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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Compostos extraídos da gravioleira têm potencial ação inseticida e antitumoral

SEX, 20 OUT 2017 

Estudo demonstra que substâncias bioativas apresentam atividade anticancerígena



EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA

Substâncias bioativas identificadas na gravioleira vêm chamando a atenção dos cientistas há pelo menos 40 anos. São as acetogeninas anonáceas, uma classe de compostos derivados de ácidos graxos, cujo espectro de atividade biológica inclui propriedades inseticidas, anti-helmínticas e anticancerígenas.

Uma pesquisa feita na Embrapa e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliou um método para extrair e concentrar esses compostos, transformando-os em suplementos alimentares ou fitoterápicos, sem que se percam os princípios ativos de interesse.

De acordo com a pesquisadora Ingrid Vieira Machado de Moraes, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), as acetogeninas anonáceas já foram amplamente estudadas, mas ainda não existe um produto padronizado, cuja concentração seja determinada e segura para consumo humano.
Gravioleira: componentes bioativos estão presentes nas folhas, caule, casca e semente dos frutos | Foto: Wikimedia Commons

“Pesquisas têm confirmado o que o conhecimento tradicional aponta: componentes bioativos naturais presentes nas folhas, caule, casca e semente dos frutos da gravioleira apresentam comprovado efeito anticancerígeno”, disse Moraes à assessoria de comunicação da Embrapa Agroindústria Tropical.

Muitas empresas brasileiras e estrangeiras têm comercializado a folha da gravioleira desidratada na forma de cápsulas e sachês de chá, obtidos a partir da secagem e trituração das folhas. Por meio desse processo, os compostos bioativos presentes nas folhas, encontrados na ordem de partes por milhão, estão misturados a diversos outros compostos e suas concentrações não são determinadas.

“O conhecimento das concentrações de moléculas potencialmente citotóxicas, como as acetogeninas anonáceas, é de extrema relevância para o consumo seguro dos produtos que contêm esses compostos”, disse Moraes.

A pesquisadora extraiu os compostos bioativos utilizando um solvente reconhecido como seguro para o consumo humano, o etanol. O estudo foi realizado no Departamento de Tecnologia de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. Foram avaliados alguns parâmetros visando otimizar os processos de extração e de separação e concentração por membranas.
O professor Flávio Luís Schmidt: “A matéria-prima é renovável e pode gerar produtos relativamente baratos, ao alcance da população, com ganhos em qualidade de vida”

Para que o extrato seja transformado em produto, são necessários ainda outros estudos, incluindo análises de estabilidade das moléculas e padronização dos extratos. A intenção é melhorar o método de produção e a qualidade final do extrato, dando condição de informar a concentração dos princípios ativos presentes.

O estudo foi orientado pelo professor Flávio Luís Schmidt, do Departamento de Tecnologia de Alimentos da FEA-Unicamp. Segundo ele, qualquer viabilidade de aplicação desses componentes deverá passar por um processo de extração que possibilite uma produção em maior escala e comercialização.

Estudos como esse, ele sublinha, podem gerar empreendimentos viáveis, com geração de emprego e renda. “Neste caso, a matéria-prima é renovável e pode gerar produtos relativamente baratos, ao alcance da população, com ganhos em qualidade de vida”, disse Schmidt.

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sábado, 6 de maio de 2017

Óleos essenciais podem ser alternativa para conservar alimentos

04/05/2017

Estudo mostrou que óleos essenciais podem ser seguros e eficazes na substituição de conservantes e antioxidantes sintéticos
No estudo, a incorporação de nanoemulsões em patê de frango não alterou as características físico-químicas do alimento – Foto: Katie Rotramel/Flickr-CC

Utilizados pelos chineses há mais de 4 mil anos, os óleos essenciais são compostos extraídos de plantas aromáticas por processos de destilação, compressão de frutos ou uso de solventes. Dentre seus diversos tipos, vários são inibidores eficazes de crescimento de patógenos de origem alimentar, ou seja, podem ser utilizados na conservação dos alimentos.

Entretanto, como notou uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, sua incorporação direta em alimentos apresenta diversos desafios, em especial porque há a possibilidade de ocorrer mudanças extremas em suas propriedades sensoriais como cor, sabor ou odor.

Em artigo publicado em abril deste ano pela revista Food Science and Technology, a pesquisadora Samantha Pinho, ao orientar a engenheira de alimentos Marília Moraes Lovison em sua tese de doutorado, investigou como essas possíveis desvantagens poderiam ser superadas por meio das chamadas técnicas de encapsulação, tais como nanoemulsification.

O estudo, realizado no Laboratório de Coloides e Funcionalidade de Macromoléculas da FZEA, produziu nanoemulsões encapsulando diferentes quantidades de óleo essencial de orégano, utilizando o método da temperatura de inversão de fase para avaliar sua estabilidade físico-química e atividade antibacteriana. A incorporação das tais nanoemulsões em patê de frango, alimento escolhido pelas pesquisadoras para o estudo, não alterou as características físico-químicas da carne.

“O motivo da escolha dos óleos essenciais foi o fato de serem potenciais substitutos de antimicrobianos e antioxidantes sintéticos normalmente utilizados na indústria de alimentos, e que são reconhecidos como potenciais causadores de problemas de saúde”, explica Samantha, engenheira química por formação.

Inovar na conservação de alimentos é uma necessidade devido à crescente demanda dos consumidores por formulações contendo ingredientes naturais e com baixos níveis de aditivos químicos. É esse interesse que tem constantemente movido pesquisadores a trabalhar com produtos e extratos vegetais com propriedades antimicrobianas.

“Neste trabalho, foi possível descobrir que, assim como na forma ‘livre’, o óleo essencial de orégano nanoemulsionado também apresentou potencial antioxidante e antimicrobiano in vitro e no produto cárneo, o patê de frango”, esclarece a especialista, destacando ainda que as nanoemulsões foram eficientes em preservar o alimento contra Staphylococcus aureus e Escherichia coli – ambas bactérias que podem causar infecções graves.
O óleo essencial de orégano nanoemulsionado, escolhido no estudo, apresentou potencial antioxidante e antimicrobiano – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

De acordo com Samantha, para compreender como as nanoemulsões poderiam atuar na conservação do patê de frango, foi realizada uma contaminação “artificial” pelas bactérias e, posteriormente, a quantificação delas durante oito dias de armazenamento sob refrigeração.

Após determinar a atividade antimicrobiana das nanoemulsões, foram realizadas as análises para avaliação de seu potencial antioxidante in vitro. Na última etapa do trabalho foi avaliado se o óleo essencial “livre” ou nanoemulsionado afetaria as propriedades sensoriais do patê, e como era a aceitação do produto pelos consumidores.

Os resultados permitiram concluir que o óleo essencial é adequado para ser incorporado em formulações de alimentos e prolongar a sua vida de prateleira.

“Este trabalho mostrou que eles podem ser uma alternativa segura e eficaz na substituição, total ou parcial, dos conservantes e antioxidantes sintéticos empregados na indústria de produtos cárneos, proporcionando assim alimentos mais saudáveis e com maior qualidade aos consumidores”, resume a professora.

Além disso, conforme Samantha, a nanotecnologia pode ser considerada uma importante ferramenta para encapsular bioativos, protegendo-os de interações indesejáveis com os alimentos e permitindo a aplicação destes compostos em diversos tipos de alimentos, com a finalidade de diminuir ou mesmo evitar o uso de aditivos sintéticos.

O artigo Nanoemulsions encapsulating oregano essential oil: Production, stability, antibacterial activity and incorporation in chicken pate pode ser acessado neste link. A pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Mais informações: e-mail samantha@usp.br, com Samantha Pinho

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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Plantas do Cerrado são potenciais inseticidas naturais contra Aedes aegypti

Pesquisa do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública comprova que produtos botânicos têm eficiência semelhante e apresentam vantagens em relação aos químicos

Em pesquisa em andamento na Universidade Federal de Goiás (UFG), plantas do Cerrado, como o cajuzinho-do-cerrado, tingui e a copaíba, são utilizadas como base na elaboração de inseticidas capazes de combater o Aedes aegypti e o Culex quinquefasciatus, mosquito conhecido popularmente como muriçoca noturna.

Com testes laboratoriais e aplicações realizadas na cidade de Senador Canedo, a pesquisa aponta para o fato de que esses produtos apresentam eficiência equivalente aos que se encontram no mercado, além de não representar nenhuma forma de agressão ao meio ambiente ou à saúde de usuários.

Outro ponto favorável do inseticida natural é que, para sua produção, não há retirada de matéria-prima do bioma, já que são utilizados subprodutos que são descartados pela indústria. No caso do cajuzinho-do-cerrado e do caju, a matéria-prima para os inseticidas é o óleo residual, proveniente do processo de extração da castanha do fruto. Quando descartado indiscriminadamente, esse óleo se tornaria um agente poluente.

Segundo o coordenador do estudo, o professor Ionizete Garcia Silva, há vantagens no uso de inseticidas naturais que combatam o Aedes aegypti, já que testes comprovaram que eles são seletivos, ou seja, não agridem outros animais. O pesquisador ressalta que se trata de produtos biodegradáveis e que, comparados aos produtos sintéticos existentes e já utilizados, podem permanecer até 30 anos na natureza, enquanto os naturais se decompõem rapidamente.

Fonte: UFG / Jornal da Ciência

Publicado no Portal EcoDebate, 10/07/2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

O que o meio ambiente tem a ver com a sua saúde? artigo de Beatriz Carvalho Diniz

Uma planta indiana cultivada no Brasil nos ajuda a entender e mudar hábitos
Azadirachta indica A. Juss., conhecida pelos nomes comuns de amargosa e nim (do hindi: नीम, nīm, também grafado como neem, segundo a transliteração inglesa), é uma árvore da família Meliaceae, com distribuição natural no sul da Ásia e utilizada na produção de madeira e para fins medicinais. Informação e foto: Wikipedia

[EcoDebate] Estamos acostumados a ouvir que comer frutas, legumes e verduras faz bem para a saúde. É verdade. E até em talos, folhas e cascas tem vários nutrientes que precisamos botar para dentro do nosso organismo. O problema é que achamos que não gostamos de alimentos naturais, afinal, somos bombardeados pela publicidade dos produtos industrializados e convencidos de que consumir marcas é o que importa. Comemos muitas porcarias disfarçadas com corantes, saborizantes e aromatizantes, que nem são nutritivas, e não damos lá tantos exemplos para as crianças curtirem o crocante da maçã da Branca de Neve, o espinafre do Popeye ou a cenoura do Pernalonga. Mas, além desse costume torto que depende das nossas escolhas, ainda temos o grave problema do uso exagerado de agrotóxicos nas lavouras brasileiras, permitido exatamente porque não gastamos nosso poder de escolher.

Agrotóxicos são venenos que contaminam as pessoas, os solos, as águas e os alimentos. Diversos estudos relacionam agrotóxicos a efeitos nocivos sobre a nossa saúde e segurança alimentar e nutricional. O Instituto Nacional do Câncer [INCA] divulgou sua posição contra as práticas de uso de agrotóxicos no Brasil, ressaltando seus riscos à saúde, inclusive nas causas do câncer.

O Brasil é o maior importador de agrotóxicos do planeta, recordista desde 2008. E o que é pior, aqui são usados mais de 10 tipos de venenos já proibidos no mundo. Então, tem agrotóxicos em frutas, legumes e verduras que nos são vendidos, pelos quais pagamos para comer e servir a nossa família. Tem agrotóxicos também nesses produtos artificiais, nos ingredientes de biscoitos, pães, cereais matinais, lasanhas, pizzas, como trigo, milho e soja. E nós nem sabemos, sequer nos informam.

Mesmo com o status negativo de campeão mundial no consumo de agrotóxicos e ainda usando substâncias já proibidas nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil exporta produtos da agropecuária brasileira porque atende às exigências do mercado internacional com soluções de controle biológico de pragas e de fertilização orgânica. Mas, e a produção de alimentos para o nosso consumo, vai continuar na base de agrotóxicos?

Nossa escolha no campo e na cidade

Processos e produtos amigáveis ao meio ambiente são alternativas eficientes, seguras e econômicas para substituir o uso tantas substâncias químicas em lavouras e criações. Prova disso é a árvore Neem, de origem indiana, que se destaca pela variedade e confiabilidade de seu uso, com seus produtos defensivos, fertilizantes, antiparasitários e repelentes naturais e atóxicos. Tudo que se produz a partir do princípio ativo, extraído das folhas, frutos, cascas, sementes e madeira dessa árvore, é utilizado na medicina, cosmética e agricultura há mais de 4 mil anos na Índia.

Neem combate mais de 400 tipos de pragas agrícolas sem causar danos ao meio ambiente, é natural e atóxico. Na pecuária, Neem combate insetos e parasitas, reduz o custo com medicação para os animais e não deixa resíduos na carne nem no leite. A confiabilidade do Neem tem sido atestada por diferentes instituições, como Embrapa, Unicamp e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por exemplo, comprovaram que a aplicação do óleo de Neem em lavouras como da mandioca combate o ácaro vermelho.

Então, o produtor rural tem soluções disponíveis no mercado brasileiro para melhorar seus processos de cultivo e criação, assim como a qualidade de frutas, legumes, verduras, leite e carnes. Não precisa depender de agrotóxicos. E pode escolher se adiantar ao invés de ser surpreendido pelo seu comprador usual querendo deixar de vender alimentos produzidos com agrotóxicos, porque os clientes dele na feira querem comprar frutas, legumes e verduras saudáveis de verdade, sem venenos, e estão trocando de barraca.

Aliás, você já perguntou nas barracas da feira em que costuma comprar frutas, legumes e verduras se o cultivo é com agrotóxicos? Pergunta! Queira saber, porque a demanda formata a oferta. Converse com os feirantes sobre a procedência do que vendem a você, use seu smartphone conectado para checar os sites dos produtores e leve em consideração a sua saúde e da sua família na hora da escolha de compra. E descubra como é a oferta de produtos orgânicos na sua cidade, se tem em mercados, hortifrutis, feiras, associações de produtores, grupos de compra.

Bom para o ambiente, melhor para nós

Morando no campo ou na cidade, somos todos consumidores e precisamos entender que o que é bom para o meio ambiente é bom para nossa saúde. Mudar práticas na produção e hábitos de consumo provoca também mudanças no mercado, é a lei da oferta e da procura.

Uma iniciativa bem bacana na cidade do Rio de Janeiro é o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, reunindo produtores e expositores dedicados à comercialização de alimentos 100% orgânicos e certificados. Segue o link https://www.facebook.com/feirasorganicas para você conhecer o circuito, compartilhar com quem tem interesse na sua cidade e apresentar na prefeitura e para o vereador em que você votou.

A produção de orgânicos no Brasil aumenta 20% por ano desde 2010, segundo o SEBRAE. O número de produtores orgânicos cresceu mais de 50% de 2014 para 2015. E a natureza é tão incrível que com uma única árvore temos diversas soluções para diferentes problemas sem prejudicar o meio ambiente e sem nos encher de venenos. Os produtos derivados do Neem não são tóxicos para o homem nem para os animais e são biodegradáveis, porque seu DNA é livre de moléculas químicas.

Como diz a Romina Lindemann, Diretora-geral da Preserva Mundi [especializada no cultivo de Neem e na fabricação de seus produtos derivados], Neem é o grande aliado do produtor rural brasileiro para reduzir custos e tornar a produção mais limpa e menos danosa ao ambiente e às pessoas. “O Brasil precisa saber mais sobre as vantagens e os benefícios do Neem e explorar nosso potencial na agropecuária orgânica.” Tem toda razão. Abandonar agrotóxicos na agropecuária não se reduz a uma tendência e nem ao interesse de mercado, é bom para o meio ambiente e é ainda melhor para nós.

Eu não sou produtora rural e uso Neem. É que a versatilidade da árvore é tanta que rende produtos para usarmos em casa e nos bichinhos que amamos, como o repelente e o sabonete. Substituí inseticida pelo repelente de Neem, que também entra na finalização da faxina. Como sou a humana de estimação da gata Amor Amora, optar por um repelente natural é vantajoso também por não fazer mal à bichana. Cuido da higiene e do controle de pulgas em Amor Amora com o sabonete de Neem próprio para cães e gatos. Estou muito da satisfeita por ter mudado. E se você pensa em experimentar, saiba mais sobre o Neem, seus usos e produtos em Preserva Mundi http://bit.ly/PreservaMundiprodutos.

Beatriz Carvalho Diniz
Criativa de Eco Lógico Sustentabilidade, conteúdo produzido com amor, sem fins lucrativos, desde 2009. Consultora de Comunicação e Sustentabilidade.

Publicado no Portal EcoDebate, 09/06/2015
"O que o meio ambiente tem a ver com a sua saúde? artigo de Beatriz Carvalho Diniz," inPortal EcoDebate, 9/06/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/06/09/o-que-o-meio-ambiente-tem-a-ver-com-a-sua-saude-artigo-de-beatriz-carvalho-diniz/.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Polímero derivado do camarão pode combater bactérias

Por Da Redação - agenusp@usp.br
Publicado em 9/dezembro/2014 

Por Rui Sintra, da Assessoria de Comunicação do IFSC
Solução de quitosana em água poderá ser aplicada em utensílios cirúrgicos e superfícies hospitalares

As bactérias estão presentes em quase todos os lugares, inclusive, em ambientes cirúrgicos. Alguns desses microorganismos patogênicos — que produzem doenças infecciosas — são resistentes aos antibióticos produzidos atualmente. Baseado nesta premissa, o estudante de mestrado em Física Biomolecular do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, Caio Vaz Rimoli, sob orientação do professor Paulo Barbeitas Miranda, do Grupo de Polímeros “Prof. Bernhard Gross” do IFSC, vem buscando novas alternativas para combater estes micróbios.

A principal forma de combate proposta pelos pesquisadores é uma solução de quitosana em água, um polímero derivado da casca de camarão, que poderá ser aplicado em utensílios cirúrgicos e superfícies hospitalares, bem como em vestimentas. De acordo com Rimoli, o objetivo desta pesquisa é saber como ocorre a interação entre o polímero e o micróbio. Segundo o professor Paulo Miranda, é necessário entender o mecanismo da ação entre ambos. “Um método bastante aceito é que o material interage com a membrana das bactérias. Sendo assim, iremos estudar a interação de um modelo bem simplificado dessa membrana com os polímeros em uma solução aquosa”, explica.

Um dos primeiros passos do trabalho consiste em analisar as cargas elétricas das membranas das bactérias, uma vez que os pesquisadores acreditam que a atração elétrica seja a primeira etapa na interação entre o polímero e o microorganismo. A membrana celular possui duas camadas de lipídios — moléculas parecidas com um bastão; a cabeça dessa molécula gosta de ficar em contato com a água, ao contrário de sua cauda, que é hidrofóbica.

Diferentemente de uma célula de mamífero, que não possui carga elétrica, a cabeça dos lipídios de membrana bacteriana tem carga negativa. Já os materiais poliméricos com que os pesquisadores estão trabalhando têm carga positiva, fator que deve permitir esse primeiro contato entre o material e o micróbio. “Nossa ideia é inserir o polímero na membrana da bactéria, criando uma espécie de buraco na camada lipídica do microorganismo, atacando-o”, afirma Miranda.

Membrana de laboratório

No laboratório, a simulação do ataque à membrana é feita por meio de uma cuba com água, onde os pesquisadores espalham as moléculas de lipídio, com barreiras mecânicas, comprimem essas substâncias organizando-as como se elas estivessem na própria membrana. De acordo com o professor, “com essa membrana montada em laboratório, pode-se analisar o modo como o polímero interage com a bactéria na água”.

A importância desse projeto vai além da criação de uma proteção contra as bactérias, já que, descobrindo a forma como o material polimérico pode matar um microrganismo, será possível projetar moléculas semelhantes às utilizadas pelos pesquisadores, bem como outras bastante diferentes e com potencial ainda maior para a finalidade de combater os micróbios.

“Já se sabe que esse material é bom contra alguns organismos, ou seja, ele combate apenas alguns tipos de fungos e bactérias. Então, será um grande avanço nesse campo de pesquisa se nós descobrirmos como realmente acontece a interação entre a quitosana e a bactéria, do ponto de vista molecular”, ressalta Rimoli.

Além da aplicação em ambientes cirúrgicos, o professor Paulo Miranda conta que se for possível aplicar as moléculas da Quitosana dentro do próprio organismo humano, esse material poderá ser utilizado, também, como medicamento: “A princípio, acredito que isso seja menos viável, porque temos a dificuldade de absorver esse material dentro do organismo e direcioná-lo ao local da infecção. Talvez isso seja possível, mas ainda não podemos confirmar essa tese”, diz ele.

Nesse caso, o polímero usado pelos pesquisadores pode possuir dupla ação, ou seja, além de atuar como antibiótico, combatendo os próprios microorganismos, ele poderá ser utilizado como cápsula protetora, transportando outros antibióticos em seu interior até o microrganismo.

De acordo com os pesquisadores, esta pesquisa básica ainda está bem no início, pelo que as primeiras conclusões só deverão ser analisadas nos próximos seis ou doze meses. Para que esse projeto possa ser comercializado, diversas outras etapas deverão ser concluídas não só pelos físicos do IFSC, quanto por químicos que poderão colaborar na finalização desse trabalho, atuando em outras etapas, o que levará cerca de cinco ou dez anos até que o projeto seja concluído.

Além de envolver outras áreas, tal como a química, essa pesquisa pode, inclusive, aproximar não só as áreas de pesquisa da física, como as relacionadas com biomoléculas, uma vez que este importante trabalho possui um ótimo perfil interdisciplinar – uma colaboração que poderá auxiliar e apoiar, cada vez mais, essa luta contra os microorganismos.

Foto: Wikimedia Commons

Mais informações: (16) 3373-9825 (ramal – 212), emailmiranda@ifsc.usp.br, com o professor Paulo Babeitas Miranda; e (16) 3373-9825 (RAMAL – 212), email cvrimoli@gmail.com, com o Dr. Caio Rimoli

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Empresa cultiva planta medicinal que serve como repelente natural (queminova.catracalivre.com.br)

Tatiane Ribeiro on 21 de outubro de 2014

Toda mulher com um kit verão respeitável carrega na bolsa, no mínimo, um bloqueador solar e um repelente. Mas além de pensar na proteção, é preciso ponderar também o quanto de componentes químicos penetram na nossa pele a partir do uso desses produtos.

Alternativas naturais do outro lado do mundo, mais precisamente da Índia, já estão disponíveis no mercado brasileiro, graças a empresas que apostaram no potencial do cultivo de espécies que geram soluções tanto para necessidades pessoais, quanto para a produção agrícola e pecuária, sem causar dano à saúde e nem ao ambiente.
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terça-feira, 22 de julho de 2014

Pimenta-do-reino pode ser utilizada como defensivo natural

21/07/2014
publicado por Comunicação Caatinga
A pimenta-do-reino tão usada no nosso dia-a-dia, além de tempero, apresenta uma série de benefícios à saúde, como: analgésico, anti-inflamatório e xarope.

Outro benefício é o defensivo natural a partir dela; que ajuda os agricultores e agricultoras a manter suas plantações saudáveis, livres de pragas e pulgões sem precisar usar agrotóxicos (que poluem o meio ambiente e prejudicam a saúde).

Confira a prática a seguir:

Defensivo de Pimenta-do-reino

Ingredientes:

100 g de pimenta-do-reino (copo de 180 ml)

1 litro de álcool

½ barra de sabão neutro (100 g)

Modo de preparo e uso:

Misturar bem a pimenta-do-reino (moída ou em pedaços pequenos) e o álcool. Deixar repousar 01 semana em uma garrafa de plástico.

Passada a semana, diluir 01 copo (250 ml) em 10 litros de água com o sabão diluído e pulverizar. Fazer 03 aplicações sucessivas de 02 em 02 dias, esperar 03 dias depois da última aplicação para colher.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Marrocos: Les secrets de l’aromathérapie et de la phytothérapie

La qualité d’abord

Mohamed Hmamouchi: Président de la Fédération arabe des plantes médicinales et aromatiques et professeur à la Faculté de médecine et de pharmacie de Rabat

Depuis 1986, l’Organisation mondiale de la santé (OMS) a été mandatée pour établir des spécifications internationales sur les plantes médicinales les plus utilisées et de préparer les monographies. Ces dernières sont très détaillées et comportent toutes sortes d’informations sur les critères de qualité de traitement et de préparation des produits médicinaux, comme les teneurs maximales recommandées en métaux lourds et en pesticides, entre autres.

Plusieurs pharmacopées traditionnelles ont aussi été élaborées. Des professionnels se sont organisés en associations de producteurs de plantes médicinales, d’herboristes, de transformateurs, de phytothérapies (européennes, américaines, australiennes, indiennes…).

La plante constitue, en effet, un matériel biologique donc éminemment variable, dont la morphologie et la composition chimique évoluent de la germination à la fructification.

Celle-ci varie, bien sûr, selon les perspectives des trois principaux acteurs du secteur que sont le consommateur, l’industrie et l’autorité réglementaire, avec des variantes au sein même de chacun de ces groupes.

La qualité des produits de phytothérapie est définie en termes de:

• Protection de la santé publique : par la définition de toutes les caractéristiques des produits dans le but d’assurer leur innocuité.

• Promotion de la santé par la définition de toutes les caractéristiques des produits dans le but de garantir leur efficacité et leur accès équitable. 

La complexifié du choix vient de la difficulté à choisir entre les différentes plantes, pour quelle utilisation, ou acheter les plantes, sous quelles formes d’utilisation, leur disponibilité sachant que les plantes médicinales sont utilisées soit en l’état, soit transformées pour l’utilisation traditionnelle, la préparation magistrale ou la spécialité pharmaceutique qui répond à la définition du phytomédicaments. On les utilise sous forme d’infusion, décoction, extraits, teintures, alcoolats, macéras glycérinés, teintures mères, nébulisas, lyophilisats, les SIPF (Suspensions intégrales des plantes fraîches) pour les préparations galéniques et en gélules, capsules molles, cachets, sirops pour les formes pharmaceutiques (en vrac, en sachet-dose).

Plusieurs réglementations existent : Américaines, Japonaise, Chinoises et Européennes (en plus de règlement européen «Reach».

Mais il faut rappeler que l’usage des plantes à des fins médicales est loin d’être anodin et devra offrir, dans un cadre réglementaire, un certain nombre de garanties telles que les garanties d’efficacité et d’innocuité. Ce sont là les garanties minimales exigées de tout produit se revendiquant de l’arsenal thérapeutique, tel que défini dans l’article «L 501» du Code de la santé publique français, repris par l’OMS.

Publié le : 25 Décembre 2012 - LE MATIN
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sábado, 24 de novembro de 2012

Plantas e extratos vegetais na indústria alimentícia

Sinônimo de naturais, as plantas e extratos vegetais estão cada vez mais sendo integrados nas formulações alimentícias, podendo ser encontrados nos mais variados tipos de produtos colocados à disposição do mercado.

Plantas e extratos

Nos grandes mercados consumidores mundiais pode-se encontrar com frequência os mais diversos produtos possíveis com um toque vegetal. Bebidas carbonatadas formuladas com especiarias e sucos de frutas (limão/gengibre, hortelã-pimenta ou mentha piperita, cereja/zimbro, etc.), águas minerais vitaminadas com vitamina C natural (e extrato de acerola), chocolate com óleo essencial de laranja e extrato de tília, infusões com rooibos (Aspalathus linearis Burman f.), gélulas ricas em isoflavonas, em carotenos, ketchup com licopeno, enfim as alternativas não faltam!

As plantas e seus extratos estão em todo lugar, inclusive em produtos lácteos, com o ginko biloba e a verbena. Entre a alimentação natural e o alimento saudável, entre os remédios ancestrais e o modernismo, os produtos naturais à base de plantas e ervas suscitam grande interesse por parte dos consumidores europeus e norte-americanos e o seu consumo aumenta, particularmente, no âmbito dos complementos alimentares.

Oferecer extratos purificados é um meio de agregar mais valor a determinados produtos.

Mas, o que são os extratos?

Extratos são preparações concentradas de diversas consistências possíveis obtidas a partir de matérias-primas vegetais secas, que passaram ou não por tratamento prévio (inativação enzimática, moagem, etc.) e preparadas por processos envolvendo um solvente. Isso implica basicamente em duas etapas no processo de fabricação: a separação dos compostos específicos de um meio complexo (a droga, ou parte da planta utilizada, como raiz, caule, folha) com a utilização de um solvente; e a concentração, por eliminação mais ou menos completa dos solventes.

É possível definir tradicionalmente um extrato pela relação entre a quantidade de droga tratada e a quantidade de extrato obtida. O ponto chave de toda a polêmica é onde fica a fronteira entre um extrato purificado, a vocação terapêutica (um ativo) e um extrato incorporado em algum alimento ou complemento alimentar. Um exemplo é a uva e os OPC (oligômeros procianídicos contidos na casca e caroços das uvas). Esta classe de moléculas possui propriedades anticancerígenas e antioxidantes, reconhecidas e amplamente descritas na literatura científica e diretamente implicadas no famoso French Paradox. 

Essas OPC são extratos de bagaços da uva e são também corantes naturais e auxiliares tecnológicos. Trata-se simplesmente de uma subclasse dos polifenóis da uva, ou seja, os flavonoides, que são compostos por seis famílias de moléculas, as flavononas, as flavonas, os flavonóis, os isoflavonoides, as antocianinas e as flavanas.

Outro exemplo é o abacaxi, vegetal alimentar por excelência, cujas fibras ou extratos em pó são utilizados em produtos posicionados para emagrecimento. Foram identificadas moléculas anticancerígenas no abacaxi sem que, para tanto, o mesmo passasse a pertencer ao monopólio dos remédios. Esses dois exemplos mostram toda a ambiguidade entre as antocianinas, identificadas como matérias corantes, e os flavonoides, estudados e utilizados por suas atividades antioxidantes. 

Da planta seca e moída até as moléculas puras existe uma verdadeira fossa abissal: atividade, eventual toxicidade, etc.

Os extratos são substâncias técnicas definidas internamente pelas empresas ou pela farmacopéia. Alguns têm vocações terapêuticas fortes e são verdadeiros remédios. O abismo que separa os dois conceitos é, basicamente, o mesmo que separa a indústria farmacêutica da indústria alimentícia.

Em 1958, o U. S. National Cancer Institute (NCI) iniciou um programa para estudar 35.000 espécies de plantas, no intuito de descobrir quais tinham uma atividade anticancerígena. Já em 1963, observou-se, cientificamente, que um extrato da casca de uma espécie de teixo, árvore ou arbusto da família das taxáceas, apresentava esse tipo de atividade. A droga derivada, o paclitaxel (Taxol®), um composto semi sintético, demorou cerca de 30 anos para receber a aprovação da FDA. 

Seja como medicamento com a devida concentração para ter-se um efeito terapêutico, seja em uma formulação alimentícia na qual ele traz um certo valor agregado sob a forma de uma alegação, as doses terapêuticas necessárias estão longe de ser atingidas. As atividades farmacológicas de outros extratos conhecidos e amplamente usados, como o gingko biloba ou os triterpenos da centela asiática, também são amplamente demonstrados; porém existem centenas de produtos e suplementos utilizando esses extratos, alegando seus benefícios, porém incorporados nas formulações em quantidade, novamente, longe de serem terapêuticas.

Os extratos e seus métodos de obtenção foram, antes de tudo, desenvolvidos e estandardizados pela indústria farmacêutica, a única realmente capaz de aproveitá-los. A indústria alimentícia, sob o impulso da geração saúde, começou a procurar esses ingredientes saudáveis e com o apoio dos departamentos de marketing valorizou a atividade dos mesmos.

O marketing permitiu uma aproximação maior entre tipos de extratos e atividades. Mas, no fundo, será que o problema todo reside na concentração? Isoflavonas a 10% são autorizadas na indústria alimentícia; isoflavonas a 40% são reservadas à indústria farmacêutica?

Não existe nenhuma definição clara dos extratos especificamente destinados ao setor alimentício, nem no que se refere Ginko biloba à titulação em princípios ativos, nem do ponto de vista tecnológico. 

Na Europa, os extratos para a indústria alimentícia devem ter um perfil cromatográfico semelhante àquele da planta; em outras palavras, a extração não pode ser seletiva, mas o próprio termo seletivo não está claramente definido.

De um modo geral, utiliza-se na indústria alimentícia extratos nos quais todas as moléculas são extraídas na sua totalidade, sem que nenhuma seja especificamente isolada. O extrato alimentício não é e não pode ser, em hipótese alguma, um princípio ativo, ou seja, um composto com efeito terapêutico e que corresponde a uma molécula ou um grupo de moléculas com atividade farmacológica testada. Outro ponto muitas vezes esquecido é a toxicidade dos extratos; sua inocuidade deve ser comprovada.

Texto completo e bem mais amplo no link:
http://www.insumos.com.br/aditivos_e_ingredientes/materias/429.pdf