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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Urolitíase em pequenos animais e o potencial terapêutico de Phyllanthus niruri: uma abordagem integrativa

Paula Xagoraris Telles Nunes Cost

Advogada e acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade de Taubaté

O conhecimento e a utilização de plantas para a cura e estabilização de doenças em humanos são milenares, com registros desde as dinastias egípcias, séculos antes de Cristo. Apesar de ser um campo amplo e antigo, ainda há importantes lacunas quanto à definição de protocolos terapêuticos para animais, especialmente aqueles que permitam reduzir o uso intensivo de medicamentos industrializados. Nesse contexto, a área da Medicina Veterinária integrativa, que engloba práticas como a fitoterapia e a homeopatia, ainda se encontra em desenvolvimento (Santos et al., 2017).

Entre as afecções que acometem animais de companhia, como cães e gatos, destaca-se a urolitíase. Essa condição caracteriza-se pela formação de urólitos (concreções sólidas) no trato urinário, podendo ocorrer nos rins, ureteres, bexiga urinária e uretra.

Os rins de cães e gatos são órgãos retroperitoneais, recobertos por uma cápsula renal que limita a expansão do parênquima. Essa característica dificulta a acomodação de formações sólidas em seu interior sem a ocorrência de dor. De forma semelhante, ureteres e uretra apresentam baixa capacidade de distensão, o que dificulta a passagem de cálculos maiores que seus diâmetros. Por esse motivo, além de representar risco clínico — como obstrução urinária, infecções, hidronefrose e insuficiência renal —, a urolitíase é uma condição altamente dolorosa, sendo frequentemente comparada, em humanos, a uma das dores mais intensas já descritas (Pucci et al., 2018).

O tratamento e a manutenção de pacientes com litíase urinária geralmente são prolongados. Dessa forma, torna-se desejável o uso de substâncias com baixo potencial de efeitos adversos e custo acessível, favorecendo a adesão ao tratamento por parte dos tutores (Santos et al., 2017).

Nesse cenário, a planta popularmente conhecida como “quebra-pedra” (Phyllanthus niruri) destaca-se como uma alternativa de interesse. Trata-se de uma espécie nativa das Américas, amplamente distribuída em regiões tropicais, o que favorece sua utilização no Brasil. Pode ser empregada sob diferentes formas, como planta fresca, seca (infusão) ou extrato líquido, facilitando seu armazenamento, distribuição e preparo (Boim et al., 2010).

A P. niruri apresenta múltiplos mecanismos de ação. Destaca-se sua atividade antiespasmódica sobre a musculatura lisa do trato urinário, além de efeitos antioxidantes, que contribuem para a redução da ação citotóxica dos urólitos sobre os tecidos (Boim et al., 2010). Estudos também indicam possíveis efeitos analgésicos, associados à modulação de receptores relacionados à dor, bem como ação anti-inflamatória mediada pela redução da produção de prostaglandinas, contribuindo para a diminuição da dor provocada pelo atrito dos cálculos no epitélio urinário.

Adicionalmente, a planta apresenta efeito vasodilatador, podendo auxiliar na redução da pressão arterial (Pucci et al., 2018), e ação diurética. Ao aumentar a excreção de sódio e potássio, promove uma diurese mais diluída, contribuindo para a redução da densidade urinária e dificultando a agregação de cristais (Udupa et al., 2007).

Em relação aos parâmetros metabólicos, a espécie pode reduzir os níveis séricos e urinários de cálcio em pacientes com hipercalciúria, além de diminuir os níveis de ácido úrico em animais hiperuricêmicos, de forma semelhante ao alopurinol. Esses efeitos contribuem para a redução da formação de novos cristais e para a estabilização dos cálculos já existentes, além de influenciar positivamente o pH urinário, fator importante na dinâmica de agregação cristalina (Campos; Schor, 1999; Murugaiyah; Chan, 2009).

No que se refere aos diferentes tipos de urólitos, evidências sugerem que a P. niruri pode interferir na agregação de cristais de oxalato de cálcio, contribuindo para sua prevenção e possível dissolução (Barros et al., 2003). Para cálculos de estruvita e urato, embora o efeito dissolutivo direto seja mais limitado, a planta apresenta relevância por sua atividade antimicrobiana, atuando contra bactérias frequentemente envolvidas em infecções urinárias e na formação desses urólitos (Ibrahim et al., 2013).

Para que sua utilização seja segura e eficaz, é fundamental estabelecer protocolos terapêuticos bem definidos, considerando doses adequadas, tipo de urólito e características individuais do paciente. A literatura ressalta a necessidade de estudos específicos em cães e gatos, com acompanhamento clínico e laboratorial a longo prazo (CRMV-MA, 2023). A individualização do tratamento é particularmente importante em felinos, cujo metabolismo hepático apresenta limitações que exigem maior cautela e monitoramento (Asare et al., 2011).

A Phyllanthus niruri apresenta-se como uma alternativa promissora e multifatorial no manejo da urolitíase em pequenos animais, atuando de forma integrada na prevenção da formação, agregação e eliminação de urólitos, especialmente os de oxalato de cálcio. Além disso, contribui para o controle de fatores associados, como inflamação, dor, infecção bacteriana e alterações metabólicas, por meio de seus efeitos antiespasmódicos, diuréticos, antioxidantes e moduladores do pH urinário.

Entretanto, sua utilização deve ser pautada em critérios técnicos rigorosos, com identificação prévia do tipo de urólito, definição de doses seguras e monitoramento clínico e laboratorial contínuo, sobretudo em espécies mais sensíveis, como os felinos. Nesse contexto, a consolidação de protocolos específicos, baseados em evidências científicas, torna-se indispensável para garantir a eficácia e a segurança dessa abordagem terapêutica na prática clínica veterinária. 

Referências

ASARE, G. A. et al. Acute and sub-chronic toxicity studies of Phyllanthus niruri L. whole plant extract. Methods and Findings in Experimental and Clinical Pharmacology, [S. l.], v. 33, n. 3, p. 179–187, 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1358/mf.2011.33.3.1632295. Acesso em: 02 abr. 2026. 

BARROS, M. E. et al. Effect of extract of Phyllanthus niruri on urinary sulfate, citrate and magnesium in rats. International Brazilian Journal of Urology, Rio de Janeiro, v. 29, n. 3, p. 263–267, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1677-55382003000300011. Acesso em: 02 abr. 2026.

BOIM, M. A.; HEILBERG, I. P.; SCHOR, N. Phyllanthus niruri como alternativa promissora no tratamento da nefrolitíase. International Brazilian Journal of Urology, Rio de Janeiro, v. 36, n. 6, p. 657–664, 2010. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/6022. Acesso em: 02 abr. 2026.

CAMPOS, A. H.; SCHOR, N. Phyllanthus niruri inhibits calcium oxalate endocytosis by renal tubular cells: its role in urolithiasis. Nephron, [S. l.], v. 81, n. 4, p. 393–397, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1159/000045327. Acesso em: 02 abr. 2026.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO MARANHÃO (CRMV-MA). Nota técnica: uso de chá de quebra-pedra para prevenção e tratamento de doença renal em gatos. São Luís: CRMV-MA, 2023. Disponível em: https://crmvma.org.br. Acesso em: 02 abr. 2026.

IBRAHIM, J. F. et al. Antimicrobial activity of Phyllanthus niruri L. (Euphorbiaceae) against pathogenic bacteria. Journal of Pharmacognosy and Phytochemistry, [S. l.], v. 2, n. 3, p. 202–205, 2013. Disponível em: https://www.phytojournal.com. Acesso em: 02 abr. 2026.

MURUGAIYAH, V.; CHAN, K. L. Mechanisms of antihyperuricemic effect of Phyllanthus niruri and its lignans. Journal of Ethnopharmacology, [S. l.], v. 124, n. 2, p. 233–239, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jep.2009.04.026. Acesso em: 02 abr. 2026.

PUCCI, N. D. et al. Efeito de Phyllanthus niruri em parâmetros metabólicos de pacientes com cálculos renais: perspectiva para prevenção da doença. International Brazilian Journal of Urology, Rio de Janeiro, v. 44, n. 4, p. 758–764, 2018. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/002853578. Acesso em: 02 abr. 2026.

SANTOS, L. S. et al. O uso de Phyllanthus niruri (“quebra-pedra”) como nefrolítico: uma revisão integrativa. In: CONBRACIS, 2., 2017, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: Realize Editora, 2017. Disponível em: https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/28544. Acesso em: 02 abr. 2026.

UDUPA, A. L. et al. Diuretic activity of Phyllanthus niruri Linn. in rats. Health, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 11–12, 2007. Disponível em: https://www.scirp.org. Acesso em: 02 abr. 2026.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Uso da Melissa officinalis no tratamento de cães

Franciele Beatriz Faria Santos. - acadêmica de Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

 Marcos Roberto Furlan - Universidade de Taubaté

A Melissa officinalis, conhecida popularmente como erva-cidreira ou melissa, tem despertado interesse na medicina veterinária devido às suas propriedades calmantes e antimicrobianas. Pesquisas recentes apontam para diferentes aplicações dessa planta em cães, abrangendo desde o manejo do estresse até o controle de infecções cutâneas e parasitas.

Efeito calmante e bem-estar animal
Roy et al. (2025) investigaram o impacto de um extrato hidroalcoólico de Melissa officinalis (MOE) e do ácido rosmarínico (AR) sobre o comportamento e o metaboloma de cães Beagle. O estudo, conduzido com 20 animais distribuídos em quatro grupos, demonstrou melhora significativa nos parâmetros comportamentais dos cães tratados com MOE (pontuação média 2,0) em comparação ao grupo placebo (-3,4). A análise metabolômica revelou alterações em vias relacionadas ao metabolismo lipídico e de ácidos biliares, sugerindo um mecanismo de ação associado à modulação do sistema GABA. Esses achados reforçam o potencial da Melissa officinalis como alternativa natural para reduzir estresse e ansiedade em cães.

Atividade antimicrobiana contra infecções cutâneas
Ebani et al. (2020) avaliaram a ação de óleos essenciais, incluindo o de Melissa officinalis, contra cepas de Staphylococcus spp. e Malassezia pachydermatis isoladas de cães com dermatite. Embora óleos como orégano e tomilho tenham apresentado maior eficácia antibacteriana, o óleo de Melissa demonstrou atividade antifúngica relevante, especialmente contra Malassezia, indicando seu potencial como coadjuvante no tratamento de otites e dermatites.

Complementando esses achados, Nocera et al. (2020) testaram a eficácia de óleos essenciais contra Staphylococcus pseudintermedius resistente e sensível à meticilina. O óleo de melissa apresentou atividade inibitória mínima (CIM) de 1:2048 v/v contra cepas sensíveis, sugerindo efeito limitado, mas ainda promissor como parte de terapias combinadas.

Controle de parasitas externos
Moog et al. (2020) exploraram o uso de um suplemento alimentar à base de plantas, incluindo Melissa officinalis, para controle de pulgas em cães. O produto Bioticks® demonstrou eficácia progressiva, atingindo 82% de redução na população de pulgas após cinco meses, sem efeitos adversos. Esse resultado indica que a melissa, associada a outras plantas, pode contribuir para estratégias naturais de controle parasitário.

Atividade antifúngica em otite externa
Bismarck et al. (2019) confirmaram a ação antifúngica do óleo essencial de Melissa contra isolados clínicos de Malassezia pachydermatis de orelhas caninas. A atividade volátil do óleo reforça sua aplicabilidade em terapias tópicas ou aromaterapia veterinária.

Considerações finais

Os estudos revisados demonstram que a Melissa officinalis apresenta diversas utilidades na medicina veterinária, sendo especialmente reconhecida pelo efeito tranquilizante, atividade antifúngica e auxílio no manejo de parasitas. Apesar de sua ação antimicrobiana contra bactérias ser menos potente em comparação a outros óleos essenciais, seu uso em terapias integrativas mostra-se promissor. São precisas investigações futuras para estabelecer doses padrão, vias de aplicação e garantir a segurança em uso prolongado.

Referências

Bismarck D, Dusold A, Heusinger A, Müller E. Antifungal in vitro Activity of Essential Oils against Clinical Isolates of Malassezia pachydermatis from Canine Ears: A Report from a Practice Laboratory. Complement Med Res. 2020;27(3):143-154. doi: 10.1159/000504316.

Ebani VV, Bertelloni F, Najar B, Nardoni S, Pistelli L, Mancianti F. Antimicrobial Activity of Essential Oils against Staphylococcus and Malassezia Strains Isolated from Canine Dermatitis. Microorganisms. 2020 Feb 13;8(2):252. doi: 10.3390/microorganisms8020252.

Moog F, Plichart GV, Blua JL, Cadiergues MC. Evaluation of a plant-based food supplement to control flea populations in dogs: A prospective double-blind randomized study. Int J Parasitol Drugs Drug Resist. 2020 Apr;12:35-38. doi: 10.1016/j.ijpddr.2020.02.001. Epub 2020 Feb 15. PMID: 32114287; PMCID: PMC7049570.

Nocera FP, Mancini S, Najar B, Bertelloni F, Pistelli L, De Filippis A, Fiorito F, De Martino L, Fratini F. Antimicrobial Activity of Some Essential Oils against Methicillin-Susceptible and Methicillin-Resistant Staphylococcus pseudintermedius-Associated Pyoderma in Dogs. Animals (Basel). 2020 Oct 1;10(10):1782. doi: 10.3390/ani10101782. PMID: 33019582; PMCID: PMC7601051.

Roy AS, Aberkane FZ, Cisse S, Guibert A, Richard D, Lerouzic M, Suor-Cherer S, Boisard S, Guilet D, Benarbia MEAB, Mallem MY. Metabolomics provides novel understanding of Melissa officinalis mechanism of action ensuring its calming effect on dogs. BMC Vet Res. 2025 Jul 11;21(1):459. doi: 10.1186/s12917-025-04904-8. 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Gênero Mentha no tratamento de cachorros

Ana Laura Teixeira Praniski de Oliveira - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Mirella Pires Nunes - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Sarah Junqueira Farah - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Introdução

O gênero Mentha é um dos mais conhecidos da família Lamiaceae, com mais de 25 espécies descritas. Originário principalmente da bacia do Mediterrâneo, estende-se pela Ásia, Europa, Austrália, América do Norte e Norte da África, sendo um símbolo de hospitalidade em diversas culturas. Essa planta foi amplamente utilizada em civilizações antigas, desde usos medicinais populares até aplicações não medicinais, como aromaterapia e culinária (YOUSEFIAN et al., 2023). O gênero Mentha possui grande importância econômica para a indústria e pode ser utilizado em animais como auxiliar no combate a parasitas, insetos, além de apresentar propriedades antimicrobianas e antioxidantes.

No combate ao carrapato

Rhipicephalus sanguineus, prevalente em cães, representa uma ameaça à saúde de caninos e humanos, atuando como vetor de diversas doenças parasitárias transmitidas pelo sangue em cães, incluindo Ehrlichia canisHepatozoon canis e Babesia canis. Para conter seus efeitos nocivos, produtos químicos são aplicados nos cães e em seus ambientes. No entanto, esses tratamentos são frequentemente mal utilizados, com dosagens incorretas e duração imprópria, o que pode afetar a saúde ambiental, tanto humana quanto animal, além de favorecer o desenvolvimento de resistência dos carrapatos aos produtos (VUI, 2024).

Portanto, é necessário descobrir novos tratamentos que garantam o controle dos danos causados pelos carrapatos, protegendo a saúde de animais de estimação e humanos. Nesse contexto, estudos indicam que óleos essenciais derivados de plantas são eficazes contra larvas e carrapatos adultos (VUI, 2024).

Segundo VUI (2024), o óleo essencial de Mentha spicata foi capaz de eliminar larvas e reduzir a capacidade reprodutiva de carrapatos adultos. Essa atividade larvicida e o impacto na reprodução das fêmeas ingurgitadas podem ser atribuídos aos compostos químicos presentes no óleo, que possuem propriedades larvicidas, ou ao efeito sinérgico de diversos compostos bioativos, contribuindo para aumentar a atividade larvicida e diminuir a reprodução de carrapatos adultos.

Terapêutica na odontologia veterinária

Doença periodontal e halitose são comuns em cães. O uso de óleos essenciais do gênero Mentha, como o mentol, apresenta potencial terapêutico na odontologia veterinária. Em cães, a aplicação tópica de um gel contendo mentol, timol e antioxidantes demonstrou reduzir significativamente o mau hálito após a limpeza profissional inicial. Essa melhora foi atribuída à ação antimicrobiana dos compostos voláteis do hortelã, que atuam contra bactérias gram-negativas envolvidas na formação de compostos sulfurados voláteis, principais responsáveis pela halitose (LOW, 2014).

Atividade antiparasitária

Diversos estudos demonstraram o efeito in vitro de óleos essenciais contra helmintos. Albani et al. (2014) avaliaram a eficácia in vitro da hortelã (Mentha x piperita) contra a proliferação celular de Echinococcus granulosus, observando uma redução de 77% na viabilidade dos protoescólices. Também foram constatadas reduções no número de células compatíveis, com a presença de muitas células mortas e detritos celulares.

Conclusão

Diante do exposto, observa-se que o gênero Mentha apresenta potencial relevante na medicina veterinária, tanto no controle de parasitas quanto na terapêutica odontológica. Seus óleos essenciais demonstraram eficácia contra diferentes estágios do desenvolvimento de carrapatos, além de possuir propriedades antimicrobianas que auxiliam na redução da halitose em cães. De igual forma, os estudos sobre sua ação antiparasitária reforçam a importância de novas pesquisas, que poderão consolidar a hortelã como uma alternativa promissora e natural no manejo de doenças em animais. Assim, fica evidente que o uso de plantas medicinais aliado ao conhecimento científico contribui para tratamentos mais seguros e sustentáveis.

Bibliografia

ALBANI, Clara María; DENEGRI, Guillermo María; ELISSONDO, María Celina. Effect of different terpene-containing essential oils on the proliferation of Echinococcus granulosus larval cells. BioMed Research International, [S. l.], 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1155/2014/746931. Acesso em: 18 out. 2024.

LOW, Samuel B.; PEAK, R. Michael; SMITHSON, Christopher W.; PERRONE, Jeanne; GADDIS, Bert; KONTOGIORGOS, Elias. Evaluation of a topical gel containing a novel combination of essential oils and antioxidants for reducing oral malodor in dogs. American Journal of Veterinary Research, v. 75, n. 7, p. 653-657, 2014.

VUI, N. V.; LINH, N. T.; QUYEN, N. T. K.; NANG, K.; VIET, H. V. The utility of Ocimum basilicumPerilla frutescens, and Mentha spicata essential oils to control larvae and engorged female Rhipicephalus sanguineus ticks on dogs. J Vet Med Sci. 2024 Dec 1;86(12):1237-1242. doi: 10.1292/jvms.24-0288. Epub 2024 Oct 8. PMID: 39384378; PMCID: PMC11612241.

YOUSEFIAN, Shirin; ESMAEILI, Fazileh; LOHRASEBI, Tahmineh. A comprehensive review of the key characteristics of the genus Mentha, natural compounds and biotechnological approaches for the production of secondary metabolites. Iranian Journal of Biotechnology, Teerã, v. 21, n. 4, p. e3605, 1 out. 2023. DOI: 10.30498/ijb.2023.380485.3605. Recebido em 09 jan. 2023. Aceito em 16 jul. 2023.


quinta-feira, 3 de abril de 2025

CBD em cães: resultados de pesquisas

Paulo Augusto Lombardi Ferreira Filho – Universidade de Taubaté

Sabrina Demaria Santos – Universidade de Taubaté

Giulia Volodka Osorio – Universidade de Taubaté

Yasmim de Paulo Leite Galcez – Universidade de Taubaté

Marcos Roberto Furlan – Universidade de Taubaté

INTRODUÇÃO

O canabidiol (CBD), um composto não psicoativo derivado da Cannabis sativa ou Cannabis indica, tem atraído atenção por seus potenciais efeitos terapêuticos, oferecendo benefícios sem os efeitos adversos comumente associados ao tetrahidrocanabinol (THC). Estudos preliminares e relatos de casos sugerem que o CBD pode auxiliar no tratamento de diversas condições em cães, como dor crônica, inflamação, ansiedade e convulsões, além de melhorar a qualidade de vida de cães com osteoartrite.

Segundo Costa (2024), a suplementação de CBD em cães é geralmente bem tolerada, com poucos efeitos adversos leves semelhantes aos observados com placebo. No entanto, alguns estudos indicam uma elevação da fosfatase alcalina associada ao uso de CBD, o que pode sinalizar alterações na função hepática. Embora essa elevação nem sempre indique lesão grave, é importante monitorar os níveis hepáticos durante o uso prolongado. A autora observa que doses orais diárias de 4 mg/kg de peso corporal são bem toleradas pelos cães.

Ensaios clínicos randomizados e controlados são essenciais para avaliar a eficácia e segurança do CBD em cães. Esses estudos reduzem vieses metodológicos e permitem diferenciar os efeitos reais dos psicológicos (placebo), além de identificar possíveis efeitos adversos específicos. Eles oferecem uma validação científica robusta que assegura a aplicabilidade dos resultados em diferentes populações caninas.

O uso de cannabis medicinal em animais é uma área de interesse crescente; contudo, há uma quantidade limitada de ensaios clínicos e estudos farmacocinéticos envolvendo canabinoides na medicina veterinária. Embora mais pesquisas sejam necessárias para compreender completamente os mecanismos do CBD e seu potencial terapêutico, os resultados iniciais indicam uma perspectiva promissora para o manejo de condições complexas na medicina veterinária. 

Relato de pesquisas

Farmacocinética do CBD em cães saudáveis (Bartner et al., 2018):

O estudo comparou três formulações de CBD em 30 cães. O óleo oral mostrou maior biodisponibilidade, com meia-vida de 199,7 ± 55,9 minutos (75 mg) e 127,5 ± 32,2 minutos (150 mg). A exposição sistêmica foi proporcional à dose, confirmando superioridade do óleo oral.

Eficácia em epilepsia refratária (McGrath et al., 2024):

Em um ensaio clínico com 26 cães, o grupo CBD (2,5 mg/kg, 2x/dia) teve redução de 33% na frequência de convulsões, comparado ao placebo. Dois cães foram excluídos por ataxia. Apesar da redução, a proporção de cães com melhora ≥ 50% foi similar entre os grupos. Níveis plasmáticos mais altos de CBD correlacionaram-se com maior eficácia, sugerindo que doses elevadas podem otimizar resultados.

CBD na osteoartrite canina (Verico et al., 2020): 

Doses de 50 mg/dia de CBD puro e 20 mg/dia de CBD lipossomal reduziram significativamente a dor em cães de grande porte, com efeitos prolongados. O placebo e 20 mg/dia de CBD puro não mostraram eficácia.

CBD/CBDA na dermatite atópica (Loewinger et al., 2022):

Apesar de não melhorar lesões cutâneas (CADESI-04), o CBD/CBDA (2 mg/kg/dia) reduziu o prurido (pVAS) em 28 dias. O aumento da fosfatase alcalina em 23,5% dos cães tratados reforça a necessidade de monitoramento hepático.

Conclusão

O CBD é promissor para dor crônica e prurido, mas respostas variam conforme a dose, formulação e condição tratada.

Estudos de longo prazo são necessários para validar segurança e eficácia.

Referências

BARTNER, Lisa R; MCGRATH, Stephanie; RAO, Sangeeta; HYATT, Linda K; A WITTENBURG, Luke. Pharmacokinetics of cannabidiol administered by 3 delivery methods at 2 different dosages to healthy dogs. Canadian Journal of Veterinary Research, [s. l], v. 82, n. 3, p. 178-183, 2018. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6038832/pdf/cjvr_07_178.pdf. Acesso em: 16 jan. 2025.

COSTA, Patrícia Sofia Carlos. O uso de canábis em animais de companhia: experiência profissionalizante na vertente de investigação e farmácia comunitária. 2024. 87 f. Tese (Doutorado) - Curso de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Ciências de Saúde, Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2024.

LOEWINGER, Melissa; WAKSHLAG, Joseph J.; BOWDEN, Daniel; PETERSKENNEDY, Jeanine; ROSENBERG, Andrew. The effect of a mixed cannabidiol and cannabidiolic acid based oil on clientowned dogs with atopic dermatitis. Veterinary Dermatology, [S.L.], v. 33, n. 4, p. 329, 29 maio 2022. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/vde.13077.

MCGRATH, Stephanie; BARTNER, Lisa R.; RAO, Sangeeta; PACKER, Rebecca A.; GUSTAFSON, Daniel L.. Randomized blinded controlled clinical trial to assess the effect of oral cannabidiol administration in addition to conventional antiepileptic treatment on seizure frequency in dogs with intractable idiopathic epilepsy. Journal of The American Veterinary Medical Association, [S.L.], v. 254, n. 11, p. 1301-1308, 1 jun. 2019. http://dx.doi.org/10.2460/javma.254.11.1301.

VERRICO, Chris D.; WESSON, Shonda; KONDURI, Vanaja; HOFFEREK, Colby J.; VAZQUEZ-PEREZ, Jonathan; BLAIR, Emek; DUNNER, Kenneth; SALIMPOUR, Pedram; DECKER, William K.; HALPERT, Matthew M.. A randomized, double-blind, placebo-controlled study of daily cannabidiol for the treatment of canine osteoarthritis pain. Pain, [S.L.], v. 161, n. 9, p. 2191-2202, 24 abr. 2020. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/j.pain.0000000000001896.

sexta-feira, 28 de março de 2025

CANABIDIOl: APLICAÇÕES NA CLÍNICA VETERINÁRIA

Juliano Lacerda Tapajós - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté 
Juliana de Camargo Januário - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté 
Lívia Patto Gonçalves Soares - Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté 

Resumo 

O uso da cannabis na medicina veterinária tem ganhado destaque devido às suas propriedades terapêuticas. Estudos demonstram que os canabinoides, como o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), atuam no sistema endocanabinoide dos animais, oferecendo benefícios no tratamento de dores crônicas, epilepsia, inflamações e distúrbios comportamentais. No entanto, o uso veterinário ainda enfrenta desafios regulatórios e riscos de toxicidade, especialmente relacionados à ingestão acidental de THC. Este artigo analisa o potencial terapêutico da cannabis na medicina veterinária, seus mecanismos de ação, indicações clínicas e as precauções necessárias para um uso seguro. 

Palavras-chave: Cannabis, Canabinoides, Medicina Veterinária, Terapia, Sistema Endocanabinoide.

Introdução 

O interesse no uso medicinal da cannabis tem crescido nos últimos anos, tanto na medicina humana quanto na veterinária. No Brasil, a regulamentação ainda é limitada, mas pesquisas demonstram seu potencial terapêutico para diversas condições clínicas em cães e gatos (Ramalho, 2023). Este artigo explora as aplicações da cannabis na prática veterinária, destacando seus benefícios, riscos e desafios.

Desenvolvimento 

A Cannabis sativa contém compostos bioativos chamados fitocanabinoides, sendo os principais o tetraidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). Esses compostos atuam no sistema endocanabinoide (SEC), que está presente em mamíferos e regula funções como dor, inflamação, humor e apetite. 

O SEC é composto por receptores específicos: 
CB1: Predominante no sistema nervoso central, influencia processos neurológicos e comportamentais.
CB2: Relacionado ao sistema imunológico, possui efeitos anti-inflamatórios e analgésicos. 

A ativação desses receptores pode ser útil no manejo da dor, epilepsia e distúrbios comportamentais em animais de companhia (Ramalho, 2023). O CBD, em particular, apresenta diversas propriedades terapêuticas, incluindo: 
Controle da dor e inflamação. 
Redução da frequência e gravidade de convulsões em casos de epilepsia. 
Modulação de distúrbios comportamentais.
Possível efeito antitumoral, inibindo a proliferação celular e induzindo apoptose em células tumorais (Ramalho, 2023). 

Apesar dos benefícios, o uso da cannabis na medicina veterinária exige cautela. O THC, por exemplo, tem alto potencial psicoativo e pode causar toxicidade em animais, especialmente em cães e gatos. Sintomas de intoxicação incluem ataxia, letargia, incontinência urinária e, em casos graves, crises convulsivas (Amissah et al., 2022). 

Riscos do THC: 
Possui efeitos psicoativos e pode causar intoxicação grave. 

Segurança do CBD: Geralmente bem tolerado, mas requer monitoramento da dose para evitar efeitos adversos. 

Conclusão 

O uso da cannabis na medicina veterinária apresenta um grande potencial terapêutico, especialmente no manejo da dor, epilepsia e inflamação. No entanto, é essencial que sua administração seja baseada em evidências científicas e regulamentada para garantir a segurança dos animais. Mais pesquisas são necessárias para estabelecer protocolos de dosagem seguros e eficazes. 

Referências 

Amissah, R. Q., Vogt, N. A., Chen, C., Urban, K., & Khokhar, J. (2022). Prevalence and characteristics of cannabis-induced toxicoses in pets: Results from a survey of veterinarians in North America. PLOS ONE, 17(4), e0261909. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0261909 

Blasius, R. K., Tamura, V. S. B., & Sprada, A. G. (2021). Aplicação de canabinoides em cães e gatos: Uma revisão sistemática. Anais Eletrônico XII EPCC, UNICESUMAR. 

Ramalho, J. P. L. (2023). Potencial terapêutico da Cannabis na Medicina Veterinária. Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos - UNICEPLAC.

domingo, 21 de março de 2021

Centelha-asiática na fitoterapia aplicada aos animais: pesquisa sobre ação cicatrizante

Texto:
Giulianna Salvatto - Acadêmica - Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo, professor - FIC e UNITAU

Nos quintais, calçadas e jardins, a centelha-asiática é encontrada nascendo, geralmente, por conta própria, pois, para muitos, é considerada invasora ou daninha. No entanto, é utilizada desde a antiguidade como planta medicinal, principalmente pela medicina Ayurvédica, onde ela é conhecida por gotu kola, dentre outros nomes. Há muitos ensaios clínicos comprovando suas atividades farmacológicas relacionadas ao sistema nervoso.

Seu nome científico é Centella asiatica (L.) Urban e pertence à família Apiaceae. A mesma família que inclui, por exemplo, a comestível cenoura (Daucus carota L.), as medicinais e/ou condimentares salsinhas (Petroselinum spp), coentro (Coriandrum sativum L.), anis ou erva-doce (Pimpinella anisum L.) e funcho (Foeniculum vulgare Mill.). Assim como a centelha-asiática, são plantas ricas em óleos essenciais, principais responsáveis pelas atividades antioxidantes e antimicrobianas dessas espécies.

Quanto aos seus usos medicinais para os sistemas nervoso e cardiovascular há um número significativo de pesquisas. Outra área em que a centelha-asiática se destaca é a cosmética, como ingrediente de fitocosméticos para tratamento da celulite. Em alguns países asiáticos é consumida como alimento. Mas com relação ao tratamento de animais ainda há poucas pesquisas. Boelter (2010) cita, por exemplo, o uso da centelha-asiática no tratamento de animais que sofreram lesão que provocou acidente vascular cerebral ou para tratar sequelas de cinomose.

Pesquisa sobre sua ação cicatrizante em animais

Um dos principais princípios ativos da C. asiatica, é o saponosídeo triterpênico asiaticosídeo. Na pesquisa de Nazareth (2018), a autora avaliou a solução de tartarato de ketanserina (0,345%) e asiaticosídeo (0,20%) como opção terapêutica, aplicada via tópica, no processo de cicatrização de lesões cutâneas em cães atendidos. Concluiu que a formulação é efetiva nas fases de inflamação, de proliferação e de reparo da lesão quando comparado às feridas tratadas com solução salina 0,9%.

Referências

BOELTER, Ruben. Plantas medicinais usadas na Medicina Veterinária. 2 ed. ANDREI: São Paulo. 2010.

NAZARET, Thuanny Lopes. Estudo para avaliação da ação e eficácia da formulação de tartarato de ketanserina (0,345%) e asiaticosídeo (0,20%), aplicada via tópica, no processo de cicatrização de lesões cutâneas em cães. 2018, 62 f. Dissertação (Mestrado e em Cirurgia Veterinária). Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – Unesp, Jaboticabal, 2010. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/183051/nazaret_tl_me_jabo.pdf?sequence=5&isAllowed=y

Foto: Centella asiatica (L.) Urban.


quarta-feira, 17 de março de 2021

Plantas espontâneas na alimentação animal: beldroega

Texto:
Laura Fernanda Chaves Perrenoud - acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan: Engenheiro agrônomo e professor - UNITAU

Os quintais acompanham o ser humano desde o neolítico, quando de nômade passou a ser sedentário e se fixou em povoados ou em cidades. Nesses locais começou a cultivar vegetais para serem usados como alimentos ou como medicamentos, tanto para a família quanto para os seus animais domésticos, habituando essa flora ao seu redor.

Mesmo com a redução na intensidade de uso dessas espécies ao longo do tempo, se verifica que boa parte ainda se mantém nas proximidades das moradias, inclusive urbanas. São, para alguns pesquisadores, classificadas como plantas negligenciadas, por não serem aproveitadas, apesar de seu potencial de uso.

Portanto, é possível encontrar em um quintal, ou até mesmo nas calçadas, uma riqueza de plantas para tratamento de doenças ou para serem usadas na alimentação humana ou de animais, mesmo que não sejam cultivadas pelo morador. Importante ressaltar que as encontradas nas calçadas não devem ser consumidas devido à poluição e resíduos que caem sobre elas. No entanto, é importante o reconhecimento preciso dessas espécies e conhecer alguns itens para seu uso seguro.

Dentre as espécies espontâneas encontradas nos quintais em várias regiões do Brasil, uma se destaca, a beldroega (Portulaca oleracea), por ser utilizada há milênios e que já tem uma boa divulgação como umas das plantas alimentícias não convencionais (PANC) para consumo humano. É de fácil identificação (foto), e quanto às restrições para consumo humano a preocupação é com relação ao teor de oxalato. Mas além de alguns minerais, é uma das espécies mais ricas em ômega-3.

Para a alimentação animal, ainda há poucos relatos de usos no Brasil.  Em alguns países da África é utilizada para alimentação de animais domésticos. Na publicação da EMBRAPA (http://panorama.cnpms.embrapa.br/plantas-daninhas/identificacao/folhas-largas/beldroega-portulaca-oleracea-l) é citado o seu consumo em pequenas quantidades para animais.

Apesar de seu potencial na alimentação humana, ainda não é seguro recomendar para alimentação de animais. Uma pesquisa demonstrou que seu uso pode causar intoxicações em ovinos (SIMÕES, 20130). Foram utilizadas grandes quantidades nos tratamentos, o que pode justificar a intoxicação.

Mas para aves, Aydin e Dogan (2010) demonstraram que a beldroega na ração proporcionou melhor palatabilidade, aumento de aumentando do peso e da produção de ovos. Concluíram que a adição de beldroega desidratada à dieta de galinhas poedeiras aumentou significativamente a produção e o peso dos ovos, embora não tenha havido redução na concentração de colesterol no ovo. Este estudo também mostrou que a inclusão de beldroegas na dieta enriqueceu ovos com ácidos graxos ômega-3 e diminuiu a proporção de ômega-6 / ômega-3 na gema.

Essa série de artigos sobre plantas espontâneas para alimentação animal pretende fazer buscas para ter mais subsídio quanto à beldroega e outras espécies espontâneas como alimento para animais.

Referência:

AYDIN, R.; DOGAN, I. Fatty acid profile and cholesterol content of egg yolk from chickens fed diets supplemented with purslane (Portulaca oleracea L.). Journal of the Science of Food and Agriculture, Oxford, v. 90, p. 1759–1763, 2010. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/jsfa.4018.

SIMÕES, João Gonçalves. Intoxicação por Portulaca oleracea L. em ovinos. 2013, 34 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Saúde e Tecnologia Rural, 2014. Disponível e: http://www.cstrold.sti.ufcg.edu.br/grad_med_vet/mono_2013_2/monografia_joao_goncalves_simoes.pdf
Foto: Portulaca oleracea
Autoria: Luciana Ferreira Chaves Perrenoud

domingo, 28 de junho de 2020

Plantas medicinais no tratamento de animais

Texto: 

Luana Salim Amâncio Silva: Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade de Taubaté 
Marcos Roberto Furlan: Professor Universidade de Taubaté e Faculdade Cantareira

Pesquisa com citronela no controle do carrapato do boi

Na criação de bois é frequente o ataque de pragas, com destaque para o carrapato do boi (Rhipicephalus (Boophilus) microplus). Além de se alimentar do sangue do parasitado, o carrapato também transmite doenças, como a babesiose e a anaplasmose (tristeza). Esse ácaro tem sido combatido com produtos químicos, os quais têm gerado resistência no parasita, além de poder causar problemas ambientais e deixar resíduos na carne ou nos seus derivados. 

Gueretz et al. (2020) recomendam o desenvolvimento de técnicas alternativas para o controle do carrapato do boi, com o objetivo de substituir ou reduzir a necessidade de controle químico dos parasitos, uma vez que a resistência é inevitável nos modelos de tratamento usuais.

Produtos naturais no controle do carrapato-bovino tem sido considerada um método importante no seu controle, bem como de outros ectoparasitas. A associação com outras estratégias de controle deve resultar em um alimento (carne, leite e seus derivados) livre de substâncias químicas que possam prejudicar o ser humano, o animal e o ambiente (AGNOLIN et al., 2010).

Agnolin et al. (2010) concluíram que a solução contendo 4% de óleo de citronela (Cymbopogon nardus (L.) Rendle), aplicada a cada sete dias, controlou a infestação de carrapatos. No período avaliado encontrou-se uma relação de 1:2,5 para o amitraz e o óleo de citronela, respectivamente, para controlar a infestação.

A citronela é uma planta de fácil cultivo (Foto abaixo). Sendo perene, poderá ser cultivada e rebrota, mesmo quando colhida suas folhas, de onde se extrai o óleo essencial. É de uso frequente em haras como repelente de moscas e pernilongos. Seu aroma lembra o do eucalipto-citriodora, pois também é rica em citronelal.

Referências

AGNOLIN, C.A. et al. Eficácia do óleo de citronela [Cymbopogon nardus (L.) Rendle] no controle de ectoparasitas de bovinos. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 12, n. 4, p. 482-487, 2010.

GUERETZ, J.S. et al. Remoção manual de Rhipicephalus microplus (Acari: Ixodidae) em bovinos, como uma alternativa ao uso de carrapaticidas em pequenos rebanhos. Brazilian Journal Of Development, v. 6, n. 4, p. 19060-19066, 2020. http://dx.doi.org/10.34117/bjdv6n4-174.

HOCAYEN, P.A.S.; PIMENTA, D.S. Extrato de plantas medicinais como carrapaticida de Rhipicephalus (Boophilus) microplus. Rev. bras. plantas med., Botucatu, v. 15, n. 4, supl. 1, p. 627-631, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722013000500001&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 21 abr. 2018.



terça-feira, 23 de junho de 2020

Pitanga (Eugenia pyriformis) no tratamento de animais: sugestão de artigo

Texto: 
Luana Salim Amâncio Silva: Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade de Taubaté 
Marcos Roberto Furlan: Professor Universidade de Taubaté e Faculdade Cantareira 

Produtos naturais no tratamento de animais são opções que proporcionam vantagens, comparado com os produtos químicos, tais como: poderem ser obtidos na propriedade; e resultar em menor probabilidade de deixar resíduos no ambiente ou causar resistência nas pragas. No entanto, a maioria das pesquisas para verificar a eficácia desses produtos é realizada apenas in vitro, as quais, geralmente, não são reproduzíveis na produção animal. 

Uma pesquisa que analisou também os resultados no campo foi a efetuada por Medeiros et al. (2019). Os autores obtiveram resultados positivos com o óleo essencial de pitanga (Eugenia pyriformis) no controle do carrapato bovino (Rhipicephalus (Boophilus) microplus) no estágio larval (parasitário) e no ciclo de vida livre (estágio não parasitário) em condições de campo. 

Referência 

MEDEIROS, J.P. et al. Biocidal potential of Eugenia pyriformis essential oil in the control of Rhipicephalus (Boophilus) microplus in the free-living cycle. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 39, n. 11, p. 879-888, nov. 2019. Disponível: https://www.scielo.br/pdf/pvb/v39n11/1678-5150-pvb-39-11-879.pdf. Acesso: 23 de jun 2020 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Plantas medicinais no tratamento de animais – Nepeta cataria

Texto: 
Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU 

A história demonstra que o ser humano, desde o início das civilizações, tem uma relação estreita com animais quanto à interação, convivência e domesticação. A expansão dessa convivência, especialmente com cães e gatos, requer do médico veterinário avaliações criteriosas embasadas nos parâmetros estabelecidos pelo bem-estar e saúde do animal exposto às situações de estresse. 

Os gatos domésticos que vivem em ambiente urbano, principalmente, estão submetidos ao estresse crônico e, consequentemente, aos distúrbios de ansiedade. Se expressam com comportamentos agressivos quando não se acham capazes de evitar a circunstância causadora do medo. 

Silva e Suyenaga (2019), em sua revisão, fornecem opções de tratamentos disponíveis para melhoria da qualidade de vida do animal, e destacam também os seus efeitos adversos. 

Dentre as espécies citadas pelas autoras está a erva-de-gato, cujo nome científico é Nepeta cataria. Essa espécie pertence à família Lamiaceae. Uma de suas características é a produção de óleo essencial, assim como outras espécies dessa família, como, por exemplo, alecrim (Rosmarinus officinalis), hortelãs (Mentha spp), manjericões (Ocimum spp), orégano (Origanum vulgaris), sálvia (Salvia officinalis) e tomilho (Thymus vulgaris). 

Além do nome popular erva-de-gato, é encontrada no comércio de mudas também com a denominação catnip e, raras vezes, como hortelã-do-gato. Sua pequena altura possibilita que seja cultivada em vasos ou em jardineiras, desde que receba sol e que o substrato onde esteja plantada não fique seco por mais que um dia. 

Para os felinos, graças ao princípio ativo nepetalactone, a erva-de-gato é utilizada para redução do estresse e da ansiedade. Causa nos felinos um comportamento frequentemente humorístico, pois proporciona a sensação de um prazer extremo. Nos humanos também pode gerar um efeito alucinógeno, equivalente ao LSD, mas de impacto bem menor (SILVA; SUYENAGA, 2019). 


By Forest & Kim Starr, CC BY 3.0, 
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=6186258

Referência 

SILVA, Rafaela Pelisoli da; SUYENAGA, Edna Sayuri. Estresse e ansiedade em gatos domésticos: tratamento farmacológico e etnoveterinário - uma revisão. Science And Animal Health, [s.l.], v. 7, n. 1, p. 12-33, 11 dez. 2019. Universidade Federal de Pelotas. http://dx.doi.org/10.15210/sah.v7i1.14789. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/veterinaria/article/view/14789/10734. Acesso em: 01 maio 2020. 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Plantas no tratamento de animais: Eucalyptus globulus

Texto: 
Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU 

Inúmeras pesquisas têm surgido e contribuindo para o aumento da aplicação da fitoterapia em seres humanos, inclusive no tratamento de doenças como câncer. Apesar de muitas pesquisas utilizarem animais nos ensaios pré-clínicos, são poucas as realizadas com o objetivo de serem aplicadas na criação de animais ou em animais domésticos.

Algumas plantas que se destacam na saúde humana, também são usadas para animais, mesmo que não tenham sido pesquisadas, originalmente, para essa finalidade. Exemplo é a maria-sem-vergonha (Cataranthus roseus). Dessa espécie são extraídos os alcaloides vincristina e vimblastina, os quais são usados para tratar leucemia infantil, e o sulfato de vincristina é um produto recomendado para tratar, por exemplo, o Tumor Venéreo Transmissível (TVT) de cães.

Uma outra espécie com ampla utilização, principalmente em seres humanos para tratamento de problemas respiratórios, é o Eucalyptus globulus. Não é a espécie mais comum no Brasil, mas se destaca pelo seu aroma agradável para a maioria das pessoas, e também pela cor mais clara. É frequente um erro, usar o eucalipto-citriodora para inalação, enquanto que deveria ser usado E. globulus.

Com relação ao uso do eucalipto-globulus em cães, Jaime (2019) observa que os óleos essenciais apresentam propriedades acaricida, e a ação do óleo essencial do E. globulus em carrapatos do tipo Boophilus microplus já foi comprovada. A autora, na sua pesquisa intitulada "Efeito do extrato do Eucalyptus globulus em fêmeas ingurgitadas de Rhipicephalus sanguineus (carrapato do cão)", avaliou o efeito acaricida (taxa de oviposição e de eclosão) nas fêmeas de Rhipicephalus sanguineus

Jaime (2019) concluiu que as concentrações mais baixas do óleo diminuem também sua ação acaricida e não são eficientes para o combate a esses carrapatos. Mas em concentrações acima de 10% há uma inibição não só da eclosão dos ovos como também de ovipostura das fêmeas. Destaca que não há relatos na literatura da utilização de óleo de E globulus para o controle de carrapatos em cães, sendo este estudo pioneiro no que diz respeito a utilização desta planta controle de pragas em ambientes domésticos, e sugere mais trabalhos e estudos neste tema. (JAIME, 2019) 

Referência

JAIME, Elisângela Morais. Efeito do extrato do Eucalyptus globulus em fêmeas ingurgitadas de Rhipicephalus sanguineus. Orientador: Alberto Andrade Reis Mota. 2019. 29f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Medicina Veterinária) - Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos, 2019. Disponível em: <https://dspace.uniceplac.edu.br/handle/123456789/171>. Acesso em: 23 de abril 2020.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Cúrcuma e seus usos em animais - 2

Texto: 
Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU 
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU 

A cúrcuma (Curcuma longa), conforme relatado no texto anterior (http://quintaisimortais.blogspot.com/2020/04/curcuma-e-ser-uso-em-animais-1.html), tem muitas atividades farmacológicas já comprovadas por meio de pesquisas. No entanto, uma das indicações da cúrcuma contra veneno de cobra, citada com frequência por algumas comunidades tradicionais, inclusive em animais, ainda não teve o respaldo científico.

Infelizmente, acidentes com picadas de cobras em cães, por exemplo, são frequentes. Geralmente, ocorrem devido à curiosidade deles, que se aproximam e cheiram, sendo, por isso, picados no focinho, peito ou pescoço . 

Para o tratamento, é importante saber o tipo da cobra que picou, pois existem diferentes espécies de cobras venenosas, como, por exemplo, às pertencentes aos grupos botrópico (ex.: jararaca, jararacuçu e urutu), crotálico (cascavel) e elapídico (corais). Os acidentes mais comuns são com as jararacas (gênero Bothrops), cascavéis (gênero Crotalus) e corais (gênero Micrurus, dentre outros). 

As ações anticoagulantes e hemorrágicas do veneno influenciam na evolução da atividade anti-inflamatória. A ação anticoagulante ao formar trombos na microvasculatura, provoca, consequentemente, hipóxia com agravamento de dor, edema e necrose tecidual. 

Uma das contribuições ao tema foi a pesquisa feita por Herrera e Pereira (2009). Os autores relatam o diagnóstico e a conduta terapêutica relacionados à picada de serpente (gênero Botrophs), associado ao uso complementar da Curcuma longa tópica, em uma cadela, sem raça definida, com um ano de idade. 

Além do do soro polivalente (botrópico-crotálico) e da dexametasona, foi aplicada a pomada com cúrcuma + solução tópica, associada à colagenase e açúcar cristal, uma vez ao dia, com o objetivo de melhorar a necrose tecidual e regredir o halo hemorrágico, para a cicatrização por segunda intenção. Após dois meses de internação, foi iniciada a lavagem com barbatimão durante 3 dias até formar uma cicatriz elíptica de 1 cm de diâmetro e finalizou-se o tratamento.

Os autores concluíram que o uso do cúrcuma e da lavagem com barbatimão, permitiu a cicatrização quase que completa e recuperação do tecido com remissão dos sinais clínicos.

Referência

HERRERA, Mariana de Souza; PEREIRA, Rose Elisabeth Peres. Acidente com serpente do gênero Bothrops em cão. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, v.7, n.12, 6 p., 2009. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/bv4olF2Ra0J5Ncn_2013-6-24-16-40-54.pdf>.Acesso em: 20 de abr 2020.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cúrcuma e seu uso em animais - 1

Texto:

Daniela Antonietti Pedra - Técnica em Radiologia e acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo e Professor - FIC e UNITAU

De origem Asiática, a Curcuma longa se adaptou em boa parte do território brasileiro, e como alguns denominam a espécie como açafrão-da-terra, é gerada uma confusão. Aliás, duas confusões, pois não se trata do verdadeiro açafrão (Crocus sativus), e a referência terra é por produzir rizomas. No entanto, alguns acreditam que é o caro açafrão usado na culinária e que é nativa do Brasil.

A cúrcuma também é usada na culinária, mas seu preço no varejo é quase irrisório se comparado com C. sativus. O baixo preço da cúrcuma é devido à facilidade de seu cultivo, e por propiciar uma colheita de até 50 toneladas por hectare. Além de ser utilizada diretamente na alimentação, dela se extrai também um corante, a curcumina. 

Suas atividades terapêuticas na saúde humana, como, por exemplo, antioxidante, anti-inflamatória e antitumoral, já foram comprovadas por meio de inúmeras pesquisas, tanto pré-clínicas como clínicas, graças, principalmente, devido a presença da curcumina. Atualmente, o foco principal é melhorar a sua biodisponibilidade.

Com relação ao tratamento ou uso para a saúde de animais também são encontradas pesquisas. Um ótimo exemplo é a Dissertação de Gabriela Campigotto, intitulada "Curcumina como aditivo na alimentação de cães: produção da ração e seus benefícios à saúde dos animais". Alguns dos resultados obtidos pela pesquisadora foram:

• como a curcumina tem diversas propriedades biológicas, foram escolhidos filhotes para o estudo, pois precisam de grande quantidade de nutrientes. E a cúrcuma também pode auxiliar no metabolismo aumentando a imunidade e tem presente uma molécula funcional que favorece o ganho de peso;

• as propriedades biológicas em destaque da curcumina são anti-inflamatória, anti-tumoral, anti-oxidante, anti-microbiano, anticoccidiano e hepatoprotetor;

• os resultados dos dois experimentos feitos pela pesquisadora foram positivos, pois foi observada uma redução significativa no número de linfócitos;

• nos cães que ingeriram curcumina, foi observada menor atividade de alanino-aminotransferase sérica, indicando seu efeito hepatoprotetor, e estavam todos saudáveis, com níveis séricos normais de glicose, ureia, triglicerídeos e colesterol; e

• portanto, o efeito antioxidante e anti-inflamatório foi capaz de minimizar os impactos causados pelos níveis exacerbados de radicais livres e pela peroxidação lipídica no sangue dos cães.

Referência

CAMPIGOTTO, Gabriela. Curcumina como aditivo na alimentação de cães: produção da ração e seus benefícios a saúde dos animais. 2019, 76 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Chapecó, 2019.
Açafrão-da-terra – Wikipédia, a enciclopédia livre

sábado, 5 de janeiro de 2019

Promotores de crescimento para frangos de corte - resenha de artigo

Autoria da resenha: Médica Veterinária Fernanda Moreira Delavy

ALLIX, Eduardo. Promotores de crescimento para frangos de corte. 2010. 29 f. TCC (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/handle/10183/48980>. Acesso em: 12 jan. 2019. 

A produção brasileira de frango de corte nas últimas décadas apresentou resultados satisfatórios, com alta produção e baixo custo. O autor destaca que a avicultura desempenhou papel importante na alimentação de alta qualidade para o consumo da população. 

No entanto, a maior intensidade na produção fez com que os animais ficassem mantidos sob estresse intenso, e, com isto, o consumo alimentar dos frangos diminuiu. A solução obtida, segundo o autor, foi o uso de promotores de crescimento com doses preventivas na alimentação das aves. 

Dentre os promotores de crescimento, nas últimas décadas se destacaram os antibióticos, os quais são utilizados para controlar patologias subclínicas nos animais, proporcionando com que as aves expressem todo o seu potencial genético e que ocorra crescimento de bactérias benéficas. Estes microrganismos produzem aminoácidos e vitaminas, assim, diminuindo a exigência de nutrientes das aves (ALLIX, 2010) 

Contudo, o surgimento da resistência aos antibióticos, fez com que surgissem reações ao uso destes produtos. Mas o autor afirma que a consequência da retirada dos promotores de crescimento à base de antibióticos na Europa ocasionou redução do desempenho zootécnico na produção animal.  

Com isto, foram desenvolvidas pesquisas com outros tipos de promotores de crescimento. Dentre ele, os probióticos e os prebióticos, considerados alternativas para serem usados como promotores de crescimento na produção de frango de corte, pois favorecem o desempenho e o rendimento das carcaças. 

Apesar de algumas pesquisas com os simbióticos resultarem em desempenho semelhantes aos derivadas do uso de antibióticos, outras pesquisas tem apontado divergências (ALLIX, 2010). 

O autor exemplifica outros produtos que estão sendo testados para substituir os antibióticos, como, por exemplo, os nomeados como “orgânicos” e dentre eles estão os ácidos orgânicos, extratos de plantas, óleos essenciais e enzimas digestivas. 

sábado, 22 de julho de 2017

Resenha de artigo sobre o uso da citronela no controle de carrapato em bovinos - 2

Resenha:
Marcos Roberto Furlan - Eng, Agrônomo - Prof. UNITAU e Faculdade Cantareira
Melissa Guimarães - Acadêmica Medicina Veterinária - UNIP - Unidade São José dos Campos 

Referência
OLIVO, C. J.; CARVALHO, N. M.; SILVA, J. H. S.; VOGEL, F. F.; MASSARIOL, P.; MEINERZ, G.; AGNOLIN, C., MOREL, A. F.; VIAU, L. V. Óleo de citronela no controle do carrapato de bovinos. Ciência Rural, v.38, n.2, p.406-410, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cr/v38n2/a18v38n2.pdf. Acesso em: 20 de jul 2017.


Olivo et al. (2008), avaliando o efeito in vivo e in vitro do óleo de citronela no carrapato de bovinos (Boophilus microplus), concluíram que o referido óleo pode ser usado no controle desse parasita.

Para a pesquisa, fêmeas ingurgitadas, com comprimento superior a 4mm, foram colhidas de animais da raça Holandesa. As teleóginas foram colocadas em grupos de 10 em cada placa de petri e submetidas ao teste do biocarrapaticidograma, em três imersões, com intervalos de 24 horas.

Concentrações iguais ou superiores a 1 % proporcionaram em fêmeas ingurgitadas eficiência acima de 75 %.

Os autores destacam que "os resultados podem ser importantes como estratégia de controle do carrapato em diferentes sistemas de produção". Mas complementam que há necessidade de se fazer estudos com objetivo de otimizar o óleo de citronela, especialmente na avaliação com emulsionantes, na forma e no período de utilização do produto constituído.

Obtenção do óleo

Por meio da destilação, o óleo essencial, com rendimento de 0,7 % foi obtido das folhas frescas da citronela. Os bioativos mais importantes do foram citronelal, citronelol e geraniol.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Resenha de artigo sobre o uso da citronela no controle de carrapato em bovinos - 1

Resenha:

Marcos Roberto Furlan - Eng, Agrônomo - Prof. UNITAU e Faculdade Cantareira
Melissa Guimarães - Acadêmica Medicina Veterinária - UNIP - Unidade São José dos Campos 

Referência:

AGNOLIN, C.A.; OLIVO, C.J.; LEAL, M.L.R.; BECK, R.C.R.; MEINERZ, G.R.; PARRA, C.L.C.; MACHADO, PP.R.; FOLETTO, V.; BEM, C.M.; NICOLODI, P.R.S.J. Eficácia do óleo de citronela [Cymbopogon nardus (L.) Rendle] no controle de ectoparasitas de bovinos. Revista brasileira de plantas medicinais, v.12, n.4, p.482-487, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbpm/v12n4/a12v12n4.pdf. Acesso em: 19 de julho 2017.

A citronela (Cymbopogon nardus (L.) Rendle) é uma espécie de origem Asiática, mas que se adaptou muito bem no Brasil. Além de uso em produtos industriais, é comum seu uso caseiro como repelente de pernilongos. No entanto, pesquisas demonstram que somente o plantio não é eficaz na repelência, e sim o seu óleo essencial.

Com relação ao uso na veterinária, Agnolin et al. (2010) testaram o uso do óleo essencial da citronela em 15 vacas da raça Holandês no controle do carrapato bovino [Rhipicephalus (Boophilus) microplus], da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans), da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) e da mosca doméstica (Musca domestica). Apesar de não obter resultados eficientes no controle das moscas, os autores verificaram que a solução com 4% de óleo de citronela, aplicada a cada sete dias, controla a infestação de carrapatos.

Informações sobre o óleo utilizado no experimento

O óleo de citronela, produzido no Rio Grande do Sul, foi obtido por meio da destilação a vapor da parte aérea de plantas frescas. O rendimento na destilação foi de 0,7%, aproximadamente, e componentes ativos mais importantes foram: citronelal, geraniol e o citronelol, correspondendo a 50,07; 13,87; 7,93%, respectivamente no óleo essencial.

Para o ensaio, formulações foram feitas momentos antes da aplicação e aplicadas com pulverizador costal após a ordenha da tarde. À solução do óleo de citronela a 4% foi adicionado 0,5% de detergente neutro. Foram aplicados três litros de calda por vaca, e a reaplicação dos produtos foi feita quando os animais apresentavam reinfestação mínima de 10 teleóginas por animal.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sunshine vitamin linked to improved fertility in wild animals

Date: January 13, 2016
Source: University of Edinburgh

Summary:
High levels of vitamin D are linked to improved fertility and reproductive success, a study of wild sheep has found. Experts hope that further studies will help to determine the relevance of the results for other mammals, including people.
High levels of vitamin D are linked to improved fertility and reproductive success, a study of wild sheep living on the remote Scottish island of St Kilda shows. Sheep with higher levels of vitamin D metabolites in their blood at the end of summer went on to have more lambs in the following spring, the study found.
Credit: University of Edinburgh

High levels of vitamin D are linked to improved fertility and reproductive success, a study of wild sheep has found.

The study, carried out on a remote Hebridean island, adds to growing evidence that vitamin D -- known as the sunshine vitamin -- is associated with reproductive health.

Experts hope that further studies will help to determine the relevance of the results for other mammals, including people.

Researchers led by the University of Edinburgh measured concentrations of a marker linked to vitamin D in the blood of an unmanaged population of Soay sheep, on St Kilda.

Scientists found that sheep with higher levels of vitamin D in their blood at the end of the summer went on to have more lambs in the following spring.

The study offers the first evidence that an animal's vitamin D status is associated with an evolutionary advantage.

Vitamin D is produced in the skin of sheep and other animals, including people, after exposure to sunlight. It can also be found in some foods, including certain types of plants. It is essential for healthy bones and teeth and has been linked to other health benefits.

Many studies in the lab have linked vitamin D to reproductive health in animals and humans. This is the first evidence of the link in wild animals.

Scientists carried out the research as part of a long-term study on the evolution of Soay sheep. The animals have lived wild for thousands of years on the islands of St Kilda, a world Heritage site owned and managed by the National Trust for Scotland.

The research is published in the journal Scientific Reports. It was funded by the Wellcome Trust and the Natural Environment Research Council.

Dr Richard Mellanby, Head of Small Animal Medicine at the University's Royal (Dick) School of Veterinary Studies, who led the research, said: "Our study is the first to link vitamin D status and reproductive success in a wild animal population.

"Examining the non-skeletal health benefits of vitamin D in humans is challenging because people are exposed to different amounts of sunlight each day. Studying the relationship between skin and dietary sources of vitamin D -- and long term health outcomes -- is more straightforward in sheep living on a small island."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by University of Edinburgh. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Ian Handel, Kathryn A. Watt, Jill G. Pilkington, Josephine M. Pemberton, Alastair Macrae, Philip Scott, Tom N. McNeilly, Jacqueline L. Berry, Dylan N. Clements, Daniel H. Nussey, Richard J. Mellanby. Vitamin D status predicts reproductive fitness in a wild sheep population. Scientific Reports, 2016; 6: 18986 DOI: 10.1038/srep18986

Cite This Page:
University of Edinburgh. "Sunshine vitamin linked to improved fertility in wild animals." ScienceDaily. ScienceDaily, 13 January 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/01/160113100557.htm>.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Plantas medicinais melhoram saúde dos peixes em piscicultura (www.embrapa.br)

03/11/15

Foto: Síglia Souza
Plantas conhecidas pelo uso terapêutico na saúde humana também podem proporcionar tratamento eficaz para doenças bacterianas e parasitárias que atacam peixes cultivados. É o que vêm demonstrando pesquisas lideradas pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), que apresentam resultados promissores ao encontrar plantas medicinais com substâncias que poderão ser futuramente usadas em bioprodutos para evitar perdas de produtividade em piscicultura.

Entre os resultados recentes de projeto da Embrapa Amazônia Ocidental, cinco óleos essenciais extraídos de plantas medicinais se mostraram eficientes contra a bactéria Aeromonas hydrophila, principal agente causador de doenças na criação de peixes. Os óleos essenciais que apresentaram atividade antibacteriana foram extraídos das plantas alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum), alecrim-pimenta (Lippia sidoides), erva-cidreira (Lippia alba) hortelã-pimenta (Mentha piperita) e gengibre (Zingiber officinalis). A líder do projeto, pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Edsandra Chagas, informa que esses óleos apresentaram ação bacteriostática (inibem o crescimento) e bactericida (produzem a morte da bactéria).

Outro resultado importante para o tratamento de doenças parasitárias em peixes, utilizando produtos naturais, foi a identificação de que um princípio ativo encontrado em algumas plantas aromáticas pode ser utilizado para controle de parasitos que afetam peixes. Trata-se do eugenol, encontrado em algumas plantas aromáticas, como o cravo-da-índia (Eugenia caryophyllata) e alfavaca-cravo (Ocimum gratissimum). Pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental identificou que o eugenol usado no tratamento de tambaqui (Colossoma macropomum) mostrou-se eficaz contra monogenoides, parasitos do grupo helmintos que são encontrados nas brânquias. "Constatamos que o eugenol tem efeito anti-helmíntico e é um princípio ativo eficiente no controle de monogenoides, podendo ser indicado para uso na piscicultura", afirma a pesquisadora Cheila Boijink, coordenadora da pesquisa.

Embora sejam resultados preliminares para o tambaqui, a perspectiva é bastante positiva em relação ao uso de plantas com propriedades terapêuticas na piscicultura. "Vários estudos mostram que o emprego das plantas medicinais não apresenta efeitos nocivos para a saúde humana e para o ambiente, além de apresentarem resultados promissores no controle de doenças parasitárias e bacterianas em peixes", afirma Edsandra Chagas, líder de projetos de pesquisa em sanidade aquícola. Países como China, México, Índia, Tailândia e Japão já utilizam produtos naturais na criação de peixes e camarões, com bons resultados. 

Tambaqui 

Na Embrapa Amazônia Ocidental, o principal foco das pesquisas com plantas medicinais na piscicultura é a melhoria das condições de saúde do tambaqui, o principal peixe cultivado na região Norte do Brasil e que ocupa o segundo lugar na produção nacional, depois da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus).

A criação de tambaqui vem crescendo no País e os dados oficiais indicam que a produção nacional de tambaqui já corresponde a 22,6% da produção total da piscicultura brasileira, o que representa 88,7 mil toneladas/ano, das 392,5 mil toneladas/ano da piscicultura nacional. Os dados são da pesquisa Produção da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além do tambaqui, são realizadas pesquisas de sanidade aquícola com outras espécies de peixe, como a tilápia-do-nilo e a cachara (Pseudoplathystoma fasciatum), em parceria com outros centros de pesquisa da Embrapa e instituições de pesquisa. Os óleos produzidos na Embrapa Amazônia Ocidental estão sendo testados em avaliações para a atividade imunoestimulante, antibacteriana e antiparasitária, em diversas situações.

Em avaliação na Embrapa Tabuleiros Costeiros (AL), o óleo essencial da alfavaca-cravo apresentou atividade antiparasitária em tilápia-do-nilo no controle de monogenoides. Foram realizados testes em laboratório (avaliações in vitro) para verificar o efeito do óleo sobre o microrganismo e a alfavaca-cravo demonstrou 100% de eficácia. Também foram feitos testes em que se expõe o peixe ao produto, chamados de avaliações in vivo, e nesse caso a eficácia foi de 88%, com três aplicações em dias alternados, na forma de banhos curtos.

Em outra avaliação, no Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos (Aquos) do Departamento de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foram realizados alguns tratamentos em tilápia-do-nilo com óleos essenciais das plantas alecrim-pimenta (Lippia sidoides) e hortelã-pimenta (Mentha piperita). Foram verificados seus efeitos como antiparasitários contra vermes (Monogenea) parasitos de brânquias de tilápia, na forma de banhos de curta duração. Nesses tratamentos, houve redução do parasitismo em 75% com Lippia sidoides e em 72,5% com Mentha piperita. 

No mesmo laboratório da UFSC, foram verificados resultados em outras avaliações, que sugerem o potencial do óleo essencial de manjericão-cravo (Ocimum gratissimum) como promotor de crescimento e do óleo essencial de gengibre (Zingiber officinale) com efeito imunoestimulante na tilápia-do-nilo. Nesses casos, os tratamentos foram feitos com inserção dos óleos na ração dos peixes.

O pesquisador da UFSC Maurício Laterça Martins, um dos responsáveis por essas avaliações, informa que análises hemato-imunológicas, bioquímicas e histológicas estão sendo conduzidas para complementar esses resultados. "Esses trabalhos auxiliam na compreensão dos efeitos desses óleos essenciais sobre os mecanismos imunológicos dos peixes," diz. Martins considera promissor o uso dos produtos naturais na piscicultura. "Existe grande interesse na utilização desses extratos ou óleos essenciais devido à sua segurança em relação aos produtos sintéticos convencionalmente utilizados no tratamento de enfermidades", afirma.

Boas práticas de cultivo ajudam a manter o princípio ativo nas plantas

O pesquisador Francisco Célio Chaves, do Laboratório de Plantas Medicinais e Fitoquímica da Embrapa Amazônia Ocidental, é o responsável pela produção das espécies vegetais e extração dos óleos essenciais em avaliação nas pesquisas. Chaves explica que a padronização em ótimas condições do sistema de cultivo das plantas medicinais influencia no teor de princípio ativo encontrado nelas e isso é um pressuposto quando se pensa em futuramente atender a indústria para a produção de bioprodutos.

Por isso é realizada a pesquisa agrônomica para o conhecimento de quais as melhores condições para o processo de produção da muda, adubação, tratos culturais e momento correto da colheita. São estudadas ainda as melhores condições para preparação das plantas para extração do óleo essencial. "Com essas condições mais controladas de cultivo, consequentemente se tem matéria-prima de melhor qualidade, para se obter o teor de princípio ativo dentro dos padrões exigidos", explica o pesquisador. 

Após o cultivo e a obtenção do óleo essencial das plantas pela Embrapa Amazônia Ocidental, os óleos são analisados na Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), para determinação do perfil fitoquímico. 

Doenças na piscicultura representam riscos à produção

Com o crescimento dos empreendimentos de piscicultura e da produção em escala intensiva, tem se verificado maior ocorrência de doenças em peixes. Essas enfermidades podem causar mortalidade dos peixes e perdas de lucratividade aos produtores. A busca por princípios ativos presentes em plantas medicinais é uma alternativa que as pesquisas vêm avaliando para oferecer opções para o tratamento de doenças na aquicultura. Além disso, outras estratégias são adotadas com foco em práticas de manejo para prevenir as enfermidades e manter os plantéis mais saudáveis.

Síglia Souza (MTb 66/AM) 
Embrapa Amazônia Ocidental 
amazonia-ocidental.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (92) 3303-7852

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

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