Imagine se muitas pessoas do país A estivessem enviando para
o país B, e a preço bem barato, várias toneladas por ano de uma droga
totalmente natural e livre de produtos químicos sintéticos, absolutamente
não-perigosa embora muito pouco conhecida, mas considerada por médicos
como excelente remédio contra inúmeros e gravíssimos problemas que afetam
a saúde de muitas pessoas do país B, como o câncer. As autoridades do país B
poderiam até ficar em dúvida se deveriam combater ou incentivar a entrada de tão
maravilhosa droga, inclusive por causa do grande interesse despertado na
indústria… Esta historinha se parece com o que aconteceu, lá pelo início
da década dos anos 1990, com a própolis verde brasileira entrando no Japão.
Um importante trabalho científico de pesquisadores japoneses
sobre a própolis verde brasileira, publicado em 1994, foi direto ao ponto
principal: o ácido 3,5-diprenil-4-hidroxicinâmico (artepillin C) foi encontrado
em altas proporções no extrato bruto etanólico e apresentou atividades
antimicrobianas impressionantes (referência 1). Em 1998, um estrombólico
segundo artigo sobre o artepillin C demonstrou fortes atividades contra
diversas cepas de câncer (referência 2). Depois deste estrondo, em 1999,
pelo menos dois grupos de pesquisadores japoneses vieram pessoalmente a Minas
Gerais, Brasil, para fazer as primeiras observações de campo estabelecer
cabalmente qual é a fonte botânica da própolis verde brasileira. O primeiro
grupo era formado por pesquisadores da University of Shizuoka e da
empresa Api Corporation Ltd. (referência 3), e não mencionam em
seu artigo nenhum contato com instituição ou pesquisador brasileiro: ao que
parece, ultrapassaram os limites de qualquer ética e ainda publicaram em
detalhes do que fizeram. O segundo grupo japonês de pesquisadores era
da Toyama Medical and Pharmaceutical University e trabalhou em
cooperação com a Universidade de Viçosa - MG, Brasil, numa pesquisa
analítica comparando a composição química de extratos das folhas de B.
dracunculifolia com extratos da própolis verde brasileira (referência 4).
O trabalho de síntese do artepillin C, desenvolvido na University of
Tokushima, resultou em outro bombástico artigo e numa importantíssima patente
que gera hoje negócios de milhões de dólares anuais (referência 5).
Algumas outras referências importantes sobre a composição química e a
bioatividade da própolis verde brasileira, e seus links são também dados abaixo
no item References online.
References online
1.- Isolation and identification of antimicrobial
compounds in Brazilian propolis. Biosc. Biotech. Biochem., 58(5):
945-946, 1994.
2.- Apoptosis and suppression of tumor growth
by artepillin C extracted from Brazilian propolis. Cancer
Detection and Prevention, 22(6): 506-515, 1998.
3.- Direct evidence for the plant origin of Brazilian
propolis by the observation of honeybee behavior and phytochemical analysis. Chemical
and Pharmaceutical Bulletin, 51(6): 740-742, 2003.
4.- Buds of Baccharis dracunculifolia: potent source of
biologically active caffeoylquinic acids and labdane-type diterpenes from
Brazilian propolis. Journal of Traditional Medicine, 20: 187-194,
2003.
5.- First total synthesis of artepillin C established
by o, o’-diprenylation of p-halophenols in water. Jounal of
Organic Chemistry, 67(7): 2355–2357, 2002.
6.- Artepillin C isoprenomics: Design and synthesis of
artepillin C analogues as antiatherogenic antioxidants. Advances in
Experimental Medicine and Biology, 578(5): 113-118, 2006.
7.- Plant origin of green propolis: bee behavior, plant
anatomy and chemistry. eCAM2(1): 85–92, 2005.
8.- Two related cinnamic acid derivatives from Brazilian
honey bee propolis, baccharin and drupanin, induce growth inhibition in
allografted sarcoma S-180 in
mice. Biological and Pharmaceutical Bulletin, 28(6): 1025—1030, 2005.
9.- Propolis analysis. Ciênc. Tecnol. Aliment.,
Campinas, 26(1): 171-178, 2006.
10.- Bauer-7-en-3b-yl acetate: a major constituent of
unusual samples of Brazilian propolis. Quim. Nova, 29(2): 245-246,
2006.
11.- Constituents of the essential oil of Brazilian
green propolis from Brazil. J. Essent. Oil Res., 20 (September/October),
2008.
12.- Um marcador químico de fácil detecção para a própolis
de Alecrim-do-Campo (Baccharis dracunculifolia DC.). Brazilian
Journal of Pharmacognosy, 18(3): 379-386, 2008.
13.- Analysis of a Brazilian green propolis from Baccharis
dracunculifolia by HPLC-APCI-MS and GC-MS. Brazilian Journal of
Pharmacognosy, 18(4): 549-556, 2008.
14.- Comparison of volatile and polyphenolic compounds in
Brazilian green propolis and its botanical origin Baccharis
dracunculifolia. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas,28(1): 178-181,
2008.
15.- Estudo químico de uma amostra de própolis verde de
Passa Quatro, Minas Gerais, Brasil. Quim. Nova, 33(10): 2051-2054,
2010.
16.- Caffeoylquinic acids are major constituents with potent
anti-influenza effects in Brazilian green propolis water extract. Evidence-Based
Complementary and Alternative Medicine, Article ID 254914, 7 pages, 2011.
17.- Analytical methods applied to diverse types of
Brazilian propolis. Chemistry Central Journal, 5:27, 10 pages, 2011.
Data: 26.08.2012
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