quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Maranhão: Governo estrutura ações de saúde voltadas para povos e comunidades de matriz africana

13/01/2017
Representantes das secretarias de Igualdade Racial, Saúde e Agricultura Familiare e das comunidades de matriz africana durante reunião na sede da SEIR. Foto: Francisco Campos/SES

Com a proposta de promover saúde apoiando a cultura dos povos e comunidades de matriz africana, o Governo do Estado está integrando os projetos ‘Minha folha, minha cura’, da Secretaria de Estado de Igualdade Racial (SEIR), e ‘Farmácia Viva’, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e conta ainda, com o apoio da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) e Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (Agerp).

Na manhã dessa quarta-feira (11), representantes das instituições reuniram-se na sede da SEIR para estruturar as ações que serão implantadas, inicialmente, em oito terreiros da Região Metropolitana, sendo na área Itaqui-Bacanga, São José de Ribamar e Paço do Lumiar, além das rotas quilombolas de Serrano e Icatu.

O ‘Minha folha, minha cura’, está dentro do Programa ‘Maranhão Quilombola’ e busca aproveitar os conhecimentos sobre a medicina tradicional, aproveitando o que já é feito pelas famílias em suas comunidades, usando plantas medicinais. “O trabalho da SEIR tem sido ampliado e alcançado mais resultado por meio de uma ação conjunta com a SES e agora também com a força da SAF e Agerp”, considerou o secretário de Estado de Igualdade Racial, Gerson Pinheiro.

O ‘Farmácia Viva’ fortalece a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (SUS) e orienta a população, de forma técnica, a fazer o uso correto das plantas medicinais, o que auxilia no combate a doenças infecciosas, disfunções metabólicas, doenças alérgicas e traumas diversos. Além disso, todos os produtos utilizados são supervisionados e autorizados pela Vigilância Sanitária (Visa).

“A SEIR já desenvolvia ações para estimular a manutenção das tradições desses povos de matriz africana e quilombolas, no sentido de manter o que eles já realizam relacionado aos tratamentos naturais. Aliado à Farmácia Viva, poderemos oferecer um suporte ainda maior a essa população, consolidando resultados mais significativos”, reiterou o secretário Gerson Pinheiro.

Ação conjunta
Representantes das secretarias de Igualdade Racial, Saúde e Agricultura Familiar e das comunidades de matriz africana durante reunião na sede da SEIR. Foto: Francisco Campos/SES

A Política de Educação Popular em Saúde da SES também está inserida no projeto para auxiliar no processo de aprendizado das comunidades tradicionais. “O objetivo principal da educação popular é fortalecer as práticas culturais e tradicionais. Por isso, começamos a articulação para conseguir – através dos hortos que já existem nos terreiros – proporcionar qualidade de vida e, para que se tenha serviços de saúde, se tenha uma amplitude do cuidado dentro das comunidades”, pontuou Claudiana Cordeiro, chefe do departamento de Educação em Saúde da Secretaria (SES).

Segundo o gestor de povo e comunidades de matriz africana da SEIR, Sebastião Cardoso, no geral, a execução do projeto envolverá o trabalho com as plantas medicinais, oficinas sobre Meio Ambiente e manuseio das plantas para fins fitoterápicos, Educação Popular em Saúde e Iniciativas de Empreendedorismo.

“Essa parceria é importante para colocar em prática o Plano de Matriz Africana, construído em conjunto com essas comunidades. Com a execução desse projeto, existe, sobretudo, a valorização da ancestralidade e do conhecimento tradicional de medicina popular. Ao mesmo tempo em que vai existir o conhecimento científico, haverá um resgate da memória das práticas da população negra”, justificou Sebastião Cardoso.

Link:

Revista Agriculturas V13, N3 – Agroecologia e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável


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