Texto e fotos:
Nathânia Sousa Frutuoso
Farmacêutica, aromaterapeuta e escritora.
Identificação botânica: Curcuma longa L.
Nomes populares: açafrão, açafrão-da-terra, açafroa, açafrão-da-índia, cúrcuma, gengibre amarelo, mangarataia, turmérico.
A Curcuma longa, também conhecida como açafrão-da-terra, é uma planta aromática de origem asiática, facilmente cultivada no Brasil e nos países tropicais. Popularizou-se em nosso país através de seu uso condimentar (corante alimentar e tempero), e, ultimamente, vem sido conhecida por suas finalidades medicinais. Na Índia e na China é utilizada há muitos anos como fitoterápico.
A parte da planta utilizada para uso terapêutico são os rizomas (estruturas que ramificam-se horizontalmente no nível subterrâneo, no caso da cúrcuma).
Fitoterapia
A cúrcuma, na fitoterapia, pode ser utilizada por uso interno, nas formas de decocção (chá), tintura hidroalcóolica, extratos secos ou fluidos e em uso externo na forma de pó para emplasto ou decocção para banho/compressa.
Usos terapêuticos:
-colerética (estimulante da secreção da bílis), por esse efeito pode ser indicado para tratamento de prisão de ventre e auxiliar a digestão;
-estimulante do apetite;
-antiflatulenta (evita a formação de gases intestinais);
-vermífuga;
-antiespasmódica (tratamento de cólicas);
-redução dos níveis de colesterol e glicose;
-anti-inflamatória (pode ser utilizada para tratamento das dores de garganta causadas por inflamação e de vários outros tipos de inflamação, como a artrite, por exemplo);
-antiagregante plaquetária;
-antisséptica;
-antidiarreica;
-hepatoprotetora;
-antioxidante (prevenção de câncer e outras doenças); e
-estimulante do sistema imunológico (aumenta a resposta das nossas células de defesa contra invasores, como vírus, bactérias e fungos). Por ser também imunomoduladora, previne reações alérgicas, como asma, por exemplo.
Como várias plantas medicinais, a cúrcuma, além de vários benefícios, também tem contraindicações. São elas: para portadores de úlcera gastroduodenal, crianças menores de 4 anos, gestantes, lactantes e durante a tentativa de concepção.
Precauções: portadores de cálculos biliares e obstrução dos ductos biliares devem utilizar a Cúrcuma apenas com orientação profissional (a planta auxilia no tratamento de cálculos biliares, mas deve ser utilizada com cautela nesses casos).
O uso em excesso pode causar enjoo, irritação gástrica, e toxicidade. Há a possibilidade de interação química com medicamentos anticoagulantes e alguns quimioterápicos.
Antes de associar essa ou outra planta a algum medicamento ou outra planta medicinal, e, ao iniciar um tratamento com plantas medicinais, oriente-se com um profissional da saúde que tenha capacitação em Fitoterapia.
É possível utilizar a Cúrcuma também na alimentação (respeitando as contraindicações dessa planta), como suplementação nutricional e prevenção de doenças. Podemos utilizar o pó da erva ou mesmo fragmentos dela em sua forma fresca nos alimentos (preferencialmente após o cozimento), associando-o à pimenta, Gengibre ou azeite de Oliva, para ter maior absorção no organismo. Outra forma de utilização é adicionar os rizomas em sucos ou fazer chás (decocção), seguindo a maneira correta de preparo e tendo cautela em relação à super dosagem.
Para garantir os efeitos medicinais de qualquer planta, é necessário utilizar uma planta que passou por boas condições de cultivo e secagem. Geralmente, encontramos em mercados o pó da cúrcuma, armazenado em embalagens transparentes, e desidratado em luz solar direta (é uma maneira muito comum de secagem dessa planta); esses fatores, no entanto, podem causar a perda dos ativos terapêuticos. Verifique as condições de cultivo (como exposição à contaminação e uso de agrotóxicos), secagem e armazenamento das plantas, antes de utilizá-las para finalidades medicinais.
Aromaterapia
Os óleos voláteis ou óleos essenciais, que raramente são encontrados em angiospermas monocotiledôneas, estão presentes nos rizomas da cúrcuma. Na aromaterapia, o óleo essencial extraído dessa planta é conhecido pelo nome de Turmérico.
Algumas de suas indicações terapêuticas são:
-estomáquica (estimulante do apetite);
-colagoga e carminativa (combate a formação de gases intestinais);
-antioxidante;
-anti-histamínica;
-antimicrobiana (para bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e também para alguns fungos e germes envolvidos em colecistites);
-citotóxica (para células de linfomas);
-inibição da neurotoxina do veneno de jararaca (Bothrops jararaca); e
-diminuição do efeito letal causado pelo veneno de cascavel (Crotalus durissus terrificus).
Precauções: altas doses do óleo essencial de cúrcuma pode causar neurotoxicidade e aborto.
Atenção: os óleos essenciais raramente podem ser ingeridos ou utilizados puros sobre a pele. Esse tipo de administração deve ser feita apenas sob a orientação de um profissional aromaterapeuta.
Princípios ativos da Curcuma longa: pigmentos fenólicos (bisferulyol-metano): curcumina e seus isômeros. Sesquiterpenos: turmerona. E ainda α e β-pineno, canfeno, limoneno, terpineno, cariofileno, linalol, borneol, cineol, polissacarídos e glicídeos (RIBEIRO; DINIZ).
Outro princípio ativo encontrado: zingibereno.
Bibliografia
CORAZZA, Sônia. Aromacologia: uma ciência de muitos cheiros. Editora Senac. São Paulo, 2002.
FIGUEIRA, L. W. Efeito do extrato de Curcuma longa L. sobre infecções in vitro por Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Candida albicans em macrófagos murinos. Dissertação (Mestrado em Biopatologia bucal). – Pós graduação em Biopatologia bucal – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Ciência e Tecnologia, São José dos Campos, 2017.
GRANDI, Telma Sueli Mesquita. Tratado das plantas medicinais mineiras, nativas e cultivadas. AD/Equatio Estúdio. 2014.
LASZLO, Fabian. Óleos essenciais e seus usos. Laszlo aromaterapia. 2010.
LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Nova Odessa-SP: Instituto Plantarum. 2008.
MATOS. Francisco José de Abreu. Farmácias vivas: sistema de utilização de plantas medicinais projetado para pequenas comunidades. 4ª ed. Fortaleza: editora UFC. 2002.
PERES, et al. Propriedades funcionais da Cúrcuma na suplementação nutricional. Revista interdisciplinar do pensamento científico. 2015.
RIBEIRO, Paulo Guilherme Fereira; DINIZ, Rui Cépil. Plantas aromáticas e medicinais: cultivo e utilização. Londrina: IAPAR, 2008.
SIMÕES, Cláudia Maria Oliveira, et. al. Farmacognosia: do produto natural ao medicamento. Porto Alegre: Artmed, 2017.
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