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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Biodiesel de óleo de palma ameaça Floresta Tropical e polui mais que diesel

O consumo de óleo de palma para a produção de biodiesel na Europa cresceu 2,6% em 2015, um aumento que ameaça a floresta tropical e que a Quercus (maior organização ambiental portuguesa) critica, já que esse combustível polui três vez mais do que o óleo diesel.

“O biodiesel europeu é atualmente o principal produto final resultante do óleo de palma, atingindo o índice inédito de 46%. Isso significa que os condutores são, apesar de inconscientemente, os maiores consumidores de óleo de palma na Europa”, diz comunicado da Quercus, que alerta para o impacto desse crescimento na destruição das florestas tropicais.

Segundo os dados apresentados pela organização ambientalista, o biodiesel produzido a partir de óleo de palma representou 32% de todo o biodiesel consumido na Europa em 2015 e por “2% de todo o diesel queimado”.

“De todos os biocombustíveis, o óleo de palma é o mais barato, sendo também o mais poluente. As suas emissões de gases de efeito estufa são três vezes mais elevadas do que as do diesel. Isso porque a expansão das plantações de palmeiras tem como consequência o desflorestamento e a drenagem de zonas úmidas em áreas de floresta tropical do Sudeste Asiático, da América Latina e de África, de enorme valor ecológico”, diz o comunicado.

A Quercus estima que se a “intensiva utilização” de óleo de palma na Europa fosse replicada no resto do mundo “seriam necessários 4,3 milhões de hectares de terreno nas regiões tropicais do planeta para alimentar essa procura”.

Segundo a associação, o que está em risco é “uma área equivalente às florestas tropicais que ainda restam nas áreas úmidas do Bornéu [ilha do Sudeste Asiático], Sumatra (na Indonésia) e na península da Malásia”.

Um hectare equivale à dimensão de um campo de futebol profissional.

De acordo com versão preliminar de uma proposta sobre nova diretriz comunitária para as energias renováveis, a Comissão Europeia, disse a Quercus, “planeja continuar apoiando os biocombustíveis produzidos a partir de culturas alimentares, com uma meta para 2030 de 3,8% do total dos combustíveis no setor dos transportes – redução muito pequena em relação à cota dos biocombustíveis (4,9%) alcançada em 2014”.

“Essas previsões contradizem completamente a estratégia da própria Comissão Europeia para uma Mobilidade com Baixas Emissões, publicada em julho, onde se prometia uma descontinuação dos biocombustíveis à base de culturas alimentares”, lembra a organização.

Para a Quercus, é urgente e prioritário resolver essa situação, que pode acabar de vez com as florestas tropicais do planeta”. A organização fez um apelo à Comissão Europeia para eliminar a produção de biodiesel de produção agrícola até 2025, e de todos os biocombustíveis de primeira geração até 2030.

Da Agência Lusa / ABr, in EcoDebate, 25/11/2016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Popeye was right: There’s energy in that spinach

Date: September 22, 2016

Source: American Technion Society

Summary:
Using a simple membrane extract from spinach leaves, researchers have developed a cell that produces electricity and hydrogen from water using sunlight. Based on photosynthesis, and technology paves the way for clean fuels from renewable sources.

Using a simple membrane extract from spinach leaves, researchers from the Technion-Israel Institute of Technology have developed a bio-photo-electro-chemical (BPEC) cell that produces electricity and hydrogen from water using sunlight. The raw material of the device is water, and its products are electric current, hydrogen and oxygen. The findings were published in the August 23 online issue of Nature Communications.

The unique combination of a human-made BPEC cell and plant membranes, which absorb sunlight and convert it into a flow of electrons highly efficiently, paves the way for the development of new technologies for the creation of clean fuels from renewable sources: water and solar energy.

The BPEC cell developed by the researchers is based on the naturally occurring process of photosynthesis in plants, in which light drives electrons that produce storable chemical energetic molecules, that are the fuels of all cells in the animal and plant worlds.

In order to utilize photosynthesis for producing electric current, the researchers added an iron-based compound to the solution. This compound mediates the transfer of electrons from the biological membranes to the electrical circuit, enabling the creation of an electric current in the cell.

The electrical current can also be channeled to form hydrogen gas through the addition of electric power from a small photovoltaic cell that absorbs the excess light. This makes possible the conversion of solar energy into chemical energy that is stored as hydrogen gas formed inside the BPEC cell. This energy can be converted when necessary into heat and electricity by burning the hydrogen, in the same way hydrocarbon fuels are used.

However, unlike the combustion of hydrocarbon fuels -- which emit greenhouse gases (carbon dioxide) into the atmosphere and pollute the environment -- the product of hydrogen combustion is clean water. Therefore, this is a closed cycle that begins with water and ends with water, allowing the conversion and storage of solar energy in hydrogen gas, which could be a clean and sustainable substitute for hydrocarbon fuel.

The study was conducted by doctoral students Roy I. Pinhassi, Dan Kallmann and Gadiel Saper, under the guidance of Prof. Noam Adir of the Schulich Faculty of Chemistry, Prof. Gadi Schuster of the Faculty of Biology and Prof. Avner Rothschild of the Faculty of Material Science and Engineering.

"The study is unique in that it combines leading experts from three different faculties, namely three disciplines: biology, chemistry and materials engineering," said Prof. Rothschild. "The combination of natural (leaves) and artificial (photovoltaic cell and electronic components), and the need to make these components communicate with each other, are complex engineering challenges that required us to join forces."

Story Source:

The above post is reprinted from materials provided byAmerican Technion Society. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Roy I. Pinhassi, Dan Kallmann, Gadiel Saper, Hen Dotan, Artyom Linkov, Asaf Kay, Varda Liveanu, Gadi Schuster, Noam Adir, Avner Rothschild. Hybrid bio-photo-electro-chemical cells for solar water splitting. Nature Communications, 2016; 7: 12552 DOI:10.1038/ncomms12552

Cite This Page:
American Technion Society. "Popeye was right: There’s energy in that spinach." ScienceDaily. ScienceDaily, 22 September 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/09/160922085743.htm>.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Óleo para o biodiesel

29 de julho de 2016

Marcos Oliveira | Revista Pesquisa FAPESP – Um decreto presidencial de abril deste ano elevou a porcentagem da adição de biodiesel no diesel, que passará de 7% para 8% até 2017 e chegará a 10% em 2019. No ano passado, o país produziu 3,9 bilhões de litros de biodiesel – um crescimento de 15% em relação a 2014 –, ficando em segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos e na frente da Alemanha e da Argentina.

A demanda esperada para 2020 é de 7 bilhões de litros. Em 2015, 76,5% do biodiesel no Brasil foi feito com soja, 19,4% com gordura animal, 2% com algodão e mais 2,4% com outros tipos de matérias-primas, como óleo de cozinha usado, dendê, entre outros. A produção desse biocombustível se dá por meio de um processo químico chamado de transesterificação, em que é misturado um óleo vegetal ou gordura de origem animal ao metanol, um álcool extraído do gás natural, e mais um catalisador, uma substância química. Para cada mil litros de óleo são necessários 300 litros de metanol.

O aumento da participação do biodiesel no diesel vai estimular a demanda por matérias-primas para o fabrico do óleo vegetal. As opções são muitas. A mais recente, que é objeto de estudo de várias instituições de pesquisa brasileiras, é o óleo do fruto da macaúba, uma palmeira encontrada em quase todo o Brasil, do norte de Minas Gerais até o norte da Argentina. Ela é a mais nova promessa para a produção de biodiesel. O que atrai na planta é a quantidade de óleo que essa cultura sem nenhum melhoramento agronômico produz num espaço de 10 mil metros quadrados ou 1 hectare (ha): até 4 mil litros (l). A título de comparação, a soja rende 500 l/ha.

A FAPESP apoia três projetos de Pesquisas sobre o óleo de macaúba: o estudo da estrutura genética da macaúba; a análise da diversidade genética da espécie para seleção de plantas matrizes; e um Projeto Temático envolvendo a produção de mudas comerciais visando ao biodiesel.

“A macaúba será extremamente importante para o futuro do biodiesel em alguns anos. É a cara do Brasil porque é uma planta nativa que está sendo muito pesquisada e em pouco tempo vai ganhar mercado”, comenta Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), que reúne os produtores. Ele garante que, com a capacidade industrial atual, é possível aumentar a oferta de biodiesel aos poucos, até atingir os 15% na composição com o diesel. Isso é possível porque quase toda a matéria-prima para o biodiesel é de subprodutos, como óleo de soja, gordura animal e óleo do caroço do algodão. Existe ainda o óleo de fritura, por exemplo, segundo Tokarski, uma fonte quase inexplorada. Dependendo da região, compra-se o litro por valores que vão de R$ 0,40/l a R$ 1,80/l.
Com o futuro aumento da produção do biocombustível, várias alternativas de matérias-primas deverão ser utilizadas (Foto: Palmeira de macaúba/Léo Ramos/Revista Pesquisa FAPESP)


Link:

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Brasil registra 41% de energias renováveis em 2015

Relatório mostra aumento de 4,6% na base energética renovável; uso coloca País entre os cem menores indicadores de emissão de CO2

A oferta interna de energia no Brasil registrou, em 2015, o equivalente a 299,2 milhões de toneladas de petróleo. Desse total, 41,2% correspondem à energia renovável – como energia eólica, biocombustíveis (etanol e biodiesel), biomassa, hidroelétricas, entre outros. Em relação a 2014, essa base energética era de 39,4% da capacidade do País. O indicador é superior ao verificado nos países desenvolvidos, que têm apenas 9,4% de renováveis.

Os dados são da Resenha Energética Brasileira de 2016, documento organizado pelo Ministério de Minas e Energias e publicado recentemente. A pesquisa mostra, também, as vantagens comparativas do Brasil na oferta de energia elétrica, com uma proporção de 75,5% de renováveis. Nos países desenvolvidos, o indicador é de 23,1%, e nos demais países, 22,5%.

Renováveis

O alto nível de renováveis permite ao Brasil um outro destaque, o de baixo indicador de emissões de CO2 por unidade de energia consumida. Em tCO2/tep (tonelada equivalente de petróleo), o indicador do Brasil é de 1,56, contra 2,25 nos países desenvolvidos, e de 2,35 na média mundial.

Na matriz dos transportes, o País registrou a participação de 21,4% de etanol e biodiesel. Nos países desenvolvidos, a bioenergia participava com apenas 4,1% em 2015, e nos demais países, a participação era ainda menos expressiva: 0,8%.

Na indústria, as vantagens comparativas do Brasil são também expressivas, mostrando uma participação de bioenergia sólida de 39,2% em 2015, contra 9,9% nos países desenvolvidos, e de 5,3% nos demais países. Os usos de bagaço de cana para calor de processo na produção de açúcar, da lixívia na produção de celulose, do carvão vegetal na produção de ferro-gusa e de lenha na indústria de cerâmica são os principais indutores do alto indicador brasileiro.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Minas e Energia

in EcoDebate, 08/06/2016

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Aterro sanitário no Ceará começa a produzir biogás gerado pelo lixo

Com características semelhantes ao gás natural, o biometano vai começar a ser produzido no Ceará a partir do Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc), localizado na Região Metropolitana de Fortaleza. O projeto, batizado de Gás Natural Renovável Fortaleza (GNR Fortaleza), é uma parceria do governo do estado e da prefeitura de Fortaleza com empresas privadas.

A primeira etapa da usina foi inaugurada ontem (11), com a ligação do sistema que trata os gases oriundos do lixo. O diretor da Ecometano, uma das empresas participantes do projeto, Márcio Schittini, explica que estão instalados nessa primeira fase cerca de 150 drenos verticais e horizontais nas áreas do aterro para a captação dos gases (serão 200 ao todo), que serão direcionados a uma unidade de tratamento dos gases onde ocorrerá a produção do biometano.

Segundo ele, a GNR Fortaleza vai começar produzindo 70 mil metros cúbicos (m³) de biometano por dia, podendo chegar até 150 mil m³/dia, fazendo do aterro o segundo maior produtor do biogás no Brasil (o primeiro é Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, que tem capacidade instalada para produzir 240 mil m³ do biogás por dia).

“Num primeiro momento, o gás terá uso industrial. Em seguida, chegará nas casas, nos táxis e, se almejarmos algo mais positivo, esse gás pode substituir o diesel usado nas frotas de ônibus e de caminhões de coleta.” A usina deve ficar pronta até o fim de 2017 e a primeira fase tem investimento de R$ 100 milhões.

Os exemplos descritos por Schittini serão alcançados a partir da segunda etapa do projeto, que inclui a construção de gasodutos que vão distribuir o biometano. Essa parte está sob responsabilidade do Governo por meio da Companhia de Gás do Ceará (Cegás), que explora o gás canalizado no estado.

Segundo o presidente da companhia, Antônio Cambraia, o biometano já tem como primeiro cliente uma indústria de cerâmica, que deverá consumir toda a produção inicial (70 m³/dia). Ele informa que será aberta neste mês licitação para a obra, com prazo de conclusão em 18 meses e investimento estimado em R$ 22 milhões. “No futuro, esse gasoduto vai se inserir na rede de gás da companhia e todos os segmentos poderão utilizar o gás produzido no aterro.”

Embora o biometano não esteja sendo aproveitado como produto nesta primeira fase, o diretor de serviços ambientais da Marquise, outra empresa parceira, Hugo Nery, ressalta que o processo inaugurado hoje já provoca um impacto positivo.

“O gás captado aqui ainda não está sendo aproveitado da forma como é previsto no projeto, mas já não está poluindo o ambiente da forma original porque o estamos transformando em CO2, que é 25 vezes menos poluente que o metano.”

Márcio Schittini destaca que a produção de biometano vai além da vida útil do aterro sanitário. “O biogás continua sendo produzido por muitos anos depois que o aterro acaba. O projeto tem uma vida útil, mas o planejamos para durar, pelo menos, 30 anos.”

O Asmoc recebe mais de 5 mil toneladas por dia de resíduos sólidos oriundos de Fortaleza e Caucaia. A área do aterro está em expansão e, após a conclusão do processo, deverá ter vida útil de 17 anos e seis meses.

Por Edwirges Nogueira, da Agência Brasil, in EcoDebate, 12/04/2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Brasil é um dos dez maiores investidores em energia renovável do mundo, aponta relatório do PNUMA

Agência ambiental da ONU calculou que, em 2015, investimentos globais em energias renováveis atingiram o valor histórico de 286 bilhões de dólares. Recursos para energia solar no Brasil chegaram, pela primeira vez, às centenas de milhões, alcançando o equivalente a US$ 657 milhões. Energia eólica dominou mercado brasileiro, angariando 5,7 bilhões em recursos.


Investimentos em energias renováveis atingiram o valor de 286 bilhões de dólares em 2015. O montante é um dos mais altos já registrados e foi, pela primeira vez, maior que o dobro do registrado para os recursos gastos com carvão e gás.

Além de quebrar este recorde, 2015 também foi o primeiro ano em que países em desenvolvimento investiram mais em energias limpas do que as nações desenvolvidas. O Brasil esteve entre os dez maiores investidores do mundo.

As informações são de um novo relatório publicado na sexta-feira (25) e elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em parceria com o organismo de Finanças de Nova Energia da Bloomberg (BNEF) e o Centro de Colaboração para o Clima e o Financiamento de Energia Sustentável da Escola de Frankfurt e da agência da ONU.

A pesquisa revela que fontes renováveis geraram 134 gigawatts adicionais em 2015, em comparação com os 106 GW produzidos em 2014. O valor equivale a 54% de toda a potência energética adicional produzida no ano passado. Essa quantidade de energia limpa impediu que 1,5 gigatonelada de gás carbônico fosse liberada na atmosfera. Desde 2004, países teriam investido 2,3 trilhões em energias renováveis.

Somados, os investimentos da China, Índia e Brasil – os “três gigantes” – registraram um aumento de 16% em 2015, alcançando 120,2 bilhões de dólares. A China responde pela maior fatia deste volumoso orçamento – quase 100 bilhões.

Recursos do Brasil foram calculados em cerca de 7 bilhões. A maior parte dos investimentos foi destinada à produção de energia eólica (5,7 bilhões). Estimativas indicam que esse tipo de energia produziu dois gigawatts a mais em 2015 para o país.

Também no ano passado, pela primeira vez, os projetos brasileiros em energia solar alcançaram a casa das centenas de milhões, chegando a 657 milhões de dólares. Segundo o relatório, isso poderia indicar o início de um novo grande mercado para o uso de placas fotovoltaicas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi citado pela pesquisa como o quarto banco de desenvolvimento mais ativo do mundo no setor de financiamento de projetos de energia limpa.

O organismo brasileiro informou ao PNUMA e às outras instituições responsáveis pela pesquisa que emprestou o equivalente a 1,8 bilhão de dólares para iniciativas envolvendo energia eólica.

Quando considerados os investimentos globais, o documento mostra que as energias solar e eólica dominaram a produção limpa em 2015, gerando 118 gigawatts do total. Esse cálculo do PNUMA excluiu os valores associados a grandes hidrelétricas.

O uso de biomassa, de energia geotermal, de resíduos e de pequenas hidrelétricas produziu quantidades mais modestas de potência de acordo com a pesquisa.

“O acesso à energia limpa e moderna é de enorme valor para todas as sociedades, mas especialmente em regiões onde a energia confiável pode oferecer profundas melhorias para a qualidade de vida, o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade ambiental”, afirmou o diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner.


in EcoDebate, 31/03/2016

sábado, 2 de abril de 2016

Usos de biodiesel no Brasil e no Mundo


O Mapa acaba de lançar o estudo “Usos de Biodiesel no Brasil e no Mundo”. Você vai encontrar um rico conteúdo sobre consumo de combustível; emissões; partida a frio; potência e desempenho; durabilidade; desgaste de componentes e muito mais a respeito do biodiesel. Baixe agora:http://bit.ly/1O8ILTQ

quinta-feira, 17 de março de 2016

‘Liberte-se dos Combustíveis Fósseis’: mobilizações intensificadas em nível global

Termelérica a carvão. (AP Photo/Chris Carlson)

“Liberte-se dos Combustíveis Fósseis”: mobilizações intensificadas em nível global para encerrar a era dos combustíveis fósseis

Foi lançada a plataforma global “Liberte-se”, trazendo uma série de grandes ações pacíficas, com o objetivo de acabar com o poder da indústria dos combustíveis fósseis, tomando como alvos os projetos mais perigosos e desnecessários do mundo relativos aos combustíveis fósseis.

Em maio, milhares de pessoas do mundo todo participarão de ações que ocorrerão nos seis continentes e que pretendem parar os combustíveis fósseis sujos e acelerar a transição justa para 100% de energia renovável. Grandes ações estão sendo planejadas atualmente em países como Indonésia, Nigéria, Brasil, Estados unidos, Alemanha, Filipinas, Austrália e muitos outros, lideradas por comunidades que lutam há anos contra perigosos projetos de combustíveis fósseis.[2]

Depois do ano mais quente já registrado na história, comunidades de todo o mundo exigem que os governos façam algo além dos compromissos firmados como parte do acordo de Paris, resultante da cúpula climática que ocorreu em dezembro. Para lidar com a crise climática atual e manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, os projetos que envolvem combustíveis fósseis precisam ser engavetados, e a infraestrutura existente precisa ser substituída imediatamente.

“A ciência é clara: precisamos manter pelo menos 80% das reservas de combustíveis fósseis no subsolo”, afirmou Payal Parekh, diretora global da 350.org. “Comunidades do mundo todo estão sofrendo em primeira mão as consequências das mudanças climáticas e os danos causados pela indústria dos combustíveis fósseis. Cabe a nós nos libertarmos dos combustíveis fósseis e acelerarmos a guinada rumo a uma transição justa para 100% de energia renovável. Está em nossas mãos a possibilidade de preencher a lacuna entre o que os compromissos atuais alcançarão e o que a ciência considera necessário para proteger nosso lar.”

O comprometimento do movimento climático em aumentar a resistência à indústria dos combustíveis fósseis chega em um momento em que a energia renovável já é mais acessível e disseminada do que nunca. Essas novas ferramentas dão às comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas novas maneiras de reagir à crise e criar seu próprio poder.

“Avançar em direção a 100% de energia renovável é possível se houver vontade política de fazer mudanças”, disse o ativista contra o carvão do Greenpeace na Indonésia, Arif Fiyanto. “Não existem grandes barreiras técnicas ou econômicas para um futuro apoiado em energias renováveis. Qualquer nova infraestrutura criada para apoiar a expansão dos combustíveis fósseis — como minas de carvão, usinas elétricas, plataformas de petróleo e terminais de exportação — será um desperdício de recursos e continuará a nos manter em um caminho rumo à mudanças climáticas irreversíveis”.

Depois de Paris, a indústria dos combustíveis fósseis está apavorada com os preços em queda e com empresas indo à falência. Agora, uma desobediência civil de grande porte mostrará que a licença social de operação concedida a essa indústria está evaporando a olhos vistos. Essa desobediência civil pacífica conta com pessoas de todos os estilos de vida, e não só ativistas climáticos experientes, desafiando tanto os políticos quanto os poluidores para que acelerarem a transição energética irrefreável que já está acontecendo.

Um exemplo disso é a ação Ende Gelände (na tradução, “aqui e não mais além”), que ocorreu no ano passado e em que 1500 pessoas participaram de um ato ousado de desobediência civil para parar a maior fonte emissora de CO2 da Europa. Com a urgência batendo à porta, Hanna Eichberger, desse grupo ativista contra o carvão, disse: “chegou a hora de uma transição energética vinda das bases, que troque uma fonte energética por outra e aborde as verdadeiras causas da destruição da natureza e da injustiça social: o poder corporativo motivado pelo lucro”.

As lutas contra a indústria dos combustíveis fósseis e a destruição ambiental, social, econômica e política causada por eles já estão acontecendo em várias regiões há muitos anos.

“Os combustíveis fósseis trouxeram uma poluição tremenda ao Delta do Níger, além de abusos inimagináveis em relação aos direitos humanos, prejudicando muito as comunidades”, afirmou Nnimmo Bassey, ativista nigeriano da Health of Mother Earth Foundation (na tradução, Fundação pela Saúde da Mãe Terra). “O petróleo bruto já é passado e não tem futuro. Não podemos deixar que os viciados em combustíveis fósseis queimem o planeta. A hora da virada é agora. Ninguém vai nos libertar. Precisamos nos libertar por conta própria”, concluiu.

Essas mobilizações pacíficas que ocorrerão em maio no mundo todo representam um ponto importante na trajetória do movimento climático para aumentar a pressão sobre a indústria dos combustíveis fósseis. A batalha global para finalmente nos libertarmos dos combustíveis fósseis continuará transformando esta luta em algo que o mundo não pode mais ignorar.

NOTAS:

[1] Para mais informações, acesse: liberte-se.org

[2] Destaques de algumas ações planejadas nos seis continentes incluem:

Alemanha: no ano passado, 1500 pessoas entraram no poço de uma mina de carvão (lignito) na Renânia, e em maio deste ano outras centenas irão para a Lusácia, onde comunidades locais lutam há anos contra a mineração e os reassentamentos. Lá, elas se engajarão em uma ação de desobediência civil para parar a escavação em uma das maiores minas de lignito a céu aberto, que a empresa sueca Vattenfall colocou à venda. A ação mostrará para qualquer futuro comprador que toda tentativa de desenvolvimento na indústria do carvão enfrentará resistência, e também demonstrará o comprometimento do movimento com um tipo diferente de sistema energético que priorize as pessoas e o planeta em vez do poder corporativo e do lucro.

Nigéria: as ações no Delta do Níger acontecerão em três localidades icônicas que representam as décadas de espoliação na região. As ações mostrarão claramente que a Nigéria, ou mais ainda, a África, não precisa das atividades poluidoras da indústria dos combustíveis fósseis. Elas também reafirmarão o fato de que a ação das pessoas continua sendo o caminho viável para salvar o planeta do vício que a humanidade tem em relação aos combustíveis fósseis.

Turquia: líderes comunitários na região do Izmir confrontarão as táticas ilegais por trás do plano da indústria do carvão de construir mais quatro usinas de extração perto de suas casas, além da operação ilegal que ocorre atualmente. Eles se reunirão nos portões da enorme (e crescente) montanha de rejeitos usada pelas usinas de carvão das redondezas, contra uma ordem judicial de descartar os resíduos perigosos da queima do carvão sujo. Essa ação reunirá diversas lutas contra usinas de carvão específicas, em um posicionamento unificado contra o plano atual do governo turco de expandir consideravelmente o uso do carvão no país.

Austrália: à medida que as eleições se aproximam, ativistas levarão o crescente movimento climático do país até o maior porto de carvão do mundo, que fica em Newcastle, e demonstrarão sua determinação para transformar o clima em uma questão central nas próximas eleições e para continuar resistindo contra o carvão, independente de quem estiver ocupando a cadeira de primeiro-ministro.

Brasil: ambientalistas, representantes de povos originários e tradicionais darão as mãos em quatro ações pacíficas diferentes, abordando questões centrais da infraestrutura de petróleo e gás no país – desde as operações de fracking para extração de gás em terras indígenas até o local onde ele é queimado, passando por seu transporte arriscado. Os detalhes exatos ainda são confidenciais, mas espera-se a participação de milhares de pessoas em mais de uma semana de ação em todas as regiões do país.

Estados Unidos: ativistas abordarão cinco áreas principais de desenvolvimento dos combustíveis fósseis: novos oleodutos para areia betuminosa no meio-oeste, com uma ação perto de Chicago; fracking na área montanhosa do oeste com um evento nas proximidades de Denver; “trens-bomba” carregando petróleo e gás proveniente de operações de fracking para um porto em Albany, no estado de Nova York; a poluição devastadora da refinaria da Shell no norte de Seattle; e os perigos da perfuração para petróleo e gás em Los Angeles. Essas ações intensificarão as importantes campanhas locais que abordam as práticas injustas da indústria dos combustíveis fósseis, que prejudicam pessoas pobres e não brancas com a poluição causada por essa indústria.

Colaboração de Jenny Zapata López – 350.org, in EcoDebate, 11/03/2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Bionergia e mobilidade urbana sustentável, artigo de Reinaldo Dias

[EcoDebate] A poluição do ar é um problema grave nas grandes cidades e que afeta a saúde e o bem-estar humano, causando milhares de mortes anualmente no Brasil. Relatório da Organização Mundial da Saúde – OMS divulgado no final do ano passado indica que no mundo todo as emissões de poluentes no ar provocam a morte de 7 milhões de pessoas por ano, além de contribuir para as mudanças climáticas.

Somente no Estado de São Paulo morreram em 2011 mais de 15.000 pessoas, o que representa o dobro do número de óbitos por acidentes de transito de acordo com estudo apresentado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade no segundo semestre de 2015. O mesmo estudo aponta que a má qualidade do ar atinge a todos indistintamente diminuindo a expectativa de vida em 1,5 ano.

A principal fonte de poluição do ar nos grandes centros urbanos é a emissão de gases produzida pela utilização de combustíveis fósseis, principalmente o óleo diesel, que gera gases nocivos à saúde como o monóxido de carbono (CO), o dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2) e material particulado que causam inúmeras doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer do pulmão entre outras.

Uma vez constatada a gravidade da situação, há medidas que podem ser adotadas para aliviar a pressão dos gases sobre o clima e a saúde humana. Uma das medidas mais efetivas e de curto prazo para enfrentar o problema está na diminuição da utilização dos combustíveis fósseis como alternativa energética predominante na movimentação da frota de veículos e a sua substituição gradativa por fontes renováveis como a bioenergia gerada a partir de biomassas como o álcool e o biodiesel.

No Brasil as medidas são ainda tímidas diante da gravidade do problema. Está em vigor a obrigatoriedade de percentual de 7% de biodiesel a ser acrescido ao óleo fóssil, numa mistura conhecida como B7. Em comparação, Londres terá um terço da frota de ônibus operando com diesel verde B20, feito a partir de mistura de diesel com biodiesel renovável, gerado a partir de resíduos como óleo de cozinha usado e sebo da indústria de processamento de carne.

Notícia positiva é que a partir deste ano o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou o uso voluntário de biodiesel em quantidades superiores ao percentual obrigatório. Ao abrir essa possibilidade fica aberta a perspectiva de utilização do diesel verde – óleo de soja, por exemplo – quando seu preço for competitivo. Embora positiva há um aspecto que deve ser considerado, qual seja, é que os problemas causados pela poluição ficam atrelados a uma abordagem meramente econômica, custo baixo dos combustíveis renováveis. Nesse sentido a medida é claramente insuficiente e não atende a necessidade de evitar a permanência da mortandade causada pela poluição.

A questão da poluição do ar deve estar, prioritariamente, vinculada à preservação da saúde pública e a qualidade de vida. Neste contexto, as ações devem ser mais incisivas por parte o Estado. Trata-se de salvar vidas, não se justificando a adoção de medidas tímidas e paliativas.

Há óleo verde em quantidades suficientes, pois segundo a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (ABIOVE), as usinas de biodiesel do Brasil operam com 40 por cento de ociosidade. Além disso, o potencial de expansão das culturas de biodiesel é enorme.

Há que se considerar, ainda, que além do biodiesel o país tem outros componentes da biomassa em abundância e que podem ser utilizados para diminuir a contaminação do ar. Entre os mais acessíveis está a utilização do álcool misturado com combustíveis fósseis e a utilização do óleo de cozinha, que ao ser reciclado deixa de contaminar cerca de 20 mil litros de água.

O aumento da utilização da bioenergia deve, portanto, priorizar o social e o ambiental, sem desconsiderar o aspecto econômico. Para que isso ocorra, e o bem comum prevaleça, o Estado tem papel fundamental na regulação da atividade, pois o livre jogo do mercado não contabiliza as mortes e doenças provocadas pela poluição.

*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pela Unicamp. É especialista em Ciências Ambientais.

in EcoDebate, 18/02/2016
"Bionergia e mobilidade urbana sustentável, artigo de Reinaldo Dias," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/02/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/02/18/bionergia-e-mobilidade-urbana-sustentavel-artigo-de-reinaldo-dias/.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Energia solar em telhados gera renda e melhorias no sertão baiano

Residenciais com energia solar gerada nos telhados ultrapassaram a marca de R$ 2 milhões em receita obtida com a venda da energia elétrica à distribuidora local
Microusina nos telhados tem potencial para produzir energia para abastecer 3,6 mil domicílios por ano. Foto: Caixa

Com 9.144 placas fotovoltaicas instaladas nos telhados dos blocos com quatro ou seis apartamentos, os conjuntos vizinhos do Minha Casa Minha Vida, lar de mil famílias de baixa renda, têm potencial para produzir 2,1 Megawatts (MW), capazes de abastecer 3,6 mil domicílios por ano. Transformados na maior microusina de energia solar do País, os residenciais Praia do Rodeadouro e Morada do Salitre, em Juazeiro, no sertão baiano, ultrapassaram a marca de R$ 2 milhões em receita obtida com a venda da energia elétrica à distribuidora local.

Os 5,465 Gigawatts-hora (GWh) comercializados renderam R$ 2,27 milhões líquidos entre fevereiro de 2014 e novembro de 2015 — os dados podem ser acompanhados pelo site,com defasagem de um dia. Desse bolo, uma fatia de 60% vai para o bolso das famílias, 30% são aplicados num fundo para o condomínio e a associação de moradores e os 10% restantes pagam as despesas de manutenção dos residenciais.

Investimento

Em dinheiro, o fundo de investimento arrecadou R$ 683 mil no período, o que lhe permitiu bancar melhoramentos como a reforma e ampliação dos centros comunitários, antes ocupando quiosques abertos, além da instalação de sala de informática, parada de ônibus coberta, sinalização de trânsito e de serviços de atendimento médico, odontológico e psicológico.

Os investimentos foram decididos pelos próprios moradores via associação. E mais: não há taxa de condomínio, e cada família recebeu R$ 1.366 até novembro de 2015, ou uma média de R$ 62 mensais, valor suficiente para cobrir as prestações mensais do programa Minha Casa Minha Vida, que variam de R$ 25 a R$ 80.

Modelo Sustentável

O Fundo Socioambiental Caixa investiu R$ 6 milhões em recursos não reembolsáveis no projeto, implantado pela Brasil Solair, que entrou com contrapartida de R$ 880 mil. A empresa também instalou seis torres de microgeração eólica, que produzem a energia que abastece as áreas comuns dos condomínios.

“Os resultados desse projeto são surpreendentes e nos motivam a buscar novos modelos de negócio para promover a sustentabilidade dos condomínios do Minha Casa Minha Vida”, afirmou Mara Alvim Motta, gerente executiva da Gerência Nacional de Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental da Caixa.
Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Caixa

in EcoDebate, 07/01/2016

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Governo lança programa para estimular a geração de energia solar pelos consumidores

A geração de energia solar pelos próprios consumidores deverá movimentar mais de R$ 100 bilhões em investimentos até 2030. A estimativa é do Ministério de Minas e Energia, que lançou ontem (15) o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), que tem como objetivo estimular e ampliar a geração distribuída com fontes renováveis em residências, indústria, comércio, além de universidades e hospitais.

Com a geração distribuída, os consumidores que instalarem equipamentos para gerar a energia para seu próprio consumo, com placas solares, por exemplo, podem vender o excedente para a distribuidora de energia local. Os créditos podem ser utilizados em até cinco anos para diminuir a conta de luz em outros meses, quando o consumo for maior. O consumidor também poderá usar o crédito para abater a fatura de outros imóveis sob sua titularidade.

Os condomínios que quiserem instalar equipamentos para gerar a sua própria energia poderão repartir a energia entre os condôminos. Outra possibilidade é a formação de consórcios ou cooperativas para a instalação de sistemas de geração distribuída. O ministério estima, até 2030, a adesão de 2,7 milhões de unidades consumidoras e a geração de 48 milhões de mwh, que é a metade da geração da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Para o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, “O Brasil tem uma característica que é única: os nossos ventos e a nossa irradiação solar acontecem exatamente no período seco, não no período úmido. Então o nosso balanço energético será complementar”.

O consumidor que optar pela instalação de equipamentos para geração de energia distribuída terá isenção de ICMS sobre a energia que for fornecida para a rede da distribuidora. A energia que for lançada na rede pelo consumidor também ficará isenta de Pis/Pasep e Cofins.

Os bens de capital destinados à produção de equipamentos de geração solar terão a alíquota do Imposto de Importação reduzida de 14% para 2% até o fim de 2016. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai apoiar os projetos de eficiência energética e de geração distribuída em escolas e hospitais públicos com recursos a taxas diferenciadas.

Outras medidas previstas no programa são a criação e expansão de linhas de crédito e financiamento de projetos de sistemas de geração distribuída; o incentivo à industria de componentes e equipamentos e o fomento à capacitação e formação de profissionais para atuar no setor. Também está prevista a capacitação e formação de recursos humanos para atuar na cadeia produtiva das energias renováveis.

Exemplo

O Ministério de Minas e Energia vai instalar placas fotovoltaicas para a geração de energia solar, que irá complementar o suprimento de energia elétrica do prédio. O primeiro sistema de geração distribuída da Esplanada dos Ministérios vai permitir uma economia de R$ 70 mil por ano em energia elétrica, e será feito em parceria com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Segundo o secretário de Energia Elétrica do MME, Ildo Grüdtner, a medida poderá ser adotada nos demais prédios da Esplanada dos Ministérios

Também foi anunciada a implantação de sistemas de geração de energia solar em lagos de usinas hidrelétricas. Serão instaladas estruturas flutuantes nos reservatórios de Sobradinho (BA) e Balbina (AM), com investimentos de R$ 100 milhões em recursos da Chesf e Eletronorte

Por Sabrina Craide , da Agência Brasil, in EcoDebate, 16/12/2015

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Gerando energia limpa com alto valor agregado

Por Da Redação - agenusp@usp.br
Publicado em 9/dezembro/2015

Gabriela Vilas Boas, da Assessoria de Imprensa da FFCLRP
Oxidação do glicerol possibilita obtenção da dihidroxiacetona, de alto valor agregado

Crescimento econômico com redução de emissões de gases. Essa parece a melhor solução para a equação que os países em desenvolvimento, como o Brasil, têm que resolver. Principalmente quando toda a sociedade espera ansiosamente por um pacto global que reduza as emissões de gases do efeito estufa que causa do aquecimento do planeta. E as discussões da vigésima primeira Conferência das Parques das Partes da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima, o COP21, realizada em Paris no final de novembro, mostram o tamanho do problema.

Nessa busca por produzir energia a partir de novas fontes renováveis, pesquisadoras do Laboratório de Eletroquímica e Eletrocatálise, do Departamento de Química, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, acabam de descobrir como gerar energia oxidando glicerol e ainda obter um subproduto de alto valor agregado, a dihidroxiacetona.

A técnica utilizada foi a oxidação dos álcoois, reação que quebra as ligações de carbono e as transformam em gás carbônico (CO2) ou carbonato (CO32-). Usando como álcoois o etanol e o glicerol, produziram eletricidade em baterias que podem ser alimentadas constantemente, as chamadas células de combustível (CC). Além disso, verificaram que, da queima do glicerol, resultou como subproduto, a dihidroxiacetona, que é vendida no mercado por R$214,00 o grama, enquanto que pelo glicerol, consegue-se apenas R$0,70.

Informa a pesquisadora responsável pelo trabalho, Lívia Martins da Palma, que atualmente o glicerol – também um subproduto da produção de biodiesel – é usado na indústria de cosméticos. Já a dihidroxiacetona é utilizada na fabricação de bronzeadores artificiais em cremes, loções ou a jato de bronzeamento artificial, nas vinícolas e também, na preservação do sangue em soluções fora do organismo. Como a dihidroxiacetona possui maior valor agregado, a geração de energia com a queima do glicerol pode se tornar mais vantajosa e lucrativa.

Quanto às vantagens para a produção de energia, usando o glicerol, não fica dúvidas. Trata-se de reciclagem de derivado do biodiesel, que não polui o meio ambiente e nem à saúde humana. E, comparando o seu uso em baterias, observa-se que, quando acaba o “combustível” armazenado nas baterias tradicionais, elas devem ser carregadas, ou seja, demanda tempo. Já as células de combustível possuem um tanque acoplado. “Portanto, quando se esgota o ‘combustível’ do tanque, é só reabastecê-lo”, afirma Lívia. Este processo é utilizado em motores estacionários, como geradores. Grandes empresas, como Honda e Toyota, já estão investindo nas células de combustível.

Como produzir energia limpa

Para investigar a oxidação do etanol e glicerol, Lívia empregou ligas de dois metais nobres, a platina e o paládio. Eles são resistentes à corrosão e oxidação, e conseguem acelerar a velocidade da reação química. Os metais foram inseridos num meio alcalino, que contém pH maior que sete, para reduzir custos e, também, aumentar a eficiência, gerando mais energia em menos tempo.

A célula a combustível é feita em duas partes. A primeira, no ânodo, polo condutor de corrente elétrica de um sistema, o combustível é oxidado, gerando elétrons que atravessam o circuito e que podem ser usados para gerar trabalho, como o funcionamento de um motor. Na segunda parte, os elétrons vão para o outro polo, chamado cátodo, onde o oxigênio será reduzido. “A reação de oxigênio é mais rápida em meio alcalino”, afirma a pesquisadora.

Para a obtenção de energia na célula é necessário que o combustível oxide por completo pelo catalisador, porém, isto muitas vezes não ocorre. “Quando a oxidação não se completa, formam-se os produtos intermediários, reduzindo a quantidade de energia obtida”, diz Lívia.

Alto custo ainda impede produção

A maior dificuldade deste processo de obtenção de energia ainda está nos custos, pois o material do ânodo e cátodo baseiam-se em platina, metal nobre muito caro. Outro ponto importante são os modelos de células a combustível que estão entrando no mercado. Estas usam hidrogênio como combustível que, apesar de ser altamente eficiente, ainda é muito caro e sua produção polui o meio ambiente. “Além de ser um gás que requer um tanque grande, é mais complicado na hora do abastecimento”, afirma a pesquisadora, garantindo ser mais fácil quando o combustível é líquido.

No Brasil e no mundo, existem vários grupos pesquisando células a combustível e diminuição de seus custos. No entanto, as pesquisadoras da USP festejam o grande diferencial obtido em seu modelo, o produto dihidroxicetona. “A vantagem é usar um sistema consorciado, onde se gera energia e produz concomitantemente produtos com maior valor a partir de um subproduto do biodiesel. Assim, não teremos desperdício, muito pelo contrário, teremos mais lucro”, afirmam.

A próxima etapa do trabalho é diminuir a quantidade de platina/paládio a ser empregada nos eletrodos para baratear e viabilizar o uso da tecnologia das células a combustível.

Os resultados da química Lívia foram obtidos em sua tese de doutoradoDesenvolvimento de células a combustível de álcoois direta: produção de protótipos de alta potência, defendida em maio deste ano, sob orientação da professora Adalgisa Rodrigues de Andrade, do Departamento de Química, da FFCLRP.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Mais Informações: ardandra@ffclrp.usp.br

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Gastar menos energia é melhor ação contra aquecimento global

Por Hérika Dias - herikadias@usp.br
Publicado em 10/dezembro/2015

Com informações do Serviço Técnico de Relações Institucionais, Comunicação, Editoração e Publicações do IEE
Uso eólico priorizado e menos energia suja são melhores alternativas ao aquecimento

A meta internacional de manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC pode não ser cumprida se o foco das ações for apenas na implantação de tecnologias de emissões negativas de carbono. Procurar gastar menos energia “suja”, como petróleo, carvão, e priorizar o uso eólico, solar e de biomassa são as melhores alternativas.

O alerta consta do estudo Biophysical and economic limits to negative CO2 emissions, publicado no dia 7 de dezembro, na revista especializada Nature Climate Change.

“As emissões negativas são tecnologias que permitem você remover da atmosfera o gás carbônico e outros gases do efeito estufa que já foram lançados na atmosfera”, explica o professor José Moreira, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE) da USP, coautor do estudo que foi liderado pelo professor Pete Smith, da Universidade de Aberdeen (Reino Unido).

A discussão de formas de conter o aquecimento global é importante, principalmente, neste momento, quando está ocorrendo a Conferência do Clima de Paris (COP 21), na França. De 30 de novembro a 12 de dezembro, lideranças de 196 países do mundo discutem um acordo mundial para conter o aquecimento global abaixo dos 2ºC até ao final do século. Esse limite de 2ºC foi acordado pela primeira vez em Copenhague, em 2009 e, depois, aprovado na Cúpula do Clima em Cancún, em 2010.

Segundo o professor Moreira, a preocupação dos cientistas é de que alguns políticos mundiais estejam “se esforçando pouco” em diminuir as emissões de gás carbônico, principal responsável pelo aumento da temperatura terrestre. “Isso pode ser consequência da crença de alguns dos tomadores de decisão em avaliações científicas de que se poderá usar, no futuro, tecnologias de emissões negativas de gás carbônico para evitar o aquecimento do planeta”.

Por isso, a pesquisa apresentada na Nature Climate Change demonstra os impactos das tecnologias de emissões negativas sobre o uso da terra, emissões de gases de efeito de estufa, uso da água, refletividade da Terra e esgotamento de nutrientes do solo, além dos requisitos de energia e de custos para cada tecnologia.

“A mensagem-chave do nosso estudo é que não devemos contar ainda com estas tecnologias não amplamente comprovadas para salvar nosso futuro. Em vez disso, cortes rápidos e agressivos nas emissões de gases de efeito estufa são necessários agora. A janela de oportunidade está se fechando rapidamente, por isso é imperativo obter um acordo global em Paris este mês para avançar nesse sério problema”, afirma Pete Smith.

O professor da Universidade de Aberdeen disse ainda que as tecnologias de emissões negativas têm limitações significativas e é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento para tentar superar essas limitações.

Emissão negativa

Moreira destaca que são poucas as opções de tecnologias de emissões negativas. As abordadas no estudo foram: o florestamento e reflorestamento (plantar mais árvores para absorver gás carbônico), uso de produtos químicos para absorver gás carbônico do ar, aumento da produção de biocombustíveis (com a captura do gás carbônico liberado durante o seu processamento e, em seguida, armazenamento permanente abaixo do solo), trituração de rochas que, naturalmente, absorvem gás carbônico, espalhando-as sobre os solos para que elas removam o gás mais rapidamente.

O estudo aponta que muitas dessas ações podem ser inviáveis em grande escala e geram potenciais impactos ambientais, econômicos e de energia. Moreira dá o exemplo da produção de biocombustível com a captura do gás carbônico liberado durante o seu processamento e armazenamento abaixo do solo. Apesar de ser uma fonte alternativa e renovável para a produção de energia, o seu processo pode causar riscos que ainda não estão totalmente avaliados.

“O bioetanol utilizado no Brasil é um exemplo desse tipo de combustível. Se o bioetanol fosse adotado por todos os países, precisaríamos de uma quantidade enorme de cana-de-açúcar para atender a demanda e com isso deslocaríamos culturas alimentares, deixando de produzir milho, trigo e gerar um problema de não atender as necessidades básicas da população em relação à alimentação”, disse o professor, ele ainda ressalta que mais estudos são necessários para confirmar ou negar esses riscos.

Outra tecnologia de emissão negativa de carbono que possui limitações de uso são os produtos químicos para absorver gás carbônico do ar. “Existe a tecnologia, mas gasta-se muita energia para fazer isso, e se a fonte de energia for petróleo ou carvão, por exemplo, o processo é inútil, pois se tira gás carbônico e lança mais na atmosfera”, conta o professor.

“Nossa recomendação é de que continuem os esforços de mitigação, ou seja, de procurar gastar menos energia que não sejam sujas, do tipo eólica, solar e biomassa (como a cana-de açúcar) as quais agregam pouco gás carbônico na atmosfera, comparado com os combustíveis fósseis, porque não é confiável acreditar, nesse momento, que a ciência pode usar essas emissões negativas em grande escala no futuro”, complementa Moreira.

Efeito estufa

O efeito estufa é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, ele é ocasionado pela ação de gases que compõem a atmosfera (gás carbônico, metano, óxido nitroso, entre outros). Eles impedem que parte da energia do sol absorvida pela Terra durante o dia seja emitida de volta para o espaço e, assim, contribuem para a manutenção da temperatura média terrestre.

Entretanto a concentração natural desses gases está aumentando por causa da ação humana, como a queima de combustíveis fósseis — petróleo e carvão, por exemplo — e o desmatamento, que resultam no lançamento de mais gases na atmosfera, como o gás carbônico. O excesso desses gases na atmosfera faz com que parte dos raios solares não consigam voltar para o espaço, provocando uma elevação na temperatura de todo o planeta, o aquecimento global.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, que conta com a participação de cientistas e técnicos para avaliar e relatar as variações climáticas e impactos ambientais, desenhou diferentes cenários para o aquecimento da Terra. Se nada for feito e o mundo continuar no caminho atual, poderá haver um aumento médio global da temperatura de 4ºC até ao final deste século.

Devido às emissões de carbono feitas até o momento, a temperatura média global subiu 0,85ºC. De acordo com o IPCC, esse pequeno aumento causou grandes impactos: quase metade das calotas polares do Ártico derreteram, milhões de hectares de árvores no oeste americano morreram devido a pragas relacionadas com o calor e os maiores glaciares no oeste da Antártida — com dezenas de milhões de metros cúbicos de gelo — começaram a se desintegrar.

Foto:Wikimedia Commons

Mais informações: e-mail rmoreira69@hotmail.com

Link:
http://www.usp.br/agen/?p=225811

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Energia eólica e os desafios socioambientais, artigo de Heitor Scalambrini Costa

Parque eólico em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul. Foto: Eletrosul Divulgação/Vanderlei Tacchio

[EcoDebate] A partir de 2007, ano a ano, o crescimento da geração eólica no país chama a atenção. Se há nove anos a potencia instalada era de 667 MW, em 2015 chegou a 8.120 MW, ou seja, um aumento de 12 vezes. Verifica-se também que vários municípios brasileiros sofreram mudanças radicais com alterações bruscas em suas paisagens e no modo de vida de suas populações. Essas mudanças representam o início de um novo ciclo de exploração econômica, o chamado “negócio dos ventos”.

Várias são as razões que tem atraído estes empreendimentos a nosso país. Além da crise econômica mundial de 2008 que provocou uma capacidade ociosa na Europa, e assim equipamentos chegaram até nós com preço vantajosos; sem dúvida a “qualidade dos ventos”, em particular na região Nordeste é outro grande atrativo. E é neste território, onde hoje se concentra 75% de toda potencia eólica instalada no país.

Determinados Estados criaram políticas próprias de incentivo à energia eólica, com Isenções fiscais e tributárias, concessão de subsídios, flexibilização da legislação ambiental (p. ex. Pernambuco aboliu os estudos ambientais EIA/RIMA). Associados aos financiamentos de longo prazo do BNDES (e mais recentemente da Caixa Econômica Federal), e ao preço irrisório da terra, estas tem sido as razões principais para atrair os empreendedores. É o resultado da combinação destes fatores que possibilita que a energia eólica ofereça preços imbatíveis nos leilões realizados pela Aneel. Tornando assim à segunda fonte energética mais barata. Esta situação esconde o fato dos custos ambientais e sociais decorrentes da implantação dos complexos eólicos serem altos, embora não sejam contabilizados nos “custos” da geração, pois não são pagos pelos empreendedores, e, sim, por toda a sociedade.

Ao mesmo tempo em que esta atividade econômica teve uma rápida expansão, gerou impactos, conflitos e injustiças socioambientais. São visíveis os impactos provocados por esta fonte renovável, chamada por muitos de energia limpa. Define-se por energia limpa aquela que não libera, durante seu processo de produção, resíduos ou gases poluentes geradores do efeito estufa e do aquecimento global. Ou ainda, que apresenta um impacto menor sobre o ambiente do que as fontes convencionais, como aquelas geradas pelos combustíveis.

Todavia nas “definições” de energia limpa não são levadas em conta as questões sociais e mesmo ambientais causados pela produção industrial da eletricidade eólica que necessita de grandes áreas, e um volume considerável de água, devido ao alto consumo de concreto para a construção das bases de sustentação das turbinas. Impactos sobre o uso de terras é quantificado pela área ocupada, sendo que em geral, as turbinas eólicas ocupam 6 a 8 ha/MW, a um custo médio de R$ 4,5 milhões/MW. Sem duvida, poderia ser argumentado que estas áreas sejam compartilhadas, como ocorrem em outras partes do planeta, ou seja, utilizada concomitantemente para outros propósitos, como agricultura, criação de pequenos animais, …. Mas isto não vem acontecendo.

Logo, o modelo adotado de implantação dessa atividade econômica no Brasil é em si, causador de inúmeros problemas ao meio ambiente e as pessoas. Os parques eólicos têm deixado profundos rastros de destruição na vida das comunidades atingidas (exemplos não faltam). Não somente com a instalação dos aerogeradores, mas desde a obtenção do terreno (pela compra, ou pelo arrendamento), sua preparação (desmatamento, terraplanagem, compactação, abertura de estradas de acesso dos equipamentos), a construção das linhas de transmissão. Destrói territórios, desconstitui atividades produtivas e desestrutura modos de vida de subsistência.
Tem agravado a situação a velocidade em que os parques eólicos estão sendo instalados, sem o devido acompanhamento e fiscalização, sem que requisitos socioambientais sejam atendidos e cumpridos.

Na questão da terra necessária para produzir energia em larga escala, os empreendedores vão comprando, ou arrendando as terras da população local. São na verdade desapropriações feitas pela iniciativa privada como parte de estratégias agressivas para implantação dos complexos eólicos, que acabam inviabilizando a sobrevivências de outras atividades econômicas locais, como a pesca artesanal, a cata de mariscos, a agricultura familiar, a criação de animais, …. Assim comunidades inteiras são afetadas na sua relação com o território e muito pouco, ou quase nada recebem em troca.

Várias situações marcaram e ainda marcam a presença de empresas eólicas. O discurso do ambientalmente correto esconde práticas socialmente injustas das empresas do grande capital, evidenciadas cada vez mais com o passar do tempo. Para implantação dos parques e complexos as empresas utilizam de diferentes expedientes como a celebração de contratos draconianos com proprietários e posseiros, a compra de grandes extensões de terras, a apropriação indevida de áreas com características de terras devolutas e de uso coletivo.

Os contratos celebrados põem em dúvida os princípios de lisura e transparência da parte das empresas. Os trabalhadores se sentem pressionados a assinarem os contratos sendo proibidos de analisarem o conteúdo de maneira independente, sempre induzidos por algum funcionário das empresas.

Quem continua a viver nessas regiões quase sempre enfrenta a impossibilidade de continuar a produção local, de manter seu modo de subsistência. A atividade eólica, tanto costeira ou interiorizada acaba com as condições de sobrevivência no lugar e em seu entorno, gerando poucos empregos de qualidade para os moradores da região, e deixando lucros bem limitados. Tudo isso depois da euforia da etapa de instalação dos equipamentos, com as obras civis, que acabam atraindo por tempo determinado, trabalhadores locais e de outras regiões. Depois das obras concluídas vem à rebordosa, com as demissões. Assim tem acontecido. Cria-se a ilusão de prosperidade com o apoio da propaganda enganosa. O discurso da geração de renda e emprego faz parte da estratégia.

Com relação à agressão ambiental têm sido atingidas áreas costeiras com a destruição de manguezais, restingas, remoção de dunas, provocando efeitos devastadores para pescadores, marisqueiras, ribeirinhos. Tais situações tem sido constatadas no Ceará e Rio Grande do Norte.

Em estados como Bahia, Piauí e Pernambuco a exploração desta atividade ocorre no interior, em áreas montanhosas, de grande altitude, no ecossistema Caatinga e Mata Atlântica (ou o que sobrou dela). E também nos brejos de altitude, existente em Pernambuco e na Paraíba, verdadeiras ilhas de vegetação úmida em meio ao ecossistema seco da Caatinga, onde a vegetação existente são resquícios da Mata Atlântica primária, proliferando mananciais de água que formam os riachos abastecedores de bacias hidrográficas. Portanto são áreas onde se deveriam incentivar a conservação, preservação e a recuperação destes ecossistemas naturais, dos seus mananciais e cursos de água.

Todavia, o movimento das administrações municipais, estaduais e federal caminha em sentido contrário ao de proteger estes santuários da vida. Além da omissão e conivência incentivam e promovem o desmatamento de áreas de proteção permanente em nome do “desenvolvimento econômico”, da geração de emprego e renda, justificando a destruição ambiental e a vida das populações nativas em nome do interesse público (?).

A produção de energia elétrica a partir dos ventos hoje é uma atividade econômica, cujo modelo de exploração implantado, causa inúmeros problemas afetando diretamente a qualidade de vida das pessoas. Contribuindo mais e mais para ampliar um fenômeno que já atinge uma parte importante do território nordestino a desertificação. A produção de energia eólica é necessária, desde que preserve as funções e os serviços dos complexos sistemas naturais que combatem as consequências previstas pelo aquecimento global. Mas também se preserve as populações locais e seus modos de vida.

Afinal a quem serve este modelo de implantação em que o estado cooptado se omite e não fiscaliza? O que se constata são aspectos negativos que poderiam ser evitados, desde que houvesse o interesse e uma maior preocupação dos governantes quanto aos métodos e procedimentos, uma avaliação mais rigorosa dos licenciamentos que levasse em conta a análise de alternativas locacionais e tecnológicas, assim minimizando os impactos desta fonte energética.

Logo, não se pode considerar, levando em conta como estão sendo implantados os atuais projetos eólicos, nem que sejam socialmente responsáveis e nem que sejam ambientalmente sustentáveis. Longe disso.

Heitor Scalambrini Costa, Articulista do Portal EcoDebate, é Professor da Universidade Federal de Pernambuco

in EcoDebate, 08/12/2015
"Energia eólica e os desafios socioambientais, artigo de Heitor Scalambrini Costa," in Portal EcoDebate, 8/12/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/12/08/energia-eolica-e-os-desafios-socioambientais-artigo-de-heitor-scalambrini-costa/.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Programa incentiva pequenos agricultores a gerarem energia eólica e solar

Acordo insere equipamentos de geração no programa Mais Alimentos; Produtores terão crédito diferenciado
A partir de hoje, pequenos produtores de agricultura familiar e assentados da reforma agrária podem financiar os equipamentos para produção de energia eólica e solar pelo programa Mais Alimentos, uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para dar subsídios a infraestrutura produtiva.

A assinatura do termo de cooperação foi feita nesta quarta-feira (25), em Brasília, entre a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. As energias solar e eólica estão inseridas nas chamadas fontes de energia renováveis, que representaram no ano passado 41% da matriz energética brasileira.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, celebrou o acordo e lembrou que o Brasil é um país rico em recursos naturais, necessários para o desenvolvimento nacional. “A integração dos equipamentos no Mais Alimentos é mais um avanço na agricultura familiar”, disse o ministro.

Ao adquirir os equipamentos de geração de energia por meio do programa, os agricultores familiares financiam o material com condições de crédito diferenciada do mercado. Para o diretor executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, o acordo irá diminuir a principal dificuldade hoje do pequeno consumidor, justamente o investimento inicial nos equipamentos de energia solar fotovoltaica.

“O investimento é quase todo no início, porque a vida útil das placas fotovoltaicas é de 25 anos, com pouca manutenção. Com o acordo, esperamos ter mais geração de energia no campo, trazer produtividade e agregar valor para os pequenos agricultores”, disse.

A presidente executiva da ABEEólica, Elbia Melo, ressalta que uma das principais características da energia eólica, além da produção limpa de energia, é justamente agregar valor e gerar outra fonte de renda para os estados produtores.

“No Rio Grande do Sul, os parques eólicos continuam produzindo arroz e criando gado, mas agora com a renda extra do arrendamento das máquinas. O efeito multiplicador das energias renováveis vai além do contexto energético, tem o impacto social”, completa. Segundo ainda a presidente executiva, somente a energia eólica gerou 40 mil postos de trabalho relacionados a produção dos equipamentos, manutenção e seu funcionamento.

Fonte: Portal Brasil

in EcoDebate, 27/11/2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Micro centrais elétricas a biogás, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Está sendo desenvolvida e aqui deve ser descrita, apresentada e saudada, a iniciativa, a criação de várias microcentrais termelétricas a biogás, gerado a partir de criação de animais, com a coleta com beneficiamento de esterco por digestão anaeróbica e posterior geração elétrica com possibilidade de conexão pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Este novo aproveitamento dado a subprodutos remanescentes em pequenas e médias propriedades rurais, abre uma nova perspectiva de geração de ocupação e renda, integrando potencialidades, principalmente em pequenas propriedades rurais, boa parte delas caracterizada como unidades produtivas de cunho familiar. Esta iniciativa se insere muito adequadamente ao que se considera sustentabilidade nos momentos atuais: viabilidade econômica, social e ambiental. E desmistifica a concepção de que todas as ações são viáveis somente em condições sociais ou econômicas avantajadas. Isto não é verdadeiro, mesmo com escassez de recursos, é possível realizar e abrir novas perspectivas, com criatividade, boa vontade e comprometimento com atitudes engajadas.

No município de Marechal Cândido Rondon, no extremo oeste do Paraná, vários pequenos e médios produtores já viabilizaram esta idéia, com ou sem apoio da Itaipu Binacional, que aqui não pode ser omitida, e que não se pode deixar de saudar pela importância do projeto que auxilia a viabilizar. O projeto conta com apoio também da Embrapa Suínos e Aves do Paraná, cujo site foi pesquisado para obtenção de informações adicionais. Em notícia de site, há indicação que a microcentral termelétrica a biogás do Condomínio de Agroenergia para Agricultura Familiar Sanga Ajuricaba no município citado foi integrada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), tornando-se a menor unidade geradora conectada ao sistema. Esta ação tem um potencial simbólico de grande importância. Demonstra que para empreendedores de qualquer possibilidade financeira, é possível empreender e preencher todas as condições de sustentabilidade, gerando ocupação e renda em pequenas propriedades, e possibilitando integração de forma adequada.

Além da autossuficiência energética e dos amplos benefícios ambientais gerados pelas atividades necessárias para geração energética, estas ações integram pequenos produtores rurais em atividades de grande importância, ressaltando-se as dificuldades frequentes que tem se constatado nos reservatórios das geradoras hídricas de energia elétrica pelas inegáveis alterações climáticas que tem propiciado geração irregular de fenômenos pluviométricos. O beneficiamento dos dejetos, tem a capacidade de transformar um grave problema ambiental, causado pelas criações intensivas, que geravam poluição de solo ou contaminação hídrica, em solução alternativa com geração de renda para propriedades agrícolas preferencialmente ligadas a agricultura familiar.

A estimativa é que este condomínio, especificamente, seja responsável pela geração de 800 kWh por dia, ou seja o equivalente a 24mil kWh por mês, que é suficiente para satisfazer o abastecimento de 150 unidades residenciais considerando o consumo médio registrado no país.

Considerando o caso específico da central de Sanga Ajuricaba, que reúne cerca de 33 pequenos produtores rurais, a energia gerada será descontada pelo valor equivalente, na conta dos prédios públicos a Prefeitura de Marechal Cândido Rondon. E esta entidade deverá então remunerar aos integrantes da cooperativa que reúne os participantes do condomínio rural, denominada “Coperbiogás”.

São utilizados preferencialmente dejetos da produção de suínos e de gado leiteiro. Os dejetos são transferidos para biodigestores, onde sofrem decomposição anaeróbica, sendo extraídos aproximadamente a quantia diária aproximada de 800m3 de gás metano. Os biodigestores das várias propriedades rurais estão interligados por meio de um gasoduto de aproximadamente 25km de extensão, que recolhe o gás produzido e executa o transporte do combustível para a microcentral de produção de energia.

Os resíduos sólidos dos biodigestores, muito enriquecidos em matéria orgânica, podem ser ainda beneficiados e produzir biofertilizantes para uso próprio ou mesmo para comercialização. Este tipo de insumo é muito empregado e bastante adequado para promover a recuperação física de solos, maior retenção de água e de nutrientes, o que é determinado pela ampliação da fração argilosa do solo.

O biogás produzido também pode ser utilizado para geração de energia interna nas pequenas propriedades rurais consideradas, servindo para cozinhar e esterilizar equipamentos de ordenha. Nota mencionada no site da Embrapa registra que estas experiências inspiraram projetos semelhantes em pequenas farinheiras de Pernambuco, em projetos realizados em parceria com a Centrais Elétricas do rio São Francisco (Chesf) e arranjos em Santa Catarina, em parceria com a Eletrosul. Há menção também a mobilizações de pequenos agricultores na cidade de Toledo, próxima a Cascavel, no oeste paranaense.

É lícito registrar que o modelo desenvolvido é genuinamente brasileiro. Na Europa, em vez de gasoduto transportando o gás gerado, são transportados os dejetos para grandes biodigestores, altamente tecnificados. Todo o projeto tem sido acompanhado pelo Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional de Energia Elétrica, Agência Nacional do Petróleo e Empresa de Pesquisa Energética. Espera-se que todas estas agências passem rapidamente da observação para a ação engajada, pois a viabilidade do projeto já foi demonstrada e o potencial da demanda é enorme em todo o país, onde é possível resolver problemas ambientais, conjuntamente com a geração de renda e a produção de energia.

Também acompanham a trajetória da iniciativa a Onudi Internacional, a FAO para América Latina e Caribe e pela Organização Latino-Americana de Desenvolvimento de Energia (OLADE). Há o registro de que o governo uruguaio assinou memorando de entendimento com a Itaipu para instalar iniciativa semelhante no Departamento de San José no vizinho país. Finalizando o projeto já é de conhecimento do conselho consultivo do programa Energia Sustentável para todos (SE4ALL), iniciativa da ONU com o objetivo de promover acesso universal à energia e aumentar a eficiência energética e o uso de energias renováveis.

Só fica aqui manifestado que esta experiência simboliza uma quebra de paradigmas e democratiza a possibilidade de geração de produção e renda com a viabilização da solução de grande problema ambiental.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

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in EcoDebate, 23/07/2015
"Micro centrais elétricas a biogás, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, 23/07/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/07/23/micro-centrais-eletricas-a-biogas-artigo-de-roberto-naime/.