quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Efeitos terapêuticos da lavanda na aromaterapia em cães e gatos: revisão integrativa de literatura

Letícia Queiroz dos Santos; Luísa de Castro Silva; Mel Pesseti Marcondes; Samara dos Santos Silva Sampaio; Vitoria Aparecida Galhardo Calazans da Costa e Yasmim Mello Rodrigues – Acadêmicas de Medicina Veterinária - Universidade de Taubaté

Profª. Angela Akamatsu - Universidade de Taubaté

RESUMO

A aromaterapia tem se destacado como abordagem complementar na Medicina Veterinária, especialmente no manejo comportamental e na promoção do bem-estar de cães e gatos. Essa prática utiliza óleos essenciais extraídos de plantas aromáticas, capazes de influenciar respostas fisiológicas e emocionais por meio da estimulação do sistema olfativo e do sistema límbico. O presente trabalho teve como objetivo reunir e discutir, por meio de revisão de literatura, os efeitos da utilização de óleos essenciais em cães e gatos, com ênfase no óleo essencial de Lavandula angustifolia, no controle do estresse, ansiedade e modulação do comportamento. A metodologia consistiu em revisão bibliográfica descritiva e qualitativa, baseada na análise de artigos científicos, revisões sistemáticas, dissertações e livros publicados entre 2010 e 2025, obtidos em bases como PubMed, ScienceDirect, Google Acadêmico e NCBI Bookshelf. Os estudos analisados demonstraram que a lavanda está associada à redução de sinais comportamentais e fisiológicos de estresse, incluindo diminuição da agitação, vocalização excessiva e atividade locomotora, além do aumento do tempo de repouso em cães. Entretanto, observou-se grande variabilidade metodológica entre os estudos, principalmente quanto às concentrações, formas de aplicação e tempo de exposição. Conclui-se que os óleos essenciais apresentam potencial como estratégia complementar no manejo do estresse animal, podendo contribuir para o bem-estar e para a prática clínica veterinária. Contudo, ainda são necessários estudos adicionais e maior padronização dos protocolos de uso para garantir segurança e eficácia.

1.  INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, observa-se um crescimento significativo no interesse por terapias complementares na medicina veterinária, especialmente aquelas voltadas à promoção do bem-estar animal (FREEMAN et al., 2019; AHN; KIM, 2024). Dentre essas abordagens, a aromaterapia destaca-se pelo uso de óleos essenciais extraídos de plantas, os quais apresentam propriedades terapêuticas capazes de influenciar respostas comportamentais e fisiológicas dos animais (AROMATHERAPY…, 2025; ESSENTIAL OILS…, 2024).

A crescente preocupação com o estresse em animais domésticos, particularmente em ambientes clínicos veterinários, tem impulsionado a busca por métodos que minimizem respostas negativas durante procedimentos como consultas, exames e internações (FRONTIERS IN VETERINARY SCIENCE, 2020). O estresse pode desencadear alterações comportamentais e fisiológicas, incluindo aumento da frequência cardíaca, liberação de cortisol e respostas de medo, o que pode comprometer tanto o bem-estar animal quanto a qualidade do atendimento clínico (INHALATION…, 2022).

Nesse contexto, a aromaterapia surge como uma alternativa não invasiva, que atua principalmente por meio da inalação de compostos voláteis capazes de estimular o sistema olfativo e, consequentemente, o sistema límbico, região do cérebro responsável pelo controle das emoções e respostas ao estresse (ELSEVIER, 2026; ESSENTIAL OILS…, 2015). Estudos recentes têm demonstrado que determinados óleos essenciais, como o de Lavandula angustifolia, apresentam efeitos ansiolíticos, promovendo relaxamento e redução de sinais de estresse em cães (CAVANAGH; WILKINSON, 2002; SAYORWAN et al., 2012; GRAHAM; WELLS; HEPER, 2005).

Entretanto, apesar dos benefícios relatados, o uso da aromaterapia na medicina veterinária ainda apresenta limitações, especialmente no que se refere à padronização de protocolos e à segurança em diferentes espécies, como os gatos, que possuem particularidades metabólicas que aumentam o risco de toxicidade (COURT, 2010; BISCHOFF; GUALTIERI, 2018; KHAN et al., 2016).

2.  DESENVOLVIMENTO

2.1  Mecanismos de ação e sistema olfativo

A aromaterapia baseia-se na utilização de compostos voláteis presentes nos óleos essenciais, cujos efeitos ocorrem principalmente por meio da via olfatória (ESSENTIAL OILS…, 2024; ELSEVIER, 2026). Após a inalação, essas moléculas são captadas pelo epitélio olfatório, onde interagem com receptores específicos e são convertidas em impulsos nervosos. Esses sinais são então transmitidos ao bulbo olfatório, responsável pelo processamento inicial das informações odoríferas, e posteriormente encaminhados ao sistema límbico, especialmente à amígdala e ao hipocampo, regiões diretamente relacionadas à regulação das emoções, memória e comportamento (INHALATION…, 2022).

Essa conexão direta entre o sistema olfatório e estruturas límbicas permite que os estímulos odoríferos desencadeiem respostas rápidas e, em grande parte, inconscientes, influenciando tanto o estado emocional quanto respostas fisiológicas. Nesse contexto, a aromaterapia tem sido associada à modulação do sistema nervoso autônomo, promovendo redução da atividade simpática — relacionada ao estresse — e aumento da atividade parassimpática, responsável por respostas de relaxamento. Como consequência, observam-se efeitos como diminuição da frequência cardíaca, redução da ansiedade e sensação de bem-estar (SAYORWAN et al., 2012; AROMATHERAPY…, 2025).

Além da ativação dessas estruturas cerebrais, os óleos essenciais também atuam na modulação de neurotransmissores no sistema nervoso central. Compostos como o linalol, presente em óleos como o de lavanda, exercem ação sobre o sistema GABAérgico, considerado o principal sistema inibitório do cérebro, promovendo aumento da atividade do GABA e redução da excitabilidade neuronal, o que resulta em efeitos ansiolíticos e sedativos (LINCK et al., 2009; CAVANAGH; WILKINSON, 2002). Paralelamente, há evidências de redução da atividade de neurotransmissores excitatórios, como o glutamato, contribuindo para o equilíbrio entre estímulos excitatórios e inibitórios (ESSENTIAL OILS…, 2024). Também se observa modulação indireta do sistema serotoninérgico, associado à regulação do humor e do bem-estar (AROMATHERAPY…, 2025).

Outro mecanismo relevante envolve a atuação sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), responsável pela resposta fisiológica ao estresse. A exposição a óleos essenciais pode reduzir a ativação desse eixo, levando à diminuição da liberação de cortisol e, consequentemente, à atenuação das respostas ao estresse e à manutenção da homeostase (INHALATION…, 2022).

2.2  Mecanismos neurológicos e fisiológicos

Além da modulação do sistema GABAérgico, evidências experimentais demonstram que o linalol, um dos principais componentes do óleo essencial de lavanda, também atua sobre o sistema glutamatérgico, responsável pela principal via excitatória do sistema nervoso central (CAVANAGH; WILKINSON, 2002; ESSENTIAL OILS…, 2024).

Estudos in vitro conduzidos por Elisabetsky et al. demonstraram que o linalol é capaz de inibir a liberação de glutamato em preparações neuronais. Nesse trabalho, foram utilizados modelos experimentais com tecido nervoso exposto a estímulos despolarizantes, e observou-se que a presença do linalol reduziu significativamente a liberação de neurotransmissores excitatórios, sugerindo ação pré-sináptica direta (ELISABETSKY et al., 1995).

Posteriormente, Re et al. (2000) investigaram os efeitos do linalol sobre a neurotransmissão glutamatérgica e demonstraram que sua ação está associada à modulação de canais de cálcio dependentes de voltagem. Nesse estudo, foi observado que o linalol reduziu o influxo de íons cálcio (Ca²⁺) nos terminais pré-sinápticos, mecanismo essencial para a liberação de glutamato, levando à diminuição da transmissão excitatória (RE et al., 2000).

Além disso, evidências obtidas por Linck et al. (2009) indicam que o linalol também exerce efeitos sobre receptores glutamatérgicos do tipo NMDA. Em modelos experimentais com roedores, os autores observaram que a administração de linalol resultou em redução da excitabilidade neuronal e em efeitos comportamentais compatíveis com ação ansiolítica, como diminuição da atividade locomotora e aumento do tempo em áreas seguras em testes como o labirinto em cruz elevado (LINCK et al., 2009).

2.3  Aplicações veterinárias e efeitos da lavanda

A aromaterapia tem sido utilizada na medicina veterinária como abordagem complementar no manejo do estresse e da ansiedade em animais, especialmente em cães. Sua aplicação está relacionada à capacidade dos compostos voláteis dos óleos essenciais de influenciar o comportamento e respostas fisiológicas por meio da estimulação do sistema olfativo, previamente descrito (FRONTIERS IN VETERINARY SCIENCE, 2020; FREEMAN et al., 2019).

A via inalatória é considerada a principal forma de uso na prática veterinária, por ser menos invasiva e permitir exposição controlada aos compostos voláteis (ESSENTIAL OILS…, 2015). Nessa abordagem, os óleos essenciais são introduzidos no ambiente por meio de difusores ou aplicação em materiais próximos ao animal, como tecidos, algodões ou superfícies, permitindo exposição indireta.

Um dos estudos mais relevantes nessa área foi conduzido por Graham, Wells e Heper (2005)., no qual foram avaliados os efeitos da exposição a diferentes óleos essenciais no comportamento de cães. Nesse experimento, os animais foram mantidos em um ambiente controlado e expostos a odores específicos, incluindo lavanda, camomila, hortelã e alecrim, durante períodos determinados. A difusão dos óleos foi realizada no ambiente, permitindo exposição indireta. Os pesquisadores observaram que, durante a exposição à lavanda, houve redução significativa da atividade locomotora e aumento do tempo de repouso, indicando efeito calmante (GRAHAM; WELLS; HEPER, 2005). Em contraste, odores como hortelã e alecrim estiveram associados ao aumento da atividade, sugerindo efeito estimulante.

De forma semelhante, Wells avaliou o impacto de estímulos olfativos no comportamento de cães mantidos em canis. Nesse estudo, os odores foram introduzidos por meio de materiais impregnados e posicionados no ambiente dos animais, sendo cada estímulo apresentado por períodos controlados. O comportamento foi avaliado por observação direta, incluindo parâmetros como vocalização, movimentação e postura. Os resultados demonstraram que a lavanda esteve associada à redução de vocalizações e comportamentos relacionados ao estresse, como agitação e movimentação excessiva (WELLS, 2004; WELLS, 2006).

2.4  Dosagem, segurança e limitações

A determinação de dosagens adequadas para o uso de óleos essenciais na aromaterapia representa um dos principais desafios para sua aplicação clínica, especialmente na medicina veterinária. Diferentemente de fármacos convencionais, os óleos essenciais não possuem protocolos padronizados amplamente estabelecidos, sendo comum a variação entre estudos quanto às concentrações, volumes utilizados, tempo de exposição e forma de administração (POSADZKI; ALOTAIBI; ERNST, 2012; HAVERBEKE et al., 2024).

Em humanos, estudos experimentais frequentemente utilizam concentrações baixas e controladas. No estudo conduzido por Sayorwan et al., voluntários saudáveis foram submetidos à aplicação de óleo essencial de lavanda por meio de massagem aromática. Nesse experimento, o óleo foi diluído em uma base vegetal em concentrações próximas a 2% e aplicado na pele durante sessões de aproximadamente 30 minutos. Os pesquisadores avaliaram parâmetros fisiológicos antes e após a intervenção, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial e variabilidade da frequência cardíaca. Os resultados demonstraram redução da frequência cardíaca e aumento da atividade parassimpática, sugerindo efeito relaxante sistêmico (SAYORWAN et al., 2012).

Embora os óleos essenciais sejam frequentemente considerados produtos naturais, seu uso não é isento de riscos, especialmente quando não há controle adequado da dose e da forma de aplicação (BISCHOFF; GUALTIERI, 2018; KHAN et al., 2016).

Entre os principais efeitos adversos descritos estão irritação cutânea, reações alérgicas, toxicidade sistêmica e, em alguns casos, efeitos neurológicos, como depressão do sistema nervoso central ou, em situações de exposição excessiva, excitação paradoxal (POSADZKI; ALOTAIBI; ERNST, 2012).

2.5  Outras essências

Além do óleo essencial de lavanda, diversos outros óleos essenciais são utilizados na aromaterapia, apresentando diferentes propriedades terapêuticas de acordo com sua composição química (ESSENTIAL OILS…, 2024). Esses óleos podem exercer efeitos calmantes, estimulantes ou moduladores do sistema nervoso central, sendo empregados tanto em humanos quanto na medicina veterinária

Entre os óleos essenciais com propriedades calmantes, destaca-se o óleo essencial de camomila, amplamente associado à redução da ansiedade e indução de relaxamento. Seus efeitos estão relacionados à presença de compostos como o bisabolol e flavonoides, que podem atuar na modulação do sistema nervoso central, contribuindo para a diminuição da excitabilidade neuronal (AROMATHERAPY…, 2025).

Por outro lado, alguns óleos essenciais apresentam propriedades estimulantes. O óleo essencial de hortelã-pimenta, rico em mentol, está associado ao aumento do estado de alerta e à estimulação cognitiva. Estudos indicam que sua inalação pode promover aumento da atividade mental e da atenção, sendo utilizado em contextos que exigem maior desempenho cognitivo (ESSENTIAL OILS…, 2024).

De forma semelhante, o óleo essencial de alecrim tem sido relacionado a efeitos estimulantes sobre o sistema nervoso central. Seus principais componentes, como o 1,8-cineol, estão associados à melhora da memória e da concentração. Em estudos experimentais, a exposição ao aroma de alecrim demonstrou efeitos positivos sobre o desempenho cognitivo e o estado de alerta (AROMATHERAPY…, 2025).

2.6  Material e métodos

O presente trabalho consiste em uma revisão de literatura de caráter descritivo, com objetivo de analisar os efeitos da aromaterapia, com ênfase no óleo essencial de lavanda, na medicina veterinária.

A coleta de dados foi realizada por meio de busca em bases científicas, incluindo PubMed, SciELO e Google Scholar. Foram utilizados descritores como “aromaterapia”, “óleo essencial de lavanda”, “linalol”, “ansiedade”, “cães” e “medicina veterinária”, em português e inglês.

Foram incluídos artigos científicos publicados preferencialmente nos últimos anos, que abordassem os mecanismos de ação, aplicações, dosagens e efeitos dos óleos essenciais em humanos e animais. Também foram considerados estudos clássicos relevantes para a compreensão do tema.

Como critérios de exclusão, foram descartados trabalhos que não apresentavam relação direta com o tema, artigos duplicados e publicações sem respaldo científico adequado.

A busca por materiais científicos foi realizada em bases de dados eletrônicas nacionais e internacionais, sendo eles: PubMed (National Library of Medicine), NCBI Bookshelf, ScienceDirect, Repositório Institucional do Centro Paula Souza (RIC-CPS) e Google Acadêmico. Essas plataformas foram escolhidas por reunirem publicações revisadas por pares e literatura científica relevante sobre o uso terapêutico dos óleos essenciais.

As informações extraídas foram analisadas de forma descritiva e integrativa, com o objetivo de sintetizar o conhecimento disponível sobre os efeitos e benefícios da aromaterapia, especialmente com o uso do óleo essencial de lavanda, tanto em humanos quanto em animais. Em vez de organizar os dados em tabelas ou categorias temáticas, optou-se por uma abordagem narrativa, na qual os resultados de cada estudo foram apresentados, estabelecendo relações entre os achados.

Essa análise permitiu compreender de forma ampla os potenciais efeitos calmantes, ansiolíticos e terapêuticos da aromaterapia, além de discutir suas aplicações práticas e limitações relatadas na literatura, contemplando aspectos fisiológicos, comportamentais e terapêuticos. A síntese final foi estruturada de modo a correlacionar os resultados obtidos em humanos com as aplicações na medicina veterinária, destacando as potencialidades da aromaterapia para promover o bem-estar e equilíbrio emocional dos animais.

3.  CONCLUSÃO

A análise crítica da literatura evidencia que a aromaterapia, com destaque para o uso do óleo essencial de lavanda (Lavandula angustifolia), apresenta potencial relevante como abordagem complementar na modulação do comportamento e na redução do estresse, tanto em humanos quanto na medicina veterinária. Os efeitos observados ao longo dos estudos analisados demonstram consistência, especialmente no que se refere à redução da ansiedade, promoção de relaxamento e alterações em parâmetros fisiológicos associados à atividade do sistema nervoso autônomo.

Do ponto de vista mecanístico, os achados sugerem que tais efeitos estão diretamente relacionados à ação dos principais constituintes da lavanda, como o linalol e o acetato de linalila, que atuam sobre o sistema nervoso central por meio da modulação de sistemas neurotransmissores, incluindo o sistema GABAérgico e, possivelmente, o sistema glutamatérgico. Essa atuação contribui para a redução da excitabilidade neuronal e para o equilíbrio entre vias excitatórias e inibitórias, refletindo-se em respostas comportamentais e fisiológicas compatíveis com estados de relaxamento e diminuição do estresse.

No entanto, apesar da coerência geral dos resultados, a análise dos estudos evidencia limitações importantes que devem ser consideradas. Observa-se uma significativa heterogeneidade metodológica, especialmente no que diz respeito às formas de aplicação, tempo de exposição e, principalmente, às dosagens utilizadas. Em muitos estudos, sobretudo na medicina veterinária, a administração ocorre por via inalatória indireta, sem controle preciso da concentração efetivamente absorvida pelos animais, o que dificulta a padronização dos protocolos e a reprodutibilidade dos resultados.

Além disso, a extrapolação dos dados obtidos em humanos para animais deve ser realizada com cautela, uma vez que existem diferenças marcantes no sistema olfativo entre as espécies. Cães, por exemplo, apresentam número significativamente maior de receptores olfatórios e maior sensibilidade a compostos voláteis, o que implica que concentrações consideradas baixas para humanos podem representar estímulos intensos para esses animais. Essa particularidade reforça a necessidade de abordagens específicas para cada espécie, evitando generalizações inadequadas.

Outro ponto relevante refere-se à segurança do uso dos óleos essenciais. Embora a lavanda seja frequentemente descrita como segura, a ausência de padronização nas concentrações e formas de uso pode resultar em riscos potenciais, especialmente em aplicações tópicas sem diluição adequada ou em casos de exposição prolongada. Dessa forma, a utilização desses compostos deve ser conduzida de maneira criteriosa, considerando fatores individuais e respeitando limites de segurança.

Adicionalmente, observa-se que muitos estudos apresentam limitações metodológicas, como tamanhos amostrais reduzidos, ausência de grupos controle rigorosos e dificuldade na mensuração objetiva da dose efetivamente administrada. Esses fatores impactam diretamente a qualidade das evidências disponíveis e reforçam a necessidade de pesquisas mais robustas, com delineamentos experimentais padronizados e controle mais preciso das variáveis envolvidas.

Diante desse contexto, conclui-se que a aromaterapia com óleo essencial de lavanda apresenta potencial promissor como ferramenta auxiliar no manejo do estresse e de alterações comportamentais, incluindo sua aplicação na medicina veterinária. No entanto, sua utilização clínica ainda se encontra limitada pela falta de padronização dos protocolos e pela escassez de estudos mais aprofundados, especialmente em animais.

Portanto, torna-se fundamental o desenvolvimento de novas pesquisas que estabeleçam parâmetros claros e reprodutíveis, especialmente no que se refere às dosagens, formas de aplicação e avaliação de segurança. Somente com o avanço do conhecimento científico será possível consolidar o uso da aromaterapia como prática terapêutica baseada em evidências, garantindo maior eficácia e segurança na sua aplicação tanto em humanos quanto na medicina veterinária.

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