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sábado, 24 de setembro de 2016

Resenha crítica do artigo: Folhas, talos, cascas e sementes de vegetais: composição nutricional, aproveitamento na alimentação e análise sensorial de preparações.

Autoria da resenha: Aline Aparecida Oliveira Silva - Pedagoga - Acadêmica de Nutrição

STORCKL, Cátia Regina; NUNESI, Graciele Lorenzoni; OLIVEIRA, Bruna Bordin; BASSO, Cristiana. Folhas, talos, cascas e sementes de vegetais: composição nutricional, aproveitamento na alimentação e análise sensorial de preparações. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cr/v43n3/a8413cr6971.pdf. Acesso em: 23 set 2016.

O artigo de Cátia Regina Storckl, Graciele Lorenzoni Nunesi e Bruna Bordin Oliveira, estuda a composição de folhas, talos, cascas e sementes de vegetais, visando o aproveitamento total de frutas e hortaliças na alimentação. 

Foi destacado o alto desperdício de alimentos no Brasil, o qual poderia alimentar 35 milhões de pessoas, fato que também influencia diretamente a economia e os problemas sociais do país.

As partes não aproveitáveis dos alimentos poderiam ser utilizadas enfatizando o enriquecimento alimentar, diminuindo o desperdício e aumentando o valor nutricional das refeições, pois talos e folhas podem ser mais nutritivos do que a parte nobre do vegetal como é o caso das folhas verdes da couve-flor que, mesmo sendo mais duras, contêm mais ferro que a couve manteiga e são mais nutritivas que a própria couve-flor. (SOUZA, 2007).

O trabalho desenvolvido se estrutura em resumo, introdução, material e métodos, resultados e discussão, considerações finais e referência. Nos material e métodos utilizados, foram apresentados os alimentos do estudo: moranga, batata inglesa, chuchu, espinafre, couve-flor, beterraba, cenoura, banana, manga e melão, além do procedimento utilizado para a higiene e manipulação dos mesmos. Também foram desenvolvidas 13 receitas utilizando as folhas, cascas, talos e sementes das frutas e hortaliças. A análise sensorial foi realizada por meio do teste de aceitação dos provadores baseando-se na escada hedônica que variou de gostei muito até desgostei muito.

Nos resultados e discussão ressaltou-se o teor de calorias, carboidratos, proteínas, minerais, fibras e polifenóis nas aparas de frutas e hortaliças in natura, e, consequentemente, foi analisado os mesmos elementos, no entanto em preparações elaboradas. 

A partir dessas análises, os autores perceberam que na parte "não-utilizável" dos alimentos foram obtidos índices nutricionais maiores em relação ao padrão, principalmente em se tratando da fibra alimentar.

Portanto, é fundamental que conheçamos a composição nutricional de cada alimento, incluindo o que consumimos de fato até as partes que jogamos no lixo, pois estas podem ter mais valores nutricionais agregados ao alimento. Com isso, melhoraríamos os cardápios e dietas proporcionando benefícios à saúde das pessoas, além de diminuir os desperdícios e reduzir os custos de cada alimento. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Indústria e a cultura do desperdício, artigo de Reinaldo Dias

[EcoDebate] O conceito de sustentabilidade associado à dimensão tecnologia pode ter diversas abordagens, muitas vezes antagônicas. Duas delas são particularmente relevantes: o sistema de produção industrial linear e o circular.

Por muito tempo a tecnologia foi vista como inimiga do meio ambiente, não só pela exploração maciça de seus recursos, mas como destinação dos resíduos dos produtos tecnológicos. Esta perspectiva, no seu limite, provocou o surgimento de movimentos neoluditas, anti-tecnologia, com vários adeptos em todo mundo e que passam a ser avessos à utilização de produtos de alta tecnologia visando adotar posturas mais amigáveis com a natureza e tendência à demonização da indústria como a responsável pela crise ambiental atual.

No entanto, numa nova abordagem conceitual, a tecnologia e constitui numa ferramenta para o crescimento e o desenvolvimento de países como o Brasil, que almejam alcançar metas sustentáveis de crescimento. Nesta perspectiva a tecnologia deve contribuir, principalmente, através da inovação e alcançar maior eficiência nos processos produtivos sem prejuízos ao meio ambiente. Os avanços tecnológicos devem buscar o baixo custo e altas taxas de retorno na produção.

O sistema de produção atual e vigente na maioria dos países, está fundamentado na extração, fabricação, utilização e eliminação. É um sistema linear que permite converter em descartáveis a maioria dos produtos e incrementar a produção de resíduos. Este sistema linear nada prevê em relação à produção de lixo e, como vemos em nosso país, cada dia são maiores as dificuldades encontradas pelos municípios para sua disposição. Os produtos atuais têm uma vida útil curta, a possibilidade de repará-los é baixa ou pouco rentável para quem executa esse tipo de serviço, o que aumenta, ainda mais, os resíduos sem controle. Também as tendências da moda incentivam a eliminação de artigos de consumo, como resultado desse modelo.

No entanto, isso está mudando. As futuras empresas competitivas serão as que tem ciclos de produção com externalidades negativas mínimas, que em vez de gerar resíduos, os utiliza para devolvê-los ao ciclo e produzir mais e melhor. Isto implica uma mudança de cultura, modo de pensar e de esforços conjuntos entre universidades, indústria, tomadores de decisão políticos, autoridades e dos consumidores, para dar um novo alcance para a sustentabilidade.

Esta nova tendência é um componente importante da “nova revolução industrial” e pode ser vista como uma resposta ao desperdício de grandes somas de dinheiro ao impactar negativamente o meio ambiente. Neste aspecto, os empresários são levados a um outro nível de compreensão de seus processos, basicamente, entendendo melhor o que e como fazem evitando ou diminuindo seus efeitos negativos ao meio ambiente.

Para os empresários é essencial assumir mudanças significativas no uso eficiente dos recursos e promover a aplicação de boas práticas e de conhecimentos já existentes para minimizar os impactos ambientais. Além disso, devem compreender que não é necessário deixar de lado o conceito de “negócio”, para ser responsável com o meio ambiente.

Esta revolução significa que os sistemas de produção devem mudar, alcançar maior eficiência e progredir na aprendizagem, porque alguns podem fazer algumas coisas melhor do que outros, compartilhar, e colaborar com os demais, não produzir resíduos ou lixo, e entender o que realmente significa valor. As empresas inteligentes começarão a partir de agora a acomodar-se nesse novo modelo de produção circular, que resultará na geração zero de resíduos ou perto de zero, porque tudo vai voltar ao sistema produtivo. Mudará a lógica da produção em escala, e serão feitos bons produtos para os consumidores, sem desperdiçar recursos gerando resíduos e lixo prejudiciais ao meio ambiente.

Como país devemos melhorar a compreensão dos impactos da indústria, delinear um amplo programa de pesquisa e educação para a solução de problemas e explorar novos modelos para que o Brasil atinja melhores padrões de sustentabilidade na sua produção industrial. Passar do sistema de produção linear ao circular não é um modismo passageiro, é o inevitável caminho a ser percorrido pelas indústrias para melhorar sua competitividade e sobrevivência no mercado global.

*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pela Unicamp. É especialista em Ciências Ambientais.

in EcoDebate, 11/02/2016
"Indústria e a cultura do desperdício, artigo de Reinaldo Dias," in Portal EcoDebate, 12/02/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/02/12/industria-e-a-cultura-do-desperdicio-artigo-de-reinaldo-dias/.

domingo, 4 de outubro de 2015

Grupo desenvolve plástico à base de óleo de mamona


Campinas, 25 de setembro de 2015 a 04 de outubro de 2015 – ANO 2015 – Nº 639


Polímero testado na FEQ é biocompatível e poderá ser usado em próteses

Texto: Carlos Orsi
Edição de Imagens: Fábio Reis

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um método para a produção de plásticos biocompatíveis, que potencialmente podem ser usados em próteses e outras aplicações médicas, a partir de matérias-primas naturais como óleo de mamona e ácido cítrico, o mesmo encontrado na laranja e no limão. Esse uso do ácido cítrico já gerou uma patente para a Universidade, e é apresentado na tese de doutorado “Síntese de biopolímeros a partir de óleo de mamona para aplicações médicas”, defendida pela pesquisadora colombiana Natalia Lorena Parada Hernández na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp e orientada pela professora Maria Regina Wolf Maciel, do Departamento de Processos Químicos da FEQ.

“O óleo de mamona já foi usado na produção de próteses, só que trazia alguns problemas já identificados nas aplicações e reportados na literatura”, disse o pesquisador e docente Rubens Maciel Filho, do Departamento de Desenvolvimento de Processos e Produtos (DDPP) da FEQ. Maciel falou ao Jornal da Unicamp ao lado da coorientadora da tese, Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon. Dentre esses problemas estava a reatividade química do material – o polímero não era totalmente inerte. Este é um problema que o uso do ácido cítrico minimiza significantemente, disseram os pesquisadores. 

“É preciso garantir que o polímero seja biocompatível, avaliando se ele é tóxico, ou não, para a célula”, descreveu Maciel. “Ele não pode causar mal algum à célula. Um biomaterial deve ser inerte, ou ter interações benéficas, por exemplo possibilitando uma integração do tecido vivo, em que o tecido do corpo humano comece a crescer usando-o como base”.

“Muitos biopolímeros usam solventes tóxicos durante a síntese”, acrescentou Ingrid. “Buscamos livrar ao máximo toda a cadeia produtiva do polímero de agentes que possam trazer alguma toxicidade”.
PROCESSO

Os pesquisadores explicam que a produção de polímeros, como poliésteres, a partir do óleo de mamona envolve um processo chamado epoxidação, em que o óleo se torna quimicamente reativo, e uma “cura”, quando as cadeias reativas de moléculas se ligam formando uma rede tridimensional, dando origem ao polímero. O processo de epoxidação contou com a colaboração do doutorando Anderson de Jesus Bonon, gerando também uma patente para a Unicamp.

“A epoxidação do óleo de mamona é a transformação do óleo no monômero que será a matéria-prima de partida para a síntese do polímero”, explicou a pesquisadora. Dentro desse processo não foi feito uso de qualquer solvente que apresente potencial toxicidade. Já o ácido cítrico entra na “cura”, ligando as redes de moléculas e garantindo que o plástico se mantenha rígido e inerte. Maciel disse que os testes para avaliar a toxicidade do plástico de mamona com ácido cítrico em células vivas já foram realizados, e prevê novos ensaios envolvendo animais e, mais para o futuro, em seres humanos, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e seguindo rigorosas diretrizes éticas.

“Essa tese tem uma contribuição muito interessante, que é a de agregar valor a um produto que o Brasil produz, que é o óleo de mamona. E todo o conceito e o desenvolvimento desse biomaterial se deu dentro dos preceitos de que não deve atacar, não deve prejudicar o corpo humano em hipótese alguma. Ele precisa ser desenvolvido e produzido sem qualquer tipo de solvente ou produto químico que altere ou que faça mal para o corpo humano. É um desafio você fazer algo realmente só com reagentes que permitam depois o uso desse polímero como biopolímero, compatível com a saúde humana”, disse Maciel.

PATENTE

Além de, em princípio, não apresentar toxicidade, o polímero criado na FEQ tem outras características atraentes: “Tem boa resistência química, resistência mecânica considerada boa para aplicações que não requerem muita rigidez e alta absorção de impacto, o que significa que ele tem muito potencial para ser utilizado, inicialmente, na construção de matrizes para crescimento celular [scaffolds]”, explicou Maciel. Além disso, ele pode ser utilizado na produção de películas para a proteção de ferimentos ou no auxílio à cicatrização.

“Se você tem uma área do corpo que requer um esforço físico maior, é necessário o desenvolvimento de um polímero mais rígido, que suporte esse tipo de tensão ou de esforço. Se a aplicação for para recobrir uma área para a recuperação de uma úlcera ou ferimento que requeira o uso de um filme, ou como parte de um agente que melhore a cicatrização de pessoas que têm doenças como diabetes, por exemplo, é possível produzir o polímero de forma que seja mais flexível”, exemplificou. “É um material com uma flexibilidade muito grande em termos de possíveis aplicações. Agora que o processo foi desenvolvido, abrem-se caminhos para trabalhar em condições apropriadas que permitam obter produtos com características desejadas, destinada a aplicações específicas.” 

O uso do ácido cítrico na “cura” do plástico já foi patenteado no Brasil, com apoio da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), e agora os pesquisadores têm interesse em proteger o invento internacionalmente. Maciel acredita que essa inovação tecnológica gerada na Unicamp irá interessar à indústria, já que ela será usada em produtos personalizados e de alto valor agregado.

“A produção de biomateriais não é uma commodity ou um material que possa ser adquirido facilmente, principalmente para aplicações específicas”, disse. “A tendência com os desenvolvimentos já realizados e as pesquisas em andamento é desenvolver partes customizadas, que atendam inclusive pacientes que hoje fazem uso do SUS com dificuldades de pagarem por materiais importados. Muitas pessoas acabam isoladas da sociedade e do mercado de trabalho por terem uma deficiência que pode ser corrigida ou minimizada, permitindo sua reinserção social. O desenvolvimento dos biomateriais e, depois, do dispositivo nas características desejadas envolve muita tecnologia, desde a formação do monômero até a constituição do material final no formato exato para implantação”.
FUTURO

A autora da tese, Natalia Lorena Parada Hernández, deve retornar ao Brasil para dar continuidade à pesquisa no pós-doutorado. “Ela deve fazer os testes que faltam e também participar conosco na otimização e na ampliação das formas de processamento e sua conexão com a obtenção das características desejadas do material”, disse Maciel. 

Com base em experiências anteriores, o pesquisador acredita que as primeiras aplicações do novo plástico de mamona podem estar prontas num prazo não muito longo. “Dependendo da aplicação, e de a Natália continuar com essas atividades, o material para o tratamento de úlceras de pele, por exemplo, deve estar pronto, depois de todos os testes, dentro de dois anos”, estima. 

“Já outros tipos de aplicação, como próteses, envolvem um tempo maior, porque é preciso realizar testes in vivo e avaliar os resultados. Pela experiência que temos das pesquisas em andamento com outros materiais, esse tempo, no mínimo, dobraria”. A chegada efetiva ao mercado, por sua vez, envolve prazos maiores, por conta das exigências de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

EDUCAÇÃO

Tanto Ingrid quanto Maciel destacaram o envolvimento de estudantes de iniciação científica e de pós-graduação. “O projeto chama muito a atenção dos nossos estudantes, pela aplicação em si e pelo contexto social no qual está inserido, uma vez que potencialmente irá permitir o acesso da população mais carente a tratamentos que façam uso destes biomateriais”, disse o pesquisador. 

Ambos também afirmam que o desenvolvimento de biomateriais e a elaboração do produto funcional envolvem um trabalho interdisciplinar que reúne esforços de pesquisadores e estudantes de várias áreas como Engenharia Química, Engenharia Mecânica e Medicina, e posiciona o Biofabris (Instituto Nacional de Biofabricação), onde o trabalho foi desenvolvido, em posição de destaque, até mesmo no cenário internacional.

Publicação

Tese: “Síntese de biopolímeros a partir de óleo de mamona para aplicações médicas”

Autora: Natalia Lorena Parada Hernández

Orientadora: Maria Regina Wolf Maciel

Coorientadora: Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon

Unidade: Faculdade de Engenharia Química (FEQ)

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terça-feira, 9 de junho de 2015

The food-waste paradox

Date: June 9, 2015

Source: Cornell Food & Brand Lab

Summary:
Food wasted means money wasted which can be an expensive problem especially in homes with financial constraints. A new study shows that the top causes of food waste in such homes include buying too much, preparing in abundance, unwillingness to consume leftovers, and improper food storage.
"Most of the factors that lead to food waste, can be easily remedied by simple changes in food buying, preparing, and storing." said Gustavo Porpino, lead author.
Credit: Daniel Miller

Food wasted means money wasted which can be an expensive problem especially in homes with financial constraints. A new study from the Cornell Food and Brand Lab and the Getulio Vargas Foundation, shows that the top causes of food waste in such homes include buying too much, preparing in abundance, unwillingness to consume leftovers, and improper food storage. "Fortunately," notes lead author Gustavo Porpino, PhD candidate at the Getulio Vargas Foundation and Visiting Scholar at the Cornell Food and Brand Lab, "most of the factors that lead to food waste, can be easily remedied by simple changes in food buying, preparing, and storing."

For the study, in-home interviews were conducted with the mothers of twenty lower-middle class families from two suburbs of Sao Paulo, Brazil to collect information about each family's shopping, cooking, and disposal practices. Each family was also observed and photographed preparing, eating and disposing of food.

Based on interviews and in-home observations, Porpino and co-authors Juracy Gomes Parente, PhD, of the Getulio Vargas Foundation, and Brian Wansink, PhD, Director of the Food and Brand lab and author of Slim by Design, determined that the practice that resulted in the most food waste was simply buying too much food, followed by preparing food in abundance. Leaving foods on dishes after meals or not saving leftovers, and decaying of prepared foods after long or inappropriate storage were also significant factors that resulted in disposal of foods. Furthermore, the researchers found that strategies that are intended to save money such as buying in bulk and shopping monthly (rather than more frequently), and cooking from scratch, actually contributed to the generation of food waste and ultimately did not result in savings.

"Teaching home cooks efficient meal and shopping planning strategies and proper food storage techniques can have a significant impact on reducing food waste and saving money," says Porpino. The researchers recommend that grocery stores offer educational sessions with cooking tips and storage techniques--a strategy that would build store loyalty and help consumers to waste less. The researchers also suggest that food assistance programs should take these findings into account and incorporate buying, cooking, and storage techniques in nutrition education curriculum.

Story Source:

The above story is based on materials provided by Cornell Food & Brand Lab.Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:
Gustavo Porpino, Juracy Parente, Brian Wansink. Food waste paradox: antecedents of food disposal in low income households. International Journal of Consumer Studies, 2015; DOI: 10.1111/ijcs.12207

Cite This Page:
Cornell Food & Brand Lab. "The food-waste paradox." ScienceDaily. ScienceDaily, 9 June 2015. <www.sciencedaily.com/releases/2015/06/150609065653.htm>.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Food truck alimenta moradores de rua com alimentos que iriam para o lixo

Postado por Redação CicloVivo - Quinta-feira, 30 de Abril de 2015 

Fonte: http://goo.gl/sD0nyZ 

O Food truck é uma tendência gastronômica mundial que vem conquistando muitos brasileiros. Aproveitando essa onda, a agência Africa Rio desenvolveu uma interessante ação que aproveita o espaço móvel de maneira inusitada.

A iniciativa, criada em parceria com a ONG Make Them Smile e a Truckvan, recolheu alimentos que seriam desperdiçados em restaurantes e transformou-se em novas refeições, que puderam alimentar moradores de rua.

“A nova tendência das ruas ajudando quem vive nelas”, diz o texto da campanha intitulada Feed Truck. A ação tem como base o número absurdo de alimentos desperdiçados no Brasil: 40 mil toneladas diariamente. O pior é que 80% deste desperdício acontece durante o preparo das refeições.

Ao recolher mais de uma tonelada de alimentos, foi possível produzir cerca de duas mil refeições e distribuí-las a centenas de moradores. A ação foi realizada em março com a parceria de chefs e restaurantes do Rio de Janeiro, que até colaram adesivos em seus estabelecimentos divulgando o trabalho. La Casserole, Venga!, Lasai e Confeitaria Colombo são alguns dos participantes.

Os profissionais mostraram que é possível fazer “milagre” com as sobras desperdiçadas e quem experimentou garante que o sabor não deixou a desejar.

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domingo, 28 de dezembro de 2014

Como um grupo está livrando comida do lixo para alimentar 1,6 milhão de brasileiros

21/12/2014
O trabalho deste grupo começa quando o fim da feira se aproxima: Daniel Ferratoni e Lucila Matos espalham contêineres entre as barracas para recolher frutas, verduras e legumes que iriam para o lixo. Eles são idealizadores do Banco de Alimentos de Santos, no litoral norte paulista, uma organização focada em combater o desperdício e distribuir esses alimentos em comunidades em situação vulnerável.

Todas as quartas-feiras, Daniel, engenheiro, e Lucila, formada em relações internacionais, recolhem em torno de 200 quilos de comida. “Os feirantes separam para a gente principalmente talos e folhas de alimentos, como brócolis e cenoura, que o cliente não leva na hora da compra”, diz Daniel. “Mas também recolhemos caixas fechadas de frutas e vegetais mais perecíveis que eles não conseguem vender”, completa.

“Gosto de ajudar, sei que essa comida mata a fome de muita gente”, diz Lívia, feirante há 22 anos e uma das colaboradoras mais fiéis. Nesta quarta-feira, a barraca dela doou vagem, jiló, chuchu, pepino, brócolis e tomate.

A iniciativa em Santos, fundada em janeiro, buscou inspiração dentro e fora do Brasil. Lucila acompanhou o trabalho em Bonn e Colônia, na Alemanha – um dos países pioneiros, onde mais de 900 bancos de alimentos estão em funcionamento. “De lá, trouxemos a ideia de distribuir os alimentos diretamente nas comunidades. Aqui no Brasil, a maioria recolhe a comida e entrega em instituições”, conta.
Combate ao desperdício

O primeiro banco de alimentos do Brasil surgiu em 1994, fundado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em São Paulo. O movimento, com o objetivo de combater o desperdício e a fome, se expandiu num ritmo tímido entre as outras unidades do país, e algumas ONGs, como a Banco de Alimentos SP e a Banco de Alimentos de Porto Alegre, foram criadas com o mesmo objetivo.

O primeiro banco de alimentos criado com verba do governo federal surgiu somente em 2003. Atualmente, são 78, apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). “Eles estão em funcionamento em todas as regiões do país, em 24 estados, 16 capitais, com uma cobertura de 60% dos municípios acima de 300 mil habitantes”, informou o MDS à DW Brasil.

Essas regiões são estratégicas, porque concentram grandes redes varejistas, indústrias alimentícias e centrais de abastecimento – locais onde, segundo o ministério, as perdas e o desperdício de alimentos são alarmantes.

Atualmente, cerca de 100 projetos funcionam no Brasil, somando os administrados pela sociedade civil e pelo Estado. A comida recolhida é fonte de alimento para mais de 1,6 milhão de pessoas no país, calcula o governo federal.

Todos os anos, estima-se que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos bons para o consumo sejam descartados. No Brasil, um dos maiores produtores agrícolas mundiais, esse número é de quase 27 milhões. Ao mesmo tempo, cerca de 805 milhões de pessoas passam fome no mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Fila na hora da partilha

Em Santos, o alimento recolhido na feira é transportado por uma Kombi “coletiva”, usada em outro projeto social na região. A comida é distribuída entre 100 famílias da comunidade Alemoa, bairro de baixa renda, endereço de 970 famílias.

Na casa da líder comunitária, Maria Lúcia Cristina Jesus Silva, as caixas coletadas são pesadas e, na sequência, distribuídas. “Muita gente sobrevive com isso”, conta Maria, moradora da comunidade desde 1974.

Uma hora antes da partilha, uma fila começa a se formar. Os moradores trazem uma sacola, recebem uma senha e podem escolher o que levar para casa. “Eu pego para mim e para minha vizinha, que está doente”, conta Antônio, 63 anos, desempregado.

O projeto de Daniel e Lucila foi fundado a partir de um financiamento coletivo de internautas. Eles não têm salários e contam com oito voluntários. Maycon Henrique, de 14 anos, sempre participa às quartas-feiras, depois que sai da escola. “Eu gosto de ajudar minha comunidade. E sempre levo para casa alface, melancia e melão que iriam para o lixo. Minha mãe também gosta.”


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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

Resíduos da indústria alimentícia podem se trasformar em alimento

Vilma Homero

Do tomate, nada se perde: de cascas e sementes (E), se extraem o óleo (C) e a borra (D) com que se fazem biscoitos

Segundo afirmava Lavoisier, na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Tantos séculos mais tarde, em tempos em que se tornou cada vez mais premente pensar soluções ambientalmente sustentáveis, por que não seguir ao pé da letra a máxima do pai da química moderna? Buscar formas de reaproveitamento de resíduos da indústria, por exemplo, já significa matar dois coelhos de um só golpe: por um lado, dar um destino a rejeitos que, de outra forma, poderiam ser descartados de maneira inadequada no meio ambiente; e por outro, transformar esses resíduos em novos produtos. É exatamente esse o objetivo da pesquisadora Cristiane Hess de Azevedo Meleiro, do Departamento de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que vem estudando o reaproveitamento de sementes e cascas de tomate, descartados pela indústria de alimentos. O que ainda se torna mais oportuno nesses dias em que, por diversos fatores, o preço do tomate chegou às alturas.

No caso do Rio de Janeiro, o estado conta com grandes regiões produtoras de tomate, um dos motivos que levou a pesquisadora a focar neles seu trabalho. “Além de exigir destino adequado e investimentos significativos em tratamentos para controlar a poluição, os resíduos industriais também representam perda de matérias-primas e energia. As sementes e cascas de tomate, por exemplo, significam um material ainda rico em licopeno e outros compostos bioativos. Em outras palavras, seriam ainda substâncias nobres para a indústria, que deixam de ser aproveitadas, ou são subaproveitadas, como ração animal. Por isso, queremos promover uma integração de interesses”, explica a pesquisadora, que em seu projeto contou com recursos do edital de Apoio ao Desenvolvimento Regional, da FAPERJ.

O licopeno, como se sabe, é um carotenoide, a substância que confere o tom avermelhadonão só ao tomate, mas a outros frutos, como melancia, pitanga e goiaba. Potente antioxidante, ajuda a impedir e reparar os danos às células causados pelos radicais livres. “Queremos partir para a produção limpa, com o reaproveitamento dos rejeitos e sem qualquer sobra de resíduos”, fala a pesquisadora. Para isso, seu grupo de pesquisa na UFRRJ – Marisa Fernandes Mendes e Luiz Augusto da Cruz Meleiro, ambos docentes do Departamento de Engenharia Química da UFRRJ; e as alunas Barbara Avancini Teixeira, bolsista de Iniciação Científica da FAPERJ; e a doutoranda Maria Rosa Figueiredo Nascimento – procura responder várias perguntas: uma delas é sobre a composição desses resíduos e a concentração de compostos bioativos que contém; outra é como extraí-los de modo a maximizar seu aproveitamento; e ainda uma terceira questão é sobre suas possibilidades de uso.


Divulgação
A equipe da UFRRJ: Bárbara Avancini, Marisa Mendes, Cristiane Hess, Maria Rosa Nascimento e Luiz Meleiro

Para alcançar as respostas, o grupo está comparando diferentes técnicas de extração. “A tradicional é a que usa solvente orgânico, como, por exemplo, o hexano, empregado pela indústria para extração de óleos, como o de soja. Outro método é a que trabalha com o CO2 em condições supercríticas, o chamado fluido supercrítico”, esclarece a pesquisadora Marisa Mendes,que coordena as pesquisas com essa técnica. Ela acrescenta que a técnica combina condições de temperatura e pressão controladas, e consegue ser mais seletiva, priorizando a extração de apenas determinadas substâncias, e em maior quantidade. “Quanto mais se consegue otimizar essa combinação de pressão e temperatura, mais eficiente se torna o processo e maiores as concentrações obtidas da substância desejada”, afirma Marisa.

De tonalidade vermelho intenso – que pode indicar que mantém um grande teor de licopeno e, por conseguinte, um bom potencial antioxidante – o óleo extraído está sendo analisado de várias formas. “Ainda temos dúvidas se ele é seguro para o consumo humano e se poderia ser empregado novamente na produção de alimentos. Estamos fazendo estudos nessa área”, destaca Cristiane. Por enquanto, a equipe se empenha em responder a essas perguntas, analisando o teor dos óleos extraídos, a composição em ácidos graxos e se eles são mais ou menos insaturados. “Mas uma boa indicação é a indústria cosmética. Como o licopeno é um dos carotenoides com maior potencial antioxidante, possivelmente poderá ser usado em cremes e produtos do gênero”, avalia.

A pesquisadora acrescenta ainda que, ambientalmente falando, outra vantagem da técnica de extração por fluido supercrítico é não gerar resíduo. A explicação é simples: após a extração do óleo, sobra uma borra, que pode ser seca e empregada como ingrediente para novos produtos, como biscoitos. “Com o uso da borra, que além de ser rica em licopeno ainda contém maior teor de fibras do que a farinha de trigo comum, temos benefícios adicionais. Podemos misturá-la à farinha de trigo e preparar biscoitos que também são ricos em licopeno. Ou seja, transformamos o que seria descartado em produtos mais saudáveis”, anima-se a pesquisadora.

“Além disso, como na extração supercrítica não há a utilização de solventes orgânicos, os problemas associados ao uso e à recuperação e descarte deste tipo de solvente não existe, já que o CO2 é totalmente recuperado na forma de gás pela simples despressurização do sistema, tornando o processo ambientalmente correto”, comenta Luiz Meleiro.

Para ver se, além de saudáveis, os biscoitos passam no teste de aceitação, a equipe os submeteu a análises sensoriais. “Entre os que participaram da amostragem, voluntários da universidade, muitos não perceberam diferenças. Alguns poucos notaram um leve gosto, o que também não foi visto como ponto negativo”, comenta. Para a pesquisadora, igualmente importante é o fato de que, com a utilização da borra, dos resíduos iniciais, termina não sobrando nada. “Aliando a engenharia química à engenharia de alimentos, estamos obtendo grandes progressos. Além de evitar o descarte inadequado, o que seria jogado fora passa a ser matéria-prima para produtos mais saudáveis. É o descarte zero produzindo novos produtos a custo praticamente zero com uso de tecnologia limpa”, conclui Cristiane.

Informe da Faperj, publicado pelo EcoDebate, 21/05/2013
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quinta-feira, 7 de março de 2013

Fluidos de árvores se transformam em plástico biodegradável

O pesquisador Chuanbing Tang, da Universidade da Carolina do Sul, descobriu que é possível produzir plástico biodegradável a partir de líquidos extraídos das árvores. O plástico alternativo tem características parecidas com a versão convencional e dispensa o uso do petróleo durante sua fabricação.

A informação é publicada por CicloVivo e reproduzida por amazonia.org.br, 06-03-2013.

A sociedade científica norte-americana premiou o criador do projeto e vai incentivar o aprimoramento das pesquisas, para que o material se torne um concorrente viável do petróleo. As experiências indicam que os fluidos das árvores poderão ser utilizados não só para a fabricação de plástico, mas também para substituir os combustíveis fósseis utilizados nos dias atuais.

Durante os experimentos, Tang descobriu que a seiva dos pinheiros tem uma composição semelhante à do petróleo. Assim, o fluido é submetido a processos químicos de modificação, até que se transforme em um tipo de plástico biodegradável.

A matéria-prima é adquirida por meio do extrativismo vegetal, técnica empregada pela indústria do látex e utilizada para produzir óleos essenciais retirados das árvores das florestas equatoriais e tropicais. A atividade sustentável não causa danos às árvores, desde que seja executada cuidadosamente.

O plástico ainda está em fase de desenvolvimento para se tornar mais resistente, mas o criador mostra-se confiante em suas pesquisas. “Se conseguirmos estabelecer relações claras das propriedades estruturais, seremos capazes de alcançar os mesmos resultados que agora temos com os polímeros feitos a partir de petróleo”, conclui Tang, que espera produzir um futuro mais sustentável por meio dos fluidos das árvores.

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Pesquisas demonstram potencial energético da semente de tucumã

Campinas, 04 de março de 2013 a 10 de março de 2013 – ANO 2013 – Nº 552

Produtos derivados de processo de pirólise podem ser utilizados como fonte de componentes químicos de alto valor agregado

Edição de Imagens: Luis Paulo Silva
O tucumã-do-Amazonas é uma palmeira comumente encontrada na Amazônia central. Excepcionalmente tolerante a solos pobres e degradados, resiste a períodos de seca e também se espalha por toda a região amazônica, Guiana, Peru e Colômbia. Atinge até 20 metros de altura e suas folhas longas, semelhantes às do coqueiro, alcançam até 5 metros de comprimento. Encontrados em abundância ao longo do ano, os frutos são comestíveis ao natural e consumidos também na forma de sorvetes, sucos, licores e doces. A semente, um caroço duro e preto localizado no centro do fruto, é artesanalmente utilizada no preparo de anéis, brincos, pulseiras e colares, mas pode vir a ser uma promissora fonte energética sustentável para comunidades das regiões onde o tucumã floresce. É o que demonstra dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp pelo aluno Claudio Silva Lira. Orientado pela professora Araí Augusta Bernárdez Pécora, o estudo Pirólise rápida da semente de tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum): caracterização da biomassa in-natura e dos produtos gerados tem o mérito de constituir o primeiro trabalho acadêmico a abordar as características dos produtos da pirólise do vegetal amazônico.

De acordo com a orientadora, atualmente não existem estudos sobre a utilização dessa biomassa e seu potencial como matéria-prima em processos de conversão térmica. A proposta da pesquisa foi, portanto, verificar as propriedades dos produtos fornecidos na pirólise da semente do tucumã (resíduo hoje descartado em aterros), visando a aproveitá-los como fonte energética em comunidades isoladas do Amazonas. Os resultados mostraram que o bio-óleo produzido na pirólise do tucumã tem potencial para ser utilizado como biocombustível e o carvão vegetal, também gerado no processo, poderia ser fonte de melhoria do solo e aditivo para fertilizantes.

Comunidades presentes na floresta Amazônica (bem como em outras regiões de difícil acesso no Brasil) dependem de energia elétrica gerada por meio de usinas termelétricas e o combustível utilizado é o óleo diesel. Contudo, salienta Claudio em sua dissertação, as dificuldades de acesso a essas localidades em geral contribuem para comprometer o fornecimento de combustível, sobretudo no período de seca, já que todo o transporte é realizado exclusivamente por via fluvial. Outra desvantagem da geração de energia elétrica com combustível fóssil na região Amazônica reside em seu elevado custo, cita o pesquisador, que é natural de Manaus. Além disso, as termelétricas a diesel não contribuem para a economia local, pois não utilizam fontes regionais e exigem pessoal qualificado para sua operação, resultando em contratação de trabalhadores de fora da localidade.

Desse modo, a geração de energia a partir de biomassa disponível nas próprias comunidades representaria uma solução sustentável para o problema do suprimento de eletricidade para áreas isoladas. Adicionalmente, a conversão de biomassa sólida em combustível líquido (bio-óleo) por meio de pirólise teria a vantagem de simplificar o manuseio com transporte, armazenamento e utilização da biomassa, sem contar que o bio-óleo possui maior densidade energética do que a biomassa in-natura, enfatiza a pesquisa.

Segundo o autor, a semente de tucumã foi escolhida devido ao fato de ser um tipo de biomassa de fácil acessibilidade na região amazônica e com produtividade estável. O florescimento do tucumãzeiro (denominação da árvore de tucumã) ocorre entre os meses de março e julho, enquanto a frutificação normalmente ocorre entre janeiro e abril. No entanto, observa em seu estudo, sempre há frutos que podem ser encontrados fora de época, havendo comercialização do fruto durante todo o ano.

CARACTERIZAÇÃO
Coletadas em feiras localizadas na cidade de Manaus e enviadas a Campinas, as sementes de tucumã utilizadas nos experimentos precisaram ser moídas até a obtenção de partículas com tamanho inferior a 2 milímetros. Uma quantidade desse material foi utilizada para a caracterização da biomassa in-natura no Laboratório de Processos Térmicos e Engenharia Ambiental (Protea) da FEM da Unicamp, enquanto que aproximadamente 10 quilos da matéria-prima foram enviados ao Institute for Chemicals and Fuels from Altenative Resources (ICFAR), pertencente a University of Western Ontario (UWO), no Canadá, para a realização experimentos em uma planta piloto de pirólise rápida com um sistema para a conversão de biomassa sólida na ausência de oxigênio.

Nas análises laboratoriais, Claudio constatou que o poder calorífico da semente de tucumã foi superior ao relatado na literatura para outras biomassas convencionalmente utilizadas em processos de conversão em biocombustível, como o bagaço de cana, o que demonstra o importante potencial de utilização da biomassa estudada como matéria-prima para produção de energia.

De acordo com ele, a pirólise de sementes de tucumã para produção de bio-óleo parece ser uma alternativa promissora para substituição aos combustíveis fósseis, em especial o diesel, que é o combustível mais utilizado nas unidades geradoras de energia elétrica em comunidades isoladas localizadas no estado do Amazonas. Devido ao alto poder calorífico superior que pode atingir valores da ordem de 30 MJ/kg (megajoule por quilo, unidade para medir energia térmica), teor de umidade de 18,5% e aproximadamente 55% de rendimento no processo, a fração líquida produzida a partir da pirólise de tucumã apresenta propriedades desejadas para geração de energia.

As análises dos gases produzidos mostraram ainda que houve um crescente aumento no teor de monóxido de carbono com o aumento da temperatura do reator e que os gases gerados têm potencial para posterior queima e utilização como geradores de energia.

Outro relevante achado do estudo: os compostos minerais (majoritariamente magnésio, sódio, potássio e silício) encontrados no carvão gerado através da pirólise de tucumã representam um total de 85% (em massa) das cinzas, mostrando excelente potencial da utilização do carvão como uma fonte natural de melhoria do solo, assim como aditivo para fertilizante.

Conforme aponta o trabalho, uma das aplicações do carvão é seu possível uso para melhorar a fertilidade do solo. O óxido de magnésio se apresenta como um bom nutriente para o crescimento das plantas, a exemplo do potássio e do fósforo. O silício é empregado como um composto na prevenção da secagem das folhas da planta e na promoção da fertilização de pólens, além de ajudar no controle das doenças que atacam as plantas, sobretudo em países de clima tropical e temperado.

“Acreditamos que esses resultados possam abrir novas oportunidades para pesquisas adequadas à realidade da região amazônica e aumentar a disseminação do conhecimento sobre processos termoquímicos para conversão de biomassa”, afirma Araí Pécora.

APROVEITAMENTO ENERGÉTICO

Voltada a pesquisas relacionadas ao aproveitamento de biomassas como fonte energética, a docente vem estimulando seus alunos a desenvolver projetos no segmento (leia texto na próxima página). Atualmente, orienta trabalhos na área de pirólise envolvendo outras matérias-primas, como resíduos de bambu (trabalho da mestranda Laidy Esperanza Hernandez Mena), ou ainda estudos relativos ao processo de termoconversão, como a fluidodinâmica do bambu e do bagaço de cana, conduzidos respectivamente pelos alunos de iniciação científica Éverton Rigotto Genari e Carolina Natsumi Ogata. Já os alunos Daniel Portioli Sampaio (mestrado) e Patrícia Gomide Ferreira (iniciação científica) estudam a influência da geometria do distribuidor de gás sobre o processo de mistura entre as partículas presentes em reatores de pirólise que operam com biomassas. O propósito desse trabalho é otimizar o processo de termoconversão na operação de fluidização – como é denominada a transformação de partículas sólidas em um estado que apresenta propriedades semelhantes ao de um fluido, através de suspensão em um gás ou líquido.

Visando também a otimização e o controle do processo de pirólise, o aluno Diego Andres Rueda Ordoñez estuda o processo de mistura e segregação entre material inerte e biomassa (compostos normalmente presentes nos reatores que operam com leito fluidizado) através da análise dos sinais de flutuação de pressão em diferentes posições ao longo da altura do leito de partículas. O objetivo é encontrar a condição operacional a ser mantida no reator para evitar a segregação dos materiais.

Em outra frente, o aluno de doutorado Eugênio de Souza Morita, com tese em andamento, está conseguindo comprovar as vantagens da utilização da serragem de pinus nos experimentos em que avalia o aproveitamento dessa matéria-prima na co-pirólise com carvão mineral. A proposta de seu estudo é identificar uma fonte renovável capaz de auxiliar na redução de emissões poluentes liberadas no processo de pirólise de carvão mineral, combustível abundante na região sul do Brasil e que não deve ser desprezado.
De acordo com ele, a adição da serragem de madeira juntamente com o carvão mineral em processos de termoconversão apresenta vantagens no que diz respeito aos créditos de carbono, contribuindo para a redução do efeito estufa e também amenizando o impacto ambiental provocado pelas indústrias que utilizam a madeira como fonte de matéria-prima a partir do uso e tratamento consciente de seus resíduos.

Em sua pesquisa, Eugênio cita que a indústria moveleira no Brasil, ao empregar como matéria-prima principal a madeira maciça e seus laminados, depara-se com volume cumulativo de resíduos que podem ser aproveitados para inúmeras utilidades, como por exemplo, na confecção de material combustível industrial e familiar e painéis de aglomerado. A baixa qualidade da matéria-prima, o desconhecimento das propriedades físicas, mecânicas e organolépticas da madeira e também a inadequação do emprego de tecnologias de processamento estão entre as causas da geração residual. Como alternativa ao aproveitamento de resíduos, Eugênio menciona iniciativas como as de fabricantes de painéis reconstituídos, que compram de indústrias moveleiras grandes quantidades de serragem e cavacos, cujo destino final é a produção de aglomerado e MDF. Em relação ao uso da biomassa para gerar energia, no Rio Grande do Sul, após investimentos em pequenas centrais termoelétricas, por exemplo, a Usina de Piratini produz 10 megawatts, utilizando resíduos provenientes de madeireiras da região, com consumo da ordem de 160 mil toneladas anuais. Eugênio esclarece que a madeira possui em sua massa um considerável teor de lignina, molécula responsável pela rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos nos tecidos vegetais, que se revelou bastante interessante para fins de bioconversão. A serragem de pinus submetida a temperaturas elevadas (350º a 550o C) em testes laboratoriais liberou líquido de considerável poder calorífico, demonstrando o seu potencial para aplicação como combustível.

“Os teores de voláteis, hemicelulose, celulose e lignina são fatores importantes quando se está estudando processos de bioconversão a partir de pirólise. A serragem de madeira, assim como outras biomassas, apresenta aproximadamente 85% de voláteis e teores (em massa) ao redor de 20, 40 e 30% de hemicelulose, celulose e lignina, respectivamente”, observa Eugênio, que em seus experimentos utilizou resíduos de serragem pinus gerada na produção de urnas mortuárias de uma indústria de Piracicaba (SP). Por meio da co-pirólise de combustíveis renováveis e não renováveis é possível obter líquidos combustíveis de propriedades melhoradas em relação à biomassa “in natura”, como por exemplo, teor de água reduzido e acréscimo do potencial calorífico, além de amenizar os riscos ambientais da utilização do combustível fóssil apenas. Salienta-se ainda que além do líquido gerado, o carvão e gás gerados no processo de pirólise também podem ser aproveitados como combustíveis.

Publicações

Dissertação: “Pirólise rápida da semente de tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum): caracterização da biomassa in-natura e dos produtos gerados” | Autor: Claudio Silva Lira

Orientadora: Araí Augusta Bernárdez Pécora

Unidade: Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM)

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Receita Ecobana 1 - Quiche de Casca de Abóbora

Sabia que aproximadamente 1/3 dos alimentos do mundo vão para o lixo??!!! Desde a produção até a nossa cozinha.
Incrível, né?! E tanta gente passando fome :(
Então, para dar uma forcinha contra o desperdício vamos ensinar umas receitas bacanas com sobras de comida. Para fazer a nossa parte ;)

Nossa primeira dica, para aproveitar a casca da abóbora:

QUICHE DE CASCA DE ABÓBORA
Ingredientes:

Massa:

1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
1 gema - R$ 0,11
Sal a gosto
3 colheres (sopa) de margarina 
3 colheres (sopa) de água

Recheio:

1/2 xícara (chá) de cebola picada 
1 dente de alho amassado 
2 colheres (sopa) de óleo 
2 xícaras (chá) de cascas de abóbora ralada
1/2 xícara (chá) de água
Sal a gosto
Creme de queijo
2 ovos 
1/2 xícara (chá) de leite
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado Modo de Preparo:

Massa:

Misture a farinha, a gema, o sal, a margarina deixando por último a água. Amasse bem até obter uma massa homogênea. Abra a massa sobre o fundo da assadeira com a ajuda de um rolo e filme plástico. Deixe sobrar a borda e leve para pré-assar por mais ou menos 15 minutos.

Obs: use forma desmontável de 22 cm de diâmetro.

Recheio

Numa panela com óleo, refogue a cebola e o alho, junte as cascas da abóbora ralada, a água e cozinhe por 20 minutos, aproximadamente. Acerte o sal e deixe esfriar. Coloque o recheio sobre a massa já pré-assada e adicione o creme de queijo.

Creme de queijo

Bata os ovos no liquidificador, acrescente o leite e o queijo parmesão, despeje sobre o recheio e leve para assar em forno pré-aquecido até o creme de queijo dourar (mais ou menos 45 minutos).

Fonte: Receitas.com
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pesquisa descobre novo uso para borras de café

Notícia publicada em 04/02/2013

Tal como já tínhamos tido oportunidade de indicar em ocasiões anteriores, as borras resultantes da preparação de café podem ter um destino final bem diferente do habitual. Se, por regra, acabam quase sempre no lixo, elas constituem, segundo sugere, desta vez, uma pesquisa divulgada na revista 'Journal of Agricultural and Food Chemistry', uma fonte rica de antioxidantes. Esta investigação salienta, aliás, que os próprios resíduos contêm "mais antioxidantes que os próprios grãos de café". 

Para os especialistas envolvidos na pesquisa, conduzida por Maria Paz de la Peña, membro da Universidade de Navarra, estes resíduos poderiam, além de servir como alimento para plantas, repelente de insetos e outras aplicações domésticas, ser um recurso precioso para a produção de suplementos dietéticos. 

Todos os anos são produzidos "20 milhões de toneladas de café usado no mundo", devido ao consumo desta bebida, refere aquela responsável, citada pelo portal Europapress.

Outro campo de aplicação dos resíduos que a mesma responsável indica é o seu "uso comercial como fertilizante agrícola". 

Se bem nos recordamos, uma equipa de investigação afecta ao Departamento de Química da Universidade de Aveiro havia analisado os eventuais efeitos e propriedades terapêuticas da borra de café. Entre as substâncias benéficas para o organismo que foram identificadas, figuram: diversos tipos de antioxidantes, polissacarídeos, vários antimicrobianos e imuno-estimuladores. No entanto, outras propriedades benéficas poderão ainda ser adicionadas a esta lista. 

Encontra-se, assim, uma solução rentável para algo que, anteriormente, era visto apenas como supérfluo.
Hostel Vending – Portugal
Foto: Divulgação

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Reforço invisível

Edição 203 - Janeiro de 2013

© DANIEL PASQUINI
Casca de soja antes e depois da purificação: nanocristais para polímeros

Resíduo da produção de óleo vegetal, a casca de soja pode ser utilizada também para reforçar plásticos, além de servir à alimentação bovina. Na forma de nanocristais de celulose, ela pode ser incorporada a polímeros para dar maior resistência a esses materiais, conforme estudo liderado pelo professor Daniel Pasquini, do Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais. “Os nanocristais podem substituir as fibras vegetais adicionadas atualmente aos compósitos convencionais”, diz Pasquini. A vantagem é que, mesmo usando menos material, o compósito ganhará um reforço igual ou até superior. “No caso de polímeros que necessitam de transparência, como filmes para embalagem, a adição dos nanocristais permite que o material também possa ser transparente.” Nos compósitos convencionais, o resultado é um material opaco. Para obter os nanocristais, os pesquisadores utilizam um processo de hidrólise em que a fibra de celulose é mergulhada em uma solução ácida para ser em seguida purificada. No final sobram os nanocristais. O estudo estará na edição de março da revista Industrial Crops and Product.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Biscoito de casca de limão

Ingredientes:


3 xícaras (chá) de farinha de trigo peneirada
1 colher (sobremesa) de fermento em pó
1 colher (café) de sal
5 colheres (sopa) de margarina
½ xícara (chá) de adoçante de forno e fogão
1 ovo
1 colher (sopa) de raspas de limão

Modo de preparo:

Misture a farinha de trigo, o fermento e o sal e reserve.
Em outra tigela, bata a manteiga, o ovo, adoçante e as raspas de limão. Vá acrescentando os ingredientes reservados e amasse com as mãos até que se obtenha uma massa homogênea.
Faça bolinhas, modele com um garfo e coloque em uma forma untada.
Asse em forno moderado por 15 minutos.

Rendimento: 14 porções

Link:
http://www.telessaudesp.org.br/programa/diabetes/receita-biscoitolimao.aspx