sexta-feira, 18 de julho de 2014

América Latina e Caribe poderiam acabar com a fome apenas com alimentos desperdiçados, diz FAO

Somente na venda a varejo, se desperdiça comida que alimentaria 64% das pessoas que sofrem de fome na região.
Foto: FAO/reprodução

Na América Latina e no Caribe se perdem e desperdiçam mais alimentos do que os necessários para satisfazer as necessidades das 47 milhões de pessoas que ainda sofrem de fome na região, disse nesta quarta-feira (16) a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O relatório “Perdas e desperdícios de alimentos na América Latina e no Caribe”, publicado pelo escritório regional da FAO, diz que 6% das perdas mundiais de alimentos ocorrem na região.

“A cada ano, a região perde ou desperdiça aproximadamente 15% de seus alimentos disponíveis, o que impacta a sustentabilidade dos sistemas alimentares, reduz a disponibilidade local e mundial de comida, gera menor renda para os produtores e aumenta os preços para os consumidores”, explicou o representante regional da FAO, Raul Benítez.

Benítez acrescenta que as perdas e desperdícios também têm um efeito negativo sobre o meio ambiente devido à utilização não sustentável dos recursos naturais. “Enfrentar este problema é fundamental para avançar na luta contra a fome e deve ser convertida em uma prioridade para os governos da América Latina e do Caribe”, disse Benítez.

O que são e onde ocorrem as perdas e desperdícios?

Segundo a FAO, as perdas de alimentos dizem respeito à diminuição da massa disponível de alimentos para o consumo humano nas fases de produção, pós-colheita, armazenamento e transporte.

Já os desperdícios de alimentos são as perdas derivadas da decisão de descartar alimentos que ainda têm um valor nutricional, e estão associados principalmente ao comportamento dos vendedores atacadistas e varejistas, serviços de venda de comida e consumidores.

As perdas e desperdícios ocorrem ao longo da cadeia alimentar: na região, 28% se dão no âmbito do consumidor; 28% da produção; 17% no mercado e distribuição; 22% durante o manuseio e armazenamento e o 6% restantes na etapa de processamento.

Perdas na venda no varejo

Com os alimentos que se perdem na região somente na venda no varejo, ou seja, em supermercados, feiras livres, armazéns e demais pontos de venda, poderiam ser alimentadas mais de 30 milhões de pessoas – ou seja, 64% das pessoas que sofrem de fome na região.

Os alimentos que se perdem neste nível nas Bahamas, Jamaica, Trinidade e Tobago, Belize e Colômbia são equivalentes aos que se necessitaria para alimentar todos aqueles que sofrem de fome nestes cinco países.

Antígua e Barbuda, Bahamas, Jamaica, São Cristóvão e Neves, Trinidade e Tobago, Belize, Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Suriname e Uruguai poderiam ter alimentos equivalentes aos que necessitam para alcançar o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, se reduzissem somente este tipo de perda.

“Ainda que seja importante dizer que os países da região possuem as calorias mais que suficientes para alimentar todos seus cidadãos, a enorme quantidade de alimentos que são perdidos ou que acabam na lixeira é simplesmente inaceitável enquanto a fome continuar afetando quase 8% da população regional”, explicou Benítez.

Como acabar com as perdas e desperdícios?

Existem formas de evitar as perdas e os desperdícios em todos os elos da cadeia, principalmente por meio de investimentos em infraestrutura e capital físico, melhorando a eficiência dos sistemas alimentares e de governança sobre o tema mediante normas, investimentos, incentivos e alianças estratégicas entre o setor público e o privado.

Um exemplo são os bancos de alimentos, que reúnem comida que, por diversas razões, seriam descartadas para sua redistribuição e que já existem na Costa Rica, Chile, Guatemala, Argentina, República Dominicana, Brasil e México. A Associação de Bancos de Alimentos do México, por exemplo, resgatou 56 mil toneladas de alimentos somente em 2013.

A sensibilização pública também é chave e pode ocorrer por meio de campanhas dirigidas a cada um dos atores da cadeia alimentar, como faz a iniciativa mundial “Save Food”, uma parceria entre a FAO, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a companhia alemã Messe Düsseldorf. A iniciativa reúne 250 parceiros, organizações e empresas públicas e privadas e realiza campanhas em todas as regiões do mundo.

“Erradicar a fome na região requer que todos os setores da sociedade façam esforços para reduzir suas perdas e desperdícios”, destacou o representante da FAO na região.

Perdas e desperdícios mundiais

No âmbito mundial, entre um quarto e um terço dos alimentos produzidos anualmente para o consumo humano se perde ou desperdiça.

Isso equivale a cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos, o que inclui 30% dos cereais; entre 40 e 50% das raízes, frutas, hortaliças e sementes oleaginosas; 20% da carne e produtos lácteos; e 35% dos pescados.

A FAO calcula que estes alimentos seriam suficientes para alimentar 2 bilhões de pessoas.


Fonte: ONU Brasil

EcoDebate, 18/07/2014

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Comissão da Câmara aprova bônus para agricultor que adotar práticas de conservação do solo

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou projeto (PL 5021/13) que prevê incentivos fiscais para agricultores familiares que desenvolverem práticas que contribuam para a conservação e a recuperação do solo.
Gustavo Lima
Leonardo Monteiro: incentivo fiscal vai estimular agricultor a preservar o meio ambiente.

Segundo o projeto, de autoria do Senado, o benefício será concedido nas operações de crédito em qualquer instituição financeira, por meio de instrumentos como bônus ou redução de juros.

Poderão receber o benefício os agricultores familiares ou empreendedores familiares que se enquadrem em uma das seguintes categorias: posseiro, proprietário, assentado da reforma agrária, meeiro, parceiro ou arrendatário. Por sugestão da deputada Maria Lucia Prandi (PT-SP), a comissão também incluiu os extrativistas vegetais entre os beneficiários.

O relator do projeto, deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), destacou que, da mesma forma que há punição para os crimes ambientais, aqueles que preservam devem receber incentivos. “O incentivo fiscal tem o objetivo de estimular o agricultor familiar a continuar morando na roça, a continuar produzindo e preservando o meio ambiente”, declarou.

Regulamentação
As ações ambientais que vão dar direito ao benefício serão definidas em regulamento posterior e deverão ser atestadas por instituição pública federal competente. Entre as ações que poderão ser consideradas estão o plantio em nível (técnica agrícola que previne a erosão em terrenos muito inclinados); o plantio consorciado, de duas ou mais variedades, ou a rotação de culturas; a adubação química e orgânica; e a proteção e recuperação de nascentes.

Para receber o benefício, o agricultor familiar deverá apresentar o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou o contrato de parceria rural devidamente registrado em cartório.

Tramitação

A proposta tem caráter conclusivo e ainda vai ser analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A Comissão de Meio Ambiente rejeitou o texto substitutivo aprovado anteriormente pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

Íntegra da proposta:

Fonte: Agência Câmara de Notícias

EcoDebate, 18/07/2014

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