália foge da seca no país e consegue chegar à Etiópia. Foto: ACNUR / J. Ose

Quase 800 milhões de pessoas no mundo enfrentam subnutrição crônica ligada diretamente à degradação do solo, à redução da fertilidade das terras, à perda de biodiversidade, ao uso insustentável de recursos hídricos e à seca. Pelos próximos 25 anos, estimativas indicam que a produção global de comida pode registrar uma queda de até 12%, provocando aumentos de 30% no preço dos alimentos.

Os números foram divulgados pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na última sexta-feira (17) — Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

“Os meios de subsistência e o bem-estar de centenas de milhões de pessoas estão em jogo”, alertou o chefe da ONU. “Mais de 50% das terras agrícolas estão moderada ou severamente degradadas, com 12 milhões de hectares de produção perdidos a cada ano.”

Neste ano, a data mundial conta com o tema “Proteger o planeta, Recuperar a terra, Engajar pessoas”. O objetivo é conscientizar a comunidade internacional sobre a importância do combate à desertificação e mobilizar apoio em torno da implementação da Convenção da ONU sobre o tema.

Ao contrário do que o nome pode sugerir, a desertificação não é a expansão natural de desertos existentes e não está vinculada necessariamente a biomas desérticos. O fenômeno envolve, na verdade, a degradação do solo — por atividades humanas como agricultura não sustentável, mineração, uso excessivo da terra para pastagem e corte raso de porções do território — em regiões áridas, semiáridas ou sub-úmidas e secas.

A queda da produtividade e a redução da cobertura vegetal são algumas das consequências da desertificação. Em seu pronunciamento, Ban Ki-moon ressaltou que este e outros problemas, como as mudanças climáticas e as secas, “estão interconectados”.

“Sem uma solução a longo prazo, a desertificação e a degradação do solo não vão apenas afetar o fornecimento de alimentos, mas levar também ao aumento das migrações, ameaçando a estabilidade de muitas nações e regiões.”

De acordo com o secretário-geral, uma estratégia importante para combater o esgotamento dos solos é a agricultura sustentável e sensível às questões climáticas. Além de contribuir para a absorção de carbono da atmosfera e seu armazenamento no solo, o investimento em práticas agrícolas conscientes poderia criar cerca de 200 milhões de empregos até 2050 em toda a cadeia global de produção de alimentos.

O chefe da ONU lembrou que a Agenda 2030 inclui uma meta — a terceira do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 15 — para neutralizar a degradação do solo — o que implica recuperar 12 milhões de hectares por ano.

A secretária-executiva da Convenção da ONU para Combater a Desertificação (UNCCD), Monique Barbut, alertou que a tendência a explorar novas terras, em vez de recuperar e reutilizar o solo já degradado, significa negar às gerações futuras o direito de se beneficiar dos mesmos recursos disponíveis hoje.

Segundo ela, a conservação e restauração da terra “é um voto para preservar nossas próprias liberdades de escolha e a das crianças”. “Também é um padrão moral contra o qual nós poderemos ser julgados pela história.”

UNESCO: desertificação representa um terço das ameaças globais à biodiversidade

“A desertificação é um fenômeno mundial, que afeta a disponibilidade de recursos e a sustentabilidade, além de causar impactos nos meios de subsistência de 900 milhões de pessoas em todos os continentes, representando um terço das ameaças mundiais à biodiversidade”, lamentou a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, também por ocasião do Dia Mundial.

“Essa é uma ameaça tanto para regiões áridas como para regiões não áridas, nas quais a superexploração do solo, incluindo a agricultura intensiva, a exploração das florestas para a obtenção de combustível e madeira, e as atividades pastoris realizadas em excesso transformaram solos férteis em terras estéreis.”

A chefe da agência da ONU lembrou que as Nações Unidas contam com iniciativas — o Programa sobre o Homem e a Biosfera, o Programa Hidrológico Internacional e o Programa de Ação Mundial de Educação para o Desenvolvimento Sustentável — que buscam engajar as pessoas em práticas de gestão sustentável da terra e em práticas agroflorestais.

O objetivo comum dos diferentes programas é promover o desenvolvimento de economias verdes, o consumo responsável e a recuperação de ecossistemas.

“A desertificação nem sempre é irreversível. A recuperação do solo é a melhor ferramenta para isso, e a UNESCO está determinada a fazer de tudo para recuperar os nossos ecossistemas, como foi destacado no Congresso Mundial de Reservas da Biosfera, que aconteceu em Lima, em março de 2016.”

Da ONU Brasil, in EcoDebate, 20/06/2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Trabalhando com Segurança Alimentar e Nutricional na Comunidade

Esta ferramenta educativa foi elaborada a partir de experiências de animadoras sociais das organizações não governamentais Associação Semente de Amor, Associação Sonho Infantil e Projeto Comunitário Sorriso da Criança, que desenvolvem atividades com famílias residentes de alguns bairros de Fortaleza (CE). Enquanto ferramenta educativa pretende fortalecer as ações rotineiras voltadas para a alimentação e nutrição das famílias acompanhadas pelas animadoras sociais.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Segurança alimentar ameaçada: Especialistas alertam para o risco de extinção de animais polinizadores no mundo

Cerca de 90% das plantas também dependem de animais polinizadores. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

A preservação de espécies de animais polinizadores é importante não apenas para a biodiversidade do planeta, mas para garantir a oferta de alimentos para a população. Mais de três quartos das principais lavouras de alimentos no mundo dependem, em algum grau, dos serviços de polinização animal, seja para garantir o volume ou a qualidade da produção e cerca de 90% das plantas também dependem dessas espécies.

Essas informações e os problemas que cercam os polinizadores foram estudadas pelos especialistas da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), criada no âmbito das Nações Unidas. O grupo divulgou um estudo alertando que um número crescente de espécies de animais polinizadores está ameaçado de extinção em todo o mundo.

O relatório “Polinização, polinizadores e produção de alimentos”, divulgado durante sessão plenária da IPBES, no último dia 26 de fevereiro, em Kuala Lumpur, na Malásia, aponta que fatores como a mudança no uso da terra, a agricultura intensiva, o uso indiscriminado de pesticidas e alterações climáticas estão colocando em risco a biodiversidade dos polinizadores e, em consequência, a produção de alimentos, o equilíbrio dos ecossistemas, a saúde e bem-estar das pessoas e a economia global.

Os polinizadores mais conhecidos são as abelhas, mas há também outras espécies, como moscas, borboletas, besouros, pássaros, morcegos e alguns vertebrados, como lagartos e pequenos mamíferos.

Insuficiência de dados
Além de borboletas e abelhas, outras espécies como moscas,besouros, pássaros, morcegos e alguns vertebrados também são polinizadores. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

A professora sênior do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, Vera Fonseca, uma das coordenadoras do relatório, explica que, apesar de não haver uma avaliação em nível global, por insuficiência de dados, os estudos disponíveis mostram que 16,5% dos polinizadores são ameaçados com algum nível de extinção, e cerca de 30% deles estão em ilhas.

“No Brasil, temos cinco espécies de abelhas que são consideradas ameaçadas em nível nacional. Temos também listas regionais como no Rio Grande do Sul, por exemplo, e temos vários lugares onde não há absolutamente dado algum sobre monitoramento e avaliação de polinizadores. Nós temos muitas falhas no conhecimento nesse caso”, disse Vera, explicando que é preciso estudar melhor essas populações para fazer políticas específicas de tirar essas abelhas da lista vermelha de extinção.

O incentivo às coleções biológicas, o trabalho de museus e a formação de taxonomistas é importante, segundo a professora, para montar uma base de dados de estudo, avaliação e proposição de políticas públicas e ações futuras.

“Nem sabemos direito quais são os polinizadores silvestres de cada cultura, então cada vez que se tem um uso inadequado de pesticidas, por exemplo, isso prejudica também a fauna local. Isso precisa ser estudado e avaliado para unirmos não só o controle de pragas, que a agricultura precisa, mas também as boas práticas de uso e conservação de polinizadores e medidas de mitigação se necessário”, explicou a professora.

Aumento da produtividade agrícola

Vera diz que entre as espécies cultivadas no Brasil que dependem ou são beneficiadas pela polinização animal estão o açaí, maracujá, abacate, tomate, mamão, dendê, a maçã, manga, acerola, e muitas outras frutas, além da castanha-do-pará, do cacau e do café. Soja, algodão e canola também produzem mais quando suas lavouras são visitadas por polinizadores.

“Muitas vezes esses vários polinizadores vêm de uma área preservada perto de uma cultura agrícola. Temos muitos polinizadores importantes para serem usados na agricultura e eles têm um valor grande para a nossa produção”, disse, contando que a riqueza gerada com auxílio dos polinizadores no Brasil foi estimada em torno de US$ 12 bilhões.
Soja, algodão e canola produzem mais quando suas lavouras são visitadas por polinizadores. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil 

O desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável é uma das medidas necessárias para reverter esse quadro, com a diversificação das paisagens agrícolas e a redução do uso de pesticidas. É possível ainda manejar espécies de abelhas próximo às lavouras, para aumentar a diversidade e a combinação com espécies silvestres. “No Brasil temos cerca de 1,8 mil espécies de abelha, além das outras espécies de polinizadores manejáveis”, disse Vera.

A professora explicou ainda que, à medida que a população vai crescendo e necessitando de mais alimentos, a expansão agrícola vai colocando a conservação sob pressão. “Uma produção maior em menor área é tudo que os conservacionistas também querem. E nossa grande ferramenta para isso é o uso dos polinizadores”, explicou.

O relatório sobre os polinizadores é o primeiro de uma série de diagnósticos sobre a situação da biodiversidade no planeta, previstos para serem divulgados pelo IPBES até 2019. O grupo de especialistas divulgou ainda um sumário direcionado aos formuladores de políticas públicas, a ser enviado aos países.

“Nesse sumário estão estratégias que poderiam ser usadas para políticas de conservação, informações sobre como promover as condições para a vida dos polinizadores, como transformar as paisagens agrícolas e como fazer a aproximação entre a sociedade, a natureza e os polinizadores”, disse a professora.

Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil, in EcoDebate, 29/03/2016

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Políticas comerciais podem ajudar a alcançar segurança alimentar e nutricional

Fonte: Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York. - Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015 


Relatório da FAO disse que leis devem ser criadas com o objetivo de desenvolver os países; documento afirma que ampliação das normas tem como meta a eliminação da fome e da desnutrição.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, lançou esta quarta-feira relatório dizendo que "o alinhamento das políticas comerciais e de desenvolvimento agrícola é a melhor forma de se alcançar a segurança alimentar".

O documento cujo título é: "Estado dos Mercados de Commodities Agrícolas" diz que o desafio para os congressistas e especialistas que preparam as leis ampliou.

Fome e Desnutrição

Segundo a FAO, eles devem garantir que a expansão dessas leis "trabalhe em favor e não contra a eliminação da fome, da desnutrição e da insegurança alimentar".

O relatório cita a necessidade de se reduzir a "recente polarização das visões sobre o comércio no setor". Alguns especialistas insistem que o "comércio livre" gera mais disponibilidade e acesso aos alimentos enquanto outros têm uma opinião mais cautelosa.

Eles citam que a recente volatilidade dos preços dos alimentos demonstra a necessidade de uma atenção maior ao comércio, incluindo uma variedade de salvaguardas para os países em desenvolvimento.

O relatório afirma que a situação global mudou muito na última década, com o comércio de comida quase triplicando em volume, em particular de frutas, vegetais, peixes, carne e laticínios.

Brasil

A América Latina se tornou a região que mais exporta alimentos, superando a América do Norte e dando início a um novo mapa político Sul-Sul de fluxo comercial.

Os acordos regionais proliferaram e, enquanto as importações de commodities estão dispersas, as exportações desses produtos estão concentradas em poucos, como por exemplo, o Brasil com o açúcar e os Estados Unidos com os grãos.

O relatório mostra que "políticas apropriadas geralmente dependem de até quanto os mercados nacionais estão avançados e se comportam de forma competitiva oferecendo aos participantes mecanismos para gestão de risco".

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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Manifesto à Sociedade mostra o que é comida de verdade

Fonte: Ascom/Consea - Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015 


Ao final da 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada de 3 a 6 de novembro, em Brasília, os participantes aprovaram a elaboração de um Manifesto à Sociedade Brasileira, a fim de mostrar o que é comida de verdade – o tema do encontro -, bem como conclamar sociedade e governos a se mobilizarem em torno desta causa.

O documento, que acaba de ser concluído e divulgado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), diz que “comida de verdade começa com o aleitamento materno, é produzida pela agricultura familiar, com base agroecológica e com o uso de sementes crioulas e nativas”.

O manifesto defende a produção de alimentos por meio do manejo adequado dos recursos naturais, levando em consideração princípios de sustentabilidade, conhecimentos tradicionais e especificidades regionais. “Comida de verdade é livre de agrotóxicos, de transgênicos, de fertilizantes e de todos os tipos de contaminantes”, diz o documento.

O manifesto diz que comida de verdade “promove hábitos alimentares saudáveis no campo, na floresta e na cidade”. Também afirma que “comer é um ato político”. Segundo o manifesto “comida de verdade não mata nem por veneno nem por conflito”.

Por fim, o documento mostra que “a alimentação no Brasil é resultado do encontro de povos e culturas que formaram nossa nação e carrega em sua história a dor e o sofrimento dos povos originários e africanos escravizados, que se perpetuaram nas restrições de acesso à terra e aos modos de produção”.

Todos os documentos e produtos aprovados na 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional estão divulgados na página oficial do Consea na Internet (www.planalto.gov.br/consea). Para ler e baixar o Manifesto à Sociedade Brasileira, clique aqui.

Link:

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ONU deveria adotar como padrão o modelo inclusivo e participativo do seu Comitê de Segurança Alimentar, artigo de Nathalie Beghin

[EcoDebate] A nova institucionalidade precisava ser mais efetiva e, para tal, era necessária que fosse inclusiva e participativa. O órgão máximo é o Pleno de governos – atualmente cerca de 130 países aderiram ao CSA – que se reúne uma vez por ano, em Roma, na semana em volta do Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro. O braço executivo do Pleno é o Bureau composto por 13 representantes governamentais que se apoia nas informações produzidas por dois órgãos: o Grupo Assessor integrado por agências das Nações Unidas, especialmente as chamadas três irmãs de Roma – FAO, PMA e FIDA que financiam grande parte das atividades do CSA –, instituições financeiras internacionais, órgãos de pesquisas, fundações filantrópicas, setor empresarial e organizações e movimentos sociais; e o Painel de Especialistas de Alto Nível (HLPE, na sua sigla em inglês). Até recentemente, Renato Maluf, Professor do CPDA/UFRRJ e ex-Presidente do Consea era membro do Comitê Executivo do Painel, o que revela os laços estreitos mantidos entre o Conselho brasileiro e o Comitê global desde sua reforma.

O mandato do CSA é o de: coordenar uma visão global da segurança alimentar e nutricional, promover convergência das ações em âmbitos nacional, regional e global, apoiar países e regiões, prestar contas e intercambiar boas práticas, desenvolver um marco estratégico que seja inclusivo e participativo.

Nesse contexto, foi criado como parte integrante do CSA o Mecanismo da Sociedade Civil (MSC/CSA), que tem poder de voz, que se faz representar no Grupo Assessor e que tem a palavra nas sessões plenárias. O Mecanismo é integrado por mais de 40 pessoas que representam organizações e movimentos das pessoas mais afetadas pela insegurança alimentar: camponeses, pescadores artesanais, trabalhadores da agricultura, consumidores, mulheres, jovens, pastorialistas, povos indígenas, pobres urbanos e sem terra, entre outros segmentos. Além desses grupos populacionais, chamados de constituencies, existe representação regional de modo que as vozes de todas as partes do planeta sejam ouvidas. Os integrantes do Comitê Coordenador do Mecanismo são eleitos pelas suas respectivas bases e regiões. Na nossa região, a institucionalidade interlocutora do Mecanismo é a Aliança pela Soberania Alimentar dos Povos da América Latina. O MSC é composto por distintos grupos de trabalho que se reúnem presencialmente e virtualmente ao longo do ano para elaborar seus conteúdos e construir suas estratégias de luta e incidência junto ao CSA.

Além do MSC existe também órgão semelhante do Setor Privado que participa do Grupo Assessor e das Plenárias.

Desde a Reforma do CSA em 2009, vários temas foram abordados e merece destaque a elaboração participativa das Diretrizes Voluntárias para uma Gestão Responsável da Posse da Terra, Pescas e Florestas. Tais Diretrizes descrevem os princípios e práticas que os governos e outros atores podem implementar quanto à administração do direito sobre terras, pesca e florestas, de modo a servir melhor os interesses das populações e promover a segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento agrário. Outros assuntos vêm sendo abordados como princípios para investimentos responsáveis, segurança alimentar para proteção social, segurança alimentar e mudanças climáticas, perdas e desperdícios de alimentos, segurança alimentar em crises prolongadas, pesca e aquicultura, água e nutrição. Nesta 42ª Plenária foi eleita nova Presidente do CSA, Amira Gornass, do Sudão.

O Mecanismo da Sociedade Civil se reúne no final de semana anterior ao início das plenárias do Comitê para preparar suas intervenções bem como suas estratégias de incidência. Além dos integrantes do Mecanismo também participam desse evento organizações e movimentos interessados no tema. É o caso do Consea que vem atuando ativamente desde a reforma do Comitê. Este ano não foi diferente e, como em outras ocasiões, o Inesc representou o Conselho. Em 2015 participaram do Fórum da sociedade civil cerca de 250 organizações e movimentos sociais de todos os cantos do mundo.

Em geral há uma avaliação por parte das organizações e movimentos sociais de que o CSA é efetivamente um espaço inclusivo e participativo. Não se entende porque esse modelo legítimo e bem-sucedido não é implementado em outras negociações das Nações Unidas como clima, biodiversidade, sustentabilidade e, mais recentemente, a agenda Pós-2015 e o financiamento para o desenvolvimento, entre outras. No entanto, apesar desse reconhecimento, várias preocupações permeiam os debates. Entre elas pode-se mencionar o recuo em relação a agenda dos direitos humanos. A obrigação de os Estados respeitarem, protegerem e promoverem os direitos é substituída por uma linguagem mais neutra, como “empoderamento”, “parcerias”, “plataformas de múltiplas partes interessadas”, “acesso a mercados”, “necessidades das pessoas”. Esse esvaziamento da agenda de direitos é simultâneo, e não por acaso, ao progressivo crescimento do poder e da atuação do setor privado por meio de suas transnacionais, de redes empresariais e de fundações filantrópicas. A situação se agrava frente ao déficit orçamentário de CSA que, no momento, é da ordem de U$ 5 milhões. A Fundação Gates aportou recursos e com isso certamente acaba influenciando a agenda para o lado que lhe interessa, que é o da Revolução Verde e da “medicalização” da nutrição, entre outros temas. Esse poder cada vez maior das corporações e suas articulações (i.e, Scaling Up Nutrition, Climate Smart Agriculture, Agricultura Sensível à Nutrição) não somente dificulta a inserção na agenda do CSA de questões caras à sociedade como agroecologia, direitos das mulheres, direito à terra como despolitiza o debate sobre as reais causas da alimentação inadequada. Ademais, contribui para fortalecer a lógica de mercado e enfraquecer o papel do Estado.

O Mecanismo da Sociedade Civil do CSA é um espaço de resistência que precisa ser fortalecido por aqueles, governo e sociedade, que acreditam que um “outro mundo é possível”. E mais: esse modelo global de participação social institucionalizada deve ser levado para outros campos do multilateralismo, regionais e internacionais, porque vem mostrando que é inclusivo e legítimo. O Brasil tem papel importante a desempenhar nessa área. Ele esteve por detrás da reforma do Comité e continua sendo ator central nas negociações, na defesa dos direitos humanos. Além de aprofundar essa linha no CSA, tem obrigação de levar alhures esse mecanismo que permite por mais sociedade no Estado.

Artigo de Nathalie Beghin, coordenadora da Assessoria do Inesc e conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que participou da mais recente reunião do CSA/ONU realizada em Roma.

Colaboração do Inesc, in EcoDebate, 26/10/2015

"ONU deveria adotar como padrão o modelo inclusivo e participativo do seu Comitê de Segurança Alimentar, artigo de Nathalie Beghin," in Portal EcoDebate, 26/10/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/10/26/onu-deveria-adotar-como-padrao-o-modelo-inclusivo-e-participativo-do-seu-comite-de-seguranca-alimentar-artigo-de-nathalie-beghin/.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FAO defende importância de programas sociais para superação da fome e da pobreza

Fonte: Ascom/MDS - Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015 


Ações desenvolvidas pelo governo brasileiro desde 2003, como PAA, Programa Cisternas e o Bolsa Família, são destaques no relatório O Estado da Alimentação e Agricultura 2015, divulgado pelo organismo internacional nesta terça (13).

Brasília– As políticas de proteção social desenvolvidas pelo Brasil desde 2003 foram destacadas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como exemplos de iniciativas que oferecem oportunidades à população mais vulnerável para superar a extrema pobreza e a fome e melhorar a saúde e a educação das crianças. O organismo divulgou nesta terça-feira (13), em Roma, o relatório O Estado da Alimentação e Agricultura 2015.

Segundo o estudo, o “Brasil foi o primeiro país a desenvolver um programa institucional de aquisição de alimentos, conectando a compra da produção dos agricultores familiares com uma estratégia de segurança alimentar”. A experiência brasileira do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) vem sendo implantada pela FAO em diversos países africanos.

A amplitude do programa e seu baixo custo também foram ressaltados pelo organismo: “após 10 anos de operação, o PAA já comprou mais de 3 milhões de toneladas de alimento de 200 mil famílias agricultoras. E isso com um investimento de 0,0004% do PIB brasileiro”. O relatório aponta que o sucesso do programa se deu pelo desenvolvimento e articulação de diversas iniciativas estruturantes, como acesso ao crédito e seguro, assistência técnica e extensão rural, ações afirmativas de gênero e investimento em transporte, energia e saneamento básico.

As compras por meio do PAA criaram novas relações entre agricultores familiares, intermediários, governos e consumidores, o que ampliou a viabilidade de sistemas alimentares locais. No Nordeste, a FAO aponta que a renda de quem participa do programa é três vezes superior às famílias não participam. Em Campina do Monte Alegre (SP), os preços de comercialização por meio do PAA são 45,9% superiores aos oferecidos por intermediários.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar, que atende a mais de 43 milhões de crianças e jovens, foi destacado no relatório como outra importante iniciativa para a garantia da segurança alimentar. O estudo aponta que a política brasileira é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Índia, que atende a 105 milhões de crianças. No mundo, 45 países africanos, 28 latinoamericanos e 23 do Leste Europeu e Ásia Central possuem programas semelhantes.

Garantia de renda – O Bolsa Família também é citado pelo organismo internacional como uma política pública que ampliou o acesso à renda, com resultados efetivos na redução da pobreza e da extrema pobreza. E como um importante instrumento para evitar impactos maiores em situações econômicas adversas. “Durante a crise financeira global de 2008, o governo brasileiro pôde reagir rapidamente a um baixo custo, ao ampliar a escala de seus programas. O impacto foi significativo, alcançando 1,6 milhão de pessoas mais vulneráveis, o que contribuiu para o crescimento da demanda interna.”

A focalização do programa de complementação de renda é citada pela FAO como um dos principais motivos de seu sucesso, com o desenvolvimento do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. “A maior eficiência e o menor custo obtido ao usar um registro familiar único atrai muito interesse dos outros países. Hoje, cerca de 23 países já possuem ou estão desenvolvendo um cadastro semelhante. E outros 10 planejam estabelecer o mesmo modelo.”

O relatório ainda destaca que o número de países que mantém programas de transferência condicionada de renda, como é o Bolsa Família, aumentou de 27, em 2008, para 63, em 2014. A maior parte na América Latina e Caribe (22 países) e na África Subsaariana (18 países). O programa indiano Janani Suraksha Yojana é o maior do mundo, atendendo a 78 milhões de pessoas. O Bolsa Família vem em segundo, com 49 milhões de pessoas, seguido pelo Prospera, do México, que beneficia a 26 milhões de pessoas.

Impacto – "Precisamos garantir apoio às pessoas mais vulneráveis para que possamos erradicar a fome no mundo”, afirmou o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva. “Os programas de proteção social garantem um acesso à alimentação – muitas vezes ampliando o que as próprias famílias já produzem –, com maior diversidade e mais saudável. Esses programas podem ter impactos positivos na nutrição materna e infantil, na redução do trabalho infantil e no acesso à educação.”

“A experiência tem permitido ao Brasil ter uma opinião forte, com credibilidade e legitimidade diante dos resultados que alcançou”, disse o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos. Ele participou do lançamento do relatório em Roma, onde busca ampliar as parcerias internacionais para a garantia da segurança alimentar e na definição de ações para o combate ao sobrepeso à o obesidade.

Entre 2011 e 2014, o MDS recebeu 345 missões de 92 países, sendo que 88% foram de países da América Latina, Caribe e África. “O Brasil é uma referência com ações criativas, ousadas e que trazem resultados para a sua população em larga escala”, destacou Campos. “Isto é fruto de vontade política do governo federal. O Brasil deu um basta nesta situação, com apoio da sociedade, dos estados e municípios, de forma articulada.”

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Agricultura mais saudável e sem agrotóxico

Fonte: Jalila Arabi, Ascom/MDA - Sexta-feira, 09 de Outubro de 2015 


A Marcha das Margaridas de 2011 deu frutos. Em novembro deste ano, será lançado o Programa Nacional para Redução do Uso de Agrotóxicos (Pronara), fruto de uma solicitação das agricultoras familiares e assentadas da reforma agrária na ocasião. O Pronara tem como um dos principais objetivos ampliar e fortalecer a produção de produtos orgânicos e de base agroecológica, reduzindo e, por fim, eliminando o uso de veneno nas plantações.

A confirmação do lançamento do Programa foi feita nesta quinta-feira (08), durante a 63ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), em Brasília. Para o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/ MDA), Onaur Ruano, a chegada de um Programa como esse vai melhorar – e muito – a qualidade de vida no campo e na cidade.

“Teremos um impacto muito positivo para o campo, de várias naturezas: para a economia, para o meio ambiente e para os agricultores. Com o Programa, vamos reduzir os custos, reduzir ou eliminar a utilização de agrotóxico e, com isso, deixar de contaminar o solo e a água. O agricultor vai ser poupado e não ficará mais tão vulnerável. E, na cidade, teremos um ganho na qualidade da alimentação, na saúde da população como um todo”, elencou o secretário.

O Pronara integra o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, lançado em outubro de 2013. O Programa foi estruturado em torno de seis eixos temáticos, que vão de registro e controle da cadeia produtiva à formação e capacitação.

Pronaf para assentados

Outro assunto debatido, durante a reunião, foi a reabertura do prazo para que assentados da reforma agrária liquidem suas dívidas do Pronaf A e A/C. Os trabalhadores rurais que contrataram crédito do Pronaf até dezembro de 2010 têm até o dia 30 de dezembro para quitarem seus débitos, com até 70% de desconto.

O diretor do Departamento de Financiamento e Proteção da Produção da SAF, João Guadagnin, reforçou a importância de se divulgar a ampliação do prazo e a quitação da dívida, para que assentados e assentadas de todo o Brasil possam continuar acessando políticas públicas.

“É vantajoso para eles pagarem a dívida. Caso não paguem, eles podem ser inseridos na dívida ativa da União, o que pode impedí-los de acessar programas do Governo Federal, como o Minha Casa, Minha Vida, e até de fazer concurso público”, alertou Guadagnin ao comentar que, atualmente, 220 mil assentados se encontram nessa situação.

Encaminhamentos

Pela manhã, durante a 63ª reunião do Condraf, os presentes debateram, ainda, a reformulação do Conselho e a prorrogação do prazo do Grupo de Trabalho para esse assunto por mais 120 dias.

Além disso, a representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Maria Albanita Lima, apresentou o Programa ‘O Campo na Classe Média’, que tem como proposta elevar trabalhadores do campo a um novo patamar.

As entidades da sociedade civil do Condraf apresentaram uma carta em defesa da democracia e da manutenção das políticas de desenvolvimento rural sustentável e solidário.

Para saber mais, clique aqui.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Soberania Alimentar deve ser debatida pelo conjunto da sociedade


O conceito de Soberania Alimentar nasce de um contraponto do conceito de Segurança Alimentar estabelecido pela FAO, pois compreende-se que um povo para ser livre precisa ser soberano e essa soberania passa pela alimentação. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), assim como a Via Campesina Internacional, compreende que Soberania Alimentar é o direito dos povos a definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos, que garantam o direito à alimentação a toda a população, com base na pequena e média produção, respeitando suas próprias culturas e a diversidade dos modos camponeses de produção, de comercialização e de gestão, nos quais a mulher desempenha um papel fundamental. Para além disso, é um direito que os povos têm a produzir seus próprios alimentos.

Mais que um conceito, Soberania Alimentar é um princípio que orienta a luta camponesa. É uma proposta alternativa de produção e consumo, que apoia os povos em sua luta contra o agronegócio e as políticas neoliberais promovidas por intuições financeiras e transnacionais, destaca o dirigente nacional do MPA,Valter Israel da Silva. Portanto, se a produção e distribuição de alimentos fazem parte da soberania de um povo, ele é inegociável e não pode ficar dependente de vontades políticas ou práticas de governos ou empresas.Isso coloca aqueles que produzem, distribuem e consomem alimentos no coração dos sistemas e políticas alimentares, acima das exigências dos mercados e das empresas.

O MPA em conjunto com a Via Campesina, defende a importância do Campesinato como sujeito capaz de assegurar a Soberania Alimentar. Como mostra os dados do Censo Agropecuário (IBGE, 2006), mesmo tendo apenas 24% das terras, produzem cerca de 70% dos alimentos que chegam à sua mesa. A Agricultura Familiar Camponesa apresenta uma produtividade equivalente ao dobro das áreas do agronegócio.

Para a consolidação da Soberania Alimentar,o MPA tem construído o Plano Camponês, que vem sendo apresentado a sociedade e órgão governamentais com base em três diretrizes.A primeira diretriz do Programa Camponês, afirma a Agricultura Camponesa como base da Soberania Alimentar, do abastecimento popular de alimentos de base agroecológica; a segunda diretriz, crie as condições materiais para a manutenção do camponês no campo, sobretudo a juventude camponesa, garantindo acesso à terra, água e biodiversidade, facilitando acesso ao crédito, capacitação e assistência técnica, garantindo estrutura logística para produção, beneficiamento e comercialização de alimentos, ampliando sua renda, elevando sua consciência social, gerando novas relações de gênero, novos processos produtivos ambientalmente sustentáveis e melhorando sua qualidade de vida; e a terceira diretriz, diz respeita a garantia de alimentos de qualidade para a população brasileira e que permita constituir novas relações de produção, distribuição e consumo sob controle popular e estatal.

Para isso, se faz necessário uma Reforma Agrária Popular, nova política de Crédito Subsidiada pelo Estado e apropriada à Agricultura Camponesa, um Modelo Energético que respeite o meio ambiente e as pessoas, gerando autonomia para as famílias e ou grupos camponeses, contribuindo para a Soberania nos âmbitos Alimentar, Hídrico, Energético, Genético e Territorial.

Acreditamos que somente o Campesinato terá capacidade de proporcionar vitalidade ao povo e ao planeta. “Entendemos que a construção da Soberania Alimentar é uma questão do conjunto da sociedade, por isso, lutar pelos pré-requisitos para que ela ocorra, não é uma questão camponesa, mas uma questão nacional”, afirma Valter.

A Soberania Alimentar não é só uma alternativa para os camponeses e camponesas, mas sim para toda sociedade em seu conjunto. Por meio da Soberania Alimentar, o Campesinato poderá continuar com suas práticas sustentáveis na terra em benefício da alimentação de toda humanidade é por isso, que Kátia Abreu e o projeto do agronegócio, não representa o Campesinato.

Informe do MPA, in EcoDebate, 09/10/2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

How clean is your spinach?

Researchers believe peaks and valleys in baby spinach leaves could be a key reason why there have been numerous bacterial outbreaks involving leafy green vegetables

Date: August 19, 2015

Source:
University of California - RiversideSummary:Ever wonder what that the words triple-washed or pre-washed on a bag of baby spinach mean? Not much according to engineers. They discovered that small peaks and valleys in baby spinach leaves could be a key reason why there have been numerous bacterial outbreaks involving leafy green vegetables.
Madeline Luth, left, and Nichola Kinsinger, conduct research related to baby spinach and food safety.
Credit: UC Riverside

Ever wonder what that the words triple-washed or pre-washed on a bag of baby spinach mean?

Not much according to engineers at the University of California, Riverside. They discovered that small peaks and valleys in baby spinach leaves could be a key reason why there have been numerous bacterial outbreaks involving leafy green vegetables.

Current disinfected is put into the rinse water, and not specifically applied to the leaf surface. The researchers in the Bourns College of Engineering found that because of the varied topography of the spinach leaf nearly 15 percent of the leaf surface may reach concentrations as low as 1000 times that of the bleach disinfectant being used to rinse it.

As a result, as the leaves move through the processing facility after being rinsed the bacteria may continue to live, grow, spread, and contaminate other leaves and surfaces within the facility.

Following rinsing under the low bleach condition, upwards of 90 percent of adhered bacteria were observed to remain attached to and survive on the leaf surface.

"In a sense the leaf is protecting the bacteria and allowing it to spread," said Nichola M. Kinsinger, a post-doctoral researcher working with Sharon Walker, a professor of chemical and environmental engineering. "It was surprising to discover how the leaf surface formed micro-environments that reduce the bleach concentration and in this case the very disinfection processes intended to clean, remove, and prevent contamination was found to be the potential pathway to amplifying foodborne outbreaks."

Kinsinger will present her research on August 19 at the 250th American Chemical Society National Meeting & Exposition. The talk is called, "Is our salad safe? Efficacy of disinfection techniques to decontaminate spinach leaves and reduce cross-contamination."

Kinsinger is also writing a paper, co-authored by Walker and Madeline Luth, an undergraduate student, about the findings. It will soon be submitted for publication.

The Center for Disease Control estimates that 1 in 6 Americans become ill and 3,000 die annually from foodborne diseases. Additionally, this causes and an estimated over $75 billion per year loss for the food industry.

Past research has found about 20 percent of single food commodity outbreaks from 2003 to 2008 were attributed to leafy green produce. Contamination of such minimally processed and ready-to-eat produce is of concern since it is frequently consumed uncooked or raw.

One of these outbreaks, involving spinach, occurred in California in 2006. In all, 199 people in 26 states were infected with the outbreak strain of E. coli. Three died.

Currently, the industry standard is to add 50 to 200 parts per million of bleach to the water used to rinse leafy green vegetables. But that is just a recommendation, not a requirement or regulation, Kinsinger said.

For the research, Kinsinger and Walker designed a parallel plate flow chamber system to evaluate in real time the attachment and detachment of pathogens to the spinach in realistic water chemistries and flow conditions.

Their work focused exclusively on baby spinach, however the issue of reduced bleach concentration across the leaf surface and other surfaces within the processing facility translates beyond the specific scenarios tested and demonstrates the limitation of bleach disinfection causing significant concern over public health.

Future research will focus on a broader range of foods, surfaces in processing facilities and pathogen types, Kinsinger said.

Despite their findings, Kinsinger notes that the United States has one of safest food supply system. Still, she says, "I recommend rinsing those leaves."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by University of California - Riverside. The original item was written by Sean Nealon. Note: Materials may be edited for content and length.

Cite This Page:
University of California - Riverside. "How clean is your spinach? Researchers believe peaks and valleys in baby spinach leaves could be a key reason why there have been numerous bacterial outbreaks involving leafy green vegetables." ScienceDaily. ScienceDaily, 19 August 2015. <www.sciencedaily.com/releases/2015/08/150819141057.htm>.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

“Comida de verdade é aquela comida tradicional ensinada pelos avós”

Fonte: Ascom/MDS - Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015 


Josimar Gabriel mora na aldeia Lagoinha, no município de Sidrolândia (MS). Com mais de 1,7 mil pessoas, a comunidade consome o que produz. O excedente é vendido em feiras da região

O indígena Josimar Gabriel, 25 anos, mora na aldeia Lagoinha, no município de Sidrolândia (MS). Com mais de 1,7 mil pessoas, a comunidade produz mandioca, feijão, abobrinha e melancia. Os alimentos são consumidos pelas famílias. Já o excedente é vendido em feiras da região.

Para Josimar, comida de verdade “é aquela comida tradicional ensinada pelos avós”. “É a comida produzida na nossa comunidade. No meu café da manhã, por exemplo, tem batata e mandioca”, contou. Na semana passada, ele participou da 4ª Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. 

Segundo a nutricionista da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Dulce Lopes Ribas, na mesa do brasileiro deve ter uma alimentação variada e na quantidade suficiente às necessidades nutricionais de cada um. “A comida de verdade é o alimento produzido de forma sustentável, livre de agrotóxicos e que tenha a ver com a história alimentar da família”, disse.

Um dos desafios, afirmou Dulce, é conscientizar os brasileiros sobre a importância da ingestão de alimentos saudáveis e de qualidade. “É necessário que todos os setores da sociedade estejam empenhados”, explica. 

Mas, para Dulce, não basta conscientizar, é preciso garantir que as pessoas tenham acesso permanente aos alimentos de qualidade. “Investimentos em educação, capacitação técnica e geração de renda irão facilitar o acesso da população aos alimentos saudáveis”, destaca. 

Com o tema “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”, a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional será promovida entre os dias 3 e de novembro, em Brasília.

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domingo, 28 de junho de 2015

Segurança alimentar e nutricional é prioridade no PPA 2016-2019

Fonte: Ascom/MDS - Sexta-feira, 26 de Junho de 2015 


Agenda da alimentação saudável é fundamental para o Brasil enfrentar os novos desafios

A segurança alimentar e nutricional será prioridade no Plano Plurianual (PPA) 2016-2019. O Brasil acumula vários resultados positivos, como a saída do mapa da fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e agora terá outros desafios, como o combate à obesidade e ao sobrepeso, além da promoção de ações de segurança alimentar e nutricional para os povos e comunidades tradicionais que ainda estão em insegurança alimentar.

As prioridades para o próximo período que estão no PPA foram discutidas nessa quarta-feira (24), durante a 20ª reunião do Pleno Executivo da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

O PPA 2016-2019 define oito objetivos, como a ampliação e a oferta de alimentos saudáveis; da disponibilidade desses produtos nas mais diferentes regiões; a educação alimentar, levando informação ao consumidor sobre a qualidade nutricional dos alimentos, e a importância da alimentação saudável, bem como os estímulos no ambiente escolar. 

“Colocamos a agenda da alimentação saudável como prioritária para o próximo período”, disse o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Arnoldo de Campos, que também é secretário executivo da Caisan. Segundo ele, as ações desse plano são mais inovadoras porque o governo aperfeiçoou as metas, iniciativas e objetivos. 

“Temos um PPA muito qualificado que vai dar um horizonte de trabalho muito rico e com mais resultados. Conseguimos mais engajamento dos ministérios e uma maior articulação. O plano é intersetorial, com uma visão federativa maior, principalmente porque já temos uma experiência acumulada nesses anos e muitos resultados obtidos. Temos um legado e agora podemos avançar a partir dele”, acrescentou o secretário. 

Arnoldo destaca que o PPA foi construído com a participação da sociedade e procura responder aos seus anseios. “Ouvimos as pessoas antes e durante a construção do plano. O plano reflete esse diálogo. As diversas propostas que estão hoje no PPA foram trazidas pela sociedade e compõem as prioridades do governo federal”, reforça. 

A 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que será realizada em novembro, também foi tema da reunião. Com o tema “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”, o encontro organizado pela sociedade civil contará com a participação dos governos municipais, estaduais e federal.

Para o secretário, o evento será um momento de avaliação do que foi feito, mas também será oportunidade para discutir os desafios. “Temos que prestar contas para a sociedade civil de tudo que fizemos e conquistamos nos últimos anos. Esse é o dever do governo. Queremos garantir que nossa participação seja mais qualificada possível, respeitando a sociedade no direito que ela tem de saber o que estamos fazendo”, ressalta Arnoldo.

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Programa Mundial de Alimentos e Brasil apoiam segurança alimentar em Cuba


Fonte: ONU BR - Quarta-feira, 17 de Junho de 2015 


Acordo prevê a doação brasileira de 3.500 toneladas de arroz e feijão para a nação caribenha, que beneficiará principalmente mulheres grávidas, bebês, crianças menores de 5 anos e idosos.

Os governos de Cuba e do Brasil, em conjunto com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), assinaram uma carta de entendimento para apoiar a segurança alimentar e nutricional de mais de 900 mil pessoas em Cuba.

Através deste acordo o Brasil fornece ao PMA uma doação de alimentos que inclui 3.500 toneladas de arroz e feijão no valor de 1,4 milhões de dólares. O carregamento se destina a atender as mulheres grávidas e bebês, crianças menores de 5 anos e adultos maiores de 65 anos.

A representante do PMA em Cuba, Laura Melo, agradeceu a doação feita pelo governo brasileiro.

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Lançamento: Conheça o portal da Caisan

postado por Equipe Ideias na Mesa em Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

A Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional acaba de lançar seu portal repleto de informações sobre suas ações e novidades.

A Caisan é uma instância governamental responsável pela coordenação e pelo monitoramento intersetorial das políticas públicas, na esfera federal, relacionadas à segurança alimentar e nutricional, ao combate à fome, e à garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).

No portal estão disponíveis notícias, documentos, agenda de eventos, apresentações dos encontros, divulgação dos Comitês Técnicos, vídeos e muito mais!

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terça-feira, 2 de junho de 2015

Relatório final do Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional está disponível online

Relatório final do Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional está disponível online
Fonte: Ascom/MDS 
Segunda-feira, 01 de Junho de 2015 


Pesquisa feita em 1.628 munícipios é referência para melhorar as políticas públicas nos municípios brasileiros

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) disponibilizou a versão final do Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional 2014 (MapaSAN). O documento retrata a situação atual do Sistema Nacional de Segurança Alimentar (Sisan) em 1.628 municípios, 23 estados e no Distrito Federal, que participaram da pesquisa. O documento mostra ainda as ações da Política de Segurança Alimentar e Nutricional. 

De acordo com o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Arnoldo de Campos, o estudo é um suporte para os governos federal e estaduais identificarem os desafios nas diferentes áreas relacionadas ao tema. “Com base nessa pesquisa, vamos melhorar a política pública para os municípios. Essa pesquisa vai nos ajudar a entender as necessidades do munícipio e fortalecê-los como um agente promotor da SAN”, ressaltou.

No início do ano, o MDS já havia divulgado os resultados preliminares do estudo, que teve a finalidade de reunir informações sobre as estruturas existentes, relacionadas à garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). O relatório final apresenta mais detalhes sobre as ações desenvolvidas nos municípios. “Neste segundo momento, fizemos uma análise mais criteriosa. Questões que dizem respeito às ações de SAN, que incluem perguntas referentes ao PAA, cisternas e agricultura urbana, foram incluídas”, explicou o coordenador-geral substituto de Apoio à Implantação do Sisan do MDS, Élcio Magalhães.

No documento final, além das informações divulgadas previamente, os destaques são para os resultados de doações de alimentos, fornecimento de cestas básicas, fomento à agricultura urbana e à agricultura familiar ou subsídios aos alimentos e cisternas. 

Dos municípios que participaram da pesquisa, 45,6% promoveram apoio logístico para transporte de alimentos produzidos por agricultores familiares e 64% afirmaram realizar doações de alimentos, fornecimento de cestas básicas ou subsídios aos alimentos. Desse percentual, 38% utilizam recursos próprios para a compra dos alimentos, 11% recorrem a fontes de recursos estaduais e 15% financiam também com recursos federais.

O levantamento mostra também que 53% realizam ações de capacitação, fomento ou incentivo à produção agroecológica. Além disso, 76% promovem ações de educação alimentar e nutricional. Ações de apoio às práticas de agricultura urbana - que podem incluir o financiamento de água, luz, terra, composto, ferramentas ou sementes - são promovidas em 42% dos municípios. Outro destaque são as 5.119 feiras livres identificadas em 72,2% dos municípios. 

O MDS já está preparando os questionários do MapaSAN 2015. A partir de julho, os municípios devem responder a pesquisa. A expectativa é aumentar em 100% o total de municípios participantes. “Para essa segunda pesquisa, aperfeiçoamos o questionário, que terá uma cobertura ainda maior que o anterior e com informações mais detalhadas e precisas”, afirmou o secretário Arnoldo de Campos.

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caderno Teórico e de Atividades - Educação Alimentar e Nutricional: o direito humano a alimentação adequada e o fortalecimento de vínculos familiares nos serviços socioassistenciais

postado por Débora Castilho em Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Caderno Teórico e de Atividades - Educação Alimentar e Nutricional: o direito humano a alimentação adequada e o fortalecimento de vínculos familiares nos serviços socioassistenciais


O Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) para as Políticas Públicas apoia os diferentes setores de governo em suas ações de EAN para que, dentro de seus contextos, possam alcançar o máximo de resultados possíveis. E segundo o Marco a EAN é um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis.

Pensando que esta temática pode ser realizada por diversos atores que se proponham a contribuir com a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) através da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) e Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), elaboraram os cadernos de teoria e prática de Educação Alimentar e Nutricional visando o direito humano a alimentação adequada e o fortalecimento de vínculos familiares nos serviços socioassistenciais.

O documento tem por objetivo subsidiar o trabalho do profissional dos serviços socioassistenciais ao abordar a temática da EAN, de forma a trazer informações e reflexões fundamentais no sentido de contribuir para a qualidade de vida, a autonomia e o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), na perspectiva da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), das famílias atendidas pelos serviços socioassistenciais.

Os cadernos visam delinear algumas possibilidades para a abordagem da EAN nos serviços socioassistenciais. Estas abordagens podem ser desenvolvidas por meio de atividades lúdicas, pedagógicas, culturais, de lazer, planejadas de maneira articulada e permanente, visando à melhoria da qualidade de vida, o usufruto dos direitos, e ainda à autoestima, o autocuidado e a autonomia, considerando as necessidades e potencialidades das famílias do território.

Caderno teórico:

O Caderno apresenta o conceito de SAN, DHAA, Alimentação Adequada e Saudável (AAS) e os princípios das ações de EAN, na perspectiva da SAN. No capítulo seguinte, apresenta embasamento teórico para abordagem da EAN de acordo com os ciclos da vida (criança, adolescente, adulto e idoso). O conteúdo apresentado no Caderno Teórico vem para auxiliar o desenvolvimento das atividades sugeridas no Caderno de atividades. Confira o Caderno Teórico na Biblioteca do Ideias, clicando na imagem abaixo: 
Caderno de atividades:

Apresenta sugestões de atividades de EAN para a abordagem nos serviços socioassistenciais. O Caderno sugere algumas atividades, baseadas no conteúdo do Caderno teórico, que podem ser realizadas com as famílias, considerando a realidade local. Nos serviços socioassistenciais, a temática EAN pode ser desenvolvida tanto em grupos específicos quanto intergeracionais, de maneira a favorecer mudanças alimentares voluntárias pelas famílias, quando necessário; bem como valorizar e fortalecer os hábitos alimentares saudáveis já adotados no contexto familiar, por meio da abordagem sobre os direitos, sobre segurança alimentar e nutricional e sobre as etapas do sistema alimentar (produção, abastecimento e consumo), valorização do consumo de alimentos tradicionais, produção para o autoconsumo (hortas domésticas e comunitárias), entre outros. Clique na imagem abaixo e confira o Caderno de Atividades em nossa biblioteca.
Vale ressaltar que o planejamento e abordagem da temática EAN para o fortalecimento de vínculos familiares nos serviços socioassistenciais, pode ser potencializado por meio de parcerias com setores públicos (rede de saúde, de educação, de agricultura, emprego e renda, etc.), privados (setor varejista de alimentos, setor de alimentação fora de casa, indústrias) e com a sociedade civil (cooperativas, associações, entidades comunitárias ou religiosas, conselhos, etc.).

Não deixe de conferir os Cadernos em nossa biblioteca! Divulgue e coloque em prática em sua comunidade!

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