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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Projeto da UFMT promove intercâmbio entre saberes populares e conhecimento científico

28/07/2017
Quando o assunto é saúde, saberes tradicionais e conhecimento científico são considerados duas faces da mesma moeda. Para estreitar mais harmonicamente essas duas formas de conhecimento, o Grupo de Pesquisas Multiprofisisonais em Educação e Tecnologias em Saúde (Pemeduts), vinculado à Faculdade de Medicina (FM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), desenvolve, desde 2014, uma série de projetos que promovem o contato e o diálogo entre comunidade acadêmica e externa.
Coordenado pelo professor Neudson Martinho, o projeto objetiva estimular, orientar e viabilizar pesquisas inerentes na área de educação em saúde e tecnologias em saúde numa perspectiva multi e interdisciplinar, objetivando contribuir para a articulação ensino-pesquisa e extensão e integração ensino-serviço. 

Uma das ações do projeto, “Práticas Culturais em Saúde: O cuidado e a educação popular em saúde na luta pela vida em uma comunidade quilombola do Estado de Mato Grosso” é realizado na comunidade quilombola Mutuca, localizada em Nossa Senhora do Livramento e tem como propósito conhecer as práticas culturais, materiais e imateriais, de saúde utilizadas pelas famílias da comunidade quilombola elegida enquanto objeto do estudo.

Partindo do conceito de uma construção interdisciplinar do conhecimento, estabelecendo um processo dialógico entre membros da comunidade e pesquisadores, o projeto reúne discentes dos cursos de Medicina, Enfermagem e Biologia a partir da detecção de práticas culturais materiais da área da saúde, reunindo plantas medicinais, raízes, garrafadas e alimentos, além de práticas imateriais (rezas, bênçãos, rituais, crenças diversas). “Compreendemos que o projeto poderá possibilitar impactos no resgate e manutenção da saúde das comunidades quilombolas de Mato Grosso e de outras regiões do país, por contemplar aspectos fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação no mundo: Práticas culturais e Educação em Saúde”, explica o coordenador. “De forma dialogada, articularemos estes saberes e fazeres com os conhecimentos técnicos e acadêmicos, visando ações de saúde mais humanizadas e o fortalecimento da atenção primária em saúde e da arte de educar em saúde”, completa.

O projeto, que conta com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa (Propeq), foi um dos contemplados no Programa de Bolsas Extensão para Ações Afirmativas (PBEXT/AF), da Coordenação de Extensão (Codex), vinculada à Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (Procev) da UFMT. Ele também é desenvolvido em conjunto com a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Prae).

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Trabalho etnográfico detalha relações de troca em reserva extrativista no Acre


Campinas, 17 de junho de 2016 a 26 de junho de 2016 – ANO 2016 – Nº 660

Antropólogo chegou a morar seis meses em comunidade amazônica para desenvolver tese

Texto: Luiz Sugimoto Fotos: Divulgação: Antoninho Perri Edição de Imagens: André Vieira
Uma economia peculiar vigente em uma comunidade amazônica, marcada por características morais, racionais e também por relações de afeto, é o tema de tese de doutorado defendida na Unicamp pelo antropólogo Roberto Sanches Rezende. O trabalho etnográfico na Reserva Extrativista do Alto Juruá, situada no extremo oeste do Acre, tem foco inédito nas relações de troca, mais especificamente nas relações de “ajuda”, como são chamadas localmente, e que abarcam uma diversidade de trocas econômicas, desde trocas de dias de trabalho até doações de bens. Intitulada “Camponeses da bacia do rio Tejo: economia, política e afeto na Amazônia”, a tese foi orientada pelo professor Mauro William Barbosa de Almeida e defendida no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).

Para sua pesquisa de campo, Roberto Rezende morou seis meses com uma família da comunidade Iraçu, localizada na foz do rio Tejo, um afluente do alto Juruá. O autor já guardava na bagagem muitas informações sobre a bacia do Tejo, para onde viajou sete vezes desde 2006. “O professor Mauro Almeida é meu orientador desde a iniciação científica e, já no primeiro ano da graduação, convidou alunos para um projeto de transcrição de cadernos produzidos por seringueiros da região: eram cerca de 900 diários temáticos sobre atividades cotidianas como de trabalho, caça, pesca e agricultura. Por se tratar da primeira reserva extrativista criada no Brasil, havia preocupação com o monitoramento da qualidade de vida e da biodiversidade, e os diários serviam para avaliar as condições ambientais e também sociais, como a dieta alimentar da população.”

O autor da tese conta que seu orientador iniciou pesquisas na região antes da demarcação da Reserva, tendo assessorado o movimento dos seringueiros para que a criação se concretizasse em 1990. “Patrões que se diziam proprietários das terras arrendavam os seringais e controlavam a comercialização tanto da borracha como de mercadorias. O movimento dos seringueiros dos anos 1980 foi contra esta relação com os patrões: no Juruá, não queriam ser mais obrigados, por exemplo, a pagar pelo uso das estradas de seringa (33 quilos de borracha por ano como ‘renda’); em outra frente, em Xapuri (região de Chico Mentes), lutavam contra as ocupações de madeireiros e fazendeiros. Este movimento em todo o Acre resultou na criação das primeiras reservas extrativistas, sendo a primeira delas a do Alto Juruá, onde atualmente moram cerca de cinco mil pessoas.”

A partir dos anos 90, porém, a produção da borracha começou a ser gradualmente abandonada, levando Rezende a analisar, em seu mestrado, o processo de concentração populacional em localidades às margens do Tejo, particularmente na comunidade Restauração. “Antes as pessoas viviam espalhadas pela floresta, em pequenas colocações de três ou quatro casas, extraindo o látex das seringueiras naturalmente dispersas (não eram plantadas). Com a queda do preço pago pela borracha iniciou-se uma transição para atividades agropastoris. As pessoas começaram a ir para a beira do rio a fim de facilitar o escoamento dessa produção. Ao mesmo tempo, a prefeitura municipal instalava escolas e postos de saúde em localidades à beira do rio, o que incentivava ainda mais as pessoas a se concentrar nas margens. Formaram-se comunidades de até uma centena de casas.”

O pesquisador explica que sua dissertação tratou deste movimento e de como as transformações econômicas estavam ligadas a mudanças políticas e sociais importantes: “A Reserva Extrativista do Alto Juruá representa hoje cerca de 65% do território de Marechal Thaumaturgo, um município criado depois da reserva e que a engloba. Há muito interesse e ingerência da prefeitura, além de certa ausência dos órgãos federais responsáveis pela reserva – antes era o Ibama, agora o ICMBio [Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade]. O município possui um total de 14 mil habitantes e os cinco mil da reserva representam porcentagem importante de votos. Após a crise da borracha, muitas pessoas procuraram empregos oferecidos pela prefeitura nas escolas e postos de saúde que ela criava. Era mais uma alternativa econômica”.
Foco inédito

Tendo acompanhado o final desta transição, Roberto Rezende focou seu doutorado nas relações econômicas, mais especificamente nas relações de troca: “Até onde sei, não existe um estudo específico e detalhado sobre essas relações de ajuda na Amazônia. Teses sobre populações amazônicas abordam esse aspecto, mas não como tema central. Além das pesquisas de campo, foram fontes importantes as teses e dissertações orientadas pelo professor Mauro Almeida desde os anos 90, sobre as condições de vida dos habitantes do Alto Juruá.”

Nos capítulos iniciais, Rezende oferece um panorama do comportamento econômico dos camponeses amazônicos e da história da região, com ênfase na transição do modelo de ocupação territorial baseado emcolocações para o modelo de comunidades, acompanhada pela transição do extrativismo para as atividades agropastoris. “Ao longo dos anos 2000, a borracha desapareceu de Marechal Thaumaturgo dando lugar à farinha de mandioca como produção principal, e ao milho, como base da dieta animal (gado, caprinos e aves). A farinha e a carne compõem a base alimentar da população. Tivemos assim a substituição de uma economia para exportação (de borracha) por uma economia local, no máximo regional.”

O pesquisador afirma que, neste período de transição, programas de distribuição de renda como o Bolsa Família tiveram grande impacto junto às famílias de seringueiros. “Todos já eram agricultores de subsistência, mantendo o seu roçado e comprando no mercado apenas itens como sal, óleo, sabão e munição para caça. Com a crise da borracha, começaram a produzir mais arroz, feijão e farinha para vender. Eles dizem que as coisas só melhoraram com os primeiros programas sociais, ainda no governo FHC, e que o Bolsa Família foi essencial para a economia doméstica. Passando os anos, o município foi crescendo e dando emprego para muitas pessoas, o que gerou um mercado local: quem não plantava arroz, comprava do vizinho, as famílias tinham mais dinheiro para comprar roupas, calçados, alimentos industrializados, TVs, motores.”

De acordo com Roberto Rezende, entre os moradores tradicionais da reserva extrativista, a vida material é bastante parecida. “Obviamente, algumas pessoas possuem mais bens domésticos que outras. Um dos aspectos que pode diferenciá-las é o momento do ciclo de desenvolvimento familiar: um pai com muitos filhos precisa trabalhar muito para alimentá-los, mas quando os filhos crescem, ele conta com vários trabalhadores para ajudar no sustento da casa. Também conta o gosto individual: há quem goste de ter uma casa grande, um sofá confortável, enquanto outro prefere usar seu tempo para caçar e comer carne fresca de queixada, veado ou paca. Depende da perspectiva que a pessoa tem de uma vida boa.”

Códigos peculiares norteiam o cotidiano
De agosto de 2013 a fevereiro de 2014, Roberto Rezende morou na casa de Hilarino Lima Nogueira, sua esposa Iza e as filhas Roseli (14 anos), Rosimar (10), Roseane (8) e Rosângela (1). O período foi planejado para que pudesse acompanhar as principais fases do ciclo agrícola na bacia do rio Tejo, desde o preparo dos terrenos para plantio até a colheita. “É justamente nesse período que as casas dos ribeirinhos se envolvem em um número maior de trocas, recorrendo a trabalhadores externos para os picos de demanda de trabalho nos roçados. Boa parte desses trabalhadores externos vem de casas vizinhas, que pertencem a um mesmo grupo de casas. Faço uma etnografia da comunidade Iraçu, que tem o nome do seu líder, senhor Iraçu. Ao redor de sua casa moram os cinco filhos, conformando o grupo de casas principal, ao qual se somam outros grupos de casas aparentadas formando a comunidade. Meu anfitrião, Hilarino, é um dos filhos do senhor Iraçu.”

O pesquisador observa que a conformação de um grupo de casas, com a liderança de uma casa mais velha e as mais novas associadas, é um padrão no rio Tejo, mas que não representa um patriarcado. “Cada casa tem sua autonomia produtiva e de consumo. O grupo de casas funciona principalmente para o ordenamento territorial: onde abrir o roçado, as áreas de caça e de pesca. Cabe às casas fazer o planejamento do trabalho dos seus membros e das trocas em que se envolvem”.

Quanto às trocas entre as casas do grupo, o pesquisador constatou que suas observações em campo não batiam com trabalhos de outros pesquisadores sobre trocas no interior de comunidades amazônicas. “Em outras regiões a relação de troca chamada de ajuda é definida como uma relação entre parentes, desinteressada e natural, limitando-se ao espaço da comunidade. Ou seja, quem é parente se ajuda. Isso não serve para o caso do Tejo. Mesmo entre irmãos, não se trata de uma relação de troca generalizada, toda troca é contada: a pessoa sabe com quem está endividada, quem está em dívida com ela e o tipo de dívida. Se o irmão e mais três pessoas o ajudaram a abrir o roçado, ele vai se dividir para ajudá-los em alguma atividade posteriormente, retribuindo a ajuda originalmente prestada.”

Ajuda e consideração

A partir dessa constatação, Rezende procurou entender qual o sentido da “ajuda” para os moradores da reserva extrativista, interpretando que a peculiaridade desta relação não estava nas características do que era trocado, ou mesmo no parentesco entre quem trocava, mas no efeito causado sobre os sentimentos das pessoas. “Os aspectos econômicos e afetivos são indissociáveis, já que as redes de troca acabam sendo impactadas pela questão da consideração. As relações de ajuda são, afinal, relações de aproximação e de confiança. Mesmo nas modalidades de troca mediadas por dinheiro, notei que se trata de parceria preferencial: sempre que é necessário contratar alguém, procura-se a pessoa com quem já se teve uma relação de troca anterior. Isso vai criando e aumentando relações de proximidade e, por vezes, a relação de ajuda se transforma em parentesco, quando acaba em casamento.”

A partir de uma análise mais detalhada da relação entre a ajuda e a construção da consideração entre as pessoas, Rezende analisou as relações no interior das casas das famílias de ribeirinhos, mostrando como a ajuda, enquanto uma relação especial da socialidade local, era ensinada às crianças desde cedo. “A ajuda é uma categoria central da socialidade. Na casa de Hilarino, a filha de 14 anos já ajudava na cozinha, a irmã de 10 cuidava da bebê, enquanto a de 8 ajudava carregando água. O trabalho de Iza no roçado e em casa também era ajuda, pois ‘trabalho’ mesmo era considerado apenas o de Hilarino, o chefe da casa.”

Na opinião do autor da tese, a ênfase dada durante a criação às relações de ajuda como uma relação primordial para a manutenção das casas é também uma forma de criar consideração e afeto entre as pessoas. “Se alguém cuida de mim quando pequeno, quando eu crescer vou olhar por ela, ficar ao seu lado na doença. Quando o filho cresce, normalmente fica morando perto do pai e dos irmãos, por conta da cadeia de relações entre eles e por saber que, quando precisar, vão olhar por sua necessidade.”

Nem tudo é harmonia

O autor reservou um capítulo da tese para mostrar, por outro lado, que as relações de ajuda e criação não implicavam em total harmonia dentro das casas ou da comunidade Iraçu. “Um dos filhos do líder não concordava com a forma de criação, reclamando que o pai pegava pesado demais no trabalho do roçado. Quando completou 18 anos, casou-se com a professora da escola e foi morar na sede do município com emprego assalariado. As comunidades amazônicas não vivem uma harmonia naturalizada, há processos de separação, seja por expulsão ou por saída voluntária para solucionar tensões.”

Certa feita, um homem comprou um bode, que comia as plantas do vizinho. Como ambos não eram parentes, o vizinho resolveu morar em outro lugar para evitar uma briga. “As brigas envolvem a família toda e podem se tornar violentas. Há um capítulo em que analiso essas relações de desconsideração e desrespeito, que são o avesso da ajuda: se alguém age de maneira indevida na casa ou na comunidade de outro, o dono tem autoridade moral para usar de violência; o chefe deve pôr ordem na casa, até porque a presença do Estado é baixíssima. Conversei com pessoas que não davam festas em casa por medo de que acontecessem atritos e fossem obrigados a tomar providências, talvez ferindo ou mesmo matando uma pessoa, o que significa, muitas vezes, entrar em conflito com toda a família da vítima.”

Outro caso registrado por Rezende envolveu a chegada à comunidade Iraçu de um ex-presidiário de Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre. Desconhecendo o regime local, o chamado “marginal” bebia, mexia com as mulheres e se metia em brigas. Em uma rodada dominical do torneio de futebol entre comunidades, os membros de Iraçu se reuniram para discutir o que fazer com o forasteiro inconveniente. “As opções iam de avisar o pessoal da comunidade que o trouxe que ali a falta de respeito não seria tolerada, até de ‘pegar de pau’ o indivíduo. Como a violência não era desejável, eles combinaram que, se algo mais acontecesse, iriam amarrá-lo e chamar a polícia.”

A relação com políticos

Segundo Roberto Rezende, as relações de ajuda não se limitam ao espaço das comunidades, podendo se estender a comerciantes e políticos da sede municipal. “A diferença está na assimetria da relação. Se o agricultor precisa de um gerador de energia e não pode pedir ao irmão igualmente sem posses, ele procura o político interessado em seu voto, o que coloca nesta economia um componente redistributivo importante: espera-se que quem tem mais, ajude com mais. A ajuda é uma relação caracterizada pelaprecisão de uma pessoa e a condição de outra.”

Uma característica peculiar apontada pelo antropólogo é que, no processo de formação do município de Marechal Thaumaturgo, os políticos buscavam votos em troca de empregos para membros das famílias das comunidades. “A expansão dos serviços do Estado permitiu a distribuição de muitos cargos. Praticamente todas as escolas precisavam de professores, zeladores e outros servidores. A partir de 2013, tanto o governo federal reduziu o repasse de verbas, como esse mercado de trabalho estava saturado. Os políticos, então, já não conseguiam cumprir suas promessas.”

O pesquisador registrou o caso de um morador da reserva que subiu o rio Tejo com um candidato a vereador, ajudando-o a conseguir votos em troca de um emprego para si e de um gerador de energia para sua comunidade. “O vereador foi eleito graças justamente à diferença de votos dos parentes dele, que depois virou motivo de piada por que as promessas não eram cumpridas. O gerador só foi entregue depois de várias idas à cidade para pressionar o vereador e o prefeito, ameaçando não mais votar no partido deles; quanto ao emprego, a solução encontrada foi que dividisse o salário com outro auxiliar geral de escola, com o político contemplando, assim, duas famílias.”

Rezende não vê neste regime de troca apenas uma atitude maquiavélica dos políticos para enganar a população. “É uma economia própria do Tejo, uma via de dois sentidos: as pessoas utilizam as relações deconsideração e ajuda para cobrar as promessas dos políticos, que na maioria também são da região e pensam da mesma maneira. Não se trata de pessoas politicamente mal formadas, e sim de uma forma bastante peculiar de entender as relações de troca e as relações políticas. Cada promessa política não cumprida vira também uma ofensa moral.”

Outro exemplo de política da ajuda e de seu componente redistributivo, lembrado por Roberto Rezende, é do presidente do sindicato de trabalhadores rurais que queria se eleger vereador e, através de um projeto com recursos do governo federal, subiu o rio distribuindo geradores, facões e outros bens para as comunidades. “Foi o mais votado nas eleições. No ano seguinte, durante um bingo no novenário da vila Thaumaturgo [a festa religiosa mais importante da região], ele e um morador da reserva preencheram ao mesmo tempo as cartelas com direito a um fogão e uma botija de gás. Os dois subiram ao palco, em frente a milhares de pessoas, e o vereador sugeriu que ficaria com a botija e o morador com o fogão, esperando a ovação por abrir mão do bem de maior valor. Mas acabou vaiado pelo povo, tido como miserável. Deixou de ser o político mais querido do município e provavelmente não será reeleito. Trata-se do componente redistributivo dessa economia: as pessoas esperam de quem tem que seja generoso com quem precisa.”

Publicação

Tese: “Camponeses da bacia do rio Tejo: economia, política e afeto na Amazônia”
Autor: Roberto Sanches Rezende
Orientador: Mauro William Barbosa de Almeida
Unidade: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)

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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Saberes de Dona Jorgina

Saberes de Dona Jorgina from mariana rodrigues on Vimeo.

Dona Jorgina já ensinou muita gente a fazer xaropes, pomadas e sabonetes com plantas medicinais. Ela é uma referência para todos os que fazem parte da Associação de Amigos da Rede Fitovida, formada por mais de cem grupos voluntários em todo estado do Rio, que tem como objetivo a preservação e transmissão de saberes sobre plantas medicinais.


Este filme faz parte da pesquisa "Folhas e curas: preservação de práticas culturais de cuidados com a saúde" da professora Dra. Mariana Leal Rodrigues, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Saberes de Dona Jandira

Saberes de Dona Jandira from mariana rodrigues on Vimeo.

Dona Jandira é conhecida pela vizinhança como uma exímia conhecedora de plantas medicinais. Duas vezes por ano, ela se junta a mais uma dezena de pessoas para a fabricação de xaropes e pomadas com plantas medicinais. A pomada milagrosa de São Benedito é feita nos fundos da pequena igreja com mesmo nome no município de Engenheiro Pedreira, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. O grupo faz parte da Associação de Amigos da Rede Fitovida, formada por mais de cem grupos semelhantes em todo estado do Rio, que tem como objetivo a preservação e transmissão de saberes sobre plantas medicinais.


Este filme faz parte da pesquisa "Folhas e curas: preservação de práticas culturais de cuidados com a saúde" da professora Dra. Mariana Leal Rodrigues, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).


REDE PATATIVA PGM 5

REDE PATATIVA PGM 5 from Sempre Viva Produções on Vimeo.

A Patativa vai pra Sergipe, visitar o Alcides, um agricultor que sabe muito bem a importância da água. Pro planeta Terra e pra ele, que vive e planta no Semiárido. Depois vai participar de um grande encontro de agricultores experimentadores de todo o Nordeste, organizado pela Articulação Semiárido, ASA, lá em Campina Grande. Por fim, visita o sítio arqueológico Lagedo de Soledade, no Rio Grande do Norte e aprecia a música da banda de pífanos dos Irmãos Aniceto, no Crato, Ceará.

REDE PATATIVA PGM 4


A Patativa circula pelo sertão baiano, pousando primeiro no município de Santa Luz, onde vive e trabalha um agricultor experimentador arretado, o Mauricinho. A Patativa chegou por lá pra conhecer o trabalho do cabra e, nem bem pousou, apareceu uma turma de estudantes da escola técnica local pruma aula prática sobre a agro-ecologia. V`ambora aprender junto??!!! 
Em seguida, conheceu o trabalho da Central de Cooperativas, que reúne dezenas de organizações do Sertão baiano. No fim, forró com Maciel Melo na praça de Afogados da Ingazeira, PE.

REDE PATATIVA PGM 3

REDE PATATIVA PGM 3 from Sempre Viva Produções on Vimeo.

José Lucivaldo nasceu no campo, numa família de agricultores, mas cedo mudou-se pra cidade, estudou, teve vários empregos, o último no Banco do Nordeste. Anos depois, cansado da cidade grande, comprou um pedaço de terra em Angelim, Pernambuco, e hoje é mais um agricultor-experimentador. 

E veja este CÍRCULO VIRTUOSO: o gado come o capim, produz a bosta, que vira gás, que cozinha a comida, plantada na terra adubada com o rejeito do gás. É biogás!!! Depois, coco, Coco Raízes de Arcoverde.

REDE PATATIVA PGM 2




A Patativa apresenta um agricultor que, além de experimentador, é inventor. Isso mesmo, diante das dificuldades ele bota a cabeça pra pensar e inventa a solução. Que serve pra ele e pra muita gente. Com vocês, Abel Manto. 

20 anos depois da praga do bicudo acabar com a produção de algodão do NE, pequenos agricultores do Ceará e de Pernambuco voltaram a produzir. E agora o algodão é orgânico. Por isso, estão exportando toda a sua produção direto para fábricas têxteis da França e da Espanha, eliminando o atravessador e ganhando um bom dinheiro. Por fim, a banda sinfônica de Carnaiba,PE, cidade onde uma escola de música dá o que falar. Ou melhor, o que tocar.

REDE PATATIVA PGM 1

REDE PATATIVA PGM 1 from Sempre Viva Produções on Vimeo.

Este primeiro episódio do programa Rede Patativa é uma homenagem às mulheres trabalhadoras rurais do Semiárido brasileiro. Você vai conhecer a Dona Francisca, agricultora que apresenta a riqueza do bioma da Caatinga e ensina como conviver em harmonia com ele; vai sentir a força do movimento das mulheres trabalhadoras rurais na sua luta contra a violência sexista e a desigualdade de gênero; vai, na companhia de dezenas de agricultoras e agricultores, visitar a Nalva em sua propriedade para ver como ela cultiva hortaliças, plantas medicinais, frutas com pouca água e muita sabedoria; vai apreciar o som do pífano de Zabé da Loca, que aos 81 anos continua tocando e encantando.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

III Congresso de Direito dos Povos Tradicionais faz chamada de trabalhos

“Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais, diálogos de saberes e emancipação”

24, 25 e 26 de novembro de 2016

Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Direito da UFBA

Grupo de Pesquisa, Historicidade do Estado e do Direito: interações sociedade, comunidade e meio ambiente

APRESENTAÇÃO

O III Congresso Internacional de Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais pretende aprofundar o diálogo e revelar o estado das pesquisas, das práticas e efetivação dos direitos dos povos e comunidades tradicionais. O evento contemplará a apresentação de trabalhos orais com palestras e conferências; sessões temáticas e mesas redondas, minicursos, que darão a oportunidade aos participantes de debater fundamentos teóricos e experiências implementadas na defesa do direito dos povos e comunidades tradicionais.

O I Congresso Internacional (2012) e o II Congresso Internacional (2014) foram experiências de aglutinação de experiências e de debates extremamente diversos na explicitação do campo jurídico e relação com os povos e

comunidades tradicionais. As ameaças persistem, inclusive o cerco contra os grupos vulneráveis, com mudanças legislativas propostas, como a PEC 215 no Congresso Nacional. Por último, registra-se o avanço neoliberal que têm ocasionado perda de direitos para povos e comunidades tradicionais no mundo inteiro.

O III Congresso demanda a ampliação da interlocução com parceiros, a incorporação da discussão da utilização do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e a centralidade da interdisciplinaridade.

O III Congresso tem como tema central: Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais, diálogos de saberes e emancipação”

Cinco subáreas temáticas:

a) O tempo, espaço e territórios tradicionais na América Latina (GT01)

b) Territórios tradicionais e ameaças legislativas (GT02)

c) Modelo de desenvolvimento, obras de grande impacto e territórios tradicionais (GT03)

d) Povos tradicionais, violação a direitos humanos e Sistema Interamericano de Proteção (GT04)

e) Avaliação das políticas públicas para povos e comunidades tradicionais(GT05)

Informações para inscrição de trabalhos acessem: http://www.grupodepesquisapct.ufba.br/?p=922
Colaboração de Ruben Siqueira, in EcoDebate, 17/06/2016

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Kuĩ Dume Teneni


História sobre a medicina do dume (tabaco), que compõe a quarta fase do videogame Huni Kuin: Yube Baitana (os caminhos da jiboia). Filmado na aldeia São Joaquim/Centro de Memórias durante a primeira oficina de audiovisual "Cantos, desenhos e histórias do povo Huni Kuin", Jordão, Acre, 2014. Narração: Tadeu Mateus Kaxinawá (Siã).

Huã Karu Yuxibu


História de aprendizado das plantas medicinais do povo Kaxinawá, que compõe a quinta e última fase do videogame Huni Kuin: Yube Baitana (os caminhos da jiboia). Filmado na aldeia São Joaquim/Centro de Memórias durante a segunda oficina de audiovisual "Cantos, desenhos e histórias do povo Huni Kuin", Jordão, Acre, 2015.

Yube Nawa Aĩbu


História de aprendizado do cipó (ayahuasca) pelo povo Kaxinawá, que compõe a primeira fase do videogame Huni Kuin: Yube Baitana (os caminhos da jiboia). Filmado na aldeia São Joaquim/Centro de Memórias durante a segunda oficina de audiovisual "Cantos, desenhos e histórias do povo Huni Kuin", Jordão, Acre, 2015. Narração: Dua Busẽ (Manoel Vandique).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Relação cidade x natureza, parte IV (Final), artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Os parques urbanos no Brasil têm em sua história um contexto diferenciado quanto ao seu surgimento, pois não havia ainda uma crise no espaço urbano quanto aos processos de aglomeração populacional e toda uma necessidade de purificação do ar em relação às questões higiênicas como na Europa no século XIX.

A atenção para os parques urbanos no Brasil se dá com a chegada da família real em 1808, na qual o país passa pela chamada “organização urbana” com o objetivo de dotar com condições o espaço urbano no que tange a limpeza de ruas, criação da policia militar, imprensa régia e fundação do Banco do Brasil, ou seja, elementos ou instituições para dar apoio a transferência da família real.

Ao longo do século XIX, a história dos parques urbanos públicos no Brasil, se inicia com o Jardim Botânico. Criado para atender a Dom Pedro, e que durante este século foi transformado em parque.

Destaca-se ainda que a frequência deste parque segundo BOVO e CONRADO (2012), se destinava apenas pessoas com as vestes apropriadas que poderiam circular entre as palmeiras imperiais e a vegetação nativa brasileira.

Ainda nessa linha de pensamento MACEDO e SAKATA (2003) afirmam que “o parque urbano brasileiro não surge da urgência social de atender as necessidades das massas urbanas da metrópole do século XIX”.

Desta forma durante o século XIX, no Brasil outros espaços foram considerados como parques urbanos, apesar de na sua inauguração ter outra nomenclatura. JORGE (2007) afirma que o Campo de Santana foi considerado como espaço livre utilizado pela burguesia como espaço de lazer, assim como o Passeio Público do Rio de Janeiro, também considerado como parque urbano público.

Assevera-se ainda que o processo de urbanização no Brasil se inicia de uma forma crescente em 1950, e com esse fato as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro apresentam essa carência de espaços de ar livre destinados ao público de massa.

Para TOLEDO e SANTOS (2012) tece a consideração que somente no final do século XX e que surge o interesse político para introdução e formação dos parques urbanos, e que somente com esta ação que governos e municípios passam a ter essa responsabilidade.

Desta forma, reitera-se que são no parque urbano que elementos como cultura, qualidade de vida, consumo particular e estilos de vidas diferenciados, estão presentes no mesmo espaço de sociabilidades e subjetividades.

Denota-se que o surgimento efetivo do parque urbano público se manifesta com a necessidade de dotar as cidades de espaços adequados para atender a uma nova demanda social: o lazer, o tempo do ócio e para contrapor-se ao ambiente urbano.

Para LOBODA e DE ANGELIS (2005) se adota a classificação de parque urbano como categoria de espaço verde urbano público e por sua vez o conceito de “área verde com função ecológica, estética e de lazer, no entanto com uma extensão maior que as praças e jardins públicos”.

A proposta de atender a função ecológica, estética e social que um parque pode proporcionar encontra guarida em nosso ordenamento jurídico. Ressalta-se que o Brasil é um dos países mais avançados em termos de normas ambientais apesar das dificuldades de sua aplicabilidade em razão das estruturas ou falta delas nos órgãos responsáveis, da má vontade política, da pobreza da população e da consequente falta de educação em questões relacionadas ao ambiente.

Nesse ínterim, mais uma vez aparecem os Parques Urbanos como espaço de apropriação do sujeito para o lazer, práticas sociais e corporais. Para JACOBS (1996) os elementos que devem ser contemplados no processo de planejamento de um parque é uma maior diversidade de espaços e equipamentos, possibilitando distintas formas de apropriação. Sendo assim, as pessoas podem frequentar o parque por motivos diversos e em horários diferentes.

Nesse sentido, o lazer pode ser enquadrado não só como fonte de liberação dos dissabores dos trabalhadores, mas como núcleo formador de identidade e novas subjetividades.

Portanto, uma pesquisa sobre como os indivíduos frequentadores de parques urbanos em uma cidade percebem a relação cidade e natureza, se torna relevante, na medida em que se descobre que esse indivíduo de direitos previsto em nosso ordenamento jurídico, consegue compreender através de símbolos e linguagens presente no parque urbano, elementos da natureza em um micro espaço da cidade. Uma possível criticidade enquanto política pública, com objetivo de atender as funções que o parque pode proporcionar.

BANNELL, Ralph Ings. Habermas e a Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

BRASIL, Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil. promulgada em 05 de outubro de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em: 11 de outubro de 2010.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental.
Universidade Federal Fluminense. 2011.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

HARVEY, David. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Loyola, 2003.

JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: M. Fontes, 1996.

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LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: <http://www.unicentro.br/EDITORA/REVISTAS/AMBIENCIA/v1n1/artigo%20125-139_.pdf> Acesso em: 02/11/2013.

MACEDO, Silvio Soares e SAKATA, Francine Gramacho. Parques Urbanos no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Edusp, 2002

OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalves. Direito Ambiental. Niterói, RJ: Impetus, 2012.

SANTOS, M. Espaço e Método. São Paulo: Edusp. 2008

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

SITTE, C. A construção das cidades segundo seus princípios artísticos. Trad. Ricardo Ferreira Henrique. São Paulo: Ática, 1992.

TOLEDO, Fabiane dos Santo e SANTOS, Douglas Gomes. Espaço livre de construção: um passeio pelos parques urbanos. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 3, n. 1, Piracicaba. 2012.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 06/04/2016
"Relação cidade x natureza, parte IV (Final), artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 6/04/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/04/06/relacao-cidade-x-natureza-parte-iv-final-artigo-de-roberto-naime/.

Relação cidade x natureza, parte III, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Ao articular a categoria de espaço urbano, surge a necessidade de compreensão da evolução do espaço geográfico, aliada ao cenário do surgimento dos parques urbanos.

SANTOS (2008) afirma quanto a compreensão da organização espacial, que “com a sua evolução, só se torna possível mediante a acurada interpretação do processo dialético entre formas, estruturas e funções através dos tempos”.

O próprio surgimento dos parques urbanos no mundo atende a uma demanda dos processos de urbanização e industrialização dos países. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos esses processos de transformação do espaço urbano ocasionaram o surgimento de grandes cidades e das metrópoles com um crescimento populacional superior as expectativas.

Quando se estuda a organização espacial esses conceitos (forma, função, estrutura e processo) são necessários para explicar como o espaço social está estruturado, como os homens organizam sua sociedade no espaço e como a concepção e o uso que o homem faz do espaço sofrem as mudanças. A acumulação do tempo histórico permite-nos compreender a atual organização espacial.

Nessa linha de pensamento da organização do espaço geográfico da qual o homem organiza sua sociedade no espaço, a partir das mudanças que sofrem, está na exegese dos parques.

Governantes e representantes de classe, em 1830, com as preocupações de doenças como cólera e doenças respiratórias na Europa. E embalados pelo relatório publicado pelo “Comitê de Seleção”, movem as autoridades para criar espaços para a higienização, purificação, circulação de brisas para a eliminação dos “miasmas” (JORGE, 2007).

Nesse contexto BOVO e CONRADO (2012) afirmam que os parques urbanos tinham a função primordial de recreação e lazer, uma vez que a malha urbana crescia rapidamente e necessitava de espaços para atenuar os problemas da cidade, tendo mais uma função de “pulmões verdes”.

Todas essas preocupações são confirmadas por JORGE (2007) ao ponderar que: “em 1840, Londres já apresentava uma quantidade significativa de parques urbanos abertos ao uso público como o Regent’s Park e Saint James Park, os famosos Hyde Park e Green Park, assim como o Kensington Park”.

Nesse ínterim o período de apogeu decorre das décadas de 1840 a 1860 tanto na Europa quanto nos Estados Unidos (SILVA e PASQUALETTO, 2013). Tanto que nos Estados Unidos houve o surgimento do Parks Movement, com a idéia de criação de espaços públicos com plantação de árvores para a vitalidade do ar para os habitantes.

Quanto aos Parks Movement ocorridos na América do Norte, influenciaram as transformações ocorridas nos parques urbanos no século XX, segundo SCALISE, (2002)

Esse movimento conservacionista defendia a utilização econômica dos espaços livres, criando oportunidades de recreação e também de preservar os recursos naturais, controle de enchentes, proteger os mananciais, criando espaços agradáveis para passear e morar.

Esses trabalhos, além de inspirar a criação de inúmeros parques e da cidade-jardim de Howard, mudaram o conceito de qualidade ambiental urbana.

Tanto SCALISE (2002), quanto SILVA e PASQUALETTO (2013) esclarecem ainda que o desenvolvimento dos parques urbanos ocorreu no século XX com o movimento dos Parques Americanos (Parks Movement) liderado por Frederick Law Olmstead tanto em Nova York, Chicago e Boston.

Assim com todas essas alterações no espaço urbano e com as mudanças históricas, o conceito de parque urbano na contemporaneidade passa a ser de todo o espaço de uso público destinado à recreação de massa, de qualquer tipo com presença arbórea. Para SILVA e PASQUALETTO (2013), prepondera a função recreativa.

Para FERREIRA (2011) no que se refere ao conceito e características de parque urbano, há que se destacar o diferencial, que consiste na presença do porte arbóreo, ou seja, a obrigatoriedade da presença de vegetação arbórea, pois “a massa vegetal e os seus efeitos positivos no ambiente urbano é o que fazem o diferencial do parque para os outros tipos de áreas verdes, como praças e jardins”.

Referências:

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental. Universidade Federal Fluminense. 2011.

JORGE, Vinie Pedro. Além do Jardim: O parque na cidade de São José dos Campos. Dissertação de Mestrado em Urbanismo da PUC-CAMPINAS, 2007.

LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: <http://www.unicentro.br/EDITORA/REVISTAS/AMBIENCIA/v1n1/artigo%20125-139_.pdf> Acesso em: 02/11/2013.

OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalves. Direito Ambiental. Niterói, RJ: Impetus, 2012.

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 05/04/2016

Relação cidade x natureza, parte II, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] Para que ocorram esses processos de racionalização nas estruturas e nas ações social, política e econômica, que BANNEL (2006) afirma que a “racionalização como possibilidade para a expansão de aprendizagem coletiva como a institucionalização da razão na Sociedade”.

O entendimento que é permitido consiste na racionalização como expansão dos processos de aprendizagem, que se manifestam através das formas urbanas de vida, conceito este apresentado por Habermas.

Tudo isso é para confirmar, que somente com este desencantamento do mundo para um projeto de racionalização e modernidade que se torna possível uma emancipação destas estruturas sociais.

No que diz respeito ao tema formas urbanas de vida, SCALISE (2002), considera que para a ocorrência das formas urbanas de vida, envolve planejamento e desenvolvimento urbanístico arquitetônico com tendências as padronizações dos elementos constitutivos do ambiente.

Em outras palavras, o espaço das formas urbanas de vida e concebido como algo a ser moldado para propósitos sociais. Com suas nuanças e perspectivas, os edifícios, canteiros, ruas, praças podem ser entendidos como uma linguagem que muito informa as concepções de mundo subjacentes àqueles que as elaboravam formalmente e executaram materialmente.

SCALISE (2002) contribui ao afirmar que em meio deste cenário de mudanças constantes surgem os problemas psicológicos, sociológicos, organizacionais e políticos da urbanização maciça.

Uma vez que com a passagem do rural para urbano e fluxos migratórios em busca da manutenção da própria existência é que nesse mosaico urbano de culturas e identidades que “experiências urbanas influenciam na formação da dinâmica cultural”.

E nesse contexto de crescimento urbano explosivo, forte fluxo migratório e intensa industrialização e mecanização que a concepção de parques urbanos com sua função estética, ecológica e social. (LOBODA e DE ANGELIS, 2013) aparece com seus elementos naturais (água, terra, plantas, animais entre outros) em um espaço urbano planejado.

No que concernem as funções que o parque pode proporcionar, entende-se como função estética, a inclusão de elementos naturais que compõe esse espaço e de forma direta ou indireta minimiza os impactos decorrentes da industrialização e mecanização.

Por sua vez na função ecológica, esta se apresenta, na relação espaços construídos e os destinados a circulação proporcionando a integração. E na função social a relação consiste na oferta de espaços para o lazer dos frequentadores.

Há que se destacar também que nessa relação cidade-natureza em um micro espaço da cidade, o parque urbano.

Do canteiro à arvore, ao jardim de bairro ou ao grande parque urbano, as estruturas verdes constituem também elementos identificáveis na estrutura urbana, caracterizam a imagem da cidade, tem a individualização própria, desempenham funções precisas, são elementos de composição e do desenho urbano e servem para organizar, definir e conter espaços.

Se destaca a importância dos parques nos grandes retângulos urbanos de ruas, prédios edifícios, pois são essenciais para a saúde.

No parque urbano ocorre essa relação próxima de condições ecológicas das condições do urbano. Portanto, no interior dos parques se encontra elementos típicos de uma natureza ainda outrora pouco tocada típica da era pré-industrial com outra de uma vida urbana, tais como regras de conduta, normas de direito, espaços mercadológicos e do lazer.

Referências:

BANNELL, Ralph Ings. Habermas e a Educação. Belo Horizonte: Autentica, 2006.

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental. Universidade Federal Fluminense. 2011.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: <http://www.unicentro.br/EDITORA/REVISTAS/AMBIENCIA/v1n1/artigo%20125-139_.pdf> Acesso em: 02/11/2013.

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

TOLEDO, Fabiane dos Santos e SANTOS, Douglas Gomes. Espaço livre de construção: um passeio pelos parques urbanos. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 3, n. 1, Piracicaba. 2012.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 31/03/2016
"Relação cidade x natureza, parte II, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/03/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/03/31/relacao-cidade-x-natureza-parte-ii-artigo-de-roberto-naime/.

Relação cidade x natureza, parte I, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] SILVA et. al. (2015) discutem os problemas ambientais nas ultimas décadas, sob a dimensão da relação entre cidade e natureza. Estas discussões evidenciam a questão ambiental aliada ao contexto sociopolítico e econômico.

Os parques urbanos surgem no século XIX na Europa num cenário de crescente desordenamento migratório do campo para cidade, mecanização pesada nas cidades e problemas de poluição e saúde de um modo geral.

O parque urbano aparece ainda como espaço contendo área verde e de lazer, resultado de um amplo processo de produção e reprodução do espaço, com base em leis e normas do Estado para a efetivação de uma política pública ambiental.

É a partir da modernidade que diversos teóricos apontam para profundas transformações sociais que ocorrem nas cidades. Nessa seara conceitual de modernidade numa interface da cidade que se manifesta nos centros urbanos, através da industrialização e de uma reorganização dos movimentos sociais em sua base política e que desencadeiam em uma série de direitos.
Aponta-se que é na modernidade que ocorre a superação do sagrado para o profano, ocorre deixar de aceitar as explicações da divindade pelas ciências empíricas, há uma mudanças na organização social com a passagem do rural para o urbano.

Ao tratar de modernidade, inclui-se sobre a racionalização e Habermas, interpretando Max Weber aponta que racional significa o efeito do “processo de desencantamento ocorrido na Europa que, ao destruir as imagens religiosas do mundo, criou uma cultura profana”.

Habermas ao articular racionalidade e o projeto de modernidade aponta para a compreensão e possibilidade de emancipação humana, uma vez que o cotidiano absorve esta racionalização e “dissolvem-se também, formas de vida tradicionais”.

Características desse tempo de racionalização e de modernidade, é o que Hegel assevera como o moderno, que se dá com a descoberta do novo mundo. Cedro (2005) indica que as principais características do mundo moderno consistem no “Iluminismo, a reflexão da fé, a soberania do Estado, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, conhecimento da natureza, o livre-arbítrio, as Grandes Guerras e sua manifestação com a perda da ilusão e ingenuidade”.

Por incrível que pareça tudo isto vai influenciar muito a relação entre o urbano necessário e a natureza a qual se pertence, acima de qualquer negação.

Se observarmos que nessas características ou eventos que ocorrem dessa passagem da Idade Média para a Contemporânea, com o projeto de racionalização e modernidade, isso leva a pensar em processos que ocorrem através das culturas, pois a uma apropriação ou uma troca de culturas e identidades, sendo que esta antiga cultura foi substituída por uma reflexiva.

Pois somente com esta cultura reflexiva e com o ingresso da racionalização é que se tornam possíveis acontecimentos neste século. É isto que vai determinar uma nova significação da natureza no urbano.

Referências:

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental. Universidade Federal Fluminense. 2011.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

JORGE, Vinie Pedro. Além do Jardim: O parque na cidade de São José dos Campos. Dissertação de Mestrado em Urbanismo da PUC-CAMPINAS, 2007.

LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: Acesso em: 02/11/2013.

OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalves. Direito Ambiental. Niterói, RJ: Impetus, 2012.

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

TOLEDO, Fabiane dos Santos e SANTOS, Douglas Gomes. Espaço livre de construção: um passeio pelos parques urbanos. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 3, n. 1, Piracicaba. 2012.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 30/03/2016
"Relação cidade x natureza, parte I, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/03/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/03/30/relacao-cidade-x-natureza-parte-i-artigo-de-roberto-naime/.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Acre: Seaprof e Embrapa discutem termo de cooperação técnica em terra indígena

Por Leônidas Badaró em 18/06/2015

O secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar, Glenilson Figueiredo, recebeu na tarde desta quarta-feira, 17, o representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para discutir a continuidade das ações de pesquisa e assistência técnica na Terra Indígena Kaxinawá de Nova Olinda.

Localizada em Feijó, a área possui 27 mil hectares, onde moram 492 índios. De 2011 a 2013 a Embrapa em parceria com o governo do Estado desenvolveu ações de fortalecimento da agricultura, plantas medicinais, levantamento de espécies de roçado, manejo de pragas de doenças das plantas, produção de mel e farinha. A Seaprof, juntamente com a Emater, são as responsáveis pela assistência técnica dessas ações.

O pesquisador da Embrapa, Moacir Haverroth, enfatiza as mudanças na qualidade de vida na comunidade indígena durante os três anos de execução do projeto. “A gente percebeu uma melhoria bastante sensível na produção de bananas, tivemos uma reestruturação da produção de mandioca e farinha. Os roçados eram distantes, o que dificultava o trabalho. Com a construção de três casas de farinha, reorganizamos e melhoramos a produção”, afirma.

Novo termo de cooperação técnica

A boa notícia para a comunidade indígena é que está garantida a continuação das ações por meio do projeto “Etnoconhecimento e Agrobiodiversidade entre os Kaxinawá de Nova Olinda – Fase II”.

E mais uma vez o governo do Estado vai ser parceiro. No encontro desta quarta-feira, 17, foi acertada a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a Embrapa e o governo do Acre pelos próximos três anos. “A Embrapa tem como missão produzir conhecimento e a Seaprof é a responsável pela assistência técnica. O que estamos fazendo aqui é unir os braços para aumentar o alcance e garantir melhoria na qualidade de vida das famílias indígenas”, enfatiza Eufran Amaral, chefe-geral da Embrapa no Acre.

Dinah Borges, responsável pela divisão de extensão indígena na Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), comemora a continuação da parceria pelos próximos três anos, principalmente pela possibilidade de replicar a experiência que vem alcançando resultados positivos em outras comunidades indígenas.

A experiência do trabalho em parceria da Embrapa, Seaprof e Emater na Nova Olinda tem sido extremamente importante porque conseguiu unir pesquisa e extensão. Nós conseguimos fortalecer as duas associações com a participação dos indígenas. Agora, o desafio é levar esse aprendizado para outras comunidades”, explica.
Experiência de sucesso em terra indígena Kaxinawá em Feijó vai ser replicada em outras comunidades (Foto: Leônidas Badaró)

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