quinta-feira, 14 de julho de 2016

Estudo aponta que biodiversidade da Amazônia depende do combate à degradação florestal

Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Um esforço inédito de cientistas de 18 instituições internacionais, entre elas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foi capaz de comparar a diminuição de espécies causada por degradação florestal com aquelas resultantes da perda de habitat pelo desmatamento.

O trabalho inovador, que acaba de ser publicado na revista Nature, prestigiado periódico científico internacional, concluiu que a conservação de espécies das florestas tropicais exige que o controle da exploração madeireira ilegal, de incêndios florestais e da fragmentação de áreas remanescentes deve ser considerado nos planos de mitigação.

O estudo Anthropogenic disturbance can be as important as deforestation in driving tropical biodiversity loss (Perturbação antropogênica pode ser tão importante quanto o desmatamento na condução de perda de biodiversidade tropical) mediu o impacto geral das perturbações florestais mais comuns – o que inclui exploração madeireira, incêndios e fragmentação de florestas remanescentes – em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros encontrados na Amazônia paraense.

O resultado desafia a atual concepção das estratégias de conservação, na qual prevalece o foco no combate ao desflorestamento. Os cientistas demonstraram que, para a floresta tropical, os efeitos das perturbações causadas por atividades humanas resultam em perda de biodiversidade tão ostensiva quanto à causada pelo desmatamento.

“O Brasil conseguiu reduzir seu desmatamento em cerca de 80% como resultado de seu Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Contudo, demonstramos neste estudo que precisamos, urgentemente, de um planejamento governamental orquestrado para quantificar a extensão e impactos da degradação florestal se quisermos resguardar nossa biodiversidade, estoques de carbono, e serviços ecossistêmicos”, afirma Luiz Aragão, pesquisador da Divisão de Sensoriamento Remoto do INPE e um dos autores do estudo.

Segundo o estudo, espécies sob o risco máximo de extinção foram as mais atingidas pelas perturbações causadas por atividade humana. Quando analisado em conjunto, o efeito das atividades humanas que resultam em degradação no Pará é equivalente a uma perda adicional de mais de 139.000 km2 de floresta primária, correspondendo a todo o desmatamento no estado desde 1988, ano em que o INPE começou a monitorar por satélites o corte raso na Amazônia.

Enquanto a redução do desmatamento é acertadamente o principal foco da maioria das estratégias de conservação em nações tropicais, a condição das florestas remanescentes não costuma ser avaliada ou mesmo controlada por políticas públicas. Ainda que donos de terras na Amazônia brasileira sejam obrigados a manter 80% da cobertura primária em suas propriedades, a nova pesquisa demonstra que, em paisagens nas quais a lei é cumprida, a metade do valor potencial de conservação já pode ter sido perdida.

“Estes resultados devem servir de alerta para a comunidade global”, diz Jos Barlow, o principal autor do estudo. “O Brasil demonstrou uma liderança sem precedentes no combate ao desmatamento na última década. O mesmo nível de liderança é necessário agora para proteger a saúde das florestas restantes nos trópicos. Do contrário, décadas de esforço de conservação terão sido em vão”.

Fonte: INPE

in EcoDebate, 05/07/2016

Pesquisador da Embrapa cria irrigador solar automático com garrafas usadas

Foto: Luiza Stalder

Um irrigador automático que não usa eletricidade e ainda pode ser feito com materiais usados. Essa criação rústica e eficaz de um pesquisador da Embrapa poderá ajudar de pequenos produtores a jardineiros amadores a manter seus canteiros irrigados automaticamente pelo método de gotejamento.

Desenvolvido pelo físico Washington Luiz de Barros Melo, pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. Melo se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para a irrigação.

Uma garrafa de material rígido pintada de preto é emborcada sobre outra garrafa que contém água. Quando o sol incide sobre a garrafa escura, o calor aquece o ar em seu interior que, ao se expandir, empurra a água do recipiente de baixo e a expulsa por uma mangueira fina para gotejar na plantação.

“Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar”, afirma o pesquisador que apresenta sua invenção na 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 12 a 18 de julho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Paulo.

Fazem parte do invento outros dois depósitos de água: uma garrafa rígida também emborcada que desempenha a função de caixa d’água para manter abastecida a garrafa do gotejamento, e um recipiente maior conectado à garrafa-caixa-d’água que armazena um volume maior de água que será usado por todo o sistema (veja esquema abaixo).

“Os tubos que interligam as garrafas podem ser de equipos de soro hospitalar, por exemplo, mas já utilizei até capas de fios elétricos, retirei os fios de cobre de dentro e funcionou também,” conta o pesquisador.

Ele explica que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as três primeiras garrafas estejam fechadas hermeticamente. “Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação minuciosa”, ensina.

Também compõe o sistema um distribuidor que pode ser construído com garrafa pet e do qual saem as tubulações que farão a irrigação.

Econômico e ecológico

As vantagens do irrigador caseiro são várias, conforme enumera Melo. Trata-se de um sistema automático sem fotocélulas e que não demanda eletricidade, pois depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica. Ele promove igualmente uma economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar, o que evita o desperdício do recurso.

“Além disso, é possível construí-lo com objetos que seriam jogados no lixo, como garrafas e recipientes de plástico, metal ou vidro”, lembra o especialista.

A versatilidade do equipamento também é grande. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador e o produtor pode colocar nutrientes ou outros insumos na água do reservatório para otimizar a irrigação.
(1) recipiente primário;

(2) funil de acoplamento ao recipiente (1);

(3) acoplador dos recipientes (1) e (4);

(4) recipiente secundário;

(5) duto de sucção;

(6) válvula;

(7) duto alimentador;

(8) pressurizador ou bomba solar; 

(9) tubo de escape do ar quente;

(10) acoplador dos recipientes (8) e (11);

(11) recipiente de saída;

(12) duto gotejador ou sifão duplo;

(13) válvula de saída do sifão (11);

(14) gotas;

(15) base de sustentação.

Quanto o Sol ilumina a bomba solar (8), a temperatura interna aumenta. O ar interno se expande e força a passagem pelo tubo (9); a pressão do ar sobre o líquido no recipiente (11) impulsiona-o a sair pelos tubos (7) e (12).

A água sai pelo tubo (12) por gotejamento. A pressão interna do recipiente (11) diminui. Nisso, a água no recipiente (4) passa para o recipiente (11) para suprir a água perdida. Mas um pequeno vácuo no recipiente (4) é gerado. Este vácuo provoca a sucção da água que se encontra no reservatório (1).

Quando se encerra a iluminação, a bomba solar (8) tende a esfriar, diminuindo ainda mais a pressão interna do recipiente (11), isto provoca um aumento do vácuo no recipiente (4), que aumenta a sucção da água do reservatório (1).

Este processo continua até o recipiente (11) completar totalmente o seu volume de água.

Mais informações podem ser obtidas no link.

Por Joana Silva (MTb 19.554/SP)
Embrapa Instrumentação

in EcoDebate, 04/07/2016