quinta-feira, 12 de maio de 2016

O que se entende por ‘financeirização da natureza’?, artigo de Amyra El Khalili

“A financeirização provoca o endividamento e é bem diferente de financiamento. O financiamento opera com taxas de juros compatíveis com a capacidade de pagamento de quem necessita do empréstimo. Permite que o empréstimo seja pago a longo prazo e com taxas baixas ou adotando juros simples, como ocorre, por exemplo, nos países do norte, que praticamente subsidiam os juros aos agricultores. No subsídio, o Estado empresta dinheiro sem cobrar juros e/ou isenta de tributos ou os reduz.”

“Financeirização da natureza” é uma expressão nova que significa tornar financeiro tudo aquilo que deveria ser apenas econômico e socioambiental . Nem tudo o que é econômico é financeiro. Lamentavelmente, porém, tudo o que é financeiro é econômico.

Quando defendemos a importância da água em quantidade e qualidade, estamos tratando dos direitos fundamentais e do direito socioeconômico. Sem água não há vida; daí seu reconhecimento como direito de viver, garantido, inclusive, pela Constituição. Sem água também não é possível nenhuma atividade econômica. Experimente ficar uma semana sem água. Haverá convulsão social. Podemos ficar dias sem comer, mas nosso organismo não resistirá se passarmos dias sem água. Nenhuma cidade prospera sem água. E se ficarmos sem ar? O que acontece?

Sabemos o que significa ficar sem terra, sem casa, sem um lugar digno para viver. Quem paga aluguel já experimentou o gosto amargo da “financeirização”. Quem paga aluguel mensalmente está pagando para morar por um imóvel que não lhe pertence, assim vivendo refém da eterna dívida imobiliária. Igualmente, os que pagam condomínios, mesmo que sejam proprietários do imóvel, pagam pelos serviços e custos de manutenção de um imóvel coletivo, de modo que o condomínio não deixa de ser uma forma indireta de aluguel. Outros pagam, além do aluguel, o condomínio e o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Quando é que não temos que pagar? Muitos recorrem a empréstimos e pagam juros sobre juros, considerando que no Brasil se aplica o juro composto e não o juro simples, como ocorre nos países do norte. No juro composto, soma-se a dívida principal ao juro; no próximo vencimento, este juro se soma ao juro da conta anterior. Vira uma bola de neve, que vai crescendo caso não se consiga pagar. Esta é a contabilidade a que chamamos de “financeirização”.

A financeirização provoca o endividamento e é bem diferente de financiamento. O financiamento opera com taxas de juros compatíveis com a capacidade de pagamento de quem necessita do empréstimo. Permite que o empréstimo seja pago a longo prazo e com taxas baixas ou adotando juros simples, como ocorre, por exemplo, nos países do norte, que praticamente subsidiam os juros aos agricultores. No subsídio, o Estado empresta dinheiro sem cobrar juros e/ou isenta de tributos ou os reduz.

A “financeirização”, apesar de legal, também poderia ser qualificada como prática de “agiotagem institucionalizada”. A agiotagem é crime contra a economia popular, repudiada por nossa Constituição, e deveria ser combatida em todos os rincões do planeta; no entanto, essa velha prática, condenada desde sempre, historicamente se repete de diversas formas, com novas roupagens, portanto cada vez mais normatizada e legalizada. Para dar legitimidade à agiotagem, a prática de usurpação, que constitui um “pecado capital” pelo catolicismo, judaísmo e islamismo, políticos corruptos e corporações, entre outros, têm pressionado a sociedade para aceitar a adoção de determinados instrumentos econômicos que viabilizam esse modus operandi através de leis que promovem a “financeirização” para os pobres (endividamento com juros caros, como, por exemplo, o cartão de crédito) e o financiamento para os ricos (empréstimos com juros baixos, ou mesmo sem juros). Nessa conta, poderíamos incluir também os tributos, que são sempre mais altos para os pobres e mais baixos para os ricos.

Na natureza, a prática da “financeirização” vincula os direitos fundamentais do ambiente saudável e o direito à vida ao criar mecanismos de pagamento por tudo aquilo que a natureza produz gratuitamente. A natureza nos fornece água, ar, terra, minérios, biodiversidade (florestas, fauna e flora) e não cobra por esse benefício providencial. No entanto, para que possamos ter água em quantidade e qualidade, ar puro para respirar, terra boa para plantar, plantas medicinais para curar, rios e mares para nos banhar e nos abastecer, com a “financeirização da natureza” teremos que pagar para ter o que sempre tivemos por direito inalienável.

Os que propõem a “financeirização da natureza” argumentam que, sem pagar, não é possível manter as florestas em pé, ter rios limpos, ter a cidade limpa de resíduos sólidos, possuir terra sem agrotóxico e químicos, ter o ar respirável sem reduzir gases tóxicos, enfim, afirmam não ser possível preservar e conservar o meio ambiente sem que os bens comuns (água, minério, solo, ar, biodiversidade) se tornem produtos financeiros.

Alegam que estão financiando a transição de uma economia marrom (degradadora) para a “economia verde”. Dizem que não existe alternativa, senão a de tornar financeiro o que é eminentemente econômico. Confundem conceitos e posições para que a população, sensibilizada com as justas causas socioambientais e desavisada dos riscos, aceite o pacote financeiro imposto com a legalização da “agiotagem”. Juntamente com a “agiotagem institucionalizada”, promovem a legalização de outras práticas de crimes, como a biopirataria, o roubo de terras de povos indígenas e tradicionais, a expulsão de campesinos, o controle da água e do ar por oligopólios, a produção de alimentos industrializados, institucionalizando a “dependência da sobrevivência” da espécie humana e demais seres vivos.

Acontece que alternativas sempre existiram. São as propostas que estão justamente na contramão da infame “financeirização da natureza”. Os povos indígenas, tradicionais, os campesinos e as populações carentes do sertão, que sabem lidar com o ambiente natural e sua diversidade, têm muito a nos ensinar, sem nunca terem precisado de agentes financeiros, especialistas ou consultores ambientais para lhes vender pacotes de produtos e serviços. Aliás, os banqueiros jamais tiveram interesse em suas possíveis contas!

Felizmente, cresce o movimento internacional contra a “financeirização da natureza”, uma maldição que, dia após dia, cria novas formas complexas e sofisticadas para driblar as normas, os direitos constitucionais adquiridos e os acordos internacionais para perpetuar a doutrina do “neocolonialismo”, da submissão e escravidão com guerras, tragédias e misérias.

Se há esperança, esta reside no fato de ficarmos atentos a essa manobra e seguirmos denunciando para que as presentes e futuras gerações não sejam afetadas por esta desgraça como somos nós e o foram nossos antepassados.

Que o povo não se engane com conceitos vazios e falsas soluções: os refugiados e violentados nos campos e nas florestas por esta guerra fatídica a que assistimos diariamente na mídia são vítimas da “financeirização da natureza” em seus territórios.

Sabemos que errar é humano, mas persistir neste erro é ser cúmplice de genocídio!

Referência:

El Khalili, Amyra. Desmistificando REDD e Serviços Ambientais por Michael F. Schmidlehner (quatro vídeo-apresentações disponíveis online) <http://port.pravda.ru/cplp/brasil/07-03-2016/40518-desmistificando_redd-0/> . Disponível 07/03/2016. Acesso em 07/03/2016. Assista as vídeo-apresentações aqui: https://www.youtube.com/playlist?list=PLDhITDL8VFLpJyO1Bi0WpioxFpuvJDQaK

*Amyra El Khalili é economista, autora do e-book “Commodities Ambientais em Missão de Paz: Novo Modelo Econômico para a América Latina e o Caribe”. Acesse gratuitamente:www.amyra.lachatre.org.br

in EcoDebate, 09/05/2016
"O que se entende por ‘financeirização da natureza’?, artigo de Amyra El Khalili," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 9/05/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/05/09/66796/.

Herbal remedies are an overlooked global health hazard

Date: May 3, 2016

Source: Baylor College of Medicine

Summary:
Scientists raise are raising awareness that long-term use of herbal remedies is no guarantee of their safety. Herbal remedies are an overlooked global hazard.
Leaves of aristolochia.
Credit: © vvoronov / Fotolia

Millions of people around the world use herbal health remedies, following a tradition that began millennia ago. Many believe that herbs are safe because they have been used for many years, but researchers from Baylor College of Medicine and Stony Brook University are raising awareness that long-term use of herbal remedies is no guarantee of their safety. The invited commentary appears in EMBO reports.

Dr. Donald M. Marcus, professor emeritus of medicine and immunology at Baylor, and Dr. Arthur P. Grollman, distinguished professor of pharmacological sciences at Stony Brook University, discuss the scientific evidence showing that the plant Aristolochia can cause aristolochic acid nephropathy (AAN). People with this condition experience interstitial nephritis, renal failure and cancers of the urinary track.

The authors remark that in Taiwan, according to the national prescription database, between 1997 and 2003, 8 million people were exposed to herbals containing Aristolochia. Studies of patients with renal failure and cancer in Taiwan and China show that tens of millions of people in those countries are at risk of AAN.

In genetically susceptible people, consuming Aristolochia can lead to the formation of complexes between aristolactam, a compound in Aristolachia, and DNA in renal tissues. These complexes lead to mutations in the TP53 tumor suppressor gene, which in turn initiate the process toward kidney cancer. Additional studies have shown that this process may also lead to the development of cancer in the liver and the bladder.

Marcus and Grollman indicate that other herbals and traditional medicines are responsible for severe adverse events in Africa and Asia, but in these cases epidemiological data are lacking.

Although Aristolochia has been used as a herbal remedy for more than 2000 years, "the intrinsic toxicities were not recognized, owing, in large part, to the latency period between exposure and the onset of symptomatic disease, and, in part, to genetic determinants that confer susceptibility to only approximately 5 percent of those exposed to this herb," said the authors. The long-term scientific study of AAN revealed the association of the disease with Aristolochia.

Almost all carcinogens and many toxins require a long period of time before symptoms appear. This makes it very difficult for a layman or a professional to identify a particular compound as the cause of an illness when it was taken months or years earlier.

"The history of Aristolachia indicates that other herbs that have been used for a long time may also have toxic and/or carcinogenic compounds," said the authors. "It is prudent to assume that many herbs may contain toxic or carcinogenic substances that can cause subsequent health problems for humans."

Marcus and Grollman disagree with the World Health Organization's endorsement of the use of traditional herbal remedies on the premise that traditional medicine is of proven quality, without mentioning the lack of scientific evidence supporting the efficacy of herbal remedies or their demonstrated hazards, as in the case of Aristolochia.

The authors emphasize that their primary concern is "the prevention of toxicities associated with herbal medicine and not a categorical rejection of traditional healing practices. Herbal remedies pose a global hazard. We encourage the global health community to take actions that will evaluate both long- and short-term safety, as well as the efficacy of botanical products in widespread use."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided by Baylor College of Medicine. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
A. P. Grollman, D. M. Marcus. Global hazards of herbal remedies: lessons from Aristolochia: The lesson from the health hazards of Aristolochia should lead to more research into the safety and efficacy of medicinal plants. EMBO reports, 2016; 17 (5): 619 DOI:10.15252/embr.201642375

Cite This Page:
Baylor College of Medicine. "Herbal remedies are an overlooked global health hazard." ScienceDaily. ScienceDaily, 3 May 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/05/160503130532.htm>.

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