sábado, 30 de julho de 2016

EU PLUS + #25 - Cultivando Ervas para Consumo! (PARTE 2)

EU PLUS + #24 - Cultivando Ervas para Consumo! (PARTE 1)

Amazônia: Proteção da biodiversidade passa pela saúde da floresta

Pesquisa oferece novos subsídios para proteção da biodiversidade de florestas

Artigo de cientistas de 18 instituições publicado na revista Nature pode ajudar em ações de conservação da Floresta Amazônica

Estudo realizado no Pará por cientistas de 18 instituições internacionais, entre as quais 11 brasileiras, todas integrantes do consórcio científico Rede Amazônia Sustentável (RAS), mostra que a degradação no interior de uma floresta causada por atividade humana pode ter tanta importância na geração de perdas da biodiversidade tropical quanto o desmatamento.

O trabalho “Anthropogenic disturbance in tropical forests can double biodiversity loss from deforestation” (Perturbação antropogênica em florestas tropicais pode dobrar a perda da biodiversidade por desmatamento) foi publicado no dia 29 de junho, na revista Nature. Pesquisadores consideram que ele oferece subsídios para fortalecer o Código Florestal e aperfeiçoar as políticas públicas.

Os cientistas participantes do estudo mediram o impacto geral das alterações florestais (degradação florestal) mais comuns causadas por ação humana, entre elas os incêndios florestais, a exploração madeireira ilegal e a fragmentação de florestas remanescentes, em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros. A pesquisa foi feita nos últimos seis anos tanto no campo, em 371 áreas espalhadas por três milhões de hectares nos municípios de Paragominas e Santarém (nordeste e oeste do Pará, respectivamente), como em laboratório de análise de imagens de satélite.

Os dados avaliados permitiram as primeiras comparações já feitas entre a perda de espécies em áreas florestais remanescentes sob distúrbios pela ação do homem e a decorrente da perda de habitat pelo desmatamento (corte raso). “O estudo concluiu que, no Pará, a perda de biodiversidade estimada com base no estado atual da degradação florestal é equivalente ao que se perdeu por desmatamento desde 1988”, relata a pesquisadora Joice Ferreira da Embrapa Amazônia Oriental (PA), uma das autoras do trabalho.

A descoberta dessa equivalência levou os cientistas a constatarem que a biodiversidade perdida no Pará é o dobro do que se imaginava. “Levando em conta a estimativa da perda de espécies por degradação, é como se outros quase 140 mil quilômetros quadrados de floresta intacta tivessem sido derrubados”, compara a pesquisadora, referindo-se à taxa de desmatamento desde 1988 no Pará disponibilizada pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Essa mesma estimativa também revela que as perdas de biodiversidade por degradação só no Pará são maiores do que as derivadas do desmatamento na Amazônia inteira na última década (2006-2015).

Com respeito à quantificação de área equivalente de desmatamento, o engenheiro florestal Giampaolo Pellegrino, pesquisador e presidente do Portfólio de Mudanças Climáticas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, que não participou do estudo, mas conheceu seus resultados, pondera: “justamente por seu ineditismo e por uma primeira aproximação, que à primeira vista poderia parecer superestimada, acredito que, como de praxe, essas estimativas ainda serão debatidas pela comunidade científica e poderão ser confirmadas ou ajustadas em estudos mais específicos, onde algumas premissas adotadas no atual estudo, a exemplo da distribuição das áreas de amostragem, e sua extrapolação para todo o Pará possam ser revisitadas”.

Por outro lado, Pellegrino ressalta que o trabalho traz alertas importantes sobre a perda da biodiversidade brasileira e destaca a necessidade de políticas públicas para conter esse problema.

Nesse sentido, a autora Joice Ferreira destaca que “o resultado da pesquisa pode vir a subsidiar tecnicamente o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à conservação e restauração de florestas, pois oferece evidências convincentes de que as iniciativas de conservação amazônica também precisam levar em conta a redução de perturbações florestais”.

Ao enfatizar a importância do monitoramento em estratégias de redução de perdas, o pesquisador Luiz Aragão, do Inpe, lembra que o Brasil conseguiu reduzir seu desmatamento em cerca de 80% como resultado do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). “O próximo passo é avançar na quantificação da extensão e impactos da degradação florestal tendo em vista o resguardo da nossa biodiversidade, estoques de carbono e serviços ecossistêmicos”, antevê Aragão.

Efeitos das atividades humanas

O estudo demonstrou que a intervenção humana provoca significativas perdas de biodiversidade que vão além dos danos mais visíveis causados pela derrubada de árvores.

A pesquisadora Joice Ferreira ressalta outro aspecto da importância de se controlar a degradação florestal. “O valor da conservação cai se a floresta sofre perturbações como as estudadas. Além do efeito direto da perturbação em si, perde-se biodiversidade e qualidade no que resta afetado por ela. A adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis e a recuperação de florestas na paisagem reduzem a incidência do fogo, constituindo uma solução importante para esse problema”, explica.

Sobre o mesmo aspecto, o pesquisador Toby Gardner, do Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia), recomenda cuidados com a vegetação remanescente. “As florestas tropicais correm risco se as iniciativas de conservação focarem exclusivamente nas extensões de floresta remanescentes, sem levar em conta o estado de saúde dessas áreas”, pontua.

O novo estudo também demonstra que espécies sob o risco máximo de extinção foram as mais vulneráveis a essas perturbações causadas por atividade humana. A pesquisadora Ima Vieira, do Museu Paraense Emilio Goeldi, informa que o Estado do Pará abriga mais de 10% das espécies de aves do planeta, muitas das quais endêmicas. “Nossos estudos demonstram que são justamente essas espécies as que estão sofrendo o maior impacto da ação antrópica, pois elas não sobrevivem em ambientes com esses níveis de perturbação”, revela.

Código Florestal e Saúde da floresta

Silvio Ferraz, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), lembra a importância do Brasil no cenário da conservação florestal mundial, já que o País possui 40% dos remanescentes de florestas tropicais da Terra.

O pesquisador da Embrapa Giampaolo Pellegrino observa que o trabalho permite realizar avaliações positivas sobre o Código Florestal. “É de reconhecimento internacional que, mesmo considerando questionamentos sobre sua última alteração, o Código Florestal Brasileiro é um instrumento essencial na preservação de áreas de importância ecológica para o País, além de regularizar e reduzir significativamente o desmatamento, e os próprios autores reforçam isso. Reduzir o desmatamento permitido a 20% é muito significativo, a ponto de a perda do valor de conservação provocada pelas perturbações internas e na paisagem das grandes áreas florestais remanescentes serem da mesma ordem da perda das áreas desmatadas com corte raso – o que certamente seria muito maior sem o Código”, diz Pellegrino.

Sobre os alertas do estudo, Giampaolo Pellegrino chama a atenção para o fato de que a função do Código é preservar os processos hidrológicos, conservar o solo e seus processos, assim como a biodiversidade, baseando-se num índice facilmente mensurável e de aplicação geral pelo País, a área preservada. Na visão do pesquisador da Embrapa, “o Código não deve ser a única política pública e essa é a grande contribuição do estudo, ou seja, alertar para um efeito que não era claro e quantificado e que demanda atenção do governo e da sociedade”.

Para o pesquisador Jos Barlow, da Universidade de Lancaster (Reino Unido) e principal autor do estudo, “o Brasil demonstrou uma liderança sem precedentes no combate ao desmatamento na última década e o mesmo nível de liderança é necessário agora para proteger a saúde das florestas restantes nos trópicos”.

O estudo publicado na Nature é fruto da Rede Amazônia Sustentável, um consórcio de instituições brasileiras e estrangeiras, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Lancaster e Instituto Ambiental de Estocolmo. A RAS também tem parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

Acesso ao original na Nature:


Por Izabel Drulla Brandão (MTb 1084/PR)

Embrapa Amazônia Oriental

in EcoDebate, 27/07/2016

‘Adubos verdes’ são opção para proteger o milho orgânico contra ervas daninhas

Por José Tadeu Arantes | Agência FAPESP
Pesquisa apontou o plantio consorciado com o feijão guandu anão como a melhor alternativa de manejo (Foto: Arquivo de Anastacia Fontanetti)

A agricultura orgânica vem crescendo de forma expressiva no Brasil. Atendendo à expansão do consumo, a quantidade de agricultores que optaram por esse sistema de produção aumentou cerca de 51,7% entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, passando de 6.719 para 10.194, de acordo com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Nos últimos meses de 2015, o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos já computava 11.084 participantes. E a projeção para 2016 é que o setor continue em crescimento, a uma taxa de 20% a 30%, também de acordo com números divulgados pelo Mapa.

A necessidade de responder às demandas tecnológicas do setor define uma nova fronteira para as iniciativas em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Exemplo disso foi o projeto “Milho orgânico em consórcio com adubos verdes: opção para o sistema de plantio direto e a integração lavoura-pecuária”, conduzido por Anastacia Fontanetti e apoiado pela FAPESP em acordo de cooperação com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Buscamos uma alternativa para o controle de plantas espontâneas [popularmente chamadas de ‘ervas daninhas’], que constituem o principal problema enfrentado pelos produtores de milho orgânico”, disse Fontanetti à Agência FAPESP. A pesquisadora é professora do Departamento de Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Na agricultura convencional, baseada em sementes transgênicas e uso intensivo de herbicidas e outros aditivos químicos, esse controle é feito principalmente por meio do glifosato [N-(fosfonometil) glicina].

Na agricultura orgânica, a principal forma de controle adotada até o presente tem sido o revolvimento do solo. “Porém, com o revolvimento, ocorre perda de matéria orgânica, exposição à erosão, enfim, o início de um processo de depauperamento do solo que vai contra o objetivo da agricultura orgânica”, comentou a pesquisadora.

A ideia que norteou seu estudo foi substituir a prática do revolvimento pelo cultivo de plantas que, consorciadas com o milho, promovessem a cobertura do terreno, evitassem a emergência e proliferação de ervas daninhas e melhorassem a qualidade do solo, por meio da reciclagem natural de nutrientes. Para cumprir tal papel, essas plantas vivas, chamadas de “adubos verdes”, não podem competir com o milho, reduzindo a produtividade.

A barreira proporcionada pelos “adubos verdes” à proliferação de plantas espontâneas se deve, principalmente, à cobertura física do solo. Esta reduz a incidência dos raios solares e, por decorrência, dificulta a quebra de dormência e a germinação das sementes de ervas daninhas. Um fator adicional pode ser a liberação de metabólitos secundários, com função herbicida, pelas folhas e raízes ou pela decomposição da palha dos “adubos verdes”.

“Isso não é uma novidade em termos tecnológicos. Existe já bastante pesquisa a respeito. E a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] desenvolveu um modelo, chamado ‘Santa Brígida’, porque foi criado na fazenda com esse nome, para o plantio consorciado. Porém, até agora, tal manejo vinha sendo realizado nos moldes da agricultura convencional, com uso de herbicidas. Nosso objetivo foi estabelecer um manejo para a produção orgânica”, afirmou Fontanetti.

A pesquisadora testou algumas plantas candidatas ao consórcio. Dentre elas, a que apresentou o melhor resultado foi o feijão guandu anão (Cajanus cajan L.). Trata-se de uma planta de porte pequeno, que demora mais tempo para germinar do que o milho, e, por isso, confere a este uma vantagem competitiva.

“Verificamos que o guandu anão não afetou a produtividade do milho, dificultou a proliferação de plantas espontâneas e aumentou o teor de nitrogênio nas plantas de milho – o que pode contribuir para o incremento de biomassa e de produtividade”, informou a pesquisadora.

Além disso, o feijão guandu anão é, ele mesmo, uma planta de interesse. Devido ao alto teor proteico, em algumas localidades do Brasil é utilizado na alimentação humana. E o sabor agreste, que pode ser matizado por meio de um preparo adequado, já facultou sua inclusão em páginas de gastronomia da web. Outro uso possível é como planta forrageira na alimentação animal. Por exemplo, soltando-se o gado na área cultivada depois da colheita do milho.

“Fizemos vários testes para descobrir também a melhor forma de plantio. O resultado mais favorável foi obtido quando plantamos o guandu anão tanto nas entrelinhas das fileiras de milho quanto nas próprias linhas, entre um pé de milho e outro”, acrescentou Fontanetti.

Culturas perenes

Outras plantas testadas, com tradição de uso na alimentação animal, foram a puerária (Pueraria phaseoloides (Roxb.) Benth), o calopogônio (Calopogonium mucunoides Desv.) e a soja perene (Neonotonia wightii (Wight & Arn) Lackey)). São plantas herbáceas baixas, menores do que o guandu e bem menores do que o milho. O melhor resultado foi obtido com o calopogônio, que mais rapidamente cobriu o solo, evitando a emergência de plantas daninhas.

Dentre as estratégias utilizadas pelos produtores orgânicos para controlar as ervas daninhas nas culturas de milho, devem-se mencionar ainda o uso de vinagre (ácido acético) como herbicida, o controle por meio do fogo e o emprego de um novo equipamento, já disponível no mercado, que extermina a planta indesejável por meio de choque elétrico. “Considerando essas várias opções de manejo, o plantio consorciado me parece a melhor opção, não só pelo benefício direto ao milho, como pelo melhoramento do solo, evitando a erosão e agregando matéria orgânica”, ponderou a pesquisadora.

Após a colheita do milho, os adubos verdes são mantidos no solo, pois constituem culturas perenes. Como regra de manejo, Fontanetti recomenda que, depois de retiradas as espigas, as plantas de milho e os “adubos verdes” sejam roçados e seus resíduos mantidos sobre o solo como cobertura. “Ao se decompor, os resíduos vegetais e as raízes agregam matéria orgânica ao solo. Além disso, é melhor não revolver a terra, mas plantar em cima. O princípio é revolver o solo o mínimo possível. Tanto para preservar os nutrientes como para não expor as sementes de ervas daninhas à luz e ao calor, o que favoreceria sua germinação”, concluiu.

in EcoDebate, 28/07/2016

Avaliação da Embrapa aponta que integração lavoura-pecuária-floresta proporciona mais lucros

Sistema tem como base lavoura-pecuária-floresta. Instituto avaliou quatro unidades de referência tecnológica e econômica
Na Fazenda Dona Isabina (MT), para cada um real investido pelo proprietário no sistema integrado, no período de 2005 a 2012, o lucro foi de R$ 0,53. Foto: Bruno Lobato/Embrapa

O retorno do investimento feito pelos produtores que adotam sistemas integrados de produção como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é maior do que daqueles que utilizam apenas a lavoura ou pecuária. O resultado foi identificado na Embrapa Agrossilvipastoril por meio da avaliação de quatro Unidades de Referência Tecnológica e Econômica (URTE) em Mato Grosso.

Na Fazenda Dona Isabina, em Santa Carmem (MT), por exemplo, para cada um real investido pelo proprietário no sistema integrado, no período de 2005 a 2012, o lucro foi de R$ 0,53. Já a fazenda modal da região, com agricultura exclusiva, nesse mesmo período teve um prejuízo de R$ 0,31 por real investido. O lucro anual de cada hectare na ILPF foi de R$ 230, muito superior ao prejuízo anual médio de R$ 116 da sucessão soja e milho.

Trabalhando com ILPF, a Fazenda Brasil, em Barra do Garças (MT), também obteve resultados superiores aos da fazenda modal da região, com retorno de R$ 0,89 por real investido contra R$ 0,35 registrados na propriedade de comparação.

De acordo com Júlio, os dados avaliados mostram que a ILPF tem todas as condições de ser lucrativa, mas também reforçam a necessidade de planejamento e organização para tomar as decisões mais corretas no momento certo.

“Olhando nossos resultados é bem evidente que vale a pena adotar a ILPF. Mas é preciso ter muito claro que é um sistema que só apresenta resultados se o produtor tiver um nível de planejamento e organização muito grande. Se por um lado o sistema mostra um nível de retorno, receita e comportamento mais estável no tempo, isso é em decorrência do desempenho do produtor. Saber negociar no momento correto e entender as dinâmicas dos preços são questões fundamentais”, analisa o pesquisador da Embrapa.

A comprovação da importância da conjuntura para o resultado final está nos dados obtidos na Fazenda Certeza, em Querência, no leste do estado. A propriedade também trabalha com integração lavoura-pecuária e teve os resultados econômicos de 2008 a 2012 analisados. Naquele período, o mercado da soja já havia se recuperado, sobretudo com o estabelecimento da China como grande compradora do grão. Com isso, a fazenda modal de agricultura obteve resultados melhores do que a ILP. Mesmo assim, o sistema integrado ainda se mostrou viável.

Indicadores de rentabilidade

Mesmo levando-se em consideração as características de cada fazenda avaliada, todas as propriedades com alguma configuração de produção integrada tiveram resultados positivos. A maior parte delas, inclusive, supera com grande margem as áreas modais com as quais foram comparadas.

Para que seja possível comparar resultados de fazendas tão distintas, a equipe do projeto –composta por pesquisadores da Embrapa, professores e alunos da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e da Rede de Fomento Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – padronizou uma metodologia de análise de custos. Com esse método, é possível chegar a indicadores que auxiliam o produtor a visualizar os benefícios econômicos da ILPF.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Agricultura.

in EcoDebate, 25/07/2016

Apenas três em cada dez brasileiros são consumidores conscientes, mostra pesquisa

Indicador abrange práticas financeiras, ambientais e sociais. Em meio à crise econômica, consumidor contem despesas e evita compras não planejadas

Com o objetivo de acompanhar as mudanças nos hábitos de compra e outras ações cotidianas e também compreender se os brasileiros caminham em direção ao consumo sustentável, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), calcularam pelo segundo ano consecutivo o Indicador de Consumo Consciente (ICC), que atingiu 72,7%, permanecendo estável em relação a 2015, quando estava em 69,3%. O ICC pode variar de 0% a 100%: quanto maior o índice, maior é o nível de consumo consciente. Em uma escala de 1 a 10, os entrevistados dão nota média de 8,9 para a importância do tema consumo consciente, mas apenas três em cada dez brasileiros (32,0%) podem ser considerados consumidores conscientes de fato – um aumento de 10,2 pontos percentuais em relação a 2015, quando esse percentual era de 21,8%.


Apesar de ter apresentado melhora, o aumento do indicador foi discreto em relação a 2015. “O consumidor brasileiro ainda possui desempenho abaixo do que é considerado ideal, representando um consumidor em transição. Assim como em 2015, os entrevistados associam mais frequentemente o consumo consciente com atitudes relacionadas apenas a aspectos financeiros, ficando em um segundo plano as esferas ambientais e sociais”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. O principal benefício percebido pelos entrevistados continua a ser o de economizar e fazer o dinheiro render mais (37,1%), prevalecendo a dimensão financeira do consumo consciente.
O estudo do SPC Brasil segmentou os consumidores em três categorias, de acordo com a intensidade da prática dos comportamentos considerados adequados: ‘consumidores conscientes’ – que apresentam frequência de atitudes corretas acima de 80% – ‘consumidores em transição’, cuja frequência varia entre 60% e 80% de atitudes adequadas e ‘consumidores nada ou pouco conscientes’, quando a incidência de comportamentos apropriados não atinge 60%.

Para elaborar o indicador, foi realizada uma pesquisa com uma série de perguntas para investigar os hábitos, atitudes e comportamentos que fazem parte da rotina dos brasileiros. Estas questões permearam as três dimensões que compõem o conceito de consumo consciente, e todas elas obtiveram resultados abaixo do desempenho ideal de 80%: práticas ambientais (72,5%), práticas financeiras (73,8%) e práticas sociais (70,6%). Apesar de apresentarem pequenos aumentos quando comparados a 2015, apenas a diferença percentual no subindicador relacionado às finanças é estatisticamente superior.
Antes de fazer novas compras, 90% avaliam o impacto no orçamento

O subindicador de Práticas Financeiras foi o único a apresentar um crescimento significativo, de 5,8 pontos percentuais em relação a 2015, ficando em 73,8% em 2016 ante 68,0% no ano passado. Este crescimento está possivelmente associado não a uma maior consciência dos consumidores, mas a restrições financeiras e receio do futuro, gerados pela crise econômica que o país atravessa.

“À primeira vista, este poderia ser um sinal de que o brasileiro está caminhando em direção a hábitos de consumo mais racionais, mas não se pode deixar de relacionar esses dados ao contexto econômico recessivo atual do país. O crescimento dos níveis de desemprego, inflação alta e as incertezas em relação ao futuro do país fazem com que o consumidor adote uma postura mais precavida em relação a suas finanças”, afirma Kawauti. Para a economista, por um lado o consumidor age com maior cautela nas compras e toma mais atitudes para economizar, no sentido de fazer seu orçamento render mais; por outro, ele parece mais pressionado a resistir às compras sem planejamento, pois entende que esse comportamento se torna ainda mais arriscado em tempos de crise.

O subindicador de práticas financeiras observa a habilidade do entrevistado para lidar com os apelos do consumismo e a capacidade de gerenciar as próprias finanças sem fazer dívidas ou comprometer o orçamento. Entre as 18 atitudes investigadas, 11 apresentaram crescimento significativo em 2016, quando comparado ao ano passado, sendo as mais praticadas a avaliação do impacto de compras no orçamento antes de realizá-las (90,2%), não ter vontade de fazer compras por ver os amigos com coisas novas que estão na moda (87,7%), sempre pesquisar preços (86,9%), priorizar a qualidade dos produtos e não as marcas (86,6%) e preferir consertar um produto que ainda pode ser utilizado a comprar um novo (86,0%, 80,9% em 2015).

Frear o impulso de realizar compras desnecessárias também tem sido um hábito comum do consumidor brasileiro: 82,9% garantem que geralmente quando sentem vontade de comprar um produto perguntam a si mesmos se realmente precisam e, caso contrário, preferem não comprar (contra 75,3% em 2015).

As atividades menos praticadas pelos entrevistados são: alugar ou pegar emprestado produtos que usa com pouca frequência em vez de comprar um novo (43,2%) e não arrepender de compras desnecessárias feitas (21,4%).

Prática ambiental mais adotada é doar produtos ao invés de jogar fora

O subindicador de práticas ambientais, relacionadas às preocupações e cuidados com o meio ambiente e consumo de água e luz, tem como objetivo investigar a disposição do consumidor para minimizar o impacto de suas ações e agir de modo a não causar danos ao meio ambiente, utilizando de forma racional os recursos que tem a seu dispor. Em 2016, o subindicador atingiu 72,5%, sem alteração estatística em relação a 2015 (71,7%).

Entre as atitudes mais praticadas estão a de doar ou trocar produtos que não precisa mais antes de jogar fora (87,1%), não usar carro para ir a qualquer lugar (76,3%) e evitar imprimir papeis para evitar gastos e cuidar do meio ambiente (75,6%). A preferência pelo álcool em detrimento da gasolina, além de ser a prática menos frequente, foi a única a apresentar queda significativa – de 41,4% em 2015 para 32,6% em 2016.

Em relação às práticas que abordam o uso da água, a maioria apresentou crescimento significativo na variação anual, sendo as mais adotadas fechar a torneira enquanto escova os dentes (94,3%, contra 90,4% em 2015), ensaboar

a louça com a torneira da pia fechada (89,1%, ante 79,1%), controlar o valor mensal da conta visando economizar (88,4%, ante 81,2%). Por outro lado, algumas práticas ainda encontram resistência, como ligar a máquina de lavar com a capacidade máxima (42,8%), fechar a torneira do chuveiro enquanto se ensaboa durante o banho (61,5%) e não lavar o carro com mangueira ou em lava a jatos (67,2%).

Já as práticas adequadas em relação ao uso de energia elétrica, as mais adotadas são apagar as luzes de ambientes não utilizados (96,2%), controlar o valor da conta mensalmente para economizar (crescimento de 5,5% em 2016 chegando ao patamar de 89,2%) e ter a maioria das lâmpadas na residência fluorescentes (87,9%). Já a menos adotada é tirar da tomada os eletrônicos que não estão sendo utilizados (54,9%).

Apenas 47% recusam a compra de produtos falsificados

O subindicador de práticas de engajamento social analisa a disposição do consumidor para pensar coletivamente, medindo as consequências de suas ações na sociedade, bem como a capacidade para incentivar os outros a também consumir de maneira responsável. Em 2016, o subindicador foi calculado em 70,6%, também sem alteração estatística em relação a 2015 (68,1%).

As práticas sociais mais adotadas são: incentivar as pessoas da casa a economizarem água e luz (90,9%), preferir passar o tempo livre com família e amigos a fazer compras (85,9%) e apoiar o controle da propaganda (77,4%). Já as práticas menos adotadas são relacionadas à compra de produtos falsificados: 47,3% afirmam que não compram esses itens mesmo se o preço for muito atrativo, enquanto 59,3% não o fazem porque não querem financiar o crime organizado.

Apenas dois dos nove comportamentos testados na pesquisa tiveram aumento significativo em 2016 em relação a 2015. São eles o incentivo às pessoas da casa a pechincharem nas compras (de 67,8% para 76,5%) e a reutilização de peças de roupas antigas (de 52,6% para 59,9%).

Esquecimento e falta de tempo são principais barreiras

Para os entrevistados pelo SPC Brasil e pela CNDL, o principal motivador para o consumo consciente de água e luz é o não desperdício (35,5%), porém o esquecimento (31,5%) e a falta de tempo (29,8%) são as principais barreiras encontradas pelos consumidores.

De acordo com o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, apesar dos consumidores reconhecerem a importância do consumo consciente e responsável, a grande maioria não vê as práticas sustentáveis como prioridade em seu dia a dia. “Ainda predomina a percepção de que os aspectos financeiros são mais importantes, ficando em segundo plano as implicações ambientais e sociais. É preciso que mais pessoas passem a enxergar o consumo de maneira mais ampla”, analisa Vignoli. “Ser um consumidor consciente é entender que pagar por um produto ou serviço é apenas uma parte da relação de consumo, e que esta ação sempre produz efeitos sociais e ambientais”.

Considerando os tipos de consumidores conscientes, em transição ou nada ou pouco conscientes, percebe-se que não há diferenças entre os grupos com relação ao sexo ou classe social. No entanto, percebe-se que os consumidores conscientes são relativamente mais jovens, com uma média de 38 anos, enquanto a média de idade dos nada ou pouco conscientes é de 45 anos.

Metodologia

O Indicador de Consumo Consciente (ICC) tem como objetivo medir os conhecimentos e níveis de práticas de consumo consciente pelo brasileiro em três esferas: financeira, ambiental e social. Para isso, foram entrevistados 600 consumidores nas 26 capitais mais Distrito Federal com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de no máximo 4,00 pp com margem de confiança de 95%.

Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Colaboração de Renan Miret e Vinícius Bruno, in EcoDebate, 21/07/2016

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Bromélias não propagam a dengue, diz especialista

Especialista e estudo garantem que a planta não é um potencial foco para reprodução do Aedes Aegypti
Todo cuidado é pouco em relação à dengue. O vírus transmitido pela fêmea do mosquito Aedes Aegypti já fez centenas de vítimas em todo o país. Só no Paraná, no último ano foram registrados mais de 53 mil casos e 59 mortes. Com tratamento baseado apenas no alívio dos sintomas, a principal forma de combate à doença ainda é eliminar os criadouros do mosquito vetor, que também é responsável pela transmissão do Zika e febre Chikungunya.

Qualquer acúmulo de água pode ser um possível foco de proliferação, já que o mosquito se reproduz apenas em água limpa e parada. Neste contexto, as bromélias, plantas ornamentais tropicais muito comuns em várias regiões do Brasil, vêm sendo injustamente apontadas como responsáveis por propagar a doença. Com mais de 3,2 mil espécies, as Bromélias caracterizam-se pelo agrupamento de suas folhas em formato circular provocando uma retenção de água no centro da planta, o que faz com que as pessoas acreditem ser um local adequado para as larvas do mosquito. Porém, uma pesquisa realizada pelo Instituto Osvaldo Cruz (IOC\Fiocruz), na cidade do Rio de Janeiro (RJ), desmitificou esta crença.

O estudo, desenvolvido pelo biólogo Marcio Mocelin, avaliou 156 bromélias durante um ano inteiro, e apenas 0,07% de um total de 2.816 formas imaturas de mosquitos coletadas nas bromélias durante o período correspondiam ao Aedes aegypt. Sendo que no mês de abril, período em que houve a maior taxa de captura, das 376 formas imaturas encontradas nas bromélias analisadas apenas dois exemplares eram equivalentes ao gênero Aedes.

Bruno José Esperança, diretor geral da Esalflores, maior floricultura e Garden Center do sul do país, também defende que as bromélias não apresentam perigo. “Algumas pessoas têm resistência, mas sempre esclarecemos estas informações. Atuamos há 20 anos no segmento e nunca foi relatado qualquer caso de foco de mosquito por nossos consumidores”, afirma o especialista.

Além disso, Bruno detalha que a água acumulada pelas bromélias funciona como um reservatório de nutrientes e é constantemente absorvido pela planta. “Isso difere a água acumulada pela bromélia da água parada em recipientes artificiais, assegurando que elas não são uma ameaça. O monitoramento deve predominar nos focos já conhecidos, como caixas d’água, garrafas e pneus”, completa o diretor geral da Esalflores.

Colaboração de Caroline Rodrigues, in EcoDebate, 21/07/2016

3 mitos e 3 verdades sobre o câncer

Entre as crenças populares sobre o câncer, o que realmente é verdade? Consultores médicos da Fundação do Câncer (http://cancer.org.br) esclarecem algumas dúvidas que envolvem a doença. A informação é uma das grandes aliadas para a prevenção, o diagnóstico precoce e o combate ao câncer.

Confira:

MITOS

Ingerir comida levada ao micro-ondas pode ocasionar tumores malignos

O micro-ondas é seguro, tanto para aquecer quanto para cozinhar alimentos. O funcionamento do eletrodoméstico é através da vibração em alta frequência das moléculas, principalmente de água. O cuidado a ser tomado é o de evitar queimaduras decorrentes de superaquecimento dos alimentos. Para aproveitar o valor nutricional dos vegetais em sua totalidade, o melhor a fazer é consumi-los crus.

O uso de desodorante pode provocar câncer de mama

De forma alguma. O que ocorre é que muitas vezes o desodorante leva a uma obstrução (entupimento) de glândulas nas axilas, levando ao desenvolvimento de nódulos, que podem infeccionar. Muitas vezes são dolorosos, devendo ser tratados. Antes de usar quaisquer cosméticos, o ideal é ler as instruções. Em caso de problemas, deve-se procurar um profissional de saúde.

O cigarro causa somente um tipo de câncer, o de pulmão

O fumo pode causar tumores em qualquer lugar por onde suas cerca de 60 substâncias cancerígenas passam. Exemplos: boca, laringe, faringe, traqueia e esôfago, além dos pulmões. Até mesmo órgãos como estômago e bexiga ficam sob risco. Cânceres de mama e leucemia são mais comuns em fumantes também.

VERDADES

Um câncer pode ‘voltar’ em outro lugar

Uma das características do câncer é a possibilidade de o tumor inicial migrar para outras regiões do organismo. São as chamadas “metástases”. Então, um tumor maligno pode ser retirado cirurgicamente do seu local de origem, mas algumas células podem ter se deslocado para outra parte do organismo e, ali, dar origem a outros tumores. Nunca deixe de conversar com o seu médico sobre suas dúvidas e apreensões.

Pintas e sinais podem se tornar câncer

A ‘Regra ABCD’ (da Sociedade Brasileira de Dermatologia – www.sbd.org.br) alerta sobre o problema: quando os sinais ou pintas tiverem forma Assimétrica, com Bordas irregulares, Cor apresentando dois ou mais tons e Dimensão maior que 6 mm, é preciso procurar um médico para fazer o diagnóstico mais adequado. A exposição excessiva ao sol é a principal causa do câncer de pele.

Exercícios e a alimentação saudável são escudos contra o câncer

A atividade física regular é fator de proteção contra as chamadas doenças crônicas e degenerativas, como hipertensão, diabetes e câncer. Nunca é tarde para começar a prática de exercícios. Aliado a isto, a alimentação deve ser a mais variada possível, dando prioridade aos vegetais: coma pelo menos 5 porções ao dia de frutas, legumes e verduras. O excesso de alimentos industrializados, enlatados e conservados podem levar ao câncer e outras doenças. As carnes vermelhas processadas – embutidos de um modo geral – foram recentemente objeto de publicação da Organização Mundial da Saúde, que alertou sobre o perigo que seu consumo excessivo representa.

Colaboração de Fernanda Portugal, in EcoDebate, 22/07/2016

Dietas de emagrecimento podem ser ciladas

Foto: EBC

Nutricionista alerta para os cuidados ao adotar uma dieta de emagrecimento.

A busca pelo corpo em forma é cada vez maior e manter o peso ideal é o correto não apenas por estética, mas por saúde também. Porém, tratando-se de saúde é preciso saber que não é qualquer dieta que pode ser realizada por todo mundo. O alerta é da nutricionista comportamental Patrícia Cruz ao observar que cada corpo tem uma reação diferente para cada estímulo que lhe é oferecido. A dieta pode ser boa para alguns, mas pode ser muito ruim para outros.

Cada organismo tem uma necessidade específica e reage de uma forma diferente aos estímulos. Segundo a nutricionista Patrícia Cruz, as dietas devem ser feitas com baseno processo de reeducação alimentar, de resgatar o processo de comer quando se tem fome e parar de ingerir alimentos quando se está satisfeito. “É preciso levar em consideração o estilo de vida da pessoa, idade, gênero, preferências, em geral.”, explica Patrícia.

Os resultados de um regime mal feito podem ser vistos pelo peso que a pessoa recuperada e, às vezes, até aumentado após um tempo. Também deve se observar que em alguns casos, a dieta pode gerar transtornos alimentares e deficiência nutricional.

Ganho de peso

Se o paciente passa por um tratamento medicamentoso e pouco cuida da dieta, é comum ele ganhar peso após o termino do tratamento. Outra condição são os pacientes que emagrecem com dietas muito restritivas, Impraticáveis ao longo da vida. Ao parar elas voltam ao peso perdido e geralmente ganham um pouco mais.

Por outro lado, se esses pacientes passam por um processo de educação alimentar, no qual é explicado o papel de cada nutriente, deixando claras as sensações de fome, saciedade e a interferência da sua emoção no seu hábito alimentar, há poucas chances de que ele retorne ao peso inicial, além disso, o emagrecimento ocorrerá de forma mais saudável e menos agressiva.

Metas de peso por semana

As mudanças no hábito alimentar, com o objetivo de reduzir peso, devem focar no alimento consumido. As metas devem focar o hábito alimentar e não a redução de peso. Patrícia Cruz exemplifica dizendo que a meta da semana deve ser: cozinhar 2x/semana no jantar e tomar mais água. Assim, a atenção não fica na balança. “Normalmente o foco na balança é o que oprime e aumenta a ansiedade, fatores negativos para o controle alimentar.” – comenta a especialista.

Cuidados ao escolher uma dieta de emagrecimento

Muitas das pessoas que focam somente em “perder” peso não têm uma mudança no hábito alimentar e nem no estilo de vida. Por isso, recorrem a dietas milagrosas ou da moda, passando por restrições severas de alimentos e se habituam nesse ciclo vicioso, na privação e na compulsão. No entanto, em determinado tempo, vão acabar perdendo o controle de vez e recuperar todo o peso “perdido”.

Primeiramente, é preciso esquecer a história de que dieta é igual para todo mundo ou que, para emagrecer, é preciso deixar de comer tudo que se gosta. Há ainda quem diga que se o alimento for gostoso vai engordar você ou dieta que emagrece é aquela em que você passa fome. Patrícia ensina que a dieta não deve estar associada a sacrifício, pois, se estiver, ela estará fardada ao fracasso.

“A dieta deve ser compatível com o estilo de vida de cada pessoa (horários, preferências alimentares ou condição sócio econômica). Caso contrário ela será difícil de ser praticada. Lembre-se: você está cuidando do seu hábito alimentar para comer melhor. Então não há “sair” e “entrar” na dieta. Todo alimento é bom, vai depender da quantidade e frequência consumida.” – explica a nutricionista.

Dicas de nutrição

O certo é não planejar dietas restritivas. “É preciso organizar horários, cozinhar (quando se gosta), resgatar o prazer de comer sem culpa. Retirar da cabeça do paciente a lista de alimentos “bons” e “ruins” e salientar o quanto a quantidade é importante.” – afirma Patrícia Cruz.

A dica da especialista é que deve ser organizado um diário alimentar, para anotar os alimentos consumidos e as emoções envolvidas na ocasião. Nem sempre o peso desejado é adequado ou possível de alcançar, mas é possível chegar a um patamar saudável. Por isso, é importante diminuir as expectativas em relação à redução de peso.

Colaboração de Raquel Garcia, in EcoDebate, 26/07/2016

Produção orgânica, reforma agrária e preservação florestal: a história do sítio A Boa Terra, Parte 3/3, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Pelo tamanho das árvores da mata no local e a densidade da ocupação pelas plantas mais baixas, se percebe que é uma mata jovem, que 35 anos antes simplesmente não existia. No entanto, a riqueza da flora e da fauna já se mostra, com muitos pássaros, insetos e sapos.

Produzir água, hoje, talvez seja tão importante quanto produzir alimento. Quem vive na capital paulista sabe muito bem o que isso significa, diante da possibilidade de grave desabastecimento que segue ameaçando a metrópole.

E produzir água significa, na realidade, preservar áreas estratégicas de mata nativa e cuidar das nascentes. Fazendo isso, a água volta a fluir.

No Sítio, a área de preservação é hoje bem mais ampla que a área utilizada para a produção agrícola. Esta compreende 10 hectares naquele local e mais 10 hectares num local próximo, em área de serra, que por ser mais frio é mais utilizado durante o verão.

Já a área preservada compreende dezenas de hectares de mata, além dos 60 hectares de várzea, que depois de encerrado o projeto de cultivo comunitário de arroz e feijão, passaram a ser destinados à preservação permanente.

Hoje, o Sítio recebe ao longo do ano dezenas de turmas de alunos de escolas estaduais de Itobi, para propor dias inteiros de “alfabetização ecológica. O projeto foi concebido por Nicolete, uma das filhas do casal fundador Joob e Tini.

Enquanto aconteciam os projetos sociais, as mulheres começaram a plantar uma horta, utilizando técnicas de biodinâmica que a irmã de Tini havia aprendido em cursos na Holanda.
Ao final de 1981, cerca de meio hectare estava plantado. Foi a partir deste núcleo que cresceu o Sítio A Boa Terra.

Além de sua ampla produção de verduras, legumes e frutas, para atender melhor seus clientes o Sítio hoje comercializa também itens de produtores parceiros. Todos podem ser selecionados pelo site ou por e-mail.

Apenas no segundo semestre de 2014, comercializou um total de 145.439 kg de legumes e frutas (64.050 kg dos quais de produção própria) e 65.009 maços de verduras (sendo 52.251 cultivados e colhidos no local).

A produção própria inclui cenoura, milho, beterraba, rabanete, cebola, abóbora brasileira, abóbora italiana, pepino caipira, alho porro, milho verde, alfaces (americana, crespa, lisa, mimosa e roxa), escarola, couve manteiga, rúcula, almeirão, cheiro verde, manjericão, orégano e hortelã.

“Temos uma pequena área com laranjas, mangas, abacate e vamos plantar este ano mais 4 mil mudas de laranjas”, informou Júlio.

Ao todo, são 40 funcionários: seis no setor de Educação Ambiental, nove na produção e 25 na área comercial.

As cestas entregues aos clientes são assim distribuídas, 9% na região do sítio (Itobi, São José do Rio Pardo, Casa Branca, Vargem Grande do Sul e Mococa), 16% na de Ribeirão Preto e 75% nas regiões de São Paulo e Campinas.

Segundo Júlio, não há qualquer política que favoreça o produtor orgânico na obtenção de financiamento, assistência ou apoio dos governos federal, estadual e dos municipais com os quais o Sítio se relaciona.

Ao contrário, os orgânicos, além de seus custos maiores por preservar o meio ambiente e garantir um alimento sem veneno para o consumidor, têm também que arcar com todos os custos de certificação.

“Na agricultura convencional, é permitida a presença de certos níveis de agrotóxicos nos alimentos e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) analisa os produtos e afere isso. Por que estes produtores não são obrigados a dizer, no rótulo, qual o nível médio de agrotóxicos no alimento? Por que apenas o orgânico necessita de certificação?”, questiona Júlio.

Na prática, são premiados aqueles que contaminam a terra, os lençóis freáticos e os rios com agrotóxicos, e vendem alimentos com veneno, provocando malefícios que são difíceis de contabilizar, mas que certamente impactam nos gastos públicos e privados com saúde.

“Também há muito menos pesquisa acadêmica na área de orgânicos do que na área da agricultura convencional”, ressalta Joop. “Um conhecimento mais refinado dos cultivos ajudaria muito no aumento da produtividade”.

“Conheça as pessoas do campo e suas histórias, entenda a diferença entre a agricultura comum e a orgânica, ouça o campo dos pássaros, relembre o cheiro de terra molhada, o verdadeiro sabor dos alimentos, o deleite dos quitutes caseiros, ande descalço e brinque com o pés na água pelas trilhas da mata. Dê esse presente a você e aos que você ama!”

Referência: MST

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

** Nota: Sugerimos que leiam, também, os artigos anteriores desta série:



in EcoDebate, 28/07/2016
"Produção orgânica, reforma agrária e preservação florestal: a história do sítio A Boa Terra, Parte 3/3, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/07/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/07/28/producao-organica-reforma-agraria-e-preservacao-florestal-a-historia-do-sitio-a-boa-terra-parte-33-artigo-de-roberto-naime/.

Alimentos são aliados na luta contra a pressão alta, por Isabela C. Pimentel Mota, Nágila Damasceno e Marcia Gowdak

Foto: EBC

[EcoDebate] A hipertensão arterial afeta cerca de 40% da população mundial adulta e 30% da brasileira, sendo o principal fator de risco para doenças cardiovasculares. Doença silenciosa do aparelho circulatório, associada a alterações nos pequenos e grandes vasos sanguíneos, aumenta o risco de perda do funcionamento dos rins, alteração da visão, incidência de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame).

Maus hábitos alimentares, fumo, excesso de peso, uso de bebidas alcoólicas, descontrole emocional e o sedentarismo são problemas que estimulam o aparecimento da hipertensão. Essas causas podem ser combatidas pela população. Prevenir a hipertensão é tarefa que deve ser iniciada na infância, ao se cultivar bons hábitos de vida. Melhorar as rotinas, com uma nova proposta de vida mais saudável, também ajuda a controlar a pressão alta. Reduzir o consumo de sódio, já presente naturalmente em diversos alimentos, é a primeira medida alimentar a ser adotada.

A recomendação é a de que a população consuma diariamente cinco gramas de sal, o que corresponde a três gramas do sal de adição e duas de sal dos próprios alimentos. Geralmente, os alimentos que são acrescidos de sal (cloreto de sódio, também chamado de sal de cozinha) contêm maiores quantidades de sódio.

Ler com atenção o rótulo das embalagens é uma boa maneira de controlar o consumo dos produtos com maior teor de sódio. É importante fazer uma comparação entre diferentes marcas e escolher a de menor quantidade de sódio.

Outra dica é evitar os produtos que contenham 20% ou mais de sódio do valor diário recomendado (%VD) em uma porção de alimento. Assim, uma orientação bastante útil no dia a dia é escolher alimentos mais naturais, ou que seja, menos industrializados, pois, muitas vezes, elevadas quantidades de sódio podem estar presentes na preparação, sem que o consumidor perceba.

Nos últimos anos, além do sódio, outros nutrientes e substâncias naturalmente presentes nos alimentos têm sido estudados como auxiliares no tratamento. Importante ressaltar que, além da inclusão desses alimentos, o acompanhamento médico será necessário para a prescrição medicamentosa e ajuste das doses prescritas e, em conjunto, o acompanhamento nutricional, para desenvolvimento do plano alimentar individual do paciente, conforme a evolução da doença.

Listamos abaixo alguns alimentos que podem prevenir e contribuir para o controle da hipertensão arterial:

Beterraba: conhecida pelo seu paladar adocicado, a beterraba é fonte de carboidratos e também de nitratos. Vários estudos têm mostrado que o consumo diário de suco de beterraba rico em nitratos contribui para a pressão arterial.

Peixes fonte de Ômega 3: esta gordura encontrada nos peixes aumenta a síntese de substâncias vasodilatadoras, tais como o óxido nítrico e alguns eicosanoides, além de inibir a ação de receptores responsáveis pelo aumento da pressão (ação similar a alguns medicamentos anti-hipertensivos). Estudos mostram benefício com a suplementação diária deste óleo em doses mínimas de 1 grama. Esta quantidade pode ser alcançada com o consumo semanal de 300 gramas de peixe ricos em ômega-3 (sardinha, salmão, atum).

Laticínios magros: apresentam reduzido teor de gorduras saturadas e são fontes de proteínas, além de nutrientes como o cálcio e potássio. Cada porção de iogurte adicionada à dieta foi associada com redução de 6% do risco de hipertensão arterial. Um dos padrões alimentares mais estudados para o controle da hipertensão é o padrão DASH, o qual é caracterizado por maiores teores de cálcio.

Morangos: fonte de fitoquímicos (ácido elágico, antocianinas, quercetina e catequina) e vitaminas (vitamina C e ácido fólico); o consumo de morango tem apresentado relação inversa com a incidência de hipertensão. Entre outros potenciais mecanismos de ação está a ativação da enzima endotelial óxido nítrico sintetase, responsável pelo aumento da vasodilatação arterial.

Frutas secas: damasco, uva passa, ameixa preta são frutas com elevado teor de potássio, mineral que atua de modo positivo no controle da hipertensão arterial. Os estudos mostram que o potássio pode afetar as funções endoteliais e da musculatura vascular lisa, alterando favoravelmente pressão arterial.

Castanha do Brasil: Antigamente chamada de castanha do Pará, a castanha do Brasil é uma oleaginosa fonte de antioxidantes importantes como o selênio e também é fonte de magnésio. O magnésio em associação com o cálcio melhora o controle pressórico e pode também melhorar a resistência periférica à insulina. Assim como a castanha do Brasil, outros frutos secos como pistache, amendoim, macadâmia, nozes e amêndoas também são fontes importantes de ácido linoleico e linolênico, que têm mostrado associação negativa com a pressão arterial.

Alho: o extrato de alho tem sido investigado pelo seu poder hipotensor. Nem todas as pessoas apresentam redução da pressão arterial com o uso de alho, porém nos indivíduos sensíveis observa-se redução tanto da pressão arterial sistólica quanto da diastólica, possivelmente pela ação dos polissulfitos derivados do alho no relaxamento vascular mediado pelo óxido nítrico.

Romã: estudos têm mostrado que o suco de romã é rico em antioxidantes com propriedades anti-inflamatórias, que provavelmente são responsáveis pelo seu efeito hipotensor. A quantidade média diária de consumo para o efeito benéfico é de 150ml do suco integral de romã.

Azeite de oliva: A inclusão de 30 ml de azeite de oliva extra virgem à dieta tem sido associada a maior produção de endotelina e óxido nítrico, ambos considerados importantes reguladores da pressão arterial. Os mecanismos envolvidos parecem ser influenciados pelo conteúdo de ácido oleico e compostos fenólicos presentes no azeite. Importante destacar que o azeite de oliva comum e virgem possuem quantidades menores desses compostos, sendo sua ação controle pressórico menor do que a promovida pelo azeite de oliva extra virgem.

Cacau: o cacau é rico em substâncias vasodilatadoras que ativam uma enzima que aumenta a produção de óxido nítrico pelo endotélio. O consumo do chocolate com quantidade mínima de 70% de cacau mostrou ter efeito a curto e longo prazo, pois o seu efeito hipotensor foi observado após 2 horas e manteve-se por até 2 semanas após o seu consumo. A quantidade mínima de consumo diário necessário para a redução da pressão arterial foi de 40 gramas de chocolate amargo.

Isabela C. Pimentel Mota, Nágila Damasceno e Marcia Gowdak, são nutricionistas da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).

in EcoDebate, 28/07/2016
"Alimentos são aliados na luta contra a pressão alta, por Isabela C. Pimentel Mota, Nágila Damasceno e Marcia Gowdak," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/07/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/07/28/alimentos-sao-aliados-na-luta-contra-a-pressao-alta-por-isabela-c-pimentel-mota-nagila-damasceno-e-marcia-gowdak/.

‘Agroecologia potencializa outros direitos humanos’, afirma pesquisador

O debate sobre um novo modelo agrícola, que garanta alimentação saudável para a população brasileira e respeito ao meio ambiente, tem se consolidado no meio acadêmico e influenciado discussões na sociedade.

O livro Direito à Agroecologia: a viabilidade e os entraves de uma prática agrícola sustentável, publicado recentemente, tem como objetivo analisar tal debate à luz da perspectiva jurídica.

O Brasil de Fato, 18-07-2016, conversou com o autor da obra, Gladstone Leonel Júnior, doutor em Direito pela Universidade de Brasília, assessor da Relatoria Nacional do Direito à Terra, Território e Alimentação Adequada da Plataforma DHESCA – Brasil em 2011 e advogado de movimentos populares.

De acordo com Gladstone, “a Agroecologia é promotora de direitos humanos”. “É importante chamar a atenção para a Agroecologia, que preza outros valores: a não exploração do homem e da mulher por outras pessoas, o alimento sustentável – sem agrotóxico e sem transgênicos -, o preço justo na comercialização. A partir do momento que apresenta esses elementos, ela vai materializando um número de direitos humanos”, comenta o advogado.

Eis a entrevista.

Da onde surgiu a ideia para o livro?

Eu busquei tratar desse tema porque quando a gente trabalha com direito agrário, o debate é muito levado pela perspectiva do agronegócio, como se fosse um aprofundamento irremediável nessa área. Como nas Ciências Agrárias o debate da Agroecologia é muito forte, enquanto prática agrícola diferenciada e de fato sustentável, eu achei importante trazer essa perspectiva para o campo do Direito. Então, o “Direito à Agroecologia”, na forma como eu cunhei, foi um pouco para chamar a atenção para a possibilidade de fazer essa interface. É para apontar que no Direito há condições de analisar o fenômeno da Agroecologia a partir de uma nova dinâmica que pode ser desenvolvida.

Esse perspectiva teórica baseada no agronegócio influencia a própria produção de leis?

Sem dúvidas. Primeiro, é uma questão de hegemonia de um projeto político no qual o agronegócio – baseado na monocultura, no latifúndio e voltado para exportação – é referência, sendo uma remodelagem daquilo que nós, enquanto país, fazemos há 520 anos. Isso é algo que fica muito claro e latente quando a gente observa essa questão.

Outra coisa é que o próprio agronegócio é estimulado na produção normativa uma vez que dentro do sistema político as pessoas são eleitas com essas bandeiras, o que a gente conhece como bancada ruralista. O poder econômico interfere no sistema político que vai, consequentemente, interferir no sistema normativo. Hoje, a gente tem, por exemplo, um Código Florestal extremamente precário e problemático em decorrência dos interesses dos ruralistas.

Por isso é importante chamar a atenção para a Agroecologia, que preza outros valores: a não exploração do homem e da mulher por outras pessoas, o alimento sustentável – sem agrotóxico e sem transgênicos -, o preço justo na comercialização. A partir do momento que apresenta esses elementos, ela vai materializando um número de direitos humanos. A gente observa a Agroecologia como uma promotora de direitos humanos: o direito à alimentação adequada, à terra rural, ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Como a Agroecologia se relaciona com esses outros direitos?

A gente está falando de uma prática agrícola diferenciada que pode ser um contraponto ao que conhecemos como agronegócio. Essa dimensão potencializa outros direitos humanos que devem ser efetivados. O direito à alimentação adequada, por exemplo, para garantir segurança e soberania alimentar, dado que hoje se observa que boa parte das sementes está na mão de transnacionais, que detêm as patentes.

A gente trata também do direito à terra rural. Quando se fala em agroecologia e alimentação adequada, necessariamente deve-se falar da necessidade de se efetivar uma reforma agrária, uma vez que a agroecologia não é voltada ou baseada no latifúndio, mas sim na pequena propriedade. Então, é necessário se democratizar a terra. A gente começa a pensar e refletir sobre outros direitos.

Quais são os obstáculos para a efetivação do direito à Agroecologia?

O que a gente trás é uma bandeira. Não necessariamente, no curto prazo, ela resolve os problemas da agricultura e da sociedade brasileiras. Essa bandeira requer uma transição. Querendo ou não, os agricultores, de forma geral, são ensinados a usar agrotóxicos, adubação química e sementes transgênicas. Conseguir desconstruir isso e demonstrar que é possível fazer de uma forma diferente requer uma nova pedagogia. Óbvio que já existem povos que já praticam a Agroecologia: comunidades indígenas e comunidades tradicionais.

A gente observa inúmeros obstáculos, um dos grandes é a ausência de vontade política para se efetivar uma política de Agroecologia – voltada para alimentação do povo brasileiro – e que não priorize o agronegócio – destinado a exportação de commodities. É necessária uma vontade para colocar a Agroecologia como política pública.

Quais são as perspectivas em relação a esse tema?

Isso estava começando a engrenar no último período do governo Dilma através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A gente via ações de estímulo nesse sentido, mas depois do golpe o ministério foi extinto. Isso prova que esse governo ilegítimo e golpista não tem o menor interesse em estimular a prática agroecológica enquanto política de Estado. A gente tem um longo trajeto de luta para efetivação desse direito, junto com os camponeses e os movimentos populares de luta pela terra.

Foto: Carlos Alberto/ Fotos Públicas.

(EcoDebate, 20/07/2016) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

FAO: pecuária causou 80% do desflorestamento no Brasil entre 1990-2005

Mais de 80% do desflorestamento ocorrido no Brasil no período de 1990 a 2005 foi associado à conversão de terras em terrenos de pastoreio, mostrou relatório divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), denominado “O estado das florestas no mundo”.
Criação de gado na região Norte. Foto: EBC

Mais de 80% do desflorestamento ocorrido no Brasil no período de 1990 a 2005 foi associado à conversão de terras em terrenos de pastoreio, mostrou relatório divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), denominado “O estado das florestas no mundo”.

A participação do pastoreio no desflorestamento é maior no Brasil do que em outros seis países da região analisados no mesmo período: Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Colômbia e Peru, de acordo com a FAO.

Segundo a agência da ONU, além do pastoreio, o cultivo comercial foi responsável por cerca de 10% do desflorestamento no Brasil no período analisado, enquanto outras formas de exploração da terra, cultivo em pequena escala, agricultura mista, infraestrutura responderam juntos pelos demais 10%.

Na análise dos sete países consolidados, o estudo apontou que 71% do desflorestamento ocorreu devido ao aumento da demanda de pastos; 14% devido aos cultivos comerciais e menos de 2% devido à infraestrutura e à expansão urbana.

A expansão dos pastos causou a perda de ao menos um terço das florestas em seis dos países analisados. A exceção foi o Peru, onde o aumento das terras cultiváveis em pequena escala foi o fator dominante para 41% do desflorestamento.

Na Argentina, a expansão dos pastos foi responsável por 45% do desflorestamento, enquanto a expansão de terras cultiváveis comerciais respondeu por mais de 43%.
Agricultura comercial

O estudo concluiu que a agricultura comercial é a principal causadora do desflorestamento na América Latina.

Particularmente na Amazônia, a produção do agronegócio para os mercados internacionais foi o principal fator de desflorestamento, fruto de práticas como o pastoreio extensivo, o cultivo de soja e as plantações de coqueiro-de-dendê.

“A agricultura comercial não pode continuar crescendo à custa das florestas e dos recursos naturais da região”, disse Jorge Mexa, oficial florestal da FAO.

Meza destacou que políticas como a vinculação de incentivos agrícolas a critérios ambientais, a adoção de práticas silvipastoris — combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área e manejados de forma integrada —, o pagamento por serviços ambientais e a recuperação dos pastos degradados podem evitar a ampliação da fronteira agrícola em detrimento das florestas.

Apesar de o desflorestamento continuar em alta na região, em 2015 sua taxa se reduziu em quase 50% quando comparada a 1990. Esta redução também foi significativa na Amazônia, fruto de políticas de desenvolvimento sustentável impulsionadas pelos países que dividem a bacia amazônica.

Segundo o documento da FAO, desde 1990 mais de 20 países melhoraram sua segurança alimentar e mantiveram ou aumentaram sua cobertura florestal, demonstrando que não é necessário cortar árvores para produzir mais alimentos.
Vincular os subsídios agrícolas às normas ambientais

Em vários países, as subvenções agrícolas em grande escala fomentaram o desflorestamento, já que aumentam a rentabilidade da produção agropecuária e geram pressão para ampliar a fronteira agrícola. Exemplos disso na região são o pastoreio extensivo e a produção de soja em escala industrial.

Uma opção de política para evitar esses danos, segundo a FAO, é vincular os incentivos e mecanismos de fomento público recebidos pela agricultura comercial ao cumprimento de normas ambientais.

O relatório destacou que uma reforma desse tipo ocorreu no Brasil, que passou a vincular os subsídios ao crédito rural com critérios ambientais, evitando a perda de 270 mil hectares de florestas que haviam sido destruídas para aumentar a produção de carne bovina.

A iniciativa brasileira “Bolsa Verde” foi outro exemplo citado pela FAO: um programa de transferência condicionada que entrega recursos a milhares de famílias pobres em troca de manter a cobertura vegetal e gerir seus recursos naturais de forma sustentável.


Fonte: ONU Brasil

in EcoDebate, 20/07/2016

Economia verde e consumidores, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] A construção de uma economia verde só será possível quando houver mudança no modelo de produção adotado pela maioria das nações e no comportamento do consumidor de classe média.

Esta foi a conclusão resultou do Fórum Global de Crescimento Sustentável, que reuniu cerca de 300 líderes de seis países, em Copenhague, na Dinamarca.

Este é o reconhecimento tácito de que ou se muda a ideologia ou se altera a autopoiese sistêmica do arranjo de equilíbrio social.

A questão ambiental representa uma síntese dos impasses que o modelo atual de civilização acarreta, chamado de “crise civilizatória”.

Por isso se sabe que leis e normas não vão resolver os problemas. Mas são muito relevantes numa sociedade criada pela civilização humana que vive de direito positivado.

A civilização humana vai acabar determinando nova autopoiese sistêmica, na acepção livre das concepções de Niklas Luhmann e Ulrich Beck, que contemple a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio.

Que é um sistema instável, muito frágil e vulnerável. Para sua própria sobrevivência, o “sistema” vai acabar impondo uma nova metamorfose efetiva.

Outro mundo é possível, mesmo dentro da livre iniciativa. Ocorre enfatizar que nada é contra a livre-iniciativa. Que sem dúvida sempre foi e parece que sempre será o sistema que melhor recepciona a liberdade e a democracia.

Os movimentos sociais apresentam a distorção sistêmica de articular mudanças ideológicas como se fossem soluções para questões ambientais. Mas uma nova autopoise sistêmica para o arranjo social, é urgente e precisa ser desenvolvida pela civilização humana.

Nada foi mais nefasto na civilização humana do que as hecatombes ambientais produzidas pela falta de liberdade e práticas ambientalmente condenáveis geradas pela auto-suficiência de ditadores socialistas.

Esta mudança deve começar logo, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização e uma nova sociedade em harmonia com a natureza.

Não é preciso esperar catástrofe ecológica ou hecatombe civilizatória para determinar nova autopoiese sistêmica. Como mencionado, nada foi mais deletério em causar a maior catástrofe ambiental do planeta do que a falta de liberdade e imprensa livre dos ditos regimes socialistas.

A primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning Schmidt, disse que “a construção de economias verdes não é uma tarefa fácil, e que as nações precisam trabalhar juntas”. Garantir essa conexão é o que o fórum buscou fazer.

Governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento, empresários, instituições financeiras e organizações da sociedade civil se debruçaram sobre os principais desafios para a construção de uma economia verde.

O ex-presidente do México e atual chefe da Comissão Global de Economia e Clima, Felipe Calderón, disse que quatro medidas precisam ser adotadas com urgência pelas nações, a redução na emissão de gases de efeito estufa, a busca de eficiência energética na indústria, o controle da urbanização e a proteção dos recursos naturais.

“Não é uma alternativa, é algo que precisa ser feito imediatamente”, disse. A boa notícia, segundo ele, é que é possível garantir crescimento econômico e, ao mesmo tempo, frear as mudanças climáticas, mas “para isso, grandes mudanças precisam ser feitas”.

O presidente do Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, Peter Bakker, ressaltou que, se quiserem garantir um mundo melhor para as futuras gerações, as pessoas terão que reconsiderar alguns hábitos comuns.

“Ter um carro é mesmo a melhor opção? Ou dividir um carro é um modelo melhor? Os conceitos de propriedade, de compartilhamento, de viver bem, de felicidade, todos terão que ser reconsiderados”, ressaltou.

Criado em 2011, o Fórum Global de Crescimento Sustentável conta com a parceria de seis governos, Dinamarca, China, México, Etiópia, Quênia e Catar.

Grandes empresas multinacionais também são parceiras, além de organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla em inglês), o Pacto Global das Nações Unidas e a Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial (IFC, da sigla em inglês).

Tem sido registrado que quando a hecatombe afetar as finanças, a sociedade rapidamente desenvolve rápido novo arranjo de equilíbrio social. Não se lamenta a forma como isto vai ocorrer. O meio ambiente e a vida agradecem igual.

Referência:

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 20/07/2016
"Economia verde e consumidores, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/07/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/07/20/economia-verde-e-consumidores-artigo-de-roberto-naime/.

Economia Verde, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] DINIZ e BERMANN (2012) asseveram que a ideia de economia verde surgiu recentemente e ganha projeção cada vez mais acentuada. Para entender um pouco melhor, precisamos buscar a gênese do conceito, que se encontra na ideia de desenvolvimento econômico sustentável, também chamada de desenvolvimento sustentável.

A definição clássica de desenvolvimento sustentável, expressa no chamado Relatório Brundtland, é a da evolução que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades” (WORLD COMMISSION…, 1987).

Por trás desse conceito temos a necessidade de repensar o desenvolvimento econômico de uma nova forma, levando em conta a igualdade entre gerações. Até então, o desenvolvimento econômico tinha uma concepção um pouco mais restrita e normalmente considerava os determinantes fundamentais do crescimento econômico sem levar em conta o meio ambiente.

Esses determinantes fundamentais em última instância produziam alterações na acumulação de fatores de produção e na produtividade, que engloba o progresso tecnológico e as alterações na eficiência com que os fatores são empregados, além de influenciar a velocidade de crescimento do país.

DINIZ e BERMANN (2012) manifestam que correntes menos ortodoxas estudavam também problemas de distribuição de renda e outros temas, utilizando uma formalização menos rigorosa. Idéias menos ortodoxas são incorporadas em modelos econômicos, em grande parte pela disseminação de métodos matemáticos mais sofisticados na Economia (KRUGMAN, 1995).

A análise empírica de modelos de crescimento econômico também ganhou novo alento desde que o interesse nos modelos de crescimento econômico foi renovado, em meados da década de 1980.

A relação entre desenvolvimento econômico e meio ambiente se tornou mais explícita a partir da década de 1970, quando pesquisadores passaram a examinar quais seriam os limites do crescimento em um contexto onde os recursos naturais são finitos.

Na ocasião, diversas previsões preocupantes foram obtidas (MEADOWS et. al., 1972), as quais posteriormente foram relativizadas ao se incorporar na análise uma modelagem mais sofisticada contemplando o progresso tecnológico, a descoberta de novas jazidas e o uso de jazidas que anteriormente não eram economicamente viáveis.

O desenvolvimento sustentável é uma evolução em relação à antiga concepção de desenvolvimento ao incorporar a necessidade de uma igualdade entre gerações.

Essa eliminação da desigualdade entre gerações é um pouco mais ampla que a redução da desigualdade de renda. A desigualdade de renda dentro de um país pode ser reduzida, e os dados mostram que efetivamente isso aconteceu no mundo como um todo desde a primeira metade do século XIX (BOURGUIGNON & MORRISON, 2002).

A desigualdade entre gerações é algo mais amplo, que envolve uma medida de bem-estar, e não simplesmente uma comparação da renda (como em BECKER et al., 2005).

A questão da igualdade entre gerações sob a dimensão da sustentabilidade significa que cada geração deve ter o mesmo bem-estar, ou a mesma igualdade de oportunidades, que as demais.

Em termos do meio ambiente, não deve haver uma deterioração que impeça uma geração de alcançar o mesmo bem-estar que uma geração anterior. Logo, a preservação do meio ambiente surge como uma forma de evitar o aumento da desigualdade entre gerações.

Obviamente ninguém defende a preservação a qualquer custo, mas é necessário que haja critérios que norteiem o uso racional dos recursos naturais de modo sustentável.

A noção de economia verde é mais recente que o conceito de desenvolvimento sustentável. Pode-se definir economia verde como aquela que “resulta em melhoria do bem-estar humano e equidade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica” (UNITED NATIONS…, 2011, p.16).

Uma economia verde possui baixas emissões de carbono, eficiência no uso de recursos naturais e inclusão social. Os autores dessa linha de pesquisa argumentam que a evidência empírica mostra que não há dilema entre sustentabilidade e crescimento econômico e a transição para uma economia verde pode ser feita tanto por países ricos quanto por países pobres.

A inexistência de um dilema entre sustentabilidade e crescimento econômico pode ser contestada pela evidência empírica que aponta para um dilema nas primeiras etapas do desenvolvimento e depois passa a ocorrer crescimento com redução das emissões de poluentes que é uma regularidade empírica conhecida como Curva Ambiental de Kuznets.

Dentro da dimensão macroeconomia, pode ser pesquisada a relação entre o meio ambiente e o desenvolvimento econômico. DINIZ e BERMANN (2012) assinalam que pode ser avaliada a existência ou não de uma Curva Ambiental de Kuznets para um dado poluente, e se a presença de poluentes interfere na convergência condicional dos países para uma renda “per capita” de equilíbrio e em sua velocidade de incremento.

Referências:

BECKER, G. S. et al. The Quantity and Quality of Life and the Evolution of World Inequality. American Economic Review, v. 95, 2005.

BOURGUIGNON, F.; MORRISON, C. Inequality Among World Citizens: 1820-1992. American Economic Review, v. 92, 2002.

KRUGMAN, P. The Fall and Rise of Development Economics. In: KRUGMAN, P. (Org.) Development, Geography, and Economic Theory. Cambridge, MA: MIT Press, 1995. p.1-29.

MEADOWS, D. H. et al. The limits to growth. New York: Universe Books, 1972.

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Towards a green economy: pathways to sustainable development and poverty eradication. S. l.: Unep, 2011.

WORLD COMMISSION ON ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT. Our Common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.

DINIZ, Eliezer M. e BERMANN, Célio – Economia verde e sustentabilidade Estud. Av. vol. 26 no. 74 São Paulo 2012.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

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in EcoDebate, 19/07/2016
"Economia Verde, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/07/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/07/19/economia-verde-artigo-de-roberto-naime/.