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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Potencial da camomila como alternativa complementar no manejo do estresse em cães

• Ana Julia Perrenoud - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

• Mariana Silva Modesto de Almeida - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

• Nicole da Silva de Oliveira - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

• Stephani Christine Ferreira Espindola - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

• Vitoria Mayara Costa dos Santos Pereira - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté


ORIENTADOR / DOCENTE:
Marcos Roberto Furlan - Departamento de Ciências Agrárias - Universidade de Taubaté

RESUMO

O estresse e a ansiedade são alterações comportamentais frequentes em cães, podendo comprometer significativamente seu bem-estar e qualidade de vida. Este trabalho teve como objetivo geral avaliar o potencial do uso da Matricaria chamomilla L. (camomila) como alternativa complementar no manejo do estresse em cães. Especificamente, buscou-se descrever seus principais compostos bioativos e possíveis mecanismos de ação, bem como analisar as evidências científicas disponíveis sobre seus efeitos ansiolíticos e sua aplicabilidade na medicina veterinária. A revisão bibliográfica foi realizada mediante consulta a artigos científicos e bases de dados consolidadas, considerando estudos relacionados à fitoterapia, ansiedade, manejo do estresse e comportamento animal.

1. INTRODUÇÃO

O estresse constitui uma resposta fisiológica e comportamental complexa diante de estímulos estressores que alteram a homeostase do organismo. Em cães, essa condição é frequentemente desencadeada por mudanças ambientais, transporte, isolamento social, procedimentos veterinários e alterações na rotina diária. O manejo adequado do estresse é fundamental para preservar a saúde física, o bem-estar e a qualidade de vida dos animais de companhia.

Nesse contexto, o emprego de plantas medicinais e abordagens fitoterápicas como alternativas ou integrativas aos tratamentos convencionais vem ganhando crescente relevância na medicina veterinária. Entre as espécies vegetais estudadas, destaca-se a Matricaria chamomilla L. (camomila), reconhecida historicamente por conter compostos bioativos com potenciais propriedades ansiolíticas, sedativas e moduladoras do sistema nervoso central. Estudos clínicos e experimentais indicam que flavonoides presentes na planta atuam na redução de sintomas de ansiedade, demonstrando promissora atividade farmacológica (AMSTERDAM et al., 2009).

Diante do exposto, o presente trabalho busca responder ao seguinte problema de pesquisa: a Matricaria chamomilla L. apresenta potencial efetivo e seguro como alternativa complementar no manejo do estresse em cães? Para responder a essa questão, realiza-se uma revisão bibliográfica aprofundada sobre os principais constituintes químicos da planta, seus mecanismos de ação e seus efeitos comportamentais e fisiológicos. Adicionalmente, analisam-se as evidências disponíveis e as limitações dos estudos específicos em caninos, contribuindo para uma avaliação criteriosa de sua aplicabilidade clínica.

2. DESENVOLVIMENTO

A camomila é uma das plantas medicinais mais difundidas mundialmente, sendo amplamente empregada na medicina humana para o alívio da insônia, ansiedade e quadros depressivos leves. No universo botânico, duas espécies principais destacam-se pelo valor terapêutico: a Anthemis nobilis L. (camomila-romana) e a Matricaria recutita L. (sinônimo de Matricaria chamomilla L., conhecida como camomila-alemã), sendo esta última a mais estudada e expressiva quanto ao perfil farmacológico (AMSTERDAM et al., 2012).

Conforme descrito por Lim (2014) e Santos et al. (2019), a espécie pode ser utilizada sob diferentes formas farmacêuticas, como infusões, óleos essenciais extraídos das inflorescências e folhas, extratos secos, cápsulas e formulações dermatológicas. A planta possui um amplo espectro de propriedades terapêuticas, incluindo ações calmante, sedativa leve, antioxidante, cicatrizante, antiespasmódica, anti-inflamatória, antidiarreica, antisséptica, antimicrobiana, além de potencial atividade anti-helmíntica e antidepressiva.

2.1 Composição Química e Mecanismos de Ação

Aproximadamente 120 metabólitos secundários já foram identificados na camomila. O óleo essencial, que compreende a fração volátil, é rico em compostos sesquiterpênicos como o α-bisabolol e seus óxidos, além de azulenos (como o chamazuleno). Juntamente com os óleos essenciais, os compostos da classe dos flavonoides — com destaque para a apigenina, luteolina e quercetina — constituem os principais responsáveis pelas ações farmacológicas observadas (COSTA; DONI FILHO, 2002).

Do ponto de vista neurofisiológico, a resposta ao estresse em cães envolve a ativação neuroendócrina do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), culminando no aumento da secreção de cortisol plasmático. A apigenina e outros flavonoides presentes na camomila possuem afinidade por receptores GABA_A no sistema nervoso central, exercendo um efeito modulador ansiolítico e sedativo que reduz a excitabilidade neuronal e auxilia na atenuação da resposta ao estresse (AKRAM et al., 2024).

2.2 Evidências Clínicas e Experimentais em Cães

Na medicina veterinária, estudos específicos em cães têm demonstrado resultados promissores. Cassu, Andreazi e Pereira (2011) avaliaram 18 cadelas submetidas a procedimentos cirúrgicos e tratadas com placebo ou Matricaria chamomilla na potenciação ultradiluída (CH12). Embora não tenham sido observadas variações significativas nas concentrações de cortisol durante a fase de isolamento social prévio, no período pós-operatório os animais tratados com M. chamomilla CH12 apresentaram níveis de cortisol consideravelmente mais estáveis em comparação ao grupo placebo. Os autores concluíram que o tratamento preveniu a elevação acentuada do cortisol pós-cirúrgico, sugerindo seu valor como adjuvante no controle do estresse cirúrgico.

Além da administração oral/homeopática, a estimulação olfativa também apresenta efeitos comportamentais relevantes. Graham, Wells e Hepper (2005) observaram que a exposição ao odor de camomila em cães abrigados em canis de proteção animal resultou em aumento significativo nos tempos de repouso, acompanhado da redução da atividade motora excessiva e das vocalizações estressantes.

2.3 Aspectos Toxicológicos e Segurança

Apesar dos benefícios fitoterápicos, o uso da camomila requer cautela. A American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (ASPCA) classifica a camomila como potencialmente tóxica para cães e gatos se consumida de forma inadequada ou em doses elevadas, podendo provocar distúrbios gastrintestinais (vômitos, diarreia), dermatites de contato e reações alérgicas (ASPCA, [s.d.]).

Estudos toxicológicos pré-clínicos com o α-bisabolol, um dos constituintes majoritários do óleo essencial, estabeleceram parâmetros de segurança em modelos experimentais. A Dose Letal 50% (DL₅₀) por via oral foi de 15,1 mL/kg em camundongos e de 14,9 mL/kg em ratos, observando-se sinais de sedação, ataxia, dispneia e apatia apenas sob elevadas concentrações. Na avaliação de toxicidade subclínica (28 dias de administração), o Nível Sem Efeito Adverso Observável (NOAEL - No Observed Adverse Effect Level) foi fixado em 200 mg/kg/dia, indicando ampla margem de segurança e boa tolerabilidade biológica quando administrado em doses adequadas (EDDIN et al., 2022).

3. CONCLUSÃO

As evidências científicas compiladas indicam que a Matricaria chamomilla L. possui um potencial promissor como alternativa complementar no manejo da ansiedade e do estresse em cães. Seus compostos bioativos, especialmente os flavonoides (como a apigenina) e os componentes do óleo essencial, demonstram capacidade de modular respostas neuroendócrinas, atenuando a elevação do cortisol e promovendo estados de relaxamento comportamental.

No entanto, ressalta-se que o corpo de evidências clínicas específicas para a espécie canina ainda é restrito, exigindo maior padronização em relação às posologias, vias de administração e margens de segurança toxicológica. Portanto, a camomila deve ser empregada como uma ferramenta terapêutica integrativa ou adjuvante, nunca substituindo as condutas médicas veterinárias convencionais e o manejo ambiental adequado, devendo seu uso ser sempre acompanhado por um médico-veterinário.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AKRAM, Wasim et al. An updated comprehensive review of the therapeutic properties of Chamomile (Matricaria chamomilla L.). International Journal of Food Properties, v. 27, n. 1, p. 133-164, 2024. DOI: 10.1080/10942912.2023.2293661. Disponível em: https://doi.org/10.1080/10942912.2023.2293661. Acesso em: 24 ago. 2026.

AMERICAN SOCIETY FOR THE PREVENTION OF CRUELTY TO ANIMALS (ASPCA). Chamomile. [S. l.]: ASPCA, [s. d.]. Disponível em: https://www.aspca.org/pet-care/aspca-poison-control/toxic-and-non-toxic-plants/chamomile. Acesso em: 22 ago. 2026.

AMSTERDAM, Jay D. et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of oral Matricaria recutita (chamomile) extract for generalized anxiety disorder. Journal of Clinical Psychopharmacology, v. 29, n. 4, p. 378-382, 2009.

AMSTERDAM, Jay D. et al. Chamomile (Matricaria recutita) may have antidepressant activity in anxious depressed humans. Alternative Therapies in Health and Medicine, v. 18, n. 5, p. 44-49, 2012.

CASSU, Renata Navarro; ANDREAZI, Cibele Damião; PEREIRA, Liliane. Efeito da Matricaria chamomilla CH12 na resposta de estresse em cães. Colloquium Agrariae, Presidente Prudente, v. 7, n. 2, p. 1-7, 2011. DOI: 10.5747/ca.2011.v07.n2.a067. Disponível em: https://journal.unoeste.br/index.php/ca/article/view/492. Acesso em: 24 ago. 2026.

COSTA, M. A. D.; DONI FILHO, L. Aspectos do Processo de Produção Agrícola na Cultura da Camomila [Chamomilla recutita (L.) Rauschert] no Município de Mandirituba, Paraná. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2002. Acesso em: 17 ago. 2026.

EDDIN, Lujain Bader et al. Health benefits, pharmacological effects, molecular mechanisms, and therapeutic potential of α-bisabolol. Nutrients, v. 14, n. 7, p. 1370, 2022. DOI: 10.3390/nu14071370. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9002489/. Acesso em: 21 ago. 2026.

GRAHAM, Lynne; WELLS, Deborah L.; HEPPER, Peter G. The influence of olfactory stimulation on the behaviour of dogs housed in a rescue shelter. Applied Animal Behaviour Science, v. 91, n. 1-2, p. 143-153, 2005. DOI: 10.1016/j.applanim.2004.08.024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.applanim.2004.08.024. Acesso em: 24 ago. 2026.

LIM, T. K. Matricaria chamomilla. In: Edible Medicinal and Non-Medicinal Plants. v. 7. Dordrecht: Springer, 2014. p. 397-431.

SANTOS, D. S. dos et al. Phytomedicines containing Matricaria species for the treatment of skin diseases: a biotechnological approach. Fitoterapia, v. 138, p. 104281, 2019. Acesso em: 17 ago. 2026.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Urolitíase em pequenos animais e o potencial terapêutico de Phyllanthus niruri: uma abordagem integrativa

Paula Xagoraris Telles Nunes Cost

Advogada e acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade de Taubaté

O conhecimento e a utilização de plantas para a cura e estabilização de doenças em humanos são milenares, com registros desde as dinastias egípcias, séculos antes de Cristo. Apesar de ser um campo amplo e antigo, ainda há importantes lacunas quanto à definição de protocolos terapêuticos para animais, especialmente aqueles que permitam reduzir o uso intensivo de medicamentos industrializados. Nesse contexto, a área da Medicina Veterinária integrativa, que engloba práticas como a fitoterapia e a homeopatia, ainda se encontra em desenvolvimento (Santos et al., 2017).

Entre as afecções que acometem animais de companhia, como cães e gatos, destaca-se a urolitíase. Essa condição caracteriza-se pela formação de urólitos (concreções sólidas) no trato urinário, podendo ocorrer nos rins, ureteres, bexiga urinária e uretra.

Os rins de cães e gatos são órgãos retroperitoneais, recobertos por uma cápsula renal que limita a expansão do parênquima. Essa característica dificulta a acomodação de formações sólidas em seu interior sem a ocorrência de dor. De forma semelhante, ureteres e uretra apresentam baixa capacidade de distensão, o que dificulta a passagem de cálculos maiores que seus diâmetros. Por esse motivo, além de representar risco clínico — como obstrução urinária, infecções, hidronefrose e insuficiência renal —, a urolitíase é uma condição altamente dolorosa, sendo frequentemente comparada, em humanos, a uma das dores mais intensas já descritas (Pucci et al., 2018).

O tratamento e a manutenção de pacientes com litíase urinária geralmente são prolongados. Dessa forma, torna-se desejável o uso de substâncias com baixo potencial de efeitos adversos e custo acessível, favorecendo a adesão ao tratamento por parte dos tutores (Santos et al., 2017).

Nesse cenário, a planta popularmente conhecida como “quebra-pedra” (Phyllanthus niruri) destaca-se como uma alternativa de interesse. Trata-se de uma espécie nativa das Américas, amplamente distribuída em regiões tropicais, o que favorece sua utilização no Brasil. Pode ser empregada sob diferentes formas, como planta fresca, seca (infusão) ou extrato líquido, facilitando seu armazenamento, distribuição e preparo (Boim et al., 2010).

A P. niruri apresenta múltiplos mecanismos de ação. Destaca-se sua atividade antiespasmódica sobre a musculatura lisa do trato urinário, além de efeitos antioxidantes, que contribuem para a redução da ação citotóxica dos urólitos sobre os tecidos (Boim et al., 2010). Estudos também indicam possíveis efeitos analgésicos, associados à modulação de receptores relacionados à dor, bem como ação anti-inflamatória mediada pela redução da produção de prostaglandinas, contribuindo para a diminuição da dor provocada pelo atrito dos cálculos no epitélio urinário.

Adicionalmente, a planta apresenta efeito vasodilatador, podendo auxiliar na redução da pressão arterial (Pucci et al., 2018), e ação diurética. Ao aumentar a excreção de sódio e potássio, promove uma diurese mais diluída, contribuindo para a redução da densidade urinária e dificultando a agregação de cristais (Udupa et al., 2007).

Em relação aos parâmetros metabólicos, a espécie pode reduzir os níveis séricos e urinários de cálcio em pacientes com hipercalciúria, além de diminuir os níveis de ácido úrico em animais hiperuricêmicos, de forma semelhante ao alopurinol. Esses efeitos contribuem para a redução da formação de novos cristais e para a estabilização dos cálculos já existentes, além de influenciar positivamente o pH urinário, fator importante na dinâmica de agregação cristalina (Campos; Schor, 1999; Murugaiyah; Chan, 2009).

No que se refere aos diferentes tipos de urólitos, evidências sugerem que a P. niruri pode interferir na agregação de cristais de oxalato de cálcio, contribuindo para sua prevenção e possível dissolução (Barros et al., 2003). Para cálculos de estruvita e urato, embora o efeito dissolutivo direto seja mais limitado, a planta apresenta relevância por sua atividade antimicrobiana, atuando contra bactérias frequentemente envolvidas em infecções urinárias e na formação desses urólitos (Ibrahim et al., 2013).

Para que sua utilização seja segura e eficaz, é fundamental estabelecer protocolos terapêuticos bem definidos, considerando doses adequadas, tipo de urólito e características individuais do paciente. A literatura ressalta a necessidade de estudos específicos em cães e gatos, com acompanhamento clínico e laboratorial a longo prazo (CRMV-MA, 2023). A individualização do tratamento é particularmente importante em felinos, cujo metabolismo hepático apresenta limitações que exigem maior cautela e monitoramento (Asare et al., 2011).

A Phyllanthus niruri apresenta-se como uma alternativa promissora e multifatorial no manejo da urolitíase em pequenos animais, atuando de forma integrada na prevenção da formação, agregação e eliminação de urólitos, especialmente os de oxalato de cálcio. Além disso, contribui para o controle de fatores associados, como inflamação, dor, infecção bacteriana e alterações metabólicas, por meio de seus efeitos antiespasmódicos, diuréticos, antioxidantes e moduladores do pH urinário.

Entretanto, sua utilização deve ser pautada em critérios técnicos rigorosos, com identificação prévia do tipo de urólito, definição de doses seguras e monitoramento clínico e laboratorial contínuo, sobretudo em espécies mais sensíveis, como os felinos. Nesse contexto, a consolidação de protocolos específicos, baseados em evidências científicas, torna-se indispensável para garantir a eficácia e a segurança dessa abordagem terapêutica na prática clínica veterinária. 

Referências

ASARE, G. A. et al. Acute and sub-chronic toxicity studies of Phyllanthus niruri L. whole plant extract. Methods and Findings in Experimental and Clinical Pharmacology, [S. l.], v. 33, n. 3, p. 179–187, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1358/mf.2011.33.3.1632295. Acesso em: 02 abr. 2026. 

BARROS, M. E. et al. Effect of extract of Phyllanthus niruri on urinary sulfate, citrate and magnesium in rats. International Brazilian Journal of Urology, Rio de Janeiro, v. 29, n. 3, p. 263–267, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1677-55382003000300011. Acesso em: 02 abr. 2026.

BOIM, M. A.; HEILBERG, I. P.; SCHOR, N. Phyllanthus niruri como alternativa promissora no tratamento da nefrolitíase. International Brazilian Journal of Urology, Rio de Janeiro, v. 36, n. 6, p. 657–664, 2010. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/6022. Acesso em: 02 abr. 2026.

CAMPOS, A. H.; SCHOR, N. Phyllanthus niruri inhibits calcium oxalate endocytosis by renal tubular cells: its role in urolithiasis. Nephron, [S. l.], v. 81, n. 4, p. 393–397, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1159/000045327. Acesso em: 02 abr. 2026.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO MARANHÃO (CRMV-MA). Nota técnica: uso de chá de quebra-pedra para prevenção e tratamento de doença renal em gatos. São Luís: CRMV-MA, 2023. Disponível em: https://crmvma.org.br. Acesso em: 02 abr. 2026.

IBRAHIM, J. F. et al. Antimicrobial activity of Phyllanthus niruri L. (Euphorbiaceae) against pathogenic bacteria. Journal of Pharmacognosy and Phytochemistry, [S. l.], v. 2, n. 3, p. 202–205, 2013. Disponível em: https://www.phytojournal.com. Acesso em: 02 abr. 2026.

MURUGAIYAH, V.; CHAN, K. L. Mechanisms of antihyperuricemic effect of Phyllanthus niruri and its lignans. Journal of Ethnopharmacology, [S. l.], v. 124, n. 2, p. 233–239, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jep.2009.04.026. Acesso em: 02 abr. 2026.

PUCCI, N. D. et al. Efeito de Phyllanthus niruri em parâmetros metabólicos de pacientes com cálculos renais: perspectiva para prevenção da doença. International Brazilian Journal of Urology, Rio de Janeiro, v. 44, n. 4, p. 758–764, 2018. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/002853578. Acesso em: 02 abr. 2026.

SANTOS, L. S. et al. O uso de Phyllanthus niruri (“quebra-pedra”) como nefrolítico: uma revisão integrativa. In: CONBRACIS, 2., 2017, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: Realize Editora, 2017. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/28544. Acesso em: 02 abr. 2026.

UDUPA, A. L. et al. Diuretic activity of Phyllanthus niruri Linn. in rats. Health, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 11–12, 2007. Disponível em: https://www.scirp.org. Acesso em: 02 abr. 2026.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Uso da Melissa officinalis no tratamento de cães

Franciele Beatriz Faria Santos. - acadêmica de Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

 Marcos Roberto Furlan - Universidade de Taubaté

A Melissa officinalis, conhecida popularmente como erva-cidreira ou melissa, tem despertado interesse na medicina veterinária devido às suas propriedades calmantes e antimicrobianas. Pesquisas recentes apontam para diferentes aplicações dessa planta em cães, abrangendo desde o manejo do estresse até o controle de infecções cutâneas e parasitas.

Efeito calmante e bem-estar animal
Roy et al. (2025) investigaram o impacto de um extrato hidroalcoólico de Melissa officinalis (MOE) e do ácido rosmarínico (AR) sobre o comportamento e o metaboloma de cães Beagle. O estudo, conduzido com 20 animais distribuídos em quatro grupos, demonstrou melhora significativa nos parâmetros comportamentais dos cães tratados com MOE (pontuação média 2,0) em comparação ao grupo placebo (-3,4). A análise metabolômica revelou alterações em vias relacionadas ao metabolismo lipídico e de ácidos biliares, sugerindo um mecanismo de ação associado à modulação do sistema GABA. Esses achados reforçam o potencial da Melissa officinalis como alternativa natural para reduzir estresse e ansiedade em cães.

Atividade antimicrobiana contra infecções cutâneas
Ebani et al. (2020) avaliaram a ação de óleos essenciais, incluindo o de Melissa officinalis, contra cepas de Staphylococcus spp. e Malassezia pachydermatis isoladas de cães com dermatite. Embora óleos como orégano e tomilho tenham apresentado maior eficácia antibacteriana, o óleo de Melissa demonstrou atividade antifúngica relevante, especialmente contra Malassezia, indicando seu potencial como coadjuvante no tratamento de otites e dermatites.

Complementando esses achados, Nocera et al. (2020) testaram a eficácia de óleos essenciais contra Staphylococcus pseudintermedius resistente e sensível à meticilina. O óleo de melissa apresentou atividade inibitória mínima (CIM) de 1:2048 v/v contra cepas sensíveis, sugerindo efeito limitado, mas ainda promissor como parte de terapias combinadas.

Controle de parasitas externos
Moog et al. (2020) exploraram o uso de um suplemento alimentar à base de plantas, incluindo Melissa officinalis, para controle de pulgas em cães. O produto Bioticks® demonstrou eficácia progressiva, atingindo 82% de redução na população de pulgas após cinco meses, sem efeitos adversos. Esse resultado indica que a melissa, associada a outras plantas, pode contribuir para estratégias naturais de controle parasitário.

Atividade antifúngica em otite externa
Bismarck et al. (2019) confirmaram a ação antifúngica do óleo essencial de Melissa contra isolados clínicos de Malassezia pachydermatis de orelhas caninas. A atividade volátil do óleo reforça sua aplicabilidade em terapias tópicas ou aromaterapia veterinária.

Considerações finais

Os estudos revisados demonstram que a Melissa officinalis apresenta diversas utilidades na medicina veterinária, sendo especialmente reconhecida pelo efeito tranquilizante, atividade antifúngica e auxílio no manejo de parasitas. Apesar de sua ação antimicrobiana contra bactérias ser menos potente em comparação a outros óleos essenciais, seu uso em terapias integrativas mostra-se promissor. São precisas investigações futuras para estabelecer doses padrão, vias de aplicação e garantir a segurança em uso prolongado.

Referências

Bismarck D, Dusold A, Heusinger A, Müller E. Antifungal in vitro Activity of Essential Oils against Clinical Isolates of Malassezia pachydermatis from Canine Ears: A Report from a Practice Laboratory. Complement Med Res. 2020;27(3):143-154. doi: 10.1159/000504316.

Ebani VV, Bertelloni F, Najar B, Nardoni S, Pistelli L, Mancianti F. Antimicrobial Activity of Essential Oils against Staphylococcus and Malassezia Strains Isolated from Canine Dermatitis. Microorganisms. 2020 Feb 13;8(2):252. doi: 10.3390/microorganisms8020252.

Moog F, Plichart GV, Blua JL, Cadiergues MC. Evaluation of a plant-based food supplement to control flea populations in dogs: A prospective double-blind randomized study. Int J Parasitol Drugs Drug Resist. 2020 Apr;12:35-38. doi: 10.1016/j.ijpddr.2020.02.001. Epub 2020 Feb 15. PMID: 32114287; PMCID: PMC7049570.

Nocera FP, Mancini S, Najar B, Bertelloni F, Pistelli L, De Filippis A, Fiorito F, De Martino L, Fratini F. Antimicrobial Activity of Some Essential Oils against Methicillin-Susceptible and Methicillin-Resistant Staphylococcus pseudintermedius-Associated Pyoderma in Dogs. Animals (Basel). 2020 Oct 1;10(10):1782. doi: 10.3390/ani10101782. PMID: 33019582; PMCID: PMC7601051.

Roy AS, Aberkane FZ, Cisse S, Guibert A, Richard D, Lerouzic M, Suor-Cherer S, Boisard S, Guilet D, Benarbia MEAB, Mallem MY. Metabolomics provides novel understanding of Melissa officinalis mechanism of action ensuring its calming effect on dogs. BMC Vet Res. 2025 Jul 11;21(1):459. doi: 10.1186/s12917-025-04904-8. 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Gênero Mentha no tratamento de cachorros

Ana Laura Teixeira Praniski de Oliveira - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Mirella Pires Nunes - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Sarah Junqueira Farah - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Introdução

O gênero Mentha é um dos mais conhecidos da família Lamiaceae, com mais de 25 espécies descritas. Originário principalmente da bacia do Mediterrâneo, estende-se pela Ásia, Europa, Austrália, América do Norte e Norte da África, sendo um símbolo de hospitalidade em diversas culturas. Essa planta foi amplamente utilizada em civilizações antigas, desde usos medicinais populares até aplicações não medicinais, como aromaterapia e culinária (YOUSEFIAN et al., 2023). O gênero Mentha possui grande importância econômica para a indústria e pode ser utilizado em animais como auxiliar no combate a parasitas, insetos, além de apresentar propriedades antimicrobianas e antioxidantes.

No combate ao carrapato

Rhipicephalus sanguineus, prevalente em cães, representa uma ameaça à saúde de caninos e humanos, atuando como vetor de diversas doenças parasitárias transmitidas pelo sangue em cães, incluindo Ehrlichia canis, Hepatozoon canis e Babesia canis. Para conter seus efeitos nocivos, produtos químicos são aplicados nos cães e em seus ambientes. No entanto, esses tratamentos são frequentemente mal utilizados, com dosagens incorretas e duração imprópria, o que pode afetar a saúde ambiental, tanto humana quanto animal, além de favorecer o desenvolvimento de resistência dos carrapatos aos produtos (VUI, 2024).

Portanto, é necessário descobrir novos tratamentos que garantam o controle dos danos causados pelos carrapatos, protegendo a saúde de animais de estimação e humanos. Nesse contexto, estudos indicam que óleos essenciais derivados de plantas são eficazes contra larvas e carrapatos adultos (VUI, 2024).

Segundo VUI (2024), o óleo essencial de Mentha spicata foi capaz de eliminar larvas e reduzir a capacidade reprodutiva de carrapatos adultos. Essa atividade larvicida e o impacto na reprodução das fêmeas ingurgitadas podem ser atribuídos aos compostos químicos presentes no óleo, que possuem propriedades larvicidas, ou ao efeito sinérgico de diversos compostos bioativos, contribuindo para aumentar a atividade larvicida e diminuir a reprodução de carrapatos adultos.

Terapêutica na odontologia veterinária

Doença periodontal e halitose são comuns em cães. O uso de óleos essenciais do gênero Mentha, como o mentol, apresenta potencial terapêutico na odontologia veterinária. Em cães, a aplicação tópica de um gel contendo mentol, timol e antioxidantes demonstrou reduzir significativamente o mau hálito após a limpeza profissional inicial. Essa melhora foi atribuída à ação antimicrobiana dos compostos voláteis do hortelã, que atuam contra bactérias gram-negativas envolvidas na formação de compostos sulfurados voláteis, principais responsáveis pela halitose (LOW, 2014).

Atividade antiparasitária

Diversos estudos demonstraram o efeito in vitro de óleos essenciais contra helmintos. Albani et al. (2014) avaliaram a eficácia in vitro da hortelã (Mentha x piperita) contra a proliferação celular de Echinococcus granulosus, observando uma redução de 77% na viabilidade dos protoescólices. Também foram constatadas reduções no número de células compatíveis, com a presença de muitas células mortas e detritos celulares.

Conclusão

Diante do exposto, observa-se que o gênero Mentha apresenta potencial relevante na medicina veterinária, tanto no controle de parasitas quanto na terapêutica odontológica. Seus óleos essenciais demonstraram eficácia contra diferentes estágios do desenvolvimento de carrapatos, além de possuir propriedades antimicrobianas que auxiliam na redução da halitose em cães. De igual forma, os estudos sobre sua ação antiparasitária reforçam a importância de novas pesquisas, que poderão consolidar a hortelã como uma alternativa promissora e natural no manejo de doenças em animais. Assim, fica evidente que o uso de plantas medicinais aliado ao conhecimento científico contribui para tratamentos mais seguros e sustentáveis.

Bibliografia

ALBANI, Clara María; DENEGRI, Guillermo María; ELISSONDO, María Celina. Effect of different terpene-containing essential oils on the proliferation of Echinococcus granulosus larval cells. BioMed Research International, [S. l.], 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1155/2014/746931. Acesso em: 18 out. 2024.

LOW, Samuel B.; PEAK, R. Michael; SMITHSON, Christopher W.; PERRONE, Jeanne; GADDIS, Bert; KONTOGIORGOS, Elias. Evaluation of a topical gel containing a novel combination of essential oils and antioxidants for reducing oral malodor in dogs. American Journal of Veterinary Research, v. 75, n. 7, p. 653-657, 2014.

VUI, N. V.; LINH, N. T.; QUYEN, N. T. K.; NANG, K.; VIET, H. V. The utility of Ocimum basilicum, Perilla frutescens, and Mentha spicata essential oils to control larvae and engorged female Rhipicephalus sanguineus ticks on dogs. J Vet Med Sci. 2024 Dec 1;86(12):1237-1242. doi: 10.1292/jvms.24-0288. Epub 2024 Oct 8. PMID: 39384378; PMCID: PMC11612241.

YOUSEFIAN, Shirin; ESMAEILI, Fazileh; LOHRASEBI, Tahmineh. A comprehensive review of the key characteristics of the genus Mentha, natural compounds and biotechnological approaches for the production of secondary metabolites. Iranian Journal of Biotechnology, Teerã, v. 21, n. 4, p. e3605, 1 out. 2023. DOI: 10.30498/ijb.2023.380485.3605. Recebido em 09 jan. 2023. Aceito em 16 jul. 2023.


quinta-feira, 3 de abril de 2025

CBD em cães: resultados de pesquisas

Paulo Augusto Lombardi Ferreira Filho – Universidade de Taubaté

Sabrina Demaria Santos – Universidade de Taubaté

Giulia Volodka Osorio – Universidade de Taubaté

Yasmim de Paulo Leite Galcez – Universidade de Taubaté

Marcos Roberto Furlan – Universidade de Taubaté

INTRODUÇÃO

O canabidiol (CBD), um composto não psicoativo derivado da Cannabis sativa ou Cannabis indica, tem atraído atenção por seus potenciais efeitos terapêuticos, oferecendo benefícios sem os efeitos adversos comumente associados ao tetrahidrocanabinol (THC). Estudos preliminares e relatos de casos sugerem que o CBD pode auxiliar no tratamento de diversas condições em cães, como dor crônica, inflamação, ansiedade e convulsões, além de melhorar a qualidade de vida de cães com osteoartrite.

Segundo Costa (2024), a suplementação de CBD em cães é geralmente bem tolerada, com poucos efeitos adversos leves semelhantes aos observados com placebo. No entanto, alguns estudos indicam uma elevação da fosfatase alcalina associada ao uso de CBD, o que pode sinalizar alterações na função hepática. Embora essa elevação nem sempre indique lesão grave, é importante monitorar os níveis hepáticos durante o uso prolongado. A autora observa que doses orais diárias de 4 mg/kg de peso corporal são bem toleradas pelos cães.

Ensaios clínicos randomizados e controlados são essenciais para avaliar a eficácia e segurança do CBD em cães. Esses estudos reduzem vieses metodológicos e permitem diferenciar os efeitos reais dos psicológicos (placebo), além de identificar possíveis efeitos adversos específicos. Eles oferecem uma validação científica robusta que assegura a aplicabilidade dos resultados em diferentes populações caninas.

O uso de cannabis medicinal em animais é uma área de interesse crescente; contudo, há uma quantidade limitada de ensaios clínicos e estudos farmacocinéticos envolvendo canabinoides na medicina veterinária. Embora mais pesquisas sejam necessárias para compreender completamente os mecanismos do CBD e seu potencial terapêutico, os resultados iniciais indicam uma perspectiva promissora para o manejo de condições complexas na medicina veterinária. 

Relato de pesquisas

Farmacocinética do CBD em cães saudáveis (Bartner et al., 2018):

O estudo comparou três formulações de CBD em 30 cães. O óleo oral mostrou maior biodisponibilidade, com meia-vida de 199,7 ± 55,9 minutos (75 mg) e 127,5 ± 32,2 minutos (150 mg). A exposição sistêmica foi proporcional à dose, confirmando superioridade do óleo oral.

Eficácia em epilepsia refratária (McGrath et al., 2024):

Em um ensaio clínico com 26 cães, o grupo CBD (2,5 mg/kg, 2x/dia) teve redução de 33% na frequência de convulsões, comparado ao placebo. Dois cães foram excluídos por ataxia. Apesar da redução, a proporção de cães com melhora ≥ 50% foi similar entre os grupos. Níveis plasmáticos mais altos de CBD correlacionaram-se com maior eficácia, sugerindo que doses elevadas podem otimizar resultados.

CBD na osteoartrite canina (Verico et al., 2020): 

Doses de 50 mg/dia de CBD puro e 20 mg/dia de CBD lipossomal reduziram significativamente a dor em cães de grande porte, com efeitos prolongados. O placebo e 20 mg/dia de CBD puro não mostraram eficácia.

CBD/CBDA na dermatite atópica (Loewinger et al., 2022):

Apesar de não melhorar lesões cutâneas (CADESI-04), o CBD/CBDA (2 mg/kg/dia) reduziu o prurido (pVAS) em 28 dias. O aumento da fosfatase alcalina em 23,5% dos cães tratados reforça a necessidade de monitoramento hepático.

Conclusão

O CBD é promissor para dor crônica e prurido, mas respostas variam conforme a dose, formulação e condição tratada.

Estudos de longo prazo são necessários para validar segurança e eficácia.

Referências

BARTNER, Lisa R; MCGRATH, Stephanie; RAO, Sangeeta; HYATT, Linda K; A WITTENBURG, Luke. Pharmacokinetics of cannabidiol administered by 3 delivery methods at 2 different dosages to healthy dogs. Canadian Journal of Veterinary Research, [s. l], v. 82, n. 3, p. 178-183, 2018. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6038832/pdf/cjvr_07_178.pdf. Acesso em: 16 jan. 2025.

COSTA, Patrícia Sofia Carlos. O uso de canábis em animais de companhia: experiência profissionalizante na vertente de investigação e farmácia comunitária. 2024. 87 f. Tese (Doutorado) - Curso de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Ciências de Saúde, Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2024.

LOEWINGER, Melissa; WAKSHLAG, Joseph J.; BOWDEN, Daniel; PETERS‐KENNEDY, Jeanine; ROSENBERG, Andrew. The effect of a mixed cannabidiol and cannabidiolic acid based oil on client‐owned dogs with atopic dermatitis. Veterinary Dermatology, [S.L.], v. 33, n. 4, p. 329, 29 maio 2022. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/vde.13077.

MCGRATH, Stephanie; BARTNER, Lisa R.; RAO, Sangeeta; PACKER, Rebecca A.; GUSTAFSON, Daniel L.. Randomized blinded controlled clinical trial to assess the effect of oral cannabidiol administration in addition to conventional antiepileptic treatment on seizure frequency in dogs with intractable idiopathic epilepsy. Journal of The American Veterinary Medical Association, [S.L.], v. 254, n. 11, p. 1301-1308, 1 jun. 2019. http://dx.doi.org/10.2460/javma.254.11.1301.

VERRICO, Chris D.; WESSON, Shonda; KONDURI, Vanaja; HOFFEREK, Colby J.; VAZQUEZ-PEREZ, Jonathan; BLAIR, Emek; DUNNER, Kenneth; SALIMPOUR, Pedram; DECKER, William K.; HALPERT, Matthew M.. A randomized, double-blind, placebo-controlled study of daily cannabidiol for the treatment of canine osteoarthritis pain. Pain, [S.L.], v. 161, n. 9, p. 2191-2202, 24 abr. 2020. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/j.pain.0000000000001896.

sexta-feira, 28 de março de 2025

CANABIDIOl: APLICAÇÕES NA CLÍNICA VETERINÁRIA

Juliano Lacerda Tapajós - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté 
Juliana de Camargo Januário - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté 
Lívia Patto Gonçalves Soares - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté 

Resumo 

O uso da cannabis na medicina veterinária tem ganhado destaque devido às suas propriedades terapêuticas. Estudos demonstram que os canabinoides, como o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), atuam no sistema endocanabinoide dos animais, oferecendo benefícios no tratamento de dores crônicas, epilepsia, inflamações e distúrbios comportamentais. No entanto, o uso veterinário ainda enfrenta desafios regulatórios e riscos de toxicidade, especialmente relacionados à ingestão acidental de THC. Este artigo analisa o potencial terapêutico da cannabis na medicina veterinária, seus mecanismos de ação, indicações clínicas e as precauções necessárias para um uso seguro. 

Palavras-chave: Cannabis, Canabinoides, Medicina Veterinária, Terapia, Sistema Endocanabinoide.

Introdução 

O interesse no uso medicinal da cannabis tem crescido nos últimos anos, tanto na medicina humana quanto na veterinária. No Brasil, a regulamentação ainda é limitada, mas pesquisas demonstram seu potencial terapêutico para diversas condições clínicas em cães e gatos (Ramalho, 2023). Este artigo explora as aplicações da cannabis na prática veterinária, destacando seus benefícios, riscos e desafios.

Desenvolvimento 

A Cannabis sativa contém compostos bioativos chamados fitocanabinoides, sendo os principais o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). Esses compostos atuam no sistema endocanabinoide (SEC), que está presente em mamíferos e regula funções como dor, inflamação, humor e apetite. 

O SEC é composto por receptores específicos: 
CB1: Predominante no sistema nervoso central, influencia processos neurológicos e comportamentais.
CB2: Relacionado ao sistema imunológico, possui efeitos anti-inflamatórios e analgésicos. 

A ativação desses receptores pode ser útil no manejo da dor, epilepsia e distúrbios comportamentais em animais de companhia (Ramalho, 2023). O CBD, em particular, apresenta diversas propriedades terapêuticas, incluindo: 
Controle da dor e inflamação. 
Redução da frequência e gravidade de convulsões em casos de epilepsia. 
Modulação de distúrbios comportamentais.
Possível efeito antitumoral, inibindo a proliferação celular e induzindo apoptose em células tumorais (Ramalho, 2023). 

Apesar dos benefícios, o uso da cannabis na medicina veterinária exige cautela. O THC, por exemplo, tem alto potencial psicoativo e pode causar toxicidade em animais, especialmente em cães e gatos. Sintomas de intoxicação incluem ataxia, letargia, incontinência urinária e, em casos graves, crises convulsivas (Amissah et al., 2022). 

Riscos do THC: 
Possui efeitos psicoativos e pode causar intoxicação grave. 

Segurança do CBD: Geralmente bem tolerado, mas requer monitoramento da dose para evitar efeitos adversos. 

Conclusão 

O uso da cannabis na medicina veterinária apresenta um grande potencial terapêutico, especialmente no manejo da dor, epilepsia e inflamação. No entanto, é essencial que sua administração seja baseada em evidências científicas e regulamentada para garantir a segurança dos animais. Mais pesquisas são necessárias para estabelecer protocolos de dosagem seguros e eficazes. 

Referências 

Amissah, R. Q., Vogt, N. A., Chen, C., Urban, K., & Khokhar, J. (2022). Prevalence and characteristics of cannabis-induced toxicoses in pets: Results from a survey of veterinarians in North America. PLOS ONE, 17(4), e0261909. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0261909 

Blasius, R. K., Tamura, V. S. B., & Sprada, A. G. (2021). Aplicação de canabinoides em cães e gatos: Uma revisão sistemática. Anais Eletrônico XII EPCC, UNICESUMAR. 

Ramalho, J. P. L. (2023). Potencial terapêutico da Cannabis na Medicina Veterinária. Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos - UNICEPLAC.

domingo, 21 de março de 2021

Centelha-asiática na fitoterapia aplicada aos animais: pesquisa sobre ação cicatrizante

Texto:
Giulianna Salvatto - Acadêmica - Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo, professor - FIC e UNITAU

Nos quintais, calçadas e jardins, a centelha-asiática é encontrada nascendo, geralmente, por conta própria, pois, para muitos, é considerada invasora ou daninha. No entanto, é utilizada desde a antiguidade como planta medicinal, principalmente pela medicina Ayurvédica, onde ela é conhecida por gotu kola, dentre outros nomes. Há muitos ensaios clínicos comprovando suas atividades farmacológicas relacionadas ao sistema nervoso.

Seu nome científico é Centella asiatica (L.) Urban e pertence à família Apiaceae. A mesma família que inclui, por exemplo, a comestível cenoura (Daucus carota L.), as medicinais e/ou condimentares salsinhas (Petroselinum spp), coentro (Coriandrum sativum L.), anis ou erva-doce (Pimpinella anisum L.) e funcho (Foeniculum vulgare Mill.). Assim como a centelha-asiática, são plantas ricas em óleos essenciais, principais responsáveis pelas atividades antioxidantes e antimicrobianas dessas espécies.

Quanto aos seus usos medicinais para os sistemas nervoso e cardiovascular há um número significativo de pesquisas. Outra área em que a centelha-asiática se destaca é a cosmética, como ingrediente de fitocosméticos para tratamento da celulite. Em alguns países asiáticos é consumida como alimento. Mas com relação ao tratamento de animais ainda há poucas pesquisas. Boelter (2010) cita, por exemplo, o uso da centelha-asiática no tratamento de animais que sofreram lesão que provocou acidente vascular cerebral ou para tratar sequelas de cinomose.

Pesquisa sobre sua ação cicatrizante em animais

Um dos principais princípios ativos da C. asiatica, é o saponosídeo triterpênico asiaticosídeo. Na pesquisa de Nazareth (2018), a autora avaliou a solução de tartarato de ketanserina (0,345%) e asiaticosídeo (0,20%) como opção terapêutica, aplicada via tópica, no processo de cicatrização de lesões cutâneas em cães atendidos. Concluiu que a formulação é efetiva nas fases de inflamação, de proliferação e de reparo da lesão quando comparado às feridas tratadas com solução salina 0,9%.

Referências

BOELTER, Ruben. Plantas medicinais usadas na Medicina Veterinária. 2 ed. ANDREI: São Paulo. 2010.

NAZARET, Thuanny Lopes. Estudo para avaliação da ação e eficácia da formulação de tartarato de ketanserina (0,345%) e asiaticosídeo (0,20%), aplicada via tópica, no processo de cicatrização de lesões cutâneas em cães. 2018, 62 f. Dissertação (Mestrado e em Cirurgia Veterinária). Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – Unesp, Jaboticabal, 2010. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/183051/nazaret_tl_me_jabo.pdf?sequence=5&isAllowed=y

Foto: Centella asiatica (L.) Urban.


quarta-feira, 17 de março de 2021

Plantas espontâneas na alimentação animal: beldroega

Texto:
Laura Fernanda Chaves Perrenoud - acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan: Engenheiro agrônomo e professor - UNITAU

Os quintais acompanham o ser humano desde o neolítico, quando de nômade passou a ser sedentário e se fixou em povoados ou em cidades. Nesses locais começou a cultivar vegetais para serem usados como alimentos ou como medicamentos, tanto para a família quanto para os seus animais domésticos, habituando essa flora ao seu redor.

Mesmo com a redução na intensidade de uso dessas espécies ao longo do tempo, se verifica que boa parte ainda se mantém nas proximidades das moradias, inclusive urbanas. São, para alguns pesquisadores, classificadas como plantas negligenciadas, por não serem aproveitadas, apesar de seu potencial de uso.

Portanto, é possível encontrar em um quintal, ou até mesmo nas calçadas, uma riqueza de plantas para tratamento de doenças ou para serem usadas na alimentação humana ou de animais, mesmo que não sejam cultivadas pelo morador. Importante ressaltar que as encontradas nas calçadas não devem ser consumidas devido à poluição e resíduos que caem sobre elas. No entanto, é importante o reconhecimento preciso dessas espécies e conhecer alguns itens para seu uso seguro.

Dentre as espécies espontâneas encontradas nos quintais em várias regiões do Brasil, uma se destaca, a beldroega (Portulaca oleracea), por ser utilizada há milênios e que já tem uma boa divulgação como umas das plantas alimentícias não convencionais (PANC) para consumo humano. É de fácil identificação (foto), e quanto às restrições para consumo humano a preocupação é com relação ao teor de oxalato. Mas além de alguns minerais, é uma das espécies mais ricas em ômega-3.

Para a alimentação animal, ainda há poucos relatos de usos no Brasil.  Em alguns países da África é utilizada para alimentação de animais domésticos. Na publicação da EMBRAPA (http://panorama.cnpms.embrapa.br/plantas-daninhas/identificacao/folhas-largas/beldroega-portulaca-oleracea-l) é citado o seu consumo em pequenas quantidades para animais.

Apesar de seu potencial na alimentação humana, ainda não é seguro recomendar para alimentação de animais. Uma pesquisa demonstrou que seu uso pode causar intoxicações em ovinos (SIMÕES, 20130). Foram utilizadas grandes quantidades nos tratamentos, o que pode justificar a intoxicação.

Mas para aves, Aydin e Dogan (2010) demonstraram que a beldroega na ração proporcionou melhor palatabilidade, aumento de aumentando do peso e da produção de ovos. Concluíram que a adição de beldroega desidratada à dieta de galinhas poedeiras aumentou significativamente a produção e o peso dos ovos, embora não tenha havido redução na concentração de colesterol no ovo. Este estudo também mostrou que a inclusão de beldroegas na dieta enriqueceu ovos com ácidos graxos ômega-3 e diminuiu a proporção de ômega-6 / ômega-3 na gema.

Essa série de artigos sobre plantas espontâneas para alimentação animal pretende fazer buscas para ter mais subsídio quanto à beldroega e outras espécies espontâneas como alimento para animais.

Referência:

AYDIN, R.; DOGAN, I. Fatty acid profile and cholesterol content of egg yolk from chickens fed diets supplemented with purslane (Portulaca oleracea L.). Journal of the Science of Food and Agriculture, Oxford, v. 90, p. 1759–1763, 2010. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/jsfa.4018.

SIMÕES, João Gonçalves. Intoxicação por Portulaca oleracea L. em ovinos. 2013, 34 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural, 2014. Disponível e: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/mono_2013_2/monografia_joao_goncalves_simoes.pdf
Foto: Portulaca oleracea
Autoria: Luciana Ferreira Chaves Perrenoud

domingo, 28 de junho de 2020

Plantas medicinais no tratamento de animais

Texto: 

Luana Salim Amâncio Silva: Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade de Taubaté 
Marcos Roberto Furlan: Professor Universidade de Taubaté e Faculdade Cantareira

Pesquisa com citronela no controle do carrapato do boi

Na criação de bois é frequente o ataque de pragas, com destaque para o carrapato do boi (Rhipicephalus (Boophilus) microplus). Além de se alimentar do sangue do parasitado, o carrapato também transmite doenças, como a babesiose e a anaplasmose (tristeza). Esse ácaro tem sido combatido com produtos químicos, os quais têm gerado resistência no parasita, além de poder causar problemas ambientais e deixar resíduos na carne ou nos seus derivados. 

Gueretz et al. (2020) recomendam o desenvolvimento de técnicas alternativas para o controle do carrapato do boi, com o objetivo de substituir ou reduzir a necessidade de controle químico dos parasitos, uma vez que a resistência é inevitável nos modelos de tratamento usuais.

Produtos naturais no controle do carrapato-bovino tem sido considerada um método importante no seu controle, bem como de outros ectoparasitas. A associação com outras estratégias de controle deve resultar em um alimento (carne, leite e seus derivados) livre de substâncias químicas que possam prejudicar o ser humano, o animal e o ambiente (AGNOLIN et al., 2010).

Agnolin et al. (2010) concluíram que a solução contendo 4% de óleo de citronela (Cymbopogon nardus (L.) Rendle), aplicada a cada sete dias, controlou a infestação de carrapatos. No período avaliado encontrou-se uma relação de 1:2,5 para o amitraz e o óleo de citronela, respectivamente, para controlar a infestação.

A citronela é uma planta de fácil cultivo (Foto abaixo). Sendo perene, poderá ser cultivada e rebrota, mesmo quando colhida suas folhas, de onde se extrai o óleo essencial. É de uso frequente em haras como repelente de moscas e pernilongos. Seu aroma lembra o do eucalipto-citriodora, pois também é rica em citronelal.

Referências

AGNOLIN, C.A. et al. Eficácia do óleo de citronela [Cymbopogon nardus (L.) Rendle] no controle de ectoparasitas de bovinos. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 12, n. 4, p. 482-487, 2010.

GUERETZ, J.S. et al. Remoção manual de Rhipicephalus microplus (Acari: Ixodidae) em bovinos, como uma alternativa ao uso de carrapaticidas em pequenos rebanhos. Brazilian Journal Of Development, v. 6, n. 4, p. 19060-19066, 2020. http://dx.doi.org/10.34117/bjdv6n4-174.

HOCAYEN, P.A.S.; PIMENTA, D.S. Extrato de plantas medicinais como carrapaticida de Rhipicephalus (Boophilus) microplus. Rev. bras. plantas med., Botucatu, v. 15, n. 4, supl. 1, p. 627-631, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722013000500001&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 21 abr. 2018.



terça-feira, 23 de junho de 2020

Pitanga (Eugenia pyriformis) no tratamento de animais: sugestão de artigo

Texto: 
Luana Salim Amâncio Silva: Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade de Taubaté 
Marcos Roberto Furlan: Professor Universidade de Taubaté e Faculdade Cantareira 

Produtos naturais no tratamento de animais são opções que proporcionam vantagens, comparado com os produtos químicos, tais como: poderem ser obtidos na propriedade; e resultar em menor probabilidade de deixar resíduos no ambiente ou causar resistência nas pragas. No entanto, a maioria das pesquisas para verificar a eficácia desses produtos é realizada apenas in vitro, as quais, geralmente, não são reproduzíveis na produção animal. 

Uma pesquisa que analisou também os resultados no campo foi a efetuada por Medeiros et al. (2019). Os autores obtiveram resultados positivos com o óleo essencial de pitanga (Eugenia pyriformis) no controle do carrapato bovino (Rhipicephalus (Boophilus) microplus) no estágio larval (parasitário) e no ciclo de vida livre (estágio não parasitário) em condições de campo. 

Referência 

MEDEIROS, J.P. et al. Biocidal potential of Eugenia pyriformis essential oil in the control of Rhipicephalus (Boophilus) microplus in the free-living cycle. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 39, n. 11, p. 879-888, nov. 2019. Disponível: https://www.scielo.br/pdf/pvb/v39n11/1678-5150-pvb-39-11-879.pdf. Acesso: 23 de jun 2020 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Plantas medicinais no tratamento de animais – Nepeta cataria

Texto: 
Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU 

A história demonstra que o ser humano, desde o início das civilizações, tem uma relação estreita com animais quanto à interação, convivência e domesticação. A expansão dessa convivência, especialmente com cães e gatos, requer do médico veterinário avaliações criteriosas embasadas nos parâmetros estabelecidos pelo bem-estar e saúde do animal exposto às situações de estresse. 

Os gatos domésticos que vivem em ambiente urbano, principalmente, estão submetidos ao estresse crônico e, consequentemente, aos distúrbios de ansiedade. Se expressam com comportamentos agressivos quando não se acham capazes de evitar a circunstância causadora do medo. 

Silva e Suyenaga (2019), em sua revisão, fornecem opções de tratamentos disponíveis para melhoria da qualidade de vida do animal, e destacam também os seus efeitos adversos. 

Dentre as espécies citadas pelas autoras está a erva-de-gato, cujo nome científico é Nepeta cataria. Essa espécie pertence à família Lamiaceae. Uma de suas características é a produção de óleo essencial, assim como outras espécies dessa família, como, por exemplo, alecrim (Rosmarinus officinalis), hortelãs (Mentha spp), manjericões (Ocimum spp), orégano (Origanum vulgaris), sálvia (Salvia officinalis) e tomilho (Thymus vulgaris). 

Além do nome popular erva-de-gato, é encontrada no comércio de mudas também com a denominação catnip e, raras vezes, como hortelã-do-gato. Sua pequena altura possibilita que seja cultivada em vasos ou em jardineiras, desde que receba sol e que o substrato onde esteja plantada não fique seco por mais que um dia. 

Para os felinos, graças ao princípio ativo nepetalactone, a erva-de-gato é utilizada para redução do estresse e da ansiedade. Causa nos felinos um comportamento frequentemente humorístico, pois proporciona a sensação de um prazer extremo. Nos humanos também pode gerar um efeito alucinógeno, equivalente ao LSD, mas de impacto bem menor (SILVA; SUYENAGA, 2019). 


By Forest & Kim Starr, CC BY 3.0, 
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=6186258

Referência 

SILVA, Rafaela Pelisoli da; SUYENAGA, Edna Sayuri. Estresse e ansiedade em gatos domésticos: tratamento farmacológico e etnoveterinário - uma revisão. Science And Animal Health, [s.l.], v. 7, n. 1, p. 12-33, 11 dez. 2019. Universidade Federal de Pelotas. http://dx.doi.org/10.15210/sah.v7i1.14789. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/veterinaria/article/view/14789/10734. Acesso em: 01 maio 2020. 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Plantas no tratamento de animais: Eucalyptus globulus

Texto: 
Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU 

Inúmeras pesquisas têm surgido e contribuindo para o aumento da aplicação da fitoterapia em seres humanos, inclusive no tratamento de doenças como câncer. Apesar de muitas pesquisas utilizarem animais nos ensaios pré-clínicos, são poucas as realizadas com o objetivo de serem aplicadas na criação de animais ou em animais domésticos.

Algumas plantas que se destacam na saúde humana, também são usadas para animais, mesmo que não tenham sido pesquisadas, originalmente, para essa finalidade. Exemplo é a maria-sem-vergonha (Cataranthus roseus). Dessa espécie são extraídos os alcaloides vincristina e vimblastina, os quais são usados para tratar leucemia infantil, e o sulfato de vincristina é um produto recomendado para tratar, por exemplo, o Tumor Venéreo Transmissível (TVT) de cães.

Uma outra espécie com ampla utilização, principalmente em seres humanos para tratamento de problemas respiratórios, é o Eucalyptus globulus. Não é a espécie mais comum no Brasil, mas se destaca pelo seu aroma agradável para a maioria das pessoas, e também pela cor mais clara. É frequente um erro, usar o eucalipto-citriodora para inalação, enquanto que deveria ser usado E. globulus.

Com relação ao uso do eucalipto-globulus em cães, Jaime (2019) observa que os óleos essenciais apresentam propriedades acaricida, e a ação do óleo essencial do E. globulus em carrapatos do tipo Boophilus microplus já foi comprovada. A autora, na sua pesquisa intitulada "Efeito do extrato do Eucalyptus globulus em fêmeas ingurgitadas de Rhipicephalus sanguineus (carrapato do cão)", avaliou o efeito acaricida (taxa de oviposição e de eclosão) nas fêmeas de Rhipicephalus sanguineus. 

Jaime (2019) concluiu que as concentrações mais baixas do óleo diminuem também sua ação acaricida e não são eficientes para o combate a esses carrapatos. Mas em concentrações acima de 10% há uma inibição não só da eclosão dos ovos como também de ovipostura das fêmeas. Destaca que não há relatos na literatura da utilização de óleo de E globulus para o controle de carrapatos em cães, sendo este estudo pioneiro no que diz respeito a utilização desta planta controle de pragas em ambientes domésticos, e sugere mais trabalhos e estudos neste tema. (JAIME, 2019) 

Referência

JAIME, Elisângela Morais. Efeito do extrato do Eucalyptus globulus em fêmeas ingurgitadas de Rhipicephalus sanguineus. Orientador: Alberto Andrade Reis Mota. 2019. 29f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Medicina Veterinária) - Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos, 2019. Disponível em: <https://dspace.uniceplac.edu.br/handle/123456789/171>. Acesso em: 23 de abril 2020.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Cúrcuma e seus usos em animais - 2

Texto: 
Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU 

A cúrcuma (Curcuma longa), conforme relatado no texto anterior (http://quintaisimortais.blogspot.com/2020/04/curcuma-e-ser-uso-em-animais-1.html), tem muitas atividades farmacológicas já comprovadas por meio de pesquisas. No entanto, uma das indicações da cúrcuma contra veneno de cobra, citada com frequência por algumas comunidades tradicionais, inclusive em animais, ainda não teve o respaldo científico.

Infelizmente, acidentes com picadas de cobras em cães, por exemplo, são frequentes. Geralmente, ocorrem devido à curiosidade deles, que se aproximam e cheiram, sendo, por isso, picados no focinho, peito ou pescoço . 

Para o tratamento, é importante saber o tipo da cobra que picou, pois existem diferentes espécies de cobras venenosas, como, por exemplo, às pertencentes aos grupos botrópico (ex.: jararaca, jararacuçu e urutu), crotálico (cascavel) e elapídico (corais). Os acidentes mais comuns são com as jararacas (gênero Bothrops), cascavéis (gênero Crotalus) e corais (gênero Micrurus, dentre outros). 

As ações anticoagulantes e hemorrágicas do veneno influenciam na evolução da atividade anti-inflamatória. A ação anticoagulante ao formar trombos na microvasculatura, provoca, consequentemente, hipóxia com agravamento de dor, edema e necrose tecidual. 

Uma das contribuições ao tema foi a pesquisa feita por Herrera e Pereira (2009). Os autores relatam o diagnóstico e a conduta terapêutica relacionados à picada de serpente (gênero Botrophs), associado ao uso complementar da Curcuma longa tópica, em uma cadela, sem raça definida, com um ano de idade. 

Além do do soro polivalente (botrópico-crotálico) e da dexametasona, foi aplicada a pomada com cúrcuma + solução tópica, associada à colagenase e açúcar cristal, uma vez ao dia, com o objetivo de melhorar a necrose tecidual e regredir o halo hemorrágico, para a cicatrização por segunda intenção. Após dois meses de internação, foi iniciada a lavagem com barbatimão durante 3 dias até formar uma cicatriz elíptica de 1 cm de diâmetro e finalizou-se o tratamento.

Os autores concluíram que o uso do cúrcuma e da lavagem com barbatimão, permitiu a cicatrização quase que completa e recuperação do tecido com remissão dos sinais clínicos.

Referência

HERRERA, Mariana de Souza; PEREIRA, Rose Elisabeth Peres. Acidente com serpente do gênero Bothrops em cão. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, v.7, n.12, 6 p., 2009. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/bv4olF2Ra0J5Ncn_2013-6-24-16-40-54.pdf>.Acesso em: 20 de abr 2020.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cúrcuma e seu uso em animais - 1

Texto:

Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU

De origem Asiática, a Curcuma longa se adaptou em boa parte do território brasileiro, e como alguns denominam a espécie como açafrão-da-terra, é gerada uma confusão. Aliás, duas confusões, pois não se trata do verdadeiro açafrão (Crocus sativus), e a referência terra é por produzir rizomas. No entanto, alguns acreditam que é o caro açafrão usado na culinária e que é nativa do Brasil.

A cúrcuma também é usada na culinária, mas seu preço no varejo é quase irrisório se comparado com C. sativus. O baixo preço da cúrcuma é devido à facilidade de seu cultivo, e por propiciar uma colheita de até 50 toneladas por hectare. Além de ser utilizada diretamente na alimentação, dela se extrai também um corante, a curcumina. 

Suas atividades terapêuticas na saúde humana, como, por exemplo, antioxidante, anti-inflamatória e antitumoral, já foram comprovadas por meio de inúmeras pesquisas, tanto pré-clínicas como clínicas, graças, principalmente, devido a presença da curcumina. Atualmente, o foco principal é melhorar a sua biodisponibilidade.

Com relação ao tratamento ou uso para a saúde de animais também são encontradas pesquisas. Um ótimo exemplo é a Dissertação de Gabriela Campigotto, intitulada "Curcumina como aditivo na alimentação de cães: produção da ração e seus benefícios à saúde dos animais". Alguns dos resultados obtidos pela pesquisadora foram:

• como a curcumina tem diversas propriedades biológicas, foram escolhidos filhotes para o estudo, pois precisam de grande quantidade de nutrientes. E a cúrcuma também pode auxiliar no metabolismo aumentando a imunidade e tem presente uma molécula funcional que favorece o ganho de peso;

• as propriedades biológicas em destaque da curcumina são anti-inflamatória, anti-tumoral, anti-oxidante, anti-microbiano, anticoccidiano e hepatoprotetor;

• os resultados dos dois experimentos feitos pela pesquisadora foram positivos, pois foi observada uma redução significativa no número de linfócitos;

• nos cães que ingeriram curcumina, foi observada menor atividade de alanino-aminotransferase sérica, indicando seu efeito hepatoprotetor, e estavam todos saudáveis, com níveis séricos normais de glicose, ureia, triglicerídeos e colesterol; e

• portanto, o efeito antioxidante e anti-inflamatório foi capaz de minimizar os impactos causados pelos níveis exacerbados de radicais livres e pela peroxidação lipídica no sangue dos cães.

Referência

CAMPIGOTTO, Gabriela. Curcumina como aditivo na alimentação de cães: produção da ração e seus benefícios a saúde dos animais. 2019, 76 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Chapecó, 2019.
Açafrão-da-terra – Wikipédia, a enciclopédia livre

sábado, 5 de janeiro de 2019

Promotores de crescimento para frangos de corte - resenha de artigo

Autoria da resenha: Médica Veterinária Fernanda Moreira Delavy

ALLIX, Eduardo. Promotores de crescimento para frangos de corte. 2010. 29 f. TCC (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/handle/10183/48980>. Acesso em: 12 jan. 2019. 

A produção brasileira de frango de corte nas últimas décadas apresentou resultados satisfatórios, com alta produção e baixo custo. O autor destaca que a avicultura desempenhou papel importante na alimentação de alta qualidade para o consumo da população. 

No entanto, a maior intensidade na produção fez com que os animais ficassem mantidos sob estresse intenso, e, com isto, o consumo alimentar dos frangos diminuiu. A solução obtida, segundo o autor, foi o uso de promotores de crescimento com doses preventivas na alimentação das aves. 

Dentre os promotores de crescimento, nas últimas décadas se destacaram os antibióticos, os quais são utilizados para controlar patologias subclínicas nos animais, proporcionando com que as aves expressem todo o seu potencial genético e que ocorra crescimento de bactérias benéficas. Estes microrganismos produzem aminoácidos e vitaminas, assim, diminuindo a exigência de nutrientes das aves (ALLIX, 2010) 

Contudo, o surgimento da resistência aos antibióticos, fez com que surgissem reações ao uso destes produtos. Mas o autor afirma que a consequência da retirada dos promotores de crescimento à base de antibióticos na Europa ocasionou redução do desempenho zootécnico na produção animal.  

Com isto, foram desenvolvidas pesquisas com outros tipos de promotores de crescimento. Dentre ele, os probióticos e os prebióticos, considerados alternativas para serem usados como promotores de crescimento na produção de frango de corte, pois favorecem o desempenho e o rendimento das carcaças. 

Apesar de algumas pesquisas com os simbióticos resultarem em desempenho semelhantes aos derivadas do uso de antibióticos, outras pesquisas tem apontado divergências (ALLIX, 2010). 

O autor exemplifica outros produtos que estão sendo testados para substituir os antibióticos, como, por exemplo, os nomeados como “orgânicos” e dentre eles estão os ácidos orgânicos, extratos de plantas, óleos essenciais e enzimas digestivas. 

sábado, 22 de julho de 2017

Resenha de artigo sobre o uso da citronela no controle de carrapato em bovinos - 2

Resenha:
Marcos Roberto Furlan - Eng, Agrônomo - Prof. UNITAU e Faculdade Cantareira
Melissa Guimarães - Acadêmica Medicina Veterinária - UNIP - Unidade São José dos Campos 

Referência
OLIVO, C. J.; CARVALHO, N. M.; SILVA, J. H. S.; VOGEL, F. F.; MASSARIOL, P.; MEINERZ, G.; AGNOLIN, C., MOREL, A. F.; VIAU, L. V. Óleo de citronela no controle do carrapato de bovinos. Ciência Rural, v.38, n.2, p.406-410, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cr/v38n2/a18v38n2.pdf. Acesso em: 20 de jul 2017.


Olivo et al. (2008), avaliando o efeito in vivo e in vitro do óleo de citronela no carrapato de bovinos (Boophilus microplus), concluíram que o referido óleo pode ser usado no controle desse parasita.

Para a pesquisa, fêmeas ingurgitadas, com comprimento superior a 4mm, foram colhidas de animais da raça Holandesa. As teleóginas foram colocadas em grupos de 10 em cada placa de petri e submetidas ao teste do biocarrapaticidograma, em três imersões, com intervalos de 24 horas.

Concentrações iguais ou superiores a 1 % proporcionaram em fêmeas ingurgitadas eficiência acima de 75 %.

Os autores destacam que "os resultados podem ser importantes como estratégia de controle do carrapato em diferentes sistemas de produção". Mas complementam que há necessidade de se fazer estudos com objetivo de otimizar o óleo de citronela, especialmente na avaliação com emulsionantes, na forma e no período de utilização do produto constituído.

Obtenção do óleo

Por meio da destilação, o óleo essencial, com rendimento de 0,7 % foi obtido das folhas frescas da citronela. Os bioativos mais importantes do foram citronelal, citronelol e geraniol.