quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A árvore milenar

Do site:
Existe na SP 330, no município de Santa Rita do Passa Quatro - SP, o Parque Estadual de Vassununga. Nele está abrigado um Jequitibá-rosa (Cariniana legalis), com idade estimada de 3.000 anos.

Para os mais sensíveis, descobri-lo e estar próximo a ele chega a ser uma experiência mística. Impossível não sentir o coração emocionado e a mente girando ante o esforço de imaginar tudo que esse Jequitibá já presenciou nesta incrível jornada de séculos e milênios. Herói, sobrevivente de uma colonização desmatadora e devastadora, de ciclos e ciclos de culturas agrícolas, de incêndios florestais...
Impossível não reverenciá-lo. Um respeito quase filial aliado a um sentimento de profunda admiração somam-se à súbita noção da efemeridade de uma existência humana.

Impossível não sentir a dimensão sagrada que há neste incrível ser vivo de 3.000 anos.

Existe lá uma visitação pública bem expressiva, o que tem levado aos técnicos responsáveis pela manutenção do parque um receio muito grande quanto à continuidade dessa existência milenar do Jequitibá-rosa. De fato, é possível verificar nele sinais perturbadores dessa visitação, como por exemplo, pedações de seu majestoso tronco feridos porque alguém quis levar pra casa uma lembrança sua, retirando um pedaço da casca. Existe também um intenso pisoteio ao seu redor, o que expõe suas raízes ao perigo da compactação do solo.
Será que a noção do "sagrado" que há nessa árvore chega a alcançar muitos dos corações e mentes que o visitam? Será que essa forte ligação com o passado que ele nos traz é percebida ou sentida pela maioria, mesmo que de modo fugaz?

Se a resposta for sim, talvez seja possível acreditar que o ser humano ainda não esteja totalmente escravo da frieza e da insensibilidade que lhe parecem ser tão característicos neste início de século XXI. Creio que as raízes de todo o mal que há na terra estão fincadas nestes dois tipos de sentimentos, que paradoxalmente poderiam ser descritos como "ausência de sentimentos".
Talvez fosse possível modificar hábitos e atitudes profundamente enraizados em nosso cotidiano através do resgate dessa sensibilidade latente, que precisa de alguma forma aflorar e tornar mais emocionante nossa relação com nossos irmãos da Natureza e também com nossos irmãos de espécie.

Se o "emocionar-se" diante de uma árvore é possível para grande parte de nós homens e mulheres deste terceiro milênio, então pode-se sonhar com dias melhores, onde se pensará muitas vezes antes de se sacrificar uma árvore de rua por futilidades como a quebra de uma calçada de cimento, por sujar as ruas com suas lindas e coloridas flores e folhas, esconder fachadas comerciais, ou por quaisquer outros motivos que nosso vão egoísmo pode produzir.

O respeito para com a árvore da rua será então, apenas um dos sinais de uma mudança maior, de valores e atitudes, de respeito e reverência pela vida em si.

Fotos: panoramio, trilhasdesaopaulo.sp.gov.br
Texto: 
Dissertação de mestrado Ilza Monico. Link para baixar: 

Link:

A árvore que deu o nome à nossa terra

Do site:



O pau-brasil era usado na Europa, desde o século IX. A indústria de tecidos entrava em expansão e havia a necessidade de corantes, que eram então trazidos do Oriente. Eram quase todos de origem vegetal e chegavam à Europa através de mercadores árabes, que atravessavam o Mar Vermelho, o Egito e o Mar Mediterrâneo.

Naquela época, a moda era tingir-se os tecidos com cores fortes, principalmente o vermelho. Uma lei inglesa limitava o uso da cor púrpura somente à família real e os corantes eram obtidos da matéria-prima brasilina, que é o princípio ativo retirado do cerne da madeira pau-brasil.

Quando o pau-brasil foi encontrado nas matas do Novo Mundo, essa nova fonte de corantes foi considerada muito mais viável que a anterior, que dependia em grande parte do transporte terrestre. Em 1514, nosso país ainda se chamava Terra de Santa Cruz, mas, na Europa todos o chamavam de Terra do Brasil, pois esse era o seu único produto de exportação. O nome original foi esquecido e substituído.

O pau-brasil foi assim o produto que marcou o primeiro ciclo econômico brasileiro. O pau-brasil foi monopólio da coroa portuguesa e depois da brasileira, desde 1503 até 1859, apesar de toda a pirataria dos espanhóis, franceses e holandeses, que nunca levara a sério o Tratado de Tordesilhas.

Todas as medidas tomadas pelos governos tinham a ver apenas com os direitos de exploração e comercialização. Ninguém se preocupava com a possibilidade da extinção da espécie. Por volta de 1826, começaram a aparecer no mundo as anilinas sintéticas, inventadas pelos alemães, e assim, a partir de 1859, a importância comercial do pau-brasil começou a declinar, assim como a própria planta, que praticamente desapareceu de nossas florestas.

O desprezo

Em 1902, a Avenida Rio Branco na cidade do Rio de Janeiro chegou a ser totalmente arborizada com pau-brasil, por iniciativa do Ministro Lauro Müller. Mas a imprensa carioca ridicularizou a campanha, utilizando-se de charges depreciativas, a ponto de obrigar a administração pública a destruí-las, substituindo-as por outras árvores, de origem estrangeira. Se isso não houvesse acontecido, teríamos no Rio hoje alamedas de pau-brasil com mais de 100 anos de idade.

A restauração - árvore nacional, por lei

Em 1970, o Professor Roldão de Siqueira Fontes iniciou em Pernambuco o Movimento em Defesa do Pau-Brasil, que foi posteriormente apoiado e ampliado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), quando foi lançada uma campanha de âmbito nacional. Foram então plantadas pelo Prof. Roldão 50.000 árvores no perímetro da margem de segurança da barragem do rio Tapacurá. O Prof. Roldão conseguiu também sensibilizar o Congresso Nacional, para que fosse promulgada a Lei Federal 6.607, de 7 de dezembro de 1978, que instituiu o pau-brasil como Árvore Nacional e determina o dia 3 de Maio como o Dia do Pau-Brasil.

O pau-brasil

O nome científico do pau-brasil é Caesalpinia echinata (Lamarck). É da família Leguminosae.
É uma árvore de grande porte, podendo alcançar mais de 20 metros de altura.

O pau-brasil presta-se a todo tipo de construção, por sua dureza e flexibilidade, que o tornam inigualável no fabrico de arcos e violinos. Sua resistência é comprovada por séculos de utilização. É também muito decorativo, pelo seu tronco altivo, flores lindas e sombras frescas.

O tronco

O pau-brasil tem tronco linheiro, com fibras grandes e retas, com diâmetro que chega até um metro, na fase adulta. Uma de suas características principais são os acúleos, que aparecem durante o estágio de crescimento. Com o passar do tempo, a casca torna-se cinzenta e escura e os acúleos desaparecem, mantendo-se apenas nos galhos mais jovens. O alburno é de cor branco amarelado, sendo espesso enquanto a planta é nova, diminuindo com a idade, cedendo lugar ao miolo e ao cerne, que é de cor vermelha intensa, mais resistente à umidade. Quando a árvore é nova, o cerne é mínimo, mas chega a constituir praticamente todo o miolo da árvore, quando passa dos 10 anos. Esse cerne é a parte valiosa que no passado era tão importante como fonte de corante vermelho para os europeus.

Raiz, folhas, flores

As raízes do pau-brasil forma um sistema rico e vigoroso. As folhas são compostas, divididas com 8 a 18 folíolos de cor verde brilhante, em forma de losangos de cantos arredondados, e podem se armar, com o tempo, em copas fechadas, que produzem sombras agradáveis. As flores são muito bonitas, amarelas com cinco pétalas, sendo uma com base vermelha. Exalam perfume agradável e duram cerca de dois dias, sendo motivo de atração para abelhas que, nesses bosques, produzem mel de excelente sabor. a floração, no Nordeste do Brasil, ocorre principalmente entre dezembro e maio.

Frutos e sementes

Os frutos do pau-brasil têm o formato de vagens, de cor marrom, cobertos de pequenos espinhos. Quando secam, abrem-se e contorcem-se com um estalo, atirando para longe até quatro sementes. As sementes são chatas e de cor marrom com pontuações de diferentes tonalidades e podem germinar com facilidade enquanto estejam novas, até menos de 30 dias de idade, mas não devem ser armazenadas por mais de um mês.

Fonte: A árvore que deu o nome à nossa terra. História do Pau-Brasil. Amway do Brasil. Fundação Nacional do Pau-Brasil.Link:

Data: nov.2013
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