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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Medicamentos fitoterápicos também oferecem riscos à gravidez

08.08.2018

Fitoterápicos oferecem riscos à gestação e não devem ser utilizados sem orientação médica



No segundo boletim Pílula Farmacêutica desta semana, o tema são os fitoterápicos. A população considera, culturalmente, que os medicamentos fitoterápicos, aqueles de origem vegetal, são inofensivos, e até os chamam de “medicamentos naturais”. Esses medicamentos são utilizados pelas grávidas para tratar, principalmente, os desconfortos. Contudo, alertam os especialistas, essa ideia é equivocada, pois as plantas também podem ser tóxicas. 

A hortelã, por exemplo, costuma ser consumida em forma de chá para tratar gripes e resfriados, mas seu uso em altas doses pode causar malformações no feto. Além da hortelã, o guaco, que é utilizado para fazer xarope para tosse pode gerar hemorragia na gestante. Ainda existem muitas plantas conhecidas que têm potencial abortivo e são contraindicadas durante a gestação.

Os fitoterápicos também são muito utilizados como laxantes, para tratar problemas de intestino preso durante a gestação, mas aqueles que são feitos à base de antraquinonas devem ser evitados, pois podem induzir a contrações uterinas antes do tempo, provocando a perda do embrião ou um parto prematuro. Sempre informe seu médico sobre os medicamentos que está utilizando e nunca se automedique.

O boletim Pílula Farmacêutica é apresentado pelos alunos de graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP com supervisão da professora Regina Célia Garcia de Andrade. Trabalhos técnicos de Luiz Antonio Fontana. Ouça, no link acima, a íntegra do boletim.

Cavalinha e metais pesados

Texto:
Engenheira Ambiental Glenda Silva Nascimento - Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciência Ambientais da UNITAU 
Engenheiro Agrônomo Marcos Roberto Furlan 

Plantas bioindicadoras conseguem determinar e sobreviver à presença de substâncias tóxicas Quando ocorrem contaminação por metais pesados no ambiente em que habitam, reagem absorvendo estas substâncias e, muitas vezes, alterando sua composição química ou também suas características morfológicas. No entanto, algumas espécies como a cavalinha (Equisetum hyemale), mesmo contaminadas, não demonstram se absorveram os metais. 

Assim como a carqueja citada no artigo anterior sobre o tema (http://quintaisimortais.blogspot.com/2018/08/carqueja-como-bioacumuladora.html), a cavalinha é uma planta medicinal de amplo uso pela população por meio da decocção de suas partes aéreas. Possui usos comprovados como diurética, remineralizante e adstringente, mas é bom alertar que é contraindicada para mulheres grávidas ou que estão amamentando, e pessoas com gastrite, cálculos renais e úlcera gastroduodenal. Do ponto de vista nutricional, Blanco (2018), a planta apresenta bons teores de cálcio, ferro, magnésio, tanino e sódio. 

A cavalinha também é denominada por cauda-de-cavalo, erva-canudo e lixa-vegetal, dentre outros nomes populares. Importante destacar que não deve ser confundida com a Equisetum arvensis, espécie de mesmo nome popular, com mais estudos científicos, mas não encontrada com facilidade no Brasil.

A E. hyemale é nativa da América tropical. Prefere áreas úmidas, como brejos, e alcança até 1,5 m de altura. Por ser uma Pteridófita, não produz flores e sementes. Sua presença indica a possibilidade do solo ter acidez de médio a elevado.

Além da carqueja, Moraes (2014), em sua pesquisa, avaliou a cavalinha como bioindicadora. A cavalinha foi cultivada em solução contendo metais pesados por 30 dias, e Teste de Allium cepa foi realizado para analisar a atividade genotóxica dos extratos etanólico e aquoso da espécie. A pesquisadora concluiu que, assim como a carqueja, a E. hyemale é uma espécie bioacumuladora de diferentes metais pesados e os seus extratos interferem no índice mitótico e são capazes de promover atividade genotóxica em células meristemáticas de raiz de Allium cepa.

REFERÊNCIA: 

BLANCO, Rose Aielo. Cavalinha (Equisetum arvense L.). Disponível em: <http://www.jardimdeflores.com.br/ervas/a26cavalinha.htm>. Acesso em: 26 set. 2018.

MORAES, Vanessa Marques de Oliveira. Avaliação do potencial mutagênico e bioacumulador de metais pesados de Baccharis trimera Less e Equisetum hyemale L. 2014, 48 f. Dissertação (Mestrado em Biociências). Área de Conhecimento: Caracterização e Aplicação da Diversidade Biológica. Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Universidade Estadual Paulista, 2014. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/115994/000810674.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 16 de ago 2018.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Scientists decode opium poppy genome

Scientists have determined the DNA code of the opium poppy genome

Date: August 30, 2018 Source: University of York Summary: Scientists have determined the DNA code of the opium poppy genome, uncovering key steps in how the plant evolved to produce the pharmaceutical compounds used to make vital medicines. The discovery may pave the way for scientists to improve yields and the disease resistance of the medicinal plant, securing a reliable and cheap supply of the most effective drugs for pain relief and palliative care.
Field of poppies, Papaver somniferum.
Credit: © Geza Farkas / Fotolia

Scientists have determined the DNA code of the opium poppy genome, uncovering key steps in how the plant evolved to produce the pharmaceutical compounds used to make vital medicines.

The discovery may pave the way for scientists to improve yields and the disease resistance of the medicinal plant, securing a reliable and cheap supply of the most effective drugs for pain relief and palliative care.

The breakthrough, by researchers at the University of York in partnership with the Wellcome Sanger Institute, UK, and international colleagues, reveals the origins of the genetic pathway leading to the production of the cough suppressant noscapine and painkiller drugs morphine and codeine.

Co-corresponding author, Professor Ian Graham, from the Centre for Novel Agricultural Products, Department of Biology at the University of York, said: "Biochemists have been curious for decades about how plants have evolved to become one of the richest sources of chemical diversity on earth. Using high quality genome assembly, our study has deciphered how this has happened in opium poppy.

"At the same time this research will provide the foundation for the development of molecular plant breeding tools that can be used to ensure there is a reliable and cheap supply of the most effective painkillers available for pain relief and palliative care for societies in not just developed but also developing world countries."

Synthetic biology based approaches to manufacturing compounds such as noscapine, codeine and morphine are now being developed whereby genes from the plant are engineered into microbial systems such as yeast to enable production in industrial fermenters. However, opium poppy remains the cheapest and sole commercial source of these pharmaceutical compounds by some distance.

The scientists from the University of York and Wellcome Sanger Institute in the United Kingdom together with colleagues from Xi'an Jiaotong University and Shanghai Ocean University in China and Sun Pharmaceutical Industries (Australia) Pty Ltd, produced a high quality assembly of the 2.7 GigaBase genome sequence distributed across 11 chromosomes.

This enabled the researchers to identify a large cluster of 15 genes that encode enzymes involved in two distinct biosynthetic pathways involved in the production of both noscapine and the compounds leading to codeine and morphine.

Plants have the capacity to duplicate their genomes and when this happens there is freedom for the duplicated genes to evolve to do other things. This has allowed plants to develop new machinery to make a diverse array of chemical compounds that are used to defend against attack from harmful microbes and herbivores and to attract beneficial species such as bees to assist in pollination.

The genome assembly allowed the researchers to identify the ancestral genes that came together to produce the STORR gene fusion that is responsible for the first major step on the pathway to morphine and codeine. This fusion event happened before a relatively recent whole genome duplication event in the opium poppy genome 7.8 million years ago.

Co-corresponding author Professor Kai Ye from Xi'an Jiaotong University said "A highly repetitive plant genome and the intermingled evolutionary events in the past 100 million years complicated our analysis. We utilized complementary cutting-edge genome sequencing technologies with sophisticated mathematical models and analysis methods to investigate the evolutionary history of the opium poppy genome.

"It is intriguing that two biosynthetic pathways came to the same genomic region due to a series of duplication, shuffling and fusion structural events, enabling concerted production of novel metabolic compounds."

Joint first author Professor Zemin Ning from the Wellcome Trust Sanger Institute said "Combining various sequencing technologies is the key for producing a high quality assembly for opium poppy genome. With a genome size similar to humans, the main challenge for this project was to handle repeat elements which make up 70.9% of the genome."

Story Source:

Materials provided by University of York. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Li Guo, Thilo Winzer, Xiaofei Yang, Yi Li, Zemin Ning, Zhesi He, Roxana Teodor, Ying Lu, Tim A. Bowser, Ian A. Graham, Kai Ye. The opium poppy genome and morphinan production. Science, 2018; eaat4096 DOI: 10.1126/science.aat4096

Cite This Page:
University of York. "Scientists decode opium poppy genome: Scientists have determined the DNA code of the opium poppy genome." ScienceDaily. ScienceDaily, 30 August 2018. <www.sciencedaily.com/releases/2018/08/180830143149.htm>.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Carqueja como bioacumuladora

Texto: 
Engenheiras Ambientais Helenice Maria Sardinha Lemos e Glenda Silva Nascimento - Mestrandas no Programa de Pós-graduação em Ciência Ambientais da UNITAU 
Engenheiro Agrônomo Marcos Roberto Furlan 

Do ponto de vista do monitoramento ambiental, uma espécie biocumuladora é importante, pois pode indicar a presença ou reduzir a concentração de substâncias tóxicas no ambiente, como, por exemplo, os metais pesados. 

No entanto, haverá riscos significativos à saúde quando se trata de consumir na forma de chás ou em outro tipo de extrato, uma espécie medicinal bioacumuladora que se desenvolve em locais contaminados. 

A carqueja (foto), cientificamente conhecida como Baccharis trimera, é uma espécie medicinal de amplo e diversificado usos na medicina popular. Sua utilização como medicinal já ocorria pelos indígenas, os quais usavam esta planta medicinal para auxiliar alguns tratamentos, tais como: má digestão, diarreia, anemia, amigdalite, anorexia, azia, bronquite e má circulação do sangue. 

Importante destacar que há pesquisas que comprovam algumas de suas atividades farmacológicas, tais como: anti-inflamatória, digestiva, hepatoprotetora e hipoglicemiante (KARAM et al., 2013) 

Moraes (2014) observa que a carqueja tem facilidade em acumular metais pesados. Após cultivar espécimes de carqueja cultivados e expostos à solução de metal e controles por 30 dias e prepar extratos das partes vegetativas trituradas e secas em estufas, concluiu que o extrato etanólico da planta interfere no índice mitótico e tem capacidade de promover atividade genotóxica em células meristemáticas de raiz de Allium cepa

Referências: 

Baccharis trimera. Disponível em: https://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=51. Acesso em: 26 ago. 2018. 

KARAM, T.K.; DALPOSSO, L.M.; CASA, D.M.; DE FREITAS, G.B.L. Carqueja (Baccharis trimera): utilização terapêutica e biossíntese. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, v.15, n.2, p.280-286, 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbpm/v15n2/17.pdf. Acesso em: 16 de ago 2018. 

MORAES, Vanessa Marques de Oliveira. Avaliação do potencial mutagênico e bioacumulador de metais pesados de Baccharis trimera Less e Equisetum hyemale L. 2014, 48 f. Dissertação (Mestrado em Biociências). Área de Conhecimento: Caracterização e Aplicação da Diversidade Biológica. Faculdade de Ciências e Letras de Assis - Universidade Estadual Paulista, 2014. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/115994/000810674.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 16 de ago 2018. 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Segurelha: condimento e medicinal

Texto:
  • Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira e Universidade de Taubaté - UNITAU.
  • Letícia Fonseca do Pinhal - Ciências Biológicas - bacharelado UNIP - Universidade Paulista.
Ainda pouco conhecida no Brasil, mas famosa em alguns molhos franceses como uns dos "bouquet garni", a segurelha (foto) pertence ao Gênero Satureja e à família Lamiaceae. Por ser tão desconhecida aqui pela maioria da população, pode ser classificada como planta alimentícia não convencional.

Nativa do Mediterrâneo, na Europa é usada desde a antiguidade na culinária, onde faz parte, por exemplo, em tempero para carnes devido ao seu aroma, proveniente de seu óleo essencial. É uma planta interessante para ser cultivada em vasos ou jardineiras devido à sua altura, que alcança no máximo 40 cm. Cada "galhinho" pode gerar muda. Mas exige incidência de luz direta.

Também se destaca como medicinal. Popularmente, a segurelha é consumida na forma de infuso para problemas digestivos, como expectorante, cicatrizante e contra cólicas.
Quanto às pesquisas, Millezi et al. (2014) citam que seu óleo essencial possui carvacrol, cimeno e timol, os quais são responsáveis por sua ação antibacteriana contra a Staphylococcus aureus e Escherichia coli, bactérias relacionadas à diarreias e náuseas. Leandro (2015) observaram que os flavonoides encontrados na segurelha, possuem  ação antioxidante testada em patas de ratos, e anti-inflamatório testado na úlcera dos ratos.

Referências

LEANDRO, Raquel. Avaliação do potencial anti-inflamatório, antioxidante e antimicrobiano de extratos de segurelha, salsa e coentros. Faculdade de Ciências e tecnologia, Universidade Nova de Lisboa. Setembro de 2015. https://run.unl.pt/bitstream/10362/16083/1/Leandro_2015.pdf acesso em: 03 Jul. 2018.

MILLEZI, A.f. et al. Caracterização química e atividade antibacteriana de óleos essenciais de plantas condimentares e medicinais contra Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, [s.l.], v. 16, n. 1, p.18-24, mar. 2014. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1516-05722014000100003.

domingo, 1 de julho de 2018

Pelargonium graveolens na aquicultura

Texto:

  • Letícia Fonseca do Pinhal - Ciências Biológicas - bacharelado UNIP - Universidade Paulista
  • Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor Faculdade Cantareira e Universidade de Taubaté - UNITAU 
Malva, gerânio e malva-cheirosa são nomes populares para o Pelargonium graveolens (foto). Curioso que não pertence à família Malvaceae da Malva, mas pertence à mesma família do Geranium, a Geraniaceae. Talvez uma das justificativas da confusão com estes nomes é o fato de ser “aveludada” e ser de uso popular para higiene bucal. 

O P. graveolens no Brasil é utilizado principalmente como ornamental. Em alguns países é cultivado próximos das entradas das casas com o objetivo de repelir mosquitos e pernilongos. Seu cultivo é relativamente fácil, mas é bom sempre retirar as folhas que caem no chão, pois seu óleo essencial pode prejudicar a ação das bactérias benéficas no solo. 

Apesar de ser pouco conhecido como medicinal, há um número significativo de pesquisas que atestam algumas de suas atividades farmacológicas. Também para uso na agricultura e na medicina veterinária são encontrados artigos científicos. 

Com relação às aplicações na aquicultura, Can et al. (2018) demostraram que seu óleo essencial é um anestésico eficaz, e que pode ser para sedação e anestesia em peixes da espécie Sciaenochromis fryeri e Labidochromis caeruleus

Ao avaliar a suplementação de dietas para Oreochromis niloticus com extratos de óleo essencial de Cymbopogon citratus e Pelargonium graveolens, Al-Sagheer et al. (2017), observaram que houve melhora no crescimento e na resistência às doenças, e maior controle de radicais livres. 

Referências

AL-SAGHEER, A. A. et al. Supplementation of diets for Oreochromis niloticus with essential oil extracts from lemongrass (Cymbopogon citratus) and geranium (Pelargonium graveolens) and effects on growth, intestinal microbiota, antioxidant and immune activities. Aquaculture Nutrition, [s.l.], v. 24, n. 3, p.1006-1014, 13 out. 2017. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/anu.12637

CAN, Erkan et al. Anesthetic potential of geranium (Pelargonium graveolens) oil for two cichlid species, Sciaenochromis fryeri and Labidochromis caeruleus. Aquaculture, [s.l.], v. 491, p.59-64, abr. 2018. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.aquaculture.2018.03.013


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Disponível na internet: Volume 12 - Número 1 Janeiro - Março 2018


Conteúdo

Avaliação da qualidade de amostras comerciais de chás na cidade de Vitória da Conquista-Bahia

Efeito alelopático de extratos de folhas frescas de Bamburral (Hyptis suaveolens L.) sobre a germinação e o desenvolvimento de plântulas de pepino (Cucumis sativus L.)

Introdução da Fitoterapia no SUS: contribuindo com a Estratégia de Saúde da Família na comunidade rural de Palmares, Paty do Alferes, Rio de Janeiro

Levantamento etnobotânico da família Cactaceae no estado de Sergipe

Produtos da Agrobiodiversidade: uma análise da qualidade dos sabonetes líquidos de plantas medicinais produzidos por agricultores familiares da Zona Oeste do Rio de Janeiro

Proposta de formulação contendo extrato de folhas de Eugenia involucrata e análise da atividade antimicrobiana

Antifungal activities of rotenoids from seeds and roots of Clitoria fairchildiana

Planta em Foco: Brosimum gaudichaudii Trécul. (Moraceae). Boletim PLANFAVI, n. 45, jan/mar 2018. Parte 2

Referências 

Silva et al. 2011. Propagação vegetativa de Brosimum gaudichaudii Trécul. (mama-cadela) por estacas de raízes. Revista Brasileira Plantas Medicinais, v.13, n.2, p.151- 156. 

Silva et al. 2016. Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: Plantas para o Futuro: Região Centro-Oeste / Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade; Roberto Fontes Vieira (Ed.). Julcéia Camillo (Ed.). Lidio Coradin (Ed.). – Brasília, DF: MMA, p. 707-717. 

Paulino Filho et al. 2015. Obtainment of pellets using the standardized liquid extract of Brosimum gaudichaudii Trécul. Pharmacognosy Magazine, v.11, n. 41, p. 170– 175. 

Pozetti, G.L. 2005. Brosimum gaudichaudii da planta ao medicamento. Revista Ciência Farmacêutica Básica e Aplicada, v.26, n. 3, p.159-166. Morais et al. 2018. Validation of a photostability indicating method for quantification of furanocoumarins from Brosimum gaudichaudii soft extract. Revista Brasileira Farmacognosia., v. 28, n. 1, p. 118–123. 

Rodrigues, Eliana. 2007. Plants of restricted use indicated by three cultures in Brazil (Caboclo-river dweller, Indian and Quilombola). Journal Ethnopharmacology, v.111, n. 2, p.295-302. 

Vieira et al. 1999. A new coumarins from Brosimum gaudichaudii Trecul. Natural Product Letter, v.13, n.1, p.47-52. Vilegas e Pozetti, 1993. Coumarins from Brosimum gaudichaudii. Journal Natural Product, v. 56, n.3, p.416- 417. 

Romaniuc-Neto et al. 2014. Moraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov. br/2010/FB010124) 

Outros estudos: 

Os extratos do córtex da raiz exibiram atividade antihelmíntica, inibindo o desenvolvimento das larvas de Strongyloides stercoralis, e de Ancilostomideos. Além disso, apresentou atividade antitumoral inibindo o carcinoma epidermóide e a leucemia linfocítica P388. 

Pozetti e Giazzi. 1976. Ensaio da inibição de desenvolvimento larvar de Ancilostomídeos pelas furocumarinas extraídas de Brosimum gaudichaudii Trecul: Bergapteno e Psoraleno. Revista da Faculdade de Farmacia e Odontologia de Araraquara, v.10, n. 2, p. 221-223. 

Extratos etanólicos das cascas e folhas de B. gaudichaudii foram usados, para inibir bactérias multirresistentes isoladas de infecções adquiridas por pessoas diabéticas. Estes extratos exibiram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-negativas e gram-positivas. A atividade antibacteriana foi mais acentuada contra Staphylococcus aureus (63.64%) e Pseudomonas aeruginosa (66.67%), indicando a presença de substâncias ativas com atividade antimicrobiana contra linhagens de bactérias multirresistentes. 

Borges et al. 2017. Evaluation of antibacterial activity of the bark and leaf extracts of Brosimum gaudichaudii Trécul against multidrug resistant strains. Natural Product Research, v. 31, n. 24, p. 2931-2935.

Planta em Foco Brosimum gaudichaudii Trécul. (Moraceae). Boletim PLANFAVI, n. 45, jan/mar 2018. Parte 1

Brosimum gaudichaudii Trécul. (Moraceae) 

Planta nativa do Brasi, com porte arbustivo, podendo atingir até 4 m de altura. Os ramos são cilíndricos, escuros e estriados e as folhas duras, elípticas ou oblongas, glabra na face adaxial e pubescente na abaxial. As flores ficam reunidas em um receptáculo globoso, na axila das folhas, e os frutos amarelo-alaranjados, com cerca de dois centímetros de diâmetro, são semelhantes às mamas de uma cadela. Os frutos carnosos são comestíveis e a madeira é utilizada em marcenaria. Esta espécie é encontrada tanto em áreas de cerrado como em áreas da floresta amazônica e mata atlântica. 

Parte da planta utilizada: As folhas, casca e as raízes são usadas pelas populações da região central do Brasil, principalmente, para o tratamento do vitiligo. As raízes são amplamente comercializadas por raizeiros. O córtex da raiz é a parte do vegetal que apresenta maior concentração de furanocumarinas, as quais possuem importância farmacológica e terapêutica. 

Usos populares: O córtex da raiz é utilizado na medicina popular na forma de chás para o tratamento do vitiligo e outras doenças que causam despigmentação. Além do vitiligo, o chá das raízes tem sido usado para dores de estômago e problemas intestinais. 

Fitoquímica: Os principais constituintes químicos são as furanocumarinas, bergapteno e psoraleno. O bergapteno é encontrado nas raízes, cascas e frutos verdes. Outras cumarinas como hidroximarmesina, xantiletina, luvangetina e a gaudichaudina também foram isoladas dessa espécie. Estudos fitoquímicos demonstraram que as substâncias responsáveis pela ação contra o vitiligo são o psoraleno e o bergapteno. Na casca das raízes, a concentração de furanocumarinas pode representar até 3% do peso seco, enquanto que nas folhas, látex e casca do caule foram detectados apenas traços destes compostos. 

Farmacologia: O interesse farmacológico desta espécie é atribuído às elevadas concentrações de furanocumarinas, encontradas na casca das raízes. A indústria brasileira já disponibiliza os produtos derivados desta espécie para o tratamento do vitiligo e estudos agronômicos indicam a viabilidade técnica para o seu cultivo. Derivados psoralênicos são encontrados em medicamentos como o Viticromin®, elaborado a partir de cascas da porção inferior do caule e das raízes desta espécie, que depois de colhidas, são dessecadas, descascadas, trituradas e preparadas em formas farmacêuticas para uso interno (comprimidos) e externo (pomada e loção). As furanocumarinas também exibem atividades antiespasmódicas, antidigitálica, analgésica, colerética, inibidora da gonadotrofina, anticoagulante, coagulante e antimicrobiana. 

Efeitos Adversos: Furanocumarinas podem ser tóxicas, por possuírem reatividade e capacidade de danificar lipídios, proteínas, RNA e DNA. Entretanto estudos mostraram que esta espécie possui baixa toxicidade, durante tratamentos agudos. 

Link: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mamacadela.jpg

terça-feira, 8 de maio de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Tanchagem

Texto:
Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC 

Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira/Unitau 


Nos quintais, exigindo sombra e água fresca, se espalha a tanchagem. Muitos a consideram como planta daninha, mas talvez porque não saibam sobre a sua fama como medicinal. E para melhorar sua reputação, também é considerada uma alimento não convencional, isto é, uma panc (planta alimentícia não convencional).


Apesar de ser comum em quase todo o Brasil, é originária da Europa. Por aqui, é encontrada, por exemplo, em calçadas, quintais e hortas. Seu nome científico é Plantago major L., e pertence à família Plantaginaceae.

Outros nomes pelos quais é chamada podem ser taiova, tanchá, língua de vaca ou sete nervos. Este último, faz referência às folhas com nervuras bem marcadas que crescem em torno de um único eixo de maneira circular, em forma de roseta. É uma planta perene, que atinge seu auge de crescimento e desenvolvimento no verão. Além de possuir comprovadamente propriedades medicinais da raiz às sementes, aparece associada à várias culturas distintas em registros históricos que relatam suas mais diversas aplicações.
Archivo:Plantago major — Flora Batava — Volume v4.jpg
Figura 1. Plantago major
https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:Plantago_major_%E2%80%94_Flora_Batava_%E2%80%94_Volume_v4.jpg

10 usos e curiosidades sobre a Tansagem

1. Na literatura, é possível encontrar a Plantago major L., com o nome de “rei-dos-caminhos” por ser encontrada em quase todos os lugares pelo mundo.

2. De acordo com Gusso et. al. (2012), a tanchagem se espalhou pelo mundo, inicialmente, ao ser levada pelos europeus durante as navegações.

3. Embora seja considerada uma PANC no Brasil, em outros países como a Índia é uma das ervas mais utilizadas na culinária.

4. Contém mucilagem e bons teores de potássio, cálcio, fósforo, ferro e algumas vitaminas.

5. Age, ainda, enquanto depurativa, diurética, antibacteriana, combatendo tosses e bronquites. Tem propriedades cicatrizantes. As folhas frescas maceradas são úteis contra picadas de abelhas, irritação de pele, úlceras, queimaduras e sangramento de pequenos cortes.Usada também em casos de ardor de estômago, diarreia e disenteria. Também usada em gargarejos para dor e inflamação de garganta. A mucilagem auxilia na proteção intestinal e uterina.

6. É uma promissora fonte de renda especialmente na área cosmética, uma vez que pode ser aplicada diretamente sobre a acne e outros males de pele, além da ação tonificante.

7. É uma das nove ervas sagradas encontradas no texto “Encantamento das Nove Ervas” na Lacnunga, que trata-se de uma coleção de textos contendo orientações e descrições medicinais escritos no século dezenove, na Inglaterra Anglo-Saxônica. Sua descrição neste documento é: 

“E você, Tanchagem, mãe das plantas que se abre para o leste, poderosa em seu interior, sobre você as carruagens correm, sobre você as damas passam, sobre você as noivas choram, sobre você o touros resfolegam; a todos eles você resiste e confronta, assim como você resiste o veneno e a doença e ao mal que viaja pela terra”

8. Está presente na obra Romeu e Julieta, de Sheakspeare, no ato 1, cena 2.

“Romeo says, "Your plantain-leaf is excellent for that". Benvolio asks what the plantain-leaf is excellent for, and Romeo answers, "For your broken shin". Romeo is accusing Benvolio of offering about as much help as the doctor who solves all problems by telling his patients to take two aspirin.” 


9. Segundo Voeks (1997), em “Sacred Leaves of Candomblé: African Magic, Medicine, and Religion in Brazil”, a tanchagem aparece tanto como planta sagrada para o Candomblé quanto de importância econômica para pequenos agricultores;

10. A planta está descrita na Farmacopeia Homeopática brasileira. 

Referências:

GUSSO, G.; LOPES, J. M. C. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012. 2222 p. 2 v. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=lOZHeFiBYd4C&pg=PT751&redir_esc=y#v=snippet&q=tansagem&f=false> Acesso em: 20 abr. 2018

MEDEIROS, Elton O. S.. Erudição e Poesia Encantatória na Inglaterra anglo-saxônica: Salomão & Saturno I e o Encantamento das Nove Ervas. Mirabilia: electronic journal of antiquity and middle ages, 2015, Núm. 20 , p. 313-363. Disponível em:< http://www.raco.cat/index.php/Mirabilia/article/view/297166/386109> Acesso em: 20 abr. 2018

MINISTÉRIO DA SAÚDE. MONOGRAFIA DA ESPÉCIE Plantago major L. (TANCHAGEM). 2014. Disponível em: <http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/25/Vers--o-cp-Plantago-major.pdf> Acesso em: 20 abr. 2018

VOEKS, A. R. Sacred Leaves of Candomblé: African Magic, Medicine, and Religion in Brazil. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=uPIS5BfXMsMC&pg=PA140&redir_esc=y#v=onepage&q=plantago%20major&f=false> Acesso em 20 abr. 2018.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Estudo confirma ação positiva do látex no restauro ósseo

24/04/2018
Link:

Utilizado com sucesso em tecidos moles, derivado da seringueira mostrou-se benéfico também no reparo de lesões no osso
Além do alto potencial de reparação óssea e da biocompatibilidade, o látex é um material nacional e de baixo custo quando comparado a outros disponíveis no mercado – Foto: Domínio público via Wikimedia Commons

Lesões em crânios de ratos ganharam novos vasos sanguíneos e boa reestruturação óssea após tratamento com o látex. Os experimentos utilizaram a F1, uma fração da proteína do látex natural (extraído da Hevea brasiliensis, a seringueira), e mostram o estímulo de fatores de crescimento para a recuperação óssea.

O achado é parte de estudo realizado por pesquisadores da USP em Ribeirão Preto e da Unesp em Araçatuba e publicado na edição de fevereiro da revista Biomedical Material. Os resultados confirmam os benefícios da proteína do látex já relatados com tecidos moles em experimentos anteriores, como a formação de vasos sanguíneos, adesão celular e formação de matriz extracelular. Mas esses são os primeiros relatos desses efeitos sobre os ossos.

Os pesquisadores analisaram a evolução de defeitos provocados por cirurgias em 112 calvárias (ossos da calota craniana) de ratos de laboratório. Esses ossos foram separados em grupos que receberam enxertos de osso (autólogos, autógenos e xenógenos – do próprio animal, da mesma espécie e de outra espécie) e também aqueles com enxertos mais a proteína F1.
Aparência histológica do centro do defeito ósseo em seis semanas de pós-operatório/ Fotomicrografias mostrando os tecidos que preencheram a área do defeito ósseo em CTL (A) e (C), AuG – F1 (B) e (D), AlG – F1 (E) e (G), XeG – F1 (F) e (H), AuG ( I), AlG (J) e XeG (K).

Abreviaturas e símbolos: asteriscos – enxerto ósseo remanescente; bv – vasos sanguíneos, tecido conjuntivo; nfb – osso neoformado; setas pretas – limite entre osso novo e enxerto ósseo remanescente – Imagem: Revista Biomedical Materials

Após avaliações, realizadas por diferentes métodos, observaram maior quantidade de neoformação óssea – tecido novo – nos grupos que receberam os enxertos autólogos e autógenos e também naqueles que receberam os mesmos enxertos acrescidos da proteína do látex.

Contudo, chamou a atenção dos cientistas o aumento da MMP-9 (metaloproteinase de Matriz 9, enzima relacionada ao processo de reparo celular) nos tecidos tratados com o látex, principalmente nos exames realizados na primeira fase das análises, ocorrida na quarta semana pós-implante.

Segundo João Paulo Mardegan Issa, professor da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP e um dos responsáveis pelo estudo, esses dados confirmam o que outras pesquisas já haviam encontrado sobre essa enzima. Durante uma resposta inflamatória, “a MMP-9 está ativa no tecido lesado e este evento se relaciona com a reparação das áreas de cicatrizes no osso, otimizado com o uso da F1”.

Apesar da F1 apresentar propriedades importantes para o reparo de tecidos do organismo animal – como a de formação de novos vasos sanguíneos, a adesão celular e da matriz extracelular, novos experimentos devem ser realizados até que o látex da seringueira possa ser utilizado no reparo ósseo de humanos. O professor comenta que ainda precisam “esclarecer os efeitos desta proteína nessa restauração do osso, especialmente envolvendo o uso de outros modelos animais experimentais e períodos de tempos de recuperação”.

Futuro promissor para um produto nacional

Os especialistas asseguram que biomateriais com as características da F1 são importantes para correção de defeitos que eles chamam de críticos, pois se trata de feridas intraósseas e de grandes proporções para uma cura espontânea.

Informações como as recém-publicadas pela equipe da USP e da Unesp devem colaborar para um futuro promissor do uso do látex em recuperação de ossos. Além do alto potencial de reparação óssea e da biocompatibilidade, o látex é um “material nacional e de baixo custo quando comparado a outros produtos de estímulo reparativo disponíveis no mercado”, lembra o professor.

Os estudos sobre o uso clínico do látex começaram na década de 1990, com uma equipe liderada pelo professor Joaquim Coutinho Netto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Com o látex produzido pela árvore da borracha, a Hevea brasiliensis, os pesquisadores desenvolveram uma biomembrana de látex natural especial para o tratamento de lesões em tecidos moles. Os resultados dessas pesquisas provaram a segurança e eficiência do látex no reparo de diferentes tecidos. O professor Coutinho faleceu em setembro de 2012.

A pesquisa agora publicada integra a tese de doutorado da dentista Bruna Gabriela Santos Kotake, apresentada à FMRP em 2016. Bruna trabalhou sob orientação do professor da Forp João Paulo Mardegan Issa.

Mais informações: e- mail jpmissa@forp.usp.br ou brunakotake@gmail.com

sábado, 31 de março de 2018

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quinta-feira, 1 de março de 2018

Curcumina se revela efetiva no combate à colite de exclusão


07.02.2018

Pigmento ativo do açafrão-da-índia tem baixa toxidade e efeitos colaterais desprezíveis

O médico Antonio José Tibúrcio Alves Júnior: a curcumina aumenta o conteúdo de mucinas ácidas no cólon excluso

A colite de exclusão é uma doença inflamatória que acomete o segmento do intestino grosso desprovido de trânsito intestinal. Ela se manifesta quando o órgão sofre uma interrupção desse fluxo – processo que é adotado em uma cirurgia quando, por razões diversas, o intestino seccionado não pode ser novamente unido, mesmo que temporariamente. No caso, a porção isolada do órgão, onde não circula mais o conteúdo intestinal, deixa de receber nutrientes que lhe são essenciais, como ácidos graxos de cadeia curta. Essa carência modifica o metabolismo energético das células, acentuando a produção de radicais livres, o que determina lesão tecidual devido à quebra de diferentes mecanismos de barreira existentes na mucosa cólica. Essa inflamação promove alterações das concentrações de sulfomucinas e sialomucinas na camada que recobre o epitélio do intestino.

Como a curcumina (Curcuma L.) – um pigmento que faz parte de um componente ativo do açafrão-da-índia – é uma das substâncias naturais com grande potencial antioxidante, de baixa toxidade e de efeitos colaterais desprezíveis, teoricamente está credenciada a ser utilizada para o tratamento da colite de exclusão. Essa possibilidade orientou a pesquisa de mestrado do médico coloproctologista Antonio José Tibúrcio Alves Júnior, que estudou a ação da curcumina no combate a esse processo inflamatório, avaliando seu efeito nas mucinas ácidas – sulfomucinas e sialomucinas – no segmento colônico excluso. Na pesquisa com animais, o autor concluiu que a aplicação da curcumina aumenta o conteúdo de mucinas ácidas no cólon excluso e que o grau de ação sobre a inflamação depende da dose e do tempo de intervenção medicamentosa.

Estudos mostram que a mucosa cólica desprovida de suprimento de ácidos graxos de cadeia curta desenvolve colite de exclusão, uma vez que as células do epitélio cólico, sem o fornecimento nutricional adequado, têm modificado seu metabolismo oxidativo mitocondrial, produzindo altos níveis de radicais livres. Isto quebra o mecanismo de barreira e induz o processo inflamatório. Caberia verificar se a curcumina, a exemplo de outros antioxidantes de ações já devidamente comprovadas, poderia contribuir para a reversão do processo, com a vantagem de se constituir em uma terapêutica de baixíssimo custo.

O trabalho com animais foi realizado no Laboratório de Investigação Médica da Universidade de São Francisco, em Bragança, onde o orientador da dissertação, professor Carlos Augusto Real Martinez, mantém uma linha de pesquisa em colite de exclusão – na Unicamp, ele é docente associado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e coordenador do Ambulatório de Neoplasias Colorretais. O estudo foi coorientado pelo professor Claudio Saddy Rodrigues Coy, do Departamento de Cirurgia e coordenador do Grupo de Coloproctologia da Disciplina de Moléstias do Aparelho Digestivo.

Procedimentos e conclusões

O trabalho teve como objetivo quantificar o conteúdo tecidual das sulfomucinas e sialomucinas na mucosa cólica desprovida de trânsito fecal e inflamada, submetida à intervenção com curcumina, e avaliar a importância da dose utilizada e do tempo de intervenção proposto.

Para tanto, o pesquisador induziu a colite de exclusão em 36 ratos, fazendo a derivação do trânsito intestinal por colostomia proximal, parte do intestino em que chegam as fezes, excluindo a porção do cólon distal, desprovido de trânsito. Dividiu-os então em três grupos de 12 animais. Cada um deles passou a receber, pela porção distal da colostomia, injeções diárias, respectivamente, de solução fisiológica 0,9% e de curcumina nas concentrações de 50 mg/kg/dia e de 200 mg/kg/dia. Por sua vez, cada um desses grupos foi subdividido em dois outros para eutanásia, após 2 e 4 semanas, períodos que se determinou as proporções de sulfomucinas e sialomucinas na mucosa. O conteúdo tecidual dessas mucinas foi mensurado por análises de imagens assistidas por computador.

Os resultados mostraram que o conteúdo de sulfomucinas e sialomucinas na mucosa cólica submetida à intervenção com curcumina aumenta, quando comparado com a mucosa cólica que recebeu apenas soro fisiológico, sendo maior quando usada concentração de 200 mg/kg.dia durante quatro semanas.
A curcumina faz parte de um componente ativo do açafrão-da-índia e tem grande potencial antioxidante

Mecanismo e importância

As sulfomucinas e as sialomucinas são proteínas do muco, principal componente da defesa intestinal. As células maduras são capazes de produzi-las na quantidade adequada. Com o processo inflamatório, as células mais jovens, além de não atingirem a maturidade, produzem pequena quantidade de sulfomicinas e nenhuma de sialomucinas, levando a um desequilíbrio na distribuição apropriada dessas proteínas no muco.

A curcumina combate o efeito oxidativo dos radicais livres permitindo que células mais jovens consigam envelhecer e se mantenham, garantindo a reposição da sialomucina, que é usada como marcador da inflamação. Em consequência, o efeito da medicação pode ser comprovado com a medição das proporções de sulfomucinas e sialomucinas. A recuperação tecidual dessas mucinas é dimensionada através de sua quantificação por imagens computacionais.

A importância da pesquisa ressalta quando se sabe que cerca de 50% de pacientes que precisam ser submetidos à colostomia não conseguem, por vários motivos, ter os dois segmentos intestinais religados e, portanto, precisam conviver com os sintomas decorrentes da colite de exclusão. Entre eles mencionam-se sangramentos, dores abdominais, tenesmo (vontade de evacuar sem ter o quê), produção de muco (uma secreção espessa e esbranquiçada) liberado pelo ânus.

Imagem de capa JU-online

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Open access: Antimicrobial Resistance and the Alternative Resources with Special Emphasis on Plant-Based Antimicrobials—A Review

Chandra, H.; Bishnoi, P.; Yadav, A.; Patni, B.; Mishra, A.P.; Nautiyal, A.R. Antimicrobial Resistance and the Alternative Resources with Special Emphasis on Plant-Based Antimicrobials—A Review. Plants 2017, 6, 16.

Abstract 

Indiscriminate and irrational use of antibiotics has created an unprecedented challenge for human civilization due to microbe’s development of antimicrobial resistance. It is difficult to treat bacterial infection due to bacteria’s ability to develop resistance against antimicrobial agents. Antimicrobial agents are categorized according to their mechanism of action, i.e., interference with cell wall synthesis, DNA and RNA synthesis, lysis of the bacterial membrane, inhibition of protein synthesis, inhibition of metabolic pathways, etc. Bacteria may become resistant by antibiotic inactivation, target modification, efflux pump and plasmidic efflux. Currently, the clinically available treatment is not effective against the antibiotic resistance developed by some bacterial species. However, plant-based antimicrobials have immense potential to combat bacterial, fungal, protozoal and viral diseases without any known side effects. Such plant metabolites include quinines, alkaloids, lectins, polypeptides, flavones, flavonoids, flavonols, coumarin, terpenoids, essential oils and tannins. The present review focuses on antibiotic resistance, the resistance mechanism in bacteria against antibiotics and the role of plant-active secondary metabolites against microorganisms, which might be useful as an alternative and effective strategy to break the resistance among microbes. 


Keywords: antibiotic resistance; antimicrobial; mechanism of action; plant metabolite

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Traditional Amazonian drug linked to improved sense of wellbeing, study suggests

Date: November 9, 2017

Source: University of Exeter

Summary:
A psychedelic drug traditionally used in South America improves people's general sense of wellbeing and may offer a treatment for alcoholism and depression, new research suggests.
Ayahuasca is a blend of the Psychotria viridis bush and the stems of the Banisteriopsis Caapi vine.
Credit: Rafael Guimarães dos Santos

A psychedelic drug traditionally used in South America improves people's general sense of wellbeing and may offer a treatment for alcoholism and depression, new research suggests.

Ayahuasca, a psychedelic brew often used in the Amazon region, contains dimethyltryptamine (DMT) -- an illegal class A drug in the UK.

Previous research has suggested that psychedelic drugs such as LSD and magic mushrooms can help alcoholics tackle their addiction.

Using Global Drug Survey data from more than 96,000 people worldwide, researchers from the University of Exeter and University College London found that ayahuasca users reported lower problematic alcohol use than people who took LSD or magic mushrooms.

Ayahuasca users also reported higher general wellbeing over the previous 12 months than other respondents in the survey.

"These findings lend some support to the notion that ayahuasca could be an important and powerful tool in treating depression and alcohol use disorders," said lead author Dr Will Lawn, of University College London.

"Recent research has demonstrated ayahuasca's potential as a psychiatric medicine, and our current study provides further evidence that it may be a safe and promising treatment.

"It is important to note that these data are purely observational and do not demonstrate causality.

"Moreover, ayahuasca users in this survey still had an average drinking level which would be considered hazardous. Therefore, randomised controlled trials must be carried out to fully examine ayahuasca's ability to help treat mood and addiction disorders.

"However, this study is notable because it is, to the best of our knowledge, the largest survey of ayahuasca users completed to date."

Ayahuasca -- a blend of the Psychotria viridis bush and the stems of the Banisteriopsis caapi vine -- is used by indigenous tribes and religious groups in the Amazon region, as well as many visitors.

The online survey, which was promoted via social media, measured wellbeing using the Personal Wellbeing Index -- a tool used by researchers around the world which asks about things such as personal relationships, connection with the community and a sense of achievement.

Of the respondents, 527 were ayahuasca users, 18,138 used LSD or magic mushrooms and 78,236 did not take psychedelic drugs.

Senior author Professor Celia Morgan, of the University of Exeter, said: "If ayahuasca is to represent an important treatment, it is critical that its short and long-term effects are investigated, and safety established.

"Several observational studies have examined the long-term effects of regular ayahuasca use in the religious context.

"In this work, long-term ayahuasca use has not been found to impact on cognitive ability, produce addiction or worsen mental health problems.

"In fact, some of these observational studies suggest that ayahuasca use is associated with less problematic alcohol and drug use, and better mental health and cognitive functioning."

However, the survey data showed a higher incidence of lifetime mental illness diagnoses within the ayahuasca users. Subsequent analyses found that these were confined to users from countries without a tradition of ayahuasca use.

The researchers said future studies should examine the relationships between ayahuasca use, mental health, wellbeing and problematic alcohol and substance use among these people.

The survey also asked people about the experiences of ayahuasca, and most users said they took the drug with a healer or a shaman.

Ayahuasca was rated as less pleasant and with less of an urge to use more of it than LSD or magic mushrooms. Its acute effects usually lasted for six hours, and were most strongly felt one hour after consumption.

The paper, published in the Nature journal Scientific Reports, is entitled: "Well-being, problematic alcohol consumption and acute subjective drug effects in past-year ayahuasca users: a large, international, self-selecting online survey."

Story Source:

Materials provided by University of Exeter. Note: Content may be edited for style and length.

Journal Reference:
Will Lawn, Jaime E. Hallak, Jose A. Crippa, Rafael Dos Santos, Lilla Porffy, Monica J. Barratt, Jason A. Ferris, Adam R. Winstock, Celia J. A. Morgan. Well-being, problematic alcohol consumption and acute subjective drug effects in past-year ayahuasca users: a large, international, self-selecting online survey. Scientific Reports, 2017; 7 (1) DOI: 10.1038/s41598-017-14700-6

Cite This Page:
University of Exeter. "Traditional Amazonian drug linked to improved sense of wellbeing, study suggests." ScienceDaily. ScienceDaily, 9 November 2017. <www.sciencedaily.com/releases/2017/11/171109093134.htm>.