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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A cidade e as serralhas

Fatos & matos nas calçadas de São Paulo - I

Marcos Roberto Furlan

Se não olhar para o chão, você poderá escorregar como o personagem de Eça de Queiroz, no romance “A cidade e as Serras” [1]. Se bem que a causa do tombo do Jacinto de Tormes foi uma casca de laranja, um tanto raro de acontecer em São Paulo, mesmo com o desleixo de muita gente, ao jogar lixo na calçada. Mas também não perceberá as espécies que brotam espontaneamente, as quais insistem em trazer ares da zona rural, tentando a sua preservação, mesmo em local onde são consideradas indesejáveis. Não é nada fácil para elas, mas ainda sobrevivem! 

Mesmo nas calçadas do movimentado cruzamento entre a Ipiranga e a São João é possível acontecer a aparição de um desses “matinhos”. Mas assim que lançam seu pequeno caule entre as frestas da calçada, logo serão retirados como ambulantes irregulares, apesar de só venderem esperanças. Bem que poderia acontecer nos corações dos pedestres, de dar o merecido respeito para essas espécies.

Dentre as serralhas, a serralhinha se destaca com suas flores lilases, cuja inflorescência lembra um pincel, o que faz com que receba também o nome de pincel-de-estudante. Tenra, mas amarga. Rústica, mas sofredora com os ataques de pulgões. Posta-se, quase que escondida, nos cantos, nos locais ermos, e quase que encostada nas árvores urbanas. 

A serralha de flores amarelas, também tenra e rústica, é amarga e adorada pelos sugadores pulgões. E tem mais duas características em comum: são comestíveis e medicinais. As flores de ambas podem formar um belo arranjo, e a da serralhinha dura um bom tempo. 

A serralha frequentemente é confundida com o dente-de-leão, mas este último não possui caule, e deverá merecer um texto também. 

Nos links, algumas informações sobre as serralhas. 


Serralha - Sonchus oleraceus
Foto de Andreia Valente Tarsitano
Dente-de-leão - Taraxacum officinale
Foto de Andreia Valente Tarsitano
Serralhinha - Emilia sonchifolia

[1] O Eça de Queiroz, no começo do século XX, como já prevendo o futuro, escreveu o romance A cidade e as Serras como crítica à “civilização” e elogio à natureza.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O chá-verde no processo de perda de peso

Texto: Julino Soares 


Possui mestrado em Medicina Preventiva pela Universidade Federal de São Paulo. Doutorando pelo pela mesma Universidade. Atua principalmente nos seguintes temas: plantas medicinais, etnofarmacologia e interações medicamentosas. 

Texto de divulgação científica, não deve ser utilizado como evidência clínica. Consulte sempre um profissional da saúde antes de iniciar um tratamento. 

O chá-verde no processo de perda de peso 

Associado ao problema da fome, temos milhões de pessoas adoecendo e morrendo por consequência da obesidade. O chá-verde é um produto constantemente divulgado para a perda de peso, mas quais as suas propriedades e suas limitações para o tratamento da obesidade? 

Entendendo o problema 

De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura uma a cada oito pessoas no mundo ainda passa fome, ou seja, foi estimado que entre 2011 e 2013 existia um total de 842 milhões de pessoas no mundo que ainda sofriam de desnutrição crônica, não recebendo regularmente comida suficiente para conduzir uma vida ativa (FAO, 2013). 

Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde afirma em relatório que, a cada ano, morrem cerca de 2,8 milhões de pessoas devido ao sobrepeso e a obesidade. A prevalência mundial de obesidade vem aumentando rapidamente; na região das Américas, o sobrepeso atingiu 62% para ambos os sexos e a obesidade 26% (WHO, 2012). 

A obesidade é caracterizada por acúmulo excessivo de gordura e aparece como a causa principal de doenças crônicas, como o diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão arterial e o colesterol alto (WHO, 2008; Carvalho et al., 2006; Douglas, 2002). 

Vivemos em um período onde muitas pessoas estão mudando seus hábitos de alimentação, o que inclui a procura por alimentos funcionais, na expectativa de uma vida mais saudável e no enfrentamento de diversos problemas de saúde, como a obesidade. Assim, é relevante a verificação da alegação de que certas substâncias encontradas nos alimentos podem estar relacionadas à perda de peso. Dentre essas substâncias, o chá-verde é massivamente apresentado como um produto para a este propósito. 

Conheça o chá-verde 

Os “chás” são a segunda bebida mais consumida no mundo, sendo que o chá-verde perfaz 20% do consumo mundial dessa bebida (Wolf et al., 2008). O nome científico (botânico) do chá-verde é Camellia sinensis (L.) Kuntze (Figura 1). Foi batizada genericamente pelo botânico Linneé como Thea, termo derivado do mandarim “tsay”; com a pronúncia “tcha” (Ruiz, 2013). Assim, apenas a C. sinensis pode ser chamada de chá. 

Figura 1. Camellia sinensis (L.) Kuntze. 

Referência:Tropicos

C. sinensis é um arbusto de origem asiática, a partir do qual são produzidos os chás branco, oolong, preto e verde. Logo após a colheita, o beneficiamento do chá-verde consiste em realizar uma infusão com as folhas, o que inibe um processo de destruição de importantes substâncias da planta, denominado oxidação enzimática. O que possibilita a retenção de grande parte das catequinas, uma classe de polifenóis presente em grande quantidade nesse chá. Assim, após colheita, o grau de oxidação das folhas que são usadas no preparo dos tipos de chás determina a quantidade de catequinas presente. O chá-branco é o que possui essas substâncias em maior quantidade, seguido do verde, do oolong e do preto (Duarte; Menarim, 2006; Matsubara; Rodriguez-Amaya, 2006). No Brasil, seu cultivo é restrito ao Vale do Ribeira (SP), especialmente para a produção do chá-preto (Nishiyama et al., 2010). 

As quatro catequinas presentes no chá-verde são (nomes complicados mesmo) epicatequina (EC), epigalocatequina (EGC), epicatequina galato (ECG) e epigalocatequina galato (EGCG), sendo esta última, presente em maior quantidade e com maior atividade para perda de peso. O chá também é fonte de cafeína, podendo conter metade da quantidade de cafeína presente na mesma medida de café. Isso depende do tempo de infusão, da quantidade e do tamanho das folhas usadas (Schmitz et al., 2005; Maughan; Griffin, 2003). 

Evidências científicas da participação do chá-verde no processo de perda de peso 

Estudos científicos indicam que o consumo de C. sinensis (chá-verde) e do seu composto bioativo EGCG contribui na redução do peso e do acúmulo de gordura corporal em humanos e em estudos com animais (Dulloo et al., 2000; Koo e Noh, 2007; Auvichayapat et al., 2008). 

Os efeitos da C. sinensis podem ser atribuídos principalmente à interação entre a EGCG e a cafeína contidas no chá ou em seu extrato, associadas a estímulos no sistema nervoso, resultando no aumento da produção de calor da e queima de gordura. 

Estudos indicam efeitos da C. sinensis na diminuição da digestão e da absorção de gorduras, o que pode diminuir a quantidade de calorias que chegam ao nosso organismo. 

É Importante ressaltar que também houve melhora no perfil lipídico de ratos, com diminuição no nível circulante de colesterol e triacilglicerol. 

Acredita-se que para observar esses efeitos, seria necessário o consumo da C. sinensis juntamente com as refeições, pois há necessidade de interação entre os lipídios da dieta e os compostos bioativos do chá. Entretanto, esta prática não é recomendada, pois as catequinas apresentam a propriedade de se ligar a minerais, diminuindo a sua absorção. 

Além disso, é relevante a realização de mais estudos relacionando o consumo do chá e a diminuição na biodisponibilidade de vitaminas solúveis em gordura, tendo em vista também que a diminuição da absorção de vitaminas poderia causar deficiências nutricionais. 

A realização de mais estudos em humanos se faz necessária, bem como a determinação da melhor forma de preparo da bebida, uma vez que os estudos apresentados usaram o extrato do chá ou a EGCG isolada como parâmetros para verificar as propriedades da C. sinensis no processo de perda de peso. É relevante também estabelecer uma dosagem de consumo que seja ao mesmo tempo segura e eficaz. 

Nishiyama et al. (2010), em um estudo com o chá-verde brasileiro (Camellia sinensis var assamica), concluíram que para um melhor aproveitamento das propriedades funcionais seria indicado utilizar o chá-verde a granel pelo método de infusão por um tempo de até 5 minutos e sob agitação leve. O uso do chá-verde a granel obteve melhores resultados que o uso do chá em sachê na extração dos seus compostos bioativos. Os autores também sugerem a preparação de maiores volumes do chá para uma melhor extração dos seus compostos, mas utilizando a mesma proporção de água/chá. Os resultados desse estudo também sugerem que a bebida pode ser armazenada em temperatura ambiente e em geladeira por até 24 horas, sem aparentes alterações dos seus compostos bioativos e de suas propriedades antioxidantes, o que possibilita o consumo ao longo do dia. 

Quanto à quantidade de água e chá utilizada no preparo, Nishiyama et al. (2010) sugerem: 

“Uma bebida típica preparada como infusão em água quente por 3 minutos de 1 g de erva para 100 ml de água, contém geralmente entre 250-350 mg de sólidos solúveis do chá, sendo 30-42% do peso em catequinas e 3-6% em cafeína”. 

Portanto, o chá-verde pode ser eficiente no processo de perda de peso, caracterizando-se como possível estratégia terapêutica no controle do sobrepeso e da obesidade, se associado a bons hábitos de vida. 

Para Saber Mais: 



Revisão 

Eng. Agr. Marcos Furlan 

Eng. Agr. Daniel Garcia 

Referências

AUVICHAYAPAT, P. et al. Effectiveness of green tea on weight reduction in obese Thais: A randomized, controlled trial. Physiology and Behavior, v. 93, n. 3, p. 486-491, 2008.

DULLOO, AG et al. Green tea and thermogenesis: interactions between catechin-polyphenols, caffeine and sympathetic activity. International Journal of Obesity, v. 24, n. 2, p. 252-258, 2000.

FAO, IFAD and WFP. 2013. The State of Food Insecurity in the World 2013. The multiple dimensions of food security. Rome, FAO. Disponível em: http://www.fao.org/docrep/018/i3434e/i3434e.pdf.

KOO, SI; NOH, SK. Green tea as an inhibitor of the intestinal absorption of lipids: potential mechanisms for its lipid-lowering effect. The Journal of Nutritional Biochemistry, v. 18, n. 3, p. 179-183, 2007.

NISHIYAMA, MF., et al. Chá verde brasileiro (Camellia sinensis var assamica): efeitos do tempo de infusão, acondicionamento da erva e forma de preparo sobre a eficiência de extração dos bioativos e sobre a estabilidade da bebida. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 30(Supl.1): 191-196, maio 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cta/v30s1/29.pdf.

RUIZ, C. O Chá. Souza Cruz, São Paulo, 2013.

TROPICOS. Missouri Botanical Garden. Disponível em: http://www.tropicos.org/Name/31600230.

WHO. World Health Organization. World Health Statistics 2012. Geneva, Switzerland. Disponível em: http://www.who.int/gho/publications/world_health_statistics/2012/en/

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Farofa Cósmica Nutriohm

Posted 25 de junho de 2014 by Luiza Savietto

Seguindo deslumbradamente pelas experiências na culinária artesanal e medicinal da Terra, e unindo nutrologia, manufatura e arte, orgulhosamente conferimos aqui mais uma possibilidade mágica de aproveitamento do resíduo do leite de amêndoas. Costumo fazer o leite semanalmente e preparar conforme já mostrei aqui, e com isso obtenho a cada extração do líquido aproximadamente 400 g de resíduo. Já usei ele junto da tapioca, em pães, em saladas como um “tabule” sem glúten e no quibe assado de vegetais.

Extrato líquido vegetal de amêndoas.

Pela umidade e leveza característicos, observo sua serventia em suavizar a densidade das farinhas de cereais, raízes e grãos que rotineiramente se utiliza para a culinária sem glúten (sem trigo e aveia) como arroz, feijão branco, fécula, polvilho e tapioca (minha preferida, ou também conhecida como polvilho doce).
Resíduo do extrato vegetal de amêndoas.

Dessa vez, a versatilidade e a arte, com apreciados aromas orientais, juntam-se com a intenção de produzir um alimento saudável e funcional, livre de químicos, diruptores endócrinos, inflamação, gordura e traços de origem animal e óleos termolábeis.

Uma farofa feita com vegetais orgânicos de estrutura crocante, óleo de coco, gergelim integral, ervas frescas, tempero sírio (se assemelha a canela na cor, tem aroma adocicado) e molho de soja fermentado orgânico e tofu orgânico.

A farofa cósmica exibe aromas e texturas, é rica em alimentos probióticos, contém óleo que não se degenera no calor e possui propriedades medicinais importantes, semente crocante de gergelim rica em cálcio e fibras, além do resíduo da castanha amêndoa, também possuidor de cálcio e fibras. As ervas aromáticas usadas devem ter ação digestiva, como aqui, experimentamos com manjericão e hortelã-pimenta cultivados localmente.
Farofa cósmica

Ingredientes:

- 200g tofu em tiras finas

-2 col. sopa gergelim integral

-1 cenoura média cortada em discos e depois meia lua (pode usar banana verde, ou outro legume crocante cru)

-Tempero sírio (1 col. café) – ou substitutos citados

-2 col. sopa de molho shoyu (prefira orgânico)

-3 col. sopa de óleo de coco

-300 g de resíduo de extrato de amêndoas

Para a ordem dos processos e métodos:

Passe o tofu cortado em tiras finas no óleo de coco em fogo baixo, ao começar a firmar, adicione a cenoura cortada em meia lua fina e crua, refogue-os juntos. Adicione o tempero sírio (pode usar canela em pó, cominho, coentro em pó e curry no lugar, em pitadas) e o gergelim, e mexa mais, observe se há indícios de muito calor (secando a panela) e adicione gotas de água se sim. refogue bem até homogeneizar as partes grandes. Após secar a segunda vez adicione shoyu e mexa. ao secar mais uma vez, adicione enfim o resíduo e mexa como uma farofa, veja escurecer e esfarinhar tudo no processo e desligue o fogo quando achar que está pronto, nem muito seco nem molhado. Coloque as ervas cortadas em tiras e tampo a panela já desligado o fogo.

Pode adicionar mais itens, tais como banana verde, maçã, nabo, erva-doce (planta), couve e talos de couve. Imagino que legumes mais crocantes e aromas adocicados (frutos) também agregam bastante. Acompanha muito bem arroz e cogumelos, saladas, sopas.
Itens e misturas.
Exemplo de uso: caldeirada de feijão de corda com farofa.

Link:

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Melilotos na Medicina Tradicional Chinesa

Texto:

Texto:Acupunturista Fabia Cilene Dellapiazza 
fabia.vida@uol.com.br Consultório : (19) 3406-7890

Melilotus officinalis


Família: Leguminosae

Princípios ativos: flavonoides, saponinas e glicosídeos de ácidos cumarínicos.

A combinação de flavonoides e de cumarina fazem do melilotos uma excelente escolha no tratamento de afecções venosas; principalmente para pacientes com restrição ao uso da alopatia, por outras comorbidades.

Os flavonoides exercem função vasoprotetora, sedativa e antiespasmódica. Cabem às cumarinas, ação anti-inflamatória, anticoagulante.

Atualmente, a indústria farmacêutica tem lançado no mercado muitos fitoterápicos nas prateleiras das farmácias com excelência nos Extratos padronizados; o melilotos é um deles. Porém a cumarina presente não deve ultrapassar a quantidade de 5mg/dia. O seu uso também deve ser rastreado (quando contínuo) com dosagem das enzimas do Fígado – TGO TGP e Gama GT . Caso haja alteração, basta suspender o uso e a normalização das enzimas ocorrem naturalmente.

A Centella asiatica é uma ótima combinação de fórmula com melilotos. 

Todo fitoterápico deve ser prescrito por um profissional habilitado e manipulado em farmácia creditada.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Melilotus

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Valeriana officinalis na Medicina Tradicional Chinesa

Valeriana officinalis


Família: Valerianaceae

A Valeriana officinalis é uma planta utilizada na indução de sono, ansiedade e inquietação. Em sua fitoquímica encontramos o GABA (Ácido Gama-aminobutírico), também presente em nosso Sistema Nervoso Central como neurotransmissor em sinapses inibitórias. Na planta também encontramos ativos como alcaloides e lactonas sesquiterpênicas. 

Na MTC, a valeriana é considerada de sabor picante, levemente amarga e de natureza morna, o que significa uma excelente escolha nos casos de “Deficiência ou Estagnação do Qi” do Meridiano Fígado e/ou Coração com padrão de frio associado.

A valeriana pode ser manipulada com boa sinergia nos casos de distúrbio do sono com a Lippia alba e o Cymbopogon citratus e nos casos de ansiedade com Crataegus oxyacantha e a Passiflora alata.

As doses e posologias devem ser respeitadas e indicadas por profissionais da área.

Pelo seu característico odor e gosto, geralmente é manipulada em cápsulas, mas ainda há formas farmacêuticas em Extrato Fluido/Tintura e Rasura para chá. 

Texto:Acupunturista Fabia Cilene Dellapiazza 
fabia.vida@uol.com.br Consultório : (19) 3406-7890

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Alcachofra na Medicina Tradicional Chinesa

Alcachofra – Cynara scolymus


Família: Asteraceae

Parte utilizada na fitoterapia: folhas, brácteas e caule

Na MTC, a alcachofra é considerada de sabor amargo/picante e levemente doce. Sua natureza é fresca. Atua no Meridiano do F/VB e se considerarmos o ciclo de geração e dominância, atua também no C/ID, BP/E. Por isso, é utilizada nos padrões de umidade-calor do Fígado e plenitude de Estômago. 

Graças aos seus princípios ativos: lactonas amargas, compostos fenólicos, flavonoides, aminoácidos (tirosina, ácido fólico, tiamina...), vitamina C, sais minerais (cálcio, fósforo, potássio,) alcoóis ácidos (málico, glicólico, cítrico, lático), é considerada hepatoprotetora, hipoglicemiante no tratamento coadjuvante da alopatia, hipotensora, diurética, antioxidante e auxilia na diminuição do colesterol LDL. 

A alcachofra deve ser contra-indicada quando há obstrução dos ductos biliares por também ter ação colagoga e colerética.

É uma planta presente nas farmacopéias do Brasil, da França e da Romênia.

Nas formas farmacêuticas, pode ser utilizada tanto nos extratos seco ou fluido, ou rasura para chá, fazendo boa sinergia com outras plantas.

Em relação a dose usual/dia, o profissional prescritor deverá avaliar caso a caso. 

Texto:Acupunturista Fabia Cilene Dellapiazza 
fabia.vida@uol.com.br Consultório : (19) 3406-7890

Referências

Fitoterapia com Ervas ocidentais e acordo com os princípios da MTC
Thomas Avery Garran
Ed. Pensamento 2013

Manual do Herói
Sonia Hirsch
Ed. CorreCotia 

Bom dia começa com A… bacate. Margarina vegetal natural e viva!

Posted 23 de maio de 2014 by Luiza Savietto 


Todos os dias, temos a missão do ritual sagrado de se alimentar e nutrir. Como já mencionado em outros posts, o abacate é um alimento muito versátil, e uma fruta de polpa característica, cremosa, e com diversas propriedades nutracêuticas e funcionais. Além disso, a experiência mostra que ele pode se conservar por muito tempo quando armazenado na geladeira sem ser cortado, quando maduro e pronto para uso. Assim, para não perder ou mofar, acomode o abacate em local protegido na geladeira, pois mesmo mole ele se conserva bem.
Quando esta com a casca maleável, denotando a polpa madura, guarde em geladeira em local protegido (gaveta).

Ganhei uns seis abacates de um amigo, que possui abacateiro em seu sítio. Guardei todos e nenhum foi perdido! Um desses eu trouxe para o trabalho, e deixei armazenado na geladeira. Quando cortei um pedaço (fui cortando “fatias” dele e coloquei em uma vasilha hermética), mantive a casca do que sobrou inteiro, e procurei consumir em até 5 dias, o que coincidiu com segunda a sexta.

Bom, feito isso, inventei um recheio rápido e prático, além de (claro!) terapêutico para o café da manhã 2 (no trabalho). Batizei de manteiga verde (Green Butter) por simples analogia e comparação prática e nutricional (o alimento natural ganha infinito do industrial chamado margarina). Então porque não, escolher o melhor??? Fica delicioso e lindo, pois é VERDE!!!!
Opção saudável, vegetal, nutritiva de café da manhã. Rápido e fácil preparo.

Misture, para uso imediato, 2 a 3 colheres de sopa do abacate, o equivalente a um corte de dois dedos de uma rodela do abacate de tamanho médio. Amasse com 1 col. sopa de óleo de côco (pode ser usado outro, como linhaça, azeite extra virgem) que deixa um sabor e textura ainda melhores, além de contribuir com óleos vegetais saturados saudáveis e perfeitos para o período da manhã. Este alimento também potencializa os efeitos da atividade física regular. Adicione 1/2 col. café de missô de soja, alimento fermentado rico em probióticos que como já mencionado tembém, garantem muita vida e saúde para o organismo. Pode ser substiruido por sal rosa, uma pitada, ou meia col. café de shoyu. O primeiro é o de preferência no quesito nutriente.

Use a especiaria açafrão da terra, com 1 col. sopa rasa (fica meio amareladinho) e ervas desidratadas ou frescas a gosto (gosto muito do manjeiricão fresco, orégano, ervas finas…). Misture tudo e recheie tapioca, passe no pão integral ou em biscoitinhos de arroz integral. Rápido, prático, nutritivo, sem derivados de leite ou elementos cárneos. Muita vida!!!

Podem ser utilizados outros ingredientes como tahine ou cenoura ralada, tomates (tipo guacamole), pimentas brandas, temperos como zatar, etc.
Creme para alimentar bem e livre de toxinas, industrializados e laticínios.

Misture tudo e recheie tapioca, passe no pão integral ou em biscoitinhos de arroz integral. Rápido, prático, nutritivo, sem derivados de leite ou elementos cárneos. Muita vida!!!

Podem ser utilizados outros ingredientes como tahine ou cenoura ralada, tomates (tipo guacamole), pimentas brandas, temperos como zatar, etc.

Rico em antioxidantes, fitoquímicos, protetores cerebrais, probióticos, vitamina e gordura vegetal saturada benéfica.

Link:

sábado, 17 de maio de 2014

Inajá - de praga para uma alternativa energética

Foto: Otoniel Duarte

Palmeira inajá em terras roraimenses

Acima da linha do Equador, o Brasil possui uma palmeira com potencial elevado para se tornar fonte de biocombustível. Desde 2010, a Embrapa por meio do PROPALMA, projeto financiado pela Finep, objetiva viabilizar a produção de espécies produtoras de óleos alternativas, e o inajá, palmeira oleaginosa encontrada na região Norte do País, é um dos alvos dessa pesquisa.

A palmeira presente em grande quantidade em toda região Amazônica, com maior concentração em Roraima e no Amapá, possui fruto com elevada quantidade de óleo. De acordo com Otoniel Duarte, pesquisador da Embrapa Roraima (Boa Vista, RR), responsável pelo projeto nesse estado, os resultados mostram que o inajá, que pode chegar a 20 metros de altura é capaz de produzir cerca de 4.000 litros de óleo por hectare ao ano. Esse valor supera, em produtividade, outras fontes tradicionais de biocombustíveis e confirma o grande potencial da palmeira na produção óleos para atender ao crescente mercado de biodiesel. "O óleo produzido pelo inajá tem potencial de mercado bastante interessante, pois pode vir a atender a esse mercador", afirma Alexandre Alonso, pesquisador da Embrapa Agroenergia e líder do Projeto PROPALMA.

Otoniel Duarte garante que o manejo do inajá também é uma alternativa viável e interessante para a agricultura familiar, tornando o ganho social outro ponto positivo dessa palmeira. "Características como ausência de espinhos, adaptação a solos pobres, resistência ao fogo, alta densidade por área e grande produtividade permitem um manejo barato e fácil para os pequenos produtores rurais, gerando energia e renda que tornam o inajá uma espécie atraente", salienta Otoniel.

Em Roraima, ocorrem as maiores concentrações da planta por hectare. Otoniel explica que o inajá, por ser uma planta rústica, era até muito recentemente considerado uma praga pelos produtores. A planta, no entanto, possui palmito nobre, polpa e amêndoas de onde é extraído o óleo, que pode ser utilizado também na indústria alimentícia, de cosméticos, de produtos farmacêuticos e rações. Esses usos eram desconhecidos pela população. "Após os resultados das pesquisas com o inajá começarem a ser divulgados pela Embrapa, muitos produtores passaram a nos procurar com informações sobre áreas com a palmeira e desejando orientação sobre possíveis usos. Com a difusão das informações sobre o potencial do Inajá, o que se percebe é que muita gente não elimina o inajázal. Inclusive nós temos produtores que já estão utilizando o inajá", complementa Otoniel.

Sistema de Produção

Atualmente a exploração se dá exclusivamente por extrativismo e várias ações do projeto visam dar suporte a esse tipo de aproveitamento. A primeira ação consiste na identificação e mapeamento de maciços de ocorrência natural do inajá. "Para que a exploração extrativista ocorra de maneira sustentável e rentável é necessário primeiro identificar áreas em que as palmeiras ocorrem em maior concentração", afirma Alexandre Alonso. A partir da identificação, os pesquisadores visam, a avaliar esses maciços quanto às suas diversas características e também determinar o potencial produtivo dos mesmos.

Outra ação importante é o investimento da Embrapa em ações que envolvem a determinação do ponto ideal de colheita como forma de garantir maior qualidade do óleo. Essas ações tem o propósito de indicar aos produtores o momento correto em que os frutos devem ser colhidos de forma a melhorar a qualidade e o rendimento do óleo, com impactos diretos na sustentabilidade e rentabilidade da atividade. Estes dados ainda estão em fase de análise no campo experimental em Roraima. Quando concluídos os estudos, os produtores terão informações sobre como colher cachos e frutos a fim de garantir óleo da melhor qualidade possível para produção de biodiesel e outros nichos de mercados mais específicos.

Além disso, a fim de que o inajá possa vir a ser explorado comercialmente, os pesquisadores da Embrapa têm focado no desenvolvimento de um sistema de produção para ele. Para tanto estão estudando métodos de manejo dos bosques nativos, as necessidades nutricionais da planta para indicar a adubação mais eficiente e a produção de sementes. Também estão determinando o espaçamento adequado entre as plantas e identificando os insetos e doenças que acometem a espécie. "Em conjunto, todas essas ações tem por objetivo tornar o inajá matéria-prima viável para a produção de óleo, que possa vir a ser utilizado para a produção de biocombustíveis", conclui Alexandre Alonso.

Mais informações sobre o inajá com a Embrapa Roraima pelo e-mail roraima.nco@embrapa.br ou pelo telefone (61) 4009-7161.

Daniela Garcia Collares (MTb/114/01 RR) 
Embrapa Agroenergia 
agroenergia.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (61) 3448-1581

Estagiária: Sandy Carvalho 
Embrapa Agroenergia 

Embrapa Roraima 

Data: 16.05.2014
Link:

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Salsaparrilha na Medicina Tradicional Chinesa

Salsaparrilha – Smilax spp


Família: Liliaceae

Princípios ativos: sais minerais, flavonoides, saponinas e fitosteróis.

Ação: anti-inflamatória, mineralizante, depurativa, digestiva, anti-séptica e afrodisíaca.

Precaução: em doses altas e uso contínuo por mais de 6 meses, pode aumentar a creatinina!

Em uso oral ou tópico, a salsaparrilha é uma planta que apresenta boa sinergia com outras e amplo espectro de ação em diferentes indicações.

Na MTC, a salsaparrilha é considerada de natureza fresca/neutra; doce, levemente picante e amarga no sabor, indicada para indivíduos de perfil e patologias de Fígado/Vesícula Biliar, Estômago/Baço Pâncreas.

Um excelente remineralizante, pois possui em sua constituição muitos minerais como, potássio, cálcio, magnésio, selênio e zinco.

A salsaparrilha também é considerada cicatrizante e anti-séptica de uso tópico em forma de cataplasma ou creme, combinado com barbatimão (Stryphnodendron adstringens), guaçatonga (Casearia sylvestris), própolis. Usada também em dermatites atópicas, psoríase.

Associando Smilax officinalis a outras espécies como Tribullus terrestris, maca peruana (Lepidium meyenii) e/ou damiana (Turnera diffusa) há uma melhora do desempenho sexual pela presença de saponinas esterioidais, favorecendo um aumento da produção de testosterona, uso oral extrato seco ou fluido; uso e combinação que devem ser acompanhadas por um profissional; sendo contra-indicado pelo homem com valor aumentado de PSA.

Nos pacientes portadores de doenças inflamatórias, a salsaparrilha pode ser associada a Uncaria tomentosa, Harpagophytum procumbens, na forma de uso oral em extrato seco ou fluido.

Todos os tratamentos devem ter indicação de um profissional, sendo tempo de uso e dose acompanhadas regularmente.

Texto: Acupunturista Fabia Cilene Dellapiazza 
fabia.vida@uol.com.br 
Consultório : (19) 3406-7890


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Erythrina mulungu na Medicina Tradicional Chinesa

Família: Fabaceae


Princípios ativos: Alcaloides, Glicosídeos, Esteroides

Indicação/Uso: indutor do sono, sedativo, ansiolítico, analgésico, antitussígeno, diurético.

A Erythrina mulungu pertence a um grupo de plantas com privilegiado fitocomplexo, favorecendo combinações e sinergias com ação em várias áreas.

Os alcaloides da Erythrina, principalmente a eritrina, agem no SNC, levando a um bloqueio neuromuscular, relaxando a musculatura lisa. Associada com outras plantas com ação analgésica como Salix alba, é bem vinda nos pacientes crônicos de dor e lesão de atletas. Nos casos de insônia associamos a Valeriana officinalis ou a Lippia alba , nas afecções respiratórias associamos com boa sinergia a Tilia cordata e a Mikania glomerata ou até mesmo a Vernonia polyanthes.

Na MTC a Erythrina mulungu é considerada de natureza fresca e sabor amargo/salgado, agindo bem nos indivíduos que na semiologia são de característica Coração/Intestino Delgado , Rim/Bexiga!


Precaução: A Erythrina Mulungu apresenta interação medicamentosa com derivados da morfina! Evitar uso concomitante!

Texto: Acupunturista Fabia Cilene Dellapiazza
fabia.vida@uol.com.br
Consultório : (19) 3406-7890

Referências

As Plantas Medicinais Brasileiras na MTC. Paulo Antonio Benevides de Oliveira. Edições Cinco Elemento

Índice Terapêutico Fitoterápico – Ervas Medicinais. EPUB – 1 edição 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Avena sativa – Sua importância nos conceitos na Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

Nome científico: Avena sativa 

Nome comum: Aveia-comum
 
Família: Poaceae Algumas plantas são consideradas de suplementação na MTC: Inula helenium, Crataegus oxyacanta, Silybum marianum, Althaea officinalis, Turnera diffusa e a Avena sativa, sendo que esta última espécie apresenta sabor doce, natureza neutra e nutre o Yin, o “Qi” e o coração. 
 
A Avena sativa é uma droga vegetal com mecanismo de ação nas deficiências geralmente de “Qi” – energia ou falta dela, exaustão, esgotamento físico e psíquico. A suplementação é uma forma efetiva de direcionar o “Qi” correto, desajustado por um agente patogênico externo (frio, calor, secura, umidade, vento) ou exaustão por doença crônica.

A Avena também é usada como alimento, por ser um cereal rico em fibras e minerais, com destaque para manganês, selênio, fósforo, triptofano, e tiamina. O farelo da aveia contém beta-glucano, um polissacarídeo solúvel e viscoso e agente ativo na redução dos níveis de colesterol.

Além de nutritiva, é considerada diurética, sedativa, ansiolítica, agregando uso significativo no tratamento de dependentes químicos e no tabagismo.

Lembrando que o uso medicinal (o extrato fluido é extraído da palha e da semente) deve ser prescrito por um profissional e a manipulação deve ser realizada em farmácia, diferente do uso nutricional do floco ou farelo!

Texto: Fabia Cilene Dellapiazza - fabia.vida@uol.com.br
Consultório: (19) 3406-7890

http://pt.wikipedia.org/wiki/Aveia-comum

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Melão-de-são-caetano na fitoterapia

Momordica charantia – melão-de-são-caetano
Família: Curcubitaceae

Principais princípios ativos: alcaloide momordicina e saponina charantina

Conhecida popularmente como melão-de-são-caetano, a Momordica charantia proporciona propriedades benéficas no metabolismo da glicose e da insulina, graças às substâncias: momordicina, charantina e lecitina ligada a galactose.

O mecanismo de ação é baseado no aumento do número de células beta (Patel et al., 2012).

Os bioativos momordicina, charantina, lecitina e a proteína isolada com propriedade “insulino-símile” possuem relação com:

1- Aumento do numero de células beta pancreáticas;

2- Liberação e secreção de insulina a partir de células pancreáticas;

3- Renovação de parte das células pancreáticas; e

4- Restabelecimento de células parcialmente destruídas

Fuangchan et al. (2011) realizaram um estudo multicêntrico, randomizado, duplo cego e ativo-controlado, durante quatro semanas e com grupos de pacientes recém diagnosticados com diabetes melito tipo 2 leve. Para cada grupo, os tratamentos foram:

Grupo 1 – Extrato da Momordica 500mg/dia

Grupo 2 – Extrato da Momordica 1g/dia

Grupo 3 - Extrato da Momordica 2g/dia

Grupo 4 - Metformina 2g/dia

O estudo concluiu que após as quatro semanas, os grupos 3 e 4 apresentaram o mesmo sucesso, sendo que ocorreu um decréscimo nos níveis de frutosamina (proteína glicosilada) nos pacientes acompanhados.

Contra-Indicação/Precauções: a Momordica charantia não deve ser administrada em crianças e gestantes. Estudos in vitro demonstraram sua ação inibindo a síntese proteica, sendo considerada teratogênico e abortivo.

O uso concomitante com drogas hipoglicemiantes, como a insulina injetável, pode potencializar efeito, causando hipoglicemia.

O uso prolongado (acima de 6 meses/ 2g/dia) também deve ser evitado, pois diminui a flora bacteriana fisiológica, levando a um crescimento de levedura oportunista como a Cândida. Associar o uso com probióticos, principalmente Lactobacillus acidofilus.

Vale ressaltar que todo medicamento, mesmo sendo droga vegetal, no caso dos fitoterápicos, devem ser prescritos, depois de uma rigorosa anamnese , considerando queixa, hipótese diagnóstica, avaliando possíveis interações medicamentosas, dose e período de uso, todas as informações são indispensáveis, para indicação adequada e um resultado satisfatório.

Acupunturista Fabia Cilene Dellapiazza
e-mail: fabia.vida@uol.com.br
tel do consultório: (19) 3406-7890

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

É bom para quem? Boletim Psifavi, Sistema de Psicofarmacovigilância CEBRID, n. 51, Jul/Ago/Set - 2013

Julino Soares e E.A. Carlini


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi Criada pela Lei nº 9.782 em 1999, e tem como área de atuação todos os setores relacionados a produtos e serviços que possam afetar a saúde da população brasileira.

Em outubro de 2011, a Diretoria Colegiada da ANVISA publicou a Resolução RDC 52/11, que dispõe sobre a proibição do uso das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol, e medidas de controle da prescrição e dispensação de medicamentos que contenham a substância sibutramina. Esses medicamentos estavam presentes no mercado brasileiro há mais de 30 anos e deveriam ser indicados apenas como coadjuvantes ao tratamento da obesidade. 

O potencial de causar graves reações adversas, gerar dependência e insuficientes estudos clínicos que comprovassem vantagens na relação benefício/risco, fez com que as substâncias tipo anfetamínicos fossem retiradas do mercado Europeu desde 1999. A sibutramina foi retirada do mercado norte-americano pelo próprio fabricante.

Porém, a Câmara dos Deputados aprovou no dia 19.11 deste ano o Projeto de Lei n°2431/11, que permite a produção e a venda, com receita médica, desses inibidores de apetite, além de tentar proibir a Anvisa de vetar a produção e comercialização de remédios para emagrecer. A justificativa seria a crescente obesidade na população brasileira apresentada pelos dados do IBGE e do Ministério da Saúde.


Fonte:
Boletim Psifavi, Sistema de Psicofarmacovigilância CEBRID, n. 51, Jul/Ago/Set - 2013
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas.
Depto. Medicina Preventiva, Universidade Federal de São Paulo
E-mail: cebrid.unifesp@gmail.com / Website: www.cebrid.epm.br

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

BOLETIM PSIFAVI 15 anos: Um exemplo de teimosia!



Muitos medicamentos podem apresentar efeitos indesejados (reações adversas) que podem causar diversos danos à saúde, inclusive levar à morte. Os medicamentos que agem no sistema nervoso central, chamados de psicofármacos, merecem atenção especial, pois alguns podem causar dependência. Alguns exemplos de psicofármacos são a fluoxetina, diazepam e o lítio. Também existem muitas plantas com ação no sistema nervo central, por ex., Coffea arabica (café) e Hypericum perforatum (hipérico); inclusive, ambas com grande potencial de interação medicamentosa com psicofármacos. Para maiores informações sobre farmacovigilância de plantas acessem o Boletim Planfavi do CEBRID.
Infelizmente, muitos efeitos indesejados serão conhecidos apenas quando o medicamento já está sendo comercializado, como exemplo o famoso caso da Talidomida®, lançado no mercado em 1957 e usada como sedativo e alívio das náuseas por gestantes. Este medicamento foi responsável por milhares de casos graves de deformidades (focomelia – aparência de foca) em crianças recém-nascidas; foi retirado do mercado apenas em 1961. Por isso que é importante a atuação rígida dos sistemas de vigilância de medicamentos ou farmacovigilância. Os profissionais da saúde e mesmo o paciente devem informar, via notificação, os sistemas de farmacovigilância (ANVISA) sobre qualquer suspeita de reação adversa. Posteriormente, essa informação será disponibilizada para os profissionais.

Em 1998 o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) desenvolveu, em colaboração com colegas de diversos Estados, o PSIFAVI (Sistema de Psicofarmacovigilância), para notificar suspeitas de reações adversas a psicofármacos. Além disso, também são distribuídos boletins informativos para os profissionais da saúde.

Os boletins são uma forma de contribuir com a necessária atualização profissional sobre reações adversas a psicofármacos, possibilitando ajustes na prescrição e detecção de problemas. Sua principal vantagem é o fácil acesso e o grande volume de informações curtas e de fácil entendimento, permitindo rápida leitura, mas com assuntos de grande relevância.

O Boletim Psifavi possui uma breve descrição de alertas de reações adversas emitidas por agências sanitárias e outras instituições de saúde, publicações científicas, análise crítica de notícias veiculadas pela mídia e divulgação de alguns cursos e eventos na área. Todos os dados são apresentados com as respectivas referências bibliográficas para que o leitor possa acessar o trabalho citado.

A supervisão geral do boletim é feita pelo Prof. Dr. Elisaldo Carlini (MD) e a coordenação do boletim é feita por Julino Soares, mestre em Ciências pelo Departamento de Medicina Preventiva e doutorando pelo Departamento de Psicobiologia da UNIFESP. A revisão é feita por Joaquim Mauricio Duarte Almeida, e Marta Jezierski, psiquiatra, especializada em dependências de substâncias psicoativas.
Julino Soares é biólogo, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Importância da Ciência em Prol da Inclusão Social

Diversas discussões relacionadas a conflitos raciais e políticas afirmativas (ex., cotas raciais e médicos negros cubanos) evidencia que essa é uma questão prioritária. 


As políticas afirmativas, que favorecem a população negra e outros grupos marginalizados, foram amplamente discutidas e sua legitimidade foi unanimemente reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal.

Os argumentos aqui apresentados estão longe de trazer à pauta a questão das cotas na universidade. Todavia, reconhecemos o valor dessa discussão que, dentre outros, possibilita expor sentimentos, frustrações, mitos, desejos e o necessário reconhecimento das desigualdades sociais.

Desejamos uma universidade que desenvolva competências e que se destaque internacionalmente, mas também, que reflita as demandas sociais, expressas por meio da constituição, nos objetivos fundamentais da nossa república: erradicação da pobreza e da marginalização. Além disso, o Brasil assumiu internacionalmente o compromisso com a prevalência dos direitos humanos, a autodeterminação dos povos e o repúdio ao terrorismo e ao racismo. 

Assim, a ciência também deve ser claramente permeável a essas questões e agregar diferentes grupos sociais e étnicos. Garantindo que todos os brasileiros tenham o direito de usufruir dos seus resultados e exercer essa profissão.

Infelizmente, a falsa ideia de “raças inferiores”, presente no imaginário popular, tem causado diversos prejuízos, como o processo de invisibilidade e a dificuldade de ascensão social de pessoas de cor negra e outros grupos segregados historicamente. 

Os cientistas e professores precisam olhar para dentro dos seus laboratórios e salas de aula e observar qual é a proporção de alunos negros, pardos, indígenas ou pertencentes a famílias de baixa renda nos centros de pesquisa. 

É também importante olhar para os funcionários da limpeza, lanchonetes e guaritas das universidades e refletir sobre as dificuldades que essas pessoas ou seus filhos enfrentam para chegar a uma pós-graduação, e como será possível romper esse ciclo de exclusão. 

Os cientistas são agentes públicos e possuem lugar de destaque na sociedade. Desta forma, são importantes na promoção do bem-estar social e no combate às injustiças. Não devemos duvidar do alcance e do impacto da ciência sobre a opinião pública, ao demonstrar explicitamente repulsa por qualquer forma de preconceito e exclusão. 

Precisamos ser incansáveis em promover a fraternidade entre os diferentes nos espaços institucionais. A ciência deve ativamente mostrar-se aberta e atenta aos grupos mais vulneráveis, gerando oportunidades de participação e experiências de diálogo franco. 

A universidade pública é um espaço privilegiado na formação de mentes e líderes, portanto, é necessário reconhecer não apenas o mérito científico, mas também sua função social. De fato, segundo as palavras do jurista Oscar Vilhena Vieira:

“Uma Universidade que não integra todos os grupos sociais dificilmente produzirá conhecimento que atenda aos excluídos, reforçando apenas a hierarquias e desigualdades que tem marcado nossa sociedade desde o início de nossa história”.

Texto de Julino A.R. Soares e E. A. Carlini
UNIFESP, Depto. de Medicina Preventiva, Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Jardim de Aromas

Data: 30.10.2013

Texto: Daniel Garcia

Quando pensamos em jardim de aromas não precisamos necessariamente remeter nossos pensamentos aos jardins suspensos da Babilônia (imagem 1), onde centenas de plantas faziam parte de um espetáculo da natureza arquitetado pelo homem, mas também podemos pensar em um singelo conjunto de vasos com algumas espécies vegetais (imagem 2). Normalmente, as diversas cores e formas de plantas as tornam um atrativo paisagístico de qualquer ambiente (imagem 3). Além disso, o agradável aroma exalado por muitas delas é talvez uma das características mais sedutoras criadas pela natureza.

Antes de montar um jardim de aromas é preciso fazer um planejamento! Nele deverá conter quais recipientes você utilizará como vaso (ver texto “Veja como é fácil montar sua horta com materiais recicláveis”), escolher as plantas que podem ser cultivadas no ambiente onde você vive, o local mais adequado para cada espécie e as informações agronômicas mais relevantes. A dica é sempre consultar um bom livro que forneça essas informações.

A seguir, elencamos nove plantas aromáticas que normalmente contentam grande parte das pessoas que visitam um jardim de aromas:

1. Manjericão (Ocimum basilicum); 2. Alecrim (Rosmarinus officinalis); 3. Alfazema (Lavandula sp.); 4. Poejo (Mentha pulegium); 5. Tomilho (Thymus vulgaris); 6. Capim-limão (Cymbopogon citratus); 7. Erva-cidreira (Lippia alba); 8. Cebolinha (Allium fistulosum); 9. Salsinha (Petroselinum crispum).

Para quem possui quintal, pode optar pelo cultivo de mudas diretamente no solo. Quem mora em apartamentos pode montar um jardim de aromas em jardineiras.

É importante ter alguns cuidados diários em relação ao manejo das plantas usadas em jardins de aromas, tais como:

Irrigue-as todos os dias ao amanhecer e ao final da tarde com uma pequena quantidade de água. A ideia é manter o solo úmido, mas não encharcado;

Jogar água sobre as folhas e flores pode dar condições favoráveis para fungos e bactérias se propagarem. Além disso, jogar água sobre a planta poderá “lavar” a superfície vegetal, normalmente repleta de óleo volátil (ver texto “Manjericão (Ocimum basilicum L.)”), o qual é responsável pelas propriedades medicinais e aromáticas;

a adubação pode ser padronizada para todas as plantas com uma camada de 1 cm de terra adubada, a cada 3 meses;
o local deve ser abundante em luz solar direta. Para quem vive em apartamentos leia as dicas do texto intitulado “Planeje você mesmo sua horta dentro de casa”.

Os benefícios de ter um jardim de aromas no ambiente em que você vive são dos mais variados, mas sentir o odor das plantas, poder usá-las na culinária, na medicina caseira, no paisagismo realmente vale pelo trabalho e tempo investido!!!
Link:

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Resenha do artigo: Daily intake of 4 to 7 mcg dietary vitamin B-12 is associated with steady concentrations of vitamin B-12–related biomarkers in a healthy young population

Tradução e observações: 
Dra. Luiza Savietto, CRM - 146610

luizanutriohm@gmail.com, www.facebook.com/nutriohm

Nutrologia - Vegetarianismo - Alimentação Viva - Alimentação funcional

Daily intake of 4 to 7 mcg dietary vitamin B-12 is associated with steady concentrations of vitamin B-12–related biomarkers in a healthy young population
Bor MV, von Castel-Roberts KM, Kauwell GP, Stabler SP, Allen RH, Maneval DR, Bailey LB, Nexo E. 
Department of Clinical Biochemistry AS Aarhus University Hospital Aarhus Denmark.
Am J Clin Nutr. 2010 

Link:

A pesquisa objetiva examinar a associação entre a ingestão dietética de vitamina B12 e os níveis séricos de biomarcadores da cobalamina. Foram analisados os marcadores cobalamina, transcobalamina total, holotranscobalamina, ácido metilmalônico (mma) homocisteína sérica (hcy), além de anticorpos contra fator intrínseco (FI) gástrico e Helicobacter pylori.

Para mensuração da ingestão dietética de B12 utilizou-se o questionário de histórico alimentar do instituto nacional do câncer.

Os dados do “Framingham offspring study” (1) sugerem que um status subótimo de vitamina b12 pode ser identificado mesmo em vias de ingestão dietética superior as RDA’S. No entanto, poucos estudos avaliaram a relação entre a ingestão dietética e o status da vitamina B12 por meio dos níveis séricos séricos de seus biomarcadores. (1,2,3,4,5,6), primariamente em populações de idosos.

Bor et al. (4) evidenciaram relação entre a ingestão e os níveis séricos de biomarcadores da B12 em mulheres na pós-menopausa. Nesse, a ingestão de 6 mcg de b12 /d foi suficiente para normalizar todos os valores relacionados a b12 no sangue, o que sugere ser esta a recomendação mais adequada do que a recomendação atual de 2,4 mcg, pela RDA.

Nas amostras (n=299 / 18-50a) não foram detectadas anticorpos anti-FI e H. pylory foi evidenciado em 35 amostras, sem diferenças nos níveis de biomarcadores testados nas amostras. A ingestão de vitamina B12 de fontes alimentares em toda população se correlacionou fortemente com os níveis de cobalamina, holotranscobalamina, MMA, tHcy e hematócrito.

A análise foi realizada em grupos de 5, matematicamente, de acordo com a ingestão diária de vitamina b12. 

Dois dos quatro biomarcadores evidenciaram graficamente uma curva com crescimento importante (cobalamina e holotranscobalamina) ou decréscimo proporcional (MMA e tHcy), com altos níveis de ingestão dietética.

Observou-se, interessantemente, um nivelamento das curvas em valores de ingestão alimentar entre 4 a 7 mcg.

Os estudos, com exceção de Howard el al (3), investigam e evidenciam correlações entre os níveis séricos de cobalamina, a concentração de seus metabólitos ou ambos. Em “framingham Offspring study”, o nivelamento entre as partes (dietécia e sérica) ocorreu entre 4 e 10 mcg, valores bem superiores a atual RDA (2,4 mcg).

A pesquisa sugeriu, portanto, que a ingestão dietética de b12 associada aos níveis normais de seus biomarcadores é algo superior que o atual recomendado para prevenir sinais e sintomas de deficiência.

Referências

1 Tucker KL, Rich S, Rosenberg I, et al. Plasma vitamin B-12 concentrations relate to intake source in the Framingham Offspring study. Am J Clin Nutr 2000;71:514–22.

2 Kwan LL, Bermudez OI, Tucker KL. Low vitamin B-12 intake and status are more prevalent in Hispanic older adults of Caribbean origin than in neighborhood-matched non-Hispanic whites. J Nutr 2002;132: 2059–64

3 Howard JM, Azen C, Jacobsen DW, Green R, Carmel R. Dietary intake of cobalamin in elderly people who have abnormal serum cobalamin, methylmalonic acid and homocysteine levels. Eur J Clin Nutr 1998;52: 582–7

4 van Asselt DZ, de Groot LC, van Staveren WA, et al. Role of cobalamin intake and atrophic gastritis in mild cobalamin deficiency in older Dutch subjects. Am J Clin Nutr 1998;68:328–34.

5 Bor MV, Lydeking-Olsen E, Møller J, Nexø E. A daily intake of approximately 6 micrograms vitamin B-12 appears to saturate all the vitamin B-12-related variables in Danish postmenopausal women. Am J Clin Nutr 2006;83:52–8.

6 Vogiatzoglou A, Smith AD, Nurk E, et al. Dietary sources of vitamin B-12 and their association with plasma vitamin B-12 concentrations in the general population: the general population: the Hordaland Homocysteine Study. Am J Clin Nutr 2009;89:1078–87.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Saia-branca

Mais um texto presente do amigo Julino



Algumas plantas produzem belas flores sem a ajuda do ser humano, como a saia-branca ou trombeteira (Brugmansia suaveolens ou Datura suaveolens - Solanaceae), que também possui utilidade na lavoura por atrair pragas.

No entanto, essa é uma planta que pode causar graves intoxicações, devido aos seus alcaloides (atropina, escopolamina e hioscina) presentes em todas as partes. Podendo provocar alucinações se consumida (efeito anticolinérgico) ou mesmo pelo contato acidental com os olhos durante a poda. 

A pessoa intoxicada pode apresentar rapidamente o quadro de náusea e vômito, seguido por pele quente, seca e avermelhada, secura das mucosas (especialmente boca e olhos), dilatação da pupila, taquicardia, dificuldade para urinar, distúrbios de comportamento, confusão mental, agressividade e movimentos involuntários. Nos casos mais graves pode levar a morte.

Em caso de intoxicação, você pode contar com a ajuda do SINITOX através do disque intoxicação: 0800 722 6001. Em São Paulo, as pessoas também podem ligar para o CEATOX-SP: 0800-0148110.

Julino Soares, Mariana Basso, Edna Myiake Kato, Marcos Furlan, Eliana Rodrigues: CEE-UNIFESP / USP / UNITAU. 

Referências: SINITOX: plantas tóxicas no Brasil. Oliveira, RB; Plantas tóxicas: conhecimento e prevenção, 2003. Blog: Quintais Imortais. Tropicos®.

O Comércio Informal de Drogas Vegetais Psicoativas: risco à saúde associado ao consumo!

Por: Julino Soares


Artigo científico alerta para o perigo de consumir produtos de origem vegetal sem as garantias de qualidade e segurança estabelecidas pelas agências sanitárias.
O estudo teve como objetivo avaliar o risco associado ao consumo dedrogas vegetais psicoativas (DVPs) (produtos de origem vegetal com ação no sistema nervoso central, utilizados com fins terapêuticos para acalmar, dar vigor etc.) comercializadas informalmente em Diadema, SP.

Além da pesquisa etnográfica com os “raizeiros” ou comerciantes informais, o estudo utilizou diversos parâmetros para avaliar amostras dessas DVPs, com o objetivo final de determinar o risco associado ao consumo:

microbiologia: ex., busca de microrganismos nas DVPs que poderiam causar doenças. As plantas podem ser contaminadas por diversas fontes, como esterco, solo e água.

farmacognosia: ex., para confirmar se a planta citada no rótulo e realmente a da embalagem. A troca de uma planta por outra pode ser acidental, mas também existem substituições por plantas mais baratas, como pode acontecer com o ginseng (Panax ginseng) uma espécie de alto custo de mercado.

farmacovigilância: ex., buscando informações sobre possíveis efeitos indesejados. Apesar da crença popular, dados científicos têm demostrando o potencial dos fitoterápicos de causarem interações adversas com outros medicamentos e intoxicações.

Após a entrevista com os comerciantes, pudemos identificar que diversas drogas vegetais são indicadas e comercializadas para o consumo como estimulantes (ex., catuaba) ou depressoras (ex., camomila para acalmar) do sistema nervoso central nos locais consultados. Essas drogas vegetais foram classificadas como psicoativas (DVPs), a partir do qual realizamos novas análises.

Para as análises laboratoriais foram selecionadas algumas espécies pelos nomes populares (sem a confirmação botânica) e adquiridas amostras de diferentes comerciantes, totalizando 52 lotes. Destes, 80.8% apresentaram microrganismos indicadores de risco, que poderiam causar doenças (identificados pela microbiologia), e apenas nove das 16 espécies foram confirmadas como autênticas pela farmacognosia (o conteúdo estava de acordo com o rótulo). Essas análises são feitas com base na farmacopeia brasileira e outros estudos científicos.

Finalmente, buscamos informações na literatura científica sobre efeitos indesejados provocados pelas plantas identificadas pela farmacognosia (não é possível realizar uma boa pesquisa se não sabemos o nome botânico da planta). Esse levantamento mostrou a possibilidade de interações das DVPs estudadas com medicamentos (um pode interferir negativamente no efeito do outro), reações adversas (ex., alergias) e contraindicações, especialmente para gestantes e pessoas com deficiências no sistema imunológico.

Desta forma, é importante ter em mente que a ação terapêutica dos fitoterápicos depende de muitos fatores, como a qualidade da matéria prima (livre de contaminantes e corretamente identificada) e o conhecimento das limitações desses produtos.

Referência

Soares JAR, Kato EM, Bugno A, Galduróz JCF, Marques LC, Macrini T, Rodrigues E. Informal Trade of Psychoactive Herbal Products in the City of Diadema, SP, Brazil: Quality and Potential Risks. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. Volume 2013 (2013), Article ID 894834, 11 pages. http://dx.doi.org/10.1155/2013/894834.

Julino Soares é biólogo, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo.

Link: