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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Video - Las plantas medicinales de Azuay

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Mama Amada Aguilar, Jambiruna/Sanadora, tiene un local en el segundo piso del Mercado 10 de Agosto de Cuenca, desde hace muchos años, ofrece y recomienda plantas medicinales para las diferentes dolencias del cuerpo y el alma, sabiduria que heredó de sus abuelos y padres, en la ciudad de Cuenca.
 
Patricio Matute, Educador/Gestor Cultural

Jorge Parra/Docente, Universidad de Cuenca

Arturo Quizhpe/Director, ReAct Latinoamérica

La increíble sabiduría de mamas, abuelas, hijas y nietas, es un baúl grande de comparticiones para la prevención en salud y cura de enfermedaes. Durante siglos ésta tradición cultural fue transmitida oralmente y desde el ensayo-error.

La etnobotánica de Ecuador y en especial de las provicnias de Cañar, Azuay y Loja, es muy sustanciosa por la variedad de pisos ecológicos y microclimas que van desde los 5.000 metros sobre el nivel del mar en la cordillera de los Andes, hasta los valles cálidos sobre los 700 metros. Esto permite tener plantas cálidas y plantas frias que vienen a paliar las enfermedades y dolencias con la correcta utilización de dosis, en los tiempos y espacios necesarios para su ingesta, como también tomando en cuenta el color claro u oscuro, el aroma, y el sabor dulce o ácido de las mismas.

Curar con plantas es un arte, y en Latinoamérica los Kallawayas de Bolivia han sido los médicos nativos que han difuminado sus saberes por estas tierras andinas, aquí está su herencia y su ADN cultural, como la tenía nuestra querida Jambiruna azuaya, recien desaparecida, Robertina Vele Zhingri, a quien queremos dedicar esta humilde investigación desde la comunicación cultural y la antropología cultural.

Hay variedadades nativas inceibles que aún no han sido descubiertas y que presentan caracteristicas especiales para prevenir enfermedades graves, con la paticularidad de que crecen en los pajonales cercanos a los 3000 y 5000 metros de altura.

La particularidad de estas plantas quizá se deba al microbioma limpio/puro de los Andes en donde no ha llegado aún la polución y la contaminación de aire, agua y tierra. Ingerir esas plantas con un microbioma sano, permite controlar el avance de ciertas dolencias. Supimos de variedades fitogeneticas como el shipalpal (palabra cañari), o una variedad denominada chuquiragua, o carne humana, como otras como gañal, pumamaqui, guagual, todas variedades endémicas de los cerros de esta parte del planeta. 

Es inminente emprender en el estudio de la etnobotánica de esta parte andina para emprender en el concepto de hogar como clínica, asi no necesitaríamos de los médicos, porque nosotros seríamos nuestros propios medicos, como plantea el Comunicador en Salud Bacterial de ReAct Asia, Satya Sivaraman, o como lo están emprendidendo en el sur de Argentina, en San Martín e los Andes, la Red Jarilla, con sus amados yuyos, como lo llama la Profesora Sandra Marín y una serie de amigas y amigos que bregan porque los yuyos sean reconocidos como medicinas limpias.

Fuente: Patricio Matute

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

India foils UK firms’s bid to patent use of turmeric, pine bark and tea for treating hair loss

India foils UK firms’s bid to patent use of turmeric, pine bark and tea for treating hair loss

An attempt by Colgate-Palmolive Co to patent a mouthwash formula made from Indian herbs was also foiled by CSIR-TKDL unit recently
India has been successful in protecting its traditional knowledge by preventing an attempt made by Europe’s Leading Dermaceutical Laboratory-Pangaea Laboratories, to take patent on a medicinal composition containing turmeric, pine bark and green tea for treating hair loss.

Traditional Knowledge Digital Library (TKDL), a unit of Council of Scientific and Industrial Research (CSIR), located the patent application filed at European Patent office by Pangaea Laboratories and filed pre-grant opposition along with prior-art evidences from TKDL, proving that turmeric, pine bark and green tea, are being used as a treatment for hair loss, since long in Indian systems of medicine like Ayurveda and Unani. A PIB release stated that the UK-based company had filed the patent application at European Patent office in February, 2011. CSIR-TKDL Unit had filed evidences from TKDL on January 13, 2014 after the patent application got published on website, pursuant to which the patent application is finally deemed to be withdrawn by the applicant on June 29, 2015.

Recently, CSIR-TKDL Unit has foiled an attempt of Colgate – Palmolive Company to patent a mouthwash formula containing herb (Nutmeg- Jayaphal) extract used in Indian traditional systems of medicine to cure oral diseases, at European Patent office.

CSIR-TKDL, headed by Dr Archana Sharma, submitted proof in the form of references from ancient books in this case, which said the herb and its extracts of Myristica Fragrans were historically used for oral diseases in Indian systems of medicine.

http://www.financialexpress.com/article/pharma/market-pharma/india-foils-uk-firmss-bid-to-patent-use-of-turmeric-pine-bark-and-tea-for-treating-hair-loss/122806/


26.08.2015
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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Ervanário São Francisco de Assis

Ervanário São Francisco de Assis from Walney Alves on Vimeo.


Conheça a história do Ervanário São Francisco, um grupo de Sabará - MG, que mantêm vivos os tradicionais saberes dos raizeiros, o cultivo de hortas urbanas e a manipulação de plantas medicinais, propagando a consciência da preservação e da apropriação social da natureza.

Tantinha e Fernando, os protagonistas dessa história, nos convidam a conhecer de perto essa experiência que deu muito certo!

Curandeira é a vovozinha! (The Healing Grannies) w/ english subtitles

Curandeira é a vovozinha! (The Healing Grannies) w/ english subtitles from mariana rodrigues on Vimeo.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Editorial: A contribuição da etnobotânica e da etnofarmacologia à farmacovigilância - PLANFAVI Nº 37 janeiro/março 2016

A etnofarmacologia e a etnobotânica - ciências que se ocupam, entre outras coisas, do registro de plantas medicinais utilizadas por diversas culturas – podem contribuir com a farmacovigilância. Alguns dados valiosos (toxicidade, contra-indicações, doses diferenciadas e interações) sobre as plantas com restrições de uso indicadas por ribeirinhos, índios e quilombolas do Brasil já foram publicados (1,2). Assim, índios brasileiros utilizam o sumo das folhas da Vernonia herbacea (Vell.) Rusby – (Asteraceae) na forma de escarificação, nas pernas de recém-nascidos para “andar mais cedo”; porém, a ingestão do mesmo sumo, levaria o nenê a óbito. As folhas de uma outra planta, a Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. (Rubiaceae), são utilizadas por quilombolas no preparo de um chá para os casos de insônia. Porém, os entrevistados alertam para possíveis reações adversas, “embora este chá promova o sono rapidamente, diminui a pressão sanguínea e perda do desejo sexual”.

Mas como as diversas culturas descobrem tais peculiaridades das plantas?

Da mesma forma que na ciência acadêmica, as experimentações são realizadas por indivíduos específicos daquelas comunidades e que seguem alguns critérios para a seleção de novas plantas/animais como potenciais agentes terapêuticos: a) utilizam a tentativa e erro como uma das estratégias de busca de novas drogas; b) procuram observar o comportamento de certos animais após o consumo de uma determinada planta; c) utilizam os estímulos sensoriais com flores, folhas e bichos - dissecando-os, cheirando-os, e amassando-os que, somados à curiosidade nata desses povos, inicia a elaboração de correlações entre particularidades (morfológicas e organolépticas) de uma planta/animal e seus usos potenciais; d) finalmente, a intuição, que é uma forma de aquisição de conhecimento, abordada por Jung, e de extrema importância na seleção de novos recursos a serem testados.

Este processo é complexo e dinâmico, estando em contínua transformação, portanto não é constituído apenas pelo conhecimento dos antepassados. Nesta dinâmica, quando se suspeita que determinada planta tem um efeito prejudicial (venenosa/tóxica), este conhecimento é disseminado entre os indivíduos da comunidade. Por este motivo, os conhecimentos sobre as plantas abortivas, contraceptivas, venenosas para animais ou humanos, que são contra-indicadas a gestantes, crianças ou idosos, não estão restritos aos especialistas em cura (xamãs, curadores, benzedeiros, parteiras). Pelo contrário, estes especialistas difundem estes conhecimentos entre os membros da comunidade a fim de evitar danos à sua saúde individual ou coletiva. Desta forma, poderíamos traçar um paralelo entre esta prática e o propósito da farmacovigilância, quer seja, coletar, analisar e informar aos consumidores sobre possíveis reações adversas de certos medicamentos.

Portanto, a suspeita de que certas plantas possam ser tóxicas ou produzir reações adversas, baseando-se no registro detalhado dos seus usos nos levantamentos etnobotânicos e etnofarmacológicos, pode ser um instrumento auxiliar à farmacovigilância, na medida em que amplia o conhecimento sobre “o lado ruim” dos recursos vegetais da flora mundial.

1) Rodrigues, E.. Plants of restricted use indicated by three cultures in Brazil (Caboclo-river dweller, Indian and Quilombola). Journal of Ethnopharmacology. 111: 295-302, 2007.

2) Rodrigues, E.; Barnes, J. Pharmacovigilance of Herbal Medicines. Drug Safety, 36: 1-12, 2013.

Este editorial foi escrito, a convite, pela Dra Eliana Rodrigues e baseado em seus trabalhos na área.

domingo, 20 de março de 2016

Huã Karu Yuxibu


História sobre o surgimento das plantas medicinais usadas pelo povo kaxinawá que compõe a quinta fase do videogame Huni Kuin: Yube Baitana (os caminhos da jiboia). Filmado na aldeia São Joaquim/Centro de Memórias durante a segunda oficina de audiovisual "Cantos, desenhos e histórias do povo Huni Kuin", Jordão, Acre, 2015.
Narração: Manoel Vandique Kaxinawá (Dua Busẽ)

sábado, 5 de março de 2016

Estudo identifica novos remédios da tradição indígena no tratamento da malária (agencia.fapesp.br)

04 de março de 2016

Peter Moon | Agência FAPESP – A malária é um problema de saúde muito sério no Brasil. A doença, que por décadas esteve circunscrita à região amazônica, começa a avançar em direção das demais regiões do país. Entre 2007 e 2014, foram registrados 6.092 casos de malária fora da região amazônica, sendo 90% dos casos importados de pacientes que passaram pela Amazônia e 10% de casos autóctones com transmissão local (Leia mais em agencia.fapesp.br/22396/).

Muito embora os levantamentos mais recentes apontem queda na incidência de novos casos de malária fora da região amazônica, o combate à proliferação do mosquito transmissor deve andar pari passu na busca de novos medicamentos e tratamentos. Daí a importância da pesquisa desenvolvida pela etnobotânica Carolina Weber Kffuri, pós-doutoranda no Departamento de Horticultura da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, com supervisão de Lin Chau Ming. O trabalho, que teve apoio da FAPESP, foi publicado no Journal of Ethnopharmacology.

Carolina Kffuri passou um ano e meio na região do alto rio Negro, no Amazonas, entre 2010 e 2012, período em que conviveu com moradores e indígenas da região. Essa convivência permitiu que ela conhecesse a realidade da malária no local, assim como as plantas da região usadas pela medicina tradicional no tratamento da doença. Ela documentou o uso de 46 espécies de plantas, das quais apenas 18 já tinham sido estudadas por suas propriedades antimaláricas; 26 delas eram desconhecidas da ciência. Seus efeitos no combate da doença nunca foram investigados. São 26 espécies com potencial para o desenvolvimento de novas drogas e que ninguém nunca tinha ouvido falar – exceto os índios.

A pesquisadora iniciou seu trabalho com uma viagem a São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Estado do Amazonas, para apresentar o projeto às comunidades indígenas. De acordo com Carolina Kffuri, os líderes das comunidades entenderam e aceitaram participar do projeto. Ela planejara começar o estudo em poucos meses, mas foi preciso aguardar que o projeto fosse aprovado pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN).

Por fim, em setembro de 2013, a pesquisa de campo deslanchou com cinco comunidades indígenas: Cunuri e Tapira Ponta, ambas no rio Uaupés, um afluente do rio Negro; Ilha das Flores, na confluência do Uaupés com o Negro; São Jorge, no rio Curicuriari, outro afluente do Negro; e a comunidade Curicuriari, na confluência do Curicuriari com o Negro. As comunidades são multiétnicas: Tukano, Desano, Baré, Tariano, Piratapuia, Arapaço, Baníua (Baniwa), Hupda, Curripaco e Bará.

Foram entrevistados, ao todo, 89 índios, 49 homens e 40 mulheres, cujas idades variavam dos 22 até os 74 anos. A todos ela indagou, por exemplo, “quais plantas você usa para tratar malária e quais você conhece ou ouviu falar?”. A maioria dos entrevistados respondeu em português, espanhol e em outros dez idiomas nativos.

As respostas permitiram identificar as plantas usadas no tratamento da malária, as formas de preparo e a posologia. Carolina Kffuri descobriu onde aquelas 46 plantas crescem e quais partes são usadas como remédio. Em todo o trabalho, a pesquisadora contou com a ajuda de Moisés Ahkáutó Lopes, um estudante da etnia tukano da comunidade Cunuri, nas entrevistas, na coleta do material e na tradução e transcrição dos nomes na língua Tukano.

Remédio amargo

Entre as 46 plantas utilizadas pelos índios contra a malária, “a maioria era composta por árvores grandes e raízes, principalmente de herbáceas”, diz Carolina Kffuri. Das árvores geralmente se retira a casca, mas também são usados raízes, folhas, frutos, a planta inteira, caules e sementes. O preparo dos remédios envolve cozimento de cascas, fervura de chás, maceramento de folhas e sementes e queima de plantas até obter cinzas utilizadas in natura em banhos de vapor. Pelo menos em um caso as plantas são administradas na forma de enemas.

“A dose normal é de um copo, três vezes ao dia, de manhã, ao meio-dia e à tarde”, diz a pesquisadora. “As plantas usadas para banho são tóxicas. Neste caso, a dose é de uma colher na água do banho, duas vezes por dia. Utilizam também um cipó muito amarelo, que é uma das características das plantas usadas contra a malária; a outra é o amargor. São remédios muito amargos.”

De acordo com a pesquisadora, “os índios estão deixando de usar os remédios tradicionais. Eles começam a preferir o remédio industrializado dos brancos. São drogas cuja ação é mais rápida, mas, segundo os entrevistados, têm mais efeitos colaterais”.

As 46 plantas documentadas na pesquisa crescem em vários ambientes: perto das casas, dentro da floresta, em terra firme ou em igapós, e em terrenos baixos, próximos aos rios e frequentemente inundados. Apenas uma espécie é endêmica da região, a tachia , ou canela-de-veado.

Segundo Carolina Kffuri, 26 espécies jamais tinham sido estudadas em laboratório. “ Não conseguimos determinar a espécie de outras duas. São do gênero Swartzia e Piper. Não há nenhum registro publicado. Provavelmente são espécies novas”, revela.

De todas as plantas citadas, sete tiveram um alto consenso de uso contra a malária, a saber: carapanaúba (Aspidosperma schultesii), saracura-mirá (Ampelozizyphus amazonicus), açaí-da-catinga (Euterpe catinga), açaí-do-mato (E. Precatoria), camapu (Physalis angulata); acuti-cabari ou cabari-de-cotia (Swartzia argentea) e o coco-da-bahia (Cocos nucifera).

Cinco delas já eram conhecidas da ciência por suas propriedades antimaláricas. Até a publicação da pesquisa nada se conhecia sobre a ação antimalárica do açaí-da-catinga e do cabari-de-cotia.

Uma questão suscitada pelas respostas dos índios intrigou a pesquisadora: eles dizem que alguns remédios não servem para todas as pessoas. Depende do sangue, dizem os índios. “Teria isto a ver com o tipo sanguíneo do doente?”, indaga Carolina Kffuri.

Cabe aos bioquímicos, farmacologistas e à indústria farmacêutica a tarefa de verificar se as plantas têm de fato emprego no combate à malária e se é possível extrair delas princípios ativos que resultem em novos medicamentos. Quanto à pesquisadora, ela pretende retornar à Amazônia com um novo projeto: identificar quais são as plantas da floresta usadas na alimentação tradicional das comunidades indígenas. A permissão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que autoriza o acesso ao conhecimento tradicional indígena, já foi aprovada.

O artigo de Carolina Kffuri, Moisés Ahkáutó Lopes e outros, Antimalarial plants used by indigenous people of the Upper Rio Negro in Amazonas, Brazil, publicado no Journal of Ethnopharmacology, pode ser acessado no endereçowww.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874115302506
Foram documentadas 46 espécies de plantas na Amazônia, 18 com propriedades antimaláricas comprovadas pela ciência e 26 ainda desconhecidas (foto: Cipó pacarão (Abuta grisebachii), com casca amarela e amarga, é usado no tratamento da malária )

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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ver o Peso – Cores e Sabores de Belém do Pará

Por JAQUELINE SOUSA 20 de outubro de 2015 

Localizado às margens da Baía do Guajará na Cidade Velha de Belém do Pará, tem-se a Ver-o-Peso, maior feira livre da América Latina. Um cenário singular não apenas pelo nome, mas também por sua diversidade de cores e sabores.

O nome bastante peculiar, e, conservado por mais de 300 anos pela tradição popular, carrega fatos históricos narrados e conhecidos pela maioria dos feirantes e expositores.

Marcado por paisagens excêntricas e complexos arquitetônicos rústicos, o Mercado é permeado por uma série de construções históricas, entre as quais, destacam-se, o Mercado de Carne, a Praça do Relógio, As Docas, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo, o Solar da Beira, a Praça do Pescador, o Forte e os templos religiosos.

Nessa dinâmica, encontra-se uma diversidade de produtos típicos da região, entre os quais, destacam-se peixes, camarões, caranguejos, mariscos, aves, maniçoba pré-cozida, farinha de mandioca a moda paraense, castanha do Pará, hortaliças, o famoso açaí, cachaças artesanais (Ex. Cachaça de Jambu) e conservas de pimentas no tucupi.

Sob o clima equatorial – quente e úmido, acontecem as negociações. A feira traduz, um cenário único, algo característico do povo paraense. São bares com cervejas e cachaças regionais e restaurantes com comidas tradicionais, a exemplo o pato no tucupi, tacacá, peixe com açaí puro, maniçoba, caruru e chibé.

Saiba mais sobre a história da Ver-o-peso em: Ver-o-Peso (UFPA).

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Capítulo 6 - Uso Tradicional das Plantas Medicinais


Outros capítulos

domingo, 10 de janeiro de 2016

Plantas dos quintais - alecrim em Areias, São Paulo

Foto: alecrim
Kananda Silva Rodrigues

O alecrim, cujo nome científico é Rosmarinus officinalis L., pertence à família Lamiaceae, a qual inclui outros condimentos, como, por exemplo, orégano, manjerona, hortelãs, manjericões, sálvia e tomilho. A palavra officinalis indica que é usado na antiguidade como medicinal.

Ocorre em quase todas as regiões do Brasil, mas é originário do Sul da Europa e do Norte da África. Se destaca por ser uma das espécies mais versáteis quanto à utilização. No tratamento de doenças, tanto popular quanto na medicina oficial, é amplamente utilizado. Tradicionalmente, seu uso é amplo, e pesquisas confirmam sua ação como antioxidante, antimicrobiano, dentre outras.

Além do uso de partes da planta em infusão, o seu óleo também é amplamente aplicado nas indústrias de fitoterápicos e de cosméticos.

Sua altura é variada no país. Tem variedade com menos de 0,5 m de altura e outras que ultrapassam 2,0 m. A variedade menor ainda não é muito conhecida no Brasil.

Exemplos de usos do alecrim no Vale do Paraíba

Em todo o Vale do Paraíba, região onde se localiza Areias, vamos encontrar alecrim. Nesta região é amplamente utilizado na medicina popular. Seu chá, preparado por infusão, é utilizado popularmente como tranquilizante natural, tanto para o lado físico quanto o mental, contra a azia, para melhoria na digestão e até no tratamento de artrite.

Na região também é citado para uso em banhos, com o objetivo de alívio de dores musculares. Ainda na medicina popular, se utiliza o alecrim em gargarejos para dores de garganta ou infecções bucais. A sua essência é aplicada nas dores musculares e ouviu-se também casos onde algumas gotas do seu óleo essencial foram acrescentadas ao shampoo, tornando-o um potente aliado no tratamento de caspa.

Na culinária, é utilizado para temperar carnes bovina e suína.

Texto:
Kananda Silva Rodrigues - Acadêmica de agronomia - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Professor - UNITAU
Maria Beatriz da Silva Pereira - Acadêmica de agronomia - UNITAU

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O uso das ervas medicinais encontradas em São Miguel das Missões, RS

29 de dezembro de 2015

O uso das ervas medicinais pelos Benzedores e Mateiros nas Missões tem sua utilização há mais de 400 anos;

São encontrados escritos sobre plantas medicinais nos livros dos jesuítas desde o inicio das reduções em 1609 e que comprovam o uso histórico das plantas missioneiras. Para quem vem a São Miguel é imperdível ir visitar um dos benzedores conhecedores profundos das plantas e seus usos.

Uma destas plantas é a cobrina também conhecida por forquilheira (Tabernaemontana catharinensis DC.) tem reconhecido valor como planta medicinal. Esta é uma arvore nativa no Sul do Brasil. No conhecimento popular ela é muito utilizada no preparo de um extrato para passar na pele quando a pessoa é picada por insetos, mas tem potencial para outras utilizações.

Existem também produtores de leite que utilizam a planta em pequenas quantidades na alimentação para prevenção de mastite, ou mesmo o uso de extrato injetável no teto da vaca, quando o animal está com o problema instalado. Porém não conhecemos estudos oficiais que comprovem sua eficiência, apenas os relatos de produtores que afirmam que os resultados são satisfatórios.

O preparo do extrato de cobrina que é utilizado na pele para aliviar os sintomas de picadas de cobra, insetos, alergias, cobreiro, etc, é muito conhecido principalmente pelas pessoas que vivem no campo. Para extrair o princípio ativo geralmente é utilizado álcool ou até mesmo cachaça, a parte da planta mais usada é a casca.

A cobrina tem também potencial para o paisagismo, seu crescimento rápido, seus frutos coloridos quando maduros e sua folhagem intensa, são pontos que contam a favor. Por outro lado, a planta solta bastante folhas e frutos no inverno, algo que não é muito desejável em determinados projetos paisagísticos.

Estudos indicam que a cobrina pode ser um bom aliado contra o câncer de laringe e outras doenças. Pesquisas vem sendo realizadas para desenvolver medicamentos com a planta.

Visitar São Miguel das Missões é descortinar um mundo de possibilidades culturais milenares.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sob as bênçãos do xamã

Baixar versão em PDF Campinas, 19 de outubro de 2015 a 25 de outubro de 2015 – ANO 2015 – Nº 641

Dissertação detalha ações de resistência de indígenas de Roraima

Fotos: Cintia dos Santos Perreira da Silva/Divulgação
Edição de Imagens: Fábio Reis
Relações de poder ainda permeiam a vida das populações indígenas no Brasil. Uma das bandeiras, a luta pela terra e pela garantia da manutenção de seu modo de vida, parece estar longe de ter um fim. Um estudo de mestrado do Instituto de Geociências (IG) mostrou que a intrusão da Rodovia Perimetral BR-210 no Estado de Roraima, na década de 1970, trouxe para os indígenas Yawaripë (subgrupo Yanomami) epidemias, doenças e desestruturação socioespacial. 

Apesar da desestruturação ainda ser intensa nessas aldeias, têm havido ações dos próprios Yanomami para recuperação da sua cultura como forma de resistência e resgate das características culturais que foram, aos poucos, desaparecendo com a intrusão da rodovia e de não indígenas em seu território, dentre eles garimpeiros, mineradores, madeireiros, produtores agrícolas modernizados, assentados rurais de projetos do Incra. 

A intrusão da rodovia modificou as relações sociais e a autonomia sobre os deslocamentos migratórios do grupo pelo território. Impedidos de exercerem seus costumes, pelo contato massivo com trabalhadores da construtora da rodovia e outros agentes, os Yawaripë tiveram alterações na base técnica da sua vida coletiva, o que exigiu transformações no comportamento e na forma de uso do território. 

O que está em jogo é o regime de propriedade da terra e as relações de poder sobre o uso do território. Essa é a constatação da antropóloga Cíntia dos Santos Pereira da Silva em estudo orientado pelo docente do Instituto de Geociências (IG) Vicente Eudes Lemos Alves.

Cíntia começou a pesquisar os Yawaripë em 2013 e fez trabalho de campo em Roraima em 2014. Os Yawaripë habitam as comunidades de Serrinha e Cachoeirinha, distantes uma da outra cerca de 1 km, com uma população em torno de 145 habitantes (segundo dados DSEI – Distrito Sanitário Especial Indígena, de 2014).

Nessa imersão, buscou analisar o fio condutor do processo de desestruturação social gerado pela intrusão da rodovia, além de revelar, através de análise das práticas socioespaciais, como esse grupo resiste à desestruturação total do seu modo de vida. 

A antropóloga permaneceu 15 dias em trabalho de campo, visitou a terra indígena e fez pesquisas na capital, em órgãos públicos e na Hutukara Associação Yanomami (HAY). Durante a visita, foi acompanhada por funcionários do Instituto Socioambiental e da HAY. 

Como ela não é falante da língua Yanomami (conjunto linguístico: Yanomam, Yanomami, Ninam ou Yanam e Sanima), precisou de ajuda na tradução dos diálogos. Os funcionários do Instituto Socioambiental e alguns Yanomami que trabalham na HAY fizeram essa ponte. 

Mesmo com o processo de desestruturação socioespacial, averiguou a especialista, eles ainda mantêm algumas tradições. “Esse processo, imposto pela intrusão da rodovia e pelo contato com não indígenas, culminou no enfraquecimento das tradições e práticas Yanomami, convergindo para degradação socioespacial, mortes e epidemias”, lamenta. 

INTRUSÃO

As interferências na aldeia aconteceram mais a partir da década de 1970, quando iniciou a construção da rodovia BR-210 no território Yanomami. O traçado da rodovia cortou o território onde habitam os Yawaripë, além de outros subgrupos Yanomami. Os Yawaripë foram os mais atingidos. Eles estavam mais próximos do limite leste da terra indígena (limite com municípios como Caracaraí e Mucajaí). Com isso, a intrusão impôs vários deslocamentos involuntários que concorreram para um papel desestruturante da vida socioespacial desse grupo.

Hoje, é muito difícil fazer um censo nas aldeias, em especial pelas características socioterritoriais desses grupos, que são marcadas por mudanças permanentes de suas habitações, e pelo relativo isolamento dessas populações. 

Não obstante, desde 1973 verifica-se uma dramática redução no contingente da população indígena, em virtude de mortes por conflitos com não indígenas, sobretudo por epidemias resultantes do contato não indígena. Só em 1990, esse grupo iniciou uma recuperação demográfica lenta e gradual. 

Os Yawaripë ficam mais isolados dos outros Yanomami e, em alguns momentos, têm um maior contato com os não indígenas do que com os próprios Yanomami. 

Um dos objetivos da pesquisa foi observar, a partir do método comparativo-dialético e da análise da teoria da Morfologia Social, de Émile Durkeim e Marcel Mauss, como houve a desestruturação social desse grupo através da investigação da sua vida social, suas técnicas e seus processos de resistência à intrusão dos objetos técnicos no território Yanomami. A pesquisadora comparou a morfologia social das aldeias Yanomami com a morfologia social das aldeias Yawaripë. 

CHABUNO 

Cíntia ressalta que grande parte das aldeias Yanomami são compostas de casas coletivas de círculos concêntricos, que são ressonâncias do uso do território onde o centro é o lugar do coletivo. 

No círculo central, fica a casa coletiva – o Chabuno. No espaço interaldeão, os círculos são divididos conforme as atividades nos microespaços do cotidiano. 

O círculo que se distancia 5 km da casa coletiva é a área de uso imediato. À 10 km de distância, em outro círculo, têm as atividades individuais (caça, pesca, roça, coleta familiar diária). Num raio de 10 a 20 km, ocorrem as expedições de caça e coleta plurifamiliar. “Esses círculos fazem parte da conformação socioespacial dos Yanomami e da manutenção do seu modo de vida”, conta Cíntia. 

Os Yanomami são organizados e vivem dentro dos círculos internos. Há uma lógica espacial de distribuição das atividades cotidianas, sendo que as famílias da aldeia vivem todas no Chabuno (círculo maior), e cada família possui um espaço determinado. 

A área central, chamada Yano a miamo (praça central), é o espaço multifuncional dos rituais fúnebres, de pajelança e xamânicos, além de ser o lugar de celebração das alianças com outras aldeias Yanomami. 

Eles vivem no Chabuno de dois a três anos. Nesse período, a colheita e a caça diminuem. Então percebem que está na hora de montar outro Chabuno em outro lugar. A distância que eles estipulam para o próximo domicílio é a distância suficiente para que o novo Chabuno tenha alimentos, o que não exclui a possibilidade de um retorno ao sítio antigo para colhê-los. 

Pode ser que, dali a 20-30 anos, eles voltem e tenham que reconstruir outra moradia no lugar do sítio antigo. Por isso, a necessidade de se manter a eficiência da utilização do espaço e da lógica de sua ocupação. 

É curioso que, enquanto o Chabuno vai sendo reconstruído, eles montam abrigos temporários próximos à nova construção, até que ela fique pronta. “Ficou claro que eles migram em seu território para não fazer uso extremo dos recursos naturais. Os Yanomami acreditam que, para a sobrevivência do ciclo da caça e da agricultura, é necessário um período de recuperação”, contextualiza a mestranda. 

XAMÃ

Nos processos de resistência dos Yawaripë contra essa ‘guerra genocida’, tem a figura do xamã. A técnica é a mediação do homem e da natureza. Ele é o único capaz de se conectar e traduzir os ensinamentos dos espíritos Xapiripë na proteção da aldeia. 

O xamã é aquele que detém o conhecimento do mundo terreno e é o único que pode manter os membros da aldeia em segurança contra investidas cosmológicas, bruxaria e ataques de guerreiros. 

Dessa forma, os fenômenos da natureza, a oferta de caça, pesca, plantação, fertilidade dos solos, todos esses elementos estão interligados e são controlados pela interferência dos xamãs. “Devido ao contato com o não indígena, também houve degradação ecológica, recrudescimento demográfico, desnutrição e mortes. Por isso o valor de se resgatar o papel do xamã nas aldeias Yawaripë”, defende.
LATIFÚNDIOS

A terra dos Yanomami é a única demarcada de modo contínuo em maior extensão para uma etnia no país, estando situada tanto no Brasil quanto na Venezuela. Além dos 19.338 Yanomami que habitam a terra indígena, há também cerca de 471 Yekuana (falantes da língua Karib), de acordo com o DSEI (2011). 

Cíntia avaliou os Yawaripë para entender o processo de desestruturação social e pela necessidade de discutir agora a intrusão de técnicas e materialidades no seu território. Também pelo fato de ser o grupo que mais sofreu com a intrusão da BR-210, como é possível observar (além de outros elementos) no tipo de construção das casas (modelo regional) com telhado, porta e janelas. 

Esse episódio trouxe todo tipo de contato, a priori com empregados da construtora da rodovia e com fazendeiros que arrendaram pequenas propriedades nos arredores da terra indígena. Posteriormente, adentraram o território Yanomami próximo às habitações Yawaripë. 

A região recebeu loteamentos de terra (por assentamento) e latifundiários. O que ocorria no entorno, entrou na terra. “Quando se está no limite, é difícil respeitá-lo sem uma política de proteção efetiva do Estado e dos órgãos de proteção dos indígenas”, salienta. “Os fazendeiros devastam a terra para plantar com vistas ao agronegócio. Isso tem graves implicações na fauna e na flora, culminando em degradação ambiental.” 

Por conta disso, os Yawaripë começaram a não ter mais alimento porque a caça fugiu e porque não conseguiam mais plantar. Não dava mais para pescar, pois o rio foi poluído e, assim, não tinham como sobreviver. Passaram a precisar de assistência e, em alguns casos, a mendigar para sobreviver. 

Após um longo processo de luta, o grupo tem conseguido retirar fazendeiros de suas terras. Contudo, há necessidade de políticas eficazes dos órgãos para que isso não volte a ocorrer. 

O apoio da Hutukara está trazendo para as duas comunidades Yawaripë a chance de recuperar as suas atividades cotidianas e socioespaciais. A associação fez, em 2013, o encontro de xamãs na aldeia Yawaripë. Esse encontro, além de outras atividades da HAY, tem como objetivo trazer para essas comunidades a possibilidade de recuperar suas atividades sociocosmológicas. 

O processo de desestruturação foi muito grave, mas, para a recuperação das características socioespaciais, o xamã tem um papel fundamental, por trazer para a aldeia o resgate das características socioculturais dos Yanomami, comenta Cíntia. 

Os Yanomami devem buscar aproximação e, a partir daí, recuperar uma parte da cultura que se perdeu com o contato com o não indígena. São 45 anos desse contato. “As políticas de distintos governos não são em prol dos indígenas e sim dos grandes produtores agrícolas. Estes são problemas de ontem e de hoje. Então a luta continua.”

Publicação

Dissertação: “Os Yawaripë Yanomami: da intrusão da rodovia perimetral norte aos processos de resistência dos povos da floresta”

Autora: Cíntia dos Santos Pereira da Silva

Orientador: Vicente Eudes Lemos Alves

Unidade: Instituto de Geociências (IG)

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