domingo, 15 de junho de 2014

Sobre o gênero Lippia - II

Texto: Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo

Confusões com a Lippia alba


A espécie do gênero Lippia mais conhecida em quase todo o país é a Lippia alba (foto 1). Em algumas regiões do país é chamada de erva-cidreira, o que causa confusão com duas outras espécies e de famílias diferentes, a Melissa officinalis (foto 2) e o Cymbopogon citratus (foto 3). Em outras regiões, é mais conhecida por melissa, gerando confusão com a M. officinalis.

Neste texto, serão destacadas as diferenças entre as três espécies com relação aos aspectos botânicos.

Com relação às Classes botânicas

Dentre as três espécies, apenas o Cymbopogon é uma Monocotiledônea, enquanto as outras duas são Eudicotiledôneas na classificação atual. Em outras palavras, C. citratus possui folhas estreitas, compridas e com nervuras paralelas, enquanto as outras possuem folhas largas e nervuras ramificadas.

Com relação às famílias botânicas

C. citratus pertence à família Poaceae, M. officinalis à família Lamiaceae e a Lippia alba é da família Verbenaceae.

Sobre florescimento no Brasil

A Lippia alba floresce com facilidade no país, enquanto que é muito raro encontrar a Melissa officinalis com flores no país. O C. citratus floresce de maneira desuniforme, e, em uma plantação, alguns exemplares florescem enquanto outros não.
Foto 1. Lippia alba
http://en.wikipedia.org/wiki/Lippia_alba#mediaviewer/File:Lippia_alba.jpg
Foto 2. Melissa officinalis
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Starr_070906-8824_Melissa_officinalis.jpg
Foto 3. Cymbopogon citratus
http://en.wikipedia.org/wiki/Cymbopogon

Texto anterior sobre Lippiahttp://quintaisimortais.blogspot.com.br/2014/06/valeriana-officinalis-na-medicina.html

Uma panaceia?

Texto: Marcos Roberto Furlan
Fotos: Cissa Queiroz

No Estado de São Paulo, encontramos esta planta quase sempre em pequenas quantidades. Talvez por não ser tão bonita quanto outras ornamentais ou também por ser pouco conhecida quanto ao uso medicinal.


O seu nome popular panaceia tem relação com a deusa da cura (Panacea em latim) e associado com "cura todas as doenças". Há outros nomes populares que recebe, sendo que alguns lembram o bicho-preguiça devido à semelhança de sua inflorescência com o animal, como, por exemplo, braço-de-preguiça e braço-de-momo, e ainda capoeira-branca, folha-de-onça, mercúrio-de-pobre e velame-do-campo. Seu nome científico é Solanum cernuum Vellozo. Pertence à família Solanaceae, a mesma que inclui tomate, pimentão e berinjela.

Apesar do nome que remete à cura, são poucos os trabalhos científicos que comprovam suas ações terapêuticas indicadas pela população. Não ser pesquisada não significa que não tenha a ação medicinal citada pela população, mas o respaldo científico é importante para que os profissionais da saúde possam recomendá-la. Mesmo carecendo de estudos, é encontrada nos mercados brasileiros.

Popularmente, as folhas são usadas como sudoríficas, diuréticas, depurativas, desobstruente do fígado, para a cura da gonorreia, doenças da pele e úlceras cutânea, e as raízes recebem indicações como diurética e depurativa, além de ação hemostática. Quando torrefatas, as folhas tornam-se aromáticas e dão um “chá” útil como antiarrítmico. (CIMPLANT). 

Na avaliação química dos constituintes da droga Solanum cernuum Vell., verificou-se a presença de flavonoides, que possuem ação gastroprotetora (CIMPLANT) e um estudo analisou as propriedades analgésica e anti-inflamatória de uns de seus compostos ativos (LOPES et al., 2014). O extrato etanólico apresentou resultados satisfatórios para testes com os fungos causadores de doenças em plantas Colletotrichum musae, Fusarium solani f. sp. Phaseoli, Fusarium solani f. sp. piperis Alb. e Penicillium sp., porém sem atividade para Escherichia coli (ATCC 8739); Staphylococcus aureus (ATCC 25923), Staphylococcus aureus (Hospitalar) e Bacillus cereus (ATCC 11778) pelo método de microdiluição (CAMPOS et al., 2011).