
Sobre a importância dos quintais, cada vez mais desaparecidos e, com isso, as nossas raízes também.
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segunda-feira, 13 de abril de 2020
Plantas espontâneas e seus usos - beldroega
Texto
Janaína dos Santos Carvalho - acadêmica de engenharia agronômica - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - professor e engenheiro agrônomo - FIC e UNITAU
Em Salesópolis, Estado de São Paulo, é comum encontrar em boa parte do ano, principalmente em solos bem cuidados, uma planta de caules ruivos que nasce em carreirinha, conforme a descrição de Guimarães Rosa no conto "Sarapalha", em "Sagarana". Nesta região, essa planta é denominada, quase que exclusivamente, por beldroega ou "berdroega" (Foto).

Foto. Portulaca oleracea.
Autoria: Janaína dos Santos Carvalho
No seu nome científico Portulaca oleracea, a menção no epíteto específico (oleracea) de que é uma planta comestível e cultivada em hortas. Além de beldroega, é possível encontrar em outras regiões, outros nomes populares para essa espécie, como, por exemplo, bredo-de-porco, caaponga, erva-gorda e salada-de-nego.
De origem duvidosa (Ásia ou Europa), no Brasil se adaptou em quase todo o seu território. Apesar de se espalhar na terra, pode ser que encontre exemplares de beldroega com até 0,5 m de altura, segundo a literatura. É do mesmo gênero da onze-horas (Portulaca grandiflora), mas as flores amarelas da beldroega são bem menores que as flores das variedades desta espécie. Em comum às diversas variedades de P. grandiflora, as folhas carnudas de formato oval e com coloração verde brilhante.
Na agricultura, a beldroega é indicadora de solo fértil bem estruturado, com bom teor de matéria orgânica e com boa capacidade de reter umidade.
Como alimento, é considerada uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional), sendo consumida em saladas, refogados, omeletes e sopas. O consumo cru deve ser evitado para pessoas que tenha pressão alta, deficiência de ferro ou tendência a formação de cálculos renais, devido aos altos teores de ácido oxálico.
No ilustração, as indicações medicinais, características nutricionais e a respectiva referência.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Melão-de-são-caetano no Vale do Paraíba, SP
Texto
Isabelle Aparecida Santos Gomes - acadêmica de Medicina veterinária - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro agrônomo, professor FIC e UNITAU
Nas cercas de algumas fazendas ou até de áreas menores, como nos quintais, encontramos uma planta trepadeira subindo sem muito esforço, principalmente se estiver em épocas mais quentes. Diferente da maioria das espécies que nascem espontaneamente e que recebem vários nomes populares, ela é conhecida no Vale do Paraíba, pela maioria por melão-de-são-caetano, o que facilita a comunicação entre as pessoas. Mas pode ser que alguém a denomine por melãozinho ou melão amargo.
Sua denominação científica é Mormodica charantia. Pertence à família Curcubitaceae, a mesma da melancia, do melão e da abóbora. Uma curiosidade botânica relacionada às espécies dessa família é o fato de possuírem, na mesma planta, flores masculinas separadas das flores femininas (reconhecida pelo pequeno fruto já sendo formado antes das sépalas das flores). A maioria dos flores são hermafroditas, isto é, androceu (órgão masculino) e gineceu (órgão feminino) na mesma flor.
Apesar de muita gente considerar como uma planta daninha, invasora e que deve ser arrancada, possui vários usos, alguns, inclusive, comprovados cientificamente.
Sobre seus usos diversos:
1. Comestível. Suas sementes maduras (vermelhas) são consumidas.
2. Para combater verminoses em animais.
3. Na medicina popular, usada para tratamento de diabetes, hemorroidas, diarreias, tumores, pediculose, furúnculos, alivio de cólicas abdominais, regularização do fluxo menstrual, vermífugo, lesões de pele, cicatrizante, hipoglicemiante e hipercolesterolemia (1).
4. Ação comprovada no tratamento da diabetes. Exemplos de outras ações comprovadas: antiulcerogênica, antibacteriana, imunossupressora e anti-inflamatória (1)
5. Ação fungicida contra patógenos que atacam plantas.
Para saber mais sobre a planta, um texto bem amplo
Foto. Mormodica charantia
Autoria: Isabelle Aparecida Santos Gomes
Referência Bibliográfica
1. Taiane Aparecida Ribeiro Nepomoceno e Alex Junior Pietrobon, ASPECTOS GERAIS DO MELÃO DE SÃO CAETANO (Momordica charantia L.) disponibilizado em: https://www.fag.edu.br/upload/revista/seagro/5b4735d6ba994.pdf
domingo, 5 de abril de 2020
Plantas espontâneas e seus usos - erva-de-santa-maria
Texto
Janaína dos Santos Carvalho - acadêmica de engenharia agronômica - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - professor e engenheiro agrônomo - FIC e UNITAU
Em boa parte do Brasil ocorre essa espécie (Foto). O exemplar da foto, ainda não na fase reprodutiva, possuía cerca de 50 cm de altura e uma de suas principais características é o forte aroma que exala. Não ocorre em grandes quantidades, e no local, sombreado, se desenvolveu bem graças ao bom teor de matéria orgânica.
Foto: erva-de-santa-maria.
Autoria: Janaína dos Santos Carvalho
Dependendo da região essa planta recebe diferentes denominações. Por exemplo, no Sul e parte do Sudeste, é conhecida com erva-de-santa-maria. No Nordeste e no Norte é denominada por mastruz, mastruço ou mentruz. Nas outras regiões do Brasil, ocorrem essas denominações ou ainda outras, como, por exemplo, erva-lombrigueira, ambrósia ou mata-pulgas.
Com relação ao nome científico, ocorreram mudanças. Antes Chenopodium ambrosioides, agora Dysphaina ambrosioides. Saiu da família Chenopodiaceae e passou para a família Amaranthaceae.
Quanto aos muitos usos, ainda há poucos estudos que os comprovam, mas a frequência com que é mencionada para determinadas atividades é um bom indício de que poderá haver confirmação nas pesquisas.
Para animais, é usada como vermífugo e para contusões. Também há referência para repelir pulgas e piolhos, tanto em galinheiros quanto nos locais que abrigam cachorros e gatos.
Na agronomia, quando bem desenvolvida, indica solo bem arejado e rico em matéria orgânica.
Na saúde humana, com recomendação médica, é indicada para verminoses graças, principalmente, à presença em seu óleo essencial ascaridol. Mas tem que ter muito cuidado no uso, pois pequenas doses podem excitar a lombriga e essa, ao tentar sair, causa asfixia. E dose excessiva pode causar hemorragia. Vários outros usos são indicados pela medicina tradicional, tais como: anti-inflamatório, contra contusões, e para tratamento de problemas respiratórios.
Tendo o cuidado de refogar, para que reduza o teor do ascaridol, também é consumida como alimento.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Cardo-santo no quintal
Texto:
Eloar Vanessa Souza Lopes: Bióloga e acadêmica de Nutrição - UNITAU
Marcos Roberto Furlan: Eng. Agrônomo - Prof. UNITAU
Não é muito comum. Sobrevive em solos pobres e em locais com pouca oferta de água. Nasce, se destaca pelas suas folhas que parecem ser espinhosas, depois produz uma bela flor amarela e um fruto também espinhoso. Em menos de um ano morre, espalhando seus descendentes no quintal.
A população geralmente considera a espécie muito tóxica e sempre arranca as espécimes que nascem espontaneamente. Seu nome científico Argemone mexicana já indica sua origem e sua família Papaveraceae, a mesma da papoula da morfina, já justifica a presença de substâncias tóxicas.
O seu nome popular mais conhecido é cardo-santo, mas também se referem a planta como papoula-mexicana ou simplesmente cardo, dentre outras denominações populares.
Apesar de tóxica, é muito raro um animal doméstico ingerir o cardo-santo, principalmente devido à sua proteção "espinhosa".
No site Flora do Brasil, são fornecidas as seguintes características da espécie:
Erva anual ereta, com (30-)50-100(-120) cm de altura, latescente. Caules glabros, esbranquiçados, ramificados na base. Folhas elípticas a ovadas, profundamente lobadas, (5-)8-15(-25) x (3-)4-9(-12) cm; lóbulos 3-6, irregularmente dentados; dentes espinhosos. Flores com 4-7 cm de diâmetro; sépalas cuculadas, com uma arista dorsal espiniforme de 5-10 mm de comprimento; pétalas amarelas ou creme, com 2,5-3,5 mm de comprimento e largura. Carpelos 4-6, armados; estigma séssil, 5-lobado. Fruto cápsula oblonga a elíptico-oblonga, armada, com 4-6 valvas apicais deiscentes, com (25-)35-40(-45) x (12-)15-18(-20) mm. Sementes com (1,6-)2,0-2,5 mm de diâmetro.
Com relação à literatura científica, Brahmachari, Gorai e Roy (2013) observam que a planta é usada em diferentes partes do mundo para o tratamento de várias doenças, como, por exemplo, tumores, verrugas, doenças de pele, inflamações, reumatismo, icterícia, lepra, infecções microbianas e malária. Relatam que A. mexicana é uma fonte de uma ampla diversidade de constituintes químicos, embora os alcaloides sejam em grande parte abundantes. Também afirmam que além da eficácia farmacêutica, certas partes da planta também apresentam efeitos tóxicos.
Fotos: Argemone mexicana
Eloar Vanessa Souza Lopes
Referências:
BRAHMACHARI, Goutam; GORAI, Dilip; ROY, Rajiv. Argemone mexicana: Chemical and pharmacological aspects. Revista Brasileira de Farmacognosia, [s.l.], v. 23, n. 3, p.559-575, maio 2013. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1590/s0102-695x2013005000021. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbfar/v23n3/aop01913.pdf>. Acesso em: 21 jul. 2019.
HASSEMER, G. Papaveraceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB126840>. Acesso em: 23 Jul. 2019.
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Beldroega x onze-horas
Texto:
Alana Cristina de Oliveira – Acadêmica de Engenharia Agronômica – UNITAU
Marcos Roberto Furlan – Professor – UNITAU e FIC
Ambas são parecidas, mas possuem funções diferentes. A beldroega, de nome científico Portulaca oleracea, é considerada, injustamente, como planta daninha ou invasora dos jardins. A outra, de fácil cultivo e de nome científico Portulaca grandiflora, popularmente conhecida como onze-horas, é cultivada como ornamental.
A beldroega, por não ser ornamental, não tem cultivares, enquanto a onze-horas já gerou vários cultivares, oferecendo uma boa variedade de cores e formatos. Há ainda uma outra espécie espontânea, a Portulaca mucronata, e outras espécies do gênero Portulaca.
Apesar de ser comestível, a beldroega é rica em ácido oxálico, um fator antinutricional que pode causar cálculo renal e prejudicar a absorção de cálcio e ferro.
A ornamental é de origem da América do Sul. A beldroega se supõe ser de origem europeia.
terça-feira, 25 de junho de 2019
Plantas apícolas nos quintais
Texto:
Nathália Maia da Silva - Acadêmica de Engenharia Agronômica - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - professor FIC/UNITAU
Como o habitat ideal das abelhas sem ferrão tem sofrido frequente redução e até mesmo extinção, estas têm recebido ajuda de pessoas para introduzi-las, por falta de opção, nas áreas urbanas. Há projetos de adoção de abelhas sem ferrão e iniciativas particulares de criação das mesmas.
Uma das dificuldades da manutenção das colônias nos quintais localizados na zona urbana, é a falta de uma flora que forneça um bom pólen para as abelhas. Neste texto são apresentadas algumas das espécies que possam ter essa utilidade e que nascem espontaneamente. Destacando que como são consideradas por muitos como plantas daninhas, com frequência são retiradas dos quintais.
Da família Asteraceae, são apícolas o picão-preto (Bidens pilosa), o picão-branco (Galinsoga parviflora), o dente-de-leão (Taraxacum officinale) e a serralhinha (Emilia sonchifolia), a família Solanaceae oferece a maria-pretinha (Solanum nigrum) e a jurubeba (Solanum paniculatum). Da família Brassicaceae, tem o mentruz (Coronopus didymus, sinonímia científica Lepidium didymus) e da Amaranthaceae, os carurus (Amaranthus spp).
São várias outras espécies, mas que serão apresentadas em outros textos.

https://en.wikipedia.org/wiki/Bidens_pilosa#/media/File:Bidens_pilosa-Silent_Valley-2016-08-13-001.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Bidens_pilosa#/media/File:Bidens_pilosa-Silent_Valley-2016-08-13-001.jpg

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Taraxacum_officinale_001.JPG
https://sv.wikipedia.org/wiki/Emilia_(v%C3%A4xter)#/media/Fil:Emilia_sonchifolia_(Sadamandi)_in_Hyderabad,_AP_W_IMG_0416.jpg
Nathália Maia da Silva - Acadêmica de Engenharia Agronômica - UNITAU
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - professor FIC/UNITAU
Como o habitat ideal das abelhas sem ferrão tem sofrido frequente redução e até mesmo extinção, estas têm recebido ajuda de pessoas para introduzi-las, por falta de opção, nas áreas urbanas. Há projetos de adoção de abelhas sem ferrão e iniciativas particulares de criação das mesmas.
Uma das dificuldades da manutenção das colônias nos quintais localizados na zona urbana, é a falta de uma flora que forneça um bom pólen para as abelhas. Neste texto são apresentadas algumas das espécies que possam ter essa utilidade e que nascem espontaneamente. Destacando que como são consideradas por muitos como plantas daninhas, com frequência são retiradas dos quintais.
Da família Asteraceae, são apícolas o picão-preto (Bidens pilosa), o picão-branco (Galinsoga parviflora), o dente-de-leão (Taraxacum officinale) e a serralhinha (Emilia sonchifolia), a família Solanaceae oferece a maria-pretinha (Solanum nigrum) e a jurubeba (Solanum paniculatum). Da família Brassicaceae, tem o mentruz (Coronopus didymus, sinonímia científica Lepidium didymus) e da Amaranthaceae, os carurus (Amaranthus spp).
São várias outras espécies, mas que serão apresentadas em outros textos.
https://en.wikipedia.org/wiki/Bidens_pilosa#/media/File:Bidens_pilosa-Silent_Valley-2016-08-13-001.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Bidens_pilosa#/media/File:Bidens_pilosa-Silent_Valley-2016-08-13-001.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Taraxacum_officinale_001.JPG
https://sv.wikipedia.org/wiki/Emilia_(v%C3%A4xter)#/media/Fil:Emilia_sonchifolia_(Sadamandi)_in_Hyderabad,_AP_W_IMG_0416.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Lepidium_didymum#/media/File:Kleine_varkenskers_stukje_plant_Coronopus_didymus.jpg 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Starr_020124-9001_Amaranthus_hybridus.jpg

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Starr_020124-9001_Amaranthus_hybridus.jpg
sexta-feira, 12 de abril de 2019
O que tem no quintal – 2 - Olhai as serralhas no quintal
Marcos Roberto Furlan
Vamos passear em um quintal, onde há liberdade de expressão para a natureza e crescem à vontade as plantas que aguardam ansiosamente por um espaço no qual possam esbanjar suas belezas, utilizando as mais diferentes e belas vestimentas. E o mais importante, um local para sobreviver e continuar a sua espécie.
No caminhar, ao longo deste texto, a atenção dos olhares fica para as plantas que possuem as folhas serrilhadas.
Por trás da geometria dessas folhas ou das flores dessas espécies, há mecanismos de defesa ou, simplesmente, uma ação para se diferenciarem umas das outras. Neste último fato, a serralha-crespa se destaca. Suas folhas realmente são ásperas, devido à presença de “espinhos”, inibindo a ação de um predador herbívoro.
No entanto, os pulgões aproveitam o ponto fraco de quase todas as serralhas, que são o caule e os ramos tenros, e sugam, sem, contudo, espertamente, dizimar as populações dessas espécies. O dente-de-leão, porém, escapa porque não tem caule. Suas folhas saem em forma de roseta. Lembrei-me de que a serralha-crespa tem caule tenro, mas não tem ramos.
A competição entre as cores das flores da serralha quase transforma o quintal em um arco-íris, e mesmo que esse arco-íris não seja tão bem delineado como a natureza gosta de fazer, por trás das cores das flores está o charme lançado para atrair polinizadores. Como exemplo, temos o vermelho da serralhinha, o cor-de-rosa da outra serralhinha, o amarelo vivo da serralha, do dente-de-leão, da serralha-crespa e de uma outra serralha não muito comum nos quintais brasileiros.
Para propagar a espécie e aumentar o número de cores, a inflorescência fica com a cor branca das serralhas (às vezes, quase creme) e se espalha com o vento.
Nem todas andam juntas, como amigas, porém, é comum observarmos a serrallha de mão dadas com as serralhinhas. Dependendo da região, a dupla é composta pela serralha e pela serralhinha de flor cor-de-rosa. Em outras regiões, pela serralha e pela serralhinha de flor vermelha. O dente-de-leão prefere andar sozinho, até porque, ao contrário das outras, é exigente quanto à fertilidade do solo.
A beleza da inflorescência também traduz em nomes curiosos, mas fieis ao que querem transmitir. As serralhinhas têm variações nominais, como pincel, brocha ou pincel-de-estudante. O dente-de-leão vira paraquedas, quando as sementes se espalham, ou cabeça-de-monge, quando todas as sementes já saíram. A serralha-crespa tem outros apelidos, como serralha-espinhenta ou serralha-de-espinho.
Além das folhas serrilhadas, elas têm em comum pertencerem à família Asteraceae e serem comestíveis, apesar de haver algumas ressalvas, as quais serão comentadas no próximo texto.
Nos próximos textos, também trataremos dos significados dos nomes científicos e começaremos a falar sobre seus usos.
Nomes científicos, no meio do texto, é como ler com soluços. Por isso, eles somente surgem no final.
Serralha – Sonchus oleraceus
Serralhinha da flor vermelha – Emilia fosbergii
Serralhinha da flor cor de rosa – Emilia sonchifolia
Dente-de-leão – Taraxacum officinale
Serralha da folha crespa – Sonchus asper
Serralha - Sonchus arvensis
Em regiões litorâneas, pode ainda aparecer a Emilia coccinea, e nos campos e pastos, plantas de folhas serrilhadas do gênero Hypochoeris. As mais comuns, aquelas que estão espalhadas em boa parte do Brasil, essas estarão no próximo texto.

Sonchus oleraceus
Emilia fosbergii
Emilia sonchifolia
Taraxacum officinale
Sonchus asper
Sonchus arvensis
https://species.wikimedia.org/wiki/Sonchus_arvensis
“Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. ”
Mateus 6:28,29
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Caruru
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Acariçoba
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Arnica da calçada
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sexta-feira, 29 de março de 2019
Arnica da calçada
Texto:
Marcos Roberto Furlan - Professor UNITAU/FIC, Engenheiro Agrônomo (texto e foto 2)
Nathália Maia da Silva - Acadêmica de Engenharia Agronômica - UNITAU
Arnica, nome de planta que causa um bocado de confusão. As "donas" deste nome são as mais de 30 espécies do gênero Arnica, principalmente a Arnica montana (foto 1), batizada por este nome por Lineu e registrada no livro Species Plantarum, em 1753.
Foto 1. Arnica montana L.
Link:
Para cada região brasileira há pelo menos uma planta que cresce espontaneamente com o nome de arnica. Nenhuma delas, porém, é a europeia Arnica montana. Todavia, assim como a europeia, todas são usadas na medicina popular, como anti-inflamatórias, em contusões e hematomas. Muitas delas não possuem comprovação científica, como possui a A. montana. Além do uso em comum, a maioria das nativas denominadas por arnica pertencem à família Asteraceae, na qual está incluída a A. montana.
Com o objetivo de minimizar as confusões, é comum acrescentar a origem ou o local de ocorrência de espécies que recebem o nome arnica. Por exemplo, arnicas-do-cerrado (espécies do gênero Lychnophora), arnica-do-campo (Solidago microglossa) e a da foto 2, a arnica-de-quintal (Porophyllum ruderale).

Foto 2. arnica-de-quintal.
A arnica-de-quintal é comum nas calçadas. Possui outras denominações populares, tais como cravorana, couve-cravinho, erva-couvinha e cravo-de-urubu. Suas folhas e inflorescências exalam um aroma que lembra caju ou pitanga. Muito resistente, ela pode alcançar altura superior a 1,5 m, quando não recebe sol direto.
Além do uso na forma de tintura contra contusões, ela é considerada também como alimento (https://come-se.blogspot.com/2011/01/quirquina-uma-porophyllum-ruderale-as.html). Há pesquisas que comprovam algumas de suas ações terapêuticas. Como analgésica e antiespasmódica (http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/287981), e como antioxidante (https://www.academia.edu/9304440/Total_phenolics_and_antioxidant_activity_of_Piper_auritum_and_Porophyllum_ruderale).
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Guanxuma e arnica-de-quintal
Uma publicação compartilhada por Marcos Roberto Furlan (@quintaisimortais) em
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Outro lado das plantas espontâneas dos quintais
O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, principalmente relacionada à flora, que se apresenta ainda pouco explorada, rica em plantas para os mais diferentes usos. Não é necessário ir muito longe para constatação, pois podemos encontrar espécies alimentícias, medicinais ou com aplicações na agricultura em diversos terrenos, nascendo espontaneamente ao nosso redor.
Apesar de a maioria da população estar dentro das casas na maior parte do tempo, nos quintais, exceto os cimentados, nascem plantas sem a intervenção do ser humano. Como competem com as ornamentais e/ou as comestíveis, dentre outras, são denominadas por leigos como plantas daninhas ou invasoras. No entanto, todas elas possuem uma ou mais utilidades, não justificando, portanto, esses nomes pejorativos.
Dentre os exemplos, existem vegetais como os carurus (está no plural, pois, dependendo da região, há mais de uma espécie com este nome, todas pertencentes ao gênero Amaranthus). Essas espécies são indicadoras de solo rico em matéria orgânica e comestível. É importante destacar que, quando ocorrem somente carurus, é sinal de que o solo está desequilibrado quanto à fertilidade.
Outrora, era comum comer algumas das espécies de caruru refogadas na sopa de fubá, porém, não são todos os carurus que podem ser consumidos, sendo evitado pela população tradicional aqueles que possuem “espinhos” (Amaranthus spinosus), por acreditar que sejam tóxicos. Quanto ao equilíbrio de insetos pragas na horta caseira, os besouros preferem atacar mais os carurus a muitas das hortaliças. Ou seja, ao arrancá-los, os besouros, por não terem essas fontes de alimentos, aumentam o ataque às outras plantas.
Outra planta de múltiplas aplicações é a erva-de-são-joão (Ageratum conyzoides). Além do uso na medicina popular, para cólica infantil, há estudos que demonstram sua ação como anti-inflamatório. Na agricultura, indica solo fértil, hospedando inimigos naturais de ácaros. Também existem referências de uso para infecção de útero em vacas.
Muitas das plantas que ocorrem no quintal são comestíveis, e como não são comumente consumidas como alimentos, são denominadas plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Uma delas, a serralha (Sonchus oleraceus) é encontrada em feiras, como verdura. Há outras comestíveis conhecida como serralha, são as denominadas serralhinha ou bela-emília (Emilia sonchifolia). As duas “serralhas”, por terem caules tenros, são preferidas pelos pulgões.
Outra planta que já foi comercializada como hortaliça é a beldroega (Portulaca oleracea). É comum encontrá-la nas saladas de alguns restaurantes. Outras, de origem europeia, são as tanchagens (gênero Plantago), consumidas em algumas regiões da Europa, como alimento.
Há outras ainda desconhecidas como alimentos pela maioria da população, como a maria-pretinha (Solanum nigrum), o mentruz (Coronopus didymus) e o picão-preto (Bidens pilosa).
Apesar de serem consideradas alimentos, essas plantas, por não serem domesticadas pelo ser humano, possuem fatores antinutricionais, isto é, têm substâncias que dificultam a absorção de nutrientes. Porém, os efeitos negativos só irão surgir quando ocorre o consumo contínuo e em grandes quantidades.
Nascem também, nos quintais, algumas espécies do gênero Sida, denominadas por guanxumas ou vassourinhas. São indicadoras de solos compactados, sendo utilizadas para fazer vassouras caseiras. O picão-branco (Galinsoga parviflora) é outra planta que revela a qualidade do solo. Sua presença em grande quantidade indica que o solo é rico em matéria orgânica, mas deficiente em alguns micronutrientes.
Em animais, o picão-branco é usado misturado com o picão-preto nas rações ou nas forragens, para diminuir os efeitos tóxicos de medicamentos em cavalos. A erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides) é utilizada como repelente de pulgas e piolhos, e como vermífugo para animais.
As plantas dos quintais se destacam também como medicinais. Um exemplo é a já citada erva-de-são-joão. As quebra-pedras (gênero Phylanthus) são mais conhecidas pela população devido ao uso contra pedras nos rins.
Há referências científicas de algumas delas como hepatoprotetoras, como o picão-preto e a erva-botão (Eclipta alba). Uma que é reconhecida como diurética e usada desde a antiguidade é o dente-de-leão (Taraxacum officinale). Esta espécie é também comestível, indicadora de solo bom, usada como alimento de animais para estimular a lactação e fornecedora de inulina para a indústria de pães e de outros produtos da panificação.
Muitas vezes essas espécies ocorrem apenas em quintais. Quando esses locais são cimentados ou ocorre a erradicação constante dessas plantas, uma das consequências pode ser a extinção. Logo, a preservação delas e de seus usos é importante, principalmente para a melhoria da nossa alimentação e da nossa saúde.

Dente-de-leão
Beldroega
Texto:
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC.
Marcos Roberto Furlan – Prof. e Membro do Mestrado em Ciências Ambientais da UNITAU
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Dez fatos sobre o cordão-de-frade
Texto:
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira/Unitau
Virgínia Vieira Santos Silva - Graduanda em Engenharia Agronômica - Faculdade Cantareira
No Brasil, quando a encontramos, ocorre em grupo mas não se espalha muito. Sua inflorescência facilita sua identificação, mas os seus nomes populares geram confusão com uma de nome científico Leonurus sibiricus, a qual possui inflorescência do mesmo tipo, só que flores de coloração lilás.
Apesar de ser encontrada em boa parte do Brasil, principalmente no outono e na primavera, é nativa da África. Sua denominação científica é Leonotis nepetifolia, e pertence à família Lamiaceae, a mesma que inclui espécies como hortelãs, manjericões, orégano e sálvia. Todas têm em comum o fato de serem aromáticas.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Leonotis_nepetifolia_(Deepmal)_in_Narshapur,_AP_W_IMG_1164.jpg
Suas denominações populares são cordão-de-frade, cordão-de-são-francisco e rubim. Ganhou os continentes inicialmente, e provavelmente, por ter sido introduzida como planta ornamental. Nos dias atuais, pode ser encontrada em regiões tropicais e subtropicais da África, Ásia e Américas.
Não é uma espécie exigente quanto à presença de nutrientes, crescendo em solos arenosos, argilosos, rochosos, ao longo de acostamentos de rodovias e até em depósitos de lixo, embora se desenvolva com muito mais facilidade em solos de pH neutro,férteis e bem drenados.
Schneider (2007) afirma que, especificamente no estado do Rio Grande do Sul, L. nepetifolia é considerada planta naturalizada, ou seja, incorporada à flora autóctone daquela região, muito provavelmente introduzida como medicamento.
Dez fatos sobre o Cordão de Frade
1. Para seu cultivo, deve-se ter um local que tenha incidência de sol pleno ou meia sombra. O cordão-de-frade adapta-se em diferentes tipos de solos.
2. L. nepetifolia é introduzida nas áreas de lavoura e de pastagens, principalmente na forma acidental. Relata-se, com frequência, que espalha-se por ficar aderida ao maquinário ou às roupas das pessoas envolvidas no processo de produção. Naturalmente, a dispersão de suas sementes é favorecida pela morfologia da planta, e ocorre pelo vento.
3. No Brasil, essa planta é encontrada em quase todas as regiões, exceto em locais de climas frios, condição que não lhe é favorável em termos de crescimento.
4. Suas sementes sobrevivem às condições desfavoráveis, debaixo da terra, mantendo-se em estado de dormência.
5. A sua família botânica Lamiaceae era anteriormente denominada por Labiatae, em referência à morfologia das pétalas ou das corolas das espécies que a compõem: trilobuladas, sendo o lábio inferior mais longo, alargado e oblíquo na boca, o que permite a perfeita adaptação dos bicos de pássaros polinizadores. Assim sendo, é uma planta que atrai pássaros e insetos que buscam seu néctar doce e abundante, sendo consumido também por crianças e adultos.
6. É conhecido por diversos outros nomes populares, sendo eles: cauda-de-leão, tolonga, mato-chimango e pau-de-praga.
7. Em usos medicinais, pode ser utilizada em problemas respiratórios, intoxicações alimentares, indigestão, estômago, cólicas, fraqueza, febre, dores abdominais, asma, bronquite, dentre outros. Além de ajudar no aumento de glóbulos vermelhos no sangue e a capacidade de resistência às demais doenças.
8. A planta é bastante conhecida por suas propriedades terapêuticas, sendo utilizada como calmante. Em algumas culturas, utiliza-se o cordão-de-frade a fim de explorar suas capacidades enteógena e psicoativa.
9. Na culinária, suas folhas são usadas em saladas, molhos, condimentos e chás, tendo o gosto bem peculiar, deixando o prato mais saboroso.
10. No Brasil, L. nepetifolia foi citada como planta de uso medicinal por 11% da população estudada por Di Stasi et al. (2002), na região da Mata Atlântica, no litoral do estado de São Paulo. Na primeira edição da Farmacopeia Oficial Brasileira, publicada em 1929, foi relatado o uso da planta, na forma de xarope. A partir da segunda edição, de 1959, ela já não foi mais referendada pela Comissão Permanente de Revisão da Farmacopeia, do Conselho Nacional de Saúde, por falta de evidência de sua eficácia e segurança para uso humano. Atualmente, já existem artigos e outros estudos que comprovam sua eficácia.
REFERÊNCIAS
BRANCO, Aline . Cordão-de-frade, mato cimango ou rubim - uma erva boa para muita coisa. Disponível em: <https://www.greenme.com.br/usos-beneficios/5391-cordao-de-frade-mato-chimango-rubim>. Acesso em: 13 maio 2018.
CORDÃO de Frade? O que é, benefícios e como Usar. Disponível em: <https://www.naturalcura.com.br/cordao-de-frade/>. Acesso em: 13 maio 2018
CORDÃO-DE-FRADE - Leonotis nepetaefolia. Disponível em: <http://www.jardinet.com.br/2014/06/cordao-de-frade-leonotis-nepetaefolia.html>. Acesso em: 13 maio 2018
CRUZ, V., TRESVENZOL, L. M. FERREIRA, H. et. al. Leonotis nepetifolia (L.) R. Br. (cordão-de-frade): biologia e uso tradicional. Disponível em: <http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/RPInF/article/view/63/59> Acesso em: 17 de maio de 2018.
DI STASI, L. C. et al. Medicinal plants popularly used in the Brazilian Tropical Atlantic Forest. Fitoterapia. Amsterdam: Elsevier B.V., v. 73, n. 1, p. 69-91, 2002. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/17466>. Acesso em: 17 maio 2018.
GEORGIA, Nayla. Cordão de frade - Usos dessa planta medicial . Disponível em: <https://www.remedio-caseiro.com/cordao-de-frade-usos-dessa-planta-medicinal/>. Acesso em: 13 maio 2018.
SCHNEIDER, A.A. A flora naturalizada no estado de Rio Grande do Sul, Brasil: herbáceas subespontâneas. Biociências. 2007; Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/fabio/ojs/index.php/fabio/article/view/254/3005> Acesso em 17 maio 2018.
domingo, 25 de março de 2018
Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Maria-pretinha
Texto:
- Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC
- Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira/Unitau
Originária do continente americano, a maria-pretinha (Solanum americanum), de aparência delicada, pertence à família Solanaceae. Produz pequenas flores brancas. Seus frutos, quando maduros, apresentam-se pretos e suas folhas exalam cheiro pouco atrativo
A família Solanaceae é composta por vários outros representantes muito conhecidos e consumidos, como, por exemplo, batata-inglesa, berinjela, jiló, tomate e pimentas do gênero Capsicum. Muitas solanáceas possuem folhas ou frutos tóxicos, devido a substâncias como a solanina e outros alcaloides. As folhas da maria-pretinha não são comestíveis cruas, pois podem causar complicações gastrointestinais. Salvo as folhas, os frutos apresentam eficácia medicinal comprovada, além de várias outras aplicações.
A maria-pretinha é, ainda, conhecida popularmente como erva-moura, erva-moura-açu, caraxixu, pimenta-de-bugre, dentre outros nomes. É válido ressaltar que é de suma importância atentar-se ao nome científico da espécie utilizada, uma vez que há outra espécie também chamada de erva-moura e semelhante à Solanum americanum. É a Solanum nigrum, conhecida também por "mata-cavalo" devido a tamanha toxicidade dos frutos quando consumidos crus.

Solanum americanum
10 usos e curiosidades sobre a maria-pretinha
1. A ocorrência da maria-pretinha nos campos, quintais ou na horta, pode servir para obter algumas informações relacionadas ao cultivo. Sua presença, caso verifique a incidência de viroses, pode ser um recado para que evite o plantio de hortaliças da família Solanaceae. Também é comum ser atacada por pulgões, dentre outras pragas que também atacam hortaliças.
2. Na medicina popular, a planta é utilizada como diurética, laxante, emoliente, além de eliminar toxinas e resíduos do organismo. É de uso bastante comum principalmente em rincões nas zonas rurais do país. O chá das, em específico, é usado para aliviar nervosismo, cólicas, reumatismo, artrite, nevralgia, ferimentos, afecções das vias urinárias, espasmos na bexiga, dores musculares, no estômago, articulações e na coluna, psoríase, eczema, úlceras, contusões, hidropsia; além de ser um ótimo vermífugo natural.
Fonte:
3. É considerada a "blueberry brasileira" por alguns autores. Sendo fácil encontrar receitas de geleias, compotas, sucos, chás, bolos, sorvetes, mousses e panquecas.
4. Algumas religiões Afro-brasileiras a utilizam em banhos de limpeza (amacis e abôs), lavagem de contas, sacudimentos, bate-folhas e oferendas;
5. O nome do gênero diz respeito à palavra "Solamen" do Latim, o qual pode ser traduzido como "quietude" ou "alívio'' em alusão às propriedades calmantes ou mesmo narcóticas de alguns espécimes. O epíteto específico "americanum" deve-se à origem continental da espécie.
6. Abaixo, de acordo com Ranieri, G. 2016, seguem-se as formas de se distinguir, visualmente, a Solanum americanum e Solanum nigrum:

Fonte:
7. Kinnup (2010) ressalta que a etnia Kaingang, localizada no sul do Brasil, consome esta espécie cozida utilizando-se do nome "fuá" e, inclusive, há relatos de grandes colheitas da planta no interior do Rio Grande do Sul realizadas pelos indígenas.
8. China, Guatemala, África do Sul e El Salvador são exemplos de países onde também se consome a Solanum americanum com regularidade e, no caso das folhas, sempre cozidas;
9. É considerada rica em proteínas, manganês (Mn), fósforo (P), ferro (Fe) e boro (B).
10. Os frutos de coloração escura evidenciam a presença de antocianinas, intimamente relacionadas à potenciais aplicações enquanto antioxidante.
Referências
Etimologia:
Kinnup, V. F., Plantas alimentícias não-convencionais da região metropolitana de Porto Alegre, RS.
terça-feira, 13 de março de 2018
Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Capuchinha
Texto:
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC
Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Faculdade Cantareira/Unitau
Marcos Victorino – Engenheiro Agrônomo - Faculdade Cantareira
A capuchinha (Tropaeolum majus), também conhecida como flor-de-sangue, flor-de-chagas, nastúrcio ou agrião-do-México, é uma herbácea de desenvolvimento anual e distribuição natural desde a Bolívia até a Colômbia nas frias regiões andinas, embora também seja encontrada em áreas preferencialmente subtropicais. Com manejo ideal, é facilmente cultivada em jardins, canteiros e vasos.
Suas flores são aromáticas e apresentam-se em cores que variam entre o alaranjado, amarelo, vermelho, rosa e creme. Seus ramos são rasteiros e retorcidos. É de hábito rastejante ou trepador. Pode ser totalmente aproveitada, tanto para fins alimentícios quanto medicinais.



Fotos: capuchinha. Marcos Victorino
10 usos e curiosidades sobre a Capuchinha
1. É considerada planta invasora em regiões de clima frio. Isso se deve à alta taxa de atividade respiratória da planta e ao reduzido conteúdo de carboidratos de reserva. A baixa temperatura funciona como fator de retardamento da deterioração, uma vez que diminui os processos metabólicos, fazendo com que a planta consiga durar por mais tempo.
2. Atrai lagartas, especialmente as das mariposas Xanthorhoe fluctuata e Melanchra persicariae e da borboleta Pieris brassicae.
3. A planta contém um óleo essencial, rico em tiocianato de benzila e glucotropeolina, ao qual são atribuídos efeitos antibióticos. É utilizado na medicina tradicional em casos de infecções das vias urinárias, nefrite e gripes. As folhas são ricas em ácido ascórbico, isoquercitrina e helenina. São utilizadas maceradas no tratamento de hematomas.
4. Outras propriedades da capuchinha são: expectorante, purgativa, digestiva, antisséptica, desinfetante, depurativa, sedativa e estimulante. Além de uso popular para psoríase e presença de substância usada no tratamento de glaucoma.
5. Podem também ser encontrados entre seus princípios ativos ácidos graxos, flavonoides, glicosídeos, oxalatos, glucosinolatos, óleos essenciais, resinas, pigmentos, substâncias bactericidas, iodo, ferro, enxofre, cálcio, potássio, frutose e glicose. (https://www.remedio-caseiro.com/capucinha/)
6. O nome "flor-de-sangue" provavelmente surgiu da fama que a planta adquiriu como antianêmica.
7. Aparece em listas de "plantas companheiras", uma vez que repelem uma grande quantidade de pragas de cucurbitáceas, como insetos em abóbora, besouros em pepino e várias lagartas. Tendo também uma gama de benefícios para plantas da Família das Brassicaceae, especialmente brócolis e couve-flor.
8. A espécie foi descrita por Linnaeus. O nome do gênero deriva do grego "tropaion" que quer dizer "troféu", devido à disposição das folhas e flores. Já o epíteto específico "majus" vem do latim e significa "o maior" ou "mais". (http://www.calflora.net/botanicalnames/pageT.html)
9. A parte aérea é utilizada em condimentos em conserva. As flores, folhas e frutos apresentam um sabor picante, similar ao do Lepidium sativum (agrião).
10. É utilizada como ornamental, além de possuir diversos cultivares e plantas híbridas que são, comumente trepadeiras. Propaga-se com facilidade por estacas de galhos.
Outras referências:
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