sexta-feira, 15 de junho de 2018

Planta em Foco Brosimum gaudichaudii Trécul. (Moraceae). Boletim PLANFAVI, n. 45, jan/mar 2018. Parte 1

Brosimum gaudichaudii Trécul. (Moraceae) 

Planta nativa do Brasi, com porte arbustivo, podendo atingir até 4 m de altura. Os ramos são cilíndricos, escuros e estriados e as folhas duras, elípticas ou oblongas, glabra na face adaxial e pubescente na abaxial. As flores ficam reunidas em um receptáculo globoso, na axila das folhas, e os frutos amarelo-alaranjados, com cerca de dois centímetros de diâmetro, são semelhantes às mamas de uma cadela. Os frutos carnosos são comestíveis e a madeira é utilizada em marcenaria. Esta espécie é encontrada tanto em áreas de cerrado como em áreas da floresta amazônica e mata atlântica. 

Parte da planta utilizada: As folhas, casca e as raízes são usadas pelas populações da região central do Brasil, principalmente, para o tratamento do vitiligo. As raízes são amplamente comercializadas por raizeiros. O córtex da raiz é a parte do vegetal que apresenta maior concentração de furanocumarinas, as quais possuem importância farmacológica e terapêutica. 

Usos populares: O córtex da raiz é utilizado na medicina popular na forma de chás para o tratamento do vitiligo e outras doenças que causam despigmentação. Além do vitiligo, o chá das raízes tem sido usado para dores de estômago e problemas intestinais. 

Fitoquímica: Os principais constituintes químicos são as furanocumarinas, bergapteno e psoraleno. O bergapteno é encontrado nas raízes, cascas e frutos verdes. Outras cumarinas como hidroximarmesina, xantiletina, luvangetina e a gaudichaudina também foram isoladas dessa espécie. Estudos fitoquímicos demonstraram que as substâncias responsáveis pela ação contra o vitiligo são o psoraleno e o bergapteno. Na casca das raízes, a concentração de furanocumarinas pode representar até 3% do peso seco, enquanto que nas folhas, látex e casca do caule foram detectados apenas traços destes compostos. 

Farmacologia: O interesse farmacológico desta espécie é atribuído às elevadas concentrações de furanocumarinas, encontradas na casca das raízes. A indústria brasileira já disponibiliza os produtos derivados desta espécie para o tratamento do vitiligo e estudos agronômicos indicam a viabilidade técnica para o seu cultivo. Derivados psoralênicos são encontrados em medicamentos como o Viticromin®, elaborado a partir de cascas da porção inferior do caule e das raízes desta espécie, que depois de colhidas, são dessecadas, descascadas, trituradas e preparadas em formas farmacêuticas para uso interno (comprimidos) e externo (pomada e loção). As furanocumarinas também exibem atividades antiespasmódicas, antidigitálica, analgésica, colerética, inibidora da gonadotrofina, anticoagulante, coagulante e antimicrobiana. 

Efeitos Adversos: Furanocumarinas podem ser tóxicas, por possuírem reatividade e capacidade de danificar lipídios, proteínas, RNA e DNA. Entretanto estudos mostraram que esta espécie possui baixa toxicidade, durante tratamentos agudos. 

Link: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mamacadela.jpg

A fitoterapia no serviço público no I Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Pública, Boletim PLANFAVI, n. 45, jan/mar 2018

A Fitoterapia no Serviço Público foi tema de duas Mesas paralelas durante o I Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Pública, promovido pelo Ministério da Saúde (MS), que ocorreu no Riocentro, em março de 2018. 

O tema da primeira Mesa foi Política e programa de plantas medicinais e fitoterápicos do Brasil e Guatemala: Avanços, limites e possibilidades. Os palestrantes foram: Dr. Armando Cáceres da Guatemala que relatou sua participação na pesquisa de plantas medicinais na Academia e na produção de fitoterápicos. Dr. José Carlos Tavares Carvalho, Coordenador do Comitê de apoio as Políticas de Fitoterápicos e plantas medicinais da Comissão da Farmacopeia Brasileira apresentou os resultados do trabalho que coordenou: a elaboração do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira de 2011, contendo preparações elaboradas com o grau de segurança em formulações, e o Memento fitoterápico da Farmacopeia Brasileira de 2016, para apoio aos prescritores de fitoterápicos do SUS. 

No tocante aos avanços foi apresentado pelo palestrante Daniel César N. Cardoso, do Departamento de Assistência Farmacêutica do MS, que a institucionalização da Política Nacional de Plantas medicinais e fitoterápicos em 2006, construída coletivamente e em seguida a institucionalização do Programa nacional de plantas medicinais e fitoterápicos, foram fundamentais para o crescimento dos programas municipais e estaduais de Fitoterapia no SUS. Consequentemente foram incluídas 12 plantas medicinais na Rename o que possibilitou a aquisição de medicamentos fitoterápicos no SUS. 

Com a elaboração da lista de plantas da Renisus, foram finalizadas 34 monografias, após consulta pública, num total de investimentos da ordem de R$ 2.010.226,00. Foram apoiados 31 projetos de Arranjos produtivos locais na ordem de R$ 21.086.579,93; 3 projetos de desenvolvimento e registro de medicamentos fitoterápicos na ordem de R$ 3.079.628,50 e 59 projetos de Assistência farmacêutica na ordem de R$ 11.557.075,21. 

A Coordenadora do Programa de Fitoterapia do município de Vitória (ES), médica Henriqueta T do Sacramento e a Coordenadora da Cidade do Rio de Janeiro, farmacêutica Helene Frangalis, apontaram que a aceitação e interesse dos profissionais de saúde para prescrição de fitoterápicos bem como a aceitação dos pacientes aos tratamentos naturais, foram estruturantes para a consolidação e institucionalização dos Programas de Fitoterapia. Sacramento afirmou que a criação da área técnica responsável com profissionais efetivos e a participação do controle social são fundamentais para a garantia de continuidade do Programa. Porém afirmaram que a falta de recursos orçamentários para implementação das ações, é um fator limitante, considerando a escassez de recursos para atenção à saúde no SUS. 

Na segunda mesa, abordou-se o Desenvolvimento de Programas de Fitoterapia no SUS, com relatos de experiências das palestrantes: Isanete G. C. Bieski (Cuiabá), Kallyne B. Costa (Maranhão), Mary Anne M. Bandeira (Ceará) e Henriqueta T do Sacramento, de Vitória (ES). Observou-se que para o sucesso da implementação dos Programas de Fitoterapia apresentados foi fundamental o apoio dos gestores e dos pesquisadores das Universidades, a garantia do financiamento, a aceitação dos usuários e interesse dos profissionais de saúde para capacitação em Fitoterapia na atenção básica. 

Esse editorial foi escrito a convite pela Drª Henriqueta Tereza do Sacramento - Médica e Coordenadora do Programa de Fitoterapia do município de Vitória (ES).

Link:
http://www.cebrid.com.br/wp-content/uploads/2018/05/Boletim-PLANFAVI-45-Janeiro-Fevereiro-Mar%C3%A7o-2018.pdf