Mostrando postagens com marcador Slow food. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Slow food. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"Engenhos da Cultura • teias agroecológicas”, livro e vídeo que retratam a Rede Catarina Slow Food estão disponíveis online (http://www.slowfoodbrasil.com/)

Categoria: Notícias Slow Food
Publicado em Domingo, 14 Setembro 2014 
Escrito por Gabriella PieroniAcessos: 747
Já estão disponíveis em versões para web o livro e audiovisual Engenhos da Cultura: teias agroecológicas, uma realização do CEPAGRO – Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo. O trabalho é um registro histórico das ações do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha através de seus protagonistas, metodologias e insidência política.

A edição foi lançada em Julho de 2014 no CIC - Centro Integrado de Cultura, em Florianóplis, evento realizado pela Rede Cultura Viva SC e Rede Catarina Slow Food que contou com a presença das comunidades urbanas e rurais envolvidas. A iniciativa faz parte de uma campanha levantada pelo Convívio Engenhos de Farinha/Slow Food e viabilizada pela Ong Cepagro que propõe o registro do modo de fazer a farinha polvilhada de Santa Catarina como Patrimônio Cultural Imaterial.
Famílias da Rede dos Engenhos de Farinha da grande Florianópolis, foto Fernando Angeoletto

O e-book “Engenhos da Cultura: teias agroecológicas” pode ser acessado através do link http://issuu.com/sandraalves91/docs/livro_engenho_da_cultura_vf

A força da cultura agroalimentar ligada aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina e sua possibilidade de ressignificação através da agroecologia são o mote de onde surgem as diversas ações apresentadas nesta publicação que também retrata a trajetória da Rede Catarina Slow Food e parceria entre os Convívios Engenhos de Farinha e Mata Atlântica. Na primeira parte do livro temos um pequeno registro de metodologias utilizadas, tanto em cursos e oficinas como na construção de formatos de eventos que buscam o diálogo entre comunidades de base, pesquisadores e gestores públicos. Num segundo momento, a criação e consolidação da Rede dos Engenhos Artesanais da Grande Florianópolis é apresentada em seus trânsitos locais e globais, revelando cada um dos engenhos como espaços histórico-culturais e pedagógicos e também de produção agroecológica. Nas seções seguintes, a história das populações tradicionais do litoral catarinense convida a repensar os papéis destas culturas na atualidade, entre registros, reflexões e receitas culinárias. 

Já o vídeo documentário Engenhos da Cultura:teias agroecológicas pode ser visto através do link http://vimeo.com/104524213

O audiovisual dá voz à agricultores, profissionais e ativistas envolvidos pelo Ponto de Cultura Engenhos de Farinha para retratar a articulação entre três inspiradores movimentos sociais da atualidade: o Cultura Viva, a Rede Ecovida de Agroecologia e o Slow Food. A experiência de agricultores familiares da Rede Ecovida no encontro mundial do Slow Food, o Salone del Gusto/Terra Madre 2012 é evidenciada através de memórias, assim como a Bijajica, iguaria recém embarcada na Arca do Gosto. Também são abordadas metodologias em educação do gosto que fazem parte GT Educação do Slow Food Brasil.

Tanto a publicação quanto o vídeo documentário serão apresentados em outubro no Salone del Gusto/Terra Madre 2014 em Turim, Itália.

Aos leitores e expectadores um bom apetite! 
Ecochefs do Convívio Mata Atlántica no lançamento do livro+doc, foto sandra alves 

Link:

Livreto “As Fortalezas Slow Food” (http://www.slowfoodbrasil.com/)

Livreto Fortalezas Slow Food
http://slowfoodbrasil.com/documentos/slowfood-livreto-fortalezas.pdf

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A alface dá o troco

Publicado em 15/11/2013
A cozinha vegetariana mudou. Se antes era sem graça, insossa e coisa de bicho-grilo, hoje ela é tão rica e sofisticada quanto qualquer outro estilo de cozinha. E essa história de que vegetal só serve como acompanhamento está definitivamente enterrada.

A cena gastronômica atual não lembra nem de longe aquela de 1971, quando a pioneira Alice Waters abriu o Chez Panisse, na Califórnia, para mostrar que os vegetais eram excitantes. E nem se parece com a do fim dos anos 1990, quando o americano Charlie Trotter teve a ousadia de lançar um livro de alta cozinha vegetariana com as receitas que servia no seu restaurante em Chicago (hoje extinto) e Thomas Keller fez um menu de vegetais para seu premiado The French Laundry, no Napa Valley. E nem com a da França de 2001 sob choque do anúncio de que Alain Passard estava tirando a carne vermelha do cardápio do L’Arpege, em Paris, classificado com a cotação máxima de três estrelas Michelin.

No Brasil, a primeira carta de alta cozinha vegetariana foi o Menu do Reino Vegetal, criado por Alex Atala, em 2009. A princípio, a ideia era experimental e tinha data para acabar, mas o sucesso foi tão grande que o menu permaneceu. Quem vai ao D.O.M. para comer comida vegetariana? Em geral, pessoas curiosas que comem, sim, carne. Para Alex Atala, os melhores ingredientes existentes no Brasil são os vegetais. “Flores, ervas, raízes, folhas, algas, estão todos muito presentes no cardápio do D.O.M.”, diz. Mas o chef acha que ainda é preciso mudar a maneira de pensar no País: “Grande parte dos brasileiros ainda acha que vegetariano é natureba. Que se não tiver proteína animal, não tem comida”.

A cozinha vegetal estimula especialmente o casal de chefs do Maní, Helena Rizzo e Daniel Redondo. “Com carne, quase tudo já foi feito e experimentado. No mundo vegetal, há muito a ser trabalhado e muita coisa que a gente não conhece”, diz Helena. Ela ressalta que a diversidade brasileira permitiria que o país tivesse uma culinária vegetariana significativa. E diz que falta explorá-la melhor.

O desafio é também o que anima José Barattino a reforçar a ala verde de sua cozinha. Ex-chef do Emiliano, adepto dos orgânicos, defensor do elo produtor/consumidor explica a razão de seu interesse: “A carne tem gordura, e gordura é o caminho fácil, dá sabor e textura. O vegetal é um desafio, tem de ser trabalhado de outras maneiras, com outras técnicas”.

Raphael Despirite, do Marcel, utiliza variadas técnicas para preparar vegetais – do churrasco aosous-vide. Picles? Ele faz de maxixe. Para evitar que a alcachofra escureça, ele utiliza sous-vide, o cozimento a vácuo. “No caso do pimentão, descobri que é mais fácil confitar em um saco de vácuo do que com um montão de azeite”, conta.

Muitos são os adeptos do vegetarianismo na atualidade. De bicho-grilo a super sofisticado o que interessa é a criatividade, a dedicação e o cuidado com os alimentos e com que vai degustá-lo.

Aqui vão algumas dicas para preparar legumes e verduras de forma saborosa, sustentável e colorida:

- Direto do vaso: só use vegetais frescos, jovens, vigorosos. Dê preferência aos vegetais da estação. Melhor ainda se eles tiverem sido cultivados por você mesmo e tirados da terra direto para panela.

- Um de cada vez: respeite o ponto de cocção para manter a textura crocante e a cor viva. Cada legume ou verdura tem o seu ponto. O ideal é prepará-los separadamente ou adicioná-los em diferentes momentos do preparo – não ponha tudo na panela ao mesmo tempo.

- Capriche na técnica: vegetais se prestam a diferentes técnicas de preparo, do forno a lenha ao thermomix – e tudo o que existe entre os dois. Ah, sem técnica nenhuma também vale: apenas servidos crus, com um fio de azeite, flor de sal e pimenta.

- Realce: use ervas aromáticas frescas, recém-colhidas, e especiarias variadas para realçar o sabor de legumes e verduras. E capriche na montagem do prato, cuidando para valorizar as texturas, cores e os temperos.

Link:

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Movimento Slow Food vai além do incentivo às refeições sem pressa

Publicado em janeiro 30, 2013 por HC
O projeto Horta Urbana, na Avenida Paulista em São Paulo, feita por um mutirão, é um exemplo do movimento. Foto no blogue Simplesmente, da jornalista Claudia Visoni.

Comer sem pressa, saboreando os alimentos com calma é algo que parece bem distante da correria atual, onde o comum são as refeições rápidas em restaurantes por quilo ou lanchonetes famosas no horário de almoço das empresas. Porém, este é um dos principais pilares do Slow Food (“comer devagar” em tradução livre), um movimento que teve suas bases lançadas durante um protesto contra a abertura de uma loja de fast-food na cidade italiana de Turim, em 1986. Matéria de Ana Sachs, do UOL.

A manifestação não impediu que a rede de comida industrializada continuasse a abrir franquias, mas o movimento ganhou vários simpatizantes e, em 1989, transformou-se em uma associação internacional sem fins lucrativos, que atualmente tem mais de 100 mil membros espalhados em 150 países. No Brasil, o Slow Food desembarcou no começo dos anos 2000.

“Ele é uma resposta aos efeitos padronizantes do fast-food, uma comida rápida que custa caro à saúde, ao meio ambiente e à economia local, e ao frenético ritmo atual, que está intimamente ligado à qualidade de vida das pessoas e do planeta”, conta Vera Lucia de Almeida Silva, integrante do movimento desde 2007 e membro da Gastromotiva, associação que promove a gastronomia como meio de inclusão social e que fundou um dos grupos de Slow Food em São Paulo.

Chamados de Convivium, esses “braços” locais do movimento promovem palestras, fazem campanhas, organizam degustações, articulam o contato dos integrantes com os produtores regionais, além de estimular a educação alimentar por meio de projetos como as Hortas Escolares, que busca oferecer às crianças a oportunidade prática de aprender sobre os alimentos e ver como crescem. Há ainda a Universidade de Ciências Gastronômicas, focada em pesquisas científicas e acadêmicas.

Todas essas atividades visam a chamada “educação do gosto”, que estimula os integrantes a saborear melhor os alimentos e ter interesse em saber sua origem e sobre como chegam ao prato.

Muito além da calma

Mas o movimento não prega somente o fim do fast-food. “O princípio básico é o direito ao prazer da alimentação, utilizando produtos artesanais de qualidade especial, produzidos de forma que respeitem tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção”, explica Silva.

Para o Slow Food, a forma como as pessoas se alimentam tem profunda relação com o meio ambiente e, por isso, esse deve ser um ato responsável e consciente. A alimentação não pode prejudicar a saúde, a natureza e nem os animais e deve valorizar as pessoas ligadas a ela em todo o ciclo. “Os pilares básicos são que o alimento deve ser bom, ou seja, ter qualidade de sabor e aparência e ser elaborado com carinho e preocupação com o próximo; deve ser justo, com produtores bem remunerados; e deve ser limpo, ou seja, livre de agrotóxicos”, explica o chef Diego Silva dos Santos, adepto desde 2009.

Ao buscar se informar sobre os alimentos, um indivíduo se torna um “coprodutor” dos mesmos, e não somente um simples consumidor. Isso porque, ao interagir com essa cadeia produtiva, ele pode promover mudanças na mesma, se tornando uma espécie de parceiro.

Por isso os alimentos orgânicos, a agricultura familiar e os pequenos produtores regionais são bastante valorizados. “Devemos buscar itens locais e de época, de preferência orgânicos, e adquirir produtos de fornecedores que respeitam tanto o meio ambiente quanto o produtor”, diz Silva.

Conhecer os alimentos, o que é cultivado na região onde se mora e em que época são produzidos permite sair do lugar-comum, experimentar novidades e diversificar a dieta – objetivos perseguidos pelos integrantes do Slow Food.

Explorar ingredientes

“Nós criamos uma ideia muito padronizada de alimentação. Basicamente come-se a mesma coisa a semana toda. Um adepto do Slow Food deve descobrir novos sabores e explorar ingredientes”, conta o chef. “O objetivo é consumir alimentos mais frescos e diversificar a dieta comendo ingredientes sazonais. Por exemplo, se não é época de tomate, posso colocar cenoura na salada”, explica.

Os adeptos tentam, ainda, sempre descobrir novas formas de aproveitamento integral dos alimentos, pois acreditam que itens que ainda podem ser consumidos costumam ir para o lixo. “É preciso utilizar o ingrediente ao máximo. Por exemplo, ao invés do tradicional vinagrete com cebola e tomate, podemos fazer uma que use talos de salsinha, cenoura e beterraba, aproveitando também as folhas desta última”, conta Santos.

Todos esses conceitos, além de ajudarem a preservar o planeta e melhorar a qualidade da alimentação – e, consequentemente, a saúde das pessoas – também ajudam a promover um dia a dia mais leve, na avaliação de Silva, ao se arranjar tempo para saborear verdadeiramente os alimentos.

Tanto que, entre os objetivos do Slow Food, está o resgate das receitas caseiras, que embutem toda uma memória gastronômica e dão a sensação de conforto. “Buscamos resgatar valores como o de ter uma boa comida à mesa com a família, apreciar os alimentos e não simplesmente engoli-los com pressa sem se preocupar com que o que se está comendo”, fala Santos.

Patrimônio gastronômico

Outro objetivo do Slow Food é a luta pela preservação dos alimentos considerados em risco de extinção por meio de iniciativas como a Arca do Gosto, espécie de catálogo mundial dos sabores de produtos ameaçados, mas que ainda têm potencial produtivo e comercial. Desde o início da iniciativa, em 1996, mais de mil produtos de dezenas de países foram integrados à Arca.

Após essa catalogação, outro projeto, chamado Fortalezas, busca promover o produto em extinção, divulgando suas qualidades e ajudando produtores a encontrar quem os compre.

No Brasil, existem nove Fortalezas, que tentam proteger alimentos como a castanha de baru, o aratu, o arroz vermelho, o guaraná nativo Sateré-Mawé, o néctar de abelhas nativas, o palmito Juçara, o pinhão da serra catarinense e o umbu.

Para saber mais

Para ver os contatos dos Convivium e conhecer melhor o movimento, acesse o site Slow Food Brasil. Para participar dos encontros e eventos é preciso ser cadastrado e pagar uma taxa anual que varia entre 5 e 110 euros (de 14 e 300 reais), dependendo do tipo de adesão.

Outro objetivo do Slow Food é a luta pela preservação dos alimentos considerados em risco de extinção; em nosso país, a castanha de baru é um deles

EcoDebate, 30/01/2013
Link: