sábado, 14 de junho de 2014

Making our arteries less sticky

Fatores psicológicos podem causar ou agravar doenças de pele, afirma dermatologista

Quem sofre com estresse, ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e outros traumas psicológicos pode sofrer com problemas de pele.
Foto: B. Boissonnet /BSIP/Corbis

Caspa, psoríase, vitiligo, manchas, acnes e dermatites são algumas das condições desencadeadas por fatores emocionais. “As psicodermatoses referem-se a qualquer doença que afeta a pele diretamente devido a fatores psicológicos, que exercem um papel significativo. O sistema nervoso central e a pele têm a mesma origem embrionária, então é comum a relação dos dois. O estado emocional pode tanto causar doenças como agravá-las”, explica a dermatologista Márcia Senra, especialista no assunto que atua no Hospital Federal de Ipanema/RJ.

Segundo a especialista, quem sofre com estresse, ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, esquizofrenia, hipocondria e traumas psicológicos pode sofrer com o problema. “A primeira coisa a ser feita é afastar as causas orgânicas, como problemas de circulação, reação medicamentosa ou problemas de sangue. Só depois serão avaliados fatores psicológicos. O dermatologista tem que trabalhar em conjunto com o psicólogo para descobrir a causa. Os quadros mais comuns são a automutilação, dermatites atópicas, arrancar os cabelos, acnes, psoríase, vitiligo, manhas e escamação. Todos esses sintomas são agravados pelo estado emocional do paciente”, alerta.

Algumas dessas doenças, como a urticária, o prurido e o vitiligo, apesar de poderem ser potencializadas por distúrbios emocionais, só se manifestam em pessoas com predisposição familiar. “A vitiligo é altamente genético, mas pode está relacionado a algum fator psicológico”, diz Márcia.

Livre das psicodermatoses – O tratamento da condição psicológica pré-existente traz benefícios na grande maioria dos casos. “Nos quadros em que o distúrbio psiquiátrico é a causa da doença, esse tratamento em conjunto é indispensável. O dermatologista vai ter um olhar diferenciado, vai buscar descobrir qual ponto de partida desta psicodermatoses”. Caso o especialista perceba que o problema é realmente psicológico, deve encaminhar o paciente para uma consulta psiquiátrica.

Segundo a dermatologista, é muito importante que se tenha clínicas dermatológicas trabalhando em conjunto com os serviços de psicologia. “Esse trabalho vai ajudar no diagnóstico e principalmente no tratamento dos pacientes. Se esses quadros não forem convenientemente tratados, essas alterações mantêm o problema na pele sem regressão. Além disso, é importante saber lidar com os efeitos psicológicos, para conseguir um estilo de vida melhor e evitar principalmente que as doenças de pele apareçam”, finaliza.

Evite o estresse:

- Mantenha uma alimentação adequada;
- Pratique atividades físicas;
- Descanse;
- Medite.

Fonte: Érica Santos / Comunicação Interna do Ministério da Saúde

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Mitos e verdades sobre as crises de enxaqueca

Cerca de 90% das pessoas terão pelo menos uma crise de enxaqueca ao longo da vida. Quem sofre com as fortes dores de cabeça muitas vezes acaba se automedicando e não procura ajuda médica. Por não buscarem a orientação correta, esses pacientes vivem cercados de dúvidas sobre a doença. “A enxaqueca é um dos tipos mais comuns de cefaleia. A dor característica é bilateral, localizada de um lado da cabeça, às vezes nos dois. Pode provocar náuseas e vômitos. Além disso, a crise impossibilita simples tarefas do dia a dia, como caminhar, dirigir ou trabalhar”, afirma o neurologista Iuberi Zwetsch, do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Ele esclarece o que é mito e o que é verdade acerca do assunto.

Existem alimentos que pioram as crises de enxaqueca. Verdade.

Certos alimentos podem iniciar ou piorar as crises: gordura, chocolate, chá, café, frituras e alguns temperos. As bebidas alcoólicas, principalmente o vinho, provocam fortes crises de enxaqueca.

A enxaqueca é sempre hereditária. Mito.

Existem casos de enxaqueca que vêm do histórico familiar, mais isso não é uma regra. Isso é raro e se chama síndrome da enxaqueca hemiplégica familiar.

Existe uma dieta para enxaqueca. Meia verdade.

Na verdade, a pessoa deve evitar os alimentos que agravam as crises, como por exemplo queijos amarelos, chocolate e bebidas alcoólicas. Por isso, manter uma dieta equilibrada é o ideal.

A enxaqueca só acontece em adultos. Mito.

Pode ocorrer em qualquer faixa etária, até mesmo em crianças e adolescentes. Algumas crianças têm crises de enxaqueca porque comem produtos com corantes, como biscoitos, salgadinhos temperados e outros.

Não existem medicações específicas para o tratamento da crise de enxaqueca. Mito.

Existe uma série de classes de medicações utilizadas para o tratamento das crises agudas de enxaqueca, como por exemplo os ergotamínicos e triptanos. São remédios com diferentes ações farmacológicas, mas, de maneira geral, promovem vasoconstrição cerebral.

A enxaqueca não tem cura, mas pode ser controlada. Verdade.

Por ser uma doença bioquímica do cérebro transmitida geneticamente, a enxaqueca ainda não tem cura, no sentido real da palavra, mas a pessoa pode controlar com alimentação adequada e com atividades físicas regulares, que ajudam a aliviar o estresse. E também com os medicamentos corretos.

Somente o médico pode dizer qual é a melhor medicação para quem sofre de enxaqueca, mas as crises podem ser reduzidas ao evitar os fatores desencadeantes. É recomendado:

- Beber muita água;
- Comer moderadamente;
- Descanse, coloque um pano úmido aonde dói;
- Tome o remédio recomendado pelo médico. Nunca tome a medicação mais de duas vezes por semana, pode piorar as crises.

Fonte: Érica Santos / Agência Saúde

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Infecção Urinária – Perguntas e respostas

O sistema urinário é composto pelos rins, ureteres, a bexiga e a uretra e é o responsável pela filtragem e eliminação de substâncias nocivas do organismo.

A urina é filtrada pelos rins e segue pelos ureteres, sendo armazenada na bexiga. Para ser expelida, ela percorre o canal chamado uretra.

A cistite é um tipo de infecção urinária, causada por bactérias que na maioria das vezes entram pela uretra e atingem a bexiga. Infecções urinárias podem ocorrer em qualquer local do trato urinário e por isso é essencial que alguns cuidados sejam tomados. O Chefe do Serviço de Urologia do Grupo Hospitalar Conceição, o urologista Gelson Spironello ajudou o Blog da Saúde a responder algumas perguntas:

Mulheres têm mais infecções urinárias? Por qual motivo?

Homens e mulheres podem ter diferentes tipos de infecção urinária, em qualquer faixa etária, mas as mulheres têm uma tendência maior a contraí-las. Por motivos anatômicos, a uretra das mulheres tem um caminho mais curto. Então as bactérias rapidamente alcançam a bexiga, por isso são comuns casos de repetição, onde a infecção ocorre com frequência em algumas mulheres.

O que é a cistite e a prostatite?

A cistite é uma infecção urinária baixa, que ocorre quando as bactérias chegam rapidamente à bexiga. Geralmente é causada por uma bactéria, Escherichia Coli, mas outros microorganismos também podem causar em uma infecção urinária. Cistite dá em homens e mulheres, mas em homens é mais comum que ocorra a prostatite, que é outro tipo de infecção. A prostatite acontece em homens de qualquer idade é uma infecção da próstata que é provocada por bactérias também. Causa dificuldade para urinar e um desconforto, assim como a cistite.

O que é a pielonefrite?

É a infecção urinária que chega ao rim. Geralmente, tem um quadro clínico mais grave do que a cistite, com dores nas costas, febre alta, náuseas.

Ficar de bexiga cheia faz mal?

Pessoas que permanecem muito tempo trabalhando ou viajam muito podem esquecer de esvaziar a bexiga. O esvaziamento periódico é uma defesa do corpo, não é recomendado reter urina por períodos longos, isso predispõe a infecções.

Mulheres grávidas têm mais infecções urinárias?

As mulheres passam por diversas alterações no corpo quando engravidam. Tem alteração na pelve, alterações hormonais e imunológicas. Consequentemente, as grávidas tem mais predisposição a ter uma infecção do que uma mulher não grávida.

Quais outras grupos são mais suscetíveis a infecções?

Quando há uma patologia de base, há mais chances de ter infecções. Por exemplo, homens com problemas na bexiga ou dificuldade para urinar ficam mais propensos a ter infecções. Mulheres de qualquer idade que tenham imunidade baixa, disfunção ou incontinência urinária e outros fatores também estão mais suscetíveis a ter infecções urinárias.

O que é recomendado para evitar infecções urinárias?

Quando já ocorreu uma vez tem que tratar, para evitar as crises de repetição e recaídas do organismo. Algumas mudanças de hábito, como manter a higiene em dia, urinar com mais frequência, aumentar a ingestão de água e outros líquidos, cuidar da alimentação e consequentemente da imunidade são dicas essenciais para se prevenir de uma infecção urinária.

Fonte: Kathlen Amado / Blog da Saúde

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Colesterol alto: saiba o que é e como combater

Você já parou para refletir sobre seu estilo de vida e os cuidados que toma com a saúde? O aumento de níveis de colesterol nem sempre apresenta sintomas, isso faz com que as pessoas não deem a devida importância ao acompanhamento médico.

No entanto, o mal, que atinge cerca de 40% da população brasileira, pode resultar em doenças graves como a arteriosclerose, isquemia cerebral e infartos. A única maneira de descobrir se o colesterol está alto ou não é através de um exame de sangue para o colesterol total e suas frações e triglicerídeos.

A doença pode estar ligada a fatores hereditários, de origem genética, o chamado colesterol familiar. Pode também aparecer devido a um estilo de vida não saudável, com vícios de alimentação, tabagismo e sem prática de exercícios físicos.

Segundo a nutricionista da Coordenação de Atenção à Saúde do Servidor do Ministério da Saúde, Raquel Franz, atualmente, o maior vilão para o colesterol alto é o consumo de gorduras trans. “Elas aumentam o colesterol ruim e diminuem o bom”, explica. Vários alimentos são ricos em gordura trans, como biscoitos recheados, tortas, sorvetes, chocolates e frituras.

Qual a diferença entre ‘colesterol bom’ e ‘colesterol ruim’?

Para que o colesterol consiga circular na corrente sanguínea é necessária uma lipoproteína transportadora. Estas podem ser de vários tipos, como o LDL (Low-density lipoprotein) e o HDL (High-density lipoprotein).

A nutricionista Nadia Barem explica o que são essas lipoproteínas. “O HDL é o chamado ‘colesterol bom’. Ele retira o excesso de colesterol da circulação e leva para o fígado. Já o LDL é considerado o ‘colesterol mau’, pois transporta o colesterol para os tecidos e facilita a deposição de gorduras nos vasos sanguíneos”.

Alimentos ricos em gordura saturada favorecem a produção de colesterol ruim, o LDL. Dentre eles: carnes vermelhas gordurosas, pele de aves, bacon, leite integral e embutidos (presunto, salame, mortadela).

Já as gorduras insaturadas promovem a produção do HDL, o colesterol bom. Azeite de oliva, óleo de canola, abacate e semente de linhaça são alguns exemplos de gordura insaturada.

Como tratar problemas de colesterol alto?

Segundo a nutricionista Raquel Franz para evitar aumento do colesterol é importante o aumento da ingestão de fibras, como frutas, cereais e legumes. Além do consumo desses alimentos, também é importante aumentar a ingestão de antioxidantes como os flavonoides, encontrados nas castanhas e alimentos processados, como suco de uva, vinho e chá verde. “São substâncias importantes por inibirem a oxidação do colesterol mau, reduzindo assim o aparecimento de doenças no coração”, explicam as nutricionistas.

Fonte: Kathlen Amado / Blog da Saúde

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Dormir de lado garante um sono mais saudável

Especialista recomenda dormir de lado. Foto: Hiya Images/CorbisApós uma noite mal dormida podem surgir dores no pescoço e nas costas. Segundo o especialista em distúrbios do sono do Hospital Federal da Lagoa, da rede do Ministério da Saúde, Lucas Leme, aliviar o desconforto é importante modificar os hábitos durante o sono. "Independente do bom colchão, você tem que estar confortável”.

Leme alerta, no entanto, que a posição de barriga para cima não é recomendável, pois gera uma dificuldade respiratória que pode levar a um sono mais superficial. Também não é ideal dormir de bruços, pois isso afeta a coluna ao longo dos anos. “O recomendado é as pessoas dormirem de lado”, explica.

Outra recomendação do especialista é evitar travesseiros muito altos, que podem comprometer o alinhamento do pescoço, gerando dores. Segundo Leme, o travesseiro mais adequado é de altura média, para manter a coluna alinhada.

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sexta-feira, 13 de junho de 2014

FAO: 840 milhões de pessoas são afetadas pela subnutrição

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, advertiu ontem, em Roma, para o progresso insuficiente na luta contra a subnutrição, que afeta aproximadamente 842 milhões de pessoas.

Graziano da Silva fez a declaração durante a apresentação da 2ª Conferência Internacional sobre a Nutrição, que acontecerá em Roma, entre 19 e 21 de novembro. O diretor-geral da FAO lamentou que os avanços obtidos desde a última conferência, em 1992, “tenham sido insuficientes e desiguais”.

O brasileiro sublinhou que a subnutrição causa uma perda econômica considerável, que ficaria perto dos 5% do Produto Interno Bruto mundial, reconhecendo que “não temos prestado atenção à nutrição durante anos, só temos nos preocupado com a alimentação”.

Acrescentou que os problemas de nutrição são “um assunto público e não privado. As sociedades, não só os indivíduos, tem de abordá-los”.

A conferência sobre nutrição é uma continuação daquela feita em 1992 e seus coorganizadores – a FAO e a Organização Mundial da Saúde (OMS) – pretendem com ela alcançar uma “declaração política”, com o compromisso de aprovar ações “efetivas e coordenadas para melhorar a nutrição”.

Além disso, o objetivo declarado é estabelecer um “quadro de ação”, com a orientação técnica para a implementação dessas ações, de modo que as diferentes estratégias nacionais sejam coerentes.

Segundo os dados da FAO, distribuídos hoje em Roma, aproximadamente 45% das 6,9 milhões de mortes de crianças que se registam anualmente estão vinculadas à subnutrição e um total de 162 milhões de menores de idade são afetados pela subnutrição crônica.

Dois milhões de pessoas são afetadas por problemas de deficiências de micronutrientes e 500 milhões de pessoas sofrem de obesidade, segundo a FAO.

Entre os participantes da conferência estará o papa Francisco. Graziano da Silva disse que as “igrejas desempenham um papel fundamental” neste tema e a presença do papa é um símbolo da cooperação da FAO com todas as religiões.

Além do papa, a FAO referiu que “outros chefes de Estado e de Governo, dignatários e líderes religiosos” também foram convidados. Também estarão presentes o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Presidente da Itália, Giorgio Napolitano, a Presidente do Chile, Michelle Bachelet, entre outros

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La magia medicinal del diente de león

Dia de Campo na TV - Sisteminha Embrapa : produção sustentável e integra...

Ioga: acalma e ensina a respirar melhor

Decreto 8.243/2014 fortalece a participação social, direito assegurado pela Constituição

Foto: Reprodução/Participa.br

Por Sara Brito (Centro Sabiá)

No último dia 23 de maio foi lançada, em Brasília, em evento que foi chamado de Arena da Participação Social, a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Compromisso Nacional pela Participação Social (CNPS), o que possibilita aos brasileiros e às brasileiras influenciarem seus governos. Com o decreto assinado pela presidenta Dilma Rousseff, que institui a PNPS e define o CNPS, a participação social se torna um direito. Direito que foi reconhecido pela primeira vez há 66 anos, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento da Organização das Nações Unidas (ONU).

O principal objetivo da PNPS é a consolidação da participação social como método de governo. Para isso, estabelece objetivos e diretrizes relativos ao conjunto de mecanismos e instâncias democráticas de diálogo entre governo federal e sociedade civil, como conselhos, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, consultas públicas, audiências públicas e ambientes virtuais de participação. Já o CNPS é uma tradução da PNPS para os estados e municípios, na forma de adesão voluntária; é um acordo entre os governos federal, estadual e municipal para a consolidação da democracia participativa no país.

“O cidadão poderá participar efetivamente da construção dos programas, das ações e das políticas dos governos federal, estaduais e municipais. Com isso, a política pública chega perto da vida do cidadão,” afirma Pedro Pontual, Diretor de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, em vídeo no site Participa.br. “No fundo, é também uma resposta a essa voz que está nas ruas, que ao reivindicar saúde, mobilidade urbana e segurança, na verdade está querendo reivindicar a participação nessas decisões,” completa ele. A construção coletiva já estava presente na elaboração da PNPS e do CNPS; a sociedade pôde participar de todo o processo comentando e acrescentando ideias durante as duas consultas públicas realizadas.

Um dos canais para a participação é o portal Participa.br, instrumento de diálogo do governo com a sociedade, formado basicamente por comunidades de diálogo e de interesse. É possível se cadastrar, saber detalhes sobre a Política de Participação Social e participar de fóruns sobre diversos temas. “A participação digital é extremamente importante, porque ela permite que o sujeito de qualquer ponto que estiver e a partir da sua organização, possa influir nas políticas,” ressalta o Diretor. O Participa.br chama atenção para o uso da internet como ferramenta mobilizadora.

Polêmica Desnecessária

Apesar de o decreto ‘simplesmente’ institucionalizar um direito, tornando-o uma política de estado, vários meios da grande impressa não estão satisfeitos com isso e insistem na tecla de que se trata de um processo anti-democrático. É o que afirma veementemente editorial publicado, no dia 29/05, no jornal O Estado de São Paulo, como se lê: “O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas.” É evidente a busca por descaracterizar o decreto e levar os leitores na direção da deturpação dos fatos. 

Uma parte do Congresso Nacional também começou a levantar críticas direcionadas ao decreto. Segundo ela, o decreto invade e fere as prerrogativas do Poder Legislativo. Para Gilberto Carvalho, Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o decreto não engessa ou atrapalha nada, mas fortalece instâncias como os conselhos e as conferências. “É própria de qualquer democracia madura a prática de ouvir a sociedade. O que o decreto faz é simplesmente regulamentar, estimular a ampliação daquilo que já existe,” diz ele.

Ao contrário do que os críticos afirmam, o decreto não é uma ameaça ao sistema democrático, mas ajuda a fortalecer a democracia participativa, abre os ouvidos do governo para os gritos da população. O povo quer ser ouvido, e ultimamente vem se dando conta e se apoderando de seu direito de ser ativo cada vez mais; exemplo disso são os protestos e manifestações que percorrem todo o país. A Política de Participação Social abre caminho para que os brasileiros e as brasileiras exerçam seu direito, assegurado pela Constituição de 1988.

Até o ex-ministro do governo Sarney e do governo Fernando Henrique Cardoso, Bresser Pereira, estranhou a gritaria da direita brasileira. Chegou a publicar artigo no Jornal A Folha de São Paulo. No seu artigo ele alega que o decreto não diz nada além do que já existe no Brasil de fato: “...O decreto nº 8.243, portanto, não legisla sobre o nada. Pelo contrário, as formas de participação que define --as conferências nacionais, a ouvidoria pública, as audiências e consultas públicas-- já existem no Brasil e muitas delas, especialmente as conferências nacionais, são dotadas de grande vitalidade e legitimidade. Os liberais afirmam que o decreto implica o risco do surgimento de "um poder paralelo". Isso é puro nonsense. A democracia participativa convoca as organizações da sociedade civil e os cidadãos para participarem da definição das políticas públicas, mas de forma consultiva...”. Esclarecido?!

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A forma como você se alimenta é um ato político

Para a nutricionista Elaine de Azevedo, o consumo de orgânicos não está restrito à preocupação com a saúde

por Mariana Melo — publicado 12/06/2014 04:09, última modificação 12/06/2014 09:28

III Encontro Nacional de Agroecologia/Flickr
Reunião sobre agricultura orgânica e familiar ocorrida em Juazeiro (BA) no III Encontro Nacional de Agroecologia

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Por que é bom consumir orgânicos? Dos adeptos dos alimentos “naturebas” produzidos sem agrotóxicos ou outros insumos considerados agressivos ao meio ambiente, a resposta vem de forma imediata: porque é melhor para a saúde. Mas, segundo a nutricionista Elaine de Azevedo, pesquisadora do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, essa resposta pode ser muito reducionista para demonstrar todo impacto que o consumo orgânico pode ter à sociedade. Em uma discussão que abrange desde a problemática social do campo até a questão da fome mundial, consumir tais alimentos pode ser um gesto político. “A agricultura orgânica é mais do que um modo produtivo, é uma proposta, é um movimento ativista. É importante ampliar os conceitos, para entender o que é que está por trás da produção orgânica”, diz Elaine, autora do livro Alimentos Orgânicos: ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social, da Editora Senac. Confira a entrevista.

CartaCapital: Alguns defendem o consumo de produtos orgânicos pelo viés ambiental, outros, nutricional. Você diz que os benefícios do consumo dos orgânicos são uma questão mais plural, que beneficia uma série de setores. Você poderia falar mais a respeito?

Elaine de Azevedo: Na verdade, esses vieses parecem que são separados, mas são costurados pelo contexto de saúde coletiva. A saúde coletiva implica em condições sociais, ambientais e de estilo de vida saudáveis. Quando você olha na perspectiva de saúde coletiva, para você ser saudável você tem que trabalhar, ter dignidade, estar com quem gosta em um ambiente sustentável pra ter saúde. Nessa perspectiva, o alimento orgânico de origem familiar vai ao encontro da promoção de saúde social, porque vai dignificar o agricultor, e isso repercute na qualidade de vida nas grandes cidades na questão do desemprego, da violência. Tem a ver com a saúde social urbana. E na saúde ambiental também, porque não adianta comer bem se o ar e o mar estiverem poluídos, se o clima estiver desequilibrado. Você tem repercussões sociais porque o ambiente não é só o indivíduo. Então, o aspecto de alimentos equilibrados nutricionalmente é quase uma consequência. Respirar ar poluído, não ter trabalho e viver em uma cidade violenta com graves problemas sociais não é saudável.

CC: Por que consumir orgânicos é um ato político?

EA: Se você analisar de um modo mais amplo, o que o orgânico de origem familiar está trazendo é uma opção política. 80% da produção orgânica é de origem familiar. Além disso, o ato ambiental é um ato político. É você cuidar da saúde, comprar alimentos locais, que tem a ver com a sua cultura. O conceito de política não pode ser muito restrito, na verdade eles são mais porosos, têm a ver com comportamento.

CC: Você alegou que os orgânicos não têm “maior” valor nutricional, mas “melhor” valor nutricional. O que isso quer dizer?

EA: “Mais” não quer dizer “melhor”. A gente quer plantas nutricionalmente equilibradas, e isso o orgânico faz. A gente não quer maior, a gente quer valor nutricional mais equilibrado e aproveitável. O que adianta ter um monte de nitrogênio no solo para a planta absorver, formando nitrito, que é cancerígeno? Ou que atrai mais pragas? É um conceito errado.

CC: De que forma a produção de orgânicos pode responder à demanda mundial por alimentos? Muitos afirmam que só com o uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas, por exemplo, é possível suprir essa demanda.

EA: Sabe aquela história de que uma mentira contada tantas vezes acaba sendo levada como verdade? Esse é um caso clássico. O agronegócio não produz alimento hoje. Ele produz PIB, relações exteriores, negócios. Ele produz soja, biodiesel, cana, algodão, não produz comida. Arroz, feijão, mandioca já não são produzidos pelo agronegócio. Já produzimos o suficiente no mundo para alimentar o que está previsto até 2050 de aumento da população. O que acontece é que nós não temos distribuição de renda e de riqueza, ou seja, têm países, pessoas e grupos que concentram alimentos, além de ter pessoas que não têm acesso à terra ou ao dinheiro. Comida já tem. O transgênico vai continuar a excluir pequenos de produzir e vai colocar na mão dos grandes a produção do não-alimento. Então, na mão de quem ficará a produção de alimentos?

CC: Mas e a produtividade inferior do orgânico?

EA: Nunca vamos conseguir produzir soja orgânica igual. Agora, arroz ou batata tem a produtividade comparável. Mas, para isso, tem que ter manejo, emprego, assistência técnica. Agora, eu não consigo produzir tomate no Paraná como eu produzo no México, por exemplo. No Paraná, tem que ser com veneno. Temos de considerar conceitos como o local do plantio e a sazonalidade. Vários conceitos têm de ser adicionados na dieta, como a questão do alimento sazonal e do alimento local. Uma época terá abobrinha, tomate, outra terá tubérculos, outra arroz. A gente pode não ter o ano inteiro esse arroz orgânico, mas a gente vai ter épocas de arroz. Isso que a gente tem de discutir. Produtos específicos em épocas específicas. É uma grande questão a ser discutida.

Já para a produção orgânica animal não é possível comparar a produtividade. Não conseguimos ter e também não desejamos, porque precisamos rever a nossa ingestão de proteínas. O consumo de carne está excessivo, nenhuma cultura já comeu assim. Mas vai dizer isso para pessoas que têm como conceito que mais é melhor? Nós estamos morrendo por falta de minerais, vitaminas, não por falta de proteínas. São muitas revoluções que precisam ser feitas, na agricultura e na nutrição, juntos, pra gente chegar no que se precisa.

CC: Além dessa mudança comportamental, o que é preciso pra suprir essa produtividade inferior?

EA: A agricultura familiar pode produzir os orgânicos com custos mais baixos, porque teremos mais oferta, mais gente produzindo, e menos veneno. A alegação de que precisaremos de agrotóxicos é uma estratégia da indústria. O agrotóxico veio, a tecnologia veio, e tem gente que continua passando fome.

CC: Por que a padronização nutricional (todos no mundo têm o mesmo tipo de dieta) é negativa para a população?

EA: A nossa gordura aqui não é o azeite de oliva, é o óleo de coco, óleo de palma. Esses são saudáveis? São. A banha também é saudável, mas não é ideal comer banha na Amazônia, da mesma forma que não é normal comer azeite de oliva nos trópicos. A dieta culturalmente ajustável é o próximo passo a se alcançar. É legal comer batata e peixe de água profunda na Noruega. Aqui, eu não vou fazer isso, eu vou ter que ter frutas. Não adianta a dieta macrobiótica ser maravilhosa se é uma dieta tradicional do Japão. Ela é ruim? Não, mas precisa ser ajustada à nossa realidade. A gente mora em um país tropical, com muitas frutas. Carne, iremos consumir pouco, como se fosse aquela caça eventual. Não é que a gente vai voltar a só comer isso, mas temos de nos ater à dieta culturalmente ajustada. É um outro passo.

CC: Como você avalia a política de estímulo à produção de orgânicos?

EA: O financiamento da agricultura brasileira é de 25% para agricultura familiar e 75% para agronegócio. Você acha que, com essa diferença, dá pra produzir da mesma forma? E mesmo com 25%, a agricultura familiar corresponde a 80% do que a gente come. Faltam incentivos e sensibilização do consumidor. O consumidor, ao buscar mais e ao querer mais orgânicos, pode procurar por políticos que apoiem isso e, também, forçar o preço a baixar. A problemática do preço tem de ser compartilhada. Laptops acabaram baixando de preço porque todo mundo começou a comprar. O alimento ainda é uma mercadoria, se a gente comprar mais, o preço vai baixar. É aquela discussão, a gente quer comprar remédio ou quer comprar saúde?

A agricultura orgânica é mais do que um modo produtivo, é uma proposta, é um movimento ativista. É importante ampliar os conceitos, para entender o que é que está por trás do alimento orgânico, se não fica uma discussão muito reducionista. Quando essas campanhas contra o orgânico aparecem, é importante ver quem as comanda. Quem pode querer veneno?

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Aroeira: medicinal ou condimentar?

Texto

Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo
Thais Marcondes Ferraz - Bióloga

Inicialmente, para responder, deve ser esclarecido para qual espécie está direcionada a pergunta, pois são, pelo menos, três espécies mais conhecidas como aroeira no Brasil. A Schinus terebinthifolius (foto 1), a Schinus molle (foto 2) e a Myracrodruon urundeuva (fotos 3 e 4), todas da família Anacardiaceae e de ocorência em boa parte do Brasil. Há outra aroeira da família, que pertence ao gênero Lithraea
Foto 1. Schinus terebinthifolius
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aroeira-vermelha
Foto 2. Schinus molle L. 
Fotógrafo: Rosângela Gonçalves Rolim 
http://www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/open_sp.php?img=5477 
Fotos 3 e 4. Myracrodruon urundeuva 
http://en.wikipedia.org/wiki/Myracrodruon_urundeuva 

Dentre estas aroeiras, a S. terebinthifolius se destaca na saúde por ser considerada, como fitoterápico, um medicamento eficaz como antimicrobiano, como cicatrizante e indicado, inclusive, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também, é utilizada na cosmética. Além de denominações combinando a palavra aroeira, como, por exemplo, aroeira-mansa, aroeira-do-sertão, aroeira-brasileira, aroeira-da-praia, aroeira-do-brejo, aroeira-do-paraná, aroeira-pimenteira e aroeira-vermelha, é também conhecida por pimenta-rosa. Este último nome dá a dica de que é também considerada um condimento.

Na culinária, possui grande utilização na decoração de belos pratos, ou tornando o prato mais aromático, como quebrando as sementes e permitindo que elas exalem um cheiro doce e picante. A aroeira não possui a ardência das pimentas tradicionais. Nos Estados Unidos, a espécie ainda é ornamental, utilizada principalmente em decorações de Natal - por isso, lá recebeu a denominação de “Christmas-berry”.

A S. molle, também denominada, por exemplo, aroeira-salsa, aroeira-salso, aroeira-folha-de-salso, aroeira-mole, aroeira-periquito e pimenteiro, possui fama apenas como medicinal, mas são encontradas algumas referências na internet como condimento. Com relação aos usos terapêuticos, S. molle possui propriedade antiespasmódica, anti-reumática, emenagoga, antiinflamatória e cicatrizante (PIVA, 2002). Em experimento realizado por Santos et al. (2010), o óleo de S. molle foi eficaz contra os fungos fitopatógenos Alternaria spp., Botrytis spp., Colletotrichum spp. e Fusarium spp. 

A M. urundeuva recebe principalmente as denominações populares aroeira-preta e aroeira-do-sertão. Por ser resistente aos cupins e fungos, é muito apreciada como madeira, e devido ao teor de tanino é usada para curtir couros, o que tem comprometido sua população, correndo o risco, inclusive, de extinção. Não é utilizada como condimento, mas se destaca medicinalmente na população, pois tem amplo uso para problemas de pele.

No nordeste do país ela é mais utilizada como banho de assento no período puerpério (após o parto), devido à ação anti-inflamatória da substância chalconas diméricas. Pode-se fazer utilização também para afecções cutâneas, problemas no aparelho urinário, e ter ação cicatrizante.

Pesquisas publicadas sobre a planta são poucas, mas uma revelou que esta aroeira e a S. terebinthifolius apresentaram redução das hemorragias gástricas e do trânsito intestinal em camundongos (CARLINI et al., 2008).

Referências 

CARLINI, E. et al. Antiulcer effect of the pepper trees Schinus terebinthifolius Raddi (aroeira-da-praia) and Myracrodruon urundeuva Allemão, Anacardiaceae (aroeira-do-sertão). Rev. bras. farmacogn., v.20, n.2, p. 140-146, 2010.

CARAMICO, T.; PRATES, H. Guia de plantas medicinais. n. 3. Editora online, São Paulo. 2011.

PIVA, M. G. O caminho das plantas medicinais: estudo etnobotânico. Mondrian, Rio de Janeiro. 2002.

SANTOS, A. C. A. et al. Efeito fungicida dos óleos essenciais de Schinus molle L. e Schinus terebinthifolius Raddi, Anacardiaceae, do Rio Grande do Sul. Rev. bras. farmacogn. [online]. 2010, vol.20, n.2, pp. 154-159. 

TOLEDO, A. Plantas que curam. Revista Saúde. Ed. 329. Editora Abril, São Paulo. 2010.

Watermelon for sore muscle relief

Agricultura familiar ganha selo comemorativo dos Correios


Foto: Divulgação Correios

Em homenagem ao Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF) a Empresa Brasileira de Correios lançou nesta terça-feira (3) um selo comemorativo que entrará em circulação nesse mesmo dia. A iniciativa é do Comitê Brasileiro do Ano Internacional da Agricultura Familiar e foi encaminhada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) com o objetivo de promover o AIAF. Serão comercializados 900 mil selos, no valor de R$ 1,50, cada.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) contribuiu com informações sobre a agricultura familiar brasileira para subsidiar o processo de criação do selo. “Esse selo comemorativo dos Correios vai contribuir para ampliar a visibilidade da agricultura familiar. Vinculado a outras iniciativas de comunicação vão tornar mais conhecida a contribuição da agricultura familiar para o crescimento econômico, o combate à pobreza e a garantia da segurança alimentar e nutricional”, afirma Caio França, coordenador da Assessoria Internacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

O Selo

Segundo a analista dos Correios e historiadora Mayra Guapindaia, todos os anos a Empresa Brasileira de Correios recebe sugestões de temas da população e de entidades que compõem a sociedade civil para a elaboração dos selos comemorativos. “O selo é uma forma de registrar temas relacionados a questões históricas da nossa sociedade ou que marcam eventos do presente que virão a adquirir uma importância histórica posterior. Por exemplo, o Ano Internacional da Agricultura Familiar vai ficar marcado como um evento importante, onde se discutiu as questões relativas à agricultura familiar e os planos relativos ao assunto em escala nacional e mundial”, disse.

A historiadora afirmou, ainda, que os selos podem ser também utilizados como forma de pesquisa. “Além da arte é possível encontrar todas as informações sobre aquele determinado tema”, concluiu.

AIAF

O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, acredita que é algo muito especial ter um selo. Segundo ele, a ideia foi promover e dar a maior visibilidade possível para o Ano Internacional da Agricultura Familiar. “A agricultura familiar tem mais de 500 milhões de pessoas envolvidas em todo o mundo e no Brasil representa pelo menos 70% dos alimentos que a população consome. É fundamental ver a agricultura familiar não só como uma atividade produtiva, mas, também, em todos os seus aspectos culturais de reprodução de uma forma de vida, de uma visão de mundo”, acredita.

A agricultura familiar tem se destacado a cada ano no Brasil e no mundo. Após alguns anos debatendo o tema, a FAO declarou o ano de 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar, Campesina e Indígena. O objetivo é aumentar a visibilidade da agricultura familiar e impulsionar avanços nas políticas públicas dos países dirigidas ao setor. E a experiência brasileira do crédito (Pronaf), do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e de promoção de autonomia das mulheres rurais, entre outras, é reconhecida internacionalmente e compõe uma ampla agenda de cooperação técnica.


Talita Viana

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Lançamento da cartilha ‘Folhas e Raízes – Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani’

“Tem muita importância ensinar novamente porque estão esquecendo muitas coisas. Eu aprendi com meus avós, com meus tios, que era grande rezador, conhecedor da natureza, então eu cheguei a conhecer muitas coisas com eles, tanto na parte espiritual como também na parte material – a medicina do mato, né. Estamos fazendo isso para deixar alguma coisa, porque não vou viver muito tempo mais. Então antes que meu corpo vá embora quero deixar alguma coisa para eles ainda”, Gwaíra, pajé.

Como colocou o pajé Guairá, essa cartilha fala da “medicina do mato”, aquela que os Tupi-Guarani aprenderam com a natureza e Nhanderú e que vem sendo transmitida de geração em geração. Mas que nos últimos tempos anda meio esquecida especialmente pela geração mais jovem.

A cartilha Ywyrá Rogwé/ Ywyrá Rapó: Djaroypy Djiwy Nhanémoã Nhanderekó Tupi Guarani (“Plantas e Raízes: Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani) atende a um anseio colocado à Comissão Pró-Índio de São Paulo pelos professores indígenas da aldeia Piaçaguera (também conhecida como Ywy Pyaú), Luan Elísio Apyká e Dhevan Pacheco: publicar o resultado do trabalho que realizaram com seus alunos com o apoio dos txeramoi e das txedjaryi (mais velhos).

“Há alguns anos uma das crianças de nossa escola sentiu dor de barriga durante uma das aulas. Não tínhamos remédios para a ajudar e ninguém para ir buscá-los na cidade. Sem saber o que fazer lembramos que nhimbogwé wá regwá (Marcelinha) era usada antigamente para dor de barriga. Fizemos o chá com a planta e a criança melhorou.

Depois disso pensamos: na nossa aldeia há uma “farmácia natural”, não há motivos para dependermos somente dos remédios dos brancos e sempre correr atrás da Sesai. Ainda mais que nossos pais e os mais velhos sempre usaram as plantas medicinais.

Começamos, então, um projeto na escola durante as aulas de Tupi para que esse conhecimento fosse “resgatado”. Fizemos um convite para os mais velhos – cada semana vir um mostrar aquilo que sabia aos alunos da escola, que não conheciam nada das plantas, e mesmo os seus pais estavam esquecendo. E ao invés de levarmos as plantas para a sala de aulas, organizamos para as crianças acompanharem os mais velhos até elas, assim elas saberiam onde estão essas plantas. É o primeiro material produzido por nós a ser publicado dessa forma” , Luan Apiká e Dhevan Pacheco

A iniciativa visa resgatar e valorizar esse conhecimento tradicional. E é esse o sentido dessa publicação: lembrar os mais jovens da sabedoria dos Tupi-Guarani. E instigá-los a procurar os txeramoi e as txedjaryi e conhecer mais sobre a “medicina do mato”. Não se trata de um catálogo exaustivo das plantas conhecidas pelos Tupi-Guarani e, sim, uma pequena amostra desse vasto conhecimento, um ponto de partida para o aprendizado e reflexão.

O conteúdo da cartilha é produto de um trabalho coletivo dos professores, seus alunos, das pessoas mais velhas da aldeia Piaçaguera e da equipe da Comissão Pró-Índio de São Paulo. Nosso papel foi o de auxiliar na edição do material, promover o registro fotográfico das plantas e viabilizar o projeto gráfico construído pela equipe de designer juntamente com os índios, atividades realizadas com o apoio financeiro de Christian Aid, DKA Áustria e Size of Wales.

A Terra Indígena Piaçaguera

A Terra Indígena Piaçaguera, no litoral sul de São Paulo, é morada de cerca de 250 índios Tupi-Guarani. Distribuídos em cinco aldeias eles ocupam uma área de 2.790 hectares no município de Peruíbe. Piaçaguera foi declarada como terra indígena pela Funai em 2011, porém, até maio de 2014, o processo de demarcação ainda não havia sido concluído sendo necessária ainda a retirada dos ocupantes não – indígenas pela Funai.

A demora na conclusão da demarcação é apenas um dos muitos problemas enfrentados pelos Tupi-Guarani em Piaçaguera. A terra é um território extremamente vulnerável pela proximidade da área urbana, pela existência de uma estrada de uso intenso, pelo fluxo de turistas e pelos impactos causados por mais de 50 anos de atividade minerária no interior de suas terras. Os Tupi-Guarani buscam alternativas para viver da forma que consideram ideal em um ambiente sujeito a muitas pressões e ameaças. A produção dessa cartilha faz parte dessa busca.

Informe enviado pela Comissão Pró-Índio de São Paulo para o EcoDebate, 13/06/2014

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Gluten intolerance & celiac disease symptoms


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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Usuários de maconha medicinal tentam driblar lei na Espanha

Liana Aguiar
De Barcelona para a BBC Brasil

Atualizado em 9 de abril, 2014
Carolina Pérez diz que passou a usar maconha medicinal para evitar a morfina

Carolina Pérez, 35 anos, convive com fibromialgia e uma dor crônica do tipo neuropático desde os 11, quando sofreu um acidente de esqui em que fraturou o cóccix. Já enfrentou dez cirurgias e tem dois dispositivos neuroestimuladores implantados nas costas. Usava medicação à base de morfina, teve depressão e temia se tornar dependente da substância, que lhe provocava fortes efeitos colaterais.

Paciente da unidade de dor no hospital La Paz, em Madri (Espanha), Carolina conta que começou a fazer uso terapêutico de maconha há cinco anos. Ela compra a erva em um dos clubes da maconha que se proliferam pelo país.

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"Eu nunca havia sido consumidora prévia, maconha não chamava a minha atenção. Mas queria deixar de tomar morfina, porque me fazia muito mal", explica à BBC Brasil. "A maconha me ajuda fisicamente a descansar, a ter um bom sono e mais apetite, e desde o ponto de vista emocional, reduz minha ansiedade."

Ao usar maconha medicinal, ela diz que sente menos dor por alguns dias, mas a erva não faz com que a dor desapareça. Por isso, avalia que é importante trabalhar a mente e o corpo, ter hábitos mais saudáveis.

Hoje ela é coordenadora do gabinete terapêutico da Federação Madrilena de Associações Canábicas (Madfac, na sigla em espanhol) e é ativista pela regulamentação dos clubes da maconha, que atualmente funcionam em vácuos jurídicos na Espanha.
'Desobediência civil'

O gabinete terapêutico foi criado para facilitar o acesso à maconha medicinal. "Não significa que vamos procurando casos, pelo contrário. Muitos doentes crônicos fazem uso do cânhamo para se sentir melhor", conta.

É proibido fumar nesse espaço, no qual os pacientes somente se informam sobre uso terapêutico, recebem assessoria de equipe médica e psicológica e podem fazer massagem ou musicoterapia. Para ter acesso, é preciso indicação médica.

Em apenas dois meses de funcionamento, o gabinete atende cerca de 250 pacientes. "Estamos funcionando por desobediência civil, pois o assunto não está regulado, e cada vez mais pessoas nos buscam pedindo ajuda e informação", explica Carolina.

Os pacientes não adquirem maconha sozinhos, mas sim através da associação, que faz a compra para os cerca de 400 sócios.

Diferente de Catalunha, na comunidade de Madri as penas por cultivo são mais rígidas. "Madri é mais conservadora", comenta, sugerindo que a compra coletiva é feita no mercado negro.

Carolina classifica como "urgente e humanitária" a regulação dos clubes canábicos. "Se já estão comprovados os benefícios, como doente que sou, não entendo porque não se regulou ainda."

Ao todo, 250 mil usuários de maconha estão registrados na federação. Desses, 10% consomem a erva com fins terapêuticos.

O uso medicinal é o que recebe maior apoio social até mesmo dos que se mostram contra os clubes da maconha (como a Secretaria de Interior da Catalunha, que afirmou à BBC Brasil que não elaborará nenhuma norma que facilite o consumo da substância, "exceto para uso terapêutico").

Feira do cânhamo

Ao mesmo tempo, representantes das entidades de autoconsumo de maconha há anos se mobilizam pela regulação dos clubes.

Em março passado, o tema foi amplamente discutido durante a 11ª Spannabis, a maior feira do cânhamo e de tecnologias alternativas do mundo, que este ano reuniu 33 mil pessoas em Cornellà, na província de Barcelona.

Com caráter lúdico e informativo, o espaço foi palco de debates internacionais, sob as perspectivas jurídica e social. O destaque foi para a recente legalização no Uruguai e no Colorado, Estados Unidos, e o referendo na Flórida.

Além disso, a feira teve 1,8 mil profissionais de 500 empresas do setor, que apresentaram as múltiplas utilidades do cânhamo, por exemplo, na construção civil, na culinária e como terapia para doentes crônicos.

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Cientistas descobrem por que crianças 'ignoram' os pais quando veem TV

Philippa Roxby
Da BBC News

Atualizado em 27 de maio, 2014
Segundo pesquisadores, noção de percepção periférica nas crianças é menos desenvolvida do que nos adultos

Não há pai quem não tenha, ao menos uma vez na vida, sido ignorado por uma criança, que prefere continuar assistindo à TV, jogando videogame ou brincando com o celular a acatar as ordens recebidas.

Porém, esse comportamento, capaz de tirar qualquer um do sério, pode não ser proposital, mas estar relacionado à forma como os cérebros dos pequenos se desenvolvem.

É o que sugere uma série de pesquisas realizada por cientistas britânicos, para quem as crianças não ignoram solenemente os adultos, mas sofrem do que eles chamam de "cegueira não intencional".

A cegueira, nesse caso, seria uma falta de percepção, especialmente quando algo foge do foco imediato de atenção delas.

Segundo a professora Nilli Lavie, do Instituto de Neurociência Cognitiva da Universidade College London, no Reino Unido, as crianças têm menor noção periférica do que os adultos.

"Pais e professores devem entender que até quando focam em coisas simples, as crianças têm menor percepção do que está ao redor delas, em comparação com os adultos".

"Uma criança tentando fechar o zíper do casaco enquanto cruza a rua, por exemplo, pode não ser capaz de prestar atenção no tráfego de automóveis, enquanto um adulto com plenas faculdades mentais não teria problema nenhum em exercer esses dois movimentos simultaneamente", acrescenta Lavie.

"Em resumo, a capacidade de percepção do que está fora do foco de atenção se desenvolve com a idade. Dessa forma, crianças menores têm maior risco de sofrer o que chamamos de 'cegueira não intencional'", conclui a cientista.
Experimento

"A capacidade de percepção do que está fora do foco de atenção se desenvolve com a idade. Dessa forma, crianças menores têm maior risco de sofrer o que chamamos de 'cegueira não intencional'"

Nilli Lavie, professora do Instituto de Neurociência Cognitiva da Universidade College London

A constatação de Lavie é baseada em um experimento que ela conduziu recentemente para testar os níveis de "cegueira não intencional" em crianças e adultos.

Lavie pediu a mais de 200 visitantes do Museu de Ciência de Londres para escolher a linha mais longa de uma tela com sete exemplos diferentes.

Em uma das telas, um quadrado preto piscava e, em seguida, participantes tinham de responder se viram a figura.

Enquanto 90% dos adultos foram capazes de perceber a presença do quadrado durante praticamente todo o tempo, menos de 10% das crianças abaixo de 10 anos detectaram o objeto.

Já crianças de 11 a 14 anos demonstraram uma maior capacidade de percepção, enquanto essa aptidão diminuía à medida que a dificuldade da tarefa aumentava.

Essa descoberta surpreendeu Lavie.

"Nas crianças, o córtex visual primário não respondia ao objeto presente na tela e isso parece se desenvolver com a idade, até os 14 anos e depois disso também. Mas eu não esperava que crianças mais velhas também sofressem de 'cegueira não intencional'. Seria interessante ver até que ponto esse comportamento se desenvolve".

Pesquisas anteriores em cérebros de adultos sugerem que o córtex visual primário é a parte do cérebro responsável pela percepção dos objetos. Pacientes que sofreram algum tipo de dano nessa região tendem a experimentar menor noção periférica.

Há, também, implicações óbvias do desenvolvimento tardio desse comportamento. Digitar no celular ao cruzar uma rua, por exemplo, se torna muito mais perigoso se tal percepção não estiver totalmente desenvolvida, por exemplo.

Vantagens
'Cegueira intencional' nos ajudaria a concentrar, argumentam cientistas

Mas há um lado positivo na cegueira não intencional.

Quem quer ser distraído por tudo e por todos? Certamente a falta de consciência periférica significa que podemos reter nosso foco e concentrar.

Psicólogos argumentam que todos temos uma capacidade limitada de atenção até certo nível, e quando executamos tarefas árduas, ignorar o que está à nossa volta é fundamental.

Para Richard Wiseman, professor de psicologia da Universidade de Hertfordshire, o processamento da visualização humana "é enormemente complicado".

"Grandes partes do cérebro são dedicadas a essa função. É muito difícil, então não queremos processar o que não é importante".

"É por essa razão que precisamos da cegueira não intencional. Do contrário, não seríamos capazes de focar numa determinada tarefa", diz ele.

Uma vez que o cérebro cria a ilusão de que está constantemente monitorando tudo, alega o pesquisador, normalmente nos surpreendemos quando não percebemos algo que beira o óbvio.

Para comprovar sua teoria, Wiseman deu nova roupagem a um teste famoso de atenção seletiva, criado pelo cientista Daniel Simons, para demonstrar quão facilmente deixamos de notar a presença de um gorila em um vídeo.

Enquanto assistiam ao vídeo, os pesquisadores pediam que as pessoas se concentrassem em outras coisas, como, por exemplo, quantas vezes uma bola era passada entre pessoas jogando basquete.

Em outro experimento, Wiseman pediu às pessoas que se concentrassem em um truque de cartas. Durante o truque, alguns itens ao fundo mudavam de cor, mas poucos perceberam a mudança uma vez que estavam focados nas cartas.

Segundo o especialista, pessoas criativas tendem a ter um desempenho melhor nesse tipo de teste, enquanto indivíduos ansiosos ou muito preocupados com a tarefa tendem a notar menos o que foge do seu centro de atenção.

Wiseman acredita que há muitas ocasiões na vida em que não percebemos "o óbvio" porque estamos totalmente focados em outros problemas.

Um exemplo ocorre quando motoristas acabam atropelando pedestres porque estavam prestando atenção em outra coisa, ou pilotos de avião que relatam não ter percebido as luzes de emergência na cabine porque estavam ocupados com outros assuntos.

"Um adulto está constantemente aprendendo a julgar o que é ou não é importante, então estamos mais propensos a cometer esses deslizes", resume Wiseman.

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Combinação de azeite e salada é 'segredo' da dieta mediterrânea

Michelle Roberts

Editora de Saúde da BBC News

Atualizado em 21 de maio, 2014
Acidos graxos resultantes da combinação entre gordura e nitrato fazem bem à saúde

Cientistas britânicos sugerem que a combinação de azeite de oliva e salada com folhas verdes ou vegetais explica por que a chamada dieta mediterrânea é tão saudável.

A união desses dois grupos alimentares - um rico em gordura insaturada e o outro, em nitrato - formam ácidos graxos que ajudam a baixar a pressão arterial, segundo estudo publicado no periódico científico PNAS.

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A adição de nozes e abacate também ajudam a compor uma combinação saudável.

Inspirada pela culinária tradicional de países como Grécia, Espanha e Itália, a dieta mediterrânea há tempos é associada à boa saúde, inclusive cardíaca.

Essa dieta costuma incluir vegetais em abundância, frutas frescas, cereais integrais, azeite de oliva e nozes, além de frango e peixe - no lugar de carne vermelha ou gordura animal.

Ainda que, individualmente, cada ingrediente dessa dieta tenha benefícios nutricionais bem conhecidos, ainda não estava claro para os cientistas o que tornava o conjunto da dieta mediterrânea tão saudável.
Reação química

Philip Eaton, do King's College London, e colegas da Universidade da Califórnia acreditam que a fusão de ingredientes da dieta resulta na produção de ácidos graxos.

No estudo, que contou com financiamento da British Heart Foundation, os especialistas utilizaram camundongos geneticamente manipulados para analisar o impacto dos ácidos graxos no organismo.

Eles perceberam que a substância ajudou a baixar a pressão arterial dos roedores ao bloquear uma enzima chamada hidrólise de epóxidos.

"Humanos têm a mesma enzima, então achamos que o mesmo acontece com as pessoas", afirmou Eaton.

Ainda segundo ele, isto explica por que a dieta mediterrânea faz bem à saúde, apesar de ter gordura.

"A gordura, quando misturada a nitratos e nitritos, forma uma reação química que resulta em ácidos graxos".

"É o mecanismo de proteção da natureza. Se apostarmos nisso, poderíamos fabricar novos medicamentos para tratar pressão alta e prevenir doenças cardíacas".

Eaton afirmou que agora devem ser realizados testes com humanos.

Sanjay Thakrar, da British Heart Foundation, diz que o estudo é relevante, mas que "é preciso investigar mais".

"Por enquanto, os experimentos foram realizados apenas em camundongos, que têm formas diferentes de reagir ao que entra em seus organismos".

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Agricultores do Amazonas aprendem sobre produção orgânica de hortaliças

A Embrapa Amazônia Ocidental realizou, nesta terça-feira (10/06/2014), a palestra Cultivo consorciado de hortaliças folhosas sob manejo orgânico. A apresentação, ministrada pela pesquisadora Marinice Cardoso, foi direcionada a cerca de 20 agricultores orgânicos e estudantes da zona rural (filhos de agricultores), que visitaram a Unidade de Observação (UO) sobre consorciação de hortaliças de folhas, localizada no Campo Experimental do Caldeirão, no município de Iranduba (AM), local do evento.

Conforme a pesquisadora, a UO vem sendo conduzida em condições de cultivo protegido na terra firme, com adoção de manejo orgânico e ênfase no uso de biofertilizantes. A couve-de-folhas, a alface, o coentro e a cebolinha são as espécies componentes do consórcio. Segundo Marinice, estas hortaliças são muito cultivadas pelos agricultores familiares e têm elevado consumo pela população amazonense. “As pesquisas com manejo orgânico de hortaliças folhosas também procuram atender demanda da Associação de Produtores Orgânicos do Estado do Amazonas (Apoam) apresentada na reunião técnica Olericultura no Estado do Amazonas, realizada em 2013”, destacou.

A palestra sobre cultivo consorciado de hortaliças teve duas partes: a primeira aconteceu no Centro de Treinamento do Campo Experimental do Caldeirão e a segunda no próprio local da UO instalada. Durante a palestra, a pesquisadora enfatizou que essas espécies oferecem alternativa para um desenho de consorciação de grande valor para os agricultores familiares, por se buscar melhor aproveitamento dos insumos e da mão-de-obra, geralmente da própria família, em capinas e outros tratos culturais. “As cultivares utilizadas nesse consórcio foram estudadas em cultivo solteiro anteriormente na Embrapa Amazônia Ocidental, ou são já de uso corrente pelos agricultores”, pontuou Marinice.
Hortaliças orgânicas são boas alternativas para agricultor familiar atingir nicho de mercado mais exigente

Em relação à alface, duas cultivares participam do desenho de consorciação: a Regina, que é lisa, e a Solaris, crespa – ambas com tolerância ao pendoamento precoce (florescimento precoce em condições de temperaturas elevadas), característica importante, já que o pendoamento precoce compromete o desempenho da cultura. “Embora exista preferência por alfaces crespas, existe parcela da população que recebe bem a alface lisa, e esse tipo de alface poderá ser um diferencial em termos de alface orgânica, além da cultivar Regina ser muito precoce”, destacou a pesquisadora.
Cultivar Regina, lisa, é precoce e tem boa aceitação no mercado
Alface Solaris, crespa, agrada gosto dos consumidores (Foto: Cristiaini Kano/Embrapa)

Além do consórcio, os estudos visam avaliar o desempenho das cultivares de couve-de-folhas, alface, coentro e cebolinha submetidas ao manejo orgânico, que é bastante diferente do cultivo convencional. Segundo a pesquisadora, unidades de produção agrícola familiar podem explorar melhores nichos de mercado baseados na oferta de produtos “mais naturais, saudáveis e ecologicamente corretos”, desde que sejam capazes de garantir, via normas e procedimentos pré-estabelecidos, que a produção mantenha os atributos de qualidade vendidos ao consumidor.
Pesquisadora Marinice Cardoso lidera projeto que avalia hortaliças sob manejo orgânico

Toda a temática abordada na palestra constituiu atividade do projeto Biofertilização em cultivo solteiro e consorciado de hortaliças sob manejo orgânico em condições de terra firme no Estado do Amazonas. O projeto, liderado pela pesquisadora Marinice Cardoso, é desenvolvido pela Embrapa Amazônia Ocidental com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), além da colaboração de professores/pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA/Ufam) e do Programa de Pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com envolvimento de estudantes nas pesquisas.

Ao final da palestra, a pesquisadora fez agradecimento especial ao técnico Orlando Ferreira e aos assistentes Luiz Vieira e Daniel Alves, pela dedicação na condução das atividades de campo, assim como ao supervisor do Campo Experimental do Caldeirão, Antônio Fernando Silva, pelo apoio para execução das atividades do projeto e organização do evento, e à analista Maria da Conceição Campelo, do Laboratório de Solos e Plantas, pelas análises dos biofertilizantes.
Na foto, técnico Orlando Ferreira e assistentes de campo Luiz Vieira e Daniel Alves fazem manejo na UO (Foto: Marinice Cardoso/Embrapa)

Outras espécies

Outras espécies que vêm sendo estudadas pela equipe de pesquisadores da área de olericultura da Embrapa Amazônia Ocidental, como parte do projeto, são feijão-de-metro, feijão-vagem e quiabo, pela pesquisadora Cristiaini Kano; pepino, pelo pesquisador Isaac Cohen; pimentão, pelo pesquisador Rodrigo Berni; além de validação participativa voluntária do uso de biofertilizante, pela pesquisadora Joanne Régis da Costa. Adicionalmente, estudos sobre o controle biológico da traça-das-crucíferas com Polybia sp vêm sendo conduzidos por Cristiane Krug e Flávia Batista, pesquisadora e analista, respectivamente, do Laboratório de Entomologia.

Colaboração de Felipe Rosa, Embrapa Amazônia Ocidental, para o EcoDebate, 12/06/2014

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Estudo nos EUA liga carne vermelha a risco de câncer de mama

Helen Briggs

Da BBC News

Atualizado em 11 de junho, 2014
Pesquisas anteriores não mostraram relação entre carne vermelha e câncer de mama.

Comer muita carne vermelha no início da vida adulta pode aumentar ligeiramente o risco de câncer de mama, de acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos.

Pesquisadores de Harvard dizem que substituir a carne vermelha por uma combinação de feijões, ervilhas e lentilhas, aves, nozes e peixe pode reduzir o risco da doença em mulheres mais jovens.

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Mas especialistas britânicos pedem cautela, dizendo que outros estudos não mostraram ligação clara entre carne vermelha e câncer de mama.

Pesquisas anteriores demonstraram que a ingestão de grande quantidade de carne vermelha e processada provavelmente aumenta o risco de câncer de intestino.

Os novos dados vêm de um estudo realizado nos Estados Unidos acompanhando a saúde de 89 mil mulheres com idades entre 24 a 43.

A equipe, liderada pela Escola de Saúde Pública de Harvard, analisou a dieta de quase 3 mil mulheres que desenvolveram câncer de mama.

"Ingestão elevada de carne vermelha no início da idade adulta pode ser um fator de risco para o câncer de mama", eles relatam na revista British Medical Journal.

Os próprios cientistas de Harvard, porém, descreveram o risco como "pequeno".
Pesquisadoros recomendam dieta rica em feijões, carne branca e peixe

O epidemiologista da Universidade de Oxford Tim Key disse que o estudo americano descobriu "apenas um elo fraco" entre comer carne vermelha e câncer de mama, o que não era forte o suficiente para mudar a evidência apontada em estudos anteriores de que não há ligação definitiva entre a dois.

"As mulheres podem reduzir o risco de câncer de mama mantendo um peso saudável, ingerindo menos álcool e praticando exercícios, e não é uma má ideia trocar um pouco de carne vermelha - que está ligada ao câncer de intestino - por carne branca, feijão ou peixe", acrescentou.

Segundo a diretora da Unidade de Epidemiologia do Câncer da mesma universidade, Valerie Beral, dezenas de estudos já investigaram o risco de câncer de mama associado com a dieta.

"A totalidade da evidência disponível indica que o consumo de carne vermelha tem pouco ou nenhum efeito sobre o risco de câncer de mama, por isso os resultados de um único estudo não podem ser considerados isoladamente", disse ela.

Evidências demonstram que provavelmente há uma relação entre comer muita carne vermelha e processada e o risco de câncer de intestino.

O Ministério da Saúde britânico recomenda que pessoas que comem mais do que 90 gramas (peso cozido) de carne vermelha e processada por dia devem reduzir a porção para 70 gramas.

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