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sábado, 5 de janeiro de 2019

Promotores de crescimento para frangos de corte - resenha de artigo

Autoria da resenha: Médica Veterinária Fernanda Moreira Delavy

ALLIX, Eduardo. Promotores de crescimento para frangos de corte. 2010. 29 f. TCC (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/handle/10183/48980>. Acesso em: 12 jan. 2019. 

A produção brasileira de frango de corte nas últimas décadas apresentou resultados satisfatórios, com alta produção e baixo custo. O autor destaca que a avicultura desempenhou papel importante na alimentação de alta qualidade para o consumo da população. 

No entanto, a maior intensidade na produção fez com que os animais ficassem mantidos sob estresse intenso, e, com isto, o consumo alimentar dos frangos diminuiu. A solução obtida, segundo o autor, foi o uso de promotores de crescimento com doses preventivas na alimentação das aves. 

Dentre os promotores de crescimento, nas últimas décadas se destacaram os antibióticos, os quais são utilizados para controlar patologias subclínicas nos animais, proporcionando com que as aves expressem todo o seu potencial genético e que ocorra crescimento de bactérias benéficas. Estes microrganismos produzem aminoácidos e vitaminas, assim, diminuindo a exigência de nutrientes das aves (ALLIX, 2010) 

Contudo, o surgimento da resistência aos antibióticos, fez com que surgissem reações ao uso destes produtos. Mas o autor afirma que a consequência da retirada dos promotores de crescimento à base de antibióticos na Europa ocasionou redução do desempenho zootécnico na produção animal.  

Com isto, foram desenvolvidas pesquisas com outros tipos de promotores de crescimento. Dentre ele, os probióticos e os prebióticos, considerados alternativas para serem usados como promotores de crescimento na produção de frango de corte, pois favorecem o desempenho e o rendimento das carcaças. 

Apesar de algumas pesquisas com os simbióticos resultarem em desempenho semelhantes aos derivadas do uso de antibióticos, outras pesquisas tem apontado divergências (ALLIX, 2010). 

O autor exemplifica outros produtos que estão sendo testados para substituir os antibióticos, como, por exemplo, os nomeados como “orgânicos” e dentre eles estão os ácidos orgânicos, extratos de plantas, óleos essenciais e enzimas digestivas. 

sábado, 22 de julho de 2017

Resenha de artigo sobre o uso da citronela no controle de carrapato em bovinos - 2

Resenha:
Marcos Roberto Furlan - Eng, Agrônomo - Prof. UNITAU e Faculdade Cantareira
Melissa Guimarães - Acadêmica Medicina Veterinária - UNIP - Unidade São José dos Campos 

Referência
OLIVO, C. J.; CARVALHO, N. M.; SILVA, J. H. S.; VOGEL, F. F.; MASSARIOL, P.; MEINERZ, G.; AGNOLIN, C., MOREL, A. F.; VIAU, L. V. Óleo de citronela no controle do carrapato de bovinos. Ciência Rural, v.38, n.2, p.406-410, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cr/v38n2/a18v38n2.pdf. Acesso em: 20 de jul 2017.


Olivo et al. (2008), avaliando o efeito in vivo e in vitro do óleo de citronela no carrapato de bovinos (Boophilus microplus), concluíram que o referido óleo pode ser usado no controle desse parasita.

Para a pesquisa, fêmeas ingurgitadas, com comprimento superior a 4mm, foram colhidas de animais da raça Holandesa. As teleóginas foram colocadas em grupos de 10 em cada placa de petri e submetidas ao teste do biocarrapaticidograma, em três imersões, com intervalos de 24 horas.

Concentrações iguais ou superiores a 1 % proporcionaram em fêmeas ingurgitadas eficiência acima de 75 %.

Os autores destacam que "os resultados podem ser importantes como estratégia de controle do carrapato em diferentes sistemas de produção". Mas complementam que há necessidade de se fazer estudos com objetivo de otimizar o óleo de citronela, especialmente na avaliação com emulsionantes, na forma e no período de utilização do produto constituído.

Obtenção do óleo

Por meio da destilação, o óleo essencial, com rendimento de 0,7 % foi obtido das folhas frescas da citronela. Os bioativos mais importantes do foram citronelal, citronelol e geraniol.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Resenha de artigo sobre o uso da citronela no controle de carrapato em bovinos - 1

Resenha:

Marcos Roberto Furlan - Eng, Agrônomo - Prof. UNITAU e Faculdade Cantareira
Melissa Guimarães - Acadêmica Medicina Veterinária - UNIP - Unidade São José dos Campos 

Referência:

AGNOLIN, C.A.; OLIVO, C.J.; LEAL, M.L.R.; BECK, R.C.R.; MEINERZ, G.R.; PARRA, C.L.C.; MACHADO, PP.R.; FOLETTO, V.; BEM, C.M.; NICOLODI, P.R.S.J. Eficácia do óleo de citronela [Cymbopogon nardus (L.) Rendle] no controle de ectoparasitas de bovinos. Revista brasileira de plantas medicinais, v.12, n.4, p.482-487, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbpm/v12n4/a12v12n4.pdf. Acesso em: 19 de julho 2017.

A citronela (Cymbopogon nardus (L.) Rendle) é uma espécie de origem Asiática, mas que se adaptou muito bem no Brasil. Além de uso em produtos industriais, é comum seu uso caseiro como repelente de pernilongos. No entanto, pesquisas demonstram que somente o plantio não é eficaz na repelência, e sim o seu óleo essencial.

Com relação ao uso na veterinária, Agnolin et al. (2010) testaram o uso do óleo essencial da citronela em 15 vacas da raça Holandês no controle do carrapato bovino [Rhipicephalus (Boophilus) microplus], da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans), da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) e da mosca doméstica (Musca domestica). Apesar de não obter resultados eficientes no controle das moscas, os autores verificaram que a solução com 4% de óleo de citronela, aplicada a cada sete dias, controla a infestação de carrapatos.

Informações sobre o óleo utilizado no experimento

O óleo de citronela, produzido no Rio Grande do Sul, foi obtido por meio da destilação a vapor da parte aérea de plantas frescas. O rendimento na destilação foi de 0,7%, aproximadamente, e componentes ativos mais importantes foram: citronelal, geraniol e o citronelol, correspondendo a 50,07; 13,87; 7,93%, respectivamente no óleo essencial.

Para o ensaio, formulações foram feitas momentos antes da aplicação e aplicadas com pulverizador costal após a ordenha da tarde. À solução do óleo de citronela a 4% foi adicionado 0,5% de detergente neutro. Foram aplicados três litros de calda por vaca, e a reaplicação dos produtos foi feita quando os animais apresentavam reinfestação mínima de 10 teleóginas por animal.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sunshine vitamin linked to improved fertility in wild animals

Date: January 13, 2016
Source: University of Edinburgh

Summary:
High levels of vitamin D are linked to improved fertility and reproductive success, a study of wild sheep has found. Experts hope that further studies will help to determine the relevance of the results for other mammals, including people.
High levels of vitamin D are linked to improved fertility and reproductive success, a study of wild sheep living on the remote Scottish island of St Kilda shows. Sheep with higher levels of vitamin D metabolites in their blood at the end of summer went on to have more lambs in the following spring, the study found.
Credit: University of Edinburgh

High levels of vitamin D are linked to improved fertility and reproductive success, a study of wild sheep has found.

The study, carried out on a remote Hebridean island, adds to growing evidence that vitamin D -- known as the sunshine vitamin -- is associated with reproductive health.

Experts hope that further studies will help to determine the relevance of the results for other mammals, including people.

Researchers led by the University of Edinburgh measured concentrations of a marker linked to vitamin D in the blood of an unmanaged population of Soay sheep, on St Kilda.

Scientists found that sheep with higher levels of vitamin D in their blood at the end of the summer went on to have more lambs in the following spring.

The study offers the first evidence that an animal's vitamin D status is associated with an evolutionary advantage.

Vitamin D is produced in the skin of sheep and other animals, including people, after exposure to sunlight. It can also be found in some foods, including certain types of plants. It is essential for healthy bones and teeth and has been linked to other health benefits.

Many studies in the lab have linked vitamin D to reproductive health in animals and humans. This is the first evidence of the link in wild animals.

Scientists carried out the research as part of a long-term study on the evolution of Soay sheep. The animals have lived wild for thousands of years on the islands of St Kilda, a world Heritage site owned and managed by the National Trust for Scotland.

The research is published in the journal Scientific Reports. It was funded by the Wellcome Trust and the Natural Environment Research Council.

Dr Richard Mellanby, Head of Small Animal Medicine at the University's Royal (Dick) School of Veterinary Studies, who led the research, said: "Our study is the first to link vitamin D status and reproductive success in a wild animal population.

"Examining the non-skeletal health benefits of vitamin D in humans is challenging because people are exposed to different amounts of sunlight each day. Studying the relationship between skin and dietary sources of vitamin D -- and long term health outcomes -- is more straightforward in sheep living on a small island."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by University of Edinburgh. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Ian Handel, Kathryn A. Watt, Jill G. Pilkington, Josephine M. Pemberton, Alastair Macrae, Philip Scott, Tom N. McNeilly, Jacqueline L. Berry, Dylan N. Clements, Daniel H. Nussey, Richard J. Mellanby. Vitamin D status predicts reproductive fitness in a wild sheep population. Scientific Reports, 2016; 6: 18986 DOI: 10.1038/srep18986

Cite This Page:
University of Edinburgh. "Sunshine vitamin linked to improved fertility in wild animals." ScienceDaily. ScienceDaily, 13 January 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/01/160113100557.htm>.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Plantas medicinais melhoram saúde dos peixes em piscicultura (www.embrapa.br)

03/11/15

Foto: Síglia Souza
Plantas conhecidas pelo uso terapêutico na saúde humana também podem proporcionar tratamento eficaz para doenças bacterianas e parasitárias que atacam peixes cultivados. É o que vêm demonstrando pesquisas lideradas pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), que apresentam resultados promissores ao encontrar plantas medicinais com substâncias que poderão ser futuramente usadas em bioprodutos para evitar perdas de produtividade em piscicultura.

Entre os resultados recentes de projeto da Embrapa Amazônia Ocidental, cinco óleos essenciais extraídos de plantas medicinais se mostraram eficientes contra a bactéria Aeromonas hydrophila, principal agente causador de doenças na criação de peixes. Os óleos essenciais que apresentaram atividade antibacteriana foram extraídos das plantas alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum), alecrim-pimenta (Lippia sidoides), erva-cidreira (Lippia alba) hortelã-pimenta (Mentha piperita) e gengibre (Zingiber officinalis). A líder do projeto, pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Edsandra Chagas, informa que esses óleos apresentaram ação bacteriostática (inibem o crescimento) e bactericida (produzem a morte da bactéria).

Outro resultado importante para o tratamento de doenças parasitárias em peixes, utilizando produtos naturais, foi a identificação de que um princípio ativo encontrado em algumas plantas aromáticas pode ser utilizado para controle de parasitos que afetam peixes. Trata-se do eugenol, encontrado em algumas plantas aromáticas, como o cravo-da-índia (Eugenia caryophyllata) e alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum). Pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental identificou que o eugenol usado no tratamento de tambaqui (Colossoma macropomum) mostrou-se eficaz contra monogenoides, parasitos do grupo helmintos que são encontrados nas brânquias. "Constatamos que o eugenol tem efeito anti-helmíntico e é um princípio ativo eficiente no controle de monogenoides, podendo ser indicado para uso na piscicultura", afirma a pesquisadora Cheila Boijink, coordenadora da pesquisa.

Embora sejam resultados preliminares para o tambaqui, a perspectiva é bastante positiva em relação ao uso de plantas com propriedades terapêuticas na piscicultura. "Vários estudos mostram que o emprego das plantas medicinais não apresenta efeitos nocivos para a saúde humana e para o ambiente, além de apresentarem resultados promissores no controle de doenças parasitárias e bacterianas em peixes", afirma Edsandra Chagas, líder de projetos de pesquisa em sanidade aquícola. Países como China, México, Índia, Tailândia e Japão já utilizam produtos naturais na criação de peixes e camarões, com bons resultados. 

Tambaqui 

Na Embrapa Amazônia Ocidental, o principal foco das pesquisas com plantas medicinais na piscicultura é a melhoria das condições de saúde do tambaqui, o principal peixe cultivado na região Norte do Brasil e que ocupa o segundo lugar na produção nacional, depois da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus).

A criação de tambaqui vem crescendo no País e os dados oficiais indicam que a produção nacional de tambaqui já corresponde a 22,6% da produção total da piscicultura brasileira, o que representa 88,7 mil toneladas/ano, das 392,5 mil toneladas/ano da piscicultura nacional. Os dados são da pesquisa Produção da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além do tambaqui, são realizadas pesquisas de sanidade aquícola com outras espécies de peixe, como a tilápia-do-nilo e a cachara (Pseudoplathystoma fasciatum), em parceria com outros centros de pesquisa da Embrapa e instituições de pesquisa. Os óleos produzidos na Embrapa Amazônia Ocidental estão sendo testados em avaliações para a atividade imunoestimulante, antibacteriana e antiparasitária, em diversas situações.

Em avaliação na Embrapa Tabuleiros Costeiros (AL), o óleo essencial da alfavaca-cravo apresentou atividade antiparasitária em tilápia-do-nilo no controle de monogenoides. Foram realizados testes em laboratório (avaliações in vitro) para verificar o efeito do óleo sobre o microrganismo e a alfavaca-cravo demonstrou 100% de eficácia. Também foram feitos testes em que se expõe o peixe ao produto, chamados de avaliações in vivo, e nesse caso a eficácia foi de 88%, com três aplicações em dias alternados, na forma de banhos curtos.

Em outra avaliação, no Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos (Aquos) do Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foram realizados alguns tratamentos em tilápia-do-nilo com óleos essenciais das plantas alecrim-pimenta (Lippia sidoides) e hortelã-pimenta (Mentha piperita). Foram verificados seus efeitos como antiparasitários contra vermes (Monogenea) parasitos de brânquias de tilápia, na forma de banhos de curta duração. Nesses tratamentos, houve redução do parasitismo em 75% com Lippia sidoides e em 72,5% com Mentha piperita. 

No mesmo laboratório da UFSC, foram verificados resultados em outras avaliações, que sugerem o potencial do óleo essencial de manjericão-cravo (Ocimum gratissimum) como promotor de crescimento e do óleo essencial de gengibre (Zingiber officinale) com efeito imunoestimulante na tilápia-do-nilo. Nesses casos, os tratamentos foram feitos com inserção dos óleos na ração dos peixes.

O pesquisador da UFSC Maurício Laterça Martins, um dos responsáveis por essas avaliações, informa que análises hemato-imunológicas, bioquímicas e histológicas estão sendo conduzidas para complementar esses resultados. "Esses trabalhos auxiliam na compreensão dos efeitos desses óleos essenciais sobre os mecanismos imunológicos dos peixes," diz. Martins considera promissor o uso dos produtos naturais na piscicultura. "Existe grande interesse na utilização desses extratos ou óleos essenciais devido à sua segurança em relação aos produtos sintéticos convencionalmente utilizados no tratamento de enfermidades", afirma.

Boas práticas de cultivo ajudam a manter o princípio ativo nas plantas

O pesquisador Francisco Célio Chaves, do Laboratório de Plantas Medicinais e Fitoquímica da Embrapa Amazônia Ocidental, é o responsável pela produção das espécies vegetais e extração dos óleos essenciais em avaliação nas pesquisas. Chaves explica que a padronização em ótimas condições do sistema de cultivo das plantas medicinais influencia no teor de princípio ativo encontrado nelas e isso é um pressuposto quando se pensa em futuramente atender a indústria para a produção de bioprodutos.

Por isso é realizada a pesquisa agrônomica para o conhecimento de quais as melhores condições para o processo de produção da muda, adubação, tratos culturais e momento correto da colheita. São estudadas ainda as melhores condições para preparação das plantas para extração do óleo essencial. "Com essas condições mais controladas de cultivo, consequentemente se tem matéria-prima de melhor qualidade, para se obter o teor de princípio ativo dentro dos padrões exigidos", explica o pesquisador. 

Após o cultivo e a obtenção do óleo essencial das plantas pela Embrapa Amazônia Ocidental, os óleos são analisados na Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), para determinação do perfil fitoquímico. 

Doenças na piscicultura representam riscos à produção

Com o crescimento dos empreendimentos de piscicultura e da produção em escala intensiva, tem se verificado maior ocorrência de doenças em peixes. Essas enfermidades podem causar mortalidade dos peixes e perdas de lucratividade aos produtores. A busca por princípios ativos presentes em plantas medicinais é uma alternativa que as pesquisas vêm avaliando para oferecer opções para o tratamento de doenças na aquicultura. Além disso, outras estratégias são adotadas com foco em práticas de manejo para prevenir as enfermidades e manter os plantéis mais saudáveis.

Síglia Souza (MTb 66/AM) 
Embrapa Amazônia Ocidental 
amazonia-ocidental.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (92) 3303-7852

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

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domingo, 11 de outubro de 2015

Roca Sales, Rio Grande do Sul: Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.

14 julho 2015

Numa parceria entre Emater/RS ASCAR e União Roca Salense de Clube de Mães, realizou-se na última sexta-feira (10), na propriedade de Clair Maria Kehl, uma oficina de Fitoterapia Animal.

Na oportunidade, o Técnico em Agropecuária da Emater/RS ASCAR municipal de Encantado, Antonio Maccali realizou demonstrações de receitas e técnicas fáceis e econômicas que podem ser utilizadas no tratamento de estufamento animal, mastite ou mamite, diarréia, endo e ectoparasitas. Além disso, Maccali ainda abordou diversos temas relacionados à sanidade animal

Segundo a Extensionista de Bem-Estar Social Leandra Bagatini essa é a quarta oficina sobre Fitoterapia Animal desenvolvida no Município esse ano, sendo que este trabalho objetiva diminuir custos na prevenção e tratamento de doenças que acometem o rebanho na produção leiteira.
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domingo, 13 de setembro de 2015

Ração com erva-mate para boi melhora qualidade da carne

10 de setembro de 2015

Reinaldo José Lopes | Agência FAPESP – Misturar uma pequena quantidade de extrato de erva-mate à ração do gado de corte pode ser suficiente para produzir uma carne com mais benefícios à saúde, mais agradável ao paladar e com maior prazo de validade.

O resultado vem de uma colaboração entre pesquisadores brasileiros e dinamarqueses, projeto que durou três anos e desenvolveu estratégias inovadoras para a produção de proteína animal e de pão.

Apoiado pela FAPESP e pelo Innovation Fundation Denmark (antigo Danish Council for Strategic Research), o projeto “Pão e Carne para o Futuro” foi concluído com um workshop realizado no dia 28 de agosto de 2015 no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP).

Além do efeito positivo do mate sobre o rebanho bovino, a equipe verificou benefícios semelhantes na alimentação do frango de corte, descobriu maneiras mais eficientes e saudáveis de produzir carne curada (como o presunto tipo parma ou a carne-seca) e estratégias para incorporar até 30% de farinha de mandioca à fabricação de pão em escala industrial.

“Conseguimos reunir de forma muito interessante uma equipe multidisciplinar que nunca tinha trabalhado junta, incluindo químicos, microbiologistas, agrônomos, engenheiros de alimentos e farmacêuticos, fazendo experiências que ainda não tinham sido tentadas no Brasil”, disse Daniel Rodrigues Cardoso, professor do IQSC-USP e coordenador da iniciativa do lado brasileiro.

“Hoje, se alguém quiser saber como determinada ração afeta o perfil metabólico da carne, conseguimos responder sem dificuldade a essa pergunta graças ao projeto”, disse.

Além da USP e da Universidade de Copenhague, participaram do projeto a Embrapa e duas empresas, a Centroflora (fornecedora dos extratos de erva-mate) e a Novozymes (que colaborou com as enzimas usadas em diversos experimentos), além de pesquisadores de outras instituições. O investimento nacional na pesquisa ficou em cerca R$ 1,4 milhão, com contrapartida idêntica dos financiadores dinamarqueses.

Macia e sem estresse

De acordo com os pesquisadores, há uma série de indícios sobre os benefícios à saúde humana que podem estar ligados ao consumo do mate. É possível que a erva facilite o controle do peso e modere processos oxidativos e inflamatórios, por exemplo.

Os efeitos do consumo do mate foram estudados em um plantel de cerca de 50 cabeças de gado, que recebiam um extrato da erva em proporções de 0,25% a 1,5% do total de sua ração.

Não houve mudanças no crescimento e na quantidade de carne obtida a partir de cada animal. Por outro lado, os pesquisadores verificaram, em primeiro lugar, que a carne se tornou mais macia e mais elogiada por consumidores, em teste sensorial cego feito com cem pessoas.

“O desempenho foi melhor inclusive nos testes de força de cisalhamento [feitos por um aparelho que verifica a textura da carne]”, disse Renata Tieko Nassu, da Embrapa Pecuária Sudeste.

A análise das diferentes moléculas presentes na carne mostrou ainda um aumento significativo do ácido linoleico conjugado (CLA) nos bovinos que receberam o suplemento de mate.

Essa substância, explica Cardoso, tem papel anti-inflamatório e pode também auxiliar na diminuição do nível de colesterol de quem a consome. De quebra, atua como antioxidante – ou seja, reduz a formação de moléculas altamente reativas no organismo, que podem causar danos às células. Isso não só é bom para a saúde como também contribui significativamente para aumentar o tempo de prateleira da carne.

Tudo indica que esse efeito benéfico é mediado pela atuação do consumo de mate sobre as bactérias do sistema digestivo dos bois, favorecendo a multiplicação de certos microrganismos. Isso, por sua vez, altera a maneira como o gado absorve nutrientes e, consequentemente, afeta a qualidade da carne.

Além disso, os pesquisadores também observaram uma aparente redução do estresse e melhora no bem estar animal, o que também ajuda a melhorar a qualidade da carne.

Para que a suplementação seja aplicada em larga escala nos rebanhos do país, o próximo passo é achar uma maneira mais econômica de oferecê-la aos animais, segundo explicou Rymer Ramiz Tullio, da Embrapa Pecuária Sudeste.

A questão é que, nos experimentos, foi usado um extrato feito seguindo padrões da indústria farmacêutica, o que encarece o produto. “É preciso verificar se a administração direta das folhas de erva-mate tem o mesmo efeito ou então usar o resíduo que é descartado na produção do extrato, o que também seria bem mais barato”, disse Cardoso.

Mais mandioca

Ampliar o potencial de uso da mandioca na indústria panificadora mundo afora foi outro objetivo-chave do projeto. Como não há expectativa de expansão das áreas de lavoura de trigo no planeta, incluir farinha de mandioca em pães e outros produtos aumentaria a segurança alimentar de muitos países, em especial os de clima tropical.

O grande desafio, conta a pesquisadora dinamarquesa Ulla Kidmose, da Universidade de Aarhus, é compensar a ausência da rede proteica de glúten que está presente na massa de pão feita exclusivamente com trigo.

“Já a mandioca é praticamente só amido, com pouquíssima proteína. E é justamente o glúten do trigo que aumenta o volume do pão e dá a ele uma textura mais suave, duas coisas que, para a indústria, fazem muita diferença”, explicou.

Essa dificuldade, no entanto, foi contornada graças à escolha da variedade de mandioca mais apropriada para a fabricação da farinha e ao uso de um coquetel de enzimas que modificam ligeiramente o processo de fermentação da massa. Com tais ajustes, foi possível fazer com que até um terço da farinha usada na produção do pão fosse de mandioca.

Ulla afirma que a tecnologia poderia ser transferida imediatamente para a indústria, sem muita dificuldade ou custo. “O problema que eu vejo por enquanto é de aceitação, ao menos no mercado europeu ou do hemisfério Norte de maneira geral, porque pouca gente por lá conhece a mandioca hoje”, disse.

Apesar das diferenças de clima, cultivares e animais de criação, Dinamarca e Brasil têm muitos interesses em comum na área da ciência de alimentos, como destacou o coordenador dinamarquês do projeto, Leif Skibsted, da Universidade de Copenhague.

“Os problemas básicos que temos de enfrentar são mais ou menos os mesmos, independentemente do país”, disse Skibsted, que visita a USP de São Carlos ao menos uma vez por ano desde 1998 e foi co-orientador de Daniel Cardoso durante o período em que o pesquisador brasileiro esteve na Dinamarca em seu doutorado-sanduíche. 
A análise das diferentes moléculas presentes na carne mostrou ainda um aumento significativo do ácido linoleico conjugado nos bovinos que receberam o suplemento de mate (foto: divulgação)

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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Matos e Fatos: Chenopodium ambrosioides no tratamento de animais

Cercada de polêmicas quanto aos nomes populares e os seus usos medicinais em seres humanos, a espécie Chenopodium ambrosioides (figura 1) ocorre em boa parte do país. No Sul do Brasil é denominada principalmente de erva-de-santa-maria, enquanto no Norte e no Nordeste recebe os nomes de mastruz, mastruço e mentruz. No Sul, mentruz é usado mais como referência para Coronopus didymus (figura 2).

Figura 1. Chenopodium ambrosioides (sin. Dysphania ambrosioides)
Autor da foto:Paulo Schwirkowski

https://sites.google.com/site/florasbs/chenopodiaceae/erva-de-santa-maria
Figura 2. Coronopus didymus
Autor da foto: Paulo Schwirkowski 

https://sites.google.com/site/florasbs/brassicaceae/mentruz

Apesar de ser classificada como planta daninha, invasora ou concorrente, é raro ocorrer em grandes quantidades nos quintais ou no meio da lavoura. É de origem da América Central e da América do Sul. É citada em livros do colombiano Gabriel García Márquez e do brasileiro Guimarães Rosa.

Na saúde humana, é famosa pelo seu uso com leite como vermífuga ou para tratamento de tosses e tuberculose. No entanto, não é recomendável, pois em pequenas doses pode causar asfixia devido à saída dos vermes. Em altas doses é considerada tóxica.

Em animais, é utilizada também para tratamento de verminoses. Uma das formas de uso na Medicina Veterinária é por meio do macerado de suas folhas. Boelter (2007) cita as seguintes recomendações e respectivas formas e dosagens:

para afastar piolhos pulgas de aves: colocar galhos com folhas e piolhos nos locais onde as aves ficam;

para terneiros: 3 colheres de sopa em 0,5 litro de água; e

para bovinos: 4 a 6 colheres de sopa em 0,5 litro de água.

Apesar do uso como vermífuga, a espécie ainda não foi suficientemente estudada.

Em artigo de revisão, Oliveira et al. (2014) concluíram que a espécie "possui vasta utilização na medicina veterinária como anti-helmíntico, tendo também propriedades antissépticas, digestivas, antioxidantes, antifúngicas, antibacterianas, anti-inflamatórias, sedativas, tônicas, cicatrizantes, esquistossomicidas, molusquicidas, antimaláricas, leishmanicidas, antiacetilcolinesterásicas e atividade repelente". Segundo os autores, "a literatura aponta que esta planta está amplamente difundida, com aplicabilidade terapêutica para o manejo de diversas enfermidades e com alto potencial frente às endoparasitoses e ectoparasitoses. Porém necessita de mais estudos para o estabelecimento de doses espécie-específicas e redução de sua toxidade".

Referências 


BOELTER, R. Plantas medicinais usadas na Medicina Veterinária. 2 ed. Santa Maria: Imprensa Universitária. 2007.

OLIVEIRA, L.S.S.; FERREIRA, F.S.; BARROSO, A.M. Erva de santa maria (Chenopodium ambrosioides L.): aplicações clínicas e formas tóxicas. JBCA, Jornal Brasileiro de Ciência Animal, v.7, n.13, 2014.

Texto


Erica Carvalho Lamari - Farmacêutica
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo
Maria Beatriz da Silva Pereira - Acadêmica de Engenharia Agronômica - UNITAU

domingo, 19 de julho de 2015

Óleos essenciais em ração de suínos


Campinas, 15 de junho de 2015 a 21 de junho de 2015 – ANO 2015 – Nº 628

Óleos essenciais em ração de suínosCPQBA desenvolve micropartícula que tem palmarosa e capim-limão em sua composição

Texto: Carolina Octaviano Especial para o JU
Edição de Imagens: Fabio Reis
Pesquisadores do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp desenvolveram uma micropartícula que compreende uma composição de capim-limão e palmarosa, que pode ser empregada para o controle de doenças causadas por entobactérias, servindo como um aditivo à ração de suínos, em substituição aos antimicrobianos sintéticos utilizados como promotores do crescimento animal.

De acordo com Marta Cristina Teixeira Duarte, coordenadora da pesquisa e desenvolvimento da micropartícula de óleos essenciais, o grande diferencial da nova tecnologia é a obtenção natural do produto, a partir de plantas que contêm uma composição capaz de agir em diferentes alvos na célula microbiana e não apenas em um específico, como é a ação dos antibióticos empregados atualmente. Outra vantagem dessa solução tecnológica desenvolvida na Unicamp é o fato de o produto ser biodegradável. Para obtê-los, não é necessário o uso de solventes orgânicos, e os princípios ativos são de plantas facilmente cultiváveis – sem haver a necessidade de extrativismo. Estes fatores fazem com que a professora considere a tecnologia verde e sustentável.

“A nova tecnologia é um antimicrobiano para aplicação via ração que promove o controle de doenças entéricas e melhora a saúde intestinal dos animais, fazendo com que eles absorvam melhor os nutrientes da ração”, afirma Milenni Garcia Michels, coordenadora de Propriedade Intelectual da Ourofino Saúde Animal, empresa co-titular e licenciada que participou, por meio de parceria, do desenvolvimento da micropartícula. Os testes contaram ainda com o auxílio dos pesquisadores Glyn Mara Figueira, Mary Ann Foglio, Ana Lúcia Tasca Gois Ruiz, Rodney Alexandre Rodrigues, João Ernesto de Carvalho e Benício Pereira, todos do CPQBA. A pesquisa foi apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no âmbito do programa PITE/Fapesp.

A tecnologia já foi testada na alimentação de suínos e demonstrou resultados positivos e satisfatórios. “Ensaios in vivo mostraram que quando óleos essenciais microencapsulados foram adicionados em baixas concentrações à dieta de leitões recém-desmamados, estes apresentaram desempenho superior ao dos animais tratados com antibióticos controles”, explica a professora Marta. Milenni conta que a micropartícula foi aprovada em testes prévios e que há interesse da indústria em registrar o produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e comercializá-lo. “Entretanto não há previsão de chegada ao mercado, pois ainda são necessários outros testes e a etapa de registro no MAPA”, revela a coordenadora da PI da Ourofino.

Na opinião de Milenni, a nova tecnologia é um importante salto tecnológico no segmento de suínos, podendo ser aplicada também à criação de aves. “Os ativos de fonte natural estão de acordo com a tendência mundial, de novos aditivos alimentares”, avalia.

Por se tratar de uma tecnologia desenvolvida em conjunto, a Ourofino é co-titular da patente depositada em 2012 no Brasil e em 2013 no exterior. Assim, possui exclusividade na exploração comercial da micropartícula de cuja composição compreende óleos essenciais e agentes. “Os benefícios da parceria foram vários, dentre eles a interação com um importante grupo de pesquisa e a possibilidade de ter um produto inovador no nosso portfólio”, comenta Milenni.

A professora aponta também para a importância do relacionamento entre universidade e empresas, buscando o desenvolvimento de tecnologias inovadoras. “Trata-se do desenvolvimento de uma tecnologia nacional, o que demonstra que a interação universidade-empresa é imprescindível para gerar, em curto prazo, novos produtos e tecnologias. Espero que esta tecnologia seja um incentivo para que pesquisadores e alunos continuem na busca pela substituição de outros produtos sintéticos por produtos naturais”, aponta Marta.

A coordenadora de PI da Ourofino reitera que a Agência de Inovação Inova Unicamp teve um papel decisivo na tramitação da parceria e do licenciamento, desde os primeiros passos até o alinhamento de entendimentos sobre a relação entre universidade e empresa para aprovação do contrato de licenciamento. “A Agência tem modelos bem estruturados e consegue mediar as necessidades que envolvem essa relação”.

Já a coordenadora das pesquisas defende que o apoio da Inova foi essencial tanto na etapa de negociação do licenciamento com a empresa, como na fase de realização da busca de anterioridade, análise de patenteabilidade, redação de patente e proteção da tecnologia. “Isso só foi possível em curto prazo por podermos contar com profissionais especializados e atualizados em relação às leis de propriedade intelectual”, conclui a professora do CPQBA.

Link:

domingo, 14 de junho de 2015

Erva-de-gato

Não são muitas as espécies de vegetais que atraem animais quando não são utilizadas como alimento ou como medicamento. Aliás, boa parte do conhecimento do ser humano sobre o uso medicinal da flora no começo das civilizações foi observando como os animais se curavam com elas. 

O presente texto vai discorrer sobre uma planta que atrai animais, mais especificamente os gatos. Se trata da Nepeta cataria, nome científico de uma planta da família Lamiaceae. É muito famosa entre os cuidadores de gatos, e no Brasil recebe o nome de erva-de-gato ou até mesmo o seu nome internacional catnip

Mas será que ela atrai a planta por ter um aroma que agrada os gatos, ou se provoca algum efeito alucinógeno? Poderia fazer mal? E atrairia somente os gatos, ou todos os felinos? E ainda uma outra dúvida, seria legal usá-la para o gato se divertir? 

Vamos às dúvidas

A erva-de-gato atrai um grande número de felinos (puma, tigres, leões, leopardos, por exemplo), mas quando novos não possuem este efeito, como, por exemplo, em gatos com até seis meses de idade. 

É mais atraente para gatos machos e em idade de reprodução. 

A principal substância responsável por esta ação é denominada Neptalactona, e seu principal efeito nos felinos é acalmá-los. Mas também pode deixar um gato apático mais ativo. 

A percepção pelos felinos da nepectalona é uma herança genética, estes possuem um órgão responsável pela "captação" do aroma, denominado de Jacobson e que se situa no cérebro destes animais. 

Uma boa notícia, e que observamos na prática, é que não causa dependência química no animal, apesar de seu efeito prazeroso.

Texto:

Fernanda Delavy - acadêmica de Medicina Veterinária - UNIGUAÇU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Plantas com usos nos tratamentos de animais – salsinha

Comparado com as aplicações terapêuticas em seres humanos, as plantas ainda são pouco estudadas quanto ao uso na cura ou na prevenção de doenças em animais. No entanto, muitas comunidades possuem conhecimento sobre o tema, e aplicam espécies vegetais na forma in natura ou em preparados em seus animais com os objetivos de tratá-los, prevenir ou combater parasitas ou até mesmo como complementação na alimentação. Tanto por parte de profissionais quanto por criadores, se observa nestas duas últimas décadas maior atenção ao uso de produtos naturais na medicina veterinária.

Dentre as espécies conhecidas há milênios, se destaca a salsinha, denominada cientificamente por Petroselinum crispum e pertencente à família Apiaceae. A salsinha, ou salsa, tem alguns de seus usos na medicina humana já comprovados cientificamente, como, por exemplo, diurética, antioxidante e antitérmica, sendo, inclusive, utilizadas em alguns projetos oficiais de fitoterapia.

Apesar de ser comum em nossas hortas, a salsinha é de origem europeia, mais especificamente das regiões do Mediterrâneo. Por aqui se aclimatou e ficou famosa devido aos usos na culinária. Atualmente, encontramos disponível no mercado cultivares de salsinha, tanto do tipo lisa quanto crespa.

Quanto à sua composição química, é considerada excelente fornecedora da pró vitamina A, possui óleo essencial com substâncias, como, por exemplo, o apiol e a miristicina e alcoóis terpênicos (mono e sesquiterpenos)}. Também apresenta flavonóides como a apigenina e a luteolina.

Usos tradicionais

No tratamento de animais, criadores utilizam a planta na forma de infuso para tratamento de mastite nas tetas das vacas, para cólicas em animais, como cicatrizante utilizando o sumo de suas folhas frescas e na forma de cataplasma das folhas frescas para induzir a lactação em cadelas (BOELTER, 2010).

Cataplasma é uma forma comum de aplicar plantas medicinais em animais. O cataplasma se trata de colocar no local da lesão uma substância pastosa (geralmente aquecida), que também pode ser o extrato ou a planta medicinal fresca esmagada, entre dois panos. Mas há outras maneiras de usar o cataplasma, pois depende da doença. No caso de plantas, estas podem ser misturadas com farinha e óleos vegetais, óleos minerais ou água, até se formar uma pasta que é aquecida e depois aplicada.

Pesquisas e usos oficiais

No mercado internacional há medicamentos veterinários contendo salsa, como único ingrediente ou em compostos disponíveis, e com as seguintes recomendações em animais, e respectivas referências:

Cólica e indigestão, flatulência, para promover apetite e digestivo, insuficiência renal, cálculo renal, dentre outros (http://www.denes.com/pdfs/HERBAL-GUIDE-FOR-VETS.pdf).

Como medicamento homeopático (com outras espécies vegetais) para problemas relacionados ao sistema urinário (http://www.biopathica.co.uk/documents/vetguidefinal.pdf).

Relatos ou pesquisas sobre efeitos colaterais com o uso da salsa

Indução de fotossensibilidade em aves (http://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/03079458808436437)

Não deve ser consumido por papagaios (http://www.ervanarium.com.br/planta/108/salsa)

Apesar de não ser recomendada para aves, o uso da salsinha na suplementação de forragem em coelhas reprodutrizes aumentou o peso das ninhadas (PINTO et al., 1979). 

O texto tem o objetivo de relatar informações sobre a aplicação da salsa em animais, e não deve servir como recomendação. Para tratar os animais, é imprescindível a orientação do Médico Veterinário.

Referências

BOELTER, R. Plantas Medicinais Usadas na Medicina Veterinária. 2 ed. São Paulo: Andrei. 2010

PINTO, G. C.; REAL, C.M.; ROEHER, R.; DALECK, C.R. Efeito do Petroselinum sativum na alimentacao de Oryctolagus cuniculus domesticusCientífica, v. 7, (suplemento), p.11- 5, 1979.

Texto


Caroline Cattani e Fernanda Delavy– acadêmicas Medicina Veterinária da UNIGUAÇU
Érica Lamari – Farmacêutica
Marcos Roberto Furlan – Engenheiro Agrônomo

domingo, 24 de maio de 2015

Elementos de Etnomedicina Veterinaria en la Historia De Venezuela - 2

Revista del Colegio de Médicos Veterinarios del Estado Lara

Año 3. Número 2. Volumen 6
Julio - Diciembre 2013
Páginas 6 - 18

Naudy Trujillo Mascia, M.V., M.Sc.
Sociedad Venezolana de Historia de la Medicina Veterinaria
Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado
Decanato de Ciencias Veterinarias
Cátedra de Historia, Ética y Deontología de la Medicina Veterinaria
Edificio “B” - Núcleo Tarabana. Telf. 58-251-2592416 Fax 58-251-2592404
naudytrujillo@ucla.edu.ve
Barquisimeto, Venezuela

Etnomedicina Veterinaria en Venezuela Colonial

En general, los sistemas de curación primitivos usados en las zonas ganaderas de la América, de la etapa colonial y de la actualidad, son resultado del sincretismo de conocimientos naturalistas indígenas y africanas con prácticas empíricas tradicionales españolas además de la adición de ciertos y reducidos adelantos científicos. La suma de estos elementos es lo que se ha denominado recientemente Etnoveterinaria, que nos es otra cosa que el saber zoosanitario radicado en el colectivo.

Los indígenas hicieron aportes importantes que se sumaron a los conocimientos empíricos europeos en la terapéutica mestiza colonial; también los negros africanos aportaron lo propio en las unidades de explotación situadas en las áreas rurales, llegándose a convertir, por ejemplo, en el siglo XVIII en los llanos occidentales en los mejores curanderos mediante el uso de medicamentos y brebajes de hierbas y plantas, además de oraciones y sortilegios[6]; y por otro lado, los albéitares-herradores[7] españoles en la conquista de América terminaron por hacer

“…igualmente de boticarios, y a los medicamentos de procedencia española como el romero, la salvia, la mandrágora y la ruda, incorporaron la prodigiosa floración de la medicamenta aborigen del reino vegetal, con una colección de hierbas que abarcaban hasta las alucinógenas que tan primorosamente nos relata Bernandino de Sahagún.”[8]

En Venezuela hasta el siglo XIX, debido a la falta de prevención zoosanitaria ocasionada por la limitada atención científica, las enfermedades aisladas, más aun las epizootias y enzootias[9], resultaban catastróficas; no habiendo mucho que hacer para salvar los rebaños si estas se presentaban. En los hatos, fundos y haciendas o durante los arreos de traslado, los animales enfermos, tanto equinos como bovinos, comúnmente eran sacrificados aprovechándose solamente su cuero debido al temor de consumir carne de un animal afectado.

Bajo este ambiente de limitaciones, sin embargo, el uso de las purgas, unturas, emplastes y cataplasmas vegetales en su mayoría, pero con incorporación en ocasiones de productos de origen animal y mineral, fueron prácticas comunes en el ambiente ganadero; y muchas de estas prácticas siguen siendo usadas en zonas rurales y remotas.

En efecto, solo en casos muy excepcionales donde el animal era víctima del algún percance leve (como una pequeña herida, una caída o un golpe), en el caso de afecciones podales no complicadas, en golpes de calor o en lesiones dermatológicas que comprometieran la calidad del cuero o las facultades de carga del animal se decidía a aplicar tratamientos.

Estas acciones terapéuticas incluían, entre otras cosas, el uso de cataplasmas de hierbas, collares de ajo y emplastos de chimó[10]. La Cocuiza (Agave fourcroydes o Furcraea andina) también es comúnmente utilizada ya que

“Su zumo es profiláctico y cicatrizante [colocado] en heridas, erupciones y lujaciones. Adormece, quita el dolor y aumenta la circulación sanguínea. Se usaba mucho en los esclavoscuereados.”[11]

Asimismo, los recrecimientos de la piel, las ulceraciones debidas heridas o al roce con los aperos o el Mazamorrón, que es como se llamaba la ulceración del surco coronario del casco del caballo, eran tratados a hierro candente[12] con la posterior colocación de cataplasmas vegetales o ungüentos naturales.[13]

Para afecciones de la piel en humanos, viajeros como Caulin y Gumilla mencionan que los indígenas venezolanos usaban las cáscaras de los frutos del Guamache o Guamacho (Pereskia guamacho) y del Jobo (Jobo: Spondias cytherea o Jobito: Spondias bombin) para cicatrizar llagas, el Tabaco (Nicotiana tabacum) para tratar mordeduras de serpientes, la corteza del tronco del Guayacán (Tabebuiasp) para las hinchazones y la semilla del Merey (Anacardium occidentale) molida como cáustico para tratar empeines y ronchas[14]; sin embargo, no es nada descabellado que se haya echado mano de estos medicamentos para tratar afecciones dermatológicas animales.

Otros medicamentos de origen vegetal que efectivamente se usaban en animales eran los laxantes hechos con Berro (Lepidium sativum) colocado en aguardiente o el líquido aceitoso color topacio extraído de los frutos del Tártaro (Tártago de Venezuela: Ricino Ricinus communis) mezclado con leche de yegua o burra[15]; también Gumilla y Caulin mencionan que los indígenas usaban para tal fin la fruta de la Maya (Bromelia chrysantha), el Tourko (¿?) o Canela de El Tocuyo (¿?)[16] y la Tuatúa (Jatropha gossypiifolia)[17].

La investigadora Evangelina Pollak-Eltz ha identificado algunos medicamentos indígenas venezolanos como la infusión de semillas y hojas de Cariaquito (Lanten sp), Guamacho (Petreskia guamacho) y Onoto (Bixa orellana) para la fiebre; las cataplasmas de Guamacho y Verdolaga (Portulaca oleracea) para las heridas infectadas; el Bálsamo de Copaiba (Copaifera officinalis) mezclada con miel y Cocuiza (Aloe vulgaris)[18] para la cicatrización; Aji (Capsiccum sp) mezclado con sal y saliva humana para los ojos infestados; Cuerno de Ciervo[19] mezclado con jugo de Tabaco (Nicotiana tabacum) para tratar mordeduras de culebras.[20]

Por cierto que el uso de las hojas de Tabaco en cataplasmas y bebedizos para cicatrizar heridas parece ser una práctica común entre los negros esclavos africanos.[21] De hecho en el caso del origen de los medicamentos en la medicina indígena americana y africana

“Estudios comprueban que en algunos casos el uso de las plantas medicinales es idéntico y en otros casos la misma planta o alguna similar tiene usos distinto (…) es cierto que los africanos, cuando fueron llevados a América, no podían traer plantas pero si tenían conocimientos de remedios naturales y podían identificar muchas hierbas parecidas en el nuevo ambiente.”[22]

Luego, dada la simpleza de los ingredientes presentados por la doctora Pollak-Eltz y lo común tanto en humanos como en otros animales de las patologías mencionadas, muy probablemente todos estos medicamentos antes descritos fueron también usados en atención veterinaria.

De hecho, no son raras en la historia tanto de la conquista como de la colonia americana, noticias de personajes que ejercían la atención sanitaria tanto de animales como de humanos.

Junto a los conquistadores y colonos españoles y sus rebaños de ganado, particularmente de caballos, llegaron a tierras venezolanas también algunos conocedores de las artes de la herrería y el cuidado y la sanidad animal, algunos de ellos efectivamente albéitares o herradores, sin embargo muchos fueron en ocasiones médicos empíricos, boticarios, barberos sangradores o simples caballeros[23] y ganaderos, y en la mayoría de los casos herreros; estos últimos, aunque dedicados fundamentalmente a la actividad metalmecánica de construcción y forja de herraduras, practicaron el herraje por la necesidad imperiosa del proceso de conquista y todos probablemente se transforma­ron, de hecho, en albéitares practicantes del cuidado animal por la carencia casi absolu­ta de estos profesionales, tal y como podrían evidenciar algunas investigaciones.

También estos albéitares habrían, en algunos momentos, atendido humanos tal y como puede verse por ejemplo en la novela histórica Zárate de Eduardo Blanco, en la cual se da cuenta de uno de ellos, no identificado, en los Valles de Aragua en los comienzos de la época republicana venezolana, quien curiosamente además es requerido para practicarle una sangría no a un animal sino a un humano, prisionero y moribundo[24]. No es de extrañar entonces que habiendo en la conquista de América tan poca cantidad de personas dedicadas a la salud humana, los albéitares y otros personajes encargados de la salud animal

“…a solas y con la muerte rondando, tenían que atender no solo al caballo sino a su jinete…”[25]

Otros ejemplos de esta afirmación son, por un lado, el de Juan Cordero uno de los primeros herradores y albéitares de Buenos Aires en su fundación a fines del siglo XVII y que hacía además de cirujano[26]; y el caso del sacerdote misionero jesuita en Brasil José de Anchieta, fundador de Sao Paulo y Río de Janeiro, quien en marzo de 1550 le relata en una carta a sus hermanos de orden en Coimbra que estando en la localidad de Piratininga sirvió tanto como albéitar como médico diciendo

“…serví de albéitar algún tiempo, esto es, de médico de aquellos indios, y esto fue sucediendo al hermano Gregorio, el cual por mandato del padre Nóbrega, sangró algunos indios (…) Habiendo partido el hermano Gregorio, (…) quedé en su lugar y sangré muchos dos y tres veces y recobraban la salud. Y juntamente servía de poner emplastos, levantaba espinas y otros oficios de albéitar que eran necesarios para aquellos caballos, esto es los indios.”[27]

Confesión que ilustra muy bien el concepto que prevalecía entre los colonizadores del Brasil sobre los habitantes de esas tierras: Los indios eran seres sin alma, por tanto se asemejaban a los caballos.[28]

Pero volviendo a la terapéutica usada por pueblos indígenas, otro campo en donde los aborígenes americanos de condición guerrera, y los habitantes de la actual Venezuela quizás no fueron la excepción, alcanzaron un cierto conocimiento fue en la cirugía. Para la atención de los combatientes heridos

“…los precolombinos lograron algún progreso en (…) [la práctica] hemostática, analgésica y antiinfecciosa…”[29]

Conocimientos de los cuales se nutrieron los conquistadores españoles para conjugarlos con los suyos y usarlos en su propia atención y la de sus animales.

Podemos ver como otros tratamientos indígenas para afecciones más o menos simples se utilizaban desde antaño y se hicieron tradicionales en toda la población siendo ampliamente utilizados en la salud humana tanto como en la animal, al punto que en el siglo XIX fueron famosas las recopilaciones hechas por interesados en el poder curativo de la hierbas y sus acciones terapéuticas en Venezuela como el médico y estudioso de las plantas Gerónimo Pompa en su obra compiladora Medicamentos Indígenas de 1868 que incluye un suplemento sobre enfermedades del caballo en donde entre otras cosas recomienda para las llagas producidas por las sudaderas y las sillas en las bestias lavar la lesión con jugo de Cocuiza (Agave fourcroydes o Furcraea andina) untar manteca con carbón y colocar una hoja de Plátano o Cambur (Musa sp) soasada antes de poner de nuevo la sudadera[30].

Otro caso es el del recopilador de conocimientos antiguos Telmo Romero, quien en 1884 publicó un libro de secretos indígenas llamado El Bien Generalque incluye un Compendio de Veterinaria que agrupa instrucciones y recetas para el manejo de animales, especialmente bovinos y equinos, y el tratamiento de sus enfermedades presentado recetas para curar afecciones como la derrengadera equina (tripanosomiasis), sarna, moquillo, y algunas parasitosis.[31]

En las fórmulas farmacéuticas de Romero predominan las mezclas de elementos vegetales animales y minerales que son usados en forma de purgantes dado el apego de Romero a la concepción de la teoría de los humores; las mismas recetas en ocasiones eran recomendadas para ser usadas a manera de unturas y cataplasmas[32].

Como ejemplo tenemos el comentario de Romero con respecto a la sarna en caballos, la cual era tratada hacia 1884 en Venezuela,

“...como se hacía desde mucho tiempo atrás, con una mezcla de libra y media de manteca de res, cuatro onzas de frutas de bixa, bija o sea onoto [Bixa orellana], cuatro de cebadilla pulverizada...”[33]

La cual era cocinada para extraer el jugo que era colado en un lienzo y administrado, aun tibio, vía oral al animal. El sólido restante del colado se untaba en las lesiones.

Romero también indica que para las nubes, formadas por golpes o cualquier otro incidente, en los ojos de las bestias se le instilaba en el lagrimal un colirio preparado con

“Media onza de Acíbar de Zábila [Aloe vera], media onza de Miel de Abejas y 6 granos de Sal Común”[34]

Para los callos y las gomas se recomendaba una untura compuesta de los siguientes ingredientes:

“Aceite de Coco 2 onzas, Aceite de Linaza 2 onzas, Ácido Fénico 4 onzas y Bromato de Potasa 1 onza”.[35]

Otros ejemplos de antiguas prácticas etnoveterinarias coloniales que han sido tradicionales en la zona oriental de Venezuela, incluida la isla de Trinidad, y que han llegado hasta nuestros días son el uso de plantas para el tratamiento de afecciones en los equinos descritos por un equipo de investigadores canadienses y trinitarios entre los que destacan un cocimiento ya sea de hojas brotes y frutos de la Guayaba (Psidium guajava) o de Plátano o Cambur verde(Musa sp) para la diarrea; cataplasmas de Cactus o Tuna (Opuntia sp), Zábila (Aloe vera) u hojas o aceite de Ricino (Ricino Ricinus communis), también llamado aceite de tártago o de castor, para las torceduras y lesiones de tendones[36], así como el uso de la Liana o Bejuco Cadena (Bauhinia cumanensis) para el tratamiento de mordeduras de serpientes en humanos y perros cazadores[37], práctica también conocida entre la etnia Warao del Delta del Orinoco[38].

Como ya hemos dicho, la mayoría de las plantas medicinales usadas durante la colonia eran específicamente americanas; sin embargo, el intercambio con el mundo a través de los europeos provocó la incorporación del arsenal terapéutico de plantas provenientes de todos los continentes al punto que investigadores señalan que de 216 especies estudiadas en el año 2000 en el norte de Suramérica (Brasil, Venezuela, Colombia, Ecuador y Perú) 80% fueron de origen europeo, mediterráneo o asiático, 9% de origen africano y 8% provenientes del nuevo mundo[39].

Ejemplo es la introducción de la Granada (Punica granatum), de origen mediterráneo, pero ampliamente distribuida en el sur de la península ibérica en donde los ganaderos utilizan el macerado y cocido de su raíz vía oral como antihelmíntico, en especial para las tenias (Taenia saginata o Taenia solium); aunque se conocía también el poder antibacteriano y cicatrizante del macerado de las flores o la corteza de esa fruta colocado sobre las heridas y úlceras[40].

También es importante mencionar otros elementos de la cultura popular asociados al tratamiento de enfermedades, como los esotéricos usados por conocedores que no dejaron constancias escritas de sus “saberes” y prácticas, y de las cuales algunas han llegado hasta nuestros días por tradición oral. Una de ellas consiste en rezar para curar al ganado y justamente el novelista Rómulo Gallegos en su periplo apureño en las jornadas de investigación para escribir su obra Doña Bárbara (1929) tuvo contacto con estas prácticas. De hecho, Gallegos cuyos protagonistas casi siempre se basaban en personajes reales, incorpora en esta novela a un individuo de nombre Melquíades quien era conocido como “El Brujeador” por sus habilidades con la oración para domar potros y sacar el gusano del ganado y cuyos rezos estaban compuestos por una serie de gestos, conjuros y hasta la elección del día de la actividad dependiendo de la fase de la luna[41]. En efecto, el rezo, las solicitudes de protección y las promesas, a santos católicos como San Lázaro, San Francisco de Asís o San Martín de Porres o a cultos paganos como María Lionza todos relacionados con los animales, para la cura de sus afecciones han sido también mucho uso en Venezuela.

En el estado Guárico, en pleno corazón de los llanos venezolanos, existen tradiciones de este tipo. Por ejemplo, en Camaguán los rezos y ensalmes se utilizan contra el mal de ojo, culebrillas, erisipela, lombrices, parásitos, picadas de culebra, plagas e insectos; sirven también para espantar culebras y proteger a las personas y animales; en tal sentido sostiene Malaspina, historiador de la medicina de esa región venezolana

“Julio De Armas dice que para las mordeduras de animales el campesino guariqueño recurre tradicionalmente a emplastes de tabaco [Nicotiana tabacum] masticado, cauterización con hierros, clavos candentes, oraciones y ensalmos.”[42]

Solo es a finales del siglo XIX, cuando el conocimiento de nuevas tecnologías provenientes de exterior fue aumentando, sobre todo con el intercambio establecido en el período guzmáncista[43] con Francia, país natal de la medicina veterinaria científica y académica, empezaron a conocerse las técnicas de prevención y tratamiento de enfermedades de los animales, incluidos los novísimos medicamentos patentados, que los ganaderos fueron asimilando rápidamente. No obstante, los sistemas de tratamiento antiguos siguieron siendo de uso común en muchas regiones del país, tal y como quedó establecido el 1º Congreso de Agricultores, Ganaderos, Industriales y Comerciantes de Venezuela efectuado en Caracas entre el 02 y el 23 de julio del año 1921, cuando se decía que

“…la generalidad de los criadores son personas muy entendidas o prácticas en las curaciones de distintas enfermedades que se presentan en los animales y aplican (…) [algunos] sistemas tradicionales de curación”[44]

Algunos de tales sistemas aplicables a caballos, mencionados por los ganaderos en el referido congreso, los cuales constituyen verdaderos ejemplos de etnoveterinaria, son

“…el uso de baño de agua fría para la derrengadera[45]. La sangría y el abrigo de las bestias previo baño caliente con infusión de guaco y aguardiente para mejorar la bobita[46]. El engrase del lomo y el uso del agua de corteza de guásimo [Guazuma ulmifolia] para bebida en el tabardillo. Fricciones de limón con sal, pomada azufrada, manteca de cerdo o de una mezcla 1:1 de aceite de coco con kerosén para combatir el arestín[47]. Fumigación nasal de humo de yesca (Corazón de maguey [Agave fourcroydes o Furcraea andina]) o insuflación nasal de sal molida para el muermo” [48]

Y para el ganado vacuno recomendaban

“baño de agua fría para controlar el vegijazo o hinchazón de la vejiga. Un collar de limones agrios para la papera. Jarabe de ipecacuana 3 veces al día para la disentería. Sulfato de hierro en polvo para la diarrea del ternero. Untura en las zonas externa de una mezcla 1:1 de aceite de linaza con kerosén o en las zonas internas de una mezcla de 12:1 de sal con azufre para las garrapatas. Los animales que consumen sal muy rara vez se les observan nuches[49]”.[50]

Por cierto que, los nuches y otras miasis, al parecer fueron de las principales enfermedades observadas por los ganaderos coloniales españoles en Venezuela tal y como lo señala Pablo Vila, refiriéndose Relación Geográfica de Nueva Segovia de 1579[51], la cual habla de que los

“…‘…animales que de España han venido se dan muy bien, solo hay un inconveniente que si está herido un animal de los dichos y no se visita en breve, le caen muchos gusanos y así por esta causa no se cría como se criara sino hubiera este inconveniente’. Inconveniente que se extenderá a todo el ámbito nacional y cuya duración es ya demasiado prolongada.”[52]

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Elementos de Etnomedicina Veterinaria en la Historia De Venezuela - 1

Revista del Colegio de Médicos Veterinarios del Estado Lara


Año 3. Número 2. Volumen 6
Julio - Diciembre 2013
Páginas 6 - 18

Naudy Trujillo Mascia, M.V., M.Sc.

Sociedad Venezolana de Historia de la Medicina Veterinaria
Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado
Decanato de Ciencias Veterinarias
Cátedra de Historia, Ética y Deontología de la Medicina Veterinaria
Edificio “B” - Núcleo Tarabana. Telf. 58-251-2592416 Fax 58-251-2592404
Barquisimeto, Venezuela

RESUMEN

El crisol en donde se formó el mestizaje racial durante el período colonial en el Nuevo Mundo también sirvió para la unión sincrética, en tanto a fusión y asimilación, de diversos elementos provenientes de Europa, África y América relacionados con la preservación o recuperación de la salud, tanto de humanos como de animales, que habían sido aprendidos y transmitidos por los llamados sanadores, presentes en cada cultura, con el propósito de lograr la supervivencia.

Este conjunto de conocimientos derivado de experiencias compiladas a lo largo de los siglos, inclusive mucho antes del establecimiento formal de las ciencias médicas, se denomina genéricamente Etnomedicina o Etnomedicina Veterinaria, dependiendo de las especies atendidas, y abarca tantas disciplinas como por ejemplo la botánica, la química, mineralogía, la biología, la antropología, la teología y el misticismo, la ecología, la economía, la lengua, la sociología, la zoología, la farmacología, la geografía y la nutrición, entre otras.

Presentaremos algunos ejemplos de estas formas de prevención y curación de enfermedades dadas en la historia venezolana, que permitirán evidenciar la integración de los saberes de las personas, las habilidades, los métodos, las prácticas y las creencias en función de atender el bienestar de los individuos.

Palabras clave: Etnomedicina, Etnoveterinaria, Venezuela, Historia

ABSTRACT

This article presents some examples referred to integration of knowledge, methods, practices and beliefs about prevention and healing and related with ethnomedicine and veterinary ethnomedicine observed in Venezuela’s history. This knowledge, dedicated to gain battles against diseases and get survival, surges before the formal establishment of medican sciences in Venezuela from syncretism of ancient practices of Europeans, Africans Slaves and Indigenous healers united in the colonial period and it combines different disciplines like:botany, chemistry, mineralogy, biology, anthropology, theology and mysticism, ecology, economy, language, sociology, zoology, pharmacology, geography and nutrition, among several others.

Key words: Ethnomedicine, Veterinary Ethnomedicine, Venezuela, History

Introducción

Desde tiempos remotos, las civilizaciones de diferentes partes del mundo han desarrollado conocimientos acerca del uso de muchos elementos de los reinos animal, vegetal y mineral relacionados con la preservación o recuperación de la salud, tanto de humanos como de animales, que habían sido aprendidos y transmitidos por los llamados sanadores, presentes en cada cultura, con el propósito de lograr la supervivencia.

En el caso del llamado Nuevo Mundo, el mestizaje racial desarrollado durante el período colonial también sirvió para la unión sincrética, en tanto a fusión y asimilación, de diversos elementos provenientes de Europa, África y América

No obstante, debido a la gran riqueza del elemento vegetal americano, éste destaca sobre los otros llegando inclusive a sustentar la elaboración de fármacos de importante valor terapéutico. De hecho,

“El mayor peso de la farmacopea [americana] precolombina estuvo en el reino vegetal, a despecho de que la selección inicial de las plantas atribuida a algo tan poco racional como unaescogencia de los dioses. Desde luego, a pesar de ser menos numerosos, también había medicamentos de origen animal y mineral aunque más inmersos en las concepciones mágicas.”[1]

Y aunque los conquistadores trajeron numerosas hierbas de Europa y África, la mayoría de las plantas medicinales usadas durante la colonia eran específicamente americanas por lo que

“…su existencia y sus propiedades eran totalmente desconocida en el Viejo Mundo antes de la Conquista (…) algunas se han revelado extraordinariamente eficaces (…) tanto por si mismas como por los principios activos que han logrado ser extraídos de ellas desde comienzos del siglo XIX.”[2]

Por tanto los indígenas americanos manejaban un rico arsenal terapéutico herbolario, que se nutrió de costumbres de los esclavos negros africanos, así como del conocimiento de algunos españoles que al final fueron combinándose y desarrollando un conjunto de conocimientos y experiencias empíricas, de las cuales muchas sobreviven hasta hoy.

Este conjunto de conocimientos derivado de experiencias compiladas a lo largo de los siglos, inclusive mucho antes del establecimiento formal de las ciencias médicas, han hecho surgir unas nuevas disciplinas denominadas genéricamente Etnomedicina o Etnomedicina Veterinaria, dependiendo de las especies atendidas, que crean puentes entre la medicina y las ciencias sociales y humanas; y que asocian de manera transdisciplinaria[3] áreas como la botánica, la química, la mineralogía, la biología, la zoología, la farmacología, la nutrición, la ecología, la geografía, la antropología, la arqueología, la sociología, la teología y el misticismo, la economía, la lengua, entre otras, en la búsqueda de la vida sana y la recuperación de la salud, bajo su concepción de hecho integral de bienestar o equilibrio físico, psicológico y social[4].

Es así que frente a los monopolios industriales y comerciales de los fármacos patentados, a su carestía y a su carencia, existe hoy gran interés por la investigación sobre el uso tradicional de hierbas y de otros elementos en las diversas culturas con el propósito de generar o nuevos medicamentos y nuevas terapias no tradicionales o no convencionales, así como reutilizar aquellas olvidadas que puedan tener en nuestros días extrema importancia, que sean baratas y de fácil acceso y que tengan hasta un orden estratégico en las ciencias biomédicas[5] de manera de ponerlas a disposición de todos. Situación que ha llevado a que Etnomedicina o Etnomedicina Veterinaria sean objeto de profundo estudio, y aplicación en diversos países del mundo.

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