Letícia Queiroz dos Santos;
Luísa de Castro Silva; Mel Pesseti Marcondes; Samara dos Santos Silva Sampaio;
Vitoria Aparecida Galhardo Calazans da Costa e Yasmim Mello Rodrigues – Acadêmicas
de Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté
Profª. Angela Akamatsu - Universidade de Taubaté
RESUMO
A aromaterapia tem se destacado como abordagem complementar na Medicina Veterinária, especialmente no manejo comportamental e na promoção do bem-estar de cães e gatos. Essa prática utiliza óleos essenciais extraídos de plantas aromáticas, capazes de influenciar respostas fisiológicas e emocionais por meio da estimulação do sistema olfativo e do sistema límbico. O presente trabalho teve como objetivo reunir e discutir, por meio de revisão de literatura, os efeitos da utilização de óleos essenciais em cães e gatos, com ênfase no óleo essencial de Lavandula angustifolia, no controle do estresse, ansiedade e modulação do comportamento. A metodologia consistiu em revisão bibliográfica descritiva e qualitativa, baseada na análise de artigos científicos, revisões sistemáticas, dissertações e livros publicados entre 2010 e 2025, obtidos em bases como PubMed, ScienceDirect, Google Acadêmico e NCBI Bookshelf. Os estudos analisados demonstraram que a lavanda está associada à redução de sinais comportamentais e fisiológicos de estresse, incluindo diminuição da agitação, vocalização excessiva e atividade locomotora, além do aumento do tempo de repouso em cães. Entretanto, observou-se grande variabilidade metodológica entre os estudos, principalmente quanto às concentrações, formas de aplicação e tempo de exposição. Conclui-se que os óleos essenciais apresentam potencial como estratégia complementar no manejo do estresse animal, podendo contribuir para o bem-estar e para a prática clínica veterinária. Contudo, ainda são necessários estudos adicionais e maior padronização dos protocolos de uso para garantir segurança e eficácia.
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, observa-se um crescimento significativo no interesse por terapias complementares na medicina veterinária, especialmente aquelas voltadas à promoção do bem-estar animal (FREEMAN et al., 2019; AHN; KIM, 2024). Dentre essas abordagens, a aromaterapia destaca-se pelo uso de óleos essenciais extraídos de plantas, os quais apresentam propriedades terapêuticas capazes de influenciar respostas comportamentais e fisiológicas dos animais (AROMATHERAPY…, 2025; ESSENTIAL OILS…, 2024).
A crescente preocupação com
o estresse em animais domésticos, particularmente em ambientes clínicos
veterinários, tem impulsionado a busca por métodos que minimizem respostas
negativas durante procedimentos como consultas, exames e internações (FRONTIERS
IN VETERINARY SCIENCE, 2020). O estresse pode desencadear alterações
comportamentais e fisiológicas, incluindo aumento da frequência cardíaca,
liberação de cortisol e respostas de medo, o que pode comprometer tanto o
bem-estar animal quanto a qualidade do atendimento clínico (INHALATION…, 2022).
Nesse contexto, a
aromaterapia surge como uma alternativa não invasiva, que atua principalmente
por meio da inalação de compostos voláteis capazes de estimular o sistema
olfativo e, consequentemente, o sistema límbico, região do cérebro responsável
pelo controle das emoções e respostas ao estresse (ELSEVIER, 2026; ESSENTIAL
OILS…, 2015). Estudos recentes têm demonstrado que determinados óleos
essenciais, como o de Lavandula angustifolia, apresentam efeitos ansiolíticos,
promovendo relaxamento e redução de sinais de estresse em cães (CAVANAGH; WILKINSON,
2002; SAYORWAN et al., 2012; GRAHAM; WELLS; HEPER, 2005).
Entretanto, apesar dos
benefícios relatados, o uso da aromaterapia na medicina veterinária ainda
apresenta limitações, especialmente no que se refere à padronização de
protocolos e à segurança em diferentes espécies, como os gatos, que possuem
particularidades metabólicas que aumentam o risco de toxicidade (COURT, 2010;
BISCHOFF; GUALTIERI, 2018; KHAN et al., 2016).
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Mecanismos de ação e sistema olfativo
A aromaterapia baseia-se na utilização de compostos voláteis presentes nos óleos essenciais, cujos efeitos ocorrem principalmente por meio da via olfatória (ESSENTIAL OILS…, 2024; ELSEVIER, 2026). Após a inalação, essas moléculas são captadas pelo epitélio olfatório, onde interagem com receptores específicos e são convertidas em impulsos nervosos. Esses sinais são então transmitidos ao bulbo olfatório, responsável pelo processamento inicial das informações odoríferas, e posteriormente encaminhados ao sistema límbico, especialmente à amígdala e ao hipocampo, regiões diretamente relacionadas à regulação das emoções, memória e comportamento (INHALATION…, 2022).
Essa conexão direta entre o
sistema olfatório e estruturas límbicas permite que os estímulos odoríferos
desencadeiem respostas rápidas e, em grande parte, inconscientes, influenciando
tanto o estado emocional quanto respostas fisiológicas. Nesse contexto, a
aromaterapia tem sido associada à modulação do sistema nervoso autônomo,
promovendo redução da atividade simpática — relacionada ao estresse — e aumento
da atividade parassimpática, responsável por respostas de relaxamento. Como
consequência, observam-se efeitos como diminuição da frequência cardíaca,
redução da ansiedade e sensação de bem-estar (SAYORWAN et al., 2012;
AROMATHERAPY…, 2025).
Além da ativação dessas
estruturas cerebrais, os óleos essenciais também atuam na modulação de
neurotransmissores no sistema nervoso central. Compostos como o linalol,
presente em óleos como o de lavanda, exercem ação sobre o sistema GABAérgico,
considerado o principal sistema inibitório do cérebro, promovendo aumento da
atividade do GABA e redução da excitabilidade neuronal, o que resulta em
efeitos ansiolíticos e sedativos (LINCK et al., 2009; CAVANAGH; WILKINSON,
2002). Paralelamente, há evidências de redução da atividade de
neurotransmissores excitatórios, como o glutamato, contribuindo para o
equilíbrio entre estímulos excitatórios e inibitórios (ESSENTIAL OILS…, 2024). Também
se observa modulação indireta do sistema serotoninérgico, associado à regulação
do humor e do bem-estar (AROMATHERAPY…, 2025).
Outro mecanismo relevante
envolve a atuação sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), responsável
pela resposta fisiológica ao estresse. A exposição a óleos essenciais pode
reduzir a ativação desse eixo, levando à diminuição da liberação de cortisol e,
consequentemente, à atenuação das respostas ao estresse e à manutenção da
homeostase (INHALATION…, 2022).
2.2 Mecanismos neurológicos e fisiológicos
Além da modulação do sistema GABAérgico, evidências experimentais demonstram que o linalol, um dos principais componentes do óleo essencial de lavanda, também atua sobre o sistema glutamatérgico, responsável pela principal via excitatória do sistema nervoso central (CAVANAGH; WILKINSON, 2002; ESSENTIAL OILS…, 2024).
Estudos in vitro conduzidos
por Elisabetsky et al. demonstraram que o linalol é capaz de inibir a liberação
de glutamato em preparações neuronais. Nesse trabalho, foram utilizados modelos
experimentais com tecido nervoso exposto a estímulos despolarizantes, e
observou-se que a presença do linalol reduziu significativamente a liberação de
neurotransmissores excitatórios, sugerindo ação pré-sináptica direta
(ELISABETSKY et al., 1995).
Posteriormente, Re et al. (2000)
investigaram os efeitos do linalol sobre a neurotransmissão glutamatérgica e
demonstraram que sua ação está associada à modulação de canais de cálcio
dependentes de voltagem. Nesse estudo, foi observado que o linalol reduziu o
influxo de íons cálcio (Ca²⁺) nos terminais pré-sinápticos, mecanismo essencial para a liberação de glutamato, levando à diminuição da transmissão excitatória (RE et al., 2000).
Além disso, evidências
obtidas por Linck et al. (2009) indicam que o linalol também exerce efeitos
sobre receptores glutamatérgicos do tipo NMDA. Em modelos experimentais com
roedores, os autores observaram que a administração de linalol resultou em
redução da excitabilidade neuronal e em efeitos comportamentais compatíveis com
ação ansiolítica, como diminuição da atividade locomotora e aumento do tempo em
áreas seguras em testes como o labirinto em cruz elevado (LINCK et al., 2009).
2.3 Aplicações veterinárias e efeitos da lavanda
A aromaterapia tem sido utilizada na medicina veterinária como abordagem complementar no manejo do estresse e da ansiedade em animais, especialmente em cães. Sua aplicação está relacionada à capacidade dos compostos voláteis dos óleos essenciais de influenciar o comportamento e respostas fisiológicas por meio da estimulação do sistema olfativo, previamente descrito (FRONTIERS IN VETERINARY SCIENCE, 2020; FREEMAN et al., 2019).
A via inalatória é
considerada a principal forma de uso na prática veterinária, por ser menos
invasiva e permitir exposição controlada aos compostos voláteis (ESSENTIAL
OILS…, 2015). Nessa abordagem, os óleos essenciais são introduzidos no ambiente
por meio de difusores ou aplicação em materiais próximos ao animal, como
tecidos, algodões ou superfícies, permitindo exposição indireta.
Um dos estudos mais
relevantes nessa área foi conduzido por Graham, Wells e Heper (2005)., no qual
foram avaliados os efeitos da exposição a diferentes óleos essenciais no
comportamento de cães. Nesse experimento, os animais foram mantidos em um
ambiente controlado e expostos a odores específicos, incluindo lavanda,
camomila, hortelã e alecrim, durante períodos determinados. A difusão dos óleos
foi realizada no ambiente, permitindo exposição indireta. Os pesquisadores
observaram que, durante a exposição à lavanda, houve redução significativa da
atividade locomotora e aumento do tempo de repouso, indicando efeito calmante
(GRAHAM; WELLS; HEPER, 2005). Em contraste, odores como hortelã e alecrim
estiveram associados ao aumento da atividade, sugerindo efeito estimulante.
De forma semelhante, Wells
avaliou o impacto de estímulos olfativos no comportamento de cães mantidos em
canis. Nesse estudo, os odores foram introduzidos por meio de materiais
impregnados e posicionados no ambiente dos animais, sendo cada estímulo apresentado
por períodos controlados. O comportamento foi avaliado por observação direta,
incluindo parâmetros como vocalização, movimentação e postura. Os resultados
demonstraram que a lavanda esteve associada à redução de vocalizações e
comportamentos relacionados ao estresse, como agitação e movimentação excessiva
(WELLS, 2004; WELLS, 2006).
2.4 Dosagem, segurança e limitações
A determinação de dosagens adequadas para o uso de óleos essenciais na aromaterapia representa um dos principais desafios para sua aplicação clínica, especialmente na medicina veterinária. Diferentemente de fármacos convencionais, os óleos essenciais não possuem protocolos padronizados amplamente estabelecidos, sendo comum a variação entre estudos quanto às concentrações, volumes utilizados, tempo de exposição e forma de administração (POSADZKI; ALOTAIBI; ERNST, 2012; HAVERBEKE et al., 2024).
Em humanos, estudos
experimentais frequentemente utilizam concentrações baixas e controladas. No
estudo conduzido por Sayorwan et al., voluntários saudáveis foram submetidos à
aplicação de óleo essencial de lavanda por meio de massagem aromática. Nesse experimento,
o óleo foi diluído em uma base vegetal em concentrações próximas a 2% e
aplicado na pele durante sessões de aproximadamente 30 minutos. Os
pesquisadores avaliaram parâmetros fisiológicos antes e após a intervenção,
incluindo frequência cardíaca, pressão arterial e variabilidade da frequência
cardíaca. Os resultados demonstraram redução da frequência cardíaca e aumento
da atividade parassimpática, sugerindo efeito relaxante sistêmico (SAYORWAN et
al., 2012).
Embora os óleos essenciais
sejam frequentemente considerados produtos naturais, seu uso não é isento de
riscos, especialmente quando não há controle adequado da dose e da forma de
aplicação (BISCHOFF; GUALTIERI, 2018; KHAN et al., 2016).
Entre os principais efeitos
adversos descritos estão irritação cutânea, reações alérgicas, toxicidade
sistêmica e, em alguns casos, efeitos neurológicos, como depressão do sistema
nervoso central ou, em situações de exposição excessiva, excitação paradoxal
(POSADZKI; ALOTAIBI; ERNST, 2012).
2.5 Outras essências
Além do óleo essencial de lavanda, diversos outros óleos essenciais são utilizados na aromaterapia, apresentando diferentes propriedades terapêuticas de acordo com sua composição química (ESSENTIAL OILS…, 2024). Esses óleos podem exercer efeitos calmantes, estimulantes ou moduladores do sistema nervoso central, sendo empregados tanto em humanos quanto na medicina veterinária
Entre os óleos essenciais
com propriedades calmantes, destaca-se o óleo essencial de camomila, amplamente
associado à redução da ansiedade e indução de relaxamento. Seus efeitos estão
relacionados à presença de compostos como o bisabolol e flavonoides, que podem
atuar na modulação do sistema nervoso central, contribuindo para a diminuição
da excitabilidade neuronal (AROMATHERAPY…, 2025).
Por outro lado, alguns óleos
essenciais apresentam propriedades estimulantes. O óleo essencial de
hortelã-pimenta, rico em mentol, está associado ao aumento do estado de alerta
e à estimulação cognitiva. Estudos indicam que sua inalação pode promover aumento
da atividade mental e da atenção, sendo utilizado em contextos que exigem maior
desempenho cognitivo (ESSENTIAL OILS…, 2024).
De forma semelhante, o óleo
essencial de alecrim tem sido relacionado a efeitos estimulantes sobre o
sistema nervoso central. Seus principais componentes, como o 1,8-cineol, estão
associados à melhora da memória e da concentração. Em estudos experimentais, a exposição
ao aroma de alecrim demonstrou efeitos positivos sobre o desempenho cognitivo e
o estado de alerta (AROMATHERAPY…, 2025).
2.6 Material e métodos
O presente trabalho consiste em uma revisão de literatura de caráter descritivo, com objetivo de analisar os efeitos da aromaterapia, com ênfase no óleo essencial de lavanda, na medicina veterinária.
A coleta de dados foi
realizada por meio de busca em bases científicas, incluindo PubMed, SciELO e
Google Scholar. Foram utilizados descritores como “aromaterapia”, “óleo
essencial de lavanda”, “linalol”, “ansiedade”, “cães” e “medicina veterinária”,
em português e inglês.
Foram incluídos artigos
científicos publicados preferencialmente nos últimos anos, que abordassem os
mecanismos de ação, aplicações, dosagens e efeitos dos óleos essenciais em
humanos e animais. Também foram considerados estudos clássicos relevantes para
a compreensão do tema.
Como critérios de exclusão,
foram descartados trabalhos que não apresentavam relação direta com o tema,
artigos duplicados e publicações sem respaldo científico adequado.
A busca por materiais científicos
foi realizada em bases de dados eletrônicas nacionais e internacionais, sendo
eles: PubMed (National Library of Medicine), NCBI Bookshelf, ScienceDirect,
Repositório Institucional do Centro Paula Souza (RIC-CPS) e Google Acadêmico.
Essas plataformas foram escolhidas por reunirem publicações revisadas por pares
e literatura científica relevante sobre o uso terapêutico dos óleos essenciais.
As informações extraídas
foram analisadas de forma descritiva e integrativa, com o objetivo de sintetizar
o conhecimento disponível sobre os efeitos e benefícios da aromaterapia,
especialmente com o uso do óleo essencial de lavanda, tanto em humanos quanto
em animais. Em vez de organizar os dados em tabelas ou categorias temáticas,
optou-se por uma abordagem narrativa, na qual os resultados de cada estudo
foram apresentados, estabelecendo relações entre os achados.
Essa análise permitiu
compreender de forma ampla os potenciais efeitos calmantes, ansiolíticos e
terapêuticos da aromaterapia, além de discutir suas aplicações práticas e
limitações relatadas na literatura, contemplando aspectos fisiológicos,
comportamentais e terapêuticos. A síntese final foi estruturada de modo a
correlacionar os resultados obtidos em humanos com as aplicações na medicina veterinária,
destacando as potencialidades da aromaterapia para promover o bem-estar e
equilíbrio emocional dos animais.
3. CONCLUSÃO
A análise crítica da literatura evidencia que a aromaterapia, com destaque para o uso do óleo essencial de lavanda (Lavandula angustifolia), apresenta potencial relevante como abordagem complementar na modulação do comportamento e na redução do estresse, tanto em humanos quanto na medicina veterinária. Os efeitos observados ao longo dos estudos analisados demonstram consistência, especialmente no que se refere à redução da ansiedade, promoção de relaxamento e alterações em parâmetros fisiológicos associados à atividade do sistema nervoso autônomo.
Do ponto de vista
mecanístico, os achados sugerem que tais efeitos estão diretamente relacionados
à ação dos principais constituintes da lavanda, como o linalol e o acetato de
linalila, que atuam sobre o sistema nervoso central por meio da modulação de sistemas
neurotransmissores, incluindo o sistema GABAérgico e, possivelmente, o sistema
glutamatérgico. Essa atuação contribui para a redução da excitabilidade
neuronal e para o equilíbrio entre vias excitatórias e inibitórias,
refletindo-se em respostas comportamentais e fisiológicas compatíveis com
estados de relaxamento e diminuição do estresse.
No entanto, apesar da
coerência geral dos resultados, a análise dos estudos evidencia limitações
importantes que devem ser consideradas. Observa-se uma significativa
heterogeneidade metodológica, especialmente no que diz respeito às formas de
aplicação, tempo de exposição e, principalmente, às dosagens utilizadas. Em
muitos estudos, sobretudo na medicina veterinária, a administração ocorre por
via inalatória indireta, sem controle preciso da concentração efetivamente absorvida
pelos animais, o que dificulta a padronização dos protocolos e a
reprodutibilidade dos resultados.
Além disso, a extrapolação
dos dados obtidos em humanos para animais deve ser realizada com cautela, uma
vez que existem diferenças marcantes no sistema olfativo entre as espécies.
Cães, por exemplo, apresentam número significativamente maior de receptores
olfatórios e maior sensibilidade a compostos voláteis, o que implica que
concentrações consideradas baixas para humanos podem representar estímulos
intensos para esses animais. Essa particularidade reforça a necessidade de
abordagens específicas para cada espécie, evitando generalizações inadequadas.
Outro ponto relevante
refere-se à segurança do uso dos óleos essenciais. Embora a lavanda seja
frequentemente descrita como segura, a ausência de padronização nas
concentrações e formas de uso pode resultar em riscos potenciais, especialmente
em aplicações tópicas sem diluição adequada ou em casos de exposição
prolongada. Dessa forma, a utilização desses compostos deve ser conduzida de
maneira criteriosa, considerando fatores individuais e respeitando limites de
segurança.
Adicionalmente, observa-se
que muitos estudos apresentam limitações metodológicas, como tamanhos amostrais
reduzidos, ausência de grupos controle rigorosos e dificuldade na mensuração
objetiva da dose efetivamente administrada. Esses fatores impactam diretamente
a qualidade das evidências disponíveis e reforçam a necessidade de pesquisas
mais robustas, com delineamentos experimentais padronizados e controle mais
preciso das variáveis envolvidas.
Diante desse contexto,
conclui-se que a aromaterapia com óleo essencial de lavanda apresenta potencial
promissor como ferramenta auxiliar no manejo do estresse e de alterações
comportamentais, incluindo sua aplicação na medicina veterinária. No entanto, sua
utilização clínica ainda se encontra limitada pela falta de padronização dos
protocolos e pela escassez de estudos mais aprofundados, especialmente em animais.
Portanto, torna-se
fundamental o desenvolvimento de novas pesquisas que estabeleçam parâmetros
claros e reprodutíveis, especialmente no que se refere às dosagens, formas de
aplicação e avaliação de segurança. Somente com o avanço do conhecimento
científico será possível consolidar o uso da aromaterapia como prática
terapêutica baseada em evidências, garantindo maior eficácia e segurança na sua
aplicação tanto em humanos quanto na medicina veterinária.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AHN, J. H.; KIM, M.Effects of aromatherapy on anxiety in patients with cancer: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. European Journal of Integrative Medicine, v. 65, p. 102323, 2024.
AROMATHERAPY: physiological and
clinical effects. Complementary Therapies in Medicine, 2025. Disponível
em: https://www.sciencedirect.com.Acesso
em: 18 abr. 2026.
BISCHOFF, K.; GUALTIERI, A. Toxicity
of essential oils in pets. Veterinary Medicine: Research and Reports, v.
9, p. 145–156, 2018. Disponível em: https://www.dovepress.com. Acesso em: 18 abr. 2026.
CAVANAGH, H. M. A.; WILKINSON, J. M. Biological activities of lavender essential oil. Phytotherapy Research, v. 16, n. 4, p. 301–308, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1002/ptr.1103 Acesso em: 05 maio 2026.
CLINICAL
effects of
aromatherapy. PubMed
Central (PMC), 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/ Acesso em: 18 abr. 2026.
COURT, M. H. Feline drug
metabolism and glucuronidation deficiency. American Journal of Veterinary
Research, v. 71, n. 12, p. 1449–1456, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.2460/ajvr.71.12.1449 Acesso em: 18 abr. 2026.
ELSEVIER. Volatilization. Science
Direct Topics. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/topics/biochemistry-genetics-and-molecular-biology/volatilization
Acesso em: 7 abr. 2026.
ESSENTIAL oils for clinical
aromatherapy: mechanisms and evidence-based use. Journal of
Ethnopharmacology, 2024. Disponível em: https://www.sciencedirect.comAcesso
em: 18 abr. 2026.
ESSENTIAL oils used in
aromatherapy: methods of application. Asian Pacific Journal of Tropical
Biomedicine, 2015. Disponível em: https://www.sciencedirect.com Acesso em: 18 abr. 2026.
FERNANDES, A. J. B. Efeito
do óleo essencial de Lavandula angustifolia no bem-estar de cães durante exame
clínico. 2024. 96 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) —
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2024.
FREEMAN, M. et
al. Aromatherapy and Essential Oils: A Map of the Evidence.Washington (DC):
Department of Veterans Affairs, 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/ Acesso em: 18 abr. 2026.
FRONTIERS IN VETERINARY SCIENCE.
Use of essential oils in veterinary medicine: benefits and risks. Frontiers
in Veterinary Science, 2020. Disponível em: https://www.frontiersin.org Acesso em: 18 abr. 2026.
GRAHAM, L.; WELLS, D. L.;
HEPER, P. G.The influence of olfactory stimulation on the behaviour of dogs
housed in a rescue shelter. Applied Animal Behaviour Science, v. 91, n.
1–2, p. 143–153, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.applanim.2004.08.006 Acesso em: 05 maio 2026.
HAVERBEKE, A. et
al.Dose-dependent responses: a preliminary investigation into the olfactory
effects of essential oil concentrations on canine behavior. Veterinary
Research Communications, v. 48, p. 3387–3396, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11259-024-10123-0 Acesso em: 18 abr. 2026.
INHALATION
aromatherapy and brain pathways. PubMed
Central (PMC), 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/
Acesso em: 18 abr. 2026.
KHAN, S. A. et al. Essential
oil toxicosis in dogs and cats. Journal of Veterinary Emergency and Critical
Care, v. 26, n. 6, p. 793–804, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1111/vec.12448 Acesso em: 18 abr. 2026.
LEHRNER, J. et al. Ambient odors
of orange and lavender reduce anxiety and improve mood in a dental office. Physiology
& Behavior, v. 86, n. 1–2, p. 92–95, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2005.06.031 Acesso em: 05 maio 2026.
LINCK, V. M. et al. Inhaled linalool-induced
sedation in mice. Phytomedicine, v. 16, n. 4, p. 303–307, 2009.
Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.phymed.2007.04.007 Acesso em: 05 maio 2026.
MERCK & CO., INC. Toxicoses
from essential oils in animals. MSD Veterinary Manual. Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/toxicology/toxicoses-from-household-hazards/toxicoses-from-essential-oils-in-animals Acesso em: 7 abr. 2026.
POSADZKI, P.; ALOTAIBI, A.;
ERNST, E.Adverse effects of aromatherapy: a systematic review of case reports. Evidence-Based
Complementary and Alternative Medicine, 2012, p. 1–10. Disponível em: https://doi.org/10.1155/2012/569410 Acesso em: 18 abr. 2026.
SAYORWAN, W. et al.The
effects of lavender oil inhalation on emotional states, autonomic nervous
system, and brain electrical activity. Journal of the Medical Association of
Thailand, v. 95, n. 4, p. 598–606, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22550886/ Acesso em: 05 maio 2026.
SILVA, C. D. M.; BRAGATTO, H.
D.; OLIVEIRA, J. T. S.Utilização de óleos essenciais para repelir o carrapato Rhipicephalus
sanguineus. Centro Paula Souza, São Paulo, 2019.
WELLS, D. L.A review of
environmental enrichment for kennelled dogs, Canis familiaris. Applied
Animal Behaviour Science, v. 85, p. 307–317, 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.applanim.2003.11.005 Acesso em: 05 maio 2026.
WELLS, D. L.Aromatherapy for
travel-induced excitement in dogs. Journal of the American Veterinary
Medical Association, v. 229, n. 6, p. 964–967, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.2460/javma.229.6.964 Acesso em: 18 abr. 2026.
Nenhum comentário:
Postar um comentário