domingo, 25 de março de 2018

Usos e curiosidades sobre as plantas espontâneas. Maria-pretinha

Texto: 

  • Giovanna Brito Lins - Graduanda em Ciência e Tecnologia e Ciências Biológicas na Universidade Federal do ABC 
  • Marcos Roberto Furlan - Engenheiro Agrônomo - Professor - Faculdade Cantareira/Unitau 

Originária do continente americano, a maria-pretinha (Solanum americanum), de aparência delicada, pertence à família Solanaceae. Produz pequenas flores brancas. Seus frutos, quando maduros, apresentam-se pretos e suas folhas exalam cheiro pouco atrativo 

A família Solanaceae é composta por vários outros representantes muito conhecidos e consumidos, como, por exemplo, batata-inglesa, berinjela, jiló, tomate e pimentas do gênero Capsicum. Muitas solanáceas possuem folhas ou frutos tóxicos, devido a substâncias como a solanina e outros alcaloides. As folhas da maria-pretinha não são comestíveis cruas, pois podem causar complicações gastrointestinais. Salvo as folhas, os frutos apresentam eficácia medicinal comprovada, além de várias outras aplicações. 

A maria-pretinha é, ainda, conhecida popularmente como erva-moura, erva-moura-açu, caraxixu, pimenta-de-bugre, dentre outros nomes. É válido ressaltar que é de suma importância atentar-se ao nome científico da espécie utilizada, uma vez que há outra espécie também chamada de erva-moura e semelhante à Solanum americanum. É a Solanum nigrum, conhecida também por "mata-cavalo" devido a tamanha toxicidade dos frutos quando consumidos crus. 
Solanum americanum

10 usos e curiosidades sobre a maria-pretinha 

1. A ocorrência da maria-pretinha nos campos, quintais ou na horta, pode servir para obter algumas informações relacionadas ao cultivo. Sua presença, caso verifique a incidência de viroses, pode ser um recado para que evite o plantio de hortaliças da família Solanaceae. Também é comum ser atacada por pulgões, dentre outras pragas que também atacam hortaliças. 

2. Na medicina popular, a planta é utilizada como diurética, laxante, emoliente, além de eliminar toxinas e resíduos do organismo. É de uso bastante comum principalmente em rincões nas zonas rurais do país. O chá das, em específico, é usado para aliviar nervosismo, cólicas, reumatismo, artrite, nevralgia, ferimentos, afecções das vias urinárias, espasmos na bexiga, dores musculares, no estômago, articulações e na coluna, psoríase, eczema, úlceras, contusões, hidropsia; além de ser um ótimo vermífugo natural. 
Fonte: 

3. É considerada a "blueberry brasileira" por alguns autores. Sendo fácil encontrar receitas de geleias, compotas, sucos, chás, bolos, sorvetes, mousses e panquecas.

4. Algumas religiões Afro-brasileiras a utilizam em banhos de limpeza (amacis e abôs), lavagem de contas, sacudimentos, bate-folhas e oferendas; 

5. O nome do gênero diz respeito à palavra "Solamen" do Latim, o qual pode ser traduzido como "quietude" ou "alívio'' em alusão às propriedades calmantes ou mesmo narcóticas de alguns espécimes. O epíteto específico "americanum" deve-se à origem continental da espécie. 

6. Abaixo, de acordo com Ranieri, G. 2016, seguem-se as formas de se distinguir, visualmente, a Solanum americanum e Solanum nigrum
Fonte: 

7. Kinnup (2010) ressalta que a etnia Kaingang, localizada no sul do Brasil, consome esta espécie cozida utilizando-se do nome "fuá" e, inclusive, há relatos de grandes colheitas da planta no interior do Rio Grande do Sul realizadas pelos indígenas. 

8. China, Guatemala, África do Sul e El Salvador são exemplos de países onde também se consome a Solanum americanum com regularidade e, no caso das folhas, sempre cozidas; 

9. É considerada rica em proteínas, manganês (Mn), fósforo (P), ferro (Fe) e boro (B). 

10. Os frutos de coloração escura evidenciam a presença de antocianinas, intimamente relacionadas à potenciais aplicações enquanto antioxidante. 

Referências 

Etimologia:

Kinnup, V. F., Plantas alimentícias não-convencionais da região metropolitana de Porto Alegre, RS. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário